sábado, fevereiro 04, 2012

É proibido proibir

Blogueira cubana

Sidney Borges
É totalmente improducente a atitude do governo cubano em relação à blogueira Yoani Sanchéz. A teimosia tem semelhança com a dos americanos que insistem em manter o anacrônico bloqueio à ilha dos irmãos Castro.

Camaradas, deixem a menina vir ao Brasil, comer acarajé e visitar o elevador Lacerda.

Para evitar maledicências em relação ao paraíso socialista basta manter por perto um especialista em dissidentes cubanos, o ex-ministro e atual governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro.

No caso dela abrir a boca com más intenções ele, com o dedo em riste, fará uma advertência sonora: óóóóóó!!!

Duvido que ela não mude de assunto imediatamente...

Da série: "Se eu fosse prefeito..."


Colocaria bondes de 2 andares em Ubatuba. (Sidney Borges)

Colunistas

Corações solitários

De como transformar verdades em mentiras descaradas, fora da ficção

Márcia Denser
Definitivamente não sou uma pessoa gregária.
 
E disso posso dar alguns exemplos, alguns bem bizarros. Nos anos 80, quando decidi ficar sócia dum clube, escolhi o Clube Inglês (ainda existe?) ou São Paulo Atletic Club (uma pérola incrustada – dotada de quatro maitres absolutamente impecáveis – na Visconde de Ouro Preto, imediações da Augusta com a 4ª. Delegacia), precisamente PARA NÃO TER QUE ME SOCIALIZAR COM NINGUÉM.
 
Posto que frequentado por ingleses, norte-americanos, australianos, finlandeses e afins, eu não teria que me entender com o entorno indecifrável, tampouco me emputecer, uma vez que bobagens ditas em outras línguas (tipo novela das oito ou muvucas da revista Contigo ou gossips políticos estúpidos, tudo perfeitamente embalado pelo tesouro nacional de clichês, lugares-comuns e frases feitas), naquele matraqueante coloquial gênero clube-soda, seriam inocentemente ignoradas (e ainda que as entendesse duma forma longínqua e/ou intermitente, podia tranquilamente me fazer de surda numa boa, tipo “brasileira loira-burra” ).
 
O objetivo era emparedar-me no interior dessa barreira de línguas estranhas, erguendo uma espécie de MURO entre mim e o resto da humanidade. Podia bronzear-me, beber e escrever, perfeitamente feliz e alheia, como se estivesse numa ilha deserta. Ou os demais fossem invisíveis. Ou ambos.
 
Suprema ironia: tenho contos traduzidos em dez línguas.
 
Amores: tive muitos, dezenas, centenas, sempre motivada pela paixão (leia-se desejo sexual) que, diga-se, nunca duravam muito, sei lá, meses ou semanas ou DIAS, para ser bem honesta e tudo mais:o fato é que eu esquecia qualquer sujeito muito rápido! Ou virava meu amigo ou eu simplesmente sumia com ele. Como o bicho da maçã, este último não me servia para nada. Por mais apaixonada que estivesse. Afinal, quem se importava? Em dois ou três dias, ele estaria esquecido de qualquer forma. O fato de “esquecer amores” muito rapidamente eu atribuía à minha personalidade – um mix de intelectualismo, superficialidade e frieza naturais.
 
O fato é que havia uma dissonância absurda entre o que eu era em essência (uma escritora por vocação e intelectual como consequência, que sabia no que estava se metendo, isto é, um universo eminentemente masculino, razão pela qual, apesar de possuir objetivos implacáveis de carreira, ter como princípio não fazer nenhuma concessão para atingi-los, salvo mérito, esforço e talento próprios, isto é, com minhas armas e apenas elas) e o que aparentava ser: uma mulher bonita, talvez excessivamente. O que era uma merda.
 
Daí o fato de Diana Caçadora cair-me como uma luva – na versão “sacerdotisa biscate” – com um estilo e um modus operandi definitivamente masculino. Sem contar uma certa irreverência provocadora, irresistível à mulher que a tem. E eu tinha. Definitivamente, era uma merda.
 
Também não estou me queixando de barriga cheia, só constatando como as coisas são. Digo, foram. Com a idade, tanto a beleza como o desejo vão ficando para trás: fosse ligada no amor, estaria ferrada. Outra bizarria: fosse maluca, não haveria psiquiatra para mim. Não após a leitura duns três mil livros, a vivência duns trezentos namorados e uma longa carreira literária das mais acidentadas, elementos absolutamente sem sentido, sobretudo no caso de psicólogos formados pelo período da tarde da Unip. Ferradíssima.
 
Bizarria derradeira: em viagens aéreas, escolho sempre os últimos lugares, na cauda, assento do corredor. No caso de precisar sair correndo em caso de malcriação (minha), insolência (idem), provocação (ibidem) ou os três, CASO os outros dois assentos já estejam ocupados, isto é, algo praticamente inevitável em 70% dos casos.
 
Quanto à primeira palavra do título: se existe uma coisa que eu não tenho é coração, no sentido babaca do termo (escrevi isto num conto, apropriadamente chamado Tigresa: se o “leão não tem pena da presa”, Diana, caçadora feroz, também não tinha).
 
Então qual o motivo da escolha do tema Corações Solitários? Salvo caso duma dupla homenagem aos Beatles: lembram de Sargents Paper Lonely Hart Club Band? – aquele disco abominável dos chatos de Liverpool? E Nathaniel West (autor do famoso Lonely Harts), escritor que acho um porre? E aqui, precisa ler o livro pra entender o trocadilho: escrito durante a “lei seca” nos EUA, seus personagens só bebem, repito, vivem bebendo o tempo todo, a ponto do leitor só prestar atenção NISSO, tornando-lhe linguagem e plot, completamente inúteis, tipo “ruídos na mensagem”. Algo que, aposto, nem o próprio West percebia, ocupado demais com o próximo copo.
 
Como viram, absolutamente não é este o caso.
 
Então o que temos aqui? Um texto que nega seu título? O que, por si mesmo, já seria um recurso, uma pirueta literária (e na arte do “contorcionismo verbal” nós, escritores, somos mestres)? Não exatamente.
 
Num golpe de prestidigitação textual, concluir que amor & solidão nada têm a ver entre si? Precisamente quando a verdade se dá na direção oposta, porquanto é o sistema de vínculos afetivos e reconhecimento pelo Outro que possibilitam nossa sanidade mental e desenvolvimento humanos? Não, naturalmente.
 
Apenas comprovar – mais uma vez e inutilmente – que, para quem sabe usá-la (o que também implica em distorcê-la), a palavra se presta a tudo. Literalmente.
 
Como isto ocorre nessa crônica? Bom, meio intuitiva, meio de-li-be-ra-da-men-te:
1) Omiti conexões entre “amor e solidão”, discorrendo separadamente sobre ambos;
2) Degradei o “amor”, rebaixando-o a “desejo sexual”;
3) Operando com o ritmo, associei “amor” à pressa, frieza e superficialidade;
4) Exaltei a “solidão”, falando dela a maior parte do tempo: dei-lhe mais espaço ergo mais valor que ao “amor”;
5) E o arremate bem filha-da-puta: o “amor” como coisa a ser “esquecida”,”deixada de lado”, “de somenos”. E bicho da maçã – “que não serve para nada”.
 
