sábado, outubro 22, 2011

Líbia

Colunistas

O coração do capeta

Dedicado a Naomi Klein, onde quer que você esteja

Márcia Denser
Esta semana recebi a newsletter completa de Naomi Klein, Occupy Wall Street: The most important thing in the world now, esta ativista política e pesquisadora canadense, que apareceu bombando a partir dos anos 90 com o calhamaço NO LOGO, e de quem sou tiete de longa data (tomo meus leitores e muitas colunas por testemunho). No Logo foi uma revolução e uma revelação: uma superpesquisa atestando exaustivamente a idéia de branding como central para a globalização na conquista de corações e mentes (das almas, seria o termo preciso) em todo o planeta – “agora, o que se vende – e o que você compra – não são coisas, objetos, mas modos de vida, conceitos, estilos, grifes, assinaturas”. Ou seja, porra nenhuma. Detone-se a produção. Literalmente.

Mas falhando (ou não) o MacWorld (ou a MacJihad, dá na mesma), recorre-se às armas (até porque Pizza Hut e Wall Mart já vem no mesmo kit com as Uzis, M-16, AK-47 – destruição & salvação embrulhadas pra presente, com os melhores votos de tio Sam), ao “bomb now, die later”, ao arrocho, à neo-colonização das populações do planeta via financeirização, donde o capitalismo de cassino, de vudu, de compadres – estratégias manjadíssimas empregadas pelos EUA e subparceiros ­ – a partir de 2000 (pós-guerras do Golfo, Afeganistão, Iraque – nesta ordem), daí que Naomi retorna em 2008 com outro livro, outra pesquisa capital, A Doutrina do Choque – a ascensão do capitalismo de desastre (Rio, Nova Fronteira). Neste, Klein percorre as ruínas decorrentes dos choques econômicos (os PAE – Planos de Ajuste Econômico), impostos pelo FMI e Consenso de Washington, do Chile à Polônia, da Argentina à Inglaterra, da Rússia ao Iraque, traçando o mapa do capitalismo do desastre.

Uma vez que para os adeptos de Milton Friedman & asseclas neoconservadores, as ditaduras pecavam “apenas” por alguns abusos nos direitos humanos, “por um zelo excessivo pela ordem”, como se a imposição do modelo da Escola de Chicago não implicasse em duras perdas às populações dos países-alvo. Para dizer o mínimo.

Fugindo das soluções fáceis e vícios ideológicos, NK vai fundo nas questões políticas, sociais, econômicas, traçando sólidos nexos entre as mesmas, perseguindo sua lógica oculta, expondo-lhe a retórica de meia tigela, a conversinha pra boi dormir alardeada pela mídia hegemônica, desde as enchentes de New Orleans às devastadas praias do Sri Lanka pós-tsunamis, passando por zonas verdes, vermelhas e ground-zeros.

Então, neste outubro, Naomi reaparece, naturalmente em Wall Street, e naturalmente do lado errado da sorte. Na Liberty Plaza, dá seu recado emocionado, levantando questões extremamente pertinentes, embasadas em sua longa militância, sua experiência, sua milhagem imbatível por justiça social.

Naomi: “Se há uma coisa que sei é que o 1% adora uma crise. Quando as pessoas estão desesperadas e em pânico, e ninguém parece saber o que fazer, este é o momento ideal para nos empurrar goela abaixo a lista de políticas pró-corporações: privatizar a educação e a seguridade social, cortar os serviços públicos, livrar-se dos últimos controles sobre o poder corporativo. Com a crise econômica, isso está acontecendo no mundo todo. Só existe uma coisa que pode bloquear essa tática e, felizmente, é algo muito grande: os 99%. Esses 99% estão tomando as ruas, de Madison a Madri, para dizer não, nós não vamos pagar pela sua crise. Esse slogan começou na Itália em 2008. Ricocheteou para Grécia, França, Irlanda e finalmente chegou a esta milha quadrada onde a crise começou. Por que eles estão protestando? perguntam-se os comentaristas da TV. Mas o mundo responde com outra pergunta: por que vocês demoraram tanto? E, acima de tudo: bem-vindos!”.

“Muitos já estabeleceram paralelos entre o Ocupar Wall Street e os protestos anti-globalização de Seattle, em 1999. Foi a última vez que um movimento descentralizado, jovem e global fez mira direta no poder das corporações.  Contudo, há diferenças importantes. Por exemplo, nós escolhemos as cúpulas como alvos: a Organização Mundial do Comércio, o Fundo Monetário Internacional, o G-8. Mas cúpulas são transitórias por natureza, só duram uma semana. Isso fazia com que nós fôssemos transitórios também. Aparecíamos, éramos manchete no mundo todo, depois desaparecíamos. E na histeria hiper-patriótica e nacionalista que se seguiu aos ataques de 11 de setembro de 2001, foi fácil nos varrer completamente do mapa.”

“O Ocupar Wall Street, por outro lado, escolheu um alvo fixo. E ninguém estabeleceu uma data final para nossa presença aqui. Isso é sábio: só quando permanecemos, assentamos raízes. Isso é fundamental. É um fato da era da informação: muitos movimentos surgem como belas flores mas morrem rapidamente. E isso ocorre porque não criam raízes. Não têm planos a longo prazo para se sustentar. Por isso, quando vem a tempestade, são varridos. Mas a grande diferença é que, em 1999, encarávamos o capitalismo no cume de um boom econômico alucinado. O desemprego era baixo, as ações subiam. A mídia estava embriagada com o dinheiro fácil. Naquela época, tudo era empreendimento, não fechamento. Nós apostávamos que a desregulamentação por trás da loucura cobraria um preço. Que ela danificava os padrões laborais. Que ela danificava os padrões ambientais. Que as corporações eram mais fortes que os governos e que isso danificava nossas democracias.”

“Enquanto rolavam os bons tempos, a luta contra um sistema econômico baseado na ganância era algo difícil de vender (por incrível que pareça). Pelo menos nos países ricos. Dez anos depois, parece que já não há países ricos. Só um bando de gente rica. Gente que ficou rica saqueando a riqueza pública e esgotando os recursos naturais ao redor do mundo. A questão é que hoje todos são capazes de ver que o sistema é profundamente injusto e está cada vez mais fora de controle. A cobiça sem limites detona a economia global. E está detonando também o mundo natural. Estou falando de mudar os valores que governam nossa sociedade. Essa mudança é difícil de encaixar numa única reivindicação digerível para a mídia, e é difícil descobrir como realizá-la. Mas não é menos urgente por ser difícil.”

Oi, voltei, sou eu novamente: de fato, olhando retrospectivamente 1999 – especificamente os esparsos protestos antiglobalização de Seattle – e hoje, 2011 – doze anos depois – e o movimento Occupy Wall Street, percebo que os 99% do planeta finalmente atingiram o coração do capeta. Evidente que ele vai chiar de todas as formas possíveis e imagináveis. Mas nós chegamos lá.

Sobre o autor

Márcia Denser
A escritora paulistana Márcia Denser publicou, entre outros, Tango fantasma (1977), O animal dos motéis (1981), Exercícios para o pecado (1984), Diana caçadora/Tango Fantasma (Global,1986, Ateliê, 2003,2010, 2a.edição), A ponte das estrelas (Best-Seller,1990), Caim (Record, 2006), Toda prosa II - obra escolhida (Record, 2008). É traduzida em nove países e em dez línguas: Alemanha, Argentina, Angola, Bulgária, Estados Unidos, Espanha (catalão e galaico-português),Holanda, Hungria e Suíça. Dois de seus contos - "O vampiro da Alameda Casabranca" e "Hell's Angel" - foram incluídos nos Cem melhores contos brasileiros do século, organizado por Ítalo Moriconi, sendo que "Hell's Angel" está também entre os Cem melhores contos eróticos universais. Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, é pesquisadora de literatura e jornalista. Foi curadora de literatura da Biblioteca Sérgio Milliet em São Paulo.

