sábado, julho 07, 2012

Amelia Earhart


Colunistas

Mulheres precisam querer mais

Luiza Eluf
O último censo do IBGE mostrou que as mulheres têm, em média, mais dois anos de educação que os homens. Mas, em que pese esse diferencial positivo, os salários pagos às mulheres ainda são, em média, 30% menores que os dos homens, na mesma função. Outra constatação intrigante é a de que, quanto maior o nível educacional, maior a diferença entre os rendimentos masculinos e femininos.

Sabemos que o patriarcalismo se sustenta na pobreza da mulher. A ideia é que as mulheres não tenham dinheiro nem poder, precisem vender seu corpo para se sustentar, seja pela prostituição ou pelo casamento. Além disso, essa pesquisa mostrou que não basta ter mais educação formal para que a violência doméstica diminua. A correlação de forças entre os gêneros continua desigual e as mulheres permanecem sofrendo discriminações, tanto no espaço público quanto no privado.

O Brasil já tomou várias medidas para promover a igualdade de gênero. Começou pela Constituição federal, que estabelece direitos iguais, reconhece a união estável, cria a licença-paternidade, equipara os direitos dos filhos independentemente da situação dos pais. Vieram, também, as Delegacias de Defesa da Mulher, o crime de assédio sexual, a Lei Maria da Penha, as Varas de Violência Doméstica. Entendemos que a opressão feminina é milenar e não será banida do dia para a noite, mas com as possibilidades que temos hoje é de espantar que a maioria das mulheres ainda esteja em tamanha desvantagem. Em outras palavras, a marcha para uma vida melhor está devagar demais.

A dominação masculina transformou o mundo num lugar hostil às mulheres. Nos mínimos detalhes, as atividades profissionais remuneradas são organizadas para causar desconforto à mulher. Os ambientes são rígidos, os banheiros são sujos, o relacionamento com os outros é impessoal, os termos linguísticos são rudes, a nomenclatura dos cargos de comando está no masculino, as roupas são controladas e criticadas, isso tudo sem falar do assédio sexual ou moral, de forma que as mulheres sintam medo de ser mulheres. Assim, diante de tantas dificuldades, muitas desistem antes de tentar, outras alcançam uma posição razoável e se conformam; apenas algumas poucas ousam lutar para chegar o mais alto possível. É difícil resistir à tentação de se acomodar, de aceitar a subalternidade ou dedicar-se apenas ao marido e aos filhos.

Sim, gostamos de ser mães, de cuidar da casa e dos outros, mas isso não engloba todos os nossos anseios. Precisamos também de independência financeira, sexual e profissional, de respeito, de dignidade e de
reconhecimento social. Para escapar da violência e mudar a correlação de forças temos de estar no poder. Mesmo que esse poder, instalado por homens para o bem dos homens, não seja o nosso ideal de vida. Ainda que pareça difícil suportar as contrariedades do ambiente hostil, não será possível evitar esta etapa evolutiva: ocupar os espaços para depois fazer as transformações. Enquanto as mulheres não tiverem a clareza de que é preciso querer mais, ambicionar o máximo e não se contentar com o mínimo, os bons níveis de escolaridade não serão suficientes para vencer a imposição de inferioridade.

Por outro lado, não podemos prescindir da colaboração dos homens nessa árdua jornada. E eles precisam começar modificando a forma como encaram as relações afetivas. Sobre esse tema, David Servan-Schreiber, médico francês que escreveu dois livros para contar sua luta contra o câncer, sintetizou o assunto na obra Podemos Dizer Adeus Duas Vezes. Depois de muita meditação e durante os momentos finais em que passou a rever sua vida, reconheceu que não soube amar as mulheres como gostaria de ter amado. Em suas palavras: “Quando eu era muito jovem, tinha a cabeça cheia de ideias imbecis sobre o
assunto. Para mim, amor era coisa que o homem impunha à mulher, pois ela era por essência recalcitrante. O único modo de agir era subjugá-la. Uma história de amor era em primeiro lugar uma história de conquista, depois uma história de ocupação. Pura relação de força, na qual o homem tinha interesse em se manter na posição dominante. Nem pensar em deixar-se levar, mesmo depois de ela se render. Como a dominação era ilegítima, ele devia vigiar constantemente sua conquista, devia mantê-la sob sua influência, se quisesse evitar que ela se rebelasse. Impossível imaginar uma relação harmoniosa, uma relação baseada na troca ou numa igualdade qualquer dos parceiros. Ainda me pergunto de onde me vinham aquelas ideias idiotas que deterioraram minhas histórias de amor até por volta dos meus 30 anos. Eu me esforçava por me comportar como potência ocupante. Minha busca amorosa se resumia à procura de um território para conquistar. Resultado: eu amava, às vezes loucamente, mas não era amado. Ou mesmo quando o era, não me autorizava a me sentir amado. Porque, nesse caso, precisaria depor as armas. Que tristeza ter perdido tanto tempo e tantas oportunidades de felicidade! Por fim, acabei me desvencilhando daquelas ideias grotescas, dei um salto quântico que me projetou anos-luz, num universo encantado em que as mulheres são dotadas de inteligência e conseguem compartilhar comigo uma infinidade de interesses comuns. Finalmente, fui capaz de viver verdadeiras histórias de amor, com mulheres que eram iguais a mim, humana e intelectualmente. Consegui abandonar o frustrante papel de tutor. Aprendi que há muito mais prazer em dar e receber do que em dominar ou impor-se pela sedução”.

Talvez seja isso que nossas escolas tenham de ensinar para que os níveis de instrução formal possam fazer alguma diferença. 

Artigo publicado no O Estado de S. Paulo – 06/12/2011

Para saber mais sobre a Luiza acesse: www.luizaeluf.com.br

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Opinião

Legalização de dinheiro ilícito

O Estado de S.Paulo
É decerto do interesse do Brasil receber os impostos sobre quantias transferidas por seus cidadãos ou empresas para paraísos fiscais. Mas não da forma como propõe a Suíça. Em entrevista a Jamil Chade, correspondente do Estado em Genebra, a presidente da Confederação Suíça, Eveline Widmer-Schlumpf, propôs um acordo fiscal ao Brasil, a exemplo dos que seu governo já concluiu com a Áustria e o Reino Unido, pelo qual os bancos suíços em que brasileiros tiverem conta remetam de volta os impostos incidentes sobre os depósitos lá efetuados, mantendo, no entanto, sigilo absoluto sobre o total das contas e os nomes de seus titulares. Encerrando-se aí as pendências, isso significaria que o País renunciaria a seu direito de processar os depositantes por lavagem de dinheiro e sonegação de impostos e desistiria de tentar recuperar recursos públicos desviados.

