sábado, julho 21, 2012

Cannes, 1956 - Bardot & Picasso


Colunistas

Violência & poder em Sampa

“A violência é a base mais fraca possível para a construção de um governo. É a arma favorita do impotente”

Márcia Denser
“Qualquer um pode ser preso ou morto se estiver no lugar errado”, declarou a professora da USP e especialista em Sociologia Urbana, Vera da Silva Telles ao site Carta Maior desta semana, analisando o atual surto de violência e a ação policial nas periferias de São Paulo. Entre 17 e 28 de junho, segundo dados do Sistema de Informações Criminais, 127 pessoas foram assassinadas na capital. Durante o mês de junho, 39 cidades da Grande São Paulo registraram 166 mortos.

Na avaliação de Telles, a explosão de violência nas periferias de Sampa faz parte de “um embaralhamento dos critérios de ordem, no qual a ação dos agentes policiais gera um sentimento de imprevisibilidade nos moradores de tais áreas.” (apesar do jargão criptoacadêmico, é uma explicação muito simplista, confusa e rebuscada pro entendimento do leitor comum, vocês não acham?). Por outro lado, especula-se que o estopim para essa onda de “violência extralegal” seria um suposto confronto entre membros do PCC (Primeiro Comando da Capital) em 28 de maio, na zona leste, com oficiais da ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), do qual teria resultado cinco mortes.

Para muitos, a violência do Estado – sobretudo um Estado tucano há décadas – é o ingrediente central dos assassinatos em Sampa, refletindo práticas higienistas, sem contar o encarceramento que se maximizou em toda a região, na mesma medida em que, sintomaticamente, extinguiram-se os empregos sob o império dum Estado excludente e privatista. Mas as conexões entre violência, poder e autoridade estão sutilmente articuladas em reflexões exemplares por Slavoj Zizek, em seu último livro (1), uma vez que ele considera o estudo do antagonismo da ordem social uma tarefa maior do nosso tempo.

Segundo o filósofo esloveno, a única maneira de nos orientarmos na charada da violência é nos concentrarmos em sua natureza paralática (a “paralaxe zizekiana” é o efeito do aparente deslocamento do objeto observado devido à mudança na posição do observador. A exemplo daquela frase de Malcolm Lowry: “Quando se olha diretamente para o abismo, este devolve o olhar”). Resumindo: como “reagimos” à violência e nela interferimos, modificando-a.

Inicialmente, é preciso examinar os curtos-circuitos entre os diversos níveis, digamos, entre poder e violência social. Uma crise econômica que causa devastação é vivenciada como poder incontrolável e quase natural, mas deveria ser vivenciada como violência. O mesmo acontece com a autoridade e a violência: a forma elementar de crítica da ideologia é exatamente desmascarar a autoridade como violência.

Aqui o autor se refere a Hannah Arendt que elaborou (2) uma série de distinções entre “poder”, “vigor”, “força”, “violência” e “autoridade”. “Força” deve ser reservada para as “forças da natureza” ou a “força das circunstâncias”, indicando a energia liberada por movimentos físicos ou sociais. Nunca deve ser intercambiável com o “poder” no estudo da política: a força se refere a movimentos da natureza e outras circunstâncias humanamente incontroláveis, enquanto poder é função das relações humanas.

Nas relações sociais, o poder resulta da capacidade humana de agir em concerto para convencer ou coagir os outros, enquanto “vigor” é a capacidade individual de fazer isso. “Autoridade” é uma “fonte” específica de poder. Representa o poder investido em pessoas em virtude de seus cargos e autoridade quanto a conhecimentos relevantes. Existe autoridade pessoal na relação pais e filhos, professor e aluno, padres ou pastores e comunidade de fiéis. Sua marca é seu reconhecimento inquestionável, não é necessária nem coação nem persuasão para que os outros obedeçam. Portanto, a autoridade não brota simplesmente dos atributos do indivíduo, seu exercício depende da disposição por parte dos outros de atribuir respeito e legitimidade e não da capacidade pessoal (as tais “gestão” & “competência” eternamente invocadas como mantras neoliberais) de alguém de persuadir ou coagir.

Portanto, é fundamental distinguir poder de violência: o poder é psicológico, uma força moral à qual as pessoas obedecem naturalmente, enquanto a violência impõe a obediência por meio da coação física. Os que empregam a violência podem impor temporariamente sua vontade, mas seu comando é sempre tênue, porque quando a violência acaba ou diminui, há ainda menos incentivo para obedecer às autoridades. O controle da violência exige vigilância constante. Violência de menos é ineficaz; violência demais gera revolta. A violência pode destruir o poder antigo, mas não pode criar autoridade que legitima o poder novo.

Logo, a violência é a base mais fraca possível para a construção de um governo. É a arma favorita do impotente: os que não têm muito poder tentam controlar os outros usando a violência. Ela raramente cria poder. O terrorista que explode um prédio ou assassina um político dá ao governo a desculpa que ele deseja para reduzir as liberdades individuais e expandir sua esfera de influência. Quando um governo recorre à violência, é porque sente que seu poder está se esvaindo. Os governos que dominam pela violência são fracos e sem legitimidade.

A proposta do terrorismo político de esquerda na EU nos anos 70/80 (o Baden-Meinhof na Alemanha, as Brigadas Vermelhas na Itália, a Action Directe na França, etc.) resultam duma época em que as massas estão totalmente imersas no torpor ideológico capitalista e a crítica da ideologia já não funciona mais, donde só o recurso ao real nu e cru da violência direta consegue despertá-las.

A “maioria silenciosa” pós-política de hoje não é estúpida, mas cínica e resignada. A limitação da pós-política é bem exemplificada não só pelo sucesso do populismo direitista, cujos expoentes europeus foram, apesar da impopularidade crescente, reeleitos “democraticamente”, a exemplo de Tony Blair (eleito também várias vezes a pessoa mais impopular do Reino Unido), Sarkozy, Berlusconi e outros.

Isto significa que o descontentamento geral não tem como encontrar uma expressão política eficaz. Há algo muito errado aqui: o problema não é que as pessoas “não sabem o que querem”, e sim que esta “resignação cínica” as impede de agir, de modo que o resultado é a estranha lacuna entre o que elas pensam e como agem, isto é, votam.

Portanto, a violência sistemática dos sucessivos, além de fracos e ilegítimos (ou deslegitimados/desmoralizados) governos tucanos em Sampa é o inevitável resultado catastrófico deste voto “cínico e resignado” da maioria silenciosa pós-política paulistana.

