sábado, setembro 08, 2012

Dave Brubeck Quartet

Colunistas

O capitalismo zumbi de FHC, Serra, Kassab & seus estertores

“Cada vez que FHC se pronuncia, aumenta mais o apoio a Lula e Dilma” 


Márcia Denser
Datafolha: no fim do mandato, Kassab tem rejeição recorde de 48% dos eleitores; Haddad tecnicamente empatado com Russomano (que é antes o voto da rejeição paulistana – na hora do vamos ver, o sujeito desaparece) e Serra afunda! A herança do neoliberalismo: 75 milhões de jovens estão desempregados no mundo; 200 milhões trabalham por menos de US$2 ao dia; 12,7% é a média do desemprego nessa faixa; ela atinge 22, 6% na Europa (52% na Espanha e 54% na Grécia)/ Dilma afronta o PSDB pela 2ª vez em 48 horas: Brasil taxa importações /O artigo de domingo passado de FHC no Estadão é uma das manifestações bizarras do que falava Gramsci, aliás,o que poderia haver de mais mórbido nesse arrastado colapso neoliberal do que um ex-presidente tucano vir a público pontificar lições de ética, finanças e desenvolvimento, tendo como “paradigma” o governo e o credo que já foi para o ralo da história há quatro anos?

Mas é sobretudo contra os anacronismos de FHC (e os estertores dum neoliberalismo zumbi, tipo morre-não-morre) que clamam os editoriais da Carta Maior, os artigos de Saul Leblon e Emir Sader desta semana. Respaldados nos novos índices do Datafolha, é claro.

Sem esquecer a gafe mais recente – e mais anacrônica – do próprio FHC que, em conferência ao lado do ex-presidente Clinton (seu muso), ficou putíssimo e contradisse (com dados do seu pífio governo) os rasgados elogios que Clinton (agora ex-muso) fez ao Brasil sob o governo Lula.

Segundo Leblon, FHC, Serra e outros se valem do limbo pegajoso do presente para insistir em políticas e agendas furadíssimas, mas ainda não substituídas no plano mundial – o que dificulta sua ruptura definitiva também no Brasil. A quebra do banco Lehamn Brothers completa quatro anos no próximo dia 15. A falência do 4º banco de investimento dos EUA rompeu o sistema financeiro mundial e desencadeou o naufrágio no qual nos debatemos desde 2008.

Oportunamente, esta semana começa também a convenção do Partido Democrata nos EUA, da qual Obama sairá candidato à reeleição. Visto como esperança em meio ao terremoto de 2008, o “democrata” também foi naufragando no mar das próprias contradições, sendo apenas mais suportável (ou menos pior) como candidato do que seu antecessor Bush, ou o adversário. Mas o “picolé de chocolate diet” norte-americano (uma espécie de versão ianque do picolé de xuxu Alckmin) é insuficiente para aliviar o quadro indigesto da maior crise capitalista desde 1929.

George Soros, megaespeculador & superpicareta global (mas que por isso mesmo sabe das coisas), declarou recentemente que teme pelo desfecho político da deterioração em marcha. Sobretudo na Europa, lotada por governos histericamente ortodoxos. Profundamente pessimista com o futuro do euro, vítima da incapacidade alemã de se assumir como “salvadora da UE” (o que seria pedir MUITO do capitalismo prussiano de Ângela Merkel, porra, a Alemanha perdeu duas guerras e ISTO não desceu!) Soros, a 20ª maior fortuna do planeta, adverte que “assim como aconteceu depois de 29, o salve-se quem puder será entremeado de nacionalismos econômicos e totalitarismo político”.

O extremismo das políticas de mercado dobrou a aposta neoliberal na perseguição do “arrocho infinito”. O resultado desespera eleitores que se voltaram à direita desde 2008, vítima já do salve-se quem puder supracitado: Espanha, Portugal, Itália, Grécia, etc., afundam nas águas do desemprego generalizado (e consequente aumento de violência), das revoltas populares, dos juros extorsivos.

Ninguém pode (nem deve) levar a sério “os esforços” do direitista Rajoy para esfolar a Espanha até o osso, em troca de maior confiança dos mercados. Aliás, os mercados tiraram mais de 240 bi de euros da economia espanhola só no primeiro semestre deste ano, malgrado ter “feito a lição de casa” (igualzinho a FHC). Na França, o socialista recém-eleito François Hollande vê o espaço de seu governo estreitar-se sob duplo torniquete: de um lado, a voz de três milhões de desempregados; do outro, as pressões do bureau do euro para cortar 33 bilhões do orçamento público.

Além dos “mercados”, ninguém ganha nada com isso e todos se ferram. Uma lição histórica que o mundo está custando a assimilar. Na sala VIP do mundo, o ambiente é asfixiante, mas a brisa da esperança que sopra fracamente na América Latina ainda é insuficiente para determinar uma rota de longo prazo às margens do engessamento neoliberal. Afinal, a AL conseguiu, em pleno colapso, preservar baixas taxas de pobreza e desemprego, com alguma retomada de investimento.

Contudo, os avanços sociais tendem a se tornar mais difíceis. Sobretudo porque, após vitórias significativas contra a pobreza, ir além implica afrontar a desigualdade e isto requer mudanças estruturais na alocação da riqueza existente, seja na esfera fundiária, urbana, patrimonial ou financeira.

A carga fiscal média vigente na AL, de 18% a 19%, trava esse passo. (Dados da CEPAL, “Mudança Estrutural para a Igualdade: Uma Visão Integrada do Desenvolvimento”). Na Europa e na América Latina, incluindo-se o caso específico do Brasil, a alavanca fiscal emperrada reflete um flanco mais grave: como lidar com o desarmamento político das forças sociais que deveriam assumir a tarefa de acionar o papel hegemônico da iniciativa pública?

Ainda segundo Leblon, “a questão que se coloca aos partidos progressistas é de urgência transparente: quanto tempo o futuro ainda pode esperar antes que manifestações mórbidas, como a de FHC, tentem se impor à sociedade com sua agenda zumbi?”

Para Emir Sader, não é por acaso que FHC é o político mais repudiado pelos brasileiros. Já na eleição de 2002, Serra distanciou-se dele. Em 2006, as privatizações, colocadas como tema central no segundo turno, levaram Alckmin a uma derrota acachapante. Em 2010, de novo Serra nem mencionou FHC, tentando aparecer como “o continuador do governo Lula”, contribuindo assim para sua própria desmoralização definitiva.

Contudo, FHC não ouve ninguém, despreza os que o cercam, mas sofre da teoria da dependência da dor de cotovelo. Dedica as turvas forças mentais que lhe restam para atacar Lula, cujo sucesso – espelhado no apoio de 69,8% dos brasileiros que querem sua volta como presidente em 2014 – lhe é insuportável. Sem contar que nenhuma pesquisa sequer faz a mesma consulta sobre o FHC – para não massacrá-lo de vez.

