sábado, abril 28, 2012

Ubatuba

 Sílvia, a jovem francesa em terras do Ubatumirim.

Ela habitou entre nós

José Ronaldo dos Santos  
Ontem, dia 27 de abril, aos 90 anos, a dona Sílvia Polacco Patural nos deixou após ter vivido um belo exemplo de cidadania. Quem não a conheceu, recomendo que leia o que eu pude registrar dessa mulher lutadora e corajosa (ubatuba víbora, jornal maranduba e coisasdecaicara.blogspot.com – postagem em junho/2011).
 
Eis um pequeno fragmento de sua fala. Ainda bem que eu tive essa oportunidade!
 
“No ano de 1954, nós partimos à procura de um lugar que, além de agradável, fosse capaz de oferecer as condições propícias de cultivo e de instalações. Meu marido era um empreendedor. O lado sul do município logo ficou fora de cogitação. Motivo: a abertura da rodovia Ubatuba-Caraguatatuba estava sendo concluída, fazendo com que os preços das terras daquele lado encarecessem muito. Então nos falaram do lado norte, das vastas áreas e de outras vantagens.

Num final de semana, após deixarmos a Patrícia com alguém de muita confiança em Taubaté, começamos a nossa aventura para o lado norte do município. Por volta do meio-dia deixamos a cidade, seguindo sempre a pé. Passamos o Perequê-açu, o Saco da Mãe Maria, a praia Vermelha com suas areias grossas, a praia do Alto - que até hoje é muito bonita -, a praia de Itamambuca. Imagine tudo isso a pé e com muito calor! Depois chegamos ao morrão da praia do Félix e, finalmente, paramos ao escurecer, na praia do Léo - aquela que, desde 1991, devido a um desabamento da estrada após forte chuva, está soterrada numa boa parte, se transformou em duas.

Na praia do Léo batemos palmas numa casa e perguntamos se havia ali por perto alguma pousada ou coisa do gênero. Imagine só!!! Isso era comum na Europa. Disseram que não. O que puderam nos oferecer foi um pouso, numa cama simples com esteira de taboa. Foram muito gentis conosco. No dia seguinte, já sabendo dos nossos motivos, disseram que para os lados do Ubatumirim e do Puruba é que tinha boas terras. E era mesmo! Pura verdade!

No rio Puruba nós paramos e esperamos um bom tempo até que o balseiro aparecesse. Parece que ele estava almoçando, depois deve ter dormido um pouquinho. Nem me lembro mais direito deste detalhe. Só sei que ele apareceu e, assim alcançamos a praia da Justa. Finalmente, depois de um pequeno morro, estávamos no Ubatumirim.

De fato as terras do Ubatumirim, sobretudo as da Sesmaria, nos agradaram muito. Aí fomos acolhidos na casa da família do Manoel Leopoldo. Para a dormida nos dispuseram uma sala com esteiras e penico, onde havia um montão de sapê secando. Era um calorão de janeiro; baratas passeavam por todos os lados. Ao abrirmos a porta para a entrada de frescor, também entraram os cachorros. Mesmo assim, nós, de tão cansados, desmaiamos.

No dia seguinte fomos conhecer a Sesmaria, dos Nunes Pereira. Gostamos muito. Ainda bem que a volta para a cidade foi de canoa”.

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Hexágono regular


Colunistas

Ficções

“Lembro que sou escritora, e então dá uma saudade lancinante de mim mesma”

Márcia Denser
De repente, lembro que sou escritora, e então dá uma saudade lancinante de mim mesma, de forma que lá vai fragmento duma novela, com o título abaixo, publicada em meu Toda Prosa II – Obra Escolhida, Record, 2008.

TODOS OS AMORES

“e escreverei te quiero nas águas do mar” de um filme esquecido

– É aquele. Se não for ele não será nenhum outro – disse à Amanda, casual testemunha que me acompanhava e que de modo algum poderia prever (como sequer eu mesma naquele dia) que esta não seria mais uma das tantas escolhas no âmbito dos homens presentes numa galeria de arte, mas que, insuspeitadamente, iria abranger todo o meu horizonte de homens.

A galeria se desdobrava em assimetrias, contornando desvãos e desvios até convergir num pátio com tanque central onde imprevistamente se chegava ou não. Havíamos completado a terceira volta, pois, afinal de contas, era sempre possível retornar ao mesmo ponto, quer dizer, ao vestíbulo onde vi Marco, que me pareceu então muito jovem, enquanto eu o observava conversando com uma mulher, já sentindo a cutilada do medo por baixo do frio desdém com que dizia à Amanda, mas é tão jovem, presumivelmente a razão de ter tomado outro gole de uísque, outro bom gole, relanceando distraidamente um olhar pelos quadros.

Bom, deviam ser quadros, uma galeria de arte é um lugar onde sempre há muitíssimos quadros, ainda que não se pudesse ter certeza, uma vez que ocorriam, bem me lembro, aqui e ali, elementos a serem descritos talvez mais corretamente como intervenções, ou seriam instalações e, por que não, ocupações? É moda redefinir quase tudo e particularmente isto para o que me faltam palavras, que sempre sobram nos catálogos, descrevendo o nada, todavia estes elementos pendurados e imóveis, para as quais continuam faltando substantivos à medida que se multiplicam adjetivos, claro, sempre disponíveis na caixinha de primeiros socorros e boas maneiras e outro gole reforçado e completava-se mais uma volta.

Novamente eu retornava ao vestíbulo e lá estavam os olhos negros, estreitos, arredios, pontas de alfinete deslizando velozmente entre o rosto da interlocutora e o carrossel dos que passavam, cores e volumes que seus olhos velozes riscavam, portanto seria inútil que eu, mesclada à massa cambiante, tentasse retê-los, melhor aproveitar a invisibilidade para observá-lo ( a palavra seria tocaiá-lo), como um tigre espreitando o veadinho à beira do lago banhado pelo luar africano (sinceramente eu devia escrever novelas de aventura), avaliando os ombros sob a  camisa branca, acariciando-os de longe, como as velas dum navio que se abandona aos invisíveis braços do vento, as calças de marinheiro insuportavelmente sugerindo tendões e virilhas, os dedos inquietos, nervosos, mergulhando na corredeira dos cabelos com a mesma mão que agora descia, capturava um cigarro no bolso e o acendia distraidamente, concentrado numa conversa interminável, quando de repente pareceu estacar.

Irresistivelmente atraído por meu lento olhar duplo, deteve-se na boca da mulher que, num relance, reconheceu – imprevista como um presságio – mas ela já desaparecia entre os convidados. Voltaria?  Imóvel em meio ao diálogo interrompido, atento aos sons e perfumes indistintos, ainda inconsciente do que viria, mas já trêmulo e excitado.
Como alguém que pressente o mar.

Ao longe, ela o viu avançando em sua direção, ansiosamente, os olhos estreitos, vesgos, indecisos, cegos, velozes, girando em falso: seria medo? De mim?

– Não de você, idiota – disse Amanda –, possivelmente de Diana Marini.

Mas ele já estendia a mão, sorria.

– É Marco – reconheci. E Amanda:

– Então se já o conhece, liquide-o.

