sábado, junho 02, 2012

Boxe


Hoje é o grande dia do desafio

Sidney Borges
Michael Oliveira era obeso. Com 13 anos pesava 111 kg. Começou a treinar boxe para emagrecer. Emagreceu, essa foi a sua primeira vitória. Enquanto suava queimando banha de refrigerantes, salgadinhos e Big Macs do "american way of life", descobriu que levava jeito para o boxe.

Começou a lutar e a vencer, acumulou 17 vitórias, 14 por nocaute. Michael lutou três vezes no Brasil. Venceu e não convenceu. Em terras cabralinas enfrentou dois bananas dominicanos e um banana argentino, Abel Nicolas Adriel, que me fez lembrar do craque Renato "pé murcho", cujo chute causava desânimo. O argentino poderia ser chamado de "braço murcho", tal a impotência de sua pegada. Michael ganhou por pontos do argentino e por nocaute das bananas de pijama, digo dominicanas.

O plano da equipe de Michael é torná-lo ídolo no Brasil. Para isso ele precisa vencer Popó, ex-campeão mundial respeitado como um dos maiores do boxe tupiniquim.

Fazer previsões é temerário, mas se Michael apresentar contra Popó o que mostrou nas lutas anteriores dificilmente escapará da derrota. E, caso vença, hipótese remota, não será suficiente para se tornar ídolo. Michael precisa enfrentar adversários de categoria. Veja aqui o cartel dele e os adversários que enfrentou. É pouco para quem diz querer o título mundial. Título, aliás, que foi de Popó por 4 vezes.

Vamos aguardar, quem sabe Michael guardou um trunfo na manga e chegou a hora de exibí-lo. Ou isso ou lona!

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Opinião

Resultado preocupante

O Estado de S.Paulo
Pior do que o esperado pelos economistas do setor privado, e muito pior do que o desejado - e previsto - pelo governo, o fraco desempenho da economia brasileira no primeiro trimestre - crescimento de apenas 0,2% sobre o trimestre anterior, resultado muito próximo da estagnação - não deixa dúvidas de que os efeitos da crise internacional afetam cada vez mais a economia brasileira. A expansão em relação ao primeiro trimestre do ano passado foi de 0,8% e o resultado acumulado dos 12 meses até março foi 1,9% maior do que o dos 12 meses anteriores. Esses números reforçam as previsões de que, neste ano, o PIB brasileiro crescerá menos do que em 2011, quando aumentou 2,7%.

O governo, no entanto, mantém a visão otimista que há tempos vem tentando transmitir à sociedade - com êxito cada vez menor à medida que vão sendo conhecidos os resultados da atividade econômica - e prevê um segundo semestre muito melhor, com crescimento médio de 4,5%. Se isso ocorrer, o crescimento de todo o ano será maior do que o de 2011. Por isso, a projeção oficial continua sendo de aumento de 3,1% do PIB em 2012.

Quanto mais distante estiver da realidade, mais dificuldades terá o governo para enfrentá-la de maneira adequada. Nesse quadro, maior será o risco de que, com o agravamento da crise externa, adote medidas isoladas e contraditórias, como tem feito até agora, tornando ainda mais desarticulada uma política econômica que já se ressente da falta de coerência.

São muitos os dados negativos sobre o desempenho da economia brasileira no primeiro trimestre apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e mesmo os que se mostraram animadores nos três primeiros meses do ano parecem ter invertido sua tendência a partir de abril.

A estiagem que castigou as lavouras do Sul provocou a quebra da safra de soja e afetou fortemente o desempenho da agropecuária, que, no primeiro trimestre, registrou redução de 8,5% em relação a igual período do ano passado. Não está afastada a possibilidade de, também no segundo trimestre de 2012, o resultado da agropecuária ser fortemente negativo.

O PIB industrial apresentou um crescimento até surpreendente em relação ao trimestre anterior, de 1,7%, expansão que, anualizada, chega a quase 7%, daí o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prever que em 2012 "a indústria deve ter resultado melhor do que em 2011". É possível, mas, na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, o aumento do PIB industrial é muito próximo de zero, de apenas 0,1%. Nessa comparação, a indústria de transformação foi a que apresentou o pior desempenho. Resultados da produção industrial em abril, também do IBGE, mostram queda de 2,9% em relação a abril do ano passado, o que reforça as projeções pessimistas de economistas do setor privado para todo o ano.

Leia na íntegra em Resultado preocupante

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Manchetes do dia

Sábado, 02 / 06 / 2012

Folha de São Paulo
"Economia estagnada põe governo Dilma em alerta" 

Queda de investimentos faz PIB ter resultado semelhante ao de países em crise

Com a redução dos investimentos de empresas e governo, a economia brasileira cresceu apenas 0,2% no primeiro trimestre em relação aos três meses anteriores, segundo o IBGE. A expansão foi semelhante à dos países em crise na Europa. A estagnação do PIB ameaça as promessas de crescimento do governo Dilma Rousseff. Desde o início de seu mandato, foram cinco trimestres consecutivos de expansão abaixo de 1%, o que não acontecia desde o final da década de 90. Em reação, Dilma orientou sua equipe a desencadear uma ação coordenada para estimular a economia e evitar que o avanço neste ano seja menor que 3%. Estão em estudo medidas na área tributária e de incentivos ao investimento.

