sábado, maio 26, 2012

Pitacos do Zé


Sempre é tempo

José Ronaldo dos Santos
Tio Nestor, de todos, o “Totô”, era quem cortava os nossos cabelos nos primeiros anos de vida, na praia do Sapê. A sua casa era entre árvores que a gente adorava, principalmente bacuparizeiros e laranjeiras. Ele era muito paciente e amoroso; nos agradava sempre com guloseimas. Conversava sobre qualquer assunto e vivia repetindo que “sempre é tempo de aprender”.

Hoje, pensando no espírito do “Totô”, que sempre nos ensinava alguma coisa, acordei pensando na biodiversidade. Afinal, não passa um dia sem que a gente não escute essa palavra na televisão, sobretudo agora em época de acontecer um encontro importante em relação ao meio ambiente. Apelei ao Antônio Carlos Diegues, um caiçara de Iguape, para ir mais além do tema e chegar até a etnobiodiversidade. A ajuda vem de seu livro A etnoconservação da natureza.
    
“Para a ciência moderna, a biodiversidade pode ser definida como a variabilidade entre seres vivos de todas as origens [...] É uma característica do mundo chamado natural, produzida exclusivamente por este e analisada segundo as categorias classificatórias propostas pelas ciências ou disciplinas científicas, como a botânica, genética, a biologia etc.
    
As populações tradicionais não só convivem com a diversidade, mas nomeiam e classificam as espécies vivas segundo suas próprias categorias e nomes. Uma importante diferença, no entanto, é que essa natureza diversa não é vista como necessariamente como selvagem em sua totalidade; ela foi, e é, domesticada, manipulada. Uma outra diferença é que essa da vida não é vista como ‘recurso natural’, mas sim como um conjunto de seres vivos  que tem um valor de uso e um valor simbólico, integrados numa complexa cosmologia.
    
Nesse sentido, pode-se falar numa etnobiodiversidade, isto é, a riqueza da natureza da qual participam os humanos, nomeando-a, classificando-a, domesticando-a, mas de nenhuma maneira nomeando-a selvagem e intocada.
    
Pode-se concluir que a diversidade pertence tanto ao domínio do natural e do cultural, mas é a cultura como conhecimento que permite que as populações tradicionais possam entendê-la, representá-la mentalmente, manuseá-la e, frequentemente, enriquecê-la, como se viu anteriormente.
    
Nesse sentido, os seres vivos, em sua diversidade, participam de alguma forma do espaço, se não domesticado, pelo menos identificado ou conhecido. Eles pertencem a um lugar, um território como locus em que se produzem as relações sociais e simbólicas”.
    
Pense nos milhões de migrantes que estão deslocados de seus locais de origem, afoitos pela pura sobrevivência. Quais as contribuições que podem dar aos novos ambientes, onde foram acolhidos? E o que dizer dos caiçaras que agora são dirigidos pelas modas externas, que não fazem nenhuma questão de pensar a respeito do espaço que permitiu essa cultura tão específica?
    
Se voltar para tudo isso é valorizar a etnobiodiversidade.

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Opinião

Só punir não basta

O Estado de S.Paulo
As providências que se esperam das autoridades municipais a respeito das denúncias de graves irregularidades envolvendo um ex-diretor do Departamento de Aprovação de Edificações (Aprov) da Prefeitura de São Paulo não devem se restringir às punições que a conclusão das investigações indicarem como necessárias. É preciso ir mais longe, reformando os processos de aprovação dos empreendimentos a fim de evitar novos casos como esse.

As punições devem ser exemplares, com todo o rigor permitido pela legislação, dada a gravidade dos fatos, que chocaram os paulistanos. As denúncias que estão sendo investigadas no âmbito administrativo e em inquérito civil aberto pelo Ministério Público Estadual (MPE) indicam que o ex-diretor do Aprov Hussain Aref Saab - que assumiu o cargo em 2005 e dele foi afastado no mês passado - adquiriu 106 imóveis naquele período e tem patrimônio estimado em R$ 50 milhões, o que parece claramente incompatível com sua renda mensal de cerca de R$ 20 mil e, portanto, sugere enriquecimento ilícito.

O Aprov decide sobre a concessão de licença para a construção de empreendimentos com mais de 500 m², e Saab teria se valido de seu cargo para amealhar aquele patrimônio. Ele agiria com a ajuda de dois outros funcionários - sua assessora Áurea Peixoto Zapletal e Paulo Roberto Castaldelli, do Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Cades). Daqueles imóveis, um chamou especialmente a atenção da Corregedoria-Geral do Município (CGM), que investiga Saab por corrupção, formação de quadrilha e prevaricação - um apartamento na Rua Coriolano, na Lapa. Apenas um mês depois de comprá-lo, em abril de 2009, Saab concedeu licença para a empresa que o construíra iniciar uma outra obra, na Rua Piemonteses, região da Raposo Tavares.

A CGM e o MPE querem saber se existe relação entre os dois fatos, pois é forte a suspeita de que o ex-diretor do Aprov conseguiu da mesma forma muitos imóveis de construtoras que dependiam de suas decisões para levar avante seus projetos. Em outras palavras, se ele recebia favores para beneficiar empresas, apressando os trâmites burocráticos ou removendo dificuldades criadas justamente para disso tirar vantagens. Segundo a denúncia anônima enviada à Prefeitura, que desencadeou as investigações, Saab apressaria a aprovação de empreendimentos mediante pagamento de propina em dinheiro ou em imóveis. Dessa maneira, sérios prejuízos foram causados à cidade, com a permissão de construções em áreas contaminadas e de preservação ambiental, e até em áreas consideradas públicas, apesar de pareceres contrários de órgãos técnicos.

Só a punição dos responsáveis por esses atos não basta, porque, mantidos os mesmos procedimentos e a mesma forma de decisão no Aprov, as condições estarão dadas para quem substituí-los - se ceder à tentação - voltar a fazer a mesma coisa. Para arquitetos ligados a importantes escritórios em sua área, ouvidos pelo jornal Folha de S.Paulo, é preciso acabar com o excesso de burocracia e a falta de transparência nos processos de aprovação dos empreendimentos, o que é terreno fértil para a corrupção.

Leia na íntegra Só punir não basta

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Manchetes do dia

Sábado, 26 / 05 / 2012

Folha de São Paulo
"Ruralistas e verdes atacam vetos ao Código Florestal" 

Mudanças de Dilma na lei ambiental reabrirão a disputa entre produtores rurais e ambientalistas no Congresso

O governo anunciou que a presidente Dilma vetará 12 dos 84 artigos do Código Florestal e enviará ao Congresso uma medida provisória para introduzir outras mudanças, reabrindo a disputa em torno da lei ambiental. O anúncio, que desagradou tanto ambientalistas como ruralistas, elucidou apenas dois dos vetos. O mais polêmico deles retira da lei o que o governo qualificou como anistia ao desmatamento ilegal feito em matas na beira de rios. Dessa forma, ela tentou evitar desgastes às vésperas da cúpula ambiental Rio+20. A presidente buscou um meio termo entre os interesses de produtores rurais e as exigências feitas pelos ambientalistas, mas recebeu críticas de ambos os lados. Os ambientalistas queriam o veto total ao código e reclamam, principalmente, da falta de informações. Já os ruralistas estão descontentes com o alto custo do reflorestamento para os grandes produtores, exigido pelo novo texto.