Seus coleguinhas tentam convencê-lo a não escrever mais, a deixar de se expor à execração publica, a se retirar definitivamente da vida pública, mas ele não ouve: seu orgulho ferido grita mais alto, mesmo assim, quem lê seus artigos? E cada vez que ele se pronuncia, aumenta o apoio a Lula e Dilma.

Eis a triste “eficácia” do capitalismo zumbi praticado por FHC.

A verdadeira – e tristíssima – herança maldita do neoliberalismo? A mercantilização total do ser humano, a covardia, o desarmamento moral e político, o “individualismo” babaca e a desolidarização em massa da humanidade.

Publicado originalment no "congressoemfoco"

Twitter
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Plano de saúde deixa a desejar

O Estado de S.Paulo
Estudo divulgado pela Associação Paulista de Medicina (APM) mostra que 72% dos usuários dos planos de saúde que recorreram a prontos-socorros no Estado de São Paulo, nos últimos 24 meses, enfrentaram problemas com superlotação e longas esperas em hospitais. Destes, 15% disseram que acabaram buscando atendimento no SUS. A proporção sobe para 77%, se considerados os usuários que relataram alguma dificuldade no atendimento pelos planos, segundo a pesquisa feita pelo Datafolha.

A demora para conseguir marcar consultas médicas não chega a ser novidade. Mas o caso de quem vai ou é levado para um pronto-socorro é mais grave, porque não pode deixar de ser atendido rapidamente, pela própria natureza de seu caso, em hospital público ou privado. Se paga plano de saúde - com sacrifício, mesmo quando parte da mensalidade é bancada pelo empregador -, é porque não quer ficar sujeito ao tratamento tardio e negligente que os hospitais públicos, com honrosas exceções, dão aos que os procuram. Se um grande número de pessoas se vê obrigado a recorrer ao SUS por causa das deficiências dos hospitais particulares a que tem direito pelos seus planos, isso comprova que há um grave congestionamento no sistema de saúde em São Paulo. Se esta é a situação no Estado que concentra o maior número de hospitais, pode-se imaginar o que ocorre em outras partes do País.

"Os planos de saúde acabam por impor a mesma dificuldade que o SUS no acesso à saúde", disse Florisval Meinão, presidente da APM ao Estado (18/8). Em seu entender, entre as principais causas das deficiências gritantes dos planos estão a sobreposição (muitos convênios em poucos hospitais) e grande rotatividade dos médicos por causa da baixa remuneração. Nos dois casos, isso está ligado aos valores que as operadoras têm de desembolsar para garantir um bom número de hospitais bem equipados para os usuários e ao que têm de gastar para reembolso de consultas. Segundo a APM, a maioria dos médicos paulistas recebe entre R$ 50 e R$ 60 por consulta das operadoras, mas há quem ganhe apenas R$ 25. A reivindicação da APM é que o pagamento mínimo pelos convênios seja de R$ 80 por consulta.

Como seria de esperar, a Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), que congrega as operadoras, diz que o quadro descrito não representa a realidade do setor. Lembra ela que a própria pesquisa da APM revela que 69% dos entrevistados se declaram satisfeitos ou muito satisfeitos com o atendimento proporcionado, em geral, pelos seus planos de saúde. A Abramge também menciona uma pesquisa feita sob a responsabilidade do Instituto de Estudos da Saúde Suplementar (IESS) em 2011, na qual 80% dos entrevistados, em todo o País, se pronunciaram de forma semelhante.

Vale notar que a última pesquisa mencionada, como se verifica pelo site do IESS, também realizada pelo Datafolha, não se refere aos prontos-socorros, que, como reconhece o sindicato estadual dos hospitais privados (Sindhosp), estão com a taxa de ocupação acima do recomendável. Além dessa entidade e da APM, o Conselho Federal de Medicina e o Conselho Regional de Medicina de São Paulo afirmam que as operadoras de planos de saúde elevaram muito o número de beneficiários sem ampliar, de forma proporcional, as redes credenciadas. Este é um ponto importante. Essas entidades recomendam que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) controle essa expansão. "Uma companhia aérea não pode vender mais lugares do que existem no avião", compara Aloísio Tibiriçá, diretor do Conselho Federal de Medicina.

Pode-se concluir que há uma espécie de overbooking nos prontos-socorros paulistas. Nessa situação, o pior que poderia acontecer agora para os usuários seria uma nova paralisação dos médicos que atendem pelos planos, como a realizada em 6 de setembro, em protesto contra as condições de trabalho e a sua remuneração. Se isso ocorrer, quem não tiver recursos para pagar um médico ou hospital particular será obrigado a engrossar as filas do SUS.

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Sábado, 08 / 09 / 2012

Folha de São Paulo
"Ficha Limpa veta mais PSDB e PMDB" 

Já são 317 os candidatos a prefeitos barrados por tribunais com base na nova lei; maioria teve conta rejeitada

Os TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) barraram 317 políticos que disputam as prefeituras com base na Lei da Ficha Limpa, segundo levantamento feito pela Folha em 26 Estados. Entre os mais conhecidos, estão o ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti (PP-PE) e a ex-governadora Rosinha Matheus (PR-RJ). O PSDB possui até agora o maior número de candidatos com fichas sujas. São 56, ou 3,5% dos tucanos que disputam cargos de prefeito. O PMDB vem em seguida, com 49. O PT está na oitava posição, com 18, o equivalente a l% dos candidatos do partido.

O Estado de São Paulo
"Pacote chinês de US$ 150 bi dá ânimo à economia" 

Anúncio, na véspera de divulgação de resultado ruim, cria expectativa de um final de ano melhor

O governo chinês aprovou um pacote de 60 projetos de infraestrutura, avaliados em mais de US$ 150 bilhões, o que, para analistas, dá esperanças de que a economia do país, que tem puxado o crescimento mundial, volte a apresentar tendência de alta no quarto trimestre. O anúncio chega em momento delicado. Amanhã serão divulgados novos dados que devem confirmar a desaceleração da economia local pelo sétimo trimestre consecutivo. O anúncio fez saltar os preços das commodities minerais e das ações de empresas ligadas à mineração, como a brasileira Vale. Nos EUA, o emprego desacelerou sensivelmente em agosto, fato utilizado pelo candidato republicano Mitt Romney para tentar desqualificar o discurso de Barack Obama no dia seguinte da convenção democrata.

Twitter

sexta-feira, setembro 07, 2012

Ubatuba d'antanho


A praça é...

