sábado, junho 11, 2011

Ipiranguinha


Aperfeiçoando o espaço

José Ronaldo dos Santos
O bairro cresce constantemente. Recebe pessoas de muitas partes: de outros bairros, de outras cidades, de outros Estados... e até de outros países! Estou me referindo ao Ipiranguinha, no lado Oeste do município. Por isso é natural que se busque ordenar o espaço para torná-lo habitável e sociável; com estrutura minimizadora de conflitos, acidentes etc. Nessa direção, a mudança no trânsito da Rua da Cascata contribui muito, pois o volume de veículos, ciclistas e pedestres é demais para ser racionalizado numa via estreita, com calçadas irregulares, movimento de alunos e com pessoas que não aprenderam a se comportar adequadamente no espaço que também é do outro. Porém, eu quero contribuir com mais alguns aspectos, pois a polêmica continua a respeito das mudanças na referida rua.

A administração centralizada e a associação de moradores precisam pensar e  agir nos seguintes aspectos:

1º) As ruas de saídas (Frei Tarcísio e Promessa) devem receber melhoramentos: mais acessos, pavimentação adequada, pontes, sinalização e outros.

2º) O final da Rua Beira Rio precisa receber uma ponte caprichada para fazer a conexão Cascata-Frei Tarcísio-Jardim Ipiranga, garantindo assim uma maior vazão do trânsito.

3º) A ponte próxima da escola Mario Covas deve ser duplicada  com qualidade para evitar desgostos futuros.

4º) Os usuários de ônibus necessitam de abrigos no novo trajeto da linha local. A propósito, reivindico um que há muito tempo faz falta para o setor dos Coqueirais, pois o que “salva a situação” é o telhado do portão do Convento, mas isso é uma coisa que há muito tempo não deveria ser assim. Ainda: a empresa que tem o monopólio do transporte coletivo no município deve estar repensando a dinâmica de funcionamento, ou seja, para efeito de controle das viagens, a catraca deveria ser “fechada” no começo da Rua da Cascata, podendo receber passageiros para o percurso que desde então seria considerado o retorno para o Centro. É o que evitaria deslocamentos desnecessário dos usuários.

5º) Estender a Rua da Promessa até o encontro com o Bosque dos Coqueirais. Afinal, o espaço desocupado existe. Basta ativar o jurídico da prefeitura, usar a justiça a favor de um bairro que merece melhorias. Não é justo que proprietários, movidos por interesses X, Y ou Z, criem barreiras para a solução de problemas de uma sociedade tão grande como o do Ipiranguinha.

6º) Investir na educação do futuro das criancinhas desde o primeiro momento escolar: ensiná-las sobre trânsito, viver em sociedade, respeitar e promover a natureza, ter uma vida de hábitos saudáveis etc. E, aos adultos, insistir nas orientações, vigilância e sanções cabíveis nas inflações (que são muitas e evidentes!).

Enfim, cada morador decente, honesto, trabalhador, sonhador e justo deve crescer na convicção de que vale a pena viver no Ipiranguinha e lutar para melhorá-lo.

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Opinião

Nova trapalhada do MEC

O Estado de S.Paulo - Editorial
Menos de um mês depois da descoberta de que o Ministério da Educação (MEC) distribuiu na rede pública de ensino fundamental um livro de português da coleção Por uma vida melhor que defende a supremacia da linguagem oral sobre a linguagem escrita, admitindo que "é certo falar errado" e que corrigir erros é "preconceito", constatou-se que o órgão também entregou a 1,3 milhão de alunos livros de matemática da coleção Escola Ativa com erros primários em contas de subtração - além de vários problemas de revisão e muitas frases incompletas ou sem sentido. A coleção contém 35 volumes destinados a professores e alunos e pelo menos 5 livros ensinam que 10 menos 7 é igual a 4, que 18 menos 6 é igual a 6 e que 16 menos 7 é igual a 5.

Distribuídos em escolas da zona rural de 3.109 municípios, os 7 milhões de exemplares da coleção Escola Ativa - adquirida para prestar apoio às escolas rurais das Regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste - custaram cerca de R$ 13,6 milhões aos cofres públicos. Para apurar as responsabilidades e o montante exato dos prejuízos, pois os cinco livros terão de ser reimpressos e redistribuídos, o MEC abriu sindicância e pediu uma auditoria à Controladoria-Geral da União. O ministro Fernando Haddad tomou essa iniciativa depois que a reportagem do Estado solicitou informações sobre os graves problemas que vêm ocorrendo com as coleções compradas pelo Programa Nacional do Livro Didático.

Na sexta-feira da semana passada, os especialistas contratados pelo MEC concluíram que, em vez de publicar uma errata, como foi cogitado inicialmente, o órgão deveria recomendar aos professores que não utilizassem os cinco livros em sala de aula, tal a quantidade de "erros graves e grosseiros". No mesmo dia, a coleção Escola Ativa foi retirada da internet, "para correções", e o responsável por sua aquisição, no ano passado, André Lazaro, se demitiu do governo. Em 2010, ele dirigiu a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC (Secad) - e, desde a posse da presidente Dilma Rousseff, vinha atuando como secretário executivo da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.

Para a cúpula do MEC, os erros nos cinco livros de matemática não decorreriam de má-fé, mas de inépcia administrativa e falha de revisão da Secad - o mesmo órgão que coordenou a produção do kit anti-homofobia vetado por Dilma. Na realidade, o problema parece ser o aparelhamento político da administração federal, com a substituição de técnicos especializados por "companheiros".

Desde a posse de Haddad, o MEC já se envolveu numa sucessão de trapalhadas administrativas. As mais graves aconteceram nas duas últimas edições do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Na edição de 2009, o vazamento das questões obrigou o MEC a adiar a prova, o que prejudicou o cronograma de muitas instituições universitárias, uma vez que os resultados do Enem contam pontos para os vestibulares. Na edição de 2010, houve problemas com a licitação para a escolha da gráfica, 21 mil cadernos de perguntas e o cabeçalho da folha de respostas foram impressos com erros, o sistema de informática do MEC não foi planejado para atender o número de candidatos inscritos e a Justiça Federal chegou a conceder liminares cancelando o exame, o que obrigou o governo a recorrer às pressas ao Tribunal Regional Federal, para não ter de adiá-lo.

