sábado, março 31, 2012

Brasil

Pingos nos is

Sidney Borges
Do jeito que as coisas andam, com jornais e revistas repletos de Cachoeiras e Demóstenes, um visitante extraterrestre poderia pensar que a corrupção foi inventada no Brasil. Ledo engano. A coisa é antiga, mas desde que aqui chegou em 1500, trazida por gente vestida, caiu no gosto dos pelados. Na terra abençoada por Deus e bonita por natureza tem carnaval com pierrô, arlequim, confete e serpentina.

Enquanto isso, em algum lugar acima de qualquer suspeita, tem alguém levando propina...

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Coma, beba e morra...

Colunistas

Crise no Minc: cultura & irrelevância

“Aqui, a história não só não se transforma em farsa porque a “chanchada” preenche mais adequadamente o conceito de como se dá o processo cultural no país”

Márcia Denser
Até que enfim alguém resolve botar o dedo na ferida e constatar o óbvio: que “há uma crise no Ministério da Cultura”. Em artigo para a Carta Maior, Saul Leblon toca em alguns pontos chave, advertindo que há o perigo de simplificar a natureza de um impasse pouco discutido e ainda menos entendido fora do círculo de iniciados, interessados e quejandos. Em qualquer crise, o rebaixamento das causas pulveriza as consequências, gerando uma compreensão superficial do assunto.

O fato é que arte e cultura perderam a relevância social e política, sobretudo a partir dos anos 90, devido precisamente à mercantilização de bens, produtos e produtores de arte e cultura não só no Brasil, mas em todo mundo. Mas aqui, em razão das nossas fragilidades culturais históricas, a coisa se agudiza e a história não só não se transforma em farsa porque a “chanchada” preenche mais adequadamente o conceito de como se dá o processo cultural no país.

Um dos nomes da crise atual no MinC é Ana de Hollanda, titular da pasta criada em 1985, no governo Sarney. Segundo seus críticos, faltaria ao ministério ousadia e convicção para reposicionar o país em sintonia com as novas possibilidades, agendas e desafios da produção cultural, notadamente em relação à política de direitos autorais, além da revisão da “lei do patrocínio”, algo que engessa e atrela a política cultural brasileira aos interesses privados.

O jornalismo afivelado à ditadura dos anos 80 costumava seguir uma receita ilustrativa do papel desdenhoso tradicionalmente reservado à cultura na sociedade brasileira: compunha-se de conservadorismo extremo na área da economia; liberalismo bocó na cobertura política e um vale-tudo na cultura. O menosprezo pelo papel da cultura na vida e no desenvolvimento de um povo não é recente, tampouco exclusividade brasileira e muito menos específico dos períodos ditatoriais. De forma que, como seria inevitável, o descaso persiste na política atual, seja ela qual for.

Degradar tevês educativas é outro traço do nosso, digamos, perfil. Não obstante, aconteceu com a BBC na Inglaterra de Cameron, está acontecendo na Espanha de Rajoy, e na São Paulo tucana, cuja tevê pública vive mais um capítulo dum agônico e prolongado crepúsculo financeiro e conceitual. Pior ainda, no Brasil, no auge do ciclo neoliberal, a relação antagônica entre cultura e conservadorismo foi agravada pela assimilação do MinC ao espírito da época. E o engessamento herdado desse período dificilmente será rompido.

No governo FHC, o ministério da Cultura tucano adotou o lema “cultura é um bom negócio” (bom negócio para quem, cara pálida?). Adaptou o regime local de mecenato para a terceirização da política cultural, sustentada pela renúncia fiscal dos fundos públicos. Se as telecomunicações, as estradas e os minérios estavam sendo privatizados, fatalmente a cultura idem. Mas a questão se problematiza porque se privatizam bens simbólicos, impalpáveis, donde que a instância de julgamento crítico se extingue, dando passagem ao arbítrio autista, perverso, medíocre e burro.

O regime de patrocínio cultural – que combina renúncia pública e dívida privada – foi instituído no governo Collor. E a exemplo de outras práticas ‘desregulatórias’ (que o titular da “República das Alagoas” foi “impedido” de implantar), teve seu auge no governo dos “banqueiros intelectuais” e professores tucanos, que aplicaram à Cultura um persistente arrocho orçamentário. Em média, nos anos 90, coube ao MinC minguados R$ 230 milhões ao ano. O torniquete revelou-se funcional ao jogar compulsoriamente a sobrevivência das artes ao arbítrio das fundações de prestígio e fachada, que passaram a deter a prerrogativa de selecionar o que deve ou não chegar aos olhos, ouvidos, corações e mentes do imaginário nacional.

No governo Lula, o orçamento do Ministério da Cultura foi multiplicado por dez, girando hoje em torno de R$ 2 bi. O salto relativo é indiscutível. Mas o valor absoluto está longe de ser suficiente para abolir a senzala da terceirização que determina a cultura do país. Há nessa assimetria uma demolidora e silenciosa crise da cultura que as erupções atuais pouco abordam. Os oito anos de governo Lula, de qualquer forma, acumularam avanços na área que a fraqueza atual do MinC colocam em risco.

Sob a gestão de Ana de Holanda, as linhas de passagem erguidas entre o mecenato neoliberal e a construção de uma política verdadeiramente democrática de financiamento cultural foram perdendo sustentação progressiva, incluindo-se a mobilização para modificar a Lei Rouanet, que seria alvo de uma restauração conservadora dentro e fora do próprio ministério. Segundo Leblon, a crise é tão profunda que a simples troca do titular da pasta não será suficiente para revertê-la.

Sem dúvida, diante do atual estado da cultura, a meu ver, é totalmente indiferente quem ou o quê ocupe o Ministério. É deixar como está, deixar quieto: a cultura definitivamente relegada à irrelevância.

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

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Opinião

A comédia dos Brics

O Estado de S.Paulo
Haverá pelo menos uma sequência cômica na próxima reunião de cúpula do Grupo dos 20 (G-20), marcada para junho no México. A presidente Dilma Rousseff e seus companheiros do grupo Brics vão protestar contra a grande emissão de dólares, euros e libras, acusando os bancos centrais do mundo rico de impor um desajuste cambial aos emergentes. Ao mesmo tempo, vão exigir dos governos do mundo rico políticas mais eficientes de recuperação econômica. Em contrapartida, americanos e europeus poderão cobrar da China, como fazem há muitos anos, providências sérias para corrigir a desvalorização excessiva do yuan, um pesadelo para os empresários industriais da maior parte do mundo, incluídos os brasileiros. O governo chinês, com seu costumeiro ar de inocência, tem acusado as autoridades americanas de negligenciar o valor do dólar, a principal moeda internacional de reserva. O representante da China deverá ficar muito feliz com a parceria brasileira nessa briga. Brasília tem raramente acusado Pequim de manipulação cambial. Prefere jogar a culpa dos problemas nacionais nas velhas potências imperialistas, embora a competição mais dura e mais devastadora para a indústria brasileira venha do Oriente.

