sábado, setembro 15, 2012

Sociais

Charlie Chaplin e Albert Einstein

Colunistas

O capitalismo de cassino de Wall Street

Rifando as cidades norte-americanas

Márcia Denser
Um excelente ensaio de Michael Hudson, professor de Economia na Universidade do Missouri, autor de The Bubble and Beyond, obra que coloca os setores financeiro e imobiliário na raiz da crise fiscal urbana mundial, fornece os fundamentos deste nosso artigo. Segundo ele, A marcha de Wall Street contra os 99% está se acelerando. É a mesma filosofia de austeridade imposta à Grécia e à Espanha, e a mesma que leva o presidente Obama e Mitt Romney a insistirem na redução de custos com o Medicare (assistência de saúde pública) e com a Previdência Social.

Diferentemente do governo federal dos EUA, a maioria das cidades e estados possuem constituições que previnem déficits orçamentários. Isso significa que ao suprimirem impostos sobre imóveis, as cidades e estados devem pegar dinheiro emprestado dos ricos ou cortar serviços públicos.

Em tese.

Mas agora isso dançou e se tornou arriscado porque a economia afunda com a queda dos valores das dívidas. Da Califórnia ao Alabama, as cidades estão se tornando inadimplentes. Já não conseguem restabelecer impostos sobre proprietários sem causar mais inadimplência hipotecária e abandonos. Mas alguém tem que ceder. De forma que então as cidades reduzem gastos públicos, encolhem seus sistemas educacionais e forças policiais, e vendem seus ativos para pagar detentores de títulos.

E isto se tornou a causa principal do crescente desemprego nos Estados Unidos que, obviamente, diminui a demanda de consumo. É um pesadelo keynesiano. Menos óbvios são os cortes devastadores ocorrendo na saúde, no treinamento de mão-de-obra e outros serviços, enquanto taxas de matrícula para colégios públicos e as “taxas de participação” no ensino médio sobem. Sistemas escolares estão se desfazendo e professores são abandonados numa escala nunca vista desde a Grande Depressão.

Todavia, estrategistas de Wall Street enxergam essa situação e os “espremidos orçamentos locais” como dádivas. Como disse Rahm Emanuel (além, é claro, de Murdoch, Bush, Rumsfeld, Chaney, Soros & banqueiros ilimitados, aficcionados do Capitalismo de Desastre mixado ao Cassino) afinal, uma crise é uma oportunidade boa demais para se desperdiçar – e a crise fiscal alavanca os credores financeiramente para empurrarem políticas anti-trabalhistas e privatizações.

O terreno está sendo preparado para uma “cura” neoliberal: cortar pensões e assistência médica, negligenciar promessas de reformas trabalhistas e rifar o setor público, deixando os novos proprietários cobrarem pedágios sobre tudo, desde avenidas a escolas. O termo do momento é “extração de rendas”. Tendo causado a crise financeira, o legado de décadas de cortes sobre a propriedade, financiado pelo endividamento sem limites, agora deve ser pago vendendo-se ativos públicos.

Chicago arrendou sua Skyway por 99 anos e seus estacionamentos por 75 anos. O prefeito Emanuel contratou os gerentes de ativos do JP Morgan para dar “conselhos” sobre como vender a privatizadores o direito de cobrar taxas sobre serviços que eram gratuitos (ou seja, como construir uma ratoeira mais eficiente).

Por retratar os servidores locais como inimigos públicos número 1, a crise urbana está fazendo com que a luta de classes volte à ordem do dia. O setor financeiro argumenta que pagar pensões (ou até um salário mínimo) absorve a receita a ser usada no pagamento de títulos podres. A cidade de Scranton na Pensilvânia reduziu os salários do setor público para o mínimo, enquanto outras procuram romper com planos de pensão e contratos salariais – e depois vão atrás de jogos de azar em Wall Street, numa tentativa desesperada de cobrir suas obrigações estimadas em 3 trilhões de dólares, mais 1 trilhão em cuidados de saúde.

Embora Wall Street tenha engendrado a economia-bolha cuja explosão engatilhou a crise fiscal urbana, seus lobistas e suas teorias econômicas absurdas não são responsabilizados. Melhor do que culpar os que cortaram impostos e deram uma herança inesperada aos banqueiros e aos magnatas do setor imobiliário, é obrigar professores e outros empregados do serviço público a devolverem seus salários e aposentadorias. Contudo, para os predadores financeiros não existem devoluções de espécie alguma, ao contrário.

Em vez disso, chegará o momento em que as cidades serão forçadas a fazer o que fez Nova Iorque para evitar a bancarrota em 1974: entregar a gestão para quem Wall Street determinar. Os políticos eleitos serão substituídos por “tecnocratas” que irão fazer o mesmo que Margaret Thatcher e Tony Blair fizeram na Inglaterra: vender o que resta do setor público e levar cada programa social para a mesa de “negociações”.

O plano é atingir algumas metas. Como por exemplo, dar aos privatizadores o direito de cobrar pedágio sobre a infraestrutura pública. A ideia é forçar cidades a equilibrar o orçamento, arrendando ou vendendo suas avenidas e sistemas de transporte público, escolas e prisões. Isso promete criar um novo mercado para os bancos: empréstimos a abutres que comprarão os direitos de instalar pedágios na infraestrutura básica da economia. Como oficiais públicos eleitos não podem engajar-se em políticas tão predatórias e anti-trabalhistas, resta a “magia do mercado” para dissolver sindicatos, diminuir serviços públicos, taxar sistemas de água e esgoto, cortar linhas de ônibus e aumentar tarifas.

Para realizar esse plano financeiro, é necessário emoldurar o problema de tal maneira que as alternativas anti-sociais sejam excluídas. Como bem sabia Margaret Thatcher, deve-se pregar a falta de alternativas (there is no alternative ou TINA). Não há alternativas senão vender o transporte público, o setor imobiliário e até sistemas educacionais e prisões.

Para os neoliberais, a beleza disso tudo é que o rebaixamento da educação torna os cidadãos mais suscetíveis à falsa consciência do Tea Party. Esse é o significado de livre-mercado hoje: renda criada por investimentos no setor público “livre” para ser paga aos bancos como juros em vez de ser recuperada pelo governo. A maior parte da receita urbana são rodovias, escolas e sistemas de água e esgoto financiados pelo contribuinte.

