sábado, julho 09, 2011

Ubatubenses


O ser caiçara fica!

José Ronaldo dos Santos
Sempre estamos perdendo caiçaras. Nestes dias perdemos o caiçara Isaac Antonio. Ontem, oito de julho, foi a celebração do sétimo dia, uma tradição do catolicismo.

A igreja do Itaguá, além dos pais e numerosos parentes, também acolheu muitos amigos. Todos queriam expressar  mais do que um sentimento religioso. A emoção mais forte era a de pertencer a uma cultura.  Por isso eu, no momento do ato religioso, definia o misticismo como a convicção de pertencer a um grupo e de querer se encontrar sempre para se sentir fortalecido em torno de ideais semelhantes. É essa mística que põe em comunhão as lembranças e os viventes; fortalece uma memória; não deixa que os membros esmoreçam apesar das atribulações de todas as épocas.

Uma das últimas conversas que tive com o Isaac, ele me confessou da admiração por determinados nomes do bairro que não se corromperam, não traíram aqueles princípios que estão na base da vida comunitária. Depois, dedilhando o violão, recordando Beto Guedes, cantamos juntos, bem em frente à Praia do Acaraú, sentados sob um abricoeiro, algumas das suas músicas preferidas. Por fim, repetiu: “É, Zé! É preciso recriar o paraíso agora para merecer quem vem depois!”.

Isaac, Janguinho, Aristides, Preciosa, Santana, Dorcas, tantos e tantas caiçaras que nos deixaram recentemente, assim como os finados de tempos imemoriais, estão vivos porque deles nos lembramos pelo ser caiçara que testemunharam. É essa a comunhão de maior valor.

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Opinião

A desmoralização da 'farsa' de Lula

O Estado de S.Paulo - Editorial
Entre os muitos planos anunciados pelo presidente Lula para quando desencarnasse do governo - o que, a depender dele, não acontecerá enquanto a sua apadrinhada Dilma Rousseff ocupar a cadeira que lhe pertenceu - estava o de desmontar a "farsa" do mensalão. Em 2005, quando o escândalo irrompeu, com a denúncia do então deputado petebista Roberto Jefferson de que o PT montara um esquema para comprar deputados a fim de que votassem como o Planalto queria, primeiro Lula calou-se. Depois, temendo o estrago que o escândalo poderia acarretar para a sua reeleição no ano seguinte, declarou-se traído, sem dizer por quem, e exortou o seu partido a pedir desculpas aos brasileiros "por práticas inaceitáveis, das quais nunca tive conhecimento".

A fase de contrição durou pouco. Logo inventou a "explicação" de que o partido apenas fizera o que era comum na política nacional - manter um caixa 2 -, quando o problema de fundo era o repasse desses recursos clandestinos para corromper o Congresso. Com a agravante de que parte da bolada vinha de empresas estatais, numa operação conduzida com maestria pelo afinal famoso publicitário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza. Na versão inventada por Lula, no entanto, as malfeitorias foram infladas, quando não fabricadas pela oposição, em conluio com a "mídia golpista", para derrubá-lo da Presidência.

E a esse conto da carochinha ele continuou recorrendo mesmo depois que, em pleno ano eleitoral de 2006, o então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, nomeado por ele, produziu um dos mais devastadores e fundamentados libelos já levados ao Supremo Tribunal Federal (STF). Nele, pediu a abertura de processo contra 40 suspeitos de envolvimento com a "sofisticada organização criminosa" liderada pelo então ministro da Casa Civil, José Dirceu - o "chefe da quadrilha". Lula tampouco mordeu a língua quando, no ano seguinte, o STF acolheu a denúncia contra os citados, e o ministro Joaquim Barbosa, também levado à Corte por ele, começou a tocar a ação da qual foi designado relator, com empenho e independência.

Agora, a "farsa" de Lula tornou a ser exposta em sua inteireza. O procurador-geral Roberto Gurgel, que sucedera a Antonio Fernando e acabou de ser mantido para um segundo mandato pela presidente Dilma Rousseff, pediu anteontem ao Supremo que condene à prisão 36 dos 40 denunciados por crimes que incluem formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

São 36 porque, no decorrer do processo, um dos indiciados (José Janene, ex-tesoureiro do PP) faleceu e outro (Sílvio Pereira, ex-secretário geral do PT, um dos líderes do esquema) se livrou do processo em troca do cumprimento de pena alternativa. Além disso, por falta de provas, Gurgel pediu a absolvição de um certo Antonio Lamas - irmão do réu Jacinto Lamas, ex-tesoureiro do antigo PL - e do ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken. A denúncia contra ele, por coautoria em desvios atribuídos à diretoria de marketing do Banco do Brasil, havia sido acolhida por um voto de diferença apenas. Para o procurador-geral não há nem sequer indícios de sua participação nas apontadas falcatruas.

Se essa é uma boa notícia para o então presidente que instalara o velho companheiro no Planalto, o resto da peça de Gurgel é só tristeza. Ele subscreveu o trabalho do antecessor em termos irrefutáveis.

O comprovado plano criminoso para a compra de votos no Congresso representa, segundo ele, a "mais grave agressão aos valores democráticos que se possa conceber". E tudo, deliberadamente, para "fortalecer um projeto de poder do PT de longo prazo". É de calar a boca até de um boquirroto como Lula. O problema é o que se anunciava já desde a abertura do processo, há quatro anos. Trata-se de julgar o processo antes que ocorra a prescrição de crimes como o de formação de quadrilha, de que é acusada a antiga cúpula petista, além do ex-ministro Dirceu, seu parceiro Marcos Valério e o notório deputado Valdemar Costa Neto, do PR, de volta à cena esta semana no escândalo do Ministério dos Transportes.

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Manchetes do dia

Sábado, 09 / 07 / 2011

Folha de São Paulo
"Gol compra Webjet e assume 40% do setor"

Negócio foi de R$ 96 mi; especialistas veem fim do modelo de baixo custo

A Gol Linhas Aéreas anunciou a compra da Webjet por R$ 96 milhões e passará a controlar 40,5% do mercado, atrás da TAM, que detém 44,3%. A empresa assume as dívidas da Webjet, de R$ 214,7 milhões. Especialistas dizem que o negócio põe fim ao modelo de baixo custo e que a Gol deve elevar o preço das passagens da Webjet, um dos mais baixos hoje. A empresa realiza voos de curta distância e itinerários regionais.