O Estado de São Paulo
"Dilma muda Código por MP e veta anistia a desmatador" 

Ambientalistas criticam manutenção parcial do projeto; ruralistas veem espaço para negociação

Pressionada por setores da sociedade civil e às vésperas de ser a grande anfitriã da conferência Rio+20, a presidente Dilma Rousseff decidiu vetar 12 pontos do texto do Código Florestal aprovado pela Câmara. Dilma não deu anistia a desmatadores e, via medida provisória, vai estabelecer novas faixas de proteção para as Áreas de Preservação Permanente à beira de rios, que serão proporcionais ao tamanho da propriedade. Serão feitas 32 modificações no texto da Câmara - 14 recuperam o projeto aprovado no Senado. Os ambientalistas, que queriam o veto total, não ficaram satisfeitos. Parta eles, faltou clareza sobre as mudanças que Dilma fará no Código. Já os ruralistas consideram uma vitória que Dilma não tenha vetado tudo e esperam poder negociar o tema quando a medida provisória for votada.

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Desafiando a gravidade


sexta-feira, maio 25, 2012

Eleições 2012

DEM muda de mãos em Ubatuba

Sidney Borges
Ricardo Cortes é o novo presidente do DEM de Ubatuba. Com isso o jogo político embola de vez. Com a nova composição o partido do prefeito terá candidato próprio, por enquanto o único pré-candidato é o recém nomeado, Dr. Ricardo Cortes.

Como é sabido, o prefeito apoia um candidato que não é do seu partido, assim, em Ubatuba, teremos DEM contra DEM. Ubatuba é de fato original. No entanto, dizer que aqui urubus voam de marcha à ré é exagero.

Vamos aguardar desdobramentos, o que podemos adiantar é que a notícia caiu como uma bomba na até então modorrenta pré campanha. Esperamos ter novas informações a qualquer instante.

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Zeppelin


Coluna do Celsinho

Humanidade

Celso de Almeida Jr.
Na meia idade, dizem que os seres humanos tendem ao misticismo.

Não acontece com todos, mas muitos embarcam nesta viagem.

Comigo não foi diferente.

Antes de entrar nos quarenta, tive contato com uma organização espiritualista.

Um dos pilares da entidade - a harmonia no relacionamento humano - foi o que mais me atraiu.

Quando visitei a instituição, na capital paulista, fui muito bem recebido por uma diretora que, com muitas mensagens construtivas, convenceu-me a participar.

Não escapei de uma ajudazinha anual e da compra de alguns livrinhos.

Nada, porém, que estourasse o meu orçamento.

Todo mês, passei a receber, via correios, uma revistinha com belos textos, pregando harmonia...

Certo dia, o convite para estar numa assembleia da instituição coincidiu com a minha presença na pauliceia.

Tratava-se da alteração do estatuto da entidade, antiquíssimo, ajustando-o ao novo código civil.

Pontual, sentei num banco do templo.

Lá na frente, uma mesa contava com o presidente e seus conselheiros.

Estes pediram que algum participante assumisse a condução dos trabalhos, coordenando a discussão para as alterações estatutárias.

Um microfone garantiu a manifestação dos representantes das muitas caravanas de todo o Brasil.

Para minha surpresa, uma nítida disputa de poder foi exaltando os ânimos.

Ingênuo, pedi a palavra.

Disse que os pensamentos que destacavam a valorização da harmonia para garantir um mundo melhor convenceram-me a participar.

Com esta lembrança, pedi que voltássemos à serenidade.

Quanta inocência...

Alguém sugeriu o meu nome para coordenar a assembleia.

Quando vi, por aclamação, fui levado à mesa principal para assumir os trabalhos.

Naquele instante, aquela diretora que meses atrás tão carinhosamente convenceu-me a ingressar, pediu a palavra.

Eu, obviamente, concordei, imaginando que ela colaboraria para acalmar o ambiente.

Quanta imprudência...

Ela simplesmente “desceu a ripa” no presidente da entidade, insinuando o seu envolvimento em negócios fraudulentos.

Imagine, prezado leitor, querida leitora, a minha cara...

A pancadaria foi tão violenta que um dos conselheiros soprou-me no ouvido: “encerre os trabalhos”.

Assim, interrompi o tiroteio, sugerindo uma nova data para a assembleia.

Com a aprovação, encerrei a reunião, dizendo que certamente foi a presidência mais curta que exerci.

Não gerei harmonia, mas garanti boas gargalhadas.

No carro, de volta para Ubatuba, refleti sobre aquela catástrofe.

Quanta distância do magnífico conteúdo pregado para as ações praticadas...

Desinteressei-me pelas questões espirituais.

Elas são maravilhosas e merecem todo o respeito.

Entretanto, não tenho paciência para viver em dois mundos.

Voltei ao planeta, consciente de que alcançar a harmonia exige mais ação e menos teoria.


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Opinião

Anistia aos contas-sujas

O Estado de S.Paulo
No ecossistema do poder, o político é não só o mais antenado e astuto dos seres. É também o mais ligeiro - quando se trata de promover os próprios interesses, bem entendido. Esta semana, a espécie deu uma demonstração antológica de que não perde para ninguém em matéria de autodefesa. Por 294 votos a 14, a Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira um projeto que autoriza o registro das candidaturas dos políticos cujas contas de campanhas anteriores tenham sido rejeitadas pela Justiça Eleitoral.

Passaram-se apenas nove dias úteis entre a apresentação da proposta, de autoria do pepista Roberto Balestra, de Goiás, e a sua aprovação. Dificilmente se encontrará na Casa registro de proeza semelhante. E tem mais: na contramão da praxe legislativa, a votação se deu no mesmo dia da aprovação do pedido de urgência para a tramitação da matéria - que não constava da agenda original da sessão. Todos os partidos, menos um, apoiaram a proposta. A exceção foi o PSOL. Nas outras bancadas, como se vê pelos números, só uns poucos ousaram se opor à lambança.

A decisão a toque de caixa foi uma resposta corporativa ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O colegiado determinou que a reprovação das contas de um candidato "implicará o impedimento de obter a certidão de quitação eleitoral" - exigida para o registro da candidatura. Segundo o tribunal, 21 mil políticos estão nessa situação. A pena é decerto severa, mas não draconiana - ainda mais quando se sabe como são porosas as fronteiras entre a contabilidade eleitoral honesta e as entradas e saídas irrigadas pelo caixa 2 nas duas pontas do percurso.

Além disso, seria um contrassenso cobrar dos candidatos fichas limpas e tolerar as contas sujas. Não menos grave é que, para todos os efeitos, o projeto - a passar ainda pelo Senado - é um salvo-conduto para a esbórnia: se a Justiça Eleitoral rejeita a numeralha apresentada pelos candidatos e nenhuma punição lhes é imposta em consequência, tudo vira um "faz de conta", como diz o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, com assento no TSE. "A Constituição Federal tem o princípio da razoabilidade", raciocina. "Será que é razoável dar a quitação eleitoral mesmo diante da rejeição das contas?"

