sábado, fevereiro 25, 2012

Pintura metálica

Chrysochus auratus - Foto: Alex Wild

Editorial da Folha de São Paulo

Faxina completa

Exigência óbvia, ficha limpa nas nomeações para cargos nos governos municipais e estaduais não deveria necessitar de leis específicas

Não há muito a ser criticado na proposta de impedir legalmente a nomeação de fichas-sujas para o serviço público da capital e do Estado de São Paulo. Exceto, sem dúvida, o fato de que a inovação tenha sido considerada necessária.

Era de esperar que, em cargos dependentes da aprovação direta e pessoal do prefeito ou do governador, fosse impensável nomear alguém já condenado em tribunais de segunda instância.

Muitos leitores terão ficado surpresos, entretanto, com a informação de que, aplicados os critérios da Lei da Ficha Limpa, tanto o prefeito Gilberto Kassab (PSD) quanto o governador Geraldo Alckmin (PSDB) teriam de demitir nomes de relevo nas suas administrações.

O secretário de Participação e Parceria do município, Uebe Rezeck, foi condenado em segunda instância por improbidade administrativa. No governo estadual, Bernardo Ortiz, da Fundação para o Desenvolvimento da Educação, padece do mesmo problema.

No caso da prefeitura, cogita-se aprovar uma lei impedindo formalmente tais nomeações.

Rezeck não seria atingido, porém, pela modificação: segundo o presidente da Câmara Municipal, a nova legislação não teria efeito retroativo. "Vamos avançar com o ritmo que é possível", declarou o vereador José Police Neto (PSD).

Mais delicada é a situação do governador Alckmin, que pretende instituir por decreto de sua própria iniciativa uma exigência retroativa que afastaria seu correligionário Bernardo Ortiz do cargo que agora ocupa. Demitir e depois decretar? Decretar e depois demitir?

As alternativas deixariam de ter significado caso fosse seguido, em qualquer governo, o que parece recomendação mínima de prudência: não colocar em cargos públicos nomes envolvidos em complicações mais sérias na Justiça.

Ao mesmo tempo, há paradoxos na ideia de transpor para cargos de confiança aquilo que, na Lei da Ficha Limpa, vale para cargos eletivos. Em tese, essa lei serviria como um filtro a proteger o eleitor de uma escolha desinformada.

Já não são poucos os problemas de princípio associados a isso: limita-se a soberania do eleitor, que poderia, de fato, querer escolher alguém mesmo sabendo-o corrupto. O desejo de moralidade pública, amplamente reconhecido, prevaleceu sobre esse raciocínio.

Mas não haveria desculpa, nem necessidade de impedimento legal, para um administrador que escolhesse, com pleno conhecimento, um auxiliar já condenado em segunda instância. O Brasil, todavia, é um país em que uma lei tão esdrúxula se faz, de fato, necessária.

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Abelha

Colunistas

Geopolítica: o vírus letal e o declínio do império americano

“O que sobe tem que cair. Inevitavelmente. E o vírus da concentração de riqueza nas mãos de 1% inevitavelmente é letal. Para ‘eles’, naturalmente”

Márcia Denser
Um minucioso, lúcido e irrefutável artigo de Noam Chomsky para a Al Jazeera (vinculado pela Carta Maior na última terça-feira) colocando numa perspectiva, no mínimo, realista (pra não dizer brutal) razões, motivações e fatos que conduzem a um raciocínio sobre o declínio real dos EUA nos últimos anos, merece, a meu ver, ser aqui parcialmente reproduzido: fonte tão boa e honesta o leitor mundial não terá outra, isso ele pode apostar.

Exemplo lapidar do que se está afirmando sobre a ausência absoluta de confiabilidade da mídia é um diálogo do hacker Justin Long com Bruce Willis no filme Duro de Matar 4.0 (2007): quando BW liga o rádio, sintonizando as notícias para saber o que está acontecendo, o jovem lhe ri na cara e dispara: “Você ainda acredita no que diz a mídia coorporativa, vovô? (e isto implica toda a mídia do planeta). Há muito, nós, jovens, não a ouvimos. Ela só presta pra duas coisas: infundir medo na população e nos fazer consumir cada vez mais besteiras que não precisamos!”.

Síntese admirável, não?

Voltando a Chomsky. Este afirma que, há algum tempo, os Estados Unidos entraram numa nova fase: a do declínio auto-infligido. Desde os anos 70, ocorrem mudanças significativas na economia dos EUA à medida que estrategistas – estatais e do setor privado – passaram a conduzi-la para a financeirização e à exportação de plantas industriais. Essas decisões deram início ao círculo vicioso no qual a riqueza e o poder político se tornaram altamente concentrados, os salários dos trabalhadores se estagnaram e a carga de trabalho aumentou, bem como o endividamento das famílias.

No item “Perdendo a China e o Vietnã”, ele observa que, olhando de perto o declínio americano, a China joga um grande papel nele, como já o fazia há 60 anos, uma vez que o declínio não é um fenômeno recente. Ele remonta ao fim da Segunda Guerra Mundial, quando os EUA possuíam a metade da riqueza do mundo, dispondo de níveis globais de segurança incomparáveis. E os estrategistas políticos estavam conscientes dessa enorme disparidade de poder e pretendiam mantê-la assim.

Citando George Kennan, “um pacifista moderado”, este observa que o objetivo político central era manter a “posição de disparidade” que separava a nossa enorme riqueza da pobreza dos outros. E para alcançar esse objetivo “nós deveríamos parar de falar de objetivos irreais, como direitos humanos, elevação do padrão de vida e a democratização”, e “lidar com conceitos estritos de poder, não limitados por slogans idealistas como altruísmo e o benefício do mundo”. (grifos meus). Kennan estava se referindo especificamente à Ásia, mas as observações dele se generalizaram, com exceções, aos participantes do atual sistema de dominação global dos EUA. Ficou bastante claro que os “slogans idealistas” deveriam ser apresentados sobretudo quando dirigidos aos outros, inclusive às classes intelectualizadas, das quais se esperava que os disseminassem. (novamente grifo meu)

Chomsky: “O plano de Kennan ajudou a formular e a implementar a tomada de controle dos EUA do Hemisfério Oeste, do Extremo Leste e das regiões do ex-império britânico (incluindo os  recursos energéticos do Oriente Médio), e o quanto foi possível da Eurásia, sobretudo seus centros comerciais e industriais. Esses não eram objetivos irreais, dada a distribuição do poder. Mas o declínio foi então definido de vez. Em 1949, a China declarou independência, um evento conhecido no discurso americano como “a perda da China”. A terminologia é reveladora. Só é possível perder o que, em algum momento, se teve. A aceitação implícita, geral, era que os EUA tinham a China por direito, juntamente com a maior parte do resto do mundo.”

Para Chomsky, a  “perda da China” foi o primeiro grande passo do “declínio americano”. Foi o que teve grandes consequências políticas. Uma delas foi a decisão imediata de apoiar o esforço francês de reconquista da sua ex-colônia da Indochina, para que esta também não fosse “perdida”. A Indochina em si não era a preocupação maior, a despeito das afirmações de suas riquezas naturais por parte do presidente Eisenhower e outros. A preocupação maior era antes com a “teoria do efeito dominó” (frequentemente ridicularizada – enquanto os dominós não caem), mas permanece um princípio regulador da política, porque é bastante racional. Para adotar a versão Henri Kissinger dele, uma localidade que cai fora do controle, pode se tornar um “vírus” que irá “contagiar”, isto é, induzir outros a seguir o mesmo caminho.