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

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Opinião

Justiça com lentes coloridas

O Estado de S.Paulo
A discriminação racial no Brasil é constitucional, segundo decidiram por unanimidade os ministros do Supremo Tribunal (STF), num julgamento sobre a adoção de cotas para negros e pardos nas universidades públicas. Com base numa notável mistura de argumentos verdadeiros e falsos, eles aprovaram a reserva de vagas para estudantes selecionados com base na cor da pele ou, mais precisamente, na cor ou origem étnica declarada pelo interessado. Mesmo enfeitada com rótulos politicamente corretos e apresentada como "correção de desigualdades sociais", essa decisão é obviamente discriminatória e converte a raça em critério de ação governamental. Para os juízes, a desigualdade mais importante é a racial, não a econômica, embora eles mal distingam uma da outra.

O ministro Cezar Peluso mencionou as diferenças de oportunidades oferecidas a diferentes grupos de estudantes. Com isso, chamou a atenção para um dos maiores obstáculos à concretização dos ideais de justiça. Todos os juízes, de alguma forma, tocaram nesse ponto ou dele se aproximaram. Estabeleceram, portanto, uma premissa relevante para o debate sobre a formação de uma sociedade justa e compatível com os valores da democracia liberal, mas perderam-se ao formular as conclusões.

O ministro Joaquim Barbosa referiu-se à política de cotas como forma de combater "a discriminação de fato", "absolutamente enraizada", segundo ele, na sociedade. Mas como se manifesta a discriminação? Candidatos são reprovados no vestibular por causa da cor? E os barrados em etapas escolares anteriores? Também foram vítimas de racismo?

A ministra Rosa Weber foi além. "A disparidade racial", disse ela, "é flagrante na sociedade brasileira." "A pobreza tem cor no Brasil: negra, mestiça, amarela", acrescentou. A intrigante referência à cor amarela poderia valer uma discussão, mas o ponto essencial é outro. Só essas cores identificam a pobreza no Brasil? Não há pobres de coloração diferente? Ou a ministra tem dificuldades com a correspondência de conjuntos ou ela considera desimportante a pobreza não-negra, não-mestiça e não-amarela.

Mas seus problemas lógicos são mais amplos. Depois de estabelecer uma correspondência entre cor e pobreza, ela mesma desqualificou a diferença econômica como fator relevante. "Se os negros não chegam à universidade, por óbvio não compartilham com igualdade das mesmas chances dos brancos." E concluiu: "Não parece razoável reduzir a desigualdade social brasileira ao critério econômico". A afirmação seria mais digna de consideração se fosse acompanhada de algum argumento. Mas não é. O fator não econômico e estritamente racial nunca foi esclarecido na exposição da ministra nem nos votos de seus colegas.

Leia na íntegra Justiça com lentes coloridas

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Manchetes do dia

Sábado, 28 / 04 / 2012

Folha de São Paulo
""É para o governador", diz Cachoeira sobre dinheiro" 

Em áudio empresário ordena pagamento no ‘palácio’ ao tucano Marconi Perillo

Escutas da Polícia Federal mostram que o empresário Carlinhos Cachoeira orientou um de seus operadores a entregar dinheiro a um assessor direto do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), em julho de 2011. “É pro governador. Vamos lá pagar logo pra ele no palácio”, afirma Cachoeira. O tucano nega ter negociado com ele e diz que o operador do empresário só intermediou a venda de um imóvel seu para outra pessoa. Outros grampos indicam que Perillo atuou em favor da construtora Delta após pressão de Cachoeira. A defesa do governador diz que não há relação entre os dois. Para o advogado do empresário, as escutas são ilegais. O Supremo autorizou o envio do inquérito que investiga o senador Demóstenes Torres (ex-DEM) à CPI do Cachoeira.

O Estado de São Paulo
"Mortalidade infantil cai 47,5% no País" 

Queda de 58,6% no Nordeste entre 2000 e 2010 foi determinante para o índice; Brasil ainda está atrás entre latino-americanos

Dados do Censo 2010 divulgados ontem mostram uma queda recorde do índice de mortalidade infantil no País. Em 2010, a taxa chegou a 15,6 mortes de bebês de menos de um ano por mil nascidos vivos, uma redução de 47,5% em relação a 2000. A brusca diminuição no Nordeste, de 58,6%, foi determinante para o resultado nacional. Em 50 anos, o recuo foi de 88%. Expansão das políticas públicas de prevenção, ampliação das transferências diretas de renda, maior escolaridades das mães, redução da taxa de fecundidade e melhoria do saneamento foram fatores decisivos para o desempenho na última década. Para a presidente do IBGE, Wasmália Bivar, as mães estão tendo menos filhos para cuidar e podem dar mais atenção a cada um deles. Apesar do recuo significativo, a taxa brasileira continua muito distante da de países da América Latina como Cuba (5,04 mortes por mil nascidos vivos) e Chile (6,99). 

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sexta-feira, abril 27, 2012

O maior avião do mundo

Coluna do Celsinho

Boa causa

Celso de Almeida Jr.
Estes últimos dias foram muito especiais.

Em função da organização para o lançamento do Núcleo Infantojuvenil de Aviação - NINJA - na cidade de Taubaté, mantive contato com muita gente.

Na Aviação do Exército, fui muito bem recebido pelo General Diniz e outros atenciosos militares, entusiasmados com a proposta de criar mais ferramentas para levar a cultura aeronáutica para crianças e jovens.

No Aeroclube Regional de Taubaté, vi a dedicação da diretoria, sob a presidência do João Bosco, colaborando com toda a estrutura disponível.

Na Escola Municipal de Ciências Aeronáuticas, presenciei a liderança do Cel Lacerda e o compromisso de seus alunos, contribuindo com extrema dedicação para a causa.

Da Universidade de Taubaté conquistamos a chancela desta tradicional instituição de ensino superior, com o Re itor José Rui avalisando o projeto.

Dos Escoteiros do Ar, recebi acolhida carinhosa e generosa, destacando-se o empenho e a dedicação do Chefe Luiz Carlos "Fumaça", amante da aviação e voluntário comprometido.

Muitas linhas eu precisaria para relacionar todas as demonstrações de apoio que recebi dos amigos da região e, claro, de Ubatuba, sede do Núcleo Infantojuvenil de Aviação onde, em abril de 2011, inaugurávamos a Sala Gastão Madeira, no Colégio Dominique, recebendo alunos de diversas escolas para as atividades do Ninja.

Passado um ano, conquistamos uma base em Taubaté e, amanhã, sábado, 28 de abril, uma festa no aeroclube de lá irá comemorar esta conquista e brindar, também, aos 74 anos do Escoteiros do Ar.