O Estado de São Paulo
"PIB cresce só 0,2% e mercado já prevê alta de apenas 2% no ano" 

Investimentos e agricultura tiveram os piores resultados no primeiro trimestre, colocando o Brasil na lanterna dos Brics; para Mantega, economia está estimulada

O PIB brasileiro do primeiro trimestre manteve a semiparalisia e cresceu apenas o,2% ante o último trimestre de 2011, na série livre de influências sazonais, informou o IBGE. É um ritmo anualizado de 0,8%, o que está derrubando ainda mais as projeções de crescimento em 2012 - ontem, analistas ouvidos pelo Estado reduziram as previsões para algo em tomo de 2%. O Brasil teve a pior expansão entre os Brics e cresceu menos que EUA e Alemanha, economias abaladas pela crise. O ministro Guido Mantega (Fazenda) culpou as importações por parte do problema, mas disse que, apesar do resultado, a economia está estimulada. Um dos principais destaques negativos do PIB foram os investimentos, que recuaram 1,8% (7,4% anualizados) ante o último trimestre de 2011. A agropecuária, por sua vez, caiu 7,3% (32,6% anualizados), por causa da seca.

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sexta-feira, junho 01, 2012

Dinheiro não traz felicidade...


Coluna do Celsinho

Região Metropolitana

Celso de Almeida Jr.
Com a criação da RM Vale – Região Metropolitana do Vale do Paraíba, Litoral Norte e Serra da Mantiqueira, avançaremos no desempenho da gestão pública. Temas como a duplicação da rodovia dos Tamoios, aeroporto, destinação do lixo, entre outros, ganham força, sinalizando uma solução de grande alcance. Neste instante, se discute a construção de um hospital regional que atenda nosso litoral.

Caraguatatuba e São Sebastião já ofereceram áreas para isso.

Na próxima reunião do RM Vale, que ocorrerá no litoral norte, ao final de junho, tais questões serão apresentadas. O bom de toda esta história é que os interesses comuns das cidades litorâneas integrarão um esforço coletivo, garantindo mais velocidade para a solução de nossos problemas.

O hospital regional, por exemplo, já tem o sinal verde do governo do Estado, e deverá ficar pronto antes da Copa de 2014.

Nosso desafio, agora, será preparar interlocutores municipais para representar Ubatuba nestes debates. Investir na capacitação continuada, garantindo ao funcionário público um excelente nível de informações técnicas, é tarefa obrigatória para o atual e o futuro prefeito. Cada vez mais, não é suficiente um bom discurso para colher os dividendos dos investimentos que a região receberá.

Precisamos de especialistas, estudiosos, gestores públicos profissionais. Neste aspecto, a RM Vale exigirá um salto de qualidade.

Do contrário, poderemos nos envergonhar, ficando para trás, indo a reboque.
 
Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

Comissão de interesses

O Estado de S.Paulo
Dez dias atrás, exposta à ridicularia do mudo depoimento do contraventor Carlos Augusto Ramos na CPMI batizada com o seu apelido, Cachoeira, a investigação do Congresso sobre a sua teia de relações ilícitas com políticos, funcionários e homens de negócio parecia ter entrado num beco sem saída. Diante do risco iminente de descrédito, por não ter acrescentado até então uma única vírgula aos resultados das operações da Polícia Federal (PF) que deveriam servir-lhe de plataforma para novas apurações, a comissão finalmente resolveu cruzar a porta providencial que a maioria governista de seus membros fingia não ver.

A travessia foi a aprovação da quebra dos sigilos em âmbito nacional da construtora Delta, a empreiteira preferida do Planalto e do Palácio Guanabara, cujo titular, Sérgio Cabral, é compadre do seu dono e, até bem pouco, administrador, Fernando Cavendish. O que fez girar a maçaneta foi a descoberta do Ministério Público de Goiás de que o então homem forte da empresa no Centro-Oeste, Cláudio Abreu - que formava com Cachoeira e o senador Demóstenes Torres o triângulo de traficâncias traçado pelas escutas da Polícia Federal -, tinha procuração para movimentar uma dezena de contas da matriz, no Rio de Janeiro. De uma delas saíram R$ 39 milhões para firmas fictícias usadas pela organização de Cachoeira.

O passo seguinte da CPMI rumo à sobrevivência foi a decisão de ouvir o governador goiano, Marconi Perillo. Foi para destruí-lo que o ex-presidente Lula incentivou a abertura do inquérito. Em 2005, quando rebentou o escândalo do mensalão, o político tucano tornou público que já o tinha advertido para os rumores da compra de votos na Câmara orquestrada pelo PT. A revelação derrubou a alegação de Lula de que desconhecia a enormidade. De todo modo, não faltavam evidências da proximidade de Perillo com o bicheiro. O seu nome foi citado 237 vezes em conversas profanas de integrantes do esquema Cachoeira. Por exemplo, com a chefe de gabinete do governador, que lhes transmitia fatos sigilosos.

Sem falar no telefonema de parabéns que ele deu ao contraventor, chamando-o de "liderança", e na nebulosa história da casa de Perillo comprada por Cachoeira com dinheiro da Delta. No entanto, a necessária convocação do governador, aprovada anteontem por unanimidade, resultou de um arranjo. Para obter o assentimento da minoria oposicionista do colegiado, o PT teve de aceitar a inclusão na pauta de deliberações da oitiva do companheiro Agnelo Queiroz, titular do governo do Distrito Federal. Ele foi citado em 58 telefonemas grampeados e o seu então chefe de gabinete foi acusado de receber propina para favorecer a Delta em contratos com a administração.

Leia na íntegra em Comissão de interesses

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 01 / 06 / 2012

Folha de São Paulo
"Tombo da indústria atrasa retomada da economia brasileira" 

Fraco resultado no ano é puxado pela queda na produção de veículos, que pode voltar a crescer; governo prevê PIB ruim

A indústria brasileira teve em abril o seu oitavo resultado negativo consecutivo. A produção caiu 2,9% em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo o IBGE. O fraco desempenho dos bens duráveis (veículos, eletrodomésticos), cuja fabricação caiu 10,3% de janeiro a abril, levou a indústria como um todo a acumular queda de 2,8% no período.

