sábado, abril 14, 2012

Pitacos do Zé


Procurando “Jesus” (I)

José Ronaldo dos Santos
Até a semana passada eu tinha a seguinte questão: Onde será que mora “Jesus”, aquele da Semana Santa? Explico melhor: eu sabia que um dos Suré, do Taquaral,  sempre representava Jesus na encenação da Via Sacra. Porém, nunca o encontrei perambulando por aí. Poderia ser coincidência, mas também haveria outras possibilidades, tais como o fato de morarmos em bairros distantes, em pontos bem distintos.

Aconteceu! Neste último domingo, na Páscoa, encontrei “Jesus”! Ou melhor, eu fui ao encontro dele, no lugar onde tem moradia fixa. O lugar é maravilhoso, bem preservado. Eu o chamaria de Paraíso dos palmitos. A cachoeira, os pássaros e grandes árvores completam a paz naquele espaço. Como eu gostaria que mais gente conhecesse o lugar do Toninho “Jesus” Suré!

Quando eu desejo que mais pessoas conheçam o “Paraíso dos palmitos”, eu quero dizer muito mais coisas. Por exemplo: escutar a história de perseguição e resistência desse caiçara, seus infortúnios nesses anos todos; reconhecer que não é nada fácil manter um espaço da natureza preservado, disposto à acolhida. Há uma situação até curiosa: numa ocasião, escutando alguém derrubando palmeiras na área, o Toninho correu. Chegando ao local, não longe da cachoeira, quem estava na devassa? Um índio! O danado deixou o carro na estrada mais próxima e se embrenhou por ali como se estivesse na própria casa. O que fez o Toninho? Amarrou o infrator numa árvore e chamou a polícia florestal para levá-lo. Depois, segundo ele, não sabe o que aconteceu, nem sabe qual foi medida judicial aplicada em casos assim. Conforme já expressou o amigo Júlio, “será que não está na hora de ensinar os índios a plantarem pés de palmitos?”.

É conhecendo o lugar e as histórias que poderemos ajudar na preservação daquele lugar. Quero lutar para que todas as pessoas, que agem como o Toninho “Jesus”, tenham ao menos um salário e possam se devotar ainda mais ao que já fizeram até hoje. Creio também que o município só tem a ganhar enquanto tiver espaços com tamanha qualidade para oferecer aos turistas que buscam qualidade de vida. Então, o que estamos esperando para agir?

São os nativos da terra, no modelo de “Jesus”, cidadãos da natureza,  que poderão ainda fazer muito por um turismo de qualidade, pela adesão de novos aliados às causas nobres e pela preservação das nossas riquezas cultural e natural.

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Araras

Colunistas

O capitalismo estereotipado: em direção ao crash

“O capitalismo é um sistema que está ficando esclerosado, e isso pode ser visualizado em vários aspectos da vida econômica do planeta e seus habitantes”

Márcia Denser
Em visita recente ao Brasil, David Harvey, professor da Universidade de N.York, afirmou que os fluxos que mantêm o capitalismo em funcionamento estão sendo bloqueados e isso pode levar o sistema para uma situação doentia, segundo artigo publicado no site da Carta Maior. Harvey compara o capitalismo a um corpo que pode ficar doente se houver restrições ao fluxo sanguíneo. É importante perceber como o capitalismo depende da continuidade do fluxo de capital e qualquer interrupção, seja qual for o motivo, pode ter custos astronômicos para o sistema como um todo. O fato é que o capitalismo é um sistema que está ficando esclerosado.

A questão da esclerose pode ser visualizada em vários aspectos da vida econômica do planeta e seus habitantes. Começando pela discussão recente de “tsunami de dólares” que os países ricos estão fazendo pelo mundo afora. Um estudo do Instituto Internacional de Finanças (IIF) constatou que essa enxurrada tem um valor bem definido: trata-se de US$ 6,3 trilhões, somando as compras de bônus e ativos podres dos bancos centrais dos Estados Unidos, União Europeia, Japão e Inglaterra (que não está integrada na zona do euro).

Não é preciso ser especialista em matemática financeira para deduzir que este dinheiro vai rodar pelo mundo nos próximos três anos, ganhando juros nos países emergentes ou comprando empresas a preços de banana. No Brasil, há um caso público e notório no gênero: a aplicação realizada pela Coca-Cola de US$ 3 bilhões, no sistema financeiro nacional. Parte dos cerca de US$ 8 bilhões do lucro da corporação no mundo, que obteve um faturamento, em 2011, de mais de 46 bilhões de dólares. Refrigerantes e sanduíches são dois ingredientes fundamentais do capitalismo esclerosado. O Mac Donald’s faturou no mundo mais de US$ 30 bilhões, com lucro de US$ 5,5 bilhões. Só os brasileiros contribuíram com US$ 950 milhões em sanduíches, do tipo “amo muito tudo isso”, embora contenham mais de 20% de gordura: super-size-me!

Agora, teorizando (isto é, tentando explicar duma forma mais profunda e essencial) essa questão financeira e retomando a questão da arte e cultura em simbiose com o capital financeiro, Jameson (1) faz algumas observações interessantes: se no Modernismo, o dinheiro é tanto uma abstração (que torna tudo equivalente) quanto vazio e desinteressante, uma vez que seu interesse está fora dele, ele é então incompleto como as imagens dos quadros e/ou filmes modernistas, pois direciona a atenção para outro lugar, para além de si mesmo, na direção que se supõe completo (e que também o suprime), ou seja, a produção e o valor. No Modernismo, o dinheiro tem uma semi-autonomia, mas não uma autonomia completa, na qual ele constituiria uma linguagem e uma dimensão em si mesmo.

