sábado, agosto 18, 2012

Chuvisco

Glasgow, Montana, EUA.

Colunistas

É o sistema, estúpido!
(Da série Capitalismo de Esgoto)

Márcia Denser
Em 1992, James Carville, estrategista da campanha do candidato Bill Clinton à Presidência dos EUA, saiu-se com um dito que ficou famoso: “É a economia, estúpido”. O cientista político Immanuel Wallerstein, em artigo recente publicado pela Esquerda.Net, comenta que, em julho, disseminou-se através dos grandes jornais, dirigentes de bancos centrais e autoridades judiciais que havia um “escândalo” chamado “Libor”. E observa: “Chamar a manipulação da Libor de escândalo é desviar as atenções do fato de que se trata de mais uma forma ‘normal de acumular capital’”. Ora, diante de tais escândalos, deveríamos dizer: “É o sistema, estúpido!”.

Antes disso, poucas pessoas, para além dos iniciados no mundo financeiro, tinham ouvido falar da Libor. Subitamente, ouviu-se que os maiores bancos da Inglaterra, EUA, Suíça, Alemanha, França, e muitos outros países, estavam envolvidos em ações supostamente “fraudulentas”. E não se tratava de uma questão de centavos.
 
O fato é que derivados financeiros de centenas de trilhões de dólares baseiam-se na taxa Libor. A acusação era de que os bancos “manipulavam” esta taxa, obtendo lucros estratosféricos. Só que, por outro lado, pessoas com hipotecas e empréstimos ou estudantes com empréstimos escolares, acabaram pagando mais do que deveriam. Ou seja, os bancos obtiveram lucros enormes à custa de pesadas perdas alheias.

Tudo isso levantou muitas questões: 1) Como isso foi possível? 2) Por que as autoridades reguladoras não interromperam uma prática que agora dizem ser tão fraudulenta, ou seja, quem sabia o quê e quando? e, 3) Alguma coisa pode ser feita para garantir que isto não aconteça novamente?

Mas o que significa a taxa Libor? É uma abreviação de London Interbank Offered Rate (Taxa Interbancária Praticada em Londres). Não é muito antiga: a versão definitiva é de 1986. Na época, a British Bankers Association (Associação dos Banqueiros Britânicos) pediu que os “maiores bancos” compartilhassem informação diária sobre as taxas de juros que pagariam se tomassem empréstimos de outros bancos. Depois de eliminados os valores extremos, determinava-se uma taxa média, modificada diariamente. A ideia era que, se os bancos se sentissem confiantes sobre o estado da economia, a taxa seria mais baixa; se estivessem inseguros, a taxa seria mais alta.

Quando a imprensa mundial usou a palavra “escândalo” para falar da Libor, ficou claro que o tema tinha sido debatido muito antes e a portas fechadas. Parece que o Wall Street Journal (que é não é propriamente um esteio anticapitalista) havia divulgado um estudo em 29 de maio de 2008 (sim, em 2008!), sugerindo que alguns bancos estavam subestimando os custos dos empréstimos. Outros imediatamente reagiram, dizendo que o estudo era impreciso ou, se correto, que os bancos tinham agido de forma inadvertida. Contudo, análises acadêmicas posteriores sugeriram que a acusação de subestimação dos custos era de fato verdadeira.

A questão é que quando um banco lida com 50 trilhões de dólares em valores teóricos, uma pequena subestimação de taxas gera imediatamente um aumento significativo dos lucros. Assim, a tentação era óbvia. Acontece que, já no início de 2007, tanto o Federal Reserve quanto o Banco da Inglaterra suspeitaram dessa subnotificação. Nenhum fez muita coisa. Agora, comenta-se que essas taxas, longe de serem confiáveis ou estáveis, são na verdade meras “suposições”.

Desde que o Lehman Brothers entrou em colapso, os bancos em todo o mundo deixaram de realizar empréstimos entre si. Como disse o New York Times, num artigo de 19 de julho de 2012: “As taxas precisas têm pouca base real”. Em 2011, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos começou uma investigação criminal. Graças a vazamentos de informação, sabe-se agora que houve trocas de e-mails entre banqueiros que falavam alegremente da subestimação das taxas e encorajavam outros a fazê-lo. Por que não? Era uma grana preta!

No meio disto tudo, o jornal The Independent publicou uma reportagem de duas páginas sobre os paraísos fiscais e a quantidade incrível de dinheiro que sai dos países do Sul global para esses lugares, privando-os assim de valores que provavelmente seriam mais que suficientes para financiar as transformações econômicas e a redistribuição de rendimentos que estes países afirmam querer pôr em prática. Ao contrário das manipulações da Libor, os paraísos fiscais são perfeitamente legais.

Então, onde está o escândalo? As duas práticas – manipulação da Libor e transferência de dinheiro para os paraísos fiscais – são absolutamente normais numa economia-mundo capitalista. A finalidade do capitalismo, afinal de contas, é a acumulação de capital – quanto mais, melhor. Um capitalista que não maximiza os ganhos, cedo ou tarde, será eliminado do jogo.

O papel dos Estados nunca foi controlar ou limitar estas práticas, mas fazer vista grossa quase o tempo todo. Uma vez ou outra, as práticas – dos capitalistas e dos Estados – são momentaneamente expostas. Algumas pessoas vão para a cadeia ou são forçadas a devolver os lucros ilegais. E os políticos falam de “reformas” – procurando adotar, com grande alarde, as menores possíveis – deixando intacto o mecanismo maior do Sistema.

Mas isto não é um escândalo, porque o que se chama de “escândalo” é, na verdade, o coração do sistema. Perguntinha: algum dia isto vai mudar?

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

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Opinião

Disparates de Gabrielli

O Estado de S.Paulo
Revisão, para baixo, dos programas de investimentos; redução das metas de produção; definição mais racional das prioridades; reconhecimento do fracasso de diversos poços, o que implicou o aumento contábil dos gastos; o registro do primeiro prejuízo trimestral em 13 anos. Embora esses fatos decorram do que aconteceu na Petrobrás por vários anos, o público - acionistas e também contribuintes interessados nos resultados da empresa, pois ela é controlada pelo governo - só ficou sabendo deles nos últimos meses.

Sua revelação se deve à atual direção da empresa, presidida por Maria das Graças Foster, no cargo desde fevereiro. No entanto, para seu antecessor imediato, José Sergio Gabrielli, nada mudou na empresa depois da troca de sua direção. O que houve foram apenas adaptações nos projetos de investimentos, em razão de sua "maturação".

É a ideia de continuidade da gestão da Petrobrás que seu ex-presidente tenta defender na entrevista a Thiago Décimo (Estado, 15/8), para mostrar que tudo o que está sendo revelado pela atual diretoria e as decisões que vêm sendo tomadas são parte daquilo que ele próprio, Gabrielli, e sua diretoria estavam fazendo. Decisões importantes da atual diretoria e que afetaram de maneira drástica os resultados da empresa, como a admissão de que estão secos muitos poços perfurados pela estatal na área do pré-sal, foram consideradas pelo ex-presidente simples medidas contábeis "universais".

