sábado, março 17, 2012

Brasil

 Professor Aziz Ab’Saber

O Professor

José Ronaldo dos Santos
Ontem, ao chegar na minha casa, já havia uma mensagem do meu irmão: “Zé,morreu o professor Aziz”. No mesmo instante comecei a recordar os momentos que ele viveu conosco em Ubatuba, das suas palestras e das suas gostosas prosas.  Inesquecível foi a sua participação no fórum que tratou das questões das terras em Ubatuba, há mais de dez anos. O ginásio “Tubão” estava lotado de caiçaras atentos às palavras do mestre tão íntimo das particularidades do nosso espaço. O nosso amigo Miguel Angel deve manter o seu inigualável arquivo daquela ocasião.
    
Era só estar em sua casa, na praia Itamambuca, que logo ele dava um jeito de telefonar ao Domingos para combinar umas andanças. Nessas ocasiões, não se desgrudava de um bloco de anotações para registrar detalhes da nossa região. “São riquezas; dão uma pesquisa fantástica” era uma expressão corriqueira do professor Aziz, esse grande geógrafo do mundo nascido em São Luiz do Paraitinga, mas ligado à nossa terra desde a meninice, quando o pai, imigrante libanês casado com uma nativa da “Serra Acima”, exaltava o país que o acolheu, a paz dos caminhos, a acolhida dos caipiras e as belezas naturais.
    
Do professor Aziz, durante as orientações para o trabalho de graduação do Domingos, na Universidade de São Paulo (USP), ficamos sabendo que “a prova de que o  litoral já foi parte de um deserto, é a presença dos lagartos, dos manacarus e de outras adaptações que permeiam o espaço da cultura caiçara”. E o que dizer das suas narrativas empolgantes de como foi  admitido na universidade como ajudante de um célebre mestre, como jardineiro? Este foi o definitivo passo para a formação do maior geógrafo que eu conheci.
    
O professor, sempre muito lúcido e com muita inteligência, nunca deixou de denunciar as armações politiqueiras que o circundavam. Em certa ocasião, no “Espaço cultural Nalva”, ele se mostrava indignado pela forma que, através do seu destaque acadêmico, o presidente Lula tentou, pelas vias politicamente incorretas, encaixar um de seus filhos (aquele que depois foi envolvido em “facilidades do setor de comunicação”) na USP. Para ele, “o Prouni, esse programa que está atendendo muita gente que realmente precisa, foi criado para resolver as questões das vagas ociosas das faculdades privadas. É um jeito dos empresários desse setor manterem os seus lucros”.
   
Também à sua irmã, a professora Nídia Nacib, igualmente professora na mesma instituição, devemos agradecimentos por trabalhos formativos à nossa atuação, na compreensão da nossa realidade. Foi quem nos auxiliou em significativo trabalho na região do Perequê-açu, no início da década de 1990.
    
Certamente que muitas outras contribuições virão das interessantes anotações nas restingas, costeiras e morros ubatubanos feitas pelo nosso querido professor Aziz Ab’Saber. A ele nunca negamos a nossa grande admiração. Valeu, professor Aziz!
    
Nossos sinceros pêsames à família.

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Paisagem

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Mulheres na Política

Luiza Eluf - “O Estado de São Paulo”, 29 de maio de 2010
As próximas eleições já entraram para a História, independentemente do resultado. Pela primeira vez no País duas mulheres disputam o cargo de presidente da República e estão entre os principais candidatos. Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) são as protagonistas deste pleito. Antes delas tentaram Lívia Maria Pio de Abreu (em 1989, ficando em 17.º lugar) e Heloísa Helena (em 2006, em 3.º lugar, com expressiva votação).

Se o fato de termos duas fortes postulantes ao Planalto numa mesma eleição é histórico e motivo de comemoração, a verdade é que a política no Brasil ainda é essencialmente masculina. A participação das mulheres é crescente na História brasileira, mas ainda está aquém do desejado. Somos a maioria da população do País e representamos 40% da força de trabalho fora do lar, mas continuamos invisíveis na área pública. Só em 1985 uma mulher se tornaria prefeita de capital (Maria Luiza Fontenelle, do PT, em Fortaleza) e apenas em 1995 o Brasil elegeria sua primeira governadora (Roseana Sarney, no Maranhão). Somente dois dos nossos Estados mais populosos já elegeram governadoras – Rio de Janeiro (Rosinha Garotinho) e Rio Grande do Sul (Yeda Crusius).

Na Câmara dos Deputados o cenário é ainda mais desanimador. Em 184 anos de existência do Legislativo, nunca uma mulher ocupou um cargo titular na Mesa da Casa. São apenas 45 mulheres em meio a 513 deputados, ou seja, míseros 8% de representação feminina. No Senado o índice sobe para 13%, mas ainda é inexpressivo. O porcentual de mulheres na Câmara e no Senado brasileiros é um dos mais baixos da América Latina e do mundo.

Apesar de a legislação determinar que os partidos preencham ao menos 30% de suas candidaturas com mulheres, isso não ocorre na prática. Entre os fatores que desestimulam as mulheres a participar da política estão o preconceito, que começa na própria família, a falta de incentivos financeiros e a dificuldade de encarar uma jornada dupla de trabalho, muito mais acentuada no caso de atividade partidária. Trata-se de um problema cultural. Durante grande parte da História do País, as mulheres não tiveram direitos civis nem cidadania plena. A elas eram negados os mais elementares direitos políticos, como votar e ser votadas. Só em 1932, no governo de Getúlio Vargas, as mulheres conquistaram o direito ao voto, depois de muita luta do movimento sufragista. Mesmo assim, apenas mulheres casadas (com autorização do marido), viúvas e solteiras com renda própria votavam.