No caso do Vietnã, a preocupação era que esse vírus do “desenvolvimento independente” pudesse infectar a Indonésia, rica em recursos. E isso podia levar o Japão – o “superdominó” – a “acomodar” uma Ásia independente como seu centro tecnológico e industrial num sistema que escaparia do alcance do poder dos EUA. Isso significaria, com efeito, que o EUA haviam perdido a fase “Pacífico da Segunda Guerra”, a qual tentou impedir que o Japão estabelecesse uma Nova Ordem na Ásia.

O modo de lidar com o problema é claro: destruir o vírus e “inocular” aqueles que podem ser infectados. No caso do Vietnã, a escolha racional era destruir qualquer esperança de desenvolvimento independente bem sucedido e impor ditaduras brutais no entorno. Essas tarefas foram levadas a cabo com sucesso – embora a história tenha sua própria astúcia, e algo similar ao que era temido desde então se desenvolveu no Leste da Ásia. Para consternação de Washington.

Anos após os grandes eventos de 1965, o conselheiro para Assuntos de Segurança Nacional de Kennedy e Johnson, McGeorge Bundy, refletiria que teria sido sensato acabar com a guerra do Vietnã a tempo, destruindo-se o “vírus” virtualmente e, o principal, mantendo-se o “dominó” solidamente em seu lugar, no esteio de outras ditaduras apoiadas pelos EUA. Procedimentos similares eram rotineiramente seguidos em outros lugares.

Kissinger concentrou-se especialmente na ameaça da democracia socialista no Chile. Tal ameaça acabou em outra data esquecida, que os latino-americanos chamam de “O Primeiro 11 de Setembro” que, em violência e efeitos nefastos, excedeu em muito o outro 11 de Setembro – no caso, a ditadura do General Pinochet, como parte da praga de repressão brutal que se espalhou pela América Latina e América Central nos anos Reagan (a propósito, ver também Naomi Klein no livro “A doutrina do choque”, 2006).

Esse vírus tem gerado preocupações profundas aqui e ali, inclusive no Oriente Médio, onde a ameaça de um nacionalismo secular tem consternado os estrategistas britânicos e estadunidenses, induzindo-os a apoiar o fundamentalismo islâmico para opor-se a ele.

Mesmo com tais vitórias, o declínio americano continuou. Por volta de 1970, a parte da riqueza do mundo dos EUA saltou para 25%, basicamente onde está hoje, concentração ainda colossal, mas bastante inferior àquela de fins da Segunda Guerra. Nessa época, o mundo industrial era “tripolar”: a base norte americana, a europeia, da Alemanha, e a do Leste da Ásia, já a região industrial mais dinâmica, naquele tempo com base no Japão, mas hoje incluindo as ex-colônias japonesas de Taiwan e o Sul da Coréia, e mais recentemente a China.

Foi nesse período que o declínio americano tornou-se auto-infligido, à medida que os estrategistas econômicos passaram a conduzi-lo para a financeirização e exportação de plantas industriais, levadas a cabo em parte pelo declínio da taxa de lucro na indústria doméstica. Essas decisões deram início ao círculo vicioso no qual a riqueza se tornou altamente concentrada (dramaticamente nos 0,1% da população), levando à concentração de poder político, e então à desregulação e às mudanças nas regras da administração corporativa – o que permitiu imensos ganhos para os executivos – e por aí vai.

Enquanto isso, para a maioria, os salários reais foram majoritariamente estagnados e ao povo só restou aumentar a carga de trabalho (muito além da europeia), a dívida insustentável e as repetidas bolhas, desde os anos Reagan; criando riquezas de papel que desapareciam inevitavelmente quando a bolha estourava (e seus perpetradores eram resgatados pelos contribuintes). Paralelamente, o sistema político foi se fragmentando, enquanto ambos os partidos mergulhavam cada vez mais nos bolsos das corporações com a escalada do custo das eleições. Os republicanos ao nível do absurdo e os democratas – agora “ex-republicanos moderados” – não ficando muito atrás.

E Chomsky conclui: “Um estudo recente do Instituto de Política Econômica, que tem sido a maior fonte de dados respeitáveis sobre o desenvolvimento, é chamada Failure by Design (Fracasso por Ecomenda]. A frase “by design” é acurada. Outras escolhas eram certamente possíveis. E como mostra o estudo, o “fracasso” tem um corte de classe. Não há fracasso para os “designers”. Longe disso. As políticas fracassaram para a imensa maioria, os 99%, na imagem dos movimentos Occupy, e para o país, que tem declinado e continuará a fazê-lo sob essas políticas.”

Pois é, pelo “re-design” dos atuais estrategistas, “perda” e “fracasso” são conceitos que se “relativizam”: se foi para 99% da população norte-americana e mundial, azar. Mas, inexoravelmente, prossegue o declínio” do Império do 1%, prova irrefutável que a realidade não se deixa “relativizar” de modo algum: o que sobe tem que cair. Inevitavelmente. E o vírus da concentração de riqueza nas mãos de 1% inevitavelmente é letal. Para “eles”, naturalmente.

Porque nós já “morremos”.

Publicado originalmente no "congressoemfoco".

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Opinião

A USP e seus desafios

O Estado de S.Paulo
Maior instituição de ensino superior do País, com um orçamento de R$ 3,3 bilhões e cerca de 6 mil professores, 16,1 mil funcionários e 88,9 mil alunos de graduação e pós-graduação, a Universidade de São Paulo (USP) está pagando, com decisões equivocadas, o preço de seu gigantismo.

Na semana passada, o Conselho de Graduação (CoG)aprovou a proposta da pró-reitora Telma Zorn de premiar os docentes mais bem avaliados com equipamentos eletrônicos e até o financiamento de viagens para participação em congresso internacionais. Pela decisão, os professores que lecionam nos 240 cursos de graduação da USP ficam sujeitos a um regime de pontuação que leva em conta, entre outros itens, a "empatia" com os alunos, número de livros didáticos escritos, as atividades de orientação de trabalhos de conclusão de curso aprovados com louvor e de trabalhos de iniciação científica premiados, a oferta de disciplinas optativas livres e a coordenação de turmas.

Os docentes que quiserem concorrer aos prêmios devem se inscrever nos departamentos ou ser indicados por alunos e colegas de carreira. Cada uma das 42 unidades da USP selecionará, por meio de suas respectivas comissões de graduação, três professores, que serão premiados com uma placa personalizada. O primeiro colocado receberá um notebook e um projetor multimídia e terá seu nome enviado para a avaliação final do CoG, que vai designar - com os mesmos procedimentos das 42 unidades - os seis premiados de toda a USP.

A criação do prêmio foi justificada pela pró-reitora Telma Zorn como uma forma de estimular os docentes a "valorizarem a graduação". A iniciativa, contudo, foi mal recebida por parte da comunidade acadêmica. Nas redes sociais, alguns professores consideraram a premiação "digna das promoções mais bizarras do comércio". Outros classificaram a premiação como o "Baú da felicidade docente" e afirmaram que o CoG transformou em escárnio a discussão sobre a reforma dos cursos de graduação da USP, que, em sua maioria, estão com currículos ultrapassados e defasados da realidade do mercado de trabalho. "Dar computador e iPad parece coisa de programa de auditório. É até caricato", diz o professor Luís Renato Martins, da Escola de Comunicação e Artes.

As críticas mais contundentes partiram da Associação dos Docentes da USP. Segundo a presidente da entidade, Heloisa Borsari, antes de avaliar o desempenho dos professores a instituição deveria melhorar as condições de trabalho a que estão submetidos, com classes lotadas e falta de equipamentos básicos em sala de aula, como retroprojetores e aparelhos de power point.

