sábado, setembro 17, 2011

Sociais

Paul McCartney e Nancy Shevell: em breve marido e mulher

Colunistas

A crônica não-anunciada do colapso neoliberal

Ou o debate como farsa

Márcia Denser
O colapso do neoliberalismo tornou-se crônico e, só não se anuncia oficialmente, devido à oposição da mídia hegemônica que detém o monopólio da negação do óbvio, dificultando a saída da crise e tornando o debate uma farsa, um jogo de cartas marcadas. Esta é a posição do economista Luiz Gonzaga Belluzzo, um dos debatedores que, esta semana em Sampa, discutiram no Seminário “Neoliberalismo, um colapso inconcluso”, promovido pela Carta Maior e PUC-S.Paulo, e que contou com a participação ainda de Emir Sader (Uerj), Samuel Pinheiro Guimarães (Itamaraty), Ignacy Sachs (Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais – Paris), Ladislau Dowbor (PUC-SP), entre outros.

E Belluzzo vai mais longe ao afirmar que o consenso em torno de certas ideias de dominância financeira – idéias que estão na origem da atual crise – não seria possível sem sua difusão massiva pela mídia. Não se trata de uma teoria conspiratória. Isso se deu através de um processo social em que as camadas dominantes impõem as idéias dominantes (como eu mesma já afirmei em várias colunas).

Ele adverte que não se pode perder a dimensão da luta social, como ela se desenvolve e como maneja os símbolos, os significados, as palavras. Tome-se como exemplo da queda da taxa de juros brasileira: isso produziu espanto em certos jornalistas, em outros, indignação. As mais escandalizadas foram aquelas pessoas que sempre ouviram o contrário, “que era um perigo, que seria a ruína”. O fato é que as ideias têm uma força material enorme  – a força material das idéias dominantes.

O sociólogo Norberto Elias afirmava – e com razão – que é muito difícil desconstruir um consenso como este, daí o papel crucial da luta social e política. Ou alguém ainda acha que a crise vai se resolver automaticamente por si própria? Não há tal magia. É preciso formular alternativas. A solução dita ‘normal’ é previsível, segundo o economista americano Doug Henwood, que assina a newsletter sintomaticamente chamada ‘Left Business Observer’.

Henwood foi encarregado de escrever sobre Wall Street, antes e depois da crise. É muito fácil, diz ele: Antes da crise, Wall Street era o locus mais poderoso de interesses políticos, econômicos e sociais dos EUA. Depois da crise, Wall Street continua sendo o locus mais poderoso de interesses políticos, econômicos e sociais dos EUA. Não é estranho? Como se Wall Street NÃO FOSSE o próprio centro do furacão!

Henwood comenta que um repórter que te entrevista sobre política monetária e ouve algo contrário a esses interesses aqui e ali, hesita em publicar, e se o faz, enche o texto de ressalvas. Afinal, esse jornalista – que não sabe pensar por si mesmo – foi condicionado durante anos a repetir sempre o mesmo mantra. A seguir a cartilha neoliberal como única fonte de pensamento (do Pensamento Único, claro).

Aliás, o neoliberalismo foi a ideologia mais bem sucedida da História Mundial, e por várias razões, sobretudo a partir do monopólio tecnológico – não é que seja boa ou dê certo, a não ser para os ricos; ao contrário, ideologicamente, é desastrosa, suicida e perversa, tanto para o homem como para o planeta.

Belluzzo conclui que o problema da mídia  no mundo inteiro é o monopólio das empresas que veiculam a visão dominante. Elas são a classe dominante. Nos anos 50 e 60 na Europa, por exemplo, havia uma mídia diversificada, que expressava posições políticas distintas, como ‘Avanti!’, ‘La Unità’. Havia debate político. Hoje não há debate: o que você tem é uma farsa!

Falando em farsa e pra não dizer que não falei dos onze anos do Onze de Setembro e sua Fajutíssima Gerra ao Terror – cruzes, fazem onze anos que a multiplicação de trouxas no mundo tem crescido de forma exponencial! – arremato com algumas conclusões de Slavoj Zizek (constantes em “Bem-Vindo ao Deserto do Real!”) que afirmava já em 2001: a verdadeira catástrofe político-ideológica do 11 de Setembro foi européia (confirmando a diversidade jornalística também européia aludida por Belluzzo) – o resultado do 11 de Setembro foi um fortalecimento sem precedentes da hegemonia americana em todos os aspectos. E a Europa sucumbiu à chantagem ianque: “O que está em jogo agora não são diferentes opções econômicas ou políticas, mas nossa própria sobrevivência – na guerra ao terrorismo, ou vocês estão conosco ou estão contra nós”.

Esta é a verdade da globalização: pós-Berlim, a construção de novos muros isolando os europeus prósperos do fluxo de imigrantes. Tem-se a tentação de ressuscitar aqui a velha oposição “humanista” marxista entre “relações entre coisas” e “relações entre pessoas”: na celebrada livre circulação aberta pelo capitalismo global, são as “coisas” (mercadorias), é o dinheiro que circula livremente, ao passo que a circulação de “pessoas” é cada vez mais restrita.

“O que “eles” (norte- americanos e europeus adesistas) não contavam era com a Crise de 2008 e com a ainda pior que vem por aí. E respondendo a uma colunista (cujo nome realmente me escapa, porque não dou cartaz pra trouxa) aqui do Congresso em Foco: Banco Central independente “de quem”, cara pálida? BC independente do governo do próprio país – isto é, de qualquer governo de qualquer país –, ergo sob a égide dos EUA. Me poupe. Tás igualzinha àquele “jornalista-autista” retro referido por Doug Henwood da ‘Left Business Observer’. Pra seu governo, a única liberdade, seja de país,seja pessoal, é a econômica (os americanos que o digam!). Desatrelar (e desregular) o BC das leis federais é entregar o país novamente ao bom e velho Consenso de Washington!