São, de fato, decisões contábeis. Adotá-las, no entanto, é um ato de responsabilidade administrativa. Quando se anunciam investimentos em novos poços, os valores são contabilizados como despesas; quando se constata que o poço está seco, os valores são lançados como despesas. Nos resultados do segundo trimestre, a Petrobrás fez isso com diversos poços, o que contribuiu de maneira decisiva para que a empresa registrasse déficit de R$ 1,3 bilhão no período.

Para Gabrielli, não há nada a estranhar no fato de que justamente nos resultados relativos ao primeiro período trimestral de inteira responsabilidade da nova diretoria tenha sido reconhecido o fracasso desses poços. "Isso é clássico, não há nada de novo nisso", disse ao Estado.

Dados sobre o desempenho recente e as projeções para os próximos anos mostram que a Petrobrás perdeu eficiência. Não ampliou sua produção e vai demorar para recuperar-se. Atribui-se boa parte das perdas à queda da eficiência da Bacia de Campos, que responde por até 85% do petróleo consumido internamente. Ao apresentar o plano de negócios da Petrobrás para o período 2012-2016, sua presidente Graças Foster não deixou dúvidas quanto à gravidade da situação, ao afirmar ser necessário que "aumentemos urgentemente a eficiência operacional da Bacia de Campos". Embora tenha reconhecido que "as intervenções necessárias nos campos mais maduros são maiores, com a necessidade de mais sondas", Gabrielli alegou que "a opção de investir em exploração afeta a produção". É uma forma de admitir que, sob sua direção, a Petrobrás não investiu adequadamente na produção.

Quanto à decisão de construir quatro refinarias no Nordeste, Gabrielli disse que ela se baseou no fato de que a empresa pretendia tornar-se grande exportadora de produtos refinados, sobretudo para a Europa e para os Estados, pois o consumo doméstico estava estagnado havia dez anos. O que ocorreu, depois de tomada a decisão, foi uma mudança brusca na tendência dos mercados interno e externo. Nos últimos seis ou sete anos, a demanda interna de gasolina, como reconheceu Gabrielli, aumentou 40%.

O que ele não conta é que a empresa que dirigia não conseguiu acompanhar a mudança nem executar o plano original. As refinarias não saíram do papel, na maior parte dos casos. Quando saíram, como no caso da de Pernambuco, seus custos alcançaram valores exorbitantes, de cerca de dez vezes o orçamento original. Ainda assim, as obras estão muito atrasadas.

Não é à toa que a atual diretoria decidiu incluir em seu programa de investimentos só projetos exequíveis, e não mais anúncios de inspiração meramente políticas como os das refinarias.

Original aqui

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Manchetes do dia

Sábado, 18 / 08 / 2012

Folha de São Paulo
"PIB avança, mas deverá fechar o ano abaixo de 2%" 

Apesar de retomada, governo admite que alta não basta para salvar 2012

A atividade econômica do país cresceu 0,75% em junho em relação a maio, segundo o índice do BC, considerado uma prévia do PIB. O indicador, que teve a maior alta mensal desde março de 2011, sinaliza uma recuperação significativa da economia. O resultado foi comemorado. “Passamos o cabo da Boa Esperança”, afirmou Mantega (Fazenda). Dilma disse que o país começa a reagir aos estímulos. 

O Estado de São Paulo
"Governo oferece 15,8% a servidores em greve" 

Proposta atende metade das categorias paradas; reunião hoje, decidirá como reajuste será aplicado

O governo apresentou pacote de aumento de 15,8% para 18 categorias de servidores públicos e as paralisações começaram a ser esvaziadas. Após uma semana com negociações em ritmo lento, a nova proposta atende 50% das 36 categorias paradas. Uma nova reunião, hoje, vai decidir como o reajuste será aplicado a cada categoria. Os delegados da Polícia Federal não gostaram da proposta. Eles pedem 30% de reajuste. Em outro nível de negociação, professores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) decidiram pela volta das aulas, mas a greve permanece em 53 das 59 federais do País.

sexta-feira, agosto 17, 2012

Vida...


Coluna do Celsinho

Avanços

Celso de Almeida Jr.
Na semana que vem começa o horário eleitoral gratuito.

Nós, ubatubenses, poderemos acompanhar o tiroteio via rádio.

Ainda não dispomos de televisão para visualizar a performance dos candidatos do município.

Mesmo assim, não escaparemos de assistir, no horário nobre, os recados dos postulantes das maiores cidades vizinhas.

Oportunidade para avaliar quem tem plano de governo.

Quem se expressa bem.

Quem resiste a ataques com serenidade; equilíbrio.

Outros aspectos merecem destaque.

A Justiça Eleitoral tem avançado na gestão.

As regras exigem cada vez mais disciplina e organização dos postulantes.

Isto torna mais evidente quem tem maior preparo para a liderança de um município.

A prestação de contas da campanha também demanda mais rigor.

Há, realmente, o risco de um candidato ganhar mas não levar em função de falhas neste item.

Sem falar na Lei da Ficha Limpa que deixará muito político fora do páreo.

Enfim, a jovem democracia brasileira, aos poucos, vai se firmando.

O aprimoramento da legislação eleitoral com a punição dos maus políticos geram o saneamento que tanto precisamos.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

O Brasil pisoteado

O Estado de S.Paulo
Não serão tolerados abusos de policiais federais em greve, disse ontem de manhã o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo. Ele prometeu tomar medidas para reprimir as "situações de ilegalidade", mas o País continuou sujeito, durante todo o dia, à truculência dos grevistas em estradas, portos e aeroportos. Pode-se chamar de operação-padrão ou de qualquer outro nome, "mas usar a competência legal para criar obstáculos caracteriza abuso de poder e ilegalidade", argumentou o ministro. Portanto, ele conhece muito bem a situação e, com sua experiência de promotor, está preparado para identificar tecnicamente as violações cometidas pelos participantes do movimento. Com ideias tão claras sobre a questão, poderia ter agido há muito mais tempo para combater os desmandos, mas continua devendo a intervenção e a demonstração de autoridade. O fato é que o governo hesitou, deixou alastrar-se a greve - cerca de 30 categorias estão envolvidas - e acabou tentando acalmar o funcionalismo com uma imprudente proposta de aumentos salariais.

Se algo parecido com essa proposta for acertado com os grevistas, será plantada a semente de novos e graves problemas nos próximos anos. Pelo acordo sugerido, haverá aumentos entre 4,5% e 5% no próximo ano e será fixada uma política salarial para execução até 2015. O Executivo ficará amarrado a um compromisso financeiro perigoso, nos próximos anos, como ficou ao negociar critérios de aumento real para o salário mínimo. O prazo - até 2015 - só valerá se o funcionalismo se acomodar. Mais provavelmente o governo será pressionado para estender a vigência da regra ou até para torná-la definitiva. Serão inevitáveis duas consequências indesejáveis: 1) o Orçamento-Geral da União, já muito rígido, ficará mais engessado; e 2) mais um valor será indexado legalmente, quando se deveria - exatamente ao contrário - tentar extinguir os últimos resíduos da indexação, uma herança dos tempos da inflação desenfreada.

