sábado, dezembro 17, 2011

Papai Noel chegando...

Colunistas

Bem longe do latido

Enquanto a mídia ignora as denúncias de Privataria Tucana, Ivan Ângelo surge com seu novo livro de crônicas, Certos Homens

Márcia Denser
A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. (Geração Editorial), já se tornou best-seller e um dos mais vendidos da semana na “Livraria da Folha”, apesar do silêncio absoluto da mídia hegemônica a respeito. Ao contrário dos badaladíssimos Lula, minha anta , de Diogo Maynard, e O País dos Petralhas, de Reinaldo de Azevedo, ambos da Record, para os quais a mesma mídia abriu espaços inusitados. São casos sintomáticos, pontuais, de como os jornalões e a grande mídia se posiciona. Dois pesos e duas medidas, ou você está a favor ou contra nós, não importa, o “poderoso Nós” é a referência, o “nó” do big problem.

Um livro que está dando pano para mangas. Com denúncias de corrupção na venda de estatais de telefonia no governo Fernando Henrique e de lavagem de dinheiro pela família do ex-ministro José Serra, motivou um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados. E, no Congresso, opôs os dois principais partidos envolvidos e interessados, PT e PSDB. Enquanto líderes petistas defenderam investigar o conteúdo do livro – cautelosamente, diga-se, já que a cúpula do partido procura mais subsídios quanto à forma de lidar com o assunto –, os tucanos rotulam-no sem mais aquela como “requentado” e de autor sem credibilidade.

A abertura de uma CPI foi solicitada pelo deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), delegado da Polícia Federal (PF). Nesta terça-feira (13), ele afirmou já haver coletado mais de 100 assinaturas – precisa de ao menos 177. Questionado pela imprensa: “Qual o foco do requerimento da CPI?”, disparou: “O foco são as privatizações. Elas prejudicaram o país e proporcionaram desvio de dinheiro público. É um livro importante, independentemente se o partido é o PSDB ou o PT”.

Ainda não li, mas para além das estratégias do market editorial de boas festas – presenteie com o livro mais polêmico do ano! – a pressão, inclusive policial, em cima do autor do livro, além da proposta de CPI, são indícios alarmantes e mau sinal de a quantas anda a censura econômica no país, caso o sujeito queira investigar e escrever sobre procedimentos políticos & assuntos públicos.

Ironicamente, privatização quando pública, mesmo uma década pós-FHC, vira oxímoro & tabu, favas contadas e não se fala mais nisso. Ou seja, privatizado uma vez, deixa de ser assunto público, torna-se História, entra para as apostilas do segundo grau e cai no vestibular. É tema sem reabertura, sem discussão, sem alternativas (TINA – “there is no alternative!”, segundo a nunca por demais esquecida Margaret Thatcher), salvo aquelas que o estudante – o elo mais fraco e  degradado da cadeia de fatos históricos  – marca com uma cruzinha e cruza os dedos pra “acertar”, afinal, quem se importa, não é mesmo?

Ele é vítima e objeto da História – contra a qual não há argumentos –, algo que acontece a despeito dele e por sobre seus ombros – e não precisamente ao contrário, quando ele, o estudante, antes de tudo, era o Homem, ergo o Sujeito da ação e dos fatos da História. E isso não faz muito tempo. Nos anos 70 e 80, ainda era assim. Ainda é. E será sempre. Não vou explicar AGORA porque tudo está errado até porque não tenho espaço. Nem tempo. Dentro da minha filosofia de anti-auto-ajuda por excelência. Afinal, NINGUÉM é autista por livre e espontânea vontade, o Autismo Sócio-Político-Econômico-Cultural não tem sujeitos, apenas objetos. E merchandising.

Felizmente, isto passa ao largo de Certos Homens, novo livro de crônicas lançado semana passada, do mineiro mais paulistano que conheço e um dos nossos grandes escritores e jornalistas, geração 70/80, Ivan Angelo.

Durante muitos anos editor chefe do Jornal da Tarde, figura emblemática, meio misteriosa, mais por conta da discrição & recato que outra coisa (depois percebi), quando certo dia, lá nos idos de 1996, eu estava casualmente na redação ao seu lado, enquanto organizava o fac-símile do francês Libération de 1987, O romance de um dia (editor executivo Leão Serva), jornal inteiramente escrito e produzido por escritores, nada menos que CEM – inclusive correspondentes no exterior – uma edição especial comemorativa da 14ª. Bienal do Livro (de deixar qualquer um maluco!) – e o Ivan naquela fleuma, quando irrompe no recinto, fazendo pose, charme e apressadíssimo – nesta ordem, Ruy Castro: as biografias dele andavam em altíssima, mas seu nome absurdamente não consta da edição.

Falando sem parar frases cifradas, incompreensíveis (para mim), dum estrelismo atroz, enquanto Ivan e eu, simples mortais, significativamente nos entreolhamos, silenciosamente.

Bom, entre nós, escritores existe, (ou existia) uma hierarquia não dita, e dos três ali presentes, Ivan e eu mais ou menos empatávamos, Ivan mais que eu, na época, como autores consagrados e da série rigorosamente literária (como gosta de dizer Affonso Romano de Sant’Anna, outro mineiro, poeta, o caralho, também presente na edição) – cruzes! Isso faz 23 anos! – já o Ruy, mui famoso e prestes a globalizar-se por completo, soava assim como uma nota falsa, discordante, não importa o sucesso e o que dissesse ou fizesse ou escrevesse agora ou no futuro – o Ruy não importava – se é que me entendem. Daí o silêncio sem palavras.

Voltando ao Ivan: foi o primeiro grande escritor brasileiro que conheci pessoalmente: lembro dum almoço na revista Escrita, num sábado de 1974, eu havia ganho o concurso da revista e o vi – belo, magnético, como um anjo caído! Autor de A Face Horrível, de forte cunho político sem deixar de ser grande arte, já era posteridade, incorporara-se ao DNA do Padrão Poético Literário Brasileiro e Ocidental, então o que dizer deste Certos Homens?