O Estado de São Paulo
"Assessor diz que recebeu de Cachoeira por serviço a Perillo" 

Jornalista que trabalhou para o tucano afirma não temer represálias: ‘Ele quer salvar o mandato à custa da minha moral’

Responsável pela propaganda eleitoral de Marconi Perillo (PSDB) no rádio em 2010, o jornalista Luiz Carlos Bordoni afirma que uma empresa do contraventor Carlinhos Cachoeira foi usada para pagar seus serviços para a campanha do governador goiano. Perillo nega a informação. Segundo Bordoni, porém, o pagamento, feito pela Alberto e Pantoja, empresa fantasma que segundo a Polícia Federal era controlada por Cachoeira, foi comandado por Lúcio Fiúza Gouthier, assessor especial de Perillo. O depósito foi efetuado na conta da filha de Bordoni, Bruna, e consta dos autos da Operação Monte Carlo. O jornalista afirmou que resolveu contar a história porque o nome de sua filha foi citado no depoimento do senador Demóstenes Torres ao Conselho de Ética. Bordoni disse que não teme represálias: “O pessoal está me falando ‘o governador vai te triturar’. Vai me triturar por quê? Ele quer salvar o mandato dele à custa da minha moral?”.

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quinta-feira, maio 31, 2012

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Opinião

Para o bem do Supremo

O Estado de S.Paulo
Até a divulgação do que teria sido a conversa entre o ex-presidente Lula e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), intermediada pelo seu ex-colega Nelson Jobim, havia só uma - e crucial - razão para desejar que finalmente começasse o julgamento dos envolvidos no escândalo do mensalão. Nada menos que cinco anos se passaram desde que a Corte acolheu a denúncia do então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, contra os cabeças, os operadores e beneficiários da compra do apoio de deputados ao governo Lula - e o risco de prescrição das penas a que viessem a ser condenados os 36 réus do processo evidentemente aumenta na razão direta da passagem do tempo. Sem falar que este ano se aposentam dois membros do Supremo e a escolha de seus substitutos pela presidente Dilma Rousseff se daria à sombra das especulações sobre os seus votos na hora do veredicto sobre os mensaleiros.

No entanto, desde o último fim de semana, quando Mendes apareceu na revista Veja acusando Lula de pressioná-lo no citado encontro para adiar o julgamento e de indicar que, em troca, impediria que a CPI do Cachoeira respingasse nele, pelo que seriam as suas relações com o senador Demóstenes Torres, parceiro do contraventor, dois outros motivos vieram a se agregar ao imperativo inicial de se levar o processo ao seu desfecho, com a presteza possível. O primeiro é óbvio: se o STF deixar de incluir o mensalão na sua agenda para os próximos meses, ainda que seja por alguma razão absolutamente legítima em matéria de procedimentos, será impossível remover da opinião pública a impressão desabonadora de que a Corte se curvou aos desejos do ex-presidente, tão cruamente manifestados, de acordo com o que saiu na revista. O segundo motivo para o Supremo Tribunal apressar os trâmites do caso - sem prejuízo do devido processo legal - também se relaciona com a preservação de sua integridade.

Com efeito, o STF não ficou imune à (tardia) iniciativa de Mendes de trazer a público o que teriam sido "as insinuações despropositadas" de Lula, nem ao torvelinho político levantado por suas afirmações, nem, principalmente, à destemperada entrevista convocada pelo magistrado, anteontem, numa dependência do tribunal. Tanto faz se as instituições fazem os homens ou se estes fazem as instituições, como os pensadores do poder discutem há uma eternidade. O fato é que, já não bastasse um ex-titular da Corte (e ex-colaborador de Lula) produzir relatos desencontrados sobre o que se passou no seu escritório e sobre por que se dispôs a abri-lo aos seus especiais convidados naqueles idos de abril; não bastasse o ministro do STF ter permanecido ali depois de ouvir as enormidades que diz ter ouvido; não bastasse Lula sugerir agora que ele mentiu, eis que, envergando a toga, Mendes o acusou de ser o irradiador de boatos construídos por "gângsteres, chantagistas, bandidos" para "melar" o julgamento do mensalão.

Leia na íntegra em Para o bem do Supremo

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 31 / 05 / 2012

Folha de São Paulo
"BC corta juros para o nível mais baixo da história" 

Redução de 0,5 ponto faz a Selic ser a menor desde a sua criação, em 1986

O Banco Central reduziu ontem a taxa básica de juros da economia de 9% para 8,5% ao ano — o mais baixo percentual desde a criação da Selic, em 1986. Na primeira divulgação detalhada de como votou cada um dos sete membros do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), a decisão foi tomada por unanimidade.

O Estado de São Paulo
"CPI decide convocar Perillo e Agnelo, mas poupa Cabral" 

Governadores tucano e petista terão de depor sobre Cachoeira; já o peemedebista não terá de explicar relação com Delta

A CPI do Cachoeira aprovou a convocação dos governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). Com a ajuda dos tucanos, a comissão decidiu não chamar o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), para explicar sua relação com o principal acionista da empreiteira Delta, Fernando Cavendish. No caso do petista, a insatisfação da base com o Planalto, por causa da demora na liberação de emendas e no preenchimento de cargos no governo, foi decisiva para sua convocação. O PMDB também está insatisfeito com o governo, mas decidiu acompanhar o PT, que votou contra a ida de Agnelo, em troca do apoio à não convocação de Cabral. Sobre a quebra de sigilo da Delta, o governador disse: “Por que eu temeria?”.