É isso aí. Uma pílula amarga de engolir, contudo, também segundo Zizek, “a verdade é violenta”.

(1) Vivendo no fim dos tempos. São Paulo, Boitempo, 2012.

(2) In Hannah Arendt. Rio, Sobre a Violência, Civilização Brasileira, 2009

Publicado originalmente no "congressomfoco"

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Opinião

Novo celeiro do mundo

O Estado de S.Paulo
Há tempo destacada, a participação do Brasil na produção mundial de alimentos deverá ser ainda maior nos próximos anos. O Brasil integra um pequeno grupo de países produtores agrícolas - do qual fazem parte Rússia, Ucrânia, China, Indonésia e Tailândia - que responderá pela maior parte da produção adicional necessária para alimentar a população mundial até 2050. Até lá, de acordo com projeções da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), para atender à demanda, a produção mundial terá de crescer 60%. Nos próximos anos, outros países em desenvolvimento deverão se integrar a esse grupo, mas será cada vez menor a contribuição dos países industrializados para prover o alimento adicional de que o mundo necessitará no futuro.

Para evitar a fome no mundo, na metade deste século, a produção anual de cereais deverá ser 1 bilhão de toneladas maior do que a registrada em 2007 e a de carne precisará aumentar 200 milhões de toneladas. O relatório das duas organizações internacionais, com as projeções para a produção agrícola entre 2012 e 2021 - e que estende algumas delas para 2050 -, leva em conta o crescimento da população mundial, do índice de urbanização e do nível médio de renda no período.

Um dado preocupante do estudo é a redução do ritmo do crescimento anual da produção agrícola mundial, que alcançou 2% nas últimas décadas, mas deverá cair para 1,7% nas próximas. Ainda assim, será um crescimento maior do que o previsto para a população mundial, razão pela qual a produção por habitante continuará crescendo ao ritmo de 0,7% ao ano, estimam a OCDE e a FAO.

Na próxima década, o Brasil deverá registrar o maior crescimento de produção agrícola em todo o planeta. Até 2019, segundo o estudo, a produção brasileira deverá crescer 40%, bem mais do que o aumento estimado para a produção da Rússia, da Ucrânia, da China e da Índia.

Embora com resultados inferiores aos do Brasil, outros países da América do Sul também aumentarão de maneira expressiva sua produção. Desse modo, como observou o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, "a América do Sul está se convertendo em um grande celeiro" do mundo.

Estudo anterior da OCDE, divulgado no início do ano, mostrou com clareza a evolução da agricultura brasileira da segunda metade do século passado até hoje, destacando o expressivo aumento da produtividade, sobretudo a partir de 1970. Entre 1961 e 2007, enquanto a produtividade de países industrializados como França, Inglaterra e Estados Unidos aumentou menos do que a média mundial do período, de 1,48% ao ano, a do Brasil cresceu 3,6% ao ano, mais do que a média da América Latina, de 2,6%, e dos países em desenvolvimento, de 1,98%.

Na última década, os ganhos alcançados por alguns países, como Rússia e Ucrânia, foram maiores do que os do Brasil, mas esses países tinham um nível de produtividade muito baixo, daí seu crescimento mais rápido no período. Outros países conhecidos por sua forte presença no comércio mundial de produtos agrícolas, como Austrália, Canadá e México, além da Coreia do Sul, ao contrário, ficaram menos eficientes.

É reconhecido o papel fundamental de alguns fatores para o aumento veloz e contínuo da produtividade agrícola no Brasil. O avanço da pesquisa liderado pela Embrapa, com o desenvolvimento de variedades mais adequadas às condições brasileiras e o emprego de técnicas mais produtivas, é um deles. O aumento das exportações, que passou a exigir mais volume e mais qualidade, a preços competitivos, é outro. Os preços internacionais igualmente contribuíram para dar mais eficiência à agricultura do País. Por fim, a nova mentalidade do produtor rural permitiu a adoção de novos métodos de gestão e gerou um conhecimento mais acurado do mercado.

Melhor estaria o campo no Brasil, e poderia aumentar ainda mais rapidamente seus resultados, se dispusesse de infraestrutura e serviços logísticos que lhe garantissem custos competitivos para levar sua produção até o porto.

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Manchetes do dia

Sábado, 21 / 07 / 2012

Folha de São Paulo
"Serra e Russomanno estão em empate técnico em SP" 

Pesquisa Datafolha mostra diferença de 4 pontos, dentro da margem de erro

Pesquisa Datafolha realizada ontem e anteontem mostra Celso Russomanno (PRB) quatro pontos abaixo do líder José Serra (PSDB) na disputa para ocupar a Prefeitura de São Paulo. Serra aparece com 30% das intenções de voto, e Russomanno tem 26%. Como a margem de erro é de três pontos, eles estão tecnicamente empatados na liderança da disputa. 

O Estado de São Paulo
"32 ministros do STJ têm rendimentos acima do teto" 

Valor em um dos casos chegou a R$ 64,5 mil em junho, ante limite de R$ 26,7 mil fixado pela Constituição

Os 32 ministros em exercício no Superior Tribunal de Justiça (STJ) tiveram rendimentos em junho que superam o teto constitucional de R$ 26,7 mil, conforme lista divulgada ontem pela Corte no seu site, em cumprimento à Lei de Acesso à Informação. Na média, o vencimento bruto dos ministros foi de R$ 37 mil, ou R$ 29,7 mil líquidos. O STJ informou que a soma inclui vantagens pessoais e eventuais, que não contam para efeito de teto. Mais de cem servidores, pelo mesmo motivo, também ganharam acima do limite. Em seis casos, o contracheque ficou acima de R$ 50 mil, entre os quais o da corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministra Eliana Calmon: R$ 62 mil brutos. O campeão do mês foi o ministro Massami Uyeda, com R$ 64,5 mil. Em todos esses casos, o valor se deveu à antecipação de férias, mais o abono de um terço, segundo explicação do tribunal.

sexta-feira, julho 20, 2012

Iban Barrenetxea


Coluna do Celsinho

Freguês

Celso de Almeida Jr.
Ontem, um taxista iluminou meu dia.
Entrei apressado, sem papo.
Expliquei a urgência.
Sugeri o caminho.
Começou a falar...
Gosta da profissão.
Orienta o passageiro.
Não reclama do trânsito.
Os atrasos são pequeninos, comparados ao seu tempo de menino.
Criança da zona rural, caminhava quase uma hora para alcançar a escola.
Estrada de terra... trilhas no mato.
Hoje, o asfalto.
O carro seguro.
A vida fácil.
Feliz pelos filhos e netos.
Sabem mais, comunicam melhor.
Poxa...
Na curta corrida, serenidade, tranquilidade, felicidade.
Pedi o cartão!

