sábado, maio 05, 2012

Que c'est triste Venise


Colunistas

Occupy 2: quebrando tudo sem chiclete

“Os banqueiros ainda parecem considerar os protestos do Occupy pouco mais do que um incômodo baseado na ‘ignorância das massas’. Podiam ser mais humildes”

Márcia Denser
O movimento Occupy retornou à mídia no 1º de Maio, convocando os norte-americanos a promoverem um apagão de consumo em homenagem à data (ano passado, 6 milhões pararam, de trabalhadores a estudantes). E, conforme o prometido, volto a comentar o ensaio recém-lançado pela Boitempo, Occupy – movimentos de protesto que tomaram as ruas do planeta, desta vez focalizando o artigo “Chega de Chiclete”, assinado por um dos meus autores favoritos:o pesquisador, historiador e ativista Mike Davis.

Autor do famoso Planeta Favela (2006), onde, a propósito, no último capítulo, chamado sugestivamente “Descendo a rua Vietnã”, este comenta (parafraseando Jan Breman): “Chega-se a um ponto sem volta quando o exército de reserva à espera de ser incorporado ao processo de trabalho torna-se estigmatizado como massa permanentemente supérflua, fardo excessivo que não pode ser incluído, nem agora, nem no futuro, na economia e na sociedade: esta metamorfose é a verdadeira crise do capitalismo!   No final dos anos 1990, conforme a CIA, espantosos um bilhão de trabalhadores, que representavam um terço da força de trabalho mundial, estavam desempregados ou subempregados. Além do informalismo infinitamente ‘flexível’ (adjetivo que significa literalmente ‘sem garantia alguma de manutenção do emprego ou sub ou estágio ou os três’), não há roteiro para a reincorporação dessa enorme massa de mão-de-obra excedente na corrente principal da economia”.

Voltando ao Occupy: Davis abre sua exposição com uma pergunta retórica: quem poderia prever o Occupy Wall Street e sua repentina proliferação em várias cidades, grandes e pequenas? (aqui eu poderia responder que, quando uma idéia amadurece – PORQUE uma situação geral atinge seu limiar extremo – esta eclode simultaneamente em várias partes do mundo, é um fato historicamente comprovado), mas Davis comenta que alguém previu: o cineasta John Carpenter.

Há quase 25 anos (1988), esse mestre do terror (Halloween, A Coisa) dirigiu Eles Vivem (They Live), metaforizando a Era Reagan como uma catastrófica invasão alienígena: logo nas primeiras cenas, uma grande periferia de pesadelo terceiro-mundista é refletida ao longo duma auto-estrada nos arranha-céus espelhados de Bunker Hill, LA. Carpenter também retrata banqueiros e midiocratas cruéis pulverizando uma classe trabalhadora que vive em barracas numa encosta cheia de entulhos, implorando por trabalhos temporários. Então surge o enigmático personagem Nada (interpretado por Roddy Piper), sujeito extremamente furioso, cujos óculos mágicos desfazem o engodo geral perpetrado pelos ricos contra o “resto” do mundo.

Infelizmente, o Occupy the World ainda procura seus óculos mágicos – sob a forma de programas, demandas, estratégias – e sua fúria ainda é contida, num estado meio gandhiano, meio zen. Mas, como previu Carpenter, basta arrancar um número suficiente de cidadãos de suas casas e/ou carreiras – apavorando dezenas de milhões com esta possibilidade – para a Terra começar a tremer e avançar sobretudo em direção à Goldman Sachs.

Davis não deixa por menos: ”Ainda acho que tomar o comando dos arranha-céus é uma idéia esplêndida (ao invés de simplesmente ocupar as praças e ruas), mas para um estágio mais avançado da luta”. Outro dado importante apontado por ele: tais ocupações estão derrubando barreiras de geração, proporcionando as bases comuns para que professores da terceira idade troquem figurinhas com acadêmicos jovens desempregados. E ele constata, deslumbrado: OPERÁRIOS & HIPPIES JUNTOS, FINALMENTE!!!!

O sistema é de tal forma absurdamente suicida que conseguiu o impossível! Para Davis, estamos vivenciando o renascimento de qualidades como a compaixão e a solidariedade espontâneas, baseadas numa ética “perigosamente” igualitária.  Mas voltemos à estratégia: qual o próximo elo na corrente (no sentido de Lênin) que precisa ser atado? Até que ponto é imperativo formar uma convenção, assumir demandas programáticas já nas eleições de 2012? Obama e os democratas irão, com certeza – talvez, desesperadamente – precisar da energia e da autenticidade de tais movimentos.

Mas é improvável que os “ocupas” coloquem à venda a si próprios ou ao seu extraordinário processo de auto-organização. A tendência é para a posição anarquista e seus imperativos óbvios: lembrando vagamente Maio de 68, mas como um imenso e inegociável BASTA inscrito em todas as cabeças (assim espero…). Davis recomenda: exponham a dor dos 99%, levem Wall Street a julgamento. Confrontem os predadores com suas vítimas: convoquem um tribunal planetário sobre o genocídio econômico!

Infelizmente, os banqueiros entrevistados pelo The New York Times ainda parecem considerar os protestos do Occupy pouco mais do que um incômodo baseado na “ignorância das massas diante das complexidades do setor financeiro”. É pena: podiam ser mais humildes. Na verdade, deviam estar apavorados: quatro milhões e meio de empregos da área industrial foram perdidos nos EUA desde 2002, uma geração inteira de recém-graduados encara a mais alta mobilidade descendente da história do país (percebem o quanto a coisa se agravou em relação às estatísticas de 90 retro-mencionadas?): diante disso espera-se o quê?

