sábado, julho 23, 2011

Wesley Duke Lee

Bairros de Ubatuba

"Pobres sempre tereis entre vós!"

José Ronaldo dos Santos
Escolhi esta frase como título para responder àqueles que me perguntam sobre a situação de violência no bairro do Ipiranguinha, onde moro. É uma exclamação de Jesus Cristo comumente usada para a aceitação da pobreza como uma predestinação, um determinismo, um destino já escrito para as pessoas. Maktub, conforme os ismaelitas (árabes), seguidores do profeta Maomé.

Dentre os bairros de Ubatuba, o do Ipiranguinha parece ser onde a pobreza é mais gritante. Creio que, se fizermos uma pesquisa, a proporção dos mais carentes é relativamente igual em todos os lugares (seja como trabalhadores, seja como moradores). Ou seja, em todos os lugares os pobres abundam. Afinal, estamos no Brasil! Só para citar alguns países da América Latina, o nosso país ganha, no quesito má distribuição de renda, do Uruguai, da Colômbia, de Cuba e da Venezuela. Por isso faço questão de argumentar (em minhas propostas) sempre pensando em agir nas diversas frentes, para construir uma sociedade onde as riquezas sejam divididas  com aqueles que as produzem, com os trabalhadores (não confundir com assistencialismo, esmola etc.). Isto é justiça.

As minhas propostas são as de um  caiçara que  mora  neste bairro há quinze anos, mas que é do tempo em que esta cidade (Ubatuba) nem cerca tinha para marcar as divisas, quando as casas tinham amarradilhos por fora, ou seja, os moradores, ao saírem, quando muito enrolavam uma cordinha a fim de segurar a porta somente para os animais não adentrarem. E todos se conheciam!

Nesse sentido, de insegurança e medo da violência, os bairros próximos não se diferenciam. Agora, pelo volume (alguns afirmam que o Ipiranguinha tem 18 mil habitantes) no pequeno espaço, aponto falha na educação e na ineficiência dos agentes que deveriam zelar pelo cumprimento das leis: orientações e punições! (Mas isto não se aplica ao município inteiro?).

A cidade prescinde dos trabalhadores deste bairro; as pessoas são humildes e, em sua maioria, vieram para Ubatuba por necessidade de sobrevivência. É lógico que as pessoas do bem devem aprender a se impor para não sucumbirem à minoria que são do mal ou querem se parecer do mal, porque, infelizmente, a mídia dá status aos foras da lei e aos corruptos. Apesar da maioria dos moradores ser religiosa e trabalhadora, a desorganização do bairro pode facilitar os que são mal; são eles que precisam cultivar a fama ruim de um lugar para criar um reduto, mas só conseguirão isso se as famílias se omitirem de sua função educativa. Eu, por exemplo, já precisei até registrar queixa contra vizinho que queria impor o seu barulho (acreditando que era música!) aos demais. Enfim, as desavenças que esporadicamente vejo pelas ruas são resultantes das bebedeiras de alguns, das limitações culturais e reflexos de uma realidade maior chamada Brasil. Demonstra eficiência das condutas massificadas produzidas justamente para manter a estrutura piramidal da sociedade, onde os muitos da base sustentam os poucos de cima. Prova disso é o devotamento dos candidatos ao bairro em época eleitoral.

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Opinião

Façanha ditatorial no Equador

O Estado de S.Paulo - Editorial
Assim como a livre expressão do pensamento, o recurso à Justiça por quem quer que se considere caluniado pela imprensa é um direito consagrado nos regimes democráticos. Aparentemente, portanto, o presidente do Equador, Rafael Correa, agiu com inteira legitimidade ao processar por injúria o jornalista Emilio Palacio, ex-editor de Opinião do El Universo, o principal diário do país, publicado em Guayaquil, e os seus proprietários, os irmãos Carlos, César e Nicolás Pérez. Na edição de 6 de fevereiro último, em artigo intitulado Não às mentiras, Palacio acusou o presidente, a quem se referia invariavelmente como "ditador", de crime de lesa-humanidade.

Ao criticar a intenção de Correa de indultar os policiais e membros da Marinha que se amotinaram em 30 de setembro passado, invocando reivindicações salariais - o que ele qualificou como uma tentativa de golpe de Estado -, o jornalista escreveu que um futuro presidente, talvez inimigo do atual, poderia levá-lo aos tribunais por haver mandado abrir fogo indiscriminadamente e sem prévio aviso "contra um hospital cheio de civis e gente inocente". Ele aludia à inesperada ida de Correa a um quartel sublevado, onde desafiou que o alvejassem. Atacado, refugiou-se no hospital da instalação, de onde foi resgatado por tropas do Exército que mandou chamar. A rebelião afinal sufocada deixou 10 mortos e cerca de 270 feridos.

Correa, que não se vê como um ditador, mas como um democrata avançado, a exemplo do seu mentor venezuelano Hugo Chávez, alegou que o articulista lhe atribuiu, sem provas, "uma conduta prevista pela lei penal". E pediu, a título de reparação, que ele e os donos do El Universo fossem condenados a pagar-lhe o equivalente a assombrosos US$ 80 milhões - e a passar três anos na prisão. Deixou claro assim que, mais do que punir os responsáveis por uma presumível calúnia publicada contra si, desejava o fechamento do jornal, no que não passa de uma nova manifestação de endurecimento no cerco que vem empreendendo ao que resta de imprensa livre no Equador. Mas o pressuposto do seu direito de pedir a indenização que lhe aprouvesse seria a existência de um Judiciário independente no país, que poderia, ou não, lhe dar ganho de causa à luz dos fatos.

Na realidade, o julgamento dos réus mostrou o oposto: a Justiça como extensão do cada vez mais nítido autoritarismo chavista de Correa. A sentença de primeira instância que os multou em "apenas" US$ 40 milhões, mantendo o pedido dos três anos de cadeia, foi tomada com a presença de soldados armados de fuzis e bombas de gás lacrimogêneo, em frente e dentro do tribunal. Palacio foi proibido de apresentar provas em sua defesa, a pretexto de não serem "pertinentes". O mais escandaloso de tudo foi a conduta do juiz Juan Paredes, o sexto a se ocupar da matéria em poucos meses. Ele havia deixado o processo depois que a defesa de Carlos Pérez, um dos sócios do El Universo, pediu o seu afastamento. Reassumiu na última terça-feira, em caráter temporário.

Em não mais de 33 horas, realizou a audiência, "estudou" as 5 mil páginas dos autos e proferiu uma sentença de 156 páginas. Em seguida, foi substituído pelo juiz titular. Repetiu-se a farsa das Cortes de papelão de todas as ditaduras, em que a condenação daqueles que o regime quer dobrar ou destruir precede o devido processo legal. No caso, os condenados dispõem de três instâncias para recorrer da violência sofrida. O desfecho, de todo modo, pode ser previsto desde já - a menos que a indignação das instituições internacionais de defesa da liberdade de imprensa se traduza em pressões que se façam sentir no Equador - pela exultante reação de Correa. "O reino de terror instalado pela mídia está acabando", tripudiou.