O miolo da “falsa consciência” dos banqueiros – a matéria de capa com a qual os lobistas do Tea Party estão procurando doutrinar os eleitores norte-americanos – é que os impostos sobre a terra e os ativos financeiros punem os “criadores de emprego”. Os beneficiários desse gasto público dizem que precisam ser mimados com preferências fiscais para investir e empregar, enquanto os 99% devem ser chutados e incitados a trabalhar mais por menores salários. Essa falsa narrativa ignora que os maiores períodos de crescimento norte-americano foram aqueles em que os impostos individuais e corporativos eram também maiores. O mesmo é verdadeiro na maioria dos países. O que está sufocando o crescimento econômico são as elevadas dívidas – devidas a 1% da população – e cortes de impostos sobre grandes riquezas.

O arrocho nas aposentadorias públicas é parte da crise geral. Aliás, Paul Ryan, candidato indicado a vice-presidente pelo Partido Republicano, e Rick Perry, governador do Texas, caracterizaram a Previdência Social norte-americana como um esquema a la Charles Ponzi do dias atuais.

O fato é que o sistema financeiro está podre. Isso transformou a atual luta de classes numa guerra financeira na qual o fator principal é moldar a forma como os eleitores enxergam o problema. O truque é fazê-los pensar que cortar impostos barateará o custo de vida e a habitação, quando o entendimento que deve ser propagado é o seguinte: cortar impostos só faz com que mais renda para empréstimos caia no colo dos banqueiros, o que afundará mais ainda a economia.

Políticos democratas ou republicanos não querem taxar mais as finanças, os seguros ou o setor imobiliário. A postura deles está alinhada com o que querem os financiadores de suas campanhas: deixar Wall Street mais rica. É o velho problema das prioridades. As dívidas não podem ser pagas e não serão pagas. Então, a questão é quem deve ser priorizado: o 1% ou o 99%? Insiste-se que a austeridade e a redução do Estado são inevitáveis, não uma escolha política que privilegia os credores públicos e o 1% aos 99%, ou uma retribuição do dinheiro gasto comprando políticos e fazendo eleitores acreditarem que “cortar impostos sobre a propriedade e sobre os ricos ajudará a economia”.

Se os Estados Unidos continuarem a permitir que o 1% legisle e dê as cartas, a economia será esfacelada em pouco tempo. A era do crescimento ianque chegará ao fim. Mas, repetimos: alguém tem que ceder. Ou seja, é hora de dar calote. Caso contrário, Wall Street transformará os EUA na Grécia. Esse é o plano financeiro – a estratégia da atual guerra financeira contra a própria sociedade.

Um tiro, não no pé, mas no próprio coração do sistema.

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

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Opinião

A aposta de Tombini

O Estado de São Paulo

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, reiterou sua aposta na recuperação e no fortalecimento da economia brasileira, embora o ambiente externo continue desfavorável e só deva melhorar muito lentamente. Nem a China, maior emergente, segunda maior potência econômica do mundo e maior importadora de produtos brasileiros, passa ilesa pela crise global. Também esse dado entra nas contas do presidente do BC, mas ele prevê para a economia chinesa um pouso suave. Para o mundo rico as previsões continuam sombrias. Na União Europeia, as "economias centrais começam a sentir com mais intensidade os efeitos da crise", mas o risco de um desastre maior é atenuado por "medidas recentes". Nos Estados Unidos, o crescimento lento e o desemprego ainda alto "mantêm aberta a possibilidade de novos estímulos monetários" - referência ao fenômeno descrito pela presidente Dilma Rousseff, em linguagem menos diplomática, como "tsunami monetário".

Na descrição de Tombini, apresentada em depoimento à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, nessa quarta-feira, a reanimação da economia brasileira é atribuível estritamente, ou quase, a medidas internas, tomadas pelo BC e pelo Executivo federal. Passada a fase mais difícil, o crescimento será sustentado, neste semestre e no próximo ano, pelo vigor do mercado interno. Sem apresentar projeções próprias, ele mencionou estimativas coletadas no mercado por meio da pesquisa Focus da semana passada: ritmo equivalente a 4,4% ao ano, durante a segunda metade de 2012, e 4% ao longo de 2013.

Pelo menos em relação à demanda interna a avaliação positiva parece muito bem fundamentada. De fato, o nível geral de ocupação permanece elevado e o emprego industrial, geralmente o de melhor padrão, cresceu 0,2% em julho, depois de quatro meses de redução, segundo informou também na quarta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A folha real de salários encolheu 1%, mas permaneceu 2,5% maior que a de um ano antes.

Emprego e renda ainda garantem boas condições de consumo, reforçadas pelo crédito em expansão, pela redução dos juros e pela inadimplência em queda. Do lado da oferta o cenário traçado pelo presidente do BC ainda parece um tanto otimista. Além das medidas de estímulo temporário, ele mencionou as ações tendentes a reforçar a eficiência e a competitividade da indústria - um dado novo na política econômica. Mas é cedo para saber se os produtores brasileiros, mesmo com esses novos incentivos, conseguirão responder ao aumento da demanda interna e retomar os espaços ocupados, nos últimos anos, pelos concorrentes estrangeiros.

Curiosamente, o presidente do BC pouco se ocupou do comércio exterior e do balanço de pagamentos, apesar da inegável piora das contas externas em 2012 (resultado de problemas de competitividade acumulados em vários anos). Ele nem mesmo explorou os prováveis efeitos cambiais de uma nova onda de emissão de dólares, se a autoridade monetária americana retomar a política expansionista.

Tombini reafirmou também a expectativa de inflação no rumo da meta, isto é, da taxa anual de 4,5%. A trajetória será irregular, segundo ele, por causa das pressões externas sobre os preços agrícolas, mas esse problema, em sua avaliação, deve ser transitório. Se essas previsões se confirmarem - este é o evidente recado implícito -, será desnecessário elevar de novo os juros básicos, em queda há um ano.

O cenário de Tombini parece realista em vários aspectos. Mas a política econômica apenas começou a tocar nas questões de competitividade. Quanto a esse ponto, ele pode ter sido perigosamente otimista. Além disso, praticamente ignorou os problemas das contas externas.

Havia só dois senadores no auditório, quando chegou o presidente do BC. O presidente da comissão, senador Delcídio Amaral, tentou justificar as ausências e acrescentou: "O importante é que a imprensa está aqui e que o mercado vai acompanhar". Nesse caso, para que ir ao Senado, se diretores do BC podem falar à imprensa em tantos outros lugares?