E Davis conclui, implacável: “Arruinar o sonho americano e as pessoas comuns será extremamente prejudicial para vocês (banqueiros). Ou, como Nada explica a seus agressores no profético filme de Carpenter: Vim aqui para mascar chiclete e quebrar tudo…e meus chicletes acabaram!”.

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

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Opinião

Salários atrasados

O Estado de S.Paulo
As aulas do ensino fundamental em São Paulo começaram na primeira semana de fevereiro, mas uma parcela expressiva dos 217 mil professores da rede pública estadual ainda não recebeu os salários a que tem direito pelos três meses já trabalhados. Os mais atingidos pelo atraso do pagamento são os 29,4 mil docentes temporários, que representam 13,4% do total de integrantes do magistério público paulista.

Eles não são concursados e foram contratados pelo governo estadual em caráter emergencial, no início do ano, para evitar que muitas escolas - especialmente as da periferia da capital, as da região metropolitana e as das zonas rurais de pequenas cidades do interior - deixassem de funcionar. Mas os professores temporários estão trabalhando de graça, pois nem o salário de fevereiro - que deveria ter sido pago na primeira quinzena de março - foi depositado até o momento. Vários docentes concursados também reclamam que estão sem receber.

As autoridades educacionais informaram não saber o número exato dos professores concursados e temporários prejudicados e não deram prazo para normalizar a situação. A informação - não oficial - é de que os pagamentos atrasados estarão regularizados até o final de junho - ou seja, cinco meses após o início do ano letivo. A legislação trabalhista obriga o empregador a depositar os salários dos trabalhadores até o quinto dia útil após o mês trabalhado.

A Secretaria Estadual da Educação atribuiu o atraso do pagamento a entraves burocráticos. Segundo as autoridades educacionais, os casos são pontuais e o atraso - que já havia sido previsto no início do ano pelo próprio governador Geraldo Alckmin, segundo elas - se deve a dificuldades de cadastramento dos docentes temporários que ingressaram pela primeira vez na rede estadual de ensino fundamental. As entidades do professorado refutam esses argumentos. "Isso é absurdo e inacreditável. Ter problemas de cadastro, num sistema em que tudo é computadorizado e informatizado, revela desorganização", diz o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Leão.

Os líderes sindicais do professorado alegam que a falta de pagamento vem atingindo quem já trabalhou como docente temporário por muitos anos, tendo renovado o contrato diversas vezes, e quem ingressou na rede no ano passado, estando com o contrato em vigência. Os dirigentes de entidades de professores também afirmam que, apesar de as autoridades educacionais terem comunicado informalmente que os salários atrasados poderão ser depositados até o final do próximo mês, o governo ainda não tem uma previsão exata do dia do pagamento, uma vez que o dinheiro ainda não teria sido provisionado pela Secretaria da Fazenda.

A falta de pagamento desestimula os professores - e quem sofre as consequências da inépcia administrativa do governo estadual são os estudantes. Os docentes que estão sem receber têm sido obrigados a fazer empréstimos bancários ou a pedir apoio financeiro à família. "Ninguém explica nada. Na escola, a culpa é atribuída à Secretaria da Educação. E, nas diretorias de ensino, a culpa é jogada em cima da Secretaria da Fazenda", diz a professora Janice Aparecida da Silva, que entrou para o magistério público estadual há 21 anos. "Ninguém explica o porquê do atraso. É humilhante", afirma a professora temporária Carina Silva, que ensina língua portuguesa numa escola na zona rural de Cachoeira Paulista e está na rede há cerca de cinco anos.

Além do atraso de pagamentos, as entidades do professorado denunciam que, em muitas escolas, faltam docentes em matérias fundamentais, como matemática e geografia. O governo alega que o déficit de professores na rede estadual é de apenas 0,6% e atribui o problema a falecimentos, exonerações e licenças. Custa crer que o Estado mais rico da Federação apresente justificativas como essas. Atraso de pagamento e falta de professores são as consequências da incompetência administrativa e da falta de planejamento.

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Nota do Editor - Como diria aquele apresentador da TV, "isso é uma vergonha". Não basta o salário ser aviltantemente baixo, ainda por cima atrasa. Em que país estamos senhor governador? Sidney Borges

Manchetes do dia

Sábado, 05 / 05 / 2012

Folha de São Paulo
"Governo já prevê juros abaixo de 8% neste ano" 

Com a economia lenta e mudança na poupança, BC teria espaço para mais cortes

Com o cenário econômico atual e após as mudanças na remuneração da caderneta de poupança, o governo de Dilma Rousseff acredita que haja espaço para que a taxa básica de juros da economia, a Selic, fique abaixo de 8% já no final deste ano. Isso porque o ritmo da economia brasileira ainda é lento e só deve se acelerar no segundo semestre, o que abre espaço para o Banco Central dar sequência às reduções dos juros sem ter de se preocupar com o risco de inflação mais elevada. O Planalto dá como certo que o BC reduzirá a Selic dos atuais 9% para 8,5% ao ano na reunião deste mês. Nas seguintes, a previsão é que os cortes continuem, fechando 2012 com uma taxa entre 7,5% e 7,75%, no segundo ano de Dilma. Para a equipe econômica, é impossível o PIB ter crescimento de 4% neste ano, como deseja Dilma, principalmente com a indústria em queda. A expectativa é de um avanço de 3,5%. 

O Estado de São Paulo
"Depois da poupança governo quer atacar juro de banco privado" 

Fazenda vai retomar negociação com instituições para diminuir o spread

Depois de mexer no rendimento da poupança para facilitar a queda da taxa básica de juros, o próximo passo do governo será negociar a redução do spread, a diferença entre o que os bancos pagam para tomar recursos e o que eles cobram dos clientes. Na visão do secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, mesmo sem novas medidas do governo há espaço para reduzir essa margem. O raciocínio é que, com o spread menor, os bancos vão aumentar o volume de crédito e diminuir a inadimplência, criando um ciclo virtuoso que permitirá novos cortes de juros. “O Brasil pode conviver com taxas de juros menores”, disse Barbosa.  