O espetáculo será ainda mais divertido para quem se lembrar de um evento recentíssimo. China e Estados Unidos ficaram do mesmo lado, quando o Brasil tentou provocar na Organização Mundial do Comércio (OMC) um debate sobre a manipulação cambial e seus efeitos nas trocas internacionais. Americanos e chineses fizeram o possível para matar a discussão e trabalharam para transferir o assunto para a reunião do G-20.

Como de costume, nenhuma decisão consequente a respeito do câmbio deverá resultar do encontro no México. A reunião das 20 principais potências desenvolvidas e emergentes poderá ser um sucesso por algum outro motivo - especialmente se contribuir para a superação da crise europeia. Um passo importante para isso é a decisão dos governos europeus de elevar de 500 bilhões para 700 bilhões os recursos disponíveis para ajuda a políticas de estabilização. Isso deverá facilitar o trabalho do FMI de coletar dinheiro dos emergentes para operações de socorro aos próprios europeus.

O G-20 perdeu muito de sua capacidade de mobilização desde a superação da primeira fase da crise internacional. Mas ainda é mais relevante que o grupo Brics, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O despreparo desses países para ações conjuntas de grande alcance foi mais uma vez confirmado na reunião de cúpula de Nova Délhi, na quarta e na quinta-feira. O grupo é novo e isso poderia, talvez, explicar o escasso valor prático das confabulações de seus ministros e chefes de governo. Mas o problema é muito mais sério. Esses países partilham poucos interesses com suficiente importância para transformá-los em aliados ou para levá-los a constituir um bloco. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou os grandes emergentes como aliados estratégicos, mas nunca houve reciprocidade efetiva. Ao contrário: preteriram o Brasil mais de uma vez, em suas ações diplomáticas e comerciais, e sempre deram mais importância a entendimentos com parceiros regionais ou com as potências do mundo rico.

Não houve surpresa na retórica balofa da Declaração de Nova Délhi, recheada de manifestações de preocupação com a crise internacional, cobranças dirigidas a europeus e americanos - como se estes se importassem - e apelos a soluções pacíficas para a crise no Oriente Médio, para a matança na Síria e para os desentendimentos entre o Ocidente e o Irã. Nada, nesse documento, é leitura indispensável.

Leia na íntegra A comédia dos Brics

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Manchetes do dia

Sábado, 31 / 03 / 2012

Folha de São Paulo
"Senador atuou em prol de acusado de contravenção" 

Investigação revela que Demóstenes ajudou Cachoeira no Congresso e no Governo

Investigação feita pela PF indica que Demóstenes Torres (DEM-GO) usou o cargo de senador para atender a interesses do empresário Carlinhos Cachoeira preso sob a acusação de explorar jogos ilegais no Congresso e no governo federal. O congressista defendeu pessoalmente na Anvisa as demandas de um laboratório que a polícia diz ser de Cachoeira e acertou com ele ajuda em um projeto de legalização de jogos de azar e em um processo judicial, como revelam escutas da PF. Em outro grampo, o empresário pediu a Demóstenes para barrar o depoimento de um amigo empreiteiro. No Senado, a cassação do parlamentar, ameaçado de expulsão pelo DEM, é dada como certa caso seja investigado pelo Conselho de Ética.

O Estado de São Paulo
"Ex-ministro petista critica "malfeito" no caso da Pesca" 

Para Luiz Sérgio, ministério não pode pedir a empresa contratada doação ao PT, como fez na campanha de Ideli

Sucessor de Ideli Salvatti na Pesca, o deputado petista Luiz Sérgio classificou de “malfeito" a ação do ministério de cobrar dinheiro para o PT de Santa Catarina de uma empresa contratada pelo governo federal, como revelou ontem o Estado. A Intech Boating, que forneceu por R$ 31 milhões lanchas-patrulha para a pasta e doou R$150 mil ao comitê do PT que bancou parte da candidatura de Ideli ao governo catarinense em 2010. O Tribunal de Contas da União considera o contrato suspeito. A petista é hoje ministra de Relações Institucionais. "Não é função de ministério arrecadar dinheiro para candidaturas ou partidos", disse Luiz Sérgio. Segundo ele, as lanchas estavam paradas havia mais de um ano quando assumiu o ministério. “É evidente que isso demonstra que houve erro."

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sexta-feira, março 30, 2012

Stradivarius?

Coluna do Celsinho

Ninja em Taubaté

Celso de Almeida Jr.
Em 28 de abril, no Aeroclube Regional de Taubaté, instalado próximo a Aviação do Exército, na estrada dos Remédios, 2135, Itaim, acontecerá o EncontrAr – Encontro de Escoteiros da Modalidade do Ar.

O evento é uma iniciativa do 259/SP – Grupo Escoteiro do Ar “Aviação do Exército” para comemorar os 74 anos da modalidade e oficializar o lançamento regional do Núcleo Infantojuvenil de Aviação – NINJA.

No dia 28 de abril de 1938, em Curitiba, o Major Aviador Godofredo Vidal, o Tenente Coronel Aviador Vasco Alves Secco e o Primeiro Sargento Telegrafista Jayme Janeiro Rodrigues, oficializaram à União dos Escoteiros do Brasil a criação do primeiro grupo de escoteiros do ar do mundo, o Grupo Tenente Ricardo Kirk.

Hoje, a modalidade do ar do escotismo comemora a implantação do Núcleo Infantojuvenil de Aviação – NINJA - em Taubaté e preparou uma festa para isto.

A programação na manhã de 28 de abril é para toda a família, com início às 9h30m e término às 13h e estão previstas atividades como simulação de voo em computador, aeromodelismo, jogos escoteiros, vídeo aulas, mini-palestras e apresentação de aeronaves, contribuindo para despertar o interesse de crianças e jovens para o fascinante mundo da aviação.

Além dos Escoteiros do Ar, o evento tem o apoio da EMCA - Escola Municipal de Ciências Aeronáuticas, UNITAU – Universidade de Taubaté, Aeroclube Regional de Taubaté, Aeroclube de Ubatuba e Colégio Dominique.

É imensa a satisfação que tenho ao compartilhar esta notícia, pois o Núcleo Infantojuvenil de Aviação deu os primeiros passos em Ubatuba e agora, tudo indica, alçará voos mais altos.

No 28 de abril, estaremos lá, com os NINJAS, inaugurando o núcleo no Vale do Paraíba.

É Ubatuba, mandando o seu recado!

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

O desafio depois da cura

O Estado de S.Paulo
Lula saiu um pouco igual e um pouco diferente do bem-sucedido tratamento do câncer na laringe diagnosticado há exatos cinco meses. O Lula de sempre e o Lula mudado apareceram no mesmo vídeo de pouco menos de três minutos que o ex-presidente gravou para anunciar a cura da enfermidade. O primeiro é o líder messiânico que jamais será apanhado dizendo em duas palavras o que pode dizer em vinte - uma das fontes de seu formidável carisma e poder de convencimento, a ponto de a loquacidade a serviço da autopromoção ter se tornado uma espécie de segunda natureza do escolado palanqueiro. Eis o Lula de safra: "Vou voltar à vida política porque acho que o Brasil precisa continuar crescendo, continuar se desenvolvendo, gerando emprego, gerando distribuição de renda e melhorando a vida de milhões e milhões de brasileiros que conseguiram chegar à classe média e não querem voltar atrás. E daqueles que sonham em chegar à classe média".

