sábado, fevereiro 18, 2012

Turismo: Zurich

Colunistas

Pig’s services

“Oremos. Com fé. MUITA FÉ. Se o problema for com operadoras ou planos de saúde”

Márcia Denser
Acontecem coisas surrealistas com as operadoras de tevê a cabo, internet e telefonia, a começar do atendimento ao cliente. Minha assinatura inclui o pacote completo – telefone, tevê e internet –, mas só este mês fiquei sem sinal por duas vezes em todos estes serviços e, se não tivesse celular, estaria perdida. Na terça-feira, aconteceu de novo. Seguinte: pela manhã houve uma queda de energia no condomínio onde moro e todos os condôminos, assinantes da referida operadora, ficaram na mão.
 
Há na caixa de força do edifício um dispositivo da empresa que sofreu pane ou algo assim, contudo este só pode ser aberto por um técnico da operadora em questão cujo GRANDE SERVIÇO seria apenas ligar uma chave ou fio ou rebimboca do gênero ou, quando muito, substituir a tal chave ou fio ou rebimboca qualquer, em caso de dano permanente.
 
Ligamos para a empresa, mas esta informou que “todos os técnicos já estavam ocupados e só poderia agendar uma visita para o dia seguinte”, e estamos conversados. Até lá, nós que nos fodêssemos sem internet, telefone e televisão.
 
Ponderei que o prédio fica em lugar central – confluência de Vila Mariana, Aclimação, Cambuci e Paraíso – e que eu considerava materialmente improvável não ter nenhum técnico nas imediações pra nos dar atendimento, o qual, repito, seria simples, rápido, fácil, como já exaustivamente explicado, bastando um pouco de boa vontade e considerando o prejuízo de tantos assinantes. Afinal, era só abrir a porra da tal caixinha localizada no saguão do prédio (com serviço de portaria durante 24 horas) e ligar a porra do dispositivo.
 
Mas o telemarketing de plantão – que se recusou dar o nome, CPF e RG – mesmo como representante da empresa (enquanto nós, consumidores, temos que lhes fornecer até o número da calcinha se pedido), só falava em ordens de serviço, agendamento, procedimentos da empresa, o caralho – e nós que nos fodêssemos, é claro.
 
Daí me ocorreu lembrar ao telemarketing sem nome: Engraçado, a polícia deve ser tecnologicamente muitíssimo mais avançada do que vocês, pois é o único serviço que, quando chamado, vem imediatamente! (pela primeira vez, a voz se calou, num silêncio constrangido).
 
Idem o Corpo de Bombeiros, cujo serviço de resgate, pelo fato de atender rapidamente aos chamados (sem perguntas e procedimentos idiotas), recentemente evitou que um amigo meu morresse de ataque fulminante do coração, enquanto seu Plano de Saúde – pago há séculos e os olhos da cara – não só lhe negou ambulância, como quase o matou por negligência, devido ao “brilhante” diagnóstico do autista de plantão no PS (um carinha que aparentava ter uns treze anos no máximo – de idade física e mental – provavelmente “formado” em alguma “Unisquina”, dessas que abundam atualmente, tipo ensino à distância e diploma de pós-graduação por telefone) com crachá de “médico” na lapela: inferindo que tudo que ele tinha não passava duma “crise de estafa”, deu-lhe alta do PS, mandando-o “apenas repousar”, prescrevendo-lhe, de passagem, “Melhoral Infantil”.
 
A propósito: 36 horas antes de minha mãe morrer no hospital de seu plano de saúde, ela recebeu alta duas vezes, dada por dois médicos diferentes. Para vocês imaginarem a quantas anda a competência inspirada na mais genuína covardia dos médicos atuais – capazes de tudo, literalmente tudo para: 1) puxarem o saco da Empresa e do Dono do Plano, um bilhardário filha-da-puta, que está pouco se lixando para o resto da humanidade, para: a) torná-lo cada vez mais rico; b) manterem os respectivos empregos; c) e o paciente que se foda.
 
O último, que se disse gastroenterologista, ao dar-lhe alta na manhã anterior à sua morte (causada principalmente por uma trombose intestinal), “recomendou” que ela poderia fazer a colonoscopia “uma outra hora”.
 
Quando? Se na manhã seguinte, ela não passava de pó no Crematório de Vila Alpina?
 
Oremos. Com fé. MUITA FÉ. Se o problema for com operadoras ou planos de saúde.
Já pra polícia (ou o Corpo de Bombeiros) é só telefonar.
 
A propósito: eu gostaria de cobrar – sim, cobrar – da Presidente Dilma, de quem fui eleitora e apoiei com entusiasmo a campanha (tomo minhas colunas da época como testemunho!), providências a respeito de tais questões que afetam direta e irrevogavelmente o cidadão comum, mas diante das quais ele se sente impotente! (daí a razão de recorrer à Presidente). Antes que ela se torne de vez Gerente do Brasil e a nossa versão da Lady de Ferro, abrindo mão – duma vez e definitivamente – do seu lado humano. O único que importa. O único que conta.

Publicado originalmente no "congressoemfoco".

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Opinião

A sensibilidade do Supremo

O Estado de S.Paulo
Ao declarar constitucional, por 7 votos a 4, a Lei da Ficha Limpa, o Supremo Tribunal Federal (STF) legitimou em boa hora a "saturação do povo com os maus-tratos infligidos à coisa pública", nas palavras do ministro Carlos Ayres Britto, da maioria vencedora, sobre a ira da grande maioria dos brasileiros com a corrupção política. Decerto, o fato de uma lei atender a um justo clamor popular - ou, mais ainda, de ter sido "gestada no ventre moralizante da sociedade" como apontou a nova ministra Rosa Weber, aludindo ao 1,3 milhão de adesões à iniciativa popular que lhe deu origem - não a torna necessariamente coerente com os princípios constitucionais. No estado de direito, tal sintonia é exigida, por definição, de toda norma adotada pelo Poder Legislativo.

Mas, não sendo o direito uma ciência exata, pode-se interpretar de mais de uma maneira a compatibilidade de um texto legal com o arcabouço jurídico do país. E essa avaliação, quando se trata de matérias de manifesto interesse público, dificilmente fica alheia à vontade geral da nação.

O Supremo Tribunal, observou a ministra Rosa, "não deve ser insensível às aspirações populares". E poucas delas, no Brasil de hoje, hão de ser mais compartilhadas que a do fim da impunidade que cresceu a ponto de se transformar em traço constitutivo da vida institucional. Pode-se arguir, é bem verdade, que leis defeituosas "corrompem o propósito dos legisladores e o próprio direito", conforme ressaltou o ministro José Antonio Dias Toffoli - voto vencido, ao lado de Celso de Mello, Cezar Peluso e Gilmar Mendes.

No caso da Ficha Limpa, aprovada em 2010, mas que só passará a valer a partir das eleições deste ano, como decidiu corretamente o mesmo STF em março passado, há mais de uma provisão que, para os críticos, justificaria as objeções de Toffoli. A principal delas é a da inelegibilidade de quem quer que tenha sido condenado por um colegiado em julgamentos ainda passíveis de contestação, o que atropelaria o princípio da presunção de inocência. Outra é a validade da lei para delitos anteriores à sua promulgação, fazendo-a, portanto, retroagir. Outra ainda é a de barrar candidatos que tenham sido banidos da profissão pelos órgãos que regulam o seu exercício, como os conselhos de medicina, equiparando o ato a uma decisão judicial pelos seus efeitos para a legislação eleitoral.

A maioria dos ministros, no entanto, deixou claro ter entendido que o País está mais disposto a aceitar uma lei moralizadora que peque por severidade do que uma que peque por complacência. Não se pode esquecer, como assinalou Ayres Britto, que, durante os 16 anos que se seguiram à aprovação da emenda constitucional que determina o exame da vida pregressa de candidatos a cargos eletivos, o Congresso não moveu uma palha para implantar a medida. "O povo, cansado, desalentado, se organizou sob a liderança de mais de 70 organizações e criou a iniciativa popular", comparou.

O resultado final é um texto apropriadamente duro. Veta a participação em eleições, por oito anos a contar da sentença definitiva, de condenados por uma extensa relação de crimes (entre outros, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, atentado ao patrimônio público, improbidade administrativa, corrupção eleitoral, tráfico e racismo).

