sábado, janeiro 14, 2012

Oiêêê...

Colunistas

Mensagem para você

"Inequivocamente: se a mensagem que Bruna Surfistinha passa ao Grande Público é que o segredo do sucesso é virar puta, abrindo-se mão de tudo – projeto de vida, família, estudos, carreira e futuro –, então ela está dada"

Márcia Denser
“Os orgasmos de Lady Chaterley devem ser de D.H. Lawrence porque eu não sinto assim”, disse certa vez Érica Jong, escritora ianque, atribuindo o comentário a uma leitora. Pois é, mas por que você mesma não os escreve?

O fato é que, desde o início dos tempos até hoje, a coisa não mudou muito. O discurso feminino já viajou bastante, mas raramente na voz do próprio Sujeito, constituindo uma espécie de casa da sogra (ou cu da Maria Joana), onde Deus e todo mundo dá palpite. Quer dizer, onde todo mundo fala, menos Ela e por uma razão bem simples: Não Sabe Escrever, nem Ler nem Pensar, salvo em determinados períodos bem marcados na História, como nos anos 70 – uma conjunção específica de Maria Rita Kehl e eu no geral, a invenção da pílula anticoncepcional em particular e o Movimento Feminista em si.

Voltando ao discurso feminino: infelizmente, a despeito das razões acima, o discurso feminino prossegue uma cacofonia de vozes sem dono, pior, predominantemente masculinas, configurando (como sempre) o discurso masculino da vez sobre a mulher, mas para a recepção – o leitor, o grande público, a galera – que desconsidera tais filigranas – é Ela quem fala, portanto é o Sujeito da Ação, conquanto até a década de 80, a Mulher fosse oficialmente definida como Objeto do Homem ou Mulher-Objeto. Tá em qualquer publicação da época, dos quadrinhos & nanicos, passando pelo Pasquin & teses de doutorado até a revista Playboy – uma espécie de Clichê Paradigmático Anos 70.

Mais recentemente, o que temos enfiado goela abaixo? Bruna Surfistinha, o filme. Em todas as tevês a cabo do país, no papel de Debora Secco (essa é pra pensar, repensar, ir e voltar voando, tipo quatro lances adiante do adversário), direção de Marcus Baldini e não dá outra: A Glamorização Oficial da Prostituição (posto que financiada por verbas idem, aliás o que já havia sido feito – a Glamorização ou Estetização retro –  com a Violência & o Tráfego de Drogas na Literatura e no Cinema Pós-Modernos Nacionais, vide Cidade de Deus e Tropa de elite 1 e 2).

Até porque essa Bruna, isto é, o texto mui masculino do jornalista Jorge Tarquini, La Surfistinha, vulgo Dona Raquel Pacheco, também não deve saber escrever e ler, nem pensar, literalmente, como qualquer escritor que se preze, mas sabe “contar” (depoimentos incluídos) em termos de Mercado – uma operação rigorosamente matemática e não lingüística, digamos assim.

Por que, digamos, apenas para lembrar outra escritora que surgiu na Rede, Clarah Averbuck – que é bela, jovem, tem efetivamente um discurso literário e cujo trabalho também virou filme – não obteve a mesma projeção de magnitude, digamos, catastrófica, que essa Bruna? Simples: porque Clarah é escritora e das boas – engraçada, original – portanto, sujeito da ação – para fins acadêmicos – e dona do seu nariz.

Modernamente, antes de mim e minha personagem, Diana Marini (eu como Sujeito do Discurso, ela, da Ação, o que dá rigorosamente no mesmo), nos anos 60 houve Lúcia MacCartney, mas o Sujeito do Discurso (e só do Discurso, uma vez que a Ação ficava por conta da Ficção) era Rubem Fonseca, e voltamos à questão lá do começo, D.H. Lawrence no papel de Lady Chaterley, etc.etc.etc.

Mas acontece que agora já não estamos mais falando de Literatura, nem de Mulher, nem de Discurso Feminino e muito menos de Mulher Como Sujeito da Ação. Salvo as da Bolsa. E aí, tanto faz, se homem, mulher ou Jack Black.

Inequivocamente: se a mensagem que Bruna Surfistinha passa ao Grande Público é que o segredo do sucesso é virar puta, abrindo-se mão de tudo – projeto de vida, família, estudos, carreira e futuro –, então ela está dada.

Posso até imaginar a garotada incorporando a coisa:

P. O que você quer ser quando crescer?
R. Puta. Modelo & atriz já era, dançou.

No sancta-santorum mais esotérico da intelectualidade, alega-se “eclipse da moral” da sociedade e eu respondo: é pouco.

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

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Opinião

O gasto a mais com as ONGs

O Estado de S.Paulo
Culpa-se o poder público, merecidamente, por só trancar a porta depois que foi arrombada. Mas já é alguma coisa. Pois, não raro, aqueles que deveriam proteger o dinheiro do contribuinte, no governo e nas câmaras legislativas, às vezes fazem pior: numa espécie de convite à fraude, mantêm abertas, quando não escancaradas, as mesmas portas por onde entrou o pessoal da gazua. Tomara que os fatos futuros desmintam a avaliação pessimista, mas dificilmente ela poderia ser diferente quando se fica sabendo que, já não bastasse o Executivo federal prever no Orçamento deste ano repasses da ordem de R$ 2,4 bilhões a organizações não governamentais (ONGs), o Congresso, mediante emendas parlamentares, colocou nesse balaio outros R$ 967,3 milhões - ou 38 vezes mais do que em 2011. E isso depois de virem à tona, há poucos meses, os escândalos em série sobre o acumpliciamento de ministros de Estado e auxiliares diretos com ONGs de araque contratadas por meio de convênios para prestar serviços às respectivas pastas. O que fizeram de fato os seus controladores - vigaristas comuns ou membros da patota política de seus beneficiários - foi embolsar o dinheiro carimbado e tratar de conseguir novas boladas.

Dos seis titulares afastados do Planalto por acusações de corrupção ou enriquecimento ilícito (como no caso do primeiro a cair, Antonio Palocci, que ocupava a Casa Civil) três estavam atolados, entre outros lameiros, em acertos com essas impropriamente chamadas entidades sem fins lucrativos. Foi o caso dos ministros Orlando Silva, do Esporte, Pedro Novais, do Turismo, e Carlos Lupi, do Trabalho. Na realidade, a Controladoria-Geral da União (CGU) já identificou desvios de verbas por ONGs conveniadas com cinco Ministérios ao todo. Em outubro, a presidente Dilma Rousseff, de tranca em punho, mandou passar um pente-fino em todos os contratos do gênero, cujos pagamentos apenas poderiam ser retomados com o aval dos ministros e sua plena responsabilidade - e desde que as eventuais irregularidades tivessem sido sanadas. O prazo estabelecido para a devassa, que se destina a recuperar recursos malversados e separar o joio do trigo ongueiro, termina no fim deste mês. No entanto, para surpresa de ninguém, o governo ainda não aprontou a relação de entidades que deverão devolver dinheiro e entrarão na lista negra. Tampouco se sabe quantas e quais delas fizeram por merecer o desbloqueio dos repasses.