Peço aos amigos de sempre e aos torcedores anônimos que não puderem comparecer, que, no período do evento, das 9h30 às 13h, estejam com a gente em pensamento, desejando com entusiasmo que o  NINJA siga em frente, voe mais alto.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

A eólica avança, mesmo sem estocar

Washington Novaes, jornalista - O Estado de S.Paulo
Talvez um assessor devesse levar à Presidência da República o relatório divulgado há poucos dias pelo Conselho Global de Energia Eólica sobre o ano de 2011 (http://www.gwec.net/index.php?id=190), que mostra um extraordinário crescimento do potencial instalado nessa modalidade de energia no ano passado: 40,5 mil MW. Só em 2011 essa oferta de energia cresceu 6% e, acumulada, 20%. Embora não esteja ainda entre os dez maiores geradores (China, Estados Unidos, Alemanha, Espanha e Índia são os primeiros), o Brasil começa a figurar com destaque no relatório e pode ter "um futuro brilhante" na área.

O comentário inicial é motivado pelas observações da presidente, que numa discussão sobre clima, ao ironizar críticas a hidrelétricas em construção ou planejadas para a Amazônia, disse que "não há espaço para fantasia (...). Eu não posso falar: olha, é possível só com energia eólica iluminar o planeta". Também disse que "não é possível estocar vento" e enfatizou limitações à energia solar. O relatório pode servir ainda para o ministro de Minas e Energia, que considerou "demoníacas" restrições a mega-hidrelétricas amazônicas.

Na verdade, as críticas ao governo federal podem centrar-se em sua recusa a discutir a matriz energética e examinar diagnósticos como o da Unicamp - mais de uma vez citado neste espaço -, que afirma ter o Brasil a possibilidade de reduzir em 30% seu consumo de energia com conservação e eficiência, mais 10% com redução nas perdas nas linhas de transmissão e ganhar outros 10% com repotenciação de geradores antigos. Além disso, nestes tempos de escassez mundial de recursos e dramas climáticos, o País poderia ter matriz energética "limpa" e renovável, com as energias eólica, solar, de biomassas, geotérmica e de marés, ao lado da energia hidrelétrica - sem precisar recorrer às termoelétricas, poluidoras e caras, como faz atualmente.

Os números impressionantes da energia eólica em 2011 ocorreram apesar das dificuldades de países da União Europeia desde 2008, onde escassearam financiamentos normais e se colocaram em primeiro plano os de bancos de desenvolvimento - o que também deixou em evidência o brasileiro BNDES, o segundo maior financiador de eólicas no ano passado, com US$ 4,23 bilhões, quase cinco vezes mais que o Banco Mundial. Com isso a capacidade instalada no Brasil chegou a 1.509 MW, com a previsão de chegar a 7 mil MW até 2016. Ainda será pouco, quando se olham os números mundiais: 6.100 MW em 1996, em 2005 mais de 59 mil e 237.669 no ano passado. Mas é um avanço forte, apesar do plano secundário que a eólica ocupa na visão oficial brasileira.

Cenário impressionante é o da China, que implantou 18 mil MW em 2011, embora tenha baixado um pouco o ritmo de expansão. Mas já está com 62,3 mil MW e ainda pretende instalar 5 mil MW em usinas offshore (alto-mar) até 2015 (investimentos de US$ 137 bilhões até 2030).

A Índia já está com 16,08 mil MW; a Alemanha, com 29,06 mil; a Espanha, com 21,67 mil; e os Estados Unidos, com 46.91 mil. Mas a admiração corre para a Dinamarca, que, embora só tenha hoje 3,87 mil MW instalados, pretende chegar a 50% de toda a sua eletricidade gerada em eólicas. E a 100% de toda a energia renovável em 2050.

Hoje o investimento global em energia eólica está em US$ 68 bilhões/ano. Para 2012, com as dificuldades europeias e as incertezas no mercado de carbono - que pode influenciar a compra de energias limpas no âmbito do Protocolo de Kyoto -, a previsão é de US$ 21,4 bilhões. Mas, partindo de 2010, o investimento total até 2013 deverá alcançar quase US$ 200 bilhões.

Se computadas outras energias renováveis, só no ano passado foram investidos US$ 260 bilhões. Ainda parece muito pouco quando se lembra a previsão da Agência Mundial de Energia de que o mundo precisará investir US$ 38 trilhões em energia até 2035 para suprir o aumento da demanda (principalmente na China e na Índia) e gerar mais energia renovável. Ainda assim, o gás natural responderá por boa parte.

Chama a atenção também que em 2010, pela primeira vez, os chamados países emergentes investiram mais em eólicas do que os europeus (OCDE). E a tendência, segundo o Global Energy Outlook, é de que até 2030 metade da capacidade instalada nesse setor estará no Brasil (hoje só 0,4% da matriz energética), na China, na Índia, no México, na África do Sul e na Turquia.

Quem estiver atento lerá, todos os dias, notícias de avanços nesse setor entre nós. Mais 1.200 MW estão sendo instalados neste momento e está em discussão um potencial de mais 6 mil MW. O preço médio dessa energia caiu um terço desde 2005 e compete com a elétrica. Vários parques eólicos estão sendo implantados, principalmente no Nordeste. E a alegação de que a energia eólica não é estocável precisa ser confrontada com a possibilidade de redes de transmissão em que haja interligação com outras fontes, para os períodos de menor intensidade de ventos. Também com a possibilidade de maior produção com ventos captados a maior altura. E com a lembrança de que, podendo ser consumida perto dos locais de produção, a eólica gerará menos perdas nas linhas de longa distância. Se o potencial de 143 mil MW (fora offshore) for todo aproveitado, vai-se ter o equivalente à produção de dez usinas de Itaipu.

Leia na íntegra A eólica avança, mesmo sem estocar

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 27 / 04 / 2012

Folha de São Paulo
"STF diz que cotas raciais são legais" 

Por unanimidade, ministros entenderam que o sistema corrige distorção histórica que prejudicou os negros

0 STF decidiu, por unanimidade, que as cotas raciais em universidades são constitucionais. Todos os dez ministros que participaram da votação foram favoráveis ao sistema. O ministro José Antonio Dias Toffoli não votou. Os ministros julgaram ação do DEM contra o sistema que a Universidade de Brasília adotou em 2004, que reserva 20% das vagas a quem se declara negro ou pardo. A decisão é válida para qualquer universidade.

O Estado de São Paulo
"Em áudio, Cachoeira fala em pagamento a Perillo por vantagens" 

Contraventor se valia da propina para emplacar nomeações em Goiás, indica gravação

Gravações da Polícia Federal mostram o contraventor Carlinhos Cachoeira e seus aliados falando em pagamentos ao governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e a integrantes do primeiro escalão do governo cm troca de vantagens em negócios públicos, informam Fábio Fabrini, Alana Rizzo e Alfredo Junqueira. De acordo com as gravações, obtidas pelo Estado, a organização do contraventor se valia dos repasses para emplacar nomeações e vencer licitações. Perillo pediu ontem ao Ministério Público que seja aberto um inquérito contra ele. Seu advogado disse que o governador está sendo alvo de vazamentos direcionados de escutas telefônicas.

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quinta-feira, abril 26, 2012

Paul Cézanne


Circo da Notícia

Liberdade é a liberdade dos outros

Por Carlos Brickmann no Observatório da Imprensa
O governo acaba de mostrar o que é que entende por liberdade de expressão (ou, se alguém preferir, liberdade de imprensa): o Palácio do Planalto informou que o CQC está proibido de acompanhar as viagens da presidente Dilma Rousseff. O Ministério das Relações Exteriores anunciou que o CQC está proibido de entrar no Palácio do Itamaraty.

