sábado, julho 14, 2012

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Opinião

Dilma e O Pequeno Príncipe

O Estado de S.Paulo
Faria sucesso num concurso de miss o discurso da presidente Dilma Rousseff na 9.ª Conferência dos Direitos da Criança e do Adolescente, em Brasília. Sua declaração mais notável, destacada pelos jornais e reapresentada exaustivamente nas tevês e rádios, foi digna de uma devota leitora d'O Pequeno Príncipe: "Uma grande nação deve ser medida por aquilo que faz para suas crianças e para seus adolescentes. Não é o Produto Interno Bruto (PIB). É a capacidade do país, do governo e da sociedade, de proteger o que é o seu presente e o seu futuro, que são suas crianças e seus adolescentes". Na interpretação mais benevolente, essa peroração é apenas uma banalidade. Na menos caridosa, é uma grande tolice apresentada na embalagem rosa da mais pobre filosofice.

Não há como discutir seriamente o bem-estar e o futuro das novas gerações sem levar em conta os meios necessários para educá-las, capacitá-las para viver com independência e dignidade e proporcionar-lhes oportunidades de ocupação produtiva e decente. Mas, também no sentido inverso, a relação é verdadeira: só se pode criar uma economia dinâmica, moderna e capaz de competir globalmente por meio da formação de pessoas qualificadas para tarefas cada vez mais complexas. Examinado de qualquer dos dois ângulos, o desempenho do governo brasileiro tem sido miseravelmente falho e nenhuma retórica pode obscurecer esse dado.

Ao contrário, no entanto, das graciosas candidatas a um título de miss, a presidente Dilma Rousseff recitou sua mensagem num tom furioso, como se reagisse a uma ofensa ou, talvez, a um imerecido golpe da Fortuna. Há uma explicação óbvia tanto para sua visível irritação quanto para a desqualificação do econômico. Horas antes o Banco Central (BC) havia divulgado seu indicador de nível de atividade, considerado uma prévia mensal do PIB. Esse indicador havia recuado 0,02% de abril para maio, confirmando vários outros sinais de estagnação da economia e reforçando as previsões de um crescimento, em 2012, menor que o de 2011.

Há um vínculo evidente entre os resultados pífios da política educacional e o emperramento da produção. No último exame do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), o Brasil ficou em 53.º lugar em leitura e em 57.º em matemática, numa lista de 65 países. O teste é realizado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Quase todas as crianças estão na escola, graças a um esforço de universalização do ensino iniciado há longo tempo, mas a formação continua péssima. Cerca de 20% dos brasileiros com idade igual ou superior a 15 anos são analfabetos funcionais, incapazes de ler e entender instruções simples. Empresas têm dificuldade para contratar, por falta de mão de obra em condições até de ser treinada no trabalho. Há um evidente funil no ensino médio, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva preferiu facilitar o ingresso nas faculdades, numa escolha errada e demagógica.

O erro na escolha das prioridades tem permeado toda a política econômica. O consumo, apesar da queda observada recentemente, continua, segundo o IBGE, maior que o observado há um ano, mas a indústria brasileira tem tido dificuldade para suprir o mercado interno, por falta de competitividade. Fabricantes estrangeiros têm ocupado uma fatia crescente desse mercado, como já mostrou a Confederação Nacional da Indústria.

Incapaz de reconhecer os erros e de impor novos rumos à política econômica, a presidente Dilma Rousseff, como seu antecessor, prefere insistir na retórica e nas bravatas. "Vamos enfrentar os desafios para garantir à população emprego de qualidade", disse a presidente no batismo de uma plataforma da Petrobrás, na sexta-feira. A plataforma foi construída, recordou, pela "teimosia de um brasileiro chamado Lula".

Seria mais justo e mais realista lembrar a enorme e custosa lista de erros cometidos na Petrobrás a partir de 2003 e apontados pela nova presidente da empresa, Graça Foster, no dia de sua posse. Foram erros de uma gestão guiada por objetivos político-eleitorais e centralizada no Palácio do Planalto - erros essencialmente idênticos àqueles cometidos na política educacional.

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Manchetes do dia

Sábado, 14 / 07 / 2012

Folha de São Paulo
"Em quatro horas, PMs matam oito suspeitos em SP" 

Policiais dizem que faziam patrulhamento e que veículos não pararam ao serem abordados; nenhum PM se feriu

A onda de violência iniciada há um mês na Grande São Paulo teve outro capítulo entre a noite de quinta-feira e a madrugada de ontem: em quatro horas, oito suspeitos foram mortos por PMs em seis ocorrências. A versão dos policiais para as mortes é a mesma nos seis casos. Eles dizem que faziam patrulhamento, desconfiaram de veículos e deram ordem de parada, e houve fuga, perseguição e tiroteio. Nenhum PM se feriu. As oito mortes em quatro horas estão muito acima da média de pessoas mortas a cada dia (1,7) pela polícia entre janeiro e maio.  

O Estado de São Paulo
"Mercado reage bem à alta do diesel e caixa da Petrobrás terá reforço" 

Ações subiram mais de 5% ontem; analistas veem fortalecimento de Graça Foster

As ações da Petrobrás fecharam ontem em alta de mais de 5%, puxando o Ibovespa para uma valorização de 1,70%, numa reação ao reajuste de 6% no preço do diesel anunciado anteontem. Investidores festejaram o segundo aumento em três semanas no combustível mais vendido pela empresa e avaliaram que a presidente da Petrobrás, Graça Foster, ganha credibilidade. O impacto anualizado dos dois reajustes de diesel e gasolina concedidos em sua gestão pode somar R$ 8 bilhões para o caixa da empresa. Mas o mercado manteve estável a recomendação de compra das ações, à espera do crescimento da produção. Em evento na Bahia, Graça Foster negou atritos com seu antecessor, José Sérgio Gabrielli. “Nossa principal diferença é que ele é menino e eu sou menina.”

sexta-feira, julho 13, 2012

Pitacos do Zé Ronaldo


Apoteose

José Ronaldo dos Santos
Em seu livro Ubatuba documentário, Washington de Oliveira descreve uma passagem que eu sempre achei impressionante. É um relato de uma peça teatral exibida no teatro local em 1890, por ocasião do lançamento da pedra fundamental da futura estação da Estrada de Ferro Norte de São Paulo, que deveria ligar  Ubatuba a São Bento do Sapucaí, cortando o Vale do Paraiba por Taubaté. Era a esperança de que Ubatuba acordaria!

“Essa apoteose idealizada e preparada com o maior carinho, transcorreria, como de fato transcorreu, da maneira seguinte: ao descerrar-se a cortina, o cenário representaria uma paisagem marítima. Ao fundo, o mar, de cujas águas na linha do horizonte o sol emergia radiosamente; à direita, um bosque verdejante pontilhado de flores multicores; à esquerda, estendia-se alvacenta praia, onde sobressaía uma grande concha, rotunda, fechada, repousando sobre a areia.

