sábado, outubro 01, 2011

Bananeira, em se plantando dá...

Coluna do Mirisola

O Cristo Empalado
 
"Por que o meu diabo se omitiu? Ora, porque ele é o interessado número 1 em despistar, também o responsável pelo nosso sofrimento e por nossa empalação diuturna no vale de lágrimas que chamamos nosso lar"

Marcelo Mirisola
Não aguento mais ouvir que Deus não existe. Não aguento mais ouvir que Deus existe. Nunca ninguém chegou perto de mim, estufou o peito e disse: “O diabo não existe”. Vejam bem: o diabo está intimamente ligado tanto à negação quanto a afirmação de Deus. Como se ambos se anulassem, como fraude, e ambos se confirmassem como sentença. Se eu dissesse “tanto faz” se existem ou “tanto faz” se não existem, estaria cometendo um oxímoro duplo. A diferença é que o folgado não divide a mesma responsabilidade, nem carrega o mesmo fardo de ter criado o céu e a terra e as estrelas, os luares, as auroras … os corruptos de Brasília e as duplas sertanejas – porque, consta, todos são filhos Dele, inclusive, e principalmente, o diabo.

O simples fato de afirmar que Deus não existe não é o suficiente para desacreditar na existência do diabo. Mas, por outro lado, quando afirmamos que Deus existe, confirmamos automaticamente a presença do pé quebrado entre nós. O diabo é um caso único de onipotência, tanto na negação quanto na afirmação. Existe e não existe: nas rebarbas e no conjunto, nos desvãos e nas fachadas, na fartura e na miséria, no rés-do-chão e nas abobadas celestes, na verdade e na mentira.

A primeira vitória do diabo, segundo os exorcistas, é fazer você acreditar que Ele não existe. O descrédito é o primeiro passo para a danação eterna. Entretanto, se você está convencido de que ele existe, pode – neste momento – estar servindo aos seus interesses. Complicado, né?

Eu acredito que o diabo existe sim, e é omisso. Nem a mentira mais escrota é pior que a omissão. Aliás, nada mais diabólico e nojento que a omissão. A partir desse ponto, vou especular um pouco e chafurdar em textos apócrifos e no próprio evangelho.

Vamos lá.

Pilatos relutou muito antes de lavar as mãos. Durante algum tempo, era costume do governador romano permitir aos populares escolher algum homem prisioneiro ou condenado para receber o perdão na época da Páscoa. Jesus Cristo estava sob custódia de Pilatos. Uma multidão tinha vindo diante dele para pedir-lhe a libertação de um prisioneiro, e já que Jesus tinha estado tão recentemente nas boas graças das multidões, ocorreu a Pilatos que certamente ele poderia livrar-se do abacaxi, propondo a essa multidão libertar o homem da Galiléia, em sinal de boa vontade pascal. Enquanto a multidão lançava-se, subindo a escada do edifício, Pilatos ouvia-a chamando o nome de um tal de Barrabás.

Pôncio Pilatos era vacilão, mas não era louco. A multidão enfurecida, aquela mesma pela qual – dizem – Deus expressa sua voz, pedia a soltura de Barrabás. Pilatos tentou contornar a situação:

- Quem deve ser libertado, o ladrão e assassino Barrabás, ou Jesus, o lunático que se diz Rei dos Judeus?

- Barrabás! Barrabás!  Liberte Barrabás – gritava a multidão sanguinária.

– Se eu libertar Barrabás, o ladrão e assassino, o que farei com Jesus?

A multidão:

- Crucifica-o! Crucifica-o!

E o diabo? Sim, a pergunta que ingenuamente me faço, é a seguinte: onde estava o diabo nessa hora?  Onde mais senão no meio do povo, e nas mãos sujas e covardes de Pilatos? Mas por que o demônio (aquele que ninguém nega…) não se manifestou, e incitou a multidão a algo mais radical, do tipo: “Empalem o Rei dos Judeus! Empalem o homem!”

Os leitores hão de perguntar: será que o maluco do cronista está querendo nos dizer que a crucificação foi pouco?

Não, não é nada disso. Tenho uma tese.

Segundo os manuais de tortura, o empalamento ou empalação consiste na inserção de uma estaca no ânus, vagina ou umbigo até a morte do torturado. Algumas vezes deixava-se um carvão em brasa na ponta da estaca para que, quando esta atingisse a boca do supliciado, o infeliz não morresse até algumas horas depois, de hemorragia. Usava-se também cravar a estaca no abdômen.  Esse tipo de tortura, altamente cruel, foi vastamente utilizada por diversas civilizações no mundo inteiro, sobretudo na Arábia e Europa. Diz a lenda que o monarca assírio Assurbanípal apreciava assistir a sessões de empalamento enquanto fazia suas refeições. O método foi muito utilizado pelo conde romeno Vlad da Valáquia, que ganhou fama por empalar seus inimigos, e ficou conhecido pelo titulo de Vlad III, o Empalador, ou, em romeno, Vlad Ţepeş.

Vlad – dizem – também apreciava empalações à mesa, logo na primeira refeição matinal, junto a sucrilhos e geléias de framboesa. Todo mundo sabe que foi ele quem inspirou Bram Stocker a escrever seu notório livro “Drácula”.

No caso dessa crônica, o empalamento é uma licença poética, assim como o tempo e o vento e o espaço e as atrocidades que correm nas ficções e na bíblia. Portanto, o meu diabo estava no meio da multidão que uivava diante do Cristo, e ele, o diabo, podia perfeitamente – segundo minha tese – ter soprado a palavra “empalação” nos ouvidos de algum possuído, ainda que essa técnica não fosse moda entre os romanos naqueles tempos  –  mil e quatrocentos anos antes de o conde Vlad se distrair com a mesma prática  em seus desejuns lá na Transilvânia.

A tese é a seguinte. Se o Cristo tivesse sido empalado, a Igreja e os seus subprodutos mais sórdidos simplesmente não resistiriam. Não existiria ressurreição de um empalado, nem evangelho segundo Mateus, nem apóstolos, nem bispas, nem pedofilia, nem cruzadas, nem civilização ocidental judaico-cristã, nem Capela Sistina, nem culpa (nem o tesão advindo da culpa…), nem o diabo a quatro resistiriam a tamanho deboche. Duvido!

A cruz é que leva Cristo nas costas, e não o contrário. Por que o meu diabo se omitiu?   Ora, porque ele é o interessado número 1 em despistar, também o responsável pelo nosso sofrimento e por nossa empalação diuturna no vale de lágrimas que chamamos nosso lar, o diabo é a cidade escura depois do Kassab, o lixo acumulado nas calçadas. O diabo é a consequência deliberada de tudo o que veio em seguida, porque ele está presente em todos os cálices sagrados e nos profanos também, porque ele existe na negação e na fé mais contundente. O diabo existe e não existe em cada sílaba da Bíblia e em cada gota de suor, de sangue e de fezes derramados por nosostros, desde Pilatos, passando por Michelangelo Buonarotti até chegar ao Padre Marcelo Rossi.

O diabo é onipotente porque é omisso, ele é quem deu as chaves do céu a Pedro como recompensa pelo apóstolo ter negado o amigo três vezes, só mesmo Pedro poderia representar a pedra fundamental da igreja de Bento XVI, na base da omissão e do escárnio.

Em seguida, Pilatos ordenou que lhe trouxessem uma bacia e um pouco de água para que, ali mesmo, perante a multidão, lavasse as próprias mãos, dizendo: “Sou inocente do sangue deste homem. Estais decididos que ele deve morrer, mas eu não encontrei nenhuma culpa nele. E, pois, cuidai vós disso. Os soldados o levarão”.

