sábado, janeiro 21, 2012

Cultura Caiçara


Dia de São Sebastião

José Ronaldo dos Santos
Ontem, vinte de janeiro, na tradição católica, foi o Dia de São Sebastião. Isto vem dos primórdios da História da Igreja.

Em Ubatuba, mais especificamente na praia Grande do Bonete, uma comemoração especial acontece a cada ano como devoção a São Sebastião. A outra festa religiosa importantíssima aos praianos dali acontece em julho: é a Festa de Santana. Ambas têm um brilho especial.

Hoje, dia vinte e um, será a Festa de São Sebastião na comunidade dessa simpática praia do nosso município. Vale a pena conferir os esforços dos festeiros e a acolhida dos moradores nativos que fazem o charme dessa comunidade! Não deixe de experimentar a incomparável consertada caiçara!

Twitter
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Concessões a conta-gotas

O Estado de S.Paulo
Com deságio de 45%, a Ecorodovias, do Grupo CR Almeida, venceu o leilão de concessão de um trecho de 475,9 km da Rodovia BR-101, entre a divisa do Rio com o Espírito Santo e a Bahia. O vencedor, que já explora as Rodovias dos Imigrantes, Anchieta e Ayrton Senna, ofereceu a tarifa média de pedágio de R$ 0,339/km, bem abaixo do R$ 0,623/ km que era o teto fixado no edital da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

A BR-101 é uma das rodovias mais perigosas, com deficiências de pavimentação e traçado e sinalização insuficiente ou errada. O trecho do Espírito Santo ora licitado recebeu investimentos federais, mas, mesmo assim, segundo a Pesquisa Anual da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), é o segundo mais perigoso do País, com 1.272 acidentes com feridos e 94 mortes, em 2010, atrás somente da BR-381 (MG).

O vencedor do leilão obriga-se a duplicar 50% da estrada sob sua responsabilidade em seis anos e elevar esse porcentual a 93% até o décimo ano da concessão. Os investimentos previstos são de R$ 2,15 bilhões, em valores de 2009.

Grupos de grande porte, que já administram grandes rodovias brasileiras, disputaram a concessão. Eles ofereceram deságios entre 15% e 45%, bem inferiores ao deságio de 65% oferecido pelo grupo espanhol OHL, quatro anos atrás, para vencer a licitação da Fernão Dias.

Pedágios fixados em bases realísticas permitem o cumprimento rigoroso do contrato de concessão, com mais investimentos e rodovias mais bem conservadas, como se tem verificado. Mas com isso não concorda o diretor-geral da ANTT, Bernardo Figueiredo, defendendo remunerações baixas. E, se ao longo do contrato constatar-se a necessidade de obras não previstas, acrescenta, um pedágio mais alto poderá ser aprovado para financiá-las.

O modelo federal de menor tarifa é o contrário do modelo paulista, em que vence quem dá o lance mais alto e tem dado ótimos resultados. As 20 melhores estradas do País, segundo as pesquisas da CNT, são pedagiadas e apenas 1 não está total ou parcialmente localizada no Estado de São Paulo.

De fato, as concessões com base na menor tarifa resultaram em investimentos insuficientes, inclusive nas sete rodovias federais licitadas em 2007, em que as obras de melhoria e manutenção previstas nos contratos de concessão não foram realizadas - ou o foram apenas parcialmente. Num caso, o da Rodovia do Aço, com extensão de 200 km, que liga a Rodovia Dutra a Minas Gerais, houve aumento do número de acidentes após a concessão.

O compromisso da concessionária é posto em teste nos casos em que as receitas não cobrem os custos de manutenção e investimento. E quando a operação de uma rodovia se torna economicamente inviável, ou a concessionária recebe autorização para um aumento ou desinteressa-se, chegando a ameaçar abandonar a concessão.

A infraestrutura brasileira de transportes apresenta enormes deficiências, agravando os custos dos bens produzidos no Brasil, que sofrem com a falta de investimentos e atrasos superiores ao razoável nos setores rodoviário, ferroviário, hidroviário, portuário e aeroviário. Na área rodoviária, as únicas licitações federais de grande porte do governo do Partido dos Trabalhadores ocorreram em 2007, quando foram concedidos à exploração privada a Rodovia Fernão Dias, a Curitiba-Florianópolis, o trecho Espírito Santo até a Ponte Rio Niterói da BR-101 e a BR-153, entre as divisas com Minas Gerais e o Paraná, além da Rodovia do Aço. E desde janeiro de 2009, com a licitação da BR-166/324, na Bahia, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) não concedeu mais nenhuma rodovia à exploração privada.

Falta empenho do governo federal e da ANTT para modernizar a malha rodoviária brasileira, acelerando os investimentos na recuperação de estradas - o que exige corrigir e imprimir mais velocidade ao programa de concessões.

Twitter

Manchetes do dia

Sábado, 21 / 01 / 2012

Folha de São Paulo
"Álcool volta a ser mais vantajoso que a gasolina"
 

Abastecer o carro flex com álcool volta a ser mais vantajoso para os consumidores da cidade de São Paulo
x
Desde setembro, compensava optar pela gasolina. O álcool hidratado, aquele que sai da bomba e vai direto para o tanque do carro foi comercializado, em média, a R$ 1,898 por litro nesta semana nos postos da capital - com queda de 3,5% em relação há 30 dias, de acordo com pesquisa semanal realizada pela Folha. O uso do álcool só é vantajoso quando ele custa 70% ou menos do valor da gasolina. Com a retração nos últimos dias, a relação de preços entre os dois combustíveis caiu para 69,8%. O principal motivo para a queda do preço do álcool é a retração do consumo. Os estoques atuais são superiores à demanda prevista para os próximos meses. Nas usinas, os preços estão no menor patamar desde agosto de 2011.

O Estado de São Paulo
"União gastará R$ 82 milhões com alimentação de juízes" 

Valor acumulado nos últimos sete anos se refere a auxílio de R$ 710 mensais; resolução do CNJ ordenou pagamento

O Tesouro pagará, de uma só vez, R$ 82 milhões de auxílio-alimentação para juízes federais e do Trabalho, informa o repórter Felipe Recondo. O valor se refere aos últimos setes anos, período em que os magistrados perderam o benefício de R$ 710 mensais, que não deixou de ser concedido aos procuradores do Ministério Público Federal e à advocacia pública. Ainda não há previsão orçamentária para o desembolso, mas os juízes pressionam por considerarem direito constitucional. O auxílio foi cortado em 2004 por decisão da cúpula do próprio Judiciário federal. Em junho de 2011, atendendo entidades de classe dos magistrados federais e do Trabalho, o Conselho Nacional de Justiça editou resolução que devolveu o bônus. O governo acompanha o caso, mas poderá contestar a decisão.

Twitter

sexta-feira, janeiro 20, 2012

Navios


Cruzeiros italianos

Depois de fazer um cruzeiro marítimo pelo Mediterrâneo, num navio italiano, alguns jornalistas perguntaram ao ex-Primeiro Ministro Winston Churchill a razão de ter escolhido uma embarcação de bandeira italiana.

“Há três coisas que eu gosto num navio de cruzeiro italiano.

Em primeiro lugar, a cozinha é insuperável.

Em segundo lugar, o serviço é extraordinário.