Escrita por dez autoras, a coleção Escola Ativa foi criada em 1998, no governo Fernando Henrique, e vinha sendo distribuída anualmente, sem problemas. Em 2008, no segundo mandato do presidente Lula, o MEC decidiu revisá-la e atualizá-la, pedindo sugestões às autoras e deixando a parte executiva a cargo de uma equipe editorial formada por servidores da Secad. A coleção atualizada começou a ser distribuída entre fevereiro e março de 2011 e os erros primários nas contas de subtração em 5 dos 35 livros da coleção não foram detectados pelos revisores.

Essa é mais uma demonstração da incompetência reinante no MEC, por causa do aparelhamento político de seus quadros técnicos.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 10 / 06 / 2011

Folha de São Paulo
"Aliados criticam e oposição elogia ministra de Dilma"

Governistas deram declarações públicas protocolares sobre a escolha

No Congresso, a nomeação de Ideli Salvatti para a Secretaria de Relações Institucionais foi mais elogiada pelos líderes oposicionistas do que pela base aliada. O líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), disse que Ideli tem "preparo e habilidade de se relacionar no Congresso", por isso afirmou que não vê problemas no chamado "estilo truculento" da ex-senadora.

O Estado de São Paulo 
"Líderes dos bombeiros soltos no Rio"

Outros 422 militares continuam presos no quartel de Jurujuba; pane no sistema de digitalização de documentos atrasou processo de emissão dos alvarás de soltura dos outros detidos

Deixaram, por volta das 23 horas desta sexta-feira, 10, o Grupamento Especial Prisional (GEP), localizado em São Cristóvão, na zona norte do Rio, os nove líderes dos mais de dois mil bombeiros que há uma semana invadiram o quartel central da corporação, ação que resultou na prisão de mais de 431 militares.
Segundo a Justiça, eram 431 presos e não 439 como o Estado do Rio havia divulgado. Os outros 422 militares ainda estão no quartel de Jurujuba, em Niterói, para onde o grupo de líderes dos movimento se deslocaram em carreta. Eles aguardarão a liberação dos demais, em frente ao quartel, o que deve ocorrer por volta das 9 horas.

sexta-feira, junho 10, 2011

Qualquer semelhança é mera coincidência

Esgoto a céu aberto. Trinidad.

Vida

Cérebro não consegue lidar com mais de 150 amigos

The Times of India
LONDRES: Você pode se vangloriar de ter uma impressionante lista de amigos em sites de redes sociais como Facebook e Orkut, mas um novo estudo sugere que seu cérebro não consegue lidar com mais de 150 amigos.

Pesquisadores liderados por Robin Dunbar da Universidade de Oxford, que realizou o estudo, concluiram que o ser humano não pode desenvolver laços estreitos com mais de 150 pessoas.

Na verdade, foi tão intensa a investigação de Dunbar do número mágico que lhe rendeu certa fama. É agora conhecido como "Número de Dunbar", um termo cunhado ironicamente no Facebook entre os fãs de seu trabalho.

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Celular

Se você é jovem provavelmente não faz idéia de como foi revolucionário o primeiro telefone celular. Olhe bem o "tijolão da foto"! Faz tão pouco tempo!

Coluna do Celsinho

Dojo Kano

Celso de Almeida Jr.
Entrei distraído.

Meu nome foi pronunciado.

Procurei... achei!

Numa mesa de canto, na padaria, o mestre Josino.

Pedi um lanche para acompanhá-lo.

Um agradável bate-papo.

Eu não sabia que o Josino Francisco de Souza caminha para os 70 anos.

Também não recordava que a sua academia de judô, a conceituada Dojo Kano, completará 34 anos no próximo 16 de junho.

Josino é Cidadão Ubatubense, título recebido em 1994.

Fez curso no centenário Instituto Kodokan, no Japão, onde foi campeão mundial em Katame no Kata, em 2003.

É considerado por especialistas em judô um dos 10 maiores técnicos do Brasil.

Comentei com o Josino que sempre admirei a sua tranquilidade e segurança.

Disse, também, que agora que estou mais velho, descobri como é prazeroso levar a vida com um pouco mais de calma.

Ele concordou, afirmando que esta conquista é uma busca solitária, sendo necessário um despertar pessoal.

Considerei curioso que, nos muitos anos de Ubatuba, nunca tivemos estes minutos de prosa.

Foi preciso um encontro casual numa padaria de Taubaté para um breve e construtivo diálogo.

Josino soube reservar um grande tempo de sua vida para o judô, mantendo a sua academia não apenas com os recursos das mensalidades dos alunos, mas, principalmente, com as suas rendas do comércio, no ramo da panificação. Por isso, ao final de nosso encontro, na saída, com absoluto conhecimento de causa, elogiou o proprietário da padaria pelas boas instalações.

Setenta anos, plena atividade, entusiasmo, bons exemplos, tranquilidade e firmeza.

Josino traduz com serenidade os princípios do judô, engrandecendo a essência do caminho.

Parabéns, mestre!

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Opinião

O STF e a libertação de Battisti

O Estado de S.Paulo - Editorial
Ao rejeitar o recurso impetrado pelo governo italiano contra a decisão do presidente Lula de não extraditar o ex-ativista Cesare Battisti, tomada no último dia de seu governo, o Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou - em sessão tumultuada - um caso que começou como um problema político, evoluiu gerando tensões diplomáticas e culminou com interpretações polêmicas de conceitos jurídicos tradicionais. O julgamento foi marcado por acaloradas discussões entre os ministros Joaquim Barbosa e Luiz Fux e o relator Gilmar Mendes e terminou em bate-boca depois que este último afirmou que os colegas favoráveis à libertação de Battisti estavam ignorando a Constituição, reduzindo o papel do STF a "uma atividade lítero-poético-recreativa".


O caso começou em 2008 quando o então ministro da Justiça, Tarso Genro, contrariando parecer da Procuradoria-Geral da República e decisão do Comitê Nacional para os Refugiados, concedeu a Battisti o status de refugiado político, evitando com isso sua extradição. Battisti fez parte de um grupo terrorista de esquerda, nos anos 70, fugiu para a França e, depois, para o Brasil. Julgado à revelia, foi condenado pela Justiça italiana à prisão perpétua por participação em quatro assassinatos. Ele negou a autoria dos crimes e disse que sofreu perseguição política.

Classificando a iniciativa de Genro como "grave e ofensiva", o Ministério de Assuntos Estrangeiros da Itália acusou o Brasil de não cumprir o tratado de extradição firmado com a Itália em 1989 e recorreu ao Supremo. Em vez de dar uma solução clara e objetiva ao caso, a Corte tomou uma decisão ambígua, autorizando a extradição, mas deixando a última palavra para o presidente da República.

