sábado, maio 19, 2012

Brasil


Notícias do planalto central...

Sidney Borges
Voar de planador em Brasília é o que há. No planalto central as térmicas atingem 4 mil metros e estão por todos os lados, muitas, permitindo esticadas de mais de 300 km.

A melhor época é setembro, mas há o problema das queimadas que enchem o céu de fumaça, atrapalhando a visibilidade e dificultando as navegações VOR, ou seja, voo sobre rodovia.

Neste ano haverá um problema adicional, além das queimadas o cheiro de pizza da CPI do Cachoeira. Para os apreciadores de redondas será uma tortura ficar em cima.

Temo que em 2012 os voos sejam curtos.

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Opinião

Governo estimula a inadimplência

O Estado de S.Paulo
O governo parece estimular a inadimplência, é o que se pode concluir de duas medidas em estudo: a primeira, visando a transferir créditos podres da Caixa Econômica Federal (CEF), BNDES e Banco do Nordeste para uma instituição criada pelo Ministério da Fazenda; e a segunda, isentando do IOF os créditos destinados à compra de carros de passeio para reduzir os estoques das montadoras.

O crédito para compra de carros foi reduzido diante do aumento da inadimplência no setor, que fazia operações de até cinco anos de prazo. Não nos parece que o corte de IOF será suficiente para convencer os interessados a trocar o seu carro. Estamos diante de um duplo problema: uma saturação do mercado e um forte aumento do endividamento das famílias.

A nova classe C adquiriu um carro com sacrifícios, mas não pretende trocá-lo a cada ano. É esta mesma classe que se aproveitou dos incentivos do governo para comprar uma casa. Isso significa uma prestação mensal, por muito anos, que exige a redução de outras despesas, especialmente quando começam a aparecer ameaças de desemprego. Não se entende por que o governo estimula agora maior endividamento.

Leia na íntegra em Governo estimula a inadimplência

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Manchetes do dia

Sábado, 19 / 05 / 2012

Folha de São Paulo
"Índice do BC revela que a economia vai demorar a reagir" 

Atividade econômica do país sobe abaixo do esperado e analistas reduzem a previsão de crescimento para 2012

A atividade econômica do país cresceu só 0,15% no primeiro trimestre em relação ao trimestre anterior, segundo o índice do Banco Central, considerado uma prévia do PIB calculado pelo IBGE. O resultado foi abaixo do esperado por analistas. Em março, o índice caiu 0,35% em relação a fevereiro, a terceira queda seguida. Diante da crise externa e da pouca eficácia das medidas de estímulo do governo, especialistas reduzem a estimativa do PIB neste ano para algo entre 2,5% e 3%.

O Estado de São Paulo
"PIB do BC cai de novo e aponta baixo crescimento" 

Previsão da atividade econômica é ainda pior do que esperavam analistas e governo; indústria lidera queda

O ritmo da economia está pior que o imaginado. Indicador divulgado ontem pelo Banco Central, considerado uma prévia do PIB, mostra que a atividade econômica cresceu 0,15% no primeiro trimestre ante o último trimestre de 2011. Em março, o índice caiu 0,35% na comparação com fevereiro, na terceira queda seguida. O ritmo lento é explicado especialmente pela indústria - entre as causas, está o desempenho do setor de caminhões, cuja produção caiu drasticamente em razão de mudança na lei ambiental. No governo, o número foi recebido com pessimismo, e a previsão para a economia no semestre está sendo revisada para baixo. Entre analistas, o dado reforçou previsões de que a expansão do PIB de 2012 será igual ou até menor que os 2,7% de 2011 e de que os juros continuarão a cair.

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sexta-feira, maio 18, 2012

Ia bem, depois piorou...


Brasil

A recessão chegou
 
Do Ex-Blog do Cesar Maia
(Coluna Eliane Catanhede - Folha de SP, 18)
1. As Bolsas estão no oitavo dia consecutivo de queda, revertendo a alta de mais de 20% no ano até março e atingindo índice negativo preocupante. O dólar passou dos R$ 2, testando os limites de calibragem do câmbio e provocando questionamentos dentro e fora do governo.
   
2. O lucro da Petrobras no primeiro trimestre, de R$ 9,2 bilhões, é igual a 16% a menos que no mesmo período do ano passado. A principal empresa brasileira "já perdeu um BB este ano". A indústria, aliás, sente o golpe da conjuntura, com desaceleração e óbvio impacto negativo nas perspectivas de crescimento do país neste ano, que já não eram lá essas coisas.
   
3. E o índice de empregos, motivo de orgulho e tema de discursos de Dilma no exterior, inclusive na ONU, começa a dar sinais de recuo. O de São Paulo, "locomotiva do Brasil", é o menor desde 2006, ou seja, o pior da série histórica do IBGE.
   
4. A crise na Europa está feia e tende a piorar, a China é uma interrogação e a reeleição de Obama nos EUA não está garantida. O Brasil, arrogante e dando lições, parecia passar ileso por todo esse ambiente de crise ou de insegurança. Pode ter se precipitado.

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Zé Ronaldo escreveu...

Uma árvore atualmente
Um pé de...

José Ronaldo dos Santos
Cheguei agora da escola estadual (Idalina A. Graça), do bairro onde moro há 16 anos. Aproveitei para recolher alguns frutos (cajá-manga) da frondosa árvore dali. Afinal, cair frutos era o previsível após o vento forte da madrugada. Outra pessoa fez o mesmo cálculo: encheu uma sacola e se foi.

Pois bem: é sobre a história desse pé de cajá-manga, que há muitos anos vem dando alegria às pessoas, que eu escrevo agora. Tudo começou em setembro de 1999, quando eu e mais cinco professores decidimos promover um gesto
concreto, que marcasse a entrada da primavera. 

A mesma árvore há 13 anos

Iríamos plantar algumas árvores no terreno da escola para abrandar o calor em épocas quentes, oferecer sombras e frutos, dar mais equilíbrio no ambiente etc. Afinal, quem não prefere um espaço arborizado para quebrar a frieza e/ou feiura das nossas construções? Assim fomos até o amigo Arisson, no Monte Valério, escolhemos algumas mudas e plantamos no referido local: no terreno da escola do bairro do Ipiranguinha. Um pé de jambo ficou perto do portão, em seguida vieram as amendoeiras perto de um pé de uva japonesa que já estava bem crescido. Eu decidi, juntamente com a finada Cleuza e o José Aparecido,  que o nosso cajá-manga ficaria o mais protegido possível, perto da secretaria da escola. E ali foi plantado, quase encostado a uma fossa, o espécime que media 30 ou 40 centímetros. Era o dia 21 de setembro de 1999.