José Ronaldo dos Santos
Para acrescentar algo mais ao texto do Magalhães publicado ontem (coisasdecaicara.blogspot.com), escolhi uma fotografia do meu irmão Wagner “Guinho” como ilustração da minha contribuição no tema (sobre nomes de logradouros). Era o ano de 1983. Ao fundo se vê a imobiliária do primo Benedito Oliveira. Ao seu lado nasceu o Maré Hotel. Progresso, gente!

Em 1970, para chegar até o bairro da Estufa, partindo da praia, era preciso enfrentar a Rua Taubaté com mato por todo lado. É lógico que denominação é em homenagem à cidade vizinha! Afinal, quem loteou a Estufa inteira, sob o nome de Jardim Gurilândia Caiçara, em 1952, foi o taubateano Lycurgo Querido! Na verdade era um caminho no meio do mato. A impressão que se tinha era de estar se dirigindo a um sertão longínquo. Até se duvidava que houvesse gente morando por ali. Mas tinha!

A minha bisavó Zulmira Cabral morava “logo ali”, perto do Morro da Mina, juntamente com as minhas tias Sebastiana, Tereza e Apolônia. Todas caiçaras nascidas na praia do Pulso. A gente andava muito para visitá-las. (Depois de desembarcar do Expresso Rodoviário Atlântico, na orla da praia).

A Praia do Itaguá era o que é hoje, mas com águas límpidas e limpas, onde as pessoas davam as suas redadas. Os ranchos estavam por ali mesmo, no jundu, pela beira do rio... Será que alguém ainda se lembra do Ponto do Wilson (um rancho de canoa com um bar anexado, bem na beira da Barra da Lagoa)? (Parecia uma fruteira: sempre com "passarinhos" em torno da "branquinha").

No final da década de 1970, quando foi concluída a BR-101, ganhou destaque o trecho que atravessou o bairro da Estufa, cortando-o ao meio (Estufa I e II). Foi quando nasceu a Praça Santos Dumont, na Praia do Itaguá, bem no ponto de partida da Rua Taubaté. Depois, mediante a ação de um vereador, ela foi renomeada em Praça Alberto Santos. Hoje, devido à atrativa ossada de um cetáceo encalhado, há coisa de quinze anos na praia Grande, me parece que vai virar a Praça do Esqueleto. Isto já é contribuição do pessoal do Aquário que está na outra margem da barra. Certamente que as fotografias deste ponto turístico em Ubatuba já ganharam o mundo.

Twitter

Sapo!


Coluna do Celsinho

Relação

Celso de Almeida Jr.
Uma das principais qualidades das sociedades democráticas é disponibilizar arquivos públicos e particulares aos interessados de todo o mundo.

Valendo-se destas ferramentas, Richard Aldous escreveu Reagan e Thatcher - Uma relação difícil, publicado no Brasil pela Editora Record.

Os capítulos, repletos de detalhes sobre o período Reagan-Thatcher, têm a marca do criterioso pesquisador Aldous, que é professor de História Inglesa e Literatura no Bard College, em Nova York, além de autor e editor de nove livros.

Os documentos que o embasaram, nesta biografia dupla, mostram diferenças estratégicas cruciais entre os dois líderes, que se esforçaram para trabalhar juntos enfrentando a então União Soviética.

A aparente imagem pública de harmonia entre Reagan e Thatcher procurava ocultar uma relação competitiva intensa, complexa, tumultuada.

Numa das passagens, Lady Thatcher sintetiza a sua visão sobre o relacionamento com o líder norte americano: "Deu tudo certo, porque ele tinha mais medo de mim do que eu dele".

Uma excelente leitura para quem busca entender a política, os políticos e a extraordinária dinâmica do poder.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Twitter
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Ainda há juízes em Berlim

O Estado de S.Paulo
Este episódio teria ocorrido em meados do século 18. E, a esta altura, ninguém mais sabe dizer quanto de verdade ou de ficção há nele. Mas é emblemático e eloquente. E isso já é mais do que o suficiente para reproduzi-lo. Governava a Prússia o rei Frederico II, que acabara de construir o seu castelo de verão, o Sans-Souci. Correu tudo de acordo com o planejado, não fosse um imprevisto: do palácio se via um antigo moinho que enfeava a paisagem. O que fazer?

O rei tinha fama de ser um déspota esclarecido. Jamais poderia valer-se de um gesto de arbítrio que pudesse levar a perder uma reputação de tolerância duramente conquistada. Mas suportar aquele moinho caindo aos pedaços ali não dava. A princípio tentou comprá-lo. Em vão. O seu proprietário recusou todas as atraentes propostas que os enviados do soberano lhe levaram. A coisa chegou a tal ponto que o próprio rei chamou ao palácio aquele renitente moleiro. O sujeito apresentou as suas razões para não efetuar a venda: em primeiro lugar, ali haviam vivido o seu pai, o seu avô e o avô do seu avô; em segundo lugar, a renda que o moinho lhe proporcionava era pequena, mas era mais do que suficiente para manter o seu modesto padrão de vida, e, por fim, ele já era velho demais para começar uma nova vida em outro lugar.

Frederico II começou a perder a paciência.

- O senhor parece desconhecer o fato de que eu sou o rei! Eu poderia simplesmente usar da força e desalojá-lo!

- O senhor não fará isso!

- E por que não?

- Porque ambos sabemos que ainda há juízes em Berlim.

É muito oportuno relembrar essa história, principalmente em épocas como a presente, em que o partido que está no poder entende que, por ter vencido as eleições, todo o restante da Nação lhe deve vassalagem.

Não deve. Existem direitos e garantias individuais cujo valor não provém exclusivamente do fato de estarem insculpidos na Constituição, mas, sim, porque eles correspondem à vontade de todos nós.

Felizmente para nós, da mesma forma que existiam juízes em Berlim, existem também em Brasília. Briosos, intimoratos, eles têm demonstrado ter a têmpera do aço: quebram, mas não se dobram.

No presente episódio, o julgamento do mensalão, a princípio alguns deles se mostraram tímidos, abúlicos até. Mas bastou a imprensa instigá-los para que todos reagissem da maneira que o povo brasileiro esperava deles. O relator apresentou o seu relatório e o revisor - embora não com a veemência que se esperava dele - também cumpriu a sua parte, e eis que o julgamento está ocorrendo.

Pena do nosso reizinho, que acreditava que "quem ganha leva tudo". Na prática não é bem assim. Nas democracias existem instituições e são elas que dirigem a nação. O nosso aprendiz de tirano parece que ignorava tudo isso. Tanto que chegou ao ponto de interpelar um ministro do Supremo Tribunal Federal com o fim de dissuadi-lo de levar à frente o julgamento. O ministro, com toda a razão, repudiou tal intimidade e levou o diálogo para a imprensa. E esta tratou de divulgar o fato.

