sábado, outubro 15, 2011

Grafitti

Colunistas

A incultura do imaterial Inc.

"Quando se destruir a capacidade de sonhar, imaginar realidades alternativas, aí sim, será o fim da civilização. Contudo, paradoxalmente, é preciso ter os pés bem plantados na realidade para fazê-lo"

Márcia Denser
Esta semana li, repassado pelo site do Nassif, uma entrevista do escritor norte-americano Philip Roth (famoso pelo romance Complexo de Portnoy, publicado nos anos 70 – dizem que ele teria inventado a “síndrome da mãe judia”) onde este afirma que a cultura do livro está acabando, corroída pela tecnologia, e que nos próximos vinte anos a tradição literária já não mais influenciará os jovens.

Curioso é que, ao longo da reportagem, ele também afirma que “não faz a menor idéia do que acontece no Brasil” e que só leu um único romance brasileiro em toda a sua vida, As Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis: “Um livro interessante, se bem que muito influenciado pelo inglês Lawrence Stern de Tristam Shandy (sic…)”. O que é verdade. E é mentira (aliás, os anglo-saxões ficaram com a mania de se arrogar a autoria de todas as idéias e toda a cultura humanas dos últimos dois mil anos – algo como “uma inflação de ego de proporções cataclísmicas”!)

Bom, fica complicado dar crédito a alguém que vaticina o fim da cultura literária mundial num futuro próximo, quando o sujeito não só desconhece completamente o Brasil (bem como vários outros países), consequentemente nossa literatura, salvo Machado, autor do século XIX, não acham? Um fóssil literário que confessa não sair há anos de seu apartamento em Nova York e muito menos viajar, também há anos, sequer para receber prêmios literários.

Independentemente do fato de ser um grande escritor (ainda) vivo, o mínimo que se pode pensar é que Roth está literalmente por fora.

Outro dado importante: ele parece esquecer que a arte – qualquer uma, seja literatura, cinema, artes plásticas – necessita da materialidade para se realizar enquanto obra significativa (ou não). Por outro lado a tecnologia, internet incluída, é, em essência, a “cultura do imaterial”, do impalpável e do perecível. Desaparecimentos Inc.

E outro dado ainda mais importante, que fica no subtexto: Roth faz suas afirmações (isto é, afirma ignorâncias diversas) com um certo orgulho, uma velada ironia e aquela definitiva ponta de arrogância, comum aliás ao norte-americano típico que declara cinicamente não saber das coisas, precisamente pelo fato de não precisar sabê-las (a respeito, vide Jameson, A Cultura do Dinheiro).

Vivendo no centro do mundo (não seria universo?), tal ignorância displicente em relação aos outros povos e culturas é literalmente política. Mas também pode ser letal.

De forma que voltamos à política. E aos Estados Unidos. O movimento mais importante que está ocorrendo no mundo hoje é o Occupy Wall Street e algumas frases de Slavoj Zizek, também ali presente, comprovam – além de outras coisas – a óbvia liquidação dessa aposta absurda na imaterialidade do real, que é como o capitalismo se comporta hoje no mundo todo, aludida acima.

Zizek: ”O casamento entre democracia e capitalismo acabou. Quando criticarem o capitalismo, não se deixem chantagear pelos que os acusam de ser contra a democracia. Durante o crash financeiro de 2008, foi destruída mais propriedade privada, ganha com dificuldades, do que se todos nós aqui estivéssemos a destruí-la dia e noite durante semanas. Dizem que somos sonhadores, mas os verdadeiros sonhadores são aqueles que pensam que as coisas podem continuar indefinidamente da mesma forma. Somos o despertar de um sonho que está se transformando num pesadelo. Não estamos destruindo coisa alguma. Estamos apenas testemunhando como o sistema está se autodestruindo.”
“Todos conhecemos a cena clássica do desenho animado: o coiote chega à beira do precipício e continua a andar, ignorando o fato de que não há nada por baixo dele. Somente quando olha para baixo e toma consciência de que não há nada, ele cai. É o que fazemos aqui: estamos dizendo aos rapazes de Wall Street: Ei, olhem para baixo!”

“ Em abril de 2011, o governo chinês proibiu na TV, nos filmes e em romances, todas as histórias que falassem em realidade alternativa ou viagens no tempo. É um bom sinal para a China. Significa que as pessoas ainda sonham com alternativas, e por isso é preciso proibir este sonho! Aqui, não pensamos em proibições. Porque o sistema dominante tem oprimido até a nossa capacidade de sonhar. Vejam os filmes a que assistimos o tempo todo. É fácil imaginar o fim do mundo, um asteróide destruir o planeta, toda a vida e assim por diante. Mas não se pode imaginar o fim do capitalismo!”

Então, como é que fica? Quando se destruir a capacidade de sonhar, imaginar realidades alternativas, aí sim, será o fim da civilização. Contudo, paradoxalmente, é preciso ter os pés bem plantados na realidade – na materialidade ­ – para fazê-lo, pois é ISTO que nos torna artistas (bem como cientistas, etc.). O resto é surrealismo capitalóide: não existe.

Sobre o autor

Márcia Denser
A escritora paulistana Márcia Denser publicou, entre outros, Tango fantasma (1977), O animal dos motéis (1981), Exercícios para o pecado (1984), Diana caçadora/Tango Fantasma (Global,1986, Ateliê, 2003,2010, 2a.edição), A ponte das estrelas (Best-Seller,1990), Caim (Record, 2006), Toda prosa II - obra escolhida (Record, 2008). É traduzida em nove países e em dez línguas: Alemanha, Argentina, Angola, Bulgária, Estados Unidos, Espanha (catalão e galaico-português),Holanda, Hungria e Suíça. Dois de seus contos - "O vampiro da Alameda Casabranca" e "Hell's Angel" - foram incluídos nos Cem melhores contos brasileiros do século, organizado por Ítalo Moriconi, sendo que "Hell's Angel" está também entre os Cem melhores contos eróticos universais. Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, é pesquisadora de literatura e jornalista. Foi curadora de literatura da Biblioteca Sérgio Milliet em São Paulo.

Outros textos do colunista Márcia Denser.

Publicado originalmente no "congressoemfoco".

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Opinião

Os cartões e os consumidores

O Estado de S.Paulo - Editorial
Mais de 60% dos consumidores brasileiros já têm um cartão de débito e pelo menos 53% têm um de crédito. A ampla disseminação desses cartões é acompanhada por elevado número de reclamações dos usuários. Os cartões de crédito ocupam o segundo lugar nas reclamações dos consumidores, de acordo com o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça.

Não admira, pois, que oito administradoras de cartões de crédito tenham sido multadas em R$ 31,8 milhões cada uma, por decisão da 30.ª Vara Federal do Rio de Janeiro, em 29 de setembro passado. Valor que terá acréscimo de 10% em caso de atraso do pagamento. As empresas multadas são Citicard, Bradesco, Ourocard (Banco do Brasil), Real (Santander), Federal Card (Caixa Econômica Federal), Itaucard, Banerj Cartões e Banco Fininvest (Itaú-Unibanco).