Ao longo desses anos todos, sempre vejo que as pessoas, sobretudo os meninos, aproveitam bem, apreciam os frutos. Estão constantemente vasculhando por sua volta. Ela, a árvore,  cresceu muito.    Agora, calculo que a gigante, distante somente alguns metros do velho tarumã, esteja alcançando os seus 15 metros de altura, com um diâmetro considerável para um abraço. Está linda! Deixa muita gente contente! Só um telhado construído recentemente está sendo castigado pelo impacto das frutas que despencam a partir da metade do outono. Coisa ridícula são as marcas deixadas em seu tronco por “seres sem-noção”.

Para encerrar: de acordo com quem produziu a muda, antigo funcionário da ONG WWF (Fundo Mundial para a Natureza), cuja base local era no Monte Valério, a semente primeira foi recolhido no terreiro da antiga Fazenda Velha, dos Irmãos Chiéus, os fabricantes da nossa pinga Ubatubana, aquela que deixou muita saudade. Pesquisando um pouco mais, descobri que a origem desta espécie frutífera está na Oceania, bem longe daqui. Então, não poderíamos  chamar os navegantes portugueses de “ótimos polinizadores”?

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Te mato, te pico, te ponho no penico...


Coluna do Celsinho

Censo

Celso de Almeida Jr.
Quando sobrar um dinheirinho, patrocinarei uma pesquisa.

Nada de medir o sobe e desce dos candidatos a prefeito e a vereador.

Focarei na garotada.

Especificamente, naqueles que concluem o ensino fundamental e cursam o ensino médio.

Questionário simples:

Sabe consertar o encanamento da pia da cozinha?

Resolve um problema elétrico de sua casa?

Já religou um disjuntor?

Remenda o pneu de sua bicicleta?

Pedala na ciclovia?

Faz uma horta?

Troca óleo do carro da mamãe?

Já ouviu falar de chave estrela?

Compreende proporções?

Sabe costurar?

Contabiliza a mesada direitinho?

Lê as indicações de um hidrômetro?

Entende a conta de luz da sua casa?

Lê quantos livros por mês?

Escreveria um texto de 15 linhas, respeitando o português? (Flexibilizo a exigência em caso de piada...)

Faz arroz com feijão, bem temperadinhos?

Toma água filtrada?

Lava as mãos antes de almoçar?

Lava as mãos após ocupar o banheiro?

Escova os dentes após as refeições?

Usa fio dental?

Sabe pescar?

Já limpou um peixe?

Já experimentou juntar areia, água, cal e cimento?

Conhece o Hino Nacional?

Compreende o Hino Nacional?

Já folheou a Constituição do Brasil?

Estas e muitas outras perguntinhas comporiam o meu censo.

Somadas às notas médias obtidas em sala de aula sinalizariam o perfil de nossa juventude.

Revelariam a nossa sensatez.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

Os números do ensino médio

O Estado de S.Paulo
Os últimos números do Ministério da Educação (MEC) revelam que, em 2011, o índice de reprovação na rede pública e privada de ensino médio foi de 13,1% - o maior dos últimos 13 anos. Em 2010, foi de 12,5%. Os alunos reprovados não conseguem ler, escrever e calcular com o mínimo de aptidão, tendo ingressado no ensino médio com nível de conhecimento equivalente ao da 5.ª série do ensino fundamental.

O Estado com o maior índice de reprovados foi o Rio Grande do Sul - 20,7% dos alunos. Em segundo lugar aparecem, empatados, Rio de Janeiro e Distrito Federal, com índice de 18,%, seguidos pelo Espírito Santo (18,4%) e Mato Grosso (18,2%). A rede municipal de ensino médio na região urbana de Belém, no Estado do Pará, foi a que apresentou o maior índice de reprovação do País (62,5%), seguida pela rede federal na zona rural de Mato Grosso do Sul (40,3%). No Estado de São Paulo, o índice pulou de 11% para 15,4%, entre 2010 e 2011.

Os Estados com os menores índices de reprovação foram Amazonas (6%), Ceará (6,7%), Santa Catarina (7,5%), Paraíba (7,7%) e Rio Grande do Norte (8%). Os indicadores também mostram que 9,6% dos estudantes da rede pública e privada de ensino médio abandonaram a escola - em 2010, a taxa foi de 10,3%; em 2009, ela foi de 11,5%; e em 2008, de 12,8%.

Já na rede pública e privada de ensino fundamental, o movimento foi inverso ao do ensino médio. Entre 2010 e 2011, a taxa média de reprovação caiu de 10,3% para 9,6% e o índice de abandono diminuiu de 3,1% para 2,8%, no período. Os Estados com os maiores índices de repetência foram Sergipe (19,5%), Bahia (18,5%), Alagoas (15,2%), Rio Grande do Norte (14,9%) e Rondônia (14,2%). Se forem consideradas apenas as escolas públicas, as redes de ensino fundamental da Bahia e Sergipe foram as que registraram os mais altos índices de reprovação do País - 26,6% e 22,5%, respectivamente. Os Estados com as menores taxas foram Mato Grosso (3,6%), Santa Catarina (4,4%), São Paulo (4,9%), Minas Gerais (7,3%) e Goiás (7,6%).

Esses números, que atestam o fracasso da política educacional dos governos Lula e Dilma, foram divulgados na última segunda-feira, pelo site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao MEC. Como não havia nada para comemorar ou para ser explorado politicamente pelo governo na campanha eleitoral deste ano, a divulgação foi feita de maneira muito discreta - evidentemente, para não prejudicar a imagem do ex-ministro Fernando Haddad, candidato à Prefeitura de São Paulo.

Ao depor na Câmara dos Deputados, em 2007, Haddad afirmou que o ensino médio vivia uma "crise aguda" e reconheceu que as políticas até então adotadas pelo governo federal para estimular os governos estaduais a modernizarem o ensino médio não vinham surtindo efeito. Em 2008, quando integrou um grupo interministerial com o então secretário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, ele pediu ao CNE novas diretrizes curriculares para tentar melhorar a qualidade do ensino médio - o mais problemático de todos os ciclos de ensino.

Homologadas no final de março por seu sucessor, essas diretrizes sugerem a adoção de "procedimentos que guardem maior relação com o projeto de vida dos estudantes". A ideia é tornar o ensino médio mais atraente, valorizando a correlação entre trabalho, ciência, tecnologia e cultura. Quando as diretrizes foram anunciadas, em meio a mais uma polêmica sobre o desvirtuamento do Exame Nacional do Ensino Médio, por causa das mudanças introduzidas por Haddad nesse mecanismo de avaliação, vários pedagogos afirmaram que elas não eliminarão os gargalos do ensino médio. Para esses pedagogos, as novas diretrizes são mais retóricas do que práticas e estimulam a oferta de um grande número de disciplinas.

