sábado, maio 07, 2011

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Recomeçar a pensar

Miguel Reale Júnior - O Estado de S.Paulo
Em artigo intitulado O papel da oposição, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso faz algo fora de moda na política brasileira: reflete. Essa reflexão abrangente, com diversas vertentes, penso poder dividir em três aspectos: fragilidade da oposição, seja na defesa de suas realizações, seja no ataque ao PT relativamente a fatos graves característicos do reinado de Lula desde 2003; estratégias a serem seguidas; e pontos a constituírem compromissos básicos da oposição.

Quanto à fragilidade na defesa de suas realizações, lembra-se a tibieza em explicar o processo de privatização, alcunhado pelo PT, para fins eleitorais, como "privataria" e maliciosamente difundido como venda irrisória das riquezas nacionais. Em campanhas presidenciais o PSDB limitou-se a negar que iria privatizar o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica, como se ao vestir a camisa do BB se espantasse o receio de um mal, em vez de mostrar o bem que se fizera na privatização da Vale do Rio Doce ou da Embraer. Assim, essas duas estatais, afundadas na mão do Estado em déficits imensos, jamais poderiam assumir o papel de relevo que ora têm no cenário econômico mundial se não fosse a imensa inversão de capital privado e o espírito empreendedor que a gestão empresarial imprimiu.

O mesmo se diga do Proer, apodado de protecionismo aos bancos, quando, na verdade, estabeleceu um regime de austeridade com a imposição de responsabilidade solidária dos controladores de instituições financeiras, criando efetivo controle por via do qual o Banco Central poderia agir preventivamente com eficiência para proteger os depositantes, preservar o sistema e a economia. O pequeno comprometimento de nossas instituições financeiras na crise de fins de 2008 mostra a importância do Proer, que foi debilmente defendido pela oposição.

Mas à fragilidade da defesa correspondeu igual fraqueza no ataque. O "mensalão" não foi atacado com firmeza pela oposição, apesar dos resultados da CPI que redundou na denúncia do Ministério Público. Fui um dos coordenadores do movimento de mobilização da sociedade civil denominado "Da Indignação à Ação", que reuniu representantes de entidades como OAB, OAB-SP, ABI, PNBE, Fiesp, Instituto Ethos, Força Sindical, Transparência Brasil, Associação dos Advogados, Instituto dos Advogados de São Paulo, a rede Conectas de Direitos Humanos, o Movimento Democrático do Ministério Público e a Associação do Ministério Público de São Paulo.

Em manifesto, o movimento expressava que as instituições políticas do País estavam duramente atingidas, sendo imprescindível, além de investigação séria, com punições firmes e proporcionais às faltas praticadas, mudanças profundas no sistema político, pois nunca aparecera tão claramente a necessidade de uma reconstrução republicana. O movimento arregimentou líderes das entidades, mas a população estava, como diz Fernando Henrique no seu artigo, anestesiada e os partidos de oposição, salvo alguns poucos parlamentares, não se mobilizaram para envolver os brasileiros contra a maior artimanha de corrupção engendrada em detrimento do sistema democrático: a compra de mais de centena de deputados às vésperas de votações importantes com dinheiro saído do Banco do Brasil, aí, sim, privatizado. A oposição temeu enfrentar diretamente o núcleo do poder e nem sequer propôs mudanças moralizadoras, intimidada, talvez, por erros graves, mesmo que menores, em seus quadros.

A denúncia da apropriação do Estado também foi tímida. Não se acusou com vigor, ao longo do tempo, o crescimento vertiginoso dos cargos em comissão no governo Lula, mais de 17%, mas com um gravame importante: aumentaram em 50% os cargos DAS 5 e em 30% os DAS 6, os mais bem remunerados, com grande elevação do gasto público, que ora dificulta o combate à inflação.

Quanto à estratégia, Fernando Henrique mostra que o discurso deve voltar-se para a nova classe média, fruto do dinamismo econômico do mundo e daqui, para atingir novos protagonistas do cenário social, a serem sensibilizados na medida em que se saiba entender seus anseios no cotidiano, a serem debatidos principalmente nas redes sociais, como Facebook, YouTube, Twitter, etc.