É antidemocrático, claro. E é burro: a grande reportagem não precisa ser feita no prédio onde vivem ou trabalham seus personagens. Quando fez a série das mordomias, Ricardo Kotscho não precisou ir à casa ou ao escritório de Sua Senhoria nenhuma para contar como funcionava a bandalheira. E, num regime autoritário, em sua fase mais dura, o repórter Ewaldo Dantas Ferreira foi proibido de viajar com o presidente Emílio Médici aos Estados Unidos. Viajou sem ele, longe da comitiva, fez reportagens antológicas para o Jornal da Tarde e não teve de conviver com aquela gente gosmenta que cercava Sua Excelência.

O governo atual, com as proibições ao CQC, mostra sua face autoritária e desconhecedora do que seja a liberdade de expressão. Já o Sindicato dos Jornalistas de Brasília, que propõe que o governo tome mais medidas contra o CQC, é pior: eles sabem, ou deveriam saber, que liberdade é a liberdade de quem pensa diferente de nós. Eles sabem, ou deveriam saber, que jornalismo é oposição: ficar pedindo favores ao governo é coisa de pelego, não de jornalista. E querer monopolizar a coleta e distribuição de informações é coisa de pelego corporativista.

A propósito, este colunista acha que o tipo de cobertura feito pelo CQC é um horror; aliás, nem o considera jornalismo. Mas quem é que vai definir o que é jornalismo não é este colunista, nem o pessoal que se julga de esquerda e não conhece o pensamento essencial de Rosa Louxembourg: é o público, é o consumidor de informação. Ou é o público que define o tipo de informação que prefere ou o jornalismo acabou: teremos de volta a ditadura militar, que de vez em quando implicava com o “baixo nível da TV” e obrigava as emissoras a transmitir concertos e ópera. Podemos ter, talvez, o Pravda ou o Izvestia, determinando qual a linha justa de pensamento; ou o Die Sturm, o favorito de Hitler.

Onde já se viu, sindicato de jornalistas pedindo censura?

As voltas que o mundo dá

Este colunista não se queixa de baixo nível de TV: se não gosta do programa, troca de canal. Se não houver nada de bom, abre o computador, pega um livro, vai passear. Que mania é essa de achar que os meios de comunicação são obrigados a publicar só aquilo de que gostamos? Seremos o umbigo do mundo?

Mas, voltando ao CQC, seu pessoal enche o saco dos entrevistados, usa técnicas desleais de entrevista (por exemplo, na edição, coloca nariz de palhaço em quem quer ridicularizar etc.) São escrachados, mesmo. E, talvez por isso, este colunista raramente dedica seu tempo a vê-los.

Mas o Sindicato dos Jornalistas de Brasília se queixa de que eles atrapalham as entrevistas, recebem o mesmo tipo de credenciamento dos jornalistas, embora sendo humoristas, e que o tipo de comportamento do CQC “gera vergonha e conflitos que frequentemente prejudicam o bom desempenho dos profissionais de imprensa”.

Vejamos o humorismo. Nem sempre há protestos contra o humor na imprensa. Por exemplo, quando o marechal Costa e Silva, com sólida fama de ignorante, foi diplomado presidente da República, o Jornal da Tarde cravou a manchete: “Costa e Silva tira diploma”. Tirando os militares, ninguém achou ruim, não. Quando o marechal Castello Branco, feio de doer, impôs uma lei de imprensa castradora, o Jornal da Tarde publicou uma série de manchetes, as únicas que, com a nova lei, seriam permitidas: “Castello é bom de bola”, “O presidente é bonito”, e algumas outras (os desenhos de Hilde Weber foram antológicos). Mais uma vez, tirando os militares, ninguém se queixou.

Quanto ao tipo de comportamento, basta ir a uma CPI em que o indiciado não esteja nas boas graças da imprensa para assistir a cenas que fazem o CQC parecer um grupo de freiras. Certa vez, houve suspeitas de que funcionários públicos estivessem presentes num interrogatório, para aplaudir o chefe. A mesa determinou então que os funcionários públicos presentes levantassem a mão. Uma repórter gritou várias vezes: “Manda eles ficarem de pé, que a gente escracha!”

É, há comportamentos que geram vergonha e conflitos que frequentemente prejudicam o bom desempenho dos profissionais da imprensa.

Quem é quem

Agora analisemos o aspecto prático do problema. A proibição de trabalhar envolve apenas o CQC? Então, a censura é, além de tudo o mais, discriminatória. Atingirá outros programas? Sabrina Sato não poderá mais convencer o senador Eduardo Suplicy a vestir cuecas vermelhas por cima do terno para aparecer na TV? E Jô Soares, será também proibido de fazer entrevistas, já que não apenas iniciou sua carreira como humorista como foi um dos grandes astros do humor brasileiro?

Pelo que este colunista tem lido, para o sindicato brasiliense jornalista é quem tem diploma de jornalista. O diploma resolve tudo: seu portador é competente, ético, profissional. E se alguém do CQC tiver diploma, que é que acontece? Vale o diploma, e ele é jornalista, ou vale o CQC, e ele deixa de ser jornalista para tornar-se humorista?

Sejamos precisos: o que este pessoal da tal regulação social da imprensa quer mesmo é dizer, um por um, soberanamente, quem é jornalista. “Jornalista é quem eu digo que é jornalista”. Simples assim. Antidemocrático assim.

Leia na íntegra o Circo da Notícia

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Opinião

A CPI que o Planalto quer

O Estado de S.Paulo
Mais do que os políticos de outros partidos, os petistas parecem ter uma curiosa propensão para queimar a língua, abrindo jogos que os seus próprios interesses aconselhariam a manter fechados. Há duas semanas, por exemplo, talvez por um misto de soberba e de servilismo para com o primeiro-companheiro Lula, o presidente do PT, Rui Falcão, proclamou que a agremiação pretendia usar a chamada CPI do Cachoeira, ainda em gestação, para apurar "esse escândalo dos autores da farsa do mensalão". A revelação desmascarou a gana de Lula para que a investigação fosse conduzida de maneira tal a fabricar um nexo entre o contraventor, o araponga Dadá que trabalha para ele, o governador tucano Marconi Perillo, o senador então demista Demóstenes Torres, ambos goianos, e órgãos de mídia.

Perillo incorreu na ira eterna de Lula ao tornar público que o alertara para o esquema de compra de votos de deputados em benefício do governo, antes da irrupção do escândalo do qual alegava não ter conhecimento. Já o araponga, presumivelmente em conluio com o seu chefe, que tinha pontes com Perillo e relações estreitas com Demóstenes, municiou reportagens inconvenientes para a cúpula petista. Por último, ninguém superou Demóstenes no Senado como crítico contundente dos governos do PT. Eram motivos de sobra, portanto, para o confessado propósito de desfigurar em seu favor a agenda da comissão mista do Congresso, ainda mais se os seus trabalhos viessem a coincidir com o início do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal, esperado para os próximos meses.