No entanto, visto que ninguém passa impunemente por se saber portador de uma doença do gênero e pelas vicissitudes decorrentes das severas terapias empregadas no seu combate, um Lula submetido às servidões da condição humana também entrou em cena. "Agora", avisou no vídeo, "volto à minha militância com muito mais cuidado, muito mais maduro e muito mais calejado, pensando em primeiro lugar em cuidar da saúde." O tempo dirá se a consciência dos próprios limites - ele está curado, mas durante muito tempo terá de poupar as cordas vocais - prevalecerá sobre as pressões para que continue a agir como salvador da pátria petista. Nunca é bom, obviamente, ter tido câncer, mas, pior ainda, no caso dele, é enfrentar em seguida os desafios de um ano eleitoral. O principal, como se sabe, é o que ele próprio se criou, quando, nos seus tempos recentes de insopitável onipotência, resolveu repetir em São Paulo, com o ministro da Educação, Fernando Haddad, o que fizera com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, no plano nacional.

Do estrito ponto de vista dos seus interesses partidários, Lula agiu certo ao considerar a vitória na eleição para prefeito da capital a primeira etapa do projeto hegemônico de cristalizar o poder do PT no País. A segunda etapa, evidentemente, seria a remoção do PSDB do comando do Estado, em 2014, depois de 20 anos ininterruptos. Só não podia prever o seu afastamento forçado do jogo político, o que deixou Haddad, jejuno em eleições como Dilma, à míngua de apoios - mesmo entre os petistas. O dedazo que ungiu Dilma em 2010 funcionou por duas razões básicas: primeiro, porque o PT não tinha um grande nome para contrapor ao do presidente; segundo, porque ele estava lá o tempo todo para carregá-la diante do eleitorado. Já em São Paulo, Lula cometeu dois erros.

Subestimou as consequências da eliminação da candidatura natural da ex-prefeita Marta Suplicy - entre elas, a sua recusa, reafirmada ainda há pouco, de pegar pela mão o ex-ministro e desfilar com ele pelos redutos petistas da capital. "Haddad tem que gastar sola de sapato", ensinou, insinuando que ele que se arranje por sua conta. "O restante é conhecer os problemas da cidade", cutucou. Às demandas para se engajar na campanha, reagiu: "Não se turbina uma candidatura com desespero, pressões e constrangimento". Tivesse Lula lido Shakespeare, saberia que "os infernos não conhecem fúria maior do que a de uma mulher rejeitada". O seu segundo erro - inadmissível para um político com tamanho traquejo - foi imaginar que José Serra não se lançaria candidato, abrindo espaço para a profana aliança do PT com o prefeito Gilberto Kassab. O esperto criador do PSD, que a propôs a Lula, mudou de ideia mais depressa do que o tucano, já então pré-candidato, leva para dizer "papelzinho".

Leia na íntegra O desafio depois da cura

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 30 / 03 / 2012

Folha de São Paulo
"'Sem voz estaria morto', diz Lula" 

Exclusivo: Ex-presidente compara tratamento de câncer à 'bomba de Hiroshima' e afirma que Haddad surpreenderá

Um dia após ter anunciado o desaparecimento do tumor na laringe, o ex-presidente Lula disse a Folha ter tido mais medo de perder a voz do que de morrer por causa da doença. "Se perdesse a voz, estaria morto." Quase 16 quilos mais magro, comparou a químio e a radioterapia a "bomba de Hiroshima" e afirmou que, em alguns momentos, preferiria ter estado em coma.

O Estado de São Paulo
"Dilma pede que potências 'baixem o tom' sobre o Irã" 

Em cúpula dos Brics, presidente diz que sanções impostas a Teerã são 'extremamente perigosas'

A presidente Dilma Rousseff, em entrevista coletiva após a cúpula dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), pediu que as potências “baixem o nível da retórica e se entendam" em relação ao Irã. Dilma considerou "extremamente perigosas" as sanções impostas aos iranianos para forçá-los a abandonar um programa nuclear que, para os EUA e a Europa, pode estar voltado à produção de um arsenal atômico. Para Dilma, o bloqueio pode deixar o Irã isolado e acuado. O documento final firmado pelos cinco presidentes dos países emergentes traz um parágrafo em relação ao tema, advertindo que é preciso impedir que haja "escalada em direção a um conflito". Para Dilma, qualquer posição em relação ao Irã só pode ser adotada pela ONU, “no âmbito do direito internacional", e não isoladamente por qualquer país.

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Chocolate

quinta-feira, março 29, 2012

Boxe

Nobre arte, outra história...

Sidney Borges (em homenagem a Bert Sugar)
A origem das lutas com os punhos é tão antiga quanto os punhos, isto é, o homem sempre usou as mãos fechadas para resolver pendências. Na Grécia a coisa tomou rumo organizado, as lutas tornaram-se esporte e a Olimpíada de 688 antes de Cristo surge como a primeira competição de pugilismo da história. Bem, comecei a escrever com a intenção de contar uma história de boxe, não contar a história do boxe, mas já que esbarrei nessa seara acrescento que há referências de lutas com luvas entre os sumérios, três mil anos antes de Cristo. Além deles, assírios, babilônios, hititas e egípcios também apreciavam a nobre arte, denominação creditada aos britânicos.

Pode parecer um contrassenso gostar de boxe, esporte em que os lutadores buscam a destruição física do adversário mediante a aplicação de golpes no corpo e na cabeça. Vence aquele que derruba o oponente e caso isso não aconteça, a decisão cabe a especialistas que analisam técnica, eficiência, defesa e certos pormenores que podemos considerar subjetivos. Nem sempre o que acontece no ringue prevalece, muitas vezes importa o que os juízes julgam ter acontecido. Assim, muitas lutas terminam com decisões surpreendentes, com o público vaiando e um dos lutadores, e seu staff, protestando. Convém lembrar que além de ser um esporte brutal e apaixonante, o boxe é antes de tudo um grande negócio que movimenta muito dinheiro.

Sobre o ringue pratica-se o mais difícil dos esportes, fora dele promotores correm atrás de lucro. Dessa forma, com olhos no ouro sagrado, são construídas carreiras de lutadores promissores que geralmente despontam em torneios amadores e chegam às competições internacionais. Uma medalha olímpica é prenúncio de título mundial. Mas, antes de atingir o zênite acontecem lutas especiais, sem risco para o futuro campeão que enfrenta adversários marcados para perder. O lutador que serve de escada entra no ringue com a finalidade de embolsar um dinheirinho e melhorar o cartel do oponente. De vez em quando acontece uma zebra, mas é raro.

Ao subir a escadaria do ranking, nas cercanias do cume, as lutas são para valer.

É a hora da verdade. O adversário agora morde, lança fogo pelas ventas e bate forte. Os verdadeiros campeões passam no teste, podemos citar Eder Jofre, cuja carreira foi planejada milimetricamente. Depois de galgar os degraus da fama Eder venceu Joe Medel e consolidou a reputação contra Eloy Sanches. Eder é um caso especial, um dos maiores lutadores da história.