O maior problema é a sobrecarga dos docentes de graduação, pois as vagas deixadas pelos que se aposentam não estão sendo mais preenchidas. Como decorrência, há disciplinas que deixaram de ser oferecidas. Em documento enviado à Assembleia Legislativa, a Reitoria reconhece que a USP se encontra em situação crítica. Segundo o texto, dos cerca de 6 mil docentes em atividade, 25% já estão em condições de se aposentar. Pelas estimativas da Reitoria, nos próximos cinco anos a instituição perderá 40% de seu corpo docente, por causa das aposentadorias. Para tentar contornar a situação, o governador Geraldo Alckmin enviou projeto à Assembleia pedindo autorização para contratar 2,7 mil professores.

Para a Reitoria, as vagas deixadas pelos docentes que se aposentam só podem ser preenchidos com prévia autorização legislativa. Segundo a Reitoria, quando elaborou seu projeto de expansão, na década de 60, a USP contratou grande número de professores - e eles estão atingindo os 70 anos, idade máxima de permanência no serviço público. Por seu lado, as entidades docentes acusam o reitor Grandino Rodas de ter privilegiado a construção de novos edifícios, inclusive em bairros nobres da capital, transferindo para as obras verbas antes destinadas ao setor de recursos humanos da USP. O ano letivo de 2012 vai se iniciar em meio a mais um embate entre setores do corpo docente e os dirigentes universitários sobre o futuro da USP.

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Manchetes do dia

Sábado, 25 / 02 / 2012

Folha de São Paulo
"Serra decide concorrer à Prefeitura de São Paulo" 

Tucano cogita disputar às prévias do PSDB para escolher candidato do partido

O ex-governador José Serra decidiu entrar na corrida à Prefeitura de São Paulo e admite a possibilidade de se inscrever nas prévias convocadas pelo PSDB. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (PSD) se reuniram ontem à noite com Serra para discutir os detalhes da candidatura. Para evitar um desgaste político, Serra não quer que as prévias, marcadas para o dia 4, sejam canceladas. O partido estuda a possibilidade de convencer os pré-candidatos a se retirarem do processo e até o adiamento da disputa interna. A decisão foi tomada após meses de indefinição que paralisaram o maio: partido de oposição do governo, que teme perder a hegemonia em São Paulo para o PT.

O Estado de São Paulo
"Serra discute candidatura com Alckmin e pode ir às prévias" 

A informação foi antecipada ontem no portal estadão.com.br

José Serra reuniu-se com o governador Geraldo Alckmin para discutir sua entrada como candidato à Prefeitura de São Paulo. Os dois analisam uma eventual participação do ex-governador na prévia do PSDB, marcada para 4 de março. A operação foi apontada como a forma menos desgastante de colocar Serra na disputa eleitoral. Os pré-candidatos José Aníbal (secretário de Energia) e Ricardo Tripoli (deputado federal) dizem que não vão desistir. A saída passaria a ser a participação de Serra com apoio dos outros dois pré-candidatos: os secretários Andrea Matarazzo (Cultura) e Bruno Covas (Meio Ambiente). No encontro com Alckmin, no entanto, Serra ressaltou que ainda não tomou uma decisão sobre candidatura.

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Sem escola, nada rola...

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Comentário

Amigo Celsinho,

Acompanho religiosamente sua coluna semanal. Variam os temas, e o tratamento telegráfico e objetivo que você encontrou a tornam leve e atraente.

Mas na de hoje “Fundamentos”, você se superou. É uma lição de vida, de experiência e transmite ânimo.

Sua melhor expressão está na frase “... a persistência, a reflexão, a resignação e a criatividade, combinadas, indicam caminhos extraordinários.”

Trata-se de um GPS para a vida. É universal como conduta, serve tanto para problemas empresariais como para todos os tipos de situações, desde estar perdido na floresta, no asfalto, na vida, até para pequenas escolhas e relacionamentos do cotidiano.

Parabéns,

Um forte abraço,
extensivo ao professor Sidney Borges

Renato Nunes

P.S.
Utilizei-a como gabarito para analisar os 55 anos que conheço de nossa cidade e fiquei chocado. Nos momentos críticos que ensejaram mudança de rumos sempre faltaram os quatro quesitos que você reuniu em sua frase.

Carnaval no formigueiro

Coluna do Celsinho

Fundamentos

Celso de Almeida Jr.
Esta época sempre me marcou.

É a ocasião em que se consolida o número de alunos que atenderemos no ano letivo.

Por décadas, este momento sinaliza se sofreremos ou não.

O cálculo é simples: matrículas efetivas, custos operacionais, reserva técnica, percentual estimado de inadimplência e...pronto!

Não há complexidade no planejamento financeiro de uma escola.

Difícil é tocar um restaurante, um mercado, uma casa comercial, uma prestadora de serviços, cujo fluxo de clientes, em cidades como a nossa, é muito difícil de prever.

Felizmente, tudo indica, 2012 garantirá relativo sossego na gestão do colégio.

Que assim seja... amém!

Alcançamos a meta e a escola tem a confiança das famílias, contando atualmente com pais e professores que já foram nossos alunos.

Gratificante história, construída em 34 anos, diga-se de passagem.

Mas, nem sempre foi assim.

Terrível era alcançar o pós-carnaval sabendo que a receita anual seria insuficiente, prevendo a inevitável inadimplência que tanto atordoa este setor.

Aí, prezado leitor, querida leitora, a angústia batia à porta e pedia malabarismos dignos de um profissional circense.

Grandes atrasos de salários, impostos represados, ações trabalhistas, boatos diversos e críticas de toda ordem exigiam postura de monge tibetano.

Felizmente, sempre tive muita paciência para lidar com situações difíceis, aprendendo com amigos queridos que a persistência, a reflexão, a resignação e a criatividade, combinadas, indicam caminhos extraordinários.

Familiares, amigos, funcionários, pais de alunos...

Tanto apoio nas horas críticas tornou a jornada mais suave, iluminando o pensamento, contribuindo na correção do rumo.

Não considero necessário relacionar os nomes que guardo no coração.

Para ilustrar, porém, contarei uma singela passagem.

Na desistência de um competente professor, não me restou opção a não ser entrar em sala.

Matemática sempre foi meu forte, com a base reforçada nos quatro únicos semestres na
Escola Federal de Engenharia de Itajubá.

Mas, convenhamos, substituir um excelente professor não é tarefa para um meio engenheiro...

Amenizei a situação com uma alternativa inusitada.

Na parte final da aula, para dar um tempero, vez ou outra eu contava com o Sidney Borges, que lecionava Física em nosso colégio.

O rito era o seguinte: ele aparecia na porta da sala; eu o convidava para entrar e dar alguns exemplos do assunto que eu tratava.

A passagem do giz tinha certo simbolismo, revelando aos alunos o meu reconhecimento pela elevada competência do mestre e amigo.

Para quem não sabe, Sidney Borges, editor do Ubatuba Víbora, é um excelente professor de Física e Matemática, tendo lecionado em conceituadas escolas e cursinhos na capital paulista.

As participações do Borges nas minhas aulas, sem custos para o colégio, valendo-se de alguns de seus intervalos da Física, garantiram o diferencial que eu precisava, prendendo a atenção e não comprometendo o aprendizado da garotada.

Hoje, o Sidney Borges produz com o professor Nicolau Gilberto Ferraro conteúdo para o blog Os Fundamentos da Física, disponibilizando gratuitamente aulas e exercícios de excelente nível.

Mais uma vez, pedi.