Ou seja, o País trocaria uma certa receita por um indulto àqueles que infringiram a lei, o que representaria, na verdade, um incentivo à corrupção. Quem conseguir transferir para a Suíça dinheiro sujo, teria a segurança de que o máximo que lhe poderia acontecer é ter parte dele devolvida a título de pagamento de impostos.

Por meio desse esquema, o governo da Suíça estaria procurando fugir de uma regulamentação internacional sobre os paraísos fiscais, pela qual o Grupo dos 20 (G-20) vem pressionando. Eveline Widmer-Schlumpf, que é também ministra das Finanças, disse que já discutiu a ideia com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em janeiro deste ano, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, e que pretende voltar à carga em setembro durante a reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Tóquio. Encarando o tema sob o ponto de vista estritamente financeiro, a presidente suíça considera que "será um acordo que trará ganhos para ambos os lados. Não queremos dinheiro de pessoas que não tenham pago os seus impostos".

Seria uma proposta construtiva, se não ignorasse os aspectos jurídicos e morais da questão. Não há no Brasil impedimentos legais para que pessoas físicas ou jurídicas transfiram recursos para contas no exterior. Mas, naturalmente, se essas remessas forem processadas por bancos, devem ser informadas, a depender de seu valor e frequência, ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Além disso, devem constar das declarações de renda, com especificação da origem dos recursos, estando sujeitas à tributação. Assim, as transferências feitas de acordo com a lei não configuram evasão fiscal.

Esse não é o caso, porém, do fluxo de recursos para fora do País proveniente de atividades ilícitas, especialmente do narcotráfico e do desvio de recursos públicos. Segundo o Banco Central da Suíça, os bancos daquele país têm depósitos de brasileiros da ordem de US$ 6 bilhões, valor que, segundo fontes do mercado, poderia ser apenas a ponta de um iceberg. Tantas fortunas surgiram de repente no Brasil que bancos suíços têm funcionários que falam português.

Celebrar um acordo para receber impostos sobre esse dinheiro, legalizando-o, seria totalmente inaceitável sob o ponto de vista da moralidade pública, que impõe uma luta incessante contra a corrupção e contra o crime organizado, fonte também de muitos recursos depositados no exterior. Tanto num caso como no outro, se esse dinheiro saiu do Brasil, não foi propriamente para fugir ao pagamento de impostos. Embora a carga fiscal aqui seja pesada, os altos rendimentos proporcionados por aplicações financeiras normais podem compensá-la. Na Suíça, além de juros muito baixos, os depositantes pagam taxas pela guarda de seus recursos. O que é difícil para muitos depositantes estrangeiros é justamente demonstrar a origem legal dos valores depositados.

Mais sintonizada com a opinião pública no País, a Associação dos Bancos Suíços, embora não seja contra as tratativas com o Brasil, insiste em que a prioridade é fechar acordos do gênero com países europeus. A opção do País só pode ser a de reforçar a luta no G-20 pela transparência e controle do fluxo internacional de recursos ilícitos.

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Manchetes do dia

Sábado, 07 / 07 / 2012

Folha de São Paulo
"Governo vai reduzir custo da tarifa de eletricidade" 

Objetivo é estimular investimentos na indústria e elevar a competitividade

O governo federal planeja enviar ao Congresso duas novas medidas para reduzir o custo da energia elétrica. Uma propõe retirar encargos federais da tarifa e a outra visa exigir um preço mais baixo na renovação das concessões das distribuidoras, transmissoras e geradoras, que vencem até 2015.  

O Estado de São Paulo
"Queda de IPI faz inflação atingir menor nível em 2 anos" 

IPCA de junho foi de 0,08% graças, em grande parte, à queda de 5,48% nos preços de automóveis novos

O IPCA caiu de 0,36% em maio para 0,08% em junho, a menor variação de preços desde agosto de 2010. Além de impulsionar as vendas, a redução no IPI dos automóveis funcionou como freio à inflação oficial. Na avaliação de economistas, o resultado abre espaço para mais cortes na taxa básica de juros, hoje em 8,5% ao ano. Com IPI mais baixo desde 21 de maio, os preços dos veículos novos recuaram 5,48% e os dos usados, 4,12%. “Foi um efeito temporário”, avalia o economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor de Assuntos Internacionais do BC. “Sem o corte do imposto, a inflação ficaria em torno de 0,30%, o que, para o mês, é alto”, afirma o economista. Em junho, a inflação acumulada em 12 meses manteve a trajetória de convergência para o centro da meta estipulada para o ano, de 4,5%. Os economistas preveem que a inflação volte a acelerar em julho, com pressões dos alimentos e de bebidas.

sexta-feira, julho 06, 2012

Aerolulas de outrora...


Eleições 2012

Começa hoje!

Sidney Borges
Com a definição dos candidatos foi dada a largada para a corrida rumo ao trono sagrado. Daqui a três meses teremos a eleição do novo prefeito e dos vereadores que comporão a Câmara a partir de janeiro de 2013.

Muita gente comenta a quantidade de candidatos, por vezes atribuída à estratégia da situação. Sem discordar dessa tese, deve-se acrescentar que esta eleição é de fato uma eleição. A próxima, daqui a quatro anos será um referendo.

Devemos a anomalia ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que acertou muito, mas foi o responsável pela instituição da reeleição, erro crasso no meu ponto de vista.

O candidato eleito em outubro será prefeito por oito anos, só perdendo a continuidade caso cometa um desatino. A população é conservadora e, pelas estatísticas, reelege quase que a totalidade dos prefeitos.

Agora resta esperar o pronunciamento da Justiça sobre as candidaturas, em cinco dias saberemos quem pode concorrer e quem está impedido. 

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Eu planador (próxima encarnação, se houver...)


Coluna do Celsinho

Basílio

Celso de Almeida Jr.
Influenciado pelo vovô, nascido em São Vicente, meu time de futebol de botão era o Santos.

Garotinho, goleiro, já vesti uniforme do Palmeiras, com luvas e joelheiras.

Ainda na puberdade, optei pelo Corinthians.

Incomodava-me a história de uma equipe como aquela estar, há mais de 20 anos, tentando, sem sucesso, ganhar o campeonato Paulista.

Curioso...

Eu, muito criança, encantar-me com aquela causa.

Certamente, Freud explica...

Nas vésperas da adolescência, em 1977, chegou a conquista, contra a Ponte Preta.

Ainda na memória está o gol do Basílio, carimbando o 1x0 consagrador.