E então a multidão aplaudiu e replicou: “Que o seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos”. A cruz é o fetiche do diabo. Talvez seu maior disfarce.  A verdadeira estaca que atravessou o rabo de Jesus e rasga as entranhas do mundo até hoje.

P.S: Na próxima semana, meu novo romance, “Charque” (editora Barcarolla),  estará a venda em todas as boas casas do ramo.

Sobre o autor

Marcelo Mirisola
Considerado uma das grandes revelações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.

Outros textos do colunista Marcelo Mirisola.

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

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Opinião

Nas barras do STF

O Estado de S.Paulo - Editorial
Por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), Paulo Salim Maluf - procurado pela Interpol em 181 países, sob suspeita de crimes financeiros - na última quinta-feira tornou-se réu de processo criminal que tramita naquela Corte. As acusações contra Maluf, mulher, filhos e outros parentes, num total de 11 pessoas, estão relacionadas com o desvio de recursos públicos de cerca de US$ 1 bilhão, classificados como "astronômicos" pelo ministro-relator, Ricardo Lewandowski. De acordo com a denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, esse dinheiro foi desviado de obras públicas quando Maluf foi prefeito de São Paulo (1993-1996), remetido ilegalmente ao exterior por doleiros e, por fim, "lavado" em investimentos feitos na Eucatex, empresa da família.

De acordo com a denúncia apresentada ao STF por Gurgel, a maior parte desse dinheiro foi desviada da construção da Avenida Água Espraiada, hoje Roberto Marinho. "Essa obra, concluída em 2000, teve o custo final extremamente absurdo de R$ 796 milhões, ou cerca de US$ 600 milhões. Essa foi a fonte primordial dos recursos utilizados na lavagem." O ministro Lewandowski não disfarçou sua perplexidade: "A família Maluf movimentou no exterior quantia superior a US$ 900 milhões. Esse valor é superior ao PIB de alguns países como Guiné-Bissau, Granada, Comores, Dominica e São Tomé e Príncipe".

Não se pode dizer que as acusações a Maluf sejam surpreendentes, porque a opinião pública está habituada, há pelo menos quatro décadas, a notícias sobre suspeitas de envolvimento do ex-prefeito paulistano com a malversação de recursos públicos. A associação do nome do ex-governador à prática da mão grande sobre o dinheiro alheio tornou-se tão corriqueira que acabou consagrando o neologismo "malufar". Surpreendente é o fato de que até hoje um homem com essa história de vida, frequentador assíduo das barras dos tribunais na condição de réu, jamais tenha sido condenado à prisão.

Atrás das grades Maluf já esteve, em 2005, por exatos 40 dias, na sede da Polícia Federal de São Paulo, acusado de intimidar uma testemunha, um doleiro, num dos vários processos em que está envolvido por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, evasão fiscal, etc. Mas, na época, o STF decidiu pela revogação do mandado de prisão, considerando a idade avançada e a saúde precária do recorrente, condições que não o impediram de, poucas horas depois de libertado, posar para fotos num restaurante, em Campos do Jordão, sorridente e satisfeito da vida, comendo pastéis e tomando chope com um grupo de amigos. Menos de um ano depois de passar quase seis semanas como hóspede da Polícia Federal, foi reconduzido à Câmara dos Deputados com quase 740 mil votos.

Além do hábito feio de se envolver em malfeitos na manipulação do dinheiro do contribuinte, Maluf notabiliza-se também pela deslavada cara de pau com que reage aos questionamentos a respeito de sua especialidade. Declara-se o político mais honesto do País, quiçá do mundo. Nega veementemente ter dinheiro depositado no Exterior. Promete renunciar ao mandato de deputado se alguém provar o contrário. Garante que a inclusão de seu nome da lista de procurados da Interpol é pura perseguição - o que, no sentido policial, de fato é mesmo. E agora chega à superação de suas melhores performances: manifestou-se contra a criação de novo imposto destinado a recolher recursos para a saúde, alegando que o dinheiro existe: "É só acabar com a bandalheira".

Os advogados da família Maluf também se esmeraram nas intervenções que fizeram durante a sessão do STF. Coerente com a eterna postura de "quem, eu?" com que o ex-alcaide paulistano se compraz em demonstrar desprezo pelo discernimento de seus interlocutores, o causídico José Roberto Leal de Araújo sustentou que seu cliente vive, desde 1970, um verdadeiro "calvário", perseguido pelo "ódio". Na mesma linha, José Roberto Batocchio foi ainda mais longe: "No Brasil, transformaram formação de família em formação de quadrilha". É verdade. No Brasil, às vezes essas duas coisas se confundem, como acabamos de comentar.

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Manchetes do dia

Sábado, 01 / 10 / 2011

Folha de São Paulo
"Projeto permite segurança privada armada em ônibus" 

Objetivo da medida, que também alcança estádios e presídios, é liberar PMs para policiamento das ruas
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O "estatuto da segurança privada", - projeto elaborado pelo Ministério da Justiça para a Copa e que depende de aval do Congresso - permite contratação de empresas para fazer a segurança armada de presídios, estádios, metrô e até ônibus. O objetivo da medida é liberar efetivos da PM hoje dedicados a atuar no sistema carcerário e nos jogos de futebol para policiar as ruas. O texto autoriza a participação de capital estrangeiro nas empresas de segurança no país em até 49%. O projeto é discutido desde 2007. Para o governo, a legislação de segurança privada, de 1983, precisa ser atualizada. 
 
O Estado de São Paulo
"Dilma e Mantega sinalizam que juros podem voltar a cair"

"Temos toda munição monetária, que EUA e Europa não dispõem", diz ministro

A presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sinalizaram ontem que a taxa de juros pode voltar a cair como forma de combater os efeitos da crise internacional. A presidente ressaltou que o governo não vai baixar os juros básicos movidos simplesmente pela reivindicação de agentes econômicos. "Vamos manter a trajetória de redução de juros de acordo com as condições econômicas do País", afirmou Dilma, para quem o Brasil vem sendo beneficiado pelo centário deflacionário causado pelo baixo crescimento das economias centrais. Segundo Mantega, o Brasil tem algo entre R$ 400 bilhões e R$ 500 bilhões em depósitos compulsórios que poderiam ser acionados em caso de necessidade. "Temos toda munição monetária, coisas que os Estados Unidos e Europa não dispõem. Nós temos, por exemplo, a taxa de juros mais alta do mundo, e podemos reduzi-la", afirmou o ministro.

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sexta-feira, setembro 30, 2011

Zé Ronaldo pergunta:


E por falar em civilidade... (III)

José Ronaldo dos Santos
Nossos rios, nossos sagrados rios, são redes de esgotos?

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Coluna do Celsinho

Próximos capítulos

Celso de Almeida Jr.
Os bastidores políticos fervem.

Mais uma semana e os partidos fecham as suas listas de pré-candidatos para a eleição de 2012.

Quer ser candidato?

Então, filie-se em alguma legenda até um ano antes do pleito.

A legislação eleitoral prevê esta regrinha.

Prazo perdido, candidatura impedida.

Para os que disputam, os próximos dias serão importantes.

Dependendo do partido escolhido, as chances aumentam ou murcham.

Coeficientes eleitorais e outras cascas de banana são os obstáculos do concorrente.

Para os candidatos de primeira viagem, mil pegadinhas podem quebrar o entusiasmo.

Caciques políticos espertos contribuem para iludir os calouros.

Não é um jogo simples.

Confunde bastante.

No final da próxima semana, porém, compreenderemos melhor as combinações possíveis.

