sábado, julho 02, 2011

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Opinião

Governo e BNDES recuam

O Estado de S.Paulo - Editorial
Depois de elogiar enfaticamente o projeto de fusão entre o Pão de Açúcar e o Carrefour, o governo decidiu ser mais cauteloso nas manifestações de apoio ao negócio. A presidente Dilma Rousseff e seus assessores parecem haver percebido mais claramente o perigo de se envolver numa transação desse tipo - sujeita à disputa judicial e à contestação pelos órgãos de defesa da concorrência. Está em jogo muito mais que os R$ 3,9 bilhões da possível participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nessa operação. Um erro de avaliação poderá lançar o governo em sérias dificuldades legais e impor um alto custo político à presidente.

A decisão de agir com maior prudência está claramente refletida em uma "nota de esclarecimento" publicada pelo BNDES. A nota, divulgada na quinta-feira, enfatiza dois pontos: 1) a fusão deve ocorrer por meio de uma oferta "não hostil" e ser aprovada por todas as partes envolvidas; 2) o banco "reitera seu compromisso com a estrita observância das leis e dos contratos". Em outras palavras, o BNDES condiciona sua participação no negócio a um prévio entendimento entre o empresário Abilio Diniz e o Grupo Casino, seu atual sócio francês no Grupo Pão de Açúcar. Dirigentes do Casino acusam Diniz de violar o acordo de associação e de agir ilegalmente ao negociar a fusão com o Carrefour. A segunda condição mencionada no texto da nota do BNDES é uma alusão a este conflito. Segundo o Grupo Casino, o sócio brasileiro fere uma regra estabelecida na constituição da Wilkes, a holding controladora do Pão de Açúcar. Nenhuma das partes, alegam os sócios franceses, poderia negociar um acordo com potencial para afetar o controle da companhia brasileira. Advogados do grupo francês levaram esse lembrete ao BNDES.

O banco havia divulgado na terça-feira um primeiro comunicado sobre seu possível envolvimento na fusão. Segundo o informe, o BNDES havia enquadrado para análise uma operação equivalente a até 2 bilhões, "relativa ao projeto de internacionalização do Grupo Pão de Açúcar". No fim do comunicado havia apenas uma breve referência aos demais participantes: "A operação também deverá ser aprovada pelas demais companhias envolvidas". Apenas dois dias depois a diretoria do banco achou conveniente divulgar a "nota de esclarecimento", para afirmar seu cuidado com "a estrita observância das leis e dos contratos".

Dirigentes do BNDES e autoridades do primeiro escalão do Executivo cometeram indisfarçável imprudência ao apoiar a fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour. Deixaram-se envolver antes de avaliar com um mínimo de serenidade e bom senso as implicações do negócio. Como não dispunham de argumentos sensatos para defender a operação, expuseram-se ao ridículo com alegações absurdas e tolas. A mais espantosa foi apresentada pela ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Não seria, segundo ela, usado dinheiro público na transação, como se o BNDES e o BNDESPar, seu braço de investimentos, trabalhassem com recursos privados.

Falta saber se o governo decidiu fazer apenas um recuo tático, diante da péssima repercussão do negócio, ou se passará de fato a avaliar com mais cuidado o seu envolvimento na fusão dos dois gigantes do varejo. Nenhuma autoridade precisará de muito esforço para perceber as contraindicações: nada justifica o envolvimento do poder público num negócio tipicamente privado e sujeito a importantes complicações legais. Menos ainda se justifica a intromissão do Palácio do Planalto, por meio de um banco público, para defender os interesses estritamente particulares de um empresário brasileiro.

Mas a presidente Dilma Rousseff deveria aproveitar a oportunidade para uma revisão geral dos critérios seguidos pelo BNDES nos últimos anos. O banco tomou rumo perigoso, aplicando somas enormes em empreendimentos sem real valor estratégico para o Brasil, apoiando estatais e outras grandes empresas capazes de levantar financiamentos no mercado e funcionando como instrumento de centralização do poder econômico. As melhores e mais ambiciosas intenções da presidente Dilma Rousseff jamais serão satisfeitas com essa política.

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Manchetes do dia

Sábado, 02 / 07 / 2011

Folha de São Paulo
"Camareira muda versão, e ex-chefe do FMI é libertado"

Suposta vítima mentiu em depoimento, diz Procuradoria de NY; eventual absolvição pode alterar corrida eleitoral francesa

O ex-diretor-gerente do FMI Dominique Strauss-Kahn, acusado de atacar sexualmente uma camareira de hotel em Nova York em 14 de maio, foi liberado da prisão domiciliar, devido a dúvidas sobre a credibilidade da suposta vítima. Ele teve retirada a tornozeleira eletrônica e receberá de volta US$ 6 milhões pagos em fiança. O tribunal de Nova York decidiu soltar Strauss-Kahn após a Procuradoria dizer que a camareira mentiu sobre detalhes ocorridos após o suposto ataque e sobre seu passado.


O Estado de São Paulo 
"BNDES admite deixar fusão no varejo" 

Pressionado, banco diz que só discutirá injeção de até R$ 4,5 bi no negócio entre Pão de Açúcar e Carrefour se sócios se entenderem

O BNDES ameaça abandonar a fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour se não houver acordo entre Abílio Diniz e seu sócio, o grupo francês Casino. É uma estratégia de saída do banco estatal, que vem sendo criticado por ter se comprometido a analisar um aporte de até R$ 4,5 bilhões na fusão. Ontem e anteontem, o BNDES divulgou duas notas à imprensa dizendo que o apoio ao projeto se baseia na premissa do “entendimento amigável entre os atores privados". Os dois lados envolvidos na disputa estão fazendo pressão no banco. Ontem, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, se reuniu com Abílio, preocupado com o possível recuo. Ao aceitar avaliar a fusão entre o Pão de Açúcar e os ativos do Carrefour no Brasil, o BNDES foi envolvido em uma disputa societária.
 
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sexta-feira, julho 01, 2011

Spacca

Coluna do Celsinho

Manias ubatubenses

Celso de Almeida Jr.
Não sou sociólogo.

Minha sogra é.

Não quero, entretanto, incomodá-la com temas arrepiantes.

Pareceria pegadinha de genro, comprometendo a boa relação.

Restou, portanto, ao paciente leitor, auxiliar-me na tarefa.

Numa correspondência eletrônica, sugeri a um amigo atenção às manias ubatubenses.

Terríveis manias.

Desconfiança.
Aí tem...

Desinteresse.
Um aplauso aqui. Um elogio ali. E cada um por si...

Preguiça.
Melhor deixar como está...

Intriga.
Há uma jogada maior nesta história...

Gula.
Quanto é que eu levo?

Identifiquei estas, com as quais trombei muitas vezes, na curiosa jornada da vida.

Não enumero as boas manias. Justificar que são muitas, soaria cinismo.

Não registro mais defeitos. Pareceria mau humor.

Cinismo e mau humor não são manias ubatubenses, certo?

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Opinião

Cresce o endividamento familiar

O Estado de S.Paulo - Editorial
O brasileiro está ganhando mais e o mercado de trabalho continua aquecido - o que indica situação tranquila quanto a emprego e renda nos próximos meses -, mas está devendo proporcionalmente mais e a qualidade de sua dívida está piorando. É cada vez maior a parcela da dívida contraída para pagar dívidas antigas, os juros representam mais da metade do saldo devedor e, assim, é cada vez menor a fatia do endividamento devida a novas compras.