Com o Estatuto da Mulher Casada, de 1962, algumas liberdades fundamentais foram conferidas às mulheres, como o direito de viajar sem autorização do marido ou de gerenciar seus bens patrimoniais. Mais tarde, a Lei do Divórcio (1976) possibilitou que casamentos fracassados pudessem ser oficialmente desfeitos, permitindo a dissolução do vínculo matrimonial, que, enfim, deixou de ser para sempre. A mesma lei igualou os direitos dos filhos, independentemente da situação dos pais. Esses passos aparentemente elementares, no entanto, resultaram de muito esforço de persuasão das militantes feministas.

A verdadeira emancipação feminina só ocorreu com a Constituição de 1988, que equiparou homens e mulheres em direitos e obrigações. Em que pesem os avanços legais, convivemos ainda com os resquícios culturais dessa antiga situação de subalternidade.

A desigualdade de gênero nas instâncias de poder é um problema internacional. Em 1995 foi realizada em Pequim a IV Conferência Mundial da Mulher, um verdadeiro marco no avanço dos direitos femininos. Mas muitas das recomendações feitas às delegações oficiais dos países participantes não foram implementadas. As propostas legislativas que visavam a garantir o direito das mulheres ao patrimônio, à saúde e à liberdade sexual não se concretizaram em sua plenitude. Com a população feminina sub-representada nas áreas de comando e compondo apenas 20% dos legisladores em todo o mundo, segundo dados da ONU, estamos muito distantes das metas fixadas em Pequim. Nesse compasso, serão ainda necessárias muitas décadas para haver paridade de gênero nos cargos políticos de relevância.

Mulheres já foram eleitas presidente ou primeira-ministra na Índia, Alemanha, Noruega, Inglaterra, Argentina e no Chile, para citar alguns exemplos, mas uma andorinha só não faz verão. A emancipação efetiva só será realidade quando atingir todas as mulheres, em todas as classes sociais. Enquanto houver violência doméstica, discriminação no trabalho fora do lar e abusos sexuais, nenhuma sociedade poderá dizer que a igualdade de gênero
foi alcançada. Por isso, fortalecer e proteger a população feminina deve ser um projeto de governo.

Um exemplo de divisão justa do poder foi adotado por Michelle Bachelet, no Chile, e por José Luiz Zapatero, na Espanha, que decidiram nomear um Ministério paritário (metade homens e metade mulheres). Essa medida, na esfera do Poder Executivo, é fundamental para promover o respeito a uma parcela da população até hoje subjugada e menosprezada pelos padrões patriarcais. Se as mulheres não estiverem no poder, suas reivindicações não serão concretizadas e os projetos que as beneficiam estarão fadados ao esquecimento.

No Brasil foi aprovada nova lei eleitoral (12.034/2009) que determina a obrigatoriedade de os partidos políticos destinarem 5% do fundo partidário à formação política de mulheres, prevendo punição para o descumprimento da regra, e do já mencionado preenchimento de 30% das vagas com candidaturas femininas. Além disso, reserva 10% do tempo de propaganda partidária em anos não-eleitorais para promover a participação da mulher.

Democracia aprende-se, constrói-se e se exerce. No caso das mulheres e de outros segmentos excluídos, a verdadeira democracia requer o acesso ao poder político. O Brasil cidadão precisa ser mais feminino, mais tolerante, mais igualitário, mais atento à preservação ambiental, em suma, mais responsável pelo seu futuro, nos exatos termos consignados em nossa Constituição.

Para saber mais sobre Luiza Eluf acesse: http://www.luizaeluf.com.br

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Opinião

Os arreganhos da tigrada

O Estado de S.Paulo
A parte que cabe à presidente Dilma Rousseff nas desavenças do governo com a assim chamada base aliada já foi exaustivamente exposta. Vai desde o seu temperamento impositivo à aparente relutância a dominar os códigos da política, passando pela incompreensão do fato elementar de que, nas sociedades democráticas, a propensão para o entendimento com os partidos e o Parlamento, mais do que um atributo subjetivo dos governantes a ser usado em proveito próprio, é condição de legitimidade de seus atos e matéria-prima para a construção da sua liderança. No entanto, as carências da presidente não esgotam a narrativa de seus percalços políticos.

Eles resultam também do fardo que Dilma herdou do mentor Luiz Inácio Lula da Silva e da natureza do jogo político no Brasil. Para ajudar a elegê-la e ajudá-la, no poder, a aplastar a oposição, o então presidente montou e se tornou fiador da mais derramada coligação partidária da história nacional. Entre agremiações grandes, médias, pequenas e nanicas, nada menos de 18 subiram (ou acharam que subiram) a rampa do Planalto com a criatura política do líder que investiu o seu imenso carisma, popularidade e desenvoltura no uso da função para perpetuar nas instituições de governo a supremacia do esquema de sua lavra. À frente situacionista se juntaria, tão logo nasceu, o PSD, que não é de esquerda, nem de direita, nem de centro, mas de Gilberto Kassab, o prefeito paulistano.

Haja bocas a sustentar - ainda mais quando a expectativa por verbas e cargos é tudo o que aproximou da nova presidente a esmagadora maioria dos membros da coalizão de governo. Excluem-se dos aspirantes a comensais as microssiglas, fadadas a se satisfazerem, se tanto, com as migalhas do banquete, e, naturalmente, o PT, o dono dos comes e bebes. Mal acostumados com a mão aberta de Lula no segundo mandato - no primeiro, a sua gente preferiu comprar apoios com metal sonante mesmo, com os resultados conhecidos do mensalão -, os aliados deram de cara com a sovinice da sucessora. Acrescentando insulto à injúria, ela ainda demitiu uma penca de ministros, embora a contragosto, e estabeleceu uma antinomia humilhante para a politicalha em geral: ela, a faxineira; eles, o entulho.

Não fosse a maioria parlamentar tão desprovida de decoro, e fossem os motivos do estranhamento com Dilma divergências substantivas de orientação governamental, as tensões que transbordam do noticiário de Brasília mereceriam ser levadas a sério. Em vez disso, prevalece a imagem de uma chefe de governo cujas limitações avultam diante dos arreganhos de uma tigrada ávida por se lançar sobre os meios que lhes garantem a sobrevivência: a alocação de verbas para os seus feudos e a partilha do Planalto. A crise aberta com a demissão dos líderes do governo na Câmara e no Senado teve novo lance quarta-feira com o "rompimento" da bancada do PR no Senado (7 cadeiras em 81) com a presidente. O episódio é de livro de texto.