Há quem censure o governo por haver demorado a buscar a negociação com os grevistas. Mas a presidente Dilma Rousseff e seus auxiliares estavam certos pelo menos em relação a um ponto: há pouco ou nenhum espaço nas finanças públicas, neste momento, para aumentos de salários ao funcionalismo. Desinformado e despreparado para enfrentar a mobilização do funcionalismo, o governo tentou ganhar tempo, evitando qualquer compromisso até o envio da proposta orçamentária ao Congresso, no fim de agosto. Esgotado esse prazo, o problema estaria superado, segundo os defensores dessa tática.

Mas a presidente foi abandonada por seu partido, o PT, que tem velhas e estreitas ligações com o funcionalismo federal. Foi também abandonada pelas centrais sindicais, generosamente cevadas pelo governo durante os dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sem nenhum compromisso, como sempre, com questões de interesse público.

Diante do governo hesitante e despreparado para enfrentar a pressão do funcionalismo, as categorias em greve tomaram o País como refém para extorquir vantagens do Tesouro. O embarque nos aeroportos transformou-se numa experiência infernal. Voos foram atrasados, compromissos foram perdidos. Mercadorias ficaram paradas nos portos e aeroportos, porque os agentes policiais, fiscais e sanitários envolvidos nas operações de exame e liberação decidiram abusar de sua autoridade.

Congestionamentos enormes foram provocados, em estradas, por policiais dispostos a causar o máximo de incômodo e de prejuízo à sociedade. Na quarta-feira, havia 14 mil contêineres parados em portos de Santa Catarina. Dirigentes de laboratórios de análises clínicas já denunciavam o risco iminente de escassez de reagentes e outros materiais indispensáveis a seu trabalho. Também nos hospitais já soava o alarme, diante do esgotamento de recursos até para a manutenção dos centros de terapia intensiva.

Todos sabem dos abusos - principalmente o ministro da Justiça. Muito mais que um braço de ferro entre funcionários e autoridades, a greve tem sido um pesadelo de truculências e de agressões à sociedade, facilitadas pela inércia e pela fraqueza do governo.

N. da R. - Este editorial já estava redigido quando o STJ, a pedido do governo federal, declarou ilegal a operação-padrão das Polícias Federal e Rodoviária Federal.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 17 / 08 / 2012

Folha de São Paulo
"Relator declara culpados por corrupção Valério e João Paulo" 

Para ministro do STF, deputado petista recebeu dinheiro do valerioduto em troca de contrato público

Primeiro ministro a se pronunciar na fase final do julgamento do mensalão, o relator, Joaquim Barbosa, votou pela condenação do deputado João Paulo Cunha (PT-SP), do publicitário Marcos Valério e de dois sócios dele à época. Para o ministro, João Paulo cometeu os crimes de peculato, corrupção passiva (pena de 2 a 12 anos de reclusão para cada um) e lavagem de dinheiro (2 a 10 anos) ao favorecer à agência de publicidade de Valério.

O Estado de São Paulo
"Relator vota pela condenação de João Paulo e Marcos Valério" 

Primeiro a votar, Barbosa diz que há provas suficientes por corrupção e peculato

O ministro Joaquim Barbosa, relator da ação do mensalão no STF, votou ontem pela condenação dos primeiros réus do processo, o deputado João Paulo Cunha (PT), o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza e seus sócios na agência SMP&B, Cristiano Paz e Ramon Hollerbach. O ministro afirmou que há provas suficientes para condenar João Paulo pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato. Segundo Barbosa, os ilícitos estão relacionados a um contrato firmado em 2003 entre a Câmara e a agência de Marcos Valério. Na época, João Paulo era presidente da Câmara. Barbosa também votou pela condenação de Valério, Paz e Hollerbach por corrupção ativa e peculato. Como o relator fatiou seu voto, outros crimes não foram analisados.

quinta-feira, agosto 16, 2012

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Opinião

Desatolando o governo

O Estado de S.Paulo
O governo decidiu, afinal, chamar o setor privado para desemperrar os projetos de rodovias e ferrovias previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), um sucesso em financiamento habitacional e um fiasco em obras de infraestrutura. Estão previstos investimentos de R$ 133 bilhões, financiados na maior parte pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A mesma solução será tentada, em seguida, para desencantar os investimentos necessários à modernização e à ampliação de portos, aeroportos e hidrovias. Com muito atraso, a presidente Dilma Rousseff pôs de lado alguns preconceitos e decidiu, afinal, recorrer não só a concessões, mas também às Parcerias Público-Privadas (PPPs), já usadas com sucesso em projetos estaduais. Para passar da intenção à prática, no entanto, o governo ainda terá de cuidar das licitações e dos modelos de contratos, pontos fracos da gestão petista.

Para isso, a administração terá de enfrentar mais algumas tarefas tecnicamente complicadas. Mas pelo menos um dos pontos centrais está definido, segundo adiantou o ministro dos Transportes, Paulo Passos: será mantido, na seleção, o critério da menor tarifa, já adotado em 2008. Cinco dos oito projetos então contratados nem foram iniciados e só se realizou um décimo dos investimentos previstos. Mais uma demonstração de teimosia?

Só se cobrará pedágio, segundo o ministro, depois da construção de pelo menos 10% de cada trecho contratado. Além disso, o tráfego nas zonas urbanas será livre da tarifa. A exigência dos 10% deve funcionar, aparentemente, como garantia da realização de investimentos. Que acontecerá depois disso, se as empresas julgarem a remuneração muito baixa para justificar a aplicação de mais capital? Seria bom o governo rever esse ponto, examinando, por exemplo, as experiências do Estado de São Paulo, onde se encontram as melhores rodovias do País.

Os programas anunciados ontem incluem 7.500 quilômetros de rodovias e 10 mil de ferrovias. O uso das estradas de ferro deverá ser aberto a todos os interessados no transporte de cargas. A Valec - estatal vinculada ao Ministério dos Transportes - comprará a capacidade integral das empresas ferroviárias e venderá o uso da malha aos interessados. "Trata-se de um resgate da participação do setor privado em ferrovias, mas pelo fortalecimento da estrutura de planejamento e regulação", disse a presidente.

Ela poderia ter dito algo mais sobre essa "estrutura", se estivesse disposta a lavar roupa suja. Demissões no Ministério dos Transportes foram o começo da faxina parcial empreendida em 2011 no governo federal. A presidente foi praticamente forçada a afastar ministros e altos funcionários envolvidos em enormes bandalheiras. O presidente da Valec, José Ferreira das Neves, o Juquinha, foi afastado naquele ano e preso em 2012 pela Polícia Federal, acusado de participação em esquemas de superfaturamento e desvio de recursos. Ele foi presidente regional, em Goiás, do PR, partido agraciado no governo Lula com o Ministério dos Transportes. Ao falar sobre planejamento e regulação, a presidente seria mais convincente se lembrasse a devastação da máquina pública promovida por seu antecessor, quando loteou e aparelhou a administração.