A partir desse momento, qualquer manobra protelatória se tornou impossível. E o sonho de absolvição de muita gente por decurso de prazo acabou não passando disso, um sonho.

Os senhores magistrados estão mostrando a que vieram, por que existem. E isso é muito útil para a Nação. Doravante, independentemente da posição social, econômica ou política, todos os que ousarem burlar a lei já sabem, antecipadamente, o tratamento que a Justiça lhes dedicará.

O velho ditado de que na Justiça brasileira todos são culpados até que provem ser influentes, de repente, perdeu o sentido. Foram condenados, até agora, líderes políticos influentes, proprietários de bancos e mais uma penca de pessoas que, até dois meses atrás, nós jamais poderíamos imaginar ver atrás das grades.

E é o caso de perguntar: cadê o Delúbio Soares, que no auge do escândalo teve o atrevimento de comentar que, passados dois anos, tudo aquilo não passaria de uma piada de salão? Cadê o José Dirceu, que ainda sonhava em se eleger deputado e retomar a sua carreira política? Cadê o carequinha Marcos Valério, que, agora se vê, de careca não tinha nada? Pelo que se sabe, andava esbanjando dinheiro por aí. Provavelmente agora não poderá fazê-lo mais. E cadê a poderosa banqueira que fornecia dinheiro para o esquema em troca de favores do governo?

O Brasil não se tornará um país mais honesto somente por causa disso. Apenas os assaltantes do erário terão de ter mais cautela de hoje em diante.

Muita gente acreditava que os nossos juristas não tinham nem capacidade nem discernimento para julgar causas mais complexas, em especial aquelas que envolvem crimes de colarinho-branco. Talvez não tivessem, realmente. Mas ficou provado que, quando eles se cercam de uma boa assessoria técnica, são capazes de operar milagres. Quem não ficou surpreso com o grau de certeza com que os senhores magistrados brandiram argumentos outrora privativos da área financeira?

O reizinho, a esta altura, deve estar muito preocupado. Não era ele que dizia as quatro ventos que dedicaria seu primeiro ano fora do poder a provar que o mensalão nunca existiu? Que tudo se tratava de uma armação da imprensa golpista, que não aceitava a ideia de ter um humilde operário ocupando a Presidência da República?

Por enquanto ele pode dormir sossegado, porque o mensalão somente pôde ser julgado porque o excluiu da lista de réus. Mas, e depois? E se, porventura, ocorrer um novo escândalo envolvendo a sua gestão? Ele não poderá mais alegar inocência, porque será moralmente reincidente.

Mesmo assim, não tem problema. Afinal, se Deus lhe deu um par de pernas covardes, porque ele não as usaria para correr?

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Sexta-feira, 07 / 09 / 2012

Folha de São Paulo
"Dilma ataca em cadeia de TV concessões da gestão FHC" 

No pronunciamento de 7 de Setembro, presidente lista feitos e ataca tucanos

A presidente Dilma Rousseff usou pronunciamento nacional em rádio e TV para anunciar redução na tarifa de energia, exaltar decisões de seu governo e criticar a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Sem citá-lo, Dilma disse no discurso do feriado da Independência que o “antigo e questionável modelo de privatização de ferrovias (...) torrou patrimônio público" e gerou "monopólios".

O Estado de São Paulo
"Conta de luz cai 16%, diz Dilma" 

Redução valerá para consumo residencial; na indústria será de até 28%, mas descontos só entrarão em vigor no início de 2013

O governo vai reduzir em 16,2%, em média, o preço da energia elétrica para os consumidores residenciais. Para a indústria, o corte será de até 28%. Os descontos só entram em vigor no início de 2013. O anúncio foi feito ontem pela presidente Dilma Rousseff em pronunciamento de rádio e TV, em comemoração do aniversário da independência do País. Em sua fala, que durou 11 minutos e 32 segundos, a presidente comemorou a redução da taxa básica de juros da economia (Selic) para 7,5% e fez ainda uma dura cobrança às administradoras de cartão de crédito para que reduzam “para níveis civilizados” as taxas cobradas dos consumidores. Ela avisou que “não descansará” enquanto isso não acontecer e anunciou que buscará novas formas para diminuir impostos e tarifas.

Twitter

quinta-feira, setembro 06, 2012

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Falta de juízo e compostura

O Estado de S.Paulo
Os petistas ajuizados, que certamente compõem a grande maioria do partido, estão precisando urgentemente chamar à ordem seu presidente nacional, o iracundo Rui Falcão. É bem verdade que os destemperos do deputado estadual paulista que comanda nacionalmente o PT deixaram há muito tempo de surpreender seus correligionários ou os jornalistas. Notório ferrabrás, Rui Falcão foi o primeiro a acatar a palavra de ordem de Lula e a sair por aí esbravejando contra a "farsa do mensalão". Sua conhecida subserviência a José Dirceu ajuda a compreender esse comportamento. Mas agora Falcão extrapolou os limites do tolerável: acusou os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de serem "instrumento de poder" a serviço de uma oposição "conservadora, suja e reacionária".

É claro que o destempero do presidente do PT tem a ver com os rumos que está tomando o julgamento, no STF, da Ação Penal 470 - o processo do mensalão. Contrariando as expectativas dos petistas mais otimistas, aqueles que comemoraram prematuramente com champanhe o voto do ministro revisor Ricardo Lewandowski pela absolvição do companheiro João Paulo Cunha, os demais votos prolatados pelos ministros da Suprema Corte, por ampla maioria condenando os envolvidos no escândalo, indicam claramente que, no que depender desse julgamento, o partido contempla perspectivas sombrias. Mas nada justifica que seu comandante perca as estribeiras e a compostura.

Vociferando no ato público realizado na última segunda-feira em Osasco para lançar o substituto do condenado João Paulo Cunha na cabeça de chapa petista que concorre à prefeitura da cidade, Rui Falcão denunciou uma conspiração para "destruir" o PT. Verbis, como diriam os ministros do STF: "Essa elite suja, reacionária, não tolera que um operário tenha mudado o País, que uma mulher dê continuidade a esse projeto, mostrando que o preconceito que atingia as mulheres não sobrevive mais".

Por cumprir seus desígnios malignos, explicou Falcão, a "elite suja" e os oposicionistas "lançam mão de instrumentos de poder de que ainda dispõem: a mídia conservadora e o Judiciário". E, depois da acusação, a bravata: "Não mexam com o PT, porque quando o PT é provocado, ele cresce, reage". Ou seja: a reação dos petistas à condenação de vários companheiros poderá abalar as estruturas da República.

