sábado, agosto 27, 2011

Falácia!

Elvis foi abduzido e vive feliz na Patagônia Meridional

Oportunidade

Esqueça o passado...

Fique rico, compre carrões, mansões, iates, jatinhos e tenha amantes exóticas e joiadas. Nunca foi tão fácil!

Sidney Borges
Caro leitor, você está convidado a participar da mais lucrativa empreitada do século 21, melhor do que emprego no Dnit, superior a cargos no Ministério do Turismo. Antes de aceitar convém ler a notícia dos jornais de hoje:

LONDRES - Astrônomos localizaram um exótico planeta que parece ser quase todo feito de diamante, girando em torno de uma pequena estrela nos confins da nossa galáxia.
O novo planeta é bem mais denso do que qualquer outro já visto, e consiste praticamente só de carbono. Por ser tão denso, os cientistas calculam que o carbono deve ser cristalino, ou seja, uma grande parte dele é mesmo de diamante. (continua)

Você que é leitor do Ubatuba Víbora já deve ter entendido. Vamos buscar o diamante gigante e, para usar uma gíria um tanto desgastada, mas eficiente, arrebentar a boca do balão.

A construção da nave foi iniciada nesta chuvosa manhã. Cruzaremos a galáxia com a velocidade da luz graças ao óleo de tainha, o melhor combustível que há. Ueba! Logo seremos mais ricos do que Eike Batista e Sarney juntos. Uma ressalva, não serão aceitos políticos na expedição. Não adianta insistir. 

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Ubatuba nos EUA

Cunhambebe fala sobre maldições aos irmãos do norte

Colunistas

Hell’s Angels

“Esta é a primeira parte do meu conto Hell’s Angels: que será o conto de abertura da antologia Rock Book, a sair pela editora Prumo, em outubro”

Márcia Denser
“Os olhos têm aquela expressão vazada de perversa inocência, de suprema condescendência de ídolos talhados em ouro e prata à luz das tochas, indiferentes às cerimônias e ao borbulhar das paixões e sacrifícios humanos; a macia pele do rosto de dezenove anos incompletos transparece e crepita, mas não se deixa tocar, e se o faz, o seu tato parece borracha ou vinil, porque os jovens de dezenove anos incompletos são pequenas monstruosidades portadoras do aleijão psíquico, faltando pedaços como um ombro para se chorar, um olhar atento, o gesto brusco no vácuo do antebraço consolador; os lábios congelados na frase de Peter Pan “eu sou a juventude eterna!”, a mão perpetuamente brandindo a estocada final na passagem do tempo. Um adolescente é sempre monstruoso porque desumano, assim como um deus, assim como um anjo, assim como você, Robi.

Eu o conheci precisamente no dia que completava trinta anos, dirigindo meu automóvel até o analista. Pensava: o Superman também tem trinta anos – mas o fato é que ele não existe, eu sim, e muito passageiramente, pelo visto. Fisgava-me frequentemente refletindo sobre a minha transitoriedade e a imutabilidade da natureza. Esse mesmo céu, esse mesmo crepúsculo, essa mesma intensidade de tons avermelhados, que contemplei aos quinze anos, estão agora testemunhando meus trinta, inalterados, imperturbáveis, odiosamente imutáveis, mas se ter consciência disso é o preço da mortalidade, eu prefiro pagá-lo a permanecer nesse estado bestialício de eternidade inanimada, como as areias, os corvos, o crepúsculo e o mais.

O que não deixa de ser putamente injusto, prosseguia pensando, quando o ronco de uma moto ao lado do automóvel sobrepujou a música do toca-fitas, os pensamentos acima descritos, além de tudo mais, o que acabou por irritar-me. Havia esquecido que o vestido levantara, exibindo as coxas, daí Robi, o motoqueiro, aparecer na minha janela, caninos pingando sangue. Por segundos, foi como se estivesse me vendo lá fora, do outro lado da juventude, há dez, doze anos atrás, o sorriso entre tímido e malicioso, olhos inquietos, inseguros, lábios úmidos, cabelos  elétricos como filamentos de cobre e, Deus meu, que beleza!

Quando desviei o rosto, tinha envelhecido o suficiente a ponto de fixar os olhos embaçados nos ponteiros luminosos mas, empurrando a dor para baixo, sete palmos no inconsciente, senti apenas irritação pela intromissão do rapazinho que perturbava meus pensamentos, minha solidão, minha maturidade, espiando sem mais aquela dentro do carro, com a mesma inocência de um bebê debaixo da mesa espiando as calcinhas das senhoras. Devo acrescentar que dentro de um automóvel sinto-me tão absolutamente só e segura como no ventre materno e, além do mais, não havia notado as coxas. A bem da verdade fiz o impossível para livrar-me dele, mas o destino conspirou:

Destino I: Motoca seguiu-me até  vaga da zona azul e, após observar cerca de dezoito manobras humilhantes e mal-sucedidas, ofereceu-se para estacionar o automóvel de madame.

Destino II: Acertou na primeira (não que fosse muito bom, ruim sou eu, especialmente se observada por crianças. Elas me põem nervosa).

Destino III: Obrigada / Você tem telefone? / Não me importo nem um pouco deixar que os homens esta… / Estou sem lápis/        Mas quantos anos você tem? / Oitenta e cinco/ Tem caneta?/ Não saberia exatamente o que fazer com você / (Risinho pilantra, procura pedaço de papel na carteira) / 6625-3145/ olha, tenho hora no médico / Médico? / No analista / Pra que o psiquiatra, garota? / Analista / É. Analista / Demora pra explicar / Eu telefono / Posso apostar / Meu nome é Robi / Wood? /  O quê? / O meu é Diana. Tchau.

O tempo fluiu (como sempre). Passaram-se duas semanas. Não paro em casa, mas o garoto tinha um faro diabólico. Sempre me pegava nos intervalos da muda de roupa, banho, jantar e outra escapada. Enquanto isso eu: a) estava sendo perseguida por um cineasta maldito; b) batia cartas comerciais; c) fazia um tratamento dentário intensivo; d) chateava-me com os amigos no bar; e) ou seja, merdava.

Certa tarde, final de expediente no escritório, eis Robi que surge ao lado da minha escrivaninha: vamos sair? Caninos pingando sangue.”

Esta é a primeira parte do meu conto Hell’s Angels: se você gostou e quiser ler o resto, não perca essa dica: considerado um dos Cem Melhores Contos Brasileiros do Século XX (org. Ítalo Moriconi, Objetiva, Rio, 2000), será o conto de abertura da antologia Rock Book, a sair pela editora Prumo, com lançamento marcado para o início de outubro na livraria Cultura em Sampa.

Sobre o autor

Márcia Denser
A escritora paulistana Márcia Denser publicou, entre outros, Tango fantasma (1977), O animal dos motéis (1981), Exercícios para o pecado (1984), Diana caçadora/Tango Fantasma (Global,1986, Ateliê, 2003,2010, 2a.edição), A ponte das estrelas (Best-Seller,1990), Caim (Record, 2006), Toda prosa II - obra escolhida (Record, 2008). É traduzida em nove países e em dez línguas: Alemanha, Argentina, Angola, Bulgária, Estados Unidos, Espanha (catalão e galaico-português),Holanda, Hungria e Suíça. Dois de seus contos - "O vampiro da Alameda Casabranca" e "Hell's Angel" - foram incluídos nos Cem melhores contos brasileiros do século, organizado por Ítalo Moriconi, sendo que "Hell's Angel" está também entre os Cem melhores contos eróticos universais. Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, é pesquisadora de literatura e jornalista. Foi curadora de literatura da Biblioteca Sérgio Milliet em São Paulo.