Leia na íntegra Os arreganhos da tigrada

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Manchetes do dia

Sábado, 17 / 03 / 2012

Folha de São Paulo
"Universidade frauda MEC e paga comissão a igrejas" 

Uniesp cobra a mais de aluno que recebe o crédito estudantil e repassa verba

Um dos maiores grupos educacionais de São Paulo, a Uniesp paga com dinheiro proveniente do governo federal comissão a igrejas que lhe indicam universitários, informam Fábio Takahashi e Vanessa Correa. A instituição se compromete a repassar 10% do que recebe do Fies (financiamento estudantil) por aluno que aderir ao programa – 2.000 foram indicados dessa forma, segundo a universidade.

O Estado de São Paulo
"Cresce suspeita de novo grande vazamento na área da Chevron" 

PF diz que o último incidente em campo de petróleo no Rio pode ter relação com o desastre de novembro

O último incidente no bloco operado pela americana Chevron no campo de petróleo do Frade (RJ), relatado anteontem, pode estar relacionado ao vazamento de 2,4 mil barris em novembro passado e representar riscos de um novo grande vazamento, segundo especialistas e técnicos envolvidos nas investigações. O delegado de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da Polícia Federal, Fábio Scliar, dá como certa a relação entre os dois incidentes, mas a petroleira alega que ainda não é possível estabelecer esse elo. No entanto, a hipótese de que o reservatório apresente problemas de pressão e de que haja risco é uma das mais fortes nas investigações. Para Scliar, cresce também a tese de que “o poço não poderia ter sido perfurado ali, numa formação rochosa mais recente, e, portanto, mais frágil”.

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sexta-feira, março 16, 2012

Douglas DC-3

Coluna do Celsinho

Checklist

Celso de Almeida Jr.
Parei na página 120.

Lembre-me!

Brincadeirinha...

Usei marcador de livro.

A obra é de Atul Gawande, cirurgião geral e endócrino que reside em Newton, Massachusetts.

Reproduzo um trechinho da orelha da quarta capa:

“Ao longo do livro, ele revela o que os checklists podem e o que não podem fazer e como são capazes de contribuir com melhorias impressionantes em outros campos além da medicina. Em um dos exemplos, analisa como piloto e copiloto evitaram um desastre de grandes proporções ao pousarem um Airbus no rio Hudson, seguindo as etapas apropriadas.”

Checklist foi lançado no Brasil pela Editora Sextante, com tradução de Afonso Celso da Cunha Serra.

Recomendo a leitura.

Atraiu-me por um desejo particular.

Cheguei aos 46 anos, casado, com filhinha para criar.

Ambiciono pilotar teco-teco, destes que decolam fácil e pousam em qualquer pistinha.

Seria uma pena encurtar minha vida por descuido na conferência de algum item indispensável para um voo tranquilo.

Por isso, a prudência manda definir com clareza os passos mínimos necessários em cada processo, não transferindo para a memória, meio cansadinha, todas as responsabilidades.

Gawand afirma que as falhas evitáveis no mundo atual são erros de inépcia, que acontecem quando não fazemos bom uso do conhecimento necessário para realizar algo.

Com Checklist ele prova que podemos obter melhores resultados para quase todo tipo de dificuldade.

E, como tenho muitas, despeço-me, rumo à 121...

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

O aprimoramento do Enade

O Estado de S.Paulo
Pressionado por universidades particulares, o Ministério da Educação (MEC) alterou as regras e os procedimentos do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), para evitar manipulações que comprometam a representatividade e a legitimidade do Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior. O objetivo das mudanças é impedir que algumas universidades continuem selecionando só os melhores alunos para fazer as provas, retendo os estudantes com baixo desempenho no penúltimo semestre, para que não sejam obrigados a se inscrever no Enade.

Pelas regras até agora vigentes, o Enade é aplicado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, do MEC, a ingressantes e formados dos cursos de graduação de todas as instituições de ensino superior. A cada ano são avaliadas áreas específicas do conhecimento e os cursos que apresentarem resultados insatisfatórios podem sofrer sanções administrativas. As punições mais brandas são advertência e uma avaliação rigorosa in loco feita por uma comissão de especialistas. As sanções mais severas são a redução de vagas nos vestibulares e o fechamento dos cursos.

A discussão sobre a perda de representatividade e legitimidade do Enade começou no ano passado, quando a Universidade Paulista (Unip) foi acusada de adiar o lançamento das notas de formandos com baixo desempenho. Dessa forma, eles não reuniam condições para prestar o Enade. E como só os bons estudantes participavam das avaliações, isso elevava as notas, permitindo à Unip alardear a qualidade de seus cursos, em agressivas campanhas de marketing.

A Unip também foi acusada de adotar um regime de notas baseado no cronograma de avaliações do Enade. Nos anos em que determinadas áreas do conhecimento eram submetidas à avaliação do MEC, a Unip, quando não adiava o lançamento das notas, reprovava em massa os estudantes no penúltimo semestre, deixando-os em "recuperação". Após o Enade, esses alunos eram promovidos ao último semestre. Já nos anos em que não havia avaliação, as classes tinham um alto número de alunos e poucos eram reprovados.

Com 200 mil alunos matriculados em 27 unidades espalhadas pelo País, a Unip negou que tenha selecionado os formandos mais preparados para fazer o Enade, mas admitiu a prática da reprovação em massa no semestre anterior à avaliação. Quando as denúncias de irregularidades foram divulgadas pela imprensa, há duas semanas, o MEC pediu esclarecimentos à instituição, mas não abriu sindicância. Com cem páginas, a resposta da Unip foi entregue ao MEC na segunda-feira e reproduz as mesmas alegações apresentadas pela instituição ao Ministério Público, que está investigando as denúncias de fraude encaminhadas por universidades concorrentes.