O que se desconhece nesse departamento é uma enormidade, apesar dos esforços da CGU e do Tribunal de Contas da União (TCU). O que o governo gasta é sabido. Foram quase R$ 20 bilhões no acumulado dos últimos seis anos. O que foi feito desse montante é outra coisa. A repórter Marta Salomon, do Estado, apurou no TCU que, na média, o atraso das ONGs em prestar contas de seus convênios já alcança 2 anos e 9 meses. Mais grave ainda é a demora média de 6 anos e 8 meses no exame do material - e já foi pior. Sem falar nos porosos requisitos institucionais para essas modalidades de parceria público-privada. Até espocarem os escândalos recentes, uma ONG interessada em fazer negócio com o governo só precisava apresentar três declarações que atestassem a sua existência, como se isso comprovasse que ela não era uma fachada pintada às pressas para drenar o erário. Desde então, as organizações ficaram obrigadas a demonstrar experiência na área de trabalho para a qual se oferecerem e a se submeter a um processo de seleção prévia. "O governo estabeleceu travas importantes para que os problemas não se repitam", assegura, talvez com excesso de otimismo, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior.

Não era hora, de todo modo, de inflar os recursos para ONGs - mesmo levando em conta que o Orçamento não é impositivo. Mas já passou da hora de reexaminar a fundo os mecanismos do concurso dessas associações para melhorar os procedimentos, o alcance e a eficiência do gasto público. Afinal, a perversão de um sistema concebido para diminuir a burocracia, distribuir responsabilidades e aumentar a lisura no manejo dos recursos é ainda mais abominável que a corrupção ao velho estilo.

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Manchetes do dia

Sábado, 14 / 01 / 2012

Folha de São Paulo
"Agência S&P rebaixa nota de 9 países da eurozona"
 

Itália, Espanha e Portugal perderam 2 degraus; França e Áustria caíram 1
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A agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou a nota da dívida de nove países da zona do euro. França, a segunda maior economia da região, e Áustria, assim como Malta, Eslováquia e Eslovênia, caíram um degrau. Já Itália, Espanha, Portugal e Chipre perderam duas posições.

O Estado de São Paulo
"Agência de risco rebaixa 9 europeus" 

S&P tira o triplo A de França e Áustria e reduz nota de Itália, Espanha e Portugal, o que deve agravar crise da dívida na zona do euro

A agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou a nota de nove paises europeus. Entre eles estão a França, segunda maior economia da União Europeia, e a Áustria – ambos eram “triplo A”, a maior nota, e passaram a ser AA+. Os outros rebaixados são Portugal, Itália, Espanha, Eslováquia, Eslovênia, Malta e Chipre. A medida tende a agravar a crise das dívidas, já que tornará mais elevado o custo de refinanciamento, assim como do sistema financeiro. “Não é uma boa notícia, mas não é uma catástrofe”, disse o ministro da Economia da França, François Baroin. O próximo passo deverá ser o rebaixamento de empresas e bancos franceses.

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sexta-feira, janeiro 13, 2012

Corações ao alto!

Coluna do Celsinho

Viajantes

Celso de Almeida Jr.
Inesperado, imprevisível.

Curioso encontro.

Numa viagem de rotina, no banco de trás, uma única vaga me esperava.

Contei com o apoio do passageiro do centro, para prender o cinto de segurança.

Apertados, ombro a ombro, levei alguns segundos para reconhecê-lo, afinal, eu ainda despertava para o novo dia, que se tornou especial.

Carro cheio, alguém puxou o assunto das tragédias que o mau tempo gerou em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.

Eis o mote para eu consultar o meu vizinho sobre a impactante catástrofe de Caraguatatuba, no final da década de 1960.

Foi o fio da meada.

A conversa avançou para alguns “causos” de Ubatuba e sobre as experiências que tivemos em épocas distintas, no estado de Rondônia.

Sugeri, valendo-se das ferramentas da internet, que ele publicasse o extenso conhecimento que tem de Ubatuba e de suas vivências fora daqui.

Ele confessou que a ideia já o acompanha há algum tempo e que, em certa hora, iniciará um blog para isso.

Revelou-me passagens ubatubenses que garantiram boas risadas, mas que considera prudente não publicar, evitando um tremendo mal estar.

Neste instante, pensei em tudo o que escrevi sobre ele, nos anos em que foi prefeito da cidade.

Textos duríssimos, contundentes, motivados por nosso traumático rompimento político, há 15 anos.

Forte turbulência que marcou nossas vidas.

Francamente, porém, não senti ao meu lado o ex-prefeito, mas o admirável professor de história que tanto me encantou no curso colegial da Escola Estadual Capitão Deolindo, há 30 anos.

Prova curiosa de que o tempo, que não altera as ações passadas, em nosso caso, ao que parece, diluiu as dores.

A viagem passou ligeira e, quando vi, desci na Praça Sta. Terezinha, em Taubaté, e dele me despedi com um sincero aperto de mão.

No caminho ao escritório, pensei num distante futuro, quando nem eu, nem ele, estaremos mais aqui.

Nossas histórias e nossos conflitos serão coisas de um passado distante que, talvez, despertem a curiosidade de algum passageiro do amanhã.

Para ele, o registro de meu reencontro de paz com Euclides Luiz Vigneron, o Zizinho.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Invenções dignas de aplausos...

Sapatos para enchentes

Dinheiro

Capitalismo desregulado

Michel Rocard e Pierre Larrouturou
Recentemente, um juiz norte americano decidiu a favor de jornalistas da Bloomberg, que pediu ao Banco Central dos Estados Unidos que fosse completamente transparente, em relação à ajuda dada ao sistema bancário durante os últimos três anos. Após ter examinado 20.000 páginas de vários documentos,  Bloomberg demonstrou que a Reserva Federal tinha emprestado, secretamente aos bancos em dificuldade, a enorme soma de 1,2 trilhão de dólares a uma taxa incrivelmente baixa de 0,01%.

Ao mesmo tempo, em muitos países, as pessoas estão sofrendo planos de austeridade impostos pelos governos aos quais os mercados financeiros não emprestam bilhões a juros inferiores de 6,5% a 9%. Sufocados por esses juros, os governos são "forçados" a congelar as pensões, as prestações familiares ou os salários dos funcionários públicos; a fazer cortes e reduzir os investimentos, o que aumenta o desemprego, o que em breve vai afundar todos em uma recessão extremamente grave.

Será normal que em casos de crise, os bancos privados, que tendem a financiar os bancos centrais a taxas de 1%, possam se beneficiar de uma taxa de juros de 0,01%?  Mas porque nas mesmas circunstâncias alguns Estados, ao contrário, devem pagar taxas 600 ou 800 vezes maior?