Esse quadro, descrito em reportagem de Márcia De Chiara publicada segunda-feira no Estado, indica uma mudança na qualidade e na finalidade da dívida dos brasileiros.

Até há pouco, estimuladas pelo bom desempenho do mercado de trabalho, as pessoas físicas tomavam empréstimos para comprar bens e serviços, o que aquecia a economia. Mas o volume total de empréstimos contraídos por elas cresceu bem mais depressa do que sua renda. Assim, sua capacidade de endividamento diminuiu e aumentou sua dificuldade para o pagamento dos empréstimos já contraídos, razão pela qual as instituições financeiras estão examinando com mais rigor o cadastros das pessoas físicas.

A dívida total das famílias - que inclui saldo devedor do cartão de crédito e do cheque especial, financiamento bancário, crédito consignado, crédito para compra de veículos e imóveis - corresponde a 40% da massa anual de salários e dos benefícios pagos pela Previdência Social, de acordo com estudo da LCA Consultores. O volume total alcançou R$ 653 bilhões em abril deste ano (contra R$ 524 bilhões em abril do ano passado), e corresponde a 4,8 meses do rendimento do trabalho e dos benefícios previdenciários recebidos pela população.

Outro estudo confirma o aumento do endividamento das famílias. Uma pesquisa da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP) constatou que, de janeiro a maio deste ano, em média, 64% das famílias que vivem nas 27 capitais do País tinham dívidas, contra 61% em igual período do ano passado. Aumentou também o valor médio da dívida, que passou de R$ 1.298 para R$ 1.527 por família. Ou seja, há mais famílias endividadas e, em média, elas estão devendo mais do que no ano passado.

Em 2010, o aumento da dívida das famílias deveu-se ao bom desempenho da economia, que cresceu 7,5%, o melhor resultado desde 1986, ano do Plano Cruzado. Os bancos, de sua parte, facilitaram os empréstimos, com a oferta de juros menores e prazos maiores. Nos últimos meses, porém, a dívida passou a crescer por outros motivos.

As medidas de aperto do crédito tomadas pelo Banco Central (BC) no fim do ano passado, para conter o crescimento do consumo e aliviar as pressões sobre os preços, provocaram uma mudança notável na composição e no impacto da dívida das famílias. Antes, o crédito estimulava as compras. Agora, cresce a dívida, mas as vendas do comércio, sobretudo a partir de março, apontam para uma forte desaceleração do consumo.

O que tem aumentado a dívida é a fatia dos juros que a compõe. Em abril do ano passado, os juros representavam 54% da dívida total; em abril último, a fatia dos juros tinha aumentado para 60% do total. "Com as medidas macroprudenciais do BC do fim de 2010 e a alta dos juros básicos, a dívida total aumentou puxada neste ano pelos encargos financeiros", diz o economista Wermeson França, responsável pelo estudo da LCA.

As linhas de crédito que mais crescem são o cheque especial e o cartão de crédito, que, por serem as mais caras do mercado, geralmente só são utilizadas em situações de emergência. O economista Altamiro Carvalho, da Fecomércio-SP, diz que as famílias estão assumindo novos empréstimos para rolar dívidas anteriores, pois o volume total de crédito cresce, mas o comércio mais dependente de financiamento - como bens duráveis, entre os quais eletroeletrônicos, móveis e veículos - não cresce na mesma velocidade, e até diminui em alguns casos.

São indicações de que, nos próximos meses, o crédito estimulará menos o consumo, como quer o BC, mas a inadimplência tende a crescer, embora não se preveja um quadro explosivo.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 01 / 07 / 2011

Folha de São Paulo
"De Havana, Chávez conta pela TV que tem câncer"

Presidente da Venezuela afirma que tumor foi extraído e que luta pela vida

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse ontem à noite, em pronunciamento feito em Havana (Cuba) e transmitido pela TV, que sofre de câncer e trava uma "batalha pela vida". Até ontem, o governo venezuelano afirmava que o diagnóstico de Chávez era o de um "abscesso pélvico" (acúmulo de pus) e que o presidente estava em "franca recuperação". 

O Estado de São Paulo 
"Banda larga popular começa a ser oferecida em outubro" 

Acordo do governo com operadoras de telefonia prevê assinatura mensal de R$ 35, para serviço fixo ou móvel

As empresas de telefonia começarão a oferecer, a partir do início de outubro, serviço de acesso rápido à internet a preço baixo para os consumidores. O compromisso para efetivar o Plano Nacional de Banda Larga, uma das promessas de campanha da presidente Dilma Rousseff, foi assinado ontem e anunciado pelo ministro Paulo Bernardo (Comunicações). A assinatura mensal de R$ 35 é o preço que será cobrado pelas empresas, independentemente de o serviço disponível ser de banda larga fixa ou móvel. Bernardo disse que o usuário não estará obrigado a contratar outros serviços, como uma linha de telefone fixo, para ter acesso à banda larga popular. Os serviços, porém, terão um limite para baixar arquivos da internet (download), que variam de acordo com a proposta de cada empresa.
 
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quinta-feira, junho 30, 2011

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Opinião

A ''missão heroica'' dos aloprados

O Estado de S.Paulo - Editorial
O ministro petista da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, invocou matreiramente o passado para se defender das acusações do companheiro Expedito Veloso, publicadas pela revista Veja, que reabriram o escândalo dos aloprados - a sórdida tentativa de vincular o candidato tucano ao governo paulista em 2006, José Serra, a um negociante envolvido com a chamada máfia das ambulâncias. A ideia era divulgar um dossiê que comprovaria a suposta vinculação, para tentar impedir a vitória de Serra, que afinal se consumou, sobre o seu adversário do PT, o mesmo Mercadante.

Deu tudo errado, como se sabe - daí o termo pejorativo que o então presidente Lula utilizou para ridicularizar, sem porém condenar, os operadores da armação. Eles foram apanhados pela Polícia Federal com R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo para comprar a documentação fajuta. Mercadante nega até hoje que soubesse da tramoia ou a tivesse autorizado - não obstante o seu condutor fosse ninguém menos do que o braço direito do petista na campanha, Hamilton Lacerda, de quem se livrou mais do que depressa. O caso parecia destinado ao abarrotado arquivo morto das baixezas políticas nacionais, quando, no fim da semana atrasada, vieram a público as afirmações incriminadoras sobre Mercadante.

Ex-diretor do Banco do Brasil, atual secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico do governo do Distrito Federal, Expedito Veloso, em conversas que não sabia estarem sendo gravadas e que considerou "um desabafo", disse que o hoje ministro participou pessoalmente da decisão de comprar o material que poderia mudar o rumo da eleição estadual, pela desmoralização do favorito Serra. Ainda segundo Veloso, Mercadante até teria se incumbido de obter uma parte da dinheirama junto ao chefe peemedebista Orestes Quércia; em troca, ele ficaria com um naco de um eventual governo petista em São Paulo. O político peemedebista faleceu em dezembro último.