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sexta-feira, maio 04, 2012

Rocinha


Coluna do Celsinho

Sem novidades

Celso de Almeida Jr.
Discretamente, ou não, a pré-campanha eleitoral revela os métodos dos concorrentes.

Com qualquer resultado, já é possível prever a postura padrão do futuro comando ubatubense.

Pelas ações até aqui, creio que não teremos uma campanha envolvente.

Graças, principalmente, às redes sociais, os temas já foram antecipados, gerando muita discussão prévia.

Em junho teremos as convenções partidárias, confirmando quem disputará, quem será o vice, quem entregará os pontos.

Maio, portanto, será o mês dos recuos e avanços, delineando as estratégias para as alianças definitivas.

Época bastante interessante para quem observa a política local.

Provavelmente, reforçará a máxima tão rotineira neste meio:

“É dando que se recebe...”

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

A crise desembarcou

O Estado de S.Paulo
A crise internacional chegou aos portos brasileiros, derrubando os preços dos principais produtos exportados pelo Brasil - commodities agrícolas, minérios e semimanufaturados. A indústria, muito menos competitiva do que há alguns anos, ainda aumenta as vendas para alguns países, mas seu desempenho, de modo geral, continua ruim até no mercado interno, invadido por mercadorias fabricadas no exterior. Em abril, as exportações totais, no valor de US$ 19,6 bilhões, foram 7,9% menores que as de um ano antes. As importações, no valor de US$ 18,7 bilhões, também foram inferiores às de abril de 2011, mas a queda foi de apenas 3,1%. A demanda de produtos estrangeiros pode ter sido afetada pela perda de ritmo da economia nacional, mas continua bem mais vigorosa que a procura de bens oferecidos pela indústria brasileira.

Os resultados do comércio exterior mais numa vez confirmam o principal defeito da estratégia anticrise adotada pelo governo brasileiro. O Brasil, têm repetido a presidente Dilma Rousseff e seus ministros, enfrentará com sucesso a crise global graças ao potencial de seu mercado interno. O poder de compra desse mercado tem sido alimentado tanto pelo aumento do bolo de rendimentos quanto pela expansão do crédito. Mas a indústria brasileira tem sido incapaz, por vários fatores, de responder ao crescimento da procura. Mesmo a depreciação do real, nos últimos meses, pouco elevou o poder de competição dos produtores nacionais, prejudicado por uma série de custos e de ineficiências made in Brazil. Por isso, o vigor do mercado interno tem criado excelentes oportunidades para a produção estrangeira. Com a retração de outros compradores, os mercados brasileiro e de outros países latino-americanos se tornam especialmente atraentes para chineses e outros competidores.

Além disso, os efeitos da crise global são bem visíveis nas exportações de commodities. Um levantamento de 23 dos principais produtos básicos e semimanufaturados vendidos pelo Brasil mostrou a seguinte evolução: 18 deles têm preços menores que os de um ano antes e 16 têm menor volume de vendas. No conjunto, 16 desses produtos proporcionaram receita menor que a de abril de 2011.

As cotações de vários produtos permanecem até elevadas, pelos padrões históricos, mas o recuo nos últimos 12 meses foi sensível e refletiu tanto a estagnação europeia, agravada no começo deste ano, como a perda de impulso da China e de outras economias emergentes.

Leia na íntegra em A crise desembarcou

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 04 / 05 / 2012

Folha de São Paulo
"Dilma corta ganho da poupança" 

Rendimento da aplicação mais popular do país será reduzido se os juros caírem a 8,5% ao ano, como é esperado

A presidente Dilma Rousseff mexeu nas regras da poupança, a mais tradicional e popular aplicação financeira do país, e reduziu o seu rendimento, conforme havia antecipado a Folha. O objetivo é reduzir os juros sem que haja fuga de outros investimentos para a caderneta. A medida vale a partir de hoje para novas aplicações e novos depósitos em contas já existentes.

O Estado de São Paulo
"Governo cria gatilho para poupança" 

Se o BC cortar a Selic para 8,5% ou menos, o ganho da caderneta passará a ser 70% dessa taxa mais TR; intenção é facilitar redução dos juros

Para permitir a queda dos juros, o governo criou um gatilho que vai reduzir o ganho da poupança. Nada muda de imediato, mas, se o Banco Central decidir cortar a Selic (taxa de juros básica) para 8,5% ou menos - o que pode acontecer neste semestre -, o rendimento passará a ser 70% dessa taxa acrescido da variação da Taxa Referencial (TR), em vez dos tradicionais 0,5% mais TR. Essa nova fórmula atingirá os depósitos feitos a partir de hoje. Para depósitos antigos, nada muda. As características da poupança atual, como isenção do Imposto de Renda, rendimentos mensais e liquidez diária, não mudam. “É um passo histórico, mas é só um passo”, disse a presidente Dilma Rousseff a líderes da base aliada. Dilma pediu ainda cuidado na divulgação do tema, pois admitiu preocupação com interpretações errôneas de que o governo congelará a poupança. “Não vamos fazer nenhuma gracinha, nenhuma loucura”, afirmou a presidente a sindicalistas. A Confederação Nacional da Indústria manifestou apoio à medida. 

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quinta-feira, maio 03, 2012

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Opinião

País rico é país com saneamento adequado

Roberto Macedo - O Estado de S.Paulo
País rico é país sem pobreza, diz o lema do governo Dilma Rousseff. Mas cabe perguntar: que pobreza o governo tem em mente e quer eliminar? Se for medida pelo critério de renda, mesmo com o avanço da chamada classe C - a tal "nova classe média" -, boa parte desta é ainda pobre tanto no valor absoluto de sua renda como em termos de comparações internacionais. E há ainda as classes D e E.