E, por fim, em caso de emergência, não há essas regras sem sentido de mulheres e crianças em primeiro lugar". (Do Ex-Blog do Cesar Maia)

Twitter

Corações ao alto!

Coluna do Celsinho

Espaço aéreo

Celso de Almeida Jr.
Aconchegante.

Atendimento bom.

Decoração bonita.

Comida boa.

Som ambiente equilibrado.

Preço justo.

Qualidades suficientes para garantir a clientela.

Mas, não voltarei.

Eu buscava uma atmosfera romântica, afinal, a Patrícia merece.

Nos primeiros instantes, tudo colaborou para tal.

O problema surgiu do comércio vizinho.

Ao notá-lo, não foi a simplicidade que me incomodou.

O visual dava para encarar.

O pecado estava na sonorização.

Telós, Calypsos e outros ziriguiduns invadiram nosso espaço aéreo, em decibéis abusados.

Ataque fatal.

Não há clima romântico que resista ao refrão:

"Ai, se eu te pego; ai, ai, se eu te pego..."

Arroubo poético só suplantado por outra pérola de prestigiado segmento artístico brasileiro: "A dança do Créu."

Cá entre nós: pra namorar desse jeito, basta miojo e coca-cola, né?

Combinação de arriscado efeito colateral, mas apropriada para os hits da hora.

Fiquei pensando no proprietário do restaurante.

O que ele pode fazer?

Atravessar a rua e pedir ao colega comerciante para diminuir a zoeira?

Reclamar na prefeitura?

Lembrar que poderia ter dado destino melhor ao seu rico dinheirinho?

Pois é...

Tempos difíceis.

Cada um por si.

Acesse: www.letrasdocelso.blogspot.com

Twitter
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Em torno do verbo blindar

Fernando Gabeira - O Estado de S.Paulo
Blindagem é uma palavra nova no vocabulário político do Brasil. Blindar significa revestir com estruturas metálicas para proteger um corpo. Ou evitar que o eventual vazamento de seu conteúdo contamine o ambiente. Nenhuma palavra surge na política dissociada do seu momento histórico.

O verbo blindar ganhou força num período de crescimento econômico, distribuição de renda e licenciosidade dos detentores do poder. A blindagem mais comum ocorre quando surgem evidências contra ministros e o governo e sua base aliada decidem, de certa forma, interromper o questionamento. Como em outras vezes, o governo nos orienta, claramente, a não acreditar nas evidências que estão na mesa, e sim nele e em sua versão oficial. Ao realizar esse movimento, o governo nos joga no terreno da religião e da magia.

Em A Cidade de Deus, de Santo Agostinho, não era a visão física que nos descortinava a realidade, só alcançável pelos olhos da fé. Richard Sennet, em A Consciência do Olho, lembra que os únicos espaços de imunidade no cotidiano medieval eram os terrenos da igreja. Não eram delimitados, como nos palácios, por muros de pedras ou pontes levadiças, e sim pela magia divina. Para esses espaços de imunidade corriam os pobres, os doentes e os desamparados, que, geograficamente, se colocavam dentro do círculo mágico traçado pela bondade divina. A blindagem moderna no Brasil não é um espaço de refúgio dos mais fracos ante da perseguição da urbs. É de uso pessoal, como um abadá metálico, e se destina a proteger alguém no núcleo do poder.

De um ponto de vista religioso, o verbo blindar aproxima-se mais dos versos de Jorge Benjor, no sentido de fechar o corpo: Para que meus inimigos tenham mãos, não me peguem, não me toquem/ Para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam/ E nem mesmo um pensamento eles possam ter para me fazerem mal. Na canção Jorge da Capadócia, "vestido com as roupas e as armas de Jorge", o combate é muito mais seguro: Facas, lanças se quebrem, sem o meu corpo tocar/ Cordas corrente se arrebentem sem o meu corpo amarrar. Tudo se passa num universo mágico, onde feitiço, mandingas são combatidos com o fechamento do corpo. É um campo pré-moderno, anterior ao predomínio da ciência e da razão.

Muitos podem dizer que a modernidade também é uma forma de magia que se considera, indevidamente, superior às outras. Mas se há discussão na antropologia, na políticas as dúvidas são menores. Fechar o corpo é pré-moderno no contexto do ritual democrático. Em termos políticos, o verbo blindar é uma invenção infantil que só prospera enterrando as possibilidades de um debate racional. É como se a base aliada fosse um grupo de meninos acossado pelas críticas e decidisse, subitamente, gritar: Shazam! A partir daí, envolvidos no aço, os protegidos seguem seu rumo, fora do alcance humano. Ainda em termos democráticos, o processo de blindagem determinado por um grupo majoritário é o mesmo que encontramos nas partidas infantis em que o dono da bola, vendo seu time ameaçado, acaba com o jogo e a leva para casa.

Sexta economia do mundo, no início do século 21 o Brasil ainda não se desprendeu do realismo mágico celebrizado por romancistas latino-americanos. Ministros blindados entram e saem do Palácio do Planalto. Seus movimentos são reduzidos por causa do peso. Não podem estar juntos em certos lugares porque o assoalho se rompe. Blindando aos poucos seus aliados, Dilma Rousseff poderia exibir uma ala de ministros blindados na parada de 7 de Setembro. Depois de passarem os Urutus, veríamos os ministros blindados, cada qual com sua estrutura e com um tipo de aço, forjado na amizade pessoal, na força do clã ou mesmo na conveniência das alianças regionais.

Ao recusar as evidências, Dilma pede apenas que acreditemos nela, que vejamos com os olhos da fé o luminoso caminho que o Brasil vai trilhar, rumo ao que chama de um país de classe média. Neste começo de ano já se soube que o programa de segurança, chamado Pronasci, fracassou e precisa cortar metade dos investimentos, que seriam de R$ 2 bilhões. Da mesma forma, dados de 2011 indicam que não houve avanços no campo do saneamento básico, mas um pequeno retrocesso: continuamos com 45% das casas sem essa estrutura elementar. Dilma apresentou-se na eleição como a mãe do PAC. Diante dessa nova situação, o melhor é ser apenas Mãe Dilma, dessas que tiram mau-olhado e trazem de volta em 48 horas a pessoa amada. Ao optar pela blindagem, o governo não só fechou o corpo de seus ministros, mas recuou o processo democrático para o universo da magia.

O que podem as pessoas, na chuva, a casa caindo, diante de ministros blindados, que passam em carros blindados? Toneladas de aço e de símbolos tecidos com as linhas de um poder metálico os separam do comum dos mortais. E nós, que pensávamos que a política nos reaproximaria, que era uma de suas qualidades... Já não se trocam tiros, é verdade. Mas a espessa blindagem das forças majoritárias que querem que os adversários tenham olhos, mas não vejam, tenham mãos e não lhes toquem, essa armadura revela que a democracia no Brasil ainda é uma relação vivida com um preservativo de aço.

O verbo blindar sentou praça na política. É um dado novo na trajetória da redemocratização. Representa a quebra da promessa de transparência, entendida não só como revelação das ações, mas também reconhecimento da responsabilidade. Com o verbo blindar rompeu-se o vínculo implícito na promessa. Legalmente, tudo pode ser revelado. No entanto, nada pode ser feito. A possibilidade de esse mecanismo ser rompido: casos com provas arrasadoras, o que os americanos chamam de revólver fumegante e os latinos, batom na cueca. As exceções são uma válvula de escape.