Elas foram alvo de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal, que contesta a legalidade da cobrança de taxas de garantia e de administração, de multa superior a 2% do saldo devedor e de mais de um encargo em caso de inadimplência do consumidor.

Os cartões de crédito facilitam a vida dos consumidores, mas sua utilização pode ter efeitos negativos quando o usuário se descontrola e se endivida em excesso. Acrescente-se que muitas vezes cartões são oferecidos a consumidores que claramente não têm condições de honrar os compromissos relativos às facilidades de que passam a dispor. Numa tentativa de evitar o agravamento do problema, o Banco Central decidiu, em junho passado, que eles têm de pagar à vista no mínimo 15% do valor da fatura. A partir de 1.º de dezembro, essa parte que não pode ser parcelada subirá para 20%. E o pagamento com cartão de contas de serviços públicos, como luz e água, e tributos ficou sujeito ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Meses atrás, o Banco Central também interveio nas regras dos cartões, reduzindo de mais de 80 para apenas 5 as tarifas que podem ser cobradas dos usuários. E contratou, em conjunto com a Secretaria de Direito Econômico (SDE) e a Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), uma pesquisa sobre o segmento de cartões de crédito, tendo em vista a sua grande importância no Sistema de Pagamentos de Varejo no Brasil.

As iniciativas do Banco Central não conflitam com a ação anterior do Ministério Público, que resultou nas multas aplicadas àquelas administradoras, no valor total de R$ 254 milhões. No processo, o procurador da República Márcio Barra Lima alegou que as administradoras não comprovaram o recolhimento da multa diária de R$ 50 mil que lhes foi aplicada entre dezembro de 2006 e julho de 2008. "É inaceitável que grandes e conhecidas empresas do setor financeiro descumpram decisões judiciais de modo permanente e ostensivo, mesmo sob pena de multas pesadas", afirmou ele.

As administradoras multadas decidiram recorrer da decisão da 30.ª Vara Federal do Rio e duas delas já entraram com recurso, em segunda instância, para se livrar da punição.

Além das leis que regulam sua atividade, as administradoras se submetem ao código de ética da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). Entre os mandamentos desse código está o emprego nos contratos de linguagem clara e objetiva "que permita a leitura e a compreensão do sentido e alcance das disposições, de forma a propiciar um amplo entendimento sobre a utilização dos produtos e serviços".

Deve haver "entendimento claro sobre a cobrança de anuidade, eventuais tarifas, serviços, tributos, encargos financeiros e moratórios, e condições de aplicação de tais cobranças". Quanto à publicidade dos cartões, ela tem de obedecer às normas estabelecidas pelo Código de Defesa do Consumidor.

As reclamações dos consumidores indicam que essas regras não estão sendo cumpridas como deveriam, o que explica e justifica o rigor da punição imposta às administradoras pela Justiça Federal.

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Manchetes do dia

Sábado, 15 / 10 / 2011

Folha de São Paulo
"Lixo hospitalar dos EUA é vendido em loja no país" 

Lençóis descartados por instituições americanas são oferecidos por quilo em PE
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Lençóis com nomes de hospitais dos EUA - iguais aos apreendidos pela Receita Federal no porto de Suape e classificados como lixo hospitalar - são vendidos por quilo em uma das principais vias de Santa Cruz do Capibaribe, cidade de 87,5 mil habitantes de Pernambuco, relata Fabio Guibu. A Folha comprou nove peças (4 kg) na loja de tecidos e retalhos Império do Forro de Bolso. Parte delas tinha manchas e referências a unidades de saúde dos EUA, como Baltimore Washington Medical Center ou Medline Industries Inc. Amontoados no chão a R$ 10 o quilo. Funcionários alegaram problemas no sistema para não fornecer nota fiscal ou recibo e, depois de ligação por celular, fecharam a loja.

O Estado de São Paulo
"IPI do Brasil é protecionista, dizem na OMC Japão e Coreia"

Com apoio de EUA, Europa e Austrália, países veem protecionismo na alta da taxação de importados

Os maiores exportadores mundiais de veículos acionaram a Organização Mundial de Comércio (OMC) contra a decisão do Brasil de elevar o IPI para carros importados. Japão e Coreia do Sul, com apoio de EUA, Europa e Austrália, acusam o governo brasileiro de usar o real valorizado para justificar medidas protecionistas, violando compromissos do G-20. A ação não é uma disputa nos tribunais da OMC, mas serve como forma de pressão política. “Estamos profundamente preocupados com a inconsistência da medida e com seu impacto no comércio”, afirmou a delegação japonesa na OMC. Para o governo brasileiro, a atitude desses países é uma forma de responder às queixas internas feitas por suas indústrias.

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sexta-feira, outubro 14, 2011

Jazz


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Coluna do Celsinho

Santa paciência

Celso de Almeida Jr.
Definida a filiação partidária, agora é gastar sola de sapato.

Candidatos serão encontrados em todos os cantos da cidade.

Sorridentes, compenetrados, atenciosos, cidadãos exemplares.

Uma bela época para todos nós, eleitores ingênuos.

Conheceremos justificativas; descobriremos novas soluções para os antigos problemas.

Mantendo neutralidade, seremos mimados por todos.

Escolhendo uma bandeira, seremos espinafrados por outros.

Os meses irão passar.

A eleição, também.

Alegria de um lado, sorriso amarelo de outro.

2013 começará sob novo comando.

Ou, sob o velho comando renovado.

Até lá, paciência prezado leitor, querida leitora.

E, dependendo do resultado, que venha 2016...

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

Do genoma à internet, uma discussão complicada

Washington Novaes - O Estado de S.Paulo
Que acontecerá no mundo com a internet permitindo a invasão de arquivos confidenciais de governos, da CIA, do FBI, do WikiLeaks, de instituições de defesa e outros? - perguntou-se neste espaço em artigo recente (8/7). Caminha-se para um mundo sem sigilo de governos, diplomático, militar, de empresas, de conhecimentos tecnológicos patenteados e mesmo de pessoas? Mas como será esse mundo? Toda a informação será livremente aberta ou terão êxito as tentativas de construir bloqueios, já em curso?

Um dos campos em que as coisas estão mais complicadas é o da pesquisa com genomas humanos. Há alguns meses (24/1) este jornal informou sobre o caso de uma norte-americana que conseguiu análise de laboratório de empresa para provar que não era seu - era de outra mulher - o material genético encontrado na cueca de seu marido, juntamente com o sêmen dele. Provava, assim, a infidelidade conjugal e ganhava argumentos para os processos de divórcio e indenização. Nos Estados Unidos, há Estados onde esse procedimento é legal; em outros, não. Há até uma empresa que alardeia haver feito com sucesso mais de mil testes dessa natureza, para provar infidelidade conjugal. Na Grã-Bretanha - onde já houve um rumoroso caso de jornalista que, com análise de cabelo, tentou mostrar que o príncipe Harry era filho de um suposto amante da Lady Di - esse caminho agora é ilegal. Na Austrália também é ilegal. Na Alemanha, a questão está na Justiça.