Sobre o autor

Márcia Denser
A escritora paulistana Márcia Denser publicou, entre outros, Tango fantasma (1977), O animal dos motéis (1981), Exercícios para o pecado (1984), Diana caçadora/Tango Fantasma (Global,1986, Ateliê, 2003,2010, 2a.edição), A ponte das estrelas (Best-Seller,1990), Caim (Record, 2006), Toda prosa II - obra escolhida (Record, 2008). É traduzida em nove países e em dez línguas: Alemanha, Argentina, Angola, Bulgária, Estados Unidos, Espanha (catalão e galaico-português),Holanda, Hungria e Suíça. Dois de seus contos - "O vampiro da Alameda Casabranca" e "Hell's Angel" - foram incluídos nos Cem melhores contos brasileiros do século, organizado por Ítalo Moriconi, sendo que "Hell's Angel" está também entre os Cem melhores contos eróticos universais. Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, é pesquisadora de literatura e jornalista. Foi curadora de literatura da Biblioteca Sérgio Milliet em São Paulo.

Outros textos do colunista Márcia Denser.

Publicado originalmente no "Congresso em Foco".

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Opinião

Lambança político-industrial

O Estado de S.Paulo - Editorial
O governo acaba de promover, sob o disfarce de política industrial, mais uma lambança a favor de grupos selecionados. Com o pretexto de proteger o setor automobilístico e o emprego do trabalhador brasileiro, o Executivo federal aumentou o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e definiu condições para isenção das novas alíquotas. As condições beneficiam claramente uma parte das montadoras e criam, indiretamente, barreiras à importação de veículos e de componentes fabricados fora do Mercosul e do México. Ao estabelecer uma discriminação baseada em critério de conteúdo nacional, o governo se expõe a ser contestado na Organização Mundial do Comércio (OMC). O governo, segundo fontes ouvidas pela reportagem do Estado, admite essa possibilidade, mas decidiu correr o risco.

"O consumo dos brasileiros está sendo apropriado pelas importações", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo ele, é preocupante ver a indústria acumular estoques e dar férias coletivas aos funcionários. É conversa sem fundamento. O número de veículos nacionais licenciados até agosto foi 2,2% maior que o de um ano antes, segundo a associação das montadoras (Anfavea). A receita de exportações de veículos foi 17,3% superior à de janeiro-agosto de 2010. A das vendas externas de máquinas agrícolas, 52,1%. O licenciamento de veículos importados aumentou, de fato, e chegou a 22,4% do total de licenciados. Em todo o ano passado a proporção foi de 18,8%. Mas, com produção, venda e exportação em alta, poderia o governo ter apelado para medidas explícitas de proteção? Conseguiria provar um surto de importação gravemente prejudicial para justificar as salvaguardas admitidas pela OMC?

A resposta parece implícita na escolha do protecionismo disfarçado. Uma bem fundada suspeita de dumping poderia ter justificado, igualmente, uma ação defensiva. As autoridades preferiram outro caminho, com o pretexto, também discutível, de incentivar o desenvolvimento tecnológico.

A ação adotada pelo Executivo favorece as indústrias em operação há mais tempo no Brasil e mais integradas na cadeia produtiva nacional. Na melhor hipótese, poderá induzir os demais fabricantes a elevar até 65% o conteúdo nacional de seus produtos. Mas isso não tornará a indústria mais competitiva. O investimento em tecnologia - pelo menos 0,5% da receita bruta, descontados os tributos incidentes sobre a venda - é uma das condições para a empresa se livrar das novas alíquotas. Esse requisito será com certeza cumprido ou contornado com facilidade, graças, especialmente, à notável ineficiência dos fiscalizadores.

Essa condição é obviamente um disfarce concebido para enfeitar uma decisão arbitrária e discriminatória, destinada basicamente à proteção de certos interesses particulares. A mera proteção, explícita ou disfarçada, nunca bastou e jamais bastará para tornar mais competitiva a produção de autopeças ou de veículos. As principais desvantagens desses e de outros segmentos da indústria são muito bem conhecidas - impostos, custos logísticos, entraves burocráticos, etc. - e não vale a pena repetir a longa lista. Nenhuma dessas desvantagens será sequer atenuada pelas novas medidas oficiais. Se o governo atacasse com seriedade esses problemas, todos os setores e toda a economia seriam beneficiados. Mas favores especiais são a negação da seriedade.

Não por acaso as novas providências foram aplaudidas pela diretoria da Anfavea, dominada pelas montadoras tradicionais, e pelo vice-presidente da Força Sindical. O presidente da Força é vinculado ao PDT, assim como o ministro do Trabalho, engajado na defesa dos novos benefícios antes do anúncio oficial.

Os brasileiros já assistiram a esse tipo de jogo, vantajoso para poucos e custeado por muitos. Como sempre, é muito mais fácil entrar na fila dos pedintes de favores do que pressionar o governo para cortar o excesso de gastos, diminuir impostos e favorecer o investimento necessário à modernização do País. O presidente da associação da indústria elétrica e eletrônica já entrou na fila, depois de elogiar a decisão do governo. Política industrial digna desse nome é outra coisa.

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Manchetes do dia

Sábado, 17 / 09 / 2011

Folha de São Paulo
"Governo cedeu a lobby, afirmam importadoras"

Para associação, indústria nacional fez pressão para eliminar a concorrência
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A Abeiva (associação dos importadores) afirmou que o aumento do IPI para veículos com menos de 65% de componentes nacionais é resultado do lobby das montadoras contra a concorrência dos importados. Jose Luiz Gandini, presidente da Abeiva, disse que a disputa com os importados impediu a elevação dos preços dos nacionais e sugeriu que China e Coreia acionem o Brasil na OMC (Organização Mundial de Comércio).

O Estado de São Paulo
"Importadores de carros vão à Justiça para barrar IPI"

Marca chinêsa ameaça cancelar fábrica no Brasil, e outros países podem ir à OMC contra o governo

A Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores vai à Justiça contra o aumento do IPI sobre carros importados. A Abeiva alega que, por lei, qualquer alteração no IPI precisa de 90 dias para entrar em vigor. China, Coreia do Sul, Europa, Japão e EUA podem se unir em uma denúncia coletiva na OMC contra o governo brasileiro, que esperava essa reação, mas decidiu correr o risco. A chinesa JAC Motors considera que o projeto de construção de uma fábrica no País, com investimento de US$ 600 milhões, se tornou “inviável”. O alvo do governo de aumentar o IPI dos carros importados por empresas que não usarem 65% de peças fabricadas no Mercosul são as marcas chinesas e coreanas, que não têm fábrica no País e responderam por quase 25% das importações de veículos de janeiro a agosto. A elevação do tributo provocou ontem uma corrida de consumidores às revendas.