"Ser governado pelo dinheiro organizado é tão perigoso quanto ser governado pelo crime organizado", dizia Roosevelt. Ele estava certo. Estamos vivendo uma crise do capitalismo desregulado que pode ser suicida para nossa civilização. Como dizem Edgar Morin e Stéphane Hesse em seu último livro, nossas sociedades devem escolher: a metamorfose ou a morte.

É claro, precisamos de um tratado de convergência social e uma verdadeira governança econômica. Tudo isso é essencial. É urgente enviar um sinal muito claro para os povos: a Europa não está nas mãos de lobbies financeiros. A Europa está a serviço dos cidadãos. (Do Ex-Blog do Cesar Maia)

Michel Rocard é ex-primeiro ministro francês e Pierre Larrouturou, economista - El País, 06

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Opinião

Mais protecionismo argentino

O Estado de S.Paulo
A escalada protecionista prossegue na Argentina, com a decisão do governo de impor mais uma trava às importações, e boa parte da conta será paga, sem dúvida, por empresas brasileiras e seus trabalhadores. Quem quiser importar o que quer que seja será obrigado, a partir de 1.º de fevereiro, a apresentar uma declaração juramentada e antecipada à Secretaria de Comércio Exterior. A Secretaria é comandada formalmente pela economista Beatriz Paglieri, colaboradora e seguidora do secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, famoso por sua intervenção no sistema oficial de índices de inflação e pelas pressões sobre importadores. A manipulação dos índices tornou-os internacionalmente desacreditados. Moreno enriqueceu sua obra, no ano passado, impondo aos empresários proibições informais de importar, sustentadas, segundo denúncias noticiadas pela imprensa, por ameaças e muita truculência.

Cada avanço do protecionismo argentino torna mais evidente o atraso da integração econômica do Mercosul. Os maiores países do bloco não conseguiram sequer, até agora, criar um espaço de negócios digno de ser classificado como zona de livre comércio. Muito mais distante, portanto, está a consolidação da união aduaneira - status oficial do conjunto formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

No ano passado, até novembro, a Argentina acumulou superávit comercial total de US$ 10,5 bilhões. Esse resultado é atribuível aos preços internacionais dos produtos agrícolas e, em boa parte, à política protecionista, reforçada com a exigência de licenças não automáticas de importação. A concessão das licenças demorou, em muitos casos, mais que os 60 dias permitidos pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Muitas empresas brasileiras foram prejudicadas e autoridades de Brasília foram obrigadas a intervir. Dificultaram por algum tempo a entrada de produtos argentinos, para mostrar a disposição de retaliar, e forçaram o outro lado a buscar um entendimento. Mas contentaram-se, afinal, com a promessa do governo argentino de respeitar o prazo legal. O compromisso, é claro, não foi cumprido.

Parte do empresariado argentino também protesta contra essa política. Muitas indústrias dependem de componentes importados. Segundo o jornal Clarín, de Buenos Aires, uma fábrica da Fiat em Córdoba ficou 48 horas sem produzir porque peças compradas do Brasil estavam retidas na alfândega. A reportagem menciona fontes da empresa, embora a própria Fiat argentina, para evitar encrencas com o governo, tenha fornecido aos operários uma versão mais branda, atribuindo a falta de componentes a férias da fábrica brasileira.

De acordo com a nova exigência do governo, para cada peça necessária à fabricação de um produto final - um veículo, por exemplo - será necessário apresentar uma Declaração Jurada Antecipada de Importação (Djai). Segundo fontes da indústria automobilística, informa o Clarín, as montadoras dependem, em média, de 70% a 80% de partes importadas.

Apesar do protecionismo argentino e da valorização do real, o Brasil acumulou no ano passado um superávit de US$ 5,8 bilhões no comércio com o maior parceiro do Mercosul. A principal explicação é simples: barreiras podem apenas dificultar o ingresso de produtos estrangeiros, mas não bastam para tornar a indústria de um país mais eficiente e mais competitiva.

Competitividade resulta da combinação de muitos fatores, mas boa parte do empresariado argentino, acostumado à superproteção fornecida pelo governo, pouco tem feito para elevar a produtividade de suas fábricas. Outra parte mostra preocupação com a eficiência, mas seu trabalho é dificultado pelas intervenções desastradas do governo - como, por exemplo, as barreiras à importação de peças.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o governo brasileiro já entrou em contato com as autoridades argentinas para avaliar as novas medidas e prevenir danos ao comércio bilateral. Essa iniciativa será inútil, se o governo, como no ano passado, se contentar com promessas destinadas a não serem cumpridas. Seria bom, para variar, forçar uma conversa séria sobre o assunto.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 13 / 01 / 2012

Folha de São Paulo
"CNJ vê R$ 856 mi atípicos em contas bancárias de juízes"
 

Operações fora do padrão, feitas por funcionários do Judiciário, estão listadas em relatório da corregedora
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Relatório enviado ao STF pela corregedora do CNJ, Eliana Calmon, revela que magistrados e servidores do Judiciário movimentaram, entre 2000 e 2010, R$ 856 milhões em operações consideradas "atípicas" pelo órgão de inteligência financeira do Ministério da Fazenda. Dessas operações, R$ 275 milhões foram realizadas com dinheiro vivo.

O Estado de São Paulo
"Contas no Judiciário têm R$ 855 milhões 'atípicos', diz Coaf" 

Dado é usado pela corregedora Eliana Calmon para tentar retomar investigação em tribunais, suspensa pelo STF; maior movimentação em dinheiro está em SP

Dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostram que 3.426 servidores e magistrados movimentaram, de forma atípica, em torno de R$ 855,7 milhões de 2000 a 2010. Em dinheiro vivo, foram R$ 274,9 milhões entre 2003 e 2010. São Paulo foi o Estado que apresentou o maior volume de operações em espécie (R$ 53,8 milhões), seguido de Distrito Federal, Rio e Minas. As maiores operações em dinheiro vivo em que os investigados eram titulares das contas foram identificadas entre pessoas ligadas aos tribunais de Justiça de São Paulo, Distrito Federal e Bahia. O relatório do Coaf integra a defesa da corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, para derrubar a liminar do Supremo Tribunal Federal que suspendeu as inspeções nos tribunais. Segundo ela, foram analisadas as movimentações financeiras de 216,8 mil pessoas.

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quinta-feira, janeiro 12, 2012

Por falar em Darwin...

Esse é Amendoim Borges, avô do bisavô do tetravô do meu avô. Sempre concentrado!

Crônica

Religiões

Luiz Fernando Veríssimo (original aqui)
Se for eleito, Mitt Romney será o primeiro presidente mórmon dos Estados Unidos, ou, que eu saiba, de qualquer outro país. A Igreja Mórmon foi criada no século dezenove pelo americano Joseph Smith, que a baseou em contatos pessoais que teve com Deus e com Jesus Cristo e em mandamentos que recebeu das mãos de um anjo chamado Morôni, na forma de tabletes de ouro.

Quando John Kennedy candidatou-se a presidente dos Estados Unidos diziam que ele jamais se elegeria, pois um católico teria que ser mais leal ao Papa do que à Constituição do país. Kennedy se elegeu e, no seu curto governo, nunca consultou o Papa sobre nenhum assunto de Estado.