Embora nos Estados Unidos a questão seja controversa, a Justiça tem admitido que genes podem até ser patenteados (Estado, 1.º/8). Um tribunal, por exemplo, admitiu que uma empresa tem direito às patentes de dois genes humanos usados para prever se mulheres têm risco maior de desenvolver câncer de mama ou de ovário - porque "o DNA isolado não é um simples produto da natureza", que não poderia ser patenteado. E a indústria da biotecnologia esfrega as mãos de contente, porque já há milhares de pedidos de patentes de genes humanos. A Suprema Corte ainda vai dizer se concorda ou não.

Chega-se aí a um terreno muito difícil, que é o da privacidade humana no que ela tem de mais íntimo, mais seu. Há algum tempo, a revista britânica New Scientist (28/3/2009) fez uma investigação interessante. Um de seus editores se apossou de informações dessa ordem de outro editor, por meio do DNA deixado em resíduos num copo de água. E, usando apenas cartão de crédito, mandou esse material, escaneado pela internet (existem dispositivos especiais para isso), para uma empresa de pesquisa biotecnológica - que o analisou, mostrou a composição, alertou sobre riscos para a saúde do portador (Alzheimer, psoríase, glaucoma, entre outros) e sugeriu cuidados com a dieta da pessoa (esse tipo de análise pode levar empresas a recusarem emprego a certas pessoas, para não correrem riscos financeiros com doenças no futuro). Depois, o mesmo editor mandou esse mesmo material para outra empresa de pesquisa - que chegou a resultados bastante diferentes.

Como proteger cidadãos e a sociedade desses riscos, da análise em si e de erros nesse trabalho? - pergunta a revista. O próprio Congresso dos Estados Unidos há muitos anos examina proposta de não discriminação de informações genéticas de pessoas idosas. Mas ainda não entrou na questão das divergências de entendimento entre as Cortes estaduais. Enquanto isso, os cidadãos ficam cada vez mais complexos - lá e em toda parte, principalmente em países onde o tema nem sequer está em cogitação no terreno das leis.

Haverá certamente quem diga ser antiético patentear algo do corpo humano ou da natureza. Como haverá quem seja a favor, principalmente empresas que atuam na área e têm altos rendimentos decorrentes disso. Da mesma forma, empresas de países que queiram prevenir-se contra o risco de arcar com despesas médicas de pessoas que contratem. Outro problema decorre da possibilidade de usar a internet para chegar a informações como as obtidas pelos editores da revista britânica.

Entre nós, a discussão, que praticamente não existe ainda, precisa evoluir muito e rapidamente. Nesse terreno do sigilo da informação, basta ver o acirramento de ânimos em torno do projeto da Comissão da Verdade para deduzir o que nos espera à medida que o terreno se alargar.

Em princípio, teoricamente, não há como não desejar um mundo em que toda informação seja aberta, acessível. Mas estamos preparados, se nem sequer temos dispositivos legais que digam a quem pertence a informação, quem pode usá-la e em que condições? Com a internet é tudo ainda mais complicado. Porque, como já se escreveu aqui, qualquer solução que implique informação aberta parece implicar um novo conceito civilizatório, com toda a informação acessível, em qualquer circunstância. Só que - vale a pena repetir - esse conceito implica também um mundo com direitos - políticos, econômicos, sociais - iguais para todas as pessoas.

De certa forma, a crise econômico-financeira-social que o mundo está vivendo pode apressar tudo. A realidade está mostrando que o descolamento entre o mundo das finanças e a realidade concreta coloca questões que os dirigentes não conseguem equacionar (têm sido repreendidos até pelos altos dirigentes governamentais do Brasil). A que novo mundo se chegará? E como ele se adequará aos limites impostos pela natureza (mudanças do clima, consumo insustentável de recursos naturais)?

Pode parecer abstruso, inconsequente ou fantasioso mergulhar nesses pântanos. Mas quando se chega a discussões sobre apropriação legal ou indevida do genoma humano, até com uso da internet, nada parece impossível. Preparemo-nos. No caso específico dos genomas, de preferência abrindo uma discussão entre cientistas, que clareie rumos para a sociedade, advirta sobre os riscos, aponte alternativas.

Washington Novaes, jornalista. E-mail: wlrnovaes@uol.com.br

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 14 / 10 / 2011

Folha de São Paulo
"Governo reduz previsão do PIB" 

Projeção do BC reforça avaliação de que crescimento pode ficar abaixo de 3,5%; atividade econômica recuou em agosto
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Novas projeções apresentadas pelo Banco Central reforçam avaliações internas do governo de que o país pode crescer neste ano menos de 3,5%, taxa apresentada pelo Ministério da Fazenda como piso nesta semana. A atividade econômica recuou 0,53% em agosto em relação a julho, segundo indicador calculado pelo BC para prever a evolução do PIB. Os números contrariam o discurso oficial do governo, que anuncia esperar crescimento de 3,5% a 4%.

O Estado de São Paulo
"Economia desacelera além do previsto, mostra índice do BC"

Atividade cai 0,53% em agosto e economistas já reduzem estimativa para o ano

A economia brasileira recuou em agosto o pode estar desacelerando mais que o previsto. É o que aponta o Índice de Atividade Econômica do Banco Central, que caiu 0,53% em agosto ante julho. A média do acumulado entre junho e agosto é negativa em 0,19%. Economistas reduziram a previsão de crescimento em 2011 para pouco acima de 3%, reforçando o cenário de desaquecimento traçado pelo BC como justificativa para cortar juros. No acumulado em 12 meses a economia está crescendo 4% - nível considerado pelo BC abaixo da capacidade do País de se expandir sem pressionar os preços. Mas há duvida no mercado se esse freio bastará para derrubar a inflação.

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quinta-feira, outubro 13, 2011

Luciano Pavarotti (1935 – 2007)


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Aqui e acolá...

Ficha limpa já é exigida em quatro estados e dez cidades

Marcelle Ribeiro, O Globo
Câmaras de vereadores e assembleias de quase todo o país se mobilizam para aprovar leis que proíbam prefeituras, governos estaduais e casas legislativas de contratar para cargos de confiança funcionários que tenham problemas com a Justiça.

No âmbito municipal, projetos desse tipo já estão em vigor ou em processo de votação em 22 cidades; seis estados e o Distrito Federal também estão agindo para evitar a contratação de quem não tiver a ficha limpa.

Sancionada há mais de um ano, a Lei da Ficha Limpa federal proíbe a candidatura de quem já foi condenado em segunda instância por crimes diversos - que vão de delitos contra a economia popular à formação de quadrilha - e de políticos que renunciaram ao mandato para escapar de processo de cassação. A expectativa é que o Supremo Tribunal Federal (STF) decida em breve se a norma vai valer integralmente para as eleições de 2012.