Taí, pessoal, como se dá o “contorcionismo verbal, arte tão sub-reptícia quanto marcial da qual possuo várias medalhas olímpicas e é preciso chegar lá, tornar-se um veterano no manejo de todo o estoque de truques sujos para entrar em campo e dar meia-volta na verdade, baixar-lhe o moral e à categoria de meia-verdade, fazê-la recuar pouco a pouco, encurralando a omissão contra as cordas, até que, na condição de mentira, beije a lona, glory halleluiah!” (in Caim, pg.22).

E tem gente que ainda fala em “processo criativo”, que gracinha…

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

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Opinião

Supremo reabilita o CNJ

O Estado de S.Paulo
Ao manter as atribuições do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por 6 votos contra 5, o Supremo Tribunal Federal (STF) deu o primeiro passo para pôr fim à crise do Poder Judiciário deflagrada no final de 2011, quando associações de magistrados acusaram a corregedoria do órgão de controle de quebrar ilegalmente o sigilo bancário de juízes e os ministros Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski concederam liminares suspendendo as investigações que vinham sendo feitas nas Justiças estaduais. Esta semana, o STF julgou a liminar concedida pelo ministro Marco Aurélio. A outra, que questiona as relações entre o CNJ e os órgãos de inteligência financeira do governo, não tem data para ser julgada.

Com sua decisão, o STF devolveu ao CNJ a prerrogativa de abrir sindicâncias independentemente das corregedorias judiciais e de avocar investigações paradas nos tribunais. Em outro duro baque para o corporativismo judicial, o STF determinou que os julgamentos administrativos de juízes acusados de corrupção continuarão sendo feitos em sessões públicas.

O julgamento do STF foi longo, uma vez que os ministros examinaram quase todos os 29 artigos da Resolução 135 do CNJ, que disciplina as punições a juízes. Das entidades que questionaram a constitucionalidade desse texto legal, a mais importante é a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), dirigida por um desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo. Com 1,9 mil juízes e cerca de 360 desembargadores, a Corte é apontada pela corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, como a mais refratária ao controle externo.

A oposição de juízes ao CNJ é antiga. Ela ficou evidenciada quando alguns setores da corporação - especialmente os vinculados às Justiças estaduais - se mobilizaram politicamente para tentar impedir a aprovação da Emenda Constitucional (EC) 45, que introduziu a reforma do Judiciário. Concebida para desburocratizar os tribunais e impor o controle externo, coibindo desvios funcionais de juízes, a EC 45 foi aprovada em 2004, com forte apoio da opinião pública.

Derrotados na arena parlamentar, juízes insatisfeitos com a atuação do CNJ tentaram restringir as prerrogativas do órgão no plano judicial. Desde a instalação do órgão, em 2005, associações de juízes já impetraram 20 Ações Diretas de Inconstitucionalidade contra ele. A ação mais ambiciosa foi a que o STF julgou esta semana, depois de acirrada polêmica entre o presidente da Corte, Cezar Peluso, e a corregedora do CNJ. Em setembro, Eliana Calmon afirmou que alguns tribunais abrigam "bandidos de toga" e que o CNJ só conseguiria concluir investigações sobre pagamentos feitos pelo TJSP "no dia em que o Sargento Garcia prendesse o Zorro". Três meses depois, ao criticar outra vez a Justiça paulista, ela disse que "a serpente (da corrupção) está nascendo e é preciso combatê-la".

Tendo atuado na Justiça paulista por 35 anos, como juiz e desembargador, Peluso tomou as dores de seus antigos colegas, mas não conseguiu que Eliana Calmon se retratasse. Ela ganhou apoio da opinião pública ao mostrar o saldo de realizações do CNJ. Nos últimos seis anos, o órgão constatou que 3.426 juízes e servidores fizeram movimentações atípicas, num total de R$ 835 milhões. Atualmente, há 17 sindicâncias abertas para apurar denúncias de venda de sentenças. Já a AMB e os presidentes de TJs limitaram-se a acusar o CNJ de violar garantias dos juízes, em suas investigações. As garantias dos magistrados são indispensáveis para o bom funcionamento do Estado de Direito, não há dúvida, mas não podem ser invocadas para blindar magistrados de qualquer investigação sobre desvio de conduta e corrupção.

Além da opinião pública, o CNJ teve o apoio do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que deu parecer contrário às pretensões da AMB. "O que levou à criação do CNJ foi a percepção generalizada da incapacidade das corporações judiciais para exercer adequadamente seu poder disciplinar", afirmou. Depois dessa derrota, a AMB chegará enfraquecida ao julgamento da liminar que suspendeu as investigações sobre a folha de pagamentos do TJSP. Se for coerente com o julgamento desta semana, o STF aplicará a mesma decisão ao segundo julgamento, encerrando esse lamentável episódio da história da Justiça brasileira.

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Manchetes do dia

Sábado, 04 / 02 / 2012

Folha de São Paulo
"Com greve da PM, Salvador tem onda de mortes e saques" 

A duas semanas do Carnaval, medo da violência afeta turismo e fecha portas do comércio; Exército ocupa ruas

Salvador viveu ontem um dia de mortes, saques, medo e insegurança com a paralisação de policiais militares por aumento salarial. O governo da Bahia confirmou 18 homicídios durante a madrugada, cinco a mais do que nas 24 horas da sexta-feira anterior. Forças federais foram mobilizadas, mas o medo levou o comércio a fechar as portas. Houve arrombamentos e saques até durante o dia.

O Estado de São Paulo
"Decisão do STF mina 'elitismo do Judiciário', diz corregedora" 

Juristas e até AMB elogiam decisão do STF sobre CN

Com agradecimentos ao "povo brasileiro", a corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, considera que a decisão do Supremo Tribunal Federal de manter os poderes do Conselho Nacional de Justiça para investigar e processar juízes é um golpe contra o corporativismo dos magistrados. "Estamos removendo 400 anos de representação elitista no Judiciário", disse a corregedora ao Estado. "A modernidade vai tomando conta dos espaços públicos e deixando engessados os movimentos corporativistas". Para ela, um dos aspectos mais importantes do julgamento foi o fato de ter sido público, o que é "grande aliado contra a corrupção", acabando com a "cultura do biombo". 

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sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Corações ao alto!

Coluna do Celsinho

Em frente!

Celso de Almeida Jr.
Na segunda feira, dia 6 de fevereiro, iniciaremos o ano letivo em nossa escola.

Um mês depois, 6 de março, completaremos trinta e quatro anos de funcionamento.

Em cada volta às aulas sou dominado por um sentimento de grande alegria e satisfação, quando vejo a Prô Aninha, mãe querida, receber a garotada sorridente; com seus acolhedores braços abertos.
 
Uma longa história tem o Colégio Dominique.

Daria um livro, temperado com muita emoção.

No período de férias, que agora se encerra, a equipe técnico-pedagógica mergulha no planejamento e nas reformas, sempre atenta aos necessários avanços que o setor educacional exige.

Neste ano, um novo espaço informatizado, sob o comando de Adriano Correa Teixeira, será o diferencial.

Adriano, que ministrará as atividades de Educação Financeira, iniciadas no segundo semestre do ano passado com os alunos dos ensinos fundamental e médio, terá, também, a gigantesca tarefa de coordenar os professores para um eficiente desempenho na era digital.

Não adianta distribuir um computador para cada aluno, se um conteúdo de alto padrão não for previamente estabelecido. E, com este pensamento, toda a escola caminhará para o pleno uso das ferramentas digitais.

Mais um passo importante na incessante luta de oferecer o que há de melhor para nossas crianças e jovens.

Vamos em frente.

Com perseverança, firmeza e entusiasmo.