A inelegibilidade pelo mesmo período se estende aos governantes cujas contas tiverem sido rejeitadas sem apelação pelo TCU, aos funcionários públicos demitidos ou aposentados compulsoriamente e aos políticos cassados por seus pares, ou que renunciaram para evitar a cassação e poder se candidatar de novo na eleição seguinte. Para eles, a exclusão conta a partir da data do término do mandato. Assim, para citar o exemplo mais notório, o ex-senador Joaquim Roriz, do Distrito Federal, que em 2007 deixou a cadeira que ocuparia até 2015 para se safar de um processo de cassação, só poderá voltar a se candidatar em 2023. Fez por merecer.

A esperança é que, já a partir deste ano, a lei finalmente induza os partidos, por interesse próprio, a excluir os fichas-sujas das listas que estiverem preparando, antes que a Justiça Eleitoral venha a fazê-lo. O tempo mostrará o tamanho do avanço.

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Manchetes do dia

Sábado, 18 / 02 / 2012

Folha de São Paulo
"Cai o tempo de espera por visto para os EUA" 

Prazo menor ocorre após Obama facilitar a entrada de brasileiros

Um mês após o presidente Barack Obama anunciar, na Disney, que turistas brasileiros teriam mais facilidade para obter o visto de entrada nos Estados Unidos, o tempo de espera pela autorização caiu no consulado americano em São Paulo. No dia em que Obama fez o anúncio, a espera pela entrevista era de 76 dias. Quem agendou ontem vai aguardar 25 dias. Na última terça, o prazo era de 16 dias.

O Estado de São Paulo
"PT já projeta disputa com Serra e revê estratégia" 

Sem aliança com Kassab, petistas pensam em como aproximar Haddad de empresários e religioso

Setores do PT que trabalhavam pela aliança com Gilberto Kassab na capital paulista, para atingir um eleitorado mais conservador, iniciaram revisão da estratégia em que consideram a entrada de José Serra (PSDB) na disputa pela Prefeitura, com provável apoio do prefeito. A avaliação de dirigentes próximos de Lula é que Fernando Haddad terá de montar uma agenda de aproximação com empresários e grupos religiosos, informam Malu Delgado e Fernando Gallo. A estratégia seria necessária diante da boa interlocução de Serra com esses segmentos. Além disso, petistas se preocupam porque o tucano teria o apoio das máquinas estadual e municipal.

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sexta-feira, fevereiro 17, 2012

Corações ao alto!

Coluna do Celsinho

Conselheiro

Celso de Almeida Jr.
No calçadão, antes do expediente bancário, encontrei o Alfredo Corrêa Filho.

Dei os parabéns pelo sucesso do FORMA e aproveitei para saber do andamento de sua pré-candidatura a prefeito.

Dialogando com ele, sempre vem à memória as conversas que eu tinha com o Alfredo, pai.

Estávamos em 1988 e apoiávamos propostas para tornar Ubatuba mais promissora, defendidas por nosso candidato a prefeito, o saudoso Nadim Kayat.

Hoje, vejo no filho a disposição necessária para tornar este sonho real.

Alfredinho está no páreo e tem um grupo muito unido e competente.

Contou que vem sofrendo todo tipo de ataque, evitando revidar, ciente de que Ubatuba merece um debate de alto nível, pautado em projetos e, principalmente, no diálogo civilizado com todas as correntes.

Disse que, junto às forças de oposição, está com bom trânsito.

Tem enfrentado, porém, alguma resistência no grupo do PT, liderado pelo Maurício Moromizato.

Aqui, uma observação.

Alfredo, Maurício, outros amigos e eu estamos conduzindo a reativação do Aeroclube de Ubatuba, com o cuidado de tornar esta instituição um “Campo Neutro” no que se refere à política partidária.

Na constituição do aeroclube, a assembleia votou com sabedoria, elegendo o veterano Lemar Gonçalves para presidir o Conselho Fiscal; escolhendo Alfredo e Maurício como demais membros efetivos.

No aeroclube, brincamos que caberá ao Lemar sensibilizar as mentes e os corações destes jovens líderes para que caminhem em sintonia, trabalhando em conjunto para as melhores causas.

Se a oposição resistir às paixões e conduzir as equipes para uma campanha pautada no respeito recíproco, neutralizará estratégias alicerçadas em ofensas, perseguições, chantagens e calúnias de toda ordem.

O próximo prefeito, seja quem for, terá o desafio de serenar os ânimos, conciliar forças políticas, ouvir e valorizar pensamentos diversos, respeitando as diferenças.

Assim, a campanha eleitoral que se aproxima poderá ser uma saudável amostra desta postura, copiando bons exemplos do passado que a legítima cultura caiçara já nos deu.

Ao evitar o fogo amigo, a oposição revelará amadurecimento, já que o adversário comum será o candidato da situação.

Afinal, não se pode desprezar a força e a experiência dos articuladores que integram o grupo do atual prefeito.

É de lá que tem partido os principais mísseis dirigidos a Alfredo, Maurício e outros sérios postulantes ao comando da prefeitura, indicando que a campanha será quente.

Nada, entretanto, que se compare aos incêndios que tive que apagar após a conversa com o Alfredinho.

Bancos, gerentes, contas...

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

Teerã se exibe

O Estado de S.Paulo
O governo do Irã acaba de promover um espetáculo destinado a mostrar que as sanções de que tem sido alvo não enfraquecem nem a sua decisão nem a sua capacidade de levar adiante o que apregoa ser um programa nuclear para fins pacíficos. Na quarta-feira, o presidente Mahmoud Ahmadinejad, devidamente paramentado com um jaleco branco, foi o convidado de honra da cerimônia em que varetas produzidas no país, contendo urânio enriquecido a 20%, foram pela primeira vez inseridas no reator de pesquisas de Teerã para a produção de isótopos radioativos com fins medicinais e agrícolas. Sintomaticamente, Ahmadinejad se fez acompanhar do ministro do Exterior, Ali Akbar Salehi - e o evento foi transmitido também pelo canal iraniano em língua inglesa.

Não ficou nisso. Teerã anunciou ainda a entrada em operação, no centro de enriquecimento de Natanz, de 3 mil centrífugas de "quarta geração", elevando o total a 9 mil, e a construção de mais quatro reatores. As centrífugas de alto desempenho permitiriam ao país aumentar substancialmente os seus estoques de combustível nuclear - o centro do seu até aqui insuperável contencioso com o Ocidente. Em novembro passado, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) concluiu que, ao lado dos projetos civis no setor, sujeitos à fiscalização do organismo, o Irã tem desenvolvido atividades que só se explicam pela busca de capacitação para produzir e lançar artefatos nucleares.

O relatório deu origem à sexta rodada de sanções internacionais, que incluem um embargo às compras europeias de petróleo iraniano, a vigorar a partir de julho. Anteontem, Ahmadinejad se vangloriou. "A era do bullying de nações passou", disse, usando o termo inglês. "Tentaram nos impedir com sanções e resoluções, mas falharam. Nosso caminho nuclear continuará." No mesmo dia, a TV iraniana revelou que o governo respondeu favoravelmente à exortação da titular de relações exteriores da União Europeia, Catherine Ashton, pela retomada das negociações sobre a questão nuclear com o chamado grupo P5+1 (EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia e China, membros do Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha), interrompidas desde 2009.

Num sinal de que a política externa de Teerã ou veio para confundir, ou segue a estratégia do morde-e-assopra - uma coisa e outra para ganhar tempo -, ou ainda reflete as conhecidas divergências entre Ahmadinejad e o líder supremo do regime, o aiatolá linha-dura Ali Khamenei, também anteontem a emissora oficial anunciou a próxima suspensão das exportações de petróleo a seis países europeus (em retaliação à França, Holanda, Bélgica, Itália, Espanha e Portugal), apenas para ser desmentida pouco depois pelo Ministério do setor. No mercado internacional de especulações políticas, a tendência é desdenhar dos alegados progressos tecnológicos iranianos. Embora os observadores mais sóbrios reconheçam a dificuldade de adivinhar as intenções de Teerã, a teoria da bravata tem numerosos adeptos.