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quarta-feira, maio 30, 2012

Aviação

Amelia Earhart e seu Lockheed Electra acima da ponte Golden Gate, 17 mar 1937

Colunistas

Homofobia

Luiza Eluf
É inaceitável que alguns seres humanos sejam tão intolerantes e autocentrados a ponto de querer impor a todos, em uma sociedade de milhões de pessoas, uma forma única e padronizada de exercer a sexualidade.

O sexo é um sentimento variável, imprevisível, inesperado, espontâneo. Cada um age de uma forma, cada pessoa nasce com determinada tendência, os hormônios não são os iguais em todas as pessoas. Assim, existem variações de comportamento, já estudadas pelo norteamericano Alfred Charles Kinsey na década de 1950 que, com suas pesquisas, estabeleceu as seguintes categorias de manifestações sexuais em seres humanos: heterossexual exclusivo; heterossexual ocasionalmente homossexual; heterossexual mais do que ocasionalmente homossexual (também chamado bissexual);homossexual mais do que ocasionalmente heterossexual; homossexual ocasionalmente heterossexuaL; homossexual exclusivo, indiferente sexualmente. O relatório Kinsey foi um marco na compreensão da sexualidade, não apenas humana, mas na constatação de que em mais de 200 espécies de mamíferos, aves, répteis,anfíbios, peixes e insetos existe a homossexualidade. Esses estudos serviram para retirar a homossexualidade da lista de doenças da Organização das Nações Unidas – ONU.

Desta forma, não há como insistir no conceito de “normalidade” sexual apenas em relação à heterossexualidade, pois as demais manifestações deixaram de ser percebidas como anômalas. Injustificável, portanto, que certas pessoas se arvorem no direito de agredir, machucar e até matar por ódio ao comportamento sexual alheio. O que duas (ou mais) pessoas fazem entre quatro paredes não prejudica terceiros. A interferência na intimidade alheia é vedada pela Constituição Federal, que protege a privacidade, a honra e o sigilo das comunicações.

No entanto, apesar de todas as garantias cidadãs,os preconceitos proliferam e se manifestam das mais variadas formas. A intolerância à homossexualidade tem levado ao homicídio de gays assumidos, além de numerosas outras formas de agressão física, psicológica ou moral que não chegam ao assassinato mas são igualmente inadmissíveis. Para agravar a situação, há pregações desastrosas no sentido de que a homossexualidade seria uma doença passível de tratamento,ou uma aberração a ser exterminada. E não se vê a ação do Estado para coibir , de forma eficiente, esse tipo de manifestação incompatível com nossa democracia.

Por essa razão, a Comissão de Reforma do Código Penal, nomeada pelo Senado, em sua proposta aprovada internamente no dia 09 de março de 2012, incluiu como agravante do homicídio o assassinato de pessoas por intolerância quanto à orientação sexual ou identidade de gênero. Na mesma agravante incluem-se os crimes praticados por preconceito de outras naturezas como raça, gênero,etnia,condição de vulnerabilidade social, religião, origem etc. São os chamados crimes de intolerância , crimes de ódio contra parcelas imensas da população.

Mas nossas preocupações não podem se encerrar na modificação da Lei. Mais importante do que punir um malfeitor é impedir que ele realize seus impulsos destruidores. E a única forma de prevenir os crimes de ódio é modificando a cultura patriarcal intolerante, reprovando-se socialmente as formas preconceituosas de tratar os outros e ensinando-se o respeito aos direitos humanos e da cidadania.

Luiza Nagib Eluf é Procuradora de Justiça  Criminal de São Paulo e membro da Comissão de Reforma do Código Penal do Senado. É autora de vários livros, dentre os quais “A paixão no banco dos réus” e “Matar ou morrer – o caso Euclides da Cunha”. Foi Secretária Nacional dos Direitos da Cidadania e Subprefeita da Lapa, em São Paulo.

Para saber mais sobre a Luiza acesse: www.luizaeluf.com.br

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Opinião

As atrocidades de Assad

O Estado de S.Paulo
Desde a repressão aos primeiros protestos populares contra o regime do ditador sírio Bashar Assad, há 15 meses, cada massacre de civis é recebido no Ocidente com ardentes palavras de condenação e a infundada expectativa de que o autocrata de Damasco chegou ao limite de sua ferocidade. Nesse meio tempo, os Estados Unidos e a União Europeia também impuseram diversas rodadas de sanções à Síria - sem resultados palpáveis. Além disso, por iniciativa da Liga Árabe, a ONU aprovou em março último um plano de seis pontos para sustar a violência no país, enviou cerca de 300 observadores internacionais para monitorar o cessar-fogo que deveria começar em 12 de abril e nomeou o autor do plano, o ex-secretário-geral do organismo Kofi Annan, seu mediador oficial.

O efeito da iniciativa é zero. Na sexta-feira passada, três dias antes de um agendado encontro entre o diplomata e o ditador, o Exército respondeu com artilharia pesada a uma manifestação de moradores de um lugarejo chamado Taldou, vizinho a Houla, na província de Hama, no oeste do país. A maioria dos habitantes da área é sunita, com bolsões de seguidores da seita alauíta, a mesma do clã Assad. O ataque, praticamente nas barbas dos enviados da ONU, deixou 108 mortos, entre os quais 49 crianças e 34 mulheres. Mas, diferentemente do que se presumiu, não foram os tanques os principais responsáveis pelo ultraje. Uma investigação in loco, respaldada por entidades sírias de defesa dos direitos humanos e depoimentos de testemunhas, revelou um quadro de horror reminiscente das piores atrocidades cometidas pelas forças sérvias na Bósnia, há 20 anos.