Eder Jofre pertence à maior dinastia familiar do boxe mundial, os Jofre-Zumbano. Seu pai, Aristides Kid Jofre nasceu na Argentina, país que tem grande tradição na arte dos punhos. Podemos afirmar sem medo de exagero que o templo sagrado do boxe do hemisfério sul está na cidade de Buenos Aires e é conhecido mundialmente pelos amantes do pugilismo, o Luna Park.

O grande promotor de lutas na Argentina, no final dos anos 60 e início dos anos 70 era Tito Lectoure, profundo conhecedor dos segredos do pugilismo. Nessa mesma época, no Brasil, para ser mais específico, em São Paulo, atuava Abraham Katznelson, que de bobo não tinha nada e sabia escolher promover seus pupilos, entre eles Eder Jofre. Lectoure e Katznelson trocavam figurinhas, quando um precisava de uma galinha morta o outro tratava de fornecer. O público gostava de lutadores argentinos e acreditava nos cartéis dos visitantes, quase sempre verdadeiros como promessas de políticos.

Embora dependentes uns dos outros, os empresários sempre gostaram de ser vistos como sagazes, espertos. Quem acompanha boxe sabe do que eles são capazes. Coisas como molhar os assentos do ginásio do ginásio do Ibirapuera para que as pessoas não pudessem sentar e assim, com a platéia em pé, aumentar a lotação. Além da esperteza, também gostavam de pregar peças uns nos outros, enviando linholene no lugar de linho. Em vez da esperada galinha morta surgia em terra estrangeira um garboso e altaneiro lutador. De verdade.

Bastava o primeiro treino para cabeças ferverem, na escalada rumo ao olimpo sagrado uma derrota ou mesmo um empate poderia redundar em saída do ranking e o fim do sonho.

Tudo o que está escrito acima é o que os doutos editores de jornais chamam de nariz-de-cera, eu, modestamente, prefiro colocar como introdução. Senta que lá vem história.

No dia 22 de janeiro de 1972, em São Paulo, Miguel de Oliveira nocauteou, no 3º round, o argentino Julio Calvetti. Miguel era uma das esperanças de título mundial para o Brasil, ao lado de João Henrique. Ambos capazes de lotar os ginásios onde aconteciam as lutas, Ibirapuera, Pacaembu e Palestra Itália.

Calvetti chegou para enfrentar Miguel ostentando um cartel modesto, 4 lutas, duas vitórias por nocaute e duas derrotas, uma por nocaute.

Miguel permanecia invicto após 23 combates, dos quais tinha vencido 13 pela via rápida. 

A luta foi um fiasco, o argentino parecia um rato acuado, fugiu e fugiu, agarrou, só faltou morder. Ao sentir o peso da mão de Miguel caiu para não levantar. O público frustrado vaiou. Eu vaiei.

Ninguém sabe o que aconteceu na conversa entre os promotores depois da luta. Imagino que empresário de Miguel tenha feito algum chiste - em portunhol - ao comentar  a noitada com o companheiro argentino.

- Mira Tito, el chico le envió era muy débil. Los aficionados abuchearon. Necesito otro combatiente de febrero. Enviar un uno mejor, usted sabe que Miguel golpea fuerte, quiero un luchador que están de pie durante ocho o nueve rondas, sabes?

- Está bien, lo hice. Voy a tener un tipo especial.

E assim foi feito. Alguns dias depois da conversa pousou em Congonhas um Boeing 737 da Aerolíneas Argentinas com mais uma suposta galinha morta a bordo. Para enfrentar Miguel enviaram outro Miguel. Miguel Angel Castellini.

É preciso deixar claro que Miguel de Oliveira nada tinha a ver com as artimanhas dos promotores. Naquela época, em grande forma, estava apto a qualquer desafio, mas no boxe há o rito da subida no ranking que deve ser seguido à risca, senão nada de título.

Castellini desembarcou com um cartel de 27 lutas, das quais 19 vencidas pela via rápida, 3 por pontos e 4 empates. No cartel uma única derrota, por nocaute, para o peruano Carlos Estrada, pugilista inferior tecnicamente. A imprensa argentina classificou o fato como acidente de percurso. Definitivamente Castellini não era uma galinha morta, longe disso, era um pegador em ascensão e poderia ser uma pedra no sapato de Miguel de Oliveira.

Na semana da luta os treinos de Castellini atraíram dezenas de fãs de boxe. Desta vez o adversário era bom mesmo, a luta seria para valer. Era o que se dizia nas rodas de aficionados. Os promotores perceberam que tinham comprado gato por lebre, alguma coisa precisava ser feita, Miguel era um ídolo em formação, sério, dedicado, todos confiavam nele. 

Mas nos treinos o argentino mostrou serviço. Com guarda alta e estilo clássico, batia forte com a direita, com a esquerda e esquivava-se bem. Sabia manter a luta à distância, mas também sabia lutar corpo a corpo. E era rápido, muito rápido para um médio ligeiro. 

O melhor a fazer era mudar de assunto.

Assim foi feito, não se falou mais na luta de Miguel de Oliveira contra Miguel Angel Castellini. Na data marcada Castellini enfrentou o campeão brasileiro dos meio-médios, Edmundo Leite, que estava com o prestígio em alta depois de bem sucedida temporada nos Estados Unidos.

Foi uma aula de boxe. Com elegância rara nos rings, Castellini iniciou devagar, mantendo Edmundo longe com jabs e diretos. O técnico Carollo percebeu que esse posicionamento seria contraproducente para seu pupilo, de menor envergadura.

No intervalo deu instruções para que Edmundo encurtasse a distância.

Como eu disse antes, Castellini dominava o estilo que os americanos chamam de infight, e assim, alternando jabs, diretos, hooks e uppercuts, passeou no quadrilátero até Edmundo desistir da porfia e não voltar para o quinto round. Nocaute técnico.

Até hoje encontro amigos que falam da luta que não aconteceu.

Castellini continuou sua brilhante carreira e chegou ao título mundial dos médios ligeiros. Miguel de Oliveira também seguiu vencendo e tornou-se campeão mundial ao bater o espanhol José Manuel Duran.

O que teria acontecido no dia 25 de fevereiro de 1972 se no ringue do ginásio do Palmeiras tivessem se enfrentado Miguel de Oliveira e Miguel Angel Castellini?

Pergunta sem resposta.

Mas dá para imaginar que teria sido uma grande luta.

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Ubatuba


Desdobramentos do Caiçarau

José Ronaldo dos Santos
O texto do momento deriva de uma mensagem recebida nesses dias da jovem Cássia, filha da querida Ortênsia e do finado Acácio, ambos da região da Ponta Aguda, onde as informações noticiam ações de grilagem de terra correndo à solta, assim como em outras partes do município de Ubatuba. A este pessoal, descendentes dos Quintino, da Ilha do Tamanduá, e aos seus, moradores em Caraguatatuba, mando um forte abraço.

Os antropólogos estão na linha de frente quando se trata de defender as comunidades tradicionais. Por isso aproveito deste para homenagear o Diegues, um desses especialistas, natural da cidade caiçara de Iguape, quase na divisa com o Paraná.
 