"O Irã fala grosso, mas segura um porrete pequeno", diz Karim Sadjadpour, do centro de estudos internacionais Carnegie, nos EUA, invertendo a célebre recomendação de Theodor Roosevelt (1858-1919) para o relacionamento do país com o mundo: "Fale mansamente e tenha à mão um grande porrete". A versão do small stick, por sinal, vai de encontro à linha oficial em Israel, segundo a qual o Irã, seu "inimigo existencial", está tão próximo de ter a bomba que tardar a atacá-lo pode ser tarde demais. Os analistas se dividem entre os que acham que o país quer chegar ao limiar atômico, mas não necessariamente ultrapassá-lo, e entre os que acham que, dados os imperativos da geopolítica, uma vez em condições de fazê-lo, o Irã o fará, entrando pela porta dos fundos para o clube atômico, a exemplo de Israel, que não confirma nem nega ter um arsenal nuclear.

Uma coisa parece certa: seja quais forem as razões que levaram Teerã ao caminho adotado, entre elas não figura a intenção de atirar a primeira bomba. Os aiatolás sabem perfeitamente que, se fizerem isso, o país será obliterado.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 17 / 02 / 2012

Folha de São Paulo
"Lei da Ficha Limpa vale já para as eleições deste ano" 

STF aprova por 7 votos a 4 regra que deixa inelegível por 8 anos político cassado ou condenado

O Supremo Tribunal Federal considerou válida a Lei da Ficha Limpa. A norma deixa inelegíveis por oito anos políticos cassados, condenados por órgão colegiado ou que renunciaram para evitar uma punição. A regra vale já nas eleições deste ano. Ela é fruto de iniciativa popular. Foi enviada ao Congresso depois de obter mais de 1,3 milhão de assinaturas de eleitores. Teve aprovação tanto da Câmara quanto do Senado.

O Estado de São Paulo
"Lei da Ficha Limpa passa no Supremo e já vale neste ano" 

Após 11 sessões de julgamento, STF aprova inelegibilidade de políticos condenados por órgãos judiciais colegiados

A Lei da Ficha Limpa, que torna inelegíveis políticos condenados por órgãos judiciais colegiados, é constitucional e será integralmente aplicada a partir das eleições deste ano, decidiu ontem o Supremo Tribunal Federal, após 11 sessões de julgamento. Os ministros teriam de decidir ainda se diminuiriam o prazo de inelegibilidade estipulado pela lei. Até o fechamento desta edição, essa decisão ainda não havia sido tomada. Da forma como foi aprovada no Congresso, um político condenado por órgão colegiado fica inelegível até o trânsito em julgado do processo. Depois, permanece inelegível durante o cumprimento da pena e, terminada a pena, ainda está proibido de se candidatar por mais oito anos. Pela proposta que estava sendo discutida pelos ministros do STF, o período de oito anos começaria a contar a partir da condenação e, quando terminada a pena, o político já poderia se candidatar.

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quinta-feira, fevereiro 16, 2012

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Opinião

O novo regente do MEC

O Estado de S.Paulo
Desde que assumiu o Ministério da Educação (MEC), há três semanas, o ministro Aloysio Mercadante já deu várias entrevistas sobre as reformas que pretende promover numa das mais estratégicas áreas da máquina federal. Nessas entrevistas, ele falou muito e deixou claro que não tem projeto de gestão definido nem critérios técnicos para justificar a fixação de prioridades.

O novo ministro prometeu mudar a metodologia do Enem, adotando critérios mais rigorosos para a correção da prova. Disse que a escola não está "interessante" e que concederá bônus para as que alfabetizarem os alunos até os 8 anos. Também defendeu o uso de tecnologia digital pela rede pública de ensino fundamental e afirmou que o "arranjo social da sala de aula" e o quadro negro são do século 18, os professores são do século 20 e os alunos do século 21. "Nós, professores, somos analógicos e imigrantes digitais. Os alunos são nativos digitais. Não queremos um apartheid digital, como tivemos um apartheid educacional no passado."

Além disso, declarou-se favorável à aplicação de uma prova nacional de docentes, que definiu como instrumento de motivação dos professores que trabalham em redes municipais de ensino com baixo desempenho e em áreas de risco. Contudo, foi evasivo sobre o futuro do Plano Nacional de Educação (PNE), que está parado no Congresso há mais de um ano. A prova nacional é prevista pelo PNE, que estabelece diretrizes do setor para a década de 2010. Quanto a metas, o ministro disse que compartilha "a forma de ver" da presidente Dilma Rousseff. "Ela diz que sempre precisamos estabelecer metas como quem lida com arco e flecha: mira um pouco mais acima para acertar o alvo" (sic).

Questionado sobre as fontes de financiamento do setor educacional e sobre a reivindicação de associações de docentes, que pedem a elevação do investimento público em ensino para 10% do Produto Interno Bruto, Mercadante lembrou que o dinheiro poderá vir do pré-sal. "O que nós temos de novo para poder dar um salto é o pré-sal. Os royalties são para você preparar a economia pós-petróleo. Porque o pré-sal é uma energia não renovável. As futuras gerações não terão acesso. O que podemos fazer era vincular pelo menos 30% dos recursos do pré-sal para educação, ciência e tecnologia e fazer um grande pacto de que pelo menos durante uma década a prioridade vai ser investir em educação" (a citação do ministro da Educação é textual, segundo a versão do jornal O Globo da entrevista).

Com declarações vagas como essas, o novo ministro da Educação mostrou não ter o preparo necessário para o exercício do cargo, deixando os especialistas em pedagogia perplexos. Segundo eles, o País - que hoje tem cerca de 3,8 milhões de crianças e jovens fora da escola e padrões de ensino muito ruins - não pode esperar pelos dividendos da exploração do pré-sal para melhorar a qualidade de seu sistema educacional. Em outras palavras, condicionar o aumento do financiamento da educação ao pré-sal é apenas uma forma de furtar-se a uma definição sobre a questão fundamental do aumento dos investimentos de que o setor educacional tanto necessita. Por enquanto, eles deverão permanecer como hoje - ou seja, muito abaixo dos padrões necessários a uma economia competitiva e capaz de ocupar espaços cada vez maiores no mercado mundial.

Na realidade, a ideia de condicionar qualquer fonte de recursos para a educação ao pré-sal é absurda - a começar pelo fato de que os primeiros lucros da exploração desse tipo de petróleo demorarão décadas para aparecer. Até lá, se o Executivo não financiar com recursos próprios projetos de melhoria do ensino fundamental e do ensino médio, o Brasil terá perdido pelo menos uma geração. Além disso, Mercadante parece não compreender - o que demonstra surpreendente despreparo - que se o governo não começar a preparar desde já as crianças em idade pré-escolar, elas não terão a formação necessária para aprender matemática e ciências, os requisitos básicos de uma mão de obra capaz de trabalhar na exploração do pré sal e nos projetos de inovação científica e tecnológica inerentes àquele projeto.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 16 / 02 / 2012

Folha de São Paulo
"PIB europeu cai e mais 4 países estão em recessão" 

Economia do bloco recua 0,3% e revela dificuldade de aliar crescimento a cortes

A economia europeia encolheu 0,3% no quarto trimestre de 2011. Agora, Itália, Holanda, Bélgica e República Tcheca entraram na lista de países em recessão ao lado de Portugal e Grécia. Estes países representam cerca de um quarto do PIB da União Europeia. O resultado revela as dificuldades enfrentadas pelo bloco para conciliar crescimento com cortes nos gastos públicos.

O Estado de São Paulo
"Dilma veta todas as emendas ao Orçamento e corta R$ 55 bi" 

Propostas de parlamentares agora dependem de negociações, diz governo; Saúde e Educação são afetados

O governo anunciou um corte de R$ 55 bilhões no Orçamento de 2012. Todas as emendas que os parlamentares apresentaram, no total de R$ 20,3 bilhões, foram bloqueadas, o que pode gerar problemas para a presidente Dilma Rousseff no Congresso em ano eleitoral. A secretária de Orçamento Federal, Célia Corrêa, disse que a medida é reversível, mas vai depender de negociações com o governo. Orçamentos de ministérios estratégicos, como Saúde e Educação, caíram R$ 5,5 bilhões e R$ 1,9 bilhão, respectivamente. Ainda assim, a ministra Miriam Belchior (Planejamento) insistiu que não houve cortes: "No caso da Saúde, trabalhamos com o valor determinado pela Constituição, e na educação, um pouco além". O contingenciamento eleva os investimentos e permite que haja no fim do ano um superávit primário (economia para pagar juros da dívida) equivalente a R$ 139,8 bilhões, ou 3,l% do PIB.