Outros textos do colunista Márcia Denser.

Publicado originalmente no "congressoemfoco".

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Opinião

O incerto futuro da Líbia

O Estado de S.Paulo - Editorial
Como se o acaso quisesse pôr os fatos históricos em pratos limpos, a última incursão da Aliança Ocidental na Líbia pulverizou a já desacreditada versão de que a Otan se engajou no país apenas para impedir que o ditador Muamar Kadafi cumprisse a ameaça de massacrar as populações dos redutos da insurgência contra a sua tirania de quase 42 anos. Invocando justificadas preocupações humanitárias, a resolução do Conselho de Segurança (CS) aprovada por 10 votos e 5 abstenções (entre elas as do Brasil e da Alemanha), autorizou em março o abate de aviões líbios na zona de exclusão aérea a ser imposta "por todos os meios necessários".

A expressão não tardou a assumir o sentido desejado por seus autores. Primeiro, com os bombardeios às tropas do regime a caminho dos bastiões inimigos. Em seguida, com as investidas contra as casamatas de Kadafi em Trípoli. Depois, coordenando os seus ataques com as sortidas rebeldes às quais davam apoio logístico. Sem isso, os insurgentes não teriam tomado praticamente todo o território líbio e, por fim, a desguarnecida capital, onde o Conselho Nacional de Transição (CNT) procura harmonizar as diferentes facções e tribos que se ergueram contra Kadafi.

Por todos os meios necessários, portanto, a França, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, nessa ordem, permitiram que o país se livrasse de um déspota desvairado, que passou 42 anos fomentando o terrorismo, incluindo ataques a bases militares na Europa e a infame explosão de dois jatos comerciais, um sobre o Níger e outro sobre a Escócia, matando 440 pessoas. Mas ele já tinha trocado de lado: desistiu de ter a bomba atômica, passou a esmagar com a mão dura de sempre os fundamentalistas islâmicos, aliou-se aos EUA contra a Al-Qaeda e abriu o petróleo líbio à ENI italiana, à Total francesa e à BP do Reino Unido, entre outras gigantes do setor.

Em 2007, armou sua tenda, literalmente, em um jardim do centro de Paris e fechou negócios biliardários com o presidente Nicolas Sarkozy. No mesmo ano, recebeu na sua própria tenda em Trípoli o então premiê britânico Tony Blair, que voltou com a autorização para que as Forças Especiais do Reino Unido pudessem treinar nos desertos líbios. E nesse estado de graça estavam as relações dos líderes democratas do Ocidente com o tirano homicida quando um vendedor ambulante tunisino se imolou em protesto contra o déspota Zine Ben Ali. Surgia a Primavera Árabe - e tudo saiu do lugar.

A reação pavloviana de Sarkozy foi defender seu aliado em Túnis. O britânico David Cameron, de início, fez o mesmo em relação ao ditador egípcio Hosni Mubarak, enquanto o americano Barack Obama ficava em cima do muro. Mas a rua árabe os levou a corrigir o rumo. Quando o fogo se alastrou para a Líbia, deram-se conta de que estavam diante de uma oportunidade excepcional para resgatar os interesses estratégicos e econômicos de seus países, e a sua imagem política nas antigas colônias ou áreas de influência. Bastava agir, dessa vez, no lado certo. Foi o que terminaram de fazer na quinta-feira, quando caças franceses e americanos destruíram uma caravana de veículos que tentavam escapar de Sirte, terra natal de Kadafi, invadida pelos rebeldes.

Ele foi um dos poucos a escapar, escondendo-se numa tubulação. Encontrado, foi sumariamente executado, enquanto a multidão em volta uivava. No Iraque, Saddam Hussein pelo menos teve direito a julgamento. A selvageria em Sirte indica que será mais do que "tortuoso", como até Obama admitiu, o caminho da Líbia para a democracia - se for possível chegar a ela na Líbia. Ajuntamento de tribos com mais rivalidades do que pontos em comum, a Líbia carece de líderes e forças políticas nacionais. Faltam-lhe ainda cultura cívica e experiência para construir as instituições livres que o país nunca teve em 60 anos de vida independente.

Na esfera internacional, a forma brutal como Kadafi terminou os seus dias reaviva o debate sobre as intervenções "humanitárias" armadas em conflitos internos com feições de guerra civil.

É um problema de legitimidade e também de coerência. Por que na Líbia de Kadafi sim, e na Síria de Assad não?

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Manchetes do dia

Sábado, 22 / 10 / 2011

Folha de São Paulo
"Esporte cobrou 10% de propina, afirma pastor" 

Fundador de igreja que obteve R$ 1,2 mi afirma que dois emissários do ministério exigiram dinheiro para PC do B
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O fundador de uma igreja que obteve R$ 1,2 milhão do Ministério do Esporte diz ter sido pressionado por emissários da pasta a dar 10% da verba ao PC do B, partido do ministro Orlando Silva. O pastor David Castro é o segundo a acusar a pasta de irregularidade em convênio.

O Estado de São Paulo
"Mulher de Orlando levou verba pública"

Empresa de Anna Petta foi contratada por ONG do PC do B que recebeu recursos para realizar documentário do Ministério da Justiça

Documentos mostram que Anna Cristina Lemos Petta, mulher do ministro Orlando Silva (Esporte), recebeu verba da União por meio de ONG comandada por filiados ao PC do B. A informação foi antecipada pelo estadão.com.br. A descoberta complicou a situação do ministro, de acordo com o Planalto. Anna Petta assina o contrato entre a empresa Hermana e a ONG Via BR. A entidade recebeu R$ 278,9 mil em novembro de 2010 e subcontratou a Hermana, empresa de produção cultural criada pela mulher do ministro e sua irmã Helena. A Hermana foi criada menos de sete meses antes do negócio com a ONG. A empresa de Anna Petta prestou serviços para documentário encomendado pelo Ministério da Justiça. Pelo trabalho, Anna Petta recebeu R$ 43,5 mil. Procurada pelo Estado, ela não se manifestou até o fechamento desta edição.

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sexta-feira, outubro 21, 2011

Pitacos do Zé


Viajando e respeitando

José Ronaldo dos Santos
“A vida da gente é uma passagem, uma viagem com ponto certo para desembarcar. E não tem como comprar outro bilhete para outro ponto”. Esta fala do vô Estevan me fez recordar de uma pessoa recentemente falecida: Jorge Matsuoka, que trabalhava, na minha infância como cobrador de ônibus. Ele tinha uma espécie de alicate que picotava o bilhete (a passagem) de acordo com o lugar de desembarque. Explico melhor: naquele pedacinho de papel existiam demarcações (limites) de distâncias: conforme o lugar pretendido (o destino) havia um preço. Então, numa viagem de Ubatuba a Caraguatatuba, havia espaços para serem perfurados em quatro pontos ou cinco diferentes. Quer dizer que a viagem tinha preços diferenciados e não somente dois preços como hoje (Ubatuba – Maranduba – Caraguatatuba).

É impressionante a força das imagens. Consigo ver o Jorge, depois de tanto tempo, se equilibrando pelos corredores durante o trajeto, marcando passagens, dando troco e sendo simpático com todo mundo. E ainda: trazia um quepe e uma farda marrom. De igual modo se trajava o motorista. Lembravam os patrulheiros rodoviários, mas sem revólveres na cintura. O impressionante é que tem uns jovens da atualidade que, ao ouvirem isso a eles, dizem; “Que coisa mais atrasada!”.

É coisa atrasada viajar pagando de uma forma mais justa, ter um cobrador em cada ônibus nos sorrindo, dando informações? E o que me dizem de um cobrador e um motorista com autoridade e sendo respeitado por todos os passageiros? (Só em casos extremos o condutor do coletivo dava sinal para alguma “baratinha” (carro da polícia) ou estacionava direto em frente a delegacia, onde o engraçadinho ficava recolhido.