Da sabedoria de toda uma vida concentrada neste pequeno volume de crônicas? Que renuncia pouco a pouco, mansamente, até mesmo à Literatura enquanto Instituição? Uma sabedoria que é só particularidade, feita de pitangueiras, lembranças miúdas, vizinhanças, aproximações do amor, convivência e complicidades, que agiganta o papel da mulher e esposa já que o Escritor não tem mais tempo nem saco pro salamaleque e a memória do social, pro tempo da atualidade.

Que se refina, libertando o eterno do provisório?

Ivan: “Antigamente os homens, certos homens, usavam espelhinho no bolso e sapatos bico fino. Não sempre, mas em alguns momentos de suas vidas, sucumbiam à tentação cafajeste de um terno de linho branco. O espelho, redondo, ficava no bolsinho de cima do paletó, na altura do coração (…)  Esses homens, certos homens, mandavam cartas sem pudor de confessar ciúmes ou juras; dançavam boleros com charme latino; nos bailes, puxavam do bolso uma imaculado lenço branco para não suar nas mãos das damas amadas ou pretendidas; iam à missa aos domingos e ficavam do lado de fora da igreja, como se ficar lá dentro fosse coisa de mulheres e seus maridos. E muitas vezes, antigamente, os homens, certos homens, casavam-se por amor e continuavam apaixonados até o fim da vida, alguns pela mesma mulher.”

E este Ivan Angelo, escritor, fazendo música. Longe, bem longe do latido.

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

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Pitacos do Zé



E por falar em civilidade... 
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José Ronaldo dos Santos
Alguém poderia avisar aos ciclistas “sem noção” que  até no chão tem orientação para tornar o trânsito mais civilizado?

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Opinião

O fim da 'guerra estúpida'

O Estado de S.Paulo
Emad Risn, colunista de um jornal de Bagdá, provavelmente resumiu melhor do que ninguém o que significa para os iraquianos o fim oficial da guerra iniciada há quase nove anos pelos Estados Unidos, a pretexto de eliminar a ameaça encarnada pelo ditador Saddam Hussein com seus arsenais de destruição em massa que Washington decerto sabia serem fictícios. "A guerra só acabou para os americanos", escreveu Risn. "Ninguém sabe se a guerra terminará também para nós." A invasão do Iraque, de fato, não serviu nem para mitigar a hostilidade ancestral entre as suas principais seitas etnorreligiosas - os majoritários xiitas, os sunitas que os oprimiam sob Saddam e os curdos separatistas concentrados no norte do país. Entregues a selvagens matanças recíprocas, xiitas e sunitas convergiram apenas na insurgência contra os invasores para tornar intolerável a sua presença. Até o fim do mês, os 4 mil militares americanos remanescentes terão partido.

A guerra que começou com uma mentira termina com uma meia-verdade. A mentira: George W. Bush usou desde o início o ultraje de 11 de setembro de 2001 para destruir Saddam - o que o primeiro Bush, George H. W., foi desaconselhado a fazer na Guerra do Golfo de 1991 pela Arábia Saudita aliada dos Estados Unidos. Era o que queriam também os teóricos neoconservadores enquistados nos centros de decisão de Washington, com a sua fantasia de implantar no coração do mundo árabe uma democracia pró-ocidental. A preocupação com a segurança de Israel, os interesses econômicos e geoestratégicos americanos no petróleo iraquiano, os cálculos eleitorais do presidente e o seu ódio a Saddam, que ameaçara matar o seu pai -, eis a origem da catástrofe infligida ao Iraque, sob a capa das suas imaginárias armas químicas e atômicas. A ignorância abissal de Bush fez o resto. Até pouco antes da invasão, ele desconhecia o antagonismo entre xiitas e sunitas.

A meia-verdade: ao ordenar a retirada total das tropas, salvo as poucas centenas de soldados incumbidos de guardar a fortaleza que abriga os diplomatas americanos em Bagdá, Barack Obama estaria apenas sendo fiel à promessa de campanha, que lhe rendeu não poucos votos, de encerrar de uma vez por todas o que chamava de "guerra estúpida" (e passaria a chamar "guerra de escolha", para diferenciá-la da "guerra necessária" no Afeganistão).

Na realidade, o que deu o empurrão definitivo para a saída foi a recusa do governo iraquiano do primeiro-ministro (xiita) Nuri Kamal al-Maliki de assegurar imunidade às tropas que ficassem por delitos de qualquer natureza. O país não esquecerá as atrocidades de soldados americanos na prisão de Abu Ghraib, em Bagdá. Nenhuma autoridade iraquiana, por sinal, compareceu na quinta-feira à solenidade de 45 minutos conduzida sobriamente pelo secretário de Defesa Leon Panetta no aeroporto de Bagdá para formalizar o fim da guerra.

As estatísticas são devastadoras. As baixas fatais americanas foram da ordem de 5 mil, sem contar as dos aliados britânicos, australianos e de outras nacionalidades. Cerca de 110 mil civis iraquianos pereceram e 1,5 milhão fugiu para países vizinhos. Não se conhece ao certo o custo financeiro, para os Estados Unidos, da sua imperdoável aventura. O custo oficial é de US$ 800 bilhões, mas estimativas independentes falam em até US$ 3 trilhões. Seja qual for o dado verdadeiro, é impossível dissociar dele o estado crítico das finanças americanas - sem falar que boladas milionárias foram desviadas por empresas contratadas por Washington para prestar serviços no Iraque. A corrupção iraquiana não fica muito a dever. O país está estilhaçado em mais de um sentido. Desde a invasão, em 17 de março de 2003, a população de Bagdá não sabe o que é ter um dia inteiro com energia elétrica. Teme-se que as forças de seguranças treinadas e financiadas pelos Estados Unidos sejam leais antes às suas seitas do que ao governo de turno. O vácuo de poder é palpável.