Os caiçaras, ao escolherem a defesa de sua autenticidade, esbarram nos egoísmos daqueles que cobiçam as suas áreas (naturais e preservadas) para demonstração da rentabilidade econômica e da negação à vida de pessoas humildes, que se desenvolveram num lugar específico graças aos recursos naturais e à criatividade diante das necessidades, Portanto, em qualquer território da Terra há culturas distintas, únicas. São elas que formam o patrimônio principal de uma nação. Constituem-se como comunidades tradicionais!
 
Atualmente, o fenômeno que mina mundialmente as comunidades tradicionais é a globalização. Os sedentos de lucros a qualquer custo querem fazer crer que o mundo é a sua casa, que os produtos deles e do mundo lhes pertence mediante desembolso. Por decorrência, um padrão globalizado vai se fazendo como “modelo único, perfeito”. Desse modo, e por falta de uma reflexão sobre a cultura local (de cada comunidade tradicional), vamos perdendo valores e características que se forjaram em séculos de história, nos compondo numa massa cultural pré-disposta à alienação, à exploração em todos os aspectos. Resumindo: é deixar de ser você porque precisa copiar e consumir os produtos dos outros (que geralmente exercem o controle a partir de terras bem distantes).
 
Eventos como o CAIÇARAU e outros são alternativas de reconstrução cultural. Que venham muitos! Parabéns ao Bado e a todos que concorreram para o sucesso da empreitada!
 
Acreditando que a resistência é coisa de gerações, vou parar por aqui parafraseando Machado de Assis:
 
“Mesmo miseráveis, todos abençoarão esse canto de terra que proporciona algumas ilusões”.

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Opinião

Tolices curriculares

O Estado de S.Paulo
Há dois meses, o Conselho Nacional de Educação (CNE) baixou a Resolução n.º 2/12, definindo as novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, que é considerado desvinculado da realidade social e econômica do País, quando comparado aos programas do ensino fundamental e superior. Elaborada com base num extenso parecer aprovado uma semana antes pelo Ministério da Educação (MEC), a Resolução tem 23 artigos, muitos deles caracterizados por uma retórica vazia.

A Resolução, por exemplo, propõe a incorporação, como conteúdo obrigatório do currículo do ensino médio, "do reconhecimento e atendimento da diversidade e diferentes nuances da desigualdade da exclusão na sociedade brasileira". Também recomenda "a valorização dos direitos humanos, mediante temas relativos a gênero, raça e etnia, religião, orientação sexual, pessoas com deficiência". E enfatiza a importância de "práticas que contribuam para a igualdade e enfrentamento de todas as formas de preconceito, discriminação e violência" e de "atividades intersetoriais de promoção da saúde física e mental, saúde sexual e saúde reprodutiva e prevenção do uso de drogas".

Não são apenas esses os parágrafos da Resolução tautológicos ou ininteligíveis. "O trabalho é conceituado na sua perspectiva ontológica de transformação da natureza, como realização inerente ao ser humano e como mediação no processo de produção de sua existência" - diz o § 1.º do inciso VIII do artigo 5.º da Resolução. "A organização curricular deve oferecer tempos e espaços próprios para estudos e atividades que permitam itinerários formativos opcionais diversificados, a fim de melhor responder à heterogeneidade e pluralidade de condições, múltiplos interesses e aspirações dos estudantes", determina o inciso XI do artigo 14. "O projeto político-pedagógico, na sua concepção e implementação, deve considerar os estudantes e professores como sujeitos históricos e de direitos, participantes ativos e protagonistas na sua diversidade e singularidade" - reza o § 2.º do artigo 15 da Resolução. E vai por aí afora.

Além disso, a Resolução do CNE impõe ao currículo do ensino médio quatro áreas de conhecimento e nove matérias obrigatórias, chamadas de "componentes curriculares com especificidades e saberes próprios e sistematizados", subdivididas em doze disciplinas. O novo currículo vai na contramão dos países desenvolvidos, onde o ensino médio não tem um programa mínimo obrigatório. A diversificação é vista naqueles países como forma de adequar melhor o ensino à realidade cultural, econômica e social dos estudantes.

Não são de estranhar, portanto, as críticas que têm sido feitas à Resolução n.º 2/12. "O Brasil não diversifica e mantém a ideia de que todo mundo tem de fazer a mesma coisa", diz João Batista Araújo e Oliveira, do Instituto Alfa e Beto, depois de classificar o texto da resolução como "erudição boba". "É uma montoeira de matérias. O resultado é que ninguém aprende, só decora. No resto do mundo, há segmentação", afirma o economista Cláudio Moura Castro. "Acredito em soluções mais individualizadas e segmentadas, porque há muitas diferenças", assevera Priscila Cruz, do movimento Todos pela Educação.

Além das altas taxas de evasão, o ensino médio esbarra no despreparo dos alunos - por exemplo, 85% dos estudantes desse ciclo ingressam na 1.ª série da rede pública com um nível de conhecimento equivalente ao da 5.ª série do ensino fundamental. Segundo o MEC, 50,9% dos jovens de 15 a 17 anos não estão matriculados no ensino médio, onde o índice de reprovação é de 13,1%. Dos estudantes que completam as três séries do ciclo, metade obtém média inferior a 4 na prova objetiva do Enem.

Leia na íntegra Tolices curriculares

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 29 / 03 / 2012

Folha de São Paulo
"Tribunal livra de prisão quem recusar bafômetro" 

STJ decide que testemunho contra motorista não será aceito em ação criminal

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu, por 5 votos a 4, que imagens e relatos de testemunhas, incluindo o de policiais, não poderão mais ser aceitos para fundamentar processo criminal contra o motorista que dirige embriagado. A decisão esvazia a lei seca, já que o teste do bafômetro ou o exame de sangue não são obrigatórios - ninguém pode ser coagido a produzir prova contra si.

O Estado de São Paulo
"Lei seca só vale se motorista passar por bafômetro, diz STJ" 

Motorista que se recusar a se submeter ao teste, para não produzir provas contra si, não poderá ser punido

O motorista que se recusar a fazer o teste do bafômetro ou o exame de sangue não poderá ser punido por dirigir embriagado, mesmo que haja sinais de embriaguez. Por decisão do Superior Tribunal de Justiça, só é possível processar o motorista se houver comprovação, por meio de bafômetro ou exame de sangue, de que ele dirigia tendo concentração de álcool no sangue superior a 0,6 grama por litro. Na prática, a decisão esvazia a lei seca, porque o motorista não é obrigado a produzir provas contra si. "A norma surgiu recheada de dúvidas", comentou o ministro Og Fernandes. Só o Supremo Tribunal Federal poderá alterar essa decisão - os processos que passaram pelo STF até o momento, no entanto, confirmam a necessidade de exame de sangue ou do bafômetro. Um projeto de lei já votado no Senado e que está na Câmara pune o motorista por qualquer quantidade de álcool e permite comprovar a embriaguez de outras formas, como a avaliação da autoridade de trânsito ou o depoimento de testemunhas.