Lembrei dele quando, finalmente, ganhamos a Libertadores, nesta última quarta-feira.

Prazer da infância alcançando o presente.

Histórias para o futuro, na velhice.

Diversão para os netos.
 
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Opinião

O desmonte do Mercosul

O Estado de S.Paulo
Motivações políticas são mais fortes que regras legais no Mercosul, segundo deixou claro o presidente do Uruguai, José Mujica, no esforço canhestro de justificar seu voto a favor do ingresso da Venezuela no bloco. Se para algo serviram suas palavras, foi para dar razão a quem considerou um golpe a decisão, tomada por apenas três presidentes, de admitir na união aduaneira um novo parceiro com plenos poderes, sem respeitar a posição do Paraguai. Levaram-se em conta, segundo Mujica, "novos elementos políticos que superavam amplamente o jurídico". O alcance dessa declaração talvez lhe tenha escapado. De fato, ele confirmou as palavras do vice-presidente Danilo Astori e do chanceler Luis Almagro, críticos severos da admissão oportunista de um quinto sócio. Com essa decisão, segundo Astori, abriu-se no Mercosul uma "grave ferida institucional". O vice-presidente está certo e o chefe de seu governo inadvertidamente lhe deu razão. Quanto às alegações políticas, são tão frágeis quanto grotescas: três governantes golpearam as instituições do bloco para favorecer o caudilho Hugo Chávez e disseram ter agido em defesa da democracia.

Ao falar publicamente sobre o assunto, numa entrevista ao jornal La República, de Montevidéu, o presidente Mujica assumiu a defesa do chanceler Luis Almagro. O ministro de Relações Exteriores foi criticado pela oposição depois de condenar como ilegal a admissão da Venezuela. "Estou de acordo com seu desempenho", disse o presidente.

Segundo Almagro, Mujica resistiu inicialmente à proposta de incorporação da Venezuela, por julgar o momento inadequado, mas acabou cedendo às pressões da presidente Dilma Rousseff. Sem desmentir o ministro, e até elogiando sua atuação, o presidente apresentou sua explicação dos fatos. Em outras palavras, ele reconheceu, mas preferiu pôr de lado os escrúpulos legalistas do chanceler.

Não há como deixar de lado as instituições e ao mesmo tempo alegar razões políticas para justificar o golpe contra o Mercosul. Nem o recurso a argumentos do mais grosseiro pragmatismo torna menos desastrada - e desastrosa - a manobra dos três presidentes. Não se pode apontar o fortalecimento do bloco, sob nenhum aspecto, com a admissão da Venezuela bolivariana. Não há nenhum compromisso de Hugo Chávez com a democracia, nem com o funcionamento minimamente livre dos mercados, nem com a convivência civilizada entre nações.

O governo paraguaio entregou ao secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, José Miguel Insulza, um vídeo sobre a movimentação do chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, em Assunção. O ministro de Chávez aparece encaminhando-se para uma reunião com a cúpula militar paraguaia pouco antes do afastamento do presidente Fernando Lugo. O novo governo do Paraguai chamou de volta o embaixador em Caracas e declarou persona non grata o representante venezuelano em Assunção. Três presidentes de países-membros do Mercosul decidiram, portanto, admitir como sócio um país em conflito com o quarto membro da união aduaneira.

Não há nada surpreendente, nem improvável, na hipótese de uma interferência do presidente Hugo Chávez nos assuntos internos do Paraguai. Seu absoluto desrespeito às mínimas normas da diplomacia civilizada é bem conhecido. O governo brasileiro deveria recordar a atuação do caudilho bolivariano como conselheiro do companheiro Evo Morales, quando o governo da Bolívia decidiu invadir militarmente instalações da Petrobrás. Todos deveriam lembrar, igualmente, as relações de Chávez com as Farc e seus conflitos com o governo colombiano.

O ingresso da Venezuela de Chávez nada acrescenta, economicamente, à cambaleante união aduaneira. Do ponto de vista diplomático, a presença do chefe bolivariano será mais um entrave a negociações com parceiros relevantes, como os Estados Unidos e a União Europeia. Será, igualmente, um complicador adicional em discussões de alcance global. Neste momento, já é um fator de desagregação.

Na aritmética do Mercosul, o acréscimo de um sócio como a Venezuela é uma diminuição.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 06 / 07 / 2012

Folha de São Paulo
"BCs da China e da Europa cortam juros contra a crise" 

Para também estimular a economia, órgão inglês eleva a oferta da moeda

Os bancos centrais da zona do euro e da China reduziram as taxas de juros para estimular o crescimento da economia. Em outra frente, com o mesmo objetivo, o Banco da Inglaterra (o BC do Reino Unido) elevou a oferta de moeda no mercado. O BCE (Banco Central Europeu) cortou os juros de 1% para 0,75%, o menor índice desde a criação do euro. Na segunda redução em um mês, o BC chinês surpreendeu ao baixar a taxa em 0,25 ponto percentual, para 6%. 

O Estado de São Paulo
"Atos da CPI viram duelo entre governo e oposição" 

Convocações para depoimentos levam em conta critérios que podem influir em eleições municipais

Os integrantes da CPI do Cachoeira aprovaram ontem a convocação de Fernando Cavendish (Delta Construções), Luiz Antônio Pagot (ex-diretor do Dnit) e Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto (ex-diretor da Dersa). Os três só prestarão depoimento após 31 de julho, final do recesso parlamentar. E não serão obrigados a falar, já que se tornou prática os convocados pela CPI apresentarem habeas corpus para não responder às perguntas dos parlamentares. A convocação de Paulo Preto é um recurso que o PT pode lançar mão visando às eleições. Ele é acusado por Pagot de usar a Dersa - responsável pelas obras rodoviárias no Estado de São Paulo - para fazer caixa 2 para campanhas de tucanos. Antes do recesso, os parlamentares pretendem ouvir o prefeito de Palmas, Raul Filho (PT).

quinta-feira, julho 05, 2012

Pitacos do Zé


Apenas uma viagem

José Ronaldo dos Santos
Ao embarcar no ônibus para Caraguatatuba (Empresa Litorânea), notei algo muito estranho: somente de um lado as poltronas eram duplas; do outro, em toda a extensão, era uma poltrona atrás da outra. Ou seja, o coletivo 1701, tinha, se não me engano, por volta de trinta assentos. Então, resolvi anotar:

Saída da rodoviária de Ubatuba: 12:05 horas. Depois de uma volta pelo centro da cidade, novamente passamos em frente da rodoviária às 12:16 horas. Restavam quatro lugares desocupados. Quando estávamos no bairro da Estufa, às 12:22 horas, cinco pessoas já viajavam em pé. Depois foi enchendo, enchendo, enchendo... Ainda tive a pachorra de, após muitos descerem e subirem, contar na praia do Sapê, pouco antes da metade do percurso de cinquenta quilômetros: vinte pessoas estavam viajando no desconforto, de pé. Depois encheu mais. Observação: vários dos passageiros estavam se dirigindo para atendimento médico, no A.M.E.