Mas isso é exatamente o que o capital financeiro instaura: um jogo de entidades monetárias que não precisa nem de produção (como o capital precisa), nem de consumo (como necessita o dinheiro); que, supremamente, pode viver como o ciberespaço – de seu próprio metabolismo interno e circular, sem nenhuma referência a um tipo anterior de conteúdo.

As imagens-fragmento narrativizadas de uma linguagem pós-moderna estereotipada (e aqui também se inclui a Literatura) se comportam do mesmo modo: sugerindo um novo domínio ou dimensão cultural que é independente do antigo mundo real, não porque, como no período moderno, a cultura se retirou daquele mundo real e se refugiou no espaço autônomo da arte, mas antes porque o mundo real já está totalmente impregnado e colonizado pelo cultural (e como esta é a cultura do dinheiro, donde etc.), de tal forma que não há nenhum espaço externo a partir do qual se pode ver o que lhe falta.

Nunca falta nada para os estereótipos (da cultura de mercado, mas só que não existe nem arte nem cultura fora do mercado) e nem para o fluxo total dos circuitos de especulação financeira. O fato é que cada um deles, inevitavelmente, está indo, sem perceber, em direção a um crash.

(1) In A Cultura do Dinheiro, Rio, Vozes, 2001

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

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Opinião

Rigor no leilão de aeroportos

O Estado de S.Paulo
O novo plano de outorga de aeroportos, que definirá as regras para futuras concessões à iniciativa privada de terminais hoje operados pela Infraero e que o governo pretende concluir dentro de dois meses, deverá conter exigências mais rigorosas com relação à experiência das operadoras estrangeiras que integrarem os grupos participantes dos leilões. Embora ninguém no governo admita publicamente, o que se pretende é evitar a repetição do que ocorreu nos leilões dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília, realizados em fevereiro, cujas regras permitiram a participação de empresas ou grupos que, por sua limitada experiência, pouco contribuirão para melhorar a qualidade da gestão dos aeroportos brasileiros.

A questão foi levantada por representantes de grupos perdedores dos leilões de fevereiro, alguns dos quais tinham a participação de operadoras dos principais aeroportos do mundo - como Heathrow (Londres), De Gaulle (Paris), Frankfurt e Cingapura -, e levada à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Em recurso à Anac, a Odebrecht, que liderou o grupo classificado em segundo lugar no leilão do Aeroporto de Viracopos, questionou a capacidade técnica da francesa Egis - que integra o consórcio vencedor Aeroportos Brasil e, segundo o recurso, é apenas sócia financeira da empresa que opera o aeroporto de Larnaca (Chipre) - para uma operação complexa como a do terminal de Campinas.

Ao rejeitar o recurso, a Anac assegurou o cumprimento do cronograma para a transferência das operações de Viracopos para o consórcio vencedor, mas não esclareceu algumas das questões levantadas pela empresa perdedora - entre as quais a apresentação pelo consórcio vencedor de documentos que a Odebrecht considerou insuficientes, fato que a seu ver exigiria a desqualificação do grupo, além da competência técnica da operadora.

A Egis e a argentina Corporación América - operadora do consórcio que arrematou o Aeroporto de Brasília - cumpriram a exigência de operação de aeroporto com movimentação mínima anual de 5 milhões de passageiros. Mas os aeroportos que elas vão operar no Brasil já têm movimento maior do que os maiores terminais que elas operam. E o movimento nos aeroportos brasileiros crescerá rapidamente nos próximos anos.

Pelo Aeroporto de Viracopos passam anualmente 7,5 milhões de passageiros - quase 50% mais do que o movimento do aeroporto de Chipre - e a previsão, do próprio consórcio que vai operá-lo, é de que o movimento alcançará 20 milhões de passageiros em 2014. O maior aeroporto operado pela Corporación América é o de Ezeiza, em Buenos Aires, por onde passam 7,9 milhões de passageiros por ano, metade do movimento registrado em 2011 pelo Aeroporto de Brasília (15,4 milhões de passageiros).

A exigência de comprovação de operação de aeroporto com movimento mínimo de 5 milhões de passageiros por ano não fazia parte da versão original do edital. Foi incluída por sugestão das empresas interessadas durante a consulta pública dos seus termos. Só depois de conhecidos os consórcios vencedores, dos quais participam empresas sem experiência adequada, constatou-se que a exigência era insuficiente.

Leia na íntegra Rigor no leilão de aeroportos

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Manchetes do dia

Sábado, 14 / 04 / 2012

Folha de São Paulo
"Por novo Código Florestal Planalto cede a ruralistas" 

Dilma aceita acordo que anistia desmate de pequenos e médios produtores

O governo deu sinal verde a um acordo sobre a reforma do Código Florestal que libera 92% dos agricultores de repor floresta desmatada ilegalmente, relatam Vai do Cruz e Cláudio Angelo. Esse é o percentual de pequenas e médias propriedades no país equivalente a 30% das terras produtivas. A presidente Dilma não quer que o benefício seja estendido a grandes produtores.

O Estado de São Paulo
"Dilma pede a Lula cautela com CPI do Cachoeira" 

Presidente teme que investigações envolvendo contraventor respinguem em seu governo

A presidente Dilma Rousseff reuniu-se ontem por quase três horas com o ex-presidente Lula na subsede da Presidência, na Avenida Paulista, para pedir a ele que tenha cautela em relação à Comissão Parlamentar de Inquérito do Cachoeira, informa o repórter João Domingos. Ela teme que as investigações respinguem em seu governo e estaria aborrecida com o PT. Ao lado do presidente do partido, Rui Falcão, Lula tem sido um dos principais incentivadores da CPI, que vai apurar as relações do contraventor Carlinhos Cachoeira com políticos. Para eles, será possível provar que não houve o mensalão. Ontem, o Supremo Tribunal Federal negou a suspensão do inquérito contra o senador Demóstenes Torres (GO).  