Além desse novo foco e do novo meio de ação, é necessário ampliar, diz Fernando Henrique, as discussões junto às "inúmeras organizações de bairros, a um sem-número de grupos musicais e culturais nas periferias das grandes cidades, às organizações voluntárias de solidariedade e de protesto, a defensores do meio ambiente", que revelam espírito público, mas se afastam da política, vista como jogo sujo de interesseiros. Só assim se encontram forças ativas, mas discretas, da sociedade, que para a salvação das instituições precisam participar diretamente do processo político.

A estratégia proposta de se voltar para novos focos está correta, sem que a luta contra a miséria deixe de ser um objetivo básico. Tanto é que se sugere ter por fim último da democracia o comprometimento com os valores insertos na defesa dos direitos humanos, na proteção e promoção do meio ambiente e no combate à miséria, em luta a ser empreendida com a participação ativa de toda a sociedade.

No campo da ação governamental, defende-se que cumpre à oposição lutar em prol da formação de quadros e da construção da infraestrutura, hoje bloqueada, mas a se alcançar com a colaboração do setor privado, a ser devidamente fiscalizado por agências reguladoras dotadas de independência, sem liames partidários e clientelísticos que ora existem.

Outras questões são trazidas à baila, mas esses aspectos são suficientes para provocar forte reflexão. Pontos do trabalho merecem críticas, mas é preciso antes compreendê-lo no seu conjunto. Ao suscitar o debate, o artigo vale por si, pois já é um grande bem recomeçar a pensar.

Twitter

Manchetes do dia

Sábado, 07 / 05 / 2011

Folha de São Paulo
"Inflação estoura a meta pela 1ª vez em seis anos"

Índice de 6,51 % em 12 meses ultrapassa faixa de tolerância, de 6,5%; governo prevê desaceleração da taxa mensal em maio

Pela primeira vez desde 2005, o índice oficial de inflação ultrapassou a meta fixada pelo governo Dilma para o período de 12 meses. O IPCA ficou em 6,51% em abril, segundo o IBGE. A meta do Banco Central é de 4,5% para 2011, com uma tolerância de até 6,5%.

O Estado de São Paulo
 "Preços do governo fazem inflação romper teto da meta"

IPCA acumulado em 12 meses chegou a 6,51%, mas índice de abril ficou abaixo das expectativas do mercado

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,77% em abril. No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 6,51%, acima do teto da meta do governo de 6,5%. Os combustíveis, que tem os preços vigiados pelo governo, puxaram a alta - no ano passado, os vilões haviam sido os alimentos. Além disso, pesam no índice os reajustes de transporte público, energia elétrica e água, informou o IBGE. O Banco Central diz, porém, que a inflação vai baixar nos próximos meses e que a meta só vale para o período de janeiro a dezembro e não leva em conta variações além da primeira casa decimal depois da vírgula - ou seja, a inflação ainda estaria dentro da meta. Além disso, o índice surpreendeu o mercado ao desacelerar levemente em abril, após subir 0,79% em março. A notícia animou os analistas, que previam uma inflação maior. As taxas de juros caíram ontem no mercado futuro.

Twitter

sexta-feira, maio 06, 2011

Tigres


Original aqui

Coluna do Celsinho

Voluntariado

Celso de Almeida Jr.
O vereador Mauro Barros propôs e a Câmara de Ubatuba aprovou na última terça-feira, 3 de maio, uma Moção de Congratulações ao projeto Ninja-Núcleo Infantojuvenil de Aviação, prestando homenagem a direção do Colégio Dominique e também a Luiz Carlos de Lima, Lemar Gonçalves e Cesar Rodrigues da Costa.

Representando a escola, agradeci o respeito que a Câmara sempre teve com nossa instituição, em diversos momentos.

Nos mais recentes, foi da Câmara que veio o reconhecimento pela implantação, em 2006, da primeira faculdade de ensino a distância em nossa cidade, parceria do Colégio Dominique com o Grupo Educacional Uninter.