Hoje ninguém parece ter um temor igual com relação à religião de Romney. A religião tem mesmo estado ausente nos debates entre os republicanos que querem ser candidatos à Presidência. Talvez porque Romney não seja um mórmon praticante.

Sua religião permite a poligamia, por exemplo, e ele só tem uma mulher. Se bem que, depois de elegerem Barack Obama, os americanos provavelmente não hesitariam em experimentar esta outra novidade: três ou quatro primeiras-damas em vez de uma!

A religião de cada um é questão de cada um e não deve mesmo fazer parte do embate político, e o mundo e a vida são coisas tão misteriosas que nenhuma teoria sobre de onde viemos, para onde vamos e quem pagará a corrida é mais improvável ou menos absurda do que outra.

Toda a civilização cristã se baseia em mitos e milagres apenas mais antigos do que os relatados por Joseph Smith. Mas não há como não se assustar com o poder crescente em nossas vidas do fundamentalismo, que é a religião no seu estado impermeável.

O poder real no Irã não é o do presidente Ahmadinecoisa e dos políticos, é dos aiatolás e suas mentes medievais. Uma minoria ortodoxa insiste em fazer de Israel uma teocracia sem concessões, e o radicalismo do lado palestino não é menor.

O fanatismo religioso islâmico inquieta e a reação ao terror também. E o mais assustador é tudo que as pessoas estão dispostas a acreditar — ou tudo que uma mente religiosa está predisposta a aceitar, de pastores pilantras a martírios suicidas.

O sono da razão gera monstros, diz aquela frase numa gravura do Goya. O sono da razão parece ficar cada vez mais profundo, na noite atual.

Como Romney ainda não foi chamado a falar da sua religião, não se sabe como seria uma hipotética intervenção do anjo Morôni nas suas decisões, na Presidência. Por via das dúvidas, é melhor torcer pelo Baraca.

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Opinião

A nova vanguarda do atraso

José Serra - O Estado de S.Paulo
O desempenho da economia brasileira em 2011 foi modesto: o PIB cresceu menos de 3%, a segunda pior performance desde 2004. O freio da economia foi a indústria de transformação, que permaneceu estagnada.

A produção de bens de consumo durável declinou quase 2%. Pior foi o caso dos não duráveis: no ramo têxtil, a produção caiu 15%; em calçados e artigos de couro, -10%; no vestuário, -3,3%. De fato, o setor industrial anda de lado, ou, dependendo de onde, para trás. Até hoje não retomou o nível de produção anterior à crise de 2008-2009.

O leitor pode perguntar-se: como é possível isso, se o consumo nos últimos anos aumentou tão rapidamente? Desde 2007 as vendas a varejo cresceram perto de 40% reais; em 2011, 5%.

A resposta é simples: crescem vertiginosamente as importações de produtos manufaturados. O déficit da balança comercial da indústria de transformação em 2011 (janeiro/novembro) cresceu 37% em relação a 2010, chegando a US$ 44 bilhões! Em 2006 a balança era superavitária em US$ 30 bilhões. Assim, boa parte dos empregos gerados pela febre de consumo dos últimos anos foi para o exterior.

Há uma desindustrialização em marcha no Brasil. Além do encolhimento do setor em relação ao PIB (faz mais de uma década), há uma desintegração crescente de cadeias produtivas, tornando algumas atividades industriais parecidas com as "maquiadoras" mexicanas.

Mas atenção! Os produtos manufaturados que importamos não são mais baratos e os que exportamos, mais caros porque a indústria brasileira seja mais ineficiente que a chinesa ou a coreana, embora, pouco a pouco, num círculo vicioso, isso possa ocorrer. A explicação principal é o elevado custo sistêmico da economia brasileira.

Primeiro, a carga elevada e distorcida de impostos sobre a indústria. Um exemplo simples: de cada R$ 1 do custo do kw de energia elétrica, R$ 0,52 vão para tributos e encargos setoriais!

Segundo, a péssima infraestrutura. O governo federal destina pouco para investir e investe pouco daquilo que destina, em razão de falta de planejamento, prioridades e capacidade executiva. O País realiza um dos menores investimentos públicos do mundo como fração do PIB. Mais ainda, por causa desses fatores, acrescidos de populismo e preconceitos, os governos do PT não conseguiram fazer parcerias amplas com o setor privado na infraestrutura.

Há uma terceira condição decisiva para a desindustrialização: a persistente sobrevalorização da moeda brasileira ante as moedas estrangeiras - cerca de 70% desde 2002, segundo estimativa de Armando Castelar. Isso aumenta fortemente os custos brasileiros de produção em dólares, dos salários à energia elétrica.

Isoladamente, a sobrevalorização é o fator mais importante que barateia nossas importações e encarece as exportações de manufaturados. Levá-la em conta ajuda a compreender por que temos o Big Mac mais caro do mundo e os nossos turistas em Nova York, embora em menor número que os alemães e os ingleses, gastam mais do que estes dois somados.

Economistas e jornalistas de fora do governo falam contra a ideia de existir uma política específica para a indústria. Opõem-se à teoria e à prática de uma política industrial, que, segundo eles, geraria distorções e injustiças. Já o pessoal do governo e seus economistas falam enfaticamente a favor da necessidade e da prática de política industrial. Nessa discussão se gastam papel, tempo de TV a cabo e horas de palestras.

É uma polêmica interessante, mas surrealista, pois não existe de fato uma política econômica abrangente e coerente, de médio e de longo prazos, que enfrente as causas da perda de competitividade da indústria. O programa Brasil Maior? Faltam envergadura e capacidade de implantação, sobram distorções. E a anarquia da política de compras de máquinas e equipamentos para a área do petróleo ou a confusão dos critérios de crédito subsidiado do BNDES, têm alguma racionalidade em termos uma política industrial? Nenhuma!

Alguém poderia questionar: "E daí? Qual é o problema de o Brasil se desindustrializar? Temos agricultura pujante, comércio próspero e outros serviços se expandindo. Tudo isso gera empregos e renda. Devemos seguir comprando mais e mais produtos industriais lá fora, pois dispomos dos dólares para tanto: vendemos minérios e alimentos e recebemos muitos investimentos externos".

Desde logo, nada contra sermos grandes exportadores de produtos agrominerais. Os EUA fizeram isso no século 19 e em boa parte do século 20 e ainda viraram a maior potência industrial do planeta, expandindo ao máximo a exportação de manufaturas. A riqueza em commodities não é a causa necessária de retrocesso industrial. Pode, sim, ser fator de avanço. O retrocesso só existe porque os frutos dessa riqueza não estão sendo utilizados com sensatez e descortino.

Ao se desindustrializar, o País está perdendo a sua maior conquista econômica do século 20. Estamos a regredir bravamente à economia primário-exportadora do século 19; a médio e a longo prazos, esse modelo é vulnerável no seu dinamismo, por ser muito dependente do centro (hoje asiático) da economia mundial. Os países com desenvolvimento brilhante têm sido puxados pela indústria, setor que é o lugar geométrico do progresso tecnológico e da geração dos melhores empregos em relação à média da economia.