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sexta-feira, setembro 16, 2011

Gata!

Coluna do Celsinho

Forma
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Celso de Almeida Jr.
A história de nossa associação comercial registra importantes conquistas.
A própria estrutura atual da ACIU é fruto dos sonhos e dos esforços de muitos empresários dedicados.
A organização e a solidez desta entidade é motivo de orgulho para a cidade.
Uma rápida comparação com as associações comerciais de diversos municípios do litoral norte, vale do Paraíba e serra da Mantiqueira revela que a ACIU se destaca pela eficiência e inovação.
Neste sentido, a entidade acaba de anunciar o Programa de Formação para o Emprego e Renda de Ubatuba – FORMA, iniciativa para contribuir na capacitação de cidadãos a partir de 17 anos.
O programa oferece inicialmente cursos gratuitos de vendas, atendimento, garçom, camareira, cozinha, matemática básica e financeira.
Uma ação que merece aplausos e incentivo.
Vale registrar que para o público empreendedor, há muitos anos, a Associação Comercial de Ubatuba promove cursos em parceria com o Sebrae e outras instituições do setor.
Ao expandir as ações de capacitação, permitindo contemplar os trabalhadores ubatubenses, a classe empresarial revela estar consciente de nosso maior problema.
Ao facilitar o acesso, oferecendo cursos gratuitos, a ACIU mostra maturidade, investindo naquele que precisa de maior apoio.
Não seria possível dar este passo se a estrutura interna da associação comercial, tanto administrativa quanto financeira, não estivesse estabilizada.
Certamente, os antigos e atuais dirigentes da ACIU têm muito a comemorar.
Seus esforços ao longo de décadas sinalizam ações mais amplas para o desenvolvimento da cidade.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com 

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Opinião

As vozes que não se calam

Fernando Gabeira - O Estado de S.Paulo
Dados na mesa: a corrupção desviou R$ 40 bilhões em sete anos, R$ 682 milhões no Ministério dos Transportes; o Brasil caiu 20 posições no ranking da infraestrutura, segundo pesquisa do Fórum Econômico Mundial - deixou o 84.º lugar para ocupar o 104.º. Mesmo sem precisar o seu peso, é inegável que a corrupção desempenhou um papel nessa queda. Apenas isso seria suficiente para justificar a presença da luta contra o desvio de verbas públicas no topo da agenda nacional.

O argumento da coalizão para conviver com esses fatos é o da governabilidade. É o discurso dos dirigentes mais politizados. No espaço virtual, onde as emoções estão mais à flor da tela, não são raras as tentativas de desqualificar a aspiração de grande parte da sociedade brasileira, revelada, parcialmente, nas demonstrações do 7 de Setembro. A mais banal dessas tentativas é aprisionar o movimento dentro dos códigos do século passado, dominado pela guerra fria. Esquerda e direita, naquele contexto, eram os polos da principal clivagem. O movimento é de direita, dizem, logo, representa um atraso.

As pessoas que saíram às ruas talvez não se sintam nem de direita nem de esquerda, apenas defendem seus direitos e sonhos frustrados pela corrupção. Num outro plano, há os que até entendem a disposição para a luta. Lamentam apenas ver a energia dispersa num tema secundário. Chegam até a sugerir um outro foco: a sonegação de impostos, dizem, mobiliza bilhões de reais. Outra forma clássica de argumentar, que atravessou o século 20: a contradição principal é entre burguesia e proletariado; outras lutas, ainda que bem-intencionadas, podem levar à dispersão.

A presidente Dilma Rousseff, quando indagada sobre corrupção, sempre enfatiza a luta contra a miséria, deixando bem claro seu objetivo principal. O que falta na sua resposta é uma articulação entre corrupção e miséria, a aceitação da evidência avassaladora de que a corrupção contribui para agravar a miséria no País.

Uma vez aceita essa evidência, seria possível passar para outra etapa da discussão. Isto é, discutir o argumento de que a governabilidade permite ganhar um espaço na luta contra a pobreza muito superior ao espaço que se perde com a corrupção. É o famoso "preço a pagar". Em nome da própria luta contra a miséria, é legítimo perguntar: será que o Brasil precisa mesmo pagar esse preço? Numa democracia transparente, além do custeio da máquina, é necessário um pedágio para que ela seja possa funcionar?

Tudo indica que o modelo de presidencialismo de coalizão, com o rateio de cargos entre os partidos, está esgotado. O amadurecimento da democracia vai impor novos rumos. No momento é difícil convencer disso os vencedores, que projetam novas vitórias eleitorais, seguindo a máxima esportiva de que em time que está ganhando não se mexe. Os argumentos contra a corrupção não se limitam ao dinheiro perdido. No plano simbólico, a devastação é maior ainda. Milhares de pessoas se afastaram da política e a imagem internacional do Brasil sofre.

Recentemente, o WikiLeaks revelou uma correspondência do embaixador dos EUA, Thomas Shannon, afirmando que a corrupção no governo passado era generalizada. É razoável perguntar: será que isso foi só a percepção do embaixador americano ou é a de todo o corpo diplomático?

As perspectivas tornaram-se mais interessantes agora, com a aparição de um movimento espontâneo e apartidário. As demonstrações de jovens buscando mais democracia, no período eleitoral, representou uma combinação singular na Espanha: a contestação ofuscou o discurso dos políticos. Os que gastam energia para reduzir a importância da luta contra a corrupção devem lembrar que, mesmo se fosse varrida dessa conjuntura, ela apareceria, com força, pouco mais adiante.

A preparação da Copa de 2014, necessariamente, recoloca o tema. Faltam dados sobre os gastos e algumas estimativas os elevam a R$ 120 bilhões. A reforma do Maracanã, por exemplo, tem hoje previsão de gastos de mais de R$ 900 milhões, apesar dos cortes do TCU. Ela é sintomática. A previsão inicial era de R$ 600 milhões. A empresa responsável é a Delta, cujo dono é amigo do governador Sérgio Cabral. Uma obra da Delta no aeroporto de Guarulhos chegou a ser interditada esta semana pela Justiça Federal.