A mesma postura foi repetida pelos vereadores quando formamos a primeira turma de Gestores Públicos, curso superior a distância com excelente avaliação do MEC.

Posteriormente, a Câmara apoiou a realização dos Congressos Nacional e Internacional de Educação, projeto que defendemos e que esperamos, no futuro, integre com a FLIP - Festa Literária Internacional de Parati um calendário cultural de grande alcance, atraindo, também para Ubatuba, no mês de julho, grande público do Brasil e do mundo. Para tanto, precisamos nos aproximar da vizinha cidade fluminense, atuando com profissionalismo; planejando com antecedência; somando esforços com os representantes do turismo local e regional.

Fiquei muito feliz, também, pelo reconhecimento de nossos vereadores aos coordenadores do Ninja: Luiz, Lemar e Rodrigues.

Luiz Carlos de Lima, morador na Maranduba, é apaixonado por aviação e um batalhador para fomentar o aeromodelismo no município. Em 2006, por ocasião do centenário do voo do 14-bis, Luiz foi voz solitária em nossa cidade, ressaltando a importância da data e insistindo que deveríamos valorizar mais a história de Gastão Madeira, pioneiro da aviação, nascido em Ubatuba. Hoje, com a garotada do Ninja, na Sala Gastão Madeira, Luiz está fazendo um belo trabalho, cujos frutos serão colhidos brevemente. Poderia, porém, já ter alcançado muitos alunos nos últimos anos, caso tivesse apoio e incentivo quando lançou a ideia, em 2006.

Lemar Gonçalves estudou na Escola de Aeronáutica, no Campo dos Afonsos, RJ. Em 1952 formou-se como 1º aluno da turma, recebendo os cumprimentos do então Presidente da República, Getúlio Vargas.

Lemar foi piloto do Esquadrão Pelicano da FAB e coordenou a montagem e operação dos primeiros helicópteros de busca e salvamento no Brasil. Foi, também, piloto da Presidência da República, na gestão de Juscelino Kubitschek. No professor Lemar Gonçalves nos inspiramos para a criação do Núcleo Infantojuvenil de Aviação-NINJA e dele recebemos toda orientação e apoio. Quem o conhece sabe como este homem generoso se alegra em compartilhar, com incrível modéstia, o seu vasto conhecimento.

Cesar Rodrigues da Costa é voluntário e grande incentivador do Ninja, desde a primeira hora. Profissional da aviação, reside e trabalha em São José dos Campos e não pôde comparecer a homenagem da Câmara. Enviou, porém, uma bela mensagem aos nossos vereadores que, concluindo este artigo, reproduzo parte, revelando aos leitores o seu nível de compromisso com o projeto. Um exemplo que devemos valorizar, divulgar e seguir:

“O Núcleo Infantojuvenil de Aviação, nascido em Ubatuba, tem como objetivo proporcionar cultura aeronáutica e informações técnicas que despertem vocações e mostrar possíveis caminhos para que crianças e jovens possam, se assim desejarem, ser profissionais do setor aeronáutico.

Ao tomar conhecimento da proposta do projeto coordenado pelo professor Lemar Gonçalves e da adesão de pessoas de bom coração para a implantação do Núcleo, senti-me tocado em colaborar como voluntário nessa empreitada.

Vejo no projeto uma ação para um bom futuro de nossa juventude e mais uma opção para proporcionar tempo útil que agregue mais conhecimento, além daquele proporcionado pelo ensino regular das escolas.

O apoio das forças vivas de Ubatuba, representadas pelos senhores vereadores, se soma a outros incentivos, entre os quais o do primeiro astronauta brasileiro, Marcos Pontes.

Mais que um projeto social, mais que um projeto pedagógico, classifico o NINJA como um projeto patriótico. E independente de siglas, isto é o que conta, porque o Brasil é merecedor do nosso amor e cuidado. Assim, além da educação formal, as atividades culturais complementares e continuadas contribuem, com certeza, para um bom futuro para os jovens de Ubatuba e do Brasil.”