Leia mais aqui

Nota do Editor - Em 2004, durante o período entre a eleição e a posse de Eduardo Cesar, o Ubatuba Víbora lançou a campanha: "Ficha limpa e dedicação exclusiva", visando a escolha do secretariado. A campanha não fez sucesso, mas foi precursora do que hoje ocorre no país. Sidney Borges

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Ramalhete de "causos"


Tá sobrando

José Ronaldo dos Santos
Rogério Mesquita, o Rogé, “anda por todo canto, sabe um monte de coisa só de escutar”. Foi o que eu escutei da minha vó Eugênia. E o Rogé sabia mesmo!
    
Certa vez, enquanto olhava para o mar, ele contou do “sobrado velho” (que eu nem tinha ideia de onde era), porque era importante etc. Bem mais tarde eu descobri a referência: era o Casarão do Porto, antiga casa de Manoel Balthazar, na boca da barra do Rio Grande de Ubatuba. Hoje é parte da Fundart, mas desde 1959 foi tombado como patrimônio histórico e arquitetônico.
    
De acordo com o Rogé, ele era moleque quando conheceu o lugar:
   
“Naquele  lugá ali era o Hotel Boidapeste [Budapeste]; a gente mais velha dizia que aquela era a casa mais bonita da cidade. O primeiro dono foi um português que vendia e comprava;  dali despachava e arrecebia mercadoria. A língua do povo diz que o hómi enricou com café ainda no tempo que o Brasil tinha imperadô –que aparece em livro com barba branca! Esse portuga teve umas filha bonita pra perdê! Só que não era pra bico de pobre! Arrumaro marido, faiscaram daqui! Só uma ficô na nossa terra... terminô sua vida em Taubaté.

A propósito, foi gente dessa cidade, o Guisado [Guisard] que mais tarde, adespois do tempo da revolução do Getulho [Getúlio], comprô o velho prédio pros tempo de férias. Naquele trecho, entre a igreja e o sobrado, em tempo assim, ficava cheio de gente se tecendo: era um tal de querê vê gente de fora e querê sê visto também! Tinha gente nova na cidade por um tempo: tanto no frio como no tempo quente. O boato dizia que a maioria era empregado do dono do sobrado. 

Agora, se acreditá no que disse o Zequita [José Alves Barreto], vão fazê não sei o que lá de curtura. Acho que o sobrado velho tá sobrando”.

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Opinião

'Democratização', não controle

O Estado de S.Paulo - Editorial
O PT já percebeu que pega mal falar de "controle social da mídia". Agora, o que reivindicam os petistas é a "democratização dos meios de comunicação". Claro, o termo "controle" tem uma desagradável conotação autoritária. É melhor defender a mesma ideia usando uma expressão mais simpática, sedutora. Afinal, não se pode ser contra a "democratização", seja lá do que for. Portanto, sai "controle", entra "democratização". Por exemplo, o presidente nacional do PT, Ruy Falcão, em entrevista à imprensa dias atrás, anunciou a realização, no âmbito dos debates sobre o marco regulatório da comunicação eletrônica, um seminário que deverá reunir em São Paulo "todas as entidades, organismos e parlamentares interessados na democratização dos meios de comunicação". Da comunicação eletrônica? Não, dos meios de comunicação, tout court.

O esperto floreio de linguagem apenas camufla a irreprimível vocação autoritária do PT, que na verdade não admite uma imprensa livre criticando seus programas e seu governo e por isso quer "democratizar" os veículos de comunicação. Uma clara demonstração do uso que o partido faria da "democratização" dos meios de comunicação que preconiza são as recentes tentativas da ministra da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres, Iriny Lopes, de interferir numa peça publicitária protagonizada pela modelo Gisele Bündchen e no enredo da novela "Fina Estampa", da TV Globo, sob a alegação de que em ambos os casos a condição feminina estaria sendo colocada numa posição de "subalternidade". Seria o Estado decidindo o que constitui ou não a dignidade da condição feminina.

É notável também a insistência do PT em colocar num mesmo balaio duas questões absolutamente distintas, na tentativa de se valer da confusão para impor sua visão autoritária a respeito do controle da mídia. Uma coisa é o problema da atualização do marco regulatório da comunicação eletrônica, necessária em razão da enorme defasagem da legislação vigente em relação aos avanços tecnológicos na área. Outra coisa é a tentativa de regulação - censura, em português claro - dos conteúdos veiculados por todas as mídias, inclusive a impressa. E é isso que se tentará colocar em pauta no seminário anunciado pelo presidente petista.

Esse seminário, quem sabe, poderá lançar luzes sobre o verdadeiro significado de "democratizar" a mídia. Se a grande imprensa brasileira não é democrática, como acusa o PT, isso significa o quê? Que falsifica a realidade em benefício de interesses escusos, por exemplo, quando denuncia escândalos que obrigam a presidente a demitir ministros? Ou quando participa do debate político e das campanhas eleitorais, criticando os excessos do PT?

Se é isso que pensa o PT, está em clara divergência com a presidente Dilma Rousseff. Em primeiro lugar, pela razão óbvia de que ela foi eleita, apesar de não ter contado com o apoio da grande mídia. Mais do que isso, porém, porque Dilma, desde a campanha eleitoral do ano passado, jamais deixou de expressar, de maneira absolutamente cristalina, seu repúdio a qualquer tentativa de controle da mídia e a sua confiança na imprensa livre que existe hoje no País.

Quando era candidata à Presidência, em outubro do ano passado, Dilma Rousseff declarou: "A imprensa pode falar o que bem entender. Eu, o máximo que vou fazer, quando achar que devo, é protestar dizendo: está errado o que disseram por isso, por isso e por isso. Usando uma coisa fundamental que é o argumento". Em seu discurso de posse, proclamou: "Prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras. As críticas do jornalismo livre ajudam ao País e são essenciais aos governos democráticos, apontando erros e trazendo o necessário contraditório". Em setembro, em visita aos Estados Unidos, ao assinar uma parceria com o governo norte-americano pela transparência e pela fiscalização das ações dos poderes públicos, garantiu: "Conta-se também com a positiva ação vigilante da imprensa brasileira, não submetida a qualquer constrangimento governamental".

Dilma e o PT que se entendam.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 13 / 10 / 2011

Folha de São Paulo
"Rota Anchieta-Imigrantes tem escalada de vítimas" 

Total de feridos é recorde em 13 anos; número de mortos sobe 19% em 2011
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Nos nove primeiros meses de 2011, o total de mortos no sistema Anchieta-Imigrantes subiu 19%, e o de feridos, 31%. No mesmo período, houve queda de 14% nos acidentes na ligação entre São Paulo e o litoral sul. O total de feridos é recorde nos 13 anos em que a Ecovias gere o sistema - que inclui parte das rodovias Cônego Domênico Rangoni e Padre Manoel da Nóbrega. As áreas com mais acidentes ficam perto das cidades.