Mesmo esquecendo momentaneamente a Copa, cujo processo ainda se vai desenrolar, é inegável que a corrupção influiu na resistência contra a recriação da CPMF. Segundo o TCU, é na saúde que se registra um terço do desvio de verbas no País. Ninguém tinha esses dados, mas quase todos desconfiavam.

Por mais que a corrupção seja jogada para a margem, como um problema corriqueiro, ela reaparece na agenda nacional, confirmando a frase de Guimarães Rosa: quem muito evita, acaba convivendo. Talvez fosse mais fácil se os partidos políticos, com uma visão de futuro, dessem uma resposta a uma agenda que não desaparece da cena. Os fatos no Congresso, principalmente a absolvição, por voto secreto, da deputada Jaqueline Roriz, indicam que a maioria dos políticos continuará com a cabeça enterrada na areia.

Nesse cenário, não pode ouvir o movimento perguntando: há alguém aí? O nível de desemprego é menor aqui do que o registrado na juventude espanhola. Em compensação, lá os políticos não viram as costas à sociedade tão audaciosamente como no Brasil.

Algo começou com as manifestações de 7 de Setembro. Como em todos os pontos do globo, elas lançaram mão da internet, instrumento sobre o qual não há controle numa democracia. Por outro lado, as tentativas de controle político dos meios de comunicação tradicionais tendem ao isolamento. É preciso acreditar muito nos aliados para supor que possam erguer a bandeira da censura num ano eleitoral.

Dificilmente o Brasil aceitará pagar pedágio para que o governo faça a máquina funcionar. Ela já é pouco racional. Com os danos da corrupção, torna-se um obstáculo para um salto maior. O Brasil cresceu, os horizontes políticos encolheram. O sopro das ruas pode trazer a inspiração que faltava.

JORNALISTA

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 16 / 09 / 2011

Folha de São Paulo
"Governo aumenta IPI, e carro pode subir até 28%"

Medida atinge veículo que não for 65% nacional e não tiver inovação tecnológica
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O governo decidiu elevar o IPI para veículos importados e montadoras nacionais que não atenderem a exigência de ter ao menos 65% de componentes nacionais e de fazer investimentos em inovação tecnológica. A medida, que vai vigorar de novembro próximo até o final de 2012, atingirá carros e caminhões que não se enquadrem nos requisitos.

O Estado de São Paulo
"Governo eleva IPI e carro importado pode ficar até 28% mais caro"

Alta, de 30 pontos porcentuais, não atinge carros com ao menos 65% do conteúdo nacional

O governo anunciou um aumento de 30 pontos porcentuais no IPI dos automóveis e caminhões. A medida deverá atingir principalmente os importados, sobretudo os chineses e coreanos. Isso porque ficarão de fora do aumento os modelos que tiverem no mínimo 65% de conteúdo nacional, cujas fabricantes tenham elevado investimentos em pesquisa e desenvolvimento e que aceitem pelo menos 6 de 11 requisitos referentes a etapas de produção que precisam ser cumpridas no País. O aumento do IPI, se repassado ao preço, provocará uma elevação de 25% a 28%, segundo estimou a Fazenda.

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quinta-feira, setembro 15, 2011

Vem aí: Trembala...

Ubatuba em foco

OAB comemora a aprovação da 3ª Vara Judicial

Flavio Medici Ribeiro
No dia 13/09/11 foi aprovado na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo o PLC 41/09 que cuida da criação da 3ª Vara Judicial e respectivo ofício para nossa cidade. O referido projeto de lei complementar estava em tramitação há vários anos e o seu desfecho nesta oportunidade representa sensível avanço para o Poder Judiciário local.

O presidente da OAB de Ubatuba, Dr. Thiago Penha e a diretoria da Subsecção participaram de reuniões pré-agendadas com deputados líderes de bancada, presidentes de partidos e de comissões especiais, representantes dos poderes legislativo e executivo de nossa cidade tendo, inclusive, participado da preparação e organização da reunião da FREPAP – Frente Parlamentar do Litoral Norte, visando a criação dos cargos na administração pública para a instalação da tão esperada quanto necessária 3ª Vara Judicial.

Em sua última viagem, no último dia 31 de agosto, o Dr. Thiago, Diretoras e representantes da administração pública de Ubatuba estiveram participando de reunião pré-agendada com a Deputada Maria Luiza Amary solicitando justamente a agilização da votação desse Projeto de Lei. Todos esses esforços resultaram na votação e aprovação do PLC 41/09 que certamente trará benefícios aos advogados, magistrados, funcionários do Poder Judiciário e a todos os nossos munícipes.

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Opinião

Política industrial ou lobby

O Estado de S.Paulo - Editorial
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, escolheu o caminho errado - e um tanto estranho - para avançar no debate sobre o poder de competição da indústria brasileira. O governo, disse ele, deveria aumentar o imposto de importação de veículos estrangeiros e reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) pago pelos fabricantes em operação no País. O assunto, reconheceu, pertence à área do Ministério da Fazenda, mas, apesar desse detalhe, recomendou uma consideração cuidadosa de suas propostas. Um lobista profissional não teria sido mais enfático. Ele mencionou também a hipótese de maior taxação de importações de outros segmentos. Ser capaz de enfrentar o produtor estrangeiro é sem dúvida uma condição não só para a criação de postos de trabalho, mas também, em primeiro lugar, para defesa dos empregos já existentes. Mas não se resolvem problemas de competitividade apenas com tributação. Além disso, não é adequado, para dizer o mínimo, o ministro Lupi invadir publicamente, com reivindicações de setores empresariais, uma área administrada por colegas seus.

Mais destoante, ainda, é a defesa de benefícios especiais para a indústria automobilística. A produção e as vendas do setor têm crescido neste ano menos velozmente que em 2010, mas, ainda assim, o desempenho das empresas tem sido claramente positivo. De janeiro a agosto foram produzidos 2,34 milhões de autoveículos, 4,4% mais que um ano antes. Os licenciamentos de veículos novos nacionais foram 2,2% mais numerosos que os de igual período de 2010. Foram licenciados 34,7% mais unidades importadas que entre janeiro e agosto do ano passado, mas esse número correspondeu a 22,4% do total de licenciamentos.