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quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Arte

Senecio, 1922 / Óleo sobre tela e madeira

Paul Klee

Paul Klee nasceu em 18 de dezembro de 1879 em Münchenbuchsee, perto de Berna, na Suíça. Quando garoto, adorava ouvir os contos de fadas de sua avó, muitos dos quais ela mesma ilustrava. Logo se interessou por desenhar e pintar - mas sempre fantasia, nunca a partir da natureza. A morte de sua avó, quando ele tinha apenas cinco anos de idade, foi um golpe triste; sentiu-se "abandonado, um artista órfão".

Klee desenhava constantemente - em geral trabalhos fantásticos e satíricos nas margens de seus livros de exercícios. Nas férias, começava a desenhar paisagens a lápis com esmerada exatidão e sombreado sutil.

Em setembro de 1898, beirando os 19 anos, ele partiu para Munique para estudar arte. Apresentou-se na Academia, mas foi aconselhado a freqüentar primeiro um escola de arte particular. Klee juntou à escola Knirr e produziu vários nus e retratos. Conheceu Lily Stumpf, uma pianista, no outono de 1899, e suas afeições tornaram-se arraigadas. No entanto, só se casariam alguns anos depois.

Os primeiros passos em direção ao movimento que mais tarde ficaria conhecido como Expressionismo foram dados nesta época. É notável que as paisagens de Klee mudaram, perdendo sua objetividade e tornando-se mais monumentais e românticas.

 Around the Fish, 1926 / Óleo sobre tela

No outono de 1901, Klee foi para a Itália com o escultor Hermann Haller. Viajaram para Gênova, Nápoles, Roma e Florença. A viagem foi uma revelação. Naturalmente, Klee explorou os tesouros artísticos da Itália. Ficou impressionado com os mosaicos do começo da arte cristã, com a arquitetura renascentista e os trabalhos de Michelangelo. Também foi fortemente influenciado pelo gótico internacional, como o manifestado por Fra Angelico. Durante esta viagem, além da forte influência visual e estética da pintura italiana, passou por um profunda revisão de todas as suas crenças e teorias sobre arte.

 Souther Garden - 1936 / Óleo sobre papel montado em cartão

Klee não retornou a Munique, mas voltou para Berna. Trabalhou duro para completar seus estudos, o que culminou em uma série de quinze gravuras satíricas a água-forte, altamente detalhadas. De vez em quando ele visitava Munique, e durante uma dessas viagens, em 1904, encontrou os trabalhos de Beardsley, Blake, Goya e Ensor. A influência de Goya, em particular, foi extremamente forte.

Em outubro de 1906, Klee retornou mais uma vez a Munique para se casar com Lily Stumpf. Um filho, Felix, nasceu em novembro de 1907. Neste estágio, sua carreira, como as de muitos artistas, era uma mistura de "sucessos" e "fracassos". Durante este período, sua fascinação de toda a vida por linha e tonalidade foi consolidada. Isto é particularmente aparente nas 25 ilustrações que ele fez para Candide, de Voltaire, em 1911 e 1912. Neste ínterim, 56 dos seus trabalhos foram expostos no Berne Museum, na Kunsthaus, de Zurique, e em uma galeria em Winterthur. Em 1911, ele conheceu Kandinsky e outros artistas do grupo chamado Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul). Klee acreditava que eles compartilhavam um impulso profundamente arraigado para transformar a natureza em um equivalente do mundo espiritual e pictórico.

Um encontro ainda mais marcante, com Robert Delaunay, aconteceu em Paris, em abril de 1912. Delaunay dava uma importância igual e independente a cor, luz e movimento em seus trabalhos.

Em resumo, Klee, nesta época, estava em contato com a maioria dos artistas experimentais da Europa Ocidental, muitos dos quais profundamente interessados na questão da cor. Esta preocupação foi fomentada em uma curta viagem à Tunísia em 1914. Cores brilhantes e luz forte cristalizavam as idéias de Klee sobre cor e tonalidades.
Depois, a vida foi interrompida pela Primeira Guerra Mundial, durante a qual Klee serviu como oficial. Embora tenha produzido alguns trabalhos durante a guerra, ele não começou a pintar seriamente até 1918. Nesta época já estava ficando bem conhecido. Em 1919 assinou um contrato com Goltz, o comerciante de arte que atuou como patrono de uma grande exposição dos trabalhos de Klee em 1920.

Em 25 de novembro de 1920, o arquiteto Walter Gropius convidou-o para juntar-se ao grupo Bauhaus. Então, em 1921, Klee mudou-se de Munique para Weimar para assumir seu papel de mestre de forma na oficina de artefatos de vidro. Na década seguinte, Klee lecionaria nos institutos de Weimar e Dessou Bauhaus.

Além do aumento do reconhecimento e de várias exposições na Europa, o trabalho de Klee atravessou o Atlântico e foi exibido em Nova York, pela primeira vez, em 1924. Em 1931, o pintor deixou a Bauhaus e foi nomeado para a Düsseldorf Academy. A Bauhaus, nesta época, foi forçada pelos nazistas a deixar Dessau e a se estabelecer em Berlim. Em 1932, Klee foi violentamente atacado pelos nazistas e, próximo ao Natal daquele ano, retornou a Berna, onde desenvolveu sua fase artística derradeira, baseada em um desejo pró simplicidade. Agora ele também se encontrava perto da pobreza, pois seus recursos financeiros na Alemanha haviam sido confiscados.

Seus trabalhos desse período são muito mais amplos, com uma boa qualidade linear e traços geométricos em negrito. Em 1934, aconteceu sua primeira exposição inglesa, e uma ampla retrospectiva foi apresentada em Berna em 1935. No mesmo ano, ele desenvolveu os primeiros sintomas de câncer de pele. Por algum tempo sofreu de depressão, resultante de sua doença, mas, em 1937, retornou o trabalho com ímpeto e energia fenomenais. Enquanto isso, na Alemanha, alguns de seus trabalhos foram expostos em uma "exibição de arte degenerada", e mais adiante 102 deles seriam confiscados de coleções públicas.

Em 10 de maio de 1940, Klee foi acolhido por um sanatório perto de Locarno e, menos de um mês depois, transferido para a clínica Sant'Agnese. Morreu em 28 de junho do mesmo ano.

Klee experimentou a mistura de meios artísticos, usando aquarela e pintura a óleo ou tinta, cola e verniz, por exemplo. No entanto, nem sempre é possível especificar o meio utilizado em alguns trabalhos. (Fonte: Pintores Famosos)

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Opinião

O tombo da Petrobrás

O Estado de S.Paulo
O mercado reagiu aos resultados financeiros da Petrobrás, relativos ao quarto trimestre de 2011, derrubando, na sexta-feira, em 8,28% suas ações nominativas e em 7,84% as preferenciais. O balanço foi muito aquém das expectativas mais pessimistas. A queda do lucro decorreu da defasagem entre os preços dos derivados de petróleo praticados nos mercados externo e interno, afirmou, em entrevista ao Estado (12/2), José Sérgio Gabrielli, que presidiu a empresa até segunda-feira, quando transferiu o posto para Maria das Graças Foster, ex-diretora de Gás e Energia da estatal. A política de preços da Petrobrás é determinada pelo acionista controlador - o governo federal -, já havia afirmado Gabrielli, em outra entrevista. E a preocupação do governo federal é segurar a inflação, ainda que à custa da Petrobrás e de seus acionistas minoritários.

O lucro da Petrobrás no último trimestre foi de R$ 5,049 bilhões, menos de metade dos R$ 10,602 bilhões do mesmo período de 2010. A maior parte da queda se deveu ao prejuízo de R$ 4,4 bilhões na área de abastecimento. Em 2011, a defasagem de preços internos e externos foi estimada pelo Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie) em 16%, no diesel, e em 15%, na gasolina. O prejuízo da empresa com derivados alcançou R$ 7,9 bilhões, calcula Adriano Pires, do Cbie.