Questionamentos:

1- É natural que, num ônibus intermunicipal, durante cinquenta quilômetros, as pessoas paguem para viajar nessas condições?
2- Por que é permitido à empresa, em viagem relativamente longa, escalar regularmente tal modelo de veículo?
3- Quem deve fiscalizar os transportes públicos, exigir que os mais pobres sejam tratados com dignidade?

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Opinião

A fantasia de Mantega

O Estado de S.Paulo
É difícil duvidar da sinceridade do ministro da Fazenda, Guido Mantega, quando ele afirma estar conduzindo uma política de longo alcance, com medidas calculadas para tornar a economia brasileira mais eficiente e mais competitiva. A ação oficial, segundo ele, vai muito além de um conjunto de medidas setoriais e destinadas a estimular o crescimento no curto prazo. Essas declarações foram uma resposta a críticas formuladas nos últimos dias por economistas independentes, analistas econômicos e até por especialistas vinculados ao setor público. O ministro deu a impressão de acreditar nas próprias palavras e esse foi o aspecto mais preocupante de seu pronunciamento. Os problemas de quem produz no Brasil vão muito além daqueles enfrentados com as iniciativas do governo - uma porção de remendos mal costurados. Mas a presidente Dilma Rousseff e os condutores da política econômica preferem distribuir benefícios a setores selecionados e continuar evitando as tarefas mais complicadas, como a reforma efetiva dos impostos, a melhora da administração federal e a racionalização do gasto público.

O ministro apontou a redução dos juros, as intervenções no câmbio e as desonerações fiscais limitadas como grandes avanços na direção de reformas de longo alcance. Dia a dia os fatos desmentem essa avaliação da política econômica. A redução dos juros básicos, o barateamento do crédito ao consumidor e a expansão dos empréstimos foram insuficientes, até agora, para reativar a produção industrial. As vantagens setoriais produzem efeitos localizados, facilitando a venda de automóveis, por exemplo, mas com poucos reflexos no conjunto da indústria manufatureira. Parte importante do estímulo acaba vazando para o exterior. De janeiro a junho o valor das exportações foi 1,7% menor que o de um ano antes, enquanto o das importações foi 3,7% maior. Os preços da soja em grãos e de algumas poucas commodities impediram um resultado pior.

O resultado pífio do comércio exterior desfez também outra fantasia. Entre setembro do ano passado e junho deste ano o dólar se valorizou mais de 20%, em relação ao real, mas o superávit comercial minguou. No primeiro semestre, foi 45,9% inferior ao de janeiro a junho de 2011. Errou, portanto, quem atribuiu as desvantagens da indústria na competição internacional, principalmente ao câmbio valorizado.

Esse erro era evidente para quem se dispusesse a contemplar os fatos com algum realismo, mas o governo - e muitos empresários, é preciso reconhecer - preferiu menosprezar as desvantagens mais graves, como a tributação irracional, a logística deficiente, os custos resultantes da insegurança e tantas outras deficiências observadas no dia a dia da atividade empresarial e da vida dos brasileiros.

A desvalorização cambial foi muitas vezes usada no Brasil para compensar e disfarçar as deficiências do sistema produtivo. Combinada com um persistente protecionismo, essa política contribuiu, a longo prazo, para o adiamento de muitas ações necessárias à modernização econômica e social do País. O governo tem exibido uma indisfarçável inclinação para esse tipo de política. Se essa inclinação continuar prevalecendo, as esperanças de consolidação de uma economia adequada à era da globalização entrarão pelo ralo.

O ministro da Fazenda acertou ao mencionar os problemas internacionais e a lentidão provável da recuperação econômica do mundo rico. Neste momento, também a China e outros emergentes dinâmicos parecem perder impulso. Nenhum desses dados justifica, no entanto, a concentração da política oficial em medidas de curto prazo. O Brasil enfrenta, sem dúvida, problemas conjunturais, mas suas deficiências mais importantes e mais perigosas são de outro tipo.

A crescente dificuldade da empresa brasileira para ocupar espaços no mercado global e até para defender suas posições no mercado interno resulta de algo bem mais grave que uma conjuntura desfavorável. Enquanto desprezar esse dado, o governo continuará praticando a política de miudezas. Um dia os demais países sairão da crise, provavelmente mais produtivos do que hoje. Quando sair da crise, o Brasil, se nada mudar, estará muito mais fraco do que hoje.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 05 / 07 / 2012

Folha de São Paulo
"Enfim, a América" 

Depois de 35 anos de espera, Corinthians derrota Boca Juniors, com show de Emerson, e conquista a Libertadores em campanha invicta.

Quarta-feira, 4 de julho de 2012, às 23h53, milhões de azares e feitiços se acabaram mais uma vez, como em uma certa noite paulistana de 1977. O Corinthians, desde ontem e para sempre, é campeão da Libertadores. E a cidade, ou sua parcela corintiana, levantou-se e correu às ruas para extravasar a conquista do título mais sofrido e aguardado de sua história, vencido de maneira inquestionável e invicta, botando na roda o clube mais temido de toda a América.

O Estado de São Paulo
"Câmara de SP vai mudar registro de presença de vereador" 

Após denúncia do Estado, sistema de senha dará lugar a identificação biométrica

O presidente da Câmara de São Paulo, José Police Neto (PSD), anunciou que o sistema de registro de presença dos vereadores será mudado, após irregularidades reveladas pelo Estado. As senhas serão substituídas por identificação biométrica - impressão digital ou íris. O terminal de presença instalado ao lado do elevador será retirado e o prazo de quatro horas para confirmação de comparecimento, abolido. Para que as mudanças sejam aprovadas é necessário o aval de 28 dos 55 parlamentares, em duas votações. No primeiro semestre, apenas duas sessões legislativas foram realizadas sem que nenhum vereador estivesse de licença ou tivesse faltado.

quarta-feira, julho 04, 2012

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Opinião

O nome do boi

O Estado de S.Paulo
Quando ainda não havia escolhido a arma a seu ver mais potente para contra-atacar a denúncia do mensalão - a alegação de que o escândalo foi uma farsa montada pela mídia e a oposição, em conluio para removê-lo do poder -, o então presidente Lula vacilou. Ora se declarou traído, pedindo perdão ao povo brasileiro, ora tentou encobrir a compra de votos de deputados para apoiar o seu governo com a falácia de que tudo se resumiu a um crime eleitoral - o uso de caixa 2 - do qual, evidentemente, não tinha conhecimento.