Para cuidar dos projetos ferroviários, a Empresa de Trens de Alta Velocidade (Etav) será transformada em Empresa de Planejamento e Logística (EPL). Criada para cuidar do trem-bala, a Etav deverá, portanto, enfrentar uma responsabilidade muito maior. O projeto do trem-bala continua emperrado - só o custo estimado se moveu, para cima -, e o governo agora promete uma licitação para breve.

A presidente Dilma Rousseff reconhece, enfim, a necessidade urgente de medidas estruturais para tornar o País mais eficiente. Até agora, ela agiu a maior parte do tempo como se o Brasil enfrentasse apenas problemas conjunturais, decorrentes da crise global. Mas o desafio é muito mais amplo e a competitividade é o ponto central. Admitir esse ponto é um avanço. Para tomar as medidas necessárias, mesmo com a participação do setor privado, o governo precisará, no entanto, de competência gerencial. É o primeiro obstáculo.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 16 / 08 / 2012

Folha de São Paulo
"Privatizações de Dilma prometem R$ 80 bi em 5 anos" 

Pacote de concessões para dobrar ferrovias e estradas duplicadas divide empresários e é ironizado por oposição

O governo Dilma anunciou pacote de privatizações que pretende, em cinco anos, dobrar a extensão das rodovias duplicadas e das ferrovias em operação. Na primeira etapa, serão duplicados 5.700 km de estradas e construídos 10.000 km de ferrovias, com investimento privado de R$ 80 bilhões. Em 30 anos, a meta é atingir R$ 133 bilhões.

O Estado de São Paulo
"Governo muda de rota com plano bilionário de privatização" 

Pacote prevê investimentos de R$ 133 bi pela iniciativa privada; efeito será a longo prazo

O governo anunciou ontem o maior pacote de concessões em rodovias e ferrovias já feito no País, no valor de R$ 133 bilhões. A expectativa é de dar impulso à economia a partir de 2013, mas, segundo analistas, os efeitos só deverão ser sentidos a partir de 2014. O BNDES financiará até 80% dos projetos. O choque na infraestrutura foi comparado a um modelo de privatização até por empresários presentes à cerimônia de anúncio do programa, no Palácio do Planalto, mas a presidente Dilma Rousseff não só rejeitou o termo como criticou a venda de estatais ocorrida na gestão do PSDB (1995-2002). “Nós, aqui, não estamos desfazendo de patrimônio público para acumular caixa ou reduzir dívida”, disse. As medidas integram a primeira etapa do Programa de Investimentos em Logística (PIL), que também contempla portos, aeroportos e energia.

quarta-feira, agosto 15, 2012

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Opinião

'O povo não é bobo', lembra-se, Lula?

José Nêumanne
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, que é homem de confiança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o mais próximo auxiliar da presidente Dilma Rousseff, já pontificou que o "mensalão" não terá influências maléficas sobre os candidatos do Partido dos Trabalhadores (PT) nas eleições municipais deste ano. Depois dele, o presidente nacional do partido do governo, Rui Falcão, também menosprezou eventuais prejuízos a seus militantes, porque o brasileiro comum estaria mais interessado na Olimpíada e no arrasa-quarteirão das 9 da noite na Globo, a telenovela Avenida Brasil. Um pode ter razão; o outro, não.

De qualquer maneira, se ambos raciocinam de forma correta, perde qualquer sentido a cruzada de Lula tentando convencer ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) a adiar o julgamento a pretexto de não "contaminar" o processo eleitoral. Ainda que se acredite na versão do ex-presidente de que ele tenha marcado um encontro com o ministro Gilmar Mendes no escritório do amigo comum Nelson Jobim para discutir o sexo dos anjos ou o que viria a paralisar Fabiana Murer na hora de saltar nos Jogos de Londres, não dá para negar o vídeo que Rui Falcão inseriu no site do PT fazendo o mesmo apelo. Se os debates no Supremo não prejudicam os petistas e o eleitor não está ligando para o que neles se debate, por que, então, se pretendeu adiá-los?

Teremos de esperar para saber se, no caso de as eleições serem disputadas antes de o julgamento terminar, os candidatos petistas serão prejudicados por uma condenação generalizada de seus militantes ou ajudados pela absolvição deles. Pelo andar da carruagem, não é improvável que o veredicto seja dado depois da consulta às urnas. Mas não é impossível - embora seja pouco provável - que, antes da decisão do STF, os eleitores votem sob influência do conhecimento adquirido com a divulgação dos fatos trazidos de volta a lume. E isso nada tem que ver com pressão da opinião pública sobre o Judiciário, certo?

Haja o que houver, o noticiário sobre a acusação do procurador-geral, Roberto Gurgel, e a defesa dos advogados dos 38 réus já pode trazer uma contribuição efetiva e muito rica para o debate institucional no Brasil. É salutar que se exija, como se exige, numa República tão assolada pelos surtos autoritários, o respeito ao indivíduo, que só é completo com a prática do amplo, geral e irrestrito direito à defesa, com base no ancestral favorecimento do réu pela dúvida, como preconizavam os romanos e o ex-presidente Lula, neste caso sendo o réu um fiel devoto da crença nele. Mas respeitar a presunção de inocência não é tornar dogmas argumentos da defesa e estigmatizar como diabólicos os da acusação.

Segundo pesquisa do Datafolha, 73% dos brasileiros acreditam na culpa dos réus. Isso significa, obviamente, que quase três quartos da população consultada pelo instituto entendeu a narrativa lógica e encadeada dos fatos que fizeram o ex-procurador-geral Antônio Fernando de Souza encaminhar o caso a julgamento e seu sucessor, Roberto Gurgel, formalizar a acusação. E também que não se deixaram impressionar por volteios retóricos e, às vezes, meramente semânticos com que os advogados tentaram desconstruí-la e até desmoralizá-la.

O Zé Mané da favela distingue com mais clareza do que os juristoides de plantão a diferença entre plena defesa e impunidade total. Se só 11% acham que, inculpados, os réus cumprirão pena em prisão, não é porque a quase totalidade acha que eles não mereçam punição, mas por conhecimento de causa sobre a justiça real a que todos têm acesso. Isso tem o lado positivo de confirmar o que os metalúrgicos sob comando de Lula bradavam nas greves do ABC: "O povo não é bobo". Mas também transmite uma inquietante sensação de consciência da impunidade, que se alastra pela sociedade. Quem acredita na culpa, mas não na pena, pode se perguntar: "E por que não eu?".

Rui Falcão - cujos companheiros do PT tentam impedir o uso do noticiário do julgamento na propaganda eleitoral e chegam ao ridículo de querer obrigar os meios de comunicação a trocar "mensalão" por Ação Penal 470 - está mais certo, pois, do que seu alter ego. Este aposta na Olimpíada, que acabou três meses antes do pleito, e na novela para desviar a atenção do eleitor dos "malfeitos" dos companheiros. Os dois juntos e Gilberto Carvalho devem ter tomado um susto quando descobriram que a crença na culpa de sua turma é semelhante à audiência do folhetim eletrônico e à indiscutível popularidade de Lula. E este se assustará ainda mais ao perceber que, do rebanho fiel que lhe devota amor e fé, quatro em cada cinco entrevistados aceitam a tese defendida pelos procuradores-gerais de que foi dinheiro público que comprou apoio político. E mais grave: só 7% dizem aceitar a hipótese de que foi "só caixa 2".