Rumo aos trinta e cinco...

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

Toque de recolher

O Estado de S.Paulo
Quando não se pode ganhar uma guerra nem perder a face, a solução é declarar vitória e retirar as tropas. Atolados no Afeganistão desde 2001 no que o presidente Barack Obama viria a chamar de "guerra por necessidade", em contraste com a "guerra por escolha" no Iraque, os Estados Unidos conseguiram dispersar o inimigo que os levou até lá - a Al-Qaeda do afinal eliminado Osama bin Laden -, mas não conseguiram enfraquecer os fundamentalistas islâmicos do Taleban que lhes davam ajuda e conforto.

Contida a ameaça terrorista que emanava do território afegão, deixou de ter sentido estratégico, político e financeiro continuar expondo às incursões da insurgência os 90 mil americanos ali acantonados (e os seus 40 mil camaradas de 12 outras nacionalidades) apenas para sustentar o governo venal, incapaz e trapaceiro do presidente Hamid Karzai e impedir que o país volte a ser dominado pelo fanatismo medieval dos taleban. Em um decênio de conflitos, ao custo devastador de meio trilhão de dólares, morreram perto de 1.900 militares americanos e cerca de mil de outras nações, além de 23 mil afegãos, entre civis e soldados.

No ano passado, depois de reforçar com mais 30 mil homens os efetivos no Afeganistão e ordenar a intensificação dos ataques dos aviões não tripulados à guerrilha, Obama marcou para o final de 2014 a transferência completa aos afegãos das operações contra os insurgentes e a volta das tropas para casa. Vinte e dois mil militares devem sair nos próximos meses. Eis que, anteontem, a caminho de uma reunião da Otan para tratar precisamente da questão afegã, o secretário americano de Defesa, Leon Panetta, anunciou que o país deixará de participar do combate direto ao Taleban já no segundo semestre do ano que vem.

A missão das tropas remanescentes será "aconselhar e assistir" as forças afegãs de segurança. Estas, por sinal, serão reduzidas dos atuais 350 mil soldados para um número ainda indeterminado em razão do seu custo - US$ 6 bilhões anuais -, incompatível com o achatamento dos cofres americanos e dos seus aliados europeus. A grande maioria deles, se não todos, aguarda com ansiedade a hora de entregar o Afeganistão à própria sorte - e seja o que Alá quiser. Ainda há pouco, depois do assassínio de quatro soldados franceses por um militar afegão durante uma sessão de treinamento, o presidente Nicolas Sarkozy, cujas perspectivas de reeleição são cada vez mais sombrias, apressou-se a prometer que não esperará 2014 para repatriar os 3.800 militares de seu país.

Obama também só tem a ganhar nas urnas se apressar a aplicação do "modelo ao Afeganistão - menos soldados nos quartéis e nenhum em batalha. Há mais do que isso em jogo. A mudança no cronograma decerto está associada aos primeiros ensaios de conversações entre americanos e taleban, com a intermediação do Catar. A demanda imediata da insurgência, como prova de boa-fé do interlocutor, é a libertação de cinco dos principais militantes detidos em Guantánamo. Karzai, a quem os taleban abominam mais do que aos americanos, se opõe ao trato, alegando que afronta a soberania de seu governo. O fato é que, para o Taleban, cedo ou tarde o movimento tomará o poder em Cabul.

Pelo menos essa é a conclusão do mais recente relatório sobre a guerrilha preparado pela inteligência militar americana, com base em interrogatórios de 4 mil suspeitos de integrá-la. O seu manifesto otimismo parece desmentir as versões oficiais de que o Taleban está alquebrado. Não menos importante é a admissão dos presos de que a insurgência não apenas recebe pleno apoio do ISI - o temível serviço de segurança do vizinho Paquistão -, mas é por ele controlada. Os Estados Unidos precisam se desvencilhar do cipoal afegão por duas outras razões. A primeira é logística: a anunciada ampliação da presença militar americana no vasto entorno da China, com a instalação de uma base na Austrália. A segunda é principalmente política: a eventualidade de que o contencioso com o Irã desande de vez induz os EUA a se desembaraçar de tudo o mais na esfera islâmica.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 03 / 02 / 2012

Folha de São Paulo
"Supremo mantém poder do CNJ para investigar juízes" 

Em decisão apertada, ministros põem fim à polêmica que dividia integrantes do Poder Judiciário

O Supremo Tribunal Federal decidiu que o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) pode investigar juízes por iniciativa própria, sem necessidade de apuração prévia das corregedorias locais. Em votação apertada (seis votos a cinco), os ministros do Supremo rejeitaram pedido da principal associação de magistrados do país, a AMB, que questiona os limites de atuação do conselho.

O Estado de São Paulo
"Em votação apertada, STF mantém poder do CNJ" 

Conselho recebe aval para investigar magistrados sob suspeita sem esperar decisão de corregedorias

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ),com o aval da maioria do Supremo Tribunal Federal (STF), pode abrir processos contra magistrados suspeitos de irregularidades. Para isso, os conselheiros não precisam esperar as investigações das corregedorias dos tribunais de Justiça ou justificar a decisão. Essa era, até o fechamento da edição, a posição de 6 dos 11 ministros da Corte, que votaram por manter os poderes do CNJ intactos. Para esse placar, o voto da ministra Rosa Weber, que assumiu a cadeira no STF no dia 19 de dezembro, foi decisivo; A ministra recém-chegada ao Supremo votou por manter o poder do Conselho de processar magistrados, driblando o corporativismo que atinge algumas corregedorias de tribunais locais e que motivou a criação do CNJ, em dezembro de 2004. Até Rosa Weber proferir seu voto, o tribunal estava dividido 

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quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Brasil - Origem da desigualdade

Pelourinho - Debret

Escravidão - 400 anos de infâmia!

Sidney Borges
No dia 4 de janeiro de 1875 o jornal "A Província de São Paulo" ia às bancas pela primeira vez sob a batuta de Américo de Campos e F. Rangel Pestana, bravos jornalistas que hoje dão nome a logradouros públicos da Paulicéia, Américo virou rua e Rangel, avenida. O administrador geral também ficou famoso e hoje também empresta o nome a uma rua: José Maria Lisboa. No primeiro número do jornal um anúncio mostrava a triste realidade do modo de produção brasileiro, baseado na mão de obra escrava, que tanto sofrimento causou e que ainda causa na forma de uma das mais cruéis desigualdades sociais do mundo dito civilizado, já que no não civilizado não há esse mal. Vamos ao anúncio com a grafia da época:

Escravos fugidos

Fugirão da fazenda da Fortalesa, e pertencentes a Joaquim Antonio Garcia, de Parahybuna, os seguintes escravos: - Jeronymo, preto, creoulo, estatura mais que regular, reforçado de corpo, rosto comprido, desdentado na frente, bem barbado, tem n'um dos pés a cicatriz d'um grande golpe de machado, falla grossa e pausada; lavra e serra madeira, e é dado a embriaguez. - João, mulato cabra, alto, delgado, olhos grandes, barbado no queixo, falla fina e pausada, pés compridos e voltados para fóra, muito deligente e activo.
O primeiro d'estes escravos fugio em Agosto, e o segundo em Outubro do corrente anno. Quem apprehendel-os e puzer seguros em qualquer cadêa da província, será satisfatoriamente remunerado, e indemnisado das despesas que fizer.

Parahybuna, 26 de Dezembro de 1874.

É melho ficar calado!

Livre pensar é só pensar...