Coisa maravilhosa para as crianças: viajar de ônibus, ocupar o lugar perto da janela. Ficar quase o tempo todo em pé para enxergar mais longe pela janelinha e ver as belezas que não nos cansam jamais. Tempo bom!

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Henri Cartier Bresson

Coluna do Celsinho

Além das nuvens

Celso de Almeida Jr.
Mataram o Kadafi.

Vai para o céu?

Encontrará Osama, Sadam e outros meninos mimados?

Pode ser...

Enquanto isso - neste planeta fantástico - criaremos novos malucos.

O povo, doidinho que faz dó, gosta de salvadores da pátria.

Tipos extravagantes, polêmicos, preferencialmente com poderes infinitos.

No além, receberão os puxões de orelhas de praxe.

O perdão, entretanto, virá.

Creio que o céu funciona como o Brasil.

Mostrando arrependimento, o pecado expira.

Pode-se até virar representante do divino.

Pensando melhor, no caso dos garotos acima, a polêmica celestial não vale o sacrifício.

O Todo Poderoso, na desgastante tarefa de orientar cristãos, muçulmanos, judeus e tantos outros, terá que conciliar as eternas diferenças, acalmar os ânimos, não ferir suscetibilidades.

Mais fácil mandar para o inferno...

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

As provas pedidas

O Estado de S.Paulo
Nos seus depoimentos ao Congresso e em declarações à imprensa, o ministro do Esporte, Orlando Silva, do PC do B, recorreu a um repertório de impropérios impublicáveis para desqualificar o PM João Dias Ferreira, que o acusou de participar de um esquema de fraudes com recursos do programa Segundo Tempo, criado para proporcionar atividades esportivas a jovens carentes. O ministro também insiste a mais não poder no argumento de que o denunciante, que esteve preso no ano passado, não apresenta provas de suas "calúnias" - e nem poderá apresentá-las, por não existirem.

Vá dizê-lo ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que anunciou anteontem a iniciativa sem precedentes de pedir nos próximos dias ao Supremo Tribunal Federal (STF) abertura de inquérito contra o ministro ainda no exercício da função, "considerando a extrema gravidade dos fatos noticiados". Naturalmente, Gurgel diz que não se pode fiar "apenas nas declarações de uma única pessoa", mas elas merecem ser examinadas com toda a atenção, incluindo eventualmente a quebra dos sigilos de Orlando Silva. Uma investigação na mais alta Corte - o foro próprio para detentores de cargos federais e membros do Parlamento - será a gota d'água para tornar intolerável a permanência do acusado no governo.

Fechando o círculo, o procurador avalia a hipótese de pedir ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) que remeta ao Supremo o inquérito em curso naquela Corte contra o antecessor e ex-correligionário do ministro, o atual governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, agora filiado ao PT. "Há um relacionamento muito intenso entre os fatos", sustenta Gurgel para justificar a unificação das apurações. Os indícios parecem incontestáveis. Agnelo assumiu no início do primeiro governo Lula e nomeou Orlando secretário executivo da pasta. Em 2006, quando Agnelo se afastou na busca frustrada de uma cadeira no Senado, o sub foi para o seu lugar e nele foi confirmado, depois, pela presidente Dilma Rousseff a pedido do seu mentor Lula.

Conforme as evidências, o que começou com Agnelo continuou sem interrupção com Orlando - a assinatura de convênios com organizações não governamentais (ONGs) fictícias ou sem a mais remota condição de cumprir os contratos firmados nem o menor interesse em usar em benefício público os valores recebidos. Evidentemente, deviam pagar pedágio aos contratantes, os quais o repassavam, não necessariamente por inteiro, ao caixa 2 do PC do B, ao qual, aliás, os conveniados estavam filiados. Do inquérito que chegou ao STJ consta uma detalhada (e sórdida) descrição da entrega, em agosto de 2007, de uma mochila com R$ 256 mil ao então ministro Agnelo no estacionamento de uma concessionária de veículos na cidade-satélite de Tabatinga.

O autor do relato à Polícia Civil do DF é um certo Geraldo Nascimento de Andrade, motorista de uma das empresas fornecedoras de notas frias para encobrir desvios de recursos do Segundo Tempo. Qualquer que seja a sua folha corrida, o depoimento soa verdadeiro, pela profusão dos fatos narrados. O mesmo se pode dizer da entrevista do PM João Dias à revista Veja, confirmando as revelações publicadas neste jornal em fevereiro último. Filiado ao PC do B, o policial registrou duas ONGs que se conveniaram, a partir de 2005, com o Ministério do Esporte. Ele adquiriu um punhado de carros de luxo - e não foi propriamente com o seu soldo. Mas isso não torna menos verossímeis as suas acusações a Orlando nem inibiu o procurador-geral de procurar o STF.

Tampouco a esbórnia é coisa do passado. Em agosto último, por exemplo, o Ministério do Esporte prorrogou por um ano um convênio de 2009 no valor de R$ 911 mil com uma ONG de fachada, como se viria a saber, para criar núcleos esportivos para 2,2 mil crianças em Novo Gama, Goiás, no entorno do DF, embora nem um grão de poeira tivesse sido tirado do lugar ali nesse período. Enquanto isso, R$ 393 mil do Tesouro Nacional já mudaram de mãos. O convênio foi usado na campanha eleitoral do PC do B no ano passado. Quando o Estado divulgou o caso, há oito meses, o ministro prometeu uma sindicância para "apurar e punir". Não fez nem uma coisa nem outra.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 21 / 10 / 2011

Folha de São Paulo
"Gaddafi é capturado e morto" 

Desaparecido desde agosto, ditador que há mais tempo exercia o poder - 42 anos - foi preso em sua cidade natal
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Muammar Gaddafi, 69, ditador da Líbia por mais de 42 anos, foi morto no cerco a Sirte, sua terra natal. Desaparecido desde agosto, quando os rebeldes tomaram Trípoli, em um conflito que se arrastava desde fevereiro, Gaddafi era o mais longevo dos ditadores no poder em todo o mundo.  

O Estado de São Paulo
"Ditador Muamar Kadafi é morto"

Líder líbio foi capturado vivo e suspeita-se de execução sumária. Multidões saem às ruas para comemorar a 'Líbia livre'. Obama pede transição para democracia e adverte outros ditadores

De forma sangrenta, a Líbia encerrou ontem a ditadura de 42 anos de Muamar Kadafi. Em circunstâncias ainda não esclarecidas, o ditador foi morto durante a fuga de seu comboio de sua cidade natal, Sirte, último reduto do antigo regime. "Eu gostaria de tê-lo capturado vivo. Mas ele está morto",disse o dirigente rebelde Mabmoud Jibril. Quase indiferentes às suspeitas de uma execução sumária, multidões festejaram nas ruas, de Trípoli o que consideram ser a "Líbia livre": “Eu ainda não consigo acreditar que ele se foi. Nós nunca tínhamos experimentado essa sensação antes", disse um jovem líbio que comemorava. O presidente dos EUA, Barack Obama, pediu a construção de uma Líbia democrática e advertiu outros líderes árabes que ditaduras "inevitavelmente chegam a um fim". 

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quinta-feira, outubro 20, 2011

Chapa 2 na cabeça!


Arquitetos, uní-vos

Colegas, finalmente chegou a hora de montar nosso próprio Conselho de regulamentação profissional. Desde 1933, em decreto assinado por Getúlio Vargas, os arquitetos brasileiros vivem ensacados num conselho multiprofissional no qual fomos sempre eterna minoria.

Nele, nunca conseguimos implantar as regras que pretendíamos para valorizar nossa profissão, exercer o domínio da organização e construção dos espaços destinados ao uso das atividades humanas e dos espaços urbanos com a exclusividade que nossa formação universitária nos assegurou para o benefício da Sociedade.