No passado, o corpo fechado dos governantes, como Papa Doc, no Haiti, era atribuído à proteção dos orixás. Que deuses protegem os blindados brasileiros? Os deuses do aumento salarial, das compras em Miami? O processo brasileiro rebaixa, ao mesmo tempo, a democracia e a religião.

Twitter

Manchetes do dia

Sexta-feira, 20 / 01 / 2012

Folha de São Paulo
"EUA vão facilitar visto para turista brasileiro"
 

Medidas anunciadas por Obama na Disney preveem fim de entrevistas
x
Em discurso na Disney, o presidente Barack Obama anunciou que turistas brasileiros terão mais facilidade na obtenção do visto para entrar nos Estados Unidos. Uma das medidas que podem ser implementadas é o fim da entrevista para brasileiros de "baixo risco".

O Estado de São Paulo
"EUA facilitam concessão de visto para brasileiros" 

Expectativa do governo americano é de aumento de 274% no número de turistas do País em quatro anos; objetivo também é atrair mais chineses e indianos

Com expectativa de crescimento de 274% no número de brasileiros que visitarão os EUA nos próximos quatro anos, o presidente Barack Obama determinou a eliminação da necessidade de novas entrevistas para os que queiram apenas renovar vistos expirados ou com datas próximas do fim da validade. O programa também facilita a concessão de vistos para idosos e crianças. Segundo a Casa Branca, ao menos 80% das pessoas devem ser entrevistadas no máximo até três semanas após enviar os documentos ao consulado. Com isso, será ampliada em 40% a capacidade de concessão de vistos nos consulados americanos no Brasil ainda em 2012. O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse que "o foco do presidente são as economias emergentes". Em novembro, os EUA informaram que pretendem emitir 1,8 milhão de vistos para brasileiros em 2013 - em 2010 foram 820 mil. Além de brasileiros, chineses e indianos são prioridade para o governo americano.

Twitter

quinta-feira, janeiro 19, 2012

Kyoto

Atenção arquitetos!

Serviços do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU)
 
I - Tira dúvidas CAU-BR:
 
telefone para 0800.8830113
envie email para cau@caubr.org.br
consulte o "Esclareça suas dúvidas: 27 perguntas e respostas" e o "Manual de Serviços On-Line do CAU - Empresas e Profissionais", no portal www.causp.org.br
 
II - Tira-dúvidas CAU-SP:

envie email para atendimentocausp@gmail.com, aos cuidados da Arquiteta Patrícia.

Por Afonso Celso Bueno Monteiro, Presidente do CAU-SP

Milagres dialéticos

Pássaro e flor ficaram de luto por Kim Jong-il, segundo regime

DA FRANCE PRESSE, EM SEUL (original aqui)
A Mãe Natureza ficou de luto pela morte do líder norte-coreano Kim Jong-il, segundo a agência oficial de imprensa norte-coreana, que descreveu em um artigo o luto manifestado por um pássaro e uma flor.

No dia 20 de dezembro, um dia após o anúncio da morte do líder da Coreia do Norte, ocorreram "fenômenos sobrenaturais" na embaixada de Pyongyang na Alemanha, segundo a agência KCNA.

A agência conta que um mejengra - um pássaro cantor - permaneceu durante uma hora na entrada da legação dando golpes com o bico na janela, e que uma planta floresceu durante o período de luto, apesar das baixas temperaturas invernais.

"Parece que, ao ouvir a triste notícia do fim de nosso grande homem, o pássaro voou a esse local de luto para expressar seus pêsames", declarou a agência oficial.

Quanto à planta, "floresceu, apesar do frio, para participar do luto".

O regime norte-coreano costuma falar de "fatos sobrenaturais" para saudar o nascimento ou a morte de um líder.

A lenda do regime comunista sustenta que no nascimento de Kim Jong-il, há 69 anos no Ponte Paektu, sagrado pelos coreanos, apareceram no céu uma estrela e dois arco-íris.

Nota do Editor: Agora só falta um "comedor de cachorro" esperto criar uma igreja e cobrar dízimo, como fazem certos "tiradores de espírito" deste patropi bonito por natureza e abençoado por Deus. E por uma penca de santos.
Fiéis não faltarão. Sidney Borges

Twitter

Crônica

Bombons

Luiz Fernando Verissimo (original aqui)
As teorias conspiratórias se dividem em plausíveis e nem tanto. É perfeitamente plausível que Israel tenha decidido, em vez de bombardear as instalações nucleares do Irã, bombardear os cientistas nucleares do Irã, um de cada vez, com menos efeitos colaterais. O que explica a série de atentados contra tais cientistas dentro do seu país, onde três ou quatro já foram explodidos.

Menos plausível é a tese de que as doenças que apareceram simultaneamente em vários líderes de esquerda ou de “esquerda” na América Latina — Chávez, Kirchner, Lula etc. — sejam frutos de uma conspiração. De qualquer maneira, por via das dúvidas, recomenda-se a governantes e outros possíveis alvos na região: não aceitem caixas de bombons da CIA!

As pedras

Disseram do naufrágio do Titanic em 1912 que ele simbolizou o fim tardio do século dezenove, com sua fé na tecnologia e no domínio do homem sobre a Natureza. Se aquele magnífico navio adernado na costa da Itália simboliza alguma coisa é o fim de outra ilusão que ninguém esperava fosse acabar: a União Europeia, o euro forte e os anos de euforia com o dinheiro farto. E ninguém viu as pedras.

Errei!

Há uma semana comentei aqui o fato de Mitt Romney, candidato a candidato republicano nas próximas  elei presidenciais americanas, ser da religião mórmon. Como sua igreja permitia a poligamia, brinquei que ele teoricamente  poderia chegar à Casa Branca com duas ou três primeiras-damas.

Vários leitores escreveram para me corrigir. A poligamia ainda é praticada por um grupo dissidente de mórmons, que não é o do Romney, mas foi abolida pela igreja oficial há mais de um século. Meu erro de mais de cem anos foi imperdoável, mas peço perdão assim mesmo. Não se repetirá. Gravarei com brasa na testa, para nunca mais esquecer:  informe-se antes de dar palpite.

Na mesma crônica eu disse que a religião de cada um só interessa a cada um e que nenhuma religião, por mais que se considere a única verdadeira, tem uma explicação melhor do que outra para os mistérios da vida e da morte. Mas o respeito ao direito do outro de acreditar no que bem entender não exclui um exame secular da sua crença, ou do que ele precisa aceitar para aceitá-la. Não é julgamento, é curiosidade intelectual.

Todas as religiões têm origens sobrenaturais e exigem de seus fiéis diferentes graus de suspensão de descrença, em alguns casos espantosos, e por isso mesmo fascinantes. Ou assustadores, quando levam ao fanatismo e à intolerância. O que, obviamente, não é o caso da igreja mórmon.

E quem garante que a crença mais estranha de todas não seja o ateísmo, que nem explica os mistérios nem conforta os espíritos?

Twitter
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Havel, cebolas e cenouras

*Demétrio Magnoli - O Estado de S.Paulo
Fez ontem um mês que morreu Vaclav Havel. No dia seguinte ao enterro, 80 mil manifestantes reunidos em Moscou interromperam por um minuto o protesto contra Vladimir Putin para homenageá-lo em silêncio. Eles perceberam que o mundo ficou mais pobre sem Havel. O intelectual, dramaturgo e dissidente checo ensinou, ao longo de uma vida, que o contrário do comunismo não é o capitalismo, mas a verdade.