A exportação das montadoras aumentou em quantidade e a receita em dólares foi 23,1% superior à de um ano antes, segundo a associação das indústrias. Além disso, o número de empregados aumentou 8,8% de agosto do ano passado até agosto de 2011. Enfim, até agora os acordos salariais proporcionaram ganho real aos trabalhadores e novos planos de investimento foram anunciados nos últimos dias.

Sem dúvida, a concorrência internacional tem ficado mais dura, tanto pela retração de mercados quanto pelo aumento dos custos e pela valorização do real. Comerciantes se queixam de restrições ao crédito, em consequência de limitações impostas pelo Banco Central. Mas os mesmos problemas são enfrentados por empresas de outros setores. Além do mais, alguns segmentos da indústria têm sido severamente prejudicados pela concorrência de produtores chineses. Esses fabricantes são favorecidos pelo câmbio manipulado, a formação de seus preços nem sempre é clara e, além disso, mercadorias chinesas sujeitas a barreiras têm chegado por meio de triangulações comerciais.

Os Ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento têm procurado enfrentar alguns desses problemas. Isso é positivo. O governo pouco tem feito, no entanto, para melhorar de forma significativa e duradoura o poder de competição da maior parte dos produtores brasileiros. Algumas medidas previstas no Plano Brasil Maior, lançado em 2 de agosto, revelaram-se inadequadas. Outras, corrigem apenas parcialmente distorções fiscais, como a retenção absolutamente injustificável de créditos tributários. Impostos e contribuições inadequados a uma economia exposta à concorrência internacional continuam pesando sobre o investimento e sobre a produção. Outros fatores, como os problemas de logística e a escassez de financiamentos de longo prazo, poderiam alongar consideravelmente a lista das desvantagens.

O descompasso entre as vendas do comércio varejista e a produção industrial é conhecido. De janeiro a julho o comércio vendeu 9% mais do que um ano antes. A produção nacional avançou muito menos. Em 18 de 20 setores pesquisados pelo IBGE, o crescimento das importações superou o aumento da produção nacional. Há um problema sério, portanto, e o governo deveria enfrentá-lo tendo em vista as condições de competição de toda a produção brasileira. Fazer lobby a favor deste ou daquele segmento é função de agentes privados, não de ministros ou de quaisquer outros funcionários.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 15 / 09 / 2011

Folha de São Paulo
"Governo Dilma perde 5º ministro"

Pedro Novais usou servidores para fins privados; deputado ligado a Sarney assume Turismo
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Sem apoio do PMDB, o ministro do Turismo, Pedro Novais (PMDB-MA), pediu demissão ontem, após a Folha revelar que ele pagou a governanta com dinheiro público durante sete anos e que sua mulher usava outro servidor como motorista. Novais foi o quinto ministro de Dilma Rousseff a deixar o posto em menos de nove meses de governo - é o quarto a sair por suspeitas de irregularidades. Sua carta foi curta: "Cumpro o dever de pedir-lhe minha exoneração do cargo".

O Estado de São Paulo
"Cai o 5º ministro de Dilma; PMDB oferece 80 nomes para a vaga"

Substituição de Pedro Novais no Turismo provoca disputa entre peemedebistas, e único consenso é que o escolhido tem de ser um dos deputados do partido

A presidente Dilma Rousseff demitiu ontem o peemedebista Pedro Novais (Turismo), o quinto ministro a cair em oito meses de governo. Novais não resistiu à revelação de que usou verba da Câmara para bancar sua empregada particular e o motorista de sua mulher. A nova baixa abriu disputa na cúpula do PMDB, com o vice-presidente Michel Temer e o líder na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), protagonizando uma queda de braço para fazer a sucessor de Novais. Alves queria o deputado Marcelo de Castro (PMDB-CE), que perdeu a liderança do governo no Congresso para o senador petista José Pimentel (CE), mas, diante da resistência do Planalto, foi desaconselhado por Temer a fazê-lo. Até as 20h de ontem, o único consenso na bancada do PMDB foi o de que o novo ministro deverá ser qualquer um de seus 80 deputados federais. Foi essa a solução que Temer levou a Dilma. 

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quarta-feira, setembro 14, 2011

Histórias da história...


                 
Após coisasdecaicara.blogspot.com...

José Ronaldo dos Santos
...Vou concluindo com a fala do velho Catarino que nos ensinou num dia distante, no jundu, no barranco da Barra da Lagoa, em frente da pobre, mas honrada casa do velho Dito Camburi:

“Depois de um ano daquele acordo, quando receberam tropas de Lisboa, sentindo falta de mais índios para o trabalho escravo, a portuguesada acaba com tudo a partir da traição de Iperoig”.

É por isso que eu não duvido que as coisas aconteceram aproximadamente do jeito descrito na Guerra dos Tamoios:

“Ao chegar em Iperoig, para verificar a produção de algodão, Ernesto deparou-se com um quadro que lhe fez correr lágrimas nos olhos: todas as ocas haviam sido queimadas, vários nativos mortos em meio aos escombros ou pela praia. Alguns poucos que escaparam à fúria sanguinolenta dos brancos, contaram a ele que os portugueses haviam levado centenas de prisioneiros para São Vicente. O velho cacique Coaquira lutara como um bravo e foi um dos primeiros a morrer”.

Agora, você decide:

a) Comemora a Exaltação da Santa Cruz porque os Tamoios foram dizimados; ou...
b) Comemora a data como Traição de Yperoig porque a paz tão exaltada nunca houve.

Crônicas do Zé Ronaldo


Vitória... Vitória... Vitória!
 
José Ronaldo dos Santos
Ontem foi o sepultamento da Vitória, esposa do Antonio Antunes de Sá. O corpo voltou à terra: devolverá ao chão a sua composição material, virará átomos, renovará os minerais da Mãe-Terra. Aos crentes, há o consolo de que ela já faz parte do Coral do Senhor (junto com uma montoeira de anjos). Conforme dizia o tio Genésio numa ocasião assim, “após ter convivido com a caiçarada”, a Vitória “está sendo acolhida pelos que no céu já estão há mais tempo, sempre festejando com uma panelada de peixe, galinha escaldada, cará, mandioca e até mesmo uma boa pinguinha”. O que continua entre nós é mais importante: trata-se de um espírito esperançoso na vida em comunidade, nas alegrias desde uma simples visita a alguém até a uma noitada de cantoria de Reisado, onde a sua voz se destacava das demais.