Original aqui

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Manchetes do dia

Sábado, 15 / 09 / 2012

Folha de São Paulo
"Ataques anti-EUA atingem 19 países e se estendem a aliados" 

Embaixadas alemã e britânica são invadidas no Sudão; escolas e lanchonetes também viram alvo

No quarto dia de fúria contra os Estados Unidos, os protestos motivados por um filme que satiriza o profeta Maomé se espalharam pelo mundo islâmico, atingindo ao menos 19 países e deixando seis mortos. No Sudão, manifestantes também atacaram embaixadas de aliados, como a da Alemanha e do Reino Unido. Os ataques não se limitaram a representações diplomáticas e se estenderam a outros alvos americanos, como uma escola na Tunísia e lanchonetes no Líbano. Barack Obama ordenou o envio de unidades de elite para o Sudão e o Iêmen. Para o assessor especial da Presidência brasileira, Guilherme Patriota, as políticas americanas para a Palestina e o Irã também ajudam a explicar os ataques. “Parece surpreendente que um mero filme possa deflagrar movimentos tão exacerbados.

O Estado de São Paulo
"BC reduz compulsório e injeta R$ 30 bi na economia" 

Medida deve impulsionar consumo e contribuir para a redução do juro final ao consumidor nos empréstimos

O Banco Central anunciou ontem a redução dos recolhimentos compulsórios que os bancos são obrigados a fazer sobre os depósitos à vista e a prazo, o que deve injetar cerca de R$ 30 bilhões na economia nos próximos meses. Também foram dados incentivos para compra de carteiras de bancos. A medida vai impulsionar o consumo e ajudar a reduzir o juro final ao consumidor ao diminuir o spread bancário, segundo o diretor de Política Monetária do BC, Aldo Mendes. Esse é, segundo Mendes, o objetivo principal da medida. Ele afirmou que a redução dos compulsórios “não é uma medida de estabilidade financeira”, ou seja, não foi para assegurar solidez ao sistema bancário. Para analistas, a medida deve impulsionar o crédito.

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sexta-feira, setembro 14, 2012

Ubatuba em foco


Paz ou traição?

José Ronaldo dos Santos
Após mediação dos padres jesuítas, aconteceu nessa área (Aldeia de Yperoig, mais tarde Vila Nova da Exaltação da Santa Cruz do Salvador de Ubatuba) a denominada “Paz de Yperoig”. Mas parece que a paz resultou em traição conforme o texto ilustrado pelos irmãos Eudes e Marta, moradores do bairro do Ipiranguinha, na atual Ubatuba.

Os pontos defendidos pelos índios confederados não parecia conter nada de extraordinário. Queriam: a libertação dos prisioneiros que se encontravam nos trabalhos forçados dos engenhos, o fim da prática de escravização, entrega dos chefes traidores para serem julgados pelos Tamoios e que os deixassem viver em paz, como os verdadeiros donos da terra. Os portugueses concordaram. Assim surgiu o acordo que hoje é chamado de Paz de Yperoig. A tradição diz que foi no dia 14 de setembro de 1563.

Era de se esperar que o tratado de paz não fosse respeitado pelos portugueses. Afinal, eles cruzaram os mares na busca de riquezas. Imagine abrir mão de vultosos lucros por causa de povos que, segundo o pensamento religioso da época, nem almas tinham! Por isso, a aldeia de Yperoig foi a primeiras dos Tupinambá a ser incendiada.

O feriado deste dia (14 de setembro) tem duplo nome: Dia da Exaltação da Santa Cruz e Dia da Paz de Yperoig. Bem que poderia aparecer uma proposta para que se mudasse para o Dia da Traição de Yperoig. Não foi isto que aconteceu?

Ainda bem que muitíssimos aspectos da cultura caiçara nos remetem à orgulhosa Confederação dos Tamoios, onde tantos tupinambás morreram defendendo a terra, a liberdade e os direitos deles!
 

Pois é! Paz de Yperoig é um nome mais adequado para cemitério! Pelo menos alguns chefes da Confederação dos Tamoios tornaram-se nomes de ruas (Cunhambebe, Aimberê, Araraí, Pindobuçu, Coakira...). 

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Lhama em movimento...


Coluna do Celsinho

Concorrendo

Celso de Almeida Jr.
Além das atividades administrativas no ambiente escolar, atuo, há algum tempo, no segmento do marketing político.

Culpa única e exclusiva do Marcelo Pimentel, que me convenceu a transformar uma vocação em negócio.

Foi assim que, de voluntário em campanhas eleitorais ubatubenses, onde sempre militei como coordenador, redator, supervisor; tornei-me um parceiro da MP – Marketing Político e Governamental.

Claro que tive que me especializar no assunto, buscando no estudo, na academia, nas novas tecnologias, o amparo metodológico obrigatório para avançar.

Mas, sem dúvida, a generosidade e o entusiasmo dos irmãos Pimentel  - Marcelo e Ricardo – garantiram o passaporte para entrar neste área profissional de tantos desafios.

Trata-se de uma nova escola em meu caminho; certeza de aprendizagem.

Neste instante, a empresa é responsável por assessorar candidatos a prefeito em 4 cidades: Taubaté, Lorena, Cruzeiro e Porto Velho.

Experiências extraordinárias que estão fortalecendo o meu currículo.

E em Ubatuba?

Apesar de alguns convites, a conversa não avançou.

Talvez, até, tenha assustado os interessados, quando expliquei que qualquer envolvimento em campanhas, nesta fase de minha vida, seria exclusivamente profissional, através de contrato com a empresa em que atuo.

Com esta postura, acabei não conquistando clientes no município, que preferiram profissionais de outras praças.

Um belo exemplo da livre concorrência.

Prova que santo de casa não faz milagres...

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

O irrealismo das cotas

O Estado de S.Paulo
As políticas de ação afirmativa começaram a ser adotadas no País após a entrada em vigor da Constituição de 88. Nas duas últimas décadas, essas políticas favoreceram diversos grupos sociais. Mas, a partir do momento em que passaram a ser usadas com objetivos demagógicos, sendo convertidas em leis e levando à proliferação dos sistemas de cotas, elas se desfiguraram e passaram a acarretar os mais variados problemas.

O caso da Lei n.º 8.213/91, que obrigou as empresas a terem um contingente de pessoas "portadoras de necessidades especiais" em seu quadro de funcionários, é exemplar. A lei determina que as empresas que têm de 100 a 200 empregados são obrigadas a reservar 2% das vagas para pessoas com deficiência visual, auditiva, física ou mental. Para as empresas que têm de 201 a 500 empregados, a cota é de 3%. Para as que têm de 501 a 1.000 funcionários, a cota sobe para 4%. E para as empresas com mais de 1.001 empregados, a cota é de 5%.