É fato que em certo número de casos as prestações são rejeitadas por erros formais e não porque resultem de manipulação deliberada. Mas, com o tempo, o risco de exclusão das eleições incentivaria os candidatos honestos a fazer as contas direito e dificultaria a vida daqueles a quem a impunidade acostumou a nadar de braçada em um mar de "recursos não contabilizados". E há que levar em consideração que a resolução do TSE está em perfeita sintonia com o novo clima que aos poucos vai se firmando no País.

Sinal dos tempos, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, um dos articuladores da iniciativa popular apoiada por 1,3 milhão de eleitores que redundou na Lei da Ficha Limpa, conclamou a sociedade a se manifestar contra a "anistia aos políticos que fraudaram suas prestações de contas". O projeto, afirma a entidade, "atenta contra tudo o que deseja a sociedade brasileira, que se encontra mobilizada em favor dos valores da ética e da moral". Registre-se que, nessa atmosfera, houve na Câmara quem quisesse até reforçar o imperativo da aprovação das contas como precondição para futuras disputas nas urnas.

Leia na íntegra Anistia aos contas-sujas

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 25 / 05 / 2012

Folha de São Paulo
"Renda e emprego resistem à freada econômica" 

Força do mercado de trabalho surpreende; segundo IBGE, desemprego em abril é o menor para o mês desde 2002

Apesar do esfriamento da economia no país e do agravamento da crise externa, os brasileiros estão conseguindo conservar o emprego e manter a renda em nível elevado. A taxa de desemprego caiu para 6% em abril, a menor para o mês desde 2002. O rendimento médio real dos trabalhadores sofreu ligeira queda de 0,4% no mês passado, mas ainda está 6,2% acima do de abril de 2011, segundo o IBGE. O vigor do mercado de trabalho ajuda a explicar a elevada popularidade de Dilma.

O Estado de São Paulo
"Na CPI, assessor de Cachoeira complica governador tucano" 

Ex-vereador diz que comprou casa de Perillo com dinheiro de sobrinho de contraventor e Cláudio Abreu

Em depoimento lido à CPI do Cachoeira, o ex-vereador de Goiânia Wladimir Garcez complicou o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), ao apresentar versão diferente da do tucano para a venda de uma casa em Goiânia. Preso na Operação Monte Carlo, da PF, Garcez disse que ele mesmo comprou a casa de Perillo, com cheques do diretor da Delta, Cláudio Abreu, e do sobrinho de Carlinhos Cachoeira, Leonardo Almeida Ramos. Em declarações anteriores, o tucano disse ter negociado a casa com o empresário Walter Paulo, dono da Faculdade Padrão, e que Garcez teria sido apenas intermediário. Garcez contou que Perillo lhe disse estar vendendo a mansão e aceitou receber R$ 1,4 milhão. Como não conseguiu vender o imóvel com lucro, começou a ser pressionado por Abreu para devolver o empréstimo. “Com medo de perder o emprego, resolvi procurar o professor Walter. Eu a vendi pelo mesmo valor e repassei ao Cláudio, quitando, assim, a dívida dos três cheques”, disse. 

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quinta-feira, maio 24, 2012

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Opinião

A greve do Metrô e da CPTM

O Estado de S.Paulo
A exemplo do que está ocorrendo com as universidades federais, a greve dos funcionários do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que deixou cerca de 5 milhões de pessoas sem transporte, também foi deflagrada por motivos corporativos e políticos.

Apesar de já terem obtido aumento real no dissídio do ano passado, os metroviários querem repetir a dose em 2012. Por isso, rejeitaram a proposta de 1,5% de reajuste feita pelo Metrô. Por causa das eleições de outubro, a categoria acha que conseguirá pressionar o governador Geraldo Alckmin a conceder um aumento maior. Já os ferroviários da CPTM apresentaram uma pauta ainda mais ambiciosa. Eles reivindicam um aumento de 10,83%, um novo plano de cargos e salários e maior participação nos lucros da empresa. Como a CPTM serve as áreas mais periféricas da capital e várias cidades da Grande São Paulo, onde moram trabalhadores que ganham até dois salários mínimos, o governo estadual agiu com sensatez ao propor um aumento de 6,17%, aceitar discutir um plano de cargos e recusar o último pedido. Se aceitasse elevar o montante do Plano de Lucros e Resultados de seus ferroviários, a CPTM seria obrigada a aumentar as tarifas - o que não faz sentido para uma companhia que atende aos segmentos menos favorecidos da população e que não consegue nem mesmo financiar a manutenção de equipamentos com sua receita atual.

Além das reivindicações de duas categorias que se acostumaram a converter a população em refém de seus interesses corporativos, a paralisação do Metrô e da CPTM foi causada por razões políticas. Desde que as duas empresas passaram a enfrentar problemas técnicos decorrentes do aumento de usuários, o PT deixou claro que iria usar quebras de vagões, descarrilamentos, queda de energia, atrasos e choque de trens para acusar os tucanos - que controlam o governo estadual há cinco gestões - de não terem competência em matéria de infraestrutura.

Como uma orquestra afinada, os petistas passaram nas últimas semanas a usar reiteradamente a expressão "apagão dos transportes". Essa é a principal palavra de ordem dos petistas em suas críticas a Alckmin e ao candidato do PSDB à Prefeitura da capital, José Serra. A greve do Metrô e da CPTM ajuda a reforçar essa crítica.

Além do envolvimento do PT, as greves do Metrô e da CPTM têm as digitais dos pequenos partidos da esquerda radical, que tentam compensar a falta de representatividade eleitoral explorando situações de fato - e grande visibilidade midiática - na área de serviços essenciais. Esses partidos são os mesmos que há muito tempo patrocinam as ocupações da reitoria da USP, estimulam as invasões de áreas públicas e propriedades privadas e tumultuam a execução das ações de reintegração de posse determinadas pela Justiça, a exemplo do que ocorreu há alguns meses na área do Pinheirinho, no Vale do Paraíba. Nos últimos anos, esses pequenos partidos radicais infiltraram-se em vários setores da administração estadual e federal e vêm disputando acirradamente com o PT o controle de determinados órgãos e dos sindicatos trabalhistas a eles vinculados.

Leia na íntegra em A greve do Metrô e da CPTM

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 24 / 05 / 2012

Folha de São Paulo
"Greve de 12 horas no metrô para SP e provoca tumulto" 

Paralisação causou congestionamento de 249 km, o maior da história no período da manhã

A greve de 12 horas dos funcionários do metrô de São Paulo, que havia sido proibida pela Justiça, afetou 3 milhões de usuários, paralisou a cidade e causou tumulto entre passageiros revoltados e a polícia. O sistema emergencial de ônibus não foi suficiente, e a cidade teve recorde histórico de trânsito pela manhã. Às l0h, o índice de congestionamento foi de 249 km.

O Estado de São Paulo
"Só 5% das obras da Copa estão prontas" 

Balanço do governo mostra que 41% dos projetos nem tiveram início e, dos estádios, apenas quatro superaram metade do planejado; Aldo nega atraso

A pouco mais de dois anos da Copa, 41% das obras não tiveram início e apenas 5% delas (cinco de 101) foram concluídas, de acordo com balanço do governo. A fase de definição de projetos de infraestrutura deveria ter sido concluída em 2010, mas 15 obras ainda estão em elaboração e outras 25 não foram iniciadas. Das 55 obras em andamento, 12 são estádios. Desses, apenas quatro superaram a metade das obras: Castelão (Fortaleza), Fonte Nova (Salvador), Mineirão (Belo Horizonte) e Mané Garrincha (Distrito Federal). A mobilidade urbana tem 55% das obras iniciadas. As cinco obras concluídas são melhorias nos aeroportos de Guarulhos, Campinas, Cuiabá e Porto Alegre. Apesar dos números, o governo afirma que o ritmo de execução permitirá entregar 83% dos empreendimentos em 2013 e o restante antes de junho de 2014. O ministro Aldo Rebelo (Esporte) nega a existência de atrasos. 