Vitória, mineira de nascimento que, se juntando aos Antunes de Sá, fez uma feliz combinação cultural, deixando mais rica a nossa cultura caiçara. Eis a nossa Vitória!

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Opinião

Quadro desalentador

O Estado de S.Paulo - Editorial
Confirmando o que já havia sido apontado pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica, os números do último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) mostram que o Brasil continua com uma educação de péssima qualidade e desigual. Além de revelar que a participação das escolas públicas entre as melhores do País está em queda, o Enem de 2010 mostrou que a rede particular também teve um desempenho pior do que o esperado.

Criado em 1999 para avaliar a qualidade do ensino médio, o Enem é uma prova voluntária que há dois anos foi convertida em mecanismo seletivo de universidades públicas e particulares, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Em 2010, o teste atraiu cerca de 4,6 milhões de concluintes do ensino médio de 23,9 mil escolas públicas e privadas localizadas em 1.689 cidades do País. A nota média dos estudantes foi de 553,73 pontos, numa escala de até mil. A nota considera o desempenho na redação e nas provas objetivas.

No Enem de 2010, nada menos do que 8.926 escolas públicas - o equivalente a 75% da rede oficial - ficaram abaixo da média. Das 20 escolas com as maiores médias, 18 são particulares e somente 2 são públicas. As 20 escolas com as piores médias são públicas. Entre as mil escolas com as médias mais baixas, 995 são públicas e apenas 5 são privadas. Das mil escolas com as médias mais altas, 912 são particulares e 88 são públicas.

No grupo de elite, que reúne as melhores escolas, o número de unidades da rede pública, proporcionalmente ao número de escolas da rede privada, caiu de 8,4% para 7,9%, entre 2009 e 2010. E as escolas da rede oficial que ficaram no topo são, na maioria, colégios de aplicação ligados a universidades federais, escolas técnicas e escolas mantidas por corporações militares. Ou seja, são estabelecimentos educacionais que têm poucas vagas e adotam um processo seletivo tão disputado quanto os vestibulares das mais conceituadas universidades. Nas demais unidades da rede pública, cuja grande maioria está a cargo dos Estados, não há exame para preenchimento das vagas.

A rede pública atende cerca de 88% dos alunos do ensino médio. Segundo os especialistas, para alcançar o nível de formação de seus colegas da rede particular, os estudantes da rede oficial teriam de estudar mais dois anos, no mínimo. A maioria desses estudantes conclui o ensino médio com a formação que deveria ter ao deixar o ensino fundamental.

Em resumo, os resultados do Enem de 2010 atestam a falência do ensino médio público. O ministro da Educação, Fernando Haddad, por diversas vezes afirmou que este é o principal gargalo do sistema educacional. Para muitos pedagogos, o ensino médio é a principal vítima da falta de continuidade de políticas educacionais e do costume dos governadores de usar a rede escolar oficial com propósitos eleiçoeiros.

Frequentemente, para marcar sua gestão, o secretário interrompe os planos da gestão anterior e tenta implantar projetos novos, esquecendo-se do que é básico - boas condições de trabalho, salários dignos e boa relação entre alunos e professores. Com isso, as Secretarias Estaduais da Educação vão engavetando uma sucessão de planos muitas vezes irrealistas e mirabolantes, enquanto há escolas sem professores e funcionários de apoio e outras em que os docentes, além de desmotivados, são obrigados a trabalhar fora de sua área de formação.

Já a queda na pontuação de escolas particulares tradicionais - especialmente em São Paulo - não causou maiores preocupações aos pedagogos. Segundo eles, como a USP e a Unicamp não levam em conta os resultados do Enem em seus exames vestibulares e como são poucas as opções de cursos oferecidos por universidades federais em todo o Estado, os melhores alunos das escolas privadas não se interessam pela prova.

As informações proporcionadas pelo Enem de 2010 mostram, assim, que a rede pública de ensino médio continua à deriva e que nem o governo federal nem os governos estaduais parecem saber o que fazer para mudar esse quadro desalentador.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 14 / 09 / 2011

Folha de São Paulo
"MEC quer acrescentar 20 dias ao ano escolar"

Aumento, que depende do Congresso, também pode se dar na carga horária diária
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O Ministério da Educação quer aumentar a carga horária nas escolas brasileiras. "Ou ampliamos o número de horas por dia ou o número de dias letivos", declarou ontem o ministro da Educação, Fernando Haddad. A ideia é ampliar o calendário atual de 200 dias letivos de forma gradual, para atingir novo patamar de 220 dias em quatro anos. O projeto, ainda em fase de discussão, precisará passar pela aprovação do Legislativo.

O Estado de São Paulo
"Estoque de carros cresce com redução de crédito"

Concessionárias já sentem queda na aprovação de financiamentos para carros populares e usados

Concessionárias de veículos sentiram uma freada dos bancos na aprovação dos financiamentos de carro popular e automóvel usado, comprados pela nova classe média. Pesquisa no varejo automotivo mostra que 38% desses empréstimos solicitados na primeira quinzena de agosto foram aprovados. No mesmo período de 2010, foram 70%, informa a repórter Márcia de Chiara. O maior rigor dos bancos na aprovação do crédito piora a situação dos estoques do setor automobilístico, já afetados pelo avanço das importações. Segundo a Anfavea (associação de montadoras), os estoques de veículos novos acumulados na cadeia automobilística chegam a 37 dias, enquanto o nível tido como normal varia entre 28 e 30 dias.

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terça-feira, setembro 13, 2011

Gente

Mick Jagger, Madonna e Tony Curtis por Dafydd Jones, 1997

Demagogia!

Vale para o Brasil, vale para Ubatuba!