Escaldado pela sina do ministro Antonio Palocci, defenestrado do Planalto por ter tardado a explicar o seu súbito e fabuloso enriquecimento - e, quando o fez, não convenceu -, Mercadante tomou ele próprio a iniciativa de aproveitar uma exposição na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, anteontem, para contestar a versão de Veloso. Foi então que buscou arrimo no passado. De um lado, ao invocar o parecer da Procuradoria-Geral da República, segundo o qual não havia no inquérito dos aloprados "um único elemento" que o ligasse ao esquema, razão por que o Supremo Tribunal Federal mandou arquivar o caso.

De outro lado, para culpar a ditadura pela propensão dos companheiros, passadas duas décadas da redemocratização, a fazer literalmente qualquer negócio para vencer os embates políticos. "Naquele período" - e ele certamente se referia à luta armada contra a ditadura - teorizou o ministro, "quem estava dentro de uma organização (achava que) tinha direito de fazer o que tivesse de fazer" para cumprir o seu "papel histórico". Assaltar bancos, assassinar adversários, assim como sequestrar embaixadores eram as "missões heroicas". Já nos tempos do PT funcionando como oposição em pleno regime democrático, a "missão heroica" passou a ser as "caixinhas", nos governos municipais conquistados pelo partido, para financiar a conquista legal do poder central.

Finalmente, conquistado o poder central, a mesma mentalidade leva os petistas a crer que têm "uma missão heroica para fazer", em defesa do partido "criminalizado pela imprensa". Essa - segundo Mercadante - teria sido a gênese do frustrado contra-ataque do dossiê antitucano.

Ou seja, ele recorre a decisões judiciais datadas para se inocentar e constrói uma teoria estapafúrdia para não parecer que está condenando a companheirada. Acredite quem quiser que, no lamaçal do dossiê, ele foi o único a se manter limpo, pela elementar razão de que ignorava o que se passava no centro de sua campanha. Se soubesse, vai sem dizer, enquadraria os heróis aloprados sem pestanejar. Por que então não processa logo o seu acusador, em lugar de remeter a decisão para quando "acabar de apurar tudo o que aconteceu"?

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 30 / 06 / 2011

Folha de São Paulo
"Hacker violou e tenta vender e-mails de Dilma"

Mensagens da época da campanha foram oferecidas à oposição e ao jornal

Um hacker invadiu o correio eletrônico pessoal de Dilma Rousseff (PT) durante a campanha do ano passado e copiou cerca de 600 e-mails recebidos pela então candidata, relatam Rubens Valente e Matheus Leitão. Localizado em Taguatinga (DF), o rapaz de 21 anos, que se identificou apenas como "Douglas" e disse estar desempregado, tentou vender os arquivos para políticos do DEM e do PSDB, mas não obteve sucesso.

O Estado de São Paulo 
"Ministro ataca bancos por não apoiarem fusão no varejo" 

BNDES atua no caso Pão de Açúcar-Carrefour porque setor bancário privado ‘não faz sua parte', diz Pimentel

Diante das reações negativas em relação à participação do BNDES numa possível fusão entre a grupo Pão de Açúcar e a parte brasileira do Carrefour, o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) decidiu atacar as bancos privados. “Tudo seria resolvido se o setor financeiro privado do Brasil fizesse a papel dele, que é financiar o capital brasileiro. Como ele não faz isso, a BNDES tem de atuar”. O BNDES informou anteontem que poderá participar com até R$ 4,5 bilhões na transação. O banco não comenta a assunto, alegando sigilo bancário, mas quer que o negócio seja visto como um investimento. O setor de alimentos teme o poder de pressão que a rede varejista resultante da fusão terá para negociar contratos. Já, as entidades de defesa do consumidor projetam aumento dos preços.
 
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quarta-feira, junho 29, 2011

São Pedro pescador


É dia de festa no mar!
 
José Ronaldo dos Santos
Bem ali, no começo da estrada, depois da capela N.S. das Dores na praia entre o Acarau e o Itaguá, no ano de 1980, encostei-me numa roda de causos debaixo de um abricoeiro. Bons homens! Autênticos caiçaras! Lá estavam: Sebastião (o “Velho Rita”), Davi Alexandrino, Lauro Bourget, Janguinho, Élvio, Acari, Juraci e mais alguns. Olhavam o mar enquanto escutavam, contavam e davam boas gargalhadas.

Era dia de procissão em louvor a São Pedro Pescador. No lagamar, junto com alguns jovens e crianças, estava o professor Joaquim Lauro dando os últimos retoques em algumas embarcações para a festa no mar. Colavam bandeiras, faziam arcos de bambus; faziam varais de panos de redes onde dependuravam estrelas do mar, bocarras de caçoas e arranjos de conchas. Que empolgação!

Nessa ocasião, depois de escutar o Janguinho explicando a cerimônia religiosa em alto mar, principalmente a benção dos anzóis e das redes, quis saber mais coisas. Por isso eu o acompanhei até a sua casa, na entrada para a praia do Tenório, para escutar mais um pouco, me preparar melhor para aproveitar o máximo do ato da tarde, da festa do padroeiro dos pescadores. A partir de uma fotografia antiga (e com a ajuda da dona Santana, a parteira), o bom homem assim explicou:

- Este é o padre Lino dos Passos, um caiçara. Na década de 1930, querendo incrementar o feriado, em cima de quatro grandes canoas, entre a prainha do Padre e o Cruzeiro, teve a ideia de montar uma estrutura interessante: num tablado de 5m x 5m, com um altar e a imagem do padroeiro, celebrou uma missa. O morro, a boca da barra e a praia ficaram lotados de fiéis. Também à sua volta, conforme a fotografia em preto e branco, o mar coalhava de canoas. Era clara demonstração da religiosidade dos caiçaras.

Hoje, apesar da devoção, a procissão dos barcos é apelo cultural. Faz parte do calendário turístico do município. É pena que os limites da ignorância, principalmente de muitos que dependem da pesca, não contribuam para que ela cresça e atraia mais turistas para a nossa cidade. Em datas assim sinto falta do exemplo do professor Joaquim Lauro, natural da cidade de Lorena, mas em tão grande estágio de interação cultural que até suplantava muitos caiçaras. Quem não reconhece que as regatas de canoas foi iniciativa dele?

Neste Dia de São Pedro Pescador, em cada pessoa engajada para a realização da procissão marítima eu vislumbro a imagem do empolgado professor. E concluo: é festa do povo que os afastamentos parciais promovidos pelas denominações religiosas estão matando. Será que não está passando da hora de deixar aflorar a criatividade, o prazer de festejar como uma única cultura?

Viva São Pedro!

Viva o povo deste lugar!

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Opinião

Exorbitâncias do BNDES

O Estado de S.Paulo - Editorial
Mais uma vez o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está pronto para se meter numa aventura perigosa, injustificável sob todos os pontos de vista e claramente estranha - para não dizer contrária - ao interesse público. A instituição poderá aplicar uma soma equivalente a até 2 bilhões no projeto de fusão dos Grupos Pão de Açúcar e Carrefour, anunciado ontem oficialmente em São Paulo e em Paris. Aquele valor apareceu num breve informe divulgado ontem pelo banco. A fusão, segundo a nota do BNDES, abrirá caminho para maior inserção de produtos brasileiros no mercado internacional.