Alegando que essa decisão era confusa, o governo italiano entrou com pedido de esclarecimento, perguntando ao STF se Lula teria liberdade total para dar a "última palavra". O então relator do processo, ministro Eros Grau, admitiu que os poderes de Lula não eram "discricionários" e que ele não poderia ignorar o tratado de extradição. Pressionado pelo ministro da Justiça, por um lado, e pelo governo da Itália, por outro, o presidente Lula deixou claro que concederia asilo a Battisti, mas adiou a decisão ao máximo e solicitou à Advocacia-Geral da União um parecer que fundamentasse sua decisão. Cumprindo a determinação, o órgão preparou um parecer político, com roupagem jurídica, dando a Lula as justificativas "técnicas" de que precisava para decidir pela permanência de Battisti no Brasil, com o status de imigrante. Isso levou a chancelaria italiana a entrar com o recurso que acaba de ser negado pelo Supremo, por 6 votos a 3. O julgamento encerrou o caso na Justiça brasileira, mas o imbróglio jurídico, político e diplomático vai continuar, pois a Itália já anunciou que levará o caso para a Corte Internacional de Justiça, em Haia.

A decisão do Supremo causou perplexidade por dois motivos. O primeiro é de caráter político. Os advogados de Battisti alegaram que ele sofreria risco de "discriminação e perseguição política", caso fosse extraditado. Seis ministros da Corte acolheram o argumento, esquecendo-se de que a Itália vive há mais de seis décadas em plena normalidade política e constitucional. O segundo motivo é de caráter jurídico. Os mesmos ministros alegaram que a extradição é "ato de soberania nacional e de política externa, conduzida pelo chefe do Executivo". Com isso, eles consagraram o desrespeito flagrante ao tratado de extradição que o Brasil firmou, soberanamente, com a Itália, há 22 anos.

Em vez de agir como Corte constitucional, como é seu papel, o Supremo infelizmente se deixou levar por pressões políticas. Elas foram tão fortes que um dos ministros que votaram a favor da extradição de Battisti, em 2009, mudou de opinião, no julgamento da quarta-feira. Ao longo de sua história, o Supremo deu importantes contribuições para o prevalecimento do Estado de Direito e para a segurança jurídica. Infelizmente, a Corte não se inspirou nessas contribuições, no julgamento de Cesare Battisti.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 10 / 06 / 2011

Folha de São Paulo
"Eletropaulo é ineficiente sob chuva, diz Alckmin"

Faltam 'condições mínimas' à empresa, critica governador, após 2 dias de apagão

O governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou que a Eletropaulo, que fornece energia a 6,1 milhões de clientes em 24 cidades, não tem "condições mínimas" de atender em situações climáticas adversas. Dois dias após um vendaval atingir o Estado, milhares de pessoas ainda estavam sem luz e água, em razão da falta de energia nas estações de bombeamento. Alckmin disse que os clientes terão de ser indenizados. Na Grande SP, cerca de 110 mil moradores ainda não tinham acesso a água na noite de ontem - problema que deve continuar hoje. Pela manhã, eram 570 mil o total de afetados na região, de acordo com a Sabesp. Segundo o governador, foram pedidos à Aneel mais fiscais para acompanhar o trabalho da Eletropaulo. A concessionária não comentou as críticas, disse apenas estar fazendo "todo o possível".

O Estado de São Paulo 
"Ministro da articulação nem saiu e PT se digladia pelo cargo"

Luiz Sérgio (Relações Institucionais) ainda está na função, mas já é considerado peça fora do governo

O deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) ainda está na cadeira de ministro de Relações Institucionais, mas é considerado peça fora do governo. Humilhado com o processo sucessório deflagrado por seus companheiros de PT na Câmara, o ministro "por enquanto" tem encontro hoje com a presidente Dilma Rousseff para decidir o futuro da articulação política do governo. Ontem, assessores do Planalto cogitavam os nomes do deputado Pepe Vargas (PT-RS), da ministra Ideli Salvatti (Pesca) e do líder do governo na Câmara, Candido Vaccarezza (PT-SP), como substitutos. O líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP), condenou a disputa interna pela sucessão de Luiz Sérgio. "Nenhuma movimentação se legitima enquanto ele ainda estiver no cargo", afirmou.

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quinta-feira, junho 09, 2011

Mutações


Nada do que foi será

Sidney Borges
O que você está vendo na imagem de 1956 é um um disco rígido da IBM sendo carregado num avião da falecida Pan American World Airways.

A "delicada unidade" era usada para armazenar informações e causava espanto pela incrivel capacidade de guardar dados. Funcionava de forma análoga ao seu pen drive ou ao cartão de memória da sua câmera fotográfica. O HD retratado pesava mais de 1 tonelada e podia armazenar até 5 MB de dados.

Isto não é incrível?

Regrinha de três com perguntinha ao alcance de quem não tem MBA: se 5 MB de capacidade de armazenamento equivalem a 1 tonelada de massa, qual deveria ser a massa do pen drive de 4 gigas que você carrega no bolso?

Dou uma dica: seriam necessárias mais de 1.000 dessas unidades para armazenar as informações contidas em um pen drive moderno. Uuuuu!

Antes que alguém pergunte o que o título tem a ver com as calças, vou logo respondendo: nada. Serve para expressar a minha indignação contra aqueles que se dizem trotsquistas e cuidam de acumular patrimônio traficando influência e apoderando-se de gordas comissões enquanto criticam o capitalismo. Homúnculos.

Conspiradores, cautela!

Privatizações

A pior ideologia é a incompetência

José Serra - O Estado de S.Paulo
Parece ter virado rotina. Em época de eleição, nada mais demonizado do que a ideia de privatização de empresas ou serviços públicos. Passadas as eleições, a mesma ideia se torna apreciada pelos mesmos que a satanizaram. Essa é uma especialidade do PT, embora, a meu ver, a citada demonização estivesse longe de explicar os resultados da eleição do ano passado. Mas esse não é nosso assunto de hoje.

Pretendo abordar a questão de outro ângulo, a partir da oportuna reportagem de Renée Pereira, no Estadão, sobre as estradas federais concedidas à gestão privada durante o governo Lula. A matéria ilustra de forma perfeita até que ponto uma política pública pode ser malfeita e se candidatar a estudo de caso em cursos de economia ou administração pública.