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Opinião

Mobilidade emperrada

O Estado de S.Paulo
O Brasil seria um animado canteiro de obras, se o governo da presidente Dilma Rousseff mostrasse tanta competência para executar programas e planos quanto para lançá-los. Dado esse retrospecto, pouco se pode esperar da nova promessa de obras de mobilidade para cidades com populações entre 250 mil e 700 mil pessoas. Estão previstos R$ 7 bilhões para aplicação nesses projetos, mas nada assegura a efetiva aplicação desses recursos. A presidente, no entanto, prometeu resultados com a maior rapidez possível, ao apresentar, ontem, o PAC Mobilidade Médias Cidades, a mais nova extensão do Programa de Aceleração do Crescimento. A execução desse programa, criado em 2007, tem sido muito lenta e continua tão ineficiente na atual gestão quanto foi no governo anterior.

Ao apresentar o novo ramo do PAC, a presidente mencionou a possibilidade de usar o Regime Diferenciado de Contratações (RDC) para ganhar tempo na implementação dos projetos. O RDC foi criado como exceção à Lei de Licitações para facilitar a execução das obras da Copa. Foi um lance arriscado, porque aumentou o risco de mau uso de recursos públicos. O risco já era crescente, mesmo sem essa mudança, por causa do grande atraso na execução das obras.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esforçou-se para trazer para o Brasil a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Cuidou de sua projeção internacional, mas negligenciou as providências para dotar o País de aeroportos, estradas, estruturas de transporte urbano e outras instalações necessárias a grandes eventos internacionais.

Atribuir o atraso das obras aos critérios da Lei de Licitações é distorcer a história, mascarando o desleixo e a incompetência administrativa do governo Lula. Mas essa distorção ocorreu e assim surgiu o RDC. O passo seguinte foi o esforço para estender as facilidades de contratação às obras do PAC, como se isso tornasse mais eficiente a elaboração e a execução dos projetos. Essa tentativa é mais uma mistificação, porque os atrasos do PAC se devem a outro fator - a má qualidade da gestão pública.

Antes do programa especial para cidades médias, o governo federal já dispunha de planos de obras de mobilidade urbana. Foram previstos para essas obras R$ 2,1 bilhões no Orçamento-Geral da União deste ano. De janeiro a junho, no entanto, só foram desembolsados pelo Ministério das Cidades R$ 64,8 milhões, correspondentes a 3% da verba autorizada para 2012. O total empenhado - R$ 324,9 milhões - equivaleu a apenas 15,5% dos recursos previstos. Os números, divulgados pela ONG Contas Abertas, apenas confirmaram a deficiente execução dos programas. Resposta do Ministério das Cidades: das 43 ações pesquisadas, somente 8 estavam vinculadas ao PAC e, além disso, as aplicações de recursos foram dificultadas pelo contingenciamento de verbas. Péssima resposta. Afinal, as obras de mobilidade urbana são ou não prioritárias? Se a resposta for afirmativa, por que o governo se mostra incapaz de preservá-las, quando congela parte das verbas orçamentárias?

Mas todo o PAC vai mal, como sempre foi, desde seu lançamento há cinco anos. Neste ano, até junho, foram pagos R$ 18,6 bilhões, ou 42,9%, da verba orçamentária prevista para os 12 meses (R$ 43,4 bilhões). Mas a maior parte dos desembolsos, no valor de R$ 14,6 bilhões, correspondeu a restos a pagar. Além disso, 52,6% do total pago foi composto de financiamentos a programas habitacionais. É muito menos complicado liberar esse dinheiro que cuidar da elaboração de projetos e da condução de obras.

Enfim, o próprio governo parece muito desconfiado da própria capacidade de avançar na execução dos projetos. Afinal, o valor previsto para o PAC de 2013, na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do próximo ano, é pouco maior que o autorizado para este exercício fiscal. Mudar o regime de contratações poderá simplificar uma parte do processo, mas será preciso muito mais que isso para desemperrar o PAC. Para cuidar do problema realmente importante - a incompetência do governo - a presidente pouco tem feito. Para isso, seria preciso abandonar a concepção de governo implantada por seu antecessor, padrinho e mentor político.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 20 / 07 / 2012

Folha de São Paulo
"Em meio a guerra civil, Síria escapa de sanções" 

Rússia e China vetam texto na ONU; ditador reaparece após atentado

Rússia e China vetaram ontem no Conselho de Segurança da ONU uma resolução com sanções ao regime sírio, levando a críticas de países ocidentais. A resolução dava dez dias para o regime parar de usar armas pesadas, sob pena de punições econômicas.  

O Estado de São Paulo
"China e Rússia vetam sanções a Assad e êxodo cresce na Síria" 

Mais de 20 mil sírios fogem para o Líbano; fronteiras são tomadas por rebeldes

A Rússia e a China vetaram ontem na ONU uma resolução que abriria caminho para a aprovação de novas sanções contra o regime do presidente sírio, Bashar Assad. O texto previa a prorrogação da missão de observadores, a aplicação de um plano de transição proposto por Kofi Annan e sanções caso o regime não cumprisse a resolução. Para China e Rússia, o objetivo da proposta seria abrir espaço para uma intervenção militar similar à lançada na Líbia no ano passado. Em meio ao aumento da violência, a Síria já enfrenta um êxodo de sua população. Um dia depois do atentado em Damasco que matou o ministro da Defesa e um cunhado do ditador, mais de 20 mil pessoas seguiram ontem para a fronteira com o Líbano para tentar fugir do país, relata o enviado especial Andrei Netto. Rebeldes também tomaram postos de imigração na fronteira com Turquia e Iraque.

quinta-feira, julho 19, 2012

Pitacos do Zé Ronaldo


E por falar em civilidade... (XV)

José Ronaldo do Santos
A imagem mostra uma das bases de concreto que já foi imagem de cartão postal na costeira do Caminho do Cais, onde as pessoas pescavam ou simplesmente admiravam melhor a paisagem. Por que foi deixado nesta ruína?

Desconfie de qualquer candidato que apele para o emocional, se dizendo ser bom  ou coisas do mesmo gênero. Será que o eleitor não é capaz de tirar as suas conclusões a partir das práticas observadas? Não vote em quem passou um longo período aprovando tudo o que resultou nas condições da cidade que aí está e que continua apoiando o candidato indicado para seguir o mesmo esquema de governo.