Pela Lei as empresas só podem dispensar um trabalhador portador de necessidades especiais, depois de contratar outro deficiente para seu lugar, sob pena de ter de readmitir o demitido e de pagar a ele todos os salários relativos ao período em que não houve a contratação de outro empregado em condições semelhantes.

Quando a Lei entrou em vigor, seus defensores alegaram que a imposição de cota de trabalhadores deficientes, além de promover justiça social, traria vantagens corporativas para as empresas, e melhoraria a sua imagem perante o mercado. A ideia é que os portadores de deficiência ajudariam a melhorar o ambiente de trabalho, levando os consumidores a ver as empresas como organizações que não visam apenas ao lucro, mas que atuam com responsabilidade social.

Os fatos, contudo, não aconteceram como os defensores da Lei previam. Em várias cidades não há no mercado de trabalho local e regional portadores de deficiência em número suficiente para que as empresas possam preencher suas cotas.

Em muitas cidades surgiram intermediários de mão de obra de deficientes, que cobravam dos empregadores comissão para cada portador de necessidade especial contratado, convertendo a política de ação afirmativa em negócio.

Em algumas atividades econômicas, não há trabalhadores deficientes qualificados para atender às necessidades de todas as empresas do País. Nas atividades-fim de empresas de metalurgia, transportes, saúde e vigilância, não há como empregar deficientes. "Como uma empresa de transportes pode colocar um deficiente dirigindo um caminhão", pergunta Sylvio de Barros, diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "Como vamos preencher as vagas se não há enfermeiros portadores de deficiência disponíveis?", indaga, em nota, a diretoria do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo.

Apesar disso, muitas empresas continuam sendo multadas por fiscais trabalhistas e acionadas judicialmente pelo Ministério Público do Trabalho, por não preencherem as cotas impostas pela Lei n.º 8.213. Isso as tem obrigado a gastar com advogados, a financiar programas especiais de treinamento no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e até a fazer doações, o que encarece seus custos de produção. "Quando se verifica a incapacidade de preencher a cota podemos converter a obrigação de contratar em benefícios a pessoas com deficiências, como criar escolas para esse público ou realizar doações", diz a procuradora trabalhista Renata Coelho Vieira.

Enquanto a iniciativa privada enfrenta problemas para atender às exigências de uma lei irrealista, a Câmara analisa o Projeto de Lei n.º 2.973, do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que amplia ainda mais as cotas de deficientes a serem contratados, impondo-as, inclusive, para as empresas com 30 empregados.

O objetivo do projeto, segundo seu autor, é reduzir o "preconceito" contra portadores de deficiência. Iniciativas como essas desmoralizam as políticas de ação afirmativa no País.

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Manchete do dia

Sexta-feira, 14 / 09 / 2012

Folha de São Paulo
"Protestos anti-EUA se espalham" 

Representações americanas no Oriente Médio são alvo de manifestações contra filme satírico; 5 morrem no Iêmen

Protestos contra um filme anti-islâmico produzido nos EUA, que resultaram na morte do embaixador americano na Líbia, se espalham pelo Oriente Médio. No Iêmen, manifestantes invadiram a embaixada e arrancaram a bandeira americana. Forças do país mataram cinco invasores.

O Estado de São Paulo
"Imposto de 25 setores é reduzido e governo estuda mais medidas" 

Desoneração de folha de pagamentos será de R$ 60 bilhões em 4 anos, diz Mantega

Com o objetivo de reduzir o custo da produção e estimular queda de preços, o governo anunciou que empresas de 25 setores deixarão de recolher em 2013 a contribuição ao INSS de 20% sobre a folha de salários. Em troca, pagarão 1% ou 2% sobre o faturamento. As empresas que comprarem máquinas e equipamentos receberão incentivo. No total, 40 setores serão beneficiados. Até 2016, o governo estima que o benefício terá custado R$ 60 bilhões. O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que novas medidas serão adotadas.

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quinta-feira, setembro 13, 2012

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Opinião

Toma lá dá cá

O Estado de S.Paulo
Nesse nada edificante episódio da nomeação de Marta Suplicy para o Ministério da Cultura é difícil saber quem fica pior na foto: a presidente Dilma, que não teve o menor escrúpulo de ceder à pressão de Lula e tratar uma pasta que deveria ter importância estratégica como mera moeda de troca num cambalacho político-eleitoral; a própria Marta, cuja máscara de mulher de princípios caiu quando chegaram em seu preço e ainda teve a insolência de fazer cara de surpresa; ou Fernando Haddad, que não se poupou do papel ridículo: "Quem conhece a presidente Dilma sabe que com ela não existe esse tipo de toma lá dá cá".

Negar evidências incômodas e salvar aparências convenientes é como que impulso natural dos políticos, que por deformação profissional usam as palavras menos para revelar do que para dissimular a verdade. Mas nada consegue escamotear o fato de que entregar a Cultura à astuciosamente rebelde Marta foi a maneira que Lula encontrou, e "sugeriu" à presidente da República que colocasse em execução, de matar dois coelhos com uma só cajadada: comprar o apoio da ex-prefeita à candidatura de Fernando Haddad e minar o aval do PR à de José Serra, presenteando com uma cadeira no Senado um dos líderes dessa legenda, o vereador paulistano Antonio Carlos Rodrigues, suplente de Marta.

Não é de hoje que Dilma Rousseff se rendeu à pressão do lulopetismo e entregou-se por inteiro às práticas que fazem a má fama da chamada classe política. Não há por que, portanto, estranhar que tenha cumprido com tanta presteza a determinação de seu mentor. Não foi a primeira nem será a última vez.

Não se pode deixar passar em branco, no entanto, a circunstância de que nesse cambalacho eleitoral serviu como moeda de troca um Ministério que deveria ser tratado com mais respeito por qualquer governo que leve a sério o pleno desenvolvimento do país a longo prazo. Cultura, porém, está claro que é a última das prioridades para o petismo, cujo líder máximo entende que fazer apologia da ignorância é uma maneira de proteger os pobres da sanha predadora das elites perversas. Não há outra explicação - além, é claro, da habitual incompetência gerencial - para o fato de que os mais importantes projetos que Lula anunciou ainda como presidente, como a nova Lei Rouanet e o tão decantado Vale-Cultura, permaneçam até hoje em sono profundo nas gavetas federais.

Marta Suplicy, por seu turno, está cada vez mais parecida com ela mesma. Galgou o primeiro plano da política ao eleger-se prefeita de São Paulo em 2000, derrotando Paulo Maluf no segundo turno. Ao longo de quatro anos de administração, marcada por obras importantes da área social, construiu com dedicação e esmero a imagem de uma autossuficiência arrogante que acabou lhe valendo elevados índices de rejeição entre os paulistanos. Como consequência, logrou a proeza de não se reeleger: foi derrotada por José Serra, em 2004. Em 2006 perdeu para Aloizio Mercadante nas prévias do PT para escolha do candidato a governador. Em 2008 perdeu para Gilberto Kassab a eleição para prefeito de São Paulo. Em 2010 elegeu-se senadora.