O Estado de São Paulo 
"Blairo recusa ministério e PR admite escolha de Dilma" 

Pela primeira vez, partido cogita o interino Paulo Sérgio Passos no lugar de Alfredo Nascimento

O senador Blairo Maggi (PR-MT) recusou o convite de Dilma Rousseff para assumir o Ministério dos Transportes. A decisão ainda não foi formalizada, mas assessores do grupo empresarial de Blairo vetaram a indicação e ele decidiu ficar no Senado. Com a decisão, volta ao topo da lista o nome preferido da presidente, o ministro interino Paulo Sérgio Passos. A definição, no entanto, não deverá ocorrer antes de terça-feira, quando o diretor afastado do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot, vai depor no Senado. Dirigentes do PR são contrários à efetivação de Passos no ministério, mas já admitem que, se não houver alternativa, o partido acatará a escolha presidencial.

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sexta-feira, julho 08, 2011

Mundo

São Venceslau montando um cavalo morto, Praga

Coluna do Celsinho


Cobrando

Celso de Almeida Jr.
Tenho grande admiração por quem expõe seus pensamentos.

Independentemente de coloração política, merece todo o respeito aquele se manifesta.

É natural que as ideias ganham força quando expressas com clareza.

Daí, a minha convicção de que a juventude precisa conhecer e estudar a nossa língua com dedicação.

Saber escrever, ter bons argumentos, entretanto, não são qualidades suficientes para revelar ao leitor a gravidade de um assunto.

Nestas horas, entra em cena uma postura fundamental: a coragem.

Numa cidade, onde historicamente a população sempre aceitou com passividade os desmandos cometidos por políticos inescrupulosos, torna-se ainda mais importante a manifestação de vozes críticas e contundentes.

Neste sentido, muitos homens e mulheres determinados já nos deram bons exemplos.

Em algumas vezes, é fato, passaram do limite considerado razoável no trato com o próximo.

Entretanto, há momentos em que a indignação precisa vencer a timidez, deixando falar mais alto o espírito cívico sufocado, mesmo correndo o risco de ferir inocentes.

Por isso, é preciso aprender a perdoar àqueles que, às vezes, exageram na dose, ou que atingem equivocadamente um cidadão de boa-fé.

Ubatuba, porém, vem dando mostras de sucessivos erros na condução dos interesses públicos, com diversos e repetidos atos equivocados e, como já revelam apontamentos do poder judiciário, ilegais.

Isso torna urgente a valorização e o máximo incentivo às vozes questionadoras.

Neste espaço, gentilmente oferecido pelo amigo Sidney Borges, sempre procurei citar os veículos de comunicação e as pessoas que lutam e se manifestam pelo interesse público.

Neste momento, portanto, não posso deixar de revelar que admiro a coragem e a determinação do sr. Marcos de Barros Leopoldo Guerra, editor do blog Ubatuba Cobra (www.ubatubacobra.blogspot.com), quando se manifesta com extrema clareza e divulga, sem rodeios, sua visão e ações em defesa da cidadania.

Obviamente, não fecho questão com todos os seus pontos de vista e considero algumas atitudes equivocadas.

Reconheço, porém, que possíveis erros não tiram o brilho de sua iniciativa.

A força e a clareza de seus pensamentos, somados ao trabalho educativo e esclarecedor que faz das ferramentas constitucionais à disposição do cidadão, certamente contribuem para um rompimento com o deprimente quadro político-administrativo vigente nas terras ubatubenses.

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Opinião

A preocupação dos lojistas

O Estado de S.Paulo - Editorial
Se o Banco Central (BC) não está preocupado com a dívida das famílias, não parece haver motivo para que as próprias famílias e os cidadãos comuns estejam. Despreocupados, os consumidores estão menos cautelosos do que no ano passado com o tamanho de sua dívida, os custos dos serviços financeiros e os preços em geral. Curiosamente, nesse ambiente de grande otimismo com relação à situação financeira das famílias, a advertência parte do setor que, teoricamente, mais se beneficia com as facilidades do crédito para o consumo: o comércio.

"O Banco Central está mais tranquilo do que deveria estar", disse o presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro Junior, ao comentar os dados do comércio varejista e da inadimplência no primeiro semestre de 2011. Pellizzaro se referia à declaração feita pelo presidente do BC, Alexandre Tombini, em depoimento na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, de que o endividamento das famílias está entre 24% e 25% de sua renda, índice próximo do que ele considera recomendado internacionalmente. Tombini disse também que "o BC vai estar sempre atento a esse processo".

Para o presidente da CNDL, mais do que simplesmente acompanhar a situação, o BC já deveria ter agido, adotando medidas mais efetivas para reduzir a dívida das famílias. "Até 20% (de dívida), as pessoas navegam muito bem", disse Pellizzaro. "Passou disso, fica-se sujeito a riscos", completou, pois qualquer desarranjo orçamentário, desemprego, sinistro ou doença pode criar desequilíbrios.

Além de ter alcançado um nível acima do recomendado pela prudência, o endividamento cresce também para o pagamento de juros, e não para a compra de bens e serviços, observou o dirigente lojista. Pesquisas têm indicado, de fato, que nos últimos meses cresceu a fatia dos juros na composição da dívida das famílias. Ou seja, contrai-se nova dívida para pagar dívida anterior, não para a compra de bens ou serviços.

Quanto às medidas adotadas pelo governo para conter o consumo e reduzir as pressões inflacionárias, seus resultados até agora têm sido desprezíveis. O varejo não sentiu o impacto das medidas, pois continua aquecido, segundo a CNDL. Sobretudo no comércio de bens de menor valor, a ação do governo "foi inócua", na avaliação de Pellizzaro.

Os números não deixam dúvidas sobre a persistência do aquecimento do consumo. No primeiro semestre de 2011, as vendas do comércio cresceram 5,05% em relação à primeira metade de 2010. Em junho, elas foram 8,66% maiores do que as de junho do ano passado.