Em resumo, foram concedidas sete rodovias federais em outubro de 2007. Ganhou quem ofereceu o menor pedágio e se comprometeu a realizar R$ 5 bilhões em investimentos, num prazo de cinco anos.

O que aconteceu desde então?

Os pedágios aumentaram bem acima da inflação, mas o programa de investimentos não foi cumprido. Nos primeiros três anos de concessão, o índice de execução atingiu pouco mais da metade do acordado nos contratos. O governo deixou que isso acontecesse.

Diante das queixas de prefeitos do Paraná a respeito de um trecho de rodovia federal sob concessão, o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), o principal órgão federal que cuida das estradas, foi flagrado pelo Jornal Nacional esbravejando: "Se a empresa não duplicar, tira e põe outra... Qualquer coisa, vamos queimar as praças de pedágio, vamos tocar fogo nas coisas, entendeu?"

É assim: o chefe do Dnit, a quem cabe fiscalizar, fazer cumprir leis e contratos nessa área, cuidar da segurança e da qualidade das rodovias, destempera-se como se não tivesse nenhuma responsabilidade sobre o assunto. Não é maravilhoso?
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Opinião

O dilema americano

O Estado de S.Paulo - Editorial
Os americanos têm de resolver se vão puxar sua economia do atoleiro com mais incentivos fiscais ou se vão continuar inundando os mercados com dólares para facilitar os negócios. O dilema ficou claro depois do pronunciamento do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Ben Bernanke, numa reunião de banqueiros em Atlanta. A primeira solução é a preferível para o Brasil e outros países prejudicados nos últimos dois anos pela forte depreciação da moeda americana. A moeda excessiva emitida pelo Fed transborda para os mercados internacionais e afeta os mercados de câmbio. A valorização do real, uma das consequências dessa política, encarece os produtos brasileiros em moeda estrangeira e torna a indústria nacional menos competitiva e menos capaz de criar empregos.

Desde o agravamento da crise, em 2008, as autoridades americanas têm recorrido ao mesmo tempo a dois tipos de política para promover a reativação da economia. Do lado fiscal houve aumento de gastos e corte de impostos. Do lado monetário, os juros básicos foram mantidos entre zero e 0,25% ao ano e, além disso, o Fed se dispôs a absorver enorme volume de títulos públicos em circulação no mercado. Na rodada atual, a segunda, foi programada a compra de papéis no valor de US$ 600 bilhões.

Esta segunda fase de afrouxamento monetário, com encerramento marcado para o fim do mês, foi muito criticada por autoridades de outros países, por seus efeitos no mercado de câmbio e também porque o excesso de dinheiro, segundo vários analistas, facilitou a especulação com produtos básicos.

Dirigentes do Fed já indicaram a disposição de manter os juros baixos por longo tempo, mas uma terceira rodada de compras de títulos parece fora de consideração. O fim dessa política seria o primeiro passo para uma estratégia monetária menos expansionista.

Mas o fim dessa rodada coincide com uma nova piora do quadro econômico americano. Os últimos dados sobre o crescimento da atividade e sobre a geração de empregos foram considerados decepcionantes. No primeiro trimestre o PIB cresceu em ritmo equivalente a apenas 1,8% ao ano. Cadeias de abastecimento foram prejudicadas pelo terremoto seguido de tsunami no Japão. No mês passado foram criados 54 mil empregos. As projeções do mercado financeiro indicavam algo próximo de 160 mil.

Na quarta-feira, um dia depois da conferência de Bernanke, foi divulgada a nova edição do Livro Bege, um panorama econômico montado com informações dos 12 distritos do Fed. O tom foi um pouco menos sombrio que o da palestra, mas o presidente do Fed certamente conhecia todos os dados quando preparou seu pronunciamento.

Não está claro se o enfraquecimento da economia americana é passageiro ou se os dados negativos indicam uma nova tendência de estagnação. Mas, segundo Bernanke, é preciso agir. A melhor saída, segundo ele, é prolongar os incentivos fiscais e programar um esforço de longo prazo para arrumação das contas públicas. O presidente Barack Obama já se declarou disposto a considerar a extensão dos estímulos a empresas e trabalhadores.

O grande problema está no Congresso. Republicanos prometem promover um grande corte dos gastos federais, apressando o ajuste das contas. Além disso, o governo enfrenta dificuldades para conseguir uma elevação do teto da dívida pública, hoje fixado em US$ 14,3 trilhões. O Executivo precisa obter a aprovação dessa mudança até junho. Provavelmente a conseguirá, mas o prolongamento das medidas de estímulo implicará negociações muito difíceis.

Sem o impulso fiscal e sem a expansão monetária, a recuperação da economia americana será muito difícil. Nenhuma contribuição ao crescimento virá da Europa, atolada nos problemas dos países superendividados.

Se os americanos optarem pelo prolongamento dos incentivos orçamentários, jogarão para o longo prazo graves problemas fiscais. Mas poderão resolvê-los mais facilmente num quadro de maior prosperidade. Os ganhos a curto prazo poderão ser consideráveis para todo o mundo

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 09 / 06 / 2011

Folha de São Paulo
"Dilma demitiu Palocci na hora certa, diz Lula"

O ex-presidente Lula disse ontem que Dilma Rousseff "tem autoridade" e agiu "no momento certo" ao demitir Antonio Palocci da Casa Civil. Ele, que evitou falar do caso em público, atuou nos bastidores e negociou a demissão com a presidente. A declaração de Lula contradiz a versão oficial de que Palocci decidiu abrir mão do cargo para proteger Dilma. O ex-ministro entregou carta de renúncia e disse, em sua despedida, que saia para preservar o diálogo do governo com a sociedade. Na posse de Gleisi Hoffmann na Casa Civil, a presidente lamentou a saída do "amigo", "parceiro de lutas" e "artífice da jornada vitoriosa que a elegeu". Disse ainda que o governo "jamais ficará paralisado diante de embates políticos". Elogiada por Dilma por seu perfil técnico, Gleisi prometeu à oposição "convivência respeitosa" e afagou PMDB e PT, que já disputam cargos no Planalto. 
 