No ano passado Marta estava mais uma vez empenhada em sua candidatura à Prefeitura paulistana quando Lula interveio para impor o nome de Fernando Haddad. A reação da senadora não poderia ter sido pior: fez beicinho e todos os tipos de malcriações, que chegaram ao clímax quando Lula abraçou Maluf nos jardins da casa deste. Era a própria imagem da indignação diante de uma manobra política "inaceitável". Tudo jogo de cena: lá está ela hoje tomando posse no Ministério da Cultura e fazendo comício e passeata em São Paulo ao lado de Haddad e de seus companheiros malufistas.

Finalmente, Fernando Haddad. Levado pela mão, de um lado, pelo chefão, e de outro pela presidente que promete "sintonia" com a futura administração paulistana, desfruta de um por enquanto débil movimento ascendente nas pesquisas de intenção de voto e finge não ver o que até as pedras sabem: "Se tivesse a ver com a minha campanha, (a nomeação de Marta) teria sido feito muitos meses antes. Quem conhece o estilo da presidenta Dilma sabe que não é assim que ela funciona". Então, tá.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 13 / 09 / 2012

Folha de São Paulo
"Dilma não deve ‘meter o bico’ em SP, ataca Serra" 

Em ofensiva, tucano liga Haddad a réus do mensalão; petista reclama de baixo nível

Em sua maior ofensiva contra o PT, o candidato do PSDB à prefeitura paulistana, José Serra, associou o rival Fernando Haddad a réus do mensalão e disse que Dilma Rousseff não deve “meter o bico” em São Paulo. Segundo o tucano, a presidente “mal conhece” a cidade e “vem dizer aos paulistas como devem votar”. Ele criticou a entrega do Ministério da Cultura a Marta Suplicy (PT), após a entrada dela na campanha petista.

O Estado de São Paulo
"Diplomata dos EUA é morto na Líbia e Obama reage" 

Ataque ocorreu quando multidões protestavam contra filme sobre Maomé; governo americano fala em fazer justiça

O embaixador dos EUA na Líbia, Christopher Stevens, e outros três diplomatas foram mortos em ataque a tiros e granadas contra o consulado americano em Benghazi. Os incidentes ocorreram na noite de terça-feira, enquanto multidões em várias cidades do mundo islâmico protestavam contra o filme Inocência dos Muçulmanos, que retrata Maomé como adúltero, bissexual, pedófilo e sanguinário. A morte de Stevens foi a primeira de um funcionário tão graduado em 33 anos. Com uma grave crise diplomática em plena campanha presidencial, o presidente Barack Obama reagiu dizendo que os EUA não descansarão enquanto os responsáveis pelo atentado não forem levados à Justiça. Antes da fala de Obama, previamente agendada e anunciada, seu rival republicano na corrida à Casa Branca, Mitt Romney, criticou os “cálculos errados” e as “mensagens confusas” da atual política externa.

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quarta-feira, setembro 12, 2012

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Opinião

Dilma remove obstáculos

O Estado de S.Paulo
O governo começa, enfim, a cuidar seriamente da infraestrutura necessária à expansão econômica, à geração de empregos e à ampliação de oportunidades para os brasileiros. O novo plano para o setor elétrico, apresentado ontem pela presidente Dilma Rousseff, soma-se ao programa de investimentos em transportes lançado em agosto. As novas iniciativas devem resultar, segundo a presidente, na prestação de serviços mais eficientes e mais baratos pelas administradoras de rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e sistemas de geração e distribuição de eletricidade. A redução do preço da energia, disse o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, "ataca o custo Brasil", por ele reconhecido como uma das grandes preocupações dos empresários.

A expressão "custo Brasil" tem sido usada muito raramente por altos funcionários da administração federal. A disposição de reconhecer deficiências estruturais e de ir além das medidas de curto prazo indica uma nova e promissora atitude entre os membros do primeiro escalão governamental. As medidas recém-anunciadas - plano de logística, desoneração da folha de salários e novas normas para o setor elétrico - servem ao objetivo geral de aumento da eficiência econômica e de aceleração do crescimento.

A eficiência nunca foi objetivo relevante nos oito anos da administração anterior. A expansão do investimento, a adoção de uma política industrial e o planejamento econômico sempre estiveram muito mais presentes na retórica do governo do que na gestão comandada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A presidente Dilma Rousseff, no entanto, foi incapaz de resistir à tentação de elogiar seu antecessor e de apresentar a desoneração das contas de eletricidade como desdobramento de uma política iniciada em 2003, quando ela mesma ocupava o Ministério de Minas e Energia. Mas o governo poderia ter reduzido o preço da eletricidade há muito mais tempo, se estivesse disposto a renunciar a certas receitas e se, além disso, as autoridades se tivessem preocupado mais cedo com a competitividade e os entraves ao crescimento. Essas questões estiveram fora de sua agenda até recentemente, como comprovam até os medíocres resultados do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).

Ninguém precisaria recorrer à mistificação para valorizar medidas inegavelmente positivas. O governo reconheceu o custo da eletricidade como problema importante e decidiu eliminar de forma definitiva certos encargos incidentes nas contas, em vez de recorrer, como de costume, a desonerações temporárias e de curto alcance. Além disso, mostrou preocupação com a eficácia ao propor a renovação de concessões com vencimento previsto até 2017, em troca de redução de tarifas e de mais investimentos.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, questiona a legalidade dessa decisão e afirma a obrigatoriedade de novas licitações. O governo mantém sua posição. Em termos pragmáticos, a renovação das concessões parece defensável, do modo como foi apresentada pelas autoridades. De toda forma, atenção aos custos e disposição para podar penduricalhos fiscais ou parafiscais são indícios de boas mudanças na administração.

O equilíbrio financeiro do sistema energético será garantido, segundo o secretário do Tesouro, Arno Augustin, por um aporte anual de R$ 3,3 bilhões, referentes a empréstimos para a construção de Itaipu. Normalmente, o governo recorre à elevação de outros encargos fiscais para compensar a concessão de incentivos ou de desonerações. Será bom conferir se nenhum outro custo será aumentado para os consumidores de energia elétrica.