Havel não era um dramaturgo excepcional, nem um ensaísta genial. Contra o cenário fulgurante da vida literária, artística e filosófica da Europa Central, suas peças e seus textos parecem, com apenas uma exceção notável, experimentos secundários. "A obra mais importante de Havel é sua própria vida", disse o romancista Milan Kundera. E, no entanto, ele fez mais diferença que qualquer outro.

A dissidência comunista nasceu junto com a consolidação do poder bolchevique na Rússia. Antes de Hannah Arendt iluminar os paralelos entre o comunismo e o nazismo (Origens do Totalitarismo, 1951), figuras como Victor Serge (É meia-noite no século, 1939), Arthur Koestler (O Zero e o Infinito, 1940) e George Orwell (A Revolução dos Bichos, 1945) cortaram o corpo apodrecido do sistema soviético com o bisturi da literatura e escancararam a natureza do totalitarismo. Havel inspirou-se nesses predecessores para formular o seu diagnóstico: o mal manifestava-se como linguagem - e, justamente por isso, contaminava a sociedade inteira.

O Poder dos Sem-Poder, de 1978, é o grande voo ensaístico de Havel. Escrito logo após um encontro furtivo com o dissidente polonês Adam Michnik, o texto desvendou o segredo do poder comunista tardio. O terror stalinista, com seu cortejo indescritível de opressão e brutalidade, era coisa do passado. No lugar dele se instalara um sistema "pós-totalitário", expressão que não pretendia conotar a superação do totalitarismo, mas uma acomodação essencial das engrenagens de controle da sociedade. O fundamento do sistema residia na mentira ritualizada.

Por que o administrador da quitanda pendura na vitrine, junto com as cebolas e as cenouras, um cartaz com os dizeres "trabalhadores do mundo, uni-vos!"?, indagou Havel. Ele não estava "genuinamente entusiasmado com a ideia da unidade dos trabalhadores do mundo". O cartaz fora "enviado da sede da empresa ao verdureiro, junto com as cebolas e cenouras". O homem expunha-o porque "agia assim há anos", "todos fazem o mesmo" e "tais coisas devem ser feitas para que tudo corra bem na vida". O pós-totalitarismo comunista operava com base no hábito, na imitação, no medo e num interesse pessoal mesquinho. A doutrina que anunciara a libertação de toda a humanidade se conservava no poder pelo estímulo organizado das inclinações humanas à subserviência, à hipocrisia e à covardia. O poder comunista pereceria quando as pessoas sem poder simplesmente se recusassem a desempenhar os papéis deploráveis que lhes haviam sido designados.

Na superfície, não parece existir nenhum traço comum entre Havel e o polonês Leszek Kolakowski. O checo nunca foi comunista; o polonês ingressou no partido na juventude, destacando-se como brilhante promessa. Por motivos políticos, as portas da universidade fecharam-se ao checo; pelas mesmas razões, abriram-se de par em par ao polonês, que cursou filosofia e, em 1950, ganhou uma viagem à "pátria do socialismo". A visita teve consequências inesperadas, pois aquela fresta para a "desolação material e espiritual" da URSS quebrou sua fidelidade ideológica, convertendo-o em dissidente. Mesmo nessa condição, porém, um abismo o separava de Havel: o polonês entregou-se à crítica da filosofia marxista da História, transitando numa esfera teórica distante dos interesses intelectuais do checo.

Entretanto, um fio profundo une Kolakowski a Havel. De volta à Polônia, Kolakowski publicou um ensaio devastador que contestava o núcleo do pensamento marxista. A História não é previsível, escreveu, delineando um raciocínio que o conduziria à conclusão de que o stalinismo não representava uma aberração do comunismo, mas a sua plena realização. O dogma da previsibilidade da História é a fonte da noção de que os destinos da sociedade devem ser depositados no partido. Tal noção, por sua vez, esculpe a linguagem política da mentira, privando a sociedade de valores genuínos e esvaziando a vida pública de qualquer sentido cívico.

A Revolução de Veludo, de 1989, transferiu um relutante Havel dos bastidores do Teatro Lanterna Mágica para o Castelo de Praga. No cargo quase simbólico de presidente da Checoslováquia, ele convidou Frank Zappa para tocar no concerto "Adeus ao Exército Soviético", última performance pública do músico. Também evitou que a separação entre a República Checa e a Eslováquia degenerasse nos horrores do conflito étnico. Há três anos, como ato político derradeiro, Havel inspirou a Declaração de Praga, que classifica o comunismo, ao lado do nazismo, como causa dos mais terríveis crimes do século 20. O documento solicita que o 23 de agosto, data da assinatura do Pacto Molotov-Ribbentrop, seja transformado em dia de memória das vítimas dos dois totalitarismos paralelos.

Dias atrás, a blogueira cubana Yoani Sánchez divulgou um apelo em vídeo à presidente Dilma Rousseff. Yoani foi convidada para a estreia do documentário Conexão Cuba-Honduras, do cineasta Dado Galvão, na Bahia, em fevereiro, mas o governo cubano continua a negar-lhe uma autorização de viagem. Ela não pode viajar porque, como ensinou Havel, escolheu "viver na verdade", recusando-se a seguir o roteiro escrito pelo pós-totalitarismo. Todos nós podemos erguer um brinde em memória do dissidente checo. Dilma tem a oportunidade de homenageá-lo com um gesto especial: intercedendo em favor de Yoani. Nossa presidente fará uso desse privilégio ou preferirá celebrar uma mentira emoldurada por cebolas e cenouras?

*SOCIÓLOGO, DOUTOR EM GEOGRAFIA HUMANA PELA USP

Twitter

Manchetes do dia

Quinta-feira, 19 / 01 / 2012

Folha de São Paulo
"PM ficará na cracolândia por meses, diz Alckmin"
 

No mesmo dia, governador e ministro anunciam verba para tratar viciados
x
Em entrevista à TV Folha, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou que a operação da Polícia Militar de combate ao trafico e ao consumo de drogas na cracolândia não tem prazo para acabar. No mesmo dia em que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou R$ 6,4 milhões para o tratamento de usuários, Alckmin disse que irá dobrar, de 400 para 800, as vagas para o atendimento de viciados.

O Estado de São Paulo
"Banco Mundial prevê crise igual à de 2008 é alerta emergentes" 

Instituição não vê espaço para países adotarem medidas de estímulo; FMI pede US$ 500 bilhões só para Europa

O Banco Mundial rebaixou todas as projeções de expansão global em 2012 e alertou que os países em desenvolvimento devem estar preparados para a possibilidade de a situação se agravar, com forte desaceleração do crescimento, redução no fluxo de capitais, desvalorização do mercado acionário e queda das commodities. "O risco de uma crise global similar à que aconteceu em setembro de 2008 é real", disse o economista-chefe da instituição, Justin Yifu Lin. A ONU também revisou para baixo as projeções. A repetição de uma crise global teria impacto negativo mais profundo em razão do menor espaço fiscal para medidas de estímulo ao crescimento. Ontem, o FMI confirmou que precisa de US$ 500 bilhões só para socorrer países da zona do euro.