Aberto o palco, da direita, com grande estrépito entrou em cena uma locomotiva, arfando, silvando o apito e bimbalhando o sino. A assistência vibrou! Palmas, muitas palmas. Todos de pé. Vivas! Fogos de bengala transmudavam o colorido da cena! A Banda Musical, dentro do Teatro, rompeu vibrando o Hino Nacional e lá fora, na rua, estrugiu uma salva de vinte e um tiros, ecoando forte na calada da noite! E a concha, foi-se abrindo, lenta, mui lentamente, deixando ver dormitando em seu seio, uma loira criança, envolta numa túnica branca ostentando uma faixa escarlate a tiracolo onde se lia, com letras douradas, a palavra UBATUBA. Com toda aquela vibração, com todo aquele estrépito, a criança acordaria, erguer-se-ia, e de pé, agitando no ar uma palma verde –verde-esperança – gritaria: Viva Ubatuba!

Mas acriança não acordou.

Mais barulho, mais apito, mais palmas, mais vivas, mais clamor... e ‘Ubatuba’ dormia tranquila, imperturbável, com em torpor de uma opiáceo!

Todo o ruído, toda a vibração de há pouco foram se arrefecendo. As faces risonhas de uma plateia alvoroçada foram se contraindo em rictos de decepção e de tristeza. E um silêncio profundo caiu pesado dominando tudo.

Um ‘casaca de ferro’ não se conteve: entrou em cena, balançou a concha... e nada! ‘Ubatuba’ dormia... Numa última atitude, tomou a criança em seus braços e voltou aos bastidores, mal disfarçando lágrimas que marejavam seus olhos.

Um a um, pouco a pouco, deixando o Teatro, todos voltaram aos seus lares, levando dentro da alma o presságio de que ainda daquela vez Ubatuba não acordaria. Pressentiam que a Estrada de Ferro, em pleno andamento de construção não chegaria ao seu término e Ubatuba não se ergueria para retomar resoluta a trilha do progresso”.

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Rolling Stones - 50 anos


Coluna do Celsinho

Sexta 13

Celso de Almeida Jr.
Não custa, nesta data manjada, gravar algumas letrinhas.

A tradição, diz que dá azar.

Talvez, considerando a ocasião, somente para alguns candidatos.

Pelas últimas notícias, concorrerão pendurados na justiça.

Trabalho árduo para juízes.

Demanda boa para especialistas do direito eleitoral.

Recursos da campanha seguindo outros rumos.

Reais trocando de mãos.

Angústia de uns.

Triunfo de outros.

Passa a eleição.

Fica a confusão.

Xô, maldição...

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

Cai um amigo, sobe outro

O Estado de S.Paulo
O que menos interessa na história do empresário goiano Wilder Morais, que ocupará a cadeira do senador cassado Demóstenes Torres, como seu primeiro suplente, é a circunstância destacada no noticiário de ser ele ex-marido de Andressa Mendonça, a companheira do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. São de outra natureza os envolvimentos que importam - e que autorizam dizer que a queda de Demóstenes não privou o bicheiro de um amigo no Senado.

O político destituído, que recebeu de Wilder R$ 700 mil na campanha de 2010, fazia praça da sua amizade com Cachoeira, até para negar que passassem disso os vínculos entre ambos. O seu substituto, sócio-proprietário de 24 empresas (das quais 9 omitidas à Justiça Eleitoral) e que ocupava a Secretaria de Infraestrutura do governo Marconi Perillo, é também, além de amigo, devedor confesso e agradecido do batoteiro, a quem chamava de "vossa excelência". Este, que o chamava de "senador", talvez com fino senso premonitório, jamais apostou em amizades desinteressadas.

Nas sete conversas entre eles interceptadas pela Polícia Federal, trechos das quais foram divulgados pela Folha de S.Paulo, ouve-se Cachoeira dizer em dado momento: "Eu não vou expor você, cara. Fui eu que te pus na suplência, nessa Secretaria, você sabe muito bem disso. Então, para que eu vou te expor?". No que consistiria a exposição ainda é segredo deles. Mas a resposta do agora senador da República é um reconhecimento que chega à abjeção. "Carlinhos", começa ele, "pensa um cara que nunca teria encontrado um governo, que nunca teria sido b... nenhuma. Você está falando com esse cara."

O tempo dirá, talvez, se Wilder já teve ocasião de retribuir de alguma forma os imensuráveis benefícios recebidos. Declarar a um delinquente que deve tudo a ele pode dizer muito do caráter do favorecido, mas é pouco para que seja levado ao mesmo pelourinho de Demóstenes. E, dada a conjuntura que o alçou ao seu assento, é improvável que Wilder venha a ser o novo "despachante de luxo" de Cachoeira, como se disse do então senador. Isso em nada reduz a excrescência política e moral do sistema de suplências no Senado. Dos seus 81 membros, 15 - ou 18% do total - estão atualmente aboletados na Casa sem ter recebido um único voto, graças a espúrios arranjos financeiros, partidários e familiares.

Treze Estados estão representados - se é que esse é o termo - por um ou dois suplentes, todos eles gozando das mesmas mordomias dos titulares, entre as quais o acesso ao plano de previdência dos congressistas, ainda que estejam de passagem pela chamada Câmara Alta. Pode ser o caso do maranhense Lobão Filho, se o pai, Edison Lobão, deixar de ser ministro de Minas e Energia. O exemplo mais escabroso é o da família Cassol, de Rondônia. No ano passado, Ivo Cassol, o titular, se licenciou, alegando motivos particulares. Foi substituído durante quatro meses pelo suplente Reditário Cassol, seu pai. O bastante para ele ganhar acesso à previdência parlamentar.

Desde março está pronto para ir a plenário um projeto de emenda constitucional que reduz o número de suplentes a um, proíbe que seja parente do titular e restringe a ascensão do "vice" a situações temporárias. Se a proposta vingar, Wilder, por exemplo, ficará com a vaga de Demóstenes até a eleição de 2014 (porque já não daria tempo para fazer a disputa pela cadeira juntamente com o pleito municipal de outubro). Visto que nunca alguém perdeu dinheiro sendo cético em relação ao desejo dos políticos de mexer nas regras que os beneficiam, convém esperar até o Senado incluir o projeto na sua pauta de votações.

Ou melhor, convém a sociedade pressionar para que o faça já na volta do recesso de meio de ano, na esteira do clima de opinião que tornou possível - mesmo em escrutínio secreto - a cassação de Demóstenes por 56 votos a 19, com 5 abstenções e 1 ausência. Uma exuberante maioria, portanto, votou com o País, quando poderia votar contra, impunemente. Que o fato animador não sirva, porém, de pretexto para o Congresso manter o sistema de votações sigilosas que lesa o direito do eleitor de saber como agem, sempre, os seus representantes.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 13 / 07 / 2012

Folha de São Paulo
"Com PIB em queda, Dilma desdenha do indicador" 

Para a presidente, país deve ser avaliado pelo que faz para crianças

A presidente Dilma Rousseff procurou ontem tirar o foco do PIB, ressaltando que ele não é o indicador mais adequado para comparar o desempenho dos países. “Uma grande nação deve ser medida por aquilo que faz para suas crianças e para seus adolescentes. Não é o Produto Interno Bruto.”  