As taxas de reprovação e abandono no ensino médio divulgadas pelo Inep são mais um sinal de alerta sobre a má qualidade da educação brasileira. E pelas políticas adotadas até agora, dificilmente esse quadro mudará tão cedo. (Original aqui)

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 18 / 05 / 2012

Folha de São Paulo
"CPI poupa políticos e Delta, e senadores falam em pizza" 

Acordo entre governo e oposição restringe apuração a Cachoeira e auxiliares

Após acordo entre governo e oposição, a CPI do Cachoeira engavetou pedidos para investigar tanto a empreiteira Delta como governadores e parlamentares acusados de envolvimento com Carlinhos Cachoeira. A Delta só será alvo de apuração em seu escritório do Centro-Oeste. A comissão livrou, por ora, seu presidente licenciado, Fernando Cavendish. “Generalização cheira a devassa”, disse Paulo Teixeira (PT-SP).

O Estado de São Paulo
"Dilma publicará salários do Executivo e irrita servidores" 

Funcionários públicos alegam que decisão expõe sua intimidade e dizem que ‘transparência tem limite’

A presidente Dilma Rousseff mandou publicar na internet os salários e “quaisquer vantagens pecuniárias” de todos os ocupantes de cargos no Executivo, um dia depois da entrada em vigor da Lei de Acesso à Informação. Servidores federais ameaçam ir à Justiça, porque dizem que sua intimidade foi exposta. “Transparência tem limite”, disse o dirigente de confederação de servidores federais Jose Milton Maurício da Costa. “A corrupção não se dá no contracheque do servidor”, argumentou o líder de sindicato de funcionários públicos do Distrito Federal, Oton Pereira. Para a Controladoria-Geral da União, a informação sobre esses vencimentos “não é de caráter estritamente pessoal, porque o salário é pago com recurso público” e é fixado por lei - logo, é público desde a origem. A decisão de Dilma deve constranger os demais Poderes - o Senado já decidiu que seus vencimentos são informação protegida.

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quinta-feira, maio 17, 2012

Ser ou não ser. Eis a questão...


Marketing às avessas

Tiro no pé

Do Ex-Blog do Cesar Maia       
1. No comercial do PT –com Lula e Fernando Haddad-, mesmo estando no governo há 9 anos e meio, foi introduzida a palavra NOVO como carro chefe da mensagem.
           
2. O que querem com esse comercial é fazer o contraste implícito com Serra, que seria o VELHO.
           
3. Um tiro pela culatra. Testado em pesquisa qualitativa, as questões colocadas foram: “Mas o que eles têm contra os idosos, os aposentados, os mais velhos?”. Por que acham que um político NOVO pode fazer mais?”. “Os mais velhos têm mais experiência.”. “Afinal, Lula não é tão NOVO assim como se pode ver.”.
           
4. Se essa é a linha a ser adotada na campanha de Haddad a prefeito de SP, é um bumerangue, é um tiro no pé, é um tiro que sai pela culatra. Vai conseguir a antipatia das pessoas de mais idade e a solidariedade dos demais. É uma mensagem Politicamente Incorreta.
           
5. A analogia com medidas de governo derrapa no tempo que governam. E fica em pé a desqualificação pela idade.

Veja o comercial

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Opinião

Para fazer a lei 'pegar'

O Estado de S.Paulo
Nas relações entre o Estado e a sociedade, a demanda gera a oferta. A Lei de Acesso à Informação que entrou em vigor ontem é prova desse determinismo. Ela dificilmente teria sido concebida não fossem as demandas da sociedade civil brasileira, entrelaçadas como um movimento praticamente global de cobrança dos governos por accountability - literalmente, o imperativo de prestar contas, ou, para usar o termo consagrado, transparência. Foi o que levou o Planalto a enviar à Câmara dos Deputados, em 2009, o projeto que, amalgamado a outras iniciativas parlamentares na mesma direção, resultou na lei sancionada em novembro último pela presidente Dilma Rousseff para vigorar daí a seis meses.

E será a demanda do público pelos dados oficiais a que tem direito, de agora em diante já não apenas como princípio abstrato, que fará a lei "pegar". Para se sobrepor à renitente cultura de resistência ao arejamento que impregna o Estado profundo - a burocracia cujo poder deriva em boa parte do seu controle quase monopolístico dos registros da intimidade das instituições - não basta que a Lei de Acesso tenha consagrado o conceito de que, no mundo oficial, a publicidade deve ser a regra, e o sigilo a exceção. Se os cidadãos, a título individual ou socialmente articulados, além de entidades profissionais, pesquisadores, ONGs e, em especial, a imprensa, não mostrarem interesse, intenso e constante, em saber o que faz o Poder quando a população está olhando para o outro lado, o noticiado despreparo da máquina para cumprir a nova lei se perpetuará com perversa naturalidade.

O Brasil é o 91.º país a obrigar formalmente o Estado a se expor. O primeiro foi a Suécia, há nada menos de 246 anos. Ali, as autoridades não desfrutam nem sequer de sigilo postal - a sua correspondência, quando tratar de assuntos públicos, é pública. Na América Latina, 12 países se anteciparam ao nosso na criação de leis de acesso. Mas os números podem enganar. Descontados os exemplos nórdicos e de outras nações avançadas, as engrenagens de operação do chamado Governo Aberto tendem a enferrujar por falta de uso. Elas deixam de ser acionadas devido a uma variedade de razões - desde a baixa escolarização das populações, que impede que percebam os nexos entre os seus problemas cotidianos e o desconhecimento dos atos governamentais que neles influem, até as deliberadas restrições que os interessados enfrentam nas tentativas de consulta a documentos públicos. Em tais países, a resposta pavloviana da burocracia aos pedidos tende a ser "não" - ou mañana.

A nascente legislação brasileira é tão avançada quanto se possa desejar, exceto, talvez, por não criar uma agência independente de última instância a que se possa recorrer quando um pedido de informação for negado duas vezes pelo órgão provocado. Essa função será exercida pela Controladoria-Geral da União, que não necessariamente terá no futuro um chefe cioso de sua autonomia como o atual ministro Jorge Hage. No mais, a lei é de uma amplitude rara. Sem precisar dizer por que, bastando se identificar, qualquer cidadão poderá - pessoalmente, por telefone ou pela internet - requisitar cópia de qualquer documento público do Executivo, Legislativo e Judiciário, na União, Estados e municípios, na administração direta e indireta e entidades privadas subsidiadas pelos governos, salvo quando envolvam a intimidade alheia ou sigilos constitucionais. O prazo para resposta é de até 20 dias, prorrogáveis por outros 10. Rito sumário, pois.

Leia na íntegra Para fazer a lei 'pegar'

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 17 / 05 / 2012

Folha de São Paulo
"Acidente no metrô de SP fere 49" 

Falha técnica fez trem cheio se chocar com outro vazio, que estava parado; 106 pessoas foram atendidas em hospital

No pior acidente com trens da história do metrô paulistano, uma composição cheia bateu em outra, vazia, entre as estações Penha e Carrão, deixando ao menos 49 feridos — nenhum em estado grave. Outras 57 buscaram atendimento em unidades de saúde. O choque ocorreu às 9h50, na linha 3-vermelha, a mais movimentada.