Será o início de uma nova etapa, onde insatisfeitos não poderão migrar de legendas, mas ficarão tentados a flertar com os mais fortes.

Capítulos recheados de traídos e traidores darão o tom desta novela triste.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

Onde a sociedade quer mais saúde?

Washington Novaes - O Estado de S.Paulo
Reacende-se o debate sobre a situação calamitosa da saúde pública na maior parte do País - e até já se prevê que será esse o tema principal na campanha eleitoral de 2012. O governo federal, por intermédio de suas lideranças, admite que precisará criar algum imposto que acrescente R$ 45 bilhões anuais ao setor (o ministro da Saúde fala em mais R$ 41 bilhões para igualar o nível da saúde no País ao da Argentina e do Chile). Em 2010 investiu o nosso governo central R$ 61,9 bilhões - mas as despesas da União no setor, segundo Ricardo Bergamini, caíram de 1,88% do PIB, entre 1995 e 2002, para 1,80%, entre 2003 e 2010; a tendência até aqui é de 1,56% do PIB em 2011.

Mas a oposição e até parte dos governistas já dizem que não concordam com um novo imposto, embora haja quem fale em taxar, para isso, grandes fortunas, legalizar o jogo (cobrando altas taxas), aumentar os impostos sobre o fumo e reservas no exterior, além de destinar à saúde parte dos royalties decorrentes da exploração do petróleo.

Até se registram alguns avanços importantes no Estado de São Paulo, como o da redução da mortalidade infantil, que em 20 anos caiu 61,8%, passando de 31,2 mortes de crianças em 1.000 nascidas vivas para 11,9 - e isso se deveu em grande parte aos avanços no setor de saneamento. Também influíram o aumento da vacinação, os cuidados na fase pré-natal, a assistência às gestantes (Estado, 27/8). Em contrapartida, cresceram os índices de poluição do ar nas maiores cidades, que já produzem 23,7 mil mortes por ano. O Rio de Janeiro está com índice três vezes acima do máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS); São Paulo e Campinas, com o dobro (o melhor índice é o de Curitiba). E o Escritório da ONU sobre Drogas e Crime (Unodc) alerta para o consumo abusivo de medicamentos no Brasil, sobretudo emagrecedores (Envolverde, 27/6).

A questão brasileira na área da saúde parece ainda mais preocupante quando colocada diante de outros relatórios internacionais. Como o do World Cancer Research Fund (BBC Brasil, 17/9), que aponta um aumento da incidência de câncer no mundo da ordem de 20% na última década, quando se registraram 12 milhões de casos novos; 1,8 milhão estavam relacionados com má alimentação, deficiências de atividade física e aumento de peso - e esse número "deve crescer dramaticamente na atual década". Além do câncer, diz a ONU em outros documentos, também crescem muito doenças não transmissíveis, como as cardiovasculares, respiratórias crônicas e diabetes. No Brasil, segundo a OMS, os casos de câncer de próstata (41,6 mil em um ano) e de pulmão (16,3 mil) são os mais frequentes entre homens; na mulher, câncer de mama (42,5 mil) e de colo do útero (24,5 mil). Já o IBGE diz que 16% dos meninos brasileiros e 12% das meninas de 5 a 9 anos sofrem com obesidade, sedentarismo e estresse deles decorrente.

Outro alerta da OMS é para a ameaça de recrudescimento da gripe aviária (vírus H5N1), principalmente na Ásia e em regiões mais próximas, embora possa expandir-se. Desde 2003, o combate à gripe exigiu o sacrifício de 400 mil aves confinadas em 63 países, com prejuízos de US$ 20 bilhões. Em 2010-2011 já surgiram 800 casos e há vírus endêmicos em seis países. Como grande exportador de carne de aves, o Brasil precisa se precaver.

Chega-se, então, ao terreno dos medicamentos. Há progressos na cooperação da indústria farmacêutica com a OMS e outros organismos, que permitirá a produção de medicamentos antirretrovirais em versão genérica por um consórcio internacional que os fornecerá a 111 países mais pobres, com economia de US$ 1 bilhão (o Brasil já quebrou a patente em 2001). Também haverá redução dos royalties em patentes de medicamentos para hepatite (Estado, 13/7). Na verdade, os ministros da Saúde do Brasil, da Rússia, da Índia, da China e da África do Sul - o Brics - querem mudanças na legislação sobre medicamentos e patentes para ampliar o acesso das pessoas mais pobres e baratear custos. A resistência é forte. Mas a própria presidente Dilma Rousseff defendeu na recente reunião da ONU a que esteve presente a quebra de patentes de remédios para doenças não terminais (Estado, 20/9), como diabetes, hipertensão e outras. Segundo ela, trata-se de um "elemento da estratégia para aumentar a inclusão social".

É um tema antigo e difícil. Quando era secretário de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia do Distrito Federal (1991-1992), o autor destas linhas e o então presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ennio Candotti, tentaram evitar que o Congresso Nacional incluísse na Lei da Propriedade Industrial, que então discutia, o reconhecimento de pipelines para medicamentos com patente já vencida no exterior - quando, na verdade, deveriam passar a ser fabricados aqui sem pagar royalties, como já ocorria em tantos países. Até ao então presidente Itamar Franco foi uma delegação com representantes da SBPC em todos os Estados. O chefe do governo aderiu imediatamente à reivindicação. Mas seus líderes no Congresso impediram qualquer avanço. E os pipelines prevalecem até hoje, embora haja ações de inconstitucionalidade tramitando no Supremo Tribunal Federal.

Prevenida quanto ao avanço de certas reivindicações, a indústria farmacêutica transnacional já domina 40% do mercado de medicamentos genéricos (Folha de S.Paulo, 28/8), quando há três anos só tinha 12%: muitas patentes poderão cair em domínio público em prazos curtos.

Com tudo isso, a sociedade precisa acompanhar atentamente a discussão sobre a saúde pública, uma das que mais lhe interessam. Recursos podem surgir - basta lembrar o que já se citou num dos últimos textos nesta página: o governo federal paga em juros da dívida pública entre R$ 60 bilhões e R$ 70 bilhões/ano (por causa da mais alta taxa de juros no mundo); em subsídios a vários setores econômicos, R$ 30 bilhões; em ajuda a mutuários, R$ 32 bilhões (Agência Estado, 8/8). Recursos como esses terão o destino que a sociedade autorizar.

Washington Novaes, jornalista, e-mail wlrnovaes@uol.com.br

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 30 / 09 / 2011

Folha de São Paulo
"BC prevê inflação maior, PIB menor e queda de juros" 

Relatório trimestral estima que IPCA feche em 6,4% no fim do ano e que crescimento da economia fique em 3,5%
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Os efeitos da crise mundial serão suficientes para conter a alta de preços neste ano e em 2012. Com base nessa avaliação, o Banco Central sinalizou novos cortes de juros, em relatório trimestral divulgado ontem. A previsão de inflação em 2011, que há três meses estava em 5,8%, foi revista para 6,4%. Mesmo com o índice encostando no teto da meta (6,5%), o BC acredita ser possível realizar novos cortes "moderados" nos juros.