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quarta-feira, maio 23, 2012

Boxe


Popó volta ao ringue para a última luta (Será?)

Sidney Borges
No dia 2 de junho, sábado, Acelino Popó Freitas subirá ao ringue do Casino Conrad, em Punta del Este, para duelar com o invicto Michael "Rocky" Oliveira, pugilista nascido no Brasil e radicado nos Estados Unidos desde bebê.

Apontado como a grande promessa do boxe brasileiro, Michael Oliveira ostenta um cartel com 17 vitórias, sendo 12 pela via rápida, o que indica bom poder de punch. Michael é um pegador que segundo ele prório aguenta castigo, um autêntico queixo de aço. Embora ainda não tenha enfrentado pugilistas de destaque, já foi cogitado para duelar com Lucian Bute, campeão mundial dos super-médios da IBF. Bute, nascido na Romênia e radicado no Canadá é uma parada duríssima, em 30 combates venceu 24 por nocaute e os restantes por pontos. Nunca perdeu ou empatou.

Se o prestígio de Michael Oliveira é tão alto no mundo do boxe a ponto dele ser cotado para enfrentar um campeão mundial, por que a luta contra Popó, aposentado desde abril de 2007 quando perdeu a unificação do título mundial dos leves para Juan Diaz? 

Segundo a assessoria do desafiante - Michael desafiou Popó - existe a possibilidade dele vir a residir no Brasil, a luta seria uma forma de apresentação ao público local. Michael já realizou três combates em São Paulo.

No dia 20 de novembro de 2010 enfrentou o dominicano Junior Ramos, no Espaço das Américas. Na ocasião Michael apresentava um cartel com 12 vitórias, 0 derrotas e 0 empates e seu adversário 10 vitórias, 5 derrotas e 0 empates. Michael venceu por nocaute no 3º round.

No dia 25 de março de 2011 outra luta do Rocky brasileiro. Desta vez contra um pugilista invicto, o argentino Abel Adriel Nicolas, com cartel de 10 vitórias e 2 empates. O combate aconteceu no Ginásio do Ibirapuera e foi transmitido pela TV. Michael venceu aos pontos, por unanimidade, em 10 assaltos. Fora de forma, ostentando um pneu na cintura, não convenceu. Golpeado diversas vezes, contou com a falta de pegada do adversário, tendo chegado ao fim da luta em péssimas condições.

A terceira apresentação em território brasileiro aconteceu no dia 16 de julho de 2011, no Credicard Hall. O contendor da vez foi o dominicano Jose Soto, com 24 vitórias, 7 derrotas e 2 empates. Bem preparado, sem os pneus da luta anterior, Michael venceu por nocaute no 6º assalto.

Popó dispensa apresentação, embora afastado dos ringues continua sendo um ídolo dos amantes da nobre arte. Em sua vitoriosa carreira lutou 40 vezes. Venceu 32 pela via rápida e 6 por pontos, tendo sofrido apenas 2 derrotas. Popó nunca empatou.

No dia 2 de junho vamos acompanhar a despedida de Popó, a luta será transmitida pela TV. Um prognóstico? Não arrisco, mas se Popó estiver em forma Michael vai precisar que o seu queixo esteja bem duro, eu até diria, duríssimo.

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Opinião

Prisioneiro do ressentimento

O Estado de S.Paulo
Mais velho, mais sofrido - e nem por isso mais sábio -, o ex-presidente Lula levou para a Câmara Municipal de São Paulo, onde receberia na segunda-feira o título de Cidadão Paulistano, as suas obsessões e os seus fantasmas: as elites e o mensalão. Ao elogiar no seu discurso a gestão da prefeita Marta Suplicy, ele se pôs a desancar a "parte da elite" de cujo preconceito ela teria sido vítima "porque ousou governar para os pobres". Marta fez os CEUs (centros educacionais unificados), exemplificou, para acolher crianças de favelas, algo inaceitável para aqueles que não querem que os outros sejam "pelo menos iguais" a eles.

O ressentimento de que Lula é prisioneiro o impede de aceitar que, numa megalópole como esta, há de tudo para todos os gostos e desgostos - e não apenas no topo da pirâmide social. Os que nele se situam, uma população que o tempo e as oportunidades de ascensão de há muito tornaram heterogênea, não detêm o monopólio do preconceito de classe. Durante anos, até eleitores mais pobres, portadores, quem sabe, do proverbial complexo de vira-lata, refugaram a ideia de votar em um candidato presidencial que, vindo de onde veio e com pouco estudo, teria as mesmas limitações que viam em si para governar o Brasil.

Lula tampouco admite, ao menos em público, que dificilmente teria chegado lá se o destino não o tivesse levado a viver na mais aberta sociedade do País - que também abriga, repita-se, cabeças egoístas e retrógradas, mas onde o talento, o trabalho e a perseverança são os mecanismos por excelência de equalização social. Em 1952, quando a sua mãe o trouxe com alguns de seus irmãos para cá, estava em pleno andamento, aliás, a substituição das tradicionais elites políticas paulistas por nomes que expressavam as mutações por que vinha passando desde a 2.ª Guerra Mundial o perfil demográfico da capital.

Pelo voto popular, chegaram ao poder descendentes de imigrantes e outros tantos cujas famílias, vindas de baixo, prosperaram com a industrialização, educaram os filhos e os integraram, à americana, na renovada estrutura política. O curso natural das coisas, pode-se dizer, consumou a metamorfose na pessoa do carismático torneiro mecânico pau de arara ungido presidente da República. No Planalto, é bom que não se esqueça, ele vergastava as elites nos palanques e se acertava na política com o que elas têm de pior. Lula se amancebou com expoentes do coronelato do atraso, do patrimonialismo e da iniquidade - o mesmo estamento oligárquico que contribuiu para confinar à miséria incontáveis milhões de nordestinos.

Elas não lhe faltaram no transe do mensalão - "um momento", repetiu pela enésima vez o mais novo cidadão paulistano, "em que tentaram dar um golpe neste país". Na sua versão da história, as elites, a oposição e a mídia só desistiram de destituí-lo de medo de "enfrentarem o povo nas ruas". Falso. Lula ainda não havia completado o trajeto da contrição - "eu não tenho nenhuma vergonha de dizer ao povo brasileiro que nós temos que pedir desculpas" - à ameaça de apelar ao povo, quando a oposição preferiu não pedir o seu impeachment para não traumatizar o País pela segunda vez em 13 anos. Pelo menos um dos homens do presidente, ministro de Estado, procurou os líderes oposicionistas para dissuadi-los da iniciativa.