A justificativa é tão frágil e tão ou mais absurda do que as alegações apresentadas para seu envolvimento nas incursões internacionais do Frigorífico JBS e no socorro a outros grandes grupos brasileiros. Mas há várias novidades na operação agora em estudo. Se for concretizada, o maior banco de desenvolvimento do mundo ajudará um grupo estrangeiro a unir-se a um nacional numa fusão potencialmente danosa ao consumidor, sujeita a restrições dos órgãos de defesa da concorrência e passível de contestação pelo grupo francês Casino, atual sócio do Pão de Açúcar.

Segundo a Estater, empresa financeira responsável pela estruturação do negócio, o BNDESPar, braço de investimento do BNDES, entrará com 1,7 bilhão. A direção do banco, aparentemente, está disposta a um envolvimento maior, porque a nota de ontem menciona a aplicação possível de até 2 bilhões. De acordo com a informação divulgada pela Companhia Brasileira de Distribuição, sócia brasileira do Pão de Açúcar, o BNDES entrará com R$ 3,91 bilhões e o outro novo sócio, o Banco BTG Pactual, com R$ 690 milhões.

O BNDES já se meteu em vários negócios em que nunca deveria ter entrado e, além disso, tem privilegiado, em seus financiamentos, alguns dos maiores grupos do País, apesar de serem capazes de obter créditos privados tanto no exterior quanto no mercado financeiro nacional. Algumas das aventuras mais notórias foram as operações com grandes frigoríficos. Um deles enfrentou, depois, dificuldades financeiras. O outro se meteu em conflito com sócios na Itália, teve problemas nos Estados Unidos e precisou converter em ações as debêntures entregues ao banco.

Até aqui, o BNDES fez um papel deplorável em sua tentativa - a expressão é do economista Rodrigo Constantino - de criar uma Boibrás. A tentativa foi duplamente grotesca. Primeiro, porque a pecuária brasileira ganhou importância mundial, já há vários anos, sem esse tipo de intervenção. Segundo, pela incompetência negocial na condução dessas operações.

Mas o banco se meteu em outras aventuras, como o apoio à fusão de grandes grupos industriais em apuros. Como emprestador, já deixou ao relento muitas empresas pequenas e médias, preferindo favorecer as grandes e menos necessitadas de empréstimos oficiais, incluída a Petrobrás. De janeiro a abril deste ano, grandes empresas ficaram com 55% do valor desembolsado em financiamentos, mas esse dinheiro correspondeu a apenas 6% das operações.

Desta vez a diretoria do banco se dispõe a assumir riscos especialmente grandes. Juntos, Pão de Açúcar e Carrefour passarão a ter 1.202 pontos de atendimento em 178 municípios espalhados pelo País e controlarão 27% do setor de supermercados. Em defesa da fusão, o empresário Cláudio Galeazzi, sócio do BTG, cita o Grupo Walmart, que detém 32% do mercado americano e por isso ofereceria preços mais baixos. Resta ver a avaliação das condições de mercado pelos especialistas americanos.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) já examina vários casos de concentração no varejo, alguns com participação do Pão de Açúcar. Além disso, os efeitos da fusão serão analisados provavelmente sob a perspectiva regional e não só nacional. Mas o negócio envolve também outro tipo de riscos. Segundo dirigentes do Casino, a fusão viola um acordo assumido pelos acionistas brasileiros do Pão de Açúcar. Nada justifica o envolvimento do banco estatal e é até difícil entender o interesse de seus dirigentes. Agem por sua conta ou cumprem ordens? Seria oportuna uma resposta da presidente Dilma Rousseff.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 29 / 06 / 2011

Folha de São Paulo
"BNDES libera R$ 4 bi para Abílio comprar o Carrefour"

Empresa resultante dominaria 32% do setor supermercadista; sócio do Pão de Açúcar promete veto

O empresário Abílio Diniz se associou ao banco BIG Pactual e ao BNDES para comprar as operações do Carrefour no Brasil. A negociação foi conduzida sem a participação da francesa Casino, sócia do grupo Pão de Açúcar, que é contrária à fusão e pretende utilizar seu poder de veto para inviabilizar o acordo.

O Estado de São Paulo 
"Fusão de Pão de Açúcar e Carrefour pode ter até R$ 4,5 bi do BNDES" 

Na proposta anunciada, o banco estatal pode entrar com a maior parte dos recursos

O BNDESPar, braço de investimentos do BNDES, e o BTG Pactual anunciaram ontem uma proposta de fusão entre o Grupo Pão de Açúcar e a operação brasileira do grupo francês Carrefour que seria financiada, em sua maior parte, com recursos do banco estatal. O valor do negócio é de R$ 5,6 bilhões. O BNDES considera a possibilidade de gastar sozinho até R$ 4,5 bilhões. Essa participação resulta da preocupação do governo com a ameaça de desnacionalização do varejo no Brasil, principalmente o de alimentos, com a perspectiva do grupo francês Casino de assumir o controle do Pão de Açúcar em 2012. Na fusão, o Casino ficaria com participação reduzida.
 
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Mesopotâmia

terça-feira, junho 28, 2011

Rio de Janeiro

O rei está nu!

Do Ex-Blog do Cesar Maia

O que se espera de um governo? Que, pelo menos, suas funções precípuas mostrem uma curva de expansão e melhoria. Durante as campanhas eleitorais, as promessas focalizam estas funções precípuas: educação, saúde, transportes, segurança, infraestrutura, em nível das responsabilidades constitucionais dos Estados. Quatro anos e meio depois, nada ocorreu de substantivo. Ao contrário: em todos os casos houve regressão.

A Educação Estadual-ensino médio, seu ensino fundamental, o ensino técnico- foi classificada em penúltimo lugar entre os Estados brasileiros pelo MEC. Os anúncios de concursos eram simplesmente falsos e a contratação se concentrava em terceirizações de todos os tipos. O Globo, semana passada, em meio à maior greve do magistério estadual dos últimos anos, informou que 30% dos professores estaduais recebem 765 reais de salário básico. Depois de 3 secretários de educação, o que se vê é a falência do sistema.

A Saúde Pública, desde a eleição de 2006, trouxe como carro chefe as UPAs. 4 anos depois, os dados do ministério da saúde mostram uma queda no número de atendimentos ambulatoriais na saúde básica. Espalharam containers e, como mostrou o RJ-TV-2 de sexta-feira passada (24), não há equipes. Oscilam entre terceirizações e uso de bombeiros (que entram e renunciam), e nada funciona. Os fogos de artifício de 2007, em relação aos hospitais, conformam hoje um passivo abandonado. E até hospitais fechados.  A Saúde Pública estadual faliu.

A Segurança Pública se resumiu a ocupações de algumas comunidades controladas por traficantes, o que é positivo, pois gera cidadania. Mas, como diz o próprio secretário, não é repressão ao tráfico de drogas e, por isso mesmo, os traficantes são avisados antes para saírem, evitando confronto com vitimas inocentes. Os furtos e roubos continuam no mesmo patamar. Os estupros cresceram, as mortes sem causa identificada dobraram, colocando em cheque os próprios números de assassinatos. Os problemas envolvendo desvios de conduta chegaram ao primeiro escalão. Os sistemas básicos de segurança pública não avançaram. Restou um fator lateral, mesmo que importante, fora dos sistemas básicos de segurança.