O Estado de São Paulo
"BC prevê PIB em baixa e inflação alta"

Estimativa é que índice de preços chegue a 6,4%, perto do teto, e que economia cresça 3,5%, ante 4% em previsão anterior

Um mês depois de surpreender o mercado com um corte na taxa básica de juros, o Banco Central informou em relatório trimestral divulgado ontem que espera mais inflação e menos crescimento econômico neste ano, principalmente em razão da queda na atividade industrial e da moderação nas vendas no varejo. O BC elevou a projeção de inflação neste ano de 5,8% para 6,4%, muito próximo do limite Maximo estabelecido para 2011, de 6,5%. O risco de estourar a meta "sempre existe", disse o diretor de Política Econômica, Carlos Hamilton. Já a previsão de crescimento do PIB caiu de 4% para 3,5%. A autoridade monetária alertou que aumentos reais de salário e a indexação da economia representam riscos para o controle da inflação. Para analistas de mercado, porém, o BC sinalizou que vai continuar cortando juros neste ano, por causa da crise internacional. 

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quinta-feira, setembro 29, 2011

Tony Bennett


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Colunistas

Agora é oficial: enfim, o político apolítico

“Pensando bem, essa política sem política sempre existiu no país, é a que mais nos caracteriza. E pra não perder o mote publicitário: é nossa marca registrada”

Márcia Denser
Nesses tempos burros e pós-ideológicos no Brasil e no mundo, quando ninguém lembra nem sabe nada, (aliás, não só não sabe como tem raiva de quem sabe), não é só a política que cria, alimenta e enfia bobagens (vide campanha anticorrupção forjada pelo Instituto Millenium, a neo-doutrina Kassab da política sem política, a ser tratada mais adiante) goela abaixo das pessoas, como a própria publicidade  - criativíssima há uns 30/40 anos, a de tevê era melhor do que os programas, houve tempo em que os mais informados, intelectuais, até donas de casa adoravam  assistir aos comerciais! – talvez refletindo a mediocridade generalizada, tornou-se simplesmente terrível, um tesouro inesgotável a prodigalizar burrice e ignorância infinitas.

A começar dos comerciais e terminar nos trailers dos próximos filmes: nada mais terrível, tenebroso, imbecil. Não me conformo que pago quase quatrocentos reais entre telefone, internet e tevê a cabo com o objetivo único e exclusivo de me emputecer!Por exemplo, um dos comerciais primorosos dessa linhagem é aquele da Volkswagen que diz que “Alemanha e Brasil têm muito em comum”: não só incorre num “absurdo conceitual”, como o repete dezenas de vezes por dia na cabeça do consumidor, o tal cidadão que afinal se rende e acaba acreditando nisso.

A propósito, lembrando Hitler: uma mentira repetida zilhões de vezes vira verdade.

Senão, vejamos: a Alemanha dominou o mundo por duas vezes, se reerguendo das cinzas da guerra; por outro lado, nas artes (a exemplo da música com Bach, Beethoven, Mozart, só para lembrar esses três), na filosofia (Kant, Hegel, toda a Escola de Frankfurt), na política (Marx), na psicologia (Freud, Jung), pra não falar da ciência (Einstein), ou seja, a cultura e o pensamento alemães constituem o que há de mais relevante no mundo ocidental desde a Idade Média até a Modernidade. Tive um professor que costumava dizer que a “a civilização é francesa (os costumes, as boas maneiras, a perfumaria, a moda, enfim), mas a cultura (a “kultur”) é alemã”.

Certo, a Alemanha teve Hitler e perpetrou o Holocausto judeu – o que significa que um povo com tantos luminares só pode projetar uma sombra escuríssima – apenas para atender as tais leis do equilíbrio que regem todos os campos da natureza humana ou não.

Agora, que mal lhe pergunte, o que o Brasil teria a ver com a Alemanha? Para começar, nosso povo não conhece a guerra – aliás, como já foi dito e repetido aqui, não se manda para a guerra cidadãos sem direitos. Historicamente sem direitos, ergo, sem cidadania. E ninguém irá me convencer que “alemão é louco por automóvel” – só se for pra VENDER seus automóveis – projetados entre os mais inteligentes e eficientes do mundo – para um mercado consumidor, ou seja, os trouxas do mundo inteiro, sobretudo da América Latina, que imaginam poder usar automóveis indefinidamente como se o fim dos combustíveis fósseis não tivesse data e seus únicos usuários já não fossem marcados (entre os quais NÃO estamos incluídos, of course).

Mas, ao menos para consumo interno (qual é o intelectual com algum senso de ridículo que se atreveria a divulgar isto lá fora sem se suicidar academicamente?),  o Brasil tem dado contribuições interessantíssimas na área política, a exemplo da doutrina Kassab. Citando o engraçadíssimo artigo do Gilberto Maringoni (Carta Maior), o atual prefeito paulistano criou um mote genial para o PSD (Partido Social Democrático): “Não é de esquerda, nem de direita e nem de centro”. O PSD surge como situação em 18 estados, em coligações que abrangem o PT, o PMDB, o PSDB e o PSB. Ou seja, com todo mundo e em toda parte, pouco importando quem esteja no comando: o que importa é estar por cima!

Político apagado até ser reinventado por José Serra, que o escolheu para vice-prefeito na sua chapa em 2006, Kassab deixa de ser uma expressão local para fazer articulações em nível nacional. Suas possibilidades só aumentaram diante da virtual falência dos partidos de direita no Brasil (a propósito, o DEM, de onde saiu Kassab e cujo mentor foi nada mais nada menos que o próprio Jorge Bornhausen. E este Kassab que é tão Kassab que considera tal informação um dos pontos culminantes da biografia de himself! – ou seria himsifu?)

Mas a questão está em definir que tipo de projeto poderia integrar setores que, teoricamente, teriam interesses díspares: como unir especuladores, empresários, a turma do agronegócio exportador, a nata do movimento sindical, os trabalhadores sem terra e os miseráveis do país?

A representação tradicional da direita brasileira – PSDB, DEM e PPS – ficou sem discurso, sem bandeira e, pior, sem base social. Ou seja: sem legitimidade. Seu eleitorado tradicional definhou. Os setores mais pobres e desorganizados mudaram o voto com a melhoria do padrão de vida. A essa direita, que não vive longe da máquina pública, dos financiamentos e dos cargos, restou uma única saída: aderir ao governo.

Segundo Maringoni: “O PSD é a ponte para a adesão sem culpa e sem turbulências. É uma espécie de câmara de descompressão, que adapta interesses e amolda demandas. Mais do que o PMDB, que é ao mesmo tempo situação e oposição, o PSD pode ser a métrica da elasticidade de propósitos, sem que isso salte muito à vista. O fato é que o mote de Gilberto Kassab parece ter contaminado a ação oficial. Tudo funcionará se ninguém fizer marola. E uma das marolas significativas pode ser representada pela apuração dos crimes da ditadura na Comissão da Verdade. Não apenas vários políticos do regime militar seguem na ativa, como setores do empresariado, que financiam campanhas eleitorais de diversos partidos, apoiaram e financiaram a tortura. Se for fundo na apuração do passado, a Comissão vai mexer no presente”.
Assim, é necessário monitorar seus passos, restringir suas atribuições, limitar suas iniciativas e dispersar seus objetivos para que suas conclusões não sejam incômodas, observa ele. Tenta-se fazer dela o que Slavoj Zizek fala sobre os novos tempos (e que já apontei em outras colunas):

“No mercado atual, encontramos uma série ampla de produtos desprovidos de suas propriedades malignas: café sem cafeína, cremes sem gordura, cerveja sem álcool… e a lista continua: que tal sexo virtual enquanto sexo sem sexo; a doutrina de Colin Powell da guerra sem baixas, enquanto guerra sem guerra, a redefinição contemporânea da política como arte da administração especializada, enquanto política sem política?”

Analogamente, a idéia seria implantar uma Comissão da Verdade sem “propriedades malignas”. Uma comissão que não acuse, não incomode e não puna. Uma comissão que siga o exemplo do PSD e não crie problemas à esquerda, à direita ou ao centro. E que tudo fique por isso mesmo.