O estopim foi o depoimento do marqueteiro de Lula, Duda Mendonça, na CPI dos Correios, em agosto de 2005. Ele revelou ter recebido em conta que precisou abrir no paraíso fiscal das Bahamas, a conselho de Marcos Valério, o publicitário que viria a ser o pivô do mensalão, a soma de R$ 10 milhões pelos serviços prestados três anos antes à campanha presidencial do petista e ao partido. Afinal, parcela da bolada já estava no exterior e outra sairia do caixa 2 da agremiação - os famosos "recursos não contabilizados" que Lula admitiria existir na reunião ministerial que convocou para o dia seguinte da oitiva de Duda. Tecnicamente, o PT poderia ter o seu registro cassado, e o presidente poderia ser afastado, se as elites quisessem levar a ferro e fogo o combate político. Se conspiração houve, em suma, foi para "deixar pra lá". (Original aqui)

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 23 / 05 / 2012

Folha de São Paulo
"Montadoras cortam preço de veículos em até 10%" 

Descontos são anunciados após pacote do governo para estimular o consumo

Um dia após o governo anunciar a redução de impostos para o setor, as montadoras começaram a baixar os preços dos automóveis. Fiat, Ford, Renault, JAC e Hyundai anunciaram reduções. Os descontos divulgados variam de 4,9% a 10,3%, principalmente para os modelos de carros populares.

O Estado de São Paulo
"Cachoeira se cala e CPI mira Delta" 

Diante do silêncio do contraventor, alvo central da comissão, parlamentares podem avançar na quebra do sigilo nacional da empreiteira

O contraventor Carlinhos Cachoeira negou-se ontem a responder às perguntas elaboradas pela CPI que se dedica a investigar o escândalo do qual é pivô. O impasse gerado por sua falta de colaboração teve um efeito colateral indesejado pela base aliada: colocou a Delta no alvo da CPI, que deve avançar na quebra de sigilo nacional da empreiteira. Com ar irônico, que beirou o deboche, Cachoeira repetiu que só vai falar após sua audiência judicial, marcada para 31 de maio e 1º de junho. Quarenta perguntas depois, a CPI acatou a sugestão da senadora Kátia Abreu (PSD-TO) para encerrar a sessão. “Estamos aqui perguntando a uma múmia. Não vou ficar dando ouro para bandido”, disse. Ainda assim, houve embate entre governo e oposição: de um lado, os aliados do Planalto e o PT, que tentaram envolver o governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, no esquema de Cachoeira; de outro, os tucanos, que fizeram perguntas que citavam o governador do Distrito Federal, o - petista Agnelo Queiroz, que teve assessores flagrados em negociações com Cachoeira. 

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terça-feira, maio 22, 2012

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Opinião

O freio ao crescimento

O Estado de S.Paulo
A economia brasileira continuou encolhendo em março, segundo o indicador de atividade elaborado mensalmente pelo Banco Central (BC).Esse indicador, considerado uma antecipação dos cálculos do Produto Interno Bruto (PIB), foi 0,35% menor que o de fevereiro e 1,18% inferior ao de um ano antes, mas o Ministério do Planejamento mantém a previsão de um crescimento de 4,5% para 2012. Essa previsão foi usada como referência, mais uma vez, para a nova revisão bimestral do Orçamento, divulgada na sexta-feira. Por enquanto os dados disponíveis são menos animadores. Em dezembro a atividade foi a mais intensa desde abril de 2011, de acordo com o BC, e a partir de janeiro a redução foi contínua.

De acordo com o Ministério do Planejamento, o crescimento deve ganhar impulso nos próximos meses, graças à redução da taxa básica de juros, à ampliação do crédito oferecido pelos bancos e às medidas do Plano Brasil Maior. A economia brasileira, segundo a mesma análise, recuperou o dinamismo no fim do ano passado e o crescimento se intensificou de forma gradual no primeiro trimestre, mas as estimativas mensais do BC indicam o contrário.

O conflito de avaliações poderá ser eliminado, pelo menos oficialmente, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicar as contas nacionais do primeiro trimestre. Até agora, os números disponíveis mostram uma indústria em marcha lenta e uma safra de grãos e oleaginosas provavelmente menor que a de 2011.

Mesmo nos ministérios econômicos, no entanto, o ambiente dos últimos dias tem sido menos otimista que as projeções divulgadas com a revisão bimestral da execução orçamentária. O ministro Guido Mantega e outros funcionários do Ministério da Fazenda estão discutindo com porta-vozes da indústria automobilística e dos maiores bancos privados possíveis medidas para a ampliação do crédito aos compradores de veículos. E, embora mantendo o otimismo oficial com relação à atividade econômica, o Planejamento reduziu a projeção de receita tributária.

A revisão das projeções pode ser justificada, também no discurso oficial, com as preocupações em relação ao cenário externo. Essas preocupações são bem fundadas. O Brasil dificilmente ficará imune aos efeitos de um agravamento da crise europeia, especialmente se a Grécia abandonar de forma atabalhoada a zona do euro. Além disso, é preciso levar em conta a desaceleração da economia chinesa. Mas outros fatores afetam o crescimento econômico brasileiro e desses o governo tem cuidado com muito menos empenho.

Os empresários do setor automobilístico podem estar certos quando atribuem parte de seus problemas à retração da demanda no mercado interno. Essa retração é derivada tanto do comportamento dos novos consumidores quanto da cautela dos banqueiros. Os novos consumidores estão endividados e, além disso, dificilmente comprariam um novo carro em pouco tempo. Quanto aos banqueiros, tratam de se proteger de uma inadimplência já em alta.

Leia na íntegra em O freio ao crescimento

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Manchetes do dia

Terça-feira, 22 / 05 / 2012

Folha de São Paulo
"Governo reduz impostos para estimular consumo" 

Pacote para reativar a economia corta tributos de carros e de financiamentos

Diante do risco de o país crescer abaixo de 3% neste ano, o governo anunciou medidas emergenciais para estimular o crédito para consumo e investimento. A avaliação é que as iniciativas já adotadas foram insuficientes para reativar a economia. A fim de elevar as vendas, o governo reduziu o IPI de automóveis, inclusive o de importados, até 31 de agosto e cortou taxas de juros de financiamento de ônibus e caminhões. Montadoras se comprometeram a baixar preços e a evitar demissões.

O Estado de São Paulo
"Como em 2008, governo corta IPI de carros e amplia crédito" 

Planalto repete medidas tomadas na época da grande crise internacional para tentar aquecer consumo

Diante do desempenho fraco da economia, o governo anunciou um pacote de R$ 2,7 bilhões para estimular o consumo. Assim como fez na crise de 2008, o Planalto cortou impostos e ampliou o crédito. Segundo o ministro Guido Mantega (Fazenda), as medidas são resultado de compromisso “inédito” com a indústria e os bancos. O governo zerou o IPI dos carros 1.0, e o preço final deve cair cerca de 10%. Para os modelos com motor entre 1.0 e 2.0, a expectativa é que o preço caia 7%. Também foi fechado acordo com os bancos para que eles reduzam a entrada e os juros, além de alongar os prazos. Em troca, serão liberados recursos que hoje as instituições têm de manter depositados no Banco Central. O governo decidiu, ainda, cortar de 2,5% para 1,5% a alíquota do IOF sobre empréstimos para pessoas físicas. Mesmo com esse impulso adicional, Mantega avaliou que será difícil crescer 4,5% este ano.

