sábado, abril 21, 2012

Aerocão


Ninja sobe a serra

Núcleo Infanto Juvenil de Aviação em Taubaté
 
Diário de Taubaté
No sábado, 28 de abril, será realizado o Encontro de Escoteiros da Modalidade do Ar (EncontrAr), no Aeroclube Regional de Taubaté. O evento, promovido pelo 259/SP – Escoteiro do Ar “Aviação do Exército”, irá comemorar os 74 anos de atividades da modalidade de escotismo no país e oficializar o lançamento regional do Núcleo Infantojuvenil de Aviação em Taubaté (Ninja). A entrada é franca.
 
O Ninja propõe uma série de atividades, todas gratuitas, que divulgam a cultura aeronáutica entre crianças e jovens de escolas públicas e particulares. Despertar vocações e revelar talentos é o principal objetivo do projeto, que nasceu em 2009, em Ubatuba, quando o grupo fez uma apresentação aos alunos do Colégio Dominique.
 
A proposta ganhou impulso com a criação de atividades na modalidade a distância, usando experimentalmente o Blog do Ninja (www.ninja-brasil.blogspot.com) como principal ferramenta de apoio.
 
Com as diversas possibilidades geradas pela tecnologia da informação, e com o apoio da UNITAU, o NINJA iniciou a produção de vídeo aulas que serão disponibilizadas nas redes sociais, permitindo a interação entre participantes de diversas regiões do país.
 
O Núcleo Infantojuvenil de Aviação também pretende divulgar as ações do Escotismo do Ar. A modalidade promove a cultura aeronáutica entre crianças e jovens no Brasil desde 28 de abril de 1938, quando o Major Aviador Godofredo Vidal, o Tenente Coronel Aviador Vasco Alves Secco e o Primeiro Sargento Telegrafista Jayme Janeiro Rodrigues oficializaram, em Curitiba, a criação do primeiro grupo de escoteiros do ar do mundo: o Grupo Tenente Ricardo Kirk.ogramação especial - Para comemorar o lançamento do Ninja em Taubaté e os 74 anos da Modalidade do Ar do Escotismo, uma programação especial será apresentada na manhã de 28 de abril. As atividades, para toda família, começam às 9h30 e vão até às 13h.
 
Confira as principais atrações: simulação de voo em computador, aeromodelismo, apresentação de aeronaves, jogos escoteiros, vídeo aulas, mini-palestras e diversas oficinas.
 
Além dos Escoteiros do Ar, o evento tem o apoio da Aviação do Exército, da Escola Municipal de Ciências Aeronáuticas (EMCA), da Universidade de Taubaté (UNITAU), do Aeroclube Regional de Taubaté, do Aeroclube de Ubatuba e do Colégio Dominique.
 
O Aeroclube fica na estrada dos Remédios, 2135, Itaim, próximo ao Comando de Aviação do Exército de Taubaté.

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Opinião

Bate-boca constrangedor

O Estado de S.Paulo
As respostas do ministro Joaquim Barbosa às críticas que lhe foram feitas pelo ministro Cezar Peluso, um dia antes de deixar a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), lançaram mais luz sobre um cenário que o grande público supunha preservado de lavagens públicas de roupa suja.

A história do STF, que acumula as competências de corte constitucional e de tribunal de última instância, sempre registrou as mais variadas desavenças entre seus integrantes, mas elas eram travadas a portas fechadas ou por floreios retóricos nas sessões plenárias - e não sob a forma de trocas de insultos através da mídia. As críticas de Peluso foram feitas em entrevista concedida ao site Consultor Jurídico, e as respostas de Barbosa, que é o relator do processo do mensalão e assumirá a direção do Supremo em novembro, sucedendo ao ministro Ayres Britto, foram dadas em entrevista ao jornal O Globo de sexta-feira.

Na saraivada de críticas que disparou contra a presidente da República, a corregedora Nacional de Justiça, o senador Dornelles e colegas de corte, Peluso afirmou que Barbosa tem ambições eleitorais, razão pela qual julgaria os processos mais com base em motivações políticas do que jurídicas. Na mesma entrevista, o ex-presidente do Supremo também disse que Barbosa "é dono de temperamento difícil" e o classificou como "inseguro", motivo pelo qual se ofenderia com "qualquer coisa".

Em resposta, Barbosa chamou Peluso de "ridículo", "brega", "caipira", "corporativo", "desleal", "tirano", "desastroso" e "pequeno". "Uma universidade francesa me convidou a participar de uma banca de doutorado em que se defendera uma excelente tese sobre o STF e seu papel na democracia brasileira. Peluso vetou que me fossem pagas diárias durante os três dias de afastamento, ao passo que me parecia evidente o interesse da Corte em se projetar internacionalmente, pois, afinal, sua obra estava em discussão. Inseguro, eu?", retrucou Barbosa.

Além de comparar seu currículo acadêmico com o de Peluso, o ministro Joaquim Barbosa o acusou de praticar "supreme bullying" contra ele, por conta dos problemas de saúde que o levaram a sofrer uma cirurgia no quadril e a se afastar para tratamento médico, e de plantar fofocas na imprensa sobre suas condições físicas. Afirmou, ainda, que nas sessões plenárias o ex-presidente do Supremo manipulava regras e violava dispositivos regimentais de acordo com seus interesses, com o objetivo de impor sua vontade aos demais ministros nos julgamentos mais importantes.

"As pessoas guardarão na lembrança a imagem de um presidente do STF conservador, imperial, tirânico, que não hesitava em violar as normas quando se tratava de impor à força sua vontade. Dou exemplos. Peluso inúmeras vezes manipulou ou tentou manipular resultados de julgamentos, criando falsas questões processuais simplesmente para tumultuar e não proclamar o resultado que era contrário ao seu pensamento. Lembre-se do impasse nos primeiros julgamentos da Lei da Ficha Limpa, que levou o tribunal a horas de discussões inúteis. Peluso também não hesitou em votar duas vezes num mesmo caso, o que é inconstitucional, ilegal e inaceitável", disse Barbosa, referindo-se ao julgamento que livrou Jader Barbalho da Lei da Ficha Limpa.