Aliás, pensando bem, essa política sem política sempre existiu no país, é a que mais nos caracteriza. E pra não perder o mote publicitário: é nossa marca registrada (o que, por si só, já seria o bastante para nos tornar tão diferentes dos alemães – a bem dizer, não só dos alemães, porra!). Que no zero-à-esquerda de Gilberto Kassab finalmente encontrou seu representante ideal.

Sobre o autor

Márcia Denser
A escritora paulistana Márcia Denser publicou, entre outros, Tango fantasma (1977), O animal dos motéis (1981), Exercícios para o pecado (1984), Diana caçadora/Tango Fantasma (Global,1986, Ateliê, 2003,2010, 2a.edição), A ponte das estrelas (Best-Seller,1990), Caim (Record, 2006), Toda prosa II - obra escolhida (Record, 2008). É traduzida em nove países e em dez línguas: Alemanha, Argentina, Angola, Bulgária, Estados Unidos, Espanha (catalão e galaico-português), Holanda, Hungria e Suíça. Dois de seus contos - "O vampiro da Alameda Casabranca" e "Hell's Angel" - foram incluídos nos Cem melhores contos brasileiros do século, organizado por Ítalo Moriconi, sendo que "Hell's Angel" está também entre os Cem melhores contos eróticos universais. Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, é pesquisadora de literatura e jornalista. Foi curadora de literatura da Biblioteca Sérgio Milliet em São Paulo.

Outros textos do colunista Márcia Denser.

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

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Opinião

Um filho exemplar

Estadão - Editorial
À parte a surpresa de 17 senadores terem votado contra a homologação do nome da deputada Ana Arraes, do PSB pernambucano, para uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), ante 48 a favor e uma abstenção, a ratificação era apenas, como sempre foi, uma formalidade. Aos 64 anos, filha do lendário governador populista Miguel Arraes (1916-2005) e mãe do atual, Eduardo Campos, tendo sido no ano passado a candidata mais votada em seu Estado para a Câmara, ela não vinha propriamente se destacando no exercício do mandato. Quaisquer que sejam os méritos de sua biografia e as qualificações para a função vitalícia que irá assumir, a sua escolha em votação secreta, prevalecendo sobre quatro outros candidatos - entre eles o ex-presidente da Casa Aldo Rebelo, do PC do B -, resultou exclusivamente do rolo compressor posto em marcha pelo filho.

Presidente nacional do PSB, reeleito para o governo de Pernambuco com 83% dos votos válidos, Campos vinha já emergindo, aos 46 anos, como o primeiro entre os seus pares da nova geração de políticos brasileiros. "Dudu Beleza", como os conterrâneos o apelidaram, precisava, no entanto, de uma oportunidade para demonstrar poder e prestígio além dos limites de seu Estado e do Nordeste. A vacância, por aposentadoria do titular, da cadeira do TCU que cabia à Câmara preencher, veio a calhar. Patrocinou o nome da genitora e foi um filho exemplar como articulador político. Mas não um exemplo para o decoro e a integridade das instituições políticas.

Criado como órgão de assessoria e fiscalização da Câmara, o TCU foi no passado um cabide de madeira de lei onde os governantes de turno penduravam as ambições de seus aliados a caminho do fim da carreira. Uma reforma no sistema de nomeação de seus ministros, com a adoção de cotas para o Executivo e para o Legislativo, e a gradativa ampliação dos seus quadros técnicos tornaram o órgão mais matizado, logo menos dependente dos interesses dos padrinhos de seus membros, além de mais apto a identificar irregularidades em obras e serviços contratados pelo governo federal. O prestígio público do Tribunal cresceu com a multiplicação das fraudes reveladas e das recomendações para a suspensão das empreitadas até que os seus vícios fossem sanados. O que, para surpresa de ninguém, levou o então presidente Lula a fazer uma campanha contra o que seria o excessivo rigor das decisões do colegiado. A propósito, também a futura ministra Ana Arraes acha que "é preciso rever essa questão, porque a paralisação (de obras) às vezes sai mais cara do que a continuação com retificação (dos ilícitos apurados)".

Contrastando com o fortalecimento do caráter republicano da instituição, a operação filial desencadeada por Eduardo Campos - que chegou a se instalar com armas e bagagens em Brasília - foi uma exibição de coronelismo à moda antiga, cultive ele quanto queira o perfil de gestor moderno e político de novos costumes. Ele rodou o País, fazendo saber aos líderes regionais que, já nas eleições municipais do próximo ano, colocará a sua influência a serviço dos candidatos que, direta ou indiretamente, tiverem ajudado a eleger a sua genitora. Repetiu a dose à exaustão na capital federal. O senador tucano Aécio Neves, que vê em Campos um possível companheiro numa chapa presidencial, engajou-se na campanha de Ana. Assim também o seu sucessor no Executivo de Minas, Antonio Anastasia, e os governadores tucanos de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do Paraná, Beto Richa. Sem falar no ex-presidente Lula.

A sua interferência impediu que o comando petista na Câmara ordenasse o fechamento da questão em torno de Aldo Rebelo; o voto da bancada foi liberado. Campos fincou posições também no PMDB, ao prometer o apoio socialista à pretensão do partido do vice Michel Temer de ficar com a presidência da Casa em 2013. O PSB prometeu liberar emendas que dependem do Ministério da Integração Regional, controlado pela legenda. E, para facilitar a vitória da mãe, Campos manobrou para manter na disputa candidatos sem chances. Foi, nas palavras do senador pernambucano Jarbas Vasconcelos, dissidente do PMDB, "um exemplo do vale-tudo na política".

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 29 / 09 / 2011

Folha de São Paulo
"Cúpula da Justiça nos Estados tem 35 investigados" 

STF adia decisão sobre ação que tenta limitar poderes do Conselho Nacional de Justiça para punir magistrados
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Pelo menos 35 desembargadores são investigados pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) hoje. Eles formam a cúpula do Judiciário nos Estados, julgando recursos contra as decisões dos juízes de primeira instância. Desde 2005, 20 deles foram punidos pelo conselho. Ontem, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu adiar decisão sobre ação, proposta pela Associação dos Magistrados Brasileiros, que alega inconstitucionalidade e busca limitar a atuação do CNJ. Se a tese vingar, as punições do conselho podem ser derrubadas.

O Estado de São Paulo
"Sob pressão, STF mantém poder de investigação do CNJ"

Em acordo, Conselho Nacional de Justiça pode processar juízes suspeitos se nada for feito contra eles

A crise no Conselho Nacional de Justiça e a ameaça do Congresso de intervir no problema levaram o Supremo Tribunal Federal a adiar voto sobre ação movida pela Associação dos Magistrados do Brasil, que quer ver reduzidos os poderes do órgão de controle externo. Os ministros do STF fizeram acordo pelo qual as corregedorias dos tribunais locais terão prazo para tomar providências sobre denúncias contra magistrados; se nada for feito, a Corregedoria Nacional podem processar o juiz suspeito. O acordo vinha sendo discutido havia alguns dias, mas a tensão entre a corregedora nacional, Eliana Calmon, e o presidente do STF, Cezar Peluso, precipitou o entendimento. Eliana denunciou “bandidos de toga" e foi repreendida por Peluso.

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quarta-feira, setembro 28, 2011

PMDB de Ubatuba




Juras de amor!