As autoridades educacionais alegam que, se for confirmada a tentativa de manipulação dos resultados do Enade, a Unip será punida. Nos meios universitários, prevalece a opinião de que as mudanças anunciadas pelo MEC são suficientes para resolver o problema e encerrar a discussão.

Pelas novas regras, a partir de 2012 as provas do Enade passam a ser aplicadas também aos alunos do penúltimo semestre. E, a partir de 2013, terão de se submeter às provas os estudantes que se formam no primeiro semestre - que até agora eram dispensados do Enade.

Leia na íntegra O aprimoramento do Enade

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 16 / 03 / 2012

Folha de São Paulo
"Brasil fecha acordo que reduz compra de carro mexicano" 

Isento de imposto, México agora terá cota de exportações e elevará o índice de peças nacionais na fabricação de veículos

Brasil e México fecharam ontem a renegociação do acordo automotivo bilateral. Os mexicanos aceitaram restringir as exportações de veículos ao mercado brasileiro pelos próximos três anos, além de elevar a parcela da sua produção composta por peças nacionais. O governo brasileiro cedeu às pressões dos mexicanos e aceitou um índice de nacionalização menor do que o defendido pela presidente Dilma. Ela queria que subisse, num prazo de três anos, de 30% para 45%, mas ficou acertado 35% para 2013 e 40% para 2016.

O Estado de São Paulo
"Recuo sobre lei da Copa expõe crise na articulação do governo" 

Planalto bancou veto à venda de bebida alcoólica, contrariando o que fora negociado com a Fifa, mas voltou atrás

Os problemas na articulação política do Planalto resultaram numa confusão em relação ao item da Lei Geral da Copa que fala sobre a venda de bebidas alcoólicas nos estádios. Na noite de anteontem, comandado pelo governo, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), novo líder na Câmara, bancou a decisão de que o Planalto vetaria a liberação de bebidas. Na manhã de ontem, o governo teve de recuar - ao pleitear a Copa, o Brasil aceitou as exigências da Fifa, entre as quais a venda de bebidas. Mas o novo dia de crise na base aliada não se limitou à Copa. Os governistas que estão se desentendendo com Dilma ameaçam desengavetar projetos que não interessam ao Planalto, como o que obriga o governo a cumprir a lei orçamentária tal como ela sai do Congresso.

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quinta-feira, março 15, 2012

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Opinião

Prefeitos e creches

O Estado de S.Paulo
Um tema que certamente vai render muitas promessas nas eleições municipais deste ano, especialmente nas maiores cidades do País, é o da construção de creches ou de pré-escolas públicas para crianças de até 7 anos. Pesquisa realizada em janeiro/fevereiro deste ano pelo Instituto Patrícia Galvão, em parceria com a empresa de pesquisa Ipsos, envolvendo mil entrevistas em 70 municípios, revelou que, entre as classes de menor renda da população, 40% das famílias ouvidas se mostraram insatisfeitas com o total de vagas oferecidas pelas creches existentes.

A maioria dos entrevistados considera que é obrigação das prefeituras prestar esse tipo de atendimento, de acordo com a Emenda Constitucional n.º 59, de 2009, que prevê "educação básica obrigatória e gratuita dos 4 aos 17 anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que não tiveram acesso na data prevista". Isso contrasta com as longas filas de espera de mães que querem matricular seus filhos em creches públicas e que muitas vezes não conseguem. Em São Paulo, por exemplo, a fila andou recentemente, mas há ainda 117,6 mil pedidos não atendidos.

"O Brasil é a sexta maior economia do mundo, mas ainda não deu conta de uma questão fundamental como essa", diz Jacira Melo, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão. Ela estima que o déficit de creches no País seja de 12 mil, citando o programa de combate à miséria do governo federal, que previa a construção de 6.427 creches até 2014, de acordo com uma promessa feita pela presidente Dilma Rousseff durante a campanha eleitoral de 2010. Até agora, como apurou a reportagem do Estado, nenhuma dessas unidades saiu do papel.

A cobrança deverá se voltar para os candidatos a prefeito este ano. Muitos deles se comprometerão a zerar as vagas em creches, um objetivo raramente alcançado em algumas cidades de maior porte. Mesmo quando isso ocorre, muitas creches só aceitam crianças de 4 anos ou mais, estritamente de acordo com a Emenda Constitucional. Mas existem milhares de mães que trabalham e que desejam colocar seus filhos, depois de completados 2 anos, em escolas maternais, que, no Brasil, com poucas exceções, são particulares. Essas mães, que não podem pagar escolas maternais, ficam prejudicadas.

O atendimento público e obrigatório à infância para as classes de mais baixa renda é relativamente recente no País. Com a industrialização, o êxodo rural, a rápida urbanização e a inserção cada vez maior da mulher no mercado de trabalho, a existência de creches ou pré-escolas gratuitas tornou-se uma necessidade, reconhecida como dever do Estado pela Constituição de 1988. Anos depois, foi determinado que os estabelecimentos com mais de 30 funcionárias que não dispusessem de berçários fossem obrigados a pagar auxílio-creche durante o período de amamentação, mediante recibo das instituições especializadas.

Leia na íntegra Prefeitos e creches

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 15 / 03 / 2012

Folha de São Paulo
"Governo cede à base e aceita veto a bebida na Copa-2014" 

Para evitar derrota no Congresso, Planalto recua de acordo com a Fifa

Diante de possível derrota na votação da Lei Geral da Copa na Câmara, o governo cedeu à pressão da base aliada e aceitou retirar da proposta a liberação de bebida alcoólica nos estádios. O texto com a alteração, exigida pela bancada evangélica, deve ser votado na semana que vem - depois seguirá para o Senado.