O Brasil tem 190 milhões de habitantes, a 77.ª renda per capita e o 84.º IDH do mundo. É preciso ter claro: sua economia continental não proporcionará a renda e os milhões de empregos de qualidade que o progresso social requer tendo como eixo dinâmico o consumo das receitas de exportação de commodities.

A indagação retórica que fiz acima envolve um conceito que tornaria o futuro da economia brasileira vítima de um presente de leniência e indecisão. Conceito que pauta, de fato, o lulopetismo. É que um marketing competente consegue dar uma roupagem moderna a essa nova vanguarda do atraso.

José Serra é ex-prefeito e ex-governador de São Paulo

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 12 / 01 / 2012

Folha de São Paulo
"Lei iguala e-mail profissional em casa a hora extra"
 

Texto sancionado por Dilma em dezembro acaba com a distinção entre trabalho na empresa e à distância
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A presidente Dilma sancionou em dezembro uma lei que acaba com a distinção entre trabalho dentro da empresa e à distância. A legislação, que alterou a CLT, diz que o uso de celular ou e-mail para contato entre empresas e funcionários equivale, para fins jurídicos, às ordens dadas diretamente aos empregados.

O Estado de São Paulo
"BNDES oferece crédito de R$ 4 bi para baratear etanol" 

Financiamento agrícola é inédito para o banco; preço tem de cair 70% para o combustível ser atraente

Preocupado com o descasamento entre a oferta e o consumo de etanol no País, o governo lançou um programa para incentivar o suprimento do produto. Por meio do BNDES, foi criada uma linha de crédito, com orçamento de R$ 4 bilhões, que vigorará até 31 de dezembro, pela qual o banco vai ofertar, de forma inédita, financiamento agrícola. Batizada de Prorenova, a linha pretende financiar e ampliar em 1 milhão de hectares à área plantada de cana-de-açúcar, trazendo de volta o preço do etanol a patamares competitivos com os da gasolina. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, só em Goiás é mais vantajoso abastecer o carro com etanol. Para competir com a gasolina, o preço do produto precisaria ser 70% mais baixo. Os efeitos do programa, porém, só deverão ser sentidos no longo prazo.

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quarta-feira, janeiro 11, 2012

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Opinião

As safras de dólares

O Estado de S.Paulo
O agronegócio exportou US$ 94,6 bilhões no ano passado, 23,7% mais que em 2010, e poderá ultrapassar US$ 100 bilhões neste ano, segundo o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, numa previsão pouco otimista para o comércio exterior brasileiro. Se ficar em US$ 100 bilhões, o aumento será de apenas 5,7%. Em 2011 o Brasil faturou US$ 256 bilhões com as vendas externas e acumulou um superávit de US$ 29,8 bilhões na conta de mercadorias. O saldo comercial do agronegócio, de US$ 77,5 bilhões, cobriu com grande folga o déficit da indústria manufatureira. A receita do setor agropecuário dependeu principalmente dos preços internacionais, garantidos pela fome de matérias-primas de algumas economias - com destaque para a chinesa - e pelas condições um tanto apertadas da oferta global. Se a crise externa esfriar os mercados neste ano, as vendas de produtos agropecuários serão afetadas, o comércio de mercadorias terá um saldo bem mais modesto que o dos últimos anos e o déficit em conta corrente poderá aproximar-se de US$ 70 bilhões.

Se a receita de 2011 dependesse principalmente do volume embarcado, teria sido muito menor. Entre 2010 e o ano passado a venda de soja e derivados aumentou 10,8%, enquanto o preço médio subiu 27,4%. No caso das carnes, a tonelagem diminuiu 1,6%, mas o valor médio elevou-se 16,6%. O complexo sucroalcooleiro embarcou 9,5% menos que em 2010, mas faturou 17,5% mais, graças a preços 29,9% maiores. As vendas de café ficaram praticamente estáveis em volume, com acréscimo de apenas 0,1%, mas a cotação média foi 51,3% superior à do ano anterior.

Já houve uma acomodação de preços em dezembro. Muitos analistas continuam projetando cotações estáveis ou menores que as de 2011 nos próximos meses. O otimismo do governo brasileiro quanto à inflação neste ano é baseado, em boa parte, nessa perspectiva. A expectativa de um mercado internacional muito menos dinâmico tem moldado também as projeções da balança comercial divulgadas nos últimos dois ou três meses.

O Banco Central (BC) estimou um aumento de apenas 4,3% para a receita comercial de 2012, em contraste com uma elevação de 7% para o gasto com importações. Essa projeção inclui uma redução do saldo comercial para US$ 23 bilhões.

Há cerca de um mês, economistas de consultorias e do mercado financeiro previam um saldo comercial de US$ 17,4 bilhões (mediana das projeções coletadas na pesquisa Focus do BC). Essa previsão foi elevada para US$ 19,4 bilhões na pesquisa do dia 6 de janeiro.

Os números calculados pelas várias fontes podem ser diferentes, mas a tendência geral é a mesma: uma diminuição significativa do saldo comercial em 2012, resultante de um estreitamento maior dos mercados e, de modo especial, de uma evolução bem menos favorável das cotações dos produtos básicos.

Tanto especialistas do mercado quanto economistas do governo têm cometido grandes erros em suas projeções do comércio exterior brasileiro. Isso pode estar ocorrendo mais uma vez, mas, de toda forma, ninguém dispõe de recursos técnicos melhores para esse tipo de estimativa.

Mas é possível apontar, neste momento, pelo menos um fator contrário às projeções dos especialistas. A seca no Sul do Brasil e em boa parte da Argentina poderá afetar a oferta de grãos e oleaginosas e, portanto, afetar os preços de uma forma até há pouco tempo imprevista.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) acaba de divulgar uma previsão de safra de 158,4 milhões de toneladas de algodão, soja, milho, arroz, feijão, trigo e grãos menos importantes, mas esse cálculo foi baseado num levantamento concluído em 19 de dezembro. As chuvas no Sul poderão continuar abaixo da média ainda por uns três meses, segundo observou o gerente de levantamento de safras da Conab, Carlos Roberto Bestetti. É muito cedo, portanto, para uma avaliação dos danos e de seus efeitos nos preços.

Se os estragos forem consideráveis no Brasil e na Argentina, será preciso refazer os cálculos dos preços e da receita de exportações. Mas o governo e o BC precisarão, também, rever a política anti-inflacionária.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 11 / 01 / 2012

Folha de São Paulo
"Governo vai restringir a entrada de haitianos"
 

Vistos serão limitados a cem por mês e haverá reforço policial nas fronteiras
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O governo adotou medidas para limitar a entrada de haitianos ilegais no país, que tem crescido desde o terremoto de 2010 no país. A ideia é desestimular a clandestinidade, desburocratizando a emissão de vistos, mas limitando a concessão a uma centena por mês.