Outros textos do colunista Márcia Denser.

Publicado originalmente no "Congresso em Foco"

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Opinião

A falta de foco na educação

O Estado de S.Paulo - Editorial
O avanço das técnicas de avaliação escolar adotadas no País propiciou, nos últimos anos, o surgimento de mecanismos inéditos para avaliar a capacidade de ensino das escolas e o nível de aprendizado de seus alunos. Um desses novos mecanismos é a Prova ABC (Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização), aplicada pela primeira vez no início do ano a 6 mil alunos de 262 escolas municipais, estaduais e particulares de todas as capitais dos Estados. A prova de leitura e matemática foi feita com questões de múltipla escolha. Na de redação, o aluno tinha de escrever uma carta a um amigo, comentando as férias.

Realizada pela Fundação Cesgranrio, pelo Instituto Paulo Montenegro e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais em parceria com o Todos pela Educação - um movimento criado há quatro anos pela iniciativa privada -, a Prova ABC avalia o nível de alfabetização dos alunos do 3.º ano do ensino fundamental. E seus resultados comprovam mais uma vez a má qualidade do sistema educacional.

Segundo a Prova ABC, 44% dos alunos avaliados não têm os conhecimentos necessários em leitura; 46,6%, em escrita; e 57%, em matemática. Ou seja, metade das crianças que concluíram o 3.º ano do ensino fundamental não aprendeu o mínimo esperado para esse nível de ensino.

Isso significa que, aos 8 anos, essas crianças não entendem para que serve a pontuação ou o humor expresso em um texto nem conseguem identificar o tema de uma narrativa e as características dos personagens de uma história. Também não sabem ler horas e minutos em relógios digitais, não conhecem as quatro operações aritméticas e não sabem fazer cálculos que envolvem notas e moedas - como o troco em uma compra. E são incapazes de reconhecer centímetros como medida de comprimento.

Além disso, os resultados da Prova ABC confirmam o que já se sabia, isto é, que o rendimento dos alunos da 3.ª série do ensino fundamental tende a ser maior nas escolas privadas do que nas escolas públicas e a qualidade do ensino da rede escolar das regiões mais desenvolvidas, como a Sul e a Sudeste, é melhor do que a das escolas das Regiões Norte e Nordeste. Para os pedagogos, os anos de alfabetização são decisivos para a formação dos estudantes no ensino básico e superior. Quanto melhor for o desempenho dos estudantes nas primeiras séries do ensino fundamental, maior será sua capacidade de aprendizagem no futuro - e a principal conclusão da Prova ABC é que o alcance dessas premissas óbvias até hoje não foi compreendido pelas autoridades educacionais.

Tanto que, em vez de dar prioridade à elevação da qualidade do ensino infantil, fundamental e médio, o governo federal continua insistindo em agitar bandeiras mais vistosas, como o lançamento de novas universidades públicas - algumas criadas com base em critérios de marketing político, como as voltadas para o ensino da cultura afro-brasileira, e outras para atender a pedidos dos partidos da "base".

A exemplo dos demais indicadores educacionais, que se concentram nas últimas séries do ensino fundamental, a Prova ABC, voltada para as primeiras séries desse ciclo, atesta a incapacidade do governo de fixar prioridades. "Se o Brasil tivesse apostado em educação de forma maciça, inclusiva e sistemática, teríamos dado, anos antes, os passos necessários para que o nosso país tivesse pleno uso de seus potenciais econômicos e para que nossa população tivesse acesso a um padrão de conhecimento e, portanto, a um padrão de vida mais elevado", disse recentemente a presidente Dilma, no evento em que anunciou a criação de mais quatro universidades federais.

Além de comprovar os erros já cometidos pelo governo, essas palavras ajudam a entender por que o Brasil continua perdendo a corrida educacional. O que a Prova ABC mostra é que os problemas da educação não estão no acesso ao ensino superior, mas na formação deficiente proporcionada nos níveis infantil e fundamental. É isso que Dilma e seu ministro da Educação ainda não perceberam.

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Manchetes do dia

Sábado, 27 / 08 / 2011

Folha de São Paulo
"Alerta sobre furacão tira 272 mil de casa em NY"

Áreas baixas foram esvaziadas, metrô e lojas vão fechar e população estoca água
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O furacão Irene levou pânico à Costa Leste dos EUA, onde deve chegar entre hoje e amanhã. Estados e municípios anunciaram planos de retirar população das áreas de risco e reforçar equipes de emergência. Em Nova York, cerca de 272 mil moradores das zonas mais baixas, como Queens, Brooklin, Long Island e a região sul de Manhattan, devem deixar suas casas. Hospitais e casas de repouso foram esvaziados, algo inédito na cidade.

O Estado de São Paulo
"Prefeitura de SP sofre fraude recorde"

Durante 17 anos, quadrilha forjou pagamento de taxas para construção de edifícios; prejuízo pode chegar a R$ 100 milhões

Uma quadrilha que passou os últimos 17 anos forjando o pagamento de taxas para a construção de prédios em São Paulo causou rombo de ao menos R$ 50 milhões - e o prejuízo pode chegar aos R$ 100 milhões, informou a Corregedoria-Geral do Município. Segundo a Prefeitura, trata-se do maior golpe já aplicado por particulares contra os cofres municipais. A investigação encontrou indícios de que quatro construtoras - Marcanni, Zabo, Porte e Onoda - apresentaram à Prefeitura guias com autenticação bancária falsa para obter o aval para levantar edifícios acima do gabarito permitido na cidade - a chamada outorga onerosa. A Prefeitura já encontrou cerca de 900 documentos suspeitos. O mais antigo deles é de 1994 e envolve fraudes no carnê do IPTU. Ontem, a Polícia Civil prendeu quatro envolvidos no esquema. A quadrilha pode ter mais 20 integrantes. As construtoras se dizem vítimas.

sexta-feira, agosto 26, 2011

Dia do bichano

Coluna do Celsinho

Feirante

Celso de Almeida Jr.
Ontem, 25 de agosto, além do soldado, foi o dia do feirante.

Sobre este último, o Ricardo Pimentel, sempre talentoso, desenvolveu uma bela peça publicitária para um de nossos clientes.

Foi ele quem me lembrou da data.

A ideia foi prestigiar a categoria, sempre tão dedicada, mas muitas vezes desamparada.

A primeira feira livre do Brasil aconteceu no 25 de agosto de 1914, na cidade de São Paulo.

Quem gosta de frequentar estes espaços sempre se depara com a criatividade dos vendedores, que lançam mão de frases de efeito e bordões animados.

Em Ubatuba, na praça Bip, o sábado é o dia da nossa grande feira.

Penso que aquele ambiente merece um cuidado maior.

Apesar da área coberta, que representa um diferencial positivo, a estrutura metálica pede lixa e tinta.