Pode ser que o governo defina um nível conveniente de renda mínima ao medir o seu esforço de eliminar a pobreza. Mas nem assim esconderia o fato de que o País não seria rico se somente isso ocorresse. Esse nível de renda seria baixo e a pobreza não se limita aos rendimentos. Há outros aspectos fundamentais, como o nível e a qualidade do ensino e do atendimento à saúde recebidos em termos médios pela população, sabidamente muito baixos no Brasil. São carências seculares que não serão resolvidas em um ou dois mandatos presidenciais. E há mais aspectos da pobreza também carentes de atenção. Entre eles, a falta de saneamento adequado, que se desdobra em água tratada, esgotamento sanitário, coleta de lixo e drenagem de águas pluviais - esta para evitar as enchentes e os seus repetidos desastres. Quanto a isso o Brasil também está longe de chegar ao que se passa em países ricos.

Sabia que as carências de saneamento são sérias no Brasil, mas recentemente percebi que são ainda bem mais graves do que imaginava. Isso aconteceu ao assistir a uma palestra do economista Gesner Oliveira em reunião recente do Conselho de Economia da Associação Comercial de São Paulo. Além de sólida formação acadêmica e de sua condição de professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, ele tem hoje uma importante credencial para falar sobre o assunto: a experiência em lidar com ele como presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) no governo José Serra.

O palestrante pintou um quadro dramático da precariedade do saneamento básico brasileiro, em particular nas áreas urbanas, o foco de sua análise. Assim, dados de 2010 ou próximos desse ano - como outros que são citados abaixo - mostram que apenas 25% das capitais tinham mais de 80% dos seus domicílios ligados a redes de esgoto. E há casos gravíssimos. Assim, numa reportagem de jornal mostrada na ocasião algumas foram chamadas de "capitais da porcaria", entre elas Porto Velho (apenas 2% de domicílios ligados), Belém (6%), Macapá (7%) e Manaus (11%), numa lista que inclui também quatro capitais nordestinas com taxas entre 30% e 37%.

Dados sobre o Brasil mostram ainda 40 milhões de pessoas sem rede de água tratada, 107 milhões (!) sem rede de esgoto, 134 milhões sem esgoto tratado e 8,2 milhões (!) sem banheiros em seus domicílios.

A situação de alguns países ricos foi apresentada e os dados confirmam o título deste artigo. Assim, na Alemanha 100% dos municípios têm água tratada, 100% têm coleta de esgoto e em 99% deles há tratamento do coletado. Na Itália os índices são de 98%, 90% e 94%; em Portugal, 97%, 95% e 84%; na França, 99%, 95% e 84%, respectivamente.

Numa breve referência ao saneamento rural, uma avaliação da ONU mostrou que a situação brasileira é pior do que a de países como Sudão, Timor Leste e Afeganistão. Quanto ao lixo, 42% dos resíduos sólidos coletados no País têm destinação imprópria, pois vão para lixões e aterros inadequados. E apenas 6% dos municípios têm algum sistema de drenagem.

É óbvia a correlação entre a disponibilidade de saneamento básico e melhores condições de saúde no entorno dos domicílios atendidos, mas foi interessante conhecer uma estimativa de que cada real gasto com saneamento representa a economia de quatro com tratamentos de saúde.

Dado esse triste quadro, o que se faz em contrário é claramente insuficiente para limpar toda a sujeira que revela. Há carência de investimentos e dificuldades de planejamento e de gestão. O Brasil tem seu Plano Nacional de Saneamento Básico, que prevê a universalização desse serviço até 2030 mediante investimentos totais de R$ 263 bilhões, e no valor médio anual, de R$ 13 bilhões, o que significaria dobrar a média dos últimos cinco anos, que, se mantida, deixaria essa universalização para 2060 (!).

Leia na íntegra em País rico é país com saneamento adequado

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 03 / 05 / 2012

Folha de São Paulo
"Só as futuras poupanças devem ter regra alterada" 

Dilma pode anunciar hoje mudança na remuneração para facilitar a queda dos juros

O governo deve anunciar hoje mudanças nas regras da poupança. O novo modelo foi discutido ontem pela presidente Dilma com o ministro Guido Mantega (Fazenda) e com o presidente do BC, Alexandre Tombini. As mudanças devem atingir só as novas aplicações. Entre as propostas em debate, estão a que prevê associar a remuneração a um percentual da Selic, a cobrança de IR e a correção com base em um índice de preços.

O Estado de São Paulo
"Blindagem do PT cai e Delta terá investigação ampliada" 

CPI quer apurar ligações da empreiteira com Cachoeira, mas, por ora, não convoca governadores suspeitos

A CPI do Cachoeira tirou a blindagem montada pelo PT para proteger o governo federal e decidiu investigar em todo o Brasil, e não só no Centro-Oeste, as ligações da empreiteira Delta, que executa obras do PAC, com o contraventor Carlinhos Cachoeira. Quanto aos governadores Marconi Perillo (PSDB-GO), Agnelo Queiroz (PT-DF) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ), a CPI nada decidiu. Os nomes de Agnelo e Perillo aparecem nas escutas telefônicas obtidas pela Polícia Federal. Quanto a Cabral, os parlamentares de oposição desejam convocá-lo por causa da ligação com o empresário Fernando Cavendish, dono da Delta e suspeito de ser “sócio oculto” de Cachoeira. 