O anúncio da armação há de ter influído na prudente atitude do PMDB de se distanciar da "CPI do PT" - cuja criação o presidente do Senado, José Sarney, considerou de saída coisa de "irresponsáveis". Anteontem, ele previu "algum tempo de muitas revelações e muitas turbulências". Prova do desinteresse peemedebista foi a indicação de deputados e senadores de limitada densidade para as cinco vagas que lhe cabiam entre os 32 membros titulares da comissão, a exemplo do seu presidente, o senador de primeiro mandato pela Paraíba Vital do Rêgo. Mas o presidente do PT não seria o único a mostrar precipitadamente a mão. O companheiro Odair Cunha, deputado por Minas Gerais no seu terceiro mandato e vice-líder da bancada petista, acaba de imitá-lo, embora ninguém possa acusá-lo de fazer parte da enfraquecida conspiração lulista para sequestrar a CPI.

Mas, escolhido relator da comissão - o seu cargo mais importante -, no que é tido como uma vitória da presidente Dilma Rousseff numa disputa surda com o antecessor, que preferia o paulista Cândido Vaccarezza, Cunha, de 35 anos, teria sido mais esperto se dissesse uma platitude qualquer sobre o alcance do inquérito depender dos fatos a serem apurados, ressalvando, como ressalvou, que não haverá nenhuma "caça às bruxas". Em vez disso, escancarou a determinação da presidente de controlar a CPI para delimitar o seu foco à oposição, ao declarar que "não se trata de uma investigação que necessariamente vá para cima do Planalto ou qualquer membro do governo". Não é bem assim.

Leia na íntegra A CPI que o Planalto quer

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 26 / 04 / 2012

Folha de São Paulo
"Dilma é derrotada, e nova lei diminui proteção ambiental" 

Câmara aprova Código Florestal que agrada à bancada do agronegócio; presidente deve vetar

A Câmara dos Deputados aprovou, por 274 votos a 184, o texto que reforma o Código Florestal, impondo uma nova derrota ao governo. A decisão foi comemorada pela bancada ruralista. O projeto deve ser vetado por Dilma, em especial os artigos que beneficiam o agronegócio e reduzem a proteção a ecossistemas aquáticos. A dimensão do veto, porém, é incerta. A ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente) disse que sua primeira avaliação é que “a segurança jurídica e o tão procurado equilíbrio entre ambiente e produção não foram alcançados”. Um dos pontos polêmicos é a proteção de rios. O projeto apoiado pelo governo previa reflorestamento de 100 metros a partir das margens. No novo texto, a obrigatoriedade é de 15 metros. Outras mudanças que desagradaram ao Planalto foram a retirada de proteção a matas em áreas urbanas e a exclusão de parte de manguezais da categoria de proteção permanente.

O Estado de São Paulo
"Ex-diretor da Delta e mais 3 são presos no caso Cachoeira" 

Outro executivo ligado à empreiteira também é procurado; dono da empresa teme ser detido

A Polícia Civil e o Ministério Público do Distrito Federal prenderam ontem Cláudio Abreu, ex-diretor da empreiteira Delta, alvo da CPI que investiga esquema liderado pelo contraventor Carlinhos Cachoeira para desviar dinheiro público. A Justiça autorizou ainda a prisão do diretor da empreiteira em São Paulo, Heraldo Puccini Neto, mas ele não havia sido localizado pela polícia. Também foram presos o vereador Wesley Clayton da Silva (PMDB), vice-presidente da Câmara de Anápolis (GO), Dagmar Alves, da mesma cidade, e Valdir Reis, ex-assessor da Secretaria de Planejamento do governo do DF. O novo presidente da Delta, Carlos Alberto Verdini, foi ao Senado para entregar “documentos necessários” à CPI. Os advogados do empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta, temem que ele possa ser preso.

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quarta-feira, abril 25, 2012

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Opinião

Mercados esquizofrênicos

O Estado de S.Paulo
Especulação e comportamento de manada continuam dominando o dia a dia das bolsas no meio da crise global. Isso foi comprovado mais uma vez no começo desta semana, quando os mercados caíram num dia, como se a Europa estivesse derretendo, e subiram no dia seguinte, como se a salvação houvesse chegado durante a noite. Mas a crise europeia continua hoje tão grave quanto ontem e anteontem e os sinais positivos surgidos nos últimos seis meses são ainda informações relevantes. Nenhuma novidade fundamental surgiu no fim de semana ou nas primeiras horas de segunda-feira. A recessão espanhola foi apenas confirmada pelos números divulgados oficialmente, mas ninguém ignorava a gravidade da situação. O impasse na Holanda em torno do orçamento era conhecido. A queda do governo foi apenas um desdobramento da queda de braço com a oposição. Quanto às dificuldades eleitorais do presidente francês, haviam sido apontadas por numerosas pesquisas e por muitas análises competentes. Na terça-feira, as bolsas fecharam em alta, depois da divulgação dos ganhos dos bancos e da rolagem satisfatória de títulos da Espanha, da Itália e da Holanda. Se tudo ia tão mal no dia anterior, por que os compradores de papéis públicos se mostraram tão cooperativos e tão dispostos a refinanciar governos endividados?

Esse tipo de comportamento tem sido normal, em todos os mercados, e ninguém deveria tomar o sobe e desce das cotações como um indicador de melhora ou piora do quadro econômico. Para o senso comum, as condições de rolagem da dívida pública deveriam ser mais reveladoras, mas nem isso tem sido confirmado pelos fatos do dia a dia.

Mas há algo mais nos mercados que a tradicional combinação do jogo especulativo com o espírito de manada. Pode-se descrever de outra forma o sobe e desce das cotações e a rápida sucessão de momentos de entusiasmo e de medo. Há uma dose de esquizofrenia, como observou na semana passada o economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Olivier Blanchard. Os mercados pressionam os governos por uma rápida consolidação fiscal, mas reagem de forma adversa quando a consolidação reduz o crescimento econômico. Isso complica tremendamente a execução do ajuste indispensável aos países mais afetados pela dívida pública. No caso da Europa, as decisões dos governos são especialmente difíceis, tanto pela pressão dos mercados quanto pela urgência de conciliar o ajuste com medidas para a retomada do crescimento. Até aqui, as políticas de austeridade permitiram reduzir os déficits orçamentários, embora nem sempre na proporção desejada. Para a média dos 27 países da União Europeia, o déficit fiscal ficou em 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2011, com significativa redução desde 2009, quando o rombo chegou a 6,9%. Para os países da zona do euro, o corte foi de 6,4% em 2009 para 4,1% no ano passado. O endividamento cresceu, mas isso era previsível e a tendência só deverá mudar dentro de alguns anos.