Os banheiros, que nem toda feira tem, também exigem maior zelo.

Outra sugestão é criar alguma atividade de recreação para a garotada que circula por lá.

Campanhas educativas, também poderiam virar rotina, aproveitando o grande número de consumidores.

Enfim, é importante uma maior atenção; um pouco mais de cuidado; um amparo maior aos profissionais e aos consumidores das feiras livres.

Pensando bem, em Ubatuba, muitos setores merecem semelhante tratamento.

Sobre isso, conversaremos na feira, amanhã cedinho.

Até lá.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

Rumo às energias que nos convêm

Washington Novaes - O Estado de S.Paulo
O governo federal deve à sociedade brasileira uma satisfação, que não pode mais ser postergada, sobre a matriz energética nacional. Não se pode continuar avançando em meio a informações contraditórias, que levantam dúvidas quanto à estratégia no setor, conveniência dos rumos tomados, adequação dos investimentos, custos a serem pagos pela sociedade, etc.

O primeiro ponto a esclarecer é sobre a real necessidade de expansão da matriz. O governo e seus órgãos vão continuar fazendo de conta que nunca ouviram falar do estudo da Unicamp (2006), várias vezes citado neste espaço, segundo o qual o País pode viver com 50% da energia que consome (poupando 30% com conservação e eficiência, 10% com redução de perdas em linhas de transmissão - que estão em 17% - e 10% com repotenciação de geradores antigos)? Mesmo que continuem, vão seguir com as informações contraditórias e insuficientes, que inclusive permitem onerar a sociedade com custos discutíveis, para beneficiar alguns setores? Como disse recentemente (Ambiente Energia, 21/8) o diretor do Instituto Nacional de Eficiência Energética, Pietro Erber, uma boa política energética não pode estar voltada apenas para questões do desenvolvimento econômico e obreirismo, precisa estar atenta aos chamados fatores ambientais e sociais, dar preferência a fontes renováveis de energia e de origem local (mais próximas dos usuários, menos caras), computar e cobrar dos geradores os impactos que produzam.

Mas não é o que ocorre. Várias consultorias estão reduzindo suas previsões sobre crescimento econômico no País nos próximos tempos - e isso terá influência no consumo de energia. Estão sendo consideradas? O próprio Operador Nacional do Sistema Elétrico e a Empresa de Pesquisa Energética já preveem, segundo os jornais, que o aumento de consumo de energia este ano não será de 5%, e sim de 3,9% (ONS), ou baixará de 5,4% para 3,8% (EPE). "Estamos nadando em sobras", diz o diretor-geral do ONS, Hermes Chipp. Então, por que insistir em tantas hidrelétricas na Amazônia, com altos custos sociais e ambientais (incluindo a redução de parques nacionais, decretada por medida provisória)? Por que insistir na usina de Angra-3 e mais quatro no Nordeste? "O planejamento energético no País continua autista", diz o professor Carlos Vainer, da UFRJ. Mas no mesmo debate o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME), Altino Ventura Filho, previu "forte tendência de crescimento no Brasil nos próximos anos", que justificaria as hidrelétricas na Amazônia. "Se adotarmos a energia solar", disse ele, "o pobre não vai ter energia". Não é só. O próprio MME teve de intervir para mudar as metas projetadas pela Aneel para as renováveis (eólica, biomassa, pequenas centrais), que haviam sido fixadas (favorecendo fontes não renováveis) em 2.700 MW de potência e tiveram de ser elevadas para 4.300 MW.

Quando se põem todas as cartas na mesa, os números assustam. No ano passado, por exemplo, a conta paga às geradoras de energia a gás (era indispensável?) foi de R$ 670 milhões (Estado, 2/8). Pelo ângulo do cidadão, mais grave ainda, diz a Fiesp que a economia para o consumidor nas contas de luz em 20 anos poderá ser de quase R$ 1 trilhão se não forem renovadas as atuais concessões para fornecimento de energia. Mas um lobby poderoso trabalha pela renovação.

Está ficando difícil, porém, a posição dos adversários das energias renováveis e "limpas". No último leilão de energia, as fontes eólicas ficaram com 48% do total leiloado (Estado, 19/8), quase 2 mil MW, com preço inferior a R$ 100 por MWh, menor que o das hidrelétricas, a R$ 104,75 (de novo: por que insistir na Amazônia?). Não por acaso, a previsão da Associação Brasileira de Energia Eólica é de que os investimentos nesse setor até 2013 serão de R$ 25 bilhões, em 141 projetos (4.343 MW, tanto quanto Belo Monte). Na verdade, hoje a EPE afirma que potencial eólico já mapeado está em 143 mil MW. Há quem pense que pode chegar a 300 mil.

Não é só por aqui. Na Espanha a eólica já é a maior fonte de energia, com 21% do total. A Noruega começa a instalar usinas flutuantes no mar. A energia solar também avança, até mesmo no Brasil, onde o megaempresário Eike Batista inaugura sua primeira usina em Tauá (CE), com 4.680 painéis. E a Abrava calcula que, se todos os 11,2 milhões de habitantes de São Paulo se banhassem em água aquecida por painéis solares, economizariam R$ 7,3 bilhões anuais e evitariam a emissão de 450 mil toneladas de dióxido de carbono. A projeção que se faz (Ambiente Energia, 14/8) é de que este ano se acrescentarão mais 200 mil metros quadrados de painéis ao quase 1 milhão implantado em 2010.

A tendência parece irreversível. Diz o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), da Convenção do Clima, que fontes renováveis suprirão 80% da demanda de energia em 2080, principalmente eólica, solar e das biomassas. Hoje, juntamente com as energias geotérmica e de ondas oceânicas, respondem por 13%. A América Latina já é a segunda região no volume de investimentos em energias renováveis, nas quais o mundo investiu US$ 211 bilhões em 2009. A China é que mais investe (US$ 48,9 bilhões/ano); o Brasil, US$ 7 bilhões. Mas os subsídios às energias fósseis continuam a vencer: US$ 312 bilhões em 2009, ante US$ 57 bilhões para as renováveis. E o carvão segue como principal fonte, 47% do total.

Só que a corrida pelas tecnologias de energias renováveis continua fortíssima: no ano passado, o Escritório Americano de Patentes reconheceu 1.811 patentes de tecnologias energéticas relacionadas com veículos elétricos, células de combustível e aplicações energéticas em biomassas, eólicas, geotérmicas, solares e hídricas (hidrelétricas, ondas e marés).

Precisamos sair com urgência da nossa confusão e jogar pesado nas direções corretas.

JORNALISTA
E-MAIL: WLRNOVAES@UOL.COM.BR

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 26 / 08 / 2011

Folha de São Paulo
"Incerteza global faz Dilma reduzir previsão do PIB"

Se confirmadas as projeções internas de 3,7% para 2011, Brasil crescerá mais que ricos, mas menos que emergentes
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O governo voltou a rever as projeções para a economia e trabalha internamente com previsão de crescimento de 3,7% em 2011, abaixo dos 4% a que se referiu nesta semana o ministro Guido Mantega (Fazenda). Se a projeção se onfirmar, o Brasil crescerá menos que outros emergentes, como china e Índia, mas em passo mais acelerado que o de países desenvolvidos. A presidente Dilma Rousseff acredita que a desaceleração permitirá que o BC comece a reduzir a taxa de juros atualmente em 12,5%. Para facilitar, o Orçamento para 2012 deverá ter como palavra de ordem o equilíbrio fiscal, diz assessor. Integrantes da equipe econômica acham que a redução pode começar já em outubro ou em novembro, quando o comitê de Política Monetária fará a última reunião do ano.