Um conjunto de problemas afetou a Petrobrás, entre os quais a desvalorização do real, que aumentou as dívidas em dólar da empresa. E cresceu a demanda de combustíveis, sem que houvesse oferta satisfatória de álcool, devido às quebras de safra da cana-de-açúcar, com as refinarias de petróleo produzindo no limite de sua capacidade. Assim, as importações de gasolina, que foram de 9 mil barris/dia, em média, em 2010, passaram para 45 mil barris/dia, em 2011, e atingiram 80 mil barris/dia, neste início de ano. Só em 2013 entrará em operação a Refinaria Abreu Lima. "Sem nova refinaria, nós sairíamos de uma situação em que importamos mais ou menos 10% a 15% das necessidades do mercado brasileiro, para importar 45%, daqui a dez anos", disse Gabrielli.

Segundo relatório do banco Credit Suisse, os prejuízos da Petrobrás crescem com o aumento das vendas da gasolina e do diesel. O aumento desses preços em 10% e 2%, respectivamente, em novembro de 2011, não foi suficiente para cobrir custos. Para Gabrielli, "se a Petrobrás continuar com essa política de preços, e o preço internacional continuar nesse patamar atual, vai haver um processo completamente irracional e ilógico de alguns distribuidores comprarem derivados na Petrobrás para exportar". Essa política de preços produz uma distorção mais grave ainda. Ela impede que a Petrobrás, que está comprometida com enormes investimentos para explorar, pesquisar e produzir petróleo nas áreas do pós-sal e do pré-sal, acumule capitais próprios. E, sem eles, será difícil cumprir as metas fixadas por seu acionista majoritário - o governo central.

Antes de a defasagem de preços de derivados tornar-se aguda, a Petrobrás já mostrava dificuldades para cumprir suas metas - entre 2003 e 2011, os investimentos aumentaram 280% e a produção de óleo e gás natural no Brasil cresceu pouco mais de 30%, de 1,5 milhão de barris/dia para 2 milhões de barris/dia. Só em 2011, os custos e despesas operacionais avançaram 27,1%.

Tudo isso leva a dúvidas sobre a capacidade da empresa de investir o necessário no pré-sal, participando de todos os consórcios de exploração. Tampouco a entrega das sondas necessárias para perfurar a profundidades superiores a 2,5 mil metros está assegurada. A Petrobrás teve até de fazer, explicou Gabrielli, um programa de longo prazo para viabilizar a instalação de estaleiros no País, encomendando a eles 26 sondas para o pré-sal. Em resumo, os prazos para extrair o óleo do pré-sal poderão ser bem maiores do que os imaginados.

Nos seis anos em que presidiu a Petrobrás, Gabrielli defendeu publicamente a política do governo para os derivados. Ao passar o cargo, mudou o tom. "Vai ter que haver um reajuste, em algum momento", disse ele. Aliás, na entrevista ao Estado fez críticas mais duras que essa à interferência do governo na programação da empresa.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 15 / 02 / 2012

Folha de São Paulo
"Empresa liga jogo suspeito da seleção a chefe da CBF" 

Acusada de superfaturamento foi dona de firma em fazenda de Ricardo Teixeira

Documento obtido pela Folha revela legação entre Ricardo Teixeira, presidente da CBF, e a Ailanto, empresa contratada para organizar o jogo da seleção com Portugal, em 2008, em Brasília, informa Sérgio Rangel. A Ailanto, investigada por suspeita de superfaturamento no amistoso, foi dona da VSV Agropecuária Empreendimentos, que tinha sede na fazenda de Teixeira, em Piraí, a 80 Km do Rio.

O Estado de São Paulo
"Obama quer ouvir Dilma sobre Irã" 

Casa Branca pretende atrair o País para o bloco dos que pressionam Teerã sobre seu programa nuclear, objeto de atrito entre EUA e Brasil

Passados quase dois anos do maior atrito entre EUA e Brasil em razão do programa nuclear do Irã, o presidente americano, Barack Obama, pretende “ouvir" sua colega Dilma Rousseff sobre a questão, informa a correspondente em Washington, Denise Chrispim Marin. O tema estará na pauta americana da visita oficial de Dilma a Obama, marcada para 9 de abril, disse o secretário-assistente de Relações Públicas do Departamento de Estado americano, Michael Hammer. Washington não esconde o interesse de convencer o Brasil a somar-se ao bloco de pressão internacional para evitar que Teerã tenha capacidade de produzir armas nucleares. Apesar de admitir as divergências, Hammer disse que, para os EUA, "a opinião do Brasil importa". No Planalto, porém, não há grandes expectativas para o encontro com Obama, nem mesmo em relação à possibilidade de liberação dos vistos para brasileiros.

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terça-feira, fevereiro 14, 2012

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Opinião

É a competitividade, estúpido

Rubens Barbosa - O Estado de S.Paulo
Apesar dos níveis recordes em 2011, a preocupação com a evolução do comércio exterior é grande. A concentração das exportações em poucos produtos e a perda de mercados dos manufaturados aumentaram a vulnerabilidade do setor externo e mostraram os problemas do setor produtivo industrial.

O governo anuncia mais um pacote de medidas de apoio ao setor produtivo e exportador, com ênfase na redução do custo do crédito e na abertura de novos mercados para os manufaturados. Certamente serão medidas discutidas e adotadas sem consulta ao setor privado e a maioria não deverá ser implementada. Nos últimos meses, as decisões na área de comércio exterior visaram, sobretudo, isenções fiscais e crescente proteção a setores mais vulneráveis à concorrência externa, além de cortes nos programas de financiamento à exportação. Na realidade, são providencias ad hoc, sem visão estratégia e de futuro e que não levam em conta as transformações produtivas que estão ocorrendo no mundo, diante da crescente presença da China como motor da produção industrial global.

O sucesso da política econômica e do comércio exterior, que quadruplicou em dez anos, esconde os verdadeiros problemas da economia em geral e do setor externo em particular. A desindustrialização é um triste fato. A indústria, que já representou 25% do PIB, hoje está reduzida a menos de 15%. O consumo doméstico é atendido cada vez mais por importações (22,3%), fazendo desaparecer fornecedores nacionais e empregos. O déficit na balança comercial industrial subiu a mais de US$ 90 bilhões. As exportações se reprimarizam (produtos primários representam 70% das exportações e quatro deles, quase 50%).

Não havendo uma política de Estado que defenda a indústria nacional, nem liderança política para tentar resolver os problemas estruturais que afetam os setores industrial e exportador, o governo não está preparado para enfrentar as causas da perda de espaço da indústria e de mercado dos manufaturados.

"Os números de janeiro da balança comercial comprovam o descaso do governo brasileiro com o setor produtivo do País. Estamos diante de uma situação muito grave, que pode comprometer nossa capacidade de gerar riquezas e empregos. O governo não pode ficar parado e se limitar apenas ao discurso. Há meses estamos alertando para o problema da avalanche de importados, que afeta severamente a nossa indústria. O Brasil não pode mais esperar, é preciso que as autoridades adotem imediatamente medidas eficazes que garantam a igualdade de condições para a produção nacional", afirmou, dura, mas corretamente, Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

Na área da negociação externa, nos últimos dez anos o aumento das exportações pouco teve que ver com a abertura de mercados por meio de acordos comerciais, pois somente acordos com Israel, Egito e, agora, com a Autoridade Palestina foram assinados, no âmbito do Mercosul. A exemplo da China e dos EUA, uma nova estratégia de negociação de acordos de livre-comércio para acompanhar as mudanças que estão ocorrendo no mundo deveria estar sendo discutida com o setor privado.

Enquanto essa é a situação no Brasil, o presidente Barack Obama, na mensagem anual ao Congresso (State of the Union), ofereceu um bom exemplo de como defender de forma vigorosa a indústria manufatureira com visão de futuro. Com milhões de empregos ameaçados, o governo americano ajudou as empresas, exigindo sua reestruturação, como ocorreu na indústria automobilística. Procurando trazer de volta empregos para a economia, anunciou um ambicioso programa de apoio à indústria doméstica. O conjunto de medidas incluiu a aprovação de ampla reforma tributária, novos impostos para as multinacionais que se instalam no exterior e exportam empregos e redução de tributos para as empresas de transformação e de alta tecnologia, além de programas de treinamento profissional especializado. Na área de comércio exterior, Obama reiterou a meta de dobrar as exportações em cinco anos, o avanço nas negociações de novos acordos de livre-comércio e o reforço da promoção das exportações e da defesa comercial com a criação de uma unidade de acompanhamento da aplicação das regras comerciais, responsável pela investigação de práticas desleais de comércio em países como a China.