Magnânimo, disse que destinará a bolada da indenização para um projeto ambiental na Amazônia equatoriana e que, quando o processo transitar em julgado, retirará o pedido de prisão contra os jornalistas - um ato de arbítrio, portanto, coerente com o seu gosto pelo poder ditatorial.

Dito isso, embarcou para Cuba onde irá comemorar com seus aliados Castro e Chávez mais uma façanha contra a democracia que sonham extirpar da América Latina.

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Manchetes do dia

Sábado, 23 / 07 / 2011

Folha de São Paulo
"'Sairão todos', promete Dilma" 

Presidente diz que trocará diretorias do Dnit e da Valec e que não quer 'inflação sob controle com crescimento zero'

"Sairão todos os integrantes do Dnit e da Valec", afirmou a presidente Dilma Rousseff, em referência aos dirigentes dos órgãos do Ministério dos Transportes responsáveis por obras em rodovias e ferrovias e alvos de denúncias de corrupção. Em conversa com jornalistas da mídia impressa, incluindo a Folha, Dilma afirmou que demissões ocorrerão independentemente dos "endereços partidários". "Não se pode demonizar a política", acrescentou.

O Estado de São Paulo 
"Negociação com republicano fracassa e crise nos EUA piora" 

Presidente da Câmara rejeita acordo para dívida; Obama diz que oposição será responsável por eventual calote

Fracassaram as negociações entre a Casa Branca e o presidente da Câmara dos Representantes (deputados), o republicano John Boehner, sobre um acordo para evitar a declaração de default da dívida dos EUA no início de agosto. O desfecho irritou o presidente Barack Obama. “Esse era um acordo justo e extraordinário. É difícil entender por que Boehner retirou-se dessa negociação se muitos republicanos haviam apoiado a iniciativa, assim como muitos de seus eleitores." Segundo ele, os republicanos terão de "assumir a responsabilidade" caso o governo dê calote em pagamentos federais. Dizendo-se "ainda otimista, porém menos confiante" na conclusão de um acordo até o dia 2 de agosto, prazo final, Obama avisou que ajustes serão necessários se o pior cenário prevalecer.

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sexta-feira, julho 22, 2011

Bandiera rossa

Coluna do Celsinho

Fato novo

Celso de Almeida Jr.
Soube que o Alfredo Correa Filho assumirá a presidência de um partido político em Ubatuba.

Gostei da novidade.

É importante que as jovens lideranças atuem na política de forma definitiva.

Para tanto, torna-se necessário utilizar as ferramentas oferecidas pela democracia para a conquista e o exercício do poder.

E, um partido político, é o espaço apropriado para a discussão de propostas; formação de agentes comunitários; preparação de candidatos a prefeito e vereador.

Geralmente, os formadores de opinião resistem em atuar diretamente na linha de frente da política.

Não é um jogo fácil.

Por isso, é obrigatório aplaudir aqueles que demonstram coragem e disposição para levantar uma bandeira em defesa dos interesses da cidade.

Estou entusiasmado com o quadro que se forma para a eleição de 2012.

Há bons nomes no páreo.

Muitos deles comungam ideais semelhantes e, dependendo do quadro político na época da eleição, poderão compor forças, construindo uma ampla coligação.

Acredito muito em governos construídos pela união de lideranças autênticas, preocupadas em valorizar programas de governo e não os seus próprios nomes.

O pior que poderia acontecer para Ubatuba seria a repetição da estratégia da maior força de colecionar legendas, inviabilizando o surgimento de novos nomes.

Essa regra lamentável, exercida com o apoio das instâncias partidárias superiores, consiste em dominar partidos, deixando-os nas mãos de um único grupo, impedindo a apresentação de novas candidaturas por absoluta ausência de legendas.

No quadro atual, sairá fortalecida a candidatura que apresentar maior poder de articulação, que souber respeitar as opiniões dos diversos grupos e que conseguir revelar-se confiável o suficiente para liderar diferentes forças políticas, realmente comprometidas com uma gestão pública de alto desempenho.

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Opinião

Em torno da indignação

Fernando Gabeira - O Estado de S.Paulo
Muitas pessoas afirmam que a corrupção chegou a níveis intoleráveis. E algumas, como Juan Arias, editor do El País, perguntam por que os brasileiros não se indignam. Em vez de buscar as causas sociológicas e econômicas, tão debatidas nos artigos sobre o tema, procuro utilizar também a memória.

Os governos Juscelino Kubitschek e João Goulart eram acusados de corrupção. É possível até dizer que os oficiais da Aeronáutica que promoveram a Revolta de Aragarças achavam a corrupção intolerável e não entendiam por que os brasileiros não se indignavam. No período Goulart havia uma forte ligação entre sindicatos e governos. Movimentos independentes no setor só surgiram no fim da década de 1960, com as greves de Osasco e Contagem. Na época anterior à ditadura, como agora, as denúncias de corrupção parecem ser apenas um contraponto oposicionista e figuram como um episódio lateral ao impulso desenvolvimentista de JK ou ao projeto de reformas de base de Goulart.

O pensamento da esquerda no poder é semelhante. Para ela, a floresta é o desenvolvimento com distribuição de renda. A corrupção é apenas uma árvore torta que insistimos em denunciar. Nesse quadro, a História do Brasil contemporâneo seria circular, com as realizações se desdobrando e algumas forças, à margem, gritando contra a corrupção.

Muita coisa mudou. O projeto de desenvolvimento recheado de corrupção não é sustentável. Novos e poderosos instrumentos estão à disposição de brasileiros muito mais bem informados que no passado. Nem sempre é preciso ir às ruas: 50 pessoas em Nova Friburgo conseguiram se organizar para pressionar a Câmara por uma CPI independente. O governo tinha maioria, mas elas venceram. Minúscula exceção, numa cidade atingida pela tragédia.

Mas a verdade é que em outros campos há também resistência. É o caso da resistência contra o mais importante ator econômico do momento: a associação do governo com alguns empresários, fundos de pensão e o BNDES. Esse grande ator é percebido de forma fragmentária. Ora se esforçando para tornar viável a usina de Belo Monte, ora no varejo tentando fundir Pão de Açúcar e Carrefour, ora sendo rejeitado no seu progressismo ingênuo, como no projeto do trem-bala. Sua ação articulada nem sempre é percebida como a de um novo ator. Exceto pelos vizinhos latino-americanos, que o consideram - a julgar pelo seminário internacional realizado no iFHC - um elemento singular do capitalismo brasileiro. Apoiadas no BNDES, as empresas brasileiras tornam-se mais competitivas no exterior. Mas trazem a desconfiança como um efeito colateral.