Sobre proibições

Sidney Borges
Um dia Caetano Veloso cantou "É proibido proibir". Concordei. Proibições interferem na possibilidade do fazer. Na minha modesta opinião, cada um, desde que não incomode o vizinho, deve ir de encontro ao que lhe der na telha. Inclusive fumar. E também assistir a certos programas televisivos que considero baixaria, mas que minha tia de 85 anos adora. Tem gente querendo proibir o BBB-12. A atitude é assustadora. Proibir remete à Santa Inquisição que torturava em nome de Deus. Em 1966 fui contra as determinações do Tribunal do Santo Ofício ao ler um livro listado no "Index Librorum Prohibitorum". Minha avó ficou chocada ao descobrir em meu quarto a obra "anticlerical" de Stendhal, O Vermelho e o Negro. Só não fui excomungado por que comecei a leitura em maio e quando teminei, em julho, o Index já era, abolido que foi em 15 de junho. Ufa! Escapei do fogo eterno por semanas! Dias atrás escrevi sobre as maravilhas do controle remoto. Hoje reproduzo um texto do mestre Veríssimo que trata do mesmo tema. Enjoy it!

A arma

Luiz Fernando Veríssimo (original aqui)
Nessa discussão sobre baixarias na TV e a má qualidade generalizada do que vai ao ar, ninguém se lembra que toda casa brasileira — pelo menos toda casa brasileira com TV — tem uma arma eficaz de autodefesa. É uma arma poderosa. Com ela se cala a boca do político embromador e do apresentador gritão, se elimina o programa que choca ou desagrada e o troca por outro, se chega até, em casos extremos, a cortar a força do aparelho ofensivo e silenciá-lo, para sempre ou por algum tempo, para aprender. E tudo isto sem sair da poltrona.

O nome da arma é Controle Remoto. É movida a pilhas e cabe na palma da mão. Não é uma invenção muito antiga. (Sim, crianças, houve um tempo em que para ligar e desligar a TV ou mudar de canal você precisava sair do sofá e ir até lá. Inconcebível, eu sei.).

Mas minha neta começou a usar o controle remoto antes de começar a andar, e pelo menos duas gerações se criaram usando-o sem se dar conta da mágica que tinham nas mãos. O poder de mover as coisas à distância e comandar o mundo sem precisar sair do lugar é uma ambição humana desde as primeiras bruxas, mas as gerações que se criaram com ele usam o CR com a inconsciência de um cachorro brincando com uma bola de césio.

Se não se dão conta do seu poder mágico, muito menos se dão conta de que o CR é uma arma. Porque o CR também representa essa outra coisa potente que temos para nos defender das agressões da TV: o livre arbítrio. A capacidade de decidir por nós mesmos. De procurar uma alternativa, outro canal, ou o silêncio. Em vez de dizer "isto deveria ser proibido" e incentivar, indiretamente, a censura, e negar o direito dos outros de gostarem de porcaria, deveríamos exercer, soberanamente, a liberdade de escolha do nosso dedão.

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Pitacos do Zé


E por falar em civilidade...
 
José Ronaldo dos Santos
Será que os componentes da Egrégia Casa (especialista em moção), juntamente com o Mandatário Azulante, estabeleceram à Petrobras as exigências para evitar um revestimento oleoso em nossas praias e costeiras?

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Opinião

Dilma desandou

O Estado de S.Paulo
São improcedentes as críticas à presidente Dilma Rousseff por sua recusa em abordar as violações dos direitos humanos sob a ditadura que vigora em Cuba há meio século. Mas ela merece ser criticada - duramente - pelo palavrório com que tentou justificar em Havana o seu silêncio em face da política repressiva do regime dos irmãos Castro.

Dilma foi a Cuba, na sua primeira visita de Estado à ilha, para promover os interesses econômicos brasileiros. Por intermédio do BNDES, o País banca 70% do mais ambicioso empreendimento privado ali em curso - a transformação do Porto de Mariel em um dos maiores da América Latina, ao custo aproximado de US$ 1 bilhão. A obra é tocada pela construtora brasileira Odebrecht. O Brasil, apenas o quarto parceiro comercial de Cuba, só tem a ganhar com a ampliação da sua presença econômica na ilha, a exemplo do que fizeram, sobretudo no setor de turismo, a Espanha e o Canadá. Ganhará tanto mais - e esse deve ser o raciocínio estratégico de Brasília - se e quando se normalizarem as relações entre Havana e Washington. Trata-se de estar desde logo ali onde a concorrência virá com tudo.

Nesse quadro, não se deveria esperar que a presidente usasse a mesma mão com que assinou, metaforicamente, os cheques do novo espaço que o empresariado brasileiro ambiciona ocupar em Cuba para investir de dedo em riste contra os seus anfitriões. Nos últimos dois anos, o ditador Raúl Castro iniciou um programa de abertura econômica que, embora tropeçando na pachanga local, pretende ser uma versão caribenha do modelo chinês: economia de mercado com mordaça política. A propósito, desde que a China se abriu, a nenhum chefe de governo brasileiro ocorreu condenar as suas políticas liberticidas - e a nenhum comentarista ocorreu condená-lo por isso.

É também descabida a evocação da visita ao Brasil, sob a ditadura militar, do então presidente americano Jimmy Carter - que não só fez chegar ao homólogo Ernesto Geisel seu protesto pelo que se passava nos porões do regime, como ainda recebeu um dos maiores defensores dos direitos humanos no País, o cardeal dom Paulo Evaristo Arns. É verdade que militantes como Dilma Rousseff, que sentiram literalmente na carne o que era se opor aos generais, devem ter se regozijado com a iniciativa de Carter. Logo, ela deveria imitá-lo em Havana. Lembre-se, no entanto, que o que trouxe Carter ao Brasil foi o contencioso desencadeado pelo acordo nuclear do País com a Alemanha, tido em Washington como o atalho aberto pelos militares para chegar à bomba atômica. Sem falar nas pressões das entidades americanas de direitos humanos pela condenação ao Brasil - o que inexiste aqui em relação a Cuba.

Critique-se Dilma não pelo que calou, mas pelo que falou. Exprimir-se, como se sabe, é uma peleja para a presidente - talvez por isso seja tão avara com as palavras em público. (Há quem diga que quem não fala bem não pensa bem, mas esse, quem sabe, é outro assunto.) Perguntada pelos jornalistas que a acompanhavam sobre direitos humanos em Cuba, Dilma desandou. Poderia ter respondido protocolarmente que, dada a sua condição de chefe de Estado visitante, não poderia se manifestar sobre questões internas do país anfitrião, como seria inadmissível que um hóspede oficial do governo brasileiro fizesse algo do gênero em relação ao País - e ponto final. Em vez disso, saiu-se com um bestialógico sobre o "telhado de vidro" sob o qual estaria o mundo inteiro, democracias e ditaduras, nessa matéria.

Ainda na linha da "primeira pedra", disparou incongruentemente um torpedo contra os Estados Unidos, pela "base aqui que se chama Guantánamo". À parte a trôpega retórica, ao se referir à instalação americana em Cuba, onde 171 acusados de terrorismo mofam sem direito a julgamento, a incontinência verbal levou Dilma a virar contra si a "arma de combate político-ideológico" que, segundo ela - neste caso com razão - não deve predominar no debate sobre direitos humanos seja onde for. Resta ver, na hipótese de lhe perguntarem sobre Guantánamo na visita que um dia fizer aos Estados Unidos, em retribuição à do presidente Obama, se ela falará dos presos políticos cubanos.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 02 / 02 / 2012

Folha de São Paulo
"Briga entre torcedores mata 74 em jogo no Egito" 

Após a partida, hooligans do time local invadiram o campo e atacaram rivais

Ao menos 74 pessoas morreram e 248 ficaram feridas depois que centenas de torcedores invadiram o campo após uma partida de futebol em Port Said, no Egito. Torcedores do Al-Masry, time local, entraram no gramado após a vil6ria de 3 a 1 sobre 0 Al-Ahly, do Cairo, a principal equipe do país.