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sexta-feira, abril 13, 2012

Neste ponto vai o xis

Coluna do Celsinho

Canoas

Celso de Almeida Jr.
Num pinga-fogo, fui questionado sobre a pré-candidatura de Délcio Sato a prefeito de Ubatuba.

Devo explicações prévias.

Conheço o Sato de longa data.

Atuamos juntos na eleição de Zizinho e na reeleição de Eduardo Cesar.

Registro tais informações para que o leitor desavisado conheça parte de minha longa lista de pecados.

Por consideração àqueles que me acompanham, devo sempre alertar sobre o risco que correm ao concordarem com as minhas opiniões.

Errar é humano, mas eu já embarquei em cada canoa...

O que posso falar do Sato?

No quesito relacionamento, sempre nos demos bem.

Nos demais itens, prefiro que o leitor colha dados em outras fontes.

Eu já escrevi muito sobre o tema e não quero tornar-me repetitivo.

Reitero, entretanto, não acreditar que a rejeição acumulada pelo prefeito Eduardo seja integralmente transferida ao candidato da situação.

O perfil conciliador do Sato contribui muito para torná-lo uma personalidade simpática, gerando certo carisma.

Sempre que posso, comento isso com os outros pré-candidatos a prefeito, alertando que minimizar o histórico vitorioso daqueles que detém o poder municipal é erro grave.

A massa votante, muito distante dos bastidores da política, não tem senso crítico aguçado e se deixa levar por ondas publicitárias.

Há, porém, no caso do Sato, uma atitude que ainda precisa tomar: assumir o comando da pré-campanha, conduzindo-a profissionalmente, dando uma nova dinâmica ao jogo.

O nó está no fato de que o controle está nas mãos do atual prefeito, restringindo a liberdade de ação do postulante à sucessão.

Acredito que desatá-lo é a chave para o seu fortalecimento.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

A CPI deve ir em frente

O Estado de S.Paulo
Um dos lugares-comuns mais duradouros, porque verdadeiro, do jargão político é o de que se sabe como uma CPI começa, mas não como termina. De fato, a menos quando submetidos a rigorosa rédea curta, de difícil manejo pelas lideranças das maiorias de turno, os inquéritos parlamentares podem ter desfechos desconfortáveis para quem os patrocinou na expectativa de lucrar politicamente com eles, às expensas dos antagonistas. Um depoente confiável pode deixar escapar, sob pressão dos inquisidores do outro lado, verdades desastrosas para a banda que se imaginava apta a conduzir o inquérito ao destino que lhe conviesse. Surpresas inconvenientes podem resultar também de uma quebra de sigilo bancário e telefônico - o rol de incertezas é infindável.

No caso da chamada CPI do Cachoeira, em vias de ser instalada para apurar as ligações entre o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e agentes públicos e privados, as dúvidas são ainda maiores. Além de não se ter a mais remota ideia de como poderá terminar, não se sabe nem como começará nem como se desenrolará; logo, de que estragos será capaz. A sua agenda é vaga e o seu trâmite dependerá de quem a controlar na liga majoritária encabeçada pelos aliados rivais PT e PMDB. Salvo nas raras ocasiões em que o seu objeto vai além das fronteiras partidárias, CPI são instrumentos da oposição. Esta tem a inédita peculiaridade de ter sido desencadeada pela liderança do partido do governo no Senado, com a aquiescência do governo e o incentivo do ex-presidente Lula.

A intenção do PT seria criar um espetáculo de longa duração para não deixar que o julgamento do mensalão, previsto para os próximos meses, monopolize as atenções da opinião pública neste ano eleitoral. E a intenção de Lula seria vingar-se do governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, por ter revelado ao público que o alertara para o suborno sistemático de deputados antes que o escândalo rebentasse. O governador está sob os holofotes desde que se ouviu que a sua chefe de gabinete trocava informações com Cachoeira sobre operações policiais no Estado. Sem número nem poder de pressão para levar qualquer das Casas do Congresso, muito menos as duas como agora é o caso, a elucidar os malfeitos apontados no Ministério da presidente Dilma Rousseff, a oposição aderiu à iniciativa petista por duas razões.

Primeiro, pela impossibilidade da recusa. Afinal, o ponto de partida de tudo foi a revelação da parceria com o barão da batota do seu então baluarte e paladino da moralidade, senador Demóstenes Torres, à época do DEM. Depois, Perillo entrou na roda. Segundo, já que a investigação viria de qualquer maneira, a oposição parece ter concluído que nem tudo redundaria em catástrofe para a sua imagem. Há um cidadão que bate ponto no Planalto, o subchefe de Assuntos Federativos do Ministério de Relações Institucionais, Olavo Noleto, que teria tido - ou não - contatos com o "empresário de jogos ilícitos" fisgado na Operação Monte Carlo da Polícia Federal e preso há um mês e meio.