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quarta-feira, maio 02, 2012

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Opinião

As Malvinas de Dilma

O Estado de S.Paulo
Discurso contra banqueiro é sempre um sucesso de público - e muitas vezes de crítica - e a presidente Dilma Rousseff tem-se dedicado com notável empenho a essa tarefa. O que não deve surpreender ninguém: os juros cobrados no Brasil, entre os mais altos do mundo, estão muito além de qualquer padrão aceitável, exceto em momentos excepcionais, nos países civilizados. Mas foi um tanto surpreendente a escolha dos juros como tema central de seu pronunciamento de segunda-feira, para comemorar o Dia do Trabalho. Ela aproveitou a celebração para cobrar mais uma vez a redução do custo dos financiamentos, como se fosse essa, neste momento, a ação mais importante para a criação de empregos e para o aumento do bem-estar dos trabalhadores. Os bancos brasileiros, disse a presidente, são muito sólidos e isso é bom para o País, mas nada justifica a manutenção de juros tão altos. Ela exortou o setor bancário, mais uma vez, a seguir o exemplo da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil.

Essa campanha diversifica e enriquece o discurso oficial sobre os grandes entraves ao crescimento econômico e ao desenvolvimento do Brasil. Durante algum tempo, a presidente Dilma Rousseff concentrou os ataques num alvo externo - a política dos bancos centrais do mundo rico, acusados de causar um tsunami monetário. O excesso de dinheiro emitido na Europa e nos Estados Unidos é apontado como causa da valorização do real e da perda de competitividade da indústria brasileira.

É uma campanha politicamente interessante, embora inútil do ponto de vista econômico. Nenhuma autoridade monetária do mundo rico vai mudar sua política para atender o governo brasileiro. Mas a função principal desse tipo de retórica não é resolver problemas. É transferir culpas. No caso dos bancos nacionais, a capacidade de ação do governo é certamente maior, embora limitada. Além disso, a opinião pública é sem dúvida mais sensível a esse tipo de discurso do que à peroração sobre os bancos centrais estrangeiros.

Ninguém, exceto os banqueiros e seus porta-vozes, considera como razoáveis os juros cobrados no mercado brasileiro. As justificativas apresentadas - impostos muito altos, elevada inadimplência, depósitos compulsórios muito grandes - são obviamente insuficientes. Afinal, cerca de um terço do spread, a diferença entre o custo de captação dos bancos e os juros cobrados nos empréstimos, corresponde ao lucro dos bancos. Esse lucro só é sustentável porque o grau de concorrência no setor financeiro é muito baixo e as instituições têm enorme poder na formação de seus preços.

Todos esses pontos foram analisados tecnicamente em vários estudos. Daí a decisão do governo de forçar o aumento da competição por meio dos bancos oficiais. Mas qual a eficácia real dessa estratégia? Instituições privadas cortaram os juros de algumas linhas de financiamento, mas muito mais para dar uma satisfação ao governo e à opinião pública do que para enfrentar, de fato, competidores estatais. O jogo pode não ter acabado e talvez sejam necessários novos lances das entidades federais. Até onde poderão avançar sem comprometer a rentabilidade e sem precisar recorrer ao Tesouro?

Leia na íntegra em As Malvinas de Dilma

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 02 / 05 / 2012

Folha de São Paulo
"Para baixar juros, governo estuda mudar poupança" 

Rendimento da caderneta funciona como piso para a taxa real; presidente pode apresentar proposta hoje

A presidente Dilma Rousseff estuda mudanças na caderneta de poupança como parte de sua estratégia para baixar as taxas de juros. A proposta, que pode ser apresentada a líderes governistas em reunião hoje, objetiva reduzir os juros reais da economia para 2% ao ano ainda neste mandato.

O Estado de São Paulo
"CPI abre hoje batalha política e envolve mais um governador" 

Retomada do caso Cachoeira tem Sérgio Cabral (PMDB) como novo personagem

Governistas e oposição vão travar hoje sua primeira batalha na CPI do Cachoeira com um novo personagem na luta política, até a semana passada restrita a petistas e tucanos. O peemedebista Sérgio Cabral (RJ) é mais um governador a ter o nome citado como suspeito de ligação com o esquema de contravenção de Carlinhos Cachoeira. Partidos de oposição decidiram pedir a convocação de Cabral para que ele explique a relação com Fernando Cavendish, dono da Delta Construções, que faria parte do esquema de Cachoeira. PMDB e PT querem blindar Cabral e Agnelo Queiroz (DF). Por outro lado, petistas defendem a convocação do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Os tucanos aceitam a ida de Perillo, desde que os outros governadores sejam convocados. O governo federal já se preocupa com a possibilidade de a Delta abandonar a execução de obras no País, em especial as previstas no PAC. 

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terça-feira, maio 01, 2012

David Hockney

Piscina com duas figuras

Tiro o chapéu!

Parabéns presidente

Nunca antes neste país um presidente teve a coragem de colocar de forma tão clara o absurdo kafkiano da terra brasiliense ou, como diria Nelson Rodrigues, a trágica obviedade ululante. Dilma Roussef mostrou ao que veio e foi ao fulcro da questão:

"É inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continue com os juros mais altos do mundo".

Dilma Rousseff

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Opinião

O preço da longevidade

O Estado de S.Paulo
Na maior parte do mundo, as pessoas vivem em condições cada vez melhores e estão vivendo mais. A crescente longevidade da população tem sido apontada como uma das consequências mais expressivas da melhora da qualidade de vida no planeta, e esse aspecto altamente positivo foi enfatizado pela equipe do FMI que estudou o impacto do aumento da expectativa de vida sobre a economia nos próximos anos. Mas as conclusões a que ela chegou são preocupantes e as recomendações que faz para evitar crises futuras precisam ser consideradas desde já.