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segunda-feira, maio 21, 2012

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Opinião

A saúde é precária

O Estado de S.Paulo
Desenvolvimento econômico é um meio indispensável à consecução da meta que deve ser a mais importante de qualquer governo democrático, o desenvolvimento social, humano. Mas este não se mede exclusivamente por números. É um engano - quando não pura mistificação - o ufanismo que se apressa em colocar o Brasil com um pé no seleto grupo das grandes potências desenvolvidas, quando nossa realidade social ainda aponta em direção oposta. Isso é o que demonstra a matéria de quarta-feira do correspondente do Estado em Genebra, Jamil Chade, apoiada em levantamento feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS): apesar de sermos a sexta economia do planeta, os gastos com saúde no País, mesmo tendo aumentado nos últimos anos, mantêm-se abaixo da média mundial, equiparando-se à realidade africana.

Na média internacional, os gastos com saúde são da ordem de 14,3% dos orçamentos nacionais. No Brasil, a taxa é de 5,9%. E era de 4,1% em 2000. O crescimento nos últimos 12 anos, porém, ficou longe de equipará-los à média do planeta. Além disso, enquanto nos países desenvolvidos um terço dos custos da saúde é pago pelos cidadãos, no Brasil 56% do que se gasta nessa área sai do bolso dos contribuintes, situação que é semelhante à que ocorre em somente 30 dos 193 países-membros da ONU.

Nos países europeus, revela o estudo da OMS, os gastos médios dos governos com cada cidadão chegam a ser dez vezes superiores aos do Brasil. Em alguns casos, como Luxemburgo, gasta-se mais de US$ 6,9 mil por cidadão, quase 25 vezes o valor no Brasil. Mesmo na Grécia, que hoje vive uma catástrofe econômica, são destinados seis vezes mais recursos a cada cidadão do que no Brasil.

Outro dado que revela como é alarmante a situação da saúde pública no País: nossa média brasileira de 26 leitos hospitalares por 10 mil habitantes é igual à de Tonga e do Suriname. Outros 80 países ostentam um índice melhor que o nosso. Na Europa, a oferta média de leitos é três vezes maior. A boa notícia no levantamento da OMS é que o Brasil conta com 17,6 médicos para cada 10 mil habitantes, enquanto a média mundial é de 14/10 mil. Lembramos, todavia, que o problema aqui não é de escassez de médicos, mas de concentração desses profissionais nos grandes centros urbanos por falta ou precariedade das condições de trabalho em boa parte do País. De qualquer forma, na Europa, a média sobe para 30/10 mil, enquanto na África fica em baixíssimos 2/10 mil.

Desde o ano 2000 o Brasil triplicou o investimento público por habitante no campo da saúde. Naquele ano, foram investidos US$ 107 por ano para cada habitante. Ao final da década, em 2009, essa cifra havia sido elevada para US$ 320 por habitante/ano. Mas, segundo a OMS, a média mundial era então de US$ 549 por habitante/ano. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra que o aumento do investimento público em saúde a partir de 2000 permitiu que, em 2010, ele representasse 3,77% do Produto Interno Bruto (PIB). Mas seria necessário duplicá-lo para que atingisse o mesmo nível médio do padrão internacional de 7%.

Leia na íntegra em A saúde é precária

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 21 / 05 / 2012

Folha de São Paulo
"Volume de investimento do governo cai em 2012" 

Com economia fraca, União gasta 5,5% a menos; cresce temor de queda do PIB

Num cenário de economia desaquecida, o governo federal não consegue destravar o ritmo dos investimentos, que tiveram queda de 5,5% nos primeiros quatro meses de 2012 em relação ao mesmo período do ano anterior, relatam Dimmi Amora e Natuza Nery. No governo, as previsões para o ano são pessimistas. O temor é que a redução dos juros e o estímulo ao crédito não sejam suficientes para puxar o crescimento.

O Estado de São Paulo
"Mensalão e Cachoeira terão impacto em eleições, diz ministro" 

José Eduardo Martins Cardozo, titular da Justiça, afirma que escândalos devem atrapalhar PT e PSDB

Para o ministro da Justiça, o “caso Cachoeira” e seus desdobramentos e o julgamento do processo do mensalão terão impacto sobre as eleições municipais de outubro. José Eduardo Martins Cardozo, em entrevista à repórter Vera Rosa, não se arrisca, entretanto, a mensurar o tamanho do prejuízo nas campanhas de Fernando Haddad (PT) e de José Serra (PSDB) à Prefeitura de São Paulo. “Se vai atrapalhar ou ajudar, vamos aguardar”, diz Cardozo, que foi secretário-geral do PT. Ele afirma, por outro lado, que tem certeza de que o julgamento do mensalão não vai interferir no governo. O ministro falou ainda sobre a Comissão da Verdade que, segundo ele, é a comprovação de que o Brasil está superando divergências políticas e ideológicas: “Ninguém quer o revanchismo”.

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domingo, maio 20, 2012

A luta do século XX


Colunistas

Memorial de Álvaro Gardel 

(Transcorridos quinze anos desde a morte de meu pai, ocorrida em maio de 1997, decidi publicar aqui no site o texto escrito na época, o Memorial de Álvaro Gardel (1), minha oração fúnebre em honra ao pai morto. Silenciosa e secretamente amado)

Márcia Denser
Em memória de meu pai, por quem não pude chorar

Foi enterrado a 28 de maio com aquele casaco que eu lhe dera em 87, que um dos amantes havia me dado ou roubado ou não sei, era um casaco sal e pimenta vagamente inglês, imagine, ele, logo o velho, logo Álvaro que só se vestia no Minelli desde que eu tinha seis anos e minha irmã quatro. Mas de todo modo foi enterrado com um casaco de bom corte, sal e pimenta, meio inglês, que roubei ou ganhei ou não sei que amante remoto eu poderia ter arranjado nos confins do naufrágio de 87 (aqui refiro-me ao meu drama pessoal que agora não vem ao caso) porque o dele (o do velho, o de Álvaro) o arrastou muito antes, vinte anos antes, mais ou menos no início de 70 quando eu o enterrei, nós (eu e minha irmã) o enterramos pela primeira vez, o velho louco, desabiondo y suicida, que aprendera filosofia, dados, timba e a poesia cruel de não pensar mais em si (como naquele tango de Mariano Mores). Por isso aceitou e usou o tal casaco dois números maior, dado ou roubado de alguém que já não precisaria de nenhum (um amante talvez morto ou preso ou exilado) sequer de mim que também já começava a naufragar naquele ano de 87 e meu pai – que só se vestia no Minelli desde 1947 – o aceitou com irônica resignação, o velho pilantra antecipadamente morto, como se soubesse ou adivinhasse ou antecipasse que o enterrariam nele pois que doravante repousa precariamente em paz (mas num excelente casaco de tweed inglês sal e pimenta) no columbário número 80 do cemitério de Vila Mariana, ala B.

(Em 26.06)

Há um mês, mandei inscrever a lápide com um nome e duas datas, premeditando futuramente o painel de azulejos ou ladrilhos, sem contar a inscrição que desta vez sim, mas não foi assim, posto ter sido informada  que em três anos o município recolheria suas cinzas à gaveta de modo que seria bobagem gastar dinheiro por tão pouco, o administrador enxugava a testa coberto de razões e fuligem, os grossos óculos de míope, donde a não menos premeditada quanto tola inscrição In Memorian de Álvaro Gardel, pai eternamente amado, suas filhas Júlia e Amanda – 29.05.24 – 27.05.97 igualmente caput – três nomes e duas datas – sequer esta derradeira vaidade lhe foi concedida, velho (ou  negada à mim? ) mas tolamente eu insisto: então não restará nada e terá sido só, terá sido tudo: desejo e pó ?