Cheguei, num certo momento, a comparar Lula-Dilma com Putin-Medvedev. E o capitalismo dirigido pelo Estado como fator que aproximava as experiências de Brasil e Rússia. Mas o desenrolar da crise de 2008 foi diferente para os dois. A Rússia sofreu mais que o Brasil e a interpretou como sinal para modernizar algumas áreas, privatizando-as. O Brasil, como uma oportunidade para ampliar o papel do Estado.

Pode-se compreender a demanda de indignação. Mas o sistema político está dominado, há um ator econômico poderoso e o governo emergiu vitorioso das eleições. Não há desemprego de 40% entre os jovens, como na Espanha. Ainda assim, houve indignação em Teresópolis, revelada em inúmeras manifestações. O movimento esbarrou no próprio processo político, pois conseguiu uma CPI e ela foi controlada pelo governo. O que as pessoas decidiram? Continuar manifestando indignação ou voltar à carga no momento eleitoral, quando o sistema fica mais vulnerável? Optaram pela última alternativa. Na Espanha foi a proximidade das eleições que permitiu o avanço dos indignados, mesmo sem a pretensão de disputar cargos.

Parte dos brasileiros acha que a corrupção é um preço que se paga ao desenvolvimento. Um setor da esquerda não somente acha isso, como confere uma qualidade especial ao desvio de dinheiro para causas políticas: os fins justificando os meios. Não se pode esquecer que 45 milhões votaram na oposição depois de oito anos do mesmo governo. Não eram da UNE nem da CUT.

A corrupção no Ministério dos Transportes é bastante antiga. Às vezes ele muda de mãos, passa de um partido a outro. Para os que conhecem o processo político brasileiro, a notícia não foi surpresa. As denúncias de corrupção sucedem-se diariamente e não se resolvem dentro dos canais parlamentares. Se os eleitores se indignarem, ostensivamente, podem se transformar numa indignação ambulante. As próprias pessoas que pedem hoje que se indignem vão achá-las monótonas e repetitivas. Para que os que têm o potencial de se indignar, coloca-se a questão da oportunidade exata, do preciso emprego da energia. Navega-se num sistema político cada vez mais distante, tripulado por um gigantesco ator econômico e um crescimento com viés inclusivo. Quando o adversário é ao mesmo tempo indiferente, opaco e poderoso, a indignação social tem hora.

É um problema deixar de se indignar com uma corrupção que mata, como na saúde e nos transportes, e aniquila sonhos, como na educação. Mas também é um problema indignar-se e voltar para casa de mãos vazias.

A indignação na Espanha ocorreu num momento em que poderia crescer. Ainda assim, como não se voltou para a ocupação de espaço institucional na política, seus resultados estão em aberto. O caso de Teresópolis mostrou que sem uma contrapartida institucional as melhores aspirações se afogam no pântano do próprio sistema político. O que torna a questão mais complicada do que pura e simplesmente se indignar às vésperas das eleições. É necessário vencê-las ou, no mínimo, eleger uma oposição de verdade.

A pergunta de Juan Arias é legítima. Mas seria ilusório pensar numa resposta simples, como se houvesse no enigma uma espécie de bala de prata, uma descoberta que pusesse a indignação em movimento. Em processos complicados, uma das respostas mais sábias é a do comercial de televisão: Keep walking.

JORNALISTA

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 22 / 07 / 2011

Folha de São Paulo
"Europa aprova socorro que deve levar Grécia ao calote" 

Se confirmado, será o 1º 'default' da história do euro; pacote reestrutura títulos e baixa juros

Líderes europeus reunidos em cúpula extraordinária em Bruxelas aprovaram programa de € 159 bilhões para ajudar a Grécia - o país deve € 350 bilhões. A medida deve levar ao primeiro calote da história do euro. O pacote centra-se na ampliação de prazos e reestruturação de títulos, na redução dos juros para empréstimos e na contribuição do setor privado - este último ponto, uma vitória da chanceler alemã, Angela Merkel.

O Estado de São Paulo 
"Dnit libera verba de estradas para fazer casas" 

Diretor petista do órgão financia plano da prefeitura do PT em Canoas (RS) para habitação de sem-terra

Contrariando pareceres da Advocacia Geral da União (AGU), o diretor de Infraestrutura Rodoviária do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Hideraldo Caron, orientou a aprovação de contrato de R$ 30 milhões com a prefeitura de Canoas (RS), comandada por Jairo Jorge (PT). O convênio não é para melhorar estradas, e sim para construir 599 casas para 2 mil sem-terra que ocupam terreno próximo à construção da BR-448, informa Leandro Colon, Essa foi justamente uma das irregularidades apontadas pela AGU. Outro parecer indica manobra para liberar recursos. Um ano e meio depois da assinatura do contrato, o projeto ainda não saiu do papel. Por meio de nota, o Dnit argumenta que teve aval do Ministério do Planejamento.

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quinta-feira, julho 21, 2011

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Opinião

A faxina não pode parar

O Estado de S.Paulo - Editorial
A varrição em curso no Ministério dos Transportes ganhou proporções políticas novas com a decisão da presidente Dilma Rousseff de incluir entre os exonerados funcionários cujos nomes não tinham aparecido na sequência de prováveis casos de corrupção levantados pela imprensa. Desse modo, a presidente não apenas sinaliza que deixa de estar a reboque do noticiário, como assinala a intenção de reaver o controle da pasta e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), com seu orçamento de R$ 15,5 bilhões, que o antecessor Lula entregou gostosamente aos cuidados do PR, no bojo de transações políticas espúrias que precederam até a sua primeira eleição.

A maioria dos demitidos, com efeito, devia seus empregos - com as avantajadas oportunidades neles embutidas - aos caciques da legenda, a começar do deputado mensaleiro Valdemar Costa Neto, secretário-geral da agremiação e dono de alentado prontuário. Outro patrono, naturalmente, era o então ministro e presidente do partido, Alfredo Nascimento. Para se ter ideia da lambança, um dos homens de Costa Neto, Frederico Augusto de Oliveira Dias, o "doutor Fred", assessor de Controle Processual do Dnit, não era funcionário efetivo nem comissionado do órgão - ou de qualquer repartição federal. Mas tinha sala própria, ao lado do gabinete do diretor-geral Luiz Antonio Pagot, equipe de funcionários e o poder de selecionar contratos para que tivessem o devido andamento.