Por aqui, nos últimos dez anos as medidas de apoio à indústria ignoraram a principal causa da rápida perda da competitividade da economia nacional. O custo Brasil está tendo um efeito devastador na economia. De imediato, com a perda de mercado no setor exportador e a crescente saída de empresas brasileiras e, a médio e a longo prazos, com o aumento do desemprego e a redução de investimentos.

A exemplo dos EUA, a desoneração tributária deveria encabeçar a agenda do governo para enfrentar a competição externa. Defesa comercial, apenas, não melhora a competitividade. O custo da energia, a alta taxa de juros, a apreciação cambial, que anula a proteção tarifária, as ineficiências burocráticas, a guerra de incentivos nos portos e seus altos custos operacionais, o descalabro da infraestrutura, o peso dos gastos com a corrupção e com a aplicação da legislação trabalhista poderiam, se atenuados, representar significativa redução dos mais de 35% no custo final dos produtos.

Do ponto de vista empresarial, não se trata de reivindicar uma política industrial, mas de demandar medidas pontuais com imediata repercussão sobre a competitividade do setor produtivo. Medidas recentes, ao invés de reduzir, estão fazendo aumentar o custo Brasil.

Em resumo, é a competitividade, estúpido. O setor privado já fez a sua parte, com o aumento da produtividade das empresas. Se o governo não atacar de frente o custo Brasil, a reindustrialização brasileira ficará seriamente ameaçada.

Rubens Barbosa é presidente do conselho de Comércio Exterior da Fiesp

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Manchetes do dia

Terça-feira, 14 / 02 / 2012

Folha de São Paulo
"Após prisões, policiais suspendem greve no Rio" 

Em salvador, tropas do Exército vão patrulhar as ruas durante o Carnaval

Após a série de prisões e a baixa adesão ao movimento, líderes dos PMs e bombeiros do Rio de Janeiro suspenderam a greve iniciada na quinta-feira passada. Eles anunciaram uma "trégua" para o Carnaval.Nova paralisação voltará a ser discutida após a festa, afirmaram os policiais. Eles discutem agora como negociar a libertação dos mais de cem manifestantes presos, 20 deles no presídio de segurança máxima de Bangu 1.

O Estado de São Paulo
"Governo vai elevar IR das aplicações atreladas à Selic" 

Ideia é desestimular investimentos que limitam o poder do BC de interferir no ritmo do consumo

O governo prepara mudanças na tributação do Imposto de Renda sobre as aplicações de renda fixa, como fundos de investimentos e CDBs, informa a repórter Adriana Fernandes. A proposta visa a desestimular, por meio de um imposto mais alto, as aplicações que tem rentabilidade vinculada à taxa básica de juros, a Selic. O objetivo é fazer os investidores migrarem para investimentos com correção prefixada ou atrelada à inflação. A ideia é aproveitar o momento de queda da Selic para um dígito, atacando de forma mais efetiva a chamada “cultura" do CDI - grande concentração de ativos atrelados à taxa básica de juros, hoje em 10,5% ao ano. Quanto maior a vinculação, menor o impacto das decisões de juros do Banco Central sobre o ritmo de consumo da população e de investimento das empresas.

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segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Ubatuba


E por falar em civilidade...(X)
 
José Ronaldo dos Santos
A partir da imagem de um cartão postal da década de 1970, que tal resgatar a história do Cruzeiro de Anchieta, deixá-lo limpo como já foi um dia e atrair turistas?
 
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Opinião

Tecnologia sem pedagogia

O Estado de S.Paulo
Embora a presidente Dilma Rousseff tenha prometido converter a educação em prioridade de sua gestão, seu governo vem mantendo, neste setor, a tradição iniciada por seu antecessor, de agitar bandeiras muito mais vistosas do que eficazes. A última iniciativa do Ministério da Educação (MEC ) é prova disso. Sem análises técnicas aprofundadas sobre o uso pedagógico de aparelhos eletrônicos em sala de aula, o órgão acaba de abrir uma licitação para adquirir 900 mil tablets, que serão distribuídos na rede pública de ensino básico.

Indagadas a respeito de como o material será utilizado, as autoridades educacionais limitaram-se a afirmar que o método pedagógico será definido depois da chegada das máquinas. Em outras palavras, o MEC pretende gastar mais de R$ 330 milhões num projeto de contornos imprecisos e metas vagas. A ideia é que, depois de aprenderem a manusear os tablets, os professores da rede pública disseminem em sala de aula tudo o que aprenderam em matéria de tecnologias digitais.

Contudo, de que adianta dar material eletrônico de última geração a alunos que mal sabem escrever o nome, não são capazes de escrever uma redação e, em matemática, não conseguem ir muito além das quatro operações aritméticas? Faz sentido gastar com tablets e outros equipamentos de informática quando as instalações físicas de muitas escolas da rede pública se encontram deterioradas por falta de recursos para manutenção? Não seria mais eficiente valorizar o objetivo básico do sistema educacional - que é ensinar a ler, a escrever e a calcular -, do que desperdiçar recursos com modismos pedagógicos? Por que gastar tanto dinheiro em técnica de comunicação se o conteúdo do que é comunicado continua sendo objeto de livros didáticos medíocres, muitos dos quais com erros elementares, falhas conceituais e nítido viés ideológico?

Até mesmo os educadores favoráveis ao uso de tecnologias digitais nas salas de aula da rede pública de ensino básico criticam o açodamento das autoridades educacionais na aquisição dos 900 mil tablets. Eles lembram que, para fundamentar a decisão, o MEC realizou apenas uma audiência pública, em agosto do ano passado. E, mesmo assim, os debates giraram mais em torno de aspectos técnicos - como tamanho de tela - do que de questões educacionais.

O fato é que a compra de 900 mil tablets poderá ter a mesma trajetória do projeto Um aluno por Computador, lançado pelo presidente Lula. Inspirado nas ideias do americano Nicholas Negroponte, que propôs no Fórum Econômico de Davos de 2005 a distribuição de computadores pessoais de baixo custo nos países em desenvolvimento como o primeiro passo para uma revolução educacional, o projeto era oportuno, mas foi implantado com graves falhas de gestão. Relatório feito pela UFRJ, a pedido da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), afirma que o projeto está em situação "caótica". Dos 600 mil computadores que foram oferecidos no ano passado a Estados e municípios, só a metade foi comprada. Uma parte dos computadores adquiridos encontra-se subaproveitada. O índice de laptops quebrados é alto.

Diz ainda o relatório que, como não passaram por programas de capacitação para utilizar tecnologia digital em sala de aula, os professores receberam a inovação como "ameaça". Cerca de 20% dos docentes guardaram o equipamento numa gaveta ou num armário. "O desenho do projeto subestimou as dificuldades de apropriação da tecnologia pelos professores do ensino fundamental e médio em comunidades relativamente carentes, o que levou a um subaproveitamento dos computadores em sala de aula", diz o relatório da SAE, depois de afirmar que o projeto teve "custos elevados" e que seus resultados ficaram "aquém do esperado".

Ninguém põe em dúvida a importância da tecnologia como instrumento de educação. O que se pergunta é se não seria mais urgente cuidar dos gargalos da educação pública, como a melhoria do ensino de disciplinas básicas, nas quais o desempenho da maioria dos estudantes nas avaliações do MEC continua abaixo da crítica.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 13 / 02 / 2012

Folha de São Paulo
"Sob pressão, Parlamento grego dá aval a cortes" 

Em dia de violência, mais de 100 mil protestam contra plano de austeridade

Em meio a protestos que levaram mais de 100 mil pessoas às ruas, o Parlamento grego aprovou um plano de austeridade econômica que reduzirá as despesas do país em € 3,3 bilhões. O aval aos cortes foi uma condição imposta pela Europa e pelo FMI para que a Grécia possa receber um segundo pacote de resgate e assim quitar a parcela de sua dívida que vencerá em março. Um eventual calote ameaçaria a permanência do país na zona do euro.

O Estado de São Paulo
"Violência e confronto marcam votação de ajuda à Grécia" 

Plano de austeridade proposto pelo FMI e União Europeia prevê corte de 22% no salário mínimo

Milhares de manifestantes sitiaram o centro de Atenas, ontem, enfrentando a polícia nas horas que antecederam a sessão do Parlamento da Grécia que analisaria um novo plano de austeridade para enfrentar a crise. A indignação se concentrava no corte de 22% do salário mínimo do país, uma exigência da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional para liberar o novo pacote de socorro, avaliado em € 130 bilhões. Os manifestantes se reuniram na Praça Syntagma, a principal da capital, e entraram em confronto com a tropa de choque, trocando pedras e coquetéis molotov, de um lado, e golpes de cassetetes e bombas de gás lacrimogêneo, de outro. Prédios foram incendiados.