O Estado de São Paulo
"Após troca de líderes, Dilma perde apoio do PR no Senado" 

'Cansei. PT saudações', diz o líder do partido, Blairo Maggi; rebelião atrasa votação de projetos importantes

Menos de 24 horas depois de inflamar a base aliada com a troca de líderes no Congresso, a presidente Dilma Rousseff perdeu o voto dos sete senadores do PR no Senado, um prejuízo equivalente a quase 10% dos 81 senadores. "Nossa posição é não mais apoiar nem acompanhar o governo no dia a dia", disse o líder do partido no Senado, Blairo Maggi (MT), até então cotado para o Ministério dos Transportes, à ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais). “Estamos há nove meses conversando. Cansei. 'PT saudações'." Com a rebelião na base, a votação de projetos importantes, como o novo Código Florestal e a Lei Geral da Copa, deve demorar “até que choques políticos dos últimos dias passem", disse o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA).

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quarta-feira, março 14, 2012

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Opinião

Bons sinais, não do Brasil

O Estado de S.Paulo
Há sinais de recuperação da economia global, com os Estados Unidos liderando a lenta retomada do crescimento no mundo rico, segundo avaliam os especialistas da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), numa rara mensagem de otimismo. Os países da zona do euro devem ter tocado o fundo do poço e em breve deverão exibir sinais de retomada. O Japão, um ano depois do terremoto seguido de tsunami, também começa a se mover. Em contrapartida, grandes economias emergentes, as mais dinâmicas durante a longa estagnação mundial, parecem perder impulso, mas a maior delas, a China, deve ainda crescer 7,5%, segundo projeção do governo. No conjunto, é um cenário positivo, exceto para o Brasil. Os indicadores combinados da OCDE mostram uma economia brasileira em desaceleração, embora as autoridades nacionais continuem prometendo para 2012 uma expansão de cerca de 4,5%.

O moderado otimismo em relação aos países desenvolvidos combina com os últimos dados disponíveis. Nos EUA, as vendas do comércio varejista aumentaram 1,1% em fevereiro, maior taxa em cinco meses. Esse dado reforça bons indicadores recentes - crescimento econômico anualizado de 3% no quarto trimestre de 2011 e criação de empregos, no mês passado, maior que a prevista pelos mercados. Na zona do euro, a grande notícia dos últimos dias foi a grande adesão dos credores privados à proposta de redução da dívida grega - um calote combinado com os credores. O governo grego ainda terá de executar um difícil e penoso ajuste das contas públicas e reformas politicamente difíceis, mas saiu do sufoco e ganhou um bom tempo. Seus financiadores oficiais deverão liberar em breve a primeira parcela do novo pacote de 130 bilhões, bancado por países da zona do euro e pelo FMI. Até o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäeuble, mostrou-se nesta terça-feira um pouco menos agourento em relação à Grécia. Segundo ele, há uma chance maior, agora, de redução do peso da dívida grega até 2020.

O sucesso na renegociação entre o governo grego e seus credores contribuiu para a melhora de humor nos mercados financeiros, especialmente da Europa. A atuação do Banco Central Europeu (BCE) já vinha facilitando a rolagem das dívidas de vários países e, ao mesmo tempo, elevando a segurança do sistema bancário.

"Os países deverão usar essa fase de estabilidade financeira para avanços adicionais nos programas de reformas necessários para fortalecer seu potencial de crescimento, impulsionar a economia e aumentar a competitividade", disse o presidente do BCE, Mario Draghi. Embora em tom otimista, o discurso de Draghi realça a enorme pauta de ajustes e reformas indispensáveis para o retorno ao crescimento seguro e duradouro. Para alguns governos, como os da Espanha e Portugal, esse conjunto de tarefas será politicamente muito difícil. Na Itália, o governo tecnocrático de Mario Monti conseguiu avanços consideráveis.

Se a avaliação dos técnicos da OCDE for correta, o cenário do mundo rico será melhor do que tem estimado o governo brasileiro. Mas o Brasil tornou-se muito dependente do crescimento da China. Essa dependência resulta, em grande parte, de erros de diplomacia comercial, que negligenciou os mercados desenvolvidos, e da perda de competitividade da indústria brasileira. A situação da indústria reflete as deficiências da política econômica na fixação de prioridades, na promoção de investimentos indispensáveis e na realização de reformas essenciais para a construção de um país mais eficiente.

Leia na íntegra Bons sinais, não do Brasil

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Quarta-feira, 14 / 03 / 2012

Folha de São Paulo
"Governo proíbe venda de cigarro com sabor no país" 

Objetivo da medida, que afeta 22% das marcas, é evitar que jovens fumem

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu o uso de aditivos em cigarros e derivados de tabaco no Brasil. Os fabricantes deverão parar de incluir sabores como menta, chocolate, canela e frutas nos produtos vendidos no país. Os aditivos funcionam como chamariz para os jovens e mascaram o gosto ruim, ajudando a desenvolver a dependência, segundo a agência. A medida se estende para os importados, que só poderão entrar no país se respeitarem as novas regras.

O Estado de São Paulo
"Troca de líderes no Congresso amplia crise na base de Dilma" 

Peemedebistas se queixam das escolhas da presidente e chegam a ameaçar com 'declaração de guerra'

A troca da liderança do governo no Congresso não pôs fim aos atritos na base da presidente Dilma Rousseff. O PMDB entendeu a mudança dos lideres, herdados do governo Lula, como uma operação contra o partido. No Senado, ao substituir Romero Jucá (PMDB-RR) pelo correligionário Eduardo Braga (AM), Dilma criou uma interlocução paralela com as descontentes sem passar pelo senador José Sarney (AP) e pelo líder peemedebista Renan Calheiros (AL). Na Câmara, a presidente escalou Arlindo Chinaglia (PT-SP), que é concorrente do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), na disputa pela presidência da Casa. Embora tenha dito que respeitará o rodízio com o PMDB no cargo, Dilma não convenceu os partidários de Alves. Peemedebistas dizem que uma eventual sinalização de que Chinaglia tentará a presidência da Câmara será vista como uma “declaração de guerra".