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quarta-feira, março 28, 2012

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Opinião

Diferentes, porém iguais

O Estado de S.Paulo
Quem senta no próprio rabo e se põe a cortar o dos outros corre o risco de se tornar anuro na primeira vacilada. Esse aforismo construído a martelo ilustra bem a situação do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que passou anos na Câmara Alta interpretando o papel de Catão, o Censor, e, tal qual o político romano, defendendo rígidos valores éticos e acusando supostos ou comprovados transgressores da lei e dos bons costumes. De repente, fica-se sabendo de suas relações muito próximas com um notório contraventor, pivô do primeiro grande escândalo do governo Lula, o bicheiro Carlinhos Cachoeira, amigo íntimo e parceiro constante, a julgar pelas mais de 300 ligações telefônicas gravadas entre os dois pela Polícia Federal. Demóstenes viu-se forçado, ontem à tarde, a renunciar à liderança do DEM no Senado e encara a possibilidade de ser expulso do partido, conforme admitiu o presidente da legenda, o senador Agripino Maia (RN), caso o procurador-geral da União decida propor ao STF, com base em "argumentos sólidos", o indiciamento do senador goiano. E cabe, aliás, perguntar: por que ainda não propôs?

O caso Demóstenes é mais um que se inscreve na galeria dos recentes atentados à ética na vida pública. Independentemente de pronunciamento da Justiça sobre o episódio, o senador democrata já está em débito com as práticas saudáveis da política republicana pelo simples fato de ter, até o momento, resistido à obrigação que sua condição de homem público lhe impõe de prestar amplo esclarecimento sobre as acusações extremamente graves que lhe têm sido feitas, como a de ter pedido ou aceitado dinheiro emprestado do bicheiro Cachoeira, preso em decorrência da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal.

Se lhe pode servir de consolo, Demóstenes Torres não está sozinho, no momento, no papel de homem público que alega não ter feito os malfeitos, para usar a expressão eufêmica em moda, que as evidências indicam que fez. O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, considerado político que goza da estrita confiança de Dilma Rousseff, enfrenta há tempos a suspeita de ter-se valido de sua notória posição de prestígio junto à então candidata do PT à Presidência da República para se beneficiar de polpudos contratos de consultoria feitos com a Federação das Indústrias de Minas Gerais. Pimentel e seus defensores se têm escudado no argumento de que à época ele não era ministro de Estado, e por essa razão não pode ser acusado de infringir princípios éticos da vida pública. Sem considerar que, em consequência de denúncias exatamente da mesma natureza, Antonio Palocci foi exonerado da chefia da Casa Civil nos primeiros meses do governo Dilma, é o caso de perguntar: no caso de mandatários públicos, o passado jamais condena? E o espírito da lei da "ficha limpa"? A eleição ou a nomeação para um cargo público tem o efeito saneador de deixar imaculadas as biografias mais encardidas?

Aparente e felizmente não é o que pensam todos os integrantes da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, que no último dia 23 deu prazo de 10 dias para Fernando Pimentel se explicar. Só então a comissão decidirá se é o caso de abrir investigação sobre as denúncias contra o ministro. Mas não há como antecipar um prognóstico sobre o desfecho do caso porque o pedido de explicações ao ministro só foi aprovado pelo voto de Minerva do presidente da Comissão, ministro Sepúlveda Pertence. O pedido de explicações já fora apresentado pelo relator do caso, o conselheiro Fábio Coutinho. Mas a decisão foi adiada por pedido de vista feito pelo conselheiro Américo Lourenço Lacombe, que acabara de ser nomeado por Dilma Rousseff, chefe e amiga do acusado.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 28 / 03 / 2012

Folha de São Paulo
"Justiça de SP torna réus 14 acusados de fraudes no metrô" 

Reportagem de 2010 da Folha, que antecipou resultado da licitação, serviu de base para ação penal contra executivos

A Justiça de São Paulo aceitou denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual e tornou réus 14 executivos de grandes empreiteiras que participaram de licitação para obras no metrô da capital paulista. Funcionárias das construtoras Camargo Correa, Andrade Gutierrez, OAS, Queiroz Galvão e Carioca, entre outras, são acusados de combinar quem venceria cada um, dos seis trechos da ampliação da linha 5.

O Estado de São Paulo
"PT e Planalto se mobilizam para tentar ajudar Haddad" 

Entrada de Serra na disputa e ausência de Lula fazem petistas buscarem socorro em expoentes do partido

A cúpula do PT e o Palácio do Planalto admitem a necessidade de dar um "chacoalhão" na campanha do petista Fernando Haddad, estacionado nas pesquisas de intenção de voto com 3%, informam os repórteres Vera Rosa e Rafael Moraes Moura. A estratégia consiste em criar uma agenda positiva para Haddad e pressionar figuras de expressão no PT, como a senadora Marta Suplicy (SP), a socorrer o candidato. Foi a entrada do tucano José Serra na disputa que acendeu o sinal amarelo no governo federal. "É errado ficar achando que só o Lula resolve as coisas", afirmou o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência), referindo-se ao fato de que o ex-presidente, por motivos de saúde, ainda não pode entrar na campanha de Haddad. "Tem um processo, agora, decolar o Haddad na militância", disse Carvalho.

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terça-feira, março 27, 2012

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Opinião

A prévia tucana

O Estado de São Paulo
O PSDB se saiu duplamente mal da prévia - a primeira de sua história - para a escolha do seu candidato à Prefeitura da capital. Em primeiro lugar, depois de um processo tortuoso, a começar da quizília sobre quem teria direito de participar da votação, e terminando com o adiamento do ato para acomodar os interesses do ex-governador José Serra, que anunciou com a invariável demora a sua intenção de disputar a indicação partidária - e que não queria prévia nenhuma.

Apenas pouco mais de 6 mil filiados, entre 21 mil aptos a votar, deram-se ao trabalho de comparecer. Um certo número deles, aliás, como registrou este jornal, foi como que empurrado pelos cabos eleitorais dos candidatos a exercer a sua militância, com transporte garantido e a atração de um churrasco domingueiro. Coisa de legenda da velha escola na agremiação que parece ter ficado obsoleta antes de ver realizados os seus ideais renovadores.

O segundo resultado constrangedor foi a própria vitória de Serra. Brigando pela candidatura com dois tucanos, o secretário estadual de Energia, José Aníbal, e o deputado estadual Ricardo Tripoli - dois outros, o secretário do Meio Ambiente, Bruno Covas, e o de Cultura, Andrea Matarazzo, saíram da parada assim que Serra entrou -, ele não obteve mais de 52% dos votos. Ou, em números absolutos, tão somente 256 votos a mais do que a soma dos sufrágios recebidos pelos candidatos remanescentes.

Para quem já concorreu duas vezes à Presidência da República e quatro ao governo da cidade, entre outros prélios, e contou agora com o engajamento ostensivo do governador Geraldo Alckmin e do seu secretariado, mais o apoio do ex-presidente Fernando Henrique, tal desfecho foi a proverbial vitória de Pirro, sem tirar nem pôr. O resultado parece espelhar as pesquisas segundo as quais 30% dos paulistanos querem ver Serra prefeito e outro tanto não quer vê-lo nada.