Leia na íntegra Bate-boca constrangedor

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Manchetes do dia

Sábado, 21 / 04 / 2012

Folha de São Paulo
"Novo presidente do STF intervém para conter crise" 

Ministros da mais alta corte do país trocam acusações e ofensas publicamente

A crise instalada no Supremo Tribunal Federal após troca de acusações entre os ministros Cezar Peluso e Joaquim Barbosa levou o novo presidente, Carlos Ayres Britto, a agir para tentar pacificar a corte. Barbosa chamou Peluso, que presidia o STF até ante-ontem, de “tirano” e ridículo” e o acusou de manipular julgamentos. Foi uma reação às declarações de Peluso, que classificou o colega como “difícil” e “inseguro”. Ontem o novo presidente convocou uma entrevista para apaziguar os ânimos. Ayres Britto disse ser “logicamente impossível” haver manipulação de decisões, “porque os outros (ministros) perceberiam”. Ministros veem o caso como uma rusga entre colegas e não creem que ela prejudique a corte perto do julgamento do mensalão.

O Estado de São Paulo
"Juro, câmbio e impostos são 'amarras' do País, diz Dilma" 

Para presidente, o Brasil tem de buscar um patamar de taxas similar ao praticado internacionalmente

A presidente Dilma Rousseff voltou a atacar ontem os valores cobrados no mercado de crédito, apesar da redução da taxa básica de juros e dos cortes promovidos por bancos públicos e privados nos custos dos financiamentos. Para a presidente, a taxa de juro, o câmbio e os impostos altos são “amarras” do País. Dilma criticou também desvalorização de moedas e guerras comerciais, que, segundo ela, usam métodos “não muito éticos”. A presidente afirmou que ”o Brasil tem de buscar um patamar de juros ao praticado internacionalmente”. A queda dos juros virou uma das principais bandeiras do Palácio do Planalto, que usou os bancos oficiais para forçar a redução dos juros no mercado de crédito. Na quarta-feira, o Copom do Banco Central reduziu a taxa Selic para 9% no ano.

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sexta-feira, abril 20, 2012

Planeio final


Coluna do Celsinho

Símbolos

Celso de Almeida Jr.
Ontem, Dia do Índio, lembrei-me da experiência profissional que tive em 2010, no norte do país.

Conheci, de perto, o resultado da monumental tarefa cumprida, há quase um século, por Cândido Rondon e seus comandados: rasgar a floresta do oeste do Mato Grosso ao sul do Amazonas, levando o telégrafo à Santo Antônio do Madeira, atual Porto Velho, capital de Rondônia.

Para desbravar esta área, Rondon precisava contatar os povos indígenas e, influenciado pelo Positivismo, aproveitava a oportunidade para levar conceitos de nação, apresentando aos índios a bandeira, o hino e outros símbolos culturais do país.

As ações pacificadoras de Rondon, que muitos estudiosos questionam, merecem elogios quando comparadas com as práticas que outros países tiveram com seus povos nativos.

Marechal Rondon tornou menos traumática a integração que, cedo ou tarde, iria acontecer.

Entretanto, os muitos equívocos que o Brasil cometeria com os povos indígenas, ofuscaram a intensidade de seus esforços.

Os postos telegráficos que criou transformaram-se em cidades e o imenso corte na floresta é hoje a BR 364, rodovia que une Rondônia, de norte a sul.

Essa colonização do oeste promoveu duros conflitos, acuando os primitivos habitantes daquelas terras.

Ainda há ecos destes desencontros.

Os Cintas-Largas, por exemplo, vivem na Reserva Roosevelt, ao sul de Rondônia, onde levantamento feito com base na análise de imagens de satélite, cedidas pelo Japão e pela Nasa e, também, de ondas magnéticas captadas por avião, colocam esta reserva, no mínimo, entre as cinco maiores minas de diamantes do mundo.

Este é apenas um caso.

A ausência de uma firme postura governamental, neste cenário de cobiça internacional, permite corrupção e violência, sinalizando que ainda veremos muito sofrimento, comprometendo ainda mais o futuro dos indígenas do Brasil.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

A reação dos bancos

O Estado de S.Paulo
É bem-vindo o anúncio dos principais bancos privados do País de redução dos juros em algumas de suas operações. Mas só o tempo dirá se a decisão não passa, como podem suspeitar muitos de seus clientes, de jogada de marketing e de uma tentativa de repor em nível mais alto o relacionamento com o governo, abalado nos últimos dias pelas reivindicações extemporâneas do principal dirigente da associação que os representa.

Sabe-se, até agora, que apenas determinadas linhas de crédito terão custos mais baixos para os consumidores e para as empresas, desde que sejam clientes especiais da instituição ou aceitem transferir para ela as operações que realizam em outras. Não se sabe se isso terá impacto sobre o custo médio dos empréstimos, se será suficiente para estimular o consumo e o investimento produtivo, se haverá oferta suficiente de financiamentos, se a redução será duradoura ou não passará, como já ocorreu, de simples atitude de conveniência num momento delicado para a imagem dos bancos.

Há cerca de duas semanas, cumprindo determinação da presidente Dilma Rousseff - que tem feito críticas duras aos bancos privados por não reduzir os juros dos empréstimos que concedem -, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal anunciaram o corte de até 78% em algumas de suas taxas de juros. A intenção era forçar os bancos privados a seguir o exemplo dos estatais.

No encontro que teve pouco depois com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para discutir a questão, o presidente da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban), Murilo Portugal, apresentou uma lista de 22 medidas que, no entender dos bancos, contribuirão para reduzir o juro pago pelos tomadores de empréstimos bancários. A maioria das medidas depende do próprio governo, não dos bancos, daí Portugal ter dito, logo após a reunião com Mantega, que "agora a bola está com o governo", o que irritou Dilma.

Há, de fato, componentes do "spread" bancário - a diferença entre o custo da captação de recursos pelos bancos e o custo do empréstimos bancários para seus clientes - de responsabilidade do poder público, como a tributação elevada, a imposição de depósitos compulsórios em proporção elevada e a carência de medidas legais e administrativas que assegurem maior segurança às operações de financiamento.

É inegável, porém, que cabe aos bancos, diretamente, a maior parcela de responsabilidade pelo alto custo dos financiamentos no País. Na média dos últimos anos, de acordo com relatórios do Banco Central, mais de um terço do "spread" é representado pelo lucro das instituições financeiras. Como os bancos estão entre empresas com a maior taxa de lucro no País, o governo entende que eles podem reduzir os juros imediatamente, cortando parte de seus resultados, sem necessidade de outras medidas.

Ao anunciar a redução dos juros de algumas de suas operações para clientes com perfis muito bem escolhidos, de certa maneira os principais bancos privados do País - Itaú, Bradesco, Santander e HSBC - concordam com a argumentação do governo.