O Sistema de Transportes mostra o transporte sobre trilhos em regressão, com problemas todos os dias. O uso metropolitano de um só bilhete, cujos dados estão sempre ocultos, atingiu de fato, menos de 10% dos usuários. Não há transparência quanto a usuários e valores pagos às empresas de ônibus, o que permitiria uma avaliação efetiva.

Nenhuma obra relevante de infraestrutura ocorreu nas áreas de saneamento e transportes. Nessa, o compromisso básico era a ligação sobre trilhos entre Itaboraí, São Gonçalo, Niterói e Rio, licitada ainda antes do atual governo, e criticada pelo tribunal de contas.  A omissão do governo estadual foi total, sequer para realizar as correções sugeridas. A única obra relevante começou agora, com vistas aos JJOO-2016: o metrô Barra-Zona Sul. E, assim mesmo, aproveitando uma licitação de 1997, ajustando-a e ainda sem definir o trecho e o prazo Gávea-Zona Sul.

E, sobre todas elas, a discriminação contra os servidores, contra seus direitos e com aviltamento de suas remunerações. Para não corrigir vencimentos, usam as gratificações como fanfarras. Com isso, discriminam os proventos, os atuais e os futuros, que não incorporam essas gratificações. As greves e mobilizações dos bombeiros e professores deram luz a isso tudo. E, finalmente, o episódio recente, dando luz às relações íntimas com empresários que mantêm importantes negócios com o estado, trouxe a tona a questão ética, que muito se dizia e pouco destaque obteve até aqui. Até aqui...
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Opinião

Um brasileiro na FAO

O Estado de S.Paulo - Editorial
A diplomacia brasileira conseguiu sua primeira grande vitória política em oito anos e meio, com a eleição de José Graziano da Silva, criador do Programa Fome Zero, para a direção-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Agricultura e a Alimentação (FAO). Foi uma vitória apertada - 92 votos contra 88 conferidos ao diplomata espanhol Miguel Ángel Moratinos - conseguida graças à mobilização de países em desenvolvimento. O combate à fome é prioridade oficial de várias entidades multilaterais, como o Banco Mundial (Bird) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), empenhados em socorrer as populações mais afetadas. O Grupo dos 20 (G-20), formado pelas maiores economias do mundo, incluiu o problema dos preços e da segurança alimentar em sua agenda.

Os preços dos alimentos subiram muito e tornaram-se especialmente instáveis a partir de 2006, afetando severamente as populações de países pobres e dependentes da importação de comida. As cotações atingiram o pico em 2007 e 2008. Caíram nos dois anos seguintes - continuando acima dos níveis anteriores à grande alta - e voltaram a subir no começo de 2011. O número estimado de famintos passou de 820 milhões em 2007 para mais de 1 bilhão em 2009 e recuou depois para cerca de 900 milhões, segundo a FAO e outras entidades multilaterais. O cenário poderá piorar. Até 2019, segundo projeções recentes, os preços da maior parte dos alimentos deverão permanecer em níveis superiores aos da década anterior à crise de 2007-2008.

Graziano terá de enfrentar questões políticas e econômicas muito mais complexas que as da pobreza brasileira. Sua experiência recente como representante da FAO para a América Latina e o Caribe pode ter sido uma boa preparação para o novo posto. Isso se verá adiante.

Ao assumir o cargo, nesta segunda-feira, seu primeiro pronunciamento foi marcado por alguns velhos tiques. Ele gastou fôlego, por exemplo, criticando o controle do mercado de sementes por algumas multinacionais. O assunto pode render uma boa discussão, mas é irrelevante para a análise da situação das centenas de milhões de famintos.

Com ou sem esse "monopólio", o acesso à comida seria difícil para as populações mais pobres do mundo, porque as causas de sua miséria são de outra natureza, como a instabilidade política, as ditaduras sanguinárias - algumas muito bem tratadas pelo grande cabo eleitoral de Graziano, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - e a baixa produtividade na maior parte da África e nas áreas mais pobres da Ásia e, em muito menor proporção, das Américas.

A mesma insistência em meia dúzia de temas impediu Graziano e outros petistas de perceber, durante anos, as transformações da agricultura brasileira. Num documento de 2001, ele mencionou a seguinte "constatação", como se fosse uma novidade: "O problema da fome, hoje, não é de falta de produção de alimentos, mas da falta de renda para adquiri-los". Isso poderia ser novidade para ele e para alguns companheiros, mas não para quem havia acompanhado a modernização da agropecuária brasileira. O próprio presidente Lula, ao assumir o governo, ainda falava em exportar só os "excedentes", como se houvesse escassez de alimentos. Em pouco tempo ele abandonou essa tolice. Os programas de transferência de renda e a elevação do salário real melhoraram a situação dos mais pobres, embora tenham sido insuficientes para capacitá-los a viver por seus meios.

O combate à fome nas áreas mais pobres do mundo será uma tarefa muito mais complicada, porque falta - e provavelmente ainda faltará por longo tempo - o respaldo de agriculturas nacionais produtivas e institucionalmente protegidas.

De toda forma, o governo brasileiro tem uma vitória para comemorar. A diplomacia petista foi derrotada nas eleições para a direção-geral da Organização Mundial do Comércio, para a presidência do Banco Interamericano do Desenvolvimento e para a Secretaria-Geral da Unesco, a Organização das Nações Unidas para a Educação e a Cultura, além de ter sido incapaz de mobilizar apoio latino-americano para sua pretensão de ocupar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Pode ser sinal de uma nova fase.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 28 / 06 / 2011

Folha de São Paulo
"Dilma volta atrás e abre orçamentos de obras da Copa"

Alteração na medida provisória vai permitir o acesso de tribunais de conta às planilhas desde o início de projeto

O governo federal voltou atrás e decidiu alterar a medida provisória sobre licitações da Copa-2014 e da Olimpíada-2016. Os ajustes vão permitir acesso permanente dos tribunais de contas as planilhas e imediata divulgação dos orçamentos após a entrega dos lances. Esses foram exatamente os pontos mudados há duas semanas, pouco antes da votação do texto na Câmara, conforme revelou a Folha.

O Estado de São Paulo 
"Dilma manda base aprovar sigilo em todas as licitações" 

Presidente quer generalizar modelo de concorrência da Copa e da Olimpíada, como antecipou o 'Estado'

A presidente Dilma Rousseff anunciou ontem a ministros que quer que o Regime Diferenciado de Contratações (RDC) - destinado a licitar mais rapidamente serviços e obras - substitua a Lei das Licitações. A intenção foi revelada pelo Estado no dia 18. O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), foi orientado por Dilma a discutir no Congresso a forma mais viável de fazer a alteração. Uma possibilidade é incluir as mudanças em projeto já aprovado na Câmara e que aguarda votação no Senado desde junho de 2009, cujo relator é Eduardo Suplicy (PT-SP). A medida provisória que trata do RDC foi aprovada na semana passada pela Câmara. As emendas devem ser votadas hoje. Aliados criticaram o texto. 
 