A faxina nos Transportes não se limitará aos apaniguados do PR. A presidente deverá levar ao patíbulo o companheiro Hideraldo Caron, do PT gaúcho, diretor de Infraestrutura Rodoviária do Dnit. Uma obra a cargo do organismo, a duplicação de um trecho de 348 quilômetros entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, tem um histórico de 23 contratados assinados e 268 aditivos. O empreendimento, que já consumiu perto de R$ 2 bilhões, está cercado por suspeitas de irregularidades no Tribunal de Contas da União (TCU). Não está claro se o esperado afastamento de Caron é uma consequência natural de seu desempenho e dos ilícitos pelos quais possa ser responsabilizado ou se é uma tentativa de mostrar ao PR que o governo vai ao ponto de "cortar na própria carne" para moralizar o setor.

Golpeado como até há bem pouco os seus controladores não podiam imaginar, o partido quer que "haja a mesma balança para todos", diz o líder da sigla na Câmara, Lincoln Portella. Para não agravar o estrago, o que o partido quer é que os futuros ocupantes dos cargos perdidos pelo menos não tenham carteirinhas de outras agremiações. Quer que a presidente troque seis por meia dúzia, mantendo com novos nomes os velhos feudos da legenda. E quer que a devassa não vá ainda mais longe, atingindo os seus apadrinhados, por exemplo, nas superintendências regionais do Dnit. O prestígio dos padrinhos políticos, como se sabe, se constrói a partir das bases locais: é onde eles demonstram se têm ou se lhes falta capacidade de premiar lealdades. No caso, não é pouca coisa. Levantamento do jornal Valor revela que o PR se apropriou direta ou indiretamente de 16 das 27 diretorias regionais do Dnit.

A legenda não é a única a se queixar. O PT não ousa criticar em público a limpeza ética nos Transportes - que talvez represente o maior contraste, até aqui, entre a atual presidente e o antecessor que a escolheu. O máximo a que a sua gente chega é pedir que ela não humilhe o PR, mas se entenda com ele. Dado o objeto do entendimento, soa uma contradição em termos. Lula estaria receoso de que a frente governista no Congresso se vingue mais adiante de Dilma pelo "rito sumário" das demissões. Se essa é a razão do seu desconforto - e não a quebra do pacto da impunidade que armou com os aliados -, eis mais uma evidência de que, na sua visão rombuda da política, apoio ou se compra ou se perde; jamais se mantém pela persuasão e o traçado de limites para a barganha. De todo modo, depois do que já fez, Dilma só pode ir adiante. Qualquer outra atitude será percebida pela opinião pública como um recuo desmoralizante - e sem nenhum ganho à vista nas relações da presidente com a sua inquieta base parlamentar.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 21 / 07 / 2011

Folha de São Paulo
"Perícia atesta fraude na criação da sigla de Kassab" 

Assinaturas em listas vieram da mesma pessoa; coordenador sugere ação de rivais

Análise grafotécnica feita a pedido da Folha mostra que listas de apoio à criação do PSD, legenda patrocinada pelo prefeito de SP, Gilberto Kassab, contém assinaturas falsas, relatam Daniela Lima e Catia Seabra. Nas três listas a que o jornal teve acesso, há assinaturas atribuídas a vários eleitores que, segundo a perícia, foram feitas por uma só pessoa. As fichas foram feitas em Duque de Caxias (RJ) e na zona leste de São Paulo.

O Estado de São Paulo 
"SP banca custo para estádio do Corinthians abrir Copa" 

Alckmin financiará ampliação da arena exigida pela Fifa; para governo, ‘exposição da cidade’ justifica decisão

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) vai bancar, com dinheiro público, a diferença de 20 mil assentos no futuro estádio do Corinthians, de 48 mil para 68 mil, para que ele possa ser sede da abertura da Copa de 2014. A ampliação será feita com uma estrutura que será retirada depois do evento. Segundo a Odebrecht, que não incluiu esse item no orçamento de R$ 820 milhões para o estádio, os lugares extras não custarão menos de R$ 70 milhões. "Teremos um grande retorno com a exposição positiva" de São Paulo, justificou o secretário de Planejamento, Emanuel Fernandes.

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quarta-feira, julho 20, 2011

E Pelé disse: love, love, love...

Decisão

Hoje é dia...
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Sidney Borges 
Depois de longo jejum Brasil e Argentina estarão finalmente na final de uma copa. É que a partir deste ano voltará a ser disputada a Copa Roca. Argentina versus Brasil lá e Brasil versus Argentina aqui. Só loiros de olhos azuis, nada da gentalha do fut para atrapalhar. Por falar em gentalha (preciso parar de assistir Chaves) os pupilos de Chávez estão bombando. Como disse um amigo que trinca de socialismo, os craques da Venezuela exercem suas competências com louvor. Nesses anos igualitários fizeram capacitação e agora mostram ao mundo um futebol sustentável, participativo e solidário. Há também quem diga ecológico, observem como tratam bem a grama! Viva a revolução!
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Mesmo assim, com todo o respeito aos craques da camisa "vinotinto", sou mais Paraguai. De empate em empate o país del mariscal Solano López vai chegando lá. 
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Mas nem só de futebol é constituída a existência. A presidente Dilma está fazendo uma verdadeira faxina no quadro de servidores. Limpou o Ministério dos Transportes. Limpou o Dnit. Até uma cabeça petista rolou. Por que será? Petistas são honestos, probos e castos. Deve ter sido engano! Eu diria que estamos atingindo um ponto de mutação. Irreversível. Depois das varrições dilmísticas nada será como antes. As empreiteiras não darão mais propinas. Os funcionários não aceitarão mais suborno. Podemos dormir tranquilos. O Brasil está salvo. Viva!
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Opinião

Quais são mesmo os porcos nesta história?

José Nêumanne - O Estado de S.Paulo
Antônio Palocci não era um burocrata qualquer quando a presidente Dilma Rousseff dispôs de seu emprego na alta cúpula do governo federal. Ele tinha sido o avalista do padrinho e ex-chefe dela Luiz Inácio Lula da Silva no crédito de confiança que a classe média deu à adesão do Partido dos Trabalhadores (PT) ao rigor fiscal e à estabilidade da moeda. Isso o credenciou a se tornar o todo-poderoso ministro da Fazenda do primeiro governo do patriarca. E foi com essa missão que também costurou o apoio da burguesia nacional à candidatura de Dilma à sucessão presidencial, reunindo cacife para coordenar a equipe de transição e ocupar a chefia da Casa Civil.

Tampouco o sanitarista de Ribeirão Preto era um "ficha-limpa" quando, empossada na Presidência, Dilma recorreu ao seu talento de articulador. Pois Sua Excelência já havia caído do alto, envolvido num escândalo - a frequência habitual de uma mansão suspeita - e numa violência contra a cidadania: a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa. A revelação pela Folha de S.Paulo da posse de um apartamento de R$ 6,6 milhões e da multiplicação por 20 do patrimônio acumulado como "consultor" enquanto ocupava uma modesta e quase anônima carreira na Câmara dos Deputados indicava uma óbvia reincidência. E pela segunda vez o condestável desabou do topo.