A questão interessa a todos. As advertências do FMI valem para os governos, que mantêm sistemas públicos de aposentadoria e outros programas de seguridade social; para os empregadores que mantêm, em parceria com os empregados, planos de complementação de aposentadoria; para as empresas que administram fundos de pensão; e para as pessoas, que no período produtivo precisam formar o pecúlio que lhes garanta aposentadoria tranquila - e que ficará tanto mais cara quanto mais tempo elas viverem na condição de aposentadas.

Os números apontados no estudo O impacto financeiro do risco da longevidade - que faz parte do Relatório de Estabilidade Financeira Mundial apresentado durante a reunião de primavera do FMI e do Banco Mundial - são impressionantes. Se, até 2050, as pessoas viverem três anos mais do que a estimativa média de vida adotada nos planos de aposentadoria da maioria dos países, os gastos com previdência social, que já são muito altos, crescerão o equivalente a 50% do PIB de 2010 dos países avançados e 25% dos emergentes.

O estudo do FMI adverte que os riscos aumentarão lentamente, mas se não forem enfrentados desde já poderão ter efeito altamente negativo sobre o já precário equilíbrio financeiro das empresas e dos governos, tornando-os ainda mais vulneráveis a novos choques, podendo afetar a estabilidade financeira mundial.

O cenário talvez pareça sombrio demais para países, instituições e pessoas que, nos últimos anos, se prepararam e criaram mecanismos para enfrentar a questão do aumento da idade média da população. Mas, como observa o estudo, os preparativos foram baseados em projeções que subestimaram a longevidade e, por isso, estão se tornando insuficientes para assegurar aposentadoria condigna para todos.

São poucos os países que reconhecem os riscos do aumento da longevidade. E os que o fazem se deparam com cifras imensas. O custo da aposentadoria na maioria dos países já é 10% maior do que o previsto. Nos EUA, a maior parte dos fundos de pensão baseia seus cálculos atuariais em estatísticas de 1983. O erro pode resultar num custo adicional para o sistema previdenciário de até US$ 7 trilhões no futuro.

"Quanto mais se ignorar essa questão, mais difícil será resolvê-lo", disse Laura Kodres, uma das coordenadoras do relatório do FMI sobre estabilidade financeira. "O tempo para agir chegou", completou, insistindo na necessidade de os países ajustarem seus regimes previdenciários, de modo a assegurar sua estabilidade financeira e a saúde das contas públicas.

Leia na íntegra em O preço da longevidade

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Manchetes do dia

Terça-feira, 01 / 05 / 2012

Folha de São Paulo
"No Dia do Trabalho, Dilma ataca os bancos" 

Presidente cobra redução de juros e vê ‘lógica perversa’ no setor financeiro

A presidente Dilma Rousseff aproveitou a comemoração do Dia do Trabalho para cobrar dos bancos privados, em cadeia nacional de rádio e TV, uma redução maior dos juros. Segundo ela, não há como explicar os patamares praticados. Dilma disse que o Banco Central tem reduzido a taxa básica de juros (Selic) nos últimos meses e que a queda tem que chegar ao consumidor, com a redução de taxas para empréstimos, cartões de crédito, cheque especial e crédito consignado.

O Estado de São Paulo
"Dilma ataca bancos em rede nacional" 

Em discurso pelo Dia do Trabalho, presidente diz que é ‘inadmissível’ que as instituições privadas cobrem ‘os juros mais altos do mundo’

O governo elevou o tom na briga contra os juros altos cobrados pelos bancos. A presidente Dilma Rousseff aproveitou um pronunciamento ontem à noite, em cadeia nacional de rádio e televisão, para orientar os clientes a exigirem “melhores condições” de financiamento. “É inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continue com os juros mais altos do mundo”, disse a presidente, em seu pronunciamento aos trabalhadores pelo 1° de Maio. Apesar de os maiores bancos privados terem anunciado cortes nos custos dos financiamentos por causa da pressão que o governo vem fazendo nas últimas semanas, Dilma deixou claro que há mais espaço para cortes e recomendou às instituições privadas que sigam o “bom exemplo” da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, que já cortaram em pelo menos duas ocasiões as taxas de juros de várias linhas de empréstimo.

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segunda-feira, abril 30, 2012

Ubatuba em foco

Pier na costeira da Bela Vista, na Ponta da Santa Rita

Muro no canto esquerdo do Perequê-mirim

E por falar em civilidade... (XI) 

José Ronaldo dos Santos
Se os latifundiários, na nova lei aprovada, não precisam respeitar as beiras dos rios, nem pagar os crimes cometidos, os “tubarões” precisam respeitar as costeiras?

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Opinião

Desafio da mobilidade urbana

O Estado de S.Paulo
A presidente Dilma Rousseff anunciou a lista de propostas selecionadas para a construção de novas linhas de metrô, de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e de corredores urbanos, financiados pelo PAC 2 Mobilidade Grandes Cidades em 51 municípios de 18 Estados. O governo federal investirá R$ 22 bilhões nos projetos e outros R$ 10 bilhões virão dos governos estaduais e municipais. Esses recursos financiarão mais de 600 quilômetros de faixas exclusivas de ônibus, 380 estações e terminais e 200 quilômetros de linhas de metrô, além da aquisição de mais de mil veículos sobre trilhos.

Conforme estimativas do governo federal, o plano de melhoria da mobilidade urbana de cidades com mais de 700 mil habitantes beneficiará pelo menos 53 milhões de pessoas. Estados e municípios terão prazo de 18 meses para a conclusão dos projetos, a partir da publicação da seleção de propostas no Diário Oficial da União.