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terça-feira, março 13, 2012

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Opinião

Qual política agrária?

O Estado de S.Paulo
Se, na chefia do Ministério do Desenvolvimento Agrário, o deputado Afonso Florence (PT-BA) mereceu o agradecimento da presidente Dilma Rousseff, "por sua importante colaboração à frente da pasta", e ainda teve o reconhecimento formal e explícito pela Presidência da República de que "prestou grandes serviços ao processo de inclusão social no campo" e "participou de ações que fortaleceram a agricultura familiar e ajudaram a melhorar a vida de milhares de brasileiros", por que ele foi demitido do cargo, e de maneira por ele tão inesperada?

Ao noticiar a demissão de Florence, a imprensa rememorou as críticas à sua gestão. Há tempos os movimentos sociais ligados aos trabalhadores rurais partidários da distribuição de terras a qualquer preço vinham se queixando do que consideram a inoperância da pasta e do abandono gradual, pelo governo, dos compromissos históricos do PT com a reforma agrária. Números oficiais recentemente divulgados, com o registro de 22.021 famílias assentadas em 2011 dentro do programa de reforma agrária - o menor dos últimos 16 anos -, deram novo e forte argumento para os críticos. O Núcleo Agrário do PT na Câmara, formado por 14 deputados, anunciou na semana passada que cobraria do governo mudanças nesse quadro e a reafirmação na prática da prioridade para a reforma agrária.

Foi para rebater as críticas ao mau desempenho do Ministério do Desenvolvimento Agrário, reiteradas após o anúncio da demissão, que o Palácio do Planalto divulgou uma segunda nota oficial sobre o episódio - na primeira, protocolar, anunciou a demissão e agradeceu a colaboração do ex-ministro. A nova nota procurou mostrar a eficiência da gestão de Florence, cujos préstimos, porém, o governo dispensava sem nenhuma cerimônia.

É provável que, com a substituição de Florence pelo deputado Pepe Vargas (PT-RS) - da mesma corrente partidária do ministro demitido, a Democracia Socialista, mas da ala gaúcha, o que faz a bancada sulista do partido retomar o Ministério que vinha ocupando desde sua criação, em 2003 -, o governo procure dar uma satisfação aos petistas e militantes dos movimentos sociais que vinham criticando sua política agrária. Especula-se também que, para a substituição de Florence por Vargas, pode ter contribuído a necessidade do governo de recompor a aliança com o PMDB, pois o indicado terá de desistir da disputa pela prefeitura do município gaúcho de Caxias do Sul, o que abre caminho para uma candidatura peemedebista.

Quaisquer que tenham sido os motivos que levaram a presidente Dilma Rousseff a demitir com frieza política o ministro do Desenvolvimento Agrário, o episódio torna ainda mais difícil de entender qual é, afinal, a diretriz do governo para o Ministério do Desenvolvimento Agrário e para o Incra. Declarações dos responsáveis por essa área mostram que, como em outros programas do governo do PT, a política agrária tem objetivos conflitantes.

Leia na íntegra Qual política agrária?

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Manchetes do dia

Terça-feira, 13 / 03 / 2012

Folha de São Paulo
"Após 23 anos, Teixeira sai da CBF e divide poder" 

José Maria Marin assume; Copa fica com Ronaldo e seleção, com Andres Sanchez

Pressionado por denúncias de desvio de dinheiro e recebimento de propina, Ricardo Teixeira renunciou à presidência da CBF, assumida em 1989. Sua saída divide o poder sobre o futebol brasileiro e a Copa de 2014. O sucessor Jose Maria Marin, vice-presidente, diz que ficará no cargo até 2015.

O Estado de São Paulo
"Ricardo Teixeira renuncia à direção da CBF após 23 anos" 

Ex-presidente se diz 'injustiçado'; aliviado, Planalto agenda reunião de Dilma com Blatter sobre Copa

Ricardo Teixeira, um dos mais poderosos dirigentes da história do futebol brasileiro, renunciou ontem à presidência da CBF após 23 anos e em meio a acusações de corrupção e ante diversos impasses em relação à realização da Copa no Brasil. Teixeira disse ser vítima de “injustiça generalizada", mas o ex-jogador Romário declarou: “Exterminamos um câncer do futebol brasileiro". A saída de Teixeira foi considerada um alívio no Planalto - o primeiro efeito foi a decisão da presidente Dilma Rousseff de receber o presidente da Fifa, Joseph Blatter, nesta semana. Agora, o ex-jogador Ronaldo deve assumir o papel de principal interlocutor do comitê da Copa. O novo presidente da CBF é o ex-governador paulista José Maria Marin, que prometeu continuar o "estupendo trabalho" de Teixeira.

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Garotas

segunda-feira, março 12, 2012

Cultura (absolutamente) inútil

Juízo final

Sidney Borges
No dia do Juízo final teremos um encontro de ajuste de contas com São Pedro. Na ocasião haverá a famosa e temida entrevista na qual seremos confrontados com ações terrenas, bondades e maldades. Se durante o período encarnado você foi bonzinho, pagou impostos, escovou os dentes e não rogou pragas nem desejou a mulher do próximo, vai para o Paraíso.

Cheio de mordomias, volkswagem-nuvem novo, casa com varanda e jardim e 5 salários mínimos de aposentadoria perpétua.

Quem cometeu desatinos, bebeu, fumou, faltou à missa e cobiçou a mulherada, tem destino certo: as fornalhas de Belzebú. Lugar para onde vão políticos corruptos e assessores, direto, sem julgamento.

Sem me dar conta fui me estendendo e acabei por não tocar no ponto crucial da questão. Tempo. Hoje somos 7 bilhões de almas entre vituosos, pecadores e políticos.