Em 2011, os cinco países com maiores déficits foram a Irlanda (13,1%), a Grécia (9,15), a Espanha (8,5%), o Reino Unido (8,3%) e a Eslovênia (6,4%). O aperto funcionou, de modo geral, e alguns governos tentam aumentar o arrocho, às vezes com sérias dificuldades políticas. Na Holanda, o governo caiu, embora o desemprego, estimado em cerca de 5%, seja bem menor que o de vários outros países. Na Espanha, o último dado aponta 23,6% de desocupação. A média da União Europeia é de 10,2%. A da zona do euro, 10,8%.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 25 / 04 / 2012

Folha de São Paulo
"Para ter controle de CPI, Dilma impõe aliado como relator" 

‘Alinhado ao Palácio do Planalto, deputado Odair Cunha (PT-MG) afirma que apuração não será ‘caça às bruxas’

O governo Dilma Rousseff indicou o deputado Odair Cunha (PT-MG) como relator da CPI que investigará a relação do empresário Carlinhos Cachoeira com políticos, sinalizando a intenção de mantê-la sob controle. O Planalto quer evitar que a investigação constranja o governo. Também tenta impedir o fortalecimento de setores do PT ligados a Lula e José Dirceu, que pregam o confronto com a oposição e queriam outro relator.

O Estado de São Paulo
"STF manda investigar três deputados no caso Cachoeira" 

Suspeitos são Leréia (PSDB), Sandes Júnior (PP) e Stepan Nercessian (PPS); Agnelo também pode ser alvo

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, determinou a abertura de três inquéritos para investigar os deputados federais Carlos Leréia (PSDB-GO), Sandes Júnior (PP- GO) e Stepan Nercessian (PPS-RJ) por suspeitas de envolvimento com o contraventor Carlinhos Cachoeira. O ministro também abriu caminho para que o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), seja investigado perante o Superior Tribunal de Justiça por suposto envolvimento com o esquema. Lewandowski atendeu a pedidos do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para que permanecessem no STF apenas as investigações contra os deputados e o senador Demóstenes Torres. O ministro também autorizou o desmembramento do inquérito para que sejam separadas as partes da investigação relacionadas a Agnelo. O governador admitiu recentemente que já esteve com Cachoeira.

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terça-feira, abril 24, 2012

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Opinião

Mais aeroportos regionais

O Estado de S.Paulo
O programa que o governo federal pretende anunciar até o fim do ano para ampliar a aviação regional é indispensável para evitar que os gargalos dos grandes aeroportos se estendam às unidades que atendem polos econômicos regionais e cidades médias do País. Mas, para tornar-se realidade, precisa superar vários obstáculos.

De acordo com o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt, a meta é elevar de 130 para 210 o número de aeroportos regionais em plena operação até 2014, ano da Copa do Mundo. Isso significa a construção de 80 unidades. Ainda não está definida a localização desses aeroportos e, em muitos casos, essa definição terá de sair de discussões que, além dos aspectos técnicos normais, envolverão questões políticas locais ou regionais.

Além disso, para que a malha aeroportuária alcance a eficiência pretendida pelo governo, é preciso, além dos novos aeroportos, reformar os que existem atualmente, a maioria dos quais não atende às exigências operacionais básicas - e, dos que as atendem, alguns já operam além de sua capacidade.

Como a grande maioria dos aeroportos existentes, bem como praticamente a totalidade dos que devem ser construídos, são ou serão de responsabilidade dos governos estaduais ou dos municípios, haverá a necessidade de se firmar convênio com cada um dos responsáveis, o que também demandará negociações que podem se arrastar.

O governo ainda está discutindo com as companhias aéreas regionais quais são os destinos mais importantes e confrontando a preferência das empresas com seus programas de estímulo ao turismo, bem como com as tendências do desenvolvimento regional e os interesses dos governos estaduais. Bittencourt disse que "esse trabalho está adiantado" e que poderá ser concluído "em pouco tempo".

Em julho de 2011, a presidente Dilma Rousseff disse, na cidade de Francisco Beltrão, no Paraná, que seu governo anunciaria em breve uma política para a aviação regional. Em fevereiro último, a Secretaria de Aviação Civil apresentou à Casa Civil o programa de aviação regional, com a ampliação do número de aeroportos regionais.

O programa baseou-se, em parte, no estudo apresentado há alguns meses pela Associação Brasileira das Empresas de Transporte Aéreo Regional (Abetar), sobre as condições operacionais de 174 aeroportos regionais do País, no qual se estimou a necessidade de investimentos de R$ 2,4 bilhões até 2015 para torná-los aptos a atender à demanda. Além de aeroportos administrados por governos estaduais e prefeituras, o estudo abrangeu alguns controlados pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), como os de Vitória e Cuiabá, que não foram incluídos no plano de investimentos para atender a Copa.

O governo poderá destinar anualmente para os aeroportos regionais - reforma, ampliação e modernização dos atuais e construção de novos - R$ 2 bilhões provenientes do Fundo Nacional da Aviação Civil, criado há um ano. O ministro Wagner Bittencourt disse que a construção dos novos aeroportos ficará a cargo dos Estados, mas não está definido o modelo de gestão.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 24 / 04 / 2012

Folha de São Paulo
"Cachoeira diz que escuta é ilegal e quer anular provas" 

Para defesa, vínculo de empresário com senador deveria ter levado caso ao STF

O empresário Carlinhos Cachoeira, preso sob acusação de corrupção, usou o vínculo com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM) para tentar anular na Justiça a validade da investigação da PF, relatam Leandro Colon e Fernando Mello. Na defesa apresentada em Goiás, seus advogados alegam que o caso, por envolver um parlamentar, deveria ter sido remetido ao Supremo Tribunal Federal e que, portanto, as provas obtidas por decisão judicial de primeira instância são ilegais.

O Estado de São Paulo
"Crise derruba 10º governo da UE e afeta mercados" 

Gabinete holandês se desfaz ao não aprovar cortes; Espanha anuncia recessão e bolsas de valores caem

A crise da dívida levou ontem à queda do governo da Holanda, o décimo da União Europeia a cair em apenas dois anos. Além disso, a Espanha anunciou nova recessão. Os problemas derrubaram as bolsas de valores. No Brasil, o dólar subiu 0,43% e fechou a R$ 1,881. Na Holanda, não houve acordo político para aprovar medidas de austeridade que resultariam em corte de € 16 bilhões. Entre as ações estava o aumento da idade mínima para aposentadoria, de 65 para 66 anos. Agora, os holandeses precisam apresentar em menos de dez dias seu novo orçamento à UE, com o compromisso de reduzir o déficit de 4,3% do PIB para 3%. “Há uma nuvem negra sobre a Holanda”, declarou um ministro. A situação é vista como possível precedente contra o pacto fiscal. O socialista François Hollande, que liderou o primeiro turno presidencial francês, também quer rever o acordo.

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segunda-feira, abril 23, 2012

Qual é o valor de x?


Colunistas

Occupy: o espírito da época

Os movimentos de massa que tomaram as ruas do planeta

Márcia Denser
Acaba de ser lançada pela Boitempo, em parceria com o portal Carta Maior, a coletânea de ensaios Occupy – movimentos de protesto que tomaram as ruas do mundo, reunindo autores como David Harvey, Emir Sader, Immanuel Wallerstein, Mike Davis, Slavoj Zizek, Tariq Ali, Vladimir Safatle, Edson Teles, Giovanni Alves, Henrique Soares Carneiro e João Alexandre Peschanski. Obra imprescindível que, segundo os editores, tem o objetivo de ampliar o debate em torno dos movimentos populares que tomaram as ruas ao longo de 2011 em diversos países.