O Estado de São Paulo
"Congresso ignora escândalo e dá mais R$ 1 bi para ONGs" 

Fontes de irregularidades no primeiro ano do governo Dilma, entidades devem receber R$ 3,4 bilhões em 2012

Personagens na queda de três ministros no primeiro ano de mandato da presidente Dilma Rousseff, as entidades privadas sem fins lucrativos foram autorizadas a receber quase R$ 1 bilhão a mais no Orçamento de 2012. Com as emendas parlamentares aprovadas pelo Congresso, os gastos com as organizações não governamentais poderão alcançar R$ 3,4 bilhões - 42% mais em relação à proposta original de R$ 2,4 bilhões. O aumento das verbas ocorre no momento em que o governo tenta conter irregularidades no repasse de recursos para ONGs. Segundo o Tribunal de Contas da União, o atraso médio na apresentação das prestações de contas por parte das entidades cresceu em 2010 e alcançou 2,9 anos.

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terça-feira, janeiro 10, 2012

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Opinião

Descuidos bilionários

O Estado de S.Paulo
O Brasil tem bilhões de reais investidos em obras sem possibilidade de uso por falta de um complemento. Outros bilhões serão desperdiçados neste e nos próximos anos, se o planejamento e a execução dos projetos continuarem tão ruins quanto têm sido há muitos anos. Um porto sem via de acesso é tão inútil quanto uma hidrelétrica sem linha de transmissão, uma termoelétrica sem combustível, uma eclusa sem rio navegável ou uma reserva de petróleo sem equipamento de perfuração. Exemplos como esses poderiam parecer casos de ficção em outros países, mas não no Brasil, onde o governo federal se mostra incapaz, há muito tempo, de entregar obras em condições de funcionamento. Em alguns Estados e municípios ainda resta competência administrativa, mas a maior parte do setor público vai muito mal nesse quesito. Isso foi comprovado, mais uma vez, em reportagem publicada no Estado desta segunda-feira.

As eclusas de Tucuruí, segundo a reportagem, custaram R$ 1,6 bilhão e foram inauguradas em 2010, mas só funcionam plenamente em épocas de cheias, porque faltam as obras complementares para tornar o rio navegável. A primeira turbina da Hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira, deverá estar em condições de gerar energia cerca de um ano antes da linha de transmissão estar pronta. O Porto de Itapoá, em Santa Catarina, é um dos mais modernos da América Latina, mas seu uso é limitado porque o governo estadual foi incapaz de concluir 23 quilômetros da Rodovia SC-415.

Todos esses casos - e muitos outros - indicam uma falha fundamental no planejamento e na execução de projetos. Os administradores descuidaram de condições críticas para a conclusão dos trabalhos e para o pleno aproveitamento das obras. Por despreparo, desleixo ou mera incompetência na execução das tarefas de supervisão e de coordenação, deixaram de respeitar a sequência das operações e perderam de vista o objetivo global do investimento.

O descuido ocorreu, em alguns casos, em relação a uma obra complementar - como a via de acesso a um porto ou a linha de transmissão entre a usina geradora e os consumidores da energia. Em outros, em relação ao fornecimento de um insumo, como o combustível necessário a uma termoelétrica. Mas o cardápio de falhas é mais amplo.

O governo federal poderia ter financiado um número muito maior de obras de saneamento básico, nos últimos anos, se mais municípios tivessem capacidade para elaborar projetos. Muito dinheiro ficou parado, por falta de uso, antes de se perceber a importância daquele detalhe: a maior parte das prefeituras simplesmente carece de condições para planejar o investimento. Esse item é um impedimento tão sério quanto o atraso na construção de uma rodovia de acesso ou de uma linha de transmissão.

No caso da exploração do pré-sal, um dos grandes problemas tem sido a incapacidade do governo de fixar prioridades. A Petrobrás tem sido forçada a combinar dois objetivos - a dificílima e custosa exploração do petróleo e do gás localizados em grandes profundidades e a compra de equipamentos com elevado grau de nacionalização. A exigência de 70% de conteúdo nacional tem criado problemas técnicos e de custos e isso tem prejudicado a licitação para compra de sondas de perfuração.

A exploração do pré-sal pode gerar recursos muito importantes para o desenvolvimento do País, mas esse é um empreendimento muito caro e tecnicamente complicado. O governo comete um erro gravíssimo de estratégia, ao torná-lo mais caro e mais complicado para atender a objetivos de política industrial. O correto seria realizar essa política por outros meios, desonerando a produção e procurando tornar as indústrias mais eficientes e mais competitivas. A mistura de objetivos, especialmente quando envolve um empreendimento do porte do pré-sal, é uma inequívoca demonstração de incompetência na fixação de prioridades e na gestão de programas públicos. Essa mesma incompetência se revela também nos investimentos custeados pelo Tesouro, com realização sempre muito inferior à programada e sempre com a transferência de grande volume de restos a pagar de um ano para outro.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 10 / 01 / 2012

Folha de São Paulo
"Juízes de Minas são acusados de favorecer colegas"
 

Associação de magistrados entra com ação no CNJ em que aponta privilégio e desrespeito ao critério de antiguidade
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O CNJ está julgando pedido para anular promoções de 17 juízes ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça de MG, informa Frederico Vasconcelos. Para uma associação de juízes estaduais, o TJ privilegiou parentes de desembargadores em detrimento de juízes mais antigos.

O Estado de São Paulo
"Plano federal previa polícia na cracolândia só em abril" 

Ação começaria em fevereiro com reforço médico e social; governo paulista diz desconhecer cronograma

O cronograma federal para ações na cracolândia, obtido pelo Estado, previa que a polícia só começaria a atuar em abril. A proposta, para ser discutida com os governos estadual e municipal de São Paulo, era fortalecer os serviços de retaguarda em saúde e proteção social a partir de fevereiro. Depois, em abril, seriam criadas bases móveis da PM. Além de São Paulo, estão previstas ações no Rio, no Recife, em Salvador, no Distrito Federal e em Porto Alegre. Como São Paulo interveio na cracolândia já em janeiro, com a PM, acabou não avançando nas discussões com o Planalto. A Secretaria de Justiça paulista informou que não teve acesso a nenhum documento federal com um cronograma para agir na cracolândia.

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segunda-feira, janeiro 09, 2012

Urbanismo

Rocinha - Rio de Janeiro / Clique para ampliar

Milagres

De templos e dízimos...

Corvos e ursos choram morte de líder norte-coreano, diz agência

Folha Online
A morte do ditador norte-coreano Kim Jong-il foi marcada por uma onda de frio e por ursos enlutados, e agora, segundo a imprensa oficial da Coreia do Norte, por revoadas de corvos.

Kim, que morreu em dezembro, aos 69 anos, após 17 anos à frente do mais fechado regime do mundo, tinha a fama de controlar o tempo, segundo a imprensa oficial, além de ter feito uma jogada miraculosa num jogo de golfe.