E há, principalmente, o governador petista do Distrito Federal (DF), Agnelo Queiroz. Ele é suspeito de permitir que o grupo de Cachoeira dirigisse uma licitação milionária na administração do DF e de ter pedido uma reunião com o poderoso chefão, no contexto de seus rolos com a empreiteira Delta, cujo dono, Fernando Cavendish, teria - ou não - laços com o contraventor. Numa gravação da Polícia Federal, um operador de Cachoeira, o araponga Idalberto Matias, o Dadá, diz a um auxiliar do governador, Marcelo Lopes, o Marcelão, demitido semana passada, que a empreiteira está furiosa por não ter recebido a contrapartida da sua contribuição à campanha de Agnelo. Estranhamente, as escutas envolvendo o titular do DF só vazaram depois da iniciativa de criação da CPI.

Leia na íntegra A CPI deve ir em frente

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 13 / 04 / 2012

Folha de São Paulo
"Supremo libera aborto de fetos sem cérebro" 

Por 8 votos a 2, prevaleceu a tese de que anencefalia inviabiliza a vida

O Supremo Tribunal Federal decidiu por 8 votos a 2 que as mulheres tem o direito de interromper a gravidez de fetos sem cérebro ou sem parte dele. A maioria entendeu que a anencefalia inviabiliza a vida após o parto. Até então, as gestantes precisavam entrar na Justiça para conseguir a realização do aborto nesses casos. Ministros favoráveis à decisão disseram que ela não abre brecha para o aborto no caso de outras anomalias.

O Estado de São Paulo
"Por 8 votos a 2, STF libera aborto de fetos sem cérebro" 

Ministros consideraram que anencéfalo não tem vida e, nesse caso, interrupção da gravidez deixa de ser crime

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu ontem que mulheres que optam por abortar fetos anencéfalos e os médicos que provocam a interrupção da gravidez não cometem crime. Oito ministros votaram a favor e dois contra. A maioria entendeu que um feto com anencefalia é natimorto e, portanto, a interrupção da gravidez nesses casos não é comparada ao aborto, considerado crime pelo Código Penal. A coordenadora da área técnica da saúde da mulher do Ministério da Saúde, Esther Vilella, afirmou que o governo quer acelerar a habilitação de mais 30 centros, além dos 65 já existentes, para realizar os abortos nos casos previstos por lei. O governo reconhece que a procura deve crescer, mas não a ponto de sobrecarregar o sistema.  

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quinta-feira, abril 12, 2012

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Opinião

O antagonista de Obama

O Estado de S.Paulo
Com a desistência do ex-senador Rick Santorum de disputar a indicação do Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos, terminou para todos os efeitos o ciclo de prévias no âmbito da legenda para a escolha do desafiante do presidente Barack Obama nas eleições de 6 de novembro. Embora dois outros aspirantes, Newt Gingrich e Ron Paul, ainda não tenham jogado a toalha, não resta a menor dúvida de que a convenção nacional republicana marcada para 27 de agosto fará o que se previa que fizesse desde sempre - ratificará o nome do empresário e ex-governador de Massachusetts Mitt Romney para tentar reaver a Casa Branca conquistada pelos democratas na memorável disputa de 2008, quando o país elegeu pela primeira vez um presidente negro.

Ao mesmo tempo, o início efetivo da campanha remove da política sucessória americana a agenda medieval em que a direita religiosa enquadrou as primárias republicanas, obrigando o mais moderado dos competidores, o próprio Romney, a competir com os demais pela primazia de encarnar o ultramontano conservadorismo social das bases partidárias. Além de se comportar com o fervor de um cristão-novo na denúncia do planejamento familiar, aborto, casamento gay e outros presumíveis ultrajes aos valores americanos, no seu momento mais humilhante ele abjurou a reforma do sistema de saúde que implantou no seu Estado e que serviu de modelo para Obama no plano nacional.

Nem por isso conquistou os corações dos caçadores de bruxas do seu partido. Desprovido de carisma, transpirando insinceridade, com uma formidável propensão a tropeçar em palavras e embaralhar ideias, de Romney se diz que não tem inimigos e os amigos não gostam dele. Se ainda assim se firmou na liderança das prévias - conta com 625 votos garantidos na convenção partidária, ante 273 do desistente Santorum - foi pelo efeito combinado de três fatores. Primeiro, a existência de um número suficiente de correligionários para os quais a prioridade não era consagrar um zelota com quem comungassem, mas alguém capaz de derrotar Obama, o mal absoluto.

Em segundo lugar, a organização da campanha de Romney foi soberba, em contraste com o amadorismo de seus rivais. Por fim - mas não menos importante -, Romney tinha dinheiro a rodo para gastar. Dono de uma fortuna que beira US$ 250 milhões, graças aos negócios nos mercados de capitais, nem precisaria das doações dos republicanos abonados para aplastar os adversários. Em janeiro, no que foi um escândalo de mídia mais do que uma desgraça para as suas aspirações no partido, revelou-se que em 2010 ele faturou US$ 27 milhões e pagou de imposto de renda o equivalente ao que pagaria um contribuinte com renda de US$ 80 mil.

Esse é o primeiro campo de batalha escolhido pelo estado-maior de Obama para atacar o republicano. Não é incoerente com a sua pregação pela reforma de um sistema que permite aos executivos que conhecem o caminho das pedras pagar menos imposto do que as suas secretárias. E anteontem, enquanto Santorum anunciava a sua retirada, o presidente, numa típica jogada eleitoral, defendeu a criação de um tributo especial para quem receba mais de US$ 1 milhão por ano. Mas investir contra Romney na questão do dinheiro parece incoerente. A equipe de Obama prepara-se para gastar na campanha US$ 1 bilhão - um recorde mundial.