Na chefia da Casa Civil, para a qual nomeou Palocci, Dilma havia substituído José Dirceu, acusado de chefiar uma quadrilha em processo que tramita nos escaninhos do Supremo Tribunal Federal (STF). No posto conviveu - segundo consta, às turras - com o então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, senhor do castelo do Partido da República (PR), da base de apoio parlamentar do governo. Em nome da "governabilidade", ela lhe devolveu o posto e foi levada a dele afastá-lo depois de o referido ter protagonizado caso de corrupção denunciado pela revista Veja. E nas páginas desse semanário o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), José Luiz Pagot, mereceu idêntico tratamento. Antes de ser demitido, como chegou a ser anunciado, contudo, Pagot tirou férias, das quais se afastou para elogiar no Congresso o zelo da comandante e o comportamento de seu futuro chefe, na esperança de ter a boquinha de volta.

Voltará? É aí que está o busílis. Dilma jura que não. Mas Paulo Sérgio Passos garante que nada há que pese contra o retorno do antigo companheiro de cúpula no Ministério dos Transportes. O benefício da dúvida pode favorecer Dilma quanto à atuação de todos esses senhores ao longo do mandato de Lula, em que chefiou a Casa Civil com fama de "gerentona" dura e de trato pessoal pouco delicado. Dela, porém, não se noticiou nenhuma reação pública contra a conduta dos dois ministros, o que saiu e o que o substituiu. Se se furtou no Ministério dos Transportes, é de imaginar que ela confiasse que Alfredo não sabia e Paulo, muito menos. Se ela soubesse, como justificar que os nomeasse para o primeiro escalão do governo ao qual foi içada pela maioria dos eleitores?

A guilhotina continuou - e, ao que parece, continuará - funcionando no prédio que os aliados do PR ocupam na Esplanada dos Ministérios. Rolou a cabeça de José Henrique Sadok de Sá, que ostentava duas coroas: de diretor executivo e diretor-geral interino nas "férias" de Pagot. Sá foi denunciado por favorecimento a uma empresa da mulher pelos repórteres deste Estado. No rastro sangrento dessa execução, já foram previamente anunciadas as demissões do petista Hideraldo Caron, também do Dnit, e de Felipe Sanches, presidente interino da empresa estatal suspeita de figurar no lamaçal, a Valec - Engenharia, Construções e Engenharia S. A.

No ostensivo loteamento político realizado pelo governo federal, Palocci e Nascimento, os expoentes dos denunciados que caíram em desgraça sob Dilma, têm em comum a proteção do paraninfo dela, seu antecessor Lula. Este chegou a se deslocar, sem ser chamado, de seu retiro em São Bernardo do Campo para o Planalto Central para tentar resgatar o então chefe da Casa Civil. Em vão! O malogro no intento não o impediu, contudo, de deitar falação contra o que ele e os soldados dos blogs financiados de alguma forma pelo governo e pelo PT chamam de "Partido da Imprensa Golpista" (PIG, em inglês porco). Na troca de presidentes da União Nacional dos Estudantes (UNE) em congresso bancado por empresas públicas, o ex disse que os grandes jornais de São Paulo nem chegam ao ABC e que a população sabe que não precisa mais de "intermediários" para ter acesso à informação.

Por causa da enxúndia de notícias disponíveis, talvez ele tenha alguma razão. O afastamento de alguns de seus amiguinhos mais chegados da cúpula federal, contudo, demonstrou que sua sucessora tem precisado - e muito - dos meios de comunicação para saber o que alguns de seus subordinados fazem "debaixo dos panos", lembrando aquele sucesso junino de Antônio Barros e Cecéu. A exemplo das cobaias de Pavlov que salivavam ao toque de sinetas, a presidente tem demitido regularmente todos os auxiliares cujas atividades heterodoxas vêm sendo reveladas por órgãos de comunicação. Até agora nenhum denunciado escapou da degola. E até agora ninguém foi degolado antes de vir a ser denunciado no noticiário.

Noves fora a mágoa de Lula por estar perdendo poder no governo da protegida, o que ele omitiu na meia-verdade aplaudida por um público cuja simpatia foi patrocinada revela uma trágica e perigosa distorção da democracia brasileira atual: o Poder Executivo não dispõe de informações para sanear a máquina pública. Ou, se dispõe, não tem como, ou não quer, fazer a faxina que tais informações preceituam. Dilmla age sob pressão da opinião pública, que, à falta de uma oposição de respeito, só conta mesmo é com a liberdade de informação e opinião como aliada.

JORNALISTA E ESCRITOR, É EDITORIALISTA DO "JORNAL DA TARDE"

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 20 / 07 / 2011

Folha de São Paulo
"Faxina derruba mais 6 nomeados dos Transportes" 

Cinco dos exonerados são ligados ao PR e um ao PT; diretor petista do Dnit também deve ser afastado nesta semana

O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, demitiu mais seis servidores, dois deles do Dnit (que cuida de obras nas estradas). Cinco afastados são ligados ao deputado Valdemar Costa Neto e ao ex-ministro Alfredo Nascimento, ambos do PR, que controla a pasta. 

O Estado de São Paulo 
"'Faxina' nos Transportes derruba mais seis e continua" 

Chegam a 13 os demitidos em meio ao escândalo de corrupção, e outros devem cair; maioria é ligada ao PR

A “faxina" no Ministério dos Transportes continuou ontem. Foram demitidos quatro funcionários do ministério e dois do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Agora, já são 13 os funcionários afastados desde a revelação do esquema de corrupção dentro dos Transportes, no começo do mês. A maioria dos demitidos é vinculada ao secretário-geral do PR, Valdemar da Costa Neto, e ao ex-ministro Alfredo Nascimento, que foi afastado duas semanas atrás e assumiu a presidência do partido - o PR controla os Transportes no rateio do poder ministerial. A expectativa é que, entre hoje e sexta-feira, mais demissões sejam anunciadas, incluindo a do diretor de Infraestrutura Rodoviária do Dnit, o petista Hideraldo Luiz Caron, e mais assessores ligados ao PR.

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terça-feira, julho 19, 2011

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Opinião

Ditadura do Executivo

O Estado de S.Paulo - Editorial
Como durante boa parte do governo Lula, quando o tema da corrupção dominava o noticiário em surtos recorrentes, nos primeiros seis meses do governo Dilma Rousseff o assunto continuou na ordem do dia sob diferentes roupagens - do fabuloso enriquecimento do deputado Antonio Palocci, antes de se tornar o braço direito da presidente, aos escândalos que não cessam de jorrar no Ministério dos Transportes. Cada uma a seu modo, uma vez armada a tempestade, as denúncias traziam para as páginas políticas as dificuldades de Dilma para administrar a sua obesa base parlamentar da qual dependia ora para impedir a apuração exaustiva dos fatos (no episódio Palocci), ora para que não criasse caso com a varrição nos Transportes.