"Por volta de 17h30 de 19 de dezembro de 2011, centenas de corvos apareceram do nada e pairaram sobre uma estátua do presidente Kim Il-sung no campus da Escola Changdkok, no distrito de Mangyongdae, grasnando como se estivessem lhe contando a má notícia", disse a agência estatal de notícias KCNA nesta segunda-feira.

Kim morreu no dia 17, ao sofrer um infarto a bordo de um trem, mas sua morte só foi anunciada no dia 19. Ele foi sucedido por seu filho caçula, Kim Jong-un, que se tornará o terceiro líder de um regime que já foi chefiado por seu avô, Kim Il-sung. A construção de mitos é parte importante do culto à personalidade que cerca a família.

Na semana passada, a KCNA noticiou que uma família de ursos, que nesta época deveria estar hibernando, foi vista lamentando a morte de Kim Jong-il.

"Os ursos, supostamente uma mãe e sua cria, estavam na estrada, chorando penosamente", disse a reportagem.

No caso de Kim Jong-un, guindado ao poder antes de completar 30 anos, a construção do mito já começou. Ele é retratado como sósia do seu avô, e foi apelidado de "gênio dos gênios" em questões militares, apesar da sua inexperiência nesse campo.

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Opinião

Corporativismo do Judiciário

Carlos Alberto di Franco
Tenho grande respeito pelo Poder Judiciário, que é, sem dúvida, um dos pilares da democracia. Mas quando integrantes do Judiciário, independentemente de suas motivações subjetivas, começam a trafegar pelos desvios do corporativismo, as instituições entram em perigosa turbulência. Não se apresenta tranquilo o horizonte institucional deste início de 2012. A imagem do Judiciário tem sofrido penosos arranhões.

Como lembrou recente editorial do Estado, tão grave quanto a suspensão do poder do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de investigar juízes acusados de irregularidades, tomada em caráter liminar pelo ministro Marco Aurélio Mello, foi a liminar concedida pelo ministro Ricardo Lewandowski proibindo a Corregedoria Nacional de Justiça de quebrar o sigilo fiscal e bancário de juízes. Tomadas no mesmo dia, as duas decisões obrigam o órgão responsável pelo controle externo do Judiciário a interromper as investigações sobre movimentações financeiras suspeitas em várias Cortes - inclusive na maior delas, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, onde 17 desembargadores teriam recebido irregularmente R$ 17 milhões, por conta de antigos passivos.

Recentemente, a corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, afirmou que quase metade dos magistrados paulistas esconde os seus rendimentos. Segundo ela, em São Paulo foi descoberto que 45% dos magistrados descumpriram a legislação que obriga os servidores públicos a apresentar todos os anos a sua Declaração de Renda para que eventualmente ela seja analisada por órgãos de controle, como o CNJ.

Paira no ar a sensação de que por trás das recentes decisões de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) está um movimento corporativista para enfraquecer o CNJ. Tais decisões provocam crescente corrosão na imagem do Poder Judiciário. A sociedade assiste, atônita, aos movimentos que caminham na contramão da urgente necessidade de saneamento das instituições públicas.

Recentemente, essa percepção aumentou com surpreendentes declarações de Lewandowski ao jornal Folha de S.Paulo. Em entrevista, ele informou que só pretende concluir o seu voto no processo do chamado mensalão do PT em 2013. O próprio ministro admitiu que com o adiamento poderá ocorrer a prescrição de boa parte dos crimes imputados aos responsáveis pelo maior escândalo da República. Revisor do processo, Lewandowski justificou a possibilidade de adiamento com um argumento que desabou em menos de uma semana: só leria todos os volumes depois de receber um resumo do caso elaborado pelo relator, ministro Joaquim Barbosa.

Acontece que Joaquim Barbosa não só já havia posto à disposição de todos os ministros do STF - mais exatamente, na Base de Dados do próprio Supremo -, há bastante tempo, a íntegra do processo, como foi ainda mais contundente: acusou o presidente do STF, ministro Cezar Peluso, de ter cometido um "lamentável equívoco" ao cobrar a liberação do conteúdo do processo do mensalão.

"Tomo a liberdade de dizer que o mencionado ofício (da cobrança feita por Peluso) encerra um lamentável equívoco", reagiu Barbosa, em resposta ao presidente da Suprema Corte. "Cumpre-me relembrar, ainda", observou o relator, "que os autos, há mais de quatro anos, estão integralmente digitalizados e disponíveis eletronicamente na Base de Dados do Supremo Tribunal Federal, cuja senha de acesso é fornecida diretamente pelo secretário de Tecnologia da Informação, autoridade subordinada ao presidente da Corte, mediante simples requerimento". Por esse motivo, acrescentou, não pode ele ser acusado de retardar o andamento da ação judicial.

Resumo da ópera: os ministros do STF têm todas as informações da causa há mais de quatro anos. Além disso, dispõem agora da íntegra do relatório de Barbosa, de 122 páginas, divulgado em dezembro.

Como escrevi neste espaço opinativo, julgar o mensalão não é uma questão de prazos processuais. É um dever indeclinável. Se o STF carimbar o mensalão com a prescrição, hipótese gravíssima, concederá, na prática, um passaporte para a institucionalização da impunidade.

A desqualificação do mensalão é essencial para aqueles que se apropriaram do Estado brasileiro. O primeiro sinal de tentativa de desmonte do esquema foi dado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: ao deixar o governo, ele disse que sua principal missão, a partir de janeiro de 2011, seria mostrar que o mensalão "é uma farsa". A "farsa" a que se referia Lula derrubou ministros do seu governo, destituiu dezenas de diretores de estatais e mandou para o espaço a cúpula do seu partido.

Está nas mãos da Suprema Corte assumir o papel histórico de defesa da democracia e dos valores republicanos ou - Deus não queira - virar as costas para a cidadania. A sociedade tem o direito de confiar em Joaquim Barbosa, relator do mensalão. O ministro saberá honrar a sua toga e a sua biografia. Os brasileiros esperam que os demais ministros respondam à indignação da cidadania.

Observa-se um perigoso clima de decepção e desencanto, fruto direto da impunidade. Em nome do amplo direito de defesa, importante e necessário, a efetivação da justiça acaba se transformando numa arma dos poderosos de turno e numa sistemática frustração das esperanças dos mais desprotegidos. Aplicam-se ao pobre os rigores da lei e se concedem ao rico as vantagens dos infinitos recursos que o Direito reserva a quem pode pagar uma boa defesa.

A corrupção é um câncer que deve ser enfrentado por todos: jornalistas, magistrados e cidadãos. Chegou a hora do Supremo Tribunal Federal.

Carlos Alberto di Franco, doutor em Comunicação, é professor de Ética e diretor do Master em Jornalismo. E-mail: difranco@iics.org.br

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 10 / 01 / 2012

Folha de São Paulo
"Crescem acidentes rumo ao trabalho"
 

Despesas com a Previdência com ocorrências no trajeto de ida ou volta para casa aumentaram 37% entre 2009 e 2011
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A despesa da Previdência com os chamados acidentes de trajeto - aqueles sofridos a caminho do emprego ou na volta para casa - subiu 37% entre 2009 e 201l. O valor saltou de R$ 850 milhões para R$ l,16 bilhão, segundo a projeção do Ministério da Previdência Social, informam Érica Fraga e Paulo Muzzolon.