E os aiatolás xiitas iranianos assistem a tudo, deliciados. Na sua soberba cegueira, os americanos lhes deram o que não conseguiam desde a Revolução Islâmica de 1979: ser uma influência poderosa na política iraquiana.

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Manchetes do dia

Sábado, 17 / 12 / 2011

Folha de São Paulo
"Dilma rejeita interferência de partidos no governo" 

Presidente afirma que indicados devem prestar contas só ao Planalto
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Em café da manhã com a imprensa, a presidente Dilma Rousseff, que perdeu seis ministros sob suspeita de irregularidades, mandou um recado a aliados ao dizer que "nenhum partido político pode interferir nas relações internas de governo". Segundo ela, após um ministro ser indicado, ele tem de prestar contas ao governo e "a mais ninguém".

O Estado de São Paulo
"Dilma diz que "não é hora" de dar reajuste aos servidores'" 

Em encontro com jornalistas, presidente comenta também a reforma ministerial: 'Vocês vão ficar surpresos'

Pressionada pelo Judiciário a conceder aumento de 56% a seus servidores e 14,79% aos magistrados, a presidente Dilma Rousseff disse ontem, em café da manhã com jornalistas, que "não é hora de dar aumento salarial para categoria alguma", por causa da crise internacional e da contenção de gastos públicos. "Ô gente, vou dizer para vocês: 2012 vai continuar do jeito que a lei manda. A lei manda de um jeito que, se não apresentar até agosto, não pode compor o orçamento. Mudando isso, tem 2012. Não mudando, é 2013", disse Dilma, apontando que os funcionários públicos poderão ficar sem reajuste também no ano que vem. A presidente falou também sobre a reforma ministerial: "Vocês vivem dizendo que vai haver reforma. Ninguém nunca me perguntou. Vocês vão ficar surpresos". Ela afirmou que não haverá corte do número de ministérios. Sobre a "faxina" de ministros e assessores sob suspeita de corrupção, Dilma disse que seu governo continuará a ter "tolerância zero".

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sexta-feira, dezembro 16, 2011

Corações ao alto!

Coluna do Celsinho

Onde o ensino é permanente

Celso de Almeida Jr.
Com letra e música, o Sérgio Cabral e o Rildo Hora já tinham avisado que, num Natal, um menino da Mangueira recebeu um pandeiro, uma cuíca e logo organizou uma linda bateria.

Tenho a impressão que, se tivesse recebido uma bola, mais rápido ainda estaria com o time montado.

Descontando a poesia, fico pensando com quantos amigos o mesmo menino compartilharia um livro que ganhou de presente.

Leria alguns trechos para a garotada e perguntaria o que eles acharam?

Estou forçando, né?

Cá entre nós, eu já fui um menino do BAC, sob a batuta do Mestre Cuca.

No repique, colaborei na cadência da vermelho e branco, em passarela na avenida Iperoig.

Infância deliciosa.

Crianças e jovens precisam destas coisas.

Na Mangueira, o passado, o futuro e o presente garantem o samba permanente.

Não custa torcer, porém, para que lá e no resto do Brasil a velha guarda revele à garotada que o estudo liberta.

O ensino permanente pode não garantir um belo samba, mas é presente que meninos e meninas merecem e têm direito.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Música

Poesia

Não ter hora na hora…

Lourdes Moreira

Delícia não ter hora na hora…
Reencontrar pessoa distante,
Marcada de mágoa…
Naquela outra hora.

Conversar… ”parlar”
Meio que parafrasear
Ítalo-latinos…
Frases antes desconexas…
Relembradas agora,
Em outra hora.

Aparar amarras do orgulho,
Naquela hora sentido.
Frases inacabadas… doídas…
Emoções hoje distantes,

Pele, dorso, coração,
Palpitaram emoções da mágoa
De outra hora.

Emoções ímpares…
Na hora…
Agora!
Limpas da desconexão.

Lourdes Moreira é autora do livro “Andanças e Contra Danças”, é professora aposentada da rede municipal e municipalizada da rede estadual de Ubatuba S.P.

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Opinião

A CNI condena o modelo de estímulos ao consumo

O Estado de S.Paulo
Ao divulgar anteontem as suas projeções para a economia, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) criticou o modelo econômico que privilegia o consumo. Há muito tempo vimos alertando para o risco dessa política de estimular o consumo doméstico a ponto de a indústria interna não poder acompanhá-lo, o que leva ao aumento das importações.

Esse modelo parecia agradar até agora ao setor manufatureiro, mas levou paulatinamente a um processo de desindustrialização que se amplifica a cada ano.

Se o governo estimula a demanda, cabe à indústria oferecer produtos a preços cada vez mais atraentes e com um conteúdo tecnológico mais avançado. Para responder a esses dois requisitos, a indústria doméstica chegou à conclusão de que devia importar, tanto os componentes produzidos no exterior a um preço muito baixo quanto produtos acabados que respondam à ultima modernização. Isso, no entanto, leva a indústria nacional a se transformar apenas em montadora, deixando de lado a busca da inovação e aceitando o princípio de que grandes empresas no exterior estão mais aptas para oferecer o mais recente avanço tecnológico.

Com o tempo desaparecem as empresas que produzem componentes, enquanto a indústria final não se anima a realizar investimentos para criar inovações importantes, seja em processos, seja em produtos. Pouco a pouco, a indústria brasileira está se marginalizando e se vendo expulsa do mercado internacional, que, embora marginal, é importante para ela.

A CNI continua pessimista para 2012, prevendo que o PIB da indústria terá crescimento de 2,3%, com o PIB nacional crescendo 3% e o consumo das famílias aumentando 4% - que, numa economia equilibrada, não deveria ser superior ao aumento do PIB nacional. Continuará a haver, assim, um descasamento entre oferta e demanda, que, na visão do Banco Central, representa um dos fatores mais relevantes na criação de pressões inflacionárias.

Essas projeções econômicas foram apresentadas anteontem, mas no dia seguinte a CNI divulgou seu Índice Nacional de Expectativa do Consumidor, que em dezembro permanece estável, com uma preocupação em relação ao desemprego aumentando nos dois últimos meses. A CNI considerava que o desemprego continuaria muito baixo e que a demanda doméstica permanecerá alta em vista do novo salário mínimo e da redução da taxa de juros. Isso, no entanto, não será sentido na produção industrial, mas, sim, na importação.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 16 / 12 / 2011

Folha de São Paulo
"EUA selam saída oficial do Iraque" 

Depois de quase nove anos, retirada de bandeiras americanas marca o fim da guerra, que matou ao menos 119 mil
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Uma cerimônia militar sóbria em uma base americana em Bagdá selou o fim da Guerra do Iraque. Foram oito anos, oito meses, 26 dias e pelo menos 119 mil mortos. Em solenidade de 45 minutos, as bandeiras dos EUA foram descidas e empacotadas na presença do secretário da Defesa, Leon Panetta, ao som do hino americano. Nenhum dirigente iraquiano compareceu à cerimônia.

O Estado de São Paulo
"EUA encerram Guerra do Iraque sem citar 'vitória'" 

Em cerimônia discreta em Bagdá, americanos dizem que iraquianos estão prontos para se governar

Com uma cerimônia discreta em Bagdá e sem festejos e Washington, os EUA declaram ontem, formalmente, o fim da Guerra do Iraque. O conflito, o mais controverso envolvendo os EUA desde o Vietnã, custou US$1,267 trilhão ao contribuinte americano e 4.483 vidas de militares do país. Cerca de 115,5 mil civis iraquianos foram mortos no período - boa parte em confrontos sectários. "Depois de muito sangue americano e iraquiano derramado, a missão de um Iraque capaz de governar e prover segurança a si mesmo tornou-se real", Leon Panetta. Ele disse que os americanos vão se manter "ao lado do povo iraquiano". A Casa Branca evitou usar a palavra "vitória".

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quinta-feira, dezembro 15, 2011

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Opinião

Municípios sem economia

O Estado de S.Paulo
Municípios deveriam viver da renda gerada pela produção de bens e serviços para o mercado - artigos industriais, mercadorias agrícolas e serviços privados -, mas essa não é a regra em boa parte do Brasil. Para 1.968 municípios, 35,4% do total, a administração pública representou um terço ou mais do valor gerado por todas as atividades em 2009, segundo os últimos dados do censo municipal divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Administração, nesse caso, corresponde ao conjunto das ações do setor público, incluídos os serviços de educação e saúde e a seguridade. Em alguns casos, a participação desses itens na renda chegou a 70% ou 80%.

O estudo sobre o Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios cobre o período de 2005 a 2009, iniciado num ano de intensa atividade econômica e encerrado num momento de recessão. Algumas alterações são facilmente previsíveis. A crise global de 2008-2009 afetou os preços dos produtos básicos e prejudicou o valor da produção de municípios dependentes do agronegócio e da mineração.

Por exemplo, a participação de Campos (RJ) no PIB nacional diminuiu de 1% em 2008 para 0,6% em 2009 por causa da desvalorização do petróleo. A de Vitória (ES) passou de 0,8% para 0,6% em consequência do barateamento do minério de ferro. Variações como essas, no entanto, são meramente conjunturais e têm pouco significado para a análise das tendências de longo prazo. Muito mais instrutivo é observar, por exemplo, a continuação das grandes desigualdades entre regiões ou Estados, apesar de alguma redistribuição de pesos num período de dez anos. A medida mais ampla de concentração pouco mudou.

Considerados os municípios de todo o Brasil, o índice de Gini passou de 0,87 em 2000 para 0,86 em 2005 e permaneceu nesse nível até 2009. Esse índice mede graus de concentração de qualquer tipo de variável (renda, propriedade, educação, etc.) e varia de 0 a 1. Quando mais próximo de 1, mais desigual a distribuição. O indicador pouco mudou entre regiões e também no interior de cada uma, talvez porque a redistribuição geográfica das atividades tenha sido menos intensa que nas duas décadas anteriores, mas isso é só uma hipótese.

A maior parte da análise concentra-se na comparação dos dados de 2008 e 2009, mas, apesar disso, é possível ter uma boa ideia da persistência da pobreza e do baixo nível de atividade produtiva em boa parte do território nacional. Em 2009, a renda per capita de metade dos municípios foi inferior à mediana do País, de R$ 8.395. Sessenta por cento dos municípios do Norte enquadraram-se nessa categoria. No Nordeste, a proporção chegou a 93%. Ficou em 37% no Sudeste (11% em São Paulo), 10% no Sul e 23% no Centro-Oeste.

A maior concentração de municípios com economia mais dependente da administração pública estava, naturalmente, nas áreas mais pobres. Na Região Norte, eram 57,9%. Na Região Nordeste, 76,3%. Quando a administração pública gera mais de um terço do PIB de um município, é fácil imaginar de onde vem a receita fiscal: a maior parte deve provir de transferências federais ou estaduais, não só por causa do baixo valor gerado pelas atividades privadas, mas também porque o esforço local de arrecadação deve ser muito frouxo.

Mesmo em algumas capitais a participação do valor bruto da administração, saúde e educação no PIB municipal é muito alta. Em Brasília, correspondeu a 49%, em 2009, mas isso é compreensível, no caso de uma cidade construída só para ser capital. Em várias grandes cidades do Norte e do Nordeste essa participação ficou entre 14% e 40%. Em São Paulo, não passou de 6,2%.

O peso da administração pública na economia brasileira tem crescido há mais de uma década, como assinala o IBGE. Mas há nesse cálculo uma distorção. Boa parte desse aumento decorre muito mais do encarecimento de um setor público ineficiente, balofo e dispendioso do que de uma expansão efetiva dos serviços. Os municípios mais dependentes da administração pública não são apenas pobres. São vítimas de uma ação governamental de baixa qualidade.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 15 / 12 / 2011

Folha de São Paulo
"Câmara dos Deputados aprova Lei da Palmada" 

Projeto, que deve ir ao Senado, prevê proteção contra castigo que gere lesão
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A chamada Lei da Palmada, que sujeita pais que batem nos filhos a penas socio-educativas e permite até o afastamento dos filhos, foi aprovada por unanimidade ba Comissão Especial da Câmara dos Deputados. O projeto especifica que crianças e adolescentes devem ser protegidos do "castigo físico", quando o uso da força resulta em sofrimento e lesão. Para a comissão da Câmara, o texto, na prática, proíbe a palmada.

O Estado de São Paulo
"STF autoriza o 'ficha-suja' Jader Barbalho a tomar posse" 

'A Justiça venceu', festejou o senador, que estava impedido de assumir mandato pela Lei da Ficha Limpa

Um dos símbolos do efeito da Lei da Ficha Limpa, o senador eleito Jader Barbalho (PMDB-PA) obteve do Supremo Tribunal Federal autorização para tomar posse. Com a decisão, o STF enxugou ainda mais o alcance da lei que ainda é questionada no tribunal. No Twitter, Jader afirmou: "A Justiça venceu". Ele obteve na última eleição quase 1,8 milhão de votos, mas tinha sido barrado por ter renunciado a um mandato anterior de senador, para evitar a cassação em razão de suspeitas de corrupção.

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quarta-feira, dezembro 14, 2011

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Opinião

A mão inteligente

Claudio de Moura Castro - O Estado de S.Paulo
Entre os 10 e os 16 anos, como frequentava uma escola medíocre, de interior, em vez de estudar assuntos chatos e mortos, passava o tempo livre nas oficinas de manutenção de uma fábrica local. Guiado pelos velhos mestres, serrei, preguei, limei e bati martelo nas forjas. Deslumbrava-me com a vida e os desafios das oficinas. Passados os anos, descobri que a minha inteligência se desenvolveu mais lidando com problemas na bancada do que nos bancos escolares.

A percepção de que se aprende com as mãos é moeda corrente nas corporações de ofício europeias, de origem medieval. Para os Compagnons du Devoir (França), "o conhecimento mora na cabeça, mas entra pelas mãos". Ou seja, "a inteligência da mão existe" (J. Berger). Segundo os compagnons, o homem teria duas inteligências, uma especulativa e outra prática, por isso tem uma cabeça e duas mãos. Para eles, lógica se aprende resolvendo problemas de torneiras ou encaixes.

Ruminações de serralheiros e carapinas? Nem tanto, pois o filósofo grego Anaxágoras afirmou: "Por ter mãos, o homem é o mais inteligente dos animais". Ou, se queremos artilharia pesada, que tal Kant, para quem a "mão é a janela da mente"? O papel do lado prático da escola aparece em Montessori e outros, ganhando força na escola de Rudolf Steiner. Infelizmente, a escola foi atropelada pelo peso do academicismo, ficando meio artificial. Foi monopolizada por gente voltada para a "inteligência especulativa". O uso das mãos sumiu da escola. Com a miragem do "knowledge worker", ter-se-ia tornado um apêndice subalterno, cuja única função é apertar teclas.

Mas eis que o assunto desperta, com novas roupagens e escoltado pela melhor ciência neurofisiológica. Charles Bell fala da "mão inteligente". De fato, descobriu-se que a mão se comunica com o cérebro por múltiplos circuitos neuronais, enleando-se promiscuamente com os da inteligência. Ou seja, foi mapeado um acesso privilegiado da mão ao pensamento. Alguns pesquisadores afirmam que, dispondo de um instrumento tão sofisticado e sensível, a mão do homem fez o cérebro evoluir. Aceitemos, pois, como séria a teoria de que aprendemos com as mãos.

Duvidam? Mostre-se a uma pessoa um canivete, de todos os ângulos, com todos os detalhes. Aparentemente, tudo foi visto. Mas, inevitavelmente, virá o pedido: "Deixa eu ver" - levando à cuidadosa manipulação do objeto. Se os olhos já haviam visto tudo, faltava às mãos enxergar.

Diante disso, por que deixa de ser usado na escola esse grande livro-texto que são as mãos?

Aprendemos ao segurar, medir, pesar e desmontar. Aprendemos quando usamos ferramentas, quando resolvemos os mil problemas de construir alguma coisa ou de consertar um aparelho. Não creio que deslindar sujeitos e predicados em Os Lusíadas seja mais educativo do que deduzir logicamente por que a lâmpada não acende. Pesquisar um circuito elétrico, com diagramas e aparelhos de testes, é analiticamente tão denso quanto muito do que se pretende fazer na escola. Além disso, obriga aos múltiplos saltos entre a abstração do circuito no papel e os componentes do circuito de verdade. É assim que se aprende teoria, pendulando entre ela e a prática, num vaivém permanente.

Perry Wilson, um estudante americano, tinha dificuldades medonhas em Matemática. Tropeçou sucessivamente ao longo do curso, acabando vencido no início do seu curso superior. Frustrado, foi aprender carpintaria, para fazer casas. Como as casas daquele país são feitas pelo próprio carpinteiro, incluindo muito trabalho com plantas e cálculos, logo descobriu que a mesma Matemática que o havia maltratado era agora óbvia e fácil. Impressionado com a descoberta, criou um programa chamado "If I had a hammer", no qual os alunos participantes constroem uma cabana de madeira no pátio da escola. Mas como acontece com as casas de verdade, antes de serrar e pregar há muita planta e muita conta para fazer, além de outros conhecimentos requeridos. Surpresa! Em poucos dias, observa-se um substancial aumento nas notas de Matemática dos alunos participantes.