Mariano Grondona - La Nacion, 11
No livro A Política, de Aristóteles, pode ser encontrada a definição mais antiga de demagogia. Uma definição tão bem sucedida que, quando a lemos, parece que o professor de Alexandre o Grande estava se referindo a nossa América Latina. Para Aristóteles, a demagogia era a corrupção da democracia da mesma forma que a tirania era a corrupção da monarquia. Um rei bem-intencionado poderia se tornar um tirano se, enganado pela adulação dos seus cortesãos, terminasse por pensar em si mesmo em vez de pensar no povo.

Quando o adulam a ponto dele pensar que é o único protagonista em lugar do povo, os cortesãos do rei não somente o corrompem; manipulam-no, ademais, em favor de si próprios. Da mesma forma, a democracia corrompe-se na direção da demagogia quando alguns políticos - esses cortesãos, não mais do rei, mas do novo soberano que é o povo - a perdem em seu próprio benefício, fascinando o povo com metas ilusórias, insustentáveis no decorrer do tempo. (Do Ex-Blog do Cesar Maia)

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Opinião

O xis da questão do mensalão

O Estado de S.Paulo - Editorial
Com o término, na quinta-feira passada, do prazo para os réus do mensalão apresentarem suas alegações finais no processo aberto contra eles em 2007, que o STF deverá julgar no próximo ano, vieram a público os argumentos graças aos quais pretendem ser absolvidos os mais notórios protagonistas do escândalo de suborno de deputados federais para favorecer o presidente Lula, no seu primeiro mandato. É o caso dos integrantes do "núcleo principal da quadrilha", conforme a denúncia formulada pelo então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza - e ratificada em sua quase totalidade pelo seu sucessor, Roberto Gurgel.

Reconduzido pela presidente Dilma Rousseff para um novo período no cargo, Gurgel corroborou, por exemplo, a conclusão de Souza, segundo a qual o então ministro e depois deputado cassado José Dirceu foi o "chefe da quadrilha" que arquitetou e conduziu, a partir do PT, o esquema de compra de apoios ao governo Lula no Congresso Nacional. Dos 40 réus originais, um (o ex-deputado José Janene, do PP) faleceu, outro (o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira) foi excluído do processo em troca de prestação de serviços comunitários e dois foram exonerados, por falta de provas, pelo atual procurador: o ex-ministro Luiz Gushiken e um irmão do tesoureiro do PL, Antonio Lamas.

Os advogados de Dirceu reiteraram, nas razões finais, que inexiste no processo algo "que possa sequer sugerir" que o seu cliente interferisse ou mesmo estivesse a par do que se passava na administração ou com as finanças do partido do qual já tinha sido presidente, no período que esteve à frente da Casa Civil. "Todas as provas", escreveram os criminalistas que o defendem, "mostram que (o ex-tesoureiro) Delúbio Soares atuava com independência". Eles consideram "completamente descabida" a versão de que Dirceu tivesse qualquer vínculo com o publicitário Marcos Valério, tido como o operador do mensalão. Caberá ao STF, a começar do relator da ação, ministro Joaquim Barbosa, acolher ou rejeitar à luz dos autos essas negativas aparentemente implausíveis.

Se fossem ao menos verossímeis, o procurador-geral Gurgel não teria endossado com tamanha convicção o juízo do predecessor sobre o dirigente petista. É bem verdade que Delúbio chamou a si a responsabilidade exclusiva pelos negócios do partido com Marcos Valério. Mas é o que se espera de qualquer pezzonovante mafioso conhecedor do implacável código de conduta da organização. Já o então deputado e presidente da legenda, José Genoino, tenta se distanciar dos suspeitos empréstimos tomados em 2003 por Delúbio no Banco Rural e no BMG, no valor de R$ 2,4 milhões, em benefício de companheiros e dos novos amigos do governo Lula.

A defesa de Genoino, para quem os empréstimos se destinavam a "fazer frente ao verdadeiro caos financeiro vivenciado pelos diretórios regionais do PT", afirma que ele assinou os papéis apenas "por condição estatutária". Por esse inconvincente raciocínio, "a legalidade, a viabilidade e o cabimento das transações" não eram da alçada do titular do partido, sendo o seu autógrafo "requisito meramente formal para a execução do empréstimo". Genoino, assim como Dirceu e Delúbio, foram denunciados por formação de quadrilha e corrupção ativa. Marcos Valério responde ainda por lavagem de dinheiro, peculato e evasão de divisas.

O seu advogado pergunta como pode o seu cliente ser condenado por supostamente intermediar o financiamento do esquema, sem que estejam em julgamento "as condutas dos interessados no suporte político "comprado" (presidente Lula, seus ministros e seu partido) e dos beneficiários financeiros (partidos políticos da base aliada)". Assinala ser esse "um raríssimo caso de versão acusatória de crime" que deixa mandantes e beneficiários em segundo plano, "alguns, inclusive, de fora da imputação, embora mencionados na narrativa, como o próprio presidente Lula". Esse sempre foi o xis da questão: a tentativa de Lula de fazer crer que ignorava o esquema por completo - cego, surdo e mudo como os macaquinhos da metáfora.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 13 / 09 / 2011

Folha de São Paulo
"Ministro pagava governanta com dinheiro público"

De 2003 a 2010, 'secretária parlamentar' do então deputado Pedro Novais, titular do Turismo, trabalhou em sua casa
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De 2003 a 2010, o ministro do Turismo, Pedro Novais (PMDB), pagou sua governanta com dinheiro da Câmara, revelam Andreza Matais e Dimmi Amara. Doralice Bento de Sousa recebia como secretária parlamentar, apesar de cozinhar e organizar o apartamento do então deputado.

O Estado de São Paulo
"Crise faz dólar fechar acima de R$ 1,70 pela 1ª vez no ano"

Investidores temem calote da dívida grega e fogem para moeda americana; avanço foi de 3% em 2011

Pela primeira vez no ano, o dólar encerrou um dia acima de R$1,70. Em meio às tensões provocadas pela crise europeia, a moeda americana teve a sétima valorização em oito dias, cotada a R$ 1,715, alta de 2,02%. No ano, acumula avanço de 3,06% ante o real. Analistas não chegam a dizer que a tendência de subida veio para ficar, mas o cenário em que a moeda poderia se aproximar de R$ 1,50, uma das preocupações do governo, por ora está descartado. O desconforto causado pela valorização da moeda já leva analistas a pedir mudança de atitude por parte do Banco Central, que continua comprando dólares diariamente no mercado. A crise europeia é apontada como uma das razões da alta. O medo dos investidores cresceu com os rumores de que a Grécia poderia decretar um calote de sua dívida, o que agravaria a crise na zona do euro. O governo grego confirmou ontem que há ameaça de falência.