Em julho de 2005, numa entrevista gravada em Paris, que o Fantástico levaria ao ar, disse textualmente: "O que o PT fez do ponto de vista eleitoral é o que é feito no Brasil sistematicamente. Eu acho que as pessoas não pensaram direito no que estavam fazendo. (…) E não é por causa do erro de um dirigente ou de outro que você pode dizer que o PT está envolvido em corrupção". Passados sete anos, e a um mês do julgamento no STF dos 36 mensaleiros para os quais o Ministério Público pede cadeia, não resta dúvida de que as palavras de Lula eram o embrião da estratégia de defesa dos maiorais do partido.

Em primeiro lugar, ninguém corrompeu ninguém no Congresso, muito menos - onde já se viu! - com verbas publicitárias do governo que, depois de percorrer tortuosos caminhos, ingressavam nos cofres petistas, de onde migrariam para remunerar parlamentares por sua lealdade ao Planalto. Tudo se resumiu a "pessoas" ou a "um dirigente ou outro" que não pensaram direito, esqueceram-se da ética petista e imitaram os demais partidos ao usar dinheiro à margem da contabilidade oficial das campanhas para ganhar eleições - um ilícito comparativamente menor e que, por isso mesmo, prescreve com relativa rapidez. Não é o caso dos crimes de corrupção e formação de quadrilha.

Faltava apenas dar o nome aos bois de piranha que assumiriam plena responsabilidade pelo malfeito para que a companheirada atravessasse incólume as águas turvas em que se enfiou até o pescoço. Já não falta - e o sacrificado será um só, com o seu aparente assentimento. Ele se chama Delúbio Soares de Castro, o professor de matemática que trocou o magistério pela militância no PT, a cujo alto comando chegou nos ombros de Lula, na estratégica função de secretário nacional de Finanças. Nessa condição, cunhou uma expressão que se tornaria famosa para se opor à ideia de a sigla divulgar na internet a sua movimentação financeira em tempos de eleição: "Transparência assim já é burrice".

Delúbio fez o que fez - caixa 2 para financiar políticos aliados nas eleições de 2002 e 2004 - rigorosamente por conta própria, e tinha independência para tal, é a linha justa levada aos ministros do STF. Ele não só não pedia autorização a quem quer que fosse nem tampouco agia sob influência alheia, como ainda mantinha na ignorância de seus negócios o ministro da Casa Civil e ex-presidente do partido, José Dirceu - apontado na denúncia do então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, como o chefe do "núcleo central da quadrilha" do mensalão. Os outros eram o próprio Delúbio, o secretário-geral Sílvio Pereira e o presidente da agremiação, José Genoino.

O fato de a sua assinatura figurar em contratos de empréstimos tomados pelo partido, por iniciativa de Delúbio, nos bancos Rural e BMG não o tornaria cúmplice de coisa alguma: assinou por burocrático dever de ofício. Dizem os patronos de José Dirceu, os criminalistas José Luís Oliveira Lima e Rodrigo Dall'Acqua, para isentar o seu cliente: "Restou provado que o presidente do PT, de fato e de direito, era mesmo o corréu José Genoino, uma pessoa de total autonomia de mando". Diz Luiz Fernando Pacheco, patrono de Genoino: "O PT entrou numa crise financeira, o diretório nacional delegou ao Delúbio a resolução do problema, como tesoureiro. Quem tem de responder por isso é o Delúbio".

Se o estratagema der certo e o STF conferir a Dirceu o atestado de inocência a que ele diz que faz jus, o partido assumirá com Delúbio uma dívida impagável - com ou sem aspas.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 04 / 07 / 2012

Folha de São Paulo
"Indústria registra o 9º tombo seguido apesar de incentivo" 

Redução dos investimentos leva produção nacional a recuar 4.3% em maio, o pior resultado desde 2009

Apesar das medidas adotadas pelo governo federal, a indústria brasileira não consegue se reerguer. A produção industrial caiu 4,3% em maio em relação ao mesmo mês do ano passado — a nona retração seguida nessa comparação e a maior desde setembro de 2009 —, segundo o IBGE.

O Estado de São Paulo
"Indústria cai mais e BC pode intervir no câmbio" 

Queda da produção de 4,3% em maio é a maior em 32 meses; Banco Central quer dólar acima de R$ 2

Os números de maio da produção industrial divulgados ontem pelo IBGE acentuam o atual quadro de retração do setor em 2012. Em queda há nove meses, o indicador teve em maio perda de 4,3% ante o mesmo período de 2011. O setor automotivo apresentou uma das maiores quedas: 5,3%. Diante desse cenário, consultorias já começam a revisar para baixo as projeções de crescimento para o PIB em 2012. O dólar abaixo de R$ 2, um fator que pode ser prejudicial à indústria, não agrada à equipe econômica e o Banco Central poderá agir. O recado foi dado ontem pelo diretor de política monetária da instituição, Aldo Luiz Mendes, em entrevista ao Estado. Após o aviso, no final da manhã, a moeda, que estava cotada a R$ 1,977, voltou ao nível considerado adequado e fechou o dia a R$ 2,015. “O desempenho industrial mais fraco até aumenta a possibilidade de o governo querer um dólar mais alto que a cotação de hoje (ontem)”, disse Mendes.

Eleições 2012


terça-feira, julho 03, 2012

Eleições 2012

Estratégia vitoriosa ou duvidosa?

Sidney Borges
Vai começar a campanha. Logo teremos gente na rua, carros de som, bicicletas de som, fogos de artifício e panfletos falando mal da mãe, além de muros (mal)pintados e papéis sem conta emporcalhando as ruas e entupindo bueiros.  

Ubatuba não tem televisão, mas tem rádio para difundir idéias, programas de governo e propostas. Apesar disso, nos últimos tempos a internet tem tido maior impacto político do que o rádio, pois incorpora todas a mídias. O fator limitante da rede é a capacidade de acesso das massas, a conexão banda larga está fora do alcance da maioria dos orçamentos.

Na campanha deste ano a situação sai com vantagem teórica, mas a estratégia adotada pelos ocupantes do poder é no mínimo curiosa, alguns dizem temerária.