Uma onda de mobilizações (que tomou a dimensão de um movimento global) começou no Norte da África, derrubando ditaduras na Tunísia, Egito, Líbia, Iêmen; estendeu-se à UE (a propósito, Tariq Ali, neste ensaio, diz que deveria ser UB – União dos Banqueiros) com movimentos e greves na Espanha, Grécia, Londres; na AL; eclodiu no Chile e ocupou Wall Street, alcançando no final do ano até mesmo a Rússia.

A rebelião popular voltou à ordem do dia e o pano de fundo é uma crise social, econômica e financeira que se arrasta desde 2008, em consequência da crise de alimentos, do desemprego crônico e, sobretudo, da ausência de alternativas políticas, uma vez que os movimentos se manifestam contra as estruturas políticas partidárias e sindicais vigentes.

De forma que esta coletânea se reveste de tal importância, que vale à pena comentar e glosar o pensamento crítico de seus autores ao longo de colunas futuras.

Novamente me reportando a Tariq Ali, este comenta: “Um mapa do mundo que não inclua Utopia não merece ser olhado’, escreveu Oscar Wilde, ‘já que deixa de fora o único país no qual a humanidade está sempre desembarcando. E quando a humanidade chega ali, olha para o horizonte e, ao ver um país melhor, zarpa em sua busca. O progresso é a realização de Utopias”.

Ou seja, o espírito do século XIX socialista está vivo entre a atual juventude idealista que protesta contra o capitalismo global que dominou o mundo desde o colapso da extinta União Soviética. Sem contar que a extrema direita é pequena, a extrema esquerda praticamente não existe, e o “extremo centro” domina a vida social e política.

Mas nesta coluna quero focar privilegiadamente o pensamento de David Harvey, professor da Universidade de Nova York que, por uma incrível coincidência, comentei na coluna passada “O capitalismo estereotipado: em direção ao crash“, até porque, entre os dez ensaios do livro, foi o que considerei o mais contundente. Sem subterfúgios nem meias palavras, ele abrange implacavelmente o tema desde o centro do dinheiro e do poder que governa o planeta: Wall Street.

Em seu artigo “Os rebeldes na rua: o Partido de Wall Street encontra sua nêmesis”, Harvey começa pegando pesado (1): O Partido de Wall Street controlou os Estados Unidos sem dificuldades por tempo demais. Dominou completamente as políticas dos presidentes por quatro décadas ou mais. Corrompeu legalmente o Congresso por meio da dependência covarde dos políticos de ambos os partidos em relação ao poder do seu dinheiro e da mídia controlada por ele. Graças às nomeações aprovadas pelos presidentes e Congresso, o Partido de Wall Street domina o aparato estatal, o Judiciário, em particular a Suprema Corte, cujas decisões estão a serviço dos interesses venais do dinheiro, em esferas como a eleitoral, trabalhista, ambiental e comercial.

O PWS tem um princípio universal de dominação: não pode haver nenhum adversário sério ao poder absoluto do dinheiro de dominar absolutamente. Seus detentores não devem apenas acumular riqueza sem fim e à vontade, mas também o direito de herdar o planeta, com domínio direto e indireto da terra, de todos os seus recursos e potencialidades produtivas, bem como de assumir o controle absoluto, direta ou indiretamente, sobre o trabalho, idem suas potencialidades criativas.

O resto da humanidade se tornará supérfluo.

Estes princípios e práticas não surgem da ganância individual, falta de horizonte ou abusos (que, aliás, também abundam). Eles foram moldados no corpo político de nosso mundo pela vontade coletiva de uma classe capitalista, instigada pelas leis coercivas da competição. E tais leis forçam todos nós, em diferentes níveis, a obedecer às regras desse sistema cruel e insensível.

Logo, o problema é sistêmico, não individual.

O PWS articula incessantemente a guerra de classes: “Claro que há uma guerra de classes” – disse Warren Buffett, “e é minha classe, a dos ricos, que a está fazendo, e nós estamos vencendo!”

Mas agora, pela primeira vez, há um movimento explícito que enfrenta o PWS e seu mais puro poder do dinheiro. A “street” de Wall Street está sendo ocupada – ó, horror dos horrores – pelo povo. Espalhando-se de cidade em cidade, as táticas do Occupy são tomar um espaço público central, parque ou praça, próximo aos bastiões do poder e, ao colocar ali corpos humanos, convertê-lo num espaço político de iguais. Essa tática mostra como o poder coletivo de corpos no espaço público continua sendo o instrumento mais efetivo de oposição quando o acesso a todos os outros meios está bloqueado. A praça Tahrir mostrou ao mundo uma verdade óbvia: são os corpos nas ruas e praças, não apenas os murmúrios no Twitter ou Facebook (ou com a colaboração das redes sociais descentradas espalhadas pela Internet, grifo meu), que realmente importam.

E por hoje, acabou o espaço, próxima coluna tem mais Occupy!

(1) Adiante, um resumo das melhores partes do artigo, razão pela qual não as colocarei entre aspas posto a citação não ser literal.

Publicado originalmente no "congresso em foco"

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Opinião

A briga pelo bolo

O Estado de S.Paulo
Apesar do veemente discurso dos dirigentes proclamando seu empenho na defesa dos interesses dos trabalhadores, não é apenas para ter mais influência no movimento sindical e mais poder nas negociações com os empregadores e com o governo que as centrais sindicais disputam avidamente novos filiados. É principalmente por dinheiro que fazem isso.

Desde 2008, as centrais têm direito a 10% do imposto sindical, e a repartição é feita proporcionalmente ao número de sindicatos filiados e ao tamanho (número de associados) desses sindicatos. O dinheiro, como todo trabalhador com registro em carteira pode conferir no seu envelope de pagamento, foi descontado do salário de março, na proporção de um dia de trabalho. Além da fatia destinada às centrais, o bolo é repartido entre os sindicatos (60%), federações (15%), confederações (5%) e governo (10%). O Ministério do Trabalho deve anunciar nos próximos dias a fatia do bolo que caberá a cada entidade sindical.

Desde a inclusão das centrais entre as beneficiárias do imposto sindical, é intensa a briga entre elas para a criação de sindicatos e para a atração de filiados de outras. Os resultados dessa disputa feroz são cada vez mais notáveis. Centrais sindicais menores têm sido as mais ativas na conquista de novos filiados, enquanto a maior delas, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), vem perdendo participação no total de associados e a segunda maior, a Força Sindical, tenta manter sua fatia do bolo.

No ano passado, embora tenha filiado 142 novos sindicatos, alcançando 2,2 mil entidades, com 2,5 milhões de sócios, a CUT viu diminuir sua participação entre as centrais, conforme reportagem do jornal Valor (17/4). Seu índice de representatividade caiu de 38,32% do total de sindicalizados em 2010 para 36,5% em 2011. O índice da Força Sindical permaneceu praticamente o mesmo (14,12% em 2010 e 14,44% em 2011).