Twitter
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Mais tempo em sala de aula

O Estado de S.Paulo - Editorial
A carga horária escolar mínima anual no ensino infantil, fundamental e médio está sendo aumentada novamente. Houve um aumento há 15 anos e agora, segundo projeto aprovado em caráter terminativo pela Comissão de Educação do Senado, a carga poderá passar de 800 para 960 horas. De autoria do senador Wilson Matos (PSDB-PR), suplente do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), o projeto segue para a Câmara.

Na mesma sessão, a Comissão de Educação aprovou outro projeto de Matos. Elaborado com base nos indicadores de três mecanismos de avaliação - o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o Sistema de Avaliação da Educação Básica e o Programa Internacional de Avaliações de Alunos -, ele aumenta de 75% para 80% a frequência mínima exigida para aprovação de alunos dos ensinos fundamental e médio. A proposta inicial era de frequência mínima de 85%, mas os senadores a consideraram exagerada, alegando que ela prejudicaria os alunos que trabalham, podendo se converter em motivo de evasão escolar, em vez de ser uma solução para o problema do excesso de absenteísmo nas escolas.

O primeiro projeto prevê que o aumento da jornada escolar mínima de 800 para 960 horas poderá ocorrer de duas formas. A primeira é por uma elevação do turno diário nas escolas de 40 minutos. A segunda forma é por meio da ampliação do calendário anual das escolas em mais 20 ou 40 dias no ano - o número de dias varia conforme a escala de atividades adotada em cada escola. Qualquer que seja a opção do estabelecimento de ensino, afirma o autor da proposta, o aumento da presença dos alunos em sala de aula assegura aos professores o tempo necessário para oferecer mais informações aos alunos e trabalhar melhor os conteúdos previstos pelo currículo.

O Brasil é um dos países em que a rede de ensino básico tem a menor carga horária escolar em todo o mundo (entre nós, só as boas e caras escolas privadas das grandes capitais costumam ter uma jornada superior a 800 horas por ano). Se os projetos aprovados pela Comissão de Educação do Senado passarem pela Câmara e forem sancionados pela presidente Dilma Rousseff, o Brasil superará a carga mínima exigida em muitos países desenvolvidos. Entre os países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a carga média é de 837 horas por ano.

Os dois projetos foram recebidos com reservas pelos especialistas em pedagogia. Eles consideram importante o aumento do tempo de permanência dos estudantes na escola, mas advertem que esse tempo adicional poderá ser inútil, se não for utilizado de forma criteriosa pelos professores. Esses especialistas também lembram que, segundo as análises comparativas da OCDE, o Brasil é o país em que os docentes gastam mais tempo com atividades não diretamente relacionadas ao ensino.

Para os diretores e coordenadores pedagógicos, além disso, o aumento da frequência na sala de aula vai aumentar gastos, pois haverá a necessidade de adaptar a estrutura física das escolas para receber alunos por mais tempo, de rever os turnos escolares e de contratar mais professores e servidores administrativos. Nas escolas particulares, por exemplo, os docentes ganham por hora trabalhada. A estimativa é de que, com o aumento da jornada, as mensalidades poderão ser majoradas em até 35%. "Não vejo eficácia no projeto, pois a qualidade da educação não depende da quantidade de horas na escola, e, sim, de processos diferenciados de aprendizagem e de melhores condições de ensino", diz o presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais, Emiro Barbini. Já os líderes sindicais do magistério público questionam os dois projetos, lembrando que eles podem sobrecarregar alunos e docentes, prejudicando o ensino, em vez de melhorar sua qualidade.

Preocupado com o Plano Nacional de Educação, que continua tramitando lentamente no Congresso, o MEC não se manifestou com relação aos dois projetos de iniciativa do Senado. Se forem aprovados pela Câmara dos Deputados, as mudanças entrarão em vigor em 2013.