Mesmo levando em consideração que os despautérios foram proferidos num ambiente partidário impregnado de natural sentimento de dor e frustração pela "queda" de um companheiro proeminente, os termos da manifestação do presidente do PT são condenáveis sob todos os aspectos. Rui Falcão disse com todas as letras que o Poder Judiciário, neste caso representado por seu tribunal maior, se submete ao papel de "instrumento" da oposição; que cada um dos ministros que até agora declararam voto de condenação aos réus petistas está a serviço de uma "elite conservadora, suja e reacionária".

É o caso de perguntar: afinal, o que o PT está esperando do STF no julgamento da Ação Penal 470? Será que o fato de 8 dos 11 ministros que integram a Corte terem sido nomeados de 2003 para cá, pelos presidentes Lula e Dilma, levou os petistas a imaginar que a absolvição da companheirada e de seus cúmplices eram favas contadas? Certamente Lula tem grande responsabilidade por esse estado de espírito, considerando que depois de, num primeiro momento, ter-se declarado "traído" pelos mensaleiros e afirmado que o PT deveria "pedir desculpas à nação" pelos malfeitos, passou a propagar a tese da "farsa" urdida por seus "inimigos", na tentativa, que tudo indica resultará frustrada, de evitar que recaia sobre seu governo, com o aval da Suprema Corte, o estigma da improbidade.

Diante das inevitáveis consequências negativas de seu destempero, não é impossível que Rui Falcão venha a público para se desdizer, fazer reparos ao trabalho dos jornalistas ou até mesmo, o que será absolutamente surpreendente, desculpar-se. Em qualquer das hipóteses, trata-se de um grave caso de falta de juízo e compostura.

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Quinta-feira, 06 / 09 / 2012

Folha de São Paulo
"Empréstimos do mensalão foram forjados, diz STF" 

Maioria dos ministros aponta fraude em repasses a Marcos Valério e ao PT e condena dois ex-dirigentes do Banco Rural

Seis dos dez ministros do Supremo reconheceram que houve fraude em empréstimos do Banco Rural a empresas de Marcos Valério e ao PT e decidiram condenar dois dirigentes da instituição à época do mensalão. Segundo ministros, os repasses, de R$ 32 milhões, visavam encobrir o desvio de verba para o esquema. Dinheiro que, diz a Procuradoria, foi usado para pagar políticos da base aliada. Os réus negam a acusação.

O Estado de São Paulo
"Dilma quer proibir operação-padrão em greve de servidores" 

AGU prepara projeto para normatizar paralisação; corte de ponto será permitido

Irritada com as estratégias adotadas pelos servidores federais em greve, a presidente Dilma Rousseff chancelou os primeiros pontos de um projeto de lei para disciplinar as paralisações e, entre as medidas, quer proibir a operação-padrão, informam os repórteres João Villaverde e Felipe Recondo. O ministro Luís Inácio Adams, da Advocacia-Geral da União, responsável pelas propostas do projeto de lei, diz que servidores de áreas essenciais, como médicos ou funcionários da Justiça Eleitoral em período de eleição, devem ter o direito de greve negado. O corte de ponto será permitido. A Constituição de 1988 prevê a regulamentação do tema, o que nunca foi feito. “A greve de 2012 mostrou a urgência de uma lei específica”, afirma Adams. Ele caracterizou como “abusiva” e “ilegal” a prática da operação-padrão. De acordo com estimativas das centrais sindicais, mais de 250 mil servidores engrossaram as greves neste ano.

Twitter

quarta-feira, setembro 05, 2012

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Um orçamento arriscado

O Estado de S.Paulo
Desta vez o governo pode ter passado da conta em seu conhecido otimismo. Haverá sérios problemas, se a arrecadação federal do próximo ano ficar abaixo do valor previsto na proposta orçamentária enviada ao Congresso na semana passada. O risco já foi apontado por assessores do Legislativo. O Executivo projetou para o próximo ano uma receita primária, isto é, sem juros, de R$ 1,229 trilhão, 12% maior, em termos nominais, que a estimada para 2012. Essa variação deve ser um pouco maior que o aumento nominal do Produto Interno Bruto (PIB). No Brasil, a receita de impostos e contribuições normalmente cresce mais que a atividade econômica, dadas as características do sistema tributário. As autoridades econômicas, no entanto, parecem ter exagerado na aposta ao elaborar seu projeto financeiro para o próximo ano. Um pouco mais de prudência seria recomendável, diante dos números muito ruins da economia em 2012.

A receita prevista deve corresponder, segundo a proposta orçamentária, a 24,7% do PIB, uma proporção nunca observada até o ano passado. Mas esse detalhe nem é o mais relevante, neste momento. Por enquanto, nem a receita primária prevista para este ano, R$ 1,097 trilhão, está garantida.

Na segunda avaliação bimestral da execução orçamentária, a receita estimada para o ano foi corrigida para R$ 1,094 trilhão. Na terceira revisão, referente ao final do primeiro semestre, o número foi reduzido para R$ 1,090 trilhão.

Quando foi publicada essa avaliação, o Executivo já havia baixado de 4,5% para 3% o crescimento econômico projetado para 2012. O Banco Central já cortou sua estimativa para 2,5%. Não está clara, nesta altura, a expectativa dos Ministérios econômicos. Há poucos dias o Ministério da Fazenda incluiu na edição de agosto do boletim Economia Brasileira em Perspectiva a previsão de 3%. Mas logo em seguida os autores do relatório anunciaram uma retificação. Uma nova página foi editada, no site do Ministério, sem referência ao crescimento econômico esperado.

No primeiro semestre o PIB foi apenas 0,6% maior que o de igual período de 2011, graças a uma pequena recuperação no período de abril a junho. No fim de 2012, segundo o ministro da Fazenda, o crescimento econômico poderá atingir um ritmo equivalente a 4% ao ano, mas, por enquanto, nenhum indício aponta essa possibilidade.

No entanto, mesmo se confirmado esse prognóstico, o resultado geral deste ano ainda será muito ruim. Qualquer projeção para 2013 só será realista, portanto, se for calculada sobre uma base pouco maior que a do ano passado, isto é, com crescimento insignificante. O governo parece ter negligenciado esse detalhe ao programar suas contas para o próximo ano.

De janeiro a julho a despesa do governo central foi 12% maior que a de igual período de 2011. O aumento da receita total ficou em 7%. Os gastos do Tesouro foram 11,5% maiores que os de um ano antes. Os benefícios pagos pela Previdência Social foram 13,1% superiores aos do período janeiro-julho do ano anterior.

O superávit primário, usado para o pagamento de juros, foi obviamente afetado pelo descompasso entre receita e despesa: o valor acumulado passou de R$ 67,335 bilhões em julho de 2011 para R$ 51,905 bilhões em julho deste ano. Medido de outra forma, o recuo foi de 2,86% do PIB nos primeiros sete meses do ano passado para 2,06% no período correspondente de 2012.