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segunda-feira, junho 27, 2011

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Opinião

Sinal vermelho na Petrobrás

O Estado de S.Paulo - Editorial
O Conselho de Administração da Petrobrás rejeitou pela segunda vez, na semana passada, o Plano de Negócios para o período 2011-2015, que previa mais US$ 25 bilhões de investimentos, além do plano atualmente em execução (2010-2014), de US$ 224 bilhões. Outras propostas da diretoria da Petrobrás para viabilizar o aumento do volume de investimentos também foram recusadas, obrigando a empresa a reavaliar centenas de projetos em pauta, como mostrou reportagem de Irany Teresa e Sérgio Torres, no Estado (18/6, B1).

Dia 13 de maio, a diretoria da Petrobrás já havia apresentado o Plano 2011-2015, sem divulgar valores. O Conselho de Administração rejeitou o plano, pedindo à diretoria da empresa metas mais realistas de investimento, que, ademais, deveriam ter retorno assegurado.

Pelo plano analisado e rejeitado na semana passada, a Petrobrás pretendia que os preços dos combustíveis fossem aumentados em 10%, sem afetar o consumidor, pois haveria concomitante redução da Contribuição de Domínio Econômico (Cide). Ou seja, o Tesouro abriria mão de arrecadação para permitir que a Petrobrás dispusesse de mais recursos para aplicar. A recusa mostrou que a Fazenda não quer cortar as próprias receitas para favorecer a Petrobrás.

Outra proposta rejeitada foi a de transferir a frota de novos navios da subsidiária Transpetro para a empresa Sete Brasil, da qual a Petrobrás participa com apenas 10% do capital, sendo 90% divididos entre os fundos de pensão Previ, Petros, Valia e Funcef e os Bancos Bradesco e Santander. Segundo a reportagem citada, a presidente Dilma Rousseff teme o esvaziamento da Transpetro e do Programa de Modernização da Frota (Promef). A Sete Brasil passaria a controlar 49 embarcações, cuja construção já foi contratada ou será licitada no âmbito do Promef.

A imposição de limites aos planos da Petrobrás se deveria ao fato de a empresa estar atuando em muitas frentes ao mesmo tempo - a exploração do pré-sal, a construção de três novas refinarias, a compra ou aluguel de equipamentos de perfuração e produção em águas profundas, gasodutos, superpetroleiros, petroquímica, geração de eletricidade e transporte de etanol e biodiesel. "O staff técnico da Petrobrás estaria sobrecarregado no esforço para operar tantos projetos grandes e complexos", afirmou o jornalista Norman Gall, diretor do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, em artigo no Estado (B15, 19/6).

A Petrobrás não se aproveitou da alta do petróleo para mais de US$ 100 o barril, neste ano, e que gerou aumento do valor das áreas de exploração futura, como os campos do pré-sal. As ações ordinárias e preferenciais da empresa negociadas em bolsa no País e no exterior caíram entre 14% e 15%, neste ano, contrastando com os papéis de outras grandes companhias petrolíferas. Em 2010, a capitalização da Petrobrás já havia provocado a diluição do capital dos acionistas minoritários e redução dos dividendos.

A estatal tem metas ambiciosas para 2020: produzir 5,4 milhões de barris/dia do óleo bruto ou gás equivalente e 3,4 milhões de barris/dia de refinados. Mas, para cumpri-las, depende do resultado dos investimentos em curso nas áreas do pré-sal, pois já enfrenta o problema do esgotamento de grandes áreas de exploração.

É o caso dos campos gigantes de Marlim e Marlim Sul - este foi responsável, isoladamente, por 13% da produção da empresa no ano passado. Na Bacia de Campos, que responde por 44% da produção doméstica, o esgotamento se dá à taxa de 10% anuais, informou Gall.

A Petrobrás não deverá ter, como no ano passado, nem acesso a novos recursos de investidores privados nem à fartura de verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). E ainda terá de se sujeitar aos cortes de gastos - especialmente de investimentos - determinados pelo ajuste fiscal do primeiro ano do governo Dilma Rousseff.

O ministro da Fazenda e presidente do Conselho da Petrobrás mostrou o sinal vermelho. O governo quer mais eficiência da estatal, à qual caberá eleger os investimentos prioritários - e espera-se que sejam na produção.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 27 / 06 / 2011

Folha de São Paulo
"Sob pressão, seguradoras reembolsam mais o SUS"

Após um ano, governo federal volta a cobrar de empresas ressarcimento

A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) arrecadou de janeiro a maio deste ano R$ 25 milhões como ressarcimento por internações em hospitais públicos dos detentores de planos de seguradoras privadas, relata Dimmi Amora. Esse valor é superior à soma dos anos de 2008, 2009 e 2010. Foram cobrados R$ 97 milhões ao todo. A diferença não foi paga ou está sendo contestada na Justiça. O governo voltou a notificar as empresas em julho passado. A ANS ficou, entre 2008 e 2009, sem cobrar os planos, o que gerou alerta do TCU (Tribunal de Contas da União) e multa à agência. A expectativa é que os valores possam aumentar. O valor de notificações emitidas desde 2006 alcança R$ 933 milhões. 

O Estado de São Paulo 
"PSD busca se viabilizar com caciques de outros partidos" 

Projeto de Gilberto Kassab aposta em lideranças estaduais e em governadores de outras legendas

O novo PSD, concebido como projeto político paulista e pessoal do prefeito Gilberto Kassab, nasce como um ajuntamento de sublegendas de caciques tradicionais da política nos Estados. É a partir da força local de lideranças regionais e de governadores de PMDB, PT, PSDB, PSB, PMN e DEM que Kassab e seus operadores constroem a sigla nacional. Líderes do DEM e do PSDB apostam que a PSD terá dificuldades para sair do papel e torcem pelo fracasso da operação. No registro da nova legenda no cartório eleitoral dois meses atrás, 33 deputados de 12 siglas anunciaram a adesão e assinaram o documento. A primeira grande tarefa da legenda é obter 500 mil assinaturas de apoio. O futuro secretário-geral do PSD, Saulo Queiroz, diz que já há 580 mil, mas a meta é chegar a 750 mil assinaturas. 
 
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domingo, junho 26, 2011

Arcimboldo

O bibliotécario - 1566

Coluna do Mirisola

O cão da meia-noite

"Ser gay hoje em dia é a mesma coisa que servir ao exército em outros tempos: quase que uma obrigação moral e cívica"

Marcelo Mirisola*
Quase nove da noite, eu estava lá no Estadão comendo um sanduíche de pernil e tentando lembrar o título de um conto do Marcos Rey. Era a história de um detetive que seguia um cachorro boêmio, a sanha do cara era eliminar o vira-latas, algo assim.

Se não me engano, o detetive (talvez não fosse um detetive...)  atendia no edifício São Vito, extinto treme-treme localizado na Baixada do Glicério, perto do Mercadão. Pois bem, eu estava em paz e respirava a fumaça noturna de São Paulo, eu & meu sanduíche de pernil, quase feliz da vida e outra vez intrigado com a gíria local dos manos. É curioso como eles trasladaram (e assassinaram) o erre de ponta de língua - típico paulistano macarrônico dos anos 50 - prum lugar que é a mistura de uma Pirituba ressentida com ônibus lotado, como se fosse o esmegma de um sotaque, como se urubus falassem a língua do bota-fora. Tá certo que aquele erre estalado era ridículo, mesmo assim, não me acostumo, e me sinto excluído, menos paulistano por causa disso.