Ter muitos partidos em mãos funciona onde o tempo de televisão tem relevância. Ter muitos partidos em Ubatuba é uma faca de dois gumes. No gume X muitos candidatos pedindo votos, no gume Y muitos apelos por ajuda. E, se a ajuda (polpuda) não sai, o aliado vira inimigo.

Em quase todas as eleições a oposição luta para derrotar a situação. Em Ubatuba não é bem assim, a situação inverte o jogo e faz o possível para derrotar um candidato de oposição, por enquanto tido como favorito.

Para ficar com as batatas os donos do poder usam três planos, a saber: smartDud A, smartDud B e smartDud C.

Acontece que quem vota no candidato a ser batido não vota nos candidatos dos planos smartDuds e nem nos demais candidatos que não fazem parte do projeto da situação, mas situam-se no mesmo nicho político-ideológico.

Conclusão, o candidato A tende a disputar votos com o candidato B e o candidato C. O candidato B pode, por sua vez, tirar votos do candidato A e do candidato C. O candidato C certamente tirará alguns votos dos candidatos A e B. Mas os candidatos A, B e C não disputarão os votos do candidato a ser batido, votos consolidados no imaginário dos eleitores e pouco suscetíveis a mudanças. Resta saber se esses votos serão suficientes para derrotar a máquina. E também resta saber para onde irão os votos dos indecisos, por enquanto um grande contingente.

Com um mês de campanha e algumas pesquisas em mãos será possível responder a essas questões.

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Opinião

Golpe contra o Mercosul

O Estado de S.Paulo
Em mais uma decisão desastrada e vergonhosa para a diplomacia brasileira, a presidente Dilma Rousseff apoiou a suspensão do Paraguai e a admissão da Venezuela como sócia do Mercosul. Seguiu a orientação de sua colega argentina, Cristina Kirchner, de credenciais democráticas abaixo de duvidosas, e sujeitou o destino do bloco regional aos objetivos políticos do caudilho Hugo Chávez. Como se quisesse dar razão a todos os críticos da escandalosa manobra encenada em Mendoza, o chefão venezuelano vociferou: "Não tenho dúvidas de que por trás daquele grupo de senadores do Paraguai está a mão do império, tentando impedir a conformação de uma verdadeira potência na América do Sul". Ele se referia ao último obstáculo à sua participação com direito de voto na cúpula dirigente do Mercosul. Não se sabe se a presidente brasileira corou ou sentiu pelo menos um leve arrependimento ao ler esse palavrório. Seus conselheiros diplomáticos e estrategistas internacionais devem ter exultado, ao receber a aprovação por mais esse ato de submissão ao grande movimento redentor da América do Sul, o kirchnerbolivarianismo.

Além de representar mais uma grave ameaça ao Mercosul, já enfraquecido por suas divisões, pelo protecionismo interno e por sua incapacidade de integração competitiva na economia global, a decisão a favor do ingresso da Venezuela é muito discutível do ponto de vista legal. Suspenso da participação nas reuniões e nas deliberações do bloco, o Paraguai se mantém, no entanto, como sócio. Quando for readmitido, depois da eleição presidencial de abril de 2013, a oposição de seus senadores ao ingresso da Venezuela terá perdido efeito? Especialistas contestam essa possibilidade ou, no mínimo, têm dúvidas relevantes sobre o assunto. Esse grupo inclui o chanceler uruguaio, Luiz Almagro.

Surge, portanto, um contraste dos mais interessantes: não há como negar a legalidade do impeachment do presidente Fernando Lugo (nem o governo brasileiro usou a palavra "golpe"), mas há uma boa base para contestar a punição imposta ao Paraguai. Em outras palavras, há bons argumentos para qualificar como golpe a manobra usada para possibilitar a admissão de Hugo Chávez como membro pleno da mesa diretora do Mercosul. Quem, nessa história, merece de fato ser chamado de golpista? Até agora, os presidentes e diplomatas envolvidos na condenação do Paraguai foram incapazes de sustentar sua decisão em um claro fundamento jurídico. Há uma diferença considerável entre apontar a rapidez do processo de impeachment do presidente Lugo e provar a violação de uma norma constitucional.

Enquanto a presidente Dilma Rousseff e seu colega uruguaio José Mujica seguiam a orientação da presidente Cristina Kirchner e atendiam aos desejos do chefão Chávez, empresários discutiam o futuro do comércio regional numa reunião paralela, em Mendoza. "A Argentina será responsável pelo fim do Mercosul", disse no encontro o presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp, embaixador Rubens Barbosa.

Ele se referia ao protecionismo argentino. A criação de barreiras aumentou a partir de 2008, quando a crise internacional se agravou, e intensificou-se nos últimos seis meses, quando Buenos Aires abrigou a presidência temporária do bloco. A multiplicação de barreiras, como lembrou o embaixador Rubens Barbosa e confirmam os empresários dos dois lados, prejudica tanto a indústria brasileira quanto a argentina. Incapaz de reagir a esses abusos, o governo brasileiro assume a posição de cúmplice na devastação comercial e institucional do bloco.

Não houve punição econômica ao Paraguai, graças a um surto de quase lucidez do governo brasileiro. Mas terão os paraguaios interesse em ficar no Mercosul? As normas da união aduaneira impedem os sócios de negociar isoladamente acordos de livre comércio. Petismo e kirchnerismo têm sido os principais obstáculos a negociações com parceiros de peso como os Estados Unidos e a União Europeia. Talvez os paraguaios descubram, em seu absurdo isolamento, uma inspiração a mais para mandar às favas essa união aduaneira fracassada e buscar negociações relevantes para seu país.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 03 / 07 / 2012

Folha de São Paulo
"Dilma pressionou por Venezuela, diz Uruguai" 

Chanceler brasileiro afirma que posições na cúpula do Mercosul foram consensuais

O ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Luis Almagro, disse que o ingresso da Venezuela no Mercosul só ocorreu por causa da intervenção da presidente Dilma Rousseff. Almagro afirmou que seu país era contrário à integração da Venezuela ao bloco.