O Estado de São Paulo
"Comissão da Verdade não será revanchista, diz Dilma" 

Presidente descarta ‘confrontos inúteis’ e afirma que grupo respeitará ‘pactos nacionais’ pela democracia

A presidente Dilma Rousseff instalou ontem, oficialmente, a Comissão da Verdade, que vai investigar violações dos direitos humanos cometidas sobretudo pelo regime militar. Ex-presa política, Dilma chorou ao discursar. Disse que a comissão não será movida por revanchismo, evitando “confrontos inúteis”, e que respeitará os “pactos políticos que nos levaram à redemocratização”, em referência à Lei de Anistia. No entanto, a presidente enfatizou que “o direito à verdade é tão sagrado quanto o direito que muitas famílias têm de prantear e sepultar seus entes queridos, vitimados pela violência praticada pela ação do Estado ou por sua omissão”. Presentes, os comandantes militares se mostraram constrangidos. Seus aplausos foram tímidos e, ao final, eles evitaram declarações à imprensa.

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quarta-feira, maio 16, 2012

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Opinião

A tranquilidade de Mantega

O Estado de S.Paulo
Os brasileiros têm motivos para otimismo, apesar da crise global, e podem esperar um crescimento econômico maior que o do ano passado e inflação em queda, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Alguns efeitos da crise, como a desvalorização do real, são até benéficos para a indústria nacional e para a geração de empregos, de acordo com sua avaliação. O País está mais preparado que em 2008 para enfrentar o choque externo e, além disso, o mercado interno continuará sustentando a expansão da atividade, afirmou o ministro numa entrevista exclusiva à Agência Estado. Ele tem motivos para exibir alguma tranquilidade, principalmente quando compara a situação do Brasil com a de países mais desenvolvidos, sobrecarregados pela dívida pública e atolados em sérias dificuldades fiscais. A situação desses países, segundo o ministro, se agravou nos últimos anos, por causa de políticas de ajuste estritamente recessivas. Um pouco menos de otimismo, no entanto, seria mais tranquilizador para quem examina com algum cuidado a situação brasileira e os principais obstáculos ao desenvolvimento nacional.

O ministro da Fazenda está certo quando aponta o mercado interno como um ativo importante e uma vantagem do Brasil na comparação com muitos outros países. Exagera de forma perigosa, no entanto, ao insistir num roteiro de crescimento econômico baseado somente nesse mercado. A palavra "somente" é justificável, quando se examina o desempenho da economia nacional nos últimos anos. A contribuição das exportações e importações de bens e serviços para a expansão da economia vem sendo negativa, principalmente por causa da baixa competitividade do setor industrial.

O ministro, no entanto, mostra-se pouco preocupado com isso. Quanto ao poder de competição, deverá melhorar, segundo calcula, graças à valorização do dólar. Ele, a presidente Dilma Rousseff e as torcidas do Flamengo e do Corinthians estão satisfeitos com o dólar próximo de R$ 2,00. A depreciação do real, insiste, é boa para a indústria, porque barateia seus produtos em moeda estrangeira. O efeito inflacionário, de acordo com o ministro, será limitado, até porque as cotações dos produtos básicos têm caído no mercado internacional e devem pressionar menos os preços internos.

Essa argumentação deixa de lado questões importantes, mas é, ao mesmo tempo, reveladora. Ao falar sobre competitividade industrial, o ministro quase se limita a mencionar o câmbio, como se outros fatores fossem irrelevantes. Ele só vai um pouco adiante ao apontar a possibilidade de novos setores serem beneficiados pela desoneração da folha de pagamento, iniciada no ano passado. É muito pouco. As desvantagens do produtor brasileiro, quando se trata de competição internacional, são muito mais amplas, mas o ministro da Fazenda e seus colegas muito raramente enfrentam esse fato. Ele também se refere na entrevista à continuidade dos investimentos públicos, como se de fato o governo federal fosse um importante investidor em infraestrutura e outros itens essenciais à eficiência produtiva. Mas esse não é o caso e não há sinal de reconhecimento desse fato.

Leia na integra em A tranquilidade de Mantega

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 16 / 05 / 2012

Folha de São Paulo
"Resistência à austeridade leva Grécia a nova eleição" 

Pleito pode provocar saída de país do euro; Hollande e Merkel prometem ações

Após longo impasse, a Grécia fará outra eleição em junho para tentar formar novo governo. Os partidos contrários ao pacote de cortes negociado com a União Europeia são favoritos. A perspectiva reforçou a chance de o país deixar a zona do euro. A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, falou em “saída ordenada”. Líderes europeus defendem a permanência e temem o contágio de outras economias. No trimestre, o PIB da Alemanha avançou 0,5% e evitou a contração do bloco.

O Estado de São Paulo
"Dilma ataca impostos e quer reforma tributária pontual" 

Presidente vê ‘resistência’, mas diz que mudanças são ‘prementes’ e cita o caso da tributação de energia

A presidente Dilma Rousseff quer atacar de forma “específica” as distorções do sistema de impostos, um dos entraves ao crescimento do País. Ao classificar de “inadequada” a tributação brasileira, em discurso na abertura da marcha dos prefeitos, ontem em Brasília, Dilma disse que a opção é fazer mudanças pontuais. “Já tentamos duas vezes fazer uma reforma de maior fôlego. Resolvemos agora atuar, em vez de ficar discutindo se a reforma sai ou não sai.” Dilma deixou claro que uma das primeiras áreas que serão atacadas é a de energia. “Não conheço muitos países que tributam energia elétrica. Nós tributamos. Tem várias formas de tributação nossas que são regressivas.” Dilma disse saber que há “resistências” à reforma tributária, mas afirmou que “tem coisas que são prementes”.

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terça-feira, maio 15, 2012

Quero seu batvoto


Galgando o poder...

“O Louco, o Idiota e o Sonâmbulo”

Do Ex-Blog do Cesar Maia    
1. Gabriel Tarde (1843-1904) é o pai da microssociologia e da micropolítica. Suas ideias anteciparam em 100 anos a lógica da formação de opinião pública na sociedade (eletrônica) da informação. Ele ensina que a opinião pública é um processo construído por fluxos de opinamento individuais, na base, que se fortalecem nos contatos de cada um com alguém que, para este, a opinião é importante.
      
2. Os meios de comunicação, políticos, intelectuais, artistas, líderes locais, propaganda, etc., distribuem informações. As pessoas acolhem uma e outra e as testam com a opinião de quem respeitam. Uma vez coincidente com sua opinião, ele/a firma convicção e repassa boca a boca. Como a informação distribuída é geral, quando muitas pessoas priorizam, testam e repassam, muitos fluxos de opinamento ocorrem ao mesmo tempo, em pontos distintos. São esses fluxos que, em um prazo -maior ou menor-, podem formar opinião.
      
3. A TV introduziu um elemento acelerador nesse processo. Ela não forma opinião, pois seu foco é a audiência, que é opinião formada. Mas quando repete um mesmo fato –como na cobertura de escândalos ou grandes crimes- ela acelera estes fluxos e, portanto, acelera a formação de opinião. A TV é um acelerador. A formação de opinião depende dos fluxos na base da sociedade.
     