As demandas por verbas e cargos das 14 bancadas aliadas na Câmara, que o ex-ministro da Casa Civil foi acusado de represar, ao manter fechada a porta de seu gabinete aos respectivos líderes, saltaram como a tampa de um bueiro carioca quando ele caiu em desgraça, obrigando a presidente a exilar para a Pesca o então ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, e a entregar a coordenação política do governo à senadora Ideli Salvatti. Tudo isso é verdade: corrupção e apaziguamento da maioria legislativa são problemas conexos em mais de um sentido. Mas não toda a verdade: o fato central nas relações entre o Planalto e o Congresso não é a dependência, mas a ditadura do primeiro sobre o segundo.

É da natureza do sistema político brasileiro que o Executivo disponha de instrumentos institucionais, além da clássica barganha, para que a sua agenda prevaleça na atividade legislativa. Para isso, o chefe do governo de coalizão conta, por exemplo, com o colégio de líderes de bancadas, no qual tem assento por meio do líder do governo em cada Casa, para amoldar aos seus interesses as pautas de votações. E tem a abusada prerrogativa de encharcar o Parlamento de pedidos de urgência e de medidas provisórias (MPs), cuja tramitação obedece a regras que, na prática, freiam iniciativas que o Planalto deseja manter no freezer.

Inovando na matéria, os homens do presidente Lula literalmente compraram a subordinação dos legisladores a seu talante: foi o mensalão. Mas nem assim seu governo conseguiu domar de forma tão completa a Câmara dos Deputados como o da presidente Dilma. Pela primeira vez na sua história, no regime democrático, os seus 513 integrantes não tiveram no período legislativo que terminou na última quinta-feira um único dia de votação livre de imposições do Executivo. Valendo-se com inusitada desenvoltura do amplo repertório de expedientes ao seu alcance, como a edição de MPs e o envio de projetos com o carimbo de urgência, o governo manteve sempre trancada a pauta de deliberações da Casa. Os deputados só votaram as matérias que Dilma queria - e não votaram nada que ela não quisesse.

Um exemplo dos procedimentos que tolhem a instituição legislativa foi o bloqueio do projeto de lei complementar que estabelece o patamar de gastos da União, Estados e municípios com saúde pública, regulamentando emenda à Constituição nesse sentido. O Planalto argumentou que, aprovada a proposta, os novos dispêndios do Executivo Federal no setor não teriam cobertura orçamentária. Mas não prevaleceu o poder de persuasão do governo junto à sua maioria na Câmara, cujos líderes insistiram em levar a matéria a votos. Ao que o governo retrucou com o estratagema de praxe: manteve a pauta bloqueada pelo projeto do Pronatec, sobre o ensino técnico, cujo caráter urgente lhe assegura precedência.

Na direção oposta, para aprovar a toque de caixa a anistia aos bombeiros que haviam se amotinado no Rio de Janeiro, como queria Dilma, o presidente da Casa, Marco Maia, do PT gaúcho, apelou para o que os políticos chamam "interpretação criativa" do regimento interno a fim de que a tramitação do projeto acabasse onde todos começam - na Comissão de Constituição e Justiça - sem precisar passar, depois, pelo plenário. "Nós nos frustramos", diz o líder do PSOL, Chico Alencar, "e a população fica frustrada conosco."

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Manchetes do dia

Terça-feira, 19 / 07 / 2011

Folha de São Paulo
"Acidentes com moto na Rebouças dobram em 4 anos" 

Avenida foi alvo de campanha educativa da prefeitura, mas casos saltaram de 62, em 2006, para 130, em 2010

O número de acidentes de motos com vítimas na avenida Rebouças, em São Paulo, subiu 110% em quatro anos, relata Menear Izidoro. Saltou de 62, em 2006, quando foi adotada a faixa preferencial de motociclistas, para 130, em 2010. Nesse período, a expansão da frota foi de 65%.

 O Estado de São Paulo 
"Contrariando Carvalho, Dilma demitirá diretor do Dnit" 

Saída de Pagot é decidida apesar da pressão de ministros ligados a Lula, como o secretário-geral da Presidência

A ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, foi encarregada pela presidente Dilma Rousseff de anunciar que o diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot, atualmente em férias, não retornará mais ao cargo, em meio a escândalo de corrupção. O vice Michel Temer e ministros ligados ao ex-presidente Lula defendiam a permanência de Pagot. Numa reunião no Planalto, o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) tentou introduzir na conversa a necessidade de manter Pagot. Dilma afirmou que, se fosse para traze-lo de volta, teria de reconduzir outros seis que ela tinha demitido e isso não vai acontecer. Dilma orientou ainda o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, a finalizar rapidamente a "limpeza" no setor.

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Veneza

Vista da Ponte Rialto (clique para ampliar)

segunda-feira, julho 18, 2011

Futsgrila!

Explicando o inexplicável

Sidney Borges
O jogo de ontem foi raro. Nunca antes neste pais alguém viu um time perder quatro pênaltis seguidos. Se viu, não contou, eu mesmo não acreditei nas imagens da TV. Tive de me beliscar para saber se era verdade ou sonho, ou melhor, pesadelo. Mano errou, é humano, acho que não deveria ter tirado Neymar.

Bem, isso é detalhe, o que interessa são os pênaltis. Os brasileiros culparam o gramado que por coincidência era o mesmo usado pelos paraguaios.

Um acontecimento tão fora do trivial precisa ser esclarecido nos pormenores. Assim, depois de escurecer, fui ao centro do compadre Zifiu consultar espíritos.

Levei uma garrafa de puríssima ubatubana de 30 anos que ele logo foi abrindo e lançando goela abaixo depois de verter a parte do santo no terreiro. Em instantes deu-se o download. Zifiu incorporou um caboclo que falava portunhol arcaico. Falava bastante, logo soubemos tratar-se do alferes Obdúlio Zamora, morto em 2 de maio de 1866 na Batalha de Estero Bellaco, na Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai. Conta a lenda que nesse dia Solano Lopez jurou vingança. Los desmoralizaré...

Obdúlio Zamora confirmou o que eu temia: "fué el próprio Mariscal que afundou o terreno quando los brasileños perderan el pié de apojo". Em seguida tomou uma talagada de matar o guarda acompanhada de gargalhada infernal.

Está, portanto, explicado. O que parecia impossível foi mágica, coisa do além. O que mais poderia levar os craques do "scratch" a dar o vexame do século?

A proxima façanha "del Mariscal" será levar o Paraguai ao título da Copa América. Sem vencer uma única partida, mostrando a los "maricones de la Tríplice Aliança" que fazer gol é uma questão de detalhe, como também disse o craque Robinho.  