O governo, disse a presidente Dilma Rousseff, já adotou outras medidas para remover obstáculos ao crescimento. Mencionou a redução dos juros e as intervenções contra a valorização do real, encarecedora dos produtos brasileiros. Faltam medidas estruturais de maior alcance, como a redução e a racionalização dos encargos tributários, a melhora dos serviços públicos e a administração fiscal mais austera e mais racional.

Na avaliação mais otimista, as medidas agora anunciadas são apenas um começo.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 12 / 09 / 2012

Folha de São Paulo
"Marta ganha ministério após dar apoio a Haddad" 

Dilma troca Ana de Hollanda por senadora do PT, que nega vínculo com campanha

Em sua 15ª mudança ministerial, a presidente Dilma Rousseff trocou ontem Ana de Hollanda pela senadora petista Marta Suplicy no comando do Ministério da Cultura. A nova ministra vai assumir a função amanhã. O convite foi feito em 22 de agosto, em acordo costurado para que Marta entrasse na campanha de Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo. Cinco dias depois, ao sair de reunião com Lula, ela anunciou a adesão à campanha.

O Estado de São Paulo
"Dilma dá ministério a Marta e abre caminho para PR apoiar Haddad" 

Ex-prefeita foi convidada para o cargo dias após entrar na campanha do petista; suplente é um dos líderes do partido que está coligado oficialmente a Serra

A posse de Marta acontecerá amanhã, às li horas. A mudança em Brasília deverá ter reflexos diretos na campanha à Prefeitura de São Paulo. Além de abrir vaga no primeiro escalão para Marta - que somente após conversas reservadas com Dilma e com o ex-presidente Lula aceitou apoiar a candidatura de Fernando Haddad (PT) -, a indicação coloca no Senado o suplente Antonio Carlos Rodrigues, atualmente vereador, presidente do PR na cidade de São Paulo e candidato à reeleição na Câmara Municipal. O PR está oficialmente coligado à candidatura de José Serra (PSDB), mas pode, agora, aderir à campanha de Haddad. As negociações com o PR indicam que ainda poderia ser oferecido, no futuro, mais um ministério ao partido.

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terça-feira, setembro 11, 2012

Ubatuba em foco


E por falar em civilidade... (XX)

José Ronaldo dos Santos
Revendo alguns lugares que muitos desses candidatos a alguma coisa nem imaginam que existem neste município (de Ubatuba!), me assustei com alguns descasos e depredações que ninguém comenta. Um exemplo, possível de ver na imagem cedida pelo Henrique Ferreira, é a queimada recente no jundu da Praia da Lagoa, onde espécies que levaram milênios para se sustentarem no Areião, sumiram rapidamente.

Questão: Quem está realmente preparado para cuidar do nosso patrimônio natural e cultural, disposto a conhecer e interferir na ocupação desordenada que vai arrasando os ecossistemas e fomentar atividades sustentáveis de acordo com o meio ambiente caiçara?

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Opinião

Luz, gasolina e embromação

O Estado de S.Paulo
O governo faz uma enorme e perigosa confusão ao misturar combate à inflação, corte das tarifas de eletricidade, aumento do preço dos combustíveis e política de juros. Como disse um pensador petista, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, mas essa obviedade parece inacessível aos formuladores da política econômica. As autoridades podem frear a evolução dos indicadores de preços, no próximo ano, se tornarem mais barata a energia elétrica. Mas a inflação retomará seu curso, em pouco tempo, se as condições propícias à elevação geral de preços continuarem presentes. Para isso, bastará a conjunção de crédito farto, gasto público excessivo e demanda suficiente para sancionar aumentos de preços. A confusão se completa quando a contenção de um índice - evento temporário - é apontada como oportunidade para arrumar as contas da Petrobrás e até para manter os juros baixos.

O governo acertará quando reduzir o peso fiscal sobre as contas de eletricidade e baratear o uso da energia tanto para empresas como para as famílias. A produção brasileira ficará um pouco mais competitiva e, ao mesmo tempo, os consumidores ganharão uma pequena folga no orçamento. Essa decisão contribuirá para o desenvolvimento do setor produtivo, para a preservação de empregos, ou até para sua criação, e para o aumento do bem-estar dos brasileiros. Não será, no entanto, exceto por um equívoco notável, parte de uma política anti-inflacionária.

O governo acertará, também, se deixar a Petrobrás adotar uma política de preços realista e compatível com suas necessidades econômicas e financeiras. Se for necessário um aumento de preços de combustíveis, será esse o procedimento correto. Manter o subsídio ao consumo apenas servirá para disfarçar a inflação, causará desajustes nos preços relativos (prejudicando, por exemplo, a produção de etanol) e privará a Petrobrás de recursos importantes para seus investimentos. Mais do que nunca, a empresa precisa de uma forte geração de caixa, para elevar a produção no curto prazo e avançar na caríssima e complexa exploração das reservas do pré-sal.

O prejuízo da empresa no último trimestre, seus indisfarçáveis problemas de produção e os erros cometidos em seus planos de investimento evidenciam os males de uma administração subordinada a interesses políticos dos governantes, de seus partidos e de seus aliados nacionais e estrangeiros. A correção desses erros, adiada por muito tempo, é agora urgentíssima e sua oportunidade independe do corte de tarifas da energia elétrica.

Mesmo quando acerta, o governo se mostra incapaz de formular com clareza uma boa estratégia de crescimento, com uma ampla e bem articulada bateria de medidas para tornar a economia nacional mais produtiva, menos sujeita a desajustes e mais preparada para a competição global. As novas iniciativas acabam prejudicadas pela confusão de objetivos e pela vocação do governo para as políticas de remendos. Sem disposição para reformar seriamente o sistema tributário, as autoridades preferem remendá-lo. Essa preferência é explicável tanto pelas dificuldades políticas de uma reforma genuína quanto pela incapacidade de cortar despesas e de racionalizar a administração.

A confusão de objetivos acaba resvalando para a mistificação. Disfarçar a inflação é politicamente mais lucrativo e muito menos trabalhoso do que executar uma séria política anti-inflacionária. Com uma política séria, é possível atenuar os efeitos de choques de preços, limitando sua transmissão e, em certos casos, intervindo no mercado com a venda de estoques de segurança. Atenuar, no entanto, é muito diferente de disfarçar.