A boa situação do mercado de trabalho, que tem assegurado a melhora da renda de boa parte dos trabalhadores, e a ampla oferta de crédito, embora a taxas maiores do que no ano passado, têm provocado um certo relaxamento do consumidor na administração de seu orçamento, como constatou uma pesquisa feita pela Federação do Comércio do Rio de Janeiro. Ele sente que sua situação financeira está mais confortável e, por isso, está menos interessado em pesquisar preços e aferir custos financeiros. Neste ano, por isso, cresceu o número de pessoas que não sabem quanto gastam com tarifas bancárias, não pesquisam preços à vista, nem se preocupam com o nível de juros para fazer compras a prazo.

Em abril deste ano, mês em que foi feita a pesquisa, a fatia dos entrevistados que não sabiam o custo das tarifas bancárias alcançou 63%, contra 60% em 2010. No ano passado, 82% dos entrevistados pesquisavam os preços à vista antes de decidir pela compra à prestação; neste ano, o índice caiu para 68%.

É uma situação favorável para o comércio, como mostram os números das vendas do varejo, mas que, se resultar em aumento crescente do endividamento das famílias, com uma dívida de pior qualidade - cada vez mais contraída para pagar juros de dívidas anteriores e cada vez menos para ampliar o consumo e a produção -, imporá perdas generalizadas, inclusive ao comércio lojista, cujas vendas cairão. Daí a compreensível preocupação da CNDL, que ainda não é compartilhada pelo BC.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 08 / 07 / 2011

Folha de São Paulo
"PT mandava tanto quanto PR, afirma ex-diretor do Dnit"

Segundo Pagot, petista controlava 90% das obras; cotado, Blairo Maggi diz que sua inclinação é não aceitar ministério

Afastado sob acusação de corrupção, o chefe do Dnit, Luiz Antonio Pagot (PR), disse que o diretor Hideraldo Caron (PT) manda tanto quanto ele no departamento dos Transportes que cuida de obra em rodovias." O petista é visto como "espião" de Dilma na pasta.

O Estado de São Paulo 
"Transportes tinha comitê para administrar propinas" 

Planalto recebeu denúncias de que órgão criado para fiscalizar obras estava achacando empresários

O ex-ministro Alfredo Nascimento começou a cair em março, quando criou o Comitê de Acompanhamento de Gestão de Contratos, Obras e Serviços de Engenharia e Transportes. O órgão deveria aprimorar a supervisão ministerial, mas se transformou numa espécie de “comitê de arrecadação", com poderes para aprovar contratos, acompanhar a execução das obras e a liberação de pagamentos. Desde então, a presidente Dilma Rousseff passou a olhar o Ministério dos Transportes com mais atenção. Um mês depois da divulgação da portaria, o Planalto começou a receber reclamações de empresários contra achaques, cobrança de propina e outras práticas do comitê. 

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quinta-feira, julho 07, 2011

Satchmo

Louis Armstrong morreu neste dia, em 1971, aos 69 anos, de um ataque cardíaco enquanto dormia ...

Brasil

Panorama visto da ponte

Sidney Borges
Caiu o ministro dos Transportes. Caiu depois das denúncias publicadas na revista Veja. Quem teria sido a fonte? Suspeita-se de que o escracho tenha partido da presidente Dilma, que alguns políticos insistem em chamar de presidenta. Irritante!

O que muda? Vai acabar o superfaturamento, prática consuetudinária desde a chegada de Cabral? Há quem acredite, o mundo está repleto de crédulos.

Muda o titular da pasta, não mudam os costumes. O sistema político brasileiro criou duas instâncias sociais distintas, nós e eles. Nós somos a massa que acredita em ética, mérito, honestidade, decência e justiça. Eles são aqueles em quem votamos e que gerem o dinheiro público.

Eles dizem acreditar no que nós acreditamos, mas agem dispensando ética e honestidade e são imunes à justiça. De toda a dinheirama "roubada" dos cofres públicos, não haverá um único preso e dificilmente o dinheiro voltará aos locais de onde não deveria ter saído.

A trajetória dos políticos brasileiros é parecida, de vereadores a governadores, de deputados a senadores, o início é quase sempre modesto. Depois de alguns anos o patrimônio cresce, surgem mansões, carros importados, iates, jatinhos, propriedades no exterior e a certeza da impunidade.

Para a sociedade o prejuízo é imenso. O dinheiro da ostentação dos "pavões" significa menos escolas, menos hospitais, estradas esburacadas, saneamento básico inexistente e mais tantas carências que se eu fosse citar não terminaria este texto.

A corrupção é o maior mal do Brasil. Com o sistema político vigente ela vai continuar existindo e, embora o governo diga que tudo vai bem, passear pela periferia de qualquer cidade brasileira mostra que não é verdade.

Não acredite quando na próxima campanha política alguém disser que vai trabalhar para a sociedade. Os eleitos farão o que seus antecessores fizeram. Você está contente com o que há? Não! Pois vou lhe dar uma péssima notícia. Tudo vai continuar como está. Nós pagando, eles se lucupletando.

Amém!

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Opinião

Pagando contas de Lula

O Estado de S.Paulo - Editorial
Embora os desembolsos do governo federal com obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no primeiro semestre deste ano tenham sido 36% maiores do que o valor aplicado nos seis primeiros meses de 2010 (R$ 12,2 bilhões contra R$ 9 bilhões), piorou a gestão desse programa, tão prioritário no governo Dilma como foi no governo Lula. Do total gasto até agora em 2011, nada menos do que 87% (ou R$ 10,6 bilhões) se refere a "restos a pagar", ou seja, valores que foram comprometidos, mas não pagos, em exercícios anteriores. Até agora, o governo Dilma fez pouco mais do que pagar contas do PAC assumidas pelo governo Lula.