Ele, claro, topou.

Em nosso novo espaço informatizado, utilizaremos este recurso para incrementar as aulas dos jovens alunos, contando, quando possível, com a participação do mestre, ao vivo.

Talento e generosidade.

A vida e seus fundamentos.

O amigo, novamente, estendendo as mãos.

Visite: www.osfundamentosdafisica.blogspot.com

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Opinião

Uma nova direita, por que não?

João Mellão Neto - O Estado de S.Paulo
A resistência da opinião pública à direita se explica: a direita foi a principal força civil a sustentar a ditadura. E os militares, no período, jamais respeitaram os direitos humanos e as garantias individuais de ninguém.

Por causa disso, um fenômeno raro na maior parte do mundo ocorreu no Brasil: nas últimas eleições presidenciais os principais concorrentes eram dois candidatos assumidamente esquerdistas. Cada um deles foi apoiado por uma constelação de partidos menores cujo único ponto em comum é a inclusão das palavras social e socialista em suas siglas. Até os mais empertigados empresários, no País, alegam ser dotados de "consciência social". Em resumo, não existe aqui nenhum partido estruturado que defenda ideias de direita. Até segunda ordem, todos os gatos são pardos. Esse fenômeno é curioso porque as teses da direita não são de difícil entendimento, ao contrário, elas têm muito que ver com o que a maioria das pessoas pensa. O que precisa mudar é a forma de abordagem: conquistam-se os homens mais pelas ideias do que pelas baionetas.

Talvez por medo do impressionante avanço comunista durante a guerra fria, nossos melhores pensadores de direita acabaram por se engajar no movimento dos generais. Isso foi fatal para eles: perderam sua moral e sua credibilidade.

Mas o pensamento da direita ainda existe. E está bem vivo tanto na Europa como nos Estados Unidos. A maioria dos governos no Velho Continente é de direita - Alemanha, França, Itália, Grã-Bretanha, Portugal, Espanha. Será que os povos de todos esses países simplesmente não sabem votar? Seríamos nós, aqui, nos rincões da América Latina, os únicos que conhecem a verdade? Deveríamos, então, doutriná-los, mostrar-lhes qual é, de fato, o "caminho justo"?

Na verdade, o "caminho justo" boa parte deles já conhece. E quer distância dele. São os povos da Europa do Leste, os quais, depois da 2.ª Guerra Mundial, foram obrigados a ser felizes à maneira da União Soviética. Angela Merkel, que cresceu do lado de lá, hoje é a chanceler dos alemães. E chegou a esse posto por defender ideias conservadoras.

Afinal, o que é a direita? Ela se divide em duas vertentes: a conservadora e a liberal. E embora ambas pensem de forma semelhante, não é sempre que estão de acordo. Sobre os liberais trataremos em outro artigo. Façamos uma breve descrição do pensamento conservador.

O primeiro autor a retratar o conservadorismo foi o irlandês Edmund Burke, no final do século 18. Seu livro Reflexões sobre a Revolução na França e sobre o Comportamento de Certas Comunidades em Londres Relativo a esse Acontecimento foi uma resposta aos excessos cometidos pela Revolução Francesa. Segundo Burke, todas as reformas necessárias poderiam ter sido implantadas sem derramamento de sangue, ou a execução de seu rei.

E o que é o pensamento conservador? Em primeiro lugar, o conservador entende que os pensadores atuais são meros anões nos ombros de gigantes do passado. Eles acreditam enxergar mais longe, mas isso se dá unicamente em função da estatura de seus antecessores. No que tange a ideias, tudo o que existe já foi pensado ou implantado no passado. A única que medrou foi a da democracia liberal - conceito que foi mais bem desenvolvido por Karl Popper na sua obra Sociedade Aberta e os Seus Inimigos.

Os conservadores, por entenderem - como Platão - que a prudência é a maior da virtudes, levam muito a sério o que denominam "teste do tempo". A ideia subjacente disso é a de que o passar dos anos é o grande algoz das falsas ideias. Elas surgem, empolgam e algum tempo depois desaparecem ou caem em desuso. Se isso é válido até para as ciências, que dirá, então, da sociedade?

O conservador entende que, apesar do gigantesco avanço tecnológico dos tempos recentes, praticamente em nada se evoluiu em termos de moral ou de política. Apesar do conforto material ser muito maior, será que tivemos algum avanço em termos de felicidade? Provavelmente, não. O homem é até mais infeliz porque foi desentranhado de seu hábitat natural. E esse hábitat era harmonioso, uma vez que fora o resultado de séculos e séculos de arranjos sociais, todos eles decorrentes de tentativas e erros através da História.

Nunca é recomendável se atirar com ímpeto nas novas concepções de mundo. Primeiro, porque os radicais, apesar de ridicularizarem os nossos usos e costumes e questionarem as nossas instituições, nunca se mostraram capazes de construir algo melhor do que o que antes existia. As mudanças devem sempre existir, mas na forma de aperfeiçoamentos, jamais de ruptura. As pessoas têm de entender que o "novo" não é necessariamente melhor que o "velho".

Outra forte razão para não dar ouvidos aos radicais é que, após tantos séculos de civilização, é, no mínimo, improvável que nós, modernos, venhamos a descobrir algo de realmente novo em termos de moral, política ou arranjos sociais. Nenhuma ideia é plenamente nova. Tudo já foi pensado e idealizado. E se não foi implantado, é porque se mostrou inviável. Os conservadores, defendendo a ideia de que o livre-arbítrio existe, jamais culpariam a sociedade, em geral, por o malfeitor ser o que é. Todas as pessoas são dotadas de consciência, ninguém há de se compadecer dos malfeitores.

O conservador, por fim, entende que a ordem moral é um valor permanente no universo. Se uma sociedade se pautar por um forte sentido de certo e errado, por uma ordem moral duradoura e por convicções pessoais sobre honra e justiça, ela prosperará. Mas se, por outro lado, não passar de uma malta de indivíduos ignorantes das normas e convenções, voltados exclusivamente para a imediata satisfação de seus apetites primários, essa sociedade, por melhor que seja o seu governo, desaparecerá.

*Jornalista, foi deputado, secretário e ministro de Estado.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 24 / 02 / 2012

Folha de São Paulo
"Promotoria acusa empresa ligada a Teixeira de desvio" 

Firma recebeu dinheiro público para organizar jogo da seleção, mas despesas já haviam sido pagas, afirma Ministério Público

Empresa ligada a Ricardo Teixeira, chefe da CBF, desviouR$1,1 milhão do jogo Brasil x Portugal, diz Ministério Público. Despesas que deveriam ser custeadas pela Alianto, que recebeu verba do governo do DF para organizar o jogo, foram pagas pela Federação Brasiliense. Segundo a investigação, o dinheiro usado para pagar as depesas veio da bilheteria do amistoso, ocorrido em 2008. Para a Promotoria, esses recursos deveriam ir para o governo distrital, mas foram desviados para financiar gastos da Alianto, informa Filipe Coutinho.

O Estado de São Paulo
"ONU acusa ditador sírio de ordenar massacres" 

Lista com autoridades acusadas de crimes contra a humanidade pode servir para futuro julgamento

A comissão da ONU que investiga o conflito na Síria. liderada pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, concluiu que os crimes contra a humanidade no país foram ordenados pela cúpula do regime Bashar Assad. O próprio ditador é citado nominalmente em lista elaborada pela comissão para relacionar as autoridades envolvidas de forma direta no massacre de opositores. A lista poderá servir como base de um eventual processo Tribunal Penal Internacional. Para Pinheiro, tudo indica que a repressão é um "política de Estado". Mas o documento da ONU também acusa o Exército Sírio Livre por crimes e amplas violações de direitos humanos, embora em escala menor que o governo. Os rebeldes teriam executado soldados e simpatizantes do regime..