Sidney Borges
Muitos querem a mão da "Boneca cobiçada", mas apenas um a terá e, como recompensa, será o vice de Maurício Moromizato. Flertam com a legenda (PMDB) Sérgio Caribé e o ex-prefeito Nélio. Com quem será que a "Boneca cobiçada" vai ficar? A resposta será conhecida em outubro, mês de temperaturas altas e aves pairando garbosas e altaneiras sobre as praias mais lindas da Galáxia.

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Opinião

País dos impostos complicados

O Estado de S.Paulo - Editorial
O Brasil é campeão mundial de complicação no pagamento de impostos e contribuições. O peso dos encargos - dos mais altos do mundo - é só um dos problemas suportados pelas empresas, quando têm de cuidar da tributação. Além de pesados, os tributos são incompatíveis com a inserção global da economia, porque encarecem toda a atividade empresarial, desde o investimento em máquinas e instalações até a exportação ou a venda final no mercado interno. Tanto no exterior quanto no País, o produtor nacional fica em desvantagem diante do concorrente estrangeiro. Essas características bastariam para fazer do sistema brasileiro um dos piores do planeta. Mas há mais que isso.

As companhias gastam muitas horas de trabalho só para acompanhar e decifrar as mudanças de regras e para seguir todos os trâmites necessários ao cumprimento de suas obrigações. É muita mão de obra desperdiçada numa atividade custosa e sem retorno, tanto para a empresa como para a economia nacional.

As empresas brasileiras gastam em média 2.600 horas por ano com os procedimentos necessários para cumprir as normas tributárias. Isso equivale a 325 jornadas de 8 horas. Foi o pior desempenho nesse quesito identificado em pesquisa anual da consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC) em colaboração com o Banco Mundial (Paying Taxes 2011). Segundo o levantamento, realizado em 183 países, o tempo médio gasto para o cumprimento das normas tributárias é de 282 horas, ou 35 dias de trabalho. O tempo despendido no Brasil é mais que o dobro do consumido no segundo país em pior situação, a Bolívia - 1.080 horas. No Chile, frequentemente classificado como o país mais competitivo da América Latina, gastam-se 316 horas. Na França, 132. Na Alemanha, 215. Nos Estados Unidos, 187. Na Índia, 258. Na China, segunda maior economia do mundo, 398.

O tempo consumido no Brasil para o cumprimento das obrigações se mantém desde 2006. Nesse período, houve reformas tributárias em 60% dos países cobertos pela pesquisa, os sistemas foram aperfeiçoados, tornaram-se menos onerosos e, além disso, os procedimentos foram simplificados. Na média, o peso dos tributos caiu 5%, o tempo de trabalho ficou cinco dias menor. Também houve redução no número de pagamentos efetuados. Na média, cerca de quatro recolhimentos foram eliminados.

Na China, a unificação de procedimentos contábeis e o maior uso de meios eletrônicos permitiram às empresas poupar 368 horas de trabalho e 26 pagamentos por ano. Na América Latina os procedimentos continuam complexos, mas, apesar disso, as empresas dedicam em média 385 horas à administração dos impostos, apenas 14,8% do tempo consumido no Brasil. Houve descomplicação das tarefas em vários países da região, segundo a pesquisa. No Brasil, as mudanças foram insignificantes. Quanto às economias mais avançadas, operam, de modo geral, com sistemas bem mais simples. Também isso contribui para a competitividade de suas empresas.

Pelo menos num ponto a situação brasileira é semelhante à da maior parte dos demais países. O imposto sobre valor agregado (IVA) complica sensivelmente os procedimentos administrativos das empresas. De modo geral, o pagamento do Imposto de Renda é muito menos trabalhoso que o recolhimento das várias contribuições e do IVA (no Brasil, Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, ICMS, cobrado pelos Estados). A empresa brasileira gasta em média 736 horas para cuidar do Imposto de Renda, 490 para administrar os encargos trabalhistas e 1.374 para cumprir as normas dos impostos sobre consumo (principalmente dos Estados).

O caso do ICMS é especialmente complicado, porque as empresas têm de observar 27 legislações estaduais, com diferentes alíquotas, condições de recolhimento e incentivos. Se não houvesse várias outras, esta já seria uma excelente razão para a reforma do sistema. Conseguir o apoio dos governos estaduais, no entanto, tem sido um dos principais obstáculos à racionalização do sistema. Enquanto isso, outros países simplificam, reduzem a carga e ganham capacidade de competir.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 28 / 09 / 2011

Folha de São Paulo
"Justiça aprova o PSD, novo partido de Kassab" 

Sigla estreia no cenário eleitoral com pelo menos 40 deputados federais
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Por 6 votos a 1, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aprovou a criação do PSD (Partido Social Democrático), legenda idealizada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Só o ministro Marco Aurélio votou contra. O novo partido nasce com pelo menos 40 deputados federais em exercício, o que o torna a sexta maior bancada da Câmara. Novas filiações são esperadas para hoje, quando a legenda pode chegar a 55 parlamentares.

O Estado de São Paulo
"Juízes reagem a crítica de corregedora que vê 'bandidos de toga'"

Presidente do CNJ rebate afirmação da ministra Eliana Calmon, que gerou crise

Na véspera do julgamento que pode restringir o controle externo do Judiciário, o presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Cezar Peluso, comandou a reação às críticas feitas aos juízes pela corregedora nacional, Eliana Calmon. Em entrevista à Associação Paulista de Jornais, Eliana afirmara que a magistratura "está com gravíssimos problemas de infiltração de bandidos escondidos atrás da toga". Peluso convocou uma reunião às pressas para tratar do caso e atrasou a sessão do CNJ, o que gerou uma crise no órgão. Hoje, o STF deve julgar processos que questionam a competência da Corregedoria para abrir investigações contra juízes.

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terça-feira, setembro 27, 2011

Ubatuba em foco


E por falar em civilidade... (II)

José Ronaldo dos Santos
Quando a prefeitura fará o abrigo para os munícipes que dependem de ônibus neste local, em vez de fazer vista grossa à ocupação irregular tão evidente até mesmo aos puxa-sacos de plantão?

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Wall Street

Crônica

Setembro. Tardio setembro?

Lourdes Moreira
Setembro é o mês que mais me trás recordações. Nele há um quê do inverno que se vai e da primavera que chegará. Antigamente este mês era bem definido. Sabíamos que o inverno se esconderia e as flores primaveris reapareceriam. Nos últimos anos tudo está indefinido. Choveu e esfriou quando se esperava sol e esquentou quando se esperava que esfriasse.
Quando menina, esperava loucamente o desabrochar das primaveras. Louca por brincar com as palavras tentava ver em seus tons multicoloridos a prima que talvez fosse Vera. E Vera, para mim, era uma prima bem distante.

Hoje acordei animada. Tomei o café da manhã e preparei-me para o dia que se anunciava lânguido pelo sol que clareava as montanhas que me circunvizinham numa Ubatuba que é um convite à desmemoriada razão: deixar compromissos esquecidos na gaveta da memória e deleitar-me com as brumas e areias brancas que poucos oceanos deixam sôfregos humanos deleitá-las.

Meus  compromissos fizeram –me rapidamente voltar à razão.
 
Precisava ir ao banco e, ao adentrá-lo, uma senhora encontrava-se num dilema exíguo junto à máquina. Dei-lhe bom-dia. Ela, meio que assustada pelo meu cumprimento, acenou levemente com a cabeça. Ao sair, deparei-me com um senhor. Tentei segurar a porta para que ele pudesse entrar sem que a mesma o ferisse tal a matéria dura que compõe a segurança destes estabelecimentos. Nem ao menos me agradeceu. Entrou e pronto.