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Opinião

Analfabetos na universidade

O Estado de S.Paulo
Sempre se soube que um dos principais entraves ao crescimento do Brasil é o gargalo educacional. Novas pesquisas, porém, revelam que o problema é muito mais grave do que se supunha. A mais recente, elaborada pelo Instituto Paulo Montenegro e pela ONG Ação Educativa, mostrou que 38% dos estudantes do ensino superior no País simplesmente "não dominam habilidades básicas de leitura e escrita".

O Indicador de Analfabetismo Funcional, que resulta desse trabalho, não mede capacidades complexas. Ele é obtido a partir de perguntas relacionadas ao cotidiano dos estudantes, como o cálculo do desconto em uma compra ou o trajeto de um ônibus. Mesmo assim, 38% dos pesquisados não atingiram o nível considerado "pleno" de alfabetização, isto é, não conseguem entender o que leem nem fazer associações com as informações que recebem.

Para os autores da pesquisa, resumida pelo Estado (16/7), os resultados indicam que o notável aumento da escolarização verificado nas últimas décadas ainda não se traduz em desempenho minimamente satisfatório em habilidades básicas, como ler e escrever, e isso num ambiente em que essas etapas do aprendizado já deveriam ter sido plenamente superadas, isto é, nas universidades.

A "popularização" do ensino superior, com a abertura indiscriminada de faculdades ávidas por explorar um público de baixa escolaridade - que não consegue ingresso nas universidades de prestígio, mas sabe que o diploma é uma espécie de "passaporte" para melhorar o salário -, é vista como um dos fatores principais do fenômeno. Essas escolas, concluem os especialistas, se adaptaram confortavelmente a um mercado consolidado, e só reagirão diante da exigência sistemática por melhor qualidade, que deve vir do governo e dos próprios alunos.

No entanto, o tempo para a reversão desse quadro é curto. O sentido de urgência se dá diante do desafio de colocar o Brasil entre os países mais competitivos do mundo, ante o encolhimento dos mercados por conta da crise. A situação de semianalfabetismo nos campi brasileiros - que contraria o discurso populista da presidente Dilma Rousseff segundo o qual seu governo, como o anterior, cuida mais dos jovens do que do PIB - talvez seja o indicador mais importante para medir o tamanho do fosso que nos separa do mundo desenvolvido.

Em primeiro lugar, a indigência intelectual compromete os projetos de aperfeiçoamento profissional, por mais bem-intencionados que sejam. Não se pode esperar que egressos de faculdades sem nenhuma qualificação possam acompanhar as mudanças tecnológicas e científicas cujo desenvolvimento é precisamente o que determina a diferença entre países ricos e pobres. A China, por exemplo, já entendeu que sua passagem de "emergente" para "desenvolvida" não pode prescindir da qualificação de seus trabalhadores, como mostrou José Pastore, em artigo no Estado (16/7).

Os chineses, diz Pastore, têm investido pesadamente no ensino superior, cujas matrículas foram multiplicadas por seis nos últimos dez anos. Agora, quase 20% dos jovens em idade universitária estão no ensino superior na China, enquanto no Brasil não passam de 10%. Ademais, a China demonstra há décadas um vivo interesse em enviar estudantes ao exterior, para uma preciosa troca de informações que encurta o caminho do país na direção do domínio técnico essencial a seu desenvolvimento. Só em 2008, diz Pastore, os chineses mandaram 180 mil estudantes para as melhores universidades do mundo, volume que se mantém ano a ano. O Brasil apenas iniciou o Programa Ciência Sem Fronteira, que pretende enviar 110 mil estudantes nos próximos anos.

O impacto do investimento chinês em educação aparece no cenário segundo o qual quase metade do extraordinário crescimento econômico do país resulta desse esforço de qualificação. Assim, se o Brasil tem alguma pretensão de competir com o gigante chinês, ou mesmo com países emergentes menos pujantes, o primeiro passo talvez seja admitir que é inaceitável entregar diplomas universitários a quem seria reconhecido como analfabeto em qualquer lugar do mundo civilizado.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 19 / 07 / 2012

Folha de São Paulo
"Anatel suspende venda de planos de TIM, Oi e Claro" 

Governo cobra melhoria no serviço; em cada Estado, uma operadora é punida

Em uma medida inédita, a Anatel, agência que regula o setor de telefonia, suspendeu as vendas de linhas telefônicas de TIM, Oi e Claro. Em cada Estado, uma operadora terá a comercialização de chips proibida a partir de segunda-feira. A TIM está suspensa em 18 Estados e no DF. A Claro foi punida em três unidades da federação (inclusive São Paulo), e a Oi, em cinco. A suspensão foi motivada pelo alto índice de reclamações de consumidores. As empresas podem recorrer.   

O Estado de São Paulo
"Atentado em Damasco mata dois generais de Assad" 

Rebeldes assumem ter colocado a bomba, que matou um cunhado do ditador sírio e o ministro da Defesa

Um atentado a bomba durante uma reunião da cúpula das forças de segurança da Síria matou ontem em Damasco quatro membros do alto escalão do regime de Bashar Assad. Entre as vítimas estão dois generais - o ministro da Defesa e o cunhado do ditador sírio. O grupo de oposição Exército Sírio Livre (ESL) assumiu a autoria do ataque, lançado no quarto dia de uma inédita ofensiva dos rebeldes contra Damasco. Até ontem, nenhum membro da cúpula do regime tinha sido morto nos 16 meses de levante e o ataque representou um duro golpe para Assad. O ESL disse que a bomba foi colocada na sala da reunião, no superprotegido prédio da Segurança Nacional. Dividido, o Conselho de Segurança da ONU adiou para hoje a votação sobre a prorrogação da missão observadora na Síria.

quarta-feira, julho 18, 2012

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Opinião

A greve se estende

O Estado de S.Paulo
Sem conseguir, até agora, dar respostas que satisfaçam às categorias que entraram em greve há mais tempo, algumas há quase dois meses, o governo vê crescer a onda de paralisações, que começa a afetar setores essenciais para a atividade econômica. As negociações em separado com as categorias vêm sendo feitas pela Secretaria de Relações de Trabalho no Serviço Público do Ministério do Planejamento, e o Palácio do Planalto tem afirmado que não intervirá na questão. Mas a ampliação cada vez mais rápida do movimento mostra que a ação do Ministério do Planejamento não está produzindo resultados. Por isso, é cada vez maior o risco de o governo perder o controle da situação.