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quinta-feira, fevereiro 23, 2012

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Opinião

Mitos e equívocos

José Serra - O Estado de S.Paulo
As avaliações sobre a recente privatização de três aeroportos brasileiros têm misturado duas coisas: a questão política, enfatizada pela maior parte da oposição e retomada pelo PT, e a da forma e do conteúdo do processo.

Ao contrário do que se propalou, as privatizações dos aeroportos de Guarulhos, Brasília e Campinas (Viracopos) não são as primeiras dos governos do PT. Basta lembrar as espetaculares privatizações na área do petróleo, lideradas pelo megainvestidor Eike Batista, sob a cobertura da lei aprovada no governo FHC - alterada recentemente para pior -, e na geração e transmissão de energia elétrica.

Outra ação privatizante digna de menção ocorreu nas estradas federais, a qual fracassou, não obstante o clima de comemoração na época. Fez-se a concessão de graça, pôs-se pedágio onde não havia, mas os investimentos não chegaram, as estradas continuam ruins e o governo federal só faz perdoar as faltas dos investidores. Um modelo furado, que pretendia ser opção vantajosa ao adotado por São Paulo, com vista a dividendos eleitorais em 2010.

O padrão petista de privatização chega ao dinheiro público. O governo faz concessões na área elétrica e as subsidia, via financiamentos do BNDES e reduções tributárias. Não se trata de dinheiro do FAT, mas tomado pelo Tesouro à taxa Selic, repassado ao BNDES a custo bem inferior. Outro exemplo é o da importante e travada Ferrovia Transnordestina. O governo está pagando quase toda a obra, com dinheiro subsidiado, mas a propriedade da concessão é privada. Quem banca a diferença? O contribuinte, é lógico. Quem faz a filantropia? Os governos petistas, cujas privatizações são originais, ao incluírem grandes doações de capital público ao setor privado.

O outro grande exemplo - felizmente, ainda virtual - é o do trem-bala Rio-São Paulo, projeto alucinado que poderá custar uns R$ 65 bilhões, a maior parte de recursos diretos ou indiretos do governo federal e até mesmo dos Estados, via renúncia fiscal, ou dos municípios, que teriam de fazer grandes obras urbanas. O governo quer bancar também os riscos operacionais do empreendimento: se houver número insuficiente de passageiros, o Tesouro comparecerá para evitar prejuízo para o empreendedor privado!

Para alguns representantes extasiados da oposição, com as concessões dos aeroportos, "finalmente o PT se rendeu à privatização", como se este governo e o anterior já não tivessem promovido as outras que mencionamos. Poderiam, sim, ter lembrado o atraso de pelo menos cinco anos na entrada do setor privado na atividade aeroportuária - atraso ocorrido quando a agora presidente comandava a infraestrutura do Brasil.

As manobras retóricas do petismo são toscas. O primeiro argumento, das cartilhas online e de grandes personalidades do partido, assegura que não houve "privatização" de aeroportos, mas "concessão". Ora, no passado e no presente, os petistas chamavam e chamam as "concessões" tucanas (estradas em São Paulo, telefonia, energia elétrica, ferrovias, etc.) de "privatização".

Os PT argumenta ainda que a Infraero mantém 49% das ações de cada concessionária. Isso é vantagem? Em primeiro lugar, a estatal está pondo bastante dinheiro para formar o capital das empresas sob controle privado - sociedades de propósito específico (SPEs) - que vão gerir os aeroportos. Além disso, vai se responsabilizar por quase metade dos recursos investidos, sem mandar na empresa.

Mais ainda: pagará 49% da outorga (preço de compra da concessão) de cada aeroporto. O total de outorgas é de R$ 25 bilhões, número comemorado na imprensa e na base aliada. Metade disso virá do próprio governo, via Infraero! Isso sem contar os fundos de pensão de estatais, entidades sob hegemonia do PT, que predominam no maior dos consórcios, ganhador do Aeroporto Franco Montoro, em Guarulhos. Tais fundos detêm mais de 80% do grupo privado que comandará o empreendimento!

A justificativa de que a Infraero obterá os recursos para investimentos e outorgas da própria concessão é boba - até porque ela já está investindo nas SPEs e vai sacrificar seus retornos. De mais a mais, quais retornos? As outorgas são obrigatórias, enquanto as receitas são duvidosas. A receita líquida do aeroporto de Guarulhos foi de R$ 347 milhões em 2010. A bruta, R$ 770 milhões. A outorga dessa concessão será paga em 20 parcelas anuais de R$ 820 milhões... Mesmo que a receita líquida duplicasse, de onde iriam tirar o dinheiro para os investimentos? No caso de Brasília, a outorga exigirá cerca de 94 % da receita líquida...

Com razão, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ), favorável, como eu, às concessões, ponderou: "Com o que sobra é possível entregar a qualidade desejada? Difícil. Difícil até mesmo operar com os baixos níveis atuais, pois sobrará para as concessionárias muito menos dinheiro do que a Infraero tem hoje".

O que poderá acontecer? As possibilidades são várias: mudanças nos contratos, revisão, para cima, de tarifas, atrasos nos investimentos necessários, subsídios do governo e prejuízos para os cotistas dos fundos. Tudo facilitado pela circunstância de que a privatização (um tanto estatizada) tirará o TCU do controle e transparência de gastos com aeroportos...

Existe ainda um erro elementar e pouco notado. De todos os consórcios que entraram no leilão foi exigida a participação de uma operadora internacional de aeroportos. Mas os consórcios onde estavam as boas operadoras perderam a licitação. E as operadoras internacionais dos grupos que ganharam são de segunda linha...

A Presidência da República reclamou disso, como se não fosse o governo o responsável. O correto teria sido as operadoras internacionais serem introduzidas depois da licitação. Cada consórcio vencedor convidaria então uma operadora, a ser aprovada previamente pelo governo como condição para a homologação da concorrência. É uma sugestão que pode ser adotada nos futuros leilões. Por ora, fica o leite derramado...

*EX-GOVERNADOR E EX-PREFEITO DE SÃO PAULO

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 23 / 02 / 2012

Folha de São Paulo
"Fracassa mutirão para solucionar homicídios" 

Esforço para zerar 143 mil inquéritos abandonados no país esbarra em apuração frágil

Fracassou o mutirão feito pelo governo federal, Justiça e Ministério Público para a retomada e conclusão até o fim de 2011 dos inquéritos policiais abertos para investigar homicídios e que estavam abandonados. O objetivo era concluir cerca de 143 mil inquéritos que foram abertos pelas polícias civis até 2007, mas apenas 20% do total chegou ao fim. Desses, a grande maioria (80%) foi arquivada devido principalmente à fragilidade das investigações.

O Estado de São Paulo
"CNJ apura benefício indevido a juízes" 

Conselho quer saber como foram calculados os altos valores pagos a magistrados e pode pedir o desconto em folha; TJ-SP nega irregularidade

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) quer saber que índices de correção foram aplicados por Tribunais de Justiça estaduais para calcular contracheques em valores elevados concedidos a juízes e a desembargadores. Se identificar pagamentos irregulares, o CNJ poderá propor desconto em folha de pagamento da quantia indevidamente creditada. Em São Paulo, cerca de 300 magistrados receberam dessa forma, mas o TJ considera que apenas 29 casos devem ser apurados. Desse grupo, 24 receberam acima de R$100 mil, três ganharam mais de R$600 mil e dois levram cerca de R$1 milhão. Essa situação provocou revolta entre juízes que se consideram "traídos", porque apenas alguns magistrados conseguiram tais pagamentos. A cúpula do TJ defende a legalidade dos desembolso, alegando que "são verbas devidas" a título de férias e licença-prêmio não desfrutadas por causa do excesso de serviço forense.