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domingo, fevereiro 12, 2012

Escrever é juntar letrinhas...

Coluna do Mirisola

O mesmo nó

“O mesmo nó que liquidou Modigliani é o nó que trago no peito desde criança, quando eu ainda latia, o nó que também vai me matar e que vai me prender a você até o dia do seu último suspiro inútil e asfixiado, mulher”

Marcelo Mirisola
A mesma selvageria que me levou ao Masp há 30 anos arrastou-me para a exposição de Modigliani aqui no Rio, bem perto do apartamento onde Polito resolveu dar abrigo ao nó que trago de São Paulo. Tenho uma vista privilegiada da Praça Paris, com o nó, e tudo mais, além da brisa que sopra dia e noite para refrescar minhas idéias fora do lugar – estou bem localizado, encostado na Cinelândia.

Ontem, senti o bafio do Museu de Belas Artes cafungando no meu cangote, algo mais real e ameaçador do que a proposta que o travecão da Augusto Severo me fez, que incluía barba,cabelo e bigode – no meu cangote também. Nem sei por onde começar. Digamos que 1980 seja o começo. Eu tinha 14 anos e a selvageria natural de um garoto esquisito que repudiava com todas as forças – antes mesmo de existirem – o roquezinho, e a breguice ombreira daqueles tempos. Vivia na expectativa de conhecer as “sobrinhas” da Tia Olga e oscilava entre o tesão que sentia por senhoras fumantes, e a vida que levava numa … como é que eu poderia dizer?

Numa espécie de clandestinidadezinha muito particular. Naquela época, eu acreditava que meu dom podia ser um refúgio: embora nem desconfiasse da existência desse “dom” ( que hoje prefiro chamar de “inhaca”); mas acreditava sim, apesar de todos os pesares, num lugar especial – um lugar diferente do ramerrame típico de um garoto que nunca esteve nem aí pros Beatles e nem aí pros Rolling Stones. Às vezes, me sentia um retardado. Outras vezes, um animal incapaz de dizer bom dia pro Vanderlei, invocado pequinês da vizinha. Vexame a toda prova.

Não obstante a vergonha paralisante, eu tinha muita satisfação – embora não soubesse – em chafurdar na insignificância; hoje percebo que era dom e mais alguma coisa: tratava-se de um orgulho masoquista de usufruir secretamente dessa condição (mais de usufruir do que sobreviver a ela). Eu latia baixinho, remoía. Era um garoto xucro e iluminado.

Assim que, nos idos dos 80, entramos no Masp: devia ser uma excursão da escola ou algo do tipo. Quando o tal do dom ou a inhaca correspondente me arrastou violentamente para Modigliani. Nesse momento, dançaram para sempre os Degas, os Pissarros, os Picassos e todas as assombrações que disputavam espaço naquele prédio esquisito suspenso em lugar nenhum. Sou a favor da remoção do Masp. Aquilo e as câmaras frigoríficas do IML significavam/significam, aos olhos xucros do garoto e aos meus olhos caídos de hoje, a mesma coisa.

Ah, les artistes! Foi a primeira vez que os encarei frente a frente. Os putos gritavam a partir de um açougue que, no lugar de simplesmente expô-los, glorificava-os; e o pior: disputavam minha atenção. Parecia que eu estava numa feira da Vila Belmiro.

- “Olha as demoiselles! Fresquinhas, fresquinhas d’Avignon!”. D’Avignon que faz divisa com Piracicaba, bem sei. Tinha outro que me puxava pela bainha da camisa, e dava cambalhotas em torno de si mesmo como se fosse uma peça de matambre epilética: “Tá barato, freguês, tá barato! Compra uma dúzia de górgonas caolhas, e leva um par de ninfas bailarinas pra casa!”, e assim por diante. Nem sei quem me irritava mais, os monitores deslumbrados ou “les artistes” – que irrompiam de vaidades resplandecentes para logo em seguida mergulhar em opróbrios e agonias vergonhosas, feito crianças mimadas que comem os ranhos umas das outras e dão chiliques pra chamar atenção dos adultos. Almas carnívoras. Espetáculo deprimente. Que só poderia ser piorado pela certeza de que visitaríamos o Museu do Ipiranga na semana seguinte. Enfim. Quero dizer que esse tipo de eternidade, os museus e seus respectivos despojos, jamais me convenceu. Tenho para mim que são cemitérios. O mundo não precisa de museus, de arte nem de artistas! O mundo carece de shopping centers, açougues e açougueiros.

Com exceção de Modigliani.

Vejam bem: essa era a visão de um garoto xucro e iluminado de 14 anos. De lá para cá evoluí, acho que sim. Hoje, Gauguin e Van Gogh – junto com Amedeo – não me deixam ter nenhuma dúvida com relação ao meu gosto e à passagem do tempo. Evoluí sim. Hoje, ultrapassei a condição de garoto-xucro e iluminado e cheguei a condição de adulto-xucro e de saco cheio – eu sabia que Modigliani me esperava.

Amedeo Modigliani. Entrei na exposição pela diagonal. Uma urgência conhecida, porém boa, selvagem. O garoto xucro e essencial do Masp me guiava – trinta e dois anos depois – pelos corredores do Museu de Belas Artes, aqui no Rio. Caímos direto na sala das fotos. De dentro de uma urna sanitária, Jeanne Hébuterne nos espiava de boca aberta, eu não fazia a mínima idéia de quem era Jeanne. A imagem dela, iluminada pelas sombras, incomodou-me um bocado, e foi o suficiente para que o garoto dos anos oitenta, o xucrinho-essencial, afinal se escafedesse: o puto havia feito a parte dele e foi tarde.

Depois de Jeanne, fiz o percurso inverso de Amedeo. Desfrutei de Lola e Gilberte, quando a linda Maud, lavadeira e piçirico de Picasso, apareceu no ateliê de La Ruche, e me chamou à responsabilidade: não me fiz de rogado e imediatamente a subjuguei de modo que ela e Elvira se pegaram – debaixo do meu saco – gostoso. As maluquetes rastejavam,se lambiam e mordiam minhas panturrilhas. Iam subindo. A ideia era fazer com que ambas ordenhassem meus culhões, uma bola para cada uma; hoje, depois da putaria, não sei dizer se foi Maud ou Elvira quem me sacaneou, mas eu senti a língua de uma das duas, ou das duas, sabe-se lá, a sarrear minha bunda. E pensava: “Essas biscates vão engasgar com os pentelhos grisalhos do meu rabo imundo, que se fodam!”. Ah, as maluquetes da belle époque adoravam uma boa putaria. Não só elas, as madames também. Confesso que me deu um grande cagaço na hora que topei com a autoritária e sedutora Beatrice Hastings. Mesmo assim, paguei pra ver: quer dizer, o mais correto seria dizer que foi Beatrice quem pagou … Anna Achmatova deixei passar batido porque eu sabia que o risco de brochar com uma poeta era muito grande, mas nenhuma, nenhuma se comparava a Jeanne, iluminada pelas sombras.

Modigliani tentou várias vezes, pintou várias versões da mesma Jeanne e não logrou reproduzi-la como ela e ele mereciam. Quando cheguei à exposição, não sabia da história dos dois. Juro! Não sabia!

Depois disso, não consegui ver mais nada. Jeanne me olhava a partir do nó que a desgraçou, o mesmo nó que Modigliani tentou e não conseguiu (digo, conseguiu) espichar – ou desatar – em seus trinta e seis anos de vida. O nó que é emaranhado, nasce e se imiscui dentro da palavra dom. Até encobrir o dom, encobrir o tempo e a palavra e acabar com a vida do infeliz de uma vez por todas.