Desse modo, como constatou a organização não governamental Contas Abertas, algumas promessas de campanha da então candidata Dilma Rousseff não saíram do papel. Do total de R$ 1,6 bilhão orçado para a área de Saúde, em obras consideradas essenciais durante a campanha, apenas R$ 120 mil foram pagos até agora. A implantação de 500 Unidades de Pronto Atendimento destinadas à prestação de atendimento médico 24 horas por dia não recebeu nem um tostão dos R$ 212,5 milhões orçados. As Unidades Básicas de Saúde devem receber R$ 480,2 milhões neste ano, mas ainda nada foi feito.

Não é apenas o atraso, e até paralisia em alguns casos, de ações programadas pelo governo em áreas essenciais que torna a gestão do PAC ruim. O que os números de sua execução neste ano mostram também é a redução dos investimentos. Piora a qualidade dos gastos.

Em estudo que concluiu há algumas semanas - e, por isso, não computa os dados de todo o primeiro semestre de 2011 -, o economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Mansueto Almeida constatou que, apesar do aumento dos gastos do PAC neste ano, o volume destinado a investimentos propriamente ditos diminuiu 25% em relação a 2010. O aparente paradoxo (gastos aumentam, mas investimentos caem) se explica pelo fato de que as despesas de custeio do PAC cresceram exponencialmente neste ano. Tinham sido de apenas R$ 296,9 milhões no primeiro semestre de 2010 e passaram para R$ 3,18 bilhões neste ano.

Não é simples separar, nos dispêndios do PAC, os investimentos dos gastos de custeio. Programas como o Minha Casa, Minha Vida dependem de financiamentos concedidos pela Caixa Econômica Federal, mas os subsídios oferecidos à população de baixa renda são bancados pelo Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), cuja capitalização, como explica o economista do Ipea, é uma despesa de custeio do governo.

Em seu estudo, Mansueto Almeida mostra que, além do FAR, os programas do PAC sob responsabilidade do Ministério das Cidades contam também com subvenção econômica. São projetos de interesse social em áreas rurais e de habitação de interesse social em cidades com menos de 50 mil habitantes. No total, os subsídios embutidos em programas do PAC no primeiro semestre deste ano (até o dia 22 de junho) somaram R$ 2,92 bilhões, ou 26% do total. Em outras palavras, os subsídios correspondem a mais de 90% do aumento dos gastos do PAC em 2011.

Ao comentar esses e outros números de seu estudo em entrevista ao jornal Valor, o economista Mansueto Almeida afirmou que "o PAC está sendo comprometido". Embora fosse previsível o aumento das despesas com subsídios - pois estes são componente essencial do programa Minha Casa, Minha Vida e começam a ser pagos depois de concluídas as obras -, não era necessário que fossem cortados tão fortemente os investimentos do PAC. O governo, no entanto, para acertar as contas fiscais, escolheu o corte dos investimentos, e sua redução é "um tiro no pé", na avaliação do economista.

Os números apontados pelo Contas Abertas e por Mansueto Almeida permitem nova aferição da gestão do PAC. O que se constata é que, como no anterior, neste governo a gestão continua deixando a desejar. A incompetência gerencial vai se consolidando como uma característica dos governos do PT.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 07 / 07 / 2011

Folha de São Paulo
"Denúncias derrubam o 2º ministro de Dilma em 1 mês"

Após Palocci, Alfredo Nascimento (PR) deixa Transportes sob acusações de fraudes na pasta

Quase um mês após a queda de Antonio Palocci (PT) da Casa Civil, o governo Dilma sofreu uma nova baixa com a saída de Alfredo Nascimento (PR-AM), que chefiava os Transportes. Pressionado por acusações de envolvimento do PR e da pasta em casos de superfaturamento e propina, o ministro pediu demissão e vai retornar ao Senado. 

O Estado de São Paulo 
"Denúncias derrubam mais um ministro do governo Dilma" 

Alfredo Nascimento deixa Transportes após suspeitas de irregularidades; baixa é a 3ª em pouco mais de 6 meses

Cinco dias após o início da crise, o ministro Alfredo Nascimento (Transportes) entregou ontem sua carta de demissão. Além do aparecimento de novas denúncias, a situação tornou-se insustentável quando a presidente Dilma Rousseff convocou um técnico para discutir com ela assuntos da pasta, preterindo o ministro. O preferido de Dilma para assumir os Transportes é o atual secretário executivo, Paulo Sérgio Passos, mas o PR rejeitou a proposta e defende um nome “político". A baixa de ontem é a terceira de um ministro em pouco mais de seis meses de governo. A primeira foi Antonio Palocci (Casa Civil), após denúncias de enriquecimento suspeito. Três dias depois, o comando da coordenação política passou de Luiz Sérgio para Ideli Salvatti.

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quarta-feira, julho 06, 2011

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Opinião

O fim do vestibular nas federais

O Estado de S.Paulo - Editorial
Apesar das trapalhadas administrativas cometidas pelo Ministério da Educação (MEC) nas duas últimas versões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) - com o vazamento de questões, em 2009, e erros de impressão, em 2010 -, o Conselho Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) decidiu abolir o vestibular próprio, a partir deste ano, e adotar integralmente o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), baseado nas notas obtidas pelos estudantes no Enem. A UFRJ oferece mais de 9 mil vagas em seus vestibulares. No ano passado, 40% dos seus alunos ingressaram na universidade somente com base nas notas do Enem.

Na mesma sessão, que durou cerca de três horas, o Conselho Universitário rejeitou por 17 votos contra 12 a adoção do sistema de cotas raciais ou étnicas, optando por expandir o sistema já vigente de cotas sociais, que beneficiam alunos pobres e oriundos da rede pública de ensino básico. A partir de 2011, 30% das vagas serão preenchidas por egressos de escolas públicas - com a condição de que a renda per capita familiar dos candidatos selecionados seja de um salário mínimo (R$ 545). Em 2010, as cotas sociais preencheram 20% das vagas oferecidas.

Como a Universidade Federal do Rio de Janeiro é uma das mais prestigiadas universidades públicas do País, essa decisão certamente estimulará outras instituições de ensino superior mantidas pela União e pelos Estados a seguir o mesmo caminho. Na rede federal, constituída por 59 universidades, a UFRJ não é a primeira a adotar o Enem como critério único para preenchimento das vagas - mas é a mais antiga e a mais importante.