O Estado de São Paulo
"MP e polícia vão investigar fraude na Câmara de SP" 

Após revelar que vereadores burlaram painel, ‘Estado’ flagra troca de aparelho que marca presença

A Polícia Civil e o Ministério Público Estadual abriram ontem investigação para apurar fraudes no painel eletrônico da Câmara de São Paulo, reveladas pelo Estado. Serão investigados os crimes de peculato, falsidade ideológica e improbidade administrativa. Isso porque informações falsas teriam sido inseridas no painel eletrônico em nome dos vereadores. Além disso, como as faltas não eram descontadas, eles podem ter recebido ilegalmente. Se comprovadas, as irregularidades podem resultar em cassação de mandato. A Câmara também vai apurar informações de que parlamentares ausentes do plenário marcam presença em terminal instalado ao lado do elevador. Ontem, funcionários da Casa adulteraram provas da irregularidade, trocando de posição o terminal usado para assinalar nomes de vereadores fantasmas. O presidente da Câmara, José Police Neto (PSD), admitiu falhas no sistema.

segunda-feira, julho 02, 2012

Tudo eu, tudo eu, tudo eu...


Eleições 2012

Os carros alinham na pista!

Sidney Borges
Semana final das preliminares. A partir de sexta-feira o jogo é pra valer. Jogo de taça, chute de bico pode, xingar a mãe não pode, mas vai acontecer.

A situação (leia-se projeto político de Dudu) sai com duas equipes, time A e time B. Dizem por aí que Dudu tem outro time guardado na manga, todo mundo sabe qual é, mas todo mundo finge que não sabe.

Dudu comprou pules de quase todos os cavalos do páreo, quer ganhar a todo custo, pena que Dudu não seja candidato. Culpa do Lula que não quis o terceiro mandato.

Neste momento não é possível fazer previsões, as pesquisas valerão depois da campanha lançada e o zé ninguém perceber que haverá eleição.

O que é certo é que a eleição vai custar caro, muito caro, quem entrou nela pensando em ganhar sem gastar vai a cara quebrar.

Como Dudu tem dois times, vai gastar dobrado. Dinheiro não falta, são economias do polpudo salário de prefeito. Caso o outro time (oculto, pero ni tanto) também entrar, o gasto será triplo e como os três times têm o mesmo apelo ideológico o mesmo voto será por eles disputado. Boa estratégia? Só em outubro saberemos.

Enquanto dois (ou três) brigam, diz o ditado latino - inter duos litigantes tertius gaudet - um terceiro chega e leva a princesa. Íçaaaa.

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Opinião

As investidas da tigrada

O Estado de S.Paulo
É a velha história. Para se vingar do governo que resiste a dar-lhes as verbas, os cargos e a "participação" nas decisões que vivem exigindo, políticos nominalmente aliados da presidente Dilma Rousseff tratam de emplacar projetos nas áreas mais diversas, cujo traço comum é inflar o gasto público. De quebra, fazem bonito para as suas clientelas em potencial - os interesses organizados que se beneficiarão dos gastos.

O que há de novo na presente temporada de caça ao tesouro, que beira o frenesi por ser este um ano eleitoral, é que na dianteira das sortidas está o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, do mesmo PT de Dilma. Com companheiros assim, ela não precisa de adversários que deem curso a "aventuras fiscais", como disse, ou tenham "a soberba de achar que podemos brincar à beira do precipício" - a crise externa a que também o País é vulnerável.

Na própria cúpula do PT, Maia é criticado por seu "apetite de gafanhoto", noticiou o jornal Valor. O seu grupo ambicionava uma diretoria da Petrobrás, uma vice-presidência do Banco do Brasil e a presidência do fundo previdenciário da instituição, o Previ. Mas são enxames que atacam o erário. Na terça-feira, uma comissão da Câmara aprovou proposta que eleva a 10% do PIB, ao longo de dez anos, o dispêndio nacional com a educação. Atualmente é a metade disso. O impacto previsto quando a meta for alcançada é da ordem de R$ 230 bilhões por ano. O governo precisará mobilizar governadores e prefeitos para derrubar a extravagância no Senado.

No dia seguinte, o Planalto teve de despachar às pressas ao Congresso o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e a sua colega de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, para sustar outra brincadeira à borda do abismo, endossada por Marco Maia. Apesar de apelos em contrário, ele havia mantido na ordem do dia o projeto que reduz de 42 para 30 horas a jornada semanal de trabalho dos profissionais de enfermagem. A redução acarretaria um gasto extra de R$ 7,2 bilhões anuais. A custo, a votação acabou adiada.

Outra bomba desativada - temporariamente - foi a votação da proposta que acaba com o fator previdenciário no cálculo das aposentadorias pelo INSS. A regra aumenta a permanência na ativa do trabalhador que pretenda obter o teto do benefício. O fator é um remendo, mas a sua abolição, desacompanhada de uma reforma da Previdência, engordará o déficit do sistema, ao provocar uma corrida às aposentadorias. Maia havia incluído a matéria na pauta da sessão de quarta-feira. O governo ficou de apresentar uma alternativa para ir a plenário em agosto.

As ameaças se multiplicam. As pragas poderão devastar até mesmo o arranjo institucional envolvendo as finanças dos Três Poderes. Na última semana, passou em surdina numa comissão especial da Câmara um projeto de emenda constitucional que acaba com o teto salarial no serviço público em todos os níveis da Federação. Atualmente, o teto é fixado pelo governo. Na mesma linha do "liberou geral", a Comissão de Finanças da Casa acaba de endossar a enormidade, aprovando duas emendas à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que subtraem poderes do Executivo, de modo a permitir o aumento de despesas sem a sua autorização.

Em um caso, Judiciário e Legislativo ficam autorizados a incluir no Orçamento da União gastos com aumentos salariais de seus membros. Os valores mencionados no texto representarão em 2013 um acréscimo de R$ 9,3 bilhões nos gastos de custeio da máquina, à revelia do Planalto. A segunda emenda à LDO cria um fundo de R$ 1 bilhão para projetos do Congresso e da Justiça sem previsão orçamentária.

Essas aberrações não estão fadadas a se consumar. A gastança sem teto, por exemplo, dependerá do apoio de 60% dos deputados e senadores em duas votações, conforme o rito regimental para a aprovação de emendas constitucionais. Mas o seu bloqueio exigirá da presidente da República mais do que exortações aos parlamentares sobre o imperativo do realismo numa conjuntura internacional adversa e duradoura. Parcelas da base aliada pouco se importam com os efeitos das "aventuras fiscais" que promovem. A ver como - ou se - Dilma conseguirá domar a tigrada.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 02 / 07 / 2012

Folha de São Paulo
"PRI retorna ao poder no México, diz boca de urna" 

Segundo pesquisa, Peña Nieto teve 42% dos votos, contra 31% de esquerdista

Pesquisa de boca de urna indica que o candidato do PRI (Partido Revolucionário Institucional), Enrique Peña Nieto, venceu a eleição presidencial no México com 42% dos votos. O candidato do esquerdista PRD, Andrés López Obrador, obteve 31%, e a governista Josefina Vázquez (PAN) ficou com 24%. Se confirmada, a vitória levará de volta à Presidência a sigla que governou o país por 71 anos (1929-2000).