Enquanto na prática os trabalhos entre os mais diversos profissionais sempre se complementaram formando parcerias exemplares, dentro do Sistema CONFEA/CREAs sempre predominou o rolo compressor que nos impediu a exclusividade de nosso mercado de trabalho, ocupado por calígrafos protegidos pela inércia do próprio Sistema. O jogo de interesses sempre falou mais alto, e, enquanto minoria, perdíamos.

Existem cerca de 180 paises filiados à UIA –União Internacional dos Arquitetos dos quais somente 8 ainda têm conselhos multiprofissionais.  Destes, 7 são pequenas repúblicas de menor expressão, o 8º é o Brasil.

Estamos atrasados quase cem anos em nossa estrutura profissional.

Somos mais de 37.000 arquitetos no Estado de São Paulo. É um absurdo, é falso e é enganoso o argumento de que não deveríamos sair do Sistema porque teríamos dificuldades operacionais para montar a nova estrutura, fato que prejudicaria os próprios arquitetos. É isso que pensam abertamente sobre os arquitetos, que somos um bando de incapazes de montar uma organização moderna, clara, ética e útil à sociedade.

A Chapa 2 reuniu os nomes mais experientes nessa longa luta por nossa emancipação profissional, completando o grupo com jovens aguerridos conscientes da importância de um novo papel a desempenhar neste século XXI.

Ao futuro, sem cordão umbilical, sem rancores, sem preconceitos.

Renato Nunes/Ubatuba

Acredite se quiser...


Balela!

Sidney Borges
Parece Kadafi. Até a barbicha é a mesma, digo parecida. Não acredite no que você pensa estar vendo. Kadafi está vivinho da silva morando na Patagônia pertinho de Hitler e Elvis. A imagem acima é de um boneco hiper-realista criado pela CIA. Com apoio do PIG.

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Praia americana

Verão de 1953

Capitalismo em crise

Entre Wall Street e a Idade da Pedra

Hélio Schwartsman na Folha.com
A pedidos, comento as manifestações da família do "Ocupe Wall Street" que estão se espalhando pelo mundo. Acredito que elas podem ser úteis, enquanto ajudarem governos esclarecidos a impor uma regulação mais sábia sobre os mercados financeiros. Não é preciso ter pós-graduação em economia pelo Instituto Lênin para reconhecer que, em determinados setores, o Estado precisa criar mecanismos que moderem os apetites de agentes privados, sob pena de produzir megaconfusões como a crise de 2008, cujas consequências o planeta amarga até hoje.

Outro ponto interessante é que esse tipo de movimento, à medida em que lança legiões de jovens numa reflexão sobre o papel das instituições, contribui para arejar e até mesmo desfossilizar a ação política. É em ocasiões como essas que demandas das próximas gerações são incorporadas ao "Zeitgeist", o horizonte de preocupações de uma época.

Isso dito, passo ao que há de preocupante nesses protestos. Eles se sustentam em algumas das forças mais retrógradas da psique humana, que, no passado remoto e recente, coadjuvaram em vários tipos de massacres e genocídios.

Prossigamos com vagar e cuidado, começando pelas noções intuitivas de economia que estão na base das manifestações. Nossos cérebros foram moldados para operar no paleolítico. Ali, as trocas, quando havia, eram todas na base do olho por olho, dente por dente, isto é, um bem concreto, como, digamos, uma caverna confortável por uma mulher, ou uma vaca e três galinhas ou outros produtos e serviços bastante concretos. Nossa psicologia tem dificuldade para lidar com as abstrações matemáticas envolvidas na economia moderna, como dinheiro, lucro, juros, para não mencionar verdadeiros desafios lógicos, como o mercado de derivativos e as alavancagens financeiras.
O resultado é que não temos nenhuma dificuldade para ver operários, artesãos e fazendeiros como produtores de valor. Eles, afinal, transformam coisas de menor valor em alimentos ou objetos dos quais temos necessidade para sobreviver.

O mesmo não se aplica a comerciantes e outros intermediários, aos quais chamamos pejorativamente de "atravessadores" --como se a logística de levar produtos das fábricas e hortas para as gôndolas dos supermercados não valesse nada.

Em pior situação ainda estão os pobres banqueiros (nunca achei que utilizaria o adjetivo "pobres" para qualificar o substantivo "banqueiros", mas para tudo há uma primeira vez). Para nossos cérebros pré-históricos, emprestar dinheiro a juros é muito mais uma exploração do que um serviço. Quase nunca nos vem à mente que os níveis historicamente extraordinários de riqueza global de que hoje desfrutamos, que podem ser medidos em termos de calorias por habitante e até de expectativa de vida, só se tornaram possíveis graças ao comércio e aos mecanismos financeiros.

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Opinião

Alerta contra a censura

O Estado de S.Paulo
Os relatórios apresentados e os debates a respeito da liberdade de imprensa no continente americano realizados durante a 67.ª Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), encerrada terça-feira em Lima, Peru, colocaram em evidência que as ameaças ao direito da livre informação ainda existem no Brasil, mas a situação é muito mais grave, pela existência de uma censura praticamente sistêmica, em outros países como Venezuela, Bolívia, Equador e Argentina. Nesses países, os veículos de informação que não apoiam os respectivos governos são vítimas permanentes das mais variadas formas de perseguição política: censura judicial, pressão econômica, cassação de concessões, leis casuísticas que estabelecem restrições à livre divulgação de notícias e informações, etc. Esse quadro sombrio, se por um lado revela que o Brasil vive, comparativamente, um período de relativa tranquilidade em relação à liberdade de imprensa, por outro lado é um sinal de alerta sobre a necessidade de se preservar esse status diante da permanente ameaça representada por medidas de "democratização dos meios de comunicação", ou do "controle social da mídia", que os dirigentes do PT insistem em preconizar.

O relatório sobre o Brasil foi apresentado por Paulo de Tarso Nogueira, vice-presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa da entidade e consultor do Estado, que deu ênfase ao fato de mais quatro jornalistas brasileiros terem sido assassinados nos últimos seis meses, todos eles envolvidos na investigação de denúncias de corrupção contra autoridades locais. Além disso, Nogueira relatou outros 21 episódios: 2 prisões, 8 agressões físicas, 2 atentados, 3 casos de abuso de poder e 6 outros de censura judicial. Dentre os últimos, destacou a censura judicial que durante meses impediu que o Estado divulgasse informações sobre a Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que envolveu a família e os interesses do senador José Sarney. De acordo com o relatório do representante brasileiro, "é crescente a ampliação do poder discricionário de magistrados, especialmente os de 1.º grau, no julgamento de ações de antecipação de tutela e direito de resposta", o que acaba resultando em flagrante violação da liberdade da imprensa.

Os casos mais graves de censura à imprensa relatados à SIP ocorreram em países dominados por regimes populistas, todos eles praticantes sistemáticos de violações aos direitos humanos levadas a cabo em nome de ideias "libertárias". Sem mencionar Cuba, onde nem sequer existem veículos de comunicação independentes do partido único e do governo, os exemplos mais flagrante de violação do direito à informação - um dos direitos humanos fundamentais - vêm de países dominados por caudilhos adeptos do "socialismo bolivariano" - Venezuela, Bolívia, Equador - ou de populistas, como é o caso da presidente argentina, Cristina Kirchner, cuja ação política é movida por um remoto ideal peronista recondicionado por seu finado antecessor e marido, Néstor Kirchner.

O novo presidente da SIP, o norte-americano Milton Coleman, cidadão de um país onde a liberdade de imprensa é amplamente praticada e respeitada, sob a garantia da Primeira Emenda constitucional, tem muito claras as dificuldades que enfrentará com o tema, por conta da fragilidade das instituições democráticas em muitos países latino-americanos: "Em muitos lugares da América Latina estamos sendo desafiados por governos que querem reduzir os direitos da sociedade de se informar". Para enfrentar esse desafio, aponta alguns caminhos: "Temos de operar mais com as mídias sociais. Achar meios para enfrentar os governos autoritários, que tentam esconder do povo o fato de que, sem imprensa livre, a democracia não pode existir". E concluiu, em entrevista ao repórter Gabriel Manzano, do Estado: "Temos de estabelecer os direitos humanos como parte dos direitos civis. Depois de estabelecê-los, defendê-los. Lembro uma frase de Thomas Jefferson. Ele disse que, se tivesse de escolher entre um governo sem jornais ou jornais sem governo, ficava com a segunda opção".