Aí, aparece um casal que não era bem um casal, eu e o chapeiro olhamos pra eles. Uma bicha velha que usava um cabelo verde estilo Pica-Pau e ao lado dele(a) uma das mulheres mais gostosas que apareceram  no Estadão no último milênio. A bicha se irritou, e logo apontou o dedo.

– Tá olhando o quê?

O chapeiro fingiu que não era com ele. Eu, que não queria confusão, pensei: “Ora, tô olhando a bunda da gostosa que você não vai comer” ... mas respondi algo mais ou menos parecido com: “sua namorada é linda”. A bichona, provavelmente censurando meus pensamentos, resmungou:

- Isso é preconceito.

Acionei meu amigo,MM, e falei comigo mesmo: “Ué, elogiar é preconceito? Olhar a bunda de uma mulher gostosa é preconceito? Se fosse a bunda dessa bicha velha, tudo bem?”.

Depois de fazer essas conjecturas, e de ignorar solenemente o piti da bichona -  que  ameaçou me denunciar(?!) e que usava coturnos pink e que também carregava dois peitões de airbegue - terminei o sanduba de pernil, paguei a conta e fui encontrar meu amigo Paulinho de Tharso num boteco da Martins Fontes, ali do lado.

São Paulo me dava boas-vindas.  A recepção, porém, me deixou de saco cheio. Ser gay hoje em dia é a mesma coisa que servir ao exército em outros tempos: quase que uma obrigação moral e cívica. Em 1985, último ano da ditadura, fui desligado do exército por incompetência física e insubordinação. Passei uma semana preso, humilhado e incomunicável. Só não peço uma indenização porque orgulho não é moeda de troca. Não tenho vocação para respeitar autoridades, hierarquias, códigos e regimentos, não estou nem aí com pitis e chiliques, podem vir de um general do exército, de um mano das quebradas ou de uma Drag-Queen. E é claro que, pelos estatutos de qualquer um deles,sempre estarei errado e sujeito às penalidades de suas leis. Imagino que um sanduíche de pernil ou uma ruga maligna e canastrona que se levante da minha testa é o suficiente para me acusarem de racista, homofóbico e terrorista.

No problem
. Tô na boa, porque não sou nada disso (apenas um pouco terrorista),  mas sou culpado sim – e essa culpa me dá tesão. Meu crime foi ter nascido na época errada. Talvez seja molecagem. Mas, pensando bem, em qualquer época e circunstância, eu não resistiria à subversão. Fazer o quê?  Ora,eu olho pra bunda das gostosas. Tudo começou quando me expulsaram do colégio adventista, eu tinha apenas 12 anos de idade e era um garoto bonitinho; fui expulso e convidado a me retirar de tantos lugares, terreiro de macumba, masmorra sadomasoquista, Parque da Mônica, Florianópolis, persona non grata na Flip e nos editais da Petrobrás, fui corrido até do bar dos Parlapatões porque pedi um chorinho no Jack para as mocinhas delicadas que tomaram posse do estabelecimento. A lista é imensa.

O único jeito de solucionar o caso era matar o vira-latas, acho que sim. Só não entendo a associação que Marcos Rey ajambrou entre a ronda do cachorro pelas boates da boca do lixo e o próximo crime. Talvez o detetive fosse um obcecado, um místico a serviço da Cargill, sei lá. Nem sei se o cara era detetive. De qualquer modo, sou a favor de matar cães, sobretudo aqueles que latem – e principalmente os chiuhauhas. Associação é um treco que cada um faz do jeito que achar melhor, e geralmente funciona se o sujeito tiver talento para se levar a sério e, consequentemente, iludir-se a si mesmo. Daí para iludir os outros é moleza. Freud era mestre: O Futuro de uma ilusão é um chute atrás do outro. Prefiro mil vezes Marcos Rey. Quem souber mais detalhes da história do detetive(?) que encomendou a morte do vira-latas pros porteiros da romântica “boca” de idos tempos , por favor, entre em contato.

Chegando no buteco da Martins Fontes, recebo a notícia de que um traveco caiu do Redondo, mais um. Normal. Vai ter churrasco elétrico George Foreman na casa da Fernandinha no próximo sábado. Aqui em Sampa não sabemos assar uma carne, mas nossas minas, branquelas e comedoras de pizza, têm os melhores pneuzinhos abdominais do planeta. Meu amigo de fé e irmão camarada, Paulinho de Tharso, que – vejam só a coincidência - estudou no mesmo colégio adventista e que também foi convidado a se retirar de lá nos anos setenta, me esperava do outro lado do balcão. Acabava de ser expulso do Marajá. “Cazzo, Paulinho! O Marajá é nosso QG! Que houve?”  “Uma tentativa de cantar a garota da mesa ao lado.” “Só isso, Paulinho?” “Não, eu citei Lorde Byron”. Essas coisas que me faziam falta no Rio, ah, São Paulo! O que mais?  Reagi a um assalto e fui bem sucedido – botar o vagabundo pra correr foi umas das melhores sensações da minha vida. Mas não tentem fazer isso em casa nem na rua.

São Paulo cospe seus entes queridos, a gente vai embora, pragueja a cidade, amaldiçoa o trânsito, e respira sua poluição, mas sempre acaba voltando, assim mesmo, no gerúndio. Arnesto mora no Brás. A Roosevelt, todavia, não é mais a mesma. Com a mudança do Sebo do Bactéria para o mundo virtual, aquilo perdeu toda e completamente a graça. O lugar deu uma atucanada braba: corre que o PSDB meteu o bico por lá, rolou muito dinheiro, revitalização ad perpetaum rei memoriam (leia-se: um factóide que não acaba nunca mais); no lugar do improviso, o casual premeditado: confete e arte pra todo mundo, consta que, agora, vender a alma é sinônimo de qualidade de vida, postura mesmo, que emana credibilidade e crédito. A ordem, a hierarquia e a disciplina dos milicos foi substituída pela “dignidade” dos gays, mudaram apenas a acusação e o dedo em riste, quem era “comunista” virou  “preconceituoso”. Se no futuro chifres forem trocados por asas, eu quero ser um lambari. Marião garante que rock and roll é coisa de velho decrépito,concordo.

Uma vez escrevi que não conseguia atravessar uma rua sem meus preconceitos, contudo os motivos eram outros –  não lembro quais, mas asseguro que não tinham a mínima importância. Taí a chave da coisa, quem quiser entender,ótimo.

A vida segue no centrão de São Paulo, na mesma toada. E eu também continuo o mesmo, a diferença é que envelheci vinte anos em cinco (conforme atesta a foto acima) e, além de estar velho e acabado, poderia acrescentar que a guerra perdida começa agora mesmo, cheguei tranqueirada, estou de volta.

Tenho quase certeza de que Marcos Rey meteu um camelô corcunda nesse imbróglio só de sacanagem, e esse sujeito esquivo espreitava o cão da meia-noite, cão, maldito cão, cujo nome era Augusto. 

* Considerado uma das grandes revelações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.