O Estado de São Paulo 
"Dilma nega imobilismo e diz que escolha de Gleisi foi sua"

Presidente tenta mostrar comando, não cita Lula e afirma que foi ela quem definiu a substituta de Palocci

Após três semanas de desgaste, a presidente Dilma Rousseff aproveitou a despedida de Antonio Palocci - ministro da cota do ex-presidente Lula e suspeito de enriquecimento ilícito - para tentar mostrar que ela é chefe de seu governo. Em solenidade no Planalto, Dilma fez questão de dizer que escolheu sozinha a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) para substituir Palocci na Casa Civil e que não ficará "imobilizada". Ela se disse "triste" pela saída de um "parceiro de luta", mas afirmou estar “satisfeita" com a solução que encontrou para “assegurar a continuidade do trabalho" no ministério. Ao contrário de quase todos os seus outros pronunciamentos, ela não citou Lula.
 
 

quarta-feira, junho 08, 2011

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Opinião

Dilma e Chávez

O Estado de S.Paulo - Editorial
O governo brasileiro se mostra disposto a continuar cooperando com a Venezuela e até a ampliar os programas conjuntos, mas a presidente Dilma Rousseff parece dar um novo sentido à parceria entre Brasília e Caracas, com menor ênfase à ideologia e maior atenção aos interesses concretos de cada país. A presidente Dilma Rousseff aproveitou a visita do colega venezuelano, Hugo Chávez, para lembrá-lo de alguns compromissos pendentes. A estatal PDVSA deve cerca de US$ 1,4 bilhão à Petrobrás por atividades em campos petrolíferos na Venezuela. Afora isso, a empresa venezuelana jamais pagou um centavo para a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, embora devesse cobrir 40% dos custos. Além disso, o comunicado conjunto menciona "a importância de garantir a continuidade dos projetos em execução" na Venezuela - hidrelétricas, estradas, trechos do metrô de Caracas e indústria processadora de alimentos, entre outros. Mais de uma vez empresários brasileiros queixaram-se de atrasos nos pagamentos. É difícil imaginar um motivo diferente e igualmente importante para a referência à garantia de continuidade desses investimentos.


As autoridades brasileiras foram discretas em relação a quase todos esses temas. De modo geral, foram discutidos em reuniões fechadas, mas a imprensa teve acesso, informalmente, às informações necessárias para avaliar o teor das conversas. Os brasileiros deram ênfase à segurança para a realização de negócios na Venezuela.

Novos acordos e memorandos foram firmados para a cooperação bilateral. O BNDES vai emprestar US$ 637 milhões para a PDVSA construir um estaleiro em Sucre, com participação de empresas brasileiras. Além disso, a Braskem comprará óleo e derivados da estatal venezuelana e contribuirá com US$ 4 bilhões para um fundo destinado a financiar obras de infraestrutura na Venezuela. A maior parte dos outros compromissos assinados durante a visita refere-se à cooperação técnica para o desenvolvimento da agricultura, para o planejamento territorial e para um programa de construção de 2 milhões de moradias.

O Brasil tem uma boa experiência em pesquisa agropecuária, em combate à aftosa e em modernização do agronegócio. O governo está em condições de oferecer uma cooperação valiosa nessas áreas. Mas essa colaboração dificilmente produzirá algum resultado positivo, se o regime do presidente Hugo Chávez se mantiver no rumo seguido até aqui. O governo bolivariano simplesmente destruiu boa parte da capacidade produtiva das fazendas venezuelanas.

Mas não se contentou com os danos causados à produção. Para conter a alta de preços, interferiu desastrosamente no comércio de alimentos, estatizando parte do sistema distribuidor. A ação catastrófica do governo transformou o país num grande importador de comida. Em seguida, promoveu um gigantesco desperdício, armazenando mal os produtos importados e administrando o abastecimento com grande incompetência.

Nenhuma ajuda técnica poderá mudar esse quadro, se o presidente Hugo Chávez insistir em sua política de combate à agropecuária produtiva. Se a presidente Dilma Rousseff se abstiver de aplaudir os desmandos cometidos pelo colega venezuelano, mostrará mais juízo do que o seu antecessor.

Seria igualmente sensato renunciar a novos esforços diplomáticos a favor da inclusão da Venezuela no Mercosul. Essa inclusão só depende agora dos parlamentares paraguaios, porque o apoio brasileiro, argentino e uruguaio já foi conseguido. O comunicado conjunto menciona a "perspectiva de pronta conclusão do processo", mas a atitude mais prudente é deixar a solução para muito mais tarde. A presença do presidente Hugo Chávez na mesa das deliberações será mais um problema para o já emperrado bloco regional. A presidente Dilma Rousseff mostrou-se mais cautelosa que seu antecessor ao se manter distante da campanha eleitoral peruana. Acertará mais uma vez se mantiver essa prudência em toda a ação diplomática na América Latina.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 08 / 06 / 2011

Folha de São Paulo
"Crise derruba Palocci; Dilma põe senadora novata na Casa Civil"

Demissão acontece três semanas após Folha revelar crescimento do patrimônio do petista, Presidente nomeia Gleisi Hoffmann (PT-PR) após pesquisas apontarem desgaste do governo

A presidente Dilma Rousseff demitiu Antonio Palocci, 50, após cinco meses e sete dias de governo. Gleisi Hoffmann (PT-PR), senadora que estava em seu primeiro mandato, é a nova ministra-chefe da Casa Civil. Indicado pelo ex-presidente Lula para ser o principal operador político da gestão Dilma, Palocci teve a credibilidade corroída pelas reportagens da Folha que mostraram a multiplicação de seu patrimônio em quatro anos e o faturamento de R$ 20 milhões de sua consultoria somente em 2010, quando era deputado e comandou a campanha petista à Presidência. O silêncio de Palocci, que demorou a dar explicações sobre seus negócios e se recusou a identificar seus clientes, alimentou a crise que paralisou o goveno por três semanas. Dilma decidiu demitir seu principal ministro depois de saber que pesquisas já apontavam o desgaste de sua gestão em decorrência da crise.

O Estado de São Paulo 
"Escândalo derruba Palocci e senadora assume Casa Civil"

O pivô da maior crise do governo Dilma será substituído por Gleisi Hoffmann (PT-PR) • Ministro diz que procurador comprovou sua 'retidão' • Ele estava disposto a se explicar ao Congresso e esperava o apoio da presidente, que não veio

Antonio Palocci, considerado o “primeiro-ministro" da presidente Dilma Rousseff, pediu demissão ontem da Casa Civil, em meio ao escândalo causado por suspeitas de enriquecimento ilícito, que já durava 23 dias e provocava a maior crise do atual governo. Ele será substituído pela senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que tomará posse hoje. Mesmo após o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ter arquivado as denúncias da oposição, Palocci não resistiu ao processo de desintegração de seu capital político diante do cerco de aliados. Em nota, o ex-ministro disse que a “robusta" manifestação de Gurgel confirmou sua “retidão", mas afirmou que se demitiu porque a crise "poderia prejudicar suas atribuições no governo". Palocci estava disposto a ir ao Congresso se explicar e esperava o apoio de Dilma após a decisão de Gurgel, mas isso não ocorreu.