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 20 / 10 / 2011

Folha de São Paulo
"BC mantém estratégia, e juros caem 0,5 ponto" 

Objetivo da medida é preservar crescimento econômico no ano que vem
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De olho no crescimento da economia em 2012, o Banco Central baixou novamente a taxa básica de juros, que serve como referência para os bancos fixarem o custo de empréstimos. A taxa caiu meio ponto percentual, para 11,5% ao ano. A queda tenta evitar que o agravamento da crise financeira internacional esfrie demais a economia brasileira nos próximos meses. 

O Estado de São Paulo
"Ministério do Esporte renova convênio fantasma até 2012"

Mesmo sem implementar programa no valor de R$ 911 mil, entidade de Goiás tem contrato prorrogado

O Ministério do Esporte prorrogou até agosto de 2012 um convênio de R$ 911 mil do Programa Segundo Tempo com uma entidade de fachada que, apesar de ter assinado o contrato em dezembro de 2009, jamais executou o projeto, no entorno do Distrito Federal. O contrato e com o Instituto de Desenvolvimento da Criança e do Adolescente, entidade registrada na casa de seu dono, Ranieri Gonçalves, em Novo Gama. O convênio fantasma, usado no ano passado como propaganda do partido do ministro Orlando Silva, o PCdoB, foi revelado pelo Estado em fevereiro. Na época, Orlando prometeu “apurar e punir”. A reportagem voltou ontem ao local e tudo permanece igual. Quase dois anos depois da assinatura do convênio, o programa ainda não existe. 

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quarta-feira, outubro 19, 2011

Chuck Berry


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Política

Os doidos sábios e os sábios doidos
 
O Zuccotti Park, a dois quarteirões de Wall Street, é pouco menor do que um campo de futebol. Há três semanas, quem passava por lá via a fauna das causas perdidas. Colchões no chão, batuque e até uma vuvuzela. Um cabeludo flanava no seu skate e uma jovem vestia camiseta e calcinha de flores (um biquíni de vovó, se comparado aos fios dentais).

Havia uma estranha ordem naquele caos. Os canteiros de flores, intocados, e jovens (uma de luvas) recolhiam o lixo.

Os doidos do "Ocupe Wall Street" espalharam-se por 82 países, de Roma a Taiwan. Em todos os lugares, a pergunta é uma só: qual é a agenda dessa gente?

Nesta semana, o ilustrador Barry Blitt (aquele que durante a campanha eleitoral de 2008 desenhou um Obama muçulmano e Michelle com uma metralhadora a tiracolo) matou a charada na capa da revista "The New Yorker". Cinco banqueiros de cartola empunham cartazes e um deles pede: "Deixe as coisas precisamente como estão."

E elas estão assim: com o país tecnicamente fora da recessão, a taxa de desemprego americana está em 9%, a maior desde os anos 40, excetuado um breve repique nos anos 80.

Os lucros das corporações estão no maior nível dos últimos 70 anos, mas os salários bateram no mais baixo patamar desde 1960. Todos os indicadores de renda do andar de cima vão bem, mas querem mandar a conta da ruína para o andar de baixo, cortando políticas sociais, tanto nos Estados Unidos como na Europa.

A patuleia do parque é o novo personagem da crise. Não tem agenda? Em 1967, numa marcha contra a guerra do Vietnã, o poeta Allen Guinsberg propôs que as energias dos manifestantes fossem concentradas para fazer levitar o prédio do Pentágono. O Pentágono não levitou, mas o presidente Lyndon Johnson desistiu de concorrer à reeleição. Em 1989 os tchecos manifestavam-se chacoalhando chaveiros.

Nem os doidos do parque acham que o companheiro Obama desistirá da reeleição, mas ele parece não ter entendido o ronco da rua. No domingo, inaugurando o monumento a Martin Luther King (outro doido), disse que não se deve satanizar "todos aqueles que trabalham" em Wall Street.

Blá-blá-blá, pois ninguém está protestando contra todos os operadores do papelório, mas contra o que a turma do papelório fez à economia mundial, emprestando dinheiro a quem não podia pagar, na certeza de que parolagem do "risco sistêmico" impediria que fossem à garra.

Nos anos 80, salvou-se a ciranda dos sábios da banca quebrando-se a América Latina, inclusive o Brasil. Agora, os Estados Unidos e a Europa estão provando o velho veneno e não gostam dos seus efeitos.

À época, a mágica foi praticada por Paul Volcker, o presidente do banco central americano. Em 2008, aos 81 anos, ele assessorava Obama. Não havia por que passar a conta adiante, e ele propunha que se baixasse o chanfalho na banca. A certa altura, tratava-se de deixar que o Citibank quebrasse. Obama vacilou, Volcker foi-se embora e o resultado está aí.

A sabedoria dos sábios tornou-se maluquice e entraram em cena os doidos, como sábios.

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Opinião

Onde começa a fraude

O Estado de S.Paulo
O ministro do Esporte, Orlando Silva, do PC do B, atribuiu ao seu antecessor e ex-correligionário Agnelo Queiroz, que se filiou ao PT e se elegeu governador do Distrito Federal, a responsabilidade pela escolha de duas organizações não governamentais (ONGs) criadas pelo PM João Dias Ferreira para executar, mediante convênio, projetos no âmbito do programa Segundo Tempo, destinado a proporcionar a prática de esportes a crianças e jovens carentes. No ano passado, o policial foi preso por suspeita de participação no desvio de R$ 1,99 milhão daqueles contratos. Ele, por sua vez, acusa o ministro de envolvimento pessoal com as fraudes, cujo produto seria canalizado para o caixa 2 do PC do B. A defesa de Orlando Silva é primária. Se é verdade que, na condição de secretário executivo da pasta, foi instruído pelo chefe a assinar um convênio com João Dias, o fato é que nada mudou depois que ele se tornou ministro; ou melhor, as irregularidades no Esporte ficaram mais evidentes.

Debatendo-se no centro das denúncias, Orlando Silva procura ainda assumir o papel de moralizador anunciando o fim dos convênios com ONGs para o Segundo Tempo. Nenhum dos 11 contratos do gênero, a vencer no próximo ano, será renovado. Mas ele fala como se a escolha das entidades não guardasse qualquer relação com as mutretas que o escândalo trouxe à luz ou que já haviam sido expostas. Em 2010, conforme o Estado revelou em fevereiro, o Ministério repassou R$ 30 milhões a ONGs de membros e aliados do PC do B. O que o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-Geral da União têm apurado não deixa dúvida de que a fraude, tosca e rasteira, é a regra. O TCU descobriu um caso em que cerca de 90% dos gastos correspondem a "atos impróprios". Trata-se de um convênio de R$ 2 milhões entre o Ministério do Esporte e a Federação dos Trabalhadores no Comércio (Fetracom) para atender 5 mil crianças do Distrito Federal. A auditoria só encontrou 348 crianças - e mazelas em profusão.

A presidente Dilma Rousseff tem razão ao dizer que "existem ONGs e ONGs". Mas o número daquelas criadas para se apropriar de recursos públicos, não raro com a cumplicidade das mesmas autoridades que deveriam zelar por eles, é assombroso. Diante disso, a presidente se viu na obrigação de alertar recentemente os seus ministros para que filtrem as ONGs interessadas em se conveniar com o Executivo. Foi o que ela contou em Pretória, na África do Sul, onde participa da cúpula do Ibas, que reúne o país anfitrião, o Brasil e a Índia, ao comentar a mais recente denúncia de corrupção no seu governo, que ela disse estar acompanhando atentamente. "Tem que se fazer uma chamada pública, tem de apurar se a ONG existe há mais de três anos", explicou. E não pode haver nenhuma possibilidade de convênio com ONG "que tiver incorrido em alguma falha, seja qual for".