O Estado de São Paulo
"BC aponta estagnação e Dilma minimiza PIB fraco" 

Para presidente, mais importante é ‘a capacidade do País de proteger seu presente e seu futuro’

Dados do Banco Central mostram que a economia do País ficou estagnada em maio. A atividade de empresas e indústrias teve contração de 0,02% ante abril. Apesar da falta de reação às medidas de incentivo ao crescimento tomadas pelo governo, a presidente Dilma Rousseff minimizou a importância do indicador. “Uma grande nação deve ser medida por aquilo que faz para as suas crianças e adolescentes, não é o PIB”, disse. Após ligeiro crescimento registrado em abril, o índice do BC, considerado uma prévia do PIB, perdeu força. Em relatório, o Bradesco informa que “a estabilidade de maio limita, por ora, leituras menos favoráveis para o PIB do 2º trimestre”. Durante conferência dos direitos da criança e do adolescente, Dilma disse ser mais importante observar “a capacidade do País, do governo e da sociedade de proteger o seu presente e o seu futuro”.

quinta-feira, julho 12, 2012

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Opinião

O bloco dos descarados

O Estado de S.Paulo
Na política, quando chove cinismo, é uma tempestade. Dias atrás, por exemplo, o ainda senador Demóstenes Torres alegou, em desespero de causa, que não seria justo ele perder o mandato por ter mentido aos seus pares sobre as suas relações com o contraventor Carlinhos Cachoeira, com quem trocou pelo menos 300 telefonemas, segundo a Polícia Federal. Mentir, sofismou o desmascarado paladino da ética numa das sete vezes em que discursou para se safar da cassação, é uma questão de consciência, não de quebra de decoro parlamentar, até porque os legisladores são invioláveis por suas palavras e atos.

Corte para a sala de sessões da CPI do Cachoeira, onde o prefeito petista de Palmas, no Tocantins, Raul de Jesus Lustosa Filho, tenta se defender do indefensável: a proposta que fez ao bicheiro em 2004 pela qual, em troca de recursos para a campanha, a empreiteira Delta receberia de mão beijada um contrato de coleta de lixo na capital. Pobre político: ele ignorava que Cachoeira tinha escondido uma câmera de vídeo no ar-condicionado do escritório onde se reuniam, na cidade goiana de Anápolis. A fita foi descoberta com diversas outras pela Polícia Federal na casa do ex-cunhado do contraventor. "Tive a infelicidade de ser filmado", lamentou-se o prefeito negocista.

Aplica-se aos dois casos o implacável dito popular: "Vergonha não é roubar; é roubar e não poder carregar". Demóstenes enganou muita gente durante muito tempo. Raul Filho só enganou os que gostavam de ser enganados, ou pouco se lhes dava, como o ex-presidente Lula, que agasalhou no PT o político que começou a vida no PDS (a ex-Arena da ditadura militar) em 1982, passou para o PFL (atual DEM), daí para o PSDB e, enfim, para o PPS. Agora, transpirando indignação, os companheiros preparam o seu desligamento da sigla, como se nunca antes tivessem encontrado o menor indício de má conduta do prefeito eleito e reeleito sob a sua bandeira. Tanto encontraram que tentaram expulsá-lo no ano passado, mas ficou por isso mesmo.

Raul de Jesus Lustosa Filho é uma figura. "O senhor Carlos Cachoeira (sic) nunca fez doação para a minha campanha", disse à CPI, alegando ainda não se lembrar como veio a conhecer o interlocutor nem se sabia de suas atividades no ramo da batotagem. "E nenhuma empresa (dele) venceu qualquer licitação durante o meu governo." De fato, o bicheiro não é formalmente acionista da Delta - com a qual a prefeitura de Palmas firmou seis contratos em sete anos para a coleta de lixo. Mas ele, Raul, não teve nada com isso. Quem cuidava das licitações municipais era uma certa Kenia Duailibe, coincidentemente sua cunhada. Quem as fiscalizava era outro cunhado.

Decerto uma coisa também nada tem que ver com a outra, mas a irmã de Kenia e mulher de Raul, a deputada estadual, também pelo PT, Solange Duailibe, tem uma assessora em cuja conta a Delta depositou R$ 120 mil. À CPI, o prefeito não negou o depósito, mas disse não saber por que foi feito e para que teria sido usado. O cinismo de Raul enfureceu os inquiridores tanto da oposição como da base aliada, enquanto os membros petistas do colegiado, à exceção do relator Odair Cunha, de Minas Gerais, faziam a proverbial cara de paisagem. Um deputado, Chico Alencar, do PSOL fluminense, disse que o prefeito encarnava o "padrão degradado" da política nacional.

Esse padrão se materializa no trânsito dos políticos pelas siglas, reduzidas a cabides de candidaturas em benefício das caciquias que as controlam. A conivência com a corrupção vem de cambulhada. Ainda agora, o País acompanha, bestificado, as alianças mais improváveis para as eleições municipais de outubro próximo. O pacto entre o PT de Lula e o PP de Paulo Maluf em torno do ex-ministro Fernando Haddad em São Paulo só virou escândalo por causa da teatralização exigida pelo ex-prefeito. Já o dono do PSD, Gilberto Kassab, que apoia na capital o seu antecessor tucano José Serra, impõe ao partido em Belo Horizonte uma aliança em torno do candidato do PT - que só se explicaria, segundo se especula, pela ambição de se tornar ministro de Dilma Rousseff no ano que vem.

O que os une a todos é o descaramento.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 12 / 07 / 2012

Folha de São Paulo
"Senadores cassam Demóstenes" 

Acusado de beneficiar Carlinhos Cachoeira, senador é o segundo a perder o cargo em 188 anos por quebra de decoro

Em sessão aberta, por meio de voto secreto, o Senado cassou, por 56 votos a 19, o mandato de Demóstenes Torres (ex-DEM-GO). Ele é acusado de mentir sobre suas relações com Carlinhos Cachoeira e de usar o cargo para beneficiar o contraventor, preso desde fevereiro. É a segunda vez em 188 anos que o Senado cassa um de seus membros por quebra de decoro — Luiz Estevão perdeu seu mandato em 2000. Demóstenes ficará inelegível até 2027.  

O Estado de São Paulo
"Demóstenes perde mandato e diz que recorre ao Supremo" 

Em votação secreta, colegas dão 56 votos pela condenação; senadores revelam votos nas redes sociais

O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) foi cassado sob a acusação de mentir a colegas, receber vantagens indevidas e usar o mandato para defender interesses do contraventor Carlinhos Cachoeira, três meses após dizer que era só “amigo do empresário”. Em votação secreta, o placar foi de 56 votos favoráveis à perda de mandato, 19 contrários e cinco abstenções. Demóstenes fica proibido de disputar cargos públicos até 2027, pena imposta pela Lei da Ficha Limpa, da qual foi o relator. Horas depois de seu advogado dizer que não haveria recurso para tentar recuperar o mandato, Demóstenes anunciou que vai ao STF. Após a votação, senadores divulgaram sua posição nas redes sociais. Integrantes da CPI do Cachoeira disseram que a cassação os faz crer na punição de outros acusados de envolvimento com Cachoeira, entre eles o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). A expectativa é de que no relatório final seja pedido o indiciamento do tucano pelo Ministério Público.

quarta-feira, julho 11, 2012

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Opinião

A CUT tenta intimidar o STF

O Estado de S.Paulo
Não engana a ninguém o recuo do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, prestes a ser empossado, da sua estrepitosa ameaça ao Supremo Tribunal Federal (STF), a propósito do mensalão. "Não pode ser um julgamento político. Se isso ocorrer, nós questionaremos, iremos para as ruas", afirmou, segundo a Folha de S.Paulo de segunda-feira. Estampado o desafio e decerto repreendido por algum grão-mensaleiro, alertado por sua vez pelos seus advogados, Freitas deu uma aparente guinada. "Não temos dúvida nenhuma de que teremos um julgamento técnico", entoou, magnânimo, aproveitando para cobrir o Supremo de elogios. "Era isso o que eu gostaria de ter dito."