Excesso de otimismo nas projeções para o próximo ano poderá produzir resultado semelhante, dificultando a obtenção do superávit primário previsto, de 2,1% do PIB para o governo central. Se, como se prevê no mercado financeiro, os juros básicos subirem no próximo ano, a dívida pública ficará mais cara e a situação fiscal se tornará mais delicada.

Ajustar a despesa às condições da economia e da arrecadação será, como sempre, muito difícil. Vários itens são incomprimíveis a curto prazo. Além disso, os efeitos do aumento do salário mínimo e dos vencimentos dos servidores serão irreversíveis.

Para incluir gastos no Orçamento, congressistas costumam inflar a previsão de receita apresentada pelo Executivo. Neste ano, esse exercício poderá ser especialmente perigoso.

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Quarta-feira, 05 / 09 / 2012

Folha de São Paulo
"Russomanno abre frente de 14 pontos sobre Serra em SP" 

Candidato do PRB cresceu 4 pontos, mostra Datafolha; tucano está tecnicamente empatado com Haddad em 2º

Celso Russomanno (PRB) cresceu quatros pontos em seis dias, atingindo 35% das intenções de voto no Datafolha, e ampliou a vantagem sobre seus adversários no primeiro turno da disputa pela prefeitura paulistana. Em trajetória de queda, José Serra (PSDB) oscilou um ponto para baixo e está com 21%. Como a margem de erro é de três pontos percentuais, está tecnicamente empatado com Fernando Haddad (PT), que tem 16%.

O Estado de São Paulo
"Governo eleva imposto de importação de 100 itens" 

Alíquotas de produtos de siderurgia, bens de capital, petroquímica e medicamentos irão de 12% a 18% para 25%

O governo aprovou a elevação do Imposto de Importação para 100 tipos de produtos de setores como bens de capital, siderurgia, petroquímica e medicamentos. Até outubro, a lista será ampliada para 200 itens. Com a medida, que será adotada por todos os países do Mercosul, o governo quer proteger o mercado doméstico da concorrência de importados num momento em que a crise reduziu a demanda mundial. Grande parte das alíquotas, que variavam entre 12% e 18%, passou a 25%. O novo imposto valerá para as compras brasileiras de que não pertencem ao Mercosul. Para o governo brasileiro, a medida não desrespeita as regras da Organização Mundial do Comércio. Na opinião do ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero, a medida é paliativa e não resolve o problema da indústria.

Twitter

terça-feira, setembro 04, 2012

Pitacos do Zé Ronaldo


E por falar em civilidade... (XIX)

José Ronaldo dos Santos
Estou de acordo com uma parcela da população: considerando o péssimo desempenho de todos os vereadores atuais, nenhum deles merece ser reeleito para nada mais na próxima eleição. Prometeram tudo na eleição passada, não fizeram nada (o marasmo e o desleixo estão aí como provas) e agora voltam prometendo tudo de novo.

O que deu errado? Por que não justificam os seus salários que nos custam muito? Por que não fiscalizaram o Poder Executivo, deixando que o nosso município chegasse ao péssimo estágio atual?

(Observação: mas tem muita gente mamando encabidado que certamente votará no continuísmo, nas pessoas que até apareceram na mídia como corruptos de Ubatuba).

A questão é:


Quem é que sofre na briga entre o mar e a costeira?

Twitter


Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

O PT, de réu a vítima

O Estado de S.Paulo
O ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República, notório homem de confiança de Lula, perdeu uma excelente oportunidade de manter a boca fechada na última sexta-feira, em São Paulo, durante a solenidade de posse da nova diretoria da Central Única dos Trabalhadores (CUT), braço sindical do PT: "Não vão destruir a imagem do PT", garantiu, referindo-se ao julgamento em curso no Supremo Tribunal Federal, em consequência do qual os petistas começam a lamber suas feridas. "A ilusão de quem apostava muito no mensalão para destruir a imagem do partido não vai se verificar" (sic), prometeu aos jornalistas.

Na verdade, Gilberto Carvalho estava apenas fazendo eco ao coro lulopetista que, inspirado no princípio de que em política a melhor defesa é sempre o ataque, historicamente marcou a ação do PT nos episódios mais agudos de sua trajetória tanto como oposição quanto, na última década, como situação no plano federal. De fato, nos últimos dias o tema "destruição do PT" marcou manifestações públicas de suas principais lideranças. Lula, em comício em Belo Horizonte, onde tenta juntar os cacos da desastrada campanha pela prefeitura local, atacou seus adversários do PSDB e do PSB: "Faz parte da cabeça deles tentar destruir o PT". O chefão da companheirada, como se vê, continua julgando os outros por si, pois desde os primórdios de sua militância sindical pautou sua ação pelo objetivo de destruir os "inimigos", antes apenas "os patrões", depois todas as perversas "elites".

De qualquer modo, o que parece claro é a mudança de tom dos petistas diante do curso que está tomando o julgamento da Ação Penal 470. Agora pode pegar mal falar em "farsa do mensalão", antigo refrão predileto de Lula, porque pode haver quem deduza que os ministros da Suprema Corte estão sendo acusados de farsantes. É melhor, então, fazer o papel de herói-vítima, neste momento em que o julgamento do mensalão e a campanha municipal tendem a se imbricar e, inevitável e crescentemente, pautar a agenda política. E é com esse espírito que Lula subiu ao palanque em Belo Horizonte, construindo mais uma esmerada peça do seu repertório de autoglorificação: "Se morreu, enterra, vai embora e acabou", disse, referindo-se à sua doença. "Mas eu não podia viver sem fazer discurso. Estou feliz de estar aqui fazendo meu primeiro comício e dizendo para meus amigos que eu voltei e para meus inimigos que estou vivo e que meus adversários vão me ver muito tempo fazendo comício." Para quem não pode "viver sem fazer discurso", Lula demonstrou que está em grande forma: "O PT não é Lula, não é Dilma, não é Pimentel, não é Patrus. O PT é cada um de vocês". E uma multidão de 5 mil pessoas aplaudiu em delírio.

Mas o ministro Gilberto Carvalho exagerou. Sem poder contar com a "indulgência plenária" que beneficia o Grande Chefe escorado no lastro de enorme apoio popular, Carvalho tem a responsabilidade de ser ministro de Estado, o que, para dizer o mínimo, confere peso diferenciado a suas afirmações. Deveria, por essa razão, tomar mais cuidado ao desenvolver em público argumentos sub-reptícios como o que usou durante o evento da CUT para minimizar a importância da repercussão do julgamento do mensalão sobre a imagem do PT e de Lula, e consequentemente sobre as eleições municipais: "O povo conhece o governo Lula desde 2003 e, postos na balança esses problemas, o saldo é que a vida do povo melhorou".