Dilma deixou clara a sua preferência por governos estaduais e prefeituras como parceiros da administração federal, porque as ONGs "são menos formais" em matéria de controles internos. O paradoxo é que os convênios com as ONGs aumentaram substancialmente já no governo Fernando Henrique, na expectativa de limitar a influência dos interesses políticos locais ou regionais na execução de programas de alcance social. A preocupação é legítima e a alternativa seria válida se os Ministérios não fechassem os olhos para a proliferação de ONGs de fachada ou, como tudo indica ser o caso do Esporte, não fizessem arranjos espúrios com elas. Menos mal que os ministros agora tenham de assinar, eles próprios, os convênios de suas pastas, o que os torna diretamente responsáveis pelos contratos - e as associações contratadas. "Em muitos momentos do passado houve convênios com ONGs mais frágeis", reconheceu Dilma, em um eufemismo para não usar um termo mais forte.

Essas considerações, porém, não simplificam o seu problema. Com a Copa do Mundo no horizonte, não há como ela preservar o ministro Orlando Silva. A sua capacidade de impor seus pontos de vista aos donos da Fifa, que já é pequena, ficaria ainda mais reduzida. E o Brasil não fez tanta força para sediar a mais popular competição do globo para passar vergonha.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 19 / 10 / 2011

Folha de São Paulo
"Governador do DF é alvo de investigação no STJ" 

Inquérito apura participação de Agnelo Queiroz em fraudes no Esporte
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O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), é alvo de inquérito no Superior Tribunal de Justiça por suposto envolvimento em fraudes no Ministério do Esporte, quando titular da pasta, no 1° governo Lula. O nome do governador apareceu em investigação da PF para apurar desvios de recursos do programa Segundo Tempo. Há suspeitas de apropriação indébita, estelionato, uso de documento falso e falsificação.

O Estado de São Paulo
"Dilma tira poder de Orlando e assume decisões sobre Copa"

Em meio a escândalo com o ministro do Esporte, presidente vai centralizar as questões relativas ao evento

A presidente Dilma Rousseff decidiu blindar a Copa de 2014 e a Lei Geral da Copa tanto de Orlando Silva (Esporte) quanto do PCdoB, que estão no centro de escândalo. A partir de agora, são assuntos da Presidência e não mais do ministro - que ontem, em depoimento na Câmara, disse que as acusações se baseiam em “mentiras e inverdades". Embora o futuro de Orlando ainda esteja indefinido, o titular do Esporte já perdeu poder. As medidas relativas à Copa ficarão centralizadas no Planalto, nas mãos de Dilma e de Gleisi Hoffmann (Casa Civil). O ministro do Esporte será informado posteriormente das decisões. Dilma não está satisfeita com o trabalho de Orlando. Desde que assumiu a Presidência, ela pretendia cuidar das questões relativas ao Mundial pessoalmente, por considerar Orlando muito próximo da CBF.

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terça-feira, outubro 18, 2011

Comunas

De onde vem esta paixão do PCdoB pelo esporte?

Balaio do Kotscho
Desde 2003 os comunistas não largam este osso _ ou melhor, do filé. Primeiro, com Agnelo Queiróz, que se tornou ministro do Esporte na cota do PCdoB, e hoje é governador de Brasília pelo PT. Depois, com Orlando Silva, seu secretário-executivo, promovido a ministro quando o outro saiu para se candidatar.

O que mais me impressiona nesta história das novas maracutaias denunciadas no Ministério do Esporte é que todos os envolvidos, tanto os acusados como os acusadores, pertencem ao mesmo partido, o venerando Partido Comunista do Brasil, mais conhecido por PCdoB.

Só assim mesmo para a gente ficar sabendo do destino dado às gordas verbas do programa "Segundo Tempo", cujo objetivo é a "inclusão social pelas atividades esportivas", ou seja, oferecer esporte e comida a crianças carentes.

Não é pouca coisa: em cerca de 200 convênios assinados pelo governo federal com ONGs para cuidar do programa, entre 2003 e 2008, já foram destinados mais de R$ 221 milhões.

Por uma estranha coincidência, a maioria destas entidades é ligada a membros do PCdoB, o que me faz perguntar: de onde vem esta paixão do PCdoB pelo esporte? Sempre pensei que os comunistas tivessem outras preocupações na vida.

Pelas denúncias publicadas na imprensa neste final de semana, a começar pela revista "Veja", em que Orlando Silva é acusado por um militante do PCdoB de receber dinheiro de propina na garagem do Ministério do Esporte, a paixão deles é outra.


De onde vem esta paixão do PCdoB pelo esporte?

O Tribunal de Contas da União (TCU) vem investigando o programa "Segundo Tempo". Vira e mexe, saem denúncias de desvio de dinheiro público. Alguns correligionários de Silva já foram em cana, a exemplo do soldado da PM que o denunciou, João Dias Ferreira, mas o jogo segue como se nada estivesse acontecendo de errado no ministério que cuida da organização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 no Rio.

Outro ponto que me chama a atenção é a absoluta falta de controle sobre a aplicação das verbas entregues às ONGs e repassadas a fornecedores de equipamentos esportivos e alimentos, sem licitação nem fiscalização do poder público. Fala-se em milhões daqui e dali como se fosse dinheiro de pinga.

Técnicos do próprio Ministério do Esporte infomaram ao TCU que 48% dos convênios com ONGs apresentavam irregularidades na prestação de contas. Mesmo assim, um terço deles foram renovados.

Só a ONG Pra Frente Brasil, da ex-jogadora de basquete Karina Valéria Rodrigues, eleita vereadora pelo PCdoB de Jaguariúna, no interior de São Paulo, recebeu R$ 8,5 milhões do Ministério do Esporte, em 2008, segundo o TCU.

Outros R$ 5,2 milhões foram entregues à Confederação Nacional das Associações de Moradores, que tem a sorte de ser presidida por Wander Geraldo. Por outra mera coincidência, Geraldo pertence ao Comitê Central do PCdoB.

Será que as crianças estão mesmo recebendo estas toneladas de lanchinhos que constam dos milhões de reais do "Segundo Tempo" previstos nos convênios? Se fosse verdade, já deveriam estar todas gordinhas, sem condições de praticar esporte.

Parece que agora a farra pode estar chegando ao fim. A se confirmarem todas as previsões em Brasília sobre o seu provável destino, Orlando Silva seria o sexto ministro demitido pela presidente Dilma Rousseff em menos de dez meses _ o quinto herdado do governo Lula.

Só espero que para o lugar dele não seja indicado outro camarada do PCdoB. Chega de cotas.

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Opinião

O ministro tem de sair

O Estado de S.Paulo
Por sua extrema gravidade, não basta que se investigue a fundo a denúncia de que o ministro do Esporte, Orlando Silva, do PC do B, se beneficiou pessoalmente do desvio de recursos do programa Segundo Tempo, criado para promover atividades esportivas com crianças e adolescentes pobres. O programa foi terceirizado para organizações não governamentais (ONGs) conveniadas com a pasta - e, claro, dirigidas por gente do partido do ministro. A acusação, divulgada no fim da semana pela revista Veja, deixou Orlando Silva sem condições de continuar no cargo. Ele pediu à Polícia Federal que investigue o caso, que certamente acabará nos tribunais. Mas, no âmbito da política, o princípio da presunção de inocência não se aplica nem se pode esperar que sentenças transitem em julgado. O ministro precisa sair não apenas para não ter a sua autoridade cada vez mais desgastada, que é o que costuma acontecer nessas circunstâncias, mas sobretudo para poupar a presidente Dilma Rousseff de novas atribulações no campo minado da corrupção - bem agora que o Esporte ganhou uma projeção sem precedentes, com os preparativos para a Copa do Mundo de 2014 no País e dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, dois anos depois.