O Estado de São Paulo
"Entre alunos de 8 anos, metade não sabe o mínimo"

Crianças encerram ciclo de alfabetização sem conhecer básico em leitura e matemática, mostra teste nacional

Metade das crianças brasileiras que concluíram o 3º ano (antiga 2ª série) em escolas públicas e privadas nas capitais brasileiras não aprendeu os conteúdos esperados para esse nível de ensino. É o que mostram os resultados da Prova ABC (Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização), que foram divulgados ontem. Cerca de 44% dos alunos não têm os conhecimentos necessários em leitura, 46%, em escrita, e 57% em matemática. Isso significa que, aos 8 anos, elas não entendem para que serve a pontuação; não compreendem o humor expresso em um texto; não sabem ler horas e minutos em um relógio digital e calcular operações envolvendo intervalos de tempo; e não reconhecem os centímetros como medida de comprimento. “Estamos produzindo crianças escolarizadas que são analfabetas”, disse Gladys Rocha, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais.

quinta-feira, agosto 25, 2011

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Opinião

A primeira privatização

O Estado de S.Paulo - Editorial
Marcado por acirrada disputa, que elevou o ágio para 229%, o leilão de outorga à iniciativa privada do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, em Natal, simboliza o início de um processo de ampliação e modernização do sistema aeroportuário brasileiro com a participação de capital particular, que deveria ter começado há muito mais tempo.

O caos aéreo que infernizou a vida dos passageiros, a incapacidade da Infraero de manter em condições adequadas as mais de 60 unidades que controla e a ameaça real de o sistema não conseguir atender ao aumento da demanda nos próximos anos não deixavam dúvidas de que, do jeito que estava, não se podia continuar. O governo demorou para entender as dimensões do problema e reconhecer o despreparo da Infraero para resolvê-lo, e só há pouco anunciou que três dos principais aeroportos do País - os de Cumbica, em Guarulhos; Viracopos, em Campinas; e Juscelino Kubitschek, em Brasília - serão concedidos a operadoras particulares.

Ressalve-se, porém, que, mesmo quando o governo toma a decisão correta, suas consequências nem sempre são imediatas. O caso do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, em Natal, é um exemplo disso. Sua construção foi decidida no início da década de 1990, algumas obras foram realizadas em 1995, mas o projeto não avançou. No início de 2008, no governo Lula, o aeroporto foi incluído no Programa Nacional de Desestatização, mas sua efetiva transferência para a iniciativa privada só se concluiu três anos e meio depois.

O ágio oferecido pelo consórcio vencedor do leilão - que elevou o preço final para R$ 170 milhões, mais do triplo do valor mínimo de R$ 51,7 milhões fixado pelo governo - e o número de lances apresentados pelas empresas que permaneceram na disputa (quase 90) podem ser interpretados como demonstração do grande interesse do investidor pela conclusão das obras e operação do aeroporto potiguar.

Mas, para compensar o ágio, o consórcio vencedor terá de alcançar um retorno elevado de seu investimento. "É acima de 6% de ganho real", disse o representante da Engevix no consórcio vencedor - denominado Inframérica -, José Antunes Sobrinho. "Estamos absolutamente confortáveis com o ágio que estamos pagando."

No consórcio, a Engevix é sócia, em partes iguais, da argentina Corporación América, que controla a Aeropuertos Argentina 2000, detentora da concessão de 33 aeroportos no país vizinho, incluindo os de Ezeiza e Aeroparque, em Buenos Aires. O sócio argentino opera terminais em outros países, como Peru, Uruguai, Equador e Armênia, mas sua história recente na Argentina é marcada por dificuldades para honrar compromissos. Atraso no pagamento de royalties, não cumprimento dos cronogramas de obras e renegociações de contratos com o governo são algumas das dificuldades da Corporación América lembradas pela imprensa.

O presidente da Anac, Marcelo Guaranys, admitiu que o consórcio pode ter dificuldades para pagar o elevado ágio, mas observou que há mecanismos contratuais, como multas, execução de garantias e até a retomada da concessão, para evitar calotes.

Para o governo, o êxito do leilão do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante é um prenúncio do que deverá acontecer com os leilões, marcados para 22 de dezembro, dos três principais aeroportos brasileiros. São, porém, situações muito distintas, a começar pelo porte dos aeroportos a serem privatizados. O fato de Cumbica, Viracopos e Juscelino Kubitschek já estarem em operação também constitui uma diferença notável, pois assegura renda imediata para a empresa vencedora, ao contrário do aeroporto do Rio Grande do Norte, que deverá ser concluído em 2014.

Mas os poderes excessivos que o governo deu à Infraero no novo modelo poderão afugentar investidores. A Infraero deterá até 49% do capital da empresa vencedora e dirigirá a autoridade aeroportuária, que atuará como "síndico" dos principais aeroportos, mas cujo papel ainda não está claro.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 25 / 08 / 2011

Folha de São Paulo
"Rebeldes oferecem prêmio por ditador vivo ou até morto"

Recompensa por Gaddafi inclui anistia mais R$ 2,5 milhões; para chanceler do país, oposicionistas já venceram a guerra
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O presidente do CNT (Conselho Nacional de Transito), Abdel Jalil, anunciou que qualquer pessoa do círculo de Muamar Gaddafi que o mate ou capture receberá “anistia total” de crimes cometidos durante o regime, além de recompensa de R$ 2,5 milhões. A frente de oposição diz ter o controle de 80% de Trípoli, que ainda registra fortes confrontos. Poucos civis se arriscam a sair às ruas.

O Estado de São Paulo
"Chanceler de Kadafi admite derrota, mas conflito continua"

Membros do governo já não têm contato entre si; ditador segue desaparecido e há recompensa pela captura

Abdul Ati al-Obeidi, chanceler de Muamar Kadafi, admitiu ontem que o regime instalado há 42 anos na Líbia caiu diante da ofensiva rebelde. As declarações foram feitas horas após a tomada de Bab al-Azizia, o quartel-general do regime em Trípoli. Segundo o chanceler, os ministros perderam o contato entre si, o que demonstra a dissolução da administração. Combatentes rebeldes, brigadas e mercenários leais ao ditador, no entanto, travavam ontem intensas batalhas na disputa pelo controle de pontos estratégicos da capital Líbia. O ditador continua desaparecido, mas pede ao povo que resista e promete voltar ao poder. Os rebeldes seguem tentando capturá-lo. Empresários líbios ofereceram ontem recompensa de US$ 1,7 milhão a quem entrega-lo “vivo ou morto”.

quarta-feira, agosto 24, 2011

Arte

René Magritte: The Portrait, 1935 – óleo sobre tela (MoMA)

Política externa

De pipoca e refrigerante

E o Brasil? Para o país que ofereceu mediação no impasse árabe/israelense e tentou costurar o acordo entre Teerã e as potências em torno do programa nuclear iraniano, o atual silêncio é ensurdecedor. A explicação mais provável: o Itamaraty e o Palácio do Planalto não têm a mínima ideia do que fazer
 
Do Blog do Alon
A resistência a apoiar os levantes democráticos no mundo árabe e islâmico têm dupla origem. Uns torcem o nariz pois preferem a continuidade dos déspotas amigos. Outros não, mas temem a emergência de forças político-religiosas fundamentalistas e autoritárias.