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quarta-feira, fevereiro 22, 2012

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Opinião

O carnaval é um comício dançante

Arnaldo Jabor, O Globo
Já escrevi sobre o carnaval muitas vezes, me repetindo todo ano, porque minha coluna sai nas terças-feiras gordas. Vou escrever sobre o quê? Sobre a corrupção que invade o Brasil todo com seus blocos de sujos? Não dá.

Sempre que penso no carnaval lembro-me dos dias da minha infância. O carnaval chegava aos poucos e não era essa explosão de felicidade maníaca que vemos hoje em dia.

Já se ouviam os primeiros clarins do carnaval na chegada do verão, com as marchinhas tocando no rádio fazendo dueto com as cigarras que cantavam entre as flores vermelhas do flamboyant de minha casa (para onde foram as cigarras pós-modernas?)

Minha primeira lembrança do carnaval era o cheiro do lança-perfume. Até hoje me irrita pensar que baniram essa linda arma da alegria. O lança-perfume era tudo. Havia umas garrafinhas de vidro, frágeis como ampolas, mas o belo símbolo do carnaval era o "Rodouro Metálico". Era um tubo dourado, grosso, que ejetava um fino jato de éter, gelando as costas nuas das adolescentes que se torciam em risos sensuais. O perfume flutuava pelas avenidas como uma nuvem de euforia salpicada de confetes coloridos e rasgada por serpentinas.

O carnaval de hoje parece uma calamidade pública, disputada pelo narcisismo oportunista de burgueses se despindo para aparecer na TV. O carnaval foi deixando de ser dos "foliões" para ser um espetáculo para os outros; o carnaval deixou de ser vivido para ser olhado.

Não há mais músicas de carnaval - notaram? Temos de recorrer às marchinhas e aos sambas do passado. Mas, quase não precisamos das canções, nesta época convulsa. Só há os corpos, as multidões enlouquecidas.

Quando passam as baterias das escolas, quando uns garotos sambam no pé, ainda vislumbramos os traços de uma beleza antiga. Hoje há os corpos malhados, excessivamente nus, montanhas de bundas se exibindo em uma metáfora de liberdade, pois ninguém tem tanta tesão assim, ninguém é tão livre assim.

Carnaval sempre foi sexo - tudo bem - mas, antes, havia uma doce inibição no ar, havia a suave caretice, uma moralidade mínima, havia clima de amor romântico nos bailes.

Dirão que sou um nostálgico estraga prazeres, mas tenho a sensação de que há uma drástica mudança de rumos neste progresso vertiginoso que nos assola.

Nosso passado era feito de toscos sambinhas, de permanências coloniais; mas, mesmo de equívocos do nosso atraso, havia alguma coisa original e frágil que a massificação enterrou.

Ainda bem que nos últimos anos voltaram os grandes blocos do asfalto, depois de um período em que só havia as escolas de samba e um grande vazio na cidade. Creio mesmo que essa volta aos blocos de rua tem a ver com a nova conexão entre as pessoas, numa espécie de rede social invisível nos céus do País.

O novo carnaval de rua tem algo de ocupação das cidades, de uma fome de democracia muito diferente dos tempos em que as primeiras-damas da ditadura davam uns passinhos de samba nos camarotes da Sapucaí. Nos foliões das ruas há quase um desejo de morrer esmagados, num fervente formigueiro onde todos se sentem um grande "um".

Há uma espécie de comício dançante que nos purga das dores do ano.

Mas, para descobrir um carnaval ainda mais puro, temos de ir aos detritos que sobraram dos anos 40 e 50, assim como olhamos velhas fachadas entre prédios modernosos. Os blocos de "sujos", esses sim, com uma alegria selvagem e sem frescuras, inconscientemente velam pelos carnavais do passado, por uma inocência perdida.

Podemos ver nas ruas a preciosa origem do carnaval profundo. Lá estão os desesperados, os famintos de amor, os malucos, os excluídos da festa oficial.

A explicação antropológica de "pobres querendo ser reis" por três dias, de que há um exorcismo alegre da luta de classes, não esgota o assunto. Nos blocos dos anjos de cara suja, dos travestis escrotos, dos vagabundos há uma autocaricatura que denuncia a "mixaria" da vida que vivem; é o carnaval dos miseráveis, a dança do escracho na melhor tradição da arte grotesca, dessacralizando as obrigações da virtude e da obediência.

Em nosso carnaval há uma animalidade pulsante querendo uma "civilização" sem mal-estar, questionando o pensamento único do bom senso anglo-saxônico. Brasileiro pode não ter espírito público, consciência social; mas, certamente, tem um Inconsciente à flor da pele, ao contrário dos países que pagam um alto preço pela Razão triste, por uma felicidade comedida.

Somos primitivos no melhor sentido da palavra. A sacanagem das matas profundas é diferente das surubas calvinistas de Nova York, que inventaram o sexo torturado nas boates doentias e acabaram na aids.

Nós só pensamos em ficar nus, como se quiséssemos voltar para trás, para uma grande tribo vermelha ou mulata. Há uma "pureza" nessa explosão de carne que não se explica, há um desejo de "indianização", há o desejo de fundar outro país, avesso a autoritarismos, avesso à tragédia da pobreza. Queremos uma sociedade organizada, mas feminina; justa, mas alegre.

Onde existem essas montanhas de carne, de corpos se jogando uns contra outros, onde podemos ver essa busca louca por um orgasmo utópico, essa fome de amar? No carnaval, os homens querem virar mulheres. Todos querem ser tudo: os homens querem ter seios e fecundidade e as mulheres querem ser ágeis e sedutoras, máquinas de excitar pênis dançantes. O mundo macho tem muito a aprender com as mulheres no carnaval, as filhas das mucamas, das escravas lindas.

Todas as metáforas do carnaval são ligadas à ideia de abundância, de fecundidade, tudo lembra um grande prazer que nos salvará um dia, contra um futuro de racionalidade e paranoia. O carnaval brasileiro tem a utopia de transformar a cultura em natureza.

Nosso "fim da história" seria uma grande bacanal delirante entre nossas três raças entrelaçadas em um casamento grupal doido: negros, brancos e índios dando à luz um grande bebê mestiço e gargalhante, que ensine que a vida é arte e a lógica careta é a morte.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 22 / 02 / 2012

Folha de São Paulo
"Carnaval de SP termina em incêndio e depredação" 

Integrante da Casa Verde invade palco e rasga notas: Mocidade é campeã

Uma confusão generalizada interrompeu a leitura das últimas notas do julgamento dos desfiles das escolas de samba de São Paulo. O tumulto começou quando Tiago Faria, 29, integrante da Império de Casa Verde, invadiu o palco e tomou as cédulas de votação, que foram rasgadas. Faria foi preso e indiciado sob suspeita de dano ao patrimônio público e supressão de documentos, crime inafiançável.