Em português claro, o que Gilberto Carvalho quis dizer é que probidade, honestidade, escrúpulos na gestão da coisa pública são valores irrelevantes diante da evidência - que ninguém nega - de que houve efetivamente uma melhora no padrão de vida de contingentes importantes da população brasileira em função dos programas sociais nos quais Lula concentrou a ação governamental ao longo de seus dois mandatos na Presidência da República. Do que Gilberto Carvalho disse, pode-se depreender que, se o povo está satisfeito, os governantes podem meter a mão à vontade na coisa pública, subtraindo da população, por um lado, os benefícios que lhe concedem, por outro. É a típica pregação demagógica e populista que mergulhou o País no reino das aparências, do pão e circo.

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Terça-feira, 04 / 09 / 2012

Folha de São Paulo
"Em defesa de Lula, Dilma ataca FHC por reeleição" 

Presidente rebate artigo no qual tucano diz que ela recebeu ‘herança pesada’

A presidente Dilma Rousseff rompeu ontem o clima amistoso com o antecessor Fernando Henrique Cardoso e rebateu, em nota, as críticas feitas no final de semana pelo tucano ao ex-presidente Lula e ao PT. “[Lula é] um democrata que não caiu na tentação de uma mudança constitucional que o beneficiasse”, disse em referência à mudança feita pelo Congresso que deu a FHC o direito de concorrer a um segundo mandato.

O Estado de São Paulo
"Ministros condenam cúpula do Banco Rural" 

Relator e revisor do processo do mensalão no STF concluíram que empréstimos ao PT foram fictícios

A cúpula do Banco Rural foi condenada pelos ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski, relator e revisor do processo do mensalão no STF, por conceder empréstimos considerados fictícios e irregulares ao PT e às empresas do operador do mensalão, Marcos Valério. A ex-presidente do banco Kátia Rabello e o ex-vice José Roberto Salgado foram condenados por gestão fraudulenta de instituição financeira. Com o voto coincidente dos ministros, a tendência é que os demais integrantes do tribunal julguem pela condenação dos réus. Barbosa condenou também Vinícius Samarane e Ayanna Tenório, de quem o revisor só analisará as condutas amanhã. A pena pelo crime de gestão fraudulenta varia de 3 a 12 anos de reclusão. O relator do processo também deve condenar os dirigentes do Rural por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Twitter

segunda-feira, setembro 03, 2012

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Economia sem músculos

O Estado de S.Paulo
A economia brasileira cresceu apenas 0,4% no segundo trimestre, mas essa foi apenas a segunda pior notícia embutida nas contas nacionais divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A mais preocupante refere-se tanto ao futuro quanto ao passado recente. Entre abril e junho, o investimento em máquinas, equipamentos e obras foi 0,7% menor que nos três meses anteriores e 3,7% inferior ao realizado no mesmo trimestre de 2011. A fraca expansão do Produto Interno Bruto (PIB) pertence ao passado. Já o baixo investimento compromete o futuro, porque limita o potencial de crescimento da produção, da criação de empregos e da melhora das condições de vida dos brasileiros.

Para crescer pelo menos 5% ao ano de forma segura, sem risco de inflação ou de crise nas contas externas, o Brasil precisa investir o equivalente a uns 24% do PIB, segundo cálculos geralmente aceitos. Nos últimos 20 anos, as maiores taxas foram pouco superiores a 19% - e isso ocorreu apenas três vezes. Na semana passada, o governo reduziu de 20,4% para 19,1% do PIB o investimento previsto para 2012.

Hoje, até essa projeção parece otimista. No trimestre passado, a taxa ficou em 17,9%. Descontada a inflação, o valor investido foi 3,7% inferior ao de um ano antes. No primeiro trimestre, o valor aplicado havia sido 2,1% menor que o de janeiro a março de 2011. Entre abril e junho a poupança ficou em 16,9% do PIB. O ingresso de capital permitiu investir pouco mais que isso.

Há poucos dias o ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a falar sobre a importância de aumentar as aplicações em máquinas, equipamentos, instalações e obras de infraestrutura e mencionou a meta de 24%. Mas é preciso fazer muito mais para elevar o investimento privado e o investimento público.

A redução dos juros é apenas uma das medidas necessárias. Taxas menores foram insuficientes para induzir os empresários a aplicar mais capital em meios de produção. Por que investiriam, se a produção estava empacada, a expectativa de retorno era baixa e os problemas de competitividade iam muito além da capacidade produtiva de cada fábrica?

O consumo interno jamais deixou de crescer, desde o recrudescimento da crise, mas nem por isso a produção industrial avançou. O resultado foi o oposto. No primeiro semestre, a indústria de transformação produziu 4% menos que um ano antes. O cenário piora quando se considera apenas o segundo trimestre, com produção 5,3% inferior à de abril-junho de 2011.

O aumento do consumo, estimulado pela expansão do crédito e facilitado pela manutenção de elevado nível de emprego, resultou em crescimento das importações. A indústria nacional aproveitou só em parte a boa disposição dos consumidores. Incapaz de enfrentar a concorrência estrangeira, foi batida no mercado externo e também no interno. Nem a desvalorização do real foi suficiente para tornar a disputa mais equilibrada.

O governo demorou, mas acabou anunciando medidas para atenuar problemas estruturais. Foi lançado um plano de investimentos em transportes, com participação do setor privado, e, além disso, a presidente Dilma Rousseff prometeu reduzir o custo da eletricidade. O Ministério do Planejamento reservou R$ 15,2 bilhões na proposta orçamentária do próximo ano para cobrir novas desonerações.

As autoridades ainda atribuem boa parte dos atuais problemas brasileiros à piora do quadro externo. O cenário global é ruim, de fato, mas os principais obstáculos ao crescimento nacional são made in Brazil. O produtor brasileiro enfrenta custos muito maiores que os suportados pelos concorrentes estrangeiros. A produtividade geral do País é baixa e a maior parte dos problemas está fora das fábricas e das fazendas. Um dos mais graves é a ineficiência governamental, evidenciada pela baixa qualidade dos serviços e pela incapacidade de elaboração e execução de projetos. Erros de diagnóstico e de prescrição de terapias têm atrasado a remoção dos entraves. A estagnação já dura um ano e meio e evidencia o alcance cada vez menor das políticas centradas no estímulo ao consumo e a indústrias selecionadas. Mas o governo demora a mudar de rumo.