O exemplo é sempre o Irã. Onde a Revolução Islâmica libertou ventos democratizantes, para suprimi-los em seguida e lançar o país numa poliarquia teocrática. A esquerda iraniana, aliás, participou ativamente do movimento de 1979, antes de ser suprimida pelos aiatolás.

É o temor mais frequente no desdobramento da situação egípcia. Mas quem busca enfraquecer a influência ocidental na região não teme o cenário. Desse ângulo, o ideal seria ver emergir uma república islâmica sunita no Cairo.

Que em seguida poderia unir-se aos xiitas de Teerã e criar uma situação de forças na qual Washington só teria a retirada como alternativa.

Infelizmente para quem pensa assim, a conflagração iraquiana serve de termômetro da (im)possibilidade de coesão estratégica entre xiitas e sunitas. A união de todas as facções contra o elemento externo pode frequentar o discurso, mas daí à prática vai uma distância daquelas. O pan-arabismo foi e é apenas palavrório vazio.

Na Líbia, por exemplo, a república ditatorial, algo laica e bastante nepótico-cleptocrática do Coronel Muamar Gadafi vai sendo empurrada para a lata de lixo da História, na expressão clássica de Leon Trotsky sobre os socialistas-revolucionários que recusaram apoiar a Revolução Bolchevique de outubro/novembro de 17.

E quem empurra é uma composição heterodoxa.

A faxina de Trípoli é feita a quatro mãos pela aliança militar do Ocidente, a Otan, e rebeldes que também bebem da fonte fundamentalista. Inclusive com ligações marginais à Al Qaeda. Parece-lhe bizarro? Pois é a política. A arte de estar sempre pronto a romper com o aliado e a aliar-se ao adversário/inimigo.

O universo árabe e islâmico é um emaranhado de facções religiosas, políticas e militares. De nações desenhadas artificialmente pelo colonialismo. Não há linhas demarcatórias definitivas.

Isso complica ainda mais a vida de quem precisa tomar posição sobre o assunto. A esquerda brasileira é um exemplo. Comemorou a queda dos ditadores tunisiano e egípcio, aliados dos Estados Unidos, mas cerra fileiras em torno de Gadafi e do açougueiro de Damasco, Bashar Al Assad.

Em meio à confusão, a melhor abordagem, por enquanto, é a de Barack Obama. Que descartou sem muita hesitação aliados importantes, para estar em posição de lutar pela influência na nova ordem.

Pois árabes e muçulmanos têm o mesmo direito à democracia que os demais.

E o Brasil? Para o país que ofereceu recentemente mediação no impasse árabe/israelense e tentou costurar o acordo entre Teerã e as potências em torno do programa nuclear iraniano, o silêncio é ensurdecedor.

Podem querer que pareça sabedoria, mas a explicação provável é outra: o Itamaraty e o Palácio do Planalto não têm a mínima ideia do que fazer.

Pois só haveria duas opções: 1) apoiar decididamente a onda democrática ou 2) agir caso a caso conforme o interesse, conforme quem está no poder ou na oposição.

O governo brasileiro não anda convicto do primeiro caminho, nem está disposto a pagar o preço político embutido no segundo.

E aí fica de saquinho de pipoca e refrigerante na mão vendo passar o filme da História. Quando não sobra com o mico, como vai acontecendo na Líbia. E tem boa chance de acontecer na Síria.

Nem aí

Todas as pesquisas mostram que o eleitor não aceita abrir mão de eleger diretamente os deputados e vereadores. O último levantamento a mostrar isso foi feito com os usuários do serviço 0800 da Câmara dos Deputados.

73% disseram acompanhar a discussão da reforma política no Congresso, 57% discordam do financiamento público de campanhas eleitorais, 67% discordam da lista fechada (voto indireto) para o Legislativo e 75% concordam com o fim das coligações nas eleições para deputado e vereador.

Deveria ser suficiente para os alquimistas da reforma. Mas eles não estão interessados no que o povo acha ou deixa de achar.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada nesta terça (23) no Correio Braziliense.

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Opinião

A orgia campineira

O Estado de S.Paulo - Editorial
Aos casos de corrupção, no plano federal, que resultaram em inédita sucessão de demissões de ministros de Estado, acrescenta-se ao noticiário político-policial a cassação do mandato do prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos (PDT). Na madrugada do último sábado, ele perdeu o mandato por decisão praticamente unânime da Câmara Municipal (32 votos contra 1). Mas essa decisão já estava destinada a se tornar inútil como medida saneadora, porque os próprios vereadores já haviam se articulado para garantir a posse do vice-prefeito, Demétrio Vilagra (PT), um dos protagonistas do escândalo que causou a queda do prefeito e que é acusado pelo Ministério Público pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva e fraudes em licitações. Em Campinas, como se vê, não houve uma crise político-partidária e, sim, o desbaratamento de uma verdadeira quadrilha de malfeitores que tomou conta da administração de um dos maiores e mais importantes municípios paulistas.

Dr. Hélio, como é conhecido o prefeito cassado, estava em seu segundo mandato à frente do Executivo municipal de Campinas. As denúncias de irregularidades em sua administração começaram a tomar corpo meses atrás, envolvendo especialmente os assessores que trouxera de Mato Grosso, seu Estado natal, e sua mulher e chefe de gabinete, Rosely Nassim Jorge Santos, acusada de comandar um esquema de recolhimento de propina na prefeitura. Apesar de dispor de uma ampla base parlamentar, formada por nove partidos (PDT, PT, PMDB, PC do B, PSD, PPS, PTB, PRP e PSC), o clamor popular diante do escândalo acabou tornando impossível impedir a formação, em 23 de maio, de uma Comissão Processante na Câmara Municipal. Era o reflexo da decisão tomada dias antes pelo Ministério Público de solicitar a prisão temporária de 20 empresários e agentes públicos envolvidos em corrupção e fraudes em licitações em contratos de serviços de empresas terceirizadas na Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa).

Foram presas onze pessoas. Outras nove foram consideradas foragidas, entre elas o vice-prefeito Demétrio Vilagra e os secretários municipais Carlos Henrique Pinto e Francisco de Lagos. Dias depois, ao regressar de uma viagem de férias na Espanha, Vilagra foi detido pela polícia no aeroporto. A primeira-dama e chefe de gabinete do prefeito, também investigada pelo Ministério Público, obteve um habeas corpus preventivo. O pedido de cassação do prefeito, levado a voto pela primeira vez cerca de um mês depois, foi derrotado por 16 votos contra 15 e 2 abstenções, já que era necessário quórum qualificado de 17 votos para aprovação. Finalmente, na madrugada do último sábado, depois de 44 horas de discussão, os vereadores decidiram decretar a cassação do mandato do Dr. Hélio.