Leia na íntegra O antagonista de Obama

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 12 / 04 / 2012

Folha de São Paulo
"Gravações da polícia indicam pagamento de propina no DF" 

Operador de Cachoeira aparece como intermediário de construtora em diálogos

Escutas da Polícia Federal que integram investigações sobre Carlinhos Cachoeira, denunciado por corrupção, sugerem que a construtora Delta, que domina a coleta de lixo no Distrito Federal, pagava propina para receber pagamentos do governo de Agnelo Queiroz (PT). Segundo a PF, o grupo de Cachoeira intermediava os negócios entre a Delta e o governo.

O Estado de São Paulo
"Grampo indica que Agnelo, o '01', procurou Cachoeira" 

Investigação da PF sugere aproximação do governador petista com o contraventor que atuava no DF

Escutas telefônicas dentro da Operação Monte Carlo sugerem que o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), pediu reunião com o contraventor Carlinhos Cachoeira. Queiroz negava ter tido qualquer encontro com Cachoeira, acusado de chefiar máfia que tinha negócios com o governo do DF. Nas gravações da Polícia Federal, um aliado de Cachoeira o avisa que foi procurado por funcionário do governo do DF, que disse que o '01' queria falar com ele. De acordo com a PF, '01' era a forma como os aliados de Cachoeira se referiam a Agnelo - o que o governador nega.  

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quarta-feira, abril 11, 2012

Ubatuba em foco


            
Cabeça com cabeça

José Ronaldo dos Santos
Em meados de 1970, já estudando no “Capitão Deolindo”, nós meninos, tínhamos uma matéria denominada Artes Industriais, onde aprendíamos de tudo que “desse na telha” do professor Waldirzão: desde primeiros socorros até artesanato em madeira, que tinha muita demanda na época. 

Agora, escrevo de uma eleição final entre os dois melhores trabalhos: de um lado estava a peça do Júlio, filho do Isaías Mendes, “O nosso alfaiate”; do outro estava eu, filho do “Carpinteiro”(Leovigildo), que viajava todos os dias para vir estudar. (Naquele tempo eu morava na praia do Perequê-mirim, distante 10 quilômetros da escola). Páreo difícil, conforme o professor disse  - e os colegas confirmaram na eleição. Ah! Ia me esquecendo de dizer: outro colega, Milton “Peixe-galo”, natural da Picinguaba, até nos ameaçou alcançando o terceiro lugar. 

O Júlio escolheu a guaiarana para entalhar. É mesmo muito macia! Eu esculpi um toco de ripa de cambará que o papai trouxe da obra (reforma do telhado do Almeidinha, onde mais tarde surgiu um restaurante por nome de Perequim). Ficamos duas ou três aulas nessa tarefa. O espaço, onde hoje serve na citada escola como sala de projeção, de reuniões etc., abrigava as grandes mesas e cadeiras resistentes para os trabalhos manuais. Cada um dos alunos tinha um jogo de formão básico, comprado no Bazar Luna. Note bem: era tudo comprado! Não tinha esse assistencialismo governamental de hoje, onde a maioria dos alunos não valoriza o mínimo dos materiais que recebe (“kit do governo”).

Todos se concentravam nos trabalhos, nunca ninguém ameaçou ninguém com aquelas “armas” em potencial; briga não acontecia naquele espaço. Discussão era sobre futebol, passarinho e pescaria. O que deveríamos produzir: uma cabeça de índio, com acabamento em extrato de nogueira e cera de carnaúba. Todas ficaram belas! É pena que ninguém tenha registrado esses eventos para que as gerações futuras apreciassem e nós pudéssemos recordar (a fim de reforçar as imagens que aos poucos se desgastam em nossas memórias).

Ainda bem que eu guardei o meu trabalho! E o Júlio fez o mesmo! É um prazer apresentar os nossos produtos que, não demora muito, estarão completando 40 anos.

Por fim, o Júlio e demais me cumprimentaram pelo resultado. Todos ganharam muito com aqueles momentos de muita camaradagem. São amizades que resistem ao tempo e às distâncias. Agradeço ao Júlio pela imagem e pelo incentivo a escrever esse fato comum em nossas histórias.

Ubatuba


Observação de pássaros

Inaugurada trilha em Itamambuca

Lenina Mariano
Foi inaugurada neste sábado, dia 7, uma nova trilha para observação de pássaros, com a instalação de placas de identificação, 04 painéis com fotos e nomes das principais espécies da região, além de comedouros ao longo da Avenida Itamambuca. Ubatuba já faz parte dos roteiros que os amantes da atividade elegem. Em função da enorme diversidade de espécies que são encontradas no município, a proposta agora é oficializar os pontos de observação entre os roteiros oficiais que serão oferecidos durante a Copa do Mundo, em 2014. 

Regina Teixeira, coordenadora do projeto e educandas

Ubatuba faz parte de uma das regiões mais íntegras da Mata Atlântica, onde a floresta está mais próxima do mar. Essa configuração torna a região muito privilegiada para a atividade. Itamambuca faz parte desse cenário, concentrando mais de 220 espécies, das 565 que existem em Ubatuba, o que representa cerca de 5% das espécies de todo o mundo, que tem 9700. No Brasil foram identificadas 1980, portanto nossa região presenteia seus visitantes com quase 30% das espécies presentes em todo o país.

Importância de Ubatuba entre os roteiros de visitação

Ubatuba é hoje um dos municípios do Brasil que recebe mais visitantes com o intuito exclusivo de observar pássaros. Considerando que 90% de seu território está em área de Mata Atlântica, estima-se que abrigue 30% de todas as espécies de aves brasileiras e cerca de 5% de aves de todo o mundo. Desde 2004 o tangará foi eleito ave símbolo de Ubatuba.