A consolidação do sistema nacional de seleção unificada deverá valorizar ainda mais as avaliações do Enem. Segundo os especialistas, isso aponta um caminho sem volta para o fim dos tradicionais exames vestibulares - que medem apenas a capacidade dos estudantes de memorizar conceitos e fórmulas. Por tabela, o fim do velho vestibular também pode acarretar a morte da "indústria de cursinhos", que atrai todos os anos uma legião de vestibulandos.

Apesar dos graves problemas que a inépcia do MEC causa às escolas, às universidades e aos estudantes, nas duas últimas edições do Enem, as provas desse sistema de avaliação - criado há 13 anos pelo então ministro Paulo Renato Souza, recém-falecido - valorizam o princípio do mérito. Por serem discursivas, baseadas na interpretação histórica e conjuntural de textos longos e voltadas para o raciocínio lógico, o sucesso nessas provas depende de muita leitura, da capacidade analítica e das habilidades e competências dos estudantes.

Desde o seu início, o Enem é muito respeitado pelos alunos do ensino médio. Entre 1998 e 2008, o teste continha 63 questões e era realizado num único dia. Com a criação do Sisu, a partir de 2009 o Enem passou a ter quatro provas objetivas, com 45 questões de múltipla escolha cada uma, além de uma redação, sendo realizado em dois dias. No primeiro Enem, em 1998, participaram cerca de 157 mil estudantes - no ano passado, o número foi 30 vezes maior, chegando a 4,6 milhões de inscritos. Para o exame deste ano, que será realizado nos dias 22 e 23 de outubro, inscreveram-se 6.221. 697 estudantes.

A opção da Universidade Federal do Rio de Janeiro pelo sistema de seleção unificada do Ministério da Educação - em detrimento do vestibular próprio - e pelo sistema de cotas sociais - em detrimento do sistema de cotas raciais ou étnicas - foi bem recebida pela comunidade acadêmica e por organizações não governamentais que mantêm cursos preparatórios comunitários para jovens carentes. Eles alegam que essas decisões da UFRJ democratizam o acesso aos seus cursos de graduação sem comprometer o princípio do mérito.

Evidentemente, as mudanças promovidas na maior e mais importante universidade federal somente darão certo se os burocratas do MEC não voltarem a cometer trapalhadas administrativas que comprometam a credibilidade do Enem, como ocorreu em 2009 e 2010.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 06 / 07 / 2011

Folha de São Paulo
"Governo suspende licitações de obras dos Transportes"

Medida vale por 30 dias; pressionado por crise, ministério também veta aumento do valor de contratos em andamento

Pressionado pela crise no Ministério dos Transportes, o ministro Alfredo Nascimento suspendeu as licitações da pasta por 30 dias e proibiu elevar valores de contratos em andamento. A medida abrange ao menos R$ 2,25 bilhões em obras. A decisão tenta responder às acusações de que a pasta direcionou contratos de obras e recebeu propina de empreiteiras e consultorias, que teria sido repassada a membros do PR -sigla do ministro e integrante da base aliada de Dilma Rousseff.

O Estado de São Paulo 
"Após denúncias, Dilma manda Transportes suspender licitações" 

Medida vale por 30 dias; afastado, diretor do Dnit anuncia que está de férias

A presidente Dilma Rousseff determinou ao ministro Alfredo Nascimento (Transportes) a suspensão por 30 dias das licitações do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e da Engenharia, Construções e Ferrovias (Valec). A medida é um desdobramento da crise causada pela divulgação de supostas irregularidades na pasta. No fim de semana, o governo anunciou o afastamento de Luiz Antonio Pagot (Dnit) e José das Neves (Valec). Mas Pagot pediu férias. Para a lugar dele, Dilma quer um petista.

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terça-feira, julho 05, 2011

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Opinião

A presidente se maculou

O Estado de S.Paulo - Editorial
A decisão da presidente Dilma Rousseff de manter o senador amazonense e presidente (licenciado) do PR, Alfredo Nascimento, no comando do Ministério dos Transportes imprimiu à sua passagem pelo Planalto uma indelével marca negativa. No sábado, quando a revista Veja noticiou que a corrupção corria solta na cúpula da pasta, Dilma mandou Nascimento afastar de imediato os quatro servidores de sua confiança que teriam ligações com o esquema - o que criou a expectativa de que o próprio ministro perderia o cargo em seguida. Seria a ordem natural das coisas, ainda que ele não figurasse entre os envolvidos por atos alegadamente praticados do outro lado da parede do seu gabinete e não fizesse por merecer o que dele afirmou há tempos o governador Cid Gomes, do Ceará: "Inepto, incompetente e desonesto".

Ontem cedo, porém, o Planalto informou que Nascimento não só continua contando com a confiança da presidente, como ainda foi por ela incumbido de chefiar a apuração das malfeitorias no núcleo central do Ministério. Em vez de dar motivo para se evocar a metáfora da raposa e do galinheiro, esperava-se de Dilma que mandasse os órgãos apropriados investigar as denúncias e, no mínimo, adotasse o método Itamar, lembrado nos necrológios do ex-presidente: afastem-se os suspeitos enquanto as acusações contra eles são apuradas e sejam reempossados se a sua inocência for provada. A decisão de Dilma foi um baque para quem quer que imaginasse que, contrastando com as hesitações expressas nas suas idas e vindas em questões de interesse do governo, ela não vacilaria diante de uma denúncia de corrupção na sua administração - o primeiro escândalo do gênero a vir à luz neste seu meio ano de mandato.

A complacência da presidente trouxe de volta o padrão lulista de lidar com problemas dessa ordem: passando a mão na cabeça, como dizia a oposição, dos companheiros e aliados enredados em maracutaias. O PR de Nascimento - cujo secretário-geral é o notório deputado Valdemar Costa Neto, réu no processo do mensalão - é parceiro fiel de Lula desde a sua primeira eleição presidencial. E o suplente de Nascimento no Senado, João Pedro, compartilhou com o então presidente memoráveis pescarias no Amazonas. Lula teria imposto o seu nome para ocupar a cadeira de Nascimento no Senado, caso ele se afastasse. O que cuidou que acontecesse o indicando para o ministério onde Dilma o mantém. Com isso, aparentemente, teria evitado se atritar com o mentor e criar um novo contencioso na base, desta vez com os 40 deputados e os 6 senadores "republicanos".