O vice-prefeito Vilagra, apesar das acusações a que responde, se disse "preparado para assumir o cargo de prefeito em prol da cidade". Pedido de formação de uma Comissão Processante, que poderia cassar o mandato de Vilagra - completando o saneamento -, solicitada pelo presidente do diretório municipal do PSOL, não foi aprovado. As bancadas do PDT e do PT encarregaram-se de bloquear a medida moralizadora.

Na segunda-feira, já garantida a sua posse pela companheirada, mas ainda vice-prefeito - o Diário Oficial do município ainda não publicara o ato de cassação de Oliveira Santos -, o petista Vilagra, como sempre pouco preocupado com as formalidades, foi à prefeitura, instalou-se no gabinete do prefeito e, depois de instruir sua assessoria a informar que ele se considerava "prefeito a ser empossado", despachou normalmente com três secretários municipais e recebeu vários vereadores.

Na manhã de ontem, Demétrio Vilagra assumiu o cargo de prefeito, em solenidade na Câmara Municipal. Pelo andar da carruagem, apesar da medida aparentemente saneadora do afastamento do prefeito Hélio de Oliveira Santos, nem as moscas devem mudar na orgia campineira.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 24 / 08 / 2011

Folha de São Paulo
"Rebeldes tomam QG de Gaddafi"

Multidão invadiu palácio e saqueou mobília; por rádio, ditador líbio afirmou que lutará até a vitória ou a morte
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Após quatro dias de confrontos, tropas dos rebeldes líbios invadiram em Trípoli o complexo do ditador Muammar Gaddafi, cuja queda parece iminente. A entrada em Bab al Azizia, o conjunto de prédios que abriga a sede do governo e a residência oficial do ditador líbio, é a mais importante conquista insurgente desde o início do levante. Não ficou claro se todo o complexo foi tomado. Em discurso a uma emissora de rádio, Gaddafi, cujo paradeiroo é desconhecido, declarou que deixou o palácio por razão estratégica e prometeu continuar lutando até a “vitória ou morte”. Derrubados os portões, uma multidão invadiu o complexo e saqueou mobílias e armamentos.

O Estado de São Paulo
"Rebeldes tomam QG de Kadafi, que fala em lutar até a morte"

Após 5 horas de batalha, cai símbolo do poder do ditador, mas ele promete manter resistência

O complexo da Babal-Azizia, quartel-general de Muamar Kadafi e símbolo máximo de sua ditadura de 42 anos na Líbia, foi parcialmente tomado ontem pelos rebeldes em Trípoli. Esse era um dos principais objetivo dos oposicionistas desde o inicio da guerra civil, há seis meses. Em mensagem, o ditador, que está em local ignorado, disse que a retirada do complexo foi “tática” e prometeu lutar até a morte. Na ação, centenas de rebeldes armados de fuzis e foguetes entraram pelo principal portão do complexo, após enfrentar soldados das brigadas de elite. Os combates duraram cerca de cinco horas. O governo não se rendeu, e parte do complexo continuava até o final da noite de ontem sob controle das forças leais ao ditador. A tomada de Bab al-Azizia coroou três dias de um impressionante avanço dos rebeldes, que entraram em Trípoli no domingo. A maior parte da capital líbia está sob controle dos insurgentes, mas ainda há alguns focos de resistência de forças leais a Kadafi.

terça-feira, agosto 23, 2011

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Opinião

Lambança nos projetos

O Estado de S.Paulo - Editorial
O Brasil desperdiça bilhões de reais todo ano com projetos malfeitos, investimentos com preços inflados e atrasos na execução de obras importantes para a economia nacional. Não dá para verificar se o maior ralo do orçamento federal é a incompetência, o desleixo ou a corrupção, mas não há dúvida de que qualquer dos três fatores causa perdas enormes ao País. Reportagem publicada ontem no Estado mostra que, entre 2008 e 2010, foram formalizados 3 mil aditivos a 2,2 mil contratos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), um dos principais focos das irregularidades encontradas na faxina recentemente iniciada pela presidente Dilma Rousseff. Aditivos são frequentes em contratos governamentais com empreiteiras e empresas prestadoras de serviços. O resultado é quase sempre ruim, porque a alteração geralmente envolve alongamento de prazo e elevação de custo. A reportagem citada, de Renée Pereira, mostrou exemplos de obras do setor de transportes com vários aditivos e grandes aumentos de custos. Levantamentos semelhantes em outros setores provavelmente mostrariam condições muito parecidas de execução de contratos, como indicam as advertências divulgadas com frequência pelos órgãos de controle do setor público.

Mesmo sem corrupção e sem grave negligência na gestão de recursos públicos - hipóteses muito otimistas e audaciosas -, restaria certamente a incompetência na elaboração de projetos e na estimativa de custos. Seis aditivos ao contrato de obras de recuperação da BR-282, em Santa Catarina, acrescentaram um ano ao prazo e 72% ao custo dos serviços. Este é apenas um dos vários exemplos mencionados na reportagem. Mesmo em obras de tipo rotineiro, como as de manutenção ou de construção de uma passarela, pode haver grande número de mudanças contratuais - 11 aditivos, num dos projetos citados.

O governo tem feito licitações sem dispor de projetos suficientemente detalhados para permitir uma avaliação segura de prazos e custos. Como alterações de contratos são rotineiras - e a lei admite aumento de preços de até 25% -, empresários entram nas concorrências dispostos a dar lances audaciosos. Isso é confirmado por gente do ramo. Segundo o presidente da Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas, Luciano Amadio Filho, citado na reportagem, os empreiteiros jogam com a segurança de conseguir aumentar os preços durante a execução da obra. Podem, por exemplo, apontar mudanças necessárias porque o tipo de solo exige uma fundação mais cara que a prevista no projeto inicial.

Seja por incompetência, corrupção ou desleixo, ou por uma combinação de todos esses fatores, a elaboração de projetos é deficiente e o compromisso com prazos e custos é quase nulo em boa parte da administração. O que explica as ações cada vez mais frequentes do Tribunal de Contas da União (TCU), apontando falhas formais nos projetos levados à licitação.

Durante anos, no entanto, a reação mais comum no Palácio do Planalto foi contestar os órgãos de controle e acusá-los de prejudicar a execução de obras públicas importantes. A reação mais comum do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi de crítica ao TCU. Se levasse a sério o planejamento e a gestão do investimento público, teria cobrado de seus ministros maior cuidado na elaboração de projetos. Mas suas atitudes sempre indicaram maior atenção ao jogo partidário e eleitoral do que à qualidade técnica e à respeitabilidade da administração. Aparelhar e lotear a máquina sempre foi mais importante, em seu governo, do que elevar o padrão dos serviços.