Como sempre acontece quando anuncia obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o governo federal garante que há boas propostas e recursos disponíveis. O problema é o atraso na execução dos projetos. Por isso, espera-se que nesse caso haja mais respeito aos cronogramas. Após cinco anos da criação do plano, as maiores obras de infraestrutura do País apresentam atrasos de até 54 meses. Um estudo feito pela ONG Trata Brasil mostra que das grandes obras de saneamento, projetadas para beneficiar cidades com mais de 500 mil habitantes, apenas 7% foram concluídos.

O objetivo do PAC 2 Mobilidade Grandes Cidades, lançado em outubro, é melhorar as condições de deslocamento nas grandes cidades, por meio do transporte público de média e de alta capacidade, ou seja, sistemas metroferroviários. O processo de seleção das propostas é regido pela Portaria n.º 65, do Ministério das Cidades, e obedece às etapas de inscrição de cartas-consulta, análise das propostas e reuniões entre as três esferas de governo. A intenção é apoiar soluções de problemas de mobilidade baseadas em planejamento integrado de transportes. Quase nada disso, porém, foi colocado em prática nos primeiros meses do programa com a rapidez que as graves carências desse setor exigem.

Dados da Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP) mostram que, em 1950, 85% da população brasileira utilizava transporte público e os outros 15% usavam transporte individual. Sessenta anos depois, essas porcentagens se igualaram. E hoje há muitos brasileiros que chegam a gastar, em média, quatro horas por dia para ir e voltar do trabalho. Uma projeção feita para 2030 mostra que, se não houver maior oferta de transporte público, 65% da população vai optar pelo carro e apenas 35% usarão transporte público. Nos últimos dez anos, o número de veículos que circulam por ruas e estradas brasileiras dobrou, saltando de 35,5 milhões de veículos para 70,9 milhões.

Dos R$ 650 milhões previstos para investimentos no PAC 2 Mobilidade Grandes Cidades, em 2011, apenas 2% foram desembolsados, e neste porcentual estão incluídos os restos a pagar - compromissos assumidos em gestões anteriores. O Ministério das Cidades atribui essa lentidão ao contingenciamento dos recursos por causa da cautela do governo federal no ano passado, recomendada pelas incertezas da economia mundial. As emendas dos parlamentares foram as que mais sofreram reduções e, conforme explicações do governo, elas constituíam a maior parte das verbas destinadas ao PAC 2 Mobilidade Grandes Cidades.

Leia na íntegra em Desafio da mobilidade urbana

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 30 / 04 / 2012

Folha de São Paulo
"Vídeo revela atuação de policiais para Cachoeira" 

Delegado acusado de ser informante foi filmado ao entrar no carro do contraventor

Vídeos inéditos feitos pela PF e revelados ontem pelo “TV Folha” mostram a ligação de Carlinhos Cachoeira com policiais federais acusados de atuar para sua organização criminosa. Acusado de ser informante de Cachoeira na PF, o delegado federal Fernando Byron foi filmado por colegas em maio de 2011 entrando no carro do empresário.

O Estado de São Paulo
"Governo opera para controlar foco da CPI" 

Base aliada quer restringir investigações a Marconi Perillo e desviar as atenções da empreiteira Delta

Partidos aliados do governo, em especial o PT, já definiram a estratégia para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira. Os principais pontos são concentrar as investigações no governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), evitar eventuais vazamentos de documentos sigilosos e poupar a Delta Construções, limitando a apuração aos funcionários da empreiteira com participação no esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Os petistas, incentivados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, querem também tirar o foco da Delta por sua condição de principal construtora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

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domingo, abril 29, 2012

Voar é preciso...


Ninja em Taubate

A comemoração dos 74 anos dos Escoteiros do Ar e o lançamento do Núcleo Infantojuvenil de Aviação - NINJA - na cidade de Taubaté-SP, foi uma festa que ficará em nossos pensamentos e em nossos corações

Do Blog do Ninja
No Aeroclube Regional de Taubaté, um EncontrAr - Encontro de Escoteiros da Modalidade do Ar, mostrou, ontem, 28 de abril de 2012, a união de esforços de várias entidades para levar a cultura aeronáutica para crianças e jovens da região.

Destaque especial merece o incansável Luiz Carlos dos Santos, o Chefe "Fumaça", do 259/SP - Grupo Escoteiro do Ar "Aviação do Exército", que comandou o evento com brilho e maestria.

Estiveram unidos neste projeto: a Escola Municipal de Ciências Aeronáuticas-EMCA, a Aviação do Exército, A Universidade de Taubaté-UNITAU, o Aeroclube Regional de Taubaté-ART, o Colégio Dominique (sede do NINJA em Ubatuba-SP), o Aeroclube de Ubatuba, a Polícia Ambiental-SP, diversos Grupos Escoteiros e Aeromodelistas da região.

A Aviação do Exército de Taubaté, comandada pelo General Diniz, deu apoio total. A Banda da AvEx tocou o Hino Nacional e a Canção do Aviador, comovendo os participantes. Bombeiros do Exército simularam uma operação de salvamento. Os helicópteros da base aérea puderam ser visitados, tornando mais estimulante o evento.

A dedicação da diretoria do ART, sob o comando do Presidente João Bosco, foi indispensável para o sucesso do encontro. O aeroclube, além de apresentar suas aeronaves, expôs um girocóptero, um ultraleve pendular e um ultraleve avançado, promovendo as explicações sobre estas máquinas extraordinárias.

A EMCA, sob a liderança do Cel Lacerda, montou diversas bases, explicando aos jovens os cursos que oferece, contribuindo para despertar vocações.
O apoio do Reitor José Rui, da UNITAU, foi reforçado pela participação do Prof. Marcelo Pimentel, que representou a Universidade e divulgou o curso de Engenharia Aeronáutica.

Os Grupos Escoteiros abrilhantaram a festa, confirmando o belíssimo trabalho desenvolvido por seus Chefes.