O ato indefensável da presidente também surpreendeu os que achavam que ela procurava um pretexto para se livrar do ministro. Ainda na Casa Civil, quando Nascimento ocupou o mesmo cargo no governo Lula, ela o havia acareado com representantes do Tesouro para tirar a limpo a sua alegação de que o PAC não andava porque o dinheiro para as obras não saía. Caso a caso, os fatos o desmentiram. Já presidente, Dilma teria tido conhecimento de traficâncias na pasta - supõe-se até que o próprio governo teve parte na sua divulgação. E não se trata de quirera: R$ 1 bilhão para fazer 270 km de estrada, por exemplo. Seguindo a fórmula clássica, cobravam-se propinas dos interessados em abocanhar obras, superfaturavam-se os custos e permitia-se aos beneficiados engordar os contratos com aditivos. As comissões cobradas variam de 4% (das empreiteiras) a 5% (dos projetistas).

O grosso do butim iria para o caixa 2 do PR. Uma parcela ficava para ser rateada entre os seus parlamentares dos Estados onde se faziam as obras. O mentor da operação seria o deputado mensaleiro Valdemar Cosa Neto. Seus parceiros, o chefe do gabinete de Nascimento, Mauro Barbosa da Silva, e o assessor Luiz Tito Bonvini. Um seria o "dono da chave", de acordo com a revista. O outro, o "homem da pasta". Além deles, foram afastados de seus cargos o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, Luiz Antônio Pagot, e o presidente da Valec Engenharia, José Francisco das Neves, o Juquinha. Eles saírem e Nascimento ficar, ainda por cima com a missão de "coordenar" a apuração das denúncias, é uma aberração. Depois dessa estreia, não se vê como Dilma se livrará do estigma de tolerar corrupção.

Nota do Editor: O ministro Alfredo Nascimento foi incumbido pela presidente Dilma Rousseff da espinhosa missão de investigar ele mesmo. Quando o folclórico presidente da França, Charles de Gaulle, disse: "o Brasil não é um país sério", houve quem discordasse. Outros contestaram a fala: ele nunca disse isso. Fico pensando com meus botões: se não disse deveria ter dito. O Brasil não é um país sério. (Sidney Borges)

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Manchetes do dia

Terça-feira, 05 / 07 / 2011

Folha de São Paulo
"Chávez volta, mas diz que só venceu a 1ª etapa"

Após tratar de câncer em Cuba, presidente retorna de surpresa à Venezuela

Um mês após deixar a Venezuela e poucos dias depois de revelar que tem câncer, o presidente Hugo Chávez voltou a Caracas e apareceu na sacada do palácio presidencial. De uniforme militar, Chávez puxou o hino nacional, relata a correspondente Flávia Marreiro. No discurso à multidão, Chávez falou de pé. Depois de 20 minutos, sua voz começou a falhar, e após meia hora a multidão gritou "que descanse!". Ele não revelou detalhes sobre o câncer, mas anunciou uma "segunda etapa [de combate], que já começou, e uma terceira".

O Estado de São Paulo 
"Ministro fica, mas Dilma usa crise para trocar equipe de Lula" 

Após escândalo, Controladoria-Geral promete apuração, mas órgão está com processos parados há 2 anos

A presidente Dilma Rousseff decidiu manter Alfredo Nascimento no Ministério dos Transportes, dois dias depois da divulgação de supostas irregularidades e superfaturamento em órgãos ligados a pasta. Em nota, o Planalto informou que Nascimento conduzirá as investigações. Dilma usou a crise para, no fim de semana, demitir o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot, e o presidente da Engenharia, Construções e Ferrovias S. A. (Valec), José Francisco das Neves. A presença de ambos no governo não agradava a presidente, mas eles foram aceitos porque haviam sido nomeados por Lula. A Controladoria-Geral da União (CGU) anunciou um pente-fino nos contratos e obras do Ministério dos Transportes. Na CGU, a área é alvo, há dois anos, de 168 processos disciplinares de fiscais e auditores.

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segunda-feira, julho 04, 2011

Cabral, "o sério"...


Nas asas de Eike

Dono de um patrimônio avaliado em 30 bilhões de dólares, apontado pela Revista Forbes como a 8ª pessoa mais rica do mundo, o empresário Eike Batista pode emprestar a quem quiser seu jato Legacy de 26 milhões de dólares. Mas nem todo mundo pode aceitar o empréstimo. Como homem público, o governador Sérgio Cabral, por exemplo, não poderia.

Sabia-se que em outubro de 2009, Cabral voou no jato de Eike para assistir em Copenhague ao anúncio da escolha do Rio como sede das Olimpíadas de 2016.
Soube-se que ele voou no mesmo jato para passar recente fim de semana em Porto Seguro, que culminou com a queda de um helicóptero e a morte de sete pessoas.

Agora se ficará sabendo que pelo menos uma outra vez Cabral voou à custa de Eike. No mesmo Legacy. E que não foi um vôo de ida e volta a algum lugar.

Foi um vôo cheio de idas e voltas. Um vôo excepcional. Que mobilizou o jato de Eike durante uma semana. E que provocou uma canseira braba nos pilotos.
Dia 3 de dezembro do ano passado.

Jordana Cavendish, mulher do empresário Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta Construções, e de contratos com o governo do Rio no valor de R$ 1 bilhão, seu filho de três anos de idade e a babá do menino, estavam de malas prontas para voar em avião comercial com destino a Nassau, nas Bahamas, paradisíaco arquipélago do Caribe.

Adriana Ancelmo, mulher de Cabral, com seus filhos Thiago e Mateus e duas babás, também ia para Nassau e resolveu convidar Jordana para formarem um grupo e viajarem juntas no jato de Eike. Convite aceito, o grupo decolou do aeroporto Santos Dumont por volta das 20h.

Fernando Cavendish, sua mãe, a filha mais velha, o secretário de Saúde do Rio, Sérgio Côrtes, e mais a sogra de Côrtes, a mulher, duas filhas e duas babás seguiram em vôo comercial, que correu sem incidentes.