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Opinião

Itália e Brasil, aproximações

Luiz Sérgio Henriques - O Estado de S.Paulo
Trocas, aproximações e empréstimos entre Brasil e Itália são mais do que naturais, à direita e à esquerda. Para não ir muito longe, e apontando só um fato decisivo na construção do Brasil moderno, foi no fascismo e na Carta del Lavoro que o Estado Novo se inspirou para regular corporativamente a economia e a vida associativa, disciplinando o mercado de trabalho e organizando, "pelo alto", a passagem para uma sociedade urbano-industrial de massas.

O fascismo, com sua retórica nacionalista, tinha óbvias pretensões imperiais e expansionistas. Encontrou tempestivamente antagonistas à altura. Limitando-me ao universo comunista - pois o antifascismo teve também vibrantes colorações liberal-socialistas e católicas -, Antonio Gramsci e Palmiro Togliatti souberam ir além da superfície de fatos e figuras. Mussolini, para eles, não era só um ditador caricato, "carismático", nem o fascismo um conjunto um tanto cômico de ritos e manipulações de massa. Eram, ditador e regime, a forma possível de modernização de um país da periferia, um país, além do mais, de constituição tardia, em que os "subalternos" haviam tido historicamente imensas dificuldades de se incorporar ao Estado, democratizando-o num sentido verdadeiramente moderno.

Com Gramsci e, especialmente, Togliatti, que a ele sobreviveria até 1964, imaginaram-se políticas de frente ampla contra o fascismo, regime que afinal levaria o país à catástrofe da guerra. E, tal como o nosso Partido Comunista Brasileiro (PCB), o Partido Comunista Italiano (PCI) participaria da feitura da Constituição que marca o "renascimento": uma Constituição que a partir de então afirma a República Italiana como "fundada no trabalho", um sinal distintivo da força dos comunistas na resistência e na reconstrução, ao lado das demais forças democráticas, inclusive moderadas.

Interrompe-se aqui o paralelo. As vicissitudes da guerra fria levariam o PCB à clandestinidade, limitando - mais do que a existência de um partido específico e suas possibilidades de amadurecimento - a própria trajetória constitucional brasileira do pós-guerra. Do outro lado do Atlântico, no entanto, crescia e se firmava uma singular experiência do comunismo fora do poder, mas com imensa capacidade de representar e dar dignidade ao mundo do trabalho num país que era uma das fronteiras sensíveis entre os blocos hostis da guerra fria.

Indispensável lembrar que, nos anos 1970, do velho PCI e das suas lutas nasceria uma expressão muito difundida e que, a meu ver, permanece como um dos emblemas deste início de século. De fato, um grande dirigente, como Enrico Berlinguer, abalava desde os seus fundamentos a matriz bolchevique, ao apontar a "democracia (política) como valor universal". Eram os tempos do "eurocomunismo", cuja força expansiva, num determinado momento, chegaria a influenciar fortemente uma corrente do velho PCB, auxiliando na compreensão da complexidade das coisas brasileiras e na afirmação da política - e não da aventura militar - como a via real para a superação do segundo surto ditatorial da nossa modernização.

Nem o PCI nem esse PCB existem mais. Neste tempo vertiginoso em que nos toca viver, identidades políticas e ideológicas caducaram, e caducam, irreversivelmente. A revolução neoliberal e o colapso do comunismo histórico moldaram estes últimos 30 anos, para o bem e para o mal. A vida social fragmentou-se, o mundo do trabalho foi desarticulado e se viu na defensiva, com o esvaziamento das suas formas associativas tradicionais. Simultaneamente, uma nova humanidade parece nascer: a vida em rede, a comunicação instantânea e horizontal põem em contato realidades distantes, mostrando o que têm em comum e tornando-as, precisamente, momentos distintos desta nova humanidade em construção.

Basta um clique e nos vemos, por exemplo, diante de um dos mais célebres jornais da esquerda, o L"Unità, "fundado por Antonio Gramsci". Tomamos conhecimento das desventuras recentes de um político extremamente perigoso, como Silvio Berlusconi, derrotado em eleições locais até mesmo na sua "capital", Milão. O berlusconismo, versão de um populismo autoritário que prometia uma espécie de "revolução liberal", parece estar em declínio e, como consequência, abrem-se novos horizontes para a Itália progressista de Gramsci e Norberto Bobbio, de Togliatti e Pietro Nenni, de Aldo Moro e do catolicismo do "diálogo".

À frente das oposições, um partido que é, rigorosamente, uma obra em construção: o Partido Democrático (PD), cujo eixo é a alma reformista do PCI. Com ele, estamos muito distantes - felizmente! - do marxismo-leninismo e suas florações tardias. De fato, o PD aparece como tentativa de construir síntese nova entre diferentes reformismos, abrangendo ainda o socialismo liberal e o catolicismo democrático. Assim, não é a expressão de uma ideologia total, mas antes demonstra aguda percepção dos limites da política, que não pode pretender ordenar autoritariamente a vida social, arregimentando-a à moda do fascismo ou - o que é particularmente doloroso - do stalinismo.

A derrota de Berlusconi e o caminho afirmativo do PD são razões para acreditar que pode haver uma inflexão positiva nestas duas grandes crises sobrepostas, a italiana e a europeia, cheias de risco para um modo de vida que costumamos condensar nas ideias de liberdade e bem-estar social.

Em tempo: neste artigo, feito de paralelos esparsos, cabe lembrar que a Itália democrática, a partir do presidente Giorgio Napolitano, deplorou a não extradição de um personagem do assalto às instituições promovido pelo extremismo dos anos de chumbo. Sinal, talvez, de que a corrente principal da esquerda brasileira ainda se mostra simbolicamente suscetível à tentação daquilo que, em paráfrase, poderíamos chamar de doença senil do comunismo.

TRADUTOR E ENSAÍSTA. É UM DOS ORGANIZADORES DAS OBRAS DE GRAMSCI EM PORTUGUÊS SITE: WWW.GRAMSCI.ORG

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Manchetes do dia

Domingo, 26 / 06 / 2011

Folha de São Paulo
"Novo terminal de Cumbica atenderá 19 milhões ao ano"

Ampliação quase dobra a capacidade do aeroporto; Infraero estima que 40% da obra estará concluída até o final de 2013

O novo terminal do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP), terá 230 mil m² e poderá receber 19 milhões de passageiros por ano, informa Morris Kachani. A ampliação quase dobra a capacidade do aeroporto, que atualmente está em 20,5 milhões por ano. A Infraero prevê que 40% do terminal esteja pronto no fim de 2013, o que permitiria atender 10 milhões de passageiros antes da Copa-14 - os outros 60% ficariam para depois. O desenho, do escritório Mario Biselli e Artur Katchborian, com Gicele Alves, lembra um avião.

O Estado de São Paulo 
"Teles ganham clientes, mas não investem e panes crescem" 

Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, reconhece que há problemas e cobra providências da Anatel

O investimento das operadoras de telecomunicações não acompanha o crescimento do número de clientes, o que tem levado a frequentes panes nos serviços de telefonia e internet. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, cobrou medidas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), informam Karla Mendes e Renato Cruz. Na telefonia móvel, a base de clientes avançou 16,6% em 2010 e o investimento caiu 2,4%. A situação se repete em outras áreas. Para o ministro, é preciso exigir qualidade. “As empresas são as maiores interessadas nisso, porque o mercado tem demanda”. Operadoras afirmam que investem o suficiente e os problemas são pontuais. 
 
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