Dificilmente a pesquisa mudará o destino dos réus, pois juízes experientes como os ministros do STF não deverão se deixar influenciar pela opinião da massa inculta e distante. Cada um dos 11 teve sua convicção formada ao longo dos sete anos de debate em torno do momentoso escândalo. Mas, ao registrar o pulso do brasileiro comum, a pesquisa presta o grande serviço de mostrar que o cidadão pode sentir-se indefeso e impotente diante de um sistema político que finge representá-lo e o despreza, mas não se deixa enganar com facilidade.

E caberá aos supremos julgadores não perderem de vista a oportunidade de devolver ao cidadão o protagonismo que o regime diz que ele tem, mas na prática lhe nega. A missão do STF, a ser cumprida antes ou depois das eleições, será provar que, como o brasileiro comum, não se deixa lograr por lorotas políticas e chicanas jurídicas que criam um Dirceu inválido na chefia da Casa Civil e um Delúbio inocente útil nas mãos de um espertalhão. Sob pena de verem Papai Noel descer do trenó na Praça dos Três Poderes para apresentar as alegações finais.

* JORNALISTA E ESCRITOR,  É EDITORIALISTA DO 'JORNAL DA TARDE'

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 15 / 08 / 2012

Folha de São Paulo
"Novos dados ruins fazem MEC mudar ensino médio" 

Ministério quer reduzir número de matérias para tentar melhorar aprendizado

O governo federal quer reduzir o número de disciplinas no ensino médio público após a divulgação dos resultados de 2011 do Ideb, o índice que mede o desempenho da educação básica. Segundo os dados, o aprendizado continua em patamar baixo e a pequena melhora verificada nos últimos anos estagnou.

O Estado de São Paulo
"Educação avança no País, mas aluno aprende pouco" 

Índice do MEC aponta que nota melhora com menos repetência; ensino médio piorou em alguns Estados

O índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) divulgado pelo MEC mostra que o Brasil obteve avanços nos primeiros anos do ensino fundamental, mas o ensino médio apresentou piora em oito Estados e no Distrito Federal, apesar de a meta nacional ter sido atingida. Em outros 12 Estados, a meta não foi alcançada. Com o aumento na progressão dos estudantes, houve menos repetência. Para especialistas, os dados indicam que o Brasil teve avanços muito tímidos e grande parte dos estudantes ainda sai da escola sem aprender o que deveria. No ensino médio da rede particular, 15 Estados e o Distrito Federal não atingiram a nota mínima e dois terços dos 20 Estados avaliados em 2009 apresentaram queda ou mantiveram a mesma média.

terça-feira, agosto 14, 2012

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Opinião

O difícil resgate da Petrobrás

O Estado de S.Paulo
A presidente da Petrobrás, Graça Foster, deu mais um passo, nesta segunda-feira, para racionalizar a administração da empresa, reconduzi-la a seus objetivos originais e resgatá-la da condição de instrumento a serviço dos objetivos político-partidários do grupo governante. A companhia, disse a executiva, continuará empenhada em elevar a participação da indústria local em seus projetos, mas "com excelência, competitividade e melhores prazos". Se essa atitude for para valer, a consequência será a prioridade à eficiência, com abandono do voluntarismo, da demagogia e do irrealismo adotados como cartilha pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas essa é apenas a hipótese mais otimista. O discurso da racionalidade, ouvido a partir da troca de comando na estatal, poderá ser desmentido pelos fatos, se fraquejar o apoio do Palácio do Planalto ou se a execução do programa preservar os padrões seguidos até agora na impropriamente chamada política industrial do governo.

Tornar mais competitivos os fornecedores de bens e serviços para o setor energético é o objetivo oficial do memorando de entendimento assinado ontem por representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Petrobrás. Desde o começo de seu primeiro mandato o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou da estatal maior participação de fornecedores nacionais em seus projetos. A legislação a respeito do pré-sal transformou a Petrobrás, oficialmente, em instrumento de política industrial. Essa transformação, discutível do ponto de vista gerencial, força a empresa a atender a objetivos nem sempre conciliáveis, pelo menos a curto prazo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sempre cuidou menos da administração do que dos interesses políticos - seus e dos parceiros mais próximos.

O empenho político e o voluntarismo foram insuficientes, no entanto, para garantir nos projetos da Petrobrás um conteúdo nacional tão grande quanto aquele pretendido pela política oficial e, naturalmente, pelos setores protegidos. A participação da indústria brasileira de máquinas e equipamentos nesses projetos passou de 24% em 2003 para 35% em 2005 e caiu para 17% em 2011, como informou no domingo reportagem do Estado. Nem o esforço dos dirigentes da estatal para cumprir a política de conteúdo nacional bastou para garantir um resultado melhor.

Mas o programa combinado com o Ministério do Desenvolvimento vai além da modernização e do fortalecimento da cadeia fornecedora. Está prevista a aplicação de recursos em polos industriais em Minas Gerais, Bahia e Pernambuco e, talvez, no Paraná. Para avaliar a ideia, é preciso saber se a prioridade a polos fora de São Paulo e do Rio de Janeiro atenderá com eficiência às necessidades da Petrobrás. A resposta pode ser positiva, mas, se a diversificação regional for um objetivo independente da competitividade, o governo cometerá um segundo erro gerencial.

O primeiro erro, é claro, foi a conversão da Petrobrás em agente da política industrial, desviando seu foco das tarefas difíceis e custosas de exploração do pré-sal e do aumento geral da produção. Se a Petrobrás tiver sucesso na realização das tarefas próprias a uma empresa de energia, sua contribuição para o desenvolvimento nacional já será enorme, mas esse dado simples foi esquecido nos últimos anos. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deverá financiar projetos da indústria fornecedora, por meio de empréstimos e de participações. Também falta saber se novos critérios serão adotados ou se ainda prevalecerão os padrões de favorecimento seguidos há vários anos.

Como contraponto ao discurso da racionalidade, a secretária da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Heloísa Menezes, já avisou: discute-se no governo a extensão da exigência de conteúdo nacional a mais algumas áreas do setor de energia.

Hoje, as regras valem para as atividades de exploração e produção. A intenção foi confirmada pelo secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Energia, Marco Antônio de Almeida. As sementes do voluntarismo e da incompetência gerencial continuam germinando vigorosamente.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 14 / 08 / 2012

Folha de São Paulo
"Lula ordenou esquema, diz defesa de Jefferson" 

Contrariando cliente, advogado afirma que petista seria ‘pateta’ se não soubesse

A defesa do ex-deputado e presidente do PTB, Roberto Jefferson, delator do mensalão, afirmou aos ministros do Supremo que o ex-presidente Lula não só sabia como foi o “mandante” do esquema. Lula não comentou. O advogado Luiz Corrêa Barbosa disse que Lula teria de ser “pateta” para não saber do mensalão e que ele não é um dos investigados porque o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, “não fez o seu trabalho”.