Faltou combinar com o ainda titular da central, Artur Henrique Santos. Em discurso no 11.º congresso da entidade que ele chamou, sem corar, de "independente e autônoma" - mas no qual as estrelas da festa eram os réus "companheiros" José Dirceu, o ex-ministro de Lula, e Delúbio Soares, o ex-tesoureiro do PT, além do candidato petista à Prefeitura paulistana, Fernando Haddad -, Henrique fez um paralelo entre a denúncia do mensalão e o afastamento do presidente paraguaio Fernando Lugo. Fiel à versão de Lula para o escândalo, devidamente adotada pelo PT, o sindicalista disse que o impeachment de Lugo "foi o que tentaram fazer neste país em 2005", com a revelação, a seu ver fabricada, do esquema da compra de votos de deputados em benefício do governo petista.

Até aí, nada de mais. Faz tempo que jaz em camadas profundas o perdão que Lula pediu aos brasileiros, no momento de fraqueza em que também se declarou traído. O ponto é que, enquanto o bancário Vagner Freitas fingia abafar o repto ao STF, o eletricitário Artur Henrique o inchava. Fazendo praça do fato sabido de que a CUT toma partido na política, embora, como as congêneres, seja subsidiada pelo imposto sindical - todas poupadas por Lula de prestar contas dos milhões embolsados -, Henrique avisou que a organização sairá às ruas "para impedir o retrocesso e a volta da direita". Ele se referia às próximas eleições municipais, mas não seria necessário ostentar a credencial de "petista histórico", como diz a companheirada, para entender que o objeto oculto da falação era o Supremo.

O silogismo é elementar: se o desvendamento do mensalão foi uma tentativa de golpe, o mesmo vale para as suas consequências: a peça do procurador-geral da República, acolhida pela Corte, expondo, um a um, os membros da "sofisticada organização criminosa" responsável pela lambança, e as eventuais condenações dos réus petistas, a começar do ex-presidente da sigla José Dirceu. Veredictos "técnicos", como disse Freitas na sua falsa retratação, serão os que absolverem os mensaleiros. Sentenças condenatórias serão necessariamente políticas, golpistas - merecedoras, antes até que se consumam, da justa ira do "povo trabalhador", como Lula gosta de dizer.

Mas de que "golpe" se trata? Excluída, por insana, a derrubada da presidente Dilma Rousseff, será a possível eleição do tucano José Serra em São Paulo? Ou a reeleição do aecista Márcio Lacerda em Belo Horizonte? Assim como os terrores de que padecem os paranoicos, a teoria conspiratória cutista tem um fundo de verdade.

Perdas eleitorais importantes para o PT este ano - que a sigla tratará de atribuir ao julgamento no STF - poderiam ter efeitos adversos para a reeleição de Dilma, apesar dos seus estelares índices de popularidade. O destino pessoal da presidente por quem a CUT morre cada vez menos de amores é, em si, secundário. O desejo cutista que não ousa dizer o nome é a candidatura Lula já em 2014. Nada deve pôr em risco a perpetuação no poder da sigla de que emana.

A soberba, como se sabe, cega. A truculência também. Imaginam os dirigentes da CUT que o Supremo se deixará intimidar por seus arreganhos? Ou que a organização tem meios de criar no País um clima de convulsão capaz de "melar" o julgamento que tanto temem? Em outras palavras, por quem se tomam? Mas, no seu primarismo, as investidas do pelegato petista servem para lembrar à opinião pública a medida do seu entranhado autoritarismo e de sua aversão à democracia.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 11 / 07 / 2012

Folha de São Paulo
"Governo suspende a comercialização de 268 planos de saúde" 

Medida da ANS, que atinge 37 operadoras, é punição ao descumprimento dos prazos máximos de atendimento

A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) anunciou que suspenderá, a partir desta sexta-feira, a venda de 268 planos de saúde de 37 operadoras. Antecipada pela coluna Mercado Aberto no último dia 3, a medida é uma punição pelo descumprimento dos prazos máximos de atendimento, que vigoram desde dezembro de 2011.  

O Estado de São Paulo
"Governo prepara corte da previsão para o PIB do ano" 

Atual estimativa, de 4,5%, deverá cair para, no máximo, 3%, reduzindo também projeção de arrecadação e gastos

Os Ministérios da Fazenda e do Planejamento preparam um corte na previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. Segundo os cálculos que balizam as projeções de arrecadação e ditam o ritmo de gastos federais, a atual estimativa - considerada otimista de 4,5%, deverá ser reduzida para algo entre 2,7% e 3%. Ainda assim, será superior ao número previsto pelo Banco Central, que trabalha com 2,5%, e pelo mercado financeiro, que, hoje, aposta em 2,01%, mas com tendência de queda. Os números usados por Fazenda e Planejamento normalmente são mais altos que os do BC porque servem para sinalizar a intenção do governo. O ajuste na estimativa de crescimento, considerado inevitável no meio técnico, deverá ser oficializado no dia 20, durante a divulgação do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias referente ao terceiro bimestre de 2012. É com base nesses cálculos que o governo decide se libera mais dinheiro, corta mais despesas ou não mexe no planejamento.

Pega, mata e come...


terça-feira, julho 10, 2012

Brasil varonil

Gente honesta é que não falta

Sidney Borges
Nem tudo está perdido. Dirijo-me em especial aos derrotistas que falam mal dos homens públicos. Experimente visitar o site do TSE, (link no final do texto) e verificar o quanto de espírito cívico há neste país. Escolha um candidato a prefeito, qualquer um. Veja quanto ele vai gastar na campanha e compare com o que ele vai receber de salários se ganhar. Em certos casos a diferença é de 90% ou seja o distinto gasta 5 milhões e recebe, depois de 4 anos, 500 mil. Coisa de santo! Esses homens trabalharam e economizaram durante anos para um dia candidatar-se e, fazendo uso das suadas economias, vencer a eleição. E então trabalhar pelo bem comum (som de trombetas). Com gente assim não há como não dar certo. Viva o Brasil, nação de políticos probos e honestos que só pensam naquilo: servir ao próximo. Viva!

http://www.tse.jus.br/

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Pitacos do Zé Ronaldo


As férias de Júnior

José Ronaldo dos Santos
É legal encontrar amizades distantes no tempo e no espaço. Quase sempre é muito bom!

O Júnior, filho do Peterson, dono de uma mansão no morro da Santa Rita, é meu conhecido desde a década de 1970, no tempo em que o nosso país era governado pelo general Emílio Garrastazu Médici. Nossos pais, de vez em quando, conversavam em torno da política da época. A gente, escutando prosas em retalhos, começava a entender um pouco mais do que era permitido, sem deixar de aproveitar a vida de criança.

Voltando ao assunto, o Júnior aproveitava as férias brincando conosco, andando pelas costeiras e mergulhando em busca de lagostas e preguais. Era em sua bicicleta que nós aproveitávamos para cansar de pedalar. Afinal, pouquíssimos caiçarinhas eram privilegiados em ter uma monareta, uma bicicleta pequena.