Mas o fazem bem a seu modo, anunciando amplamente sua decisão para o público, mas restringindo a concessão de eventuais vantagens para determinadas linhas e para um número limitado de clientes, sob condições muito especiais. Em geral, as operações que ficaram mais baratas sãos aquelas cujos juros estão entre os mais baixos do mercado, como o crédito consignado - garantido pelo salário do tomador do empréstimo -, ou que têm pequena participação nas operações desses bancos, como os financiamentos de automóveis, geralmente oferecidos por bancos ligados às montadoras.

Leia na íntegra A reação dos bancos

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 20 / 04 / 2012

Folha de São Paulo
"CPI do Cachoeira é criada com Collor, Jucá e ficha-suja" 

Ao menos 17 dos 32 integrantes da comissão têm pendências com a Justiça; trabalhos devem começar na próxima semana

A CPI criada ontem para apurar a relação de políticos com o empresário Carlos Cachoeira terá entre seus integrantes o ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL), afastado do cargo por corrupção e hoje senador, e ao menos outros 16 congressistas com pendências na Justiça. A comissão terá 32 membros, que poderão ser indicados até terça, data prevista para a instalação da CPI.

O Estado de São Paulo
"CPI do Cachoeira é criada e aliados não sabem como agir" 

Articulação política do governo é alvo de críticas da base; senador do PMDB será presidente da comissão

No dia em que o Congresso criou a CPI que vai investigar a ligação de políticos e empresas com o contraventor Carlinhos Cachoeira, a articulação política do governo foi alvo de fortes críticas por parte dos próprios aliados, relata a repórter Vera Rosa. Sem orientação do Planalto, até parlamentares do PT passaram a bombardear o “vazio” na coordenação. "A presidente Dilma está muito bem, mas a articulação política do governo é fraca e amadora", reclamou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ). Petistas dizem que o PMDB, com o senador Vital do Rego (PB) na presidência da CPI, pode pressionar o governo por mais cargos no primeiro escalão. “Isso não existe. Também somos governo e temos consciência da gravidade de uma CPI como essa", disse o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). Entre petistas, é forte a disputa pela relatoria da CPI, que será instalada na terça-feira.

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quinta-feira, abril 19, 2012

Men At Work - Who Can It Be Now (1981)

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Opinião

Quem não queria a 'CPI do PT'

O Estado de S.Paulo
Dizem os cínicos que o máximo que se pode esperar dos políticos é que os seus interesses coincidam com a vontade geral da sociedade. Se assim é, está-se diante de um desses raros casos. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre as ligações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com agentes públicos e privados nasceu da conjunção dos interesses contraditórios do PT, do DEM e do PSDB. O primeiro queria se desforrar do seu mais respeitado detrator no Congresso, o senador por Goiás Demóstenes Torres (DEM), ao se descobrir que o implacável Catão estava atolado até o pescoço em negócios com o chefe da batotagem no seu Estado. Também queria - acicatado pelo ex-presidente Lula - vingar-se do governador goiano Marconi Perillo, por ter o tucano tornado público que o alertara para a compra de votos de deputados em favor do governo antes que o escândalo eclodisse, com o rótulo de "mensalão". E queria a investigação, por fim, para ter algo com que ofuscar o julgamento dos delitos dos seus principais companheiros, previsto para os próximos meses deste ano eleitoral.

Para o DEM, por sua vez, era uma questão de sobrevivência ir a fundo na apuração das malfeitorias do senador, que se desligou da legenda para não ser expulso, e uma demonstração de coerência com a sua conduta diante de outros correligionários flagrados em lambanças. Além disso, achou uma bela oportunidade para levar ao pelourinho outro suspeito de relações espúrias com Cachoeira, o governador petista do Distrito Federal (DF), Agnelo Queiroz. Já o que abriu o apetite do PSDB pelo inquérito foi a chance de atingir o governo federal pela interposta pessoa jurídica da empreiteira Delta, detentora de R$ 3,6 bilhões - muito mais do que qualquer outra do ramo - em contratos de obras do PAC, a menina dos olhos de Lula e da gestora do programa, a ministra Dilma Rousseff, que ele guindou à sua cadeira. A Delta, uma empresa tentacular com serviços em 23 Estados e no DF, tinha uma alentada folha corrida no Tribunal de Contas da União (TCU) e na Controladoria-Geral da União (CGU) antes que as gravações da Polícia Federal descortinassem a sua rentável proximidade com o chamado sistema Cachoeira.

Não se quer dizer com isso que todos os 340 deputados e 67 senadores que subscreveram o pedido da CPMI - um número impressionante, vindo de onde veio - foram movidos por razões menos limpas do que a da busca da verdade no que parece ser um arranha-céu de corrupção com andares inteiros compartilhados pelos Poderes da República, delinquentes profissionais e empresas associadas a uns e outros. Mas não resta dúvida de que o cálculo político foi o que mais pesou na decisão de recorrer à mais poderosa ferramenta de investigação ao alcance do Legislativo - para bem do interesse público. Aliás, não passa dia sem que vazem novas evidências de que são mais estreitos, até do que parecia inicialmente, os vínculos entre o bicheiro Cachoeira, o governador Perillo, o senador Demóstenes e a construtora Delta. Já na esfera política chamam a atenção os fortes sinais de que o PT não recuou propriamente da proposta do inquérito ao se dar conta, segundo o noticiário, de que os seus perigos potenciais para o Planalto seriam maiores do que os ganhos visados pelo partido. Essa posição foi defendida, pelo menos em público, apenas por um punhado de seus parlamentares.

Leia na íntegra Quem não queria a 'CPI do PT'

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 19 / 04 / 2012

Folha de São Paulo
"Bancos privados cedem a Dilma e barateiam crédito" 

Banco Central também reduziu a Selic e levou o Brasil a ter sua menor taxa de juros reais já registrada

Os bancos Bradesco, Itaú e Santander cederam às pressões do governo Dilma e anunciaram a redução de algumas de suas taxas de juros para consumidores e empresas. O HSBC já havia feito corte na semana passada. A reação, duas semanas após os bancos públicos diminuírem as taxas dos empréstimos, foi recebida pelo governo como um gesto dos banqueiros para a reabertura do diálogo sobre redução do custo do crédito.

O Estado de São Paulo
"Selic cai para 9%; País deixa de ser líder em juros reais" 

No mesmo dia, os quatro maiores bancos privados respondem à pressão do governo e cortam taxas

O Banco Central anunciou ontem o sexto corte seguido do juro básico da economia, que caiu 0,75 ponto porcentual, para 9% ao ano. Com a decisão unânime do Comitê de Política Monetária, o Brasil deixa o primeiro lugar do ranking mundial dos juros reais, posto que ocupava desde janeiro de 2010. Antes do resultado do Copom, os quatro maiores bancos privados responderam às pressões do governo e diminuíram as taxas de juros cobradas dos clientes em financiamentos. Ontem, Itaú e Bradesco anunciaram reduções nos juros para pessoas físicas e empresas. Santander e HSBC já haviam reduzido as taxas. O governo ficou satisfeito com a decisão, mas ainda considera tímida.