Twitter

Manchetes do dia

Sexta-feira, 06 / 05 / 2011

Folha de São Paulo
"Brasil aprova união estável gay"

Em julgamento histórico, STF decide que casais homossexuais também formam uma família, com iguais direitos e deveres

O Supremo Tribunal Federal decidiu, em um julgamento histórico, que casais homossexuais formam uma família com os mesmos direitos e deveres que os casais heterossexuais. O placar foi unânime, 10 a 0. A decisão dá a casais gays segurança jurídica em relação a benefícios como pensão, herança e compartilhamento de plano de saúde, além de facilitar a adoção. Segundo especialistas, o julgamento abre caminho para que o Congresso aprove o casamento gay.

O Estado de São Paulo
 "Mercado 'corrige rota' e commodities despencam"

Petróleo perde quase 9% e produtos agrícolas também declinam, enquanto dólar se valoriza

O mercado global ensaia correção de rota após a divulgação, nas últimas semanas, de vários indicadores que mostram que a economia dos países desenvolvidos ainda não ostenta o vigor que muitos imaginavam. Ontem, essa percepção se refletiu em forte queda nos preços das commodities. O petróleo perdeu quase 9% no mercado nova-iorquino, maior, queda diária desde abril de 2009. Café, milho, algodão, trigo e soja também declinaram. No Brasil, esse movimento fez o dólar subir quase 1% ante o real, para R$ 1,626. A moeda americana acumula valorização de 3,3% ante a brasileira em maio. O Ibovespa perdeu 0,33% ontem (e 4,12% no mês). Especialistas apresentaram várias explicações para a queda das commodities, inclusive os modestos dados sobre o desemprego nos EUA e a valorização do dólar - o que tende a tornar as commodities denominadas em dólar mais baratas para quem tem essa moeda e mais caras para os detentores de outras.

Twitter

quinta-feira, maio 05, 2011

Nó em fuga

Kanazawa, Japão

Mundo

Onde está a verdade?

Sidney Borges
Os Estados Unidos estão em "guerra" com a Al-Qaeda, organização que teve Osama Bin Laden como líder e que foi responsável pelo ataque de 11 de setembro de 2001. Desde aquele momento em que o mundo viu pela TV as torres gêmeas colapsando, Bin Laden tornou-se o inimigo número 1 da América e dos americanos. Jurado de morte, fato que aconteceu quase 10 anos depois, no domingo passado, 1º de maio.

Há, no entanto, algumas indagações pairando no ar. Por que não foi mostrado o corpo, que segundo as notas oficiais foi sepultado no mar depois de passar por ritos religiosos muçulmanos? Por que não divulgam fotos do cadáver? As alegações do presidente Obama não são convincentes. Mesmo nos Estados Unidos há quem torça o nariz para a falta de transparência.

A mídia internacional não comenta um detalhe que certamente não escaparia ao velho Habacuc do exército de Brancaleone. E o dinheiro? A façanha americana custou trilhões de dólares de um país que tem a economia combalida, que não gasta dinheiro em assistência médica à população e que, apesar das vozes em contrário, está em franca decadência.

Concordo com a luta contra o terrorismo, uma forma de luta que considero abjeta, mas que por ser uma forma de luta nunca desaparecerá completamente.

Não concordo com a invasão de países em nome de quimeras, como foi o ataque ao Iraque. As armas de destruição em massa que motivaram a ação nunca foram encontradas e não poderiam ser pois não existiam materialmente, tinham sido criadas na cabeça do ex-presidente Bush.

As ações no Oriente Médio acontecem por conta do petróleo. Não são de hoje, no início dos anos 50 a CIA depôs o governo iraniano e colocou em seu lugar o xá Reza Pahlevi, confiável aos interesses petrolíferos ianques e ingleses. Plantou vento, colheu tempestade na forma dos xiitas, ou melhor, ainda está colhendo. Para conter os aiatolás armou Saddam Hussein. Plantou mais vento, colheu mais tempestade com a Guerra do Golfo e seus desdobramentos. Tudo isso teve um preço que hoje é refletido na economia americana, quebrada há muito tempo e que só sobrevive graças à poupança externa. A China, por exemplo, tem trilhões de dólares aplicados em letras do governo americano. Caso resolva resgatar esse ervário vai causar sérios problemas. Será que os marines seriam enviados nesse caso?