Caboclo Mano, ocê tá precisando dum banho de descarrego.

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Eêêê... toro!

Política

Brasil ainda tem 87% das estradas sem pavimentação

Marcelle Ribeiro, O Globo
Enquanto o Ministério dos Transportes passa por uma crise, com denúncias de corrupção, superfaturamento de obras e demissão de ministro e diretores do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit), a situação das estradas brasileiras continua caótica, num retrato do atraso no setor. Esburacadas, sem acostamento e, em sua maioria, sem asfalto, são um dos gargalos para que o país cresça em condições de competir com seus concorrentes entre os países emergentes.

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Opinião

Os problemas mundiais de energia

José Goldemberg - O Estado de S.Paulo
Viena, a bela capital do Império Austro-Húngaro, foi um dos mais importantes centros culturais da Europa desde o século 18 até 1938, quando a Áustria foi incorporada pelos nazistas à Alemanha. Nesse longo período, em Viena brilharam Mozart, Beethoven, Strauss e inúmeros outros expoentes da música e da cultura. Sigmund Freud, que viveu desde os 4 anos de idade nessa cidade, ali criou a psicanálise.

Hoje em dia Viena é a sede de numerosas organizações internacionais, como a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido), a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). E também de renomadas instituições dedicadas à pesquisa, como o Instituto Internacional para a Análise de Sistemas Aplicados (Iiasa), que durante a guerra fria foi o único local de encontro de cientistas americanos e soviéticos. O Brasil recentemente se tornou um dos países-membros do Iiasa.

Ao que parece, estamos presenciando um renascimento das contribuições de Viena à ciência e à governança mundial. Lá se realizou, há cerca de um mês, um Fórum de Energia promovido pela Unido, no qual foram apresentados os resultados de um grupo de mais de cem técnicos e cientistas reunidos no Iiasa, que, depois de quatro anos de trabalho, relataram as conclusões de um estudo intitulado Energia, uma Avaliação Global.

Como se sabe, a energia que a nossa civilização exige origina-se em grande parte de combustíveis fósseis (carvão mineral, petróleo e gás natural). Apesar de sua enorme contribuição para promover o conforto de parte importante da população mundial, esse sistema está criando problemas que ameaçam a estabilidade e a continuidade do tipo de civilização que temos hoje.

Isso porque os combustíveis fósseis são a principal fonte de poluição nas grandes cidades e em regiões inteiras do mundo, com sérias implicações para a saúde. Emitem gases que estão provocando o aquecimento do planeta. E são a origem de inúmeros problemas que comprometem a segurança de abastecimento energético, uma vez que muitos países não têm reservas de petróleo e gás e ficam dependentes de pressões políticas dos fornecedores, como os países do Oriente Médio e a Rússia.

Além disso, pouco se faz, por causa do seu custo, para resolver o problema de quase 3 bilhões de pessoas sem acesso a formas modernas de energia nas regiões mais pobres do mundo.

As propostas que existem para solucionar tais problemas se originam, de modo geral, nos países industrializados, que têm acesso a combustíveis fósseis, mas estão preocupados com o aquecimento da Terra - o que só vai ocorrer a médio prazo, havendo ainda tempo para corrigir os rumos atuais. Daí o entusiasmo de alguns deles pela energia nuclear, que contribui para resolver essa questão, mas cria várias outras, de gravidade maior e imediata, como se viu no recente desastre nuclear de Fukushima, no Japão.

Já nos países em desenvolvimento os problemas são mais amplos, incluindo a necessidade de incorporar ao sistema os bilhões de habitantes que não têm acesso a serviços de energia moderna, além da necessidade de pagarem pela importação de combustíveis fósseis, o que compromete suas economias.

O Fórum de Energia de Viena analisou os resultados daquele grupo de cientistas reunidos no Iiasa e as soluções propostas. Esses estudos mostram que existem várias combinações de recursos naturais e tecnologias que permitiriam resolver simultaneamente os problemas acima mencionados sem a necessidade de energia nuclear nem de outras tecnologias ainda não completamente testadas, como a captura de carbono ou tecnologias planetárias ainda mais problemáticas.

A declaração ministerial que emergiu de Viena adotou três decisões básicas, recomendando aos países que adotem medidas para:

Garantir acesso universal de serviços de energia aos 3 bilhões de pessoas que não os possuem e a toda população mundial até 2030;

melhorar a eficiência no uso de energia em 40% até 2030;

aumentar a contribuição das energias renováveis no sistema para 30% até 2030.

A base técnica que deu origem a essas metas não vai exigir muito mais recursos do que os que são usados atualmente, mas seu redirecionamento. Ficou evidente no estudo que energias renováveis, como a eólica, a solar e a biomassa, que em geral são consumidas no local onde são produzidas, reduzem a insegurança energética.

Há também uma sinergia, isto é, uma complementação favorável entre maior eficiência energética e energias renováveis, porque maior eficiência permite realizar as mesmas tarefas com menos energia, o que favorece o uso das renováveis.

As metas do Fórum de Energia de Viena têm caráter global e cada país deverá tentar cumpri-las de acordo com suas características próprias. Para o Brasil elas não apresentam nenhum problema, porque nossa matriz energética já é renovável em 45%. Onde novos esforços poderão ser feitos é no uso mais eficiente de energia, o que pode ser conseguido etiquetando todos os equipamentos usados - como, aliás, já é feito com muitos eletrodomésticos - e aos poucos eliminando do mercado os menos eficientes.

No plano geral, as metas de Viena deverão ter grande impacto na conferência das Nações Unidas, em junho de 2012, no Rio de Janeiro, para marcar o 20.º aniversário da Convenção do Clima e da Convenção da Biodiversidade realizadas, também no Rio, em 1992. Com isso deverão tomar novo impulso os esforços para orientar o desenvolvimento energético numa direção sustentável.

PROFESSOR EMÉRITO DA USP, É COPRESIDENTE (BRASIL), JUNTAMENTE COM GED DAVIES (REINO UNIDO), DO ESTUDO ''ENERGIA, UMA AVALIAÇÃO GLOBAL'' (''GLOBAL ENERGY ASSESSMENT'')

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 18 / 07 / 2011

Folha de São Paulo
"Expansão imobiliária cria cinturão de favelas em SP" 

Valorização de áreas centrais e periféricas empurra comunidades pobres para fronteiras

A valorização imobiliária das áreas centrais de São Paulo e de regiões antes consideradas periféricas vem empurrando as favelas para as fronteiras da capital paulista. Há um boom demográfico no seu entorno. As favelas formam hoje um cinturão nos limites de São Paulo. Ele chega a transbordar para as cidades vizinhas, informa José Benedito da Silva. É o que revela mapa da Secretaria Municipal da Habitação.