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terça-feira, junho 07, 2011

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Opinião

De montadora, a indústria passa a importadora

O Estado de S.Paulo
O governo desistiu, ao que parece, de lutar contra a valorização da moeda nacional em relação ao dólar, que se desvaloriza, ao passo que os negócios no comércio exterior na sua grande maioria são realizados e faturados na moeda norte-americana. Isso explica que nossas importações tenham aumentado 28,2% nos primeiros meses do ano.

Não basta essas importações, que até recentemente se concentravam em matérias-primas e bens intermediários, terem tornado nossa indústria mera montadora de produtos de consumo duráveis, com destaque para a Zona Franca de Manaus. Agora, em razão de uma taxa cambial supervalorizada, as empresas brasileiras concluem que, para terem produtos a preço convidativo, devem simplesmente se transformar em importadoras de bens acabados, correndo o risco de agravar o processo de desindustrialização que começou alguns anos atrás com a importação de componentes.
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O novo vestibular da USP

O Estado de S.Paulo
Depois de meses de discussão, o Conselho de Graduação da Universidade de São Paulo (USP) mudou as regras de seu exame vestibular, que é o mais disputado do País, aumentando significativamente o rigor das provas. Com essa mudança, que foi muito bem recebida pela comunidade acadêmica, a maior e mais importante instituição brasileira de ensino superior quer voltar a selecionar vestibulandos mais preparados e capazes de responder com igual desenvoltura tanto questões do tipo "teste", que exigem memória e decoração de fórmulas, como questões dissertativas, que exigem conhecimento e capacidade de reflexão.

Por causa do sistema de cotas sociais e raciais adotado nos vestibulares de universidades públicas, no decorrer da última década prevaleceu no Conselho de Graduação a preocupação de usar mais os critérios de inclusão social no processo seletivo da USP, o que acabou relegando para segundo plano a avaliação do mérito. Agora, diz o reitor adjunto de graduação, Paul Jean Jeszensky, o objetivo é melhorar a qualidade e o nível de escolaridade dos ingressantes.

Para alguns especialistas, as novas regras do vestibular da USP vão beneficiar apenas os candidatos oriundos da rede particular de ensino médio, que prepara seus estudantes melhor que as escolas públicas. Mas, para outros especialistas, o padrão de qualidade da rede pública é tão ruim que o número de ingressantes dela oriundos cairia mesmo que a USP não alterasse o seu processo seletivo.
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Manchetes do dia

Terça-feira, 07 / 06 / 201

Folha de São Paulo
"Procurador-geral poupa Palocci de investigação"

Em nota, ministro afirma que decisão coloca ‘embate político nos termos da razão’; aliados ampliam pressão pela saída dele

O procurador-geral, Roberto Gurgel, arquivou os pedidos de investigação sobre o enriquecimento do ministro Antonio Palocci e as atividades da sua empresa, a Projeto. Gurgel concluiu que não há indícios de que Palocci tenha cometido crimes. No centro de uma crise desde que a Folha revelou seu aumento patrimonial, o ministro disse em nota esperar que a decisão – atacada pela oposição – coloque “o embate político nos termos da razão e do equilíbrio”. Aliados do governo, incomodados com o desgaste do caso, criticaram Palocci. Ligada ao PDT, a Força Sindical pediu sua saída imediata. O PC do B afirmou que o ministro não se explicou “satisfatoriamente”. A proposta de CPI teve adesão de Ana Amélia (PP).

O Estado de São Paulo 
"Procurador manda arquivar denúncias contra Palocci"

Decisão é anunciada no dia em que aliados pediram a saída imediata do ministro e criticaram inação de Dilma

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, arquivou ontem representações da oposição que pediam investigações contra o ministro Antonio Palocci (Casa Civil) por suspeita de enriquecimento ilícito. Gurgel concluiu que não havia indícios de que Palocci tenha cometido crime, nem como deputado nem como consultor. A decisão foi tomada no dia em que dois importantes aliados do governo cobraram mudanças na equipe da presidente Dilma Rousseff. O PC do B e a Força Sindical, maior central de trabalhadores do País, pediram a saída de Palocci e criticaram a imobilidade de Dilma diante da crise. O movimento é um indicativo de que, após o PT ter feito o mesmo, aliados do Planalto iniciaram um desembarque da defesa do ministro e querem usar a crise para enfraquecer Dilma. Palocci está usando sua relação com empresários da infraestrutura e representantes do setor financeiro para convencer a presidente a mantê-lo. 

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segunda-feira, junho 06, 2011

Tecnologia


Heureca!

Sidney Borges
Por incrível que possa parecer a trapizonga da foto é, acredite, o primeiro transistor da história, desenvolvido por William Shockley em 1950. Esse dispositivo bruto na aparência permitiu a revolução eletrônica moderna. Sem tal artefato você não estaria lendo este texto.

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Opinião

A Alemanha sem energia nuclear

O Estado de São Paulo - Editorial
A decisão do governo alemão de abandonar totalmente o uso da energia nuclear até 2022 foi comparada por ambientalistas entusiasmados à derrubada do Muro de Berlim em 1989. Apesar do exagero da comparação, a medida tomada esta semana pelo governo de coalizão chefiado pela chanceler Angela Merkel representa uma virada histórica notável. O custo da mudança da grade energética nos próximos 11 anos, porém, será pesadíssimo e tem sido comparado ao da reunificação da Alemanha em 1990. Estima-se que foi gasto 1,3 trilhão de euros na reconstrução da Alemanha Oriental. A transformação da infraestrutura energética em todo o país em um período relativamente curto poderá ser mais cara. A indústria já advertiu o governo de que é preciso agir com cuidado para não prejudicar a competitividade internacional da Alemanha e, naturalmente, a massa dos consumidores reagirá a uma grande elevação de tarifas. Como tudo isso será equacionado é uma questão em aberto.