Não derramo uma lágrima por Osama Bin Laden, assassino de inocentes, mas não sou capaz de comemorar sua morte. Morrer todos morreremos, mais cedo ou mais tarde. Tal desaparecimento não trará de volta as torres gêmeas nem aqueles que lá estavam e que foram covardemente assassinados. Esses merecem a minha consideração.

A morte de Bin Laden foi um fato simbólico que vai ser usado politicamente por Obama e que custou muito caro aos combalidos cofres americanos. Resta saber se vai ajudar o presidente democrata em suas pretensões políticas. Como sabemos, quem planta ventos...

Twitter
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Lugar melhor?

Eugênio Bucci - O Estado de S.Paulo
Declaração de Barack Obama na segunda-feira: "Podemos todos concordar que é um dia bom para os Estados Unidos. Nosso país manteve o compromisso de buscar a justiça, que foi feita. O mundo é um lugar melhor e mais seguro por causa da morte de Osama bin Laden".

Comecemos pelo começo. Quanto a ter sido um dia bom para os Estados Unidos, podemos concordar com Obama. Nada menos que 69% dos americanos apoiam o modo como ele vem conduzindo a cruzada antiterror. A morte do líder da Al-Qaeda elevou em nove pontos a sua taxa de aprovação. O povo americano aplaudiu. "A notícia de que Osama bin Laden foi localizado e morto por forcas americanas nos trouxe, a nós e a todos os americanos, uma grande sensação de alívio", resumiu editorial do jornal The New York Times anteontem.

Duas razões explicam o alívio. A primeira é de ordem prática: o homem que assumiu a autoria de alguns dos mais horrendos atentados terroristas da História e lançava ameaças constantes a todos os americanos simplesmente saiu de cena. Se ele está morto, o risco que ele representava deixou de existir. Elementar. A segunda razão tem que ver com honra: o criminoso que perpetrou o mal contra tanta gente, de modo tão selvagem, sofreu finalmente a pena que os ofendidos desejavam que ele sofresse. Os ofendidos sentem-se vingados. E festejam. Mas, a partir daqui, já não se pode concordar silenciosamente com Obama.

Será que podemos chamar isso de justiça? Por mais compreensível que seja a caçada americana, a execução sumária de Bin Laden pode ser entendida como a realização da justiça?

É verdade que a justiça traz uma reparação que aplaca a dor do ultrajado. É verdade, portanto, que uma das faces da justiça atende ao anseio de vingança. Mas não é correto dizer que a justiça se reduza a uma forma elaborada de vingança. Ela é bem mais do que isso. Ao longo de milênios, a civilização foi descobrindo que, para se realizar, a justiça não se pode confundir com a ira vingadora; ela se põe acima e a salvo das paixões e dos ressentimentos dos ofendidos, é cega às paixões das partes e, só por isso, consegue dimensionar o dano, estipular a pena, serenar o espírito dos que sofreram com o crime e, principalmente, pacificar a sociedade. Vem daí a noção - civilizada - de que ninguém faz justiça com as próprias mãos. Faz-se a guerra - mas não se faz justiça.

A morte de Osama bin Laden, ainda que traga alívio a milhões de pessoas, não pacificará nada. Todos sabem disso, inclusive as autoridades do governo americano. O mundo está mais tenso. Essa morte, mais que uma solução, expõe um grande problema para o qual parece não haver uma saída imediata. Bin Laden eliminado e desaparecido não prenuncia a superação de um conflito, mas nos escancara um limite da convivência pacífica entre os povos. A comunidade internacional, na ordem precária em que se equilibra, talvez não tivesse como julgá-lo. Tampouco os Estados Unidos. Onde ele ficaria preso? Em que cidade? Como garantir a segurança da população próxima? São essas perguntas que escancaram o nosso limite. A nossa era, que começou com o julgamento formal e justo dos piores criminosos do nazismo, chega, assim, a esta beira de abismo: não tem como julgar o líder de uma organização terrorista. Então, Obama diz que matar Osama foi uma forma de justiça, pois, deixa subentendido, não haveria outra.