São Pedro vai entrevistar pessoalmente cada um dos atores. Supondo que cada entrevista dure 1 segundo e que São Pedro trabalhe direto, sem descansar nem ir ao banheiro (?) e sabendo que em um ano há 31,5 milhões de segundos, sua santidade, o Porteiro do Paraíso vai demorar por volta de 220 anos para dar conta da tarefa. O número não é exato por causa dos políticos, que sabemos, vão direto para o fogo. Pelo menos uma boa ação lhes será creditada, vão diminuir a fila antes de virar churrasco.

Por hoje é só. Amanhã falaremos de pulgas albinas.

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Opinião

A TV Cultura ameaçada

O Estado de S.Paulo
Em oportuno artigo publicado na página ao lado (7/3/2012), o ex-ministro Almir Pazzianotto Pinto lança um alerta a respeito da possibilidade de a Fundação Padre Anchieta, pessoa jurídica de direito privado criada há quase 45 anos para gerir a TV e a Rádio Cultura, ser convertida, por decisão judicial, em fundação pública, sujeita, nessa condição, à ingerência direta e aberta do governo do Estado. Afirma o articulista, que foi ministro do Trabalho e presidente do Tribunal Superior do Trabalho: "Serão de tal ordem, e de tão funestas consequências, as transformações decorrentes da alteração de natureza jurídica, que não excluo a ideia do colapso da Fundação Padre Anchieta no caso de julgamento irrecorrível vir a lhe impor mudança da órbita privada para a esfera pública, na qual definhará e acabará estrangulada".

A ameaça que hoje paira sobre a Fundação Padre Anchieta tem origem em demandas trabalhistas de iniciativa de funcionários, individualmente ou em grupos, que ao longo dos anos têm reivindicado os benefícios concedidos pela legislação aos servidores públicos, como estabilidade no emprego e aposentadoria integral. Essas demandas, sistematicamente indeferidas pelo Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo, se fundamentam no argumento de que, por se tratar de uma entidade mantida com recursos públicos, aquela fundação deve ser considerado um ente público, e não privado, como consta de seus estatutos sociais.

Apesar da fragilidade e inconsistência do argumento básico com que funcionários da fundação têm procurado conquistar privilégios reservados aos servidores públicos por um Estado paternalista que só recentemente começa a despertar para a inviabilidade econômica desse sistema a longo prazo, a espada que paira ameaçadora sobre a cabeça da Fundação Padre Anchieta se torna agora mais pesada, uma vez que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) uma ação idêntica à outra, de responsabilidade não mais de funcionários insatisfeitos, mas do Ministério Público do Trabalho. O relator designado, ministro Ricardo Lewandowski, aguarda apenas a manifestação do procurador-geral para levar a questão ao julgamento do plenário.

Uma eventual decisão judicial que altere o status da Padre Anchieta, além dos graves e inevitáveis problemas de ordem administrativa e financeira que acarretará, violentará o espírito com que a entidade foi criada pelo então governador Abreu Sodré, em 1967. Como recorda em seu artigo o ministro Pazzianotto, ao propor para a entidade a condição de pessoa jurídica de direito privado, a intenção de Sodré era mantê-la "livre de ingerência do seu e de futuros governos, de deputados e de partidos políticos". É claro que ao longo de todos esses anos, dependendo do nível das convicções democráticas e republicanas dos governantes de turno, a autonomia da TV Cultura na administração dos conteúdos que leva ao ar, especialmente o noticiário e programas de debates como o tradicional Roda Viva, tem sofrido, em alguma medida, tentativas, às vezes bem-sucedidas, de interferência do governo estadual. Muito recentemente, por exemplo, o Palácio dos Bandeirantes não conseguiu disfarçar sua desaprovação ao fato de o Roda Viva ter colocado sob seus holofotes o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu, o famoso "chefe do mensalão". Mas a reação, até onde se sabe, conteve-se nos limites do jus esperniandi.

Leia na íntegra A TV Cultura ameaçada

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 12 / 03 / 2012

Folha de São Paulo
"Recall do Sem Parar vai afetar 2,5 mi de veículos" 

Aparelho usado para pagar pedágio terá que ser trocado em todo o Estado de SP

Cerca de 2,5 milhões de veículos no Estado de São Paulo terão que trocar, a partir do ano que vem, o dispositivo Sem Parar, equipamento usado para pagar de maneira eletrônica pedágios e estacionamentos, informa Ricardo Gallo. Todos os veículos que têm o Sem Parar - 11% da frota paulista serão afetados. Os motoristas terão de 1° de janeiro de 2013 a 7 de novembro de 2014 para trocar os aparelhos chamados de "tags". O modelo atual será vendido até o fim deste ano.

O Estado de São Paulo
"Só 6 produtos representam 47% do que o Brasil exporta" 

Em 2006, participação dessas matérias-primas era de 28,4%; desaceleração da China amplia problema

Apenas seis grupos de produtos – minério de ferro, petróleo bruto, complexo de soja, carne, açúcar e café - representaram 47,1% do valor exportado pelo Brasil no ano passado. Em 2006, essa participação era de 28,4%. Esse aumento da dependência preocupa mais porque a China, o maior comprador das matérias-primas brasileiras, anunciou que reduziu sua meta de crescimento de 8% para 7,5% o ano. Esse novo crescimento chinês ainda é expressivo para qualquer país, mas, neste momento, cria um fato negativo para a cotação das commodities", diz o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, José Augusto de Castro. Em fevereiro, o Índice de Preços de Commodities do Banco Central caiu 2,96% na comparação com janeiro e, em 12 meses, teve queda de 12,68%.

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domingo, março 11, 2012

Viajando vamos vivendo...

Original aqui

Ubatubenses...

Espertices litorâneas

Sidney Borges
Arthur Drewry, cidadão inglês, era o presidente da Fifa em 1958. Apesar do propalado espírito esportivo dos súditos britânicos, estava na hora de ganhar uma copa, afinal de contas os ingleses inventaram o esporte que consagrou Dunga.

Assim, se não fosse possível vencer com a esquadra principal, talvez fosse com a do País de Gales, ou da Escócia, ou mesmo da Irlanda.