Na segunda-feira, entraram em greve 35% dos funcionários das dez agências reguladoras e os servidores do Departamento Nacional de Produção Mineral, de acordo com o Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação (Sinagências). São mais 2,5 mil funcionários federais que se juntam aos de dezenas de outras categorias do serviço público federal que paralisaram o trabalho há mais tempo.

Também no início da semana cruzaram os braços os eletricitários de 14 empresas do grupo Eletrobrás. Apenas a área operacional das estatais continua operando, para assegurar fornecimento de energia elétrica. Nas 57 universidades federais e nos 38 institutos federais de educação, as atividades estão paralisadas há quase 60 dias, mesmo depois de, excepcionalmente, o governo ter feito uma proposta de reajuste salarial para os professores.

Dezenas de categorias estão em greve, cada uma com uma reivindicação específica em termos de valor e de porcentagem, mas todas querendo aumento. Em maio, o governo editou uma medida provisória reestruturando carreiras e planos de cargos, com novas tabelas de remuneração. Segundo o Ministério do Planejamento, a medida abrange 937 mil servidores ativos, aposentados e pensionistas vinculados ao Poder Executivo. Essas medidas foram previstas no Orçamento deste ano. Não há nova previsão de aumento em 2012.

Há dias, a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, reafirmou que, apesar das greves, o governo não concederá aumentos que não estejam previstos no Orçamento. Não há, até o momento, nenhuma informação de que o governo pretenda incluir no Orçamento de 2013 valores para atender os grevistas. O Ministério do Planejamento calcula que, se atendesse a todas as categorias do serviço público, incluindo algumas que ainda não entraram em greve, o governo gastaria adicionalmente até R$ 90 bilhões anuais com a folha de pessoal, valor que, obviamente, o País não tem condições de sustentar.

Ao exigir do governo aumentos financeiramente insuportáveis em quaisquer situações, mas especialmente agora, em razão da notória desaceleração da economia provocada pela crise mundial, os servidores em greve - além de demonstrar completa incapacidade de entender o mundo real - tentam impor custos adicionais aos contribuintes empregando a força da paralisação de serviços públicos. Mas algumas categorias prejudicam o País mesmo sem interromper seu trabalho, apenas os tornando ainda mais lentos do que o normal. É o caso dos auditores fiscais da Receita Federal.

Aos prejuízos que sofrem desde abril, quando a Receita Federal deflagrou a Operação "Maré Vermelha" - que causa grande atraso na liberação de bens importados a serem empregados no processo de produção e aumenta os custos das operações por causa da falta de estrutura do Fisco -, o empresariado soma as perdas causadas pela operação-padrão iniciada em meados de junho pelos auditores fiscais.

Reportagem do Estado (14/7) mostrou que uma de cada três fábricas de produtos eletroeletrônicos da Zona Franca está com alguma linha de produção total ou parcialmente parada por falta de insumos importados que estão retidos na alfândega, à espera de liberação. No Paraná, as indústrias recorreram à Justiça para tentar assegurar a liberação das mercadorias importadas no prazo de cinco dias.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 18 / 07 / 2012

Folha de São Paulo
"Maioria dos shoppings de São Paulo está irregular" 

Prefeitura identificou problemas em 28 dos 47 empreendimentos da cidade

A Prefeitura de São Paulo constatou irregularidades em 28 dos 47 shoppings da cidade. Oito têm menos vagas em estacionamentos que o exigido, dez construíram sem autorização e 14 não têm a documentação necessária para funcionar. Alguns empreendimentos têm mais de um problema.   

O Estado de São Paulo
"Filho de Paulinho da Força dá expediente informal em SP" 

Alexandre Pereira da Silva coordena Postos de Atendimento ao Trabalhador, da secretaria de Trabalho

Alexandre Pereira da Silva, filho de Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, candidato do PDT à Prefeitura de São Paulo, comanda um escritório paralelo na Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho do governo do Estado, informa a repórter Julia Duailibi. Sem ter sido nomeado oficialmente, ele é desde março chefe informal da Coordenadoria de Operações. Nessa condição, recebe prefeitos, decide sobre aplicação de recursos e toma decisões institucionais referentes à pasta e coordena 243 Postos de Atendimento ao Trabalhador no Estado, criados em parceria com os municípios. Alexandre não poderia exercer cargo de comissão na pasta, já que seu cunhado, Cristiano Vilela de Pinho, genro de Paulinho, é chefe de gabinete da secretaria. Oficialmente, o cargo de Coordenador de Operações é do funcionário concursado Marcus Akamine Wolff.

terça-feira, julho 17, 2012

Jack Vettriano


Colunistas

O ciúme e o crime

Luiza Eluf
O ciúme nasce com o ser humano. Irmãos lutam entre si pelas atenções dos pais, crianças têm apego possessivo pelos brinquedos. No entanto, além das tendências inatas, padrões  culturais centenários insuflam o sentimento de posse, de domínio do outro nas relações afetivas e sexuais. Ao contrário do que disse Vinícius de Moraes, o ciúme não é o perfume do amor, e pode ser sua desgraça. Impossível estabelecer uma relação  gratificante quando as perseguições e as cobranças são a tônica da vida a dois. A exclusividade entre parceiros não deveria merecer tanta prioridade. A supervalorização da fidelidade é um erro, é a maior causa de infelicidade conjugal. Não que se deva ignorar a importância de um parceiro fiel e dedicado, mas a obsessão pela exclusividade pode tornar a vida um inferno e levar à prática de violência doméstica. O crime passional nada mais é do que o homicídio praticado por ciúme.

O que caracteriza a passionalidade é o motivo do crime. Nosso Código Penal qualifica o homicídio, aumentando-lhe a pena, quando praticado por motivo torpe. E o ódio gerado pelo ciúme, a sede de vingança que atormenta a pessoa que foi trocada por outra configuram a torpeza. O móvel do crime é uma combinação de egoísmo, de amor próprio ferido, de instinto sexual e, acima de tudo, de uma compreensão deformada da justiça, pois o homicida acha que está no seu “direito”. A pena prevista no Código Penal é de 12 a 30 anos de reclusão. Quanto mais estreita a mentalidade do agente, maior sua insegurança, sua necessidade de dominar e de se autoafirmar às custas da companheira ou companheiro. O homicídio entre casais é uma aberração que durante séculos foi avalizada pela sociedade, principalmente quando o autor era homem e a vítima, apontada como traidora, era mulher. Foi assim que morreram Ângela Diniz, Eliane de Gramont, Sandra Gomide e muitas outras.