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quarta-feira, abril 18, 2012

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Opinião

O surto populista de Cristina

O Estado de S.Paulo
Só faltou a presidente argentina Cristina Kirchner assomar aos balcões da Casa Rosada, a sede do governo nacional no coração de Buenos Aires, diante de uma multidão adrede arregimentada em estado de apoteose cívica, para completar o regressivo espetáculo de exaltação nacionalista do anúncio da reestatização da YPF, a maior empresa petrolífera do país, privatizada em 1993 e adquirida pela Repsol espanhola em 1999. Tudo o mais, porém, seguiu o mofado figurino do auge da era peronista, nos anos 1950. Por volta do meio-dia de anteontem, no salão nobre do palácio, tendo às costas uma imagem de Evita Perón e à frente uma siderada plateia de militantes justicialistas, entoando cânticos e palavras de ordem dos viejos tiempos, a presidenta, como exige ser chamada, proclamou a recuperação da "soberania petrolífera" argentina. Desnecessário dizer que o show de arrebatamento patriótico e fabulação econômica foi transmitido em rede nacional.

Naturalmente, ninguém teria a insolência de lembrar que a então senadora Cristina, bem como o seu marido Néstor, à época governador da província patagônia de Santa Cruz, aplaudiram a desestatização da YPF promovida pelo presidente Carlos Menem, o correligionário peronista que guinou para o neoliberalismo sem jamais perder o ardor populista. A esta altura, de todo modo, há paradoxos mais importantes a ressaltar. O principal é o que separa a demagógica celebração da reconquista da soberania argentina no setor de petróleo do estado crítico das finanças nacionais. Desde o calote da dívida em 2001, o país perdeu a confiança dos mercados internacionais de capital. Os descalabros da política econômica kirchnerista, entre os quais avulta uma indisfarçável inflação da ordem de 25%, obrigaram o governo a decretar em outubro passado o controle do câmbio - engessando, em consequência, as importações. Só naquele mês fugiram do país US$ 3,4 bilhões. No ano, já deixaram o país US$ 22,5 bilhões.

O Tesouro argentino não tem a mais remota condição de bancar os investimentos que a Repsol é acusada de ter deixado de fazer para devolver ao país a autossuficiência no setor energético - o argumento invocado por Cristina para justificar a nacionalização da YPF, que passará a ser controlada pelo governo federal, com 26,01% das ações, e pelas províncias produtoras de hidrocarbonetos, com 24,99%. Dos 51% que detinha, restarão à Repsol 6,43%. Ora, ela deixou de investir na proporção desejada pelo governo porque o próprio governo a privou dos meios de fazê-lo. O Estado, por exemplo, pagava-lhe por barril extraído uma fração do seu valor de mercado (US$ 42) e embolsava a diferença. Depois de o governo espanhol prometer, com o apoio da União Europeia, fortes represálias ao "claríssimo gesto de hostilidade" de Buenos Aires, como disse o ministro da Indústria José Manuel Soria, o presidente da Repsol, Antonio Brufau, acusou a Casa Rosada de forçar a baixa das ações da YPF para comprá-las a preço vil.

Ele atribuiu a desapropriação à intenção de Cristina de açambarcar a exploração do riquíssimo Campo de Vaca Muerta, na província de Neuquén, descoberto e posto a operar pela Repsol no ano passado. As jazidas de óleo e gás de xisto ali são estimadas em 22,5 bilhões de barris equivalentes, ou pouco menos da metade das reservas brasileiras no pré-sal. Ora, depois da violência jurídica perpetrada pelo governo argentino, no quadro de um surto nacionalista que começou com a exumação da demanda pelas "Malvinas argentinas", passados 30 anos da sua fracassada invasão, com que parceiros o país poderá contar para voltar ao seu passado de autonomia e superávits comerciais na área de energia? Cristina diz que quer implantar o "modelo brasileiro" no setor, numa alusão aos 51% que o Estado detém na Petrobrás, mas hostilizou a empresa ao cancelar a concessão de que dispunha em Neuquén, onde já tinha investido US$ 10 milhões.

Leia na íntegra O surto populista de Cristina

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 18 / 04 / 2012

Folha de São Paulo
"Escuta mostra que senador negociou verba para a Delta" 

Para o procurador-geral da República, há suspeita de que Demóstenes seja 'sócio oculto' da empreiteira

O senador Demóstenes Torres (ex-DEM) usou o cargo para negociar projeto de R$ 8 milhões em favor da empreiteira Delta, apontam escutas e relatório do Ministério Público Federal. Na gravação, ele condiciona o envio de verba para obra em Anápolis (GO) a escolha da Delta para tocar o projeto. O senador diz a Carlinhos Cachoeira que o prefeito de Anápolis lhe pediu ajuda para fazer um parque. "Falei pra ele que precisava então que (...) desse preferência pra vocês", diz. Um dia depois, Cachoeira relata a conversa a um diretor da Delta, informam Fernando Mello e Leandro Colon.

O Estado de São Paulo
"Repsol pede US$ l0,5 bi de indenização à Argentina" 

Vice-ministro diz que só 'imbecis' acham que Cristina Kirchner pagará o que a petrolífera quer

A empresa espanhola Repsol pediu ontem US$ 10,5 bilhões do governo argentino pela expropriação de 51% de ações de sua subsidiária YPF. A petrolífera também pretende entrar com um pedido de arbitragem no Banco Mundial e acusou o governo da presidente Cristina Kirchner de usar a expropriação de sua filial para "esconder a crise econômica e social" do país. O vice-ministro de Economia argentina, Axel Kicillof, disse que são "imbecis" os que pensam que seu país "deve ser tonto e pagar o que a Repsol deseja". Em um sinal de que a decisão de Cristina não foi bem recebida, a Comissão Europeia cancelou uma reunião que estava prevista com a Argentina para os dias 19 e 20. As sanções do governo espanhol contra a decisão da Argentina serão conhecidas na sexta-feira, quando o primeiro-ministro Mariano Rajoy, que participa do Fórum Econômico Mundial sobre América Latina no México, estiver de volta à Europa.

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terça-feira, abril 17, 2012

Minha espingarda, rápido. Rei Juan Carlos...