Trazidos das proximidades, os shabihas, as selvagens milícias leais a Assad, perpetraram um pogrom em Taldou. Indo de casa em casa, executaram famílias inteiras com tiros à queima-roupa e punhaladas, numa operação em duas etapas, que durou cerca de nove horas. Taldou abriga famílias de numerosos membros do rebelde Exército Livre da Síria. Ontem, em Genebra, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos informou que menos de 20 das 108 vítimas foram mortas por disparos de artilharia. Com macabro cinismo, as autoridades de Damasco disseram que isso provava que os assassinos eram "terroristas", ou militantes da Al-Qaeda, a soldo de inimigos da Síria. É a versão a que a ditadura se aferra: o país é vítima de uma ofensiva de fundamentalistas islâmicos, e o que o governo faz é exercer o seu legítimo direito à autodefesa.

Leia na íntegra em As atrocidades de Assad

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 30 / 05 / 2012

Folha de São Paulo
"Meta de Lula é melar o julgamento, diz Mendes" 

Para ministro do STF, ex-presidente faz intrigas para adiar decisão do mensalão

O ministro do STF Gilmar Mendes afirmou que Lula fomentou intrigas contra ele para constranger o tribunal e tentar “melar” o julgamento dos réus do mensalão, previsto para este ano. Segundo Mendes, o ex-presidente agiu como “central de divulgação” de informações sobre sua ligação com o senador Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira, acusado de corrupção.

O Estado de São Paulo
"Lula ajuda ‘bandidos’ que querem ‘melar’ mensalão, diz Gilmar" 

Ministro do STF se considera alvo de boatos que, segundo ele, o petista espalha

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, disse que o ex-presidente Lula está dando vazão a boatos criados para abafar o julgamento do mensalão. Gilmar acusou “gângsteres”, “bandidos” e “chantagistas” de tentar “melar” o processo ao disseminar informações segundo as quais ele teria recebido favores do contraventor Carlinhos Cachoeira. As declarações foram dadas um dia depois de Lula se dizer “indignado” com a acusação de Gilmar de que ele o teria pressionado a adiar o julgamento do mensalão. Em entrevista ao repórter Fausto Macedo, o ministro acusou Paulo Lacerda, ex-diretor da Polícia Federal, de divulgar as “fantasias” a seu respeito.

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terça-feira, maio 29, 2012

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Opinião

Suprema indecência

O Estado de S.Paulo
Ainda que se compre pelo valor de face a inverossímil alegação do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim, de que promoveu o encontro do ministro e ex-presidente da Corte Gilmar Mendes com o ex-presidente Lula, a pedido deste, porque "gostava muito dele e o ministro sempre o havia tratado muito bem", o acatamento da solicitação foi um grave lapso moral. O seu ex-chefe (Jobim foi ministro da Defesa entre 2007 e 2011) que encontrasse outra via para transmitir a tardia gratidão ao magistrado.

Gilmar, por sua vez, errou ao aceitar a reunião. Ministros da Suprema Corte, tendo numerosos compromissos derivados de sua condição, não raro se encontram com outras autoridades, políticos, empresários e figurões em geral. Nada haveria de repreensível se, numa dessas ocasiões, Lula o abordasse para lhe dizer o que, segundo Jobim, teria querido dizer. Mas se então ouvisse do ex-presidente as palavras que lhe foram atribuídas pela revista Veja na reunião de 26 de abril no escritório de Jobim, teria de se retirar imediatamente.

Afinal, mesmo que o seu ex-colega não lhe tivesse adiantado o assunto sobre o qual Lula queria conversar, o ministro tinha tudo para adivinhar que se trataria do julgamento do mensalão, previsto para começar em agosto. Em qualquer país, raros são os que recusam convites para um tête-à-tête com um ex-chefe de Estado. Mas, por todos os motivos concebíveis, Mendes deveria ter sido uma daquelas exceções. Depois, tendo sido como foi noticiado o diálogo entre eles, não se entende por que o ministro levou tanto tempo para fazer chegar a história à imprensa.

Se ficou perplexo "com o comportamento e as insinuações despropositadas" de Lula, como afirma, deveria dar-lhes sem demora a merecida resposta pública. Bastaria a enormidade do acontecido. Se o escândalo do mensalão não tem precedentes, tampouco se tem notícia de um ex-presidente da República procurar um membro do Supremo Tribunal para dizer-lhe que considera "inconveniente" o julgamento próximo de uma ação que o alcança politicamente. A inoportunidade - teria alegado Lula - viria da coincidência com a campanha para as eleições municipais deste ano.

Não podendo remeter às calendas o julgamento de um processo aberto há sete anos contra a cúpula do PT, além de outros companheiros e seus sócios na "organização criminosa" de que fala a denúncia do Ministério Público, Lula quer empurrar o desfecho para depois da aposentadoria de dois ministros, o atual presidente Carlos Ayres Britto e Cezar Peluso, que tenderiam a votar pela condenação dos réus mais notórios. Tivesse Lula ficado nisso, já teria superado as próprias façanhas em matéria de indecências políticas.

Mas, além disso, ele não só teria ofendido o relator Joaquim Barbosa, chamando-o de "complexado"; teria avisado que incumbiria o ex-ministro Sepúlveda Pertence de "cuidar" da ministra Carmem Lúcia para que ajude no adiamento; e contado que pediu ao ministro José Dias Toffoli que não se declarasse impedido por ter sido assessor jurídico da Casa Civil, ao tempo de José Dirceu; como praticamente chantageou o interlocutor, ao oferecer-lhe proteção na CPI do Cachoeira, que teria se gabado de controlar. Proteção, no caso, contra alguma tentativa de convocá-lo a explicar as suas relações com o senador Demóstenes Torres, parceiro do contraventor.