Exemplos conhecidos de contratos do Ministério do Turismo indicam outra mina de irregularidades e de incompetência gerencial para quem quiser iniciar uma investigação. Há sinais de problemas semelhantes em vários Ministérios envolvidos nas obras para a Copa de 2014. Relatórios do TCU apontam indícios de sobrepreço, irregularidades contratuais, atrasos e outros problemas em obras de estádios, aeroportos e outros investimentos necessários aos jogos. A lambança já é parte de um dia a dia cada vez mais custoso para os brasileiros.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 23 / 08 / 2011

Folha de São Paulo
"Rebeldes celebram, mas Gaddafi não se entrega"

Filho do ditador reaparece e afirma que pai está em Trípoli com a família
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Ainda travando batalhas pelo controle total de Trípoli, rebeldes comemoravam vitória e anunciavam que a “era Gaddafi” terminou. Em Zawiya, a 50 km da capital, o clima era o mesmo. Lá, o avanço final dos insurgentes deixou um cenário de destruição, com fachadas de lojas e casas danificadas, relata o enviado especial Samy Adghirni. A vitória, porém, ainda não é completa. Até o fechamento desta edição, Muammar Gaddafi controlava bolsões em Trípoli, incluindo um hospital, um quartel e um hotel. Insurgentes desconhecem seu paradeiro. Saif al-Islam, filho do ditador líbio que os rebeldes haviam dito ter capturado, apareceu e afirmou que seu pai permanece na capital com a família.

O Estado de São Paulo
"Rebeldes consolidam posição em Trípoli e Kadafi some"

Paradeiro do ditador é ignorado; Brasil ainda aguarda para decidir se reconhece novo governo

Forças rebeldes haviam tomado ontem quase todos os bairros de Trípoli, capital da Líbia e último reduto do ditador Muamar Kadafi, há 42 anos no poder. No início da noite, ainda havia pequenos focos de resistência. Kadafi não havia sido encontrado, mas estava evidente que o fim do regime era questão de tempo. O presidente dos EUA, Barack Obama, prometeu dar seu apoio a uma transição “pacífica” no país. Já o Brasil aguarda a decisão da Liga Árabe e conversas com os demais países dos Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul) para decidir se vai reconhecer os rebeldes como o novo governo líbio. O Itamaraty quer esperar para ver se algumas condições serão cumpridas, como a criação de um governo estável e com algum padrão de democracia. “Pode haver alguns grandes problemas. Todos vão querer dirigir o espetáculo”, disse um dos rebeldes. “Todos têm de ser desarmados.”

Coisadoegito


segunda-feira, agosto 22, 2011

O plantão do Ubatuba Víbora informa:

Caso “Conselho tutelar”
Justiça afasta Claudnei, Mico e Silvinho

Sidney Borges
A promotora de justiça substituta, Ingrid Rodrigues de Ataíde, opôs embargo de declaração contra a decisão que condenou os vereadores Romerson de Oliveira, Silvinho Brandão e Claudnei Bastos Xavier, reiterando o pedido de afastamento.

Na data de hoje o juiz João Mário Estevam da Silva acolheu os embargos e determinou o afastamento cautelar dos vereadores acima citados.
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Opinião

O dilema de Dilma

O Estado de S.Paulo - Editorial
Pressionada para gastar, mas ainda repetindo o discurso da seriedade, a presidente Dilma Rousseff parece indecisa entre seguir o exemplo de seu antecessor e adotar uma política de prudência e responsabilidade ante o recrudescimento da crise da economia global. O primeiro caminho é o da gastança com objetivo principalmente eleitoral. A ordem, nesse caso, é atender os aliados e investir o dinheiro público na caça ao voto. A outra escolha é politicamente mais complicada, porque requer firmeza na ação e compromisso com objetivos nacionais de longo prazo. A piora do quadro internacional, com o risco muito próximo de uma nova recessão na Europa e nos Estados Unidos, torna a decisão especialmente dramática.

O discurso da seriedade foi adotado antes da posse e repetido nos primeiros meses de governo. A presidente Dilma Rousseff começou o mandato anunciando um corte de R$ 50 bilhões nas despesas orçamentárias. O corte seria em parte uma ficção contábil, como ficou logo claro, mas, de toda forma, certos gastos foram contidos por algum tempo.

As promessas de seriedade foram repetidas. Há poucos dias a presidente vetou vários dispositivos do projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias. Eliminou, por exemplo, o compromisso de aumento real das aposentadorias superiores a um salário mínimo. Além disso, o Executivo tenta conseguir a prorrogação, mais uma vez, da Desvinculação de Receitas Orçamentárias (DRU).

Mas a presidente Dilma Rousseff tem cedido a certas pressões e tem ouvido conselhos para seguir a política da gastança eleitoreira. A resistência da base aliada à faxina ministerial parece tê-la convencido a dar mais atenção àqueles conselhos.

O governo havia anunciado, no primeiro semestre, a intenção de anular boa parte do estoque de restos a pagar. Seria um passo para livrar as contas de um monte de entulhos. Também havia indicado a intenção de ir muito devagar na liberação de verbas para as emendas parlamentares. Mas a presidente parece haver recuado.

A curtíssimo prazo devem sair R$ 1 bilhão para emendas, com verbas deste ano, e R$ 450 milhões de restos acumulados. Faltam detalhes sobre os passos seguintes, mas é razoável prever novas liberações até o fim do ano. Na hipótese mais otimista, a presidente Dilma Rousseff está simplesmente agindo de acordo com circunstâncias políticas difíceis. Ela tenta reagrupar as forças para os próximos embates no Congresso. Mas há motivos para se pensar numa hipótese pior - a de uma adesão mais ampla aos padrões seguidos nos oito anos anteriores.

O governo se dispõe a realizar em 2012 um esforço fiscal menor que o deste ano, segundo fonte ministerial citada, sem identificação, no jornal Valor. Mas o esforço realizado neste ano foi mínimo. Até agora, o superávit primário, dinheiro posto de lado para pagamento de juros, foi produzido muito mais pela arrecadação crescente do que pela contenção de gastos. De janeiro a julho, o governo central arrecadou 14% mais que no mesmo período de 2010, descontada a inflação. O aumento nominal foi de 21,3%.

O crescimento da receita poderá ser menor no próximo ano, se a economia perder impulso, mas o valor ainda será maior que o deste ano. Despesas obrigatórias, no entanto, crescerão sensivelmente. Já está previsto um aumento ao funcionalismo concedido no governo anterior. Esse reajuste é escalonado. Também crescerão de forma considerável as despesas da Previdência, especialmente se o aumento do salário mínimo ficar na faixa de 13% a 14%, como admitiu há meses o ministro da Fazenda.

Segundo a fonte citada pelo jornal, o governo deverá no próximo ano descontar da meta de superávit primário o total investido no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O compromisso com a meta cheia, portanto, será mais uma vez abandonado. Se esse for o roteiro, pode-se prever para 2012 uma programação financeira ainda menos flexível que a deste ano, inflada e fortemente contaminada pela campanha das eleições municipais. Gastança irresponsável e improdutiva é muito diferente de política anticíclica. Diante do risco de uma recessão internacional, o quadro brasileiro é preocupante, especialmente se houver um afrouxamento prematuro da política monetária.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 22 / 08 / 2011

Folha de São Paulo
"Rebeldes acuam Gaddafi na Líbia"

Ditadura de 42 anos balança depois de oposição tomar parte da capital; governo diz que há mais de mil mortos
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As forças rebeldes libias invadiram a capital, Trípoli, e colocaram em xeque a ditadura chefiada há 42 anos por Muammar Gaddafi. Rebelados há seis meses, os opositores tomaram um quartel de elite, anunciaram a rendição da guarda presidencial e capturaram dois filhos do ditador – um terceiro se entregou. A insurgência encontrou puçá resistência em Trípoli, sendo recebida com celebração. Os rebeldes ofereceram um cessar-fogo caso o ditador deixe o país. Até a conclusão desta edição, ele permanecia no poder. Em discurso transmitidos sem imagem na TV, Gaddafi pediu ajuda à população. “Quem estiver com medo dê suas armas às suas mães ou irmãs“, afirmou. Segundo o governo, o avanço rebelde causa massacres em Trípoli, com 1.300 mortes.