Antes de contados os votos, os serristas falavam de boca cheia numa vitória consagradora por 70% ou mesmo 80% do total. Mesmo que prognósticos desse tipo sirvam antes para motivar a militância do que como antecipação baseada em tendências verificadas, os seus propagadores não tiveram como disfarçar o gosto amargo que passaram a sentir. Na hora de votar, Fernando Henrique teve o azar de dizer que o previsível êxito de Serra na prévia seria "meio caminho andado" para o triunfo no Município, em outubro. Não porque, a esta altura, haja quem ameace o seu favoritismo - ou porque seja o caso de duvidar que, na pior das hipóteses, ele estará no segundo turno. Mas porque, surpreendentemente talvez, Serra só andou meio caminho para unir o partido em torno do seu nome - dando aos seus adversários no ninho a satisfação secreta de ver confirmada ainda uma vez a sua fama de desagregador.

Embora, como dizem os americanos, nada é tão bem-sucedido como o sucesso, a eventual recondução de Serra à Prefeitura da capital provavelmente não bastará para aprumar o PSDB, fracionado por rivalidades entre as suas principais figuras, nenhuma delas capaz, como tornou a ficar escancarado anteontem, de despertar da modorra e da indiferença os filiados cuja fonte de entusiasmo partidário não seja o contracheque do setor público ao fim de cada mês. De mais a mais, o retrospecto como que obriga a agremiação a ganhar mais uma eleição na capital do Estado, onde dá as cartas já lá se vão 18 anos. A questão de fundo é que, desde a perda de seu principal líder em São Paulo, Mário Covas, falecido em 2001, o PSDB paulista não conseguiu obter vitórias políticas à altura de suas conquistas eleitorais. E para estas contribui o fato de ser a legenda a receptora por excelência do voto útil dos que aceitam tudo, menos o PT no poder.

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Terça-feira, 27 / 03 / 2012

Folha de São Paulo
"Início de ano fraco faz Dilma ampliar ajuda à indústria" 

Após indicação do Banco Central de que a economia recuou em janeiro, governo anuncia novas reduções de imposto

A equipe econômica do Planalto lançou novas medidas de estímulo pouco após o Banco Central divulgar recuo de 0,13% na atividade econômica em janeiro. Para incentivar a indústria, Guido Mantega (Fazenda) anunciou a ampliação da desoneração em vigor e a inclusão de novos setores.

O Estado de São Paulo
"Projeto dos EUA facilita entrada de brasileiros" 

Experiência começa com grupo restrito, mas será estendida a turistas; intenção é acabar com o visto

Em um projeto-piloto, o governo americano vai começar a livrar alguns brasileiros das filas de imigração nos principais aeroportos dos EUA. O programa, conhecido como Global Entry, vai selecionar inicialmente 150 brasileiros com visto de negócios (B1) para entrar naquele país passando apenas por um quiosque automático. Depois de um ano, o programa vai ser estendido para 1,5 mil turistas com visto B2. O objetivo é diminuir em até 70% o tempo de espera do passageiro na imigração. "É o primeiro passo para a isenção de visto para brasileiros", disse o adido americano de alfândega e proteção de fronteiras, Jaime Ramsay. Os EUA também estabeleceram novas regras para agilizar a concessão de visto. A partir de agora, vistos expirados nos últimos quatro anos, desde que sejam para não imigrantes, podem ser renovados sem entrevista.

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segunda-feira, março 26, 2012

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Opinião

A entrada triunfal no capitalismo de exortação

Marco Antonio Rocha - O Estado de S.Paulo
O velho PT, dos tempos das grandes lutas, metia o pau no capitalismo "selvagem" - e o capitalismo era só selvagem na visão petista. A presidente que o PT ajudou a eleger enseja criar um novo tipo de capitalismo: o "capitalismo de exortação".

O método é o do vamo-qui-vamo: consiste em reunir o maior número de capitalistas do maior número possível de atividades e exortá-los a investir.

Capitalistas de verdade nunca precisaram de exortação de políticos para investir. Para o impulso inicial, basta-lhes o vislumbre de bons lucros e o senso de oportunidade. Claro que o sucesso da empreitada exige outras qualidades: empenho, disciplina, capacidade de planejamento, tirocínio administrativo - para mencionar apenas algumas. Só com impulso inicial, a mais brilhante centelha de empreendedorismo bruxuleia e se extingue. Fato constatado, aliás, nas estatísticas do número de novas empresas que morrem no primeiro ano de vida.

No Brasil, espírito empreendedor é o que não falta. O mundo do show business é um criadouro permanente de jovens empresários. O mundo da moda é outro. O dos esportes, um terceiro. Nem é preciso mencionar o do fast food, restaurantes em geral, comércio de secos e molhados, onde o comendador Valentim Diniz, por exemplo, começou modestamente e sua segunda geração dirige um empreendimento que está no cume de uma pirâmide onde fervilham centenas de fornecedores e milhares de funcionários.

Há brasileiros moços ganhando mais dinheiro em seus negócios do que foram capazes seus pais, avós e tataravós, somados. E toda semana ou todo mês as revistas especializadas trazem novas histórias de florescentes novos empreendimentos dirigidos por brasileiros e brasileiras muito jovens.

De modo que nós não precisamos "defender o mercado interno sem protecionismo", como teria dito a presidente no encontro de exortação ao grande capital, segundo manchete do jornal Brasil Econômico (este também um jovem empreendimento na nossa área jornalística). O mercado interno vai muito bem, sim senhora - basta ver as vendas do comércio em janeiro: 2,5% acima das de dezembro!

Mas, o mood empreendedor moderno, agressivo e bem-sucedido, de que estamos falando não impregna o espírito de muitos dos representantes do grande capital reunidos naquela mesa de Brasília para ouvir as exortações da presidente e do seu ministro da Fazenda. O que se via ali era um conclave ao velho estilo capitalista brasileiro: uma reunião de sócios atuais e ex-sócios do capitalismo burocrático de Estado, que é o capitalismo que prevalece até hoje entre nós. Ele foi posto em marcha há 60 anos sob a bandeira do BNDES, das benesses fiscais, do protecionismo aos amigos do governo, das vendas aos governos amigos, das licita-ações entre compadres. Em suma, estavam ali, perfilados, como dizia Claude Reims, no filme Casablanca, os suspeitos habituais.

Ou seja, as exortações verbais só se traduzirão em investimentos pelo método tradicional: o governo prepara o terreno, dá o dinheiro, faz a pesquisa de mercado, diz qual o negócio que terá retorno garantido e garante a compra dos produtos que o empresário não conseguir vender aqui e lá fora - então, ótimo, o capitalismo de exortação funcionará como sempre funcionou.

Esse tipo de capitalismo, monitorado e sem risco, teve sua valia num certo momento da vida nacional, quando o objetivo maior era simplesmente gerar mais empregos urbanos. Mas era para ser apenas o pontapé inicial. O caso é que ficou para sempre na sua marcha lenta, sem nada que desafiasse o conforto dos fat cats criados pelo governo. E sem que os governos quisessem sacudir a vida confortável que propiciou a eles, porque ela sustenta a gorda carga fiscal com que paga as demagogias.