Talvez seja isso mesmo. Mas isso não é "melhor". A supressão física, sumária, de um ser humano, por pior que ele seja, seguida, aliás, do desaparecimento de seu cadáver, não é solução "melhor". Um mundo em que a justiça se faz pelas armas de um destacamento militar que invade um país estrangeiro, toma de assalto uma residência, mata seu ocupante, transporta o corpo para alto-mar, onde some com ele, não é um mundo "melhor". Um mundo em que a presidência dos Estados Unidos age e fala como o tribunal do mundo não é melhor. Além de ser mais sombrio, mais incerto e um tanto tenebroso.

As versões - as versões oficiais, todas elas - sobre o que se passou na mansão paquistanesa se sucedem e caem em contradições sobre contradições. Primeiro, o guia da Al-Qaeda teria resistido a bala. Depois, estava desarmado. Nem mesmo os autores do assalto conseguem explicar o que houve. A ONU solicita imagens para esclarecer detalhes da ação. Obama resiste a mostrá-las. A legalidade do ato - seria um "assassinato seletivo"? - é seguidamente contestada em esferas distintas. O quadro ganha novas conturbações.

O pior é que, no bojo da notícia espetacular, a linha mais dura e mais truculenta que mora na América se vai afirmando mais e mais. Barack Obama não é Bush, mas, por esses caminhos tortos, vai prolongando Bush. As torturas praticadas em prisões como a de Guantánamo - um "desastre legal e moral criado por George W. Bush", no dizer de editorial do New York Times de 26 de abril, desastre que "agora é um problema de Mr. Obama" - saem malignamente reabilitadas do episódio. Segundo Leon Panetta, diretor da agência de inteligência americana, informações obtidas mediante tortura por afogamento nas prisões secretas da CIA ajudaram na operação. Desse modo, sai fortalecida a narrativa que enxerga utilidade nos interrogatórios degradantes e bárbaros. Isso, por acaso, é "melhor"?

A justificativa final que resta ao governo americano é a de que ele se encontra em guerra, uma guerra atípica, mas uma guerra. A guerra autoriza-o a impor sua justiça - e nenhum organismo supranacional será capaz de enquadrá-lo. É verdade que um mundo assim, que mistura traços de imperialismo, de civilização e de cangaço, é menos aterrorizante que um mundo ao sabor da Al-Qaeda. Mas, definitivamente, não é um "lugar melhor". Nesse horizonte plúmbeo, mesmo sem que exista um cadáver, vai ganhar mais corpo o culto antiamericano do terrorista promovido a mártir.

Twitter

Manchetes do dia

Quinta-feira, 05 / 05 / 2011

Folha de São Paulo
"Estradas federais batem recorde de mortes pela 2ª vez"

Mortalidade sobe mais 15% em 2010; governo culpa mistura de asfalto melhor, que facilita velocidade, com traçado ruim

Em todo o país, 8.516 pessoas morreram nas estradas federais em 2010, recorde pelo segundo ano consecutivo e 15,5% mais que 2009. Esse crescimento é quase o dobro do aumento no fluxo de veículos nas rodovias, informam José Ernesto Credendio e Dimmi Amora. Estatísticas do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes revelam que as ocorrências ficaram mais violentas. Para cada 10 mil acidentes, houve 471 mortes no ano passado. Em 2009, foram 464. Minas Gerais, com maior malha federal, lidera em vítimas.

O Estado de São Paulo
 "Obama decide não divulgar fotos do corpo de Bin Laden"

'Não exibimos troféus', diz o presidente, que invocou 'segurança nacional' para arquivar as imagens

Por ordem do presidente dos EUA, Barack Obama, as imagens do corpo de Osama bin Laden não serão divulgadas. A medida foi tomada com base nos argumentos dos secretários da Defesa, Robert Gates, e de Estado, Hillary Clinton, de que as imagens "medonhas" poderiam inflamar extremistas e causar riscos à segurança nacional e aos cidadãos americanos no exterior. O terrorista mais procurado pelos EUA nos últimos dez anos foi baleado no rosto e no peito por militares das forças especiais da Marinha americana durante uma operação no último domingