sábado, novembro 19, 2011

the mamas and the papas

Colunistas

Em memória dela (dedicado à minha mãe) 

"E então a coisa volta num tapa: o vazio, o buraco de ar, aquelas mãos pequeninas, enrugadas, sardentas, que me acariciavam com infinitos de ternura" 

Márcia Denser
Foi tão rápido, sobretudo o último mês. Dias agônicos. Sofremos de forma absurda com sua dor intransponível, espécie de maldição intermitente, eternamente à espreita, salvo umas tréguas pra lá de fajutas, carregadas, mais com jeito de calmaria, e não dava outra: as crises desabavam ainda piores. O fato é que este ano, já a partir de março, voltei a morar com ela. Por mim (por razões que não vêm ao caso), mas, no fundo, muito mais por ela, que se apagava pouco a pouco, um pouco mais a cada mês, cada semana, cada entardecer. Mas na época, naturalmente, não me tocava. Ainda. Normal. Vivendo numa ilusão persistentemente bocó que ela tivesse jeito, sabem. Enquanto as coisas aparentam uma certa normalidade, simplesmente é melhor NÃO VER, acreditem. Inconscientemente, ordenava a mim mesma não sofrer por antecipação.

Abençoado saber secreto.

Num outro plano, contudo, tinha plena consciência de seus 86 anos e todo aquele elenco de males, tipo uma osteoporose onipresente a roer-lhe os ossos, o que leva fatalmente a uma espécie de dopping ao longo de décadas, composto por analgésicos, antiinflamatórios, infiltrações locais do tipo futebol americano (sua fixação no amor materno, tornou-a veterana da dor, da qual aliás fugiu a vida inteira como o diabo da cruz: não há obsessões gratuitas, só que minha mãe não sabia disso. Não curtia Santa Teresa D’Ávila).

Sem contar, cinco anos atrás, a instauração do chamado”delírio senil” – o que determinou o uso duma Olanzapina básica, 10 mg. (vulgo Ziprexa) – donde o SUS e a entrada no programa da medicação de alto custo (o lance deve andar na faixa dos mil reais a caixa com vinte) – sem esquecer os soporíferos (minha mãe era completamente junkie neste departamento há uns vinte séculos), tipo Diempax, Seconal, Diazepan, o caralho, e nesta altura do campeonato (e da overdose secular dos retro mencionados), as funções digestivas, intestinais, hepáticas começam a ir para o diabo – então ela – que comia pouco (sempre foi uma mulher pequenina), não bebia nem fumava – resignava-se, limitando-se a diminuir o pique, aceitando (meio puta) restringir-se cada dia mais (no more viagens, no more bailes da saudade, no more compras – curtia tanto ir à Droga São Paulo como se fosse ao Shopping Higienópolis ­– no more daqui na esquina, na mesma proporção do aumento de horas em frente a tevê à cabo), embora esteja lá no I Ching: “Toda limitação demasiado amarga acarreta uma amarga retribuição. A perseverança traz infortúnio. O caminho termina.” (Hexagrama 60 – Chieh).

Não deu outra. Não podia dar. Mas o amor simplesmente ignora verbos no condicional.

Quando o meu pai morreu, me senti remotamente abandonada, que havia perdido uma presença forte, que me defendia (ainda que seja tudo meio mentira, meio ficção, ele SIGNIFICAVA isso, sempre significaria. Enquanto vivo). Mas minha mãe não. Dela suguei tudo e joguei o bagaço fora. E ela deixou. Morreu no bagaço, relutando nos deixar até o último segundo. No bagaço e perguntando se comi, se não esqueci o guarda-chuva, se tomei a porra do remédio: vai embora, mãe, se manda, chô.

Então oscilo entre as compressas do ”foi melhor assim” e a ferida, ”puta que o pariu, cadê você, mãe, nunca mais, é isso? então é isso?” – do alívio ao desespero, do alívio ao desespero. De repente, me fisgo pensando que amanhã é preciso levá-la ao ortopedista, à terapeuta logo cedo na sexta e já estou preparando a banana amassada com aveia e então a coisa volta num  tapa: o vazio, o buraco de ar, aquelas mãos pequeninas, enrugadas, sardentas, que me acariciavam com infinitos de ternura, como a coisa mais preciosa da face da Terra e fosse quebrar, então começo a sentir as lágrimas descendo, o choro espremido, torto, paralisado. Sem consolo, sem remédio. Nunca mais. Nunca mais. Nunca mais. Kaput, e é isso aí. Esqueço toda hora. Uma merda.

Quando papai morreu, escrevi um conto considerado uma das minhas obras primas, o Memorial de Álvaro Gardel (está no Toda Prosa II – Obra Escolhida). Mas papai pedia isso - essa liquidação, esse acerto de contas, essa derradeira humilhação, essa declaração de amor pelo avêsso, esse ajoelhar-se e pedir perdão, aquela confissão. Mas minha mãe é diferente – não que eu não tenha culpa no cartório, não que eu não tenha sido também e de muitas maneiras, cada qual mais sórdida e canalha, uma requintada e cruel filha-da-puta com ela – só que mãe é diferente. Incondicionalmente. Pelo menos, a minha.

De forma que foi uma perda muito rápida, inesperada, com a qual, eu e minha irmã, MariaTeresa, tivemos que lidar – somos as únicas filhas – além de todos aqueles detalhes práticos, burocráticos, objetivos, financeiros, tão penosos nessas horas – afinal, a gente nunca tinha perdido a mãe antes – com a nossa dor.

Essa que, sabemos, vai continuar doendo.

Inesquecivelmente.

PS. Ao Crematório de Vila Alpina – segundo sua última vontade, ser cremada – na segunda de manhã, 14/11, compareceram precisamente cinco pessoas e meia: Eu, Maria Teresa, meu sobrinho Júlio, sua mulher Silvia, grávida de Laurinha a nascer em fevereiro, e Marcelo Mirisola. Entende-se: além de meio de feriado em Sampa, da família de papai estão todos mortos, por outro lado, da família de mamãe, todos já nasceram mortos, exceto tia Graziela, outra beirando os 85, de forma que, inevitavelmente, eu e Marcelo fomos convidados e já aceitamos: seremos padrinhos de Laurinha, com direito a pousada em Carrancas, MG.

Quando a vida renascer.

(1) “Há mais lágrimas derramadas por preces atendidas do que por preces em vão” – Santa Teresa D’Ávila 

Márcia Denser
A escritora paulistana Márcia Denser publicou, entre outros, Tango fantasma (1977), O animal dos motéis (1981), Exercícios para o pecado (1984), Diana caçadora/Tango Fantasma (Global,1986, Ateliê, 2003,2010, 2a.edição), A ponte das estrelas (Best-Seller,1990), Caim (Record, 2006), Toda prosa II - obra escolhida (Record, 2008). É traduzida em nove países e em dez línguas: Alemanha, Argentina, Angola, Bulgária, Estados Unidos, Espanha (catalão e galaico-português),Holanda, Hungria e Suíça. Dois de seus contos - "O vampiro da Alameda Casabranca" e "Hell's Angel" - foram incluídos nos Cem melhores contos brasileiros do século, organizado por Ítalo Moriconi, sendo que "Hell's Angel" está também entre os Cem melhores contos eróticos universais. Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, é pesquisadora de literatura e jornalista. Foi curadora de literatura da Biblioteca Sérgio Milliet em São Paulo.

Outros textos do colunista Márcia Denser.

Publicado originalmente no "congressoemfoco".

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Opinião

Por que professor ganha menos que executivo? 

Klaus Schwab no Estadão
As críticas ao capitalismo aumentaram muito nos últimos meses. Movimentos de protesto, como o "Occupy Wall Street", expressam indignação com os excessos dos banqueiros, que, segundo os manifestantes, são os principais culpados pela atual crise econômica - mas, aparentemente, não estão sendo responsabilizados.

Crescente número de vozes, de várias esferas da sociedade, está demonstrando a sua solidariedade às atividades contra o capitalismo, um reflexo da frustração generalizada dos cidadãos. E por boas razões: porque até agora foi o contribuinte - o cidadão médio - que teve de pagar pela crise econômica e pelas dívidas nos Estados Unidos e na Europa. Aumento do desemprego, mais impostos e cortes nos sistemas de bem-estar e de saúde nos trouxeram à beira de uma crise social.

Sem dúvida, esses protestos contra o capitalismo conseguiram captar a essência dos nossos tempos. Mas não basta simplesmente condená-lo por seus inegáveis excessos. Precisamos fazer uma análise mais profunda do sistema capitalista e por que, em sua atual forma, ele não se encaixa mais no mundo ao nosso redor.

Quando a crise começou, em janeiro de 2009, durante minha palestra de abertura em Davos, eu disse: "Hoje, as pessoas ao redor do mundo estão me perguntando como foi possível tomar decisões - baseadas em ganância ou incompetência e sem nenhuma fiscalização efetiva - que tiveram consequências terríveis, não somente para a economia global, mas também para pessoas reais, que perderam suas aposentadorias, suas casas e seus empregos. Essas pessoas estão desnorteadas, confusas e com medo e raiva".

Naquela época, o mundo esperava que a crise fosse produzir uma reavaliação básica do comportamento de executivos de alto escalão no mundo dos negócios, em especial no setor de serviços financeiros. Depois de praticamente três anos, ainda não aprendemos com os erros do passado. O sistema que nos levou até essa crise é obsoleto, e não é de hoje. A crise não será superada no longo prazo se continuarmos renegando a necessidade de revisar o sistema. O capitalismo precisa ser reformulado, por três motivos:

O capitalismo é desequilibrado. O uso do capital virtual para especular aumentou muito e de maneira desproporcional comparado com o capital real, e está fora de controle. Precisamos de transações financeiras para equilibrar os riscos, mas não transações especulando sobre a própria especulação.

O sistema original capitalista apresentava uma divisão clara: entre o empreendedor, que suportava o risco do investimento, cuja recompensa é o lucro; e o executivo, cuja tarefa profissional é garantir o futuro da empresa no longo prazo e proteger os interesses de todas as partes interessadas. Com um sistema de bônus excessivo, o executivo alia-se aos interesses dos proprietários do capital, desvirtuando o sistema. Este é o problema fundamental da situação hoje: os salários excessivos corroeram a ética empresarial dos executivos.

O capital deixou de ser um fator decisivo para a produção, na atual economia global. Ideias inovadoras ou serviços intangíveis estão ocupando o espaço das vantagens competitivas, reduzindo a importância do capital. Além disso, com padrões de vida em ascensão, o foco geral está mudando de quantidade para qualidade. O sucesso econômico, no futuro, não será mais decidido pelo capital, mas pelo "talento" como fator de produção. Então, nesse sentido, estamos migrando do capitalismo para o "talentismo".

As demonstrações que estão ocorrendo ao redor do mundo são perigosas quando usadas como meio de iniciar uma guerra entre as classes sociais. Precisamos de novos impulsos que nos levem a reavaliar a situação e implementar as ações corretivas necessárias para remediar o sistema. Devemos converter o capitalismo de volta a uma economia de mercado social. Como o passado demonstrou claramente, outros sistemas econômicos, como o socialismo doutrinário, não oferecem alternativas viáveis. Ponto-chave de uma tal reforma precisa ser a redução dos excessos de produtos financeiros e da participação de executivos nos lucros.

Acima de tudo, o trabalho do executivo deve voltar a ser um posto profissional. Algumas empresas justificam o pagamento de salários e prêmios estratosféricos pelo fato de o talento ser frequentemente o principal fator de sucesso. Porém o talento não é importante apenas na profissão do executivo, mas em qualquer emprego.

Por que um professor excelente deveria ganhar menos que um executivo? Por que um cirurgião reconhecido mundialmente deveria ganhar menos que o CEO de uma empresa global?

Num mundo ideal, todos devem ganhar de acordo com sua responsabilidade e seu desempenho. A maior motivação profissional deve ser a vocação - não somente o desejo de lucrar. Medidas para diferenciar executivos de pessoas que correm riscos também devem reprimir transações financeiras em que os lucros beneficiem apenas os indivíduos envolvidos, enquanto os riscos são coletivos e o contribuinte acaba pagando a conta quando tudo der errado.

Outro princípio orientador importante na reforma do nosso sistema econômico é o conceito de partes interessadas, que defini pela primeira vez há mais de 40 anos. O conceito de partes interessadas assume que a empresa é uma comunidade social de muitas partes diferentes - ou seja, diferentes grupos sociais que estão ligados direta ou indiretamente pela empresa. O objetivo de uma liderança responsável é garantir o sucesso no longo prazo e a viabilidade da companhia e, assim, atender a todos os intervenientes, não somente aos interesses de curto prazo dos acionistas.

Em suma, precisamos avançar do capitalismo excessivo para uma economia de mercado em que a responsabilidade e as obrigações sociais não sejam palavras vazias.

Klaus Schwab, fundador e presidente executivo do Fórum Econômico Mundial.

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Manchetes do dia

Sábado, 19 / 11 / 2011

Folha de São Paulo
"Justiça manda afastar presidente do Metrô" 

Sentença determina ainda a suspensão de contratos da linha-5; Estado vai recorrer
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A Justiça de SP determinou o afastamento do cargo do presidente do Metrô, Sérgio Avelleda, e a suspensão dos contratos de extensão da linha 5-lilás por suspeita de fraude na licitação. A partir da notificação, a Secretaria dos Transportes Metropolitanos terá de pagar R$ 100 mil por dia que Avelleda permanecer no cargo. A multa vale para a manutenção dos contratos.

O Estado de São Paulo
"Chevron é suspeita de ir além do permitido e tentar atingir pré-sal"

Após vazamento no litoral do Rio, que a Polícia Federal investiga, a ANP discute se a empresa petrolífera americana está explorando áreas fora de seu contrato

A Polícia Federal investiga se a petroleira Chevron teria perfurado além dos limites permitidos no campo de Frade, no litoral fluminense. Na tentativa teria ocorrido o acidente que deu origem ao vazamento de petróleo que já dura 11 dias. A possibilidade de a Chevron estar tentando alcançar indevidamente a camada pré-sal é discutida internamente na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), já que foi utilizada sonda com capacidade para perfurar a até 7.600 metros. A PF também investiga a suspeita de que a Chevron empregue estrangeiros em situação irregular no País.

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sexta-feira, novembro 18, 2011

Loiras (ou seria louras?)

A loira da foto canta. E como canta! Também toca piano. E como toca piano! Ela é canadense e nasceu em 16/11/1964. Seu nome é Diana Krall. 
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Nuvem

Coluna do Celsinho

Aeroclube, Hidroaviões & Cia.

Celso de Almeida Jr.
Escrevi ao Luiz Felipe Azevedo, presidente de nosso Convention & Visitors Bureau, sugerindo que mantivesse contato com o Hidroclube do Brasil, instituição que fomenta o uso de hidroaviões para fortalecer o turismo.
Hoje, quando caminhamos para reativar o Aeroclube de Ubatuba, meu pensamento se entusiasma, imaginando eventos, encontros, competições, prêmios, que atraiam aviões de todos os tipos e aviadores de todos os cantos.
Gosto de voar, também, por outros céus...
Nos feriados prolongados, constatamos os repetidos congestionamentos.
Carros e ônibus, aos montes, exigem de moradores e turistas paciência de Jó.
Necessitamos de alternativas.
Aviões, trens, barcos!!!
Isso não faz sentido?
Vamos lá...
Meu bisavô, que foi médico na Ilha Anchieta, ia para Santos de barco.
Tudo bem!
Outros tempos; não tínhamos estradas; etc, etc, etc.
Mas, há poucos meses, conheci um dos projetos para a Copa do Mundo e Olimpíadas, que foi apresentado aos governos Federal e do Rio de Janeiro, estimulando o uso de embarcações altamente sofisticadas, velozes e seguras, para unir os diversos pontos da capital fluminense pelo mar, valendo-se de atracadouros incrementados.
Transfira para Ubatuba.
Já imaginou, do centro à Maranduba, numa super lancha?
E, até, utilizando os nossos rios para unir alguns bairros?
Um “barco circular” competindo com nossa empresa de ônibus....vixe!!!
Pensa que eu estou maluco, né?
Então, vamos de trem?
O Marcelo Pimentel, amigo especial, voltou recentemente da Coréia do Sul, revelando o interesse de empreendedores de lá na implantação de trens sofisticados, de média velocidade, integrando o litoral norte ao vale do Paraíba.
Paranóia?
Não, meus amigos.
Existem alternativas extraordinárias.
Precisamos acreditar, planejar, dialogar, unir forças, buscar parceiros sólidos, revelar a viabilidade econômica de projetos arrojados.
Estamos no eixo Rio-São Paulo.
Estamos na cidade mais linda.
Temos que arejar o pensamento, quebrar paradigmas, dialogar civilizadamente e respeitosamente com todas as correntes que compõe a sociedade ubatubense.
E, antes de mais nada, acreditar em nossa capacidade empreendedora.
Pense nisso e não na minha camisa de força.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

Por que Dilma faz sucesso?

João Mellão Neto - O Estado de S.Paulo
Pesquisa CNI/Ibope recente aponta que a presidente Dilma Rousseff, em setembro, foi aprovada por 71% da população. Esse resultado foi melhor que os de Luiz Inácio Lula da Silva e de Fernando Henrique Cardoso em igual período de governo, em seus primeiros mandatos. É um índice espetacular. O pessoal de seu partido, o PT, deveria estar exultante... Porém não está. Na verdade, os petistas autênticos - ideológicos - estão é muito apreensivos.

E qual seria a razão para tamanho desalento?

Simples. A popularidade de Dilma Rousseff não se deve ao desempenho da economia nem à excelência da sua gestão. O primeiro indica um crescimento pífio e a segunda se tem caracterizado pelo curto prazo de validade de seus ministros. Dilma está com a bola toda por motivos que os petistas julgam equivocados. Ao menos aos olhos dos militantes do partido. A sua tão festejada "faxina ética" é algo que contraria todos os dogmas da esquerda.

Combater a corrupção com moralismo não funciona, alertam alguns. A corrupção é inerente ao sistema capitalista, proclamam outros.

Basta consultar os principais blogs simpáticos à "causa" para saber que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu - anjo decaído do poder central -, permanece sendo um ícone para a militância partidária. Por ocasião do 2.º Congresso da Juventude Petista, no último domingo, Dirceu ponderou que, "nas duas vezes em que houve lutas moralistas contra a corrupção, deu no Jânio e no Collor: um renunciou e o outro sofreu impeachment".

Já o presidente do Partido dos Trabalhadores, nesse mesmo congresso, concluiu que "os adversários de Agnelo (Queiroz, governador do Distrito Federal, investigado pelo Superior Tribunal de Justiça por suspeita de desvio de dinheiro público) são canalhas e caluniadores. Eles tentam atingir o PT".

Dirceu, ao final do congresso petista, foi brindado com uma camiseta onde se lia: "Contra o golpe das elites".

Qual é o raciocínio que rege tão estranhas manifestações?

Que elites seriam essas, malvadas, que pretendem dar um golpe no democrático governo do PT?

Pelo visto, não são as elites da política e do sindicalismo - que compartilham o governo por intermédio do PT. Tampouco as elites econômicas e empresariais - escolhidas por critérios obscuros -, beneficiadas pelo crédito abundante e subsidiado do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, mais conhecido como BNDES. E também não são, com certeza, os privilegiados "especialistas" que prestam consultorias milionárias às empresas estatais e aos fundos de pensão, porque tudo isso também é vinculado ao PT.

Então, se as tais elites malvadas não são nenhuma dessas acima apontadas, a que outras elites os dois dirigentes partidários se referiram?

Trata-se do seguinte: os petistas, bem como os demais socialistas, entendem que o grande roubo existente na sociedade é a exploração dos proletários pelos seus patrões. E a grande missão que lhes cabe no mundo é denunciar aos pobres que eles continuam pobres porque os ricos estão cada vez mais ricos. Os burgueses, por natureza, pouco ou nada trabalham. Vivem à custa da "mais-valia" que extraem do trabalho da massa proletária. Somente por meio da "conscientização" dessa massa a revolução se tornará possível...

Dentro da lógica deles, o combate à corrupção nos órgãos do governo é uma meta secundária, uma mera manifestação de moralismo pequeno-burguês.

Num sistema igualitário - como o que eles defendem -, a propriedade privada seria abolida e, assim sendo, as pessoas não teriam mais por que ambicionar riquezas. E muito menos por que buscar obtê-las por meios escusos.

Apresentada assim, até parece uma boa ideia... Só que existe um porém.

Todas as pessoas nascem iguais, é verdade. Mas os seus anseios, os seus talentos e os seus esforços acabam por torná-las diferentes. Nivelá-las, todas, por baixo, novamente, é algo que requer coerção e arbitrariedade. E a História nos ensina que sempre que a coerção e a arbitrariedade se apresentam à porta é a democracia que foge pela janela.

Não é à toa, portanto, que os petistas pregam o "controle social da mídia". É uma forma, digamos, educada de dizer que eles pretendem tolher o nosso direito de discordar. Não, não se trata de censura à imprensa, alegam. É apenas, talvez, uma pequena limitação do que a imprensa pode publicar...

Pessoalmente, eu sempre duvidei daqueles que acreditam saber julgar, melhor do que o povo, aquilo que o povo realmente quer e precisa.

Como Deus não revelou a sua Verdade a ninguém, como a nenhum partido político é concedido o direito de se arvorar em concessionário exclusivo da virtude e das boas intenções, o mais seguro para todos é preservar a liberdade. E a liberdade só se consuma por meio do pleno exercício de eleger e poder ser eleito, da alternância no poder, da segurança de poder discordar, da sacralidade dos direitos humanos, da justiça igual para todos, do respeito às prerrogativas de cada um. E, por fim, do direito, assegurado aos indivíduos, de cada um poder ser feliz à sua própria maneira.

E quanto ao povo em geral? É justo viver na miséria? É legítimo morrer de fome? Não existiriam, também, "direitos sociais" para ele?

Sem dúvida. Mas é preciso compreender que o povo que deseja o pão é o mesmo que exige honestidade. As pessoas, que são quase todas elas decentes, não admitem que os políticos não o sejam.

É por isso que Dilma faz sucesso. E é por isso, também, que o PT não faz.

João Mellão Neto, jornalista, foi deputado federal e estadual, secretário e ministro de Estado. E-mail: j.mellao@uol.com.br. Mais textos: www.blogdomellao.com.br

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 18 / 11 / 2011

Folha de São Paulo
"Lupi recebe diária por viagem com agenda partidária" 

Ministro diz que vai devolver o dinheiro, muda a versão sobre empresário que indicou avião e culpa memória fraca
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O ministro Carlos Lupi (Trabalho) recebeu diárias do ministério para viagem de três dias ao Maranhão e em um deles só cumpriu agenda do PDT. Presidente licenciado do partido, disse que vai devolver o dinheiro à Controladoria da União. No Senado, Lupi admitiu pela primeira vez ter usado um avião particular indicado pelo empresário Adair Meira, que tem convênios na pasta. O ministro disse que sua memória falhou na semana passada, ao negar relacionamento com Meira.

O Estado de São Paulo
"Em meio à crise, agência de risco eleva nota do Brasil"

S&P elogia esforço fiscal e a resposta à inflação; BC prevê desaceleração e já estuda novos estímulos

A agência de classificação de risco Standard and Poor's elevou ontem, de "BBB-" para "BBB", a nota de crédito soberano do Brasil, argumentando que o governo tem demonstrado seu compromisso com as metas fiscais. Segundo a agência, a decisão reflete as medidas fiscais rigorosas e a resposta do Banco Central às pressões inflacionárias. O mercado já esperava por essa decisão da agência, mas, para a Febraban, ela é importante por ocorrer num momento de crise internacional. No mesmo dia, o BC divulgou levantamento segundo o qual a atividade econômica do Brasil caiu 0,32% no terceiro trimestre, na comparação com o anterior. Essa foi a primeira retração desde o primeiro trimestre de 2009, em meio à turbulência externa. Agora, analistas aguardam o efeito da ação do governo para incentivar a economia - o BC estuda liberar parte dos depósitos compulsórios para ajudar a dar liquidez aos bancos médios, e a Fazenda pode reduzir o IOF sobre os financiamentos bancários.

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quinta-feira, novembro 17, 2011

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Opinião

Já passou da hora

O Estado de S.Paulo - Editorial
A presidente Dilma Rousseff perdeu dois consecutivos "momentos ótimos" para demitir o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. O primeiro foi na quarta-feira da semana passada, quando, atingido pela denúncia de que assessores diretos seus chantagearam ONGs conveniadas com a pasta, o ministro afrontou a autoridade da presidente. "Duvido que a Dilma me tire, ela me conhece muito bem", desafiou. "Para me tirar, só abatido à bala." A segunda ocasião surgiu quando ele tentou consertar a fanfarronada da antevéspera com uma tirada cafajeste, que não há de ter passado em branco para alguém, como a sua chefe, atenta para o que se convencionou chamar sexismo. "Presidente Dilma, desculpe se eu fui agressivo", apelou. "Eu te amo."

No trato com os subordinados, ela é conhecida por ser fulminante no gatilho. Na remoção de membros de sua equipe afogados em escândalos, porém, só parece agir quando percebe, na vigésima quinta hora, que a inação ameaça se transformar em desmoralização. Perto disso, o eventual benefício de se guardar de problemas com as legendas dos ministros desmascarados e, conforme o caso, com o seu patrono Lula não compensa o custo do desgaste diante da opinião pública. Assim foi com Alfredo Nascimento, titular dos Transportes, do PR; Wagner Rossi, da Agricultura, e Pedro Novais, do Turismo, ambos do PMDB; e Orlando Silva, do Esporte (PC do B). Só foi diferente com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que caiu não por corrupção, mas por incontinência verbal. (O primeiro a cair, o chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, ainda não era ministro quando fez a fortuna escondida que o levaria ao pelourinho.)

É verdade que, apesar de ir a reboque da imprensa na descoberta das falcatruas, primeiro, e de esperar demais, depois, para tirar das denúncias as suas inevitáveis consequências, Dilma tem sido recompensada pela aprovação nas pesquisas. Mas se algo desgasta a sua imagem de presidente despachada não é a sempre citada relação sem precedentes entre o seu tempo de casa e o número de auxiliares demitidos. É a sua convivência com o malcheiroso interregno entre a crise aberta com a exposição das maracutaias ministeriais e o seu costumeiro desfecho. Em nenhuma das situações mencionadas apareceu um "fato novo" que jogasse a favor dos ministros encalacrados. O normal é o contrário - e não está sendo diferente com o bravateiro Lupi.

Desde que, no começo do mês, a revista Veja revelou o esquema da suspensão dos repasses a ONGs contratadas pelo Trabalho e sua reativação mediante pagamento de pedágio, vieram à luz, entre outras coisas, o aparelhamento da pasta pelo PDT do ministro, em Brasília e nos Estados; o favorecimento de correligionários nos convênios para treinamento de pessoal; o acúmulo de irregularidades nesses negócios; o aval à criação de sindicatos patronais fantasmas, ou seja, que não representam nenhum setor de atividade; e, por fim, a prova do contubérnio do ministro com o dono de uma ONG beneficiada com R$ 13,9 milhões em contratos. Há uma semana, no mesmo depoimento à Câmara dos Deputados em que declarou seu "amor" pela presidente, Lupi negou que conhecesse o empresário Adair Meira, da ONG Pró-Cerrado, e que tivessem viajado juntos pelo Maranhão a bordo de um King Air alugado por ele. Fez também chegar a negativa ao Planalto.

Desmentido por outra reportagem da Veja, por imagens que o mostram desembarcando do táxi aéreo seguido pelo empresário e pela confirmação dele ao Estado de que viajara com Lupi "num trecho" do Maranhão em dezembro de 2009, o ministro se tornou para Dilma o que ela permitiu que se tornasse ao mantê-lo na Esplanada: um fator de desmoralização. Não resiste a um sopro o argumento de que, fadado a cair na reforma do Gabinete prevista para o início do ano, a sobrevida do mentiroso por um punhado de meses seria "administrável" pela presidente sem danos adicionais. Sim, Lupi manda e desmanda no PDT, de que é presidente licenciado apenas no papel, o que dificultaria mais uma substituição de um correligionário por outro. Ainda assim, Dilma tem de se livrar dele, a que custo for. Tentar varrer a crise para debaixo do tapete será pior - para ela e o seu governo.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 17 / 11 / 2011

Folha de São Paulo
"PDT abandona Lupi para manter Trabalho" 

Partido teme perder o ministério para o PT se não indicar logo substituto
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O PDT abandonou a defesa do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e cobrará explicações dele sobre as denúncias de irregularidades em reunião da Executiva partidária hoje, dia que também deve ser ouvido no Senado. A cúpula do partido acredita que é melhor entregá-lo e indicar outro nome a perder a pasta para o PT numa reforma ministerial em 2012. Para o Planalto, sem esse apoio, Lupi perde as últimas chances de ficar no cargo.

O Estado de São Paulo
"PDT já fala na saída de Lupi e avalia nomes para seu lugar"

Reunião da Executiva Nacional e das bancadas do partido, hoje, deve selar o futuro do ministro

Dez dias depois de estourar o escândalo envolvendo Carlos Lupi em irregularidades, o PDT sinalizou ontem o abandono do ministro do Trabalho. Correligionários que antes eram partidários de Lupi passaram a defender abertamente sua saída. Uma reunião da Executiva Nacional do PDT e das bancadas da Câmara e do Senado marcada para hoje deverá selar a futuro do ministro. "Como amigo do Lupi, eu sofro muito vendo ele sofrer. É muito doloroso. Como amigo, preferia que ele saísse. Mas isso é uma decisão que o PDT vai tomar de forma institucional", disse o presidente interino do PDT, André Figueiredo (CE). Sintomas do acelerado processo de desgaste político do ministro foram detectados ainda ontem, com o surgimento de nomes para seu lugar, como os pedetistas Osmar Dias (PR) e Miro Teixeira (RJ).

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quarta-feira, novembro 16, 2011

Barry White

Política

O Nem pode virar Don Tommasino

Elio Gaspari, O Globo
O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, disse que a prisão do bandido Nem é uma "oportunidade importantíssima" para o "oferecimento de alguma medida judicial para que ele pudesse contribuir com a Justiça e, obviamente, com a polícia".

A prisão do chefe do tráfico da Rocinha está cercada de indagações. Não se sabe se ele ia se entregar, nem por que policiais civis queriam levar para uma delegacia o carro onde ele estava escondido no porta-malas. De qualquer forma, se Nem negociava sua rendição, será possível iniciar conversações para que conte o que sabe.

Jogando com as brancas, o Judiciário, o Ministério Público e as polícias podem transformar a memória de Nem numa arma de combate ao tráfico.

Jogando com as pretas, o crime organizado pode matá-lo, ou silenciá-lo, ameaçando sua família.

Num Estado onde policiais militares executaram uma juíza com 21 tiros, isso é plausível.

Se a esta altura os familiares do bandido ainda estão ao alcance das pessoas que ele pode incriminar, as pretas jogam com vantagem. O doutor Beltrame, os magistrados e o Ministério Público conhecem as providências necessárias para facilitar o jogo das brancas.

A "oportunidade importantíssima" disponível para o Estado pode ser usada em benefício do espetáculo ou da investigação. Em outubro de 1972, o delegado Sérgio Fleury era o mais famoso policial do país e, teatralmente, exibiu seu último êxito. Prendera Tommaso Buscetta, o chefe do tráfico de drogas da Máfia na América Latina.
Buscetta contaria que, noves fora choques elétricos e pau de arara, arrancaram-lhe unhas dos pés. Três meses depois, foi extraditado para a Itália, "mas não disse uma palavra sobre a Coisa Nossa".

Na nova cana, tornou-se um líder, respeitando "o ponto de convergência que existe entre os homens honrados" e as autoridades carcerárias. Esteve em regime de segurança máxima e, como sempre, não abriu a boca.

Em 1981, solto, voltou ao Brasil e foi novamente preso. Quando soube que seria embarcado para a Itália, tomou veneno de rato, mas acabou em Roma.

Foi aí que entrou em cena o juiz Giovanni Falcone, a quem Buscetta, uma vez recuperado, começou a contar sua história. Ele diz que só pediu a proteção do ramo brasileiro de sua família, mas Falcone ofereceu-lhe mais um argumento. Como na Itália ainda não havia um programa eficaz para a proteção de testemunhas e Buscetta praticara crimes nos Estados Unidos, extraditaram-no.

Seus depoimentos implodiram as famílias mafiosas, descrevendo-lhes a estrutura e os métodos. Foi a "Pizza Connection".

A polícia americana abrigou a mulher brasileira de Buscetta, com seus filhos. Todos ganharam identidades novas e ele, um novo rosto. Essa segurança pessoal estimulou-o a expor, posteriormente, as conexões da Máfia com os políticos da democracia-cristã italiana.

A conquista da colaboração de um bandido é coisa para profissionais, mas pode ser conduzida no Brasil.

A Máfia jamais se recuperou da pancada de Buscetta, mas matou dois dos seus filhos italianos.

O juiz Falcone e sua mulher, também juíza, foram dinamitados em 1992.

Don "Tommasino" morreu em Nova York, de câncer, aos 71 anos.

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Opinião

'Álcool zero' para motoristas

O Estado de S.Paulo - Editorial
Dentre as diferentes tradições do País em matéria de política legislativa, uma das mais criticadas pelos especialistas é a tendência do Congresso de propor mudanças açodadas nas leis penais todas as vezes em que são cometidos crimes com grande repercussão popular. Como são feitas com o objetivo de cortejar a opinião pública e propiciar dividendos eleitorais a deputados e senadores, essas alterações legais costumam trazer mais problemas do que soluções.

Diante de acontecimentos impactantes - como, por exemplo, os crimes hediondos - os parlamentares procuram aumentar o rigor punitivo das normas penais, o que tende a desequilibrar o sistema de penas e a disseminar insegurança jurídica. O exemplo mais ilustrativo é a Lei dos Crimes Hediondos. Editada em 1990, ela foi tão mudada que acabou desfigurada.

Apesar das advertências dos juristas para esse problema, as chamadas "leis penais de emergência" continuam proliferando. A última proposta foi apresentada por um senador do PMDB capixaba. Alegando a necessidade de reduzir os acidentes de trânsito cometidos por motoristas alcoolizados, ele propôs um projeto que impõe a política do álcool zero para motoristas infratores e pune até quem não causa acidente de trânsito.

Aprovado em caráter terminativo pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o projeto estabelece que, além do bafômetro, valerão como provas de embriaguez evidências, vídeos e provas testemunhais.

Pela regra em vigor, o motorista pode se recusar a fazer o teste do bafômetro, pois a Constituição assegura ao cidadão o direito de não produzir provas contra si. Pelo projeto, que colide com a Carta neste ponto, quem se recusar a fazer o teste sofrerá sanções como se estivesse embriagado, podendo ser punido sem ter provocado acidente. Entre janeiro e outubro de 2011, 8,6 mil pessoas foram detidas por dirigir embriagadas em estradas federais. Se a obrigatoriedade do bafômetro estivesse em vigor, seriam 23 mil detidos. A diferença decorre do número de pessoas que foram autuadas, mas se recusaram a fazer o teste do bafômetro.

O projeto é tão drástico que, se for convertido em lei, poderá, em tese, levar à punição de quem comeu bombom com licor ou consumiu uma dose de xarope. E as penas para os condenados variam de 6 meses a 3 anos de prisão. Se provocar acidente com lesão corporal, a pena é de 6 a 12 anos. E, se provocar morte, a condenação é de 8 a 16 anos de prisão. São penas superiores às previstas pela legislação criminal para delitos muito mais graves, o que não faz sentido. "A gente espera que com isso diminua o sentimento de impunidade que ainda existe entre os brasileiros", diz o autor do projeto, Ricardo Ferraço (PMDB-ES).

O discurso é pretensioso, mas o projeto não tem condição de ser sancionado, se passar pela Câmara com a mesma tramitação açodada que teve no Senado. Em primeiro lugar, o projeto padece de vícios jurídicos, na medida em que prevê penas desproporcionalmente severas em relação ao delito tipificado, releva para segundo plano o direito de defesa dos motoristas e permite a leigos fazer acusações indiscriminadas a motoristas. Em segundo lugar, o projeto de Ferraço é desnecessário. Entre outros motivos, porque a legislação vigente foi bem recebida pelos especialistas, está produzindo resultados importantes e vem sendo aplicada de modo exemplar pelos tribunais. Além disso, a legislação de trânsito foi revista e atualizada há três anos. Acompanhando a tendência mundial, ela tolera até 0,6 gramas de álcool por litro de sangue - o equivalente a dois copos de cerveja. Por fim, os especialistas afirmam que o crescimento de mortes no trânsito - foram 40 mil, em 2010, o maior índice em quinze anos - não decorre da leniência da lei, mas, acima de tudo, do relaxamento na fiscalização.

Bebida e direção são incompatíveis, não há dúvida. Mas, se a lei em vigor é considerada moderna e vem mudando progressivamente a cultura dos motoristas, por que modificá-la? Por que não ampliar a fiscalização, em vez de adotar punições exageradas e gerar situações de injustiça para quem dirigir sob o efeito de dosagens irrisórias de bebida?

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 16 / 11 / 2011

Folha de São Paulo
"17 Estados descumprem lei salarial de professor" 

Legislação estabelece piso e parte da jornada a ser respeitada fora de classe
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Aprovada há mais de três anos, a lei nacional do piso do magistério não é cumprida em pelo menos 17 das 27 unidades da Federação. A legislação prevê mínimo de R$ 1.187 a professores da educação básica pública, por 40 horas semanais, excluindo as gratificações. A lei também assegura que os docentes passem ao menos 33% desse tempo fora das aulas para poderem atender aos estudantes e preparar aulas.O levantamento da Folha mostra que a jornada extra-classe é o ponto mais desrespeitado da lei: 15 Estados a descumprem, incluindo São Paulo, onde 17% da carga é fora de classe.(...) O Ministério da Educação afirma que a lei deve ser aplicada imediatamente, mas que não pode obrigar Estados e municípios a isso.

O Estado de São Paulo
"Dilma cobra mais explicações de Lupi"

Indícios de que o ministro usou favores de uma ONG e de empresas agravam sua situação e podem fazê-lo cair antes da reforma ministerial

Os indícios de que Carlos Lupi e seu partido, o PDT, usaram favores de uma ONG e de empresas para contratar aviões a serviço de viagens partidárias agravaram a situação do ministro do Trabalho. Em vez de esperar para definir a situação de Lupi só na reforma ministerial, ano que vem, a presidente Dilma Rousseff vai traçar o futuro dele a partir das novas explicações que ele terá de dar hoje ou amanhã por conta das denúncias. Além disso, Lupi terá de se defender, neste sábado, na reunião do Diretório Nacional do PDT.

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terça-feira, novembro 15, 2011

Harry Belafonte - Jamaica Farewell

Educação

Regras sensatas e adequação ao presente

Sidney Borges
Sobre o problema da agitação dos jovens em salas de aulas, citado no artigo (excelente) do Zé Ronaldo, afirmo com convicção que não haverá solução enquanto as escolas não se adequarem à realidade. A farta tecnologia digital disponível está sendo solenemente ignorada.

É um absurdo vermos, nos dias de hoje, salas de aulas idênticas às de Roma de Nero. Um professor ao lado do quadro negro, empoado de giz, falando para quarenta ou cinquenta jovens. Boring, (chato, aborrecido, enfadonho, tedioso) diria Shakespeare, antes de colocar o fone e mergulhar no rap baixado da internet. (Shakespeare era um homem do povo.)

A educação das massas brasilienses florescerá quando todos os livros, o material didático e os sistemas de avaliação forem digitalizados, interativos, personalizados para cada aluno e com feedback (comentários, pareceres) em tempo real.

Ou isso ou uma sociedade repleta de doutores que mal sabem ler e não conhecem direito as quatro operações.

Como pôr em prática essas idéias?

Com vontade, trabalho e dinheiro, muito dinheiro. Dinheiro, aliás, é um insumo que não está faltando. Nas salas de aulas podemos ver o desperdício materializado em livros quase sem uso e computadores novos servindo de suporte para vasos de hortências. (São lindas, gosto muito.)

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Pitacos filosóficos do Zé


Regras sensatas

José Ronaldo dos Santos
Todas as ideias absolutistas, desde Hobbes até Marx, “embora com motivos ou fundamentos vários”, defendem que o poder estatal seja exercido sem limitações ou restrições. Oposto a isso está o liberalismo “prescrevendo limites e restrições para o poder estatal”. Para aperfeiçoar a cidadania, creio que o ideal seria as pessoas decidirem racionalmente, por convicções práticas, o que é melhor para o conjunto. Vejamos por exemplo.

Ultimamente, nas escolas, esbarramos num dilema: os alunos coisificados ao extremo, instrumentalizados até o último fio de cabelo, se acham no direito de, dentro da sala de aula, em “plena atividade”, ficarem “escutando o som”, manipulando o celular etc. Uma boa porcentagem fica zangada porque o professor pede para guardar os aparelhos; pior são os sem-noção porque querem discutir na imposição de “seus direitos”. Os resultados disso estão aí: os medíocres analfabetos funcionais ganham espaço considerável até mesmo no  ensino superior.

Existem leis que proíbem tais práticas; existem as comprovações de que tais atitudes só favorecem a corrupção, a não cidadania. Então por que não cumpri-las quando o consenso é tão evidente? Afinal, deixar de cumpri-las e não querer aperfeiçoá-las só tem um resultado: a moral miserável de rebanho se consolida mais e mais. Mas... querer que reflitam sobre a razão instrumental, iniciada por Adorno e Horkheimer no princípio do século passado, é pedir demais para quem nem quer perceber o casulo da imbecilidade que o envolve. Só lhe resta explodir: “Essa maldita filosofia!”

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Opinião

O Censo do Ensino Superior

O Estado de S.Paulo - Editorial
Recém-divulgado pelo Ministério da Educação, o último Censo do Ensino Superior não trouxe maiores novidades. Registrou um aumento de 110% no número de estudantes - em 2001, as universidades brasileiras tinham 3 milhões de alunos; no ano passado, eram 6,37 milhões -, dos quais 74,2% matriculados em instituições privadas. O maior crescimento ocorreu nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Mas, apesar desse crescimento expressivo, o País não conseguiu atingir a meta do último Plano Nacional de Educação, em matéria de acesso à universidade. Elaborado em 2000, o Plano previa a inclusão de 30% dos jovens de 18 a 24 anos no ensino superior, até 2010. Em dezembro do ano passado, o número de brasileiros dessa faixa etária matriculados em instituições públicas, privadas ou confessionais de ensino superior era de apenas 17,4%. Para a atual década, o novo Plano Nacional de Educação - que continua à espera de votação do Congresso - prevê a inclusão, até 2020, de 33% da população com idade entre 18 e 24 anos no ensino superior. Trata-se de outra meta difícil de ser alcançada, apesar dos estímulos criados para incentivar as novas gerações a fazerem uma faculdade.

Um desses estímulos foi a criação do Programa Universidade para Todos (ProUni), que concede bolsas de estudos integrais e parciais em cursos de graduação e cursos sequenciais de formação específica em instituições particulares e confessionais de ensino superior. Criado em 2004, o ProUni começou a funcionar efetivamente em 2005.

Outro estímulo foi o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). Foi lançado em 2007 com o objetivo de ampliar a oferta de vagas e reduzir as taxas de evasão nas instituições de ensino superior mantidas pela União. Graças ao Reuni, o número de matrículas nas universidades federais cresceu 86%. Todavia, como o Censo não apresenta o perfil de renda dos alunos, é difícil saber quais foram as classes sociais que se beneficiaram da expansão do acesso ao ensino superior.

Além desses dois programas, o governo também investiu na expansão da rede de ensino a distância, com o objetivo de aumentar o número de estudantes universitários. Em 2001, o País tinha 5.359 alunos matriculados nessa modalidade educacional. No ano passado, eram 930.179 alunos. Atualmente, o ensino a distância - cuja qualidade tem sido criticada pelos pedagogos - responde por 14,6% das matrículas de graduação no ensino superior. O ministro Fernando Haddad reconhece que o ritmo de expansão da educação não presencial - em que a idade média dos alunos é de 33 anos - poderia ter sido bem maior do que o registrado pelo Censo, mas alega que o governo procurou contê-lo por não conseguir garantir padrão mínimo de eficiência pedagógica. Nos cursos de graduação presenciais, a idade média dos estudantes é de 26 anos.

O Censo também registrou que 6 em cada 10 alunos de ensino superior estudam à noite. Entre 2001 e 2010, as matrículas nos cursos noturnos pularam de 56,1% para 63,5%. Nas universidades federais predominam os cursos diurnos, frequentados por 70% dos estudantes. Já nas universidades privadas, 71,8% dos alunos estudam à noite. As mulheres continuam sendo maioria - no ano passado, 57% dos estudantes de graduação eram do sexo feminino, porcentagem que se mantém estável desde 2001. Em 2010, o número de formandos foi de 973 mil - mais do que o dobro do registrado em 2001.

O Censo é um retrato estatístico da realidade do ensino superior. Com base nele, as autoridades educacionais podem planejar políticas para o setor. Para os especialistas, além de ter registrado que o País não conseguiu atingir as metas do último Plano Nacional de Educação, o Censo de 2010 revela que o Brasil continua com taxas de escolarização bem abaixo do Chile e da Argentina. O Censo mostra ainda que a maioria dos universitários estuda em instituições cujo nível médio de qualidade está muito abaixo do das universidades mais conceituadas. Essas informações mostram o quanto o Brasil ainda precisa investir para aprimorar um sistema educacional que sempre primou pela falta de qualidade.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 15 / 11 / 2011

Folha de São Paulo
"Ministro aprovou 7 sindicatos fantasmas" 

Lupi deu registro a entidades que representam indústrias inexistentes
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O ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), concedeu registro a sete sindicatos patronais no Amapá para representar setores da indústria que não existem no Estado. Os certificados saíram a pedido do deputado Bala Rocha (PDT-AP), que afirma ter se valido da proximidade partidária com Lupi. Nenhum dos presidentes dos sindicatos é industrial. Eles são motoristas de uma cooperativa controlada por um aliado de Rocha. As entidades, sem estrutura montada, têm direito a receber imposto sindical. O ministério foi avisado pela Federação das Indústrias do Estado do Amapá de que esses sindicatos não tinham a quem representar. Mas a pasta alegou que “não cabe ao ministério apurar se os integrantes da entidade possuem indústria no ramo ao qual pretendem representar”. O Ministério do Trabalho nega ter cometido irregularidades.

O Estado de São Paulo
"Mercado pressiona e pede alto por papéis de Itália e Espanha"

Mudança de governo em Roma não convence investidores; o mesmo acontece com a Espanha, que terá eleições

A pressão dos investidores contra a Itália e a Espanha voltou a crescer nos mercados da Europa. Em um sinal de que os investidores continuam apostando na instabilidade política nos dois países – o primeiro com um novo governo e o segundo com eleições previstas para o fim de semana -, o ágio pelos papéis voltou a superar a casa dos 6% ontem. O custo da falta de credibilidade é elevado: só a Espanha espera refinanciar € 7,5 bilhões nesta semana. Em encontro, o partido da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, defendeu medidas duras contra países do euro que não controlam suas contas.

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segunda-feira, novembro 14, 2011

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Opinião

Os culpados devem ser punidos

Sandra Cavalcanti - O Estado de S.Paulo
Retomo nossas conversas, após um solicitado descanso. Senti saudades dos leitores do nosso Estadão. Foi bom receber as suas amigáveis cobranças, que me deixaram muito feliz. Mas ao retornar vejo que o tempo passou voando, o mundo conseguiu ficar mais confuso, o Brasil, mais corrompido e as pessoas, mais anestesiadas!

Com a parafernália dos equipamentos moderníssimos de comunicação, as férias mudaram. Antigamente a gente dizia: fulano tirou férias. Ou, então, beltrano entrou em férias. Ou, ainda, sicrano saiu de férias. Hoje a gente não tira, nem entra, nem sai... Férias? Sim, mas nem tanto. O telefone celular, o rádio, a TV, os iPads da vida, enfim, a internet, que cobre todo o planeta, acabou com essa conversa de férias.

Enquanto estive ociosa, Brasília ferveu. Um tsunami de corrupção derrubou mais alguns da quadrilha que se instalou no poder (a definição de quadrilha está consagrada pelo Supremo e pela Promotoria...). A economia, apesar de todas as providências, dá evidentes sinais de engarrafamento. As mortes nas estradas e nas metrópoles continuam sendo um massacre.

O ex-presidente segue dando as cartas, mantendo sua "troupe" em cena. A substituta imita a atitude de leniência e cumplicidade do seu mentor. Os crimes são apelidados carinhosamente de malfeitos. Os atores são substituídos por "dublês". No enredo da peça não se mexe. A plateia continua fiel, bate palmas e come pipoca!

Se não fosse a corajosa luta da imprensa, não saberíamos de nada, porque, no que depende da vigilância e da seriedade dos que ocupam o poder e decidem como usar os recursos públicos, o assalto continuaria à vontade...

Pior ainda é o alargamento do comando que o Estado quer exercer sobre todos os cidadãos. Um comando voraz, que não se contenta com pouco. Em troca de suposta melhoria nas condições de vida dos mais pobres, o Estado estende sobre eles a sua rede de tirania. E usa a área da educação, de preferência. O MEC vem sendo o mais solerte instrumento da limitação da liberdade de pensar. Os livros didáticos são ideologicamente filtrados. As escolas públicas estão sob controle partidário. As ONGs que atuam em áreas sociais e esportivas, em sua maioria, estão subordinadas aos políticos das famosas "bases". Enfim, tudo dominado, como dizem os mafiosos.

Difícil escolher, entre tantos, o episódio que mais me escandalizou nesse período. Terá sido o da área do esporte? Ou o da agricultura? Ou o dos transportes? Ou a inacreditável incompetência do MEC no caso do Enem, comandado pelo candidato ungido para governar a cidade de São Paulo? De lascar, não?

E não é que acabei escolhendo outro malfeito? O descaramento do deputado que preside (!) a Comissão de Justiça da Câmara. Na calada da noite, como um legítimo malfeitor, ele encaixou, sorrateiramente, na pauta o projeto que anistia os indiciados pelos crimes do mensalão. Inacreditável! Se não fosse a presença de um vigilante representante do povo, a quadrilha do mensalão poderia livrar-se de ser atingida pela decisão que o STF deve tomar por estes dias: considerar a Lei da Ficha Limpa válida já para as eleições de 2012.

Pois é, no mundo cibernético de hoje, as férias são assim: onde quer que estejamos, o mundo está ao nosso lado, à nossa volta, ao nosso alcance. Quando retornamos, não há novidades. Há velhas maracutaias, velhas trapaças, velhas artimanhas. Tudo velhacaria. Bem velha e conhecida. Normalmente, tudo isso causa decepção e pode até estragar nossas difíceis férias. Não foi o meu caso. Ainda assim, continuo a acreditar que a criatura humana vale a pena. Vale nosso esforço para fazer o certo. Entre o benfeito e o malfeito, devemos continuar lutando pelo bem!

O risco, no mundo de hoje, é a despersonalização da culpa e a certeza da impunidade. Essa é a ideologia de muita gente! O sujeito rouba, mas não é para ele, é pela causa. Mente, mas não é pelo seu interesse, é pela causa. Até mata, mas não por sua vontade, é pela causa. Ele não é pessoalmente culpado, por isso não merece ser punido. Gente assim jamais reza como um bom cristão: "Minha culpa, minha tão grande culpa".

O Brasil está passando uma fase extremamente perigosa, que exige de nós todos um esforço de permanente vigilância.

Em vários artigos ao longo destes quase 15 anos critiquei (e continuo a criticar) nosso sistema eleitoral e nosso regime de governo. Acho que nosso presidencialismo é muito chegado a uma ditadura esclarecida, do tipo positivista. E nosso sistema eleitoral é o responsável direto pela fraqueza do eleitor. Sempre revelei preferência pelo parlamentarismo e pelo voto distrital misto. Mas não acho que a corrupção endêmica que tomou conta do País seja consequência de não termos adotado tais formas de governar. A corrupção não nasce por causa disso.

É preciso entender que as leis servem apenas para orientar a nossa convivência, como sociedade. Mas nosso comportamento como pessoas depende de nossos valores, do uso de nosso discernimento e da nossa liberdade. Não dependemos de governos, partidos e líderes para sermos honestos e verdadeiros. Os valores morais é que nos mostram o caminho do bem e da verdade, são eles que impedem o ser humano de praticar atos ilícitos. Quando não são importantes na vida das pessoas, não há sistema que impeça um lamaçal de corrupção e de maldades.

Caráter, consciência, amor à verdade e ao próximo, generosidade, fidelidade, responsabilidade, respeito ao alheio, senso de justiça, são essas as virtudes que comandam a vida pública. Abandoná-las é decisão pessoal. Toda culpa é pessoal. Ela é decorrente do mau uso da liberdade. A culpa é tão intransferível quanto as virtudes. Nossa luta é convencer nosso povo a se comportar de acordo com essa visão ética. Por isso devemos sempre querer que os culpados sejam punidos.

Sandra Cavalcanti é professora e jornalista, foi deputada federal constituinte. E-mail: sandra_c@ig.com.br

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 14 / 11 / 2011

Folha de São Paulo
"Rocinha é ocupada sem tiros, mas teme o futuro" 

Ação do governo preocupa moradores, dominados pelo tráfico há 30 anos
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As forças de segurança do Rio retomaram ontem o controle das favelas da Rocinha e do Vidigal, as principais da zona sul da cidade. As duas áreas estavam dominadas pelo tráfico de drogas havia mais de 30 anos. Anunciada dez dias antes, a operação envolveu cerca de 3.000 pessoas e não encontrou resistência armada. Nenhum tiro foi disparado. A única ação do tráfico foi derramar óleo nos acessos ás favelas. Moradores temem pela falta do assistencialismo dos traficantes. “O Nem pagava aluguel de quem precisava, dava cesta básica, ajudava as creches. Quero ver o governo fazer isso”, disse X; que não se identificou. Chefe do tráfico na região desde 2005, Nem explorava os serviços clandestinos de gás, transporte alternativo e TV a cabo. O governo tem agora o objetivo de regularizar atividades básicas, como coleta de lixo.

O Estado de São Paulo
"Depois de ocupar Rocinha, Rio quer mais 21 UPPs até a Copa"

Ação ainda retomou o controle do Vidigal e da Chácara do Céu, ampliando cinturão de segurança da cidade

Em apenas duas horas e sem disparar nenhum tiro, as forças de segurança do Estado do Rio ocuparam as Favelas da Rocinha, do Vidigal e da Chácara do Céu, entre o fim da madrugada e o inicio da manhã de ontem. A ação completou o processo de pacificação das favelas da zona sul e fechou o cinturão das regiões do centro e da grande Tijuca, essenciais para a segurança da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. Rocinha e Vidigal receberão nos próximos meses a 19ª Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Responsável por uma área onde vivem 80 mil pessoas, a unidade será a maior instalada até o momento. Ontem, a cúpula da segurança no Estado garantiu que a meta de ter mais 21 delas até a Copa está garantida, apesar da atual dificuldade de recrutar policiais. O cronograma para a criação dessas UPPs porém, ainda não foi definido.

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domingo, novembro 13, 2011

Arte

Mural - Revolução contra a ditadura porfiriana - 1957/60 - Castelo de Chapultepec

Siqueiros

David Alfaro Siqueiros (1896-1974) foi um dos maiores pintores mexicanos e um dos protagonistas do muralismo mexicano, juntamente com Rivera e Orozco.

Siqueiros nasceu em Chihuahua, no México. Frequentou a Academia de Bellas Artes de San Carlos e já aí se revelava a sua faceta de ativista político. De fato, a atividade artística de Siqueiros foi sempre acompanhada de uma intensa atividade política e foi, em si própria, uma atividade política.

Vulcão em erupção, 1960

Comunista radical (estalinista convicto), esteve preso durante dois anos por ordem do Partido Comunista Mexicano, do qual foi expulso, lutou na guerra civil espanhola contra as tropas de Franco e, mais tarde, foi acusado de uma tentativa de assassinato a Trotsky, pelo que, depois de algum tempo fugido, foi preso e exilado no Chile.

Siqueiros fez pintura de cavalete, mas distinguiu-se principalmente pela pintura mural, onde foi um inovador em termos técnicos. Ele tinha uma grande preocupação em experimentar novos materiais e novas técnicas, tendo a sua investigação nesta área sido uma importante contribuição para a pintura mural.

A grande temática da sua obra é a revolução mexicana e o povo mexicano, que ele representa como o protagonista da luta por uma sociedade melhor, a sociedade socialista utópica. A sua pintura é uma pintura de intervenção política, de crítica da sociedade capitalista e de defesa dos ideais comunistas, que em Siqueiros assumem uma dimensão monumental pela força e franqueza das suas convicções.

Da sua obra destacam-se Eco de um Grito (1937), Etnografia (1939), Coronelazo (1939), La Nueva Democracia (1939), Las Victimas de la Guerra (1939) Las Victimas del Fascismo (1939) e La Marcha de La Humanidad en America Latina (1965-1971).

Siqueiros também trabalhou nos Estados Unidos, o seu afresco no Plaza Art Center Tropical America - Opressed and destroyed by the imperialists, causou uma indignação tão grande que ele foi obrigado a sair do país para não ser deportado.

Siqueiros morreu em 1974, na Cidade do México.

Entre 1922 e 1971 Siqueiros pintou uma superfície total de 9.000 metros quadrados, divididos por 17 edifícios no México, 3 nos EUA, 1 na Argentina, 1 no Chile e 2 em Cuba.

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