Carlos Rizzo

O ornitólogo amador Carlos Rizzo falou sobre o trabalho que vem sendo desenvolvido, graças a diversas parcerias, e falou sobre a importância da recuperação de áreas degradadas que estão sendo enriquecidas com diversas espécies de árvores frutíferas nativas, no loteamento Itamambuca, como uma ferramenta importante para o aumento do número de aves no bairro. Segundo ele, “... o objetivo maior desse trabalho é a valorização da beleza”. Transformar caçadores em observadores é um dos resultados que já podem ser contabilizados.

O projeto prevê ainda a capacitação de jovens para trabalharem como guias nas trilhas de Ubatuba, sendo formados um ou dois para a trilha de Itamambuca.

O roteiro inaugurado reúne os parceiros: SAI (Associação Amigos de Itamambuca), SAMITA (Sociedade Amigos e Moradores de Itamambuca), Escola de Surf do Zecão, PGA – Plano de Gestão Ambiental de Itamambuca, Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Agência Ambiental e empresários locais. Faz parte do escopo da educação ambiental junto às crianças da Escola Municipal Honor Figueira, envolvendo também proprietários, turistas e comunidade. Prevê ainda a capacitação de jovens da comunidade como guias locais.
 
Para maiores informações ligue para a SAI: 3845-3156. E para saber um pouco mais sobre as espécies de pássaros de Ubatuba, veja o Caderno 2, do Projeto EDUCOM, iniciativa da SAI com financiamento do FEHIDRO (Fundo estadual de Recursos Hídricos), em
http://www.youblisher.com/p/229978-Caderno-Educom-2/ e http://www.ubatubabirds.com.br/

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Opinião

O bicheiro e seus amigos

O Estado de S.Paulo
A letra miúda das relações entre o contraventor Carlinhos Cachoeira e agentes públicos de diferentes instâncias e instituições ficou exposta com nitidez na entrevista do governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, à repórter Christiane Samarco, publicada segunda-feira no Estado. Goiás, como se sabe, é a base de operações do bicheiro e o Estado do senador Demóstenes Torres, até agora a mais lustrosa figura a cair em desgraça por suas ligações com o homem da batota. Ele se desfiliou do DEM para não ser expulso do partido.

Perillo, um dos tantos flagrados nos grampos da Operação Monte Carlo da Polícia Federal conversando com Carlos Augusto Ramos, como se chama o operoso empreendedor, diz que "todos os políticos importantes de Goiás tiveram algum tipo de relação ou de encontro com o Carlos Ramos" - "como empresário", ressalva. Além de faturar com o jogo ilegal, Cachoeira tem uma fábrica de medicamentos em Anápolis, próspero município do Centro-Oeste brasileiro. Com a generalização, o governador, no exercício do terceiro mandato, pode ter desejado "socializar" os eventuais danos à sua imagem. Mas não há por que duvidar das suas palavras.

Antes de fazer parte do jargão do mundo da internet, o termo "redes sociais" era já comumente usado pelos estudiosos para explicar os mecanismos da ascensão individual nos negócios e na política, entre outros ramos. Isso se constata principalmente em sociedades como a brasileira, onde o sucesso de cada qual ainda depende em larga medida do seu círculo de relações, a começar da esfera familiar. Nessa malha, as eventuais malfeitorias de seus integrantes, facilitadas, por sinal, por essa própria condição, são muitas vezes tratadas com uma leniência que não se estende a quem se fica conhecendo só quando aparece no noticiário policial.

O governador goiano, por exemplo, conta que conheceu Cachoeira numa festa. Quem os apresentou foi o seu ex-secretário de governo Fernando Cunha. "O filho do Fernando era casado com uma irmã de Cachoeira", arrola. Em outra festa, Perillo ouviu dele, Cachoeira, que "tinha abandonado o jogo, saído da contravenção e que era empresário trabalhando na legalidade". O político diz ter acreditado. "Sou um homem de boa-fé", justifica-se. Pois é: mesmo atrás das grades (Cachoeira está preso há 41 dias), o pessoal que ele comanda continua na ativa. A Polícia Federal descobriu que a turma comprou por R$ 1 milhão um site de bingos online hospedado na Irlanda, voltado para apostadores brasileiros.

Nem só a complacência e a boa-fé alheias, evidentemente, encorpam os Cachoeiras. Eles fazem fortuna porque remuneram de várias formas os políticos e funcionários que têm diante do patrimônio público a mesma atitude rapace dos seus pagadores. Ao princípio cínico do "aos amigos, tudo", acrescenta-se a senha para a lambança: "O que é de todos não é de ninguém". O círculo se fecha com a aposta - testada e aprovada - na impunidade. Daí o ceticismo com que tendiam a ser recebidas, no caso, iniciativas como o pedido, acolhido ontem, de abertura de processo para a cassação do mandato de Demóstenes Torres, o Catão do Senado, que ganhava mimos do contraventor com quem trocou nada menos de 298 telefonemas entre fevereiro e agosto do ano passado.

Leia na íntegra O bicheiro e seus amigos

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 11 / 04 / 2012

Folha de São Paulo
"Lula incentiva, e Congresso anuncia CPI do Cachoeira" 

Objetivo é investigar ligação de políticos com empresário; Demóstenes vira alvo de processo no Conselho de Ética

Com incentivo do ex-presidente Lula ao PT e sem resistência do governo, o Congresso anunciou a criação de uma CPI para investigar a ligação de autoridades com o empresário Carlos Cachoeira, preso sob acusação de explorar o jogo ilegal. A expectativa é que ela seja aberta até o fim da semana. O senador Demóstenes Torres (ex-DEM) e o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), são o foco da comissão. A PF também aponta suspeitas sobre auxiliares de Agnelo Queiroz (PT), governador do Distrito Federal - ontem seu chefe de gabinete, que aparece em grampos, se afastou do cargo.