O Estado de São Paulo
"Ajuda à Grécia é vista com pessimismo" 

Após anúncio de socorro recorde ao país, bolsas caem e mercado avalia que há dúvidas sobre a capacidade grega de cumprir suas obrigações de austeridade

Durou menos de seis horas o otimismo após a aprovação do segundo pacote de socorro concedido pela União Europeia e pelo FMI à Grécia. Mesmo com um programa de resgate recorde em tempos de paz, que inclui uma linha de crédito de 130 bilhões de euros e um acordo para o corte de 107 bilhões de euros em dívidas privadas, as dúvidas que pesam sobre Atenas retornaram logo na abertura dos mercados financeiros. As principas bolsas do bloco fecharam no vermelho, confirmando que a insegurança persiste em pelo menos dois pontos: se o país cumprirá as metas de austeridade e se crescerá como previsto. Mesmo com todas as obrigações e com a perda de soberania econômica, o premiê grego, Lucas Papademos, classificou de "histórico" o acordo, que permitirá ao país saldar um total de 14,5 bilhões de euros em dívida com vencimento em 20 de março, evitando o calote. "Muito ainda resta a fazer, em um futuro próximo, para realizar todas as ações necessárias."

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terça-feira, fevereiro 21, 2012

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Opinião

Cachaça boa, 'marvada' pinga

Xico Graziano - O Estado de S.Paulo
A cachaça é um verdadeiro patrimônio nacional. Quem afirma é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, no prefácio de belíssimo livro lançado recentemente por Araquém Alcântara e Manoel Beato. Em tempos de carnaval, cabe homenagear a mais brasileira das aguardentes.

Fama de cachaceiro Fernando Henrique não carrega. Mas, como sociólogo, argumenta ser a cachaça "parte antiga" da História brasileira, peça importante da cultura ligada aos caboclos da terra. Por esse motivo, aliás, o Decreto 4.062/2000, de sua lavra, define o termo "cachaça" como vocábulo de origem exclusivamente brasileira. O ato oficial procurou, na época, impedir que os Estados Unidos incluíssem a bebida, por interesses comerciais, na mesma categoria do rum. Nada a ver.

Elaborada a partir da fermentação do caldo da cana-de-açúcar, a cachaça surgiu nos rudimentares engenhos logo após o Descobrimento. Quem a apreciava eram os escravos e colonos, enquanto a elite da época, é óbvio, tomava vinhos e se embriagava com a bagaceira - um destilado de uva, semelhante à cachaça - trazida de Portugal.

O ciclo da mineração nas Minas Gerais, deslocando o eixo econômico e populacional para o Sudeste do Brasil, parece ter trazido estímulos ao consumo da aguardente de cana-de-açúcar. Uma das razões estava no clima, mais frio nas serras mineiras do que na Zona da Mata nordestina. Uma mordida na rapadura, um gole da branquinha ajudavam a aguentar a dureza do trabalho e a espantar a friagem noturna.

A preferência popular - e o preço barato - permitiu à caninha conquistar fatias mais amplas da sociedade colonial, atrapalhando os vendedores portugueses da bagaceira. Estes pressionaram a Corte a proibir por aqui, em 1659, a produção e o consumo da aguardente de cana. Tudo em nome da ordem, é claro. A esdrúxula medida provocou revolta na colônia e a proibição acabou revogada poucos anos depois.

Pesadas taxas de arrecadação foram tentadas para sufocar a produção, mas tampouco se efetivaram na prática. Não houve o que segurasse a expansão dos alambiques. Sinônimo de brasilidade, a cachaça mais tarde frequentaria a mesa dos Inconfidentes, virando símbolo de resistência contra a dominação portuguesa. Na Semana de Arte de 1922, ganhou status de modernidade.

Pinga ou cachaça? Tanto faz, em termos. O dicionário do Aurélio oferece cerca de 140 sinônimos para a aguardente de cana. Além dos já aqui citados, denominam-na por aí de branquinha, quebra-goela, água que passarinho não bebe, uca - esta comum nas palavras cruzadas. Qualquer uma delas surge da fermentação do caldo da cana-de-açúcar por uma levedura (Saccharomyces cerevisiae). Existe, porém, uma diferença básica no modo de produzir, diferenciando o processo artesanal da fabricação industrial.

Nas destilarias artesanais, o mosto, ou garapa da cana, é fermentado naturalmente e colocado em alambiques de cobre, onde o calor promove a evaporação, com a consequente condensação, da bebida destilada. Especialmente por causa dos trabalhos de certificação de origem mineira, nos últimos anos, cachaça passou a se denominar essa aguardente pura, oriunda de pequenos empreendimentos. Estima-se existirem 40 mil produtores de cachaça artesanal no Brasil.

Eles utilizam técnicas variadas para criar a marca característica da sua cachaça. Alguns colocam quirera de milho no fermento, outros utilizam arroz. A variedade da cana plantada, bem como do solo e do clima regional também influenciam no terroir, tal qual ocorre nas vinícolas.

Quem é da roça sabe que nas alambicadas caseiras os bons produtores desprezam a "cabeça" da aguardente, porque o início da destilação gera uma bebida com álcoois superiores, ficando muito forte. A "calda", parte final do processo, também não se presta, pois começa a ficar muito aguada. Aproveita-se, então, apenas o "meio", ou o "coração", que representa 80% do caldo fermentado.

Nenhuma dessas manhas se utiliza nas grandes empresas. A pinga delas originada sai da destilação contínua em colunas de aço inox, semelhantes às usadas na fabricação do etanol combustível. Além do mais, a aguardente é estandardizada com açúcar e outros agentes químicos, visando a adquirir padrão comercial. As marcas famosas existentes - Tatuzinho, 51, Velho Barreiro, entre outras - abastecem 75% do volumoso mercado nacional, estimado em 1,3 bilhão de litros por ano. Como a exportação é pequena, pois o marketing externo do produto ainda é incipiente, o consumo per capita da aguardente de cana no Brasil aproxima-se de 7 litros por habitante/ano. Uma boa dose.

Desde antigamente, e até hoje, a bebida alcoólica representa fonte de energia barata para a população mais pobre do País. Lembro-me, no final da década de 1970, dos estudos pioneiros coordenados pelo professor Dutra de Oliveira, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, que mostravam a ingestão de pinga como fonte importante de energia para os combalidos boias-frias daquela região. A realidade continua.

Infelizmente, a pinga nacional ajudou a causar uma disfarçada doença que afeta 30 milhões de brasileiros: o alcoolismo. Essa desgraça representa, com certeza, a pior, pela extensão do problema, das nossas tragédias familiares. O crack, a maconha e as demais drogas ilícitas são terríveis. Mas o alcoolismo, legalizado, destrói as pessoas, causa violência contra mulheres e crianças no lar, mata no trânsito. Acaba com o cidadão.

Apreciar uma boa cachaça, seja no carnaval, seja no churrasco com os amigos, não envergonha ninguém, nem mal faz à sociedade. Mas beber socialmente, como se diz, não pode servir para esconder o drama do alcoolismo, um mal que precisa ser reconhecido e combatido.

Maldita pinga.

XICO GRAZIANO, AGRÔNOMO, FOI SECRETÁRIO DO MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO. E-MAIL: XICOGRAZIANO@TERRA.COM.BR

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Manchetes do dia

Terça-feira, 21 / 02 / 2012

Folha de São Paulo
"Presos superam em 81% número de vagas em SP" 

Para governo, só erguer presídios não resolve; é preciso dar penas alternativas e reduzir tempo de encarceramento

O governo de Geraldo Alckmin (PSDB) precisaria aumentar em 81% o número de vagas para zerar o déficit e acabar com a superlotação do sistema prisional de São Paulo - o maior do país. Há hoje 185.447 presos no Estado, para 102.242 vagas. Para resolver o problema, seria preciso construir 93 presídios, além dos 15 já em obras, informa André Caramante. O cálculo não leva em conta o crescimento da população carcerária: dados de janeiro deste ano mostram que, para cada 100 pessoas que deixam as celas, outras 121 entram.