Uma política honesta e competente cuidará de baixar as contas de eletricidade, de ajustar os preços dos combustíveis e de controlar a inflação sem misturar os objetivos próprios e os processos de cada linha de ação. Se cada parte for bem executada, o resultado geral será uma economia mais eficiente, mais próspera e mais compatível com o bem-estar. Discutir como ficará o índice oficial de inflação, no fim do próximo ano, se houver este ou aquele corte nas tarifas de energia elétrica, é mais que um equívoco. É uma vergonhosa embromação.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 11 / 09 / 2012

Folha de São Paulo
"Contra pressão, Dilma indica ministro do STF" 

Catarinense Teori Zavascki é anunciado 11 dias após aposentadoria de Peluso

Em meio ao julgamento do mensalão, a presidente Dilma Rousseff levou apenas 11 dias para indicar o catarinense Teori Albino Zavascki, 64, à vaga de ministro do STF, aberta com a aposentadoria de Cezar Peluso. O nome escolhido, revelado pelo site da Folha, foi bem recebido pelos colegas do Supremo. Para assumir, ele terá de passar por sabatina no Senado, o que deve acontecer em outubro, devido ao período eleitoral.

O Estado de São Paulo
"Valério foi intermediário entre Dirceu e Rural, afirma relator" 

Joaquim Barbosa apontou características de crime organizado no mensalão e votou pela condenação de 9 réus

Relator do processo do mensalão, o ministro Joaquim Barbosa disse ontem que o empresário Marcos Valério agiu como “intermediário” entre o ex-ministro José Dirceu e o Banco Rural, que fez os empréstimos já considerados fraudulentos pelo STF. Barbosa apontou características de crime organizado no mensalão e votou pela condenação de nove réus por lavagem de dinheiro. Entre eles estão ex-dirigentes do Rural, o empresário e seus sócios e ex-funcionários do grupo. O relator só absolveu Ayanna Tenório, ex-vice-presidente do banco. Barbosa indicou ainda que defenderá a condenação generalizada dos réus, incluindo políticos acusados de participar do esquema.

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segunda-feira, setembro 10, 2012

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Opinião

O aparelhamento da AGU

O Estado de S.Paulo
Criada pela Constituição de 88 para defender o Executivo nos tribunais e assessorar juridicamente o presidente da República, a Advocacia-Geral da União (AGU) está vivendo a maior crise de sua história. Instalado em 1993, o órgão tem 7.481 integrantes, entre advogados da União, procuradores federais e procuradores da Fazenda Nacional - todos selecionados por concurso público. Mas, numa decisão tomada sem consulta a esses profissionais, o chefe do órgão, Luís Inácio Adams, elaborou um projeto de lei complementar que prevê a nomeação, como advogados federais, de pessoas de fora da carreira e sem concurso.

O projeto foi encaminhado ao Congresso no dia 29 de agosto pela presidente Dilma Rousseff. O Fórum Nacional da Advocacia Pública Federal - integrado por sete entidades de procuradores da Fazenda, Previdência Social, do Banco Central e de procuradores lotados em autarquias e ministérios - acusa Dilma e Adams de tentar aparelhar politicamente a AGU, colocando-a a serviço do Partido dos Trabalhadores (PT). Para os dirigentes do Fórum, a partir do momento em que Adams assumiu a AGU, em outubro de 2009, ela deixou de ser um órgão de Estado, convertendo-se em órgão de assessoria jurídica e política dos ocupantes do Palácio do Planalto e dos líderes da base aliada na Câmara e no Senado.

Os dirigentes do Fórum também alegam que a gestão de Adams é "caótica", do ponto de vista do interesse público, e afirmam que o polêmico projeto de lei foi elaborado na surdina, para criar um fato consumado. Pela legislação em vigor, apenas o advogado-geral da União pode ser de fora do quadro de profissionais do órgão. Todos os demais cargos são exclusivos de servidores concursados. Pelo projeto de lei complementar enviado por Dilma ao Congresso, os postos de procurador-geral da União, procurador-geral da Fazenda Nacional, procurador-geral federal, procurador-chefe do Banco Central, consultor-geral e consultores jurídicos dos Ministérios são de livre indicação do chefe da AGU - que, por sua vez, exerce um cargo de confiança do chefe do Executivo.

O projeto de Adams tem outros pontos polêmicos. Ao redefinir as atribuições do chefe da AGU, ele aumenta significativamente seus poderes decisórios, esvaziando parte das competências dos advogados públicos concursados. E também tipifica como infração funcional o parecer do advogado público que contrariar as ordens de seus superiores hierárquicos. Assim, a vontade dos procuradores-chefes, indicados com base em conveniências políticas, prevaleceria sobre o entendimento técnico dos advogados de carreira.

Hoje, mesmo não sendo aprovados pelos chefes, os pareceres dos advogados e procuradores são anexados aos processos administrativos e judiciais - o que permite à população conhecer as discussões jurídicas travadas dentro de órgãos e autarquias. "Vai ser falta grave o profissional concursado da AGU contrariar a orientação administrativa de seu chefe. É o outro lado do aparelhamento, ao tirar a independência funcional dos advogados de carreira", diz Marcos Luiz Silva, presidente da Associação Nacional dos Advogados da União. "A possibilidade de eliminação de pareceres contrários ao entendimento do superior hierárquico fulmina a independência que se exige para o exercício de uma advocacia de Estado, possibilitando intervenção política em diversas matérias sensíveis à sociedade, como os pareceres em licitações e convênios. O projeto é um atentado ao Estado Democrático de Direito e põe em risco a existência da própria AGU", afirmam os dirigentes do Fórum Nacional da Advocacia Pública Federal.

Após a condenação do deputado João Paulo Cunha (PT-SP) pelo Supremo Tribunal Federal, por crimes de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro, o presidente do PT, Rui Falcão, afirmou que o mensalão foi um "golpe da elite", que recorreu a "setores conservadores da Justiça para derrotar o partido".

O projeto de lei complementar que abre caminho para o aparelhamento da AGU é a primeira tentativa efetiva do PT de interferir no universo jurídico, esvaziando sua independência e atrelando-o aos interesses do partido.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 10 / 09 / 2012

Folha de São Paulo
"França corta previsão do PIB e anuncia mais imposto" 

Empresas e famílias vão arcar com dois terços, ou € 20 bilhões, do pacote fiscal

O presidente da França, François Hollande, revisou para baixo a estimativa de crescimento do país no ano que vem, de 1,2% para 0,8%, e anunciou que, dos € 30 bilhões do novo pacote fiscal anticrise, € 20 bilhões virão de maiores impostos e € 10 bilhões em cortes de gastos. Em entrevista na TV, ele informou que metade do aumento de impostos recairá sobre as empresas e o restante, sobre os domicílios.