O Estado de São Paulo
"Advogado de Jefferson diz que Lula ordenou mensalão" 

Segundo Corrêa Barbosa, ex-ministros indiciados seriam apenas auxiliares do então presidente

O advogado Francisco Corrêa Barbosa, que defende o presidente do PTB, Roberto Jefferson, sustentou ontem ao Supremo que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva “ordenou” o mensalão. O advogado do ex-deputado, pivô do escândalo, cobrou a inclusão do nome de Lula no processo e disse que sua não citação é “omissão dolosa”. Lula não comentou a acusação. Para Barbosa, os ex-ministros acusados - José Dirceu, Anderson Adauto e Luiz Gushiken - seriam apenas auxiliares do então presidente. A defesa do ex-deputado e ex-bispo Carlos Rodrigues disse que os recursos recebidos por meio do valerioduto foram usados para pagar dívidas de campanha em apoio a Lula.

segunda-feira, agosto 13, 2012

Pitacos do Zé Ronaldo


Tem gente se empenhando!

José Ronaldo dos Santos
O final de semana foi muito bom: começou com a V Mini Olimpíada, na escola Maria Salete, passou pela Festa do Folclore, na escola Semíramis (Saco da Ribeira) e pelo Baile do Cachorro Louco, na Associação dos Aposentados. Coroando tudo, terminamos num Dia dedicado aos Pais. (Bem cedo eu estava tomando café com o meu).

Na escola Salete, do Perequê-açu, eu pude ver uma iniciativa que deveria ser projeto contínuo em todas as escolas. Ou seja, a geração presente e as futuras devem, desde a mais tenra idade, receber estímulos para terem corpos sadios e uma autoestima elevada. Agradeço à diretora Carmen e aos demais participantes do projeto pelo convite à Academia Nunes de Karatê.

Na escola do Saco da Ribeira, foi gratificante presenciar o empenho dos professores nas diversas oficinas folclóricas e nas apresentações. Há um bom tempo eu não assistia os mais jovens representando a Puxada de Rede. Parabéns ao professor Nerci e a todos que batalharam naquele dia!

O que dizer do Baile do Cachorro Louco, na Associação dos Aposentados? Uma banda que escolheu um repertório de acordo com o público presente, somado a um ambiente saudável, de pessoas dispostas a uma convivência divertida, só podia gerar uma noite dançante maravilhosa! Só devemos agradecimentos à direção e colaboradores. Desde já estamos aguardando o Baile da Primavera!

Tudo isso só me leva a uma afirmação:

Tem gente apostando num mundo melhor!

Quem sabe, num futuro bem próximo, já tenhamos gente suficientemente educada para substituir os demagogos safados do presente. De iniciativas assim é que nascerão autênticos cidadãos e cidadãs.

Tem gente se empenhando nisso!

A resistência faz parte da cultura popular!

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Arte

Barcelona - Paseo de Gracia

Colunistas

JP Morgan & Canalhas Associados: detonando valores humanos

“Enquanto na Europa e nos Estados Unidos a economia real se afunda numa profunda recessão, os bancos subverteram a vontade popular através do lobby”

Márcia Denser
Mesmo após a tremenda crise de 2008 e de ter virado até piada de desenho animado hollywoodiano (em Meu Malvado Favorito, o JP Morgan é o banco que empresta dinheiro para os bandidos e no qual se entra sugestivamente pelo banheiro),

o capitalismo financeiro de esgoto continua a mil, detonando o dinheiro do contribuinte – que o “salvou” do dilúvio há cinco anos – e tome mais ajustes estruturais e mais “austeridade” (para quem,cara pálida?), mais desregulação, mais cortes de programas sociais e mais desemprego ou subemprego ou exclusão de mão-de-obra excedente ou os três. E novamente só pra favorecer o sistema financeiro. (Cruzes! Parece piada. E daquelas que mordem o rabo).

A economia mundial enfrenta o risco de uma nova queda e a crise atual poderá ser apenas o preâmbulo de novo e monstruoso crash, segundo Alejandro Nadal de La Jornada. O exemplo mais recente é o da perda de mais de 2 bilhões de dólares do JP Morgan, em maio, em razão de “erros flagrantes”, segundo declaração de seu arrogante presidente Jamie Dimon.

O fato é que o poder do mercado financeiro continua evitando a adoção de regras para conter a especulação. Há cinco anos na pior crise das últimas décadas, o mundo financeiro continua sem mudanças significativas. Aqui se localiza o epicentro do terremoto: nas reformas do seu sistema de regulação que deteriam um novo desastre. Mas o poder do setor financeiro e bancário impede que se apliquem restrições à sua atividade especulativa.

O mercado mundial de derivados é estimado em 1,2 trilhões de dólares. A maioria das transações nesse gigantesco mercado, desde swaps [um contrato de compra ou venda a prazo] de dívida e de taxas de juro até exóticos veículos sintéticos de investimento, escapam a qualquer sistema de regulação. Este mercado não cumpre qualquer função social ou económica. A sua razão de ser é a pura especulação.

A volatilidade, o comportamento de rebanho e as expectativas não realizadas são traços característicos deste capitalismo de cassino e a instabilidade é a palavra chave neste terreno de apostas perigosas. Nem os agentes que participam desse mercado entendem seu funcionamento. Os seus modelos de valorização de risco são enganadores porque reduzem a incerteza a um “cálculo de probabilidades”. Aí, o exemplo do JP Morgan não passa duma tediosa reincidência para pior.

Mas a terminologia oficial serve para ocultar o fato do banco ter feito apostas insensatas e absurdas que correram mal (assim como quem brinca com um dinheiro que não é seu, mas cuja fonte é inesgotável). Porém, este episódio encerra um presságio sinistro: os principais bancos do mundo têm níveis de exposição muito fortes neste mercado, onde tudo pode acontecer com graves consequências para a economia real.

No entanto, até agora não se estabeleceu um novo regime de regulação para mudar este estado de coisas. Em 2010, Obama promulgou a lei Dodd-Frank. É um documento de 2.300 páginas com regras que já se aplicam aos riscos que os bancos podem assumir e às atribuições das entidades reguladoras. Porém, os seus dois componentes mais importantes não entraram em vigor. Trata-se das restrições ao mercado de derivados e a chamada regra Volcker.

O artigo VII da lei estabelece que “as operações sobre derivados deverão levar-se a cabo em mercados públicos, para que os preços sejam conhecidos e se garanta o cumprimento dos contratos”. Mas muitas regras desse artigo são obliteradas pelo lobby dos bancos e servis amigos na Securities Exchange Commission e na Commodities and Futures Trading Commission. Em especial, as definições sobre os contratos de swaps constituem terreno fértil para abrir janelas através das quais se pode contornar a regulamentação.

O outro componente chave é a chamada Regra Volcker, que “proíbe os bancos de realizarem operações para seu próprio benefício com recursos dos seus clientes”. Esta peça de regulação é do senso comum, mas para os bancos é uma grave ameaça: afeta uma das maiores (senão a maior) fontes de seus lucros especulativos. Razão pela qual não entra em vigor, porque a sua regulamentação está sendo insistentemente debatida: o poderoso lobby bancário já acrescentou 300 páginas, das 10 originais, na Regra Volcker, isto é, uma infinidade de exceções e advertências que permitirão aos bancos contornar tal proibição.