Mas, neste momento, a principal preocupação do governo é a necessidade de dar uma satisfação ao povo alemão, depois da onda de protestos contra a energia nuclear que se seguiu ao desastre de Fukushima no Japão. O governo já havia decidido, em março deste ano, colocar "em hibernação" sete usinas nucleares mais antigas, que deveriam passar por uma inspeção técnica de três meses de duração. Mas ainda mantinha o plano de prolongar a vida útil das usinas nucleares em operação até 2036. Pressionada por integrantes de seu próprio governo e levando em conta os maus resultados de seu partido nas eleições regionais, a chanceler Angela Merkel radicalizou sua política nuclear, alegando que se baseou no parecer de uma comissão de alto nível que vinha examinando questões éticas ligadas à energia nuclear.

Resolveu-se agora que as usinas sob inspeção não voltarão a operar e que outra, em piores condições, será também desativada imediatamente. A decisão do governo deve ainda passar pelo Parlamento, mas há tanta certeza de que será aprovada que o ministro do Meio Ambiente, Norbert Röttgen, já estabeleceu um cronograma. Das nove usinas restantes, seis serão fechadas até 2021 e outras três no ano seguinte. E não haverá volta atrás, disse ele.

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O nefasto efeito Palocci

Só há uma maneira de colocar um ponto final na crise política provocada pela revelação do prodigioso enriquecimento de Antonio Palocci antes de se tornar o principal ministro da presidente Dilma Rousseff: seu afastamento da chefia da Casa Civil. A exoneração tornou-se iminente a partir do instante em que Palocci desperdiçou a última oportunidade de colocar a situação em pratos limpos, ao não apresentar em sua defesa nenhuma informação nova e relevante nas entrevistas seletivas e tardiamente concedidas na sexta-feira à Rede Globo e à Folha de S.Paulo.

O ministro se limitou a protestar inocência diante das suspeitas de tráfico de influência, negando-se a fornecer qualquer informação ou esclarecimento sobre seus clientes ou sobre a natureza dos serviços a eles prestados. Não fez mais do que deixar no ar um apelo que, nas circunstâncias, soou patético: acreditem em mim.

Os dois argumentos principais apresentados por Palocci em sua defesa são, primeiro, o de que não ficou comprovada nenhuma "ilegalidade" nos fatos que lhe são imputados e o ônus da prova cabe a quem acusa - o que seria correto se a questão fosse apenas jurídica - e, depois, o de que está eticamente impedido de divulgar os nomes de seus clientes porque não pode "expor terceiros nesse conflito". As duas alegações são insubsistentes.

A primeira porque o escândalo assumiu proporções tão graves que, até pela necessidade de dissipar a crise política criada dentro do governo, já havia algum tempo se impunha, para além de qualquer consideração jurídica, a necessidade de que explicações cabais fossem dadas à opinião pública. Era mais do que hora, portanto, de Palocci provar a improcedência das suspeitas que sobre ele pesam. Na mesma linha de raciocínio, o impedimento ético para nomear as empresas às quais prestou serviços se anula diante da maior relevância da exigência de atender ao clamor público por transparência no comportamento de uma figura proeminente do governo.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 06 / 06 / 2011

Folha de São Paulo
"Despachantes lucram com dado sigiloso do Detran"

Empresas assediam motoristas sob risco de ter a carteira suspensa e cobram R$ 450 para baixar tempo de punição

Empresas que se dizem "parceiras" do Detran-SP usam informações sigilosas de motoristas para oferecer serviços àqueles que correm o risco de ter a habilitação suspensa por infrações, relata Ricardo Gallo. Ao telefone, despachantes cobram R$ 450 dos condutores com a promessa de reduzir o tempo de punição e até evitar o curso de reciclagem, o que é irregular. Um deles diz receber a lista de um servidor do órgão. Nomes dos motoristas não são divulgados pelo departamento de trânsito na notificação pelo “Diário Oficial". Recorrer por conta própria custa R$ 200. O Detran diz desconhecer o esquema.
 

O Estado de São Paulo 
"Dilma decidirá futuro de Palocci após parecer do procurador-geral"

Posição de Roberto Gurgel sobre as suspeitas envolvendo o ministro deve sair na quarta-feira

Em conversa por telefone, a presidente Dilma Rousseff acertou ontem com Antonio Palocci que aguardará o posicionamento da Procuradoria-Geral da República a respeito das suspeitas que pairam sobre o chefe da Casa Civil antes de tomar uma decisão sobre o caso. Existem duas razões para esperar pela manifestação do procurador-geral Roberto Gurgel – o que pode ocorrer na próxima quarta-feira. Primeiro, caso afaste Palocci de imediato, Dilma corre o risco de depois ser cobrada por uma atitude injusta, se a procuradoria não encontrar motivos para abertura de inquérito. Porém, se Gurgel apontar indícios de irregularidades, o afastamento de Palocci seria facilitado, para que não se atrapalhem as investigações. Há 22 dias, o ministro está sob ataques da oposição e de setores da base aliada por causa do rápido aumento de patrimônio. Nesse fim de semana, houve mais desgaste com a divulgação de que Palocci aluga um apartamento de 640 m², em bairro nobre de São Paulo, de uma empresa que usaria laranjas e endereços falsos.


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domingo, junho 05, 2011

Convite à reflexão...


Pequenos passos para um grande equilíbrio

José Ronaldo dos Santos
Ontem, dia 4 de maio, fui ao município vizinho de São Luiz do Paraitinga conhecer a cultura do cogumelo. Fiquei impressionado com as explicações e as práticas do proprietário (Nelson), um paulistano que, após um período trabalhando no Japão, há nove anos abraçou o desafio de viver da terra numa relação harmoniosa e tendo lucro.

“Cogumelo é a carne do futuro!”. Nesta convicção o Nelson trabalha e gera empregos; apresenta ao homem do campo mais uma alternativa para não deixar o espaço que o gerou. Garante assim a permanência da cultura caipira em lugares inimagináveis para muitos que só reparam no asfalto. Desses lugares saem os moçambiqueiros, os jongueiros, os membros da cavalhada, a tradição religiosa que atrai tantos turistas para a referida cidade.

Também nesses lugares encontramos os autênticos ecologistas, onde os “teóricos verdes” deveriam ter a curiosidade para aprender antes de apoiarem qualquer política, qualquer “teoria científica amplamente testada” ou qualquer patrocinador.

Acredito que o apelo mais ecológico de todos é:

Salvemos as culturas locais para salvarmos o planeta.

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Vulcão

Erupção do vulcão Grimsvotn, sob a geleira Vatnajokull, no sudeste da Islândia

Outra vez mano?