Porque eu não sabia ser tão tarde, tão inútil.

Veja bem, não estou tentando penitenciar-me até porque para mim não há perdão nem castigo nem penitência nem remorso (não há pecado para minha estúpida inocência) apenas a obstinada pergunta sem resposta sobre o desígnio da vida de um homem resumido a duas datas e um nome, enterrado com um casaco de outrem (ele que só) pai eternamente amado, desejo e pó, e então o silêncio das palavras não ditas, dos gestos desfeitos, enfrentar este vazio sem perguntas nem respostas que é meu pai definitivamente morto na antevéspera de completar 73 anos.

(Em 26.05)

“Sua chegada é repentina, inflama-se, extingue-se, é jogado fora”
( I Ching – hexagrama 30 – Li – A Chama, nove na quarta posição)


Desta vez meu pai está morrendo.

Eu deveria ou poderia ou não me restaria outra alternativa além de pegar um ônibus para ir vê-lo pela última vez no hospital quando sua segunda mulher ligou-me: seu pai está morrendo (morrendo entre estranhos, como tem vivido os últimos quinze anos, se fazendo de  cego, surdo e burro). O hospital fica no quilômetro 27 da estrada de Itapecerica da Serra, com nome de santa que duvido existir alguma chamada Mônica, todavia ocorre que há oito anos – desde que vendi o apartamento, o automóvel, os telefones, os móveis de família, liquidei minha vida (ou o que materialmente restava dela) – e os móveis eram tudo o que restava – desde então  experimento, digamos, o lado coletivo e anônimo da vida, o que significa andar  de ônibus, metrô e assemelhados, sem contar  o cotidiano mais pedestre, indo e vindo de  lugares onde ninguém me espera, não sou  benvinda (não sou mais) pois  há muito não conto, não vivo, não valho o suficiente a ponto de alguém  se dispor a perder tempo, gastar gasolina, em atenção ou amor ou amizade ou compaixão ou piedade comigo – eu, sombra de mim.

De forma que na condição de filha, a mais velha, a primogênita, teria que pegar um ônibus para Itapecerica da Serra, a norma exigia, os bons costumes, e ir ver o pai ainda uma vez, possivelmente a derradeira.

Mas seria bobagem.

Porque eu sei (eu e minha irmã sabemos) que é bobagem, que este cara está morrendo há 28 anos, que começou a morrer  quando eu o internei pela primeira vez no sanatório para a cura de desintoxicação – ele, o alcoólatra,  o desgarrado, o infeliz, o despojado dos bens desse mundo, até mesmo do amor e  orgulho, o vaidoso  dipsomaníaco.

Foi em 71.

Recordo-o vagando no escuro corredor do escritório onde eu trabalhava (meu primeiro emprego com carteira assinada e direito ao INPS).Vinha vacilante, macerado em álcool, subira sozinho os nove andares (enquanto os irmãos esperavam-no lá embaixo sentados no taxi com taxímetro ligado, que aliás ele pagaria) para pegar a guia de internação e eu lhe entreguei rapidamente o envelope, temendo ser vista ou que o vissem ou que nos vissem, mas  ele desapareceu, um meio sorriso torto, sugado pelo elevador, reconduzido de volta à rua onde o aguardavam no taxi para levá-lo e interná-lo e trancá-lo e jogar a chave fora.

Porque eu apenas era jovem (ah, a juventude, essa falha impossível de se evitar em dado período da vida) naturalmente cruel e impiedosa como todos os jovens que acreditam com absoluta certeza na vitória e na esperança, no poder e na glória eternos e para muito breve.

Então eu não tinha tempo para você, velho, para parar e olhar pra você, voltar-me e te ver despojado dos bens desse mundo – alcoólatra que naufragara, silencioso e hostil, inconquistável rendido indiferente, sem implorar (porque se ignorava despojado da  sua fortuna pessoal, aquele capital inalienável de sanidade e lucidez ) – eu é que estava suja aqui dentro, porque a tua derrota, a tua rendição doía em mim, velho,  então melhor te excluir do pensamento e do coração, fingir que você não existia, porque eu não ia  me voltar para te olhar (estacar a meio caminho da vitória iminente) parar e olhar para você só para me sentir um lixo,  por isso te internava e internava obsessivamente em sanatórios onde  te deixava, te  trancava e jogava a chave fora.

Mas não vou pegar ônibus nenhum.

Aos 43 anos não se pega ônibus nenhum – além de velha, derrotada – e de certa forma sim, derrotada, mas  precisamente por  isso não vou pegar ônibus nenhum para te ver morrer, meu chapa, não definitivamente.

Porque nós merecíamos mais do que isto, alguém assim, que nos acompanhasse, amigo e silencioso, nos pagasse um café à beira da estrada, a meio caminho do hospital da tal santa que não existe, oferecesse um saquinho de balas, nos estendesse o lenço voltando o rosto para não nos ver chorar e – sobretudo – porque era preciso que você me visse derradeiramente acompanhada, não mais a filha da sua orfandade, e então partisse consolado pelo fato de não me deixar tão só e já tão distante da breve vitória, sabendo-me amparada por alguém a conduzir-me sem contudo me carregar – qual troféu, qual fardo, tanto faz, depende do ponto de vista – posto que a mim já basta minha dor.

Solicito apenas tempo, lugar e o direito de chorar derradeiramente por meu pai cuja alma se apagou há 28 anos e hoje definitivamente de corpo e alma, duas vezes morto e acabou-se.

Terá sua morte sobrevida? Terá a alma sua palma? Sim ou não? Terá o espírito gás suficiente ou se extinguirá num sopro, rendido ao demônio do abismo? – como se nunca tivesse existido, porra.

Decidi-me por não (aos 43 anos não se pega ônibus nenhum e muito menos na ditas circunstâncias, etc.) ir, velho, acho que em nome duma derradeira dignidade, ao menos hoje, ao menos desta vez, a última, porque será para sempre.

Aliás, ambos merecemos esta última dignidade – o transitus da vida à morte – de não estarmos sós, os passes de ônibus amassados entre os dedos, como se fosse tudo o que daqui levaríamos, a passagem para o outro lado – o óbolo de Caronte?

Porque não se joga fora o coração metendo-o num ônibus para dizer adeus apenas com um passe amarrotado no bolso, o símbolo desta sub-vida, desta sub-paisagem  de postes e fios,  deste sub-horizonte de cães onde transito (que é uma das tantas formas de estar morta) daí  não haver muita diferença entre você e eu, meu chapa, porque também fui despojada, também me fodi – nem que estivesse na sua cola, velho – puxei você, puxou ao pai, eis o óbolo (o passe de retorno ao mundo dos mortos vivos).

Nada, sequer o bolo de mel, a  coroa de flores, unicamente a moeda de Caronte a ser paga ao barqueiro pra te atravessar para o outro lado, entrando assim na morte com as mãos vazias.

Ficarei te devendo também isto.