Cartas à redação

Direto de Hollywood

Caro Seu Sidney:

Não posso calar, o momento é de tristeza, imensa tristeza. Quem poderia imaginar que sob a fachada de simpatia escondia-se um frio e cruel assassino? Pois é Seu Sidney, eu sempre desconfiei que alguma coisa estava errada no script. Saiba que nós aqui em Hollywood entendemos do assunto. A educação exerce papel primordial nas ações dos seres humanos, e tem mais, quem educa costuma ser tomado como modelo. Diz a voz do povo: tal pai, tal filho. Eu amplio, tal tutor, tal discípulo. O rei da Espanha, Juan Carlos, teve como tutor o ditador Francisco Franco, aquele de Guernica, figura sinistra, amigo de Hitler. Ele, no entanto, parecia diferente. Ledo engano, Juan Carlos não é igual ao tutor. É pior. Por essa e por outras, Seu Sidney, lanço aqui o meu protesto pela matança de elefantes em Botswana. A estupida ação teve motivação recreacional e a chancela do rei da Espanha. A espécie humana deveria sentir vergonha.

Atenciosamente,

Dumbo

Norman Rockwell

Autorretrato triplo

Notinhas matinais

Um delta na vida

Sidney Borges
Em 1982 Brizola vencia a eleição para governador do Rio de Janeiro. As rádios cariocas davam a apuração e o "Caudilho" aparecia com folga na frente dos adversários. Eu disse as rádios? Errei. A rádio Globo tinha outra versão, na apuração global Brizola estava perdendo. No "Show das Eleições", em São Paulo, o clima era de perplexidade. Todo mundo sabia que Brizola estava na frente, mas a TV Globo insistia em dizer que Moreira Franco era o cara.

Não foi possivel mudar a realidade, quando a apuração se aproximou do fim e no Rio de Janeiro o povo começou a incendiar viaturas da Globo a "poderosa", como dizia Clodovil, rendeu-se aos fatos e, relutantemente, deu a vitória de Brizola.

A discrepância entre os fatos e a versão global foi creditada a um certo fator delta que teria interferido no processo de apuração montado pela emissora, baseado no uso de computadores.

Se o diferencial delta foi um artifício para maquiar a infantil tentativa de fraude, a Construtora Delta, que é ligada ao contraventor Carlinhos Cachoeira e presta serviços ao PAC da presidente Dilma, existe e está sendo investigada por possíveis irregularidades.

Talvez por ser tão próximo à tal construtora o que o coloca, por tabela, próximo ao contraventor, o governo está sentado em duas cadeiras.

Para agradar à militância fanática propaga aos quatro ventos ser a favor da instalação da CPI do Cachoeira.

Na calada da noite, em conversas de pé de ouvido, luta com todas as forças para abafar a instalação da CPI do Cachoeira. 

Por que será? Do que o governo tem medo?

A situação me faz lembrar da máxima atribuida pelo povo aos membros do clero na época da inquisição: "faça o que eu digo, não faça o que eu faço".

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Ubatuba em foco


Adeus irmãs da creche

José Ronaldo dos Santos
Em 1982 fui chamado pelo frei Pio para realizar uma reforma na edícula e no salão da ASEL (Ação Social Estrela do Litoral), na avenida Vasco da Gama, na Estufa (I). Havia pressa, pois algumas irmãs estavam prestes a chegar para desenvolver um trabalho assistencial com as crianças carentes do bairro. Era mais uma estratégia missionária do frei italiano que deixou a sua terra e neste município jaz.

De fato, no local onde funcionava antes um programa denominado PLIMEC, logo chegaram as freiras (Franciscanas Missionárias de Assis) Flávia, Maria e Leninha. Elas vieram da cidade de Santo André. Nascia a Creche Francisquinho. Lá se vão 30 anos. E muitas outras religiosas passaram por lá.

Quantas crianças não cresceram apoiadas pelas irmãs franciscanas e funcionárias?! Algumas eram dali de perto; outras vinham trazidas de longe. Não sei quantas dessas famílias souberam agradecer às freiras pela assistência dada.

Paralelamente, nas comunidades da Estufa I e II e da Sesmaria, as freiras também agiam pastoralmente. Afinal, eram missionárias!

No último domingo, dia 15 de abril, elas se despediram da nossa cidade, da comunidade católica da região da Estufa. Os fiéis sentiram muito, mas a missão delas aqui chegou ao fim. Quem aprendeu com elas também as manterá na memória, terá saudades de suas ações e reflexões. Quem não aprendeu, nem ao menos agradecerá pelos cuidados despendidos às nossas crianças. Agora, conforme o irônico Chico Lopes, "tudo ficará por conta do poder público municipal, sob os cuidados de profissionais contratados mediante concurso público. Você vai ver que maravilha!"

Como despedida, fui fazer umas fotografias, principalmente de um trenzinho que, desde 1986, eu construí no parquinho das crianças. Só não tive coragem de dar um último abraço nas queridas irmãs.

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Opinião

A verdadeira operação abafa

O Estado de S.Paulo
A tática dos lulopetistas de acusar os adversários políticos de praticar as malfeitorias que eles próprios cometem é sobejamente conhecida, mas chega a ser desconcertante o caradurismo da operação abafa que suas lideranças estão tentando instaurar diante da iminência do julgamento do processo do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Temerosa de que a Suprema Corte venha a confirmar a existência do maior escândalo de corrupção da história da República, a cúpula petista tenta por todos os meios - inclusive a pressão sobre os ministros do STF - desqualificar as acusações que pesam sobre os 38 réus do processo e, por meio das mais deslavadas chicanas, provocar a postergação do julgamento para 2013. Com isso estariam os petistas, no mínimo, se poupando de maior desgaste político em ano eleitoral e permitindo a prescrição de muitas das denúncias.

A operação abafa lulopetista se desenvolve em dois planos: o político, com a tentativa de desqualificar perante a opinião pública as acusações que pesam sobre os mensaleiros, sob o argumento cínico de que eles fizeram o que "todo mundo faz"; e o jurídico, técnico, no qual procuram demonstrar tanto a existência de vícios processuais que precisam ser corrigidos quanto a inexistência de provas suficientes contra réus como o notório José Dirceu.

Para demonstrar o que todo mundo sabe - que corruptos existem em todo canto - os petistas assumiram até mesmo o risco de apoiar a CPI do Cachoeira, que está sendo constituída para investigar o envolvimento do contraventor goiano Carlinhos Cachoeira com governantes e políticos. Pretendem, é claro, atingir o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, e fazer barulho em torno do envolvimento do senador oposicionista Demóstenes Torres com os negócios do bicheiro. E não se pejam de alegar que os principais veículos de comunicação do País estão envolvidos - ora vejam - numa operação abafa destinada a acobertar os malfeitos do desmoralizado senador goiano.