O Estado de São Paulo
"Acordo no Congresso vai permitir CPI do Cachoeira" 

Governistas e opositores dizem apoiar a investigação sobre as ligações políticas do contraventor

Um acordo entre Senado e Câmara permitirá a abertura de CPI mista para investigar as ligações políticas do contraventor goiano Carlinhos Cachoeira. Governistas e opositores expressaram apoio. “Temos interesse em apurar tudo", disse o líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA). "Estaremos firmes na defesa da investigação", afirmou a presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE). Além da CPI, o Senado deu o primeiro passo no processo de cassação de Demóstenes Torres (sem partido), acusado de elo com Cachoeira. O presidente do Conselho de Ética da Casa, Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), acolheu a pedido do PSOL, apresentado há 13 dias.  

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terça-feira, abril 10, 2012

Opinião

Agricultura brasileira, do bonde ao trem-bala

O Estado de S.Paulo
A queda da importância das sementes selecionadas de materiais genéticos produzidos pelas instituições públicas de pesquisa avança na agropecuária brasileira. Nos anos 1970, exceto o milho híbrido - privado nos anos 60 -, as sementes selecionadas eram oriundas da genética pública. Hoje, nas lavouras de cana para indústria, soja, milho e algodão, quase todo o material vem da genética privada.

O tema não era tratado pela grande mídia até a publicação da coluna de Celso Ming A Embrapa perdeu o bonde (1.º/4, B2), para ser lida e refletida, pois toca na ferida ao abordar a redução da participação das variedades públicas de soja. Na linha desse texto, há que compreender como a grande mudança no padrão de financiamento do custeio da agropecuária brasileira condena à insignificância a participação das sementes de variedades públicas não só da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), mas também de todas as estruturas públicas de pesquisa.

Pois bem, essa liderança da genética pública está sendo corroída e desapareceu em lavouras relevantes que não apenas a soja. O mesmo ocorreu na pesquisa estadual paulista, que criou a agricultura tropical brasileira com o café IAC Mundo Novo (1952), o qual libertou esse produto da terra roxa, permitindo seu cultivo nos solos arenosos e nos cerrados. Em 1972 a mesma pesquisa lançou a IAC 12 para baixa latitude (a soja tropical). O algodão, até 1989, vinha da genética pública paulista (IAC). Nos cerrados, no pós-1995, mais que a mecanização da colheita e a enorme escala, houve troca do material genético público (IAC) do algodão meridional (SP e PR) pelas variedades importadas. Lembre-se que a construção da cotonicultura brasileira em terras paulistas e, depois, paranaenses foi resultado da genética pública paulista, que ganhou reconhecimento mundial.

Essa mudança não ocorreu pela transgenia usando variedades da genética tradicional, o que mostra ser o caso da soja apenas uma etapa de um processo mais longo, basta não voltar as costas à História. Isso se acelerou com a lógica de tomada de decisão dos lavradores diante do novo padrão de financiamento do custeio agropecuário. Nos anos 70 o lavrador ia ao banco tomar crédito rural subsidiado e, com dinheiro na conta, escolhia o material genético assistido pela ampla rede de extensão rural estatal que disseminava a genética pública.

O crédito subsidiado foi desmontado com a crise da dívida pública no começo dos anos 80. E as empresas de insumos com plantas construídas no II Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND) criaram mecanismos privados para financiar o custeio das safras, cuja forma pioneira foi o contrato de soja verde. Em 1995 foi criada a Cédula de Produto Rural, tornada com liquidação financeira em 2000. E no mesmo quinquênio surgiram as novas legislações sobre sementes e direitos de propriedade intelectual.

Nos anos seguintes as empresas de agroquímicos compraram as de sementes privadas e a reforma do setor público reduziu a capacidade local da extensão rural estatal. Como exemplo, a antiga rede estadual paulista de Casas da Lavoura hoje praticamente inexiste. Quem agora fornece assistência técnica são as poderosas redes das empresas privadas de sementes, que multiplicam ensaios de demonstração em todo o espaço das principais lavouras.

As diferenças de produtividade e de qualidade entre as sementes disponíveis para as principais lavouras são pouco relevantes (em torno de 5% a 7%). Sem a assistência técnica e extensão rural pública irradiar seus resultados - material genético, para manter padrão de alta resposta nas culturas anuais, exige troca quase todo ano - e sem acesso ao novo padrão de financiamento, a genética pública ficou de mãos amarradas. E os instrumentos privados foram ampliados, em 2004, com os novos títulos financeiros dos agronegócios (CDCA, CRCA, LCA e WA). Os planos de safra das grandes lavouras, pelas suas regras, cobrem cerca de um terço do custeio da safra. E semente é custeio. Trata-se de um novo padrão de financiamento com base na venda antecipada. Os lavradores que plantavam para vender passaram a vender para plantar, numa inversão da lógica da tomada de decisão de produzir.