Twitter

quarta-feira, janeiro 18, 2012

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

A locomotiva chinesa vai bem

O Estado de S.Paulo
Maior parceira comercial do Brasil e terceira maior economia do mundo, a China mantém um vigoroso ritmo de produção, com crescimento de 9,2% em 2011, bem superior à meta oficial. Depois da expansão de 10,2% em 2010, o governo havia programado um aumento de 8% para o Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado, para conter a inflação e corrigir desequilíbrios, mas os freios parecem ter sido menos eficientes do que previam as autoridades. Os números da economia chinesa, divulgados ontem, ajudaram a compor um quadro global mais promissor, animaram as bolsas em todo o mundo e estimularam novos aumentos de preços do petróleo e dos metais.

Também na Europa houve sinais positivos, apesar do rebaixamento do fundo regional de resgate, a Linha Europeia de Estabilização Financeira, anunciada na segunda-feira pela agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P). O fundo emitiu sem dificuldade títulos de seis meses no valor de 1,5 bilhão. Espanha e Grécia também rolaram seus papéis sem grandes problemas, apesar do suspense em torno da negociação em curso do governo grego com os bancos.

No caso da China, as principais novidades vieram com os dados do quarto trimestre do ano passado. O PIB do período foi 8,9% maior que o de um ano antes, resultado ligeiramente superior ao previsto por economistas do mercado financeiro. No terceiro trimestre, a produção havia sido 9,1% maior que a de igual período de 2010. Há, portanto, uma desaceleração, mas muito suave. Números de crescimento no primeiro e no segundo trimestres foram corrigidos para cima pelo Escritório Nacional de Estatísticas.

A economia chinesa tem sido afetada pela crise nos grandes mercados do mundo capitalista, mas, apesar disso, tem mantido sua posição como maior potência exportadora. No ano passado a China faturou US$ 1,9 trilhão com exportações e gastou US$ 1,7 trilhão com importações. As vendas ao exterior foram 20,3% e, as compras, 24,9% maiores que as de 2010, segundo informações do Ministério do Comércio. O aumento das compras no exterior tem sido a principal contribuição da China para a recuperação da economia global. Além disso, o país se mantém como principal detentor de títulos da dívida americana, com um estoque de cerca de US$ 1,2 trilhão.

Para o Brasil, a China tem sido a principal fonte de receita comercial. As exportações brasileiras para o mercado chinês, no ano passado, renderam US$ 44,3 bilhões, 43,9% mais que no ano anterior. As importações de produtos chineses cresceram 28,1% e chegaram a 32,8 bilhões. Além de principal comprador de produtos brasileiros, o mercado chinês é o nosso segundo maior fornecedor, superado pelos Estados Unidos, com US$ 34,2 bilhões vendidos ao Brasil no ano passado. Os Estados Unidos permanecem, no entanto, como importante comprador de manufaturados brasileiros, enquanto a China praticamente só compra commodities.

O dinamismo da economia chinesa tem sido um importante fator de sustentação dos preços dos produtos básicos. As vendas desses produtos têm garantido o superávit comercial do Brasil. Somente graças a isso o déficit na conta corrente do balanço de pagamentos vem sendo mantido em proporções administráveis.

A dependência brasileira em relação ao mercado chinês vem-se tornando, no entanto, excessiva e perigosa. Não há nenhum mal em exportar grandes volumes de produtos básicos e semimanufaturados, mas é muito ruim perder espaço no comércio de manufaturados por problemas de câmbio e principalmente por excesso de custos.

Além de ser a principal fonte de receita comercial para o Brasil, a China é também a principal potência competidora. Tem tomado espaço da indústria brasileira tanto no mercado externo como no interno. Isso se explica em parte pela desvalorização da moeda chinesa e em parte por outros fatores de competitividade. Enquanto os brasileiros não melhoram o poder de competição de sua indústria, o remédio é continuar dependendo da exportação de commodities. Para isso, a contribuição chinesa é, por enquanto, insubstituível. Também por isso a prosperidade da China é uma bênção.

Twitter

Manchetes do dia

Quarta-feira, 18 / 01 / 2012

Folha de São Paulo
"Aumenta o número de aeroportos superlotados"
 

Dos 16 prioritários para a Copa, 6 têm movimento acima da capacidade
x
A lista dos aeroportos superlotados cresceu. Passou de quatro para seis, informa Mariana Barbosa. Santos Dumont, no Rio, e Viracopos, em Campinas, se juntaram a Guarulhos, Congonhas, Brasília e Cuiabá. Viracopos foi o que teve o maior crescimento na procura em 2011. Com alta de 38,9%, alcançou 7,54 milhões de passageiros e capacidade para 6,8 milhões por ano. No Santos Dumont, o crescimento foi de 9%.

O Estado de São Paulo
"Dilma gasta R$ 13,7 bi sem licitação em seu 1º ano" 

Compras que dispensaram concorrência cresceram 8% em 2011, representando 47,84% do total

As compras e contratações do governo federal sem licitação cresceram 8% no ano passado, o primeiro do mandato de Dilma Rousseff, atingindo R$ 13,7 bilhões. Nos dez primeiros meses da gestão de Dilma, esse modelo de contrato atingiu 47,84% do total, a maior fatia desde 2006, contra 45,25% no último ano da presidência de Lula. Os dados do Ministério do Planejamento mostram que alguns ministérios usam licitação ainda menos do que outros. A Cultura, por exemplo, aumentou em 83% a dispensa e a inexigibilidade de licitação no ano passado. As pastas de Minas e Energia (63%), Trabalho (58%) e Desenvolvimento (45%) também apresentaram forte aumento. A dispensa e a inexigibilidade de licitação estão previstas na Lei de Licitações, de 1993.

Twitter

terça-feira, janeiro 17, 2012

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Uma agência contra a Europa

O Estado de S.Paulo
O rebaixamento da França, da Áustria e de mais sete países da zona do euro foi mais uma intervenção errada, irresponsável e inoportuna de uma agência de classificação de risco. A redução de notas anunciada na sexta-feira pela Standard & Poor's (S&P) é um golpe contra a recuperação europeia e, por extensão, um lance potencialmente danoso para a economia global. O próprio mercado, no entanto, já não leva tão a sério as avaliações dessas agências, cada vez mais desacreditadas. O refinanciamento de 8,6 bilhões da dívida francesa concluído ontem, com juros pouco menores que os da última operação, é mais uma prova da perda de prestígio do sistema de classificações. Horas depois da venda dos títulos, a S&P rebaixou o fundo europeu de resgate, completando o ataque. Líderes europeus têm defendido medidas para disciplinar a atuação das agências. Os governos deveriam considerar seriamente esse tema ao tratar da reforma global do sistema financeiro.

As empresas de classificação de risco vêm perdendo credibilidade há muito tempo. Não previram nenhuma das grandes crises financeiras desde o começo dos anos 90. Além disso, contribuíram, com suas avaliações erradas, para a ocorrência de desastres financeiros como o da grande bolha imobiliária formada nos Estados Unidos e em vários países desenvolvidos. Em vez de funcionar como um sistema de controle e de alerta, as agências converteram-se em fatores de risco, dando suporte a práticas desastrosas do sistema financeiro e a políticas oficiais erradas, como se comprovou, mais uma vez, no caso da crise europeia.

Na Europa, essas instituições entraram em cena com grande atraso, quando os problemas fiscais já haviam surgido, e apenas agiram para agravar a situação, rebaixando as notas de países já em dificuldades e já acuados no mercado financeiro. Essa foi a marca de sua atuação desde o começo da crise grega.