Surpresa boa foi encontrá-lo, dias desses, depois de muito tempo no estacionamento do supermercado, no centro da cidade. Estando os dois sem pressa alguma, fomos andar-prosear na beira da praia do Cruzeiro. Chegamos até no espaço da festa de São Pedro; demoramos apreciando a canoa Maria Comprida, onde lhe contei do meu primeiro contato com essa embarcação, devidamente construída no final da década de 1960 somente para as competições. Por ser o tio Salvador Mesquita um dos bons remadores da época, a embarcação recebeu um tratamento final no quintal do nhonhô Almiro, na praia da Fortaleza. Que beleza ficou após o tratamento recente aplicado pelo Renato, neto do velho Peralta da praia das Sete Fontes!

Enfim, recordamos um monte de coisas que fizeram parte de nossas vidas há quarenta anos. Ele, assim como eu, lamentou das “mudanças perniciosas à Ubatuba”. Em referência a um panorama geral, próprio de alguém que ainda busca esse município para fugir de um cotidiano cruel ditado pela industrialização, o Júnior, nestas palavras, definiu um quadro deprimente:

“Pelo que eu vejo hoje, a força da juventude ubatubense está concentrada nos surfistas amadores e nos drogados esqueléticos. Estou errado, Zé?”

Pelo visto, o frequentador desta cidade há tanto tempo não está tão fora de rota. Também, não é relativamente igual ao panorama geral da sociedade brasileira? Porém, a nossa população é composta, sobretudo de trabalhadores. Outra coisa: será que ele já refletiu que, ao construir no morro da Santa Rita, seu pai e outros podem ter contribuído para o fim da mina d’água do Juca Brás, onde tantas vezes, entre nossas andanças de crianças, matamos a sede? E para onde segue os esgotos que eles produzem logo acima da costeira? Isto também é degradação. Faz parte de um conjunto que nos deprime imensamente.

Vamos aproveitar das férias para refletir mais em torno dos rumos para o nosso município?

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Opinião

Infraestrutura ruim e cara

O Estado de S.Paulo
Insuficientes, e em boa parte mal aplicados, os investimentos públicos em infraestrutura de transportes não estão conseguindo evitar o agravamento dos problemas enfrentados pelo setor produtivo para escoar suas mercadorias, o que impõe perdas cada vez maiores à economia brasileira e reduz ainda mais sua competitividade.

Recente estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) estimou que as más condições das estradas, a pequena capacidade das ferrovias, a burocracia e o sucateamento dos portos e o custo de armazenagem impõem à indústria paulista gastos adicionais de R$ 17 bilhões por ano. Estudo mais amplo da Fundação Dom Cabral, abrangendo todo o País e todos os setores econômicos, concluiu que a falta de investimentos públicos em logística (transporte e armazenagem) provoca perdas anuais de US$ 80 bilhões para as empresas brasileiras.

O valor, como lembrou o coordenador do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral, Paulo Resende, em entrevista ao jornal Brasil Econômico (5/7), corresponde a 4% do PIB e, coincidentemente, ao volume de recursos que o Brasil precisa investir para eliminar os gargalos logísticos. Mas, como lembrou Resende, nos últimos 30 anos a média de investimentos ficou em apenas 1,5% do PIB.

Outros países investem muito mais. Há algum tempo, o Estado mostrou - com base em estudo do economista Claudio Frischtak, de uma empresa privada de consultoria - que, entre 2003 e 2010, a China ampliou os investimentos em infraestrutura do equivalente a 7,3% do PIB para 13,4%. A Índia investe 6% do PIB, a Tailândia aplica cerca de 15% do PIB em logística há oito anos e o Vietnã investe 11%.

Os investimentos no Brasil não são apenas inferiores às necessidades do País. São também mal aplicados. Uma de suas características é a forte concentração no setor rodoviário, que absorve mais da metade do total destinado pelo governo a transportes, e, assim mesmo, as estradas federais continuam muito ruins. Os outros modais, como ferrovias, metrô, aeroportos, portos e hidrovias, ficam com o que sobra. Mercadorias que poderiam ser transportadas a custos bem inferiores por ferrovias ou hidrovias circulam pelo País sobre caminhões.

Além disso, a utilização dos recursos, sobretudo na esfera federal, tem sido marcada por frequentes denúncias de desvios, irregularidades ou corrupção. E, quando as normas da correta administração financeira são observadas com rigor, verifica-se, como lembrou Resende, que faltam projetos, o planejamento é ruim e as obras demoram para começar e, sobretudo, para terminar. O resultado é o atraso sistemático na execução dos projetos de infraestrutura.

Uma simples comparação dá ideia de como os projetos são executados no Brasil e na China, que em pouquíssimo tempo ampliou sua infraestrutura logística para atender ao vertiginoso crescimento da sua economia nos últimos anos. Em três anos, o gigante asiático construiu uma ferrovia de 2 mil quilômetros em região montanhosa; no Brasil, a Ferrovia Norte-Sul, de 2,3 mil quilômetros (com a inclusão da Transnordestina e da Ferronorte), iniciada em 1987 e prometida pelo governo Lula para 2010, não tem data para conclusão.

A Fundação Dom Cabral estima que, no Brasil, os gastos das empresas com transporte de cargas alcançam 12% do PIB, mais do que se gasta na China (8%) e na África do Sul (9%). Com os investimentos que estão sendo feitos nesses países, o custo deve cair para cerca de 7% do PIB. No Brasil, por causa da escassez de investimentos, há o risco de o custo chegar a 20% do PIB nos próximos anos.

Por causa da falta de investimentos, a infraestrutura de transportes não evoluiu na mesma velocidade que a economia. Em termos relativos, é como se ela estivesse submetida a um processo ininterrupto de deterioração. Nessa área, o Brasil caminha para trás.

Se a esses custos logísticos crescentes se somarem outros - como o da burocracia, dos impostos, de insumos como energia elétrica e os financeiros -, será possível entender melhor por que o Brasil vem perdendo competitividade e por que é cada vez mais difícil produzir no País.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 10 / 07 / 2012

Folha de São Paulo
"Contra crise, Dilma libera restituição recorde do IR" 

Medida vai injetar R$ 2,6 bilhões na conta de 2,46 milhões de contribuintes

Em mais uma tentativa de combater o desaquecimento da economia brasileira, o governo vai liberar na próxima semana um lote recorde de 2,46 milhões de restituições de Imposto de Renda. A medida vai injetar no bolso dos contribuintes, neste segundo semestre, mais R$ 2,6 bilhões, que poderão ser usados tanto para aquecer o consumo como para pagamento de dívidas.  

O Estado de São Paulo
"Mercado pressiona Espanha e Europa acena com alívio" 

União Europeia deve estender prazo para a Espanha cumprir metas de corte de gastos

O custo da dívida da Espanha subiu para níveis considerados perigosos ontem, enquanto os ministros das Finanças de países europeus se reuniam para discutir novas medidas contra a crise. Títulos do Tesouro espanhol, com vencimento de dez anos, só encontraram compradores ao serem oferecidos com taxas de juros de 7%. Em Bruxelas, os representantes dos governos da zona do euro decidiram conceder um ano a mais para que a Espanha atinja a meta de redução do déficit das contas públicas. Segundo um dos participantes do encontro, o governo espanhol poderá encerrar o ano com déficit de até 6,3% do PIB. A meta anterior era de 5,3%. Em troca, a Espanha deverá anunciar um pacote de aumento de impostos e corte de gastos e benefícios sociais de € 30 bilhões.

segunda-feira, julho 09, 2012

Pitacos do Zé Ronaldo


Coisas do Carnaval

José Ronaldo dos Santos
Vovó Martinha, dentre outras qualidades, era maliciosa e observadora das mínimas coisas.  Hoje vou tentar ser fiel ao que ela nos contou há muito tempo. Foi um fato ocorrido em época de carnaval, “tempo de muita orgia”, conforme a sua definição. 