Eu falei de Van Gogh e de Gauguin. O primeiro foi tomado por uma cegueira de amarelos intensos depois que reproduziu o nó sobre a noite esburacada lá dos cafés de Arles – taí um lugar-comum, mas é fato. Fazer o quê? E Gauguin o remoeu na Polinésia Francesa, e fez lúbricos cipós brotarem do ventre de meninos-travestis, feito hemorróidas. A Propósito. De nada adiantou Gauguin se pirulitar de Paris, ele também foi absorvido pelo gênio onde o vento faz a curva, digo, absorvido pelo nó; Gauguin se fodeu literalmente de verde e vermelho e sob todos os aspectos: da ausência de Van Gogh, de calor e umidade, de loucura, absinto e sífilis. Esse mesmo nó que ainda vai fazer meu pau amolecer dentro de sua boca. O nó que destruiu a vida de Jeanne e Amedeo.

O nó que faz tudo dar errado.

Lembra quando eu vomitei naquele hotel vagabundo, e depois mandei você ir embora? Não foi seu coração que regurgitei no vaso sanitário, vomitei o nó, mas ele não saiu de mim. O nó. O mesmo nó que você vislumbrou no fosso dos meus olhos castanhos e que vem de longe, o nó que a confunde e a faz enxergar poesia onde somente existe egoísmo, solidão e desespero.

Outro dia, fuçando no You Tube, achei Manuel Bandeira. Um filme com imagens caseiras do poeta – anos 40-5O. Ele carregava o dom até quando esquentava leite e olhava pela janela. Pasárgada é o nome que deu ao nó. Em determinado momento, atende o telefone e abre um sorriso acachapante. Devia ser Jayme Ovalle do outro lado da linha. Ah, que sorriso maravilhoso tinha Bandeira, dentões de cavalo. Homem solitário. Imagino que a vida dele tenha sido um inferno … nem o sorriso largo de Bandeira foi o suficiente. Não adiantou nada.

A gente até que disfarça, olha através das janelas, atravessa ruas e amarra os sapatos, escarnece do nó e o esquece durante longos anos, a gente tamborila timidamente um samba no balcão da padaria enquanto nossos amigos envelhecem escandalosamente diante de nossos focinhos e o chapeiro não traz a média com pão com manteiga … A morte. “A morte é uma condição que a gente vive acordado”. Voilá! Dessa vez tive de concordar e tirar o chapéu pro Ricardinho: vivemos a morte acordados.

No dia 24 de janeiro, morre Modigliani no Charité de Paris. No dia seguinte, Jeanne, grávida de oito meses do segundo filho de Modigliani, suicida-se aos 21 anos de idade. Dez anos depois, ela é transferida para o cemitério Père Lachaise, para “descansar” ao lado de Amedeo. A gente desanima diante da esperança alheia, mas continua dando palpites, a gente ama as mulheres, chupa a buceta delas e visita museus e cemitérios desnecessários. Nada faz a mínima diferença. Inútil dar de ombros. “A coisa mais triste” – dizia Bandeira: “é mulher grávida”.

O nó traz para si. O nó faz as mulheres parirem filhos de homens errados. Encerra. Quem tem o nó, sabe. Quanto mais Modigliani o alongava, mais enclausurava-se dentro de si mesmo. Eu vi, meu amor, juro que vi Jeanne no desenho do seu sexo. Nas suas convulsões antes de gozar e nos seus espasmos apaixonados. Chupei gostoso. Abri e fechei o nó, fiz festa, debochei e brinquei de língua-de-sogra como se você fosse meu carnaval, espargi e tratei de engolir tudo de volta, feito uma cânula de sucção. Depois vomitei.  Por isso que a mandei embora. Já não sabia onde terminava o aborto e onde começava o amor,e vice-versa. Só tinha a certeza do nó. Compreende?

O nó é o estilo, o nó é o movimento contrário. O nó leva os amantes ao desespero. Não há reencontro possível, há o nó. Jeanne Hébuterne não tinha um filho na barriga. Pobre Jeanne. Ela se matou porque não aguentava mais o nó. O mesmo nó que liquidou Modigliani é o nó que trago no peito desde criança, quando eu ainda latia, o nó que também vai me matar e que vai me prender a você até o dia do seu último suspiro inútil e asfixiado, mulher.

A exposição “Modigliani, imagens de uma vida” fica em cartaz até 15 de abril. De terça a sexta-feira das 10h às 18h,e sábados, domingos e feriados, das 12h às 17h. Os ingressos custam 8 reais a inteira, e 4 reais a meia-entrada para estudantes e idosos. O Museu Nacional de Belas Artes localiza-se no centro do Rio de Janeiro, vizinho ao Theatro Municipal e à Biblioteca Nacional.


Publicado originalmente no "congressoemfoco"

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Opinião

A devassa nas ONGs

O Estado de S.Paulo
Deve haver um poderoso lobby atuando em favor de um grande grupo de organizações não governamentais (ONGs), que alegadamente funcionam sem fins lucrativos. Em 31 de outubro do ano passado, a presidente Dilma Rousseff, em face das irregularidades constatadas em vários Ministérios, bloqueou por decreto os pagamentos a ONGs, para uma avaliação de contas. Aquelas que fossem consideradas regulares seriam pagas no prazo de 30 dias.

Quanto aos convênios "avaliados com restrição", muitos dos quais denunciados por desvio de verbas, teriam 60 dias para comprovar se os recursos foram aplicados licitamente de acordo com os contratos. O prazo venceu no dia 29 de janeiro e, nove dias depois, foi divulgado que o governo havia cancelado, por irregularidade, 181 convênios com ONGs, que, assim, ficavam impedidas de assinar quaisquer contratos com o governo federal. Mas isso não era tudo. Como informou o Estado (8/2), o governo concedeu uma sobrevida a ONGs, prorrogando o prazo para acerto de contas dos convênios, conforme nota conjunta da Casa Civil, Corregedoria-Geral da União (CGU) e Ministério do Planejamento.

Agora se sabe que, de um total de 1.403 convênios analisados, restam 305 convênios na malha fina, aos quais foi dado um prazo até o próximo dia 27 para apresentar documentos comprobatórios da destinação dos recursos recebidos, que somam nada menos do que R$ 755 milhões. Espera-se que essa incompreensível leniência do governo tenha fim nesse novo prazo e que sejam revelados, com absoluta transparência, quais as ONGs que tiveram seus registros cancelados, em quais Ministérios, bem como os nomes de seus responsáveis diretos, para que procedam à devolução aos cofres públicos dos valores surripiados.

A princípio relutante em se manifestar sobre a prorrogação do prazo, uma decisão que presumivelmente foi tomada em esfera superior à sua, o ministro-chefe da CGU, Jorge Hage, esclareceu que o órgão ainda não tem o total do rombo no caixa do governo. "Só teremos isso depois de instaladas e concluídas as tomadas de contas. Temos apenas a soma dos valores brutos dos convênios que estão sob análise." Mesmo assim, o número e o valor dos convênios sob suspeição são impressionantes, dando credibilidade à presunção de que muitas ONGs foram criadas com finalidades políticas inconfessáveis ou sirvam apenas como biombo para a lavagem de dinheiro e outras formas de corrupção.

Deve-se ressalvar que há muitos tipos específicos de ONGs, e que uma boa parte delas, notadamente aquelas que atuam em áreas de reconhecido interesse social, vivem de doações privadas e só eventualmente de verbas públicas; não têm realmente fins lucrativos; são dirigidas por conselhos compostos por voluntários; cumprem as finalidades para as quais foram estabelecidas e prestam contas regularmente aos órgãos competentes.

ONGs existem e operam praticamente em todos os países do mundo, mas fatos que levaram à demissão de ministros indicam que, no Brasil, a relativa facilidade para a criação dessas instituições deixou brechas de que se aproveitam políticos corruptos para desvio de recursos, não faltando casos de ONGs registradas em nome de "laranjas" e com endereços falsos ou inexistentes.

A medida moralizadora tomada inicialmente pela presidente dava tempo mais que suficiente para que fossem esclarecidos os casos que escaparam à Operação Voucher, deflagrada pela Polícia Federal no ano passado. Alega-se que o não cumprimento do prazo se deve a questões burocráticas, uma vez que só dois ou três Ministérios (não mencionados) haviam entregue no prazo as suas avaliações à CGU. Se este for o caso, o que poderia ser tido como uma desculpa é uma agravante. Antes de mais nada, representa uma desobediência a uma determinação da Presidência da República. A demora na regularização pode levantar também a suspeita de conivência de Ministérios com as ONGs que deixaram de apresentar as prestações de contas.

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