O Estado de São Paulo
"Presidente do STF diz que degradar Judiciário é 'suicídio'" 

Em discurso, Peluso admite que a Justiça não é invulnerável à corrupção, mas afirma que é o Poder que mais se fiscaliza e classifica de 'impróprias' as pressões sobre juízes

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, rebateu ontem as críticas ao Judiciário, acusado de corporativismo e de dificultar a investigação sobre magistrados suspeitos. "Só uma nação suicida ingressaria voluntariamente em um processo de degradação do Poder Judiciário", afirmou Peluso, em discurso de 38 minutos, na abertura dos trabalhos do STF. Peluso admitiu que a magistratura; não é invulnerável à corrupção, mas afirmou que o Judiciário é o Poder que mais se fiscaliza. Ele classificou como “impróprias" e “tendentes a constranger juízes e ministros" as pressões exercidas contra magistrados. O julgamento no STF que delimitaria o poder do Conselho Nacional de Justiça foi suspenso ontem e prosseguirá hoje. 

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quarta-feira, fevereiro 01, 2012

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Opinião

Corrupção e incompetência

O Estado de S.Paulo
O tempo está sendo implacável com a imagem que arduamente a presidente Dilma Rousseff tenta construir para si - como fez durante a campanha eleitoral de 2010, com a inestimável colaboração de seu patrono político, o ex-presidente Lula -, de administradora capaz, tecnicamente competente e defensora da lisura e da moralidade dos atos públicos. É cada vez mais claro que tudo não passa da construção de uma personagem de feitio exclusivamente eleitoral.

As trocas de ministros no primeiro ano de mandato por suspeitas de irregularidades são a face mais visível dos malefícios de um governo baseado não na competência de seus integrantes - como seria de esperar da equipe de uma gestora eficiente dos recursos públicos -, mas em acordos de conveniência político-partidárias que levaram ao loteamento dos principais postos da administração federal. O resultado não poderia ser diferente do que revelam os fatos que vão chegando ao conhecimento do público.

A amostra mais recente dos prejuízos que essa forma de montar equipes e administrar a coisa pública pode causar ao erário é o contrato assinado em 2010 pelo Ministério do Esporte com a Fundação Instituto de Administração (FIA) para a criação de uma estatal natimorta. O caso, relatado pelos repórteres do Estado Fábio Fabrini e Iuri Dantas (30/1), espanta pelo valor gasto para que rigorosamente nada fosse feito de prático e porque o contrato não tinha nenhuma utilidade.

A FIA foi contratada para ajudar na constituição da Empresa Brasileira de Legado Esportivo Brasil 2016, legalmente constituída em agosto de 2010 para executar projetos ligados à Olimpíada de 2016. De acordo com o contrato, a FIA deveria "apoiar a modelagem de gestão da fase inicial de atividade da estatal". A empresa não chegou a ser constituída formalmente - não foi inscrita no CNPJ nem teve sede, diretoria ou empregados -, pois, em agosto do ano passado, foi incluída no Programa Nacional de Desestatização, para ser liquidada. E por que, apenas um ano depois de a constituir, o governo decidiu extingui-la? Porque ela não tinha nenhuma função. Mesmo assim, a fundação contratada recebeu quase R$ 5 milhões - uma parte, aliás, paga depois de o governo ter decidido extinguir a empresa, cuja criação fora objeto do contrato com a FIA.

Em sua defesa, o Ministério do Esporte afirma que a contratação se baseou na legislação. É risível, no entanto, a alegação de que "os estudos subsidiaram decisões, sugeriram alternativas para contribuir com os debates que ocorreram nos governos federal, estadual e municipal e deram apoio aos gestores dos três entes para a tomada de decisões mais adequadas".

Mas tem mais. Pela leitura da mesma edição do Estado em que saiu a história acima, o público fica sabendo que, de 10 contratos na área de habitação popular firmados pela União com Estados e municípios, 7 não saíram do papel. Pode-se alegar, como fez a responsável pela área de habitação do Ministério das Cidades, que alguns Estados e prefeituras não estavam tecnicamente capacitados para executar as obras ou realizar as licitações previstas nos contratos de repasse de verbas federais. Isso significa que o governo federal se comprometeu, por contrato, a transferir recursos a quem não estava em condições de utilizá-los adequadamente, o que mostra no mínimo falta de critério.

Além disso, o programa que assegurou boa parte dos votos da candidata do PT em 2010, o Minha Casa, Minha Vida, sobre o qual Dilma falou maravilhas, na Bahia, antes de partir para Cuba, praticamente não saiu do papel no ano passado, e continuará parado em 2012, se não for mudado em alguns aspectos essenciais, alertam empresários do setor de construção civil.

E muitos outros programas considerados prioritários pelo governo Dilma se arrastam. Os investimentos efetivos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), outra grande fonte de votos para Dilma em 2010, são bem inferiores aos programados, e boa parte se refere a contratos assinados em exercícios passados.

O problema não é novo. A má qualidade da gestão é marca da administração do PT. E Dilma tem tudo a ver com isso, pois desempenha papel central nessa administração desde 2003.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 01 / 02 / 2012

Folha de São Paulo
"Em Cuba, Dilma critica EUA por Guantánamo" 

Para presidente, em direitos humanos quem joga pedra tem "telhado de vidro"

Na primeira visita oficial a Cuba, a presidente Dilma Rousseff se recusou a falar sobre direitos humanos no país e criticou os EUA ao citar a prisão de Guantánamo, alvo de críticas por supostos maus-tratos a detidos. "Vamos falar de direitos humanos no mundo? Vamos ter de falar deles no Brasil, nos EUA, sobre uma base aqui que se chama Guantánamo", disse.

O Estado de São Paulo
"Dilma poupa Cuba e diz que todos têm 'telhado de vidro'" 

Como Lula, presidente evita mencionar a situação dos direitos humanos na ilha e critica os EUA por Guantánamo

Em sua visita a Cuba, a presidente Dilma Rousseff repetiu o comportamento de Lula, seu antecessor: esquivou-se de criticar a ditadura dos irmãos Castro e atacou os críticos do regime comunista principalmente os EUA, ao dizer que "todos têm telhado de vidro”, informa Lisandra Paraguassu, enviada especial. Dilma afirmou que "não é possível fazer da política de direitos humanos só uma arma de combate político-ideológico". A agenda de Dilma, centrada em projetos de cooperação, incluiu a visita a Fidel Castro, a quem a presidente disse que iria ver “com muito orgulho". Já os dissidentes que pediram audiência não encontraram espaço, nem com outras pessoas da sua comitiva. Na entrevista coletiva, Dilma se disse “estarrecida" com uma pergunta sobre sua suposta "guinada à esquerda", já que acabava de vir do Fórum Social, e disse que seu governo não tem preconceito “de nenhuma ordem".