O Estado de São Paulo
"Escassez de imóveis para alugar é a maior em 10 anos" 

Falta atinge setores residencial e comercial; procura faz aluguel de escritórios no Rio ficar mais caro que em NY

A forte procura por imóveis residendais e comerciais para alugar fez a taxa de vacância recuar em 2011 para o menor nível dos últimos dez anos, e o valor do aluguel explodiu, mostram empresas do setor. Os imóveis residenciais mais procurados são apartamentos de um e dois dormitórios, cujos alugueis subiram quase 20%. No segmento comercial, áreas para escritórios no Itaim, em São Paulo, e no Leblon, Rio de Janeiro, são as mais cobiçadas. Pesquisa indica que a aluguel do metro quadrado de escritório no Rio chegou a US$ 69,40, ante US$ 62,60 em Nova York. O terceiro lugar desse ranking das regiões com aluguel comercial mais alto, à frente de Washington, também é ocupado pelo Brasil, mas pelo polo de escritórios de São Paulo, onde o metro quadrado está em US$ 60,30.

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domingo, janeiro 08, 2012

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Opinião

A culpa não é das chuvas

O Estado de S.Paulo
A destruição, pela terceira vez em quatro anos, de um trecho da rodovia federal que tem servido como dique para conter as águas do Rio Muriaé, no município fluminense de Campos - forçando a remoção de 4 mil pessoas da localidade de Três Vendas -, é mais uma dramática comprovação da péssima qualidade da gestão pública no País. O fato comprova o mau planejamento das obras públicas, a incapacidade do poder público de adotar medidas preventivas contra os efeitos dos fenômenos naturais e ao descaso das autoridades com a situação da população afetada por esses problemas. A culpa não é do mau tempo, como muitas autoridades vêm afirmando, mas delas próprias, em todos os níveis de governo.

O fato de um trecho da rodovia federal BR-356 (Itaperuna-Campos) ter se rompido pela terceira vez consecutiva por causa das enchentes do Rio Muriaé demonstra que seu traçado é incorreto ou que sua construção não é adequada, ou as duas coisas. "As inundações na região do Rio Muriaé são recorrentes e a estrada deveria ter sido projetada para que não sofra rompimento", disse ao Estado, com lógica cristalina, o engenheiro geotécnico Alberto Sayão, professor da PUC-Rio e ex-presidente da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos (ABMS). "A estrada não está preparada para cheias e é possível que vá se romper em outros trechos. Deve ser feita uma avaliação para que seja reconstruída em condições adequadas." Como resumiu o engenheiro, "a culpa não é de São Pedro".

Em janeiro de 2007, uma pessoa morreu ao cair com seu carro na cratera aberta na BR-356 pelo Rio Muriaé. Em dezembro de 2008, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), responsável pela operação da rodovia, cortou parte dela para facilitar o escoamento da água. Situado na margem da rodovia oposta ao rio, e em nível mais baixo, o distrito de Três Vendas, a 15 quilômetros do centro de Campos, foi inundado também nessas ocasiões.

Por incapacidade técnica do Dnit ou por outro motivo não conhecido, o trecho destruído foi reconstruído e recebeu diversas outras obras. O superintendente substituto do Dnit, Celso Crespo, disse ao jornal O Globo que cerca de R$ 100 milhões já foram aplicados na BR-356.

"Em 2007, fizemos a contenção do aterro da margem esquerda do Rio Muriaé", disse o supervisor do Dnit em Campos, Guilherme Fraga Freitas. "Em 2008, a abertura foi feita por máquinas. Depois, ela foi fechada. Nada do que foi feito nos últimos anos foi danificado."

Agora, o custo estimado para a reconstrução da pista é de R$ 1,5 milhão. Mas, daqui a algum tempo, muito provavelmente, tudo terá de ser refeito, sempre a custos adicionais para os contribuintes e de danos à população, pois nada se disse sobre um projeto de um novo traçado ou de obra resistente às águas do rio para resolver o problema.

A prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, foi advertida há três anos sobre a necessidade de remoção dos moradores de Três Vendas para uma área mais alta conhecida como Colina, como informou ao Estado o pesquisador Arthur Soffiati, do Núcleo de Estudos Socioambientais da UFF - mas nada fez.

Na região serrana do Rio de Janeiro, as marcas da tragédia que custou mais de 900 vidas no ano passado ainda são visíveis - o que mostra a omissão do governo. O pior é que a situação em Nova Friburgo sugere o risco de repetição do desastre, sem que as autoridades se mobilizem para evitá-lo.

O governo federal gere mal os poucos recursos destinados à prevenção e combate às enchentes e outros desastres naturais. A destinação privilegiada desses recursos para regiões de interesse político-eleitoral, daqueles que tomam as decisões - como ocorreu na gestão do atual ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, de Pernambuco, e ocorrera na de seu antecessor, Geddel Vieira Lima, da Bahia -, é uma das piores características dessa forma de governar. Outra é a incapacidade do governo petista de aplicar com um mínimo de eficiência os recursos disponíveis. No caso de ações de "prevenção e preparação para desastres", entre 2004 e 2011, o governo aplicou apenas um quarto dos recursos autorizados, como mostrou a organização não governamental Contas Abertas.

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Manchetes do dia

Domingo, 08 / 01 / 2012

Folha de São Paulo
"Bairros de classe média têm cracolândias privês"
 

Em SP, tráfico mantém casas e apartamentos onde o usuário consome a droga
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Uma espécie de cracolândia privê funciona em casas e apartamentos de bairros como Vila Mariana, Bixiga, Paraíso, Penha e Bela Vista, informa Afonso Benites. São espaços discretos e seguros destinados à venda e ao consumo local do crack. Para entrar, é preciso ser apresentado por algum conhecido do traficante e só consumir a droga “da casa”.

O Estado de São Paulo
"Brasil entra em 2012 como preferido dos investidores" 

Captação externa mostra que otimismo com o País permanece, mas situação europeia é ameaça

Nos cinco primeiros dias úteis de 2012, o Tesouro e duas empresas privadas captaram juntos US$ 2,6 bilhões no mercado externo, o que mostra que o Brasil se mantém no centro do interesse dos investidores globais. Se esse ritmo fosse mantido pelas outras 51 semanas do ano, seria três vezes superior ao de 2011, quando as emissões atingiram US$ 38,5 bilhões. O Estado apurou que muitas empresas, entre as quais Itaú, Banco do Brasil e Petrobrás, estão na fila aguardando a chance de levantar dinheiro. Mas a situação europeia pode comprometer essa janela de oportunidade. Executivos alertam que, de fevereiro a abril, países problemáticos – Espanha, Itália, Portugal e Grécia – terão altos volumes de dívida para refinanciar.

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