Desta vez, a S&P conseguiu fazer algo pior. Rebaixou as notas de nove países quando grandes devedores, como França, Itália e Espanha, vinham conseguindo refinanciar seus compromissos em condições mais favoráveis. Interveio, portanto, quando o mercado se dispunha a apoiar mais amplamente algumas das economias mais importantes para a estabilidade do bloco.

Mas foi além disso, em sua ação inconsequente. Com o rebaixamento da França e da Áustria, diminuiu de seis para quatro o número de economias AAA envolvidas na sustentação do fundo de resgate da Europa, a Linha de Estabilidade Financeira Europeia. Os países ainda com classificação máxima são Alemanha, Holanda, Finlândia e Luxemburgo. Na segunda-feira, também o fundo foi reclassificado de AAA para AA+.

Em dezembro, ao anunciar o possível corte da nota de vários países da zona do euro, a S&P já havia mencionado possíveis implicações negativas para o fundo. Nada disso seria muito importante, agora, se as normas seguidas pelos bancos não incluíssem as notas de risco entre os critérios de gestão financeira.

A relação entre bancos e agências de classificação de risco tem sido ambígua e marcada em mais de uma ocasião por sinais de mistura de interesses. Sem essa mistura, a formação da bolha com os títulos derivados do crédito imobiliário teria sido, muito provavelmente, interrompida bem antes do estouro.

O próprio mercado financeiro deixa de lado os critérios de classificação quando estes perdem sentido prático. Os títulos emitidos pelo governo americano continuaram sendo a referência principal para os poupadores e investidores de todo o mundo, depois de rebaixados pela S&P, no ano passado. Os aplicadores simplesmente não teriam para onde ir, se abandonassem o mercado desses papéis. Além disso, todos, de alguma forma, ainda apostam na capacidade de recuperação da economia dos Estados Unidos.

Sinais dessa recuperação se acumularam desde a virada do ano. Se havia algum motivo de otimismo, foi reforçado, recentemente, por alguns avanços na zona do euro, embora os governos europeus ainda tenham de fazer muito para vencer a crise. Mas começaram a tarefa e também isso realça o caráter inoportuno e inconsequente da ação da S&P.

Twitter

Manchetes do dia

Terça-feira, 17 / 01 / 2012

Folha de São Paulo
"Casos de invalidez por acidente de trânsito disparam"
 

De 2005 a 2010, ocorrências subiram de 31 mil para 152 mil; no ano passado, cerca de 70% das vítimas usavam moto
x
Casos de invalidez permanente entre vitimas de acidentes de trânsito dispararam entre 2005 e 2010, passando de 31 mil para 152 mil, segundo números do DPVAT (seguro obrigatório). No ano passado, houve novo aumento de janeiro a setembro (166 mil casos).

O Estado de São Paulo
"Agência de risco rebaixa fundo de estabilidade da Europa" 

Decisão da S&P se segue à redução da nota da França e de outros oito países e deve encarecer pacotes de socorro

Depois da perda do triplo A da França e do rebaixamento de outros oito países da União Europeia, entre os quais Itália e Espanha, ontem foi o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef) que teve parte de seu status reduzida. A agência de classificação de risco Standard & Poor's divulgou que a instituição deixou de ser AAA e passou a ser AA+. A consequência será o encarecimento dos pacotes de socorro, que já evitaram a bancarrota de Grécia, Irlanda e Portugal. Segundo a agência, o rebaixamento do Feef é consequência direta da perda do AAA pela França e pela Áustria - o Tesouro francês é o segundo maior financiador do fundo, atrás da Alemanha. Para a direção do Feef, o rebaixamento não diminuirá sua capacidade de empréstimo. 

Twitter

segunda-feira, janeiro 16, 2012

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

A charada do etanol

O Estado de S.Paulo
Preocupado em aumentar a oferta de etanol, o governo determinou a abertura pelo BNDES de uma linha especial de crédito, batizada de Prorenova, no valor de R$ 4 bilhões, com vigência até o fim deste ano, para incentivar a produção de cana-de-açúcar. O objetivo é suprir, em parte, a falta de investimentos na produção de etanol, que vem caindo em razão direta da baixa rentabilidade.

A medida foi considerada positiva pelo setor sucroalcooleiro, mas seus efeitos só serão sentidos a longo prazo. Como não há sinais de que o governo pretenda elevar o preço da gasolina, em uma fase delicada de combate à inflação, e como o etanol tem de custar cerca de 70% do preço daquele combustível para seu uso ser vantajoso para o consumidor, pode-se prever que os preços do etanol não melhorarão tão cedo.

O ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, afirmou há pouco que o governo deseja uma "redução substancial" do preço do etanol em 2012, mas admitiu que, se isso não for viável, o País pode recorrer novamente à importação do produto - o que obviamente desestimula ainda mais quem queira produzir etanol.

Segundo estimativas dos produtores, para que o País possa produzir um volume adicional de etanol, da ordem de 2 bilhões a 4 bilhões de litros por ano, ampliando em mais de 1 milhão de hectares a área plantada, como prevê o BNDES, o Prorenova teria de vigorar por três anos, de modo a permitir o uso da capacidade ociosa das usinas de etanol, atualmente superior a 30%. Um dos problemas do setor é que a idade média dos canaviais é hoje de 3,8 anos. Como observou Plínio Nastari, da Datagro Consultoria, o ideal, para garantir uma boa produtividade, é que a idade média caísse para 2,7 anos. Isso exigiria a renovação de muitas lavouras, o que, em um primeiro momento, pode resultar em diminuição da quantidade de cana a ser moída.

O recuo na produção brasileira de etanol nos últimos anos é impressionante. Na safra 2010/11, a produção do biocombustível foi de 30 bilhões de litros, volume que deve cair 20% na safra 2011/12, não passando de R$ 24 bilhões de litros. A produção de açúcar também foi afetada pela quebra da safra de cana, mas a exportação do produto, em uma fase de altas cotações, compensou financeiramente as usinas. Já com relação ao etanol, o aumento de preços, pelo menos para cobrir os custos, teve de ser limitado pelo preço da gasolina, congelado há mais de quatro anos. Em consequência, além de o etanol ceder espaço no mercado interno, não havia disponibilidade do produto para exportar.

Não admira que, em circunstâncias como esta, tenha havido retração dos investimentos privados no aumento da produção de cana e na implantação de novas refinarias.

O que se busca agora é recuperar, pelo menos, o nível de produção a partir da safra 2012/2013, como base para uma contínua expansão. Os produtores notam, porém, que o custo dos financiamentos por meio do Prorenova ficaram além da sua expectativa, embora abaixo das taxas de mercado.

O BNDES vai cobrar nessa linha 1,3% a mais que a TJLP, que é de 6%, acrescida de 0,5% de custo fixo, o que dá 7,8%. A isso se somará o "spread" cobrado pelos bancos repassadores, calculando-se que o custo fique por volta de 10% ao ano. E pode ser que não haja recursos para atender à demanda, prevendo-se que os grandes produtores absorvam a maior parte, restando muito pouco para os pequenos.