Cabe uma advertência, pois não se trata de exumar a disciplina de "Trabalhos Manuais", já desmoralizada pelo seu título rasteiro e pouco casando pensamento e ação. No tempo limitado da escola, é preciso escolher atividades em que haja uma interação feliz e fértil entre a mão e a cabeça. Recortar figuras de revistas é manual, mas intelectualmente pobre. Demonstrar um teorema é um exercício mental demasiado distante do mundo das coisas. Mas o Teorema de Pitágoras pode ser aprendido na rua. Por exemplo, como traçar no solo um ângulo reto, dispondo apenas de um pedaço de barbante?

A abstração é a culminância do desenvolvimento intelectual do homem. Mas a capacidade de operar na estratosfera das teorias não vem pronta de fábrica. De fato, o aprendizado de teorias rarefeitas arrisca-se a virar pura decoreba se não começar vendo, pegando e medindo. O tal "knowledge worker", tão de moda, precisa ser educado no concreto e no real, depois é que vem o descolamento progressivo do sensorial.

As atividades escolares deveriam ser escolhidas de forma a criar o máximo de oportunidades de usar as mãos para aprender. Como, de uma forma ou de outra, tais atividades vêm sendo feitas por incontáveis anos, não se trata de inventar, mas de recuperar o melhor que já apareceu.

O que era uma percepção intuitiva de alguns hoje percebemos ser ciência respeitável, demonstrando que a mão é inteligente e, portanto, é utilíssima no aprendizado, tanto do prático como do teórico. Por que a nossa escola insiste em refugiar-se nas brumas de um intelecto que ignora a riqueza intelectual das mãos?

Claudio de Moura Castro é economista e especialista em Educação.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 14 / 12 / 2011

Folha de São Paulo
"Penas do mensalão vão prescrever, diz ministro" 

Ricardo Lewandowski, do STF, prevê que julgamento aconteça apenas em 2013
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O ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski disse que as penas para os réus do mensalão vão prescrever antes que o julgamento esteja concluído. O escândalo aconteceu em 2005. "São mais de 600 páginas de depoimentos. Quando receber o processo, começarei do zero. Tenho que ler volume por volume. Não posso condenar um cidadão sem ler as provas", disse o ministro em entrevista à Folha.

O Estado de São Paulo
"Crise encarece crédito para pequenas empresas" 

Efeitos da turbulência europeia repetem cenário de 2008 e Fiesp alerta sobre risco de demissões

As pequenas e médias empresas brasileiras já começam a sentir no dia a dia os efeitos da crise europeia. Relatos de empresarios e banqueiros colhidos pelo Estado mostram que os custos dos financiamentos para companhias desse porte subiu subiu nas últimas semanas. É um cenário semelhante ao de 2008, início da crise internancional, mas, por ora, com intensidade muito menor. Mesmo assim, a Fiesp está preocupada. "Corremos sério risco de que, como em 2008, muitas empresas demitam na volta das férias coletivas", afirmou o diretor José Ricardo Roriz Coelho. Um banqueiro relatou que, há um mês, uma empresa de pequeno porte pagava, em média, 28% ao ano por uma linha de crédito. Hoje, esse produto custa 32% ao ano.

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terça-feira, dezembro 13, 2011

2012

Reminiscências

A primeira morte do 'herói romântico'

Arnaldo Jabor - O Estado de S.Paulo
Estou no passado - há 47 anos. São 11 e meia da noite do dia 31 de março de 64 e eu assisto a um show que inaugura o teatro da UNE, com Grande Otelo e Elsa Soares, para celebrar o socialismo. Acho estranho que festejem uma vitória sem a tomada do poder. Mas um companheiro me abraça eufórico: "Já derrotamos o imperialismo; agora só falta a burguesia nacional!" Não vejo o Tio Sam de joelhos ali, mas fico animado: "Viva!" Estou felicíssimo: tenho 20 anos, o socialismo virá, sem sangue, sem balas e com a ajuda do governo do Jango. Já contei isso aqui e repito: sentíamo-nos o "sal da terra".

Meus sofrimentos adolescentes se compensavam por minha grande esperança: "Conscientizarei as massas pobres do País para um futuro justo e feliz". Cheio de fé, vou para casa, mas voltarei cedo à UNE onde haverá uma reunião política às 9 da manhã. Estou de novo dentro da sede, ouvindo as diretrizes do dirigente de nossa "base" do PCB, um comuna velho de nariz de couve-flor e penso: "Como ele pode fazer revolução com esse nariz?" Ele nos garante que o Exército está do lado do povo, porque tem "origem de classe média". Sinto-me protegido pelos bravos soldados do povo, quando começo a ouvir gritos e tiros lá fora. Corremos todos para a sacada e vemos dezenas de estudantes que apedrejam a fachada, atirando para o alto. "São os estudantes de direita da PUC. Temos de reagir!" - diz alguém. "Com quê?" - pergunto. Onde estão as armas revolucionárias? Nada. Ninguém tem uma reles "beretta". O dirigente da "base" fica com o nariz muito branco, que antes era "pink". Nuvens de fumaça entram pelas salas. A UNE está pegando fogo. Estudantes armados invadem a sede com garrafas de gasolina. O teatro queima. Fujo por uma janela dos fundos, onde rasgo a calça num prego. Apavorado, corro para a porta da UNE, ostentando naturalidade, para ver o que está acontecendo. Reconheço vários colegas ricos de minha faculdade, com revólveres na cinta, numa selvagem alegria destrutiva. Dois colegas da PUC me veem. Eles vêm com armas na mão, afogueados pela guerra santa. "E aí, cara!? Grande vitória, hein?! Acabamos com esses comunas sem-vergonha!" - me gritam, arquejando de contentamento. Se tivesse a automática 45 mm de meu pai milico, entraria num duelo de western com eles. Eles me olham. Estou pálido, mas tenho a dignidade de não dizer nada. Viro as costas e saio andando pelo asfalto, esperando o tiro me derrubar. Procuro com os olhos os bravos soldados do "exército democrático". Surge um comboio de tanques. Passa por mim um companheiro que sussurra: "Some, porque o Exército virou a casaca!" Vejo os tanques, com os "recrutas do povo" montados em cima e entendo que minha vida adulta está começando, mas de cabeça para baixo. Outros companheiros se dispersam a distância, enquanto a UNE arde. "Ali estão queimando os nossos sonhos" - penso - "ali, queima a 'libertação do proletariado', ali morre em fumaça minha juventude gloriosa, queima um Brasil que me parecia fácil de mudar, um Brasil feito de esperanças românticas." Lembro-me do comício da Central, 15 dias antes, quando senti um arrepio vendo o Jango falar em "reformas populares" sem convicção, entre as tochas dos petroleiros e perto da mulher Tereza, vestida de azul, ausente e linda. Lembro-me também das velas acesas nas janelas da cidade pela classe média, de luto contra Jango e lembro-me que pensei: "Isso vai dar bode!"