O caso Matsunaga, ocorrido recentemente em São Paulo, configura uma exceção à regra do crime passional. Na esmagadora maioria das vezes, quem mata é o homem; a mulher é a vítima do marido e da sociedade patriarcal. A dimensão da tragédia transcende o casal. No geral,há  filhos que ficam órfãos, pais e mães que definham no desespero de perdas irreparáveis, futuras gerações que são obrigadas a suportar o estigma do assassinato em família. Está na hora de corrigir padrões de comportamento que contrariam a natureza humana e por isso não são respeitados.  A natureza não ditou a fidelidade eterna. A exclusividade entre parceiros existe, mas em geral é temporária. Além disso, o ciúme é um mal a ser extirpado, não incentivado como se costuma fazer. Não se pode cultivar sentimento de posse e propriedade sobre um ser humano. Leon Rabinoviz, em 1933, externava sua perplexidade diante do crime passional observando ser “curioso sentimento o que nos leva a destruir o objeto de nossa paixão! Mas não devemos extasiar-nos perante o fato; é, antes, preferível deplorá-lo”. O instinto de destruição é exatamente o instinto de posse exacerbado, porque a propriedade completa compreende, também, o poder de matar.

O ciúme incomoda, fere, humilha quem o sente. No dizer de  Roland Barthes, “como ciumento sofro quatro vezes: porque sou ciumento, porque me reprovo em sê-lo, porque temo que meu ciúme magoe o outro, porque me deixo dominar por uma banalidade. Sofro por ser excluído, por ser agressivo, por ser louco e por ser comum”. O sueco Stieg Larsson,autor da trilogia Millennium, criou em sua obra personagens envolvidos em tramas intrincadas e fascinantes. Extremamente moderno e arrojado, ele construiu relações amorosas baseadas na liberdade individual, mostrando as variadas possibilidades de ser feliz no amor sem as amarras da exclusividade e da mentira. Se conseguirmos lidar melhor com nosso egoísmo, o fim do amor será sempre resolvido nas Varas da Família, e não no Tribunal do Júri.

Artigo publicado na Folha de São Paulo 16/07/2012

Luiza Nagib Eluf é Procuradora de Justiça do Ministério Público de São Paulo. É autora de sete livros, dentre os quais “A paixão no banco dos réus”, sobre crimes passionais.

Para saber mais sobre a Luiza acesse: www.luizaeluf.com.br

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Opinião

Treinando desempregados

O Estado de S.Paulo
O governo ampliou recentemente o alcance de uma medida que pode, a médio prazo, ajudar na qualificação do trabalhador e conter os gastos com o seguro-desemprego. Na Grande São Paulo e na região metropolitana do Rio de Janeiro, os trabalhadores que solicitarem o seguro-desemprego pela terceira vez em um período de dez anos terão de fazer um curso de formação inicial e continuada, com controle de matrícula e frequência, para continuar recebendo o benefício. A norma já está em vigor há alguns meses em outras capitais do País e suas regiões metropolitanas.

Trata-se de uma experiência-piloto, podendo ser ampliada e aperfeiçoada. O problema será encontrar serviços de aprendizagem profissional que possam atender todos os desempregados que se enquadram na nova norma.

Apesar da melhora do mercado de trabalho no País, os pagamentos de seguro-desemprego estão entre as despesas federais que mais têm crescido. Pesquisa do Ministério do Trabalho mostra que o número dos trabalhadores que requereram o benefício, no primeiro trimestre deste ano, caiu 4,4% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o seguro foi pago a 1,9 milhão de trabalhadores. Mas o gasto aumentou em consequência, principalmente, do reajuste este ano de 14% do salário mínimo, que funciona como um indexador.

No primeiro trimestre deste ano, as despesas nessa rubrica aumentaram 8% em termos nominais, chegando a R$ 5,6 bilhões. A previsão é de que até o fim de dezembro esses gastos atinjam R$ 26,2 bilhões, uma elevação de 7,4% em relação ao ano passado.

Dois outros fatores também influem. Primeiro, tem havido maior formalização do mercado de trabalho, aumentando, portanto, o número dos que têm direito ao benefício: desde que o trabalhador tenha carteira assinada e sua dispensa seja comprovada - o valor pago varia de acordo com o salário médio percebido nos três últimos meses trabalhados, com teto de R$ 1.163,76 por mês. Além disso, em um mercado de trabalho aquecido, há um aumento da rotatividade no emprego, podendo o trabalhador receber o benefício durante um certo período, enquanto espera a recontratação. E há ainda o caso do seguro ser pago a pessoas que estão formalmente desempregadas, mas atuando na informalidade durante algum tempo.

O mais importante é a percepção por parte do governo da necessidade urgente de estimular a formação profissional, especialmente de nível médio. Não poucos executivos de empresas nacionais e de companhias estrangeiras têm-se queixado da insuficiente qualificação profissional de operários brasileiros, exigindo frequentemente que as empresas se encarreguem de ministrar-lhes cursos básicos para que possam desincumbir-se dos trabalhos. Faltam especialmente os chamados "tecnólogos", trabalhadores especializados que possam servir de ponte entre a direção executiva e o chão de fábrica ou canteiro de obras, bem como auxiliares na prestação de serviços diversos.

Em vista disso, a condicionante para o recebimento repetitivo do seguro-desemprego prevê cursos, com duração mínima de 160 horas, adaptados à demanda de mão de obra em cada região. Em São Paulo, o Centro de Apoio ao Trabalho (CAT) promete oferecer cursos que vão desde o de ajustador mecânico, assistente de produção, auxiliar de crédito, técnico em instalações hidráulicas, lubrificador industrial até montador e operador de computadores, operador de máquinas de usinagem com comando numérico, além de uma grande diversidade de especializações. O essencial para o desempregado, em um mundo em constante transformação, é que se apegue ao que considera seu "ramo", mas tenha disposição para aprender novas profissões ou novas técnicas.

Com a nova medida, o seguro-desemprego no País passa a se vincular à educação, o que decerto contribuirá para diminuir o problema dos desempregados crônicos que apelam para expedientes a fim de viver à custa do seguro.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 17 / 07 / 2012

Folha de São Paulo
"EUA liberam pílula para a prevenção contra vírus da Aids" 

Droga, que já era usada para diminuir a carga viral em portadores do HIV, reduziu em 70% as novas infecções

O governo americano aprovou, pela primeira vez, que um medicamento seja usado com o objetivo de impedir a infecção de humanos pelo HIV, vírus da Aids. Testes mostraram que, além de controlar infecções já existentes, o Truvada diminui, em média, em 70% o risco de alguém adquirir o vírus. A pílula já vem sendo usada para reduzir a carga viral de portadores do HIV.  