O Estado de São Paulo
"Governo quer fundo de pensão para Estados e municípios" 

Prev Federação complementará aposentadoria acima do teto do INSS para servidores públicos

O governo federal está em fase final de estudos para a criação de um grande fundo de pensão para funcionários públicos de Estados e municípios. Hoje, os Estados e o Distrito Federal têm um déficit previdenciário superior a R$ 1,5 trilhão, informa João Villaverde. “Trata-se de algo impagável”, diz o secretário do ministério da Previdência Social, Leonardo Rolim. Apenas as capitais acumularam um déficit de R$ 97,5 bilhões no ano passado. O Prev Federação, nome provisório, terá a mesma estrutura do Funpresp, fundo dos funcionários federais, já aprovado pelo Congresso. O objetivo é complementar a aposentadoria do funcionário público acima do teto do INSS, de R$ 3.916. A contrapartida inicial do governo federal na criação do novo fundo vai ficar em cerca de R$ 50 milhões.

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domingo, setembro 09, 2012

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Opinião

Pizza amarga

O Estado de S.Paulo
A CPI que investiga as relações do contraventor Carlinhos Cachoeira com políticos e empresários decidiu suspender seus trabalhos até 9 de outubro - menos de um mês antes de sua conclusão, em 4 de novembro. A comissão, disse o vice-presidente da CPI, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), não pode se deixar "contaminar" pelas eleições municipais de 7 de outubro. O fato, porém, é que a decisão praticamente sepulta a comissão, sem que ela tenha analisado dados que poderiam esclarecer a amplitude do esquema que envolve a Delta Construtora e outras empreiteiras.

O cheiro de "pizza" ficou mais forte em meados do mês passado, quando a CPI adiou a votação de requerimentos para a quebra do sigilo bancário de empresas de fachada que receberam cerca de R$ 220 milhões da Delta, a principal empreiteira envolvida nas obras do governo federal no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento. Segundo investigações da Polícia Federal, essas empresas, no Rio e em São Paulo, teriam intermediado o repasse ilegal de recursos públicos para campanhas eleitorais. A retomada dos trabalhos da comissão, em 9 de outubro, não deixaria tempo útil para a quebra do sigilo, uma vez que o prazo para que as informações bancárias cheguem à CPI é de cerca de um mês.

Todo o esforço dos integrantes governistas da CPI foi no sentido de limitar o caso somente às relações da Delta com Cachoeira, e apenas no Centro-Oeste - para atingir o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, cujo nome aparece nas escutas telefônicas referentes ao escândalo. Cachoeira seria o "sócio oculto" da Delta e teria distribuído propinas para favorecê-la em Goiás, e Perillo é acusado de ter cobrado uma "comissão" da Delta para que seu governo pagasse o que devia à construtora, numa transação intermediada pelo contraventor. Esse deverá ser o enredo do relatório final da comissão.

Com a suspensão de suas atividades, a CPI confirma sua irrelevância. As duas consequências mais importantes da investigação do escândalo até aqui não nasceram das sessões inquisitivas do Congresso. Carlinhos Cachoeira está preso graças exclusivamente ao trabalho da Polícia Federal (PF); e Demóstenes Torres - o parlamentar que vituperava contra corruptos no plenário do Senado enquanto recebia mimos de Cachoeira em troca de sua influência política - teve seu mandato cassado em vista do que a PF descobriu.

Em favor da CPI, diga-se que ela teve ao menos um momento esclarecedor, quando Luiz Antonio Pagot, ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), contou, com a maior sem-cerimônia, que arrecadou para a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência cerca de R$ 6 milhões em doações de empresas contratadas pelo órgão. Pagot admitiu que não foi lá muito "ético" em sua empreitada.

Não se esperava mesmo grande coisa de uma CPI que nasceu em boa medida graças ao desejo petista de fazer um contraponto à exploração política do caso do mensalão no Supremo. A ideia era constranger os tucanos, por meio do cerco a Perillo, e desacreditar o autor da acusação do mensalão no Supremo, o procurador-geral da República Roberto Gurgel, ao dizer que ele ajudou a atrasar o processo contra Cachoeira e Demóstenes.

Para o PT, uma parte de seus objetivos foi atingida, porque provavelmente um dos poucos "graúdos" a serem citados no relatório final da CPI será o governador do PSDB - poupando o PMDB, que por muitos anos governou o Estado onde já operava Cachoeira, e outros aliados que também têm negócios e relações íntimas com a Delta, como o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.

Diante disso, o vexame de uma CPI onde quase todos entram mudos e saem calados não é surpresa. Com tão inequívocas evidências de ilegalidades manufaturadas com dinheiro público, numa rede de corrupção cuja superfície foi apenas arranhada pelas investigações, saber que graças a um conluio político nada disso será objeto de escrutínio dá a esta "pizza" um sabor especialmente amargo.

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Manchetes do dia

Domingo, 09 / 09 / 2012

Folha de São Paulo
"Para Fazenda, tarifa de luz menor deve frear inflação" 

Alta de preços não vai passar de 5% em 2013, diz secretário do ministério

O país não precisará subir a taxa de juros no ano que vem para segurar a inflação, medida prevista pelo mercado, segundo o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa. Um dos principais conselheiros de Dilma, ele afirma que a queda da tarifa da energia elétrica ajudará a frear os preços. “Essa medida garante inflação abaixo de 5%”, diz a Valdo Cruz, Na-tuza Nery e Julianna Sofia. Mesmo com a crise mundial, ele estima que o país crescerá 4% no próximo ano sem estourar a meta da inflação. A previsão é baseada na noção de que a inflação não decorre do crescimento, mas do choque de preços. Além da redução na tarifa da luz, ele cita a desoneração da folha de pagamento das empresas como uma das medidas capazes de provocar crescimento sem gerar alta de preços.

O Estado de São Paulo
"Orçamento prevê mais 61 mil funcionários públicos em 2013" 

Propostas entregues à Câmara elevam despesa pública com pessoal. No total, aumento será de R$ 22,8 bi

Os três poderes vão aumentar o número de funcionários públicos federais em 61.682 servidores em 2013, segundo a proposta de orçamento fechada dia 31 de agosto, que ainda será votada pelo Congresso. Pela proposta, o impacto na folha salarial da União será de R$ 5,1 bilhões. Mas a folha vai crescer mais. Serão R$ 9,2 bilhões em razão do reajuste de 5% negociados na greve do funcionalismo e mais RS 8,5 bilhões para o crescimento vegetativo da folha de pagamentos. O aumento total será de R$ 22,8 bilhões. O Poder Executivo é responsável pelo maior número de novas contratações: 49.437. A despesa com pessoal dos três Poderes será de R$ 225,9 bilhões, 4,54% do PIB.

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