O jato de Eike, com Adriana, Jordana, filhos e babás, posou em Manaus para que os passageiros apresentassem os documentos de saída do Brasil. E aí...

Aí deu rolo.

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Opinião

Um político singular

O Estado de S.Paulo - Editorial
Itamar Franco entra para a história como figura absolutamente singular. Nenhum outro presidente brasileiro fez tanto, em tão pouco tempo, em condições políticas e econômicas tão difíceis e sem violar uma única regra democrática. Derrubado o presidente Collor, em dezembro de 1992, ele assumiu o posto no meio de uma crise gravíssima, com a administração federal em frangalhos, a economia devastada por uma inflação sem freios e o País sem crédito. Jamais seria censurado se apenas mantivesse o Brasil funcionando e entregasse a faixa, dois anos depois, a um sucessor com capital político suficiente para enfrentar as tarefas mais duras. Mas seu roteiro foi outro. Quando ele deixou o posto, a hiperinflação havia sido vencida e o governo executava o mais criativo e bem-sucedido plano de estabilização econômica posto em prática no Brasil. Mas era preciso consolidar a conquista e o ministro encarregado de comandar a elaboração e a implantação do plano foi seu sucessor.

Coragem, clareza e simplicidade nas ações políticas marcaram sua passagem pela Presidência. Ao iniciar o mandato, pediu a demissão de todos os ministros e recompôs o primeiro escalão segundo seu julgamento. Em 1993 entregou o Ministério da Fazenda a um sociólogo famoso, com passagem pelo Senado e pelo Itamaraty, mas nenhuma experiência na administração econômica. Foi o primeiro passo para a elaboração do Plano Real, o controle da moeda e a reforma das finanças públicas.

Itamar levou para a chefia da Casa Civil um respeitado funcionário da Câmara dos Deputados, Henrique Hargreaves. Acusado de irregularidades, Hargreaves deixou o cargo, em acordo com o presidente, para melhor se defender. Inocentado, reassumiu o posto. O exemplo dado por Itamar nesse episódio foi muito lembrado nos últimos oito anos quando figuras importantes do governo foram envolvidas em grandes escândalos. Mas não foi seguido. Se alguém se afastou ou foi demitido, foi só quando sua posição se tornou insustentável e perigosa para seu chefe.

Em sua última passagem pelo Senado, o ex-presidente manteve suas características bem conhecidas. Marcou presença nas atividades rotineiras do Congresso de modo firme, claro e minucioso. "Suas questões de ordem, formuladas com segura obstinação, causavam furor. Sem ele, o dia a dia do Senado - perdoem-me os colegas - fica mais banal", comentou o senador Aloysio Nunes Ferreira. Esse retalho de memória descreve com precisão o comportamento habitual de Itamar Franco.

As mesmas qualidades tornaram Itamar Franco admirável e o expuseram a críticas. Sua determinação se expressou ora como firmeza, ora como teimosia. Nem todos concordaram com seu nacionalismo às vezes fora de propósito e exacerbado. Em janeiro de 1999, em meio a grave crise cambial, Itamar, governador de Minas, declarou moratória da dívida estadual, complicando uma situação nacional já muito difícil.

Como outros ex-presidentes, Itamar permaneceu no dia a dia da política, em vez de se afastar e assumir um lugar no panteão de quem já passou pelo posto mais alto do País. Poucos teriam, tanto quanto ele, as condições morais para o papel de conselheiro e de servidor suprapartidário, reservado para funções de interesse do Estado. Mas ele permaneceu na arena política, disputou indicações, mudou de partido e não parou sequer depois de completar o mandato de governador de Minas. O Brasil, é justo reconhecer, não perdeu com isso. Ao contrário, pôde beneficiar-se de sua teimosia e de sua lisura ainda por alguns anos.

O Brasil é hoje certamente melhor do que era antes de Itamar Franco exercer a Presidência da República. A vitória contra a inflação fortaleceu a economia, abriu caminho para a redução das desigualdades e estabeleceu as bases para o crescimento seguro. Tudo isso mudou a imagem externa do Brasil e elevou o autorrespeito dos brasileiros. Os passos decisivos dessa enorme transformação foram dados em apenas dois anos, num ambiente extremamente desfavorável. Haver governado o Brasil nesse período extraordinário bastaria para construir a reputação de qualquer pessoa. Mas Itamar Franco ainda se distinguiu por algo mais: terminou a carreira de homem público teimoso, determinado e briguento sem uma única mancha em sua reputação.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 04 / 07 / 2011

Folha de São Paulo
"Saúde perde R$ 12 bi por maquiagem de Estados"

Levantamento mostra que contas incluem até despesas com a polícia

Os Estados maquiaram seus gastos com saúde em R$ 11,6 bilhões entre 2004 e 2008, segundo levantamento do governo. O artifício foi usado para cumprir a emenda 29 da Constituição, que obriga a gastar 12% na área. Despesas com Previdência, polícia e saneamento foram contabilizadas na rubrica saúde. O valor equivale a 10% do gasto declarado no período (R$ 115 bilhões). Minas é o campeão dos gastos inflados na lista. Dos R$ 2,7 bilhões declarados, R$ 835,4 milhões foram desconsiderados. O governo mineiro diz seguir a lei. Secretário do Rio Grande do Sul, segundo no ranking, confirma a maquiagem. Parlamentares querem especificar o que é gasto em saúde, mas o governo resiste por temer que terá de elevar os repasses. 

O Estado de São Paulo 
"Projeto reduz rombo da Previdência pela metade" 

Proposta transfere a conta das isenções fiscais concedidas por ministérios, aliviando orçamento da Pasta

O déficit da Previdência pode ser reduzido à metade se for aprovado projeto de lei que desconcentra as contas do setor devolvendo a cada ministério o rombo das renúncias de receita hoje contabilizadas no Ministério da Previdência, informa Lu Aiko Otta. O projeto, ainda não enviado ao Congresso, retira da Pasta um impacto de perdão fiscal que de janeiro a maio somou R$ 8,9 bilhões. O saldo negativo das contas previdenciárias no período foi de R$ 7,8 bilhões. O buraco das isenções ocorre em áreas como Educação, Saúde, Desenvolvimento Social e até no Ministério da Fazenda. Em busca de competitividade, a Fazenda liberou empresas de agronegócio exportador do repasse de R$ 1,1 bilhão ao INSS. Na Educação, o buraco do corte de impostos para entidades filantrópicas no período foi de R$ 3 bilhões.
 