Leia na íntegra em Suprema indecência

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Manchetes do dia

Terça-feira, 29 / 05 / 2012

Folha de São Paulo
"Lula rebate Mendes, que reafirma pressão no STF" 

Ex-presidente se diz indignado, e ministro declara que percebeu 'insinuação'

O ex-presidente Lula contestou a versão do ministro do Supremo Gilmar Mendes de que ele tentou pressionar pelo adiamento do julgamento do mensalão. O petista se disse indignado — Mendes, porém, reafirmou a tentativa de interferência. A assessoria de Lula admitiu ter havido a reunião no escritório de Nelson Jobim, mas disse que o relato de Mendes é inverídico. Segundo o ministro, o petista citou várias vezes o assunto da CPI. "Percebi que havia um tipo de insinuação."

O Estado de São Paulo
"Oposição pede investigação e Lula diz estar ‘indignado’" 

Ex-presidente é acusado de propor acordo a Gilmar Mendes para adiar julgamento do mensalão

A oposição pediu ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, providências para investigar o ex-presidente Lula, acusado de oferecer blindagem na CPI do Cachoeira ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, em troca de acordo para adiar o julgamento do mensalão. Em nota, Lula se disse “indignado” com as acusações de Gilmar Mendes. Em representação criminal, líderes de PSDB, DEM, PPS e PSOL sustentam haver indícios de que o petista praticou corrupção ativa, tráfico de influência e coação no curso de processo judicial, nacional.

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segunda-feira, maio 28, 2012

Faça-se a luz. E a luz se fez...


Eleições 2012

Cenários possíveis (I)

Sidney Borges
Que tal Dr. Ricardo Cortes fazendo dobradinha com Romerson (Mico) de Oliveira? Pensou nisso? Não? Pois leve em conta, há fortes indícios de que pode acontecer. Com a benção de Deus!

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Opinião

Eletricidade mais barata?

O Estado de S.Paulo
A presidente Dilma Rousseff foi incisiva quanto à intenção de seu governo de baixar os custos de eletricidade, visando a dar mais competitividade à produção brasileira. Como a presidente declarou há duas semanas, o País tributa insumos fundamentais para o seu desenvolvimento, o que não pode mais continuar, ressaltando que a opção do governo é atacar o problema com medidas pontuais, de preferência a uma reforma tributária ampla. Em face de problemas tão prementes, disse a presidente, "nós resolvemos atuar de forma específica em algumas áreas" e chegou a vez da redução da taxação sobre energia elétrica - embora a presidente não tenha explicitado como e quando isso será feito. Otimistas quanto à questão, os empresários esperam que as medidas sejam tomadas no início do segundo semestre deste ano, mesmo porque as empresas geradoras cujas concessões vão vencer em 2015 têm contratos de venda de eletricidade até 2013 e, assim, novos leilões de concessões deveriam ser realizados, segundo a lei, até o fim do ano anterior, ou seja, até dezembro deste ano.

Como apurou a reportagem do Estado, o governo pretende cortar parte dos encargos setoriais sobre as contas de luz, que proporcionaram uma receita de R$ 18,46 bilhões em 2011. Entre tais encargos está a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), com uma receita de R$ 5,89 bilhões, destinada a subsidiar a geração de energia térmica, que é mais cara, na Região Norte. Este, porém, é um problema em vias de superação com a construção de hidrelétricas na região, estando prevista para 2013 a interligação de grandes centros consumidores, como Manaus, ao Sistema Interligado Nacional.

Há outros penduricalhos que produzem receitas superiores às necessidades reais. Um bom exemplo é a Taxa de Fiscalização de Serviços de Energia Elétrica (TFSEE), cuja finalidade é custear o funcionamento da Aneel. No ano passado, o total arrecadado por esse encargo foi de R$ 468 milhões, mas a agência reguladora foi autorizada a utilizar apenas R$ 194 milhões. Sobraram R$ 274 milhões, retidos ao Tesouro Nacional. Já a Reserva Global de Reversão (RGR), criada em 1957, é uma verdadeira relíquia, criada para compensar as empresas no caso de retomada das concessões pelo governo, o que não condiz, em absoluto, com a política há anos adotada para o setor. Parte dos recursos da RGR foi utilizada para financiamento do programa Luz para Todos, que já estaria muito próximo de cumprir a meta para a qual foi criado.

Há ainda o PIS/Pasep/Cofins, que absorve 9% da conta de luz e o ICMS, cobrado pelos Estados, a alíquotas variáveis, mas sempre de 25% para cima. A soma desses tributos representa 32% da tarifa final, que, somados aos 18% dos encargos e taxas, significa que metade do valor da conta vai para os cofres dos governos, o que não encontra paralelo em país desenvolvido algum do mundo.

Leia na íntegra em Eletricidade mais barata?

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 28 / 05 / 2012

Folha de São Paulo
"STF votará regra que veta pagamento extra a juízes" 

Se aprovada, proposta trará economia, principalmente aos cofres estaduais

O Supremo vai votar regra que pode impedir pagamentos a juízes de benefícios extras que não constam na Lei da Magistratura. Se aprovada, a proposta do ministro Gilmar Mendes trará grande economia aos Estados. Só em São Paulo, onde o Tribunal de Justiça instituiu neste ano o benefício do auxílio alimentação, retroativo a 2006, a proibição poderá evitar reembolsos extraordinários a magistrados de mais de R$ 100 milhões.