4. Gabriel Tarde destaca três personagens-símbolo: “o Louco, o Idiota e o Sonâmbulo”. O “Louco” é a pessoa que inicia ou estimula um fluxo de opinião. O “Sonâmbulo” é aquele que simplesmente repassa um fluxo recebido. O “Idiota” é quem interrompe um fluxo que chega a ele. Quando uma informação inicia seu fluxo, seus prazos são variáveis e inclusive pode desaparecer antes de formar opinião pública. Uma pesquisa de opinião pode destacar um fluxo que desaparecerá em breve ou um fluxo de baixa intensidade hoje, que poderá ser de alta intensidade amanhã.
     
5. Um candidato com baixo índice em pesquisas promove uma blitz para aparecer nos meios de comunicação. E se frustra quando a pesquisa não mudou sua intenção de voto. Deveria conter sua ansiedade e pensar que a informação distribuída e –mesmo que chegue na prioridade de muitas pessoas- o tempo para que o fluxo vá se transformando em opinião, nunca é instantâneo. Ele deve pensar menos em tempo e espaço que ocupou na imprensa e mais na informação que pode ativar e intensificar fluxos de opinamento.
     
6. Na pré-campanha, a proporção de “Idiotas” tardianos, ou seja, aqueles que não dão nenhuma importância à eleição vindoura é muito grande. A dos “Loucos” depende de seu alcance de influência direta. E a dos “Sonâmbulos” é muito pequena. Quando começa a campanha e, em especial quando a TV entra, a proporção de “Idiotas” e “Sonâmbulos” se inverte. Mas, assim mesmo, a intensidade do fluxo dependerá da informação que o candidato conseguirá distribuir.
      
7. Numa pesquisa em eleição com reeleição, o nome do governante-candidato na pré-campanha faz memória a uma proporção bem maior de “Sonâmbulos”, pois aquele está presente na mídia. No caso, os “Sonâmbulos” ainda se misturam com os “Idiotas”. Mas o ambiente de fluxos eleitorais ainda não está ativado pela presença majoritária de “Idiotas” em relação ao processo político. Quando a campanha começa e há a inversão entre “Idiotas e Sonâmbulos”, e os “Loucos” de apoio a uma candidatura crescem, só aí então se poderá avaliar a força efetiva de cada candidato.
     
8. Mas tudo isso se pode antecipar em pesquisas que priorizem os cenários futuros e busquem identificar os “Loucos” potenciais e de que forma se entrará no crescimento dos “Sonâmbulos”, despertando interesse para que repassem as informações que cheguem a eles a favor do candidato.
      
9. A Internet –ainda sem a força da TV- é também um acelerador onde a proporção de “Loucos” que a frequenta é muito maior que na TV.

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Opinião

Falta uma Fifa para as creches

O Estado de S.Paulo
Só falta um detalhe para os brasileiros poderem festejar a construção de 6 mil creches até o fim de 2014, uma promessa de campanha repetida várias vezes pela presidente Dilma Rousseff e reafirmada em seu discurso do Dia das Mães. Esse detalhe é muito simples: o governo precisa apenas tomar as providências necessárias para a realização das obras. Mas deve fazê-lo com rapidez, porque a presidente já cumpriu quase um ano e meio de mandato e esse programa, como tantos outros anunciados pela administração federal, continua emperrado. Sem mudanças muito sérias na gestão de programas e projetos, a construção de creches e pré-escolas será um fracasso tão grande quanto as obras da Copa, outro compromisso reiterado nos últimos dias.

O quadro já seria bem melhor se o Proinfância, lançado em 2007, na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tivesse avançado um pouco mais rapidamente. Foram aprovadas a partir daquele ano 4.035 obras para atendimento a crianças em idade pré-escolar. Em março de 2012 o Ministério da Educação anunciou já terem sido entregues 221 inteiramente concluídas. Esse número equivale a 5% das aprovadas para inclusão no programa de financiamentos. O total subiria para 258, se fossem contadas 37 unidades com obras muito próximas da conclusão, mas isso ainda representaria só 6,4% dos projetos aprovados. Em 2007, ano de lançamento do Proinfância, o presidente Lula comprometeu o Brasil com a realização da Copa do Mundo e, portanto, com grandes investimentos em estádios, aeroportos, hotéis e sistemas de mobilidade urbana. Os resultados são muito parecidos nos dois casos, mas os pronunciamentos a favor das criancinhas foram mais raros e mais suaves. Faltou um Jerôme Valcke, da Fifa, para receitar um chute no traseiro das autoridades educacionais.

Para cumprir sua promessa de campanha, a presidente Dilma Rousseff deveria ter dado maior impulso ao Proinfância ou passado a limpo todo o programa para garantir uma execução mais eficaz. A única novidade, no entanto, foi o compromisso de construção de 6 mil creches em quatro anos. Na prática, nenhum efeito sensível.

Em 2011, primeiro ano de governo, R$ 891 milhões foram autorizados no orçamento e R$ 308,3 milhões foram pagos. Mas o ano terminou sem a conclusão de uma única obra. Todo o valor foi empenhado, isto é, formalmente comprometido com a execução de projetos, e R$ 582,3 milhões sobraram para 2012 como restos a pagar. Mas também o desembolso desse dinheiro, assim como o das verbas incluídas no orçamento deste ano, dependerá do ritmo das obras. Como no caso dos projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o cenário é de muita ineficiência, quando se trata de creches e unidades de pré-escola.

Leia na íntegra em Falta uma Fifa para as creches

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Manchetes do dia

Terça-feira, 15 / 05 / 2012

Folha de São Paulo
"Crise europeia derruba mercados" 

Dólar dispara, chega a alcançar R$ 2 e fecha a R$ 1,99; Bovespa recua 3,2% e quase anula os ganhos deste ano

O prolongado impasse político na Grécia, novas preocupações com o futuro do euro e a derrota eleitoral do partido da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, derrubaram os mercados. Com as incertezas, os investidores do mundo todo fugiram das aplicações de maior risco para buscar opções mais seguras, como os títulos públicos dos EUA.

O Estado de São Paulo
"Risco grego para o euro afeta bolsas e dólar encosta em R$ 2" 

Mercados desabam em meio a impasse político que pode levar a situação inédita na União Europeia

A instabilidade política na Grécia provocou ontem nova onda de choque no mercado financeiro global. Preocupados com a possibilidade da saída de Atenas da zona do euro, os investidores levaram as bolsas de valores ao vermelho. No Brasil, o dólar se aproximou de R$ 2 e o Ibovespa fechou no menor nível do ano. Pesaram para os investidores as recentes declarações de autoridades da UE segundo as quais a Grécia terá de sair do euro se não cumprir os acordos de austeridade. Em outro sintoma da crise, a agência de classificação de risco Moody’s anunciou o rebaixamento no crédito de 26 bancos italianos. Em meio ao impasse para a formação de novo governo, o presidente da Grécia, Carolo Papoulias, propôs ontem a criação de um gabinete de “notáveis”, isto é, pessoas de fora dos círculos políticos. A proposta deve ser discutida até quinta-feira. Se for rejeitada, novas eleições serão convocadas.