Aeromodelistas deram um show, com uma diversidade de equipamentos que encantou a todos.

Leia na íntegra Ninja em Taubaté
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Opinião

Respeito a contratos

O Estado de S.Paulo
Felizmente para seus acionistas e para o País, a presidente da Petrobrás, Graça Foster, garante ao mercado que os recursos da empresa não serão usados em novas ações internacionais de interesse do governo e decididas em nome de uma diplomacia terceiro-mundista e antiamericanista tão ao gosto do PT. Poucos dias depois da vinda ao Brasil do ministro do Planejamento da Argentina, Julio De Vido, com o qual se reuniu e de quem ouviu pedidos de novos investimentos em seu país - e cujo atendimento foi admitido pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão -, Graça Foster deixou claro que a Petrobrás investirá o que já foi anunciado e que "não há indícios de aumento".

São várias as razões, todas com sólida fundamentação técnica e financeira, para a firme decisão da presidente da Petrobrás a respeito de novos investimentos na Argentina. Ao participar de audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, no dia 25, Graça Foster disse que a previsão de investimentos no país vizinho é a que já foi aprovada no Plano de Negócios 2011-2015 da empresa.

"É legítimo o ministro argentino pedir mais investimentos", reconheceu. Mas, em seguida, deixou claro que o pedido do ministro De Vido, um ato político, não muda a decisão sobre o plano de investimentos. "O investimento (na Argentina) não será maior porque foi feito um pedido", insistiu. Em 2012, lembrou Graça Foster, a Petrobrás fará investimentos totais recordes de mais de R$ 80 bilhões. Mas o montante será aplicado de acordo com as prioridades da empresa e, como disse sua presidente, "a grande prioridade da Petrobrás é o pré-sal".

Sem citar a expropriação pelo governo argentino de Cristina Kirchner da petrolífera YPF, que era controlada pelo grupo espanhol Repsol, Graça Foster deu um recado aos investidores, destacando a maior segurança jurídica da atividade empresarial no Brasil. "Não rasgaremos contratos, como acontece em outros países", afirmou, acrescentando que "é seguro investir em petróleo e energia no Brasil".

No início de abril, a própria Petrobrás - à qual o representante do governo Kirchner veio pedir novos investimentos em seu país - foi surpreendida com a decisão do governo da Província de Neuquén de cancelar a concessão dada à empresa brasileira para exploração de petróleo de três áreas, o que afetará severamente sua atividade na Argentina.

"Havíamos cumprido o plano exploratório mínimo na íntegra e anunciamos que faríamos a perfuração de seis poços no segundo semestre deste ano", disse Graça Foster na ocasião. Esperava-se que a vinda de De Vido a Brasília no dia 19 permitisse o esclarecimento da situação em Neuquén. No entanto, o ministro argentino limitou-se a dizer que a questão "está bem encaminhada". Em se tratando do governo Kirchner, não se sabe o que isso significa.

Não é a primeira violação de contrato por governos latino-americanos de que a Petrobrás é vítima desde a chegada do PT ao poder e que resultou na ampliação das atividades da empresa para países governados por aliados do partido. Em 2006, o governo nacionalista-esquerdista de Evo Morales ocupou militarmente as instalações da Petrobrás na Bolívia, depois do anúncio da nacionalização dos hidrocarbonetos. No mesmo ano, o governo bolivariano de Hugo Chávez forçou a Petrobrás a reduzir de 100% para 40% sua participação em projetos na Venezuela.

Ainda com a Venezuela, e por decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Petrobrás tem parceria na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. O início da operação da refinaria está previsto para 2013, mas, até hoje, o parceiro estrangeiro não investiu nenhum tostão na obra.

Leia na íntegra Respeito a contratos

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Manchetes do dia

Domingo, 29 / 04 / 2012

Folha de São Paulo
"Máquina de lavar chega ao sertão do NE antes da água" 

Renda de quem vive na região subiu 42% em uma década, enquanto água encanada teve crescimento de apenas 7%

O descompasso entre a implantação de infraestrutura hídrica no semiárido nordestino e o crescimento da renda fez surgir moradores que não têm água encanada, mas possuem máquinas de lavar roupa e TVs de LCD, informam Fábio Guibu e Daniel Carvalho. A renda no Nordeste subiu 42% de 2001 a 2009, segundo a FGV. Já os domicílios com água encanada na zona rural cresceram 7% entre 2000 e 2010, de acordo com o IBGE. “Não tenho água de cano, mas, se quiser beber água gelada, é só tirar da cisterna e por na geladeira”, diz o agricultor Serafim Raimundo da Silva, 76, morador de Paranatama (PE). Segundo o Ministério da Integração, foram investidos R$ 3,5 bilhões em recursos hídricos no Nordeste entre 2007 e 2010.

O Estado de São Paulo
"Patrimônio de Demóstenes quadruplicou após eleição" 

Senador disse à Justiça Eleitoral ter R$ 374 mil, mas logo depois comprou apartamento de R$ 1,2 milhão

Quatro meses depois das eleições de 2010, o patrimônio do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) praticamente quadruplicou. O parlamentar suspeito de participar de esquema com o contraventor Carlinhos Cachoeira, comprou um apartamento de R$ 1,2 milhão em Goiânia. O imóvel tem 701 metros quadrados e está num dos edifíciios mais luxuosos da cidade. Em 2010, quando se reelegeu senador, Demóstenes declarou patrimônio de R$ 374 mil – na relação entregue à Justiça Eleitoral, não constam imóveis. Promotor de Justiça, Demóstenes optou pelo salário de senador ao assumir o cargo e recebe mensalmente R$ 26,7 mil. O parlamentar negou irregularidades. 

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