O Estado de São Paulo
"Plano resgata governos e blinda bancos na Europa"

Após apresentar projeto, Comissão Europeia diz que objetivo imediato é encontrar saída para Grécia

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, apresentou ontem um plano que inclui não apenas o resgate a governos, mas também a blindagem de bancos contra quebras. Barroso, porém, deixou claro que solucionar a crise grega é fundamental e fez um apelo para que o recém-criado fundo de € 440 bilhões para resgatar economias em dificuldade seja fortalecido. Na prática, ele quer a ampliação do mecanismo para que tenha US$ 2 trilhões, o que seria suficiente para resgatar não apenas Grécia ou Portugal, mas economias do tamanho da Itália. O projeto apresentado por Barroso foi dividido em cinco pilares de ação interdependentes: 1) uma resposta aos problemas na Grécia; 2) a conclusão das intervenções na zona do euro para conter a crise; 3) uma abordagem coordenada de reforço do sistema bancário; 4) a aceleração de políticas de crescimento e de estabilidade; e 5) a definição de políticas de governança sólidas e integradas para o futuro.

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quarta-feira, outubro 12, 2011

Curtindo um som

Gastando sola à-toa

Marcha contra a corrupção

Acontece nesta quarta-feira em 25 cidades

Juliana Castro, O Globo
Contra o voto secreto e a favor da Lei da Ficha Limpa. Essas são as principais bandeiras do movimento contra a corrupção que volta às ruas do país nesta quarta-feira. Com a adesão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), mais um lema foi incorporado ao movimento: a defesa dos poderes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para fiscalizar e punir os magistrados.

Continue lendo aqui.

Utopias brasilienses

Sidney Borges
Depois de ler o texto do Globo fiquei pensando nas tainhas. Todo mundo engana tainhas, até outros peixes enganam tainhas. O povo é parecido com as tainhas. Governos gostam de enganar o povo, gente esperta gosta de enganar o povo. Essas marchas contra a corrupção servem exatamente para isso: enganar o povo. 

Do jeito que a coisa anda, mantidos os usos e costumes que persistem desde a chegada de Cabral e mantido o sistema que dá poderes imperiais aos eleitos a cargos executivos, caminhar contra a corrupção é gastar sola de sapato inutilmente. A corrupção está entranhada na alma deste povo que tanto ama Sarney, acabar com ela é utopia.

Desde tenra idade vejo cidadãos sem dinheiro para dividir pizza com os amigos serem eleitos e enriquecerem após curtos mandatos. Ao fim de seu tempo com a caneta nas mãos, apontados pelos tribunais de contas e processados pelo MP por má conduta, sorriem impunes esfregando o produto do butim na cara do povo na forma de carrões, relógios caros e outros mimos da burguesia, dignos de milionários. O que é um milionário? O filho de Lula, gênio da informática, é um milionário.

A corrupção não vai terminar tão já. Talvez daqui a trezentos anos. Talvez. Pena que não estaremos aqui para usufruir dos impostos que pagamos na totalidade. Atualmente um montante que gira em torno de 20% a 30% deles some, desaparece, se esvai no ar como fumaça.

Não vou gritar contra a corrupção. Prefiro esperar para ver corruptos e corruptores queimando eternamente. Para quem não sabe, lugar de corrupto é no inferno. Espaço reservado também para quem apoia e acoberta esses pulhas. 

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Opinião

Os indignados com Wall Street

O Estado de S.Paulo - Editorial
A rua é o desaguadouro natural das pulsões sociais quando os sistemas políticos não conseguem ou não querem acolhê-las, ou ainda quando as sufocam. Nem todos, portanto, saem às ruas pelos mesmos motivos ou com os mesmos objetivos. Como as famílias infelizes de que falava Tolstoi, por oposição às famílias felizes que seriam, todas, parecidas, as insatisfações sociais que se materializam nos espaços públicos têm, cada qual, feitio próprio. As que mais se assemelham, historicamente, são as revoltas contra os despotismos, que eclodem muitas vezes depois que a proverbial gota de água faz transbordar o copo. Ou, numa metáfora apropriada para a presente geografia política, quando uma palha a mais quebra a espinha do camelo - como a autoimolação de um vendedor de rua na Tunísia que levou à derrubada do ditador de seu país e, em sequência, dos seus congêneres egípcio e líbio.

Nas democracias é que as diferenças se acentuam. Os estudantes protestam e são violentamente reprimidos no Chile pelo governo direitista de Sebastián Piñera porque reivindicam, como começaram a fazer no anterior governo de centro-esquerda da presidente Michelle Bachelet, a reforma do sistema de financiamento da educação herdado da era Pinochet. Embora enfurecidos, decerto não passa pela cabeça deles defender uma solução "bolivariana" para as mazelas não sanadas do regime democrático chileno: conhecem a sua história. A democracia tampouco está na mira dos muitos milhares de israelenses que, irados de início com a alta do preço do iogurte, fizeram passeatas e montaram acampamentos para denunciar a crise habitacional do país - e, por extensão, o aumento das desigualdades econômicas sob o governo neoliberal de Binyamin Netanyahu.

O panorama muda de figura quando os descontentes se congregam para escancarar aos políticos - de todo o espectro partidário - a frustração levada ao extremo com a sua aparente indiferença diante dos padecimentos da população. É o caso da Espanha, onde a recessão, o desemprego de 21%, o mais alto da União Europeia, o corte de benefícios sociais e a ausência de projetos dotados de credibilidade para o resgate da economia deram origem à mobilização de Los Indignados, que tempos atrás ocupou a Porta do Sol, em Madri. O seu patrono é o francês Stéphane Hessel, de 94 anos e herói da Resistência, autor do panfleto Indignez-vous, um dos livros mais vendidos na Europa. Os indignados estão longe de repetir o bordão dos argentinos que, na virada de 2001 para 2002, clamavam nas praças portenhas Que se vayan todos. Mas querem um outro (e nebuloso) modelo de representação política.

A onda chegou aos Estados Unidos - e confirma que, sejam quais forem os seus pontos em comum com as de outros quadrantes, sua identidade é também singular. O alvo primário do movimento Ocupe Wall Street não são as instituições, mas, como diz o nome, o capitalismo financeiro, com os seus desmedidos poderes sobre os centros de decisão de Washington e a impunidade extravagantemente bem remunerada de que desfruta, em que pese ter jogado o país na maior recessão desde a quebra de 1929. Não se sabe no que dariam os protestos iniciados há três semanas no Zuccotti Park, no sul de Manhattan, a uma pedrada de distância do símbolo da finança mundial, não fosse a brutalidade estúpida da repressão da polícia nova-iorquina a uma marcha pacífica na Ponte do Brooklyn, no último dia 1.º. Mas o fato é que as concentrações se propagaram para mais de 25 cidades, entre as quais Boston, Chicago, Los Angeles e Washington.

Os seus participantes, em que há de tudo, de anarquistas a operários, podem não saber o que querem. Um jornalista comparou os seus atos a manchas de tinta que, a exemplo das imagens do Teste de Rorschach, cada observador interpreta à sua maneira. Mas eles sabem o que não querem - a hegemonia da alta finança sobre a economia americana e a sua exagerada influência sobre a Casa Branca, que trata Wall Street na palma da mão, enquanto a renda se concentra e o desemprego permanece fixo na casa de 9%.