Em fevereiro último uma série de reportagens deste jornal revelou que o Segundo Tempo era uma mina de ouro para o PC do B, graças justamente aos convênios da pasta com entidades ligadas à sigla, realizados sem licitação. Somente em 2010 o aparelhado Ministério desembolsou R$ 30 milhões em transferências - em mais de um sentido - do gênero. Ao que tudo indica, o contubérnio começou com o antecessor de Orlando Silva, Agnelo Queiroz, que se elegeu governador do Distrito Federal (DF) depois de trocar o PC do B pelo PT. Comissões de 20% que teriam sido pagas ao partido da foice podem ter somado ao longo da era Lula cerca de R$ 40 milhões. Mas os "comunistas" não guardavam tudo para si. Teriam ajudado a cobrir gastos da campanha do presidente, em 2006, diz o policial militar (PM) e ex-militante do PC do B João Dias Ferreira. Em abril do ano passado, ele foi preso na Operação Shaolin, da Polícia Civil do DF, por suspeita de participação no desvio de R$ 1,99 milhão repassado pelo Ministério dos Esportes, mediante dois convênios, à Associação João Dias de Kung Fu.

Ferreira é o principal acusador de Orlando Silva. O ministro alega que o PM se voltou contra ele porque o Ministério pediu ao Tribunal de Contas da União que investigasse os convênios com as suas ONGs e as obrigasse a devolver ao erário R$ 3,16 milhões. Pode ser. Mas pode ser também porque o ministro e o partido, diferentemente do que lhe teriam prometido, o deixaram entregue à própria sorte nas investigações da Shaolin. Não foi a primeira vez, nem será a última, que a vingança acaba expondo os podres do governo e da política. À Veja, Ferreira confirmou que o Segundo Tempo servia para favorecer correligionários e irrigar as finanças do PC do B - mas a denúncia bombástica foi outra. Um comparsa do policial, o motorista Célio Soares Pereira, contou ter recolhido dinheiro de quatro entidades ditas sem fins lucrativos que recebiam verba do programa e que o entregou ao ministro Orlando Silva dentro da garagem do Ministério, numa caixa de papelão. "Eram maços de notas de 50 e 100 reais."

Para embolso pessoal ou caixa 2 de partidos, desvios de recursos de convênios entre a administração pública e ONGs de fachada - não raro constituídas para esse fim, instaladas em endereços fictícios, em nome de laranjas - são talvez o maior dos ralos por onde escorre dinheiro do contribuinte. Como notou ontem no Estado o colunista José Roberto de Toledo, em 2010 o governo destinou R$ 5,4 bilhões a 100 mil ONGs, ante R$ 1,9 bilhão em 2004. Esses gastos têm crescido mais do que as transferências para Estados e municípios. Ironicamente, de início se esperava que a participação dessas entidades, além de engajar a sociedade na implementação de políticas públicas, ajudaria a combater o burocratismo, o desperdício - e a corrupção.

A leniência do governo Lula com a bandalheira transformou uma colaboração em princípio saudável numa gazua. Mesmo assim, até agora ninguém tinha acusado um ministro de receber dinheiro vivo de um convênio de promoção social.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 18 / 10 / 2011

Folha de São Paulo
"ONGs do esporte têm de devolver R$ 26,5 milhões" 

Devolução foi determinada pela Controladoria-Geral da União, que apontou irregularidades em 67 contratos
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De 2006 ao primeiro semestre deste ano, a Controladoria-Geral da União pediu a devolução de R$ 26,5 milhões referentes a contratos com irregularidades no Ministério do Esporte. O valor envolve 67 convênios feitos com ONGs e governos. Entre os problemas encontrados pelo órgão de controle interno estão compras superfaturadas, entrega de produtos abaixo do acertado e contratação de empresas com sócios vinculados a entidades que receberam recursos da pasta.

O Estado de São Paulo
"Ministro propôs acordo por silêncio, diz pivô de escândalo"

PM que denunciou desvio no Ministério do Esporte afirma ao 'Estado' que Orlando Silva 'falta com a verdade'

O PM João Dias Ferreira, que denunciou Orlando Silva (Esporte) por desvio de verbas no Programa Segundo Tempo, disse ao Estado que o ministro propôs, em 2008, um acordo para que o esquema não fosse divulgado. "O encontro foi na sala de reunião dele, no sétimo andar do ministério", afirmou Ferreira - que disse que os fornecedores do Programa Segundo Tempo tinham de dar 20% para o PC do B, partido do ministro. Nas declarações sobre a caso, Orlando Silva afirmou ter se encontrado com Ferreira apenas uma vez, entre 2004 e 2005, para discutir convênios. Ferreira rebate: "Não existe essa reunião. O ministro faltou com a verdade. Ele esteve comigo uma vez para fazer um acordo com o pessoal dele para eu não denunciar o esquema".

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segunda-feira, outubro 17, 2011

Ubatuba em foco


Alternativas existem

José Ronaldo dos Santos
Dois fatos ocorridos no dia 15 de outubro de 2011 me inspiraram para escrever neste momento:

1º) Fui até a cidade vizinha de Caraguatatuba para a exposição de orquídeas. O evento, no teatro Mario Covas, apesar da chuva, atraiu bastante gente, e, a beleza das flores, não tem como descrever. Lá descobri que a minha orquídea “Índia” (foto) é Dendrobium fimbriatum. Mais importante ainda: encontrei o amigo Manoel (da praia da Lagoinha), juntamente com a sua esposa, fazendo parte da exposição. Na mesma hora outros nomes me vieram à mente (Ana de Sá, Claudia Félix, Claudia “Negra”, Toninho “Ingá”, Wagner da Palmira e outros); bem que eles poderiam estar expondo as suas maravilhas no recinto. Depois pensei em eventos similares já realizados em Ubatuba (no terminal do Perequê-açu, na praça Treze de maio... Lembrei-me da abnegada Marina Makiama). Eventos assim podem dar outra feição para a nossa cidade, compensar a ausência de veranistas, etc.

2º) Por volta das 22:00 horas, um telefonema da Colômbia: um amigo que vive há seis anos fora do Brasil, diz empolgado que buscou por Ubatuba na internet e caiu no endereço do vídeo Maré Legal, do Emílio Campi, no qual eu e o professor Zizinho, há poucos anos, falamos sobre a história do nosso município. Assistiu. Matou a saudade do nosso pedacinho de chão. Legal!

É isso que nós queremos: tornar a cidade um lugar prazeroso, limpo, com o desejo de rever e recomendar a mais pessoas. Creio que estes são princípios básicos a ser considerados em qualquer eleição.

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Frank Sinatra

Quem municia o PIG?

Fogo amigo?

Estranhos acontecimentos na Esplanada dos Ministérios!
               
Do Ex-Blog do Cesar Maia
No dia 8 de outubro passado, o Globo noticiou: PT e PMDB agem para desestabilizar o ministro do Esporte, Orlando Silva, do PCdoB.  Considerado o "patinho feio" da Esplanada dos Ministérios no início do governo Lula, a pasta do Esporte passou a ser alvo de cobiça de partidos da base aliada, especialmente de setores do PT e do PMDB. A visibilidade política com a realização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 transformou a pasta comandada pelo ministro Orlando Silva, do PCdoB, numa espécie de "cisne". Além disso, o que alimenta essa disputa política nos bastidores é a evolução do orçamento do ministério, que vem crescendo ano a ano. Só de 2010 para 2011, o orçamento cresceu de R$ 2,1 bilhões para R$ 2,5 bilhões.
               
No dia 15 de outubro, a Veja publicou e o Globo suitou: "Reportagem da 'Veja' afirma que o ministro do Esporte chefiava um esquema de corrupção para irrigar os cofres do PCdoB a partir do desvio de verbas públicas para ONGs de fachada. Os recursos eram destinados à compra de materiais esportivos para crianças carentes, por meio do programa Segundo Tempo, tocado pelo ministério desde o governo Lula. Uma das fontes da revista afirma, inclusive, que o próprio ministro teria recebido propina dentro da garagem do órgão, em Brasília."