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terça-feira, janeiro 31, 2012

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Opinião

Os sem-propostas, lá e cá

O Brasil fez a festa em Davos - literalmente. Uma cintilante amostra da elite empresarial, dirigente e acadêmica do globo varou a madrugada de domingo sambando no Centro de Congressos do resort alpino, a convite da Apex, uma agência brasileira de promoção comercial, no encerramento do 42.º Fórum Econômico Mundial. Enquanto um telão reproduzia os melhores momentos da seleção na Copa de 1970, a do tri, bailarinos do renomado Grupo Corpo se revezavam com um grupo de bossa-nova para entreter o distinto público, energizado pelos quitutes da nova cozinha nacional, entre um sorvo e outro de caipirinha. Quando a cachaça acabou, reinou a vodca russa.

A noitada brasileira foi imaginada para exibir o alto-astral da economia brasileira, em contraste com o soturno panorama das ainda chamadas economias centrais. Se os executivos e autoridades que as representavam conhecessem a expressão, o pessimismo poderia tentar um ou outro a comparar a festança, no que lhes dissesse respeito, ao Baile da Ilha Fiscal, no Rio de Janeiro, em 9 de novembro de 1889, pelas bodas de prata da princesa Isabel e do conde d'Eu. O termo se tornou sinônimo de fim de um tempo porque seis dias depois a monarquia caiu no Brasil. Não que o Homem de Davos, como se designam os condutores e pensadores do capitalismo global, esteja à beira da extinção.

Mas nunca antes nos seus encontros anuais há de se ter visto tanta perplexidade - no caso, diante da persistência, se não o ressurgimento agravado da crise surgida com a quebra financeira de 2008. "Ninguém está imune", advertiu numa sessão a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI). Em um paradoxo que não escapou a ninguém, a número um da agência que resgatava países em apuros, deles exigindo em contrapartida férrea disciplina fiscal, ergueu a sua bolsa, enquanto enunciava uma versão mais elegante do brasileiríssimo "Me dá um dinheiro aí". Nesse clima, Davos terminou com uma certeza e uma interrogação - as mesmas que dominam o debate público na Europa inteira.

A certeza é de que o capitalismo, tal qual ele se constituiu nos últimos 30 anos, sob a hegemonia do sistema financeiro globalizado, precisa de conserto - para ontem. A interrogação é como fazê-lo. As formidáveis mudanças dessas últimas décadas na esfera econômica, sendo a aceleração do seu tempo histórico a não menos crucial entre elas, desencadearam choques estruturais que parecem refratários às ousadas reformas que salvaram o capitalismo da Grande Depressão dos anos 1930. Elas promoveram, já sobre os escombros sem paralelo da 2.ª Segunda Guerra Mundial, uma era também inédita de prosperidade e redução das diferenças sociais. A questão, no entanto, é como reproduzir hoje aquelas bem-sucedidas políticas keynesianas, que pressupõem e demandam o fortalecimento do Estado para estimular a economia.

De um lado, os próprios Estados nacionais do Primeiro Mundo, em situação falimentar, perderam muito dos meios de bancar a retomada do crescimento. De outro, a internacionalização do processo produtivo e a instantaneidade dos movimentos desabridos do capital privam os governos do poder efetivo de intervir de que dispunham decênios atrás. À falta de melhor, a maioria deles se inclina a cortar gastos, na expectativa de recuperar a capacidade perdida de atuação. Isso atinge o Estado do Bem-Estar Social, agravando as desigualdades já decorrentes da versão contemporânea da economia de mercado. Um marciano diria que estão dadas as condições objetivas para pôr em xeque o sistema de propriedade privada dos meios de produção.

Uma rápida visita ao 11.º Fórum Social Mundial de Porto Alegre, terminado domingo, o faria mudar imediatamente de ideia. O evento antítese de Davos teve em comum com aquele a penúria de propostas exequíveis para religar os motores do progresso e da desconcentração da riqueza.

O risco é que os fatos deem razão ao historiador marxista Eric Hobsbawn, de 94 anos. A certa altura de uma recente entrevista à BBC de Londres, quando o repórter se referiu a ele como portador de uma utopia, retrucou de bate-pronto: "Eu não! Sou absolutamente pessimista sobre o que vai acontecer nas próximas décadas".

Manchetes do dia

Terça-feira, 31 / 01 / 2012

Folha de São Paulo
"Litoral lidera ranking de homicídios em SP" 

Região tem três cidades entre as seis com maior número de assassinatos

Com três cidades entre as seis mais violentas, o litoral teve a maior taxa de homicídios dolosos do Estado de São Paulo no ano passado. Foram 277 assassinatos nas 15 cidades da região, dois a mais do que em 2010..

O Estado de São Paulo
"Ministro das Cidades será o 9º a cair no governo Dilma" 

Saída de Negromonte, suspeito de irregularidade e visto como mau gestor, é acertada com o PP

A presidente Dilma Rousseff acertou a saída do ministro Mario Negromonte (Cidades) com a direção do PP e com o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), seu avalizador. Negromonte é suspeito de ter autorizado uma fraude para encarecer um projeto para a Copa do Mundo em Cuiabá, como o Estado revelou em novembro passado. Além disso, segundo auxiliares, Dilma o considerava um mau gestor - no comando do maior orçamento do PAC em 2011, Negromonte pagou apenas 8% das autorizações de gastos do ano. Será o nono ministro a deixar o governo Dilma. Desses, seis foram após denúncias de irregularidades. Ele poderá sair ainda nesta semana, logo depois da volta de Dilma ao Brasil, na quarta-feira. Para substituí-lo, vários nomes do PP estão sendo analisados, mas Dilma prefere Márcio Fortes, que já foi ministro das Cidades e hoje ocupa o cargo de Autoridade Pública Olímpica.

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segunda-feira, janeiro 30, 2012

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Opinião

Dilma sobe no palanque

O Estado de S.Paulo
Interrompendo seus afazeres de gerente durona, a presidente Dilma Rousseff compareceu ao Fórum Social Mundial Temático, em Porto Alegre, e subiu no palanque. Num discurso feito sob medida para empolgar uma plateia de sindicalistas e militantes de esquerda - que mal chegava a ocupar metade do recinto da reunião -, a presidente da República desceu a lenha no "neoliberalismo" e retomou a arenga predileta de seu antecessor, segundo a qual a História do Brasil só começa a ser escrita a partir de 2003. Dilma defendeu a supremacia da latinoamericanidad diante de um Primeiro Mundo que se debate em crise por causa do "neoliberalismo" e garantiu que para "nós" - insistiu sempre no coletivo, como se a comunidade latino-americana fosse orgânica e coesa - o futuro sorri: "Nossos países avançam fortalecendo a democracia". Os Castros, Hugo Chávez, Evo Morales, Cristina Kirchner e outros tantos que o digam.

O desempenho de Dilma Rousseff na capital gaúcha chega a ser surpreendente, na medida em que foge ao padrão de comportamento da chefe do governo, até agora pouco dada a rasgos de retórica no estilo de populismo rasteiro que é a marca de seu padrinho político. Mas o conteúdo, se é que se pode chamar assim, de sua falação à plateia do Fórum Social, é perfeitamente coerente com os fundamentos da pregação pretensamente "social" que demoniza a economia de mercado e postula a supremacia do Estado sobre os direitos dos indivíduos. E chama isso de "democracia". Nesse discurso, o "neoliberalismo" sintetiza toda a essência do Mal - é o rótulo que se atribui ao ideário dos homens perversos, injustamente ricos, que dominam e exploram os homens bons, injustamente pobres. O "neoliberalismo" é também chamado de "pensamento único", com uma conotação que, imagina-se, nada tem a ver com o que ocorria na finada União Soviética e ainda prevalece em Cuba.