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segunda-feira, maio 14, 2012

A hora da verdade está chegando. Tremam...


Ubachuva da tuba

Pagou, levou...

Sidney Borges
Estou pensando em quanto vai gastar o candidato que será eleito prefeito em Ubatuba. Convém lembrar aos postulantes que o sistema democrático é dispendioso, para não dizer caríssimo. Dessa forma vou avisando, o candidato que não tiver grana, digo muita grana, pode ir tirando o cavalinho da chuva. Não vai ganhar. Outra coisa, desta vez um recadinho aos pobretões sonhadores: a conversa de que o dinheiro surge durante o processo pode servir de consolo. E tem até um fundo de verdade. Com uma ressalva: o dinheiro surge no calor da disputa se você estiver fazendo uma campanha vitoriosa, o que custa muito dinheiro. Conclusão, com dinheiro você atrai mais dinheiro, sem dinheiro neca de pitibiriba, atrai cobradores e fica a ver navios.

Resumindo: "Revoluções e eleições, brinquedos de barões".

Tenho dito...

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Zé Ronaldo escreveu...


Ontem foi dia das mães

José Ronaldo dos Santos
Pelas madrugadas e em outras horas do dia eu sempre encontro pelas ruas do bairro, em condições repugnantes (dopada, suja, fedida etc.), uma mulher ainda jovem. Neste domingo, Dia das Mães, enquanto esperava embaixo de um toldo comercial pela abertura da farmácia, avistei-a mais ou menos perto, andando debaixo da chuva fina e fria. Da mesa do bar escutei o seguinte diálogo entre dois homens que desde cedo tomavam cerveja:
    - Conhece aquela mulher?
    - Não, mas parece que tá um bagaço.
    - Essa situação é por causa da droga. Até o aposentado que a acolheu, deu casa e conforto não a aguentou. Agora vive assim, pelas ruas como cachorro sem dono.
    - Parece coisa do destino.
Fui para a proteção do outro prédio, mais perto da farmácia, mas continuei por ali. Vi o pessoal do supermercado levantar as portas. Um senhor devidamente trajado para as condições atmosféricas se aproximou e puxou conversa. A primeira coisa que ele perguntou, indicando a moça:
    - Você a conhece?
    - Não. Mas sempre a vejo por aí. Eu a encontro, juntamente com mais algumas pessoas, ainda no escuro, quando estou saindo para o trabalho. Amanhecem na rua.
Nesse momento escutei o impensável, pois aquele senhor, “devido a um alinhamento de planetas” conforme repetia na gozação o velho Tibúrcio Mesquita, era o aposentado citado na primeira conversa. Ele tinha sido a “bondosa alma” que resolvera um dia dar uma oportunidade à moça. Talvez em troca quisesse pouca coisa mais que a “tão cobiçada fruta”. E assim ele continuou:
    - Ela tem 35 anos. Eu já tive um relacionamento com ela. Eu lhe dei uma casa boa. Nós tivemos um filho.
    -  Naquele tempo ela  já usava droga?
    - De vez em quando ela fumava maconha. Mas depois que entrou no crack aí desandou. Também passou a beber. O dinheiro que eu dava para comprar roupas e comida para a criança acabava tudo nas mãos dos traficantes. Vi a miséria invadir a nossa casa. Me separei logo dela.
    - E a criança?
    - Eu peguei a guarda e passei para uma tia que mora em São Paulo. É um menino; já tem seis anos. É saudável, mas nasceu com as mãos atrofiadas porque a mãe tomou remédio para abortar. Logo deve fazer algumas cirurgias para tentar melhorar os movimentos.
    - O senhor ajuda a criar?
    - Eu mando todo mês duzentos reais. Agora ele também recebe uma aposentadoria. Está bem e vai melhorar!
A farmácia abriu; comprei o que precisava. Fui para casa pensando nos fatos, na tristeza de vida dessas pessoas que não têm forças para superar as suas carências, os seus vícios.
À tarde, por volta das 16:00 horas, quando as ruas estavam desertas (afinal era domingo, final do campeonato de futebol!), novamente saí de casa para comprar alguma coisa. Quem eu encontrei sentada diante de um copo, numa solidão e chorosa? Isso mesmo!
Aquela mulher continuava a sua via sacra. “Pobre trapo humano!” diria a amiga Nara, caso a visse.Depois fiquei pensando no que possivelmente a angustiava tanto; nos seus possíveis remorsos. Será que percebia a miséria da sua vida? Pensava no filho ou no carinho que não recebera nem como mãe, nem como ser humano? Qual será o fim dessa mulher? Conseguirá se libertar dos seus vícios?Pensei em meus filhos, nos muitos pais e nas muitas mães que são responsáveis. Refleti sobre a importância de se ter laços culturais que rememore os seus passos, os seus momentos comunitários, festivos, de apoio, de solidariedade concreta a servir de base de sustentação contra as investidas de uma sociedade que aposta na miséria de muitos para que poucos se deem bem!
Pensei na falta que faz refletir sobre a nossa cultura específica. Foi a falta de convicção nos valores e nos modos de vida do nosso povo simples que preparou o terreno às espoliações que se seguiram ao advento do turismo. Foi-se embora o orgulho de ser caiçara. Os outros que chegaram também perderam os seus vínculos culturais, ficaram ao “sabor das marés”. Depois disso, qualquer droga é bem vinda para o corpo.

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Opinião

A maior seca em 30 anos

O Estado de S.Paulo
O semiárido nordestino enfrenta a maior seca dos últimos 30 anos, com os efeitos devastadores das calamidades que ciclicamente castigam a região. A estiagem, que já colocou 515 municípios em estado de emergência, provocará uma queda de 40,1% na produção agrícola nordestina em relação à safra de 2010/2011, o que significa uma perda de 1,4 milhão de toneladas, basicamente de milho e feijão, segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A cultura do arroz também foi afetada pela falta de água nos reservatórios. A pecuária regional foi seriamente afetada. Os criadores de gado em zonas mais afetadas pela seca perderam muitas cabeças de gado e, para reduzir os prejuízos, vendem as reses magras que lhes restam para pecuaristas do Maranhão e do Pará. Não são poupadas nem mesmo as matrizes, o que tornará mais difícil a recomposição dos rebanhos.

O governo federal, em articulação com os governos estaduais, tem agido, mas, por enquanto, limita-se às habituais políticas de cunho assistencial, deixando de lado programas estruturais de combate efetivo às secas, como uso mais racional dos açudes, perfuração de mais poços artesianos e emprego da tecnologia desenvolvida para a construção de reservatórios subterrâneos, capazes de evitar que a água acumulada se evapore devido à forte insolação.