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Opinião

O estranho complô iraniano

O Estado de S.Paulo
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, viu-se na obrigação de dizer que o seu governo não acusaria o Irã de tramar um atentado contra o embaixador da Arábia Saudita em Washington, Adel al-Jubeir, plantando uma bomba no restaurante que costuma frequentar, "se não soubéssemos exatamente como fundamentar todas as alegações contidas na denúncia". No entanto, as garantias de Obama, acompanhando o anúncio de que os EUA aplicarão "as mais duras sanções" para acentuar o isolamento de Teerã, aparentemente não conseguiram aplacar o ceticismo com que foi recebida, até por especialistas em terrorismo, a revelação do secretário da Justiça Eric Holder, na terça-feira, de que um iraniano naturalizado americano, Manssor Arbabsiar, encomendou o atentado contra o diplomata ao cartel mexicano Los Zetas. As embaixadas saudita e israelense também seriam atacadas.

O mentor da operação seria Gohlam Shakuri, primo de Arbabsiar, que faria parte da unidade de elite Quds, da Guarda Revolucionária Islâmica, a principal força repressora do regime. Segundo Holder, em maio último, orientado por ele, Arbabsiar entrou em contato com um mexicano que aparentava ser membro dos Zetas, mas era um agente americano infiltrado. O interlocutor pediu US$ 1,5 milhão pelo serviço. Arbabsiar viajou em seguida para o Irã. Em agosto, sempre segundo as autoridades americanas, dois depósitos de US$ 50 mil caíram numa conta bancária nos Estados Unidos - como presumível adiantamento da paga combinada. Em fins de setembro, Arbabsiar tornou a desembarcar no México, mas, dessa vez, foi barrado pelos serviços de segurança e colocado num avião para Nova York, onde foi preso, interrogado e indiciado por conspiração para matar um diplomata e uso de armas de destruição em massa, entre outros crimes.

Três questões emergiram de imediato. Especialistas em assuntos iranianos se perguntaram, desde a fala de Holder, por que a teocracia iraniana - a Guarda responde diretamente ao líder supremo da Revolução, aiatolá Ali Khamenei - teria ordenado ou concordado em perpetrar um ou mais atos terroristas em plena capital dos Estados Unidos, com vítimas civis em profusão, o que fatalmente sujeitaria o Irã a represálias militares americanas, com ataques às suas instalações nucleares? O país treina e financia extremistas na Síria e no Líbano, além de patrocinar radicais xiitas no Iraque, mas nunca promoveu no exterior um ataque como seria o de Washington. Tampouco se percebe a lógica em eliminar o embaixador de um país árabe com o qual, apesar da inimizade recíproca, o Irã mantém relações diplomáticas. Ao que se saiba, o contencioso entre Teerã e Riad não se agravou - continua o mesmo de sempre.

Em segundo lugar, a ideia de terceirizar os atentados a narcotraficantes latino-americanos infiéis destoa de tudo que se conhece do modus operandi dos agentes iranianos no exterior. Por último, por tudo que se conhece da personalidade do vendedor de carros Arbabsiar, de 56 anos, radicado no Texas, ele não é a pessoa indicada para gerenciar uma operação daquelas proporções. Uma reportagem do New York Times, transcrita sexta-feira neste jornal, o descreve como um oportunista trapalhão e incompetente, fracassado nos negócios, assolado pelos credores e incuravelmente desorganizado. Segundo um amigo, citado na reportagem, vivia perdendo o celular e as chaves, e não conseguia vestir as meias de um mesmo par. Seja como for, não é crível que Washington tenha inventado um pretexto para punir o país persa.

Arbabsiar, afinal, procurou um traficante e viajou para o Irã, quando foram feitos os depósitos bancários nos EUA. Preso, disse ter sido recrutado e financiado por pessoas que acreditava serem do Quds - ao qual negou pertencer. E ouviu do desavisado primo Shakuri, numa conversa telefônica gravada por seus captores, que tocasse a operação "rapidamente". Sem dúvida, alguém tramou algo. Mas até que ponto o complô subiu na cadeia de decisões do Irã? É significativo Obama ter se guardado de dizer que o plano foi discutido nos níveis mais altos do governo de Teerã. Resta ver as provas que diz existirem.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 17 / 10 / 2011

Folha de São Paulo
"Dilma cobra explicações de ministro do Esporte" 

Orlando Silva volta às pressas do Pan após ser acusado de corrupção
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O ministro do Esporte, Orlando Silva, antecipou sua volta ao país após ser convocado pelo Planalto para prestar explicações sobre acusação de corrupção. Ele acompanhava os Jogos Pan-Americanos, no México. No sábado, havia dito ter instruções da presidente Dilma Rousseff para seguir sua agenda. Mas os planos mudaram, e ele embarcou às pressas.

O Estado de São Paulo
"MP da desoneração vai aumentar imposto"

Artigos incluídos no texto pela Receita Federal elevam os tributos sobre empresas e investidoree

A medida provisória que desonera a folha de pagamento de quatro setores industriais também aumenta a cobrança de impostos de empresas e investidores. O pacote tributário, que foi incluído às escondidas no texto do MP pela Receita Federal com a benção do Palácio do Planalto, contempla artigos prevendo desde um maior controle sobre a transferência de ações até a cobrança inédita de mais um tributo sobre a divisão de lucros entre sócios de uma companhia. O Estado teve acesso à nova versão do MP, que está no Congresso e passou a contar com 31 artigos e não mais os 24 originais. Uma das mudanças de maior alcance permite a Receita arbitrar o valor de ações ou títulos, usadas para elevar o capital social de uma empresa, em um período de até dez anos. Dessa forma, o Fisco poderia arrecadar mais. Procurados, o Ministério da Fazenda e Receita Federal não se pronunciaram

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Ontem...

domingo, outubro 16, 2011

Economistas, astrólogos, Mãe Dinah...

Apesar da crise, economistas dizem que capitalismo não morre

Liana Melo e Fabiana Ribeiro, O Globo
Dita há mais de cem anos, em 1897, a célebre frase do escritor americano Mark Twain parece resumir, em meio à atual crise, as discussões sobre o possível fim do capitalismo. Ao ser informado de que estava morto, Twain ironizou à época: "Os boatos sobre minha morte são exagerados". Ele morreu em 1910, 62 anos depois que Karl Marx assinou "O manifesto comunista", no qual analisou o capitalismo e concluiu que as contradições do próprio sistema é que levariam a sua derrocada. Mas faltou dizer quando.

Segundo economistas ouvidos pelo GLOBO, a turbulência global, a desestabilização de países centrais e a incapacidade dos governos de resolver o problema seriam sinais apenas de mais uma das muitas crises cíclicas, típicas do capitalismo. Acreditam, no entanto, que o modelo terá que se modificar, se adaptar, para seguir em frente, mostra reportagem publicada neste domingo.

- Ora, o capitalismo nunca esteve tão forte. Praticamente todos os países praticam hoje a economia de mercado - pondera o ex-presidente do Banco Central e diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getulio Vargas (FGV), Carlos Langoni, negando, peremptoriamente, que o capitalismo esteja correndo qualquer risco. - Não é o sistema que está errado. A crise é obra dos homens que lançaram mão de políticas macroeconômicas inconsistentes e irresponsáveis.

O uso incorreto de uma política de juros baixos por um longo período foi, segundo Langoni, um erro crasso e, o pior, determinante para a bolha imobiliária nos Estados Unidos. A crise, que estourou em 2008, se prolonga até hoje e, o mais grave, desestruturou o sistema financeiro a nível mundial:

- Juros baixos deveriam ser usados apenas em períodos de recessão e não como uma prática de política monetária. A crise atual é de gestão.

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