Ministro aluga imóvel de laranjas, diz revista

De acordo com a 'Veja', apartamento em Moema, de R$ 4 milhões, está em nome de empresa que usou endereços falsos

Márcio Pinho e Rosa Costa - O Estado de S.Paulo
Um dia após ir à TV para se explicar, o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, está envolvido em mais um negócio suspeito. Reportagem da revista 
Veja revela que ele mora em um apartamento alugado e avaliado em R$ 4 milhões na Rua Juriti, em Moema, zona sul de São Paulo, ao lado do Parque do Ibirapuera. Os proprietários do imóvel, no entanto, são laranjas, informa a revista.

O apartamento pertence à Lion Franquia e Participações Ltda. Está registrado no 14º Ofício de Registro de Imóveis de São Paulo em nome de dois sócios: Dayvini Costa Nunes, que tem 99,5% das cotas, e Filipe Garcia dos Santos, com o restante (0,5%). Filipe tem 17 anos e só foi emancipado no ano passado.

O sócio majoritário tem 23 anos. Representante comercial, ele mora nos fundos de um casa na periferia de Mauá, cidade do ABC. Ele trabalhou na prefeitura da cidade, que é governada por Oswaldo Dias (PT). Para a revista, ele disse que é laranja.
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Opinião

A educação e o lucro das estatais

O Estado de São Paulo - Editorial
Em busca de novas fontes de recursos para o setor educacional, os 27 deputados da comissão especial responsável pelo projeto do novo Plano Nacional de Educação (PNE) começarão a discutir, nos próximos dias, uma emenda que destina 5% do lucro líquido das empresas vinculadas à União para investimentos em transporte escolar, instalação de laboratórios de informática, laboratórios de ciências, construção de bibliotecas e compra de livros. Segundo os levantamentos mais atualizados do Ministério do Planejamento, em 2009 as mais de cem empresas estatais sob controle da União tiveram um lucro líquido consolidado de R$ 56,115 bilhões.

A proposta foi apresentada na última terça-feira pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação - entidade que reúne cerca de 200 movimentos sociais, organizações não governamentais, fundações e grupos universitários - e foi bem recebida pelos membros da comissão. Segundo eles, como o crescimento dos gastos com educação deixou os municípios e os Estados sem recursos para investir em outras áreas, agora seria a hora de obrigar a União a financiar a infraestrutura da rede escolar pública, principalmente nas regiões mais pobres, onde os indicadores educacionais são muito ruins e o gasto anual por aluno é baixo, em comparação com as regiões mais ricas.

Uma das metas do Plano Nacional de Educação é elevar progressivamente os investimentos públicos em educação a até 7% do Produto Interno Bruto, até 2020.

Hoje, o gasto corresponde a 5%. As entidades do setor reivindicam 10% - pretensão que os Ministérios da Fazenda e do Planejamento consideram irrealista. Para a equipe econômica do governo, 7% do PIB já seriam suficientes para modernizar o sistema educacional e os recursos viriam com o aumento da arrecadação da União - tese contestada pelas ONGs da área educacional e pela maioria dos deputados que integram a comissão especial que examina o Plano Nacional de Educação.

Segundo essas entidades e esses parlamentares, a proposta que destina para a educação 5% do lucro líquido das estatais federais colocaria a União, os Estados e os municípios numa "posição de equidade", em termos de financiamento educacional - além de atribuir novas "responsabilidades estratégicas" para a administração indireta. As entidades também afirmam que, se uma parte do lucro das empresas públicas controladas pela União já é destinada para compor o superávit primário, nada impediria que outra parte fosse repassada ao ensino público.

Essa pretensão, contudo, esbarra em dois graves obstáculos. O primeiro é de natureza jurídica. Como as estatais já pagam Imposto de Renda e recolhem a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), a obrigatoriedade de repassar 5% do lucro líquido para a educação configuraria mais uma tributação com base num mesmo fato gerador - o que é expressamente proibido pela Constituição.

Além disso, muitas empresas vinculadas à União são sociedades de economia mista e várias têm capital aberto. Têm, portanto, suas decisões submetidas à apreciação de conselhos de acionistas, precisam destinar parte do lucro para compor reserva patrimonial, são obrigadas a distribuir dividendos e têm de se adequar às exigências da Lei das Sociedades Anônimas. Outras estatais, contudo, têm seu capital integralmente controlado pelo poder público. Dada essa multiplicidade de formatos jurídicos nas empresas vinculadas à União, a imposição a todas elas do repasse de 5% do lucro líquido para o setor educacional acabaria sendo questionada judicialmente.

O segundo obstáculo a essa proposta é de natureza política. Nos últimos anos, ficou evidente que os problemas da educação pública não decorrem da escassez de recursos, mas, acima de tudo, da maneira como os recursos disponíveis são gastos.

As últimas trapalhadas do MEC - as confusões com o Enem, o controvertido kit anti-homofobia e a aquisição de livros didáticos que enfatizam a pedagogia da ignorância, admitindo que "é certo falar errado" - são prova disso.

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Manchetes do dia

Domingo, 05 / 06 / 2011

Folha de São Paulo
"Dilma decide ouvir Lula sobre destino de Palocci"

Para aliados, explicações do ministro da Casa Civil não resolvem a crise

A presidente Dilma Rousseff decidiu ouvir seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, antes de decidir se demite ou não o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. Além do ex-presidente, ela pretende conversar com outros integrantes da base de apoio ao governo. Para aliados, as explicações dadas por Palocci tanto a Folha como a TV Globo foram tardias e insuficientes para encerrar a crise que atinge o Palácio do Planalto há três semanas. Na entrevista, publicada na edição de ontem do jornal, o ministro disse que não revelou à presidente os clientes de sua consultoria, que faturou R$ 20 milhões somente no ano eleitoral de 2010, quando chefiou a campanha nacional petista. A crise teve início quando reportagem da Folha mostrou que, de 2006 a 2010, Palocci ampliou em 20 vezes o seu patrimônio.

O Estado de São Paulo 
"Nova denúncia sobre imóvel agrava situação de Palocci"

A situação do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, piorou depois da entrevista que ele concedeu ao Jornal Nacional, na sexta-feira. E se agravou ontem depois da divulgação, pela revista “Veja”, da notícia que o apartamento de 640 metros quadrados que Palocci aluga, em São Paulo, seria de empresa dirigida por laranjas, um deles de 23 anos, outro de 17. A presidente Dilma Rousseff teve uma reação de desânimo ao ver a entrevista, segundo fontes do Planalto. Petistas de São Paulo classificam o clima como "insustentável".

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