O Estado de São Paulo
"Rebeldes já controlam Trípoli e Kadafi 'desmorona', diz Otan"

Combates deixam 3 mil mortos; ditador fala em resistir, mas avanço insurgente parecia irresistível

Rebeldes líbios avançam ontem rumo ao centro de Trípoli, no que parecia ser o assalto final para derrubar a ditadura de Muamar Kadafi, há 42 anos no poder. A ação ocorreu depois que os rebeldes tomaram uma base responsável pela segurança do ditador. Pelo menos 3 mil pessoas morreram nos combates. Para a Otam, que auxiliou os rebeldes, o regime de Kadafi estava “desmoronando”. Kadafi disse que ficaria em Trípoli “até o fim” e conclamou seus partidários a defender a cidade. Ao menos um dos filhos de Kadafi oi preso, e o corpo de segurança pessoal do ditador se rendeu aos insurgentes, segundo TVs árabes. Os ataques tiveram inicio no sábado em uma revolta coordenada entre células rebeldes “adormecidas” no interior de Trípoli, que ontem recebiam reforço de tropas vindas do leste da Líbia. Moradores da capital foram às ruas com bandeiras rebeldes para receber os insurgentes.

domingo, agosto 21, 2011

Dia De Chuva - Nara Leão

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Opinião

Novas confusões com o Enem

O Estado de S.Paulo - Editorial
A sucessão de trapalhadas com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) continua sendo a demonstração mais exemplar da inépcia administrativa que tomou conta do Ministério da Educação (MEC), na gestão do ministro Fernando Haddad.

Em 2009, o vazamento das questões obrigou o órgão a adiar a prova, o que acarretou prejuízo para os cofres públicos e prejudicou o cronograma de muitas instituições universitárias, uma vez que os resultados do Enem contam pontos para os vestibulares. Na edição de 2010, houve problemas com a licitação para a escolha da gráfica, 21 mil cadernos de perguntas e o cabeçalho da folha de respostas foram impressos com erros, o sistema de informática do MEC não foi planejado para atender o número de candidatos inscritos e a Justiça chegou a conceder liminares cancelando o exame, o que obrigou o governo a recorrer às pressas ao Tribunal Regional Federal, para não adiá-lo.

Este ano, procurando evitar problemas judiciais com a licitação dos órgãos encarregados de preparar e aplicar o Enem, o MEC propôs a transformação do Centro de Seleção e Promoção de Eventos (Cespe), vinculado à Universidade de Brasília, em empresa pública e decidiu contratá-lo, sem licitação, para aplicar o próximo teste. O Cespe foi criado para preparar os vestibulares da UnB e, com o tempo, passou a implementar projetos de avaliação educacional e a promover concursos para carreiras da administração pública.

Para as autoridades educacionais, a transformação do Cespe no Centro Brasileiro de Seleção e de Promoção de Eventos - uma espécie de "Concursobrás"- evitaria a realização de licitações e a escolha de empresas sem experiência em matéria de avaliação de ensino. Para firmar o acordo com o MEC, a UnB pediu que o Cespe continuasse gozando de imunidade tributária, mesmo sendo convertido em empresa estatal. O pedido foi aceito, o acordo foi firmado, as providências jurídicas e legislativas foram tomadas e, como estava planejado, o Cespe - em consórcio com a Cesgranrio - foi contratado sem licitação para preparar o Enem de 2011, a um custo de R$ 372,5 milhões.

Esse valor é três vezes superior ao que foi gasto pelo MEC no último Enem, que custou R$ 128,5 milhões. A diferença é tão grande que o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a suspensão do pagamento, até que o órgão se manifeste sobre a "adequação dos valores". O MEC alegou que a elevação dos gastos com o Enem se deve ao fato de que o teste passará a ser realizado duas vezes por ano. Mesmo assim, o relator, ministro José Jorge, considerou o aumento injustificável. Ele também criticou as manobras jurídicas do MEC para justificar a contratação do Cespe sem licitação e lembrou que a controladoria do TCU já havia advertido as autoridades educacionais para que não voltassem a recorrer a "subterfúgios legais" para autorizar a dispensa de licitação. Em resposta, Haddad afirmou que os gastos do Enem equivalem "à metade do custo de qualquer vestibular", que só o consórcio Cespe/Cesgranrio está apto a preparar o exame e que espera de Jorge uma "abertura ao diálogo".

Na realidade, o problema não é de falta de diálogo entre os dois ministros, mas da pretensão do MEC de agir ao arrepio da lei e de tentar, por vias indiretas, abrir caminho para a estatização do setor de preparação de concursos. Afinal, gozando das vantagens das empresas estatais, com o privilégio de preferência na venda de serviços ao MEC, e dos benefícios tributários de uma fundação educacional, a "Concursobrás" pode açambarcar o mercado, pondo fim à concorrência entre as fundações surgidas nos meios universitários e que atuam na mesma área do Cespe.

Quando os planos para o próximo Enem foram anunciados, há alguns meses, especialistas alegaram que o MEC estaria mais uma vez cometendo trapalhadas administrativas, acabando com o que ainda resta de credibilidade dos mecanismos de avaliação. A suspensão do pagamento do contrato do Cespe, determinada pelo TCU, mostra a procedência das críticas.

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Manchetes do dia

Domingo, 21 / 08 / 2011

Folha de São Paulo
"Planalto poupa o PT e corta verba de áreas de aliados"

Investimentos de ministérios petistas aumentaram 14%; nas pastas dos demais partidos da base, a queda foi de 5%
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Dados do Tesouro mostram que, nas dez pastas entregues originalmente a PMDB, PR, PSB, PP, PDT e PC do B, os investimentos caíram 5% em 2011. O número contrasta com o dos 13 ministérios da cota petista: 14% acima do volume da primeira metade do ano eleitoral de 2010.

O Estado de São Paulo
"Empresas usam brecha do Mercosul para pagar menos imposto"

Indústrias se instalam nos países vizinhos e exportam para o Brasil com isenção

Vários setores estão sofrendo a concorrência de empresas que se instalam no Mercosul para usar brechas nas regras do bloco e vender produtos ao Brasil pagando menos imposto, relatam as repórteres Raquel Landim e Cleide Silva. Ao se fixar na Argentina, no Uruguai ou no Paraguai, empresas brasileiras e multinacionais importam insumos sem pagar imposto de importação e com isenção de Imposto de Renda. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil, tecidos de China, Paquistão e Índia recebem uma costura no Paraguai e se tornam lençóis, entrando no Brasil sem tarifa de importação. Além disso, as empresas aproveitam a guerra fiscal e trazem o produto por portos que cobram menos ICMS. As brechas dificultam a punição.
 
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