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Segunda-feira, 03 / 09 / 2012

Folha de São Paulo
"Ranking universitário tem 7 federais entre as 10 melhores" 

USP é líder em levantamento inédito feito pela Folha; mercado põe particulares entre as primeiras

No primeiro Ranking Universitário Folha, a USP figura em primeiro lugar. Na sequência, aparecem as instituições federais de Minas Gerais (UFMG), do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O Estado de São Paulo
"Agronegócio faz Centro-Oeste liderar crescimento no País" 

Pecuária e alta da cotação dos grãos levam região a crescer 5,9% em um ano e desbancar Norte e Nordeste

Impulsionado pelo bom momento da agropecuária e pela alta da cotação dos grãos no mercado internacional, o Centro-Oeste é a região que mais cresce no País. O mais recente índice de Atividade Econômica do Banco Central referente à região de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal apontou crescimento de 5,9% nos 12 meses encerrados em maio - na sequência estão o Sul (4,4%) e o Nordeste (4,2%). Em novembro de 2011, a maior alta acumulada em 12 meses era da região Norte (4,8%), seguida pelo Nordeste e Centro-Oeste, 4,7% cada uma. Na cidade de Sorriso (MT), a soja é a moeda de 80% das vendas de casas. Em Cuiabá, vendedores comemoram: o segundo carro da família já é de luxo. A região é a única que conseguiu manter o mesmo ritmo do crescimento do emprego.

Twitter

domingo, setembro 02, 2012

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Um escândalo

O Estado de S.Paulo
Que os governantes e parlamentares de todos os partidos cortejam determinadas igrejas evangélicas, concedendo-lhes facilidades e fechando os olhos a abusos que cometem, na ânsia de conquistar os votos de seus fiéis, não é nenhuma novidade. Eles vêm agindo assim há muito tempo. Mas o que o prefeito Gilberto Kassab e a Câmara Municipal - com a ajuda de praticamente todos os partidos ali representados - estão fazendo para favorecer a Igreja Mundial do Poder de Deus ultrapassa todos os limites do desprezo pelo interesse público em benefício de alguns poucos. Trata-se de um verdadeiro escândalo que, se consumado, como tudo indica que acontecerá, vai entrar para a triste história das vergonhas da administração pública.

Com os votos de 31 dos 55 vereadores, a Câmara aprovou em primeira discussão projeto de lei de iniciativa do prefeito que permite àquela Igreja construir um templo em Santo Amaro, capaz de receber 15 mil fiéis, ocupando 137 metros da Rua Bruges. O único dos presentes à sessão que votou contra foi o vereador Aurélio Miguel (PR). Integrantes dos outros partidos engrossaram a folgada maioria. A bancada do PT deixou o plenário, omitindo-se.

Aquele trecho da rua ainda não foi construído, mas está previsto desde 1988 no plano viário da região. O tamanho da rua é irrelevante. O importante é a questão de princípio - não se pode dar de presente à Igreja Mundial ou a outra entidade, de qualquer natureza, um bem público, só porque em caso contrário o projeto do templo teria de ser alterado. Em outras palavras, se a rua está atrapalhando o templo, elimine-se a rua.

Segundo a Prefeitura, as intervenções feitas no sistema viário da região, nos últimos anos, tornam desnecessário o prolongamento da Rua Bruges naqueles 137 metros. Dificilmente haverá alguém ingênuo a ponto de acreditar nessa história da carochinha. Mas, se existir, é possível abrir seus olhos com o histórico da construção do templo em questão, marcada por irregularidades e atos suspeitos da administração, destinados a favorecê-la.

A construção, que já dura mais de um ano, em área em que o zoneamento não permite templo, só foi possível até agora por causa de uma série de manobras ilegais do Departamento de Aprovação de Obras. A eficiência desse órgão e a seriedade de muitas de suas decisões nos últimos anos podem ser aferidas pelo fato de que ele ganhou notoriedade por ter sido chefiado por Hussain Aref Saab, afastado por suspeita de enriquecimento ilícito. Tudo isso levou o Ministério Público Estadual a investigar o caso e a considerar a possibilidade de pedir à Justiça a demolição do templo.

Nada disso abalou Kassab e a Câmara. E o comportamento do prefeito em relação a algumas igrejas evangélicas indica que ele logo vai conseguir a aprovação em segunda discussão daquele malfadado projeto. Ele mudou muito desde o início de seu segundo mandato, quando acertadamente fechou dois templos por razões de segurança. Um deles, da Igreja Mundial do Poder de Deus, ficou interditado por 53 dias, em 2009, por falta de licença. A partir de então, essa igreja moveu uma campanha contra ele e Kassab começou a mudar, chegando ao extremo de patrocinar o projeto vergonhoso da Rua Bruges.

Tem mais. A Prefeitura vem também facilitando a reconstrução do templo da Igreja Renascer, com capacidade para 1.800 fiéis, que desabou em janeiro de 2009, matando nove pessoas. Nada haveria a objetar se ela tivesse exigido - o que não fez - um estudo de impacto no trânsito, como determina a lei para as obras daquele porte. A obra só não prosseguiu porque o Ministério Público conseguiu na Justiça cancelar a licença para a sua construção. No ano passado, a Prefeitura também autorizou uma igreja a comemorar seu centenário no Estádio do Pacaembu, poucos meses depois de a Justiça ter proibido a realização de eventos não esportivos no local.

É preciso pôr um fim a esses atos de favorecimento a certas igrejas, com clara motivação eleitoral. Essa troca de favores nada tem a ver com liberdade religiosa.

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Domingo, 02 / 09 / 2012

Folha de São Paulo
"STF define regras mais duras contra corrupção" 

Ao derrubar teses da defesa, corte estabelece nova referência para ações criminais

O julgamento do mensalão no STF estabeleceu teses que deverão levar à condenação da maioria dos réus, além de criar jurisprudência para balizar demais casos de corrupção no país. Os ministros derrubaram argumentos da defesa, fixando a base para futuras condenações. Entre elas, a de que era preciso a existência do chamado “ato de ofício” para configurar corrupção.

O Estado de São Paulo
"União tem 121 imóveis de luxo ocupados de forma irregular" 

Apartamentos de até R$ 2,5 mi em Brasília têm inquilinos que, em alguns casos, estão aposentados há 20 anos

Pessoas que deixaram o serviço público – algumas há mais de duas décadas ocupam 121 dos 498 apartamentos de luxo de propriedade do governo federal no Plano Piloto, em Brasília, uma das regiões mais valorizadas do País, informa o repórter Leonencio Nossa. A Secretaria do Patrimônio da União tenta despejar de imóveis de até cinco quartos e 223m2 assessores e comissionados do tempo da ditadura militar. Os apartamentos têm preço de mercado na faixa de R$ 1 milhão a R$ 2,5 milhões, com aluguel mensal que chega a R$ 5,6 mil. Pelas normas, os apartamentos só podem ser ocupados por funcionários de cargos comissionados que não possuem imóvel em Brasilia.

Twitter
 
Free counter and web stats