O Estado de São Paulo
"Aumento de despesas do governo dobra no semestre" 

Salário mínimo impacta aposentadoria e pensões e puxa os gastos; valor total equivale a um PAC

As despesas federais praticamente dobraram no primeiro semestre em relação a 2011, mas os investimentos foram responsáveis por apenas 5% deste crescimento. As despesas correntes respondem pelo restante. Em termos nominais, o aumento é de R$ 40,6 bilhões, um pouco menos do que o total de recursos reservados para o PAC. O levantamento foi feito pelo economista Mansueto Almeida, para quem o crescimento das despesas é puxado pelas aposentadorias e pensões, em razão do reajuste de 14,1% do salário mínimo. O aumento das despesas de custeio ocorre por “causas bem intencionadas” e não por roubo, diz. O gasto com passagens aéreas diminuiu. Outro fator de aumento destas despesas são as subvenções econômicas e recursos do Minha Casa, Minha Vida. O governo, no entanto, desde o início do ano, considera investimento as despesas do programa habitacional.

segunda-feira, julho 16, 2012

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Opinião

O bom exemplo do Exército

O Estado de S.Paulo
No momento em que notícias sobre superfaturamento e atraso em obras públicas se tornam corriqueiras, é animador saber que algumas dessas obras estão sendo entregues antes do prazo previsto e a custos inferiores aos originalmente orçados. Não se trata de milagre. É apenas o resultado do trabalho competente e sério realizado por uma instituição cuja missão precípua não é tocar canteiros de obras, mas que nos últimos anos tem assumido maiores responsabilidades na elaboração e execução de projetos de infraestrutura em todo o País: o Exército.

O Departamento de Engenharia e Construção (DEC) do Exército, como mostra o jornal Valor (12/7), está tocando 34 obras em vários Estados, 25 delas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e elabora, a pedido da Infraero, projetos de engenharia destinados a acelerar a expansão dos aeroportos de Porto Alegre, Vitória e Goiânia. Nessa área, o Exército já trabalha na administração dos serviços de terraplenagem da ampliação do aeroporto de Guarulhos e na construção da pista do aeroporto de Amarante, no Rio Grande do Norte.

É principalmente o desempenho do Exército nas obras do aeroporto de Cumbica que tem animado a Infraero a ampliar a parceria com os militares numa área que se tem transformado numa das maiores dores de cabeça do governo no que diz respeito ao cumprimento dos prazos das obras da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016. A terraplenagem do Terminal 3 de Cumbica, cuja previsão inicial de entrega era para dezembro de 2013, será concluída em setembro próximo, com antecipação de 15 meses. Além disso, o custo original da obra, orçado em R$ 417 milhões, deverá ser reduzido - e não é apenas porque a União paga os soldos militares - em cerca de R$ 130 milhões, o que equivale a 25%. É exatamente o contrário do que tem sido noticiado a respeito da verdadeira lambança que a principal empreiteira do PAC, a Delta, tem promovido nas obras bilionárias sob sua responsabilidade em todo o País.

É claro que tocar obras públicas não é a missão precípua das Forças Armadas, que existem para zelar pela defesa nacional. E o Exército, cuja "intervenção" no mercado é malvista pelas empreiteiras de obras públicas, sabe muito bem que essa não é sua verdadeira vocação. O general Joaquim Maia Brandão, chefe do Departamento de Engenharia e Construção, garante, segundo o Valor, que não há planos de ampliar a estrutura da unidade sob seu comando, apesar do aumento da demanda ocorrido nos últimos anos, inclusive no que diz respeito ao planejamento e construção de novas estradas e manutenção das existentes, responsabilidade do mal afamado Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Nessa área o Exército tem 19 contratos firmados. E cumpre outros tantos nos setores portuário e de navegação fluvial.

O Exército está hoje envolvido em 34 projetos de construção, no valor de R$ 3 bilhões em obras, dos quais R$ 2,4 bilhões são do PAC. Intervenção indevida no mercado? Desvio de funções? O general Brandão responde: "O que temos é uma missão para cumprir, que é a preparação de nossas tropas para a guerra. Se não temos guerra, temos a obrigação de manter nosso contingente em atividades que, se necessário, (a tropa) irá desempenhar em situação de emergência". Não é, portanto, a lógica do mercado, mas a necessidade de manter seu contingente ativo e preparado que motiva o Departamento de Engenharia e Construção.

A situação de emergência a que se refere o general seria, obviamente, um eventual conflito militar. Mas não resta dúvida de que o DEC está atendendo também a uma importante e extremamente lamentável emergência ao cumprir com competência, seriedade e economia de recursos públicos uma tarefa fundamental para o desenvolvimento do País que a iniciativa privada tem sido frequentemente incapaz de executar com a mesma eficiência e probidade, devido à crescente promiscuidade entre negócios públicos e privados. É de imaginar que seja difícil trabalhar com orçamentos enxutos quando a regra do jogo é pagar propinas que satisfaçam a crescente voracidade de homens públicos tão desonestos quanto quem lhes molha a mão.

Original aqui

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 16 / 07 / 2012

Folha de São Paulo
"Pedágio será cobrado em qualquer distância em SP" 

Sistema com chip em rodovias estaduais forçará usuário a pagar até em trecho urbano

A cobrança eletrônica de pedágio que deve ser implantada nas rodovias estaduais privatizadas até 2014 levará motoristas a pagar para circular até nas regiões em que estradas são usadas como vias urbanas, informa José Benedito da Silva. Entre os trechos tarifados estão, por exemplo, aqueles que ligam São Paulo ao aeroporto de Cumbica (rodovia Ayrton Senna) e a São Bernardo (Anchieta). No novo sistema, pórticos nas estradas farão a cobrança ao ler chips instalados nos carros. 

O Estado de São Paulo
"Governo quer reduzir área de floresta conservada" 

A presidente Dilma pode tirar 1/3 da Flona do Jamanxim para resolver disputa de terras no Pará

A presidente Dilma Rousseff estuda tirar um pedaço da Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim de até três vezes o tamanho da cidade de São Paulo para resolver a disputa de terras na região. Criada em 2006, a área de 1,3 milhões de hectares é a maior de um conjunto de unidades de conservação no sul do Pará que ajudaria a conter o avanço das motoserras na Amazônia. Ambientalistas veem na proposta o início do desmanche das unidades de conservação, cujo ritmo de criação despencou desde o início do governo Dilma. A Flona do Jamanxim abriga pastagens degradadas, além da produção de café, milho e arroz, onde, por lei, a única atividade econômica deveria ser o uso sustentável de produtos da floresta.

domingo, julho 15, 2012

Canção destinada aos candidatos impugnados de Ubatuba...