O Estado de São Paulo
"Delúbio deve levar culpa por caixa 2" 

Acusados combinam estratégia de defesa com o ex-tesoureiro petista para o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal

A um mês do início do julgamento do mensalão do Supremo Tribunal Federal, o “núcleo central da quadrilha”, conforme definição do ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, combinou que o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares assumirá que partiu somente dele a iniciativa de formar o caixa 2 para o financiamento de partidos e parlamentares que se coligaram com os petistas nas eleições de 2002 e 2004. Nesse núcleo, segundo o ex-procurador-geral, estavam Delúbio, o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), o ex-deputado José Genoino e o ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira, que, após acordo, já cumpriu pena alternativa de serviços comunitários.

domingo, julho 01, 2012

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Opinião

Enfim, o governo vê a crise

O Estado de S.Paulo
Ao admitir, pela primeira vez, que neste ano a economia brasileira vai crescer menos do que no ano passado, o governo começa a avaliar com mais realismo a gravidade dos impactos da crise mundial sobre o País. Trata-se, por enquanto, de uma espécie de realismo limitado, ou pela metade. Enquanto em seu mais recente Relatório da Inflação - documento trimestral em que avalia as condições da economia brasileira - o Banco Central (BC) corrigiu de 3,5% para 2,5% sua projeção para o crescimento do PIB em 2012 - menos do que o aumento de 2,7% registrado em 2011-, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e seus principais auxiliares continuam a afirmar que neste ano o resultado da economia será "mais vigoroso" do que no anterior.

Após reconhecer, com atraso, a validade de argumentos e dados apresentados há vários meses por economistas do setor privado para mostrar a desaceleração da economia, o BC teve de rever para baixo a maioria das projeções que vinha fazendo para diferentes indicadores em 2012. Além da revisão de várias projeções, a redução de sua previsão de crescimento do PIB neste ano decorre de uma análise mais objetiva, e, por isso, mais pessimista, dos efeitos da crise da Europa e dos Estados Unidos sobre a economia brasileira.

O BC agora prevê que os investimentos produtivos crescerão apenas 1% neste ano, bem menos do que o aumento de 4,7% registrado no ano passado e menos ainda do que a projeção feita no relatório anterior, de 5%. O diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, atribuiu a drástica redução da projeção do aumento dos investimentos ao clima de incerteza no meio empresarial. Esse clima já vinha sendo detectado há certo tempo em levamentos realizados por diferentes instituições, como associações empresariais, sobretudo do setor industrial, e institutos de pesquisa.

Além disso, o relatório diz que a perspectiva de baixo crescimento da economia mundial deve se manter "por um período prolongado" e que a deterioração do cenário internacional se transmite para a economia brasileira, entre outros canais, pela perda de confiança dos empresários. Essa transmissão, reconhece o BC, "tem se manifestado intensamente sobre a economia real".

Como consequência inevitável da redução da estimativa de investimentos, caíram também as projeções para o crescimento dos diversos setores da economia. O BC cortou pela metade a projeção para a expansão da indústria, que agora está em 1,9%. Para o setor de serviços, projeta-se crescimento de 2,8%. A revisão mais drástica foi a da projeção para a agricultura, que, de um crescimento de 2,5% previsto no relatório anterior, passou para uma retração de 1,5%.

Em outra mudança relevante na sua avaliação da atividade econômica, o BC finalmente reconheceu o que o empresariado industrial vinha dizendo há anos: a demanda interna de bens industriais vem sendo atendida cada vez mais por produtos importados, em detrimento da produção local. Entre 2008 e 2011, o consumo aparente de bens industriais cresceu 16,7%, enquanto o PIB se expandiu 15,8%. Nesse período, enquanto a produção de bens industriais cresceu 5,9%, as importações desses itens aumentaram 45,9%.

Segundo o BC, "a participação dos importados no atendimento da expansão anual do consumo de bens industriais passou de, aproximadamente, 40% em 2008 e 2010 para 100% em 2011". Ou seja, tudo o que os brasileiros consumiram a mais em bens industriais no ano passado foi fornecido por fabricantes estrangeiros. Para o produtor local, a situação ficou ainda pior em 2012, pois, além de atender ao aumento da demanda interna, os produtos estrangeiros começam a roubar mercado dos nacionais.

Em compensação, para a inflação, que em 2011 foi de 6,5%, o BC projeta 4,7% em 2012, acima da estimativa feita no relatório do primeiro trimestre, de 4,4%, mas ainda bastante próxima da meta de 4,5% (que vem sendo mantida desde 2005 e foi fixada também para 2014). Evidentemente, a redução da inflação em 2012 é consequência do baixo crescimento da economia em decorrência das perspectivas da economia mundial, que já eram ruins e pioraram.

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Manchetes do dia

Domingo, 01 / 07 / 2012

Folha de São Paulo
"Droga no Brasil é ‘batizada’ com anestésico e vermífugo" 

Análise laboratorial da PF revela que 54% da cocaína que entra no país tem origem na Bolívia

A Polícia Federal desvendou o “DNA” das drogas que entram no Brasil. Após sete anos de pesquisas, peritos descobriram que traficantes misturam à cocaína e ao crack antitérmicos, cafeína, anestésicos e até vermífugos, relata Fernando Mello. Em alguns casos, a mesma amostra contém mais de um adulterante. Esses produtos adicionados à droga aumentam os riscos à saúde do usuário. Ao diminuir a parcela da droga pura, o traficante eleva o seu lucro. 

O Estado de São Paulo
"Vereadores de SP burlam painel para votar e ter presença" 

Reportagem do ‘Estado’ flagra manobra feita por ao menos 17 parlamentares

Vereadores de São Paulo estão fraudando o painel eletrônico da Câmara para garantir votos e presença quando estão fora do plenário, informam Adriana Ferraz, Diego Zanchetta, J. F. Diorio e Juliana Deodoro. Nas últimas três semanas, o Estado flagrou pelo menos 17 dos 55 parlamentares praticando a irregularidade, ao longo de 20 sessões. Funcionários da mesa da presidência utilizam um terminal de uso exclusivo dos parlamentares para marcar o nome dos envolvidos e evitar descontos na folha de pagamento - cada falta custa R$ 465. Imagens feitas pela reportagem mostram que a maioria dos vereadores não registra a presença pessoalmente. Basta a sessão começar para os nomes aparecerem no painel, mesmo com as cadeiras vazias.

Ubatuba


 
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