Mas, agora, para se expandir, o capitalismo brasileiro tem de deixar de ser apenas criador de empregos, e precisa criar horizontes e espaço vital fora do Brasil. Somos, sim, a 6.ª economia do mundo, como fanfarreiam todos os que Nelson Rodrigues chamava de "idiotas da objetividade". Mas só o somos por causa do tamanho da nossa economia (e da desvalorização do dólar)- não por causa do nosso dinamismo nem por causa do bem-estar da nossa população. No quesito dinamismo, a China, a Coreia, a Índia, a Rússia e outros menos cotados ganham de lavada.

Quanto ao quesito bem-estar da população, é melhor nem dizer nada.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 26 / 03 / 2012

Folha de São Paulo
"Serra tem vitória magra e é candidato a prefeito" 

Prévia do PSDB dá 52% dos votos a ex-governador, abaixo da expectativa de aliados

José Serra, 70, venceu a prévia do PSDB e vai disputar pela quarta vez as eleições para a Prefeitura de São Paulo. O ex-governador obteve 3.176 votos (52%), índice abaixo da expectativa de seus aliados (60%). O secretário estadual José Aníbal (Energia) recebeu 1.902 votos (31%) e o deputado federal Ricardo Tripoli, 1.108 (16,7%). Ato inédito, a prévia tucana contou com a participação de 6.229 filiados ao partido na capital.

O Estado de São Paulo
"Serra vence prévia com 52% dos votos e PSDB prega união" 

Ex-governador recebe votação abaixo da prevista, mas diz que partido terá agora 'uma só voz, um só trabalho'

O ex-governador José Serra venceu ontem a prévia tucana e foi escolhido pré-candidato a prefeito de São Paulo pelo PSDB. Serra ficou com 52,1% dos votos dos 6.229 eleitores. Em segundo lugar, ficou o secretário José Aníbal, com 31,2% dos votos, seguido pelo deputado Ricardo Tripoli, com 16,7%. A disputa foi mais acirrada do que se previa. Coordenadores da campanha de Serra esperavam, no mínimo, 55% dos votos. Serra contou com a apoio do governador Geraldo Alckmin e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ao lado de Aníbal e Tripoli, Serra destacou a unidade do partido. "A partir de hoje, uma só voz, um só trabalho e a vitória para o povo de São Paulo", declarou. Fernando Henrique disse que, se o governo federal entrar de cabeça na campanha para defender o candidato do PT, pode se "quebrar".

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domingo, março 25, 2012

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Opinião

A indústria do crime

O Estado de S.Paulo
Com a ação desimpedida de uma extensa rede de crime organizado, o roubo e o furto de carros no Estado de São Paulo representam hoje uma florescente indústria, movimentando R$ 500 milhões por ano, muito mais que fábricas que trabalham dentro da lei e lutam para sobreviver. Centenas de automóveis são diariamente "puxados" - 120 por dia só na capital - para venda em países vizinhos ou no mercado interno, com os números dos chassis adulterados ou, como já se tornou mais comum, para a subtração de peças e partes, levadas para desmanches, os chamados "buracos". Dali vão parar nas mãos de atravessadores, que as revendem para "atacadões", fornecedores de lojas receptadoras, algumas delas acima de qualquer suspeita. Com frequência cada vez maior, os roubos são acompanhados de violência, e impressiona constatar que 25% dos latrocínios no Estado estão ligados ao roubo de carros. Não se trata, portanto, apenas de um crime contra o patrimônio, mas de uma ameaça à segurança e à vida dos cidadãos.

Segundo a Divisão de Investigações sobre Furtos e Roubos de Veículos e Cargas (Divecar) da Polícia Civil, 82 "buracos" foram estourados no ano passado. É muito pouco em face da extensão desse tipo de crime, que deu origem, só no primeiro bimestre deste ano, a 7.280 boletins de ocorrência em delegacias de polícia da capital, um aumento de 14%, em comparação com igual período de 2011. Mantida essa média, estima-se que 43.600 veículos serão roubados em São Paulo este ano.

São inúmeros na periferia da capital, na região metropolitana e no interior do Estado os galpões onde veículos roubados são guardados para clonagem de placas ou para o desmanche. Muitos são conhecidos e funcionam há anos, sem serem perturbados pela ação policial. E não há notícia de interdição de "atacadões" nem de empresas de autopeças que atuam no mercado paralelo.

A sofisticação desse tipo de crime é um desafio para o Centro Integrado de Inteligência (Ciisp) da Polícia paulista. No lugar de "ladrões de confiança", que faziam o desmanche e eram diretamente ligados ao comércio ilegal de autopeças, hoje existem quadrilhas organizadas em células, que distribuem as tarefas criminosas, permitindo que o agente da cadeia do crime conheça apenas um de seus elos. Os ladrões sabem em que "buraco" entregar o produto do furto e receber o pagamento. O desmanche usa um atravessador, desconhecendo qual será o estabelecimento receptador final.

As autoridades policiais, contudo, não ignoram os lugares em que os roubos e furtos de automóveis são quase rotineiros. Os locais preferidos dos ladrões são as vizinhanças de hospitais, supermercados e shopping centers, que praticamente não são policiados. Na cidade de São Paulo, é a imprensa que tem se encarregado de informar quais as ruas, avenidas e trechos de rodovias, em todas as regiões da cidade, mais sujeitos a roubos de carros, especialmente à noite.

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Manchetes do dia

Domingo, 25 / 03 / 2012

Folha de São Paulo
"Um em cada 262 adultos brasileiros está na prisão" 

Em 16 anos, taxa de encarceramento da população do país quase triplicou

Desde 1995, a taxa de encarceramento da população brasileira quase triplicou, segundo o Ministério da Justiça. É a terceira entre os dez países mais populosos e levanta debate sobre os custos e a eficácia do sistema. Para Gilson Dipp, presidente do grupo que trabalha na reforma do Código Penal, o aumento não se deve a uma polícia mais eficiente, e sim à combinação entre a “cultura da prisão” e a ineficácia das defensorias públicas.

O Estado de São Paulo
"Incentivo às empresas em 6 anos soma R$ 97,8 bi" 

Desoneração corresponde a duas vezes o orçamento do PAC deste ano, mas carga tributária segue alta

Levantamento da Receita mostra que, de 2007 a 2012, o governo baixou medidas que desoneraram as empresas em, no mínimo, R$ 97,8 bilhões, informam Lu Aiko Otta e Adriana Fernandes. A cifra é o dobro do que o governo pretende gastar no PAC este ano e corresponde a quatro vezes o montante reservado para o programa Brasil sem Miséria, prioridade da presidente Dilma Rousseff. Ainda assim, a alta carga tributária foi a queixa mais comum entre os 28 grandes empresários que estiveram com Dilma na última quinta-feira. O objetivo desses cortes de impostos – aumentar a competitividade das empresas brasileiras ante a concorrência estrangeira – ainda não foi atingido. “O governo pode ter desonerado bastante, mas a carga tributária não caiu. Ao contrário, aumentou”, diz o economista Mansueto Almeida. “O custo de produção continua alto”.

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