O Estado de São Paulo
"Governo vai simplificar tributos e pode subir alíquota" 

Proposta prevê a unificação das contribuições PIS e Cofins e deve ser feita por meio de medida provisória

O governo prepara uma reforma em dois dos mais complicados tributos cobrados no País: as contribuições para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e para o Programa de Integração Social (PIS). Na sexta-feira, a proposta foi levada à presidente Dilma Rousseff pelos secretários Nelson Barbosa (executivo da Fazenda) e Carlos Alberto Barreto (Receita Federal), numa conversa da qual participou também o empresário Jorge Gerdau. O plano prevê a unificação da Cofins e do PIS, dando origem a uma única contribuição, com modelo mais simples de cobrança. Com a mudança, o governo pode perder receita e, por isso, estuda elevar a alíquota do tributo. A alteração na legislação exige apenas uma lei ordinária e pode ser feita por meio de medida provisória.

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domingo, maio 27, 2012

Tempestade!


Colunistas

Occupy 3: quebrando o mundo

"As massas de jovens e velhos precarizados do Occupy são o atestado de derrota da geração pós-neo-conservadora, pró-establishment e anti-tudo"

Márcia Denser
Estou fechando minha coluna hoje, quarta, 23 de maio, aliás, dia do meu nat, aproveitando para agradecer coletivamente, de todo o coração, às dezenas de cumprimentos, lembranças e manifestações de afeto recebidas de amigos das redes Facebook, Likedin, etc.,  aproveitando para tornar à pauta do Occupy (ensaio publicado recentemente pela Boitempo), os movimentos de protesto que tomaram as ruas do planeta.

Chamou especialmente minha atenção um trecho do artigo do crítico Vladimir Safatle, da USP, onde, a propósito, ele fala do tempo e da questão geracional, com o título "A geração que quebrou o mundo". Diz ele: “Hoje, nem acredito, estou chegando aos quarenta anos. Lembro que na idade de vocês, dezoito, dezenove, vinte anos, costumava ouvir que não havia mais luta política a ser feita, que o mundo estava globalizado e o que valia era a eficácia, a capacidade de assumir riscos, de ser criativo, inovador, de preferência em alguma agência de publicidade ou departamento de marketing”.

Segundo Vladimir, se assumissem essa "nova realidade", as pessoas entrariam num futuro radiante onde só haveriam vencedores e raves, onde os que ficassem para trás teriam um problema moral, pelo fato de não assumir riscos e a necessidade de inovação, etc. Então, penso ironicamente, de fato, realizar o "socialismo para os ricos", salvando bancos, etc., realmente SERIA um tarefa e tanto!

As pessoas que acreditaram em tal discurso há vinte anos – e que hoje estão em torno dos quarenta – foram trabalhar no sistema financeiro e conseguiram criar uma crise maior que a de 1929, da qual ninguém sabe sair. Ou seja, admite Safatle, eles simplesmente conseguiram quebrar o mundo! Para essa geração, não era possível que o futuro fosse diferente do presente. Ela não acreditava, em nenhuma hipótese, na capacidade de transformação da participação popular, considerando isso chavão ideológico ridículo.

Diz ele: Como assim participação popular? Isso não existe mais! Manifestações? Isso não existe (num mundo globalizado para cima)! Vocês não deveriam existir! Por isso, essa geração é a primeira a dizer que vocês não sabem o que fazem, são uns sonhadores, que, no máximo, só podem aparecer como fundo em comerciais de jeans! Pois, se vocês mostrarem que a força crítica do pensamento é capaz de reconstruir nossas relações sociais, então eles se perguntarão: o que fizemos esse tempo todo? Como fomos capazes de acreditar em algo que agora desmorona?

As massas de jovens e velhos precarizados do Occupy são o atestado de derrota dessa geração pós-neo-conservadora, pró-establishment e anti-tudo.

Por que a crise econômica ficou desse tamanho? E mais: como foi possível que se praticasse este verdadeiro genocídio econômico? Os mesmos bancos que, há três anos, estavam quebrados, hoje estão superavitários. Graças ao dinheiro do Estado. Assim, que sistema político é esse que é incapaz de colocar contra a parede quem destrói a vida, o direito ao trabalho, à saúde, à educação e a propriedade das famílias?

Perto do que se fez hoje em termos de desapropriações – a expulsão das famílias de suas casas em razão de hipotecas impagáveis –, a turma de Lenin em 1917 foi piquenique de freiras! Como bem lembrou Slavoj Zizek, alguém devia ter colocado essa turma para trabalhar durante a Revolução Russa!

Mas voltando ao Occupy: ele é um primeiro passo, mas este grande movimento está apenas começando e tais processos são lentos. Lembrando Freud: "A razão pode falar baixo, mas não se cala".

Aqui uno minhas idéias às de Safatle: realmente, não dá mais para confiar em partidos, sindicatos, estruturas governamentais que não podem funcionar como instrumentos de rupturas radicais, como é precisamente o caso. Vladimir lembra que na Grécia governa um partido social-democrata, o Pasok, de esquerda; na Espanha, um clássico partido pseudo-esquerdista, o PSOE – Partido Socialista Operário Espanhol, e isto para não falar nas estruturas políticas norte-americanas, nacionais, etc.etc.etc: ora, com uma esquerda como esta, quem precisa de direita? Todos jogam no mesmo time. E isto significa que a época em que as pessoas se mobilizavam em torno de siglas e partidos acabou radicalmente.

E o que vem por aí, só o futuro dirá, contudo o movimento Occupy já acena com algumas respostas. E os ricos do planeta – aqueles mesmos pertencentes à geração que quebrou o mundo – não vão gostar de ouvi-las.