Nessa linha maniqueísta, segundo Dilma Rousseff, "a dissonância entre a voz dos mercados e a voz das ruas parece aumentar cada vez mais nos países desenvolvidos, colocando em risco não apenas conquistas sociais, mas a própria democracia". Para ela, as soluções "ultrapassadas" de um modelo econômico "conservador e excludente" que os países europeus estão adotando face à crise do euro terão consequências sociais e ambientais extremamente negativas: "desemprego, xenofobia, autoritarismo", e ameaçam a paz mundial.

Enquanto isso, graças à proeza de nos termos libertado dos "preconceitos políticos e ideológicos" que os homens maus tentaram impor à América Latina nas décadas de 80 e 90, "nós", os latino-americanos, estamos promovendo transformações que têm possibilitado a redução das desigualdades sociais e a inclusão no mercado de consumo de grandes contingentes de uma população antes desvalida. Foi a deixa para fechar o foco do discurso sobre o Brasil: o admirável desenvolvimento econômico e social que o País vive desde que, segundo a presidente, Lula chegou ao poder, "não é consequência de nenhum milagre econômico": "É o resultado do esforço do povo brasileiro e de seu governo, que souberam ocupar um novo caminho. O Brasil hoje é um novo país, mais forte, mais desenvolvido e mais respeitado". E mais: "O grande nó que o presidente Lula começou a desatar em 2003 é o do enfrentamento da exclusão social". Trata-se de uma falaciosa meia-verdade.

O que Dilma não disse é aquilo que os lulopetistas invariavelmente escamoteiam: o inegável desenvolvimento econômico e social que o País hoje exibe começou muito antes da ascensão de Lula ao poder. As bases desse processo foram lançadas a partir do fim do governo Itamar Franco, com a bem-sucedida implantação do Plano Real, que eliminou a inflação galopante, e prosseguiu nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, com o advento de programas de modernização do Estado - como as privatizações, que os petistas condenam aos berros, mas mantiveram e ampliaram - e de programas sociais posteriormente turbinados por Lula.

Dilma Rousseff disse o que a plateia reunida em Porto Alegre queria ouvir. Teve, no entanto, de enfrentar bem orquestradas vaias de militantes do PSTU e do PSOL, que exigiam o seu veto ao projeto do Código Florestal. Não dá para agradar a todos.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 30 / 01 / 2012

Folha de São Paulo
"Cuba limita tempo de dirigente" 

Partido Comunista aprova que 'cargos fundamentais', inclusive o de presidente, terão mandato máximo de dez anos

Em decisão histórica, o Partido Comunista de Cuba aprovou que "cargos políticos e estatais fundamentais", inclusive o de presidente, terão mandato máximo de dez anos (cinco, renovável uma vez), confirmando proposta de Raúl Castro, informa Flávia Marreiro. O anúncio foi feito pelo ditador Raúl, que discursou no encerramento de reunião da sigla em Havana. "Podemos iniciar a aplicação paulatina [da regra] sem esperar pela reforma constitucional", afirmou. Não ficou claro se a limitação valerá para a atual cúpula do poder.

O Estado de São Paulo
"Sete em cada 10 projetos de habitação ficam só no papel" 

Contratos analisados pela CGU tratam apenas de moradias populares e foram firmados entre 2004 e 2011

Auditoria da Controladoria Geral da União (CGU) aponta que, de cada dez contratos firmados na área de habitação popular pela Secretaria Nacional de Habitação entre 2004 e 2011, pelo menos sete não saíram do papel. Até abril de 2011 existiam 4.243 contratos na carteira da SNH, do Ministério das Cidades, envolvendo repasses de recursos para Estados e municípios, num total de R$ 12,5 bilhões. Desse total, 74% estão apenas na promessa. Os contratos fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e tratam de casas ou melhorias em conjuntos habitacionais ou favelas. A SNH reconhece o problema e diz que projetos têm problemas de licitação, emissão de licença ambiental, regularização de terras e infraestrutura. O levantamento não inclui o Minha Casa, Minha Vida.

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domingo, janeiro 29, 2012

Tá olhando o quê?

Domingueira

Direto da Mata Atântica

Sidney Borges
Apesar dos bueiros explosivos, prédios que despencam e arrastões na linha vermelha, o Rio de Janeiro continua lindo. Alô, alô, Realengo, aquele abraço, alô torcida do Flamengo, aquele abraço. Rita Lee, em seu derradeiro show segundo ela mesmo, xingou a polícia e incitou alguns presentes a fumar baseado. No Brasil a lei diz que não pode fumar baseado. Na USP a polícia prendeu estudantes que fumavam baseado. Como eu disse antes, a lei é clara, não pode fumar baseado. Na verdade nem Minister pode. Fumar é proibido.

A prisão em flagrante de estudantes que infringiam a lei provocou indignação. A polícia virou a Geni, aquela do joga pedra na Geni, ela é feita pra apanhar, ela é boa de cuspir! Bem, pelo menos foi o que petistas radicais e coleguinhas da extrema esquerda apregoaram pelos blogs progressistas. Disseram também que a polícia tucana é truculenta, afirmação repercutida quando os nóias do crack foram expulsos da cracolândia.

Rita Lee foi presa em Sergipe, estado governado pelo PT. Será que a polícia petista é truculenta?

Hoje o Datafolha publicou que 82% dos paulistanos aprovaram a intervenção na cracolândia.

O candidato lulista à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, tomou as dores dos nóias aparentemente sem avaliar o que houve. Criticou Kassab e Alckmin. Marta Suplicy também criticou Kassab. Marta não fez isso à toa. Kassab e o PT ensaiavam uma dança de acasalamento quando Marta chegou sem avisar. 

Convém lembrar que Marta tem 36% de intenção de voto, enquanto Haddad tem traço e as lambanças do ENEM no currículo. Abro parênteses para dizer que a atuação de Haddad no ministério da Educação foi positiva, mas os descuidos na elaboração das provas do ENEM deixaram marcas profundas, difíceis de apagar.

Como terminará essa novela? Marta vai subir no palanque de Haddad? Lula conseguirá emplacar mais um desconhecido? Perguntas interessantes que só serão respondidas em outubro.

Em Ubatuba tudo vai bem, mar calmo e céu azul. Por aqui metade dos políticos disputa quem será o vice do Sato. Menos o candidato do PT, que corre sozinho em busca do Santo Graal. Quem será o vice do Moromizato? Ninguém sabe, mas todos desconfiam que o ungido sairá da outra metade dos políticos, aqueles que se intitulam oposição, mas que não se opõem muito, ao contrário daqueles citados antes que nunca se opõem. Entendeu? Nem tente, é impossível!

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Sociedade


Resistência caiçara hoje (I)
Artigo publicado em dezembro de 2011, na Revista do Brasil. 

José Ronaldo dos Santos
O antropólogo Mauro W. B. Almeida, diretor do Centro de Estudos Rurais da Unicamp, ajudou Chico Mendes a formar o Conselho Nacional de Seringueiros e as reservas extrativistas na região amazônica. Recentemente fez parte de um grupo de pesquisadores convidados a conhecer a vida dos caiçaras que habitam a área da Jureia, entre Iguape e Peruíbe, litoral sul de São Paulo. “Gente cheia de vida, de entusiasmo, com amor pelo que faz”, descreveu, lamentando a ameaça de expulsão dessas comunidades, em ação do Ministério Público Estadual. “Tem caráter de tragédia, porque significa o destino de uma população inteira. É uma situação desesperadora. Aquilo que deveria ser declarado um patrimônio da nação está sendo escorraçado”, afirma.
    