O Estado de São Paulo
"UE deve dar socorro recorde à Grécia" 

Em troca dos 130 bilhões de euros, o maior pacote desde o Plano Marshall, Atenas terá de abrir mão de uma parte de sua soberania econômica para evitar a falência

A União Europeia e o FMI negociavam na noite de ontem a liberação do mais caro programa de socorro já concedido a um país da Europa desde o Plano Marshall - que ajudou a reconstruir aliados dos EUA após a Segunda Guerra. Um total de 130 bilhões euros deverão ser concedidos em empréstimos à Grécia, no segundo plano de resgate em 21 meses. Em troca, contudo, Atenas terá de abrir mão de um pedaço de sua soberania econômica para evitar a falência. Segundo as negociações em curso, o dinheiro só seria liberado a conta-gotas e seria depositado em uma conta bancária administrada por técnicos da UE e do FMI, em troca do cumprimento dos planos de austeridade já aprovados. Ontem, dirigentes de 12 países do continente pediram ao Conselho Europeu e à Comissão Europeia e reorientação das políticas econômicas do bloco. Para eles, a crise das dívidas também se deve à falta de crescimento.

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segunda-feira, fevereiro 20, 2012

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Opinião

A gerente do loteamento

O Estado de S.Paulo
Contrariando mais uma vez sua reputação de boa administradora, a presidente Dilma Rousseff anunciou a intenção de controlar pessoalmente a execução dos projetos considerados estratégicos. Para isso visitará as obras e acompanhará os dados de execução por meio de um novo sistema de informações em tempo real. O sistema será implantado até o meio do ano, segundo se informou depois de sua reunião com os ministros e líderes partidários integrantes do conselho político do governo. A presidente deixou clara, de acordo com participantes do encontro, sua "obsessão" pela melhora da gestão governamental e dos serviços prestados ao público.

Essa "nova gestão" começou na semana passada, com a verificação do andamento das obras de transposição do Rio São Francisco e de construção da Ferrovia Transnordestina, explicou o secretário do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Maurício Muniz. A presidente deverá, segundo ele, visitar outras grandes obras de infraestrutura, como as de grandes hidrelétricas na Amazônia.

Há um evidente equívoco nessa concepção de gerência. Visitas presidenciais a canteiros de obras podem ser politicamente importantes e até estimular a aceleração dos trabalhos, mas não servem para mais que isso. Da mesma forma, nenhum sistema de acompanhamento centralizado na Presidência pode substituir a ação de administradores ligados diretamente à elaboração e à execução dos programas e projetos. A presidente Dilma Rousseff deveria ter aprendido essa lição elementar, quando foi nomeada gerente do PAC e encarregada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de supervisionar os principais investimentos do governo federal.

O titubeante ritmo de execução dos planos é uma clara demonstração da indigência administrativa do governo federal. Com frequência, os projetos empacam antes do início da execução, por falhas técnicas e legais na elaboração, apontadas pelos órgãos de controle do setor público. Quando, enfim, saem do papel, deficiências de outros tipos impedem sua conclusão em prazos razoáveis. Os números não deixam margem para ilusão quanto à qualidade gerencial. No ano passado, os desembolsos destinados ao PAC foram 21% maiores que os de 2010, mas, apesar disso, o total pago - R$ 28 bilhões - ficou muito longe do valor autorizado no orçamento, de R$ 40,4 bilhões.

A baixa qualidade da administração pode ter várias causas, mas duas são especialmente importantes. Em primeiro lugar, o PT jamais deu importância, no governo federal, a requisitos de competência e de produtividade. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mais de uma vez defendeu a ampliação dos quadros de pessoal como se isso fosse um avanço. Ele e seus companheiros sempre desprezaram o debate sobre questões de eficiência, como se essa não fosse uma contrapartida necessária do aumento dos quadros e da folha de salários. Em segundo lugar, a preocupação do governo sempre foi, desde 2003, a ocupação da máquina pelo partido e por seus aliados. A combinação de incompetência com malfeitos resultou naturalmente dessa atitude.

Vários ministros acusados de graves irregularidades foram demitidos desde o ano passado, mas os critérios de nomeação pouco ou nada mudaram. De modo geral, os partidos conservaram suas cotas ministeriais e a presidente continua fiel aos compromissos de loteamento e de aparelhamento, apesar de seu discurso a favor de escolhas técnicas. O velho critério das alianças continua valendo, por exemplo, para a nomeação do presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A escolha de Rubens Rodrigues dos Santos para o posto já foi confirmada por decreto publicado no Diário Oficial da União.

Na semana anterior, o líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes, havia apresentado dois nomes ao governo e saiu vitorioso. Arantes ganhou destaque no noticiário, recentemente, ao polemizar com o ministro da Fazenda sobre quem foi o responsável pela escolha do recém-afastado presidente da Casa da Moeda. Diante desses fatos, como levar a sério a decantada "obsessão" da presidente pela qualidade administrativa?

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 20 / 02 / 2012

Folha de São Paulo
"Lentidão do MEC poupa de corte cursos mal avaliados" 

Atraso, admitido pelo governo, deixará punição para o 2º semestre

A demora do Ministério da Edicação para concluir o processo da avaliação de ensino superior fará com que os cursos de ciências contábeis e administração mal avaliados pelo MEC escapem do corte no número de vagas neste semestre. Em novembro, o governo anunciou que seriam cortadas cerca de 50 mil vagas nesses cursos e nos dez cursos da área da saúde. As medidas deveriam entrar em vigor neste semestre, mas só os cortes de saúde (31,5 mil vagas) foram realizados.

O Estado de São Paulo
"Infraestrutura precária eleva custo logístico em R$17 bi" 

Despesa com atrasos e más condições de estradas soma quase 15% do total gasto com transporte e armazenagem

Um estudo da Fiesp mostra que empresas brasileiras têm uma despesa anual extra de R$17 bilhões por causa das péssimas condições das estradas, da burocracia e do sucateamento nos portos, da falta de capacidade das ferrovias e das despesas com armazenagem. Os custos extras por causa da precariedade da infraestrutura representam quase 15% do total gasto com transporte e armazenagem. "Está muito caro produzir no Brasil", diz José Ricardo Roriz, responsável pelo estudo. Da China até o Brasil, um contêiner percorre 17 mil km, aos custo de US$1,2 mil (R$2 mil), dependendo da negociação com os armadores. Para o mesmo contêiner ir do Porto de Santos até São Paulo (77km), o custo também é de R$2 mil.

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domingo, fevereiro 19, 2012

Mumbai, Índia

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Política

Mestre Tourinho

Elio Gaspari, O Globo
O desembargador Tourinho Neto, membro do Conselho Nacional de Justiça, acha que os juízes estão sendo encurralados pela exibição da contabilidade de alguns tribunais: “O juiz desonesto deve ser punido, mas não é assim que a imprensa está fazendo. Precisamos de associações para lutarmos contra essa imprensa marrom”.

Numa trapaça do destino, na mesma sessão, por 12 a 2, o Conselho aposentou compulsoriamente o desembargador Roberto Wider, do Tribunal de Justiça do Rio. Em 2009, os repórteres Chico Otavio e Cássio Bruno informaram que o doutor facilitava a vida de amigos em nomeações para cartórios e litígios imobiliários. No ano seguinte, Tourinho Neto relatou o processo de Wider e defendeu sua absolvição.

Sem imprensa e sem o CNJ, nada disso teria acontecido.

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