Proporcionalmente, foi acentuado o crescimento das centrais menores. O índice de representatividade da União Geral dos Trabalhadores (UGT) - cujo presidente, Ricardo Patah, é filiado ao PSD, do prefeito paulistano Gilberto Kassab - saltou de 7,89% para 10,29%; o da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), vinculada ao PC do B, passou de 7,77% para 8,45%; e o da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), de 7,04% para 8,38%. O racha ocorrido no ano passado na Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), que era formada por membros do PMDB ligados ao ex-governador Orestes Quércia e do MR-8, reduziu seu número de filiados e a exclui das centrais com direito a receber parte do imposto.

No ano passado, a fatia do imposto sindical distribuída às seis maiores centrais sindicais - a lei exige que, para receber o dinheiro, a central precisa ter pelo menos 7% do total de sindicalizados do País - alcançou R$ 135 milhões. Ainda não se sabe oficialmente quanto será distribuído neste ano, mas certamente será mais do que no ano passado. As estimativas sobre a arrecadação do imposto sindical em 2011, que será distribuído proximamente, variam de R$ 1,7 bilhão a R$ 2,5 bilhões, o que proporcionaria às centrais um bolo de R$ 170 milhões a R$ 250 milhões.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 23 / 04 / 2012

Folha de São Paulo
"Socialista e Sarkozy vão ao 2º turno na França" 

Marine Le Pen, da extrema direita, surpreende com quase 20% dos votos

Uma diferença apertada entre o socialista François Hollande e o presidente-candidato Nicolas Sarkozy e uma votação surpreendente de Marine Le Pen, da extrema direita, embaralham o cenário para o segundo turno da eleição francesa, dentro de duas semanas. O socialista Hollande teve 28,6% dos votos e Sarkozy chegou aos 27,1%.

O Estado de São Paulo
"Grupo de Cachoeira acumulou R$ 30 milhões, aponta Receita" 

Auditores identificaram imóveis, avião e automóveis de luxo em nome de pessoas próximas ao contraventor

Relatório produzido pela Receita Federal nas investigações da Operação Monte Carlo revela que, além de indícios de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro, a organização que seria comandada por Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acumulou um patrimônio de cerca de R$ 30 milhões. Segundo a Receita, Cachoeira deixava os bens em nome da ex-mulher ou do ex-cunhado. Entre eles há uma casa em Miami, uma fazenda de 165 hectares, um avião Cessna, salas comerciais e apartamentos em Goiânia e no Rio. A análise mostra que o contraventor declarava rendimentos que variavam de R$ 60 mil a R$ 70 mil, mas o patrimônio chegava a R$ 4,3 milhões. Já criada no Congresso, a Comissão Parlamentar de Inquérito do Cachoeira deve ser instalada na quarta-feira.

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domingo, abril 22, 2012

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Opinião

Os ladinos, os bobos e a esperança

O Estado de S.Paulo
"Tenho a certeza de que, após a deflagração desta operação, muitos dirão que o jogo ilegal era reprimido em Goiás. Não é verdade." Esta é a opinião do juiz federal Paulo Augusto Moreira Lima, manifestada por escrito na decisão em que deferiu o pedido da Polícia Federal para que, com base no que se apurou na Operação Monte Carlo, fosse decretada a prisão do contraventor Carlinhos Cachoeira, cujas trampolinagens serão agora objeto de investigação também pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) em processo de constituição no Congresso Nacional.

Para o magistrado, a "assustadora" ingerência da quadrilha de Cachoeira no Estado de Goiás, particularmente no que diz respeito ao aparelho policial, resultou numa enorme farsa no combate à rede de meliantes que, sob o comando daquela figura notória, explora a jogatina no Estado: "É a famosa conversa de ladino para bobo. Tínhamos 'pseudoatuações' e simulação de persecução penal, para conferir impressão de enfrentamento ao crime", afirma o juiz em seu despacho de 23 de fevereiro. E assim, tendo as garantias da impunidade, Carlinhos Cachoeira comandou o crime em Goiás por 17 anos.

A manifestação do magistrado goiano só não é completamente estarrecedora porque, a partir da prisão de Cachoeira, não houve um só dia em que novas revelações não tenham escancarado a extensão e a profundidade da ação criminosa daquela quadrilha e seus cúmplices - agentes oficiais e privados -, não apenas em Goiás, mas em praticamente todo o País, e em todos os níveis de governo.

Por exemplo, está na berlinda o governador tucano Marconi Perillo, cujo governo, como as evidências sugerem, parece ter o rabo preso com o meliante. E a mesma suposição é válida para o governo petista do Distrito Federal e sabe-se lá quantas outras administrações públicas, a começar pela federal, que tem na Construtora Delta, a maior beneficiária das obras do PAC, um prestador de serviços envolvido no esquema corruptor de Carlinhos Cachoeira.

O Brasil já perdeu, no escândalo do mensalão, em 2005, uma excelente oportunidade de ir a fundo no combate à corrupção na vida pública. A deliberada omissão e conivência dos governantes e políticos em geral, inclusive os da oposição, permitiu que os principais responsáveis saíssem do escândalo incólumes - a não ser aqueles que ainda correm o risco de ser condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) - e até fortalecidos nas urnas, a ponto de se sentirem à vontade para definir o episódio como "farsa". Como consequência, durante o segundo mandato de Lula, o relacionamento espúrio entre agentes públicos e privados, como têm revelado as investigações da Polícia Federal, criou raízes cuja extensão talvez agora se revele, se a CPI do Cachoeira não terminar em pizza.

Ecoando as palavras do magistrado federal que olha para o aparato policial do Estado de Goiás e vê uma organização criminosa, as atenções dos brasileiros que ainda têm capacidade de se indignar com a dissolução ética e moral que parece dominar a coisa pública começam a se voltar para o julgamento do processo do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, e para os trabalhos da nova CPI, que poderão ajudar a remover parte do entulho de corrupção que contamina o País.

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Manchetes do dia

Domingo, 22 / 04 / 2012

Folha de São Paulo
"Apoio a Dilma bate recorde, mas eleitor quer Lula em 2014" 

Pesquisa Datafolha mostra que governo é aprovado por 64% dos eleitores; sobe otimismo em relação à economia

Com aprovação de 64% dos brasileiros, Dilma Rousseff bateu mais um recorde de popularidade, mostra levantamento do Datafolha. É a mais alta taxa obtida por um presidente com 15 meses de mandato. Só 5% consideram que seu governo seja ruim ou péssimo.

O Estado de São Paulo
"Delta obteve aumento de preço em 60% dos contratos" 

Um dos alvos da CPI do Cachoeira, construtora teve aditivos em l54 das 265 obras com Dnit

Um dos alvos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, a Delta Construções obteve aditivos que alteraram o valor de quase 60% dos contratos com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), um dos responsáveis pelas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). De um total de 265 empreendimentos, 154 sofreram mudanças no valor original, aumentando o custo das obras em cerca de R$ 400 milhões, informa o repórter Fábio Fabrini. Compilados pelo Estado, os dados se referem a manutenção, adequação, duplicação e implantação de estradas, concluídas ou ainda em andamento. Desde 2004, a Delta obteve 52 contratos sem licitação, cujos valores alcançam cerca de R$ 328 milhões.

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