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

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Folhas


Eleições 2012

Manhã ensolarada de domingo

Sidney Borges
Estou pensando nos pré-candidatos a vereador do DEM de Ubatuba. Estava tudo combinado, pintura de muros, santinhos, faixas, enfim, aquelas coisas que viabilizam candidatos sem recursos. Estava tudo combinado com "Dom Dudu".

Aí veio a tempestade! (Elvis IV, versículo XVI).

O DEM não gostou de ver um prefeito filiado ao DEM apoiar um candidato de outro partido e trocou o manda-chuva.

E agora José?

Será que os pré-candidatos vão jurar fé em outro senhor? Será que o recém empossado presidente do DEM vai manter o time, honrando o compromisso do partido com os pré-candidatos em troca de apoio? Como será que vão reagir os eleitores ao ver um candidato que até ontem era Emilinha mudar para o fã clube de Marlene sem dar explicações e sem ficar vermelho.

Acuma?

E agora a pergunta que paira sobre a cabeça do povo: de onde vai sair o dinheiro?

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Opinião

TCU aponta falhas no governo Dilma

O Estado de S.Paulo
Talvez pareça um jogo de palavras a recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) a diferentes órgãos do governo de que, nos programas considerados essenciais pela presidente Dilma Rousseff, "adotem as medidas que se fizerem necessárias para que sejam efetivamente priorizadas as execuções das ações definidas como prioritárias no Plano Plurianual 2012/2015". A recomendação, no entanto, resume uma das características das administrações do PT que, pela persistência, se transformou em sua marca: a enorme distância entre o discurso e a ação, entre o plano e sua execução. Fala-se muito, mas faz-se pouco.

A recomendação de tornar prioritário o que se anuncia como prioridade é apenas uma das 40 feitas pelo TCU, que também fez 25 ressalvas, no relatório sobre as contas do primeiro ano do governo Dilma. O documento que foi enviado na quarta-feira (23/5) ao Congresso, que certamente aprovará as contas do Executivo, contém, como se lê em seu sumário, "elementos técnicos e informações essenciais para compreensão e avaliação do Executivo na condução dos negócios do Estado". É, por isso, subsídio importante para a sociedade analisar e julgar o desempenho do governo.

Embora tenha recomendado ao Congresso a aprovação das contas, o relatório emprega expressões como "anômalo", "desobediente", "incipiente" para se referir a partes das demonstrações econômico-financeiras encaminhadas pelo Executivo.

Algumas das falhas mais notórias da gestão Dilma, boa parte apontada também na gestão anterior do PT, estão resumidas no relatório. Do ponto de vista financeiro, por exemplo, o documento aponta a necessidade de melhoria do gasto público, caracterizado por problemas no planejamento e monitoramento das ações do governo, deficiente execução financeira de ações consideradas prioritárias e uso exagerado de restos a pagar - ou seja, despesas empenhadas, mas não pagas até 31 de dezembro e que, por isso, são transferidas para exercícios posteriores -, que dificulta a avaliação da execução orçamentária. Resumidamente, há falhas no planejamento das ações, no seu acompanhamento e na sua liquidação financeira.

Na área de infraestrutura, entre outros pontos que mereceram ressalva, o TCU destaca os riscos decorrentes do atraso do governo na definição das regras que serão aplicadas às concessões do setor elétrico cujos contratos vencerão a partir de 2015. Esses contratos representam 18% de toda a geração de energia elétrica no País e 84% da rede de transmissão e envolvem 37 das 63 distribuidoras existentes.

Das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - cujos investimentos passaram dos R$ 504 bilhões iniciais (período 2007-2010) para R$ 1,4 trilhão até 2021 -, o relatório adverte para os atrasos na execução de obras consideradas estruturantes, o que pode comprometer a aplicação dos investimentos previstos e retardar seus efeitos sobre o crescimento da economia. O documento lembra que o término de algumas obras, como da Hidrelétrica de Belo Monte, por exemplo, antes previsto para 2014, já foi adiado para 2019 - e, poderíamos acrescentar, não há certeza de que o novo prazo seja cumprido. Em média, com os sucessivos repactuamentos, as obras do PAC têm atraso médio de 437 dias.

Leia na íntegra em TCU aponta falhas no governo Dilma

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Manchetes do dia

Domingo, 27 / 05 / 2012

Folha de São Paulo
"Mantega dá um mês para banco privado cortar juros" 

Ministro da Fazenda afirmou que vai cobrar que taxas mais altas fiquem de 30% a 40% menores

O ministro Guido Mantega (Fazenda) deu um mês para os bancos privados reduzirem as taxas de juros mais altas em 30% a 40%. “Vou cobrar”, disse a Fernando Rodrigues e Valdo Cruz. Mantega afirmou que haverá fiscalização para evitar que as instituições financeiras compensem os juros menores aumentando as tarifas cobradas pelos serviços prestados aos clientes. 

O Estado de São Paulo
"Mais de 14 milhões de famílias no País estão superendividadas" 

A maior parte dos que comprometem mais de 30% da renda com dívidas está nas classes baixas, diz estudo

Quase um quarto das famílias se endividou mais do que deveria e foi obrigado a reduzir o padrão de vida ou a ficar inadimplente. Um estudo com base em dados do IBGE mostra que 14,1 milhões de famílias comprometeram mais de 30% da renda mensal com dívidas. Essa marca ultrapassa o limite saudável para o endividamento, pois 70% do orçamento vai para despesas básicas, como comida, habitação ou saúde. A maior parte dessas famílias superendividadas está na fatia menos favorecidas da população: 5,8 milhões na classe C e 6,6 milhões nas classes D e E. Na média, no entanto, o brasileiro comprometeu 26,2% da renda mensal com dívidas, mostra o estudo.

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