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segunda-feira, setembro 12, 2011

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Opinião

Onde o Brasil é competitivo

O Estado de S.Paulo - Editorial
No que depende da iniciativa privada, o Brasil é eficiente e ocupa um lugar confortável na classificação dos países mais competitivos promovida anualmente pelo Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês). No que depende do setor público, porém, o Brasil vai mal e se classifica entre os 40 piores países, numa lista de 142. Em alguns itens é o pior de todos.

O estudo da WEF baseia-se em 12 conjuntos de fatores, como as instituições, a disponibilidade e a qualidade da infraestrutura, o ambiente macroeconômico, os serviços de saúde e de educação, a eficiência do mercado, as condições do mercado de trabalho, o mercado financeiro, a capacidade tecnológica e a capacidade de inovação. No Brasil, seu trabalho conta com a colaboração do Movimento Brasil Competitivo e da Fundação Dom Cabral.

O Brasil está entre os 40 ou 50 melhores países do mundo no que se refere a padrões das demonstrações financeiras das empresas e de proteção aos investidores, disponibilidade e qualidade dos serviços financeiros, disponibilidade de fornecedores locais, gastos das empresas com pesquisa e desenvolvimento e capacidade de inovação. Quanto ao tamanho do mercado interno, o Brasil ocupa o 10.º lugar. São esses alguns itens que impulsionam o País para melhores posições na classificação mundial de competitividade.

Mas o Brasil vai muito mal em outros pontos, especialmente os referentes ao governo. Ocupa a 104.ª posição na qualidade da infraestrutura (no item transporte aéreo, está no 122.º lugar), a 115.ª na qualidade do sistema educacional, a 127.ª na qualidade do ensino de matemática e de ciências, a 138.ª na quantidade de dias necessários para se abrir uma empresa, a 128.ª nas exigências para admitir e demitir trabalhador e a 136.ª no desperdício do dinheiro público. O Brasil é o pior país de todos os analisados pelo WEF no que se refere ao custo da regulação governamental e ao peso e abrangência dos impostos.

São características da economia e das instituições brasileiras que preocupam os dirigentes de empresas ouvidos pelo WEF e deveriam preocupar mais os políticos e as autoridades do País.

Apesar do ônus que o governo impõe à atividade econômica, o País vem evoluindo. Classificado na 53.ª posição no Índice de Competitividade Global divulgado pelo WEF na terça-feira, o País melhorou cinco posições em relação ao índice do ano passado. Nos últimos seis anos, subiu 13 posições.

O diretor e economista do Centro para a Competitividade Global do WEF, Beñat Bilbao-Osorio, observou que o Brasil vem melhorando a cada ano. Mesmo em itens em que está mal classificado, e que representam um obstáculo para seu desenvolvimento, o País tem apresentado alguma evolução.

Como consequência da crise dos países desenvolvidos - que mudou o polo de crescimento mundial, hoje mais dependente do desempenho dos países em desenvolvimento -, estreitou-se a diferença de competitividade entre os países ricos e os pobres. Os EUA, por exemplo, vêm perdendo posições desde o início da crise global, há três anos. Hoje ocupam a quinta posição. Além do fraco desempenho da economia americana, também o ambiente político do país, marcado pela baixa confiabilidade dos políticos e pela ineficiência do governo, passou a preocupar os dirigentes empresariais de todo o mundo

Em movimento contrário ao dos EUA, os países latino-americanos se destacaram na nova classificação do WEF. Como o Brasil, a Bolívia avançou cinco posições (está na 103.ª). O México pulou oito (para a 58.ª); o Peru, seis (para a 67.ª); e o Equador, quatro (para a 101.ª).

"A resistência (dos países latino-americanos) à crise e a perspectiva de crescimento econômico vieram acompanhadas de aumento de competitividade", observou o diretor do WEF. Mesmo assim, a classificação média desses países ainda é ruim e, para avançar, eles precisam fazer reformas. Na maioria deles, as instituições são frágeis, há insegurança, a infraestrutura é precária e é baixa sua capacidade de inovação. "São mudanças difíceis, mas terão de ser feitas", concluiu Bilbao-Osorio.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 12 / 09 / 2011

Folha de São Paulo
"Rede pública perde espaço entre melhores do Enem"

Maioria das escolas oficiais com boa avaliação promove seleção de alunos
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A participação das escolas públicas entre as melhores do país está em queda. É a conclusão a que se chega analisando o desempenho por colégio no último Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que o Ministério da Educação divulga hoje. A proporção de escolas públicas no grupo de elite (10% melhores, ou seja, quase 2.000 escolas) sofreu leve queda entre 2009 e 2010, de 8,4% para 7,9%.

O Estado de São Paulo
"Nota do Enem cai em 68% das escolas de elite de São Paulo"

De 30 colégios com melhor desempenho no País, só 4 são do Estado; pela primeira vez é possível comprar o resultado

Trinta e quatro escolas de São Paulo tiveram queda nas notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2010 - eles representavam 68% das 50 com melhor desempenho no ano anterior. Com isso, alguns colégios saíram da lista dos 30 mais bem colocados, sendo que apenas 4 do Estado permanecem nesse ranking. Uma das justificativas das escolas para explicar a piora no Enem é o fato de duas das principais universidades públicas do Estado - USP e Unicamp - não usarem a nota como critério de seleção no vestibular, o que desestimularia os melhores alunos a prestar o exame. Esta é a primeira vez que é possível comparar o desempenho das escolas no Enem de um ano para outro. Este ano, o Ministério da Educação também mudou a forma de divulgar os resultados, agrupando as escolas com índice semelhante de participação dos alunos. Dos 30 colégios com as melhores notas no País, 12 tiveram participação de todos os alunos e, em outros 14; pelo menos 75% deles fizeram a prova.

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