A direção do partido foi muito longe, muito depressa. Tanto que a presidente Dilma Rousseff, na sexta-feira, queixou-se da precipitação e dos termos da nota oficial do PT e chegou a pedir a Lula que não jogue mais lenha na fogueira. Como se sabe, Lula não vê a hora de destruir politicamente o seu desafeto Marconi Perillo. Dilma, no entanto, se preocupa com os respingos de lama que a CPI certamente jogará no governo que preside.

Os petistas apressados tentam confundir delitos diferentes cometidos por gente da mesma espécie. O caso Demóstenes é uma coisa - e os culpados precisam ser punidos -, enquanto o mensalão é outra coisa - e os culpados precisam ser igualmente punidos. Os dois casos têm origem na mesma cultura que leva à apropriação indébita dos bens públicos e à desmoralização das instituições. Mas são delitos que precisam ser examinados e julgados, cada um a seu turno.

No que diz respeito ao STF, os petistas confiam, sempre movidos por seu enraizado sentimento de patota, no fato de que a maioria dos atuais ministros foi nomeada por Lula e Dilma. É uma expectativa que não honra a tradição de absoluta isenção partidária com que os juízes da Suprema Corte historicamente se comportam no desempenho de suas altas responsabilidades. Mas, a julgar pelo que circula na área do partido do governo, o próprio Lula estaria empenhado em fazer pressão sobre os ministros, já que é o maior interessado em evitar que a existência do maior escândalo de corrupção de seu governo seja confirmada pela Suprema Corte.

Leia na íntegra A verdadeira operação abafa

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Manchetes do dia

Terça-feira, 17 / 04 / 2012

Folha de São Paulo
"Argentina toma controle de petroleira espanhola" 

Cristina Kirchner anuncia expropriação, e Espanha promete 'forte represália'

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, apresentou um projeto de lei para expropriar os 51% da petroleira YPF pertencentes à espanhola Repsol e, simultaneamente, tomou por decreto o controle da empresa. O projeto vai para o Congresso, no qual Cristina tem maioria. Ela disse não se tratar de estatização, mas de "recuperação da soberania", e acusou a Repsol de não investir o suficiente. Os representantes espanhóis foram expulsos da empresa, e o pagamento a companhia não foi definido. As ações da YPF despencaram 10,34% em Nova York.

O Estado de São Paulo
"Argentina estatiza petrolífera e Espanha ameaça retaliar" 

Cristina Kirchner diz que decisão visa a 'recuperar soberania'; governo espanhol fala em adotar ação 'contundente'

A presidente argentina, Cristina Kirchner, apresentou ontem ao Congresso um projeto de lei para expropriar 51% das ações da petrolífera YPF, que desde 1999 pertence à espanhola Repsol, informa o correspondente Ariel Palácios. Cristina afirmou que o objetivo é "recuperar a soberania petrolífera" da Argentina e escolheu a Petrobras, na qual o Estado tem 51% de participação, como exemplo. Segundo ela, 26,01% das ações da YPF, líder no mercado argentino, ficarão com o Estado e os 24,99% restantes serão distribuídos entre as províncias produtoras de hidrocarbonetos. A Argentina é o quarto país sul-americano a nacionalizar uma empresa de petróleo. A Espanha reagiu duramente contra a decisão, qualificada de "arbitrária e agressiva", e avisou que tomará medidas “claras e contundentes" nos próximos dias.

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segunda-feira, abril 16, 2012

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Opinião

Sem garra para exportar

O Estado de S.Paulo
O Brasil conquistou em 2011 o posto de sexta maior economia do mundo, ultrapassando o Reino Unido, mas continuou em 22.º lugar entre os exportadores de mercadorias, muito longe das potências comerciais mais dinâmicas. Permaneceu atrás da China e dos grandes líderes do mundo capitalista - Estados Unidos, Alemanha, França, Itália, Reino Unido e Japão -, mas continuou perdendo a corrida também para países de industrialização recente, como Coreia, Cingapura, Taiwan, México e Índia. Apesar do aumento de suas vendas externas, sua participação nas exportações mundiais ficou em 1,4%, menos de metade da coreana (3%) e bem abaixo da participação da pequena Bélgica (2,6%). Essa classificação, divulgada quinta-feira passada pela Organização Mundial do Comércio (OMC), reflete muito mais que o baixo dinamismo da economia global e os efeitos cambiais do tsunami monetário denunciado insistentemente pela presidente Dilma Rousseff e por seu ministro da Fazenda, Guido Mantega.

A cultura da exportação é recente, no Brasil, e isso explica, em parte, a pequena participação do País no comércio internacional. Entre 2001 e 2011 o valor exportado, em dólares correntes, foi multiplicado 4,4 vezes, mas isso foi insuficiente para a conquista de uma participação importante e proporcional ao tamanho da economia. As vendas de outros países também cresceram, mesmo em situações adversas, e só os muito dinâmicos avançaram de forma significativa na classificação. Mas é preciso dar atenção a dois outros pontos, muito mais importantes e muito mais preocupantes neste momento.

Em primeiro lugar, a indústria brasileira tem mostrado crescente dificuldade para disputar espaços no mercado internacional e até para manter posições no mercado interno. Não por acaso o Brasil avançou um posto na classificação dos importadores, chegando ao 21.º lugar. Sem a importação, o dinamismo do mercado interno, tão decantado pelas autoridades, acabaria resultando apenas em mais inflação.

Em segundo lugar, o Brasil só manteve a 22.ª posição entre os exportadores graças às excelentes condições dos mercados de matérias-primas e bens intermediários, sustentados principalmente pelo crescimento chinês. Sem essa demanda e sem os preços favoráveis, as vendas brasileiras teriam crescido muito menos em 2011.

O efeito da mudança no mercado, com a retração das cotações nos últimos meses, ficou evidentíssimo na modesta evolução da balança comercial no primeiro trimestre deste ano, quando o valor exportado foi apenas 5,8% maior que o de um ano antes. Em contrapartida, o valor importado foi 7,7% maior do que o observado entre janeiro e março de 2011.

É inútil atribuir o medíocre desempenho comercial brasileiro apenas ao câmbio. Nem os empresários acreditam nessa explicação, embora vivam protestando contra a valorização do real. Também é inútil atribuir essa valorização apenas ao tsunami monetário criado pela emissão de dólares, euros e libras, em vez de levar em conta os efeitos dos juros brasileiros, as distorções criadas pelo gasto público excessivo e também, é claro, os atrativos de uma economia ainda em crescimento, num cenário global de baixo dinamismo. Há também, é claro, uma porção de custos absurdamente altos.