Isso não quer dizer que as medidas emergenciais não sejam necessárias. A diferença em relação às secas passadas, como disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Águas Belas (PE), André de Santana Paixão, é que a população passa por dificuldades, mas, por enquanto, não passa fome, graças ao Bolsa-Família, que atende 850 mil famílias na região atingida pela seca. Esse programa foi reforçado pelo lançamento, no fim de abril, pela presidente Dilma Rousseff, da Bolsa Estiagem, com uma verba total de R$ 200 milhões. O programa prevê um auxílio de R$ 400, distribuído em cinco prestações de R$ 80, além do Bolsa-Família, desde que o beneficiário comprove que reside em área afetada pela seca.

O novo programa ainda não alcançou todas as áreas atingidas pela estiagem e é preciso controle adequado para que o dinheiro chegue realmente a quem precisa e não seja desviado no meio do caminho. O governo promete também antecipar recursos do Programa Garantia-Safra (seguro para pequenos produtores), abrindo uma linha de crédito emergencial para produtores no Banco do Nordeste do Brasil (BNB).

Também está em andamento a Operação Carro-Pipa para levar água potável a 654 municípios nordestinos. Há queixas de que o número de carros-pipa dos governos estaduais e do Exército é insuficiente, mas, segundo o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, a frota será ampliada, sendo aplicados cerca de R$ 174 milhões nessa operação. Também serão recuperados 2,4 mil poços, mas o ministro não especificou a verba a ser destinada para esse fim.

Quanto às soluções técnicas, hoje está claro que a transposição de águas do Rio São Francisco, cujas obras estão sendo conduzidas com lentidão, não será uma resposta à altura do desafio. O canal beneficiará uma pequena parcela da população nordestina e as águas serão utilizadas mais para irrigação do que propriamente para abastecimento. Parece claro que falta um empenho do governo em atacar frontalmente o problema das secas no Nordeste.

Leia na íntegra em A maior seca em 30 anos

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 14 / 05 / 2012

Folha de São Paulo
"Assessor multiplica por dez seus imóveis em SP" 

Diretor que liberava empreendimentos na gestão Kassab nega irregularidades

Nos sete anos em que foi responsável por liberar empreendimentos imobiliários em São Paulo, o diretor do Aprov, Hussain Aref Saab, adquiriu 106 imóveis. Com renda mensal declarada de R$ 20 mil, Aref acumulou patrimônio superior a R$ 50 milhões desde 2005.

O Estado de São Paulo
"Impasse deixa Grécia perto de sair da zona do euro" 

Fracassa tentativa de formar governo e vice fala em “falência selvagem” se não houver ajuda financeira

O fracasso, ontem, da última tentativa do presidente grego, Carolos Papoulias, de formar um governo de coalizão levou empresas e bancos centrais europeus a se prepararem para a saída da Grécia da zona do euro. Os credores não têm dúvida de que a ajuda financeira será encerrada no caso de o país não conseguir aprovar as reformas, seja pelo vácuo de poder, seja por uma vitória da esquerda em caso de uma nova eleição. O vice-presidente grego, Theodoros Pangalos, disse temer uma “falência selvagem”. Empresas europeias já se planejam para a volta do dracma, a moeda grega antes do euro. O presidente do Banco Central belga, Luc Coene, disse acreditar “em um divórcio amigável, se um dia for necessário”.

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domingo, maio 13, 2012

Dia das mães

Nota do Editor: Quem aparece abrigando os filhotes mais lindos da floresta é o pai. A mãe foi ao cabelereiro preparar-se para o "Dia das Mães". Sidney Borges

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Modernidade litorânea

Castelo que era 'igreja' pode virar resort em Ubatuba
 
Agência Estado => Diário do Grande ABC
Um castelo em estilo medieval construído em uma das praias mais isoladas de Ubatuba, no litoral norte paulista, tem aguçado a imaginação de pescadores e despertado a ira de ambientalistas. Com quase 9 mil m² de área construída, a propriedade fica ao lado da paradisíaca Praia do Pulso, cercada por Mata Atlântica e mar azul. Mas, para erguer o empreendimento, o grupo católico Arautos do Evangelho não precisou de licença ambiental: o palácio foi classificado como "igreja", o que livrou os responsáveis pela obra de pedir qualquer autorização à Companhia Ambiental do Estado (Cetesb).

Indignados, moradores da região moveram uma ação civil pública que pedia ao Ministério Público Estadual a demolição do imóvel. Mas o castelo, que estava misteriosamente fechado havia quase um ano, acabou vendido para um grupo do mercado imobiliário americano. Com mais de cem cômodos e torres com guaritas, o lugar está em obras. Ninguém sabe dizer ao certo o que será feito ali.

Na prefeitura de Ubatuba, a obra consta como "ampliação de instalação religiosa" e ainda pertence ao grupo católico. Mas não é isso o que os funcionários dizem. "Aqui é agora uma propriedade particular, não é mais dos padres. No momento adequado, os americanos vão divulgar", diz o funcionário responsável pela obra, que pediu para não ter o nome divulgado. "Não podemos falar sobre o que vai ser aqui com ninguém."

Brechas

Outro mistério para os poucos moradores vizinhos e donos de casas de veraneio, todos acostumados a respeitar severas regras impostas pela Polícia Ambiental, é como alguém conseguiu autorização para construir um castelo em um dos pedaços mais preservados de Ubatuba, ao lado da Fazenda Caçandoca. 

Trata-se de uma região quilombola tombada pelo patrimônio histórico nacional.
O que agora pode até virar um resort ecológico com 20 bangalôs, segundo uma das versões apresentadas por funcionários da obra, nasceu das brechas que existem atualmente na legislação ambiental. Para a construção de igrejas e escolas públicas, não existe a necessidade de autorização prévia de órgãos ambientais do Estado.

Reconhecidos como ordem religiosa pelo Vaticano, os Arautos do Evangelho só tiveram de pedir uma autorização para construção de um templo ao Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico (Condephaat), em 2004. O grupo assinou um termo de responsabilidade com o órgão, assumindo o compromisso de manter intacta a área verde nativa. A Secretaria de Meio Ambiente e a Cetesb não precisaram ser consultadas.

E assim nasceu o castelo, como igreja, apesar de seus enormes portões com 8 metros de altura nunca terem sido abertos a ninguém que não fosse integrante dos Arautos do Evangelho, uma dissidência ultraconservadora da ala Tradição, Família e Propriedade (TFP) da Igreja Católica. Os padres venderam há dois anos o imóvel para os americanos da Sunrise Homes International, um grupo que constrói casas para estudantes em Santa Bárbara, na Califórnia.

Se quiserem fazer um hotel no local que era, na verdade, para ser uma "igreja", os americanos também não vão precisar consultar os órgãos do governo estadual, pois esse tipo de empreendimento é liberado pela prefeitura de Ubatuba. O zoneamento municipal permite um empreendimento hoteleiro naquela área.