Segundo a Bloomberg, só no primeiro trimestre deste ano os nove principais bancos de investimento do mundo obtiveram lucros de 55 bilhões de dólares. É evidente que para estes bancos o mercado de derivados é um espaço vital ao qual não estão dispostos a renunciar. Um novo descalabro no mercado de derivados afetaria todos os mercados financeiros na Europa, começando pelo dos títulos soberanos. Por isso, é urgente livrarmo-nos da ditadura do capital financeiro.

Enquanto na Europa e nos Estados Unidos a economia real se afunda numa profunda recessão, os bancos subverteram a vontade popular através do lobby. Os seus cúmplices são os partidos políticos: nos Estados Unidos, o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara de Representantes é o mais numeroso, porque se converteu num instrumento para recolher fundos do complexo financeiro-bancário e financiar campanhas eleitorais. E os governos em quase todo o mundo continuam se dobrando perante o mercado financeiro, paralelamente a um eleitorado indiferente e/ou apático, e uma opinião pública que, influenciada por uma mídia hegemônica, “normalizou” o estado de crise.

A situação é de impasse, contudo é preciso lembrar que, a longo prazo, não são apenas valores monetários que estão em jogo, mas sim valores humanos.E com estes não se negocia. A menos que uma queda geral na barbárie já não importe à humanidade.

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

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Opinião

Prioridades equivocadas

O Estado de S.Paulo
Em resposta a um dossiê preparado por professores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), propondo a transferência da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH) da periferia de Guarulhos para São Paulo, o Conselho de Assuntos Estudantis da instituição aprovou moção favorável à permanência da unidade no local onde está instalada - o Bairro dos Pimentas, uma região pobre, violenta e com problemas de acesso por transporte público.

No dossiê, os professores afirmam que o câmpus da EFLCH é geográfica e culturalmente isolado, não trazendo perspectiva de progresso para a região. Além disso, dizem eles, a má localização prejudica a integração dos cursos de graduação e é um dos fatores responsáveis pela alta evasão de alunos, o que compromete os esforços da Unifesp para atingir as metas de produtividade e os padrões de excelência estabelecidos por seus órgãos colegiados. Ao refutar esses argumentos, o Conselho de Assuntos Estudantis alegou que "o bairro lutou pela universidade". Afirmou, ainda, que a região está progredindo graças à EFLCH. E lembrou que outras universidades públicas instalaram unidades distantes de equipamentos culturais - como cinemas e teatros.

"A EFLCH já está enraizada. O que fazer com o dinheiro que foi gasto com a viabilização do câmpus?", pergunta o diretor acadêmico da escola, Marcos Cezar de Freitas, que é favorável à sua permanência no Bairro dos Pimentas. "A EFLCH foi fundada para cumprir um projeto acadêmico, não para atender às urgências do bairro. A escola, como foi concebida, não cabe lá. A Unifesp não faz nada especificamente para a população local", afirma o professor Juvenal Savian, que defende a transferência de alguns cursos para São Paulo.

Por trás dessa polêmica, há uma questão de fundo, que é saber se a missão de uma universidade é instruir as novas gerações ou funcionar como instrumento de desenvolvimento urbano. Esse tipo de questão surgiu há quase dez anos com o lançamento, pelo governo Lula, do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). Trata-se de uma política de expansão acelerada do ensino superior. Concebida sem uma avaliação cuidadosa do setor, essa política levou à abertura de campi onde não havia demanda e à admissão de alunos antes de existirem instalações adequadas.

A crise da EFLCH é consequência dessa estratégia açodada, que levou o governo a gastar cerca de R$ 4 bilhões com o Reuni, quando a prioridade da educação deve ser o ensino técnico e, não, o ensino superior. Esse equívoco do governo Lula fica perfeitamente claro em pesquisa feita pelo Senai, mostrando que os certificados de conclusão de nível técnico hoje garantem salários mais altos do que os pagos a quem tem diploma universitário. Segundo o levantamento, realizado em 18 Estados, a remuneração média na admissão dos trabalhadores das 21 ocupações técnicas mais demandadas pela indústria é de R$ 2.085,57 - valor superior ao salário médio de advogados, dentistas e engenheiros em início de carreira.

Em São Paulo, os salários iniciais mais elevados - entre R$ 3,5 mil e R$ 4,1 mil - são pagos a técnicos em manutenção de aeronaves e projetistas. No Rio de Janeiro, os salários iniciais mais altos são pagos a técnicos em mineração e em mecatrônica - em média R$ 8,6 mil e R$ 4 mil, respectivamente. Nos últimos 12 meses, o mercado de trabalho gerou 1,04 milhão de empregos para pessoas com diploma de nível técnico. Há, em todo o País, 2,4 milhões de trabalhadores que estudaram em cursos técnicos, segundo o levantamento, enquanto o mercado profissional para portadores de diploma superior está saturado.

Por diversas vezes Lula afirmou ter sido o presidente que mais criou universidades e mais inaugurou escolas técnicas - cerca de 214. O problema é que ele construiu menos escolas técnicas do que o necessário e universidades demais - e estas, além de enfrentarem graves crises, como a da EFLCH, consomem recursos escassos que poderiam ser mais bem aplicados em favor das novas gerações.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 13 / 08 / 2012

Folha de São Paulo
"Verba para esporte cresceu; resultado, não" 

País aumenta investimento em R$ 100 mi e obtém 1 prata e 1 bronze a mais

Após investir R$ 100 milhões a mais, o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) teve como retorno só duas medalhas a mais do que em Pequim: 17. O governo esperava entre 18 e 23.0 país ficou em 22° lugar, e os EUA voltaram a liderar o ranking.

O Estado de São Paulo
"Crise leva empresas a adiar investimentos de US$ 95 bilhões" 

Só na Petrobras revisão foi de US$ 50 bi; retomada deve começar no final do ano

A desaceleração da economia brasileira e a crise externa fizeram com que, nos últimos dois meses, tenham sido suspensos ou adiados US$ 95 bilhões em investimentos. Somente a Petrobras revisou projetos com orçamento de mais de US$ 50 bilhões. Para Fernando Puga, do BNDES, os adiamentos refletem a oscilação do cenário mundial mas, até o final do ano, voltará a haver crescimento acima do PIB. “O primeiro trimestre vai fazer o investimento no ano andar de lado”, diz. Especialistas ouvidos pela Agência Estado acreditam que haverá retomada entre o fim de 2012 e o início de 2013. Antonio Corrêa de Lacerda, da PUC-SP, avalia que “é um freio de arrumação, mas é limitado. As empresas não podem deixar de investir diante da concorrência”.

domingo, agosto 12, 2012

Arte

Bacco

Caravaggio

Michelangelo Merisi nasceu em 29 de Setembro de 1571 na pequena aldeia lombarda de Caravaggio, cujo nome depois adotou e morreu em Porto Ercole, comuna de Monte Argentario no dia 18 de Julho de 1610. Aos 12 anos, seu pai, mestre de obras, o inscreveu no ateliê de Simone Peterzano, um modesto pintor que se intitulava "discípulo de Ticiano". Por volta dos 15 anos, Caravaggio foge para Roma, onde passa de um ateliê a outro e troca inúmeras vezes de protetor. Suas primeiras obras conhecidas mostram independência em relação à representação católica tradicional e causaram escândalo, gerando conflito com os cânones artísticos da época e dividindo o público entre admiradores e inimigos.