Os indignados com Wall Street não têm a pretensão de obter respostas prontas às suas aflições. Mas o movimento tem tudo para crescer a ponto de conseguir "dar uma sacudida" no país, como disse Obama.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 12 / 10 / 2011

Folha de São Paulo
"Justiça determina fim da greve de 28 dias dos Correios" 

Sindicato vai receber multa diária de R$ 50 mil por dia caso descumpra decisão; serviço será normalizado em até dez dias
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O TST (Tribunal Superior do Trabalho) determinou aos funcionários dos Correios que voltem ao trabalho a partir da 0h de quinta. Se a categoria descumprir a ordem, a Fentect (federação dos trabalhadores dos Correios) será multada em R$ 50 mil por dia.

O Estado de São Paulo
"Aliados cobram 'pedágio' de Dilma para liberar gastos"

Base quer mais verba e cargos para aprovar mecanismo que dá destinação livre a 20% da arrecadação

A base aliada no Congresso está cobrando da presidente Dilma Rousseff três "pedágios" para aprovar a Desvinculação de Receitas da União (DRU) - mecanismo que permite ao governo usar livremente 20% da receita com os impostos e contribuições da União. Os parlamentares querem reduzir o prazo de validade da DRU, provavelmente para dois anos, o que obrigaria Dilma a negociar a renovação antes da eleição de 2014. Além disso, eles exigem a liberação de mais dinheiro das emendas individuais ao Orçamento e querem indicar nomes para cargos. O governo corre contra o tempo porque a validade da DRU termina em 31 de dezembro. No Orçamento de 2012, a previsão é de que a DRU some pelo menos R$ 62,4 bilhões - é mais do que os orçamentos do Bolsa Família (R$ 19,2 bilhões), do Minha Casa, Minha Vida (R$ 11,8 bilhões) e da parte de infraestrutura do PAC (R$ 16,8 bilhões).

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terça-feira, outubro 11, 2011

Ubatuba em foco

Devagar com o andor...

Sidney Borges
Ubatuba fervilha de boatos. Ontem "mataram" o Paulo Ramos. Intriga da "oposição", PRO está vivinho da silva, descansando e preparando-se para voltar ao centro dos boatos. Pelo que foi possível filtrar da boataria, o fulcro da agitação política recente esteve focado nas pesquisas. Com uma coincidência, os patrocinadores sempre na frente, virtualmente eleitos. Pena que só tem lugar para um prefeito.

Quem de fato está na frente? Maurício Moromizato, do PT, candidato bem votado em 2008. O povo tem na cabeça a eleição passada até começar a corrida para a próxima, o que vai acontecer por volta de julho de 2012. Desse momento em diante é que as pesquisas terão validade. 

O homem comum, a maioria dos eleitores pertence a essa categoria, ainda não está preocupado com política, passa os dias correndo atrás da mistura do dia seguinte. 

Convém lembrar que na primeira eleição de FHC o candidato da situação era Antônio Britto, com 16% nas pesquisas. Lula tinha 36% e FHC entre 2% e 4%. O presidente Itamar Franco chamou Britto e comunicou a disposição do PMDB de lançá-lo candidato. Britto não aceitou, disse que era jovem para a presidência. Preferiu ser candidato a governador do Rio Grande do Sul. Isso um ano antes da eleição. 

Muito a contragosto Itamar concordou em apoiar FHC e deu no que deu.

Por aqui os últimos acontecimentos têm pinceladas de loucura - ou seria desespero? Chegou a ser aventada a hipótese da situação apoiar a oposição. Para barrar a oposição. Waal! Entendeu? Certas conversas envolvem riscos. Principalmente quando vêm a público.

Ter o apoio da situação pode ser bom ou pode ser um fardo, depende de como as coisas são passadas ao povo. Hoje há um visível desgaste da administração, mas eleição é coisa de momento e o jogo pode mudar. Com a corrida ao trono mal iniciada, só é possível afirmar que a eleição vai ser dispendiosa.

Eleições e golpes de estado custam fortunas!

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O barquinho vai...

Poesia

Solidão solitária

Lourdes Moreira
Solidão de um povo parece efeméride
Nas colunas dos jornais
Saber causas é um acaso
Que transgride a solidão solitária…

Corpos transfigurados por balas…
Açoitados nas ruas frias… Com frio…
Nos insanos hospitais de paredes brancas…
Sem ao menos vestes brancas vestidos…

Dores escondidas da mágoa,
No imposto caro e açoitado;
De máquinas registradoras, não aparentes, dos mercados;
De um povo que nem parece mercenário.

Mulheres registrando cansadas;
As marcas que denunciam violência sofrida;
Na lida diária com o homem amado;
Ou… Nas ruas destratadas…

Crianças sofridas na pedofilia;
No abuso sexual infame… Disforme.
Na cruel e demente selvageria,
Da prostituição infantil desprotegida.

Idosos esquecidos… Com lares emprestados;
Suas idéias esmorecidas;
Suas lembranças esquecidas;
Um hoje sem ontem. Terão amanhã?

Diferentes desamparados…
Em programas ou projetos passageiros
De políticos e políticas traiçoeiras
De mentes e corpos depois… Não reconhecidos.

Educadores e educandos presentes
Em números e numerais
Acesso fácil às falácias
De uma sociedade solitária.

Solitária na solidão de sua verdade…
Cansada…
De efemérides e tanta… selvageria!

Lourdes Moreira
Profª Municipalizada da Rede Estadual de Educação

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Opinião

Onde o Itamaraty acerta

O Estado de S.Paulo - Editorial
Mais diplomatas e mais recursos serão mobilizados para as disputas comerciais e para a promoção de produtos brasileiros no mercado internacional, anunciou o chanceler Antonio Patriota. As novidades compõem um quadro de 20 medidas apresentadas pelo ministro ao abrir, nessa segunda-feira, a comemoração dos 10 anos da Coordenação Geral de Contenciosos e dos 16 anos de participação do Brasil no sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

A diplomacia brasileira tem obtido resultados importantes em disputas na OMC. O exemplo mais conhecido talvez seja a vitória no caso dos subsídios americanos ao algodão. Mas soluções satisfatórias, às vezes com vitórias parciais, foram alcançadas em vários processos importantes, em áreas tão diferentes quanto o comércio de aviões e a exportação de açúcar.

O comércio exterior brasileiro cresceu aceleradamente nos últimos 10 anos. Aumentaram tanto o volume e o valor das exportações e importações quanto o número de parceiros em todo o mundo. Multiplicaram-se, portanto, as possibilidades de conflitos de interesses e de processos legais na OMC. Mas a estrutura oficial montada para a defesa dos interesses brasileiros nem de longe acompanhou a expansão do intercâmbio.

Agora, o chanceler Patriota anuncia a duplicação do número de diplomatas lotados na Coordenação Geral de Contenciosos. Mesmo assim, o número continuará modesto. A equipe deverá passar de quatro para oito funcionários, além de um chefe. O novo programa inclui também, entre outros pontos, uma preparação melhor dos profissionais, com a inclusão de uma disciplina intitulada "OMC e Contenciosos" no currículo do Instituto Rio Branco.