 O Estado de São Paulo 
"Dnit e Valec têm contratos com empresas suspeitas" 

Fornecedoras de mão de obra são acusadas de usar documento falso em concorrências de R$ 31 milhões

Diretores do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e da Valec Engenharia montaram um esquema com duas empresas acusadas de usar documentos falsos em contratos, informa o repórter Leandro Colon. Os contratos totalizam R$ 31 milhões, dos quais R$ 13 milhões sem licitação. As empresas Alvorada e Tech Mix fornecem funcionários em áreas estratégicas, incluindo obras do PAC. O dono da Tech Mix é marido da proprietária da Alvorada, que mudou de atividade um dia antes da liberação de verba. Os documentos do Dnit foram assinados pelo então diretor-geral Luiz Antônio Pagot, e pelo diretor executivo, José Henrique Sadok, afastados após denúncias de irregularidades no Ministério dos Transportes. Os contratos da Valec foram respaldados pelo diretor Antonio Felipe Sanchez Costa.

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domingo, julho 17, 2011

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Opinião

O risco dos bancos europeus

O Estado de S.Paulo - Editorial
Qualquer abalo mais sério nas economias europeias mais endividadas porá em grave risco pelo menos 24 bancos - 8 reprovados no teste de estresse divulgado na sexta-feira e 16 aprovados por margem muito estreita. O risco de uma nova quebradeira bancária é um dos terrores dos governos da Europa, já forçados, a partir de 2008, a assumir o controle de várias instituições quando estourou a bolha da especulação imobiliária. O pesadelo voltou quando países da chamada periferia do euro - Grécia, Irlanda e Portugal - chegaram perto de um calote da dívida pública. Os temores aumentaram na semana passada, quando uma crise no governo italiano chamou a atenção para o grave desequilíbrio fiscal do país, sobrecarregado por uma dívida pública próxima de 120% do Produto Interno Bruto (PIB). As preocupações em relação à Itália, terceira maior economia da zona do euro, atenuaram-se nos últimos dias. Mas o cenário geral continuou sombrio, por causa da insegurança europeia e também do impasse em torno da dívida federal americana, praticamente encostada no teto de US$ 14,3 trilhões.

Os governos deverão pressionar os 24 bancos europeus - tanto os reprovados quanto os aprovados com pouquíssima folga - para reforçar sua base de capital e ganhar resistência para enfrentar qualquer novo choque. Considerado suave por alguns críticos, o teste mostrou uma situação pouco melhor que a prevista nos dias anteriores, quando as apostas giravam em torno de 20 reprovações. Mas o cenário divulgado pela Autoridade Bancária Europeia (EBA, na sigla corrente em inglês) está longe de ser tranquilizador. Afinal, foram encontrados problemas em mais de um quarto das 91 instituições analisadas.

Na situação atual, a transmissão de risco financeiro pode ocorrer em mais de uma direção - dos Tesouros para os bancos, dos bancos para os Tesouros e também entre os bancos, porque estes dependem uns dos outros no dia a dia. Mais do que nunca, a vigilância das condições de resistência das várias instituições tem importância vital para o sistema bancário e para o conjunto da economia.

Cinco bancos da Espanha, dois da Grécia e um da Áustria foram reprovados e terão de levantar, em conjunto, cerca de 2,5 bilhões para chegar à normalidade, segundo a EBA. Mas os outros 16 também precisarão reforçar seu capital para operar com um grau razoável de segurança. Esse grupo inclui sete espanhóis, dois alemães, dois gregos, dois portugueses, um cipriota, um italiano e um esloveno.

Da parte dos endividados, a melhor notícia veio da Itália, com aprovação, pelo Parlamento, de um plano de ajuste fiscal de 40 bilhões. O objetivo é deixar o orçamento em ordem até 2014. A dívida italiana é alta há muito tempo, mas seus prazos têm sido tradicionalmente confortáveis. O déficit fiscal supera 4% do PIB e está acima do limite do bloco, mas outros Tesouros europeus estão em condições piores. Houve um evidente exagero nas especulações dos últimos dias, mas, no quadro atual, nenhum país é imune a pressões desse tipo. Não há zona segura.

Na Europa, o maior desafio, neste momento, é acalmar os mercados em relação à Grécia e dar às autoridades gregas alguma folga para respirar e pôr em prática as medidas corretivas aprovadas há poucos dias pelo Parlamento. O primeiro pacote de ajuda, aprovado em 2010,está-se esgotando. Um segundo será necessário, mas há desacordo sobre detalhes importantes.

Os governos alemão e francês propõem uma operação de socorro com participação de bancos. Isso envolveria, na linguagem do mercado, um calote seletivo. Dirigentes do FMI e do Banco Central Europeu rejeitam esse caminho e defendem uma ajuda ao Tesouro grego para recomprar uma parte da dívida. Como os títulos estão muito desvalorizados, seria possível, em tese, recomprar papéis com um bom desconto. Enquanto esse debate prossegue, do outro lado do Atlântico o Executivo americano discute com a oposição as condições para uma elevação do teto da dívida. Sem uma rápida solução, um calote poderá ocorrer em agosto. É uma hipótese que assusta, e a maior parte dos observadores aposta numa solução de última hora.

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Manchetes do dia

Domingo, 17 / 07 / 2011

Folha de São Paulo
"8 em cada 10 têm oferta para mudar de emprego" 

Dado é relativo aos profissionais que recebem entre R$ 6.000 e R$ 15 mil

Oito em cada dez profissionais com salário entre R$ 6.000 e R$ 15 mil receberam proposta para mudar de emprego nos últimos 12 meses, informa Érica Fraga. O dado, de pesquisa da consultoria Asap, indica como o mercado de trabalho está aquecido no Brasil. Só 24,5% dos que receberam convite de outros empregadores aceitaram a oferta. Segundo o consultor Carlos Eduardo Ribeiro Dias, o índice de transferência é menor que o esperado e “reflete a política agressiva das empresas para segurar seus funcionários”.

 O Estado de São Paulo 
"Estoques crescem e levam indústrias a antecipar férias" 

Em nove setores subiu o porcentual de empresas com encalhe; comércio reduz pedidos e oferece promoções

O descompasso entre o ritmo de produção das fábricas e as vendas do varejo provocou um aumento dos estoques em setores importantes, como carros, embalagens e até alimentos, informa a repórter Márcia De Chiara. Pelo segundo mês seguido, a fatia de empresas com estoques excessivos aumentou em junho e atingiu 5,3%, segundo a Fundação Getúlio Vargas. De 14 setores pesquisados, em 9 cresceu o porcentual de companhias que declararam ter estoques acima do normal na comparação com maio. Com encalhe crescente, indústrias iniciaram o mês dando férias ou cortando hora extra. O comércio também reduziu os pedidos e oferece promoções.

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