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Opinião

Salve-se quem puder

O Estado de S.Paulo
No Estado de segunda-feira, sob o título A mãe de todas as eleições, nosso colunista José Roberto de Toledo analisa a importância dos pleitos municipais, como o que se realizará em outubro em todo o País, para a sobrevivência e fortalecimento dos partidos políticos, uma vez que "não há partido grande sem base municipal". De fato, o pesquisador demonstra, com base em dados estatísticos, que "sem vereadores é difícil eleger prefeitos, e, sem prefeitos, não se elegem deputados federais", e "há uma correlação estatística quase perfeita entre a quantidade de votos para prefeito que um partido recebe e o número de representantes que a mesma sigla elege dois anos depois para a Câmara dos Deputados".

Outra informação importante contida no texto sugere alguma reflexão: mais de 400 mil pessoas deverão disputar em outubro uma vaga de vereador nos 5.566 municípios dos 26 Estados da Federação. É um número expressivo, equivalente à população de São José do Rio Preto, um dos mais importantes municípios paulistas, mas não chega a ser fora de propósito, considerando que estarão em disputa quase 60 mil vagas, ou seja, serão, na média nacional, cerca de 7 candidatos por vaga.

Partindo do princípio de que democracia se faz com participação popular nas decisões que dizem respeito ao interesse coletivo, é uma boa notícia, de qualquer modo, saber que tanta gente está interessada em chegar ou manter-se nas Câmaras Municipais. Resta saber o que efetivamente move essas pessoas a candidatar-se à vereança e o que delas se pode esperar como representantes do povo. Infelizmente, não há razão para prognósticos animadores.

A representação popular é uma instituição que coloca cidadãos a serviço da coletividade. Essa é a teoria. Na prática, o patrimonialismo historicamente dominante na política brasileira, que vê na gestão da coisa pública mero instrumento de acumulação de riqueza privada, transformou a percepção que a maioria das pessoas têm do verdadeiro significado de serviço público. Para começar, mandatários executivos ou legislativos não costumam se imaginar nem se comportar como servidores públicos, condição que certamente consideram, do alto de sua "autoridade" e "liderança", uma abominável capitis diminutio - mesmo que a maioria dessa gente não tenha a menor ideia do que isso quer dizer. Na verdade, o que pretende é conquistar poder para servir-se dele. O que fará impunemente, sob a proteção e o estímulo de leis e regulamentos que ela mesma inventa e da inconsciência, ignorância e conformismo daqueles que a elegeram. O prezado leitor lembra, por acaso, em quem votou há menos de dois anos para senador, deputado federal e deputado estadual? Não chega a ser surpreendente, por tudo isso, que nosso voto em outubro próximo seja disputado, na grande maioria dos casos, por quem deseja apenas se dar bem na vida.

É claro que na raiz da despolitização da representação popular no Brasil está a falta de competência - quando não a deliberada intenção - dos governantes para qualificar, por meio da educação, o voto da massa eleitora do País. E não há de ser por outra razão que se mantêm intocáveis a estrutura partidária e o sistema eleitoral que viabilizam o acesso ao poder daqueles que dele só ambicionam se servir.

O Brasil tem hoje nada menos do que 30 partidos políticos registrados e em pleno funcionamento, mamando o dinheiro do contribuinte depositado no Fundo Partidário. Mais 20 partidos se preparam para tomar parte do butim democrático. Se durante a ditadura militar o País conheceu a imposição de um bipartidarismo feito sob medida para dar contornos de democracia a um regime autocrático, hoje está mergulhado na farra partidária que deforma o regime democrático em que vivemos, dando-lhe contornos de ditadura da pilantragem.

O recente vale-tudo na conquista de minutos de propaganda eleitoral gratuita, estarrecedor para quem entende que política se faz, sim, com alianças, mas também com um mínimo de coerência e brio - melhor, vergonha na cara -, é a demonstração mais evidente de que, infelizmente, o que está aí pretende ficar por muito tempo. Então, salve-se quem puder atrás de uma vaguinha de vereador.

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Manchetes do dia

Domingo, 15 / 07 / 2012

Folha de São Paulo
"PF acha desvios de R$ 100 milhões na obra da Norte-Sul" 

Peritos analisaram trecho de Palmas (TO) a Anápolis (GO) e encontraram indícios de conluio e cobrança de propina

Laudos da Polícia Federal sobre as obras da ferrovia Norte-Sul apontam indícios de conluio entre as construtoras, cobrança de propina e sobrepreço de mais de R$ 100 milhões só no trecho que cruza Goiás, relatam e Fernando Mello e Dimmi Amora. Peritos analisaram os lotes que vão de Palmas (TO) a Anápolis (GO), orçados em R$ 622 milhões. A diferença entre os preços de mercado e os ofertados pelas empreiteiras supera os R$ 100 milhões. Lançada em 1986, a Norte-Sul foi interrompida após a Folha apontar fraude na concorrência, e uma nova licitação foi feita em 2004, no governo Lula. A obra está orçada em R$ 6 bilhões. A PF suspeita também de conluio entre as empresas. Um dos laudos indica que 17 empreiteiras se interessaram em participar da concorrência, mas apenas sete —exatamente o número de lotes— ficaram na disputa. A Valec, estatal responsável pela ferrovia, disse que, nos casos em que forem encontrados sobrepreços, vai negociar valores com as empresas. Se não for possível, buscará a Justiça. 

O Estado de São Paulo
"Produção industrial recua 5 anos e deve cair ainda mais" 

Dados do IBGE mostram que a indústria do País voltou aos níveis de 2007 e analistas projetam novo declínio

Dados do IBGE mostram que a indústria do País voltou ao nível de 2007, e as projeções para 2012 são de queda na produção. Em maio, o desempenho industrial foi idêntico ao de agosto de 2007 e inferior ao de outubro do mesmo ano. “É um indicador chocante, há alguma coisa de muito errado na nossa indústria”, diz Fernando Rocha, sócio e economista-chefe da JGP, gestora de recursos no Rio. As perspectivas de produção para o ano de sete instituições consultadas pelo Estado, incluindo os maiores bancos privados, indicam queda que varia de menos 0,5% a menos 2,2%. Nos números do IBGE, 95% do índice corresponde à indústria de transformação e 5%, à indústria extrativa.
 
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