Leia na íntegra Sem garra para exportar

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 16 / 04 / 2012

Folha de São Paulo
"Taleban faz nova ofensiva e ataca comando da Otan" 

Atentados no Afeganistão e no Paquistão estão entre os piores desde 2001

Militantes Taleban alvejaram ontem em Cabul o quartel-general da Otan (aliança militar ocidental), o prédio do Parlamento afegão, várias embaixadas e edifícios governamentais. Houve ataques também nas províncias afegãs de Logar, Paktia e Nangarhar. No vizinho Paquistão, cerca de cem insurgentes invadiram uma prisão em Bannu e soltaram quase 400 detentos.

O Estado de São Paulo
"Taleban faz maior ofensiva no Afeganistão em dez anos" 

Grupo radical tinha como alvo bases da Otan e embaixadas de EUA, Alemanha e Grã-Bretanha; 37 morreram

Uma série de ataques simultâneos atingiu a capital, Cabul, e pelo menos quatro províncias, na mais ousada ação do Taleban contra o governo afegão e as forças estrangeiras desde o início da guerra, em 2001. Os principais alvos eram as bases da Otan e as embaixadas dos EUA, da Alemanha e da Grã-Bretanha. Onze policiais e 26 insurgentes morreram. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, classificou os ataques de"covardes". No Paquistão, militantes do Taleban atacaram uma penitenciária em Bannu e libertaram 384 detentos.

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domingo, abril 15, 2012

Anauê!

Coluna do Mirisola

Arrabalde, tá ligado?

Congresso em Foco publica peça inédita de Marcelo Mirisola

Marcelo Mirisola
Revirando meus arquivos, achei esta peça inédita, a escrevi em 2006/2007. Não sei se valeria a pena encená-la. Na época, mostrei pra minha amiga Fernanda D’Umbra e ela me disse que faltava ação, movimento. Penso que Fernanda está certa. Mas, a título de curiosidade, achei que valia a pena publicá-la no Congresso em Foco, pois foi daqui que saiu uma boa parte do Monólogo da Velha Apresentadora, que foi encenada três anos depois – tendo o saudoso Alberto Guzik como protagonista.

Primeiro Ato

Duas bundas empinadas para a platéia. Bermudões arriados, usam bonés com as abas viradas para trás. Claro, são dois manos.
Nota: A partir do Segundo Ato, os versos geniais da Bunda 2 (ou
Mc Asshole) serão acompanhados de coreografia. Isto é; toda vez que ele declamar seus versos os demais personagens irão acompanhá-lo. Inclusive a apresentadora de Tevê.

Bunda 1: Maior liga, mano. Neguinho tem mesmo que pôr “os” dedo nas “ferida”, e barbarizar. As madame vão ter que lavar as roupa suja, tá ligado? A perifa é o centro, mano! Viu os pleiba se fudendo? Na ZS quem passa recibo acorda com a boca cheia de formiga… (rap ao fundo)… agora os playba vão conhecer a verdadeira verdade.

Bunda 2: Tô ligado! Sou poeta, tento e invento um sentimento/ a minha existência é só o momento (ambos rebolam). rap: Uuhuuu!

Black out.
Luz incide sobre outras bundas

Duas bundas empinadas. Bunda 3 e Bunda 4. Um antropólogo e o outro uma espécie de ajudante-executivo (roupas devidamente arriadas- bundinhas empinadas). Ouve-se alguma música do Chico Buarque “político”.


Bunda 3: Instigante sua postura, Gui! Confira a agenda, por gentileza: quarta-feira gravação no Jornal da Gazeta, o tema é preconceito e a questão das cotas, confere?

Bunda 4: Preconceito e cotas, confere. E na sexta, o que vai rolar?

Bunda 3: Você é quem organiza essa maldita agenda. Pode?

Bunda 4: Aiiiiiii que estresse… pera aí, ah: sexta-feira tem o programa da Adriane Galisteu, acho essa perua cafonérrima.

Bunda 3: Você não está aqui para achar ou deixar de achar. Esqueceu? Temos que buscar uma sintonia, conciliar os pólos. Ir lá atrás, pesquisar a fundo Mário de Andrade… Ir ao âmago...

Bunda 4: Uiiiii, ao âmago! Lá atrás! Bem fundo! Arrasou!

Bunda 3: Depois da Adriane, vamos ao Jardim Paraisópolis… ou Fasano, Guii?

Bunda 4: Fasano, Mona! Outra vez!

Bunda 4 e Bunda 3: Ai, que pobreza. (ambos falam ao mesmo tempo, e rebolam os bundões… canção do Chico até a penumbra completa)

Black Out.
Agora a luz incide sobre as Bundas 1 e 2.


Bunda 2: Minha existência eu mesmo invento/ Sou um poeta do sentimento /Tento e invento/ o movimento.

Bunda 1: Da hora, mano. As grade nunca vão prendê nossos pensamento (incisivo). Foi o Mano Brown que disse essas palavra, lá na Sé. Depois os nóia quebraram tudo. Nóis tem que chegar pra definir, tá ligado?

Luz no palco todo.
Bundas 1 e 2, e Bundas 3 e 4 lado a lado (todas escancarando os respectivos cus para a platéia)

Bunda 4 (grita): Um Luxo! Mano Brown é um luxo!

Bunda 1: Ô mano, quem são esses treta?

Bunda 4: Aiii, gente. A gravação vai começar daqui a dois minutos. Vocês já passaram no camarim? Uma base! Não quero ver reflexo… Cadê o Pó de arrroz, geeeeente?

Bunda 4 passa pó de arroz na Bunda 3, que passa pó de arroz da Bunda 2. Bunda 2 passa o Pó de Arroz na Bunda 1.

Bunda 2: Tento e invento/ Sou movimento / Minha existência/ é o momento…

Bunda 3: Gui! Guiiiii! Por favor: Fala pro cavalheiro ao lado segurar a onda!

Bunda 4: O seu momento é daqui a dois minutos, gato. Passa mais Pó de Arroz, quem brilha é você não é o suor! E segura a onda, por favor! Um time! Dois minutinhos, mais um pouquinho e a gente entra e arrasa!

Bunda 2: Tento e invento/ o sentimento / sou poeta do movimento

Bunda 1: Firmeza, truta. Agora é nóis! A faculdade da vida é mil grau… os filhodamamãe num sabe o que é um Mc … num sabe a diferença de um Thaíde prum Mano Brown… nóis é a voz dos preto e dos pobre. Hip Hop é sabedoria… cultura das rua, das esquina, das puta, dos gueto. Hip Hop não é só um estilo de música, tá ligado?