Leia na íntegra Agricultura brasileira, do bonde ao trem-bala

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Manchetes do dia

Terça-feira, 10 / 04 / 2012

Folha de São Paulo
"EUA criam mais dois consulados no Brasil" 

Anúncio é feito no dia em que Dilma diz a Obama que ricos 'exportam' crise

Durante a primeira visita oficial da presidente Dilma Rousseff aos EUA, a secretaria de Estado americana, Hillary Clinton, anunciou a abertura, em 2014, de dois consulados no Brasil - Belo Horizonte e Porto Alegre. O país investirá ainda US$ 40 milhões na reforma da embaixada e dos consulados de São Paulo, Rio e Recife. Segundo Hillary, os EUA trabalham "arduamente" para atender a demanda por vistos de Brasil e China.

O Estado de São Paulo
"Dilma cobra de Obama ação contra 'tsunami monetário'" 

Na Casa Branca, presidente brasileira volta a criticar 'políticas monetárias expansionistas', mas isenta China

A presidente Dilma Rousseff cobrou de seu colega americano, Barack Obama, mais responsabilidade para enfrentar a crise econômica mundial e isentou a China das consequências negativas da desvalorização artificial de sua moeda. “Precisamos ter clareza de que a responsabilidade de todos nós, nesse processo de contenção da crise, de retomada, é compartilhada", disse Dilma em entrevista após o encontro na Casa Branca com Obama. Ela voltou a criticar as "políticas monetárias expansionistas", que chamou novamente de "tsunami monetário", e insistiu que a resposta a esse problema exige ação conjunta e imediata. "Os EUA são um país diferente do resto do mundo. Ele emite moeda", disse a presidente, ao afirmar que o caso da China é diferente porque o país asiático atrelou sua moeda ao dólar. Em relação ao Irã, Dilma disse ainda ter reafirmado a preferência do Brasil pela diplomacia antes de sanções.  

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segunda-feira, abril 09, 2012

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Opinião

Para pôr fim aos lixões

O Estado de S.Paulo
Três pilares deverão sustentar o programa de tratamento de resíduos sólidos que a Secretaria-Geral da Presidência da República anuncia para as próximas semanas: Brasil sem Lixão, Recicla Brasil e Pró-Catador. São ações planejadas para cumprir as determinações do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, aprovado em 2010, que determina o fim de todos os lixões do País, por meio da instalação de aterros sanitários, até agosto de 2014. A partir dessa data, aos aterros serão enviados apenas rejeitos, ou seja, a parte do lixo que não pode ser reciclada ou reutilizada. Estabelece o Plano que governo federal, Estados e municípios terão responsabilidade compartilhada no esforço para atingir essa meta, assim como para investir em cooperativas de catadores, aumentar a coleta seletiva e assegurar a destinação adequada do lixo não reciclável.

Além de fornecer recursos, o governo federal deve criar mecanismos capazes de garantir a boa gestão dos planos desenvolvidos nos Estados e municípios. Com isso, evitará a repetição do malogro de iniciativa semelhante na década de 90. Como bem lembrou o secretário nacional de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano, Nabil Bonduki, naquela ocasião, quando se tentou livrar o País dos lixões, aterros foram instalados, mas, por causa de gestão deficiente, eles se transformaram em novos lixões. Quase dois terços dos aterros criados na época estão sob avaliação do TCU. É da maior importância, portanto, que Estados e municípios entendam que este não é um programa de obras, mas destinado a melhorar a gestão dos resíduos sólidos.

Somente 800 municípios brasileiros contam com aterros sanitários - projetados para evitar a contaminação do lençol freático por meio de sistemas de captação do chorume resultante da degradação dos resíduos. Em alguns deles, a queima do gás metano é usada para a geração de energia. Londrina, no Paraná, e Araxá, em Minas Gerais, são cidades apontadas como modelos na coleta e no tratamento adequado do lixo.

Mais de 4,4 mil cidades brasileiras depositam resíduos sólidos em lixões. Para o secretário Bonduki, a falta de recursos não pode mais servir como justificativa para o tratamento inadequado do lixo. Afinal, as prefeituras gastam somas elevadas com limpeza urbana. Se o dinheiro existe, o que falta, segundo ele, é competência para obter melhores resultados.

Só não deverão temer a lei de crimes ambientais os prefeitos que, nos próximos dois anos, conseguirem desenvolver ações com essas características. O governo federal já avisou que a seu ver esse prazo é curto e, por isso, não espera que até lá todos os planos estejam inteiramente concluídos. "Mas gestores que estiverem dormindo até 2014 correm o risco de ser responsabilizados", adverte Bonduki.

É fundamental que haja firme determinação para fazer valer as regras do Plano Nacional de Resíduos Sólidos. Mas é preciso também considerar as diferenças existentes entre as várias regiões do País. Cidades com até 150 mil habitantes deverão se associar aos municípios próximos para compartilhar a gestão dos aterros sanitários. Sozinhas, elas teriam dificuldade para gerir os aterros.

Leia na íntegra Para pôr fim aos lixões

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 09 / 04 / 2012

Folha de São Paulo
"Falta juiz da infância em São Paulo, afirma CNJ" 

Problema chega a atrapalhar no processo de recuperação de jovens internados na Fundação Casa

Relatório inédito revela a carência do Judiciário na área da infância e da juventude no Estado de São Paulo, informam Rogério Pagnan e Afonso Benites. O levantamento do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) mostra que, em cidades como Guarulhos e Campinas, um magistrado atende sozinho assuntos envolvendo menores de 18 anos.

O Estado de São Paulo
"Mercado aquecido estimula brasileiros a mudar de emprego" 

Número de trabalhadores que pede demissão em busca de melhores vagas é recorde

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que 30,5% dos desligamentos no primeiro semestre ocorreram por decisão do trabalhador. O país teve quase 3,2 milhões de demissões até fevereiro, sendo 909 mil por iniciativa do empregado.

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