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4 de julho!

domingo, julho 03, 2011

Quem é o culpado?

Brasil 0 x 0 Venezuela
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Sidney Borges
Antes de iniciarmos os trabalhos futebolísticos proponho um minuto de silêncio em homenagem à saúde do bravo presidente do país vizinho, Hugo Chávez. Força aí hombre!
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O que aconteceu em campo hoje não tem nada a ver com o que os especialistas estão dizendo, tem até gente querendo a volta de Dunga e do Felipe Melo, este para dar porrada nos adversários e mostrar que macho que é macho não come mel, chupa abelha. Precisamos ter paciência com o time do Mano, pois mano que é mano não sai por aí dando tiro em aves, especialmente nas que grasnam. Vou explicar por que a bola estava tão arisca, na verdade nem parecia bola, lembrava mais um tiê-sangue, vermelho como o coração de Fidel Castro. Passa o tiê, a gente vê e não sabe se viu ou se foi ilusão de óptica.
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Neymar pouco fez, parecia perdido com seu penteado de galo da campina, enquanto a ala palmípede do "scratch", como se referem os hermanos ao time do Brasil, Pato e Ganso, na beira da lagoa, esperavam o final. Ganso ficou, Pato saiu calado, olhando aqui e acolá e não dando um mísero quem-quem aos torcedores - quem foi o f.d.p. que tirou o trema? Mano, que tal convocar a Marta? Quem sabe um ataque Neymar e Marta marque. Gol. Goooool de Neymarta! Poderiam cruzar os dois para melhorar o plantel.
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Carlito Tevez disse que o Corinthians é melhor do que a seleção da Argentina. O Corinthians certamente é melhor do que a seleção da Venezuela. E o Brasil, é melhor do que o Corinthians?
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De tudo o que aconteceu hoje em campo podemos ter uma certeza: futebol é uma caixinha de surpresas.
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Opinião

Panes nas telecomunicações

O Estado de S.Paulo - Editorial
Preocupado com a queda da qualidade dos serviços das operadoras de telecomunicações, o governo começa a cobrar delas mais investimentos. Para os usuários que enfrentam problemas cada vez mais frequentes em decorrência de panes nos serviços de telefonia, fixa ou móvel, e de internet, a iniciativa é mais do que necessária.

O acúmulo de reclamações na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mostra que os usuários estão utilizando o meio de que dispõem para exigir das operadoras que cumpram o que prometeram em contrato, mas a ocorrência mais frequente de problemas, alguns de grande extensão e longa duração, indica que a atuação da agência reguladora não tem sido suficiente para conter a deterioração dos serviços.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse ao Estado que já entrou em contato com a Anatel para aumentar a fiscalização das empresas telefônicas e cobrar delas providências para que problemas enfrentados pelos usuários não se repitam.

Das companhias, o governo está exigindo mais investimentos, em volume que pelo menos acompanhe o crescimento de sua base de clientes.

A cobrança é procedente. Um exemplo claro é o da telefonia móvel. No ano passado, enquanto a base de clientes das operadoras aumentou 16,6%, chegando a 202,9 milhões de linhas, os investimentos das empresas diminuíram 2,4%, ficando em R$ 8,3 bilhões. Esse valor é 15% menor do que o pico dos investimentos, de R$ 9,8 bilhões, registrado em 2004.

Os investimentos totais das operadoras alcançaram R$ 17,4 bilhões no ano passado, 3,6% mais do que o total investido em 2009, mas 28,1% menos do que os investimentos de 2001. Em 2010, a receita bruta das empresas cresceu mais do que os investimentos, tendo sido 4,2% maior do que a de 2009.

O governo identifica no baixo volume de investimentos a causa de panes sucessivas registradas nos últimos tempos. Em pouco mais de um mês, a Intelig, empresa pertencente à TIM, teve três panes. O Speedy, serviço de internet de banda larga da Telefônica, deixou de atender seus assinantes no dia 13 de junho, dois anos depois de a empresa ter sido punida pela Anatel, que a impediu de vender os serviços por um determinado período, em razão de pane em seu sistema. A Nextel teve problemas no Rio de Janeiro, no dia 10.

No momento, o que preocupa o governo é o risco de a perda de qualidade dos serviços de telecomunicações afetar o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), que tem como meta ofertar banda larga de 1 megabit por segundo a R$ 35 por mês em todos os municípios brasileiros.

Para o ministro Paulo Bernardo, as empresas precisam melhorar a gestão e investir mais não apenas para evitar a deterioração dos serviços que prestam aos usuários, mas também para atender à demanda crescente, como decorrência do aumento do poder aquisitivo da população. "As pessoas querem o serviço, mas não querem só telefone; querem internet junto, seja telefone fixo ou móvel", exemplificou.

As operadoras não aceitam as críticas do governo. Alegam que os problemas ocorridos nos últimos meses são localizados e que têm investido o suficiente para assegurar a expansão de sua base de assinantes sem perda de qualidade do serviço. Apontam três motivos para os investimentos crescerem menos do que o número de clientes.

Graças à evolução tecnológica e à queda da demanda nos países industrializados, os equipamentos estão ficando mais baratos, dizem elas. O câmbio permite que, com a mesma quantidade de reais, se comprem mais equipamentos importados. Por fim, dizem que os investimentos maiores são feitos no momento da instalação da rede, não na sua expansão, como agora.

Para o presidente da Associação dos Engenheiros de Telecomunicações, Ruy Bottesi, a infraestrutura não está preparada para suportar o ritmo de crescimento e as operadoras só investem depois que o sistema está congestionado. Quaisquer que sejam as razões, os serviços estão piorando, o que mostra a necessidade de uma ação mais eficaz do governo e da Anatel.

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