“Eu estava na rodoviária esperando a condução para vir embora, pois tinha ido à Santa Casa para visitar a Anastácia da Tiana. Ela estava com dores fortes nas costelas, depois que caiu enquanto mariscava na costeira do cais. Foi quando chegaram por ali duas moças e um rapaz. Estavam cansados da folia.
   
Uma das moças estava agarradinha no rapaz. Pensei na hora que eram namorados. A outra, sempre ao lado, dizia alguma coisa de vez em quando. Ria também, mas passava a maior parte do tempo assistindo os beijos e carícias do casal. De repente, os três se deslocaram para um ponto mais distante, fora da visão de quem estava na fila imensa para comprar passagem.
    
Do novo lugar, o rapaz pediu para a namorada ir para a fila da passagem. Ela obedeceu imediatamente. Aí o inesperado aconteceu: aquilo que era privilégio da outra (da namorada oficial) foi estendido àquela que ficou junto dele. Foi quando me perguntei: Será que o ‘bonitinho’ namorava as duas?
    
Assim que a companheira oficial voltou com as passagens, recebeu outra incumbência: enfrentar a fila da lanchonete para comprar água. De novo os outros dois aproveitaram para um fogoso namoro. Era uma esfregação que só vendo! Nisso veio a minha condução.
    
É quase certo que, se a espera daqueles três foi longa, outros artifícios foram encontrados pelo macho. Afinal, tratava-se de querer justificar a sua macheza. Parece que o inesperado não era assim tão inesperado!”.

Ah! Que saudade dessa caiçara maliciosa!

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Opinião

A estagnação da Petrobrás

O Estado de S.Paulo
A incapacidade da Petrobrás de atingir as metas de extração de petróleo e gás fixadas por sua administração superior se tornou uma marca do modelo de gestão da empresa desde que o PT passou a controlá-la. De 2003, primeiro ano do governo Lula, até 2011, já no governo Dilma, em nenhum ano as metas foram alcançadas. Trata-se de incapacidade gerencial sistemática, que produz fracassos igualmente sistemáticos. Com a produção praticamente estagnada nos últimos três anos - período em que o PIB brasileiro cresceu mais de 10% -, a empresa está montando um plano de emergência para tentar recuperar sua eficiência.

O choque de realismo nos programas e nas metas da Petrobrás, anunciado por sua presidente Graça Foster, é uma boa indicação de que uma nova orientação está sendo imprimida à gestão da estatal. Mas será difícil e demorado remover o peso da herança deixada pelo governo Lula, que usou a empresa para alcançar objetivos políticos. Planos mirabolantes foram anunciados, mas quase nunca executados - e, quando isso ocorreu, os atrasos e os aumentos de custo foram muito grandes.

À lista de fracassos como o descumprimento das metas de extração, mostrado em reportagem do Estado (1/7), podem ser acrescentados vários outros. Anunciados para agradar a governadores e políticos das regiões que seriam beneficiadas, os planos de construção do complexo petroquímico do Rio (Comperj) e das refinarias do Maranhão, do Ceará e de Pernambuco renderam ao ex-presidente a oportunidade de lançar pedras fundamentais e aparecer como grande realizador de obras, mas nada renderam para a população.

Passados vários anos da exploração política da necessidade de ampliar a capacidade de refino da Petrobrás, pouca coisa avançou. As refinarias do Maranhão e do Ceará mal saíram do papel. A Comperj é um imenso canteiro de obras que não têm prazo de conclusão.

A Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, foi anunciada como resultado da sociedade entre a Petrobrás e a venezuelana PDVSA, de acordo com os delírios terceiro-mundistas e bolivarianos do ex-presidente. Mas até agora o presuntivo sócio venezuelano não aplicou nenhum tostão nessa obra que está muito atrasada (deveria ter sido inaugurada em 2011, mas só ficará pronta em 2014) e que deveria custar US$ 4 bilhões, mas exigirá US$ 17 bilhões.

A Petrobrás perdeu eficiência e não ampliou sua produção nem sua capacidade de refino. Ela tem sido obrigada a importar cada vez mais combustíveis para abastecer o mercado doméstico. A reação imediata dos investidores diante do quadro real da empresa apresentado por sua presidente, no cargo há apenas cinco meses, não poderia ser outra senão a decepção e a desconfiança.

A estagnação de sua produção, que a está forçando a adotar um plano de emergência, é apenas uma das faces das múltiplas consequências da gestão imposta à empresa de 2003 até o início deste ano. Buscam-se explicações técnicas para a situação a que ela chegou. Atribuiu-se à queda da eficiência operacional na Bacia de Campos - a principal do País e responsável por até 85% do petróleo consumido internamente - o problema hoje enfrentado pela Petrobrás. Na semana passada, sua presidente se referiu a essa questão ao expor o Plano de Negócios da empresa para os próximos cinco anos. "É preciso que aumentemos urgentemente a eficiência operacional da Bacia de Campos", disse Graça Fortes.

A ação tornou-se urgente porque nada foi feito desde que surgiram os sinais de que a produção de óleo e gás de grandes áreas produtoras da Bacia de Campos, como o Campo de Marlim, vinha diminuindo, com o aumento da proporção de água no volume de hidrocarbonetos extraídos. Para enfrentar o problema, a empresa anunciou a adoção do Programa de Aumento de Eficiência Operacional (Proef), voltado especificamente para a Bacia de Campos.

Ao declínio da taxa de recuperação de óleo e gás, normal em campos maduros, é muito provável que tenha se somado a perda de eficiência - que agora, sob os olhos ainda desconfiados dos investidores, sua direção anuncia que pretende recuperar - decorrente do uso político da empresa.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 09 / 07 / 2012

Folha de São Paulo
"CUT ameaça ir às ruas em defesa de réus do mensalão" 

Julgamento não pode ser político, diz novo presidente da central sindical

Maior central sindical ao país, a CUT (Central Única dos Trabalhadores) ameaça sair às ruas para defender os réus do mensalão. O julgamento no Supremo Tribunal Federal começa em agosto. “Não pode ser um julgamento político. E se isso ocorrer nós questionaremos, iremos para as ruas”, disse o bancário Vagner Freitas, novo presidente da central sindical, em entrevista a Mariana Carneiro.  