Apesar dos problemas, o Prorenova é visto como uma sinalização de que o governo finalmente começa a esboçar uma política para os biocombustíveis. Depois da destinação no ano passado de R$ 2,4 bilhões para a estocagem de etanol, o BNDES, pela primeira vez, se volta para o estímulo ao plantio de cana-de-açúcar, de modo a conter um retrocesso na produção, justamente em um período em que, a par do aumento da demanda interna pelos carros flex, se verifica uma grande abertura no mercado externo, com a decisão do governo dos EUA de não taxar o produto brasileiro e deixar de subsidiar a sua produção de etanol a partir do milho.

Twitter

Manchetes do dia

Segunda-feira, 16 / 01 / 2012

Folha de São Paulo
"Previdência de empresas cresce mais que individual"
 

Contribuição extra do empregador atrai funcionário ao plano corporativo
x
As aplicações nos planos empresariais de previdência subiram 25% e somaram R$ 5,8 bilhões de janeiro até novembro de 2011. A expansão ocorreu em ritmo mais rápido que a de planos individuais pela primeira vez desde 1998, quando estreou o modelo PGBL, que permite abater do Imposto de Renda. Aumento do emprego formal e da renda e necessidade de retenção de funcionários explicam a tendência.

O Estado de São Paulo
"Brasileiro trabalha menos horas, aponta IBGE" 

Economia aquecida fez cair à quase metade o número dos que têm jornada semanal acima de 45 horas

Dados do Censo 2010 mostram que o porcentual das pessoas que trabalham mais de 45 horas por semana no País caiu 44% para 28% em uma década. Em números absolutos, 5 milhões de brasileiros deixaram de trabalhar mais de 9 horas por dia. Ao mesmo tempo, cresceu de 3% para 8,3% a proporção de pessoas que trabalham menos de 14 horas por semana. A maior parcela da população tem jornada semanal que varia de 40 horas a 44 horas. A redução do tempo dedicado ao trabalho está ligada ao aumento real do salário do brasileiro e à formalização do mercado, o que ajuda a regular as horas extras. O Censo 2010 também mostra que o número de trabalhadores com mais de 60 anos subiu 65% desde 2000. 

Twitter

domingo, janeiro 15, 2012

Pitacos do Zé


Caminhos de servidão – eles se vão?

José Ronaldo dos Santos
Caminho de servidão é o que se chama hoje de trilha. Portanto, todas as ligações entre as praias e os sertões, passando pelas costeiras, vargens, grimpas e badejas, são chamadas pelos mais antigos do lugar de caminhos de servidão. Dizem até que a Lei Orgânica do município garante-os (mesmo em tempo de alta especulação imobiliária); o que significa dizer: eles são soberanos mesmo que os ricaços agora estejam com as posses. Confesso que nunca li tal adendo na lei. O que fazer se não existir tal “detalhe”?

Escolhi a imagem das canoas caiçaras repassada por um amigo para escrever sobre o caminho de servidão que parte do canto esquerdo da praia da Enseada - o grande morro da fotografia - e vai até a Toninhas. É o espigão da Serra do Mar que mais perto chega da Ilha Anchieta, um lugar que foi, depois da expulsão de muitos caiçaras há mais de cem anos, um presídio. Hoje é uma reserva ambiental. Nesse caminho, hoje conhecido como Trilha da praia de Fora, estão pequenas praias: já no começo, na área onde mora o pessoal do Paru, está a prainha do Canto do Góis; depois, passando por ingazeiros, jaqueiras, bacuparizeiros, cambucazeiros e outras espécies nativas, chega-se à praia do Tapiá. É a mais extrema, quase na ponta, mas muitos não a conhecem porque o acesso está quase escondido. Por isso alguns sabem da sua existência somente percorrendo a costeira da praia seguinte conhecida por nós como Pixirica, denominada mais recentemente por praia de Fora. Continuando a caminhada, sempre tendo o mar como visão, estão duas prainhas em sequência: Xandra e Maria Godói.

De acordo com o Júlio, que passou por lá no ano passado, há uma cerca no trecho seguinte que impede a conclusão da caminhada. Ou seja, um caminho de servidão está barrado. Portanto, paro por aqui a minha narrativa. Aproveito para questionar: será que a Promotoria Pública, tomando conhecimento da denúncia, verificando in loco o fato, poderia mover alguma ação no sentido de recuperar o caminho da servidão em questão? Eu me prontifico a guiar uma autoridade determinada em agir concretamente ao referido lugar. Creio que o Júlio também fará tal gesto com o maior préstimo e alegria. Afinal, não é possível aceitar mais essa arbitrariedade, essa negação de acesso ao nosso patrimônio natural e cultural.

Twitter

Hangover...

Coluna do Mirisola

Verdades chapadas

"A única coisa que tenho a proclamar é minha pequenez. Diante disso, os policiais que descem o sarrafo nos craqueiros, e até os craqueiros que se apegam a um rebotalho de vida para dar suas cachimbadas alucinadas, são muito mais críveis do que este impotente que vos fala"

Marcelo Mirisola
De um lado, a limpeza pública. Do outro, um exército de zumbis. A guerra logo ali, não muito longe do aconchego do meu lar paulistano: e eu minúsculo diante de um drama que não devia ser meu?

Se eu fosse um botânico e trabalhasse num orquidário as coisas seriam mais fáceis. Mas sou escritor e, nessa hora, a covardia recomenda desviar o pensamento para o Jardim Botânico e sua magnífica coleção de orquídeas e azaléias. Mas não dá. Também não consigo ser 100% a favor da intervenção da PM e muito menos contra a retirada dos zumbis da Cracolândia. O que fazer? Onde e como?

Não sei. A única coisa que tenho a proclamar é minha pequenez. A insignificância do escritor que não sabe a diferença de uma azaléia pruma orquídea. Diante disso, os policiais que descem o sarrafo nos craqueiros, e até os craqueiros que se apegam a um rebotalho de vida para dar suas cachimbadas alucinadas, são muito mais críveis do que este impotente que vos fala.

Que vos fala, e não age. O que me resta é o estilo. Não pretendo gastá-lo tripudiando das madames de Higienópolis “eles estão subindo”, nem tampouco apontarei mais uma vez o dedo para o doutor Dráuzio Varella. Quando Estado & Ciência operam no mesmo diapasão a merda é mais do que anunciada e conhecida. Minhas únicas certezas são o medo e a paralisação.

Mudando de assunto para falar da mesma coisa. O que é pior? Investir contra a doença ou contra o pecado?

Apóstolo Dráuzio ou Apóstolo Valdemiro? Estado & Ciência ou Estado & Religião?

No começo do ano, o Apóstolo Valdemiro Santiago inaugurou um megatemplo em Guarulhos. Vocês viram? Parou a Dutra em nome de Jesus. O caos ocorreu porque centenas de ônibus transportando fiéis estacionaram irregularmente nos acostamentos da Dutra e também da rodovia Hélio Smidt, via que dá acesso ao aeroporto de Cumbica. Fiéis com receio de perder o início dos cultos chegaram a atravessar a pista expressa da Dutra e a derrubar alguns de seus alambrados de proteção para chegar mais rapidamente ao templo do apóstolo Valdemiro chapeludo. A confusão se prolongou até a rodovia Ayrton Senna. Teve gente que perdeu voo em Cumbica, e dia 13 próximo o Apóstolo promete mais.