Desde que o castelo foi aberto, em 2005, a Polícia Ambiental nunca constatou nenhuma irregularidade. "Mas eles cortaram muito da mata. Só que todos os guardas sempre fecharam os olhos para o que eles fazem", acusa o pescador Adilson da Silva, de 32 anos, que leva turistas para passear de escuna a partir da Praia de Maranduba.

Desde que o castelo começou a ser construído, a Cetesb abriu cinco procedimentos para penalizar condôminos da Praia do Pulso, o loteamento bem ao lado do castelo, por infrações cometidas em áreas de preservação. "E, mesmo assim, deixaram erguer um castelo de arquitetura horrorosa no meio da floresta", reclama a dona de casa Lucinda Cano, de 51 anos, proprietária de um imóvel no local. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Opinião

De volta para o passado

Gaudêncio Torquato - O Estado de S.Paulo
É possível que nos tempos de Pedro II o bordão português fosse expressão de compromisso com a verdade: palavra de rei não volta atrás. Foi com o propósito de ver cumprida sua palavra que o generoso imperador, nos idos de 1877, ante a devastadora seca que assolava o Nordeste, proclamou a sentença que viria a abrir o dicionário de promessas para a região: "Não restará uma única joia na coroa, mas nenhum nordestino morrerá de fome". Ao que se sabe, não faltou nenhuma joia na coroa do imperador...

Milhares de nordestinos não resistiram à inclemência das grandes secas que assolaram o semiárido ao correr do século 20 (a de 1915 foi devastadora). E hoje, se não morrem mais de fome, passam muitas necessidades, a começar da falta de água nas torneiras de suas casas. Nos últimos tempos o crônico problema emergiu sob manchetes que dão conta da pior seca em 30 anos - no caso da Bahia, a mais grave em 47 anos -, situação que ressuscita as agruras do passado, simbolizadas por caminhões-pipa levando água para 600 cidades, filas de pessoas com balde na mão, lavouras dizimadas, carcaças de animais nas terras esturricadas, pequenos rebanhos desfilando uma estética da fome.

Os danos começam a atacar o bolso e o estômago: a mão de milho, com 50 espigas, subiu de R$ 8 para R$ 15, o quilo de feijão, de R$ 3 para R$ 6,20. O fato é que o efeito da seca já se faz sentir na economia nordestina, a denotar que os padrões da vida moderna e os bilhões despejados por governantes em obras de serventia duvidosa não conseguem preencher as demandas das populações. Com o celular pregado ao ouvido enquanto espera a vez de pegar água na mangueira do caminhão-pipa, o moço de bermuda mais parece um insólito retrato da extravagância. Afinal, aquele aparelho de cores berrantes e som estridente destoa da cena que lembra a saga do passado, tão bem descrita por trovadores e imortalizada pelo cancioneiro maior do Nordeste, o de Luiz Gonzaga, ao puxar o lamento: "Quando a lama virou pedra/ e mandacaru secou,/ quando o Ribaçã de sede/ bateu asa e voou,/ foi aí que eu vim me embora/ carregando a minha dor".

O povo já não vai embora porque há um colchão social para atenuar as dores de quem vê a lama virar pedra. Dos 13 milhões de famílias que recebem Bolsa-Família, a concentração maior é no sertão do Nordeste, onde 70% são assistidos pelo programa. Isso explica o contraste que se vê naquela fila da água: um traço do Brasil tecnológico, simbolizado pelo celular, ao qual 164 milhões de brasileiros têm acesso; e o desenho do País das grandes carências, dentre as quais a de água, que deixou de pingar nas torneiras de 85% dos municípios da região.

Como contemplar a moldura desconjuntada sem achar que nossa posição de sexta economia do mundo deixa transparecer um tecido roto, a imagem de um queijo suíço, cheio de furos? Às imagens entrelaçadas de passado e presente se soma o acervo verborrágico sobre a seca, pleno de promessas, feitos e realizações. Compreende-se a razão: a água, oxigênio da vida, oxigena também ambições políticas. Transforma-se em discurso para as massas assoladas por sua escassez. Pratica-se, em seu entorno, o jogo político, um recheio de promessas vãs embalado no pacote de mazelas da cultura regional. A cada seca se expande a galeria de governantes autonomeados artífices da redenção do povo. A "solução" encontrada por todos eles, desde os tempos do imperador, tem sido a construção de pequenos e médios reservatórios. Políticas consistentes passam ao largo.

Na campanha presidencial de 1950, Getúlio Vargas, ao discursar no Ceará, lembrava que seu governo, em menos de 15 anos (de 1930 a 1944), conseguira aumentar a capacidade de acumulação de água no Nordeste, de 630 milhões para 2 bilhões de m3, com a construção de 225 açudes. Gastara 15 milhões de cruzeiros. Juscelino Kubitschek, ao assumir a Presidência, em 1956, garantiu no discurso de posse: "Esta é a última seca que assola o Nordeste". A garantia do presidente que inaugurou a barragem do Açude de Orós, na época o maior do País, evaporou-se como a água dos reservatórios. No ciclo da ditadura militar, o tratamento seguiu os trâmites ortodoxos: estado de calamidade pública nos municípios afetados e abertura de crédito extraordinário. A era FHC fechou os olhos ao fenômeno, que acontece com intervalos próximos a dez anos. Iniciou um tímido programa de alistamento para uma bolsa de emergência. O então presidente referiu-se poucas vezes à seca. "O povo do Nordeste e do norte de Minas deve encarar a seca, criando condições de enfrentamento no qual o cidadão será o vencedor", dizia.

Leia na íntegra em De volta para o passado

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Manchetes do dia

Domingo, 13 / 05 / 2012

Folha de São Paulo
"Queda de juros provoca embate entre BB e Caixa" 

Bancos trocam farpas e protagonizam disputa pelo posto de líder nos cortes

A ofensiva da presidente Dilma ao usar os bancos públicos para pressionar os privados a baixar os juros no país gerou uma batalha dentro do próprio governo. O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal passaram a trocar farpas e protagonizam uma disputa pelo posto de líder nos cortes.

O Estado de São Paulo
"Lei de Acesso à Informação vai começar enfraquecida" 

Demora na regulamentação por parte do governo atrasa detalhamento e pode gerar confusão

A três dias da entrada em vigor da Lei de Acesso à Informação, que regulamenta o direito constitucional de acesso dos cidadãos às informações públicas, o governo ainda deve o decreto que detalha o funcionamento da legislação no Executivo. Segundo o Planalto, a regulamentação será publicada até quarta, mas o ministro-chefe da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage, admite que não será possível esperar que “os serviços de prestação de informações estejam funcionando totalmente” nesse dia. Especialistas alertam que a demora na edição do decreto – seis meses já se passaram desde a sanção da lei – pode gerar confusão na implementação. A Lei de Acesso deixou indefinidas diversas especificidades, como, por exemplo, a necessidade de identificação do requerente da informação.

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