Senti-me desconsertada frente aos primeiros humanos com que me deparava. Sabia que meu dia apenas se iniciava e, talvez, comemorasse o sol com pessoas mais amistosas. Ledo engano. Dirigi-me a uma escola para lá deixar papéis necessários à vida profissional desta educadora que ainda crê que humanos se rebelam sim com causa na causa.

No estacionamento, uma garota que a mim pareceu mal saída da fase mais descompromissada do ser, a infância, onde ainda deduzimos que se pode brincar com carrinhos ou bonecas, vociferava horrores sobre o que pensava da atitude do diretor da escola. Divaguei tristemente sobre qual fato causara àquela menina moça tanto descontrole emocional. Soube, pelos profissionais do estabelecimento, que a menina moça havia desacatado todos na escola inclusive os próprios colegas de classe. Que ultimamente vinha à escola apresentando sinais de embriaguês ou de estar ingerindo alguma substância que a deixava descontrolada.

Senti-me triste num desabrochar da primavera. Em meus anos de menina moça brincava com as palavras de uma linda prima que talvez fosse Vera… Hoje, uma grande maioria de meninas moças brinca com brinquedos que as transformam. Brincam com a bebida alcoólica que levam logo cedo em garrafinhas singelas de água para a escola, com singelos cachimbos      onde fumam crack destemidas de seu alto grau de destruição ou com cigarrilhas de papel onde a maconha faz crerem serem felizes num rápido desligar do mundo real.

Relembrei a senhora e o homem que havia tentado ser com eles gentil em meu princípio da manhã. As pessoas estão tão arredias… tão assustadas… tão violentas…

Aquela menina moça talvez seja fruto de tudo o que nossa sociedade tem permitido proliferar em nosso meio. Corrupção inescrupulosa, falta de segurança pública, de saúde pública, com boas clínicas (também públicas) de recuperação para nossos jovens acometidos pela dependência química, de leis severas para infratores… Aquela menina moça, aquele homem e aquela mulher que encontrei naquela  manhã de quase primavera eram o retrato em branco e preto de nossa sociedade. Estavam arredios a uma sociedade que tem escutado calada aos anseios dos cidadãos. Que fazem parte de uma sociedade que não sabe o poder que tem nas mãos. Que prefere o ostracismo a tomar uma decisão: ir às ruas e erguer a bandeira da decência, da seriedade, da não-corrupçaõ. A bandeira da vergonha nacional onde jovens meninas moças (ou meninos moços) possam ser sadias e produtivas para nosso país, onde cada cidadão sinta-se seguro num  bom dia primaveril.

Quero muito que, quando a primavera chegar,possa estar menos triste com esta manhã quase primaveril. Depende de nós; de cada cidadão brasileiro através de escolhas sérias e dignas de nossos representantes seja no Poder Legislativo ou no Poder Executivo.
Que neste ano meu setembro não seja tardio em minhas manhãs primaveris.

Lourdes Moreira
Profª Municipalizada da Rede Estadual de Ubatuba.

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Opinião

Novo bote do governo Kirchner

O Estado de S.Paulo - Editorial
Na Argentina da presidente Cristina Kirchner, a única verdade é a verdade do governo - e ai de quem ouse contrapor às fabricações do oficialismo uma visão da realidade calcada em dados objetivos, apurados com independência. Como se o país estivesse novamente sob o tacão da ditadura militar extinta há quase 30 anos, o Estado kirchnerista investe pesadamente também contra a imprensa que desmoraliza as versões da Casa Rosada, ao cumprir o dever elementar de dar voz ao outro lado. Decerto que o terror estatal em sua forma bruta, com as prisões, torturas e "desaparecimentos", está confinado à memória dos pesadelos argentinos. Mas, sob a capa das instituições democráticas e da defesa retórica das liberdades fundamentais, o governo não cessa de tentar estender os limites de seu controle autoritário da sociedade, subordinando até a Justiça aos seus interesses, para intimidar e amordaçar os que não se alinham com eles.

E isso, mesmo quando a experiência cotidiana da população cobre as autoridades de ridículo. Para ficar no assunto da hora, toda a Argentina sabe que o índice oficial de inflação, fornecido pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), é uma contrafação grosseira. A rigor, os consumidores não precisam que ninguém lhes diga que a alta do custo de vida, em valores anuais, é quase o triplo da taxa de 9% admitida pelo Executivo. E ainda que não soubessem, bastaria o recente acordo entre o patronato e os sindicatos de trabalhadores, que reajustou o salário mínimo em 25%, para desmascarar o número chapa-branca. O governo garante também que a trajetória da inflação é declinante. E, para prová-lo, tropeça na própria mentira, como fez o desavisado vice-ministro da Economia, Roberto Feletti. Numa entrevista, ele comparou o índice apurado em Ushuaia, na Terra do Fogo, ao de Mendoza: 31,5% no primeiro caso, 22% no outro.

Mas o comportamento do governo não é propriamente um caso de galhofa. A Casa Rosada começou a torturar os fatos em 2007, na presidência Néstor Kirchner, quando interveio no até então autônomo Indec para sonegar a verdade sobre a carestia, a fim de minimizar a correção monetária dos títulos da dívida pública. No entanto, como as empresas privadas de consultoria continuassem a apresentar números que indicavam a maquiagem das taxas oficiais, o kirchnerismo apelou para a sua especialidade - a truculência. Em 2009, mandou abrir processo penal contra a consultoria M&S e outras, por difundir índices discrepantes de preços, sob a alegação de que essas empresas do ramo incentivavam, para fins especulativos, o aumento do custo de vida. Era de esperar que a Justiça arquivasse a ação por flagrante insubsistência, mas sendo o que se pode presumir que sejam as relações entre setores da magistratura argentina e o casal Kirchner, o juiz Alejandro Catania deu curso ao processo, aplicando multas a torto e a direito às acusadas.

Na semana passada ele partiu para cima da imprensa. Intimou seis jornais de Buenos Aires - La Nación, Clarín, Ámbito Financiero, El Cronista Comercial, BAE e Página 12 - a fornecer os "nomes, endereços, telefones e contatos dos jornalistas que tenham publicado notícias sobre índices de inflação", a contar de 2006. E aproveitou para perguntar a cada um desses periódicos se recebiam publicidade da M&S, como se isso fosse um indício de cumplicidade com o suposto delito da empresa. Tamanha foi a reação ao ato de intimidação judicial que o próprio Catania se sentiu compelido a pelo menos mostrar que recuava da arbitrariedade. Sugerindo que tinha sido mal interpretado, alegou cinicamente que não tinha pedido informações pessoais "ou de uso particular" dos jornalistas. Queria apenas saber como a Justiça poderia entrar em contato com eles, caso fossem chamados a prestar declarações, não como réus - tal seria! -, mas como testemunhas.

Em suma, o juiz quer pressioná-los a revelar os nomes de seus entrevistados nas consultorias que teriam transgredido o código penal, ao cometer, segundo o governo, "fraudes de comércio e indústria". A Constituição argentina assegura o sigilo da fonte, mas os Kirchners nunca se sentiram inibidos por garantias constitucionais.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 27 / 09 / 2011

Folha de São Paulo
"Crimes aumentam no Estado de SP em agosto" 

Total de homicídios cresceu 10,48%; roubo de veículos teve alta de 20,79%
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Pelo terceiro mês consecutivo, o número de homicídios no Estado de São Paulo cresceu, indicando reversão de tendência. Em agosto, o total de assassinatos subiu 10,48% em relação ao mesmo mês do ano passado. O crescimento dos casos de homicídio nesse período foi alavancado, principalmente, pelos crimes ocorridos na capital, que registraram uma alta de 23,81%.