O Brasil ganhou a copa depois de enfrentar duas equipes da Commonwealth, Inglaterra (0x0) e País de Gales (1x0).

Nas eleições de 2012, em Ubatuba, a situação trama para jogar de forma semelhante à dos britânicos em 1958. Tem o candidato titular e tem o País de Gales tamoio, que faz de tudo para parecer opositor, mas deixa transparecer o jogo de cena. A cidade sabe do arranjo e comenta abertamente os planos do financiador da candidatura.

Será que vai funcionar? Em 1958 não deu certo...

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Opinião

Menos pobres, apesar da crise

O Estado de S.Paulo
Um dos efeitos sociais mais dramáticos previstos no início da crise global iniciada em 2008 - e por isso mais temido pelos governos dos países em desenvolvimento e pelas organizações internacionais voltadas para o combate à pobreza no mundo - felizmente não se confirmou. A crise continua a afetar duramente a economia dos países industrializados, mas, ao contrário do que se temia, não interrompeu o processo de contínua redução da pobreza extrema no mundo, iniciado há alguns anos. Há hoje, proporcionalmente, muito menos pessoas vivendo em situação de pobreza extrema do que havia há quatro anos.

Certamente a alta dos preços dos alimentos, a alta dos combustíveis e a crise financeira dos últimos anos afetaram a vida das populações mais vulneráveis do planeta e desaceleraram o ritmo de redução da pobreza, mas, como constatou um estudo recentemente lançado pelo Banco Mundial (Bird), ela continuou a diminuir.

De acordo com estatísticas preliminares correspondentes a 2010, a proporção da população vivendo em condições de pobreza extrema - pessoas que vivem com menos de US$ 1,25 por dia - se reduziu para menos da metade do nível observado em 1990. Isso significa que, das Metas de Desenvolvimento para o Milênio fixadas pela ONU para serem alcançadas até 2015, a primeira delas - a redução pela metade da pobreza extrema no mundo - foi cumprida com cinco anos de antecedência.

É um quadro bem diferente do que havia traçado o próprio Banco Mundial no fim de 2008, pouco depois do início da crise global. "O desemprego está aumentando nos países industrializados e a pobreza deve aumentar nos países de renda baixa e média, trazendo consigo uma deterioração substancial nas condições de vida enfrentadas pelas pessoas em situação mais vulnerável", previu então o Bird, como lembrou reportagem do jornal The New York Times reproduzida pelo Estado (8/3).

As crises anteriores nos países ricos espalharam seus efeitos pelo resto do mundo, sem exceção. Desta vez, porém, as consequências mais agudas são observadas nos EUA e em parte da União Europeia, cujas economias se debatem numa longa recessão. Elas não chegaram aos países em desenvolvimento, ou chegaram bastante mitigadas. "Trata-se de ótimas notícias para todos os envolvidos, pois o crescimento nos países em desenvolvimento também ajuda os países desenvolvidos", disse o pesquisador Charles Kenny, do Centro para o Desenvolvimento Global, ao New York Times.

O estudo do Bird mostrou que, entre 2005 e 2008, a proporção de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza diminuiu em todas as regiões do mundo em desenvolvimento. Em 1981, 52% da população do planeta vivia com menos de US$ 1,25 por dia; hoje, 22% estão na pobreza extrema. Pela primeira vez desde 1981, quando o Bird começou a divulgar estatísticas sobre o problema, a proporção da população da África Subsaariana vivendo na pobreza extrema ficou abaixo de 50%. O índice de pobreza nessa região aumentou na década de 1990 e, em 2002, ainda se mantinha em 55,7% da população. Em 2008, havia baixado para 47,5%

Nos últimos anos, a redução do número de pobres decorreu do crescimento expressivo de países com grandes populações, como China, Índia e Brasil. O alto preço das commodities, sobretudo as agrícolas, bem como as condições de mercado e o fluxo de investimentos para os mercados emergentes igualmente contribuíram para melhorar o quadro social nos países em desenvolvimento.

Leia na íntegra Menos pobres, apesar da crise

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Manchetes do dia

Domingo, 11 / 03 / 2012

Folha de São Paulo
"Acesso à pílula do dia seguinte ainda é precário no SUS" 

Unidades de saúde exigem receita para liberar contraceptivo de emergência e presença de responsáveis por adolescentes

Quase uma década após o início da distribuição da pílula do dia seguinte no SUS, o acesso ao contraceptivo de emergência é precário. Além da escassez, as unidades de saúde exigem receita para liberar a droga, que só previne a gravidez se ingerida até 72 horas após o ato sexual. Muitas vezes, porém, não há médico para fazer a prescrição e uma consulta com um ginecologista pode demorar até dois meses. Nas farmácias, as mulheres conseguem comprar o medicamento sem receita, o que é ilegal, por preços que variam de R$ 9 a R$ 23. Segundo especialistas, a exigência amplia desigualdades no acesso à pílula. Para as adolescentes, a dificuldade é maior. Embora o Ministério da Saúde garanta o direito ao sigilo, muitos postos exigem a presença de pais ou responsáveis para liberar a droga.

O Estado de São Paulo
"Base cobra novo modelo de relação com Dilma" 

Aliados querem redução do poder do PT, mais diálogo entre parlamentares e liberação de emendas

A crise na base do governo no Congresso já tem sua primeira conseqüência. Os principais dirigentes dos partidos integrantes da coalizão da presidente Dilma Rousseff querem um novo modelo de relacionamento com o Planalto, com menos poder para o PT, mais diálogo entre os parlamentares e o cumprimento das promessas de liberação das emendas, informa o repórter João Domingos. Os aliados acham que o PT leva muita vantagem sobre os demais 16 partidos da coalizão na ocupação dos espaços. “Nossos ministérios não dispõem de verbas para que possamos anunciar obras nos municípios. Ficamos na dependência do PT”, afirma o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). Na próxima terça-feira, Dilma tentará fazer gesto público de conciliação para apaziguar os aliados, informa a repórter Vera Rosa.

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