Além disso, haverá mais oportunidades de treinamento na missão do Brasil na OMC, na embaixada brasileira em Washington e na própria Coordenação. Haverá mais investimento em estudos e pesquisas sobre investimento e comércio e na produção, por embaixadas, de relatórios sobre barreiras a produtos brasileiros. Poderá ser especialmente útil o aumento dos contatos com o setor privado para a obtenção de informações sobre obstáculos protecionistas.

Com todo o esforço anunciado pelo ministro Antonio Patriota, a estrutura encarregada do contencioso comercial ainda será menor que as de outros grandes participantes do comércio internacional. Mas a iniciativa é positiva, sem dúvida, embora devam permanecer alguns problemas organizacionais.

No Brasil, a gestão do comércio exterior é dividida entre vários setores do governo e nem sempre há cooperação e entendimento entre ministros ou mesmo entre funcionários de escalões técnicos. No governo americano - apenas para mencionar um exemplo bem conhecido -, negociações de acordos e atuação em disputas são funções atribuídas a um só organismo com status ministerial - o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

Em nenhum país a diplomacia comercial é totalmente livre de influências políticas e ideológicas. A separação de funções, no entanto, pode com certeza contribuir para uma avaliação mais clara dos interesses comerciais envolvidos em cada projeto, em cada negociação e em cada disputa. No Brasil, essa avaliação tem sido prejudicada, a partir de 2003, pelo predomínio da visão político-ideológica.

O resultado é visível na escolha das prioridades, em geral vinculadas à ideia da promoção de laços econômicos Sul-Sul. Essa ideia tem prevalecido mesmo quando alguns parceiros, como China e Rússia, mostram pouco interesse de fato em alianças desse tipo e dão evidente prioridade ao comércio com os mercados dos mais desenvolvidos. A excessiva tolerância - muito além dos padrões da solidariedade - ao protecionismo praticado por sul-americanos contra produtos brasileiros é outro sinal bem conhecido dessa tendência. Uma das consequências dessa orientação tem sido a perda de oportunidades.

O País ganharia, se a eficiência do setor de contenciosos do Itamaraty contaminasse a formulação da diplomacia comercial. Mas não há sinal, por enquanto, desse contágio.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 11 / 10 / 2011

Folha de São Paulo
"Emenda financia produto hospitalar superfaturado" 

Deputada destina R$ 2,2 milhões a entidade de direito privado, que compra aparelhos de empresa de fachada
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Uma emenda de R$ 2,2 milhões financiou a compra de 17 aparelhos superfaturados para um hospital de Registro (região do Vale do Ribeira), relatam Nadia Guerlenda e Daniela Lima. A indicação dos recursos foi feita pela então deputada Patrícia Lima (PR-SP).

O Estado de São Paulo
"Investimentos caem e Dilma agora planeja gastar R$ 14 bi"

Queda é de 10% desde a posse; para não limitar imagem à ‘faxina’, presidente quer ações de impacto

O gasto com obras e compra de equipamentos nos primeiros nove meses de mandato de Dilma Rousseff teve queda de 10%. Com base em dados do Tesouro, o Estado comparou os pagamentos feitos de janeiro a setembro deste ano com igual período de 2010. O resultado é uma redução de R$ 2,7 bilhões nos investimentos. Agora, no sentido oposto, Dilma planeja lançar programas com investimentos que somam ao menos R$ 14 bilhões até o fim do mandato, em 2014. Para superar a imagem de que sua gestão se limita à "faxina" de ministros - chamada por ela de "reestruturação da equipe" -, a ordem é divulgar ações de impacto a cada duas semanas. Os programas envolvem iniciativas para pessoas com deficiência e proteção de crianças, além de combate às drogas e reforma de presídios.

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Steve Jobs

Robert Cumming, Apple and View Camera, 1980

segunda-feira, outubro 10, 2011

Faça o que eu digo...

Chantecler

Carlos Brickmann
A Escolinha da Professora Dilma já está sendo vista como piada, na Europa. O tradicional Financial Times ironiza os conselhos que a presidente dá aos europeus (em tradução livre, feita pelo colunista):

"O país classificado em 152º lugar pelo Banco Mundial por seu pesado sistema tributário aconselha contra impostos restritivos".

"A sugestão de que o Brasil deveria resgatar países cuja renda per capita é o triplo da brasileira foi recebida com surpresa".

"Dilma ressaltou a necessidade de combater o protecionismo uma semana depois de aumentar impostos sobre carros importados em colossais 30 pontos percentuais".

Alguém precisa contar a Dilma que eles são ricos, e nós não. Até agora, saíram-se melhor.

carlos@carlosbrickmann.com.br

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Wall Street

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Brasil

Fraudes já provocaram cassação de 274 prefeitos

O Globo
Desvio de dinheiro público, licitações fraudulentas e compra de votos estão entre os crimes que já levaram à cassação 274 prefeitos - 4,9% do total de eleitos em 2008. Levantamento feito pela Confederação Nacional de Municípios mostra que 38,1% perderam os mandatos por improbidade administrativa e 36,9% por infrações nas eleições. A um ano da nova corrida eleitoral, o ritmo das cassações pode aumentar ainda mais na avaliação de especialistas. O estado do Piauí é o recordista: dos 224 eleitos, 50 não vão terminar a atual gestão. Para o Ministério Público, na maioria dos casos, a prática de crimes contra o patrimônio público é feita de maneira dolosa.

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Opinião

Política e costumes

Denis Lerrer Rosenfield - O Estado de S.Paulo
O grau de liberdade de um país se mede pela liberdade de seus costumes, pelas escolhas que cada cidadão faz do que estima ser melhor para si, sabendo reconhecer no outro um portador dos mesmos direitos. A sociedade brasileira tem tornado um valor seu a liberdade dos costumes, alterando velhos hábitos e mesmo legislações restritivas à liberdade de escolha. Recentemente, contudo, surge uma onda, patrocinada por agentes governamentais, do politicamente correto que procura reverter essa tendência, fazendo-o em nome de uma posição aparentemente "progressista". O retrocesso está mudando de nome.

Há setores do governo, que têm uma visão definitivamente autoritária das relações políticas, invadindo, sem nenhum pudor, a esfera do privado, daquilo que é próprio de cada um. O poder passa a ser exercido sob a forma de controle da vida individual, em que, por princípio, nada se coloca fora do seu alcance. A liberdade de escolha - e, por extensão, de iniciativa -, econômica, de imprensa, de publicidade, é fortemente atingida. Engana-se quem pensa que se trata de ações apenas pontuais. Em cada caso específico se revela toda uma concepção de mundo, das relações pessoais e, mais particularmente, dos costumes.

A última em série - mas, infelizmente, não a última de um processo que parece interminável - está na tentativa da Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República de enquadrar a novela Fina Estampa, da Globo. O motivo, aparentemente anódino, diz respeito a um personagem que na trama humilha e bate na mulher. Segundo o enredo, a personagem agredida é aconselhada por amigas a prestar queixa do marido, porém não o faz porque diz amá-lo. Trata-se, na verdade, de um retrato do que ocorre com muitos casais pelo País afora, sem que intervenha aqui nenhum juízo de valor. Cabe, isso sim, ao telespectador elaborar o seu.