Agora, a UNE pega fogo como uma grande vela. Vou andando para longe dali, para o centro e as árvores do Russel me ameaçam com seus galhos, vejo a estátua de São Sebastião flechado e me sinto mártir como ele, passo pela Praça Paris, onde Assis Valente se matou com formicida e penso em sua música: "Está na hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor!.." Chego ao Passeio Público cercado de carros de combate e vejo que o mundo mudou. Sento-me perto de um laguinho e fico vendo os rostos das pessoas, mendigos com latinhas e sacos de aniagem, uma mulher bêbeda dançando, vejo o Rio pela primeira vez, como se tivesse acordado de um sonho para um pesadelo. As pessoas se movem em câmera lenta, as buzinas estão altas demais no trânsito engarrafado e eu me sinto exilado em minha própria terra. Na Cinelândia, grupos de soldados montam guarda. São recrutinhas fracos, com capacetes frouxos e cara de analfabetos; o povo monta guarda contra nós. Numa vitrine, televisões mostram o Castelo Branco entre generais. Esse é o novo presidente? Parece um ET de boné. Vou andando, sem lenço e sem nada. Paro na porta de um cinema onde passa Lawrence da Arábia. Finjo que olho os cartazes. Alguém me bate no ombro; viro em pânico e vejo um velhinho vendedor de loteria, que me segreda: "Sua calça está rasgada atrás..." Apalpo o grande estrago do prego da UNE e saio mais tonto. "Meu Deus... eu que imaginava os grandes festivais do socialismo com Lenin e Fidel, eu que era um herói, virei um bunda-rasgada!" Percebo que um Brasil ridículo, que sempre esteve ali, está vindo à tona. Ninguém quer me prender. Sou invisível. Vejo um ônibus que vai para minha casa. Me jogo dentro. Passo em frente da UNE e não quero olhar, pois sei que vou ver o fogo, bombeiros apagando. Não resisto, e o casarão preto passa, entre brasas e fumaça. Chego em casa, trêmulo. Minha mãe está com duas tias na sala. Uma delas, carola de igreja, que marchou pela Família, Deus e Liberdade, me beija muito e diz: "Toma aqui esta medalhinha de Santa Terezinha do Menino Jesus pra te proteger!.." E pespega em minha blusa a santinha com uma fita vermelha. Meu desespero é indescritível. Minha mãe me abraça chorando: "Ele não é comunista, não!... Ele é bom, bom! Está pálido, meu filho... Come esse bolinho de milho..." Fico olhando os bibelôs da sala, mastigando o bolo. Vejo os elefantes de louça, o quadro do Preto Velho, os plásticos nas poltronas, o lustre de cristal, orgulho de mamãe. E, afinal, entendo que minhas tias estão no Poder e que eu não existo.

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Opinião

Mais protecionismo argentino

O Estado de S.Paulo
O protecionismo comercial, especialmente contra a indústria brasileira, deverá ser uma das marcas do segundo mandato da presidente Cristina Kirchner, como foi no primeiro e como tem sido há muitos anos, especialmente a partir de 2008, quando se agravou a crise mundial. Em seu discurso de posse, a presidente reeleita anunciou a criação de uma Secretaria de Comércio Exterior subordinada ao Ministério da Economia. A nova secretaria será dirigida pela economista Beatriz Paglieri, até então subordinada ao secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, responsável nos últimos anos pela ampliação de barreiras contra produtos brasileiros. Conhecido por seu destempero verbal e por suas ações autoritárias, Moreno forçou empresários, por meio de ameaças, a reduzir as compras de produtos estrangeiros. Também tratou de impor a política do "um por um", condicionando as importações a exportações de igual valor.

Beatriz Paglieri tornou-se conhecida por suas afinidades com o secretário Moreno e por sua disposição de usar os mesmos métodos. Dirigiu o Indec, o instituto oficial de estatísticas, hoje famoso internacionalmente por seus índices de inflação desacreditados dentro e fora do país. Enquanto a inflação oficial da Argentina não passa de 9,3% ao ano, pesquisas e cálculos produzidos por especialistas do setor privado apontam uma alta de preços na faixa de 24% a 30%. Por causa do controle político dos números divulgados pelo Indec, estatísticas oficiais da Argentina vêm sendo há anos publicadas com ressalvas em relatórios do FMI. Nenhum outro país é distinguido dessa forma nas publicações do Fundo.

Anunciada a criação da Secretaria de Comércio Exterior, os mais importantes jornais argentinos logo interpretaram a decisão como mais um lance da política protecionista e evocaram a figura de Guillermo Moreno. Oficialmente, no entanto, ele permanecerá como secretário do Comércio Interior, sem autoridade para comandar o novo departamento.