Narciso

Considerado tanto fascinante quanto turbulento, o artista estava sempre envolvido em duelos e discussões. "Não sou um pintor valentão, como me chamam, mas sim um pintor valente, isto é, que sabe pintar bem e imitar bem as coisas naturais", disse Caravaggio perante o tribunal que julgava sua primeira acusação de perturbar a ordem pública.

Judite e Holoferne

Após um período inicial de miséria, quando chegou a vender pinturas nas ruas, ele passa a trabalhar para o cardeal Del Monte, patrono da escola de pintores de Roma, a "Academia de São Lucas". Com um aposento no "palazzo" do cardeal e uma pensão regular, Caravaggio realiza uma série de importantes quadros de temática religiosa.

São Gerônimo

Uma das características mais importantes de suas pinturas é retratar o aspecto mundano dos eventos bíblicos usando o povo comum das ruas de Roma: vendedores, músicos ambulantes, ciganos, prostitutas. Outra característica marcante são os efeitos de iluminação criados pelo jogo de luzes e sombras, que causam um impacto realista em seus quadros. Ele geralmente usava um fundo escuro e agrupava a cena em primeiro plano com focos de luz sobre os detalhes, ressaltando principalmente os rostos. Estes efeitos receberam o nome de tenebrismo.Caravaggio freqüentou tanto ambientes cultos e refinados como as tavernas romanas. Usava roupas extravagantes e chapéus de feltro com abas largas. Exibia uma espada na cintura e carregava um cachorro no colo.

A crucificação de São Pedro

Com a vida boêmia e afundado em dívidas, começa a decadência. Recusa a oferta do príncipe Doria Pamphili para decorar uma parte de seu palácio (hoje sede da embaixada brasileira na Itália) e insiste em pintar "quadros verdadeiros", certo de encontrar compradores. Sua situação piora em 1606, quando ele mata o nobre Tommasoni, durante um jogo de pallacorda, antepassado do tênis. Ferido, foge para Nápoles e enquanto seu perdão era pleiteado em Roma, se dirige à ilha de Malta, onde recebe a Cruz de Malta.

Pouco depois tem problemas com um nobre maltês e é preso. Ajudado por amigos, foge para a Sicília. Muda de cidade seguidamente: de Siracusa a Messina, daí a Palermo, depois retorna a Nápoles, no outono de 1609. Os sicários do cavaleiro maltês ultrajado descobrem, porém, seu esconderijo e, perto de uma taverna, ferem-no a espada. Recolhido e medicado, convalescia quando a notícia de que o papa estava prestes a conceder-lhe perdão e permitir-lhe o regresso a Roma animou-o a deixar Nápoles por via marítima.

Todavia, não totalmente recuperado, vertendo sangue e minado pela malária, Caravaggio morre numa praia deserta próxima de Roma, aos 39 anos. (Fonte: UOL Educação)

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Opinião

O Brasil e a seca nos EUA

O Estado de S.Paulo
A seca nos Estados Unidos prenuncia mais uma fase de preços altos para os alimentos, com perspectivas de bons ganhos para os exportadores e de graves dificuldades para as economias pobres e dependentes da importação de comida. Um dia depois de anunciada no Brasil a maior safra de grãos e oleaginosas de todos os tempos, o governo americano confirmou grandes perdas nas lavouras de soja e milho. A longa estiagem, excepcionalmente severa, afeta mais de 60% do país e a maior parte das regiões agrícolas. O mercado reagiu imediatamente às novas estimativas, divulgadas na sexta-feira pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, com indicações de redução dos estoques na temporada 2012-2013. A piora das condições de oferta de soja e milho poderá afetar também os mercados de outros produtos, porque será preciso recorrer a substitutos principalmente para a produção de rações e de etanol.

O Brasil será um dos países em condições de aproveitar as oportunidades abertas pela quebra da safra americana. A produção de soja, agora calculada em 66,4 milhões de toneladas na atual safra, deve ser 11,8% menor que a anterior, mas o governo projeta uma exportação de 31,2 milhões, volume apenas 5,4% menor que o do ano passado. Mas o grande sucesso da safra 2011-2012, no País, é a produção de milho, recém-estimada em 72,8 milhões de toneladas, com expansão de 26,8% em um ano. O volume exportado poderá aumentar de 9,3 milhões para 14 milhões de toneladas, segundo projeta a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Mas a excelente colheita favorecerá principalmente a produção de aves e suínos, com benefícios tanto para o abastecimento interno como para a exportação de carnes.

O mercado interno deve continuar bem abastecido, embora seja razoável prever alguma pressão sobre o custo de vida, principalmente por causa das cotações internacionais. O novo levantamento da Conab confirmou menor produção tanto de arroz como de feijão, neste ano, mas as quebras se refletem principalmente na redução dos estoques finais, sem problemas de abastecimento. Será importante, no entanto, garantir boas colheitas para a temporada 2012-2013, porque os volumes remanescentes serão pequenos.

Não houve crises de abastecimento no Brasil nas últimas duas décadas. Isso se explica tanto pela modernização tecnológica da agropecuária como pela liberação de preços e do comércio exterior, depois de um longuíssimo e desastroso período de intervencionismo estatal. Não há razão para esperar dificuldades no próximo ano, mas os preços da alimentação provavelmente forçarão o Banco Central a ser mais conservador na condução da política de juros.

Poderá haver dificuldades para as populações pobres dos países importadores de comida. O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, pediu aos Estados Unidos a suspensão da obrigatoriedade de mistura de etanol na gasolina. O milho é a fonte principal do etanol americano.

O governo americano reduziu de 4,6 milhões de toneladas para 3,9 milhões a previsão do estoque de soja no fim da temporada 2012-2013. A produção calculada caiu de 83 milhões para 73,3 milhões de toneladas. Em um mês a estimativa da safra de milho caiu 16,9%, de 329,4 milhões de toneladas para 273,8 milhões. Para o fim da safra 2012-2013 foram projetados estoques de 16,5 milhões de toneladas, os menores desde a temporada 1995-96.

Com exportações de US$ 44,8 bilhões e saldo comercial de US$ 36,8 bilhões no primeiro semestre deste ano, o agronegócio continua sendo um importantíssimo fator de segurança para o setor externo da economia brasileira. Os bons resultados foram obtidos em 2012 mesmo com a queda de preços de vários produtos básicos. Poucos preços, incluídos os da soja, ficaram imunes à crise global. A China se manteve como a principal compradora de produtos agropecuários, apesar de sua desaceleração econômica. Espera-se uma reativação da economia chinesa, embora o ritmo de crescimento deva manter-se abaixo de 9%. Essa reativação ajudará a sustentar os preços dos alimentos.

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