Para se ter uma ideia do gigantismo da “obra”, o pátio do megatemplo que tem autonomia para receber dois mil ônibus, recebeu seis mil nesse dia. A Polícia Rodoviária estuda pedir a interdição do local. Se um grupo de nóias incomoda, imaginem um exército de crentes malucos que tem o poder de congestionar a Dutra, arrebentar alambrados e de votar nos candidatos que o Jesus do Valdemiro quiser… Deus nos livre…

Se a polícia do Alckmin é truculenta (o governador esteve presente na inauguração do megatemplo), uma hipotética polícia da Igreja do Apóstolo Valdemiro mandando hereges pra fogueira seria muito mais aterrorizante. Think about it.

E se você, laico leitor, se você está preocupado com essa hipótese sombria e nem tão remota, eu lamento dizer que tem coisa muito pior vindo por aí. Não é de hoje que a religião está flertando com a ciência, pelo menos na revista Superinteressante, vivem em concubinato. Quando e se essas duas forças nefastas se encontrarem no mundo real, o estado de direito e o mundo vão  acabar não somente para os nóias e os motoristas que ficaram presos no congestionamento monstro da via Dutra. Acho que nessa colisão nem o Michel Teló escapa.

Para tanto, o Cristo não precisará descer à terra a bordo de uma nave espacial, algo muito mais brega e improvável do que o sucessor de um ditador norte-coreano parecido com o Pikachu dará conta do recado. Caetano aposta num índio. Eu acho que o cara já esta entre nós e atende pela alcunha de Inri Cristo. Anotem aí.

No mundo de hoje sobra informação e falta… uma paranóia linear. Sinto uma carência danada da ameaça das bombas atômicas, das polarizações ridículas do século vinte. A música era melhor, as mulheres tinham curvas e não faziam ginástica, Jorge Amado e Roberto Campos serviam vá lá, cada um a seu modo, de oráculos, ninguém usava cinto de segurança e o Glauber Rocha não era apenas um chato. Atrás do arco-íris escondia-se um pote de ouro – o que não significava necessariamente que você teria de ser enrabado por um travesti politicamente correto. Tudo bem, não vivíamos no melhor dos mundos, mas as pessoas fumavam nos restaurantes e até o bem e o mal conservavam lá seu élan e tinham muito mais charme e verossimilhança.

Acabou. E isso aqui não é somente nostalgia besta de um tiozinho ranzinza. O que eu quero dizer é que fica difícil viver sem mentiras sinceras.

A polícia do Alckmin e os nóias da Cracolândia significam o oposto disso: são verdades chapadas, do tipo que jamais vão combinar com meu estilo mezzo Adoniran, mezzo João Gordo antes de vender milk-sheik dietético nos Shop Times da vida. Tá difícil.

O último entrave tesudo que vivemos foi a Aids. À época, reclamei. Hoje, só de birra, trepo sem camisinha e espalho o vírus como quem acredita que o beijo de despedida no táxi é o melhor remédio para curar qualquer ameaça de futuro doentio e condenado ao extermínio. O desamor mata mais do que qualquer vírus. Hoje, temos apenas a informação sem a paranoia, com a diferença de que a tecnologia existe para pulverizar o talento e o lixo no mesmo vácuo, lugar-nenhum. Me mata, me add!

De modo que ninguém precisa ser profeta ou bidú para afirmar que alguma coisa está na iminência de sair do controle. Só fazer as contas. 2011 já deu boas dicas. Algo me diz que 2012 vai ser um ano divertido e perigoso. Quem viver verá.

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

Twitter
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Só investimento foi cortado

O Estado de S.Paulo
O governo federal só cortou em 2011 um dos grandes componentes do Orçamento Geral da União - o investimento em obras e em equipamentos. Fez o contrário, portanto, do prometido no começo de 2011, quando a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciaram o congelamento de R$ 50 bilhões como primeiro ato de uma política de austeridade. Só dois itens, segundo eles, ficariam livres de restrições: os programas sociais e o investimento. Terminado o ano, o balanço da execução orçamentária mostra uma história diferente do roteiro inicial e muito mais parecida com o velho padrão dominante no Brasil. Se houve algum ajuste, foi nos programas destinados a ampliar e a modernizar a capacidade produtiva do País, com destaque para as obras de infraestrutura. Os números, de fontes oficiais, foram coletados e ordenados pela organização Contas Abertas, especializada no acompanhamento das finanças públicas.

O desembolso para investimento ficou em R$ 41,9 bilhões no ano passado, 6,1% menos que em 2010, quando o Tesouro pagou R$ 44,7 bilhões. A maior parte do valor desembolsado em 2011 - R$ 25,3 bilhões - correspondeu, no entanto, a restos a pagar, isto é, a valores empenhados em exercícios anteriores. Do dinheiro orçado para o ano o governo só gastou efetivamente R$ 16,6 bilhões, 24,5% da dotação total atualizada, R$ 67,6 bilhões.

Quanto a esse ponto, repetiu-se um padrão bem conhecido e observado ano após ano. Apenas uma pequena parte da verba orçada para cada exercício é paga até o fim do ano e restos da programação anterior compõem a maior parte do valor liquidado.

Esse roteiro valeu também para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), criado em 2007 e sempre atrasado na execução. Está oficialmente em vigor o PAC 2, mas o governo quase se limitou, no ano passado, a liquidar compromissos deixados pela gestão anterior.

Foram desembolsados em 2011 R$ 28 bilhões, 21% mais que em 2010, mas cerca de dois terços desse valor - R$ 18,6 bilhões - foram formados por restos a pagar. A segunda fase do PAC, portanto, mal começou, e os investimentos previstos para conclusão até 2014 provavelmente ficarão para o mandato seguinte.

O quadro seria um pouco menos preocupante se a maior parte do programa, com participação de estatais e de grupos privados, estivesse em dia, mas nem os investimentos da Petrobrás estão livres de problemas e de revisões.

Do ponto de vista administrativo, os maiores problemas estão no governo central, deficiente na elaboração e na execução de projetos e até na condução de licitações para envolvimento do setor privado. As limitações gerenciais do governo central se refletem não só na lentidão dos investimentos, mas também no escasso controle dos gastos de custeio. No ano passado, o governo alcançou com folga as metas fiscais, mas isso resultou principalmente do aumento da receita. Se houve esforço de austeridade, o resultado é pouco visível.

Os gastos com pessoal e encargos sociais passaram de R$ 183,4 bilhões em 2010 para R$ 196,6 bilhões em 2011. Outras despesas correntes aumentaram de R$ 580,1 bilhões para R$ 664,6 bilhões, segundo o levantamento de Contas Abertas. O controle desses gastos é especialmente complicado, porque as normas são pouco flexíveis e quaisquer mudanças envolvem difíceis negociações políticas.

Mas o governo tem feito pouco ou nenhum esforço para tornar o orçamento menos engessado. Pelo menos desde 2003, nenhuma reforma politicamente complexa foi conduzida pela administração federal - nada parecido, pelo menos, com a renegociação das dívidas estaduais, nos anos 90, ou com a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Além do mais, os números do investimento mostram apenas uma face dos problemas. Além de investir pouco, o governo federal nem sempre investe com eficiência. Parte do dinheiro é desperdiçada em projetos de qualidade duvidosa, especialmente quando originários de emendas de parlamentares. Além disso, as muitas histórias de corrupção, como as divulgadas em 2011, tornam inevitável a pergunta: a favor de quem cada real está sendo investido?

Twitter
 
Free counter and web stats