O Estado de São Paulo
"Presidente do Egito ordena reabertura do Parlamento" 

Medida é um desafio aos militares que haviam dissolvido a assembleia, de maioria islâmica

O novo presidente do Egito, Mohammed Morsi, ordenou ontem a reabertura do Parlamento de maioria islâmica, desafiando a autoridade dos generais que haviam dissolvido a assembleia. Pouco antes de entregar o poder a Morsi, os militares que estiveram no poder desde a queda de Hosni Mubarak, no ano passado, conferiram a si mesmos um papel legislativo. A decisão remove os poderes do Exército. Segundo a agência estatal de notícias Mena, o conselho militar convocou ontem à noite uma reunião de emergência para debater o decreto. Analistas dizem que não esperavam um relacionamento tranquilo entre o Exército, laico, e um presidente islâmico, mas acreditavam que Morsi agiria com cautela para evitar um confronto.

Nuvens


domingo, julho 08, 2012

Eleições 2012

Valerá a pena?

Câmaras Municipais são a fonte da desgraceira que vai galgando, como trepadeira venenosa, alturas legislativas

Janio de Freitas na Folha de São Paulo
O jogo está iniciado. Partimos outra vez para 90 dias de discussões, promessas, apelos, acusações, insultos, marquetices. Tudo movido por fortunas. E reunido como um espetáculo grotesco com a pretensão de seduzir-nos, em nosso mínimo poder de premir uns poucos botões ao fim dos três meses.

Tem valido a pena? Todo esse longo e fundo intervalo justifica-se mesmo? O gasto de tanto dinheiro, na maioria das vezes mal-intencionado já na doação, não tem sido um desperdício abusado, com tantas carências em tão grande número de cidades?

Uma minoria de prefeitos, entre os mais de 5.500, faz por não ser uma presença indesejável ou inútil no seu município. Uma minoria mínima naquela minoria, mostra-se à altura da honra recebida do eleitor. Dá sentido ao cargo, dá sentido à administração pública.

Mas o que dizer das Câmaras Municipais? Ali e acolá, uns quantos vereadores têm seriedade e bons propósitos. A realidade, porém, pelo país todo, é de Câmaras Municipais reduzidas a abrigos de negócios ilícitos, quase todos à custa de alguma parte do território ou da vida da cidade.

Não lhes bastando a baixeza a que foram levadas, as Câmaras Municipais são a fonte da desgraceira política que vai galgando, a partir dali, como trepadeira venenosa, as alturas legislativas -Assembleias Estaduais, Câmara dos Deputados, Senado da República. E destes também para os ramos de governo.

As próximas eleições vão aumentar em mais de 5.000 o número de vereadores. É a contrapartida, avalizada pela Justiça Eleitoral, ao ressurgimento de propostas para que as Câmaras Municipais se tornem menores.

O que é ruim vai piorar. Porque, para os venais, os associados a atividades ilícitas, os desclassificados, é mais fácil eleger-se do que é para os bem-intencionados. Já se sabe como será ocupada a grande maioria das novas cadeiras.

Pois é, o jogo está iniciado outra vez. E, para o bem ou para o mal, temos a nossa parte nele.

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Amelia Earhart

Mostrando o tamanho da Ilha Howland, 1937

Colunistas

O fim dos tempos segundo Zizek: a mentira nossa de cada dia

“Se o fim do capitalismo parece a muitos o fim do mundo, como a sociedade ocidental pode enfrentá-lo?”

Márcia Denser
A semana paulistana foi marcada pelo lançamento da última obra do filósofo esloveno Slavoj Zizek, Vivendo no fim dos tempos (Living in the end times), de importância capital para a crítica (e a sugestão duma “práxis”) sobre o momento histórico em que vivemos. O lançamento da editora Boitempo, que incluiu também A hipótese comunista do pensador francês Alain Badiou (cujo diálogo com Zizek concentra uma importante reflexão da esquerda real na atualidade), aconteceu na quarta última no Espaço Revista Cult, com debate dos críticos e professores Paulo Arantes, Christian Dunker e Vladimir Safatle.

A título de um apanhado geral (pois voltaremos ao assunto em futuras colunas), neste novo livro, Slavoj Zizek argumenta que o capitalismo global se aproxima rapidamente da sua crise final. E ele identifica os “quatro cavaleiros deste apocalipse”: 1) a crise ecológica; 2) as consequências da revolução biogenética; 3) os desequilíbrios do próprio sistema (problemas de propriedade intelectual, a luta vindoura por matérias-primas, comida e água), e 4) o crescimento explosivo de divisões e exclusões sociais.

Zizek apresenta sua obra como “parte da luta contra aqueles que estão no poder em geral, contra sua autoridade, contra a ordem global e contra a mistificação ideológica que os sustenta”. Pois não há mais nenhuma dúvida: o capitalismo global está se aproximando vertiginosamente do fim. E pergunta: se o fim do capitalismo parece a muitos o fim do mundo, como a sociedade ocidental pode enfrentá-lo?

Para explicar porque estaríamos tentando desesperadamente evitar essa realidade (e sua verdade incontestável, a exemplo da absurda assimetria na luta dos 99% que pouco ou nada tem contra o 1% que tem tudo), mesmo que os sinais dum grande caos sejam numerosos em todos os campos, Žižek recorre a um guia inesperado – o famoso esquema de cinco estágios da perda pessoal catastrófica: (1) doença terminal; 2) desemprego; 3) morte de entes queridos; 4) divórcio; 5) vício em drogas), proposto pela psiquiatra suíça Elisabeth Kübler-Ross, cuja teoria enfatiza que tais estágios não aparecem necessariamente nessa ordem, nem são vividos por todos os pacientes.

De acordo com o autor, podemos distinguir os mesmos cinco padrões no modo como nossa consciência social trata o apocalipse vindouro. Diz ele: “A primeira reação é a negação ideológica de qualquer ‘desordem sob o céu’; a segunda aparece nas explosões de raiva contra as injustiças da nova ordem mundial; seguem-se tentativas de barganhar (‘se mudarmos aqui e ali, a vida talvez possa continuar como antes… ’); quando a barganha fracassa, instalam-se a depressão e o isolamento; finalmente, após ultrapassar o ponto zero, não vemos mais as coisas como ameaças, mas como uma oportunidade de recomeçar. Ou, como Mao Tsé-Tung coloca: ‘Há uma grande desordem sob o céu: a situação é excelente! ’”.

Fazendo o advogado do diabo, eu também poderia lembrar que esse esquema de “ver em tudo um oportunidade e não uma crise e/ou catástrofe” é também o mantra da Ideologia Hegemônica do Pensamento Único – e o capitalismo de desastre aí está para prová-lo – contudo por que não utilizar a estratégia e táticas do inimigo?

Hem?

A questão crucial é abandonar a posição passiva – meramente “reativa” – de quem se submete – e assumir a dianteira agindo, interferindo na realidade.

Resumidamente (repito que voltaremos a esta discussão para examiná-la detalhadamente), os cinco capítulos do livro se referem a essas cinco posturas:
O capítulo 1. “Negação” analisa os modos predominantes de obscurecimento ideológico, desde os últimos campeões de bilheteria de Hollywood até o falso “apocalipcismo”, a exemplo do obscurantismo da Nova Era.

O capítulo 2, “Raiva”, examina os violentos protestos contra o sistema global, em especial a ascensão do fundamentalismo religioso; o 3, “Barganha”, trata da crítica da economia política, com um apelo à renovação desse ingrediente fundamental da teoria marxista; o 4, “Depressão”, descreve o impacto do colapso vindouro, principalmente em seus aspectos pouco conhecidos (e ainda menos divulgados), como o surgimento de novas formas de patologia subjetiva. E, por fim, o capítulo 5, “Aceitação”, em que se distingue os sinais do surgimento da subjetividade emancipatória, buscando os germes de uma cultura comunista em suas diversas formas, inclusive nas utopias literárias.