A recém-nomeada Beatriz Paglieri confirmou numa entrevista os extensos poderes conferidos à nova Secretaria: será sua responsabilidade cuidar de todas as questões vinculadas a importações e exportações. Mas não se trata, segundo ela, de uma supersecretaria, embora deva absorver funções antes atribuídas ao Ministério de Relações Exteriores e à Secretaria de Indústria e Comércio. Não será subordinada a Moreno, mas os dois setores - de Comércio Interior e Comércio Exterior - deverão "estar absolutamente coordenados".

Disso não parece haver dúvida, tantas são as afinidades entre Moreno e sua ex-funcionária. Além disso, a presidente Cristina Kirchner nunca fez segredo de suas inclinações protecionistas, manifestadas claramente em contatos com empresários. Na melhor hipótese, portanto, a tendência é a continuidade das políticas atuais.

Essas políticas incluem a suspensão de licenças automáticas de importação mesmo de produtos originários do Mercosul. A emissão de licenças tem com frequência demorado mais que os 60 dias permitidos pela OMC. Além disso, o governo argentino tem conseguido há anos, até com o apoio de Brasília, impor a indústrias brasileiras cotas e acordos de restrição de exportações. Uma das prioridades é a renovação de um desses acordos com os fabricantes brasileiros de calçados.

Neste ano, houve alguma reação do governo brasileiro aos abusos comerciais praticados pelas autoridades argentinas. Foram impostas, como retaliação, barreiras burocráticas à entrada de veículos argentinos, mas a medida foi logo suspensa, em troca do compromisso - nunca respeitado integralmente - de redução dos prazos de licenciamento de importações. Graças à complacência cúmplice das autoridades brasileiras, o governo argentino tem conseguido impor seu jogo no comércio bilateral. Isso dispensa o empresariado argentino de investir para se tornar competitivo. A anunciada criação de uma Subsecretaria de Competitividade na Argentina será um ato sem grande consequência, se os empresários continuarem confortavelmente protegidos por barreiras.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 13 / 12 / 2011

Folha de São Paulo
"Copa deve antecipar aulas e férias em 2014" 

Proposta do governo será votada hoje em comissão especial da Câmara
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O início do ano letivo de 2014 e as férias escolares do meio do ano deverão ser antecipadas para que alunos de colégios públicos e privados sejam liberados durante a Copa do Mundo, que começa em 12 de junho. A proposta serpa votada hoje na comissão especial da Câmara que discute a Lei Geral da Copa. Pelo texto, o semestre escolar deve começar em 20 de janeiro e acabar até 10 de junho. As aulas retornariam em 21 de julho.

O Estado de São Paulo
"Mercado considera pacto fiscal da UE insuficiente" 

Agência de risco Moody's ameaça rebaixar nota do bloco, critica falta de 'ação decisiva' e bolsas caem

Acordo fechado na sexta-feira passada pela União Europeia para salvar o euro foi mal recebido pelos mercados. Ontem, os pregões foram abertos com a agência de classificação de risco Moody's alertando que poderia rebaixar a nota da UE, porque o acordo não garantiu uma "ação decisiva" e a crise continua em seu estágio "crítico". Houve baixa em Madrid(3,1%), Milão (3,7%), Frankfurt (3,3%), Paris(2,6%), Londres(1,8%), Nova York(1,34%) e São Paulo (1,53%). Líderes europeus saíram em defesa do acordo para tentar dar garantias aos mercados.

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segunda-feira, dezembro 12, 2011

Fog

Brasil

Insegurança pública

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo
Aldo Rebelo reflete sobre o assunto há muito tempo. Ressalva que agora, na condição de ministro, submete-se às decisões de governo e às diretrizes do Ministério da Justiça, mas diante do tema cede ao desafio da formulação independente. Ainda que teórica.

A questão é: como os governos deveriam fazer frente a um problema que os dois últimos presidentes antecessores de Dilma Rousseff, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio da Silva, se abstiveram de enfrentar como prioridade absoluta?

O grande obstáculo, na opinião dele, é o fato de o combate à criminalidade estar ainda associado à repressão, à coação dos direitos individuais e à interpretação de que a violência é sempre consequência das injustiças sociais.

Com base nesse princípio consolidado no "chip" - principalmente, mas não só - de governantes com origem na esquerda como Lula e FH, o Estado acaba se omitindo, se acomodando nas ideias preconcebidas e "não entende que a segurança é uma aspiração do povo".

Exemplo da dissonância entre o pensamento de grande parte da elite e o que vai à cabeça da população foi o resultado do referendo à lei do desarmamento.

Enquanto todas as figuras influentes da política e da cultura faziam campanha em prol do veto à comercialização de armas de fogo no País, uns poucos deputados sem expressão e identificados com o que há de mais retrógrado defendiam o "não", que acabou vitorioso por 63,6% a 36,1% para o "sim".

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Coleta seletiva...

Poesia

Quero…

Lourdes Moreira

Quero o ressurgir da verdade…
Dos olhos cansados das vaidades…
Da estrela que brilha sem noite…
Porque outras querem brilhar incontestes!

Quero o ressurgir da vaidade…
De homens carregados das calçadas…
De que no outro o olhar penetrou…
E não… não vacilou!

Quero o ressurgir sem hora…
No agora que torne seres imperfeitos…
Feitos agora….

Quero que o Deus que benigna...
Possa benignar meu irmão sofrido…
Que sem casa e sem comida…
Se joga ao chão!

Quero que políticas públicas…
Não permitam, sem vaidade, continuem vivendo no sub-mundo…
De crassa exaustão.

Quero o ressurgir de sentimentos,
Alheios a vaidade de homens públicos,
Querendo apenas expressar a verdade…

De um POVO; de uma NAÇÃO!!!

Lourdes Moreira é autora do livro “Andanças e Contra Danças”, professora aposentada da rede municipal de Ubatuba e municipalizada de rede estadual de São Paulo.

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