E devo-te ainda mais porque devo à mim, não sem razão de tal forma sou cobrada, conquanto toda humilhação seja uma penitência, todo fracasso, uma misteriosa vitória, todo acaso, um encontro marcado, toda morte, um suicídio, mas não vejo consolo algum nesta sórdida teleologia, pois  existe algo em mim que não se compraz com palavras, não trafica com sonhos, não negocia e também  não adiantaria, porque tem um limite até onde se pode enganar-se a si mesma (sem contar o descarado plágio avant la lettre borgiano).

Por enquanto, devo a Deus e todo mundo, pois que outra forma de explicar o fato de reiteradamente me voltarem a costas deixando-me há anos e à margem com dois passes de ônibus de ida e volta para o Limbo – do nada ao nada? E agora me abaixa Horácio (ou será Hovídio?) para lembrar que o homem é a soma das suas condições climáticas, é a soma do que se tem, uma problema de propriedades impuras que se desenrola fastidiosamente até o nada inexorável: desejo e pó.

Sem lastro, sem guia e a lembrança da breve, artificiosa vitória (esta, a misteriosa vitória? eu passo) que era falsa e eu não sabia, que não podia perdurar o meteoro cuja órbita já é queda, se inflama e extingue-se, a menos que não tivesse de ser assim, a menos que sob os escombros ainda seja a carne, sempre a velha carne, a voz do sangue que a tudo reivindica, inclusive o direito à dor (a esta dor, a minha, a da filha, o ônus da primogenitura) pessoal, intransferível e única dor, a de chorar o pai (o único) enquanto agoniza (apenas uma vez) e desta vez (de uma vez por todas) para sempre.

Post-Scriptum: O presente relato foi escrito a 26 de junho, um mês após o enterro, e 26 de maio do mesmo ano, na madrugada anterior à morte (que intuí inevitável embora sem dados da realidade para comprová-lo) aproximadamente durante os momentos de agonia. De modo que esta oração fúnebre escreveu-se furiosamente, desenredando-se em sentido inverso, ou seja, para trás, para baixo e de costas (a despeito de mim) – direto ao centro dilacerado e oculto da dor.

(1) In Toda Prosa II – Obra Escolhida. Rio, Record, 2008.

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

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Opinião

Seca a CPI do Cachoeira

O Estado de S.Paulo
Sem, talvez, o grosseiro erro de concordância da mensagem do deputado petista por São Paulo Cândido Vaccarezza ao governador fluminense Sérgio Cabral, pode-se apostar que um certo número de integrantes da CPI do Cachoeira poderia tranquilizar nos mesmos termos qualquer figurão da política ou dos negócios ameaçado de se tornar alvo do inquérito parlamentar das duas Casas do Congresso sobre as relações do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com agentes públicos e privados. Em plena sessão do colegiado, na quinta-feira, um cinegrafista flagrou o inadvertido ex-líder do governo na Câmara escrevendo ao peemedebista Cabral no celular: "A relação com o PMDB vai azedar na CPI. Mas não se preocupe, você é nosso e nós somos teu (sic)".

A convicção de que Vaccarezza está longe de deter, entre os seus pares, o monopólio da proteção a possíveis protagonistas da trama da qual Cachoeira é o pivô ganhou força com as decisões tomadas naquela mesma sessão pelo relator da investigação, deputado Odair Cunha, do PT de Minas Gerais - com o apoio tácito ou explícito de setores da oposição -, secando a CPI. Como se temia, ele blindou os governadores de Goiás, o tucano Marconi Perillo; o do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz; e o do Rio, o já citado Cabral, contra tentativas de apurar o envolvimento deles, ou com Cachoeira, ou com o dono da construtora Delta, Fernando Cavendish, de cuja empresa o contraventor seria "sócio oculto", no dizer do Ministério Público. Foram igualmente poupados de convocação para depor ou da quebra dos seus sigilos o empresário, a empreiteira sediada no Rio e três deputados da turma de Cachoeira.

Para que não se dissesse que melhor faria a CPI se, para todos os efeitos, desse os trâmites por findos, o relator aprovou 51 convocações e 40 quebras de sigilo fiscal, bancário e telefônico. Os visados são familiares, operadores e cupinchas do batoteiro; o ex-diretor da Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, preso em 25 de abril; as filiais da companhia em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Distrito Federal; o tesoureiro da campanha de Perillo e porta-voz do seu governo, Jayme Rincon; e o ex-chefe de gabinete de Agnelo Queiroz, Cláudio Monteiro. Quanto aos dois outros governadores, acertaram-se os partidos que são "teu" como diria Vaccarezza. Em vez de Cavendish, um ex-preposto. Em vez da Delta matriz, as suas distantes filiais. "Falta de indícios", a mentirosa justificativa que raros membros da CPI rejeitaram. Citem-se, por justiça, os senadores Pedro Taques, do PDT de Mato Grosso, e Randolfe Rodrigues, do PSOL do Amapá.

Contrariamente ao que o dono da Delta quis fazer crer, os nexos da cúpula da empresa com o bicheiro foram constatados em pelo menos 22 telefonemas interceptados pela Polícia Federal. E o nome de Cavendish aparece em conversas de Cachoeira com o senador Demóstenes Torres, enredado em negócios com as duas pontas da linha. Sem investigar o empreiteiro, que certa vez proclamou que, "se botar 30 milhões na mão de um político", seria convidado "pra coisa pra …", aí sim não se chegará aos eventuais malfeitos do governador do Estado onde a Delta, em cinco anos da gestão Cabral, fechou contratos no valor de R$ 1,49 bilhão. O que é notório é a proximidade entre ambos, incluindo cenas de esbórnia explícita em Paris. À falta de provas objetivas, sobrevive a palavra de Cabral de que não mistura governo e amizades, não obstante o prestimoso Vaccarezza ter achado necessário acalmá-lo com a lembrança de que ele é "nosso".

Leia na íntegra Seca a CPI do Cachoeira

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Manchetes do dia

Domingo, 20 / 05 / 2012

Folha de São Paulo
"Custo sobe e corrói lucro de empresas brasileiras" 

Mão de obra e insumo caros levam a queda de 17% nos ganhos neste ano

O lucro líquido das empresas que compõem o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, caiu 17% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2011, de acordo com levantamento feito a pedido da Folha. Com a fraca demanda externa, a concorrência maior de importados e a desaceleração da economia brasileira, as companhias não conseguiram repassar o aumento dos custos para os preços.

O Estado de São Paulo
"Governo quer cortar ICMS para baratear telefone" 

Paulo Bernardo afirma que imposto cobrado pelos Estados é ‘muito alto’ e fala em desonerar aos poucos

O ministro Paulo Bernardo (Comunicações) quer reduzir impostos e encargos para baratear a conta de telefone, a exemplo do que propôs a presidente Dilma Rousseff em relação à energia elétrica. “Eu acho que o ICMS estadual é muito, muito, muito alto”, disse Bernardo em entrevista ao Estado, referindo-se ao imposto que mais pesa nas tarifas telefônicas e que é cobrado pelos Estados. “Só tirar a carga federal não vai resolver, temos de convencer os governadores a tirar um pedaço.” O ICMS varia de 27%, e Bernardo defende uma alíquota de 25%. O ministro disse saber que a negociação será difícil, que os Estados “têm contas a pagar”, mas afirmou que é possível negociar um plano para desonerar aos poucos.

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