Žižek é otimista quanto ao que pode surgir desse processo de emancipação contra a ordem global e a mistificação ideológica que a sustenta. Engajar-se nessa luta significa endossar a fórmula de Alain Badiou, para quem mais vale correr o risco e engajar-se num Evento-Verdade, mesmo que essa fidelidade termine em catástrofe, do que vegetar na sobrevivência hedonístico-utilitária vigente. Rejeita, assim, a ideologia liberal da vitimação, que leva a política a renunciar a todos os projetos positivos e buscar a opção “menos pior” (algo por si só revoltante mas com o quê ninguém mais se revolta nem dá a mínima:por que?)

Hem?

O fato é que o estado “espontâneo” do nosso cotidiano é uma mentira vivida, de modo que é necessário lutar continuamente para escapar dessa atmosfera geral de peste, que entronizou a hipocrisia como virtude moral. O ponto de partida desse processo é nos apavorarmos com nós mesmos.

Pois o Inimigo só vem de fora porque encontra seu correlato interno, que foi introjetado, portanto o Inimigo está aqui dentro.

Dentro de nós.

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

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Opinião

Riscos sobre duas rodas

O Estado de S.Paulo
Os hospitais públicos do Estado de São Paulo atendem, em média, nove ciclistas acidentados no trânsito por dia e ao menos um deles morre em consequência dos ferimentos. No ano passado, 3,4 mil ciclistas foram internados pelo SUS, a maioria com traumatismo craniano, lesões na coluna vertebral, fraturas da pelve, pernas e braços. Na capital paulista, conforme dados da CET, 49 ciclistas morreram no ano passado na disputa de espaço nas ruas com carros, caminhões, motos e ônibus. Esse é o resultado da incorporação de um veículo frágil a uma malha viária saturada, numa cidade sem adequado planejamento viário e sem a preocupação de preparar motoristas e ciclistas para esse convívio. Em 2011, dos ciclistas mortos na capital, 12 foram vítimas de acidentes com ônibus e 16 com automóveis.

Diariamente, 214 mil pessoas pedalam entre suas casas e seus locais de trabalho, o que representa 70% do total de viagens por esse meio de transporte na cidade de São Paulo. Se considerados os trajetos entre a casa e a escola, o comércio ou serviços, o índice sobe para 96%, conforme dados da pesquisa O Uso de Bicicletas na Região Metropolitana de São Paulo, realizada pelo Metrô. A maior parte dos adeptos desse meio de transporte vem da parcela mais carente da população, mas cresce consideravelmente, a cada ano, o número de estudantes e jovens profissionais que trocam os carros pela bicicleta.

Por causa do número crescente de acidentes, desde o mês passado a CET incluiu entre as tarefas dos 2,4 mil marronzinhos a fiscalização de motoristas que podem colocar ciclistas em perigo. Seria bom que também fossem fiscalizados os ciclistas, porque, pelo Código de Trânsito, bicicleta é veículo não motorizado que deve respeitar a sinalização de trânsito, o que raramente acontece. E melhor seria se, antes de estimular o uso da bicicleta, a administração pública fizesse a parte que lhe cabe na construção de infraestrutura adequada para garantir a segurança dos ciclistas.

A cada acidente com ciclistas, são repetidas críticas aos motoristas de veículos motorizados que não os respeitam como deveriam. É preciso considerar que, historicamente, São Paulo negligenciou a instalação de um eficiente sistema de transporte, à altura do tamanho e complexidade da cidade. O uso do automóvel sempre foi estimulado, mas o planejamento e o aumento da malha viária nunca acompanharam o ritmo do crescimento da frota. Além disso, a educação e a formação dos motoristas não receberam a atenção necessária e o que prevaleceu foi sempre a disputa cada vez mais acirrada e violenta por cada centímetro de ruas e avenidas.

De uns anos para cá, diante do caos no trânsito, da incapacidade de melhorar a curto prazo o transporte coletivo e da pressão mundial por ambientes urbanos sustentáveis, a Prefeitura passou a estimular o uso da bicicleta na cidade. Adotaram-se soluções bem-sucedidas em outros países, mas, ao contrário deles, pularam-se aqui as etapas básicas do processo de criação de uma infraestrutura capaz de tornar seguro o uso da bicicleta.

Com 11,2 milhões de habitantes, a capital paulista conta com 113 quilômetros de ciclovias, ciclofaixas e vias de trânsito compartilhado. Copenhague, considerada modelo no mundo para o uso de bicicletas, tem mais de 350 quilômetros de ciclovias para 1,2 milhão de habitantes. E, desde a escola primária, as crianças dinamarquesas aprendem a se comportar no trânsito, utilizando o veículo de duas rodas.

De acordo com o Instituto Parada Vital, que cuida do projeto UseBike, com o apoio do Metrô de São Paulo e da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, a procura por bicicletários na cidade aumentou 20% nos primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período de 2011. E, segundo pesquisa da ONG Nossa São Paulo, 40% dos paulistanos usariam a bicicleta se houvesse mais segurança no trânsito.

A bicicleta ajuda muito a melhorar a mobilidade urbana. Mas seu uso não deve ser estimulado antes que a cidade conte com as condições viárias e a educação necessárias para evitar tantos acidentes.

Original aqui

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Manchetes do dia

Domingo, 08 / 07 / 2012

Folha de São Paulo
"Pessimismo trava crescimento, diz chefe do BNDES" 

Para Luciano Coutinho, boa parte da estagnação da indústria se deve aos longos período de alta do real

Conselheiro de Dilma Rousseff, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirma que o empresariado é ciclotímico e está numa posição “muito mais pessimista” do que deveria estar. Para ele, esse é um dos fatores que explicam a demora da recuperação da economia. O empresariado “travou o investimento”, diz. Coutinho atribui boa parte da estagnação da indústria ao fato de a moeda ter passado por longos períodos de apreciação cambial. Ele cita especificamente os últimos dois anos, período no qual o dólar ameaçou cair abaixo de R$ 1,50. “Eu vivi um período de grande angústia. Fui solitário nesse processo”, declara. O presidente do banco reconhece que a carga tributária é “complexa e imperfeita” e a sua redução é difícil de ser implementada. Ele lembra que os juros altos são uma página virada na economia brasileira. Segundo Coutinho, o governo vai atacar os “custos sistêmicos” do país, entre eles o de energia.  

O Estado de São Paulo
"Governo tem R$ 59 bi para investimento, mas não consegue gastar" 

Chamados de restos a pagar, recursos aprovados e não gastos triplicaram desde 2007

O governo federal tem disponíveis R$ 59 bilhões para investimentos públicos, mas não consegue gastar, informa a repórter Raquel Landim. O valor se refere a obras previstas nos orçamentos da União que não saíram do papel. Os recursos foram “empenhados”, mas não “liquidados” e “pagos” porque o investimento não foi realizado. O montante triplicou em relação aos 19 bilhões de 2007 quando foi lançado o PAC. Esses valores são só restos a pagar comprometidos com investimentos e não inclui os de custeio das despesas. A falta de eficiência da máquina pública e a complexidade do processo são as principais razões da não realização de obras.
 
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