Como podemos ver, não é só em Ubatuba que o espaço natural, preservado por tantas gerações de caiçaras, é tão cobiçado. É a lógica cruel: mata-se a cultura para dominar o povo e auferir mais lucros. E, infelizmente, além dos poderosos capitalistas, tem aqueles nativos que fizeram da posse da terra uma moeda de troca, algo que acena para a ascensão (?) social. Isso sem contar as ocupações irregulares (mansões nos morros, sobre costeiras e cachoeiras, barracos beirando os rios e plantados em mangues etc.). Resta-nos o convencimento da importância desta cultura tradicional para ter uma vida mais autêntica, que nos orgulhe de uma herança para as futuras gerações. Esta deveria ser a nossa luta para uma cidade melhor e a evolução dos ocupantes deste espaço. Para começar: que tal conhecer a comunidade caiçara da praia do Puruba? Pode ser que você dê sorte e encontre o tio Dico “consertando peixe” na beira do rio.

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Opinião

Agora a capital, depois o Estado

Se ainda restasse alguma sombra de dúvida, a apoteose armada pelo lulopetismo para a despedida de Fernando Haddad do Ministério da Educação escancarou o óbvio: o projeto de poder, com inegável competência idealizado e até agora executado por Luiz Inácio Lula da Silva, passa, necessariamente, pela imposição da hegemonia do Partido dos Trabalhadores no Estado de São Paulo, a começar pela reconquista da Prefeitura da capital. Assim, a solenidade de transmissão de cargo realizada na última terça-feira no Palácio do Planalto, com a arrebatadora presença de um Lula que as circunstâncias elevaram à condição de quase divindade, não foi convocada para assinalar uma despedida, mas para glorificar o retumbante advento de mais uma figura ungida pelo Grande Chefe, desta vez com a missão estratégica de fincar em solo bandeirante a flâmula com a estrela do PT. E ganhar a Prefeitura em outubro é apenas o primeiro passo, o trampolim para a conquista inédita sem a qual a hegemonia política dos petistas no País continuará tendo um travo amargo: não controlar o governo do mais importante Estado da Federação.

A candidatura do ex-ministro da Educação à chefia do Executivo paulistano emerge estimulada por circunstâncias favoráveis. É claro que Haddad ainda terá que comprovar um mínimo de competência numa área de atuação em que é neófito. Mas se vocação para o palanque fosse indispensável, Lula não teria feito sua sucessora em 2010. O que importa é que, repetindo o que deu certo em 2010 em escala muito mais ampla, o novo escolhido pelo Grande Chefe se apresentará na campanha municipal exatamente com essa credencial: ser o candidato de Lula, e com toda a liderança - mesmo que em alguns casos sob certo constrangimento - e a aguerrida militância do PT empenhadas numa questão que para eles já se tornou ponto de honra - vencer em São Paulo.

Por outro lado, o ex-ministro da Educação terá que se haver, durante a campanha eleitoral, com as cobranças a respeito dos notórios pontos negativos de sua gestão no Ministério, em particular as reiteradas lambanças do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais na administração do Enem. Mas essas são questões concretas, objetivas, que exigirão um mínimo de racionalidade no trato. Nada que não possa ser facilmente obscurecido e suplantado pelo enorme componente emocional que o forte e revigorado carisma de Lula colocará a serviço de seu candidato. Favorece ainda os planos petistas o fato de a candidatura de Haddad ser talvez a única que poderá se apresentar com uma credencial inequívoca de oposição ao poder municipal. E oposição é algo que, historicamente, o PT sabe fazer muito bem.

Por outro lado, o maior adversário do PT em São Paulo, o PSDB, não apenas demonstra enorme dificuldade para articular uma candidatura competitiva, como enfrenta o problema adicional de permanecer numa posição ambígua, sem um discurso claro, em relação à Prefeitura: não é exatamente situação nem oposição, embora tenha o rabo preso com a gestão Kassab. A rigor, o partido situacionista no Município de São Paulo é o partido do prefeito, o novo PSD, hoje a terceira maior bancada no Congresso Nacional, mas que ainda não passou pelo teste das urnas. E, correndo por fora, sabendo que não tem nada a perder, o PMDB manifesta até agora intenção de permanecer na disputa com o candidato que recrutou exatamente para esse fim.

Para embaralhar ainda mais o quadro, torna-se cada vez mais concreta a possibilidade de Gilberto Kassab fazer algum tipo de aliança do seu PSD com o PT - por paradoxal que isso seja. Segundo o prefeito tem confidenciado a seus interlocutores, essa é uma opção a que ele está sendo praticamente impelido por aqueles que seriam seus aliados naturais.

De qualquer modo, o que importa é que na disputa pela Prefeitura de São Paulo está em jogo muito mais do que o poder municipal. Um dos fundamentos do regime democrático é a possibilidade de alternância no poder no âmbito federal, que está ameaçado pela perspectiva de o lulopetismo estender seus domínios ao que de mais politicamente significativo ainda lhe falta: a cidade e o Estado de São Paulo. Se existe uma oposição no País, está na hora de seus líderes pensarem seriamente nisso. E agir.

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Manchetes do dia

Domingo, 29 / 01 / 2012

Folha de São Paulo
"Polícia na cracolândia é aprovada por 82% em SP" 

Ação para reduzir droga no centro tem apoio de 83% dos que preferem o PT e 90% dos tucanos

Enquanto pré-candidatos do PT e do PSDB à Prefeitura de São Paulo divergem sobre a ação da Polícia Militar na cracolândia, a maioria dos paulistanos – independentemente do partido de preferência – apóia a operação, mostra o Datafolha. A ação, conduzida pelos governos municipal (PSD) e estadual (PSDB), é aprovada por 82% dos moradores. São 72% os que dão no mínimo nota 6 para a intervenção, iniciada no dia 3, pouco depois de o governo petista lançar plano anticrack. Houve reclamações de que tanto a PM colocada nas ruas de forma apressada quanto o plano federal tinham motivação eleitoral. PT e PSDB, principalmente, gostariam de usar o combate à droga na campanha. Apesar da disputa eleitoral, a PM na cracolândia tem apoio tanto dos paulistanos que preferem o PT (83%) quanto dos tucanos (90%). Para estudiosos, isso reflete a demanda por uma polícia mais forte e atuante, mas é preciso atenção contra abusos.

O Estado de São Paulo
"Estrangeiro no Brasil envia mais dinheiro para o exterior" 

País virou fome de recursos para milhares de famílias; em 1995, entrada de dólares era 25 vezes maior

As remessas de dinheiro feitas por trabalhadores mostram que o Brasil deixou de ser apenas receptor de dólares enviados por brasileiros espalhados pelo mundo. Agora, o País também é fonte de recursos para milhares de famílias estrangeiras no exterior, informa o repórter Fernando Nakagawa. Dados oficiais mostram que, em 1995, a entrada de dólares no País era quase 25 vezes maior que o envio de dinheiro por estrangeiros residentes no Brasil. Com o crescimento da te economia brasileira e a crise mundial, para cada US$ 1 que saiu do País, em 2011, entraram US$ 2,43, a menor diferença da história. Bolivianos, peruanos e paraguaios estão entre o que mais remetem dinheiro.

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