O Estado de São Paulo
"Europa tenta blindar sistema financeiro contra calote grego"

Aumento de fundo de estabilização e recapitalização de bancos estão entre as medidas negociadas; bolsas sobem

Os governos europeus articulam o aumento dos recursos do Fundo Europeu de Estabilização Financeira para € 2 trilhões. Além disso, a comissária europeu de Finanças, Olli Rehn, disse que a União Europeia prepara a recapitalização do sistema financeiro. Essas negociações buscam neutralizar os efeitos de um eventual calote da dívida da Grécia. As especulações em torno das medidas levaram euforia às bolsas europeias, que subiram acima de 3%. Títulos de bancos que despencavam na semana passada tiveram altas de até 7,7%. Para a Bundesbank, o banco central alemão, as novas medidas são necessárias porque o socorro à Grécia está "condenado ao fracasso".

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segunda-feira, setembro 26, 2011

Aviação

Parece o avião do Mickey. É o Flivver da Ford

O "quase" avião do povo

Sidney Borges
Em 1924 a Ford Company, do lendário Henry Ford, começou a trabalhar em projetos de aeronaves civis, empreitada que lhe rendeu alguns sucessos, como o avião de transporte Ford Tri-Motor, de 1926, que ganhou destaque mundial quando o almirante Richard Byrd voou aboletado num deles sobre o Pólo Sul, em 1929.

 Ford Tri-motor

Henry Ford sonhava alto, sempre é bom lembrar que foi ele quem conseguiu colocar o carro ao alcance do americano médio. Em meados dos anos 20 Ford entendeu que estava na hora de lançar os sobrinhos de Tio Sam aos céus. Cada americano em seu próprio avião! Foi pensar e agir, com a colaboração do engenheiro Otto Koppen no comando da divisão da Ford aeronaves teve início, em 1926, o projeto "do Modelo T do ar."
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Assim nasceu o Flivver Ford, um avião monoposto pequeno, com comprimento da ordem de 5 metros e envergadura de apenas 7 metros, propulsionado por um motor de 3-cilindros e 35 cavalos de potência, feito pela empresa Ford Anzani. A avioneta pesava apenas 160 kg quando vazia.

Ford mostrou ao mundo o Flivver em seu 63 º aniversário, 30 de julho de 1926. E o pequeno Flivver entusiasmou a platéia tendo no comando o piloto de testes da Ford, Harry J. Brooks. Cabe ressaltar que apenas dois homens tiveram a oportunidade de pilotar o "Ford Flivver", Brooks  e Charles Lindbergh, que disse ser este um dos piores aviões que conheceu.

Depois de muitos testes deu-se o inesperado. Em fevereiro de 1928, durante um voo sobre o oceano, ao largo da Flórida, o motor travou e o avião desceu no mar, sendo destruído. O corpo de Brooks nunca foi encontrado.

O trágico acontecimento pôs fim ao projeto de Henry Ford de dar asas ao americano médio. O magnata do "Modelo T" ficou sensibilizado com a morte de Brooks, de quem tinha ficado amigo.  

Com os congestionamentos que há hoje, quando sobram carros e faltam ruas, parece que foi uma boa decisão abandonar a criação de aviões individuais. Muitos acabariam caíndo sobre as cabeças dos transeuntes o que motivaria o sistema, sempre em busca de lucro, a criar guarda-chuvas blindados especiais que seria vendidos a preço de ocasião. Em suaves prestações mensais...

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Opinião

O Supremo e o futuro do CNJ

O Estado de S.Paulo - Editorial
Uma das principais decisões do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que começou a funcionar em 2005, foi a de fiscalizar, processar e aplicar sanções administrativas a magistrados envolvidos com corrupção, nepotismo e tráfico de influência. A tarefa cabia às corregedorias dos tribunais, mas muitas delas foram corroídas pelo corporativismo. A pretexto de preservar a "imagem da Justiça", essas corregedorias deixavam de expor irregularidades de todo o tipo, cometidas por juízes.

Em seis anos de atuação, o CNJ condenou 49 magistrados. Desse total, 24 foram punidos com a pena máxima no plano administrativo - a aposentadoria compulsória. Os casos mais rumorosos foram os do ministro Paulo Medina, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e do desembargador José Eduardo Carreira Alvim, do Tribunal Regional Federal (TRF)da 2.ª Região. Acusados de favorecerem máfias dos caça-níqueis, eles foram aposentados em 2010. Além disso, o CNJ colocou 6 magistrados em disponibilidade, afastou 15 provisoriamente, removeu 2 compulsoriamente e submeteu 1 à sanção de censura. Em 2009, as punições atingiram um corregedor do Tribunal de Justiça (TJ) da Região Norte, que foi aposentado por engavetar processos contra desembargadores da Corte.

Apesar da contribuição que tem dado para impedir que uma minoria de juízes acusados de desvio de conduta comprometa a autoridade de uma corporação integrada por 14 mil magistrados, o CNJ está correndo o risco de perder atribuições e ser esvaziado. Isto porque, pressionada pelas corregedorias dos tribunais, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) impetrou no Supremo Tribunal Federal (STF) uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, questionando as prerrogativas do órgão encarregado do controle externo do Judiciário. A AMB alega que o CNJ não teria competência para punir e que só poderia atuar nos casos de omissão das corregedorias dos tribunais.

A ação já está na pauta do STF e seu relator, ministro Marco Aurélio Mello, tem sido um crítico do CNJ. Além do apoio público de entidades sindicais da magistratura, o recurso da AMB tem o endosso velado de membros do CNJ que são juízes de carreira. É o caso do presidente do órgão, Cezar Peluso. Na época do julgamento de Medina e Carreira Alvim, ele defendeu - sem sucesso - que os processos ficassem sob responsabilidade das corregedorias do STJ e do TRF da 2.ª Região e que a sessão fosse sigilosa, para não constranger os acusados. Durante anos, Peluso atuou ao lado do presidente da AMB, desembargador Nelson Calandra, no TJSP.

Indicado pelo Tribunal Superior do Trabalho, outro conselheiro que quer esvaziar o CNJ é o juiz Lúcio Munhoz. Empossado em agosto, ele apresentou uma proposta para que os procedimentos disciplinares contra juízes acusados de irregularidades fiquem a cargo dos tribunais a que pertencem. A proposta tem o mesmo objetivo do recurso da AMB. Ela foi divulgada por e-mail como espécie de "questão de ordem" às vésperas de uma sessão do CNJ convocada para julgar um procedimento envolvendo um juiz do Maranhão, acusado de liberar altas somas de dinheiro em ações nas quais não teria competência para atuar. Se o procedimento tivesse de ser aberto no tribunal local, esse magistrado seria julgado por uma corregedoria que recebeu 120 representações contra juízes, só em 2007, e não puniu nenhum deles. Nessa corregedoria há vários procedimentos arquivados por decurso de prazo.

Como se vê, a atuação moralizadora do CNJ, que foi criado pela Emenda Constitucional 45 como uma resposta à crise da Justiça, incomoda muita gente - principalmente as cúpulas dos tribunais de segunda e terceira instâncias. A oposição contra o CNJ cresceu depois que a atual corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, acusou as corregedorias de serem ineptas, inoperantes e corporativas e propôs novas medidas para aprimorar investigações, por meio de parcerias com a Controladoria-Geral da União, a Receita Federal e os Tribunais de Contas.

Se acolher o recurso da AMB, reduzindo a pó as prerrogativas do CNJ e fortalecendo as desmoralizadas corregedorias judiciais, o STF estará promovendo um retrocesso institucional.

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