Mas a secretária sugere em ofício enviado à TV Globo que esta mude seu enredo. Segundo ela, a mulher agredida deveria procurar a Rede de Atendimento à Mulher, ligando para o telefone 180. Sugere ainda que o agressor seja não só punido, mas encaminhado aos centros de reabilitação da Lei Maria da Penha. Aqui, a secretária já está se tornando especialista em dramaturgia. A "lei" do politicamente correto deveria, então, passar a reger a elaboração das novelas e - por que não? - do cinema também.

O assunto é especialmente grave porque implica interferência governamental direta na liberdade de expressão, ainda que feita sob a forma de "sugestão". Sugestão de ministra não é conselho de uma cidadã qualquer, mas de uma agente estatal. Trata-se de uma recomendação oficial. Num primeiro momento, estamos diante de um fato menor, mas o problema é que a moda pode pegar. Logo, num segundo momento, qualquer agente público estaria no direito de se tornar um dramaturgo oficial.

Retomando o genial Stanislaw Ponte Preta, estamos diante de outro episódio do festival de besteiras que assola o país. O problema é que esse festival se apresenta como politicamente correto, estabelecendo normas de como deveriam ser os costumes e de como a liberdade de escolha deveria ser cerceada.

No festival em curso temos várias peças dignas de menção. Uma delas é sobre advertências, que deveriam estar inscritas em roupas íntimas de homens e mulheres, quanto aos perigos do câncer de próstata e de mama. Trata-se de uma invasão do domínio daquilo que é mais próprio de cada um, de sua vida íntima. Imaginem uma situação amorosa em que o homem olha o sutiã da companheira e lhe pergunta se tem feito mamografia. Ela, surpresa, olhando a cueca, retruca se ele fez exame de próstata. No auge da relação amorosa, o câncer, a morte, introduz-se numa relação de Eros, de vida. Não há clima que resista!

O clima, evidentemente, se esvai, dando lugar a uma conversa sobre os perigos de uma doença que pode ser mortal. Tânatos, a pulsão de morte, toma o lugar de Eros, pulsão de vida. E isso é feito pelo Estado, que diz proteger a vida contra a morte! A vida privada deveria, acima de tudo, ser preservada de intervenções estatais, por mais politicamente corretas que sejam. Eis o perigo maior. O Estado torna-se agente de Tânatos.

O festival não tem fim. A reincidente Secretaria de Políticas para Mulheres também vem tentando tirar do ar um comercial de lingerie com a modelo Gisele Bündchen por esta se insinuar, no uso de seus atributos femininos, num pedido ao marido. Nada de muito particular no fato, não fosse a "polícia" do politicamente correto procurando ditar o que deve ou não ser veiculado numa propaganda televisiva.

Seja dito de passagem que o anunciante da tal lingerie agradece, compadecido, a iniciativa governamental, pois a publicidade alcançada foi muito maior do que a prevista, seja ou não tirada a propaganda do ar. Jamais esse comercial teria atingido tal grau de publicização não fosse a interferência estatal.

O assunto encontra-se atualmente no Conar, órgão autônomo de regulação da publicidade, para análise de sua adequação ou não ao seu Código de Ética. Espera-se que essa entidade tenha o bom senso de rechaçar a interferência naquilo mesmo que é o fundamento da ética: a liberdade de escolha, livre das amarras governamentais.

O assunto é da maior gravidade, apesar de seu aspecto francamente cômico. Um agente estatal tem a pretensão de passar a decidir o que deve ou não ser veiculado na publicidade, interferindo em sua própria mensagem e criatividade. O mais preocupante, contudo, é que ele se crê imbuído da "crença correta" do que devem ser os costumes humanos. O governo arroga-se em instrumento de uma espécie de dever-ser moral que teria como função passar a ditar as normas dos comportamentos politicamente corretos.

Denis Lerrer Rosenfield, professor de Filosofia na UFRGS; e-mail: denisrosenfield@terra.com.br

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Segunda-feira, 10 / 10 / 2011

Folha de São Paulo
"Europa decide nacionalizar o maior banco da Bélgica" 

Dexia é a 1ª instituição financeira vítima da crise da dívida da Grécia
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Os governos de França, Bélgica e Luxemburgo decidiram nacionalizar o banco Dexia, a maior instituição financeira belga, tido agora como a primeira vítima da crise da dívida grega. O resgate do Dexia deve ter impacto positivo nas Bolsas, mas a nacionalização preocupa por aumentar a dívida da Bélgica, que já chega a 97% de seu PIB, e pode levar as agendas de risco a rebaixar a nota do país.

O Estado de São Paulo
"Europa salva banco e articula pacote amplo"

Merkel e Sarkozy definem apoio a capitalização; França e Bélgica assumem perda para evitar quebra de instituição

Dois anos após o início da crise da dívida europeia, a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy chegaram a um acordo ontem em Berlim para capitalizar instituições e impedir um colapso bancário. Eles evitaram dar detalhes do acordo, mas prometeram apresentar uma "solução abrangente" na reunião do G-20 em 3 de novembro, na França. Além de ajudar bancos que derem papeis de países como Grécia, Irlanda e Portugal, o pacote deverá apressar a liberação do socorro de € 158 bilhões para os gregos. Em outro front do combate a crise, Bélgica, França e Luxemburgo concordaram em nacionalizar o banco belgo-francês Dexia. A instituição será desmembrada para facilitar o saneamento e a venda.

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domingo, outubro 09, 2011

Crônica

Família

Sidney Borges
O som de barata esmagada fez com que tia Julieta pigarreasse, a reunião teria uma trégua, a coisa estava ficando tensa. Dividia-se o butim do falecido tio Joaquim, todos queriam o filé mignon, eram muitos, o boi não tinha tanta carne nobre, alguém haveria de ficar com cascos e chifres. Aos 94, alheio, vovô prescrutava cantos em busca das cascudas.

No sofá, sozinho e choroso, tio Abílio lamentava a morte do pai. Na hora de reivindicar sua parte disse que não queria nada além do São Benedito da cômoda da tia Zuleika. E completou: tenho muita fé naquele santo, rezo para ele todos os dias.

Silêncio na sala, só se ouvia o chiado da chaleira vertendo vapor na cozinha.

Tio Abílio era um bom homem, não fazia mal a ninguém, apenas bebia um pouquinho além da conta.

A reunião continuou até o momento em que Silvinha surgiu com um objeto escuro nas mãos.

Tio, é este o São Benedito?

Momento de suspense e exaltação, tio Abílio com os olhos mareados ajoelhou-se em frente ao santo. E puxou um padre nosso. Depois uma ave maria. A família acompanhou. Todos rezaram para o São Benedito, na verdade um frasco de perfume "Noite", da Avon.

Da cozinha chegou o aroma de café recém coado, sinal para o encerramento da reunião.

Dizem que não importa o santo, o que vale é a fé.

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