Bunda 2: Tento e invento/ o meu momento… minha existência/ meu sentimento

Bunda 3: Tô ligado sim, criatura (irritado). Vocês são o máximo!

Bunda 1: Nóis vivemo os conflito, tá ligado? Nossa poesia fala da violência vivida pelas classes menos favorecida da sociedade. Tem mais pó de arroz aí, truta?

Bunda 4: Pó de arroz… saiiindo!

Bunda 2 passa o pó de arroz na Bunda 1, que logo emenda seus versos:

Bunda 2: O nosso momento / é violento/ O sentimento eu mesmo invento.

Bunda 4: Vamos repassar o texto, Mona? Quero tudo bem decoradinho, vou lhe tomar, hein! Vamos lá, vamos lá. O que o estilo Hip Hop mostra ao Brasil?

Bunda 3 (obediente como se tivesse decorado uma tabuada): No Brasil, o Hip Hop mostra a realidade dos jovens negros e pobres de cidades grandes, como Rio de Janeiro e São Paulo, cantada (rap), dançada (street dance) e pintada (grafite). Numa forma de discussão e protesto que envolve o preconceito racial e a miséria dessa população discriminada, ignorada e excluída. O Hip-Hop é o grito que pede para ser ouvido…

Bunda 2 (interrompe): Tento e invento/ o movimento / a minha existência Uhhuuu!

Bunda 3: O grito (enfatiza a palavra “grito”) que pede para ser ouvido (repete contrariado): Que pede para ser ouvido … a fim de modificar a vida dos jovens. Que tal, Guiii? Por favor, passa um pouquinho mais de Pó-de-Arroz…. Vai dar reflexo!

Bunda 1: Hoje em dia os rappers de verdade… tipo nóis mesmo…

Bunda 2: Nóis mesmo, firmeza! A minha existência / eu mesmo invento/ O sentimento UhuuuUhhuu!

Bunda 4: Geeente! A gravação vai atrasar! Assaltaram a empregada da Hebe!

Black Out

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Opinião

O desafio ao poder dos bancos

O Estado de S.Paulo
Pela primeira vez o governo brasileiro enfrenta o poderio dos bancos privados sem dispor de controle direto sobre os juros e num regime plenamente democrático. É esta a grande novidade da campanha empreendida pela presidente Dilma Rousseff contra o preço ultrajante dos financiamentos no mercado nacional. Sem poder legal para impor um freio à agiotagem, a autoridade recorre a meios indiretos e sem garantia de resultados, como o corte de juros pelas instituições sob controle estatal - a começar pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica. Se esse lance produzirá algum bom efeito só se saberá mais tarde. Mas o confronto está aberto e a primeira resposta dos banqueiros teve um ar de bravata. Em vez de propor ao governo um roteiro para redução de juros, o presidente da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban), Murilo Portugal, levou ao Ministério da Fazenda uma lista com 22 reivindicações.

Essa atitude foi - como era de esperar - mal recebida pela presidente e esse desagrado foi ecoado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Os banqueiros, disse ele, têm condições para baixar o custo do dinheiro sem receber compensação do governo, porque sua margem de lucro é muito ampla e o setor é um campeão de rentabilidade. A economia brasileira, segundo o ministro, pode funcionar com juros muito mais baixos sem prejuízo para os bancos e sem diminuição dos impostos recolhidos pelo setor. Os banqueiros recusaram-se a piscar e o governo reagiu ao desafio.

O ministro tem razão quanto a três pontos: os juros são excessivos, a margem de lucro dos bancos é muito ampla e a rentabilidade do setor tem sido comprovada de forma quase ofensiva pelos gordos balanços publicados. A margem líquida representa quase um terço do spread - a diferença entre os juros pagos na captação de recursos e aqueles cobrados pela concessão de empréstimos. Em 2010, segundo relatório publicado em dezembro pelo Banco Central, a margem de ganho correspondeu a 32,7%. Impostos indiretos representaram 21,9%. Depósitos compulsórios, subsídios cruzados, encargos fiscais e Fundo Garantidor de Crédito somaram 4,1%. Custo administrativo, 12,6%. Inadimplência, 28,7%, mas o peso deste item diminuiu nos últimos anos. Provavelmente será ainda menor se o custo dos empréstimos chegar a níveis civilizados.

Os banqueiros podem ter alguma razão quando reclamam dos depósitos compulsórios muito grandes e do peso dos tributos. Mas, se esses componentes do spread forem reduzidos, nada garantirá o barateamento dos empréstimos. O resultado principal poderá ser um aumento da margem líquida dos bancos. Por que os banqueiros cortarão seus lucros, se as condições de mercado permitirem juros altos? Este é o problema real. O mercado bancário brasileiro é altamente concentrado e a competição entre as instituições é muito limitada. Vários movimentos de concentração ocorreram desde a segunda metade dos anos 60, com fusões, compras e quebras de bancos pequenos. Pode ter havido ganhos de escala e redução dos custos unitários dos serviços financeiros, mas o resultado principal foi sempre o aumento de poder dos maiores grupos.

Leia na íntegra O desafio ao poder dos bancos

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Manchetes do dia

Domingo, 15 / 04 / 2012

Folha de São Paulo
"Cachoeira sacou R$ 8,5 milhões em ano eleitoral" 

Proveniente da empreiteira Delta, dinheiro foi retirado por contador de empresário por meio de empresa de fachada

O tesoureiro de Carlinhos Cachoeira, preso sob a acusação de corrupção, usou uma empresa de fachada para sacar R$ 8,5 milhões oriundos da Delfa Construções, revelam Leandro Colon e Fernando Mello. O dinheiro foi retirado ao longo do ano eleitoral de 2010. A Polícia Federal investiga se a quantia financiou campanhas políticas.

O Estado de São Paulo
"Agnelo nega renúncia: ‘Só se me abaterem fisicamente’" 

Governador do DF defende a CPI e diz que só pensa em afastamento quem ‘tem culpa no cartório’

Identificado pela Polícia Federal como o “01 de Brasília” e o “Magrão”, citado em diálogo da quadrilha comandada pelo contraventor Carlinhos Cachoeira, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, está sob pressão do seu partido, o PT, com o governo sob vigilância do Planalto e virou protagonista de uma crise que ressuscita o fantasma da intervenção federal. Em entrevista ao Estado, ele garante que não renuncia nem se afasta do cargo, e negou ter recebido apoio financeiro ou caixa 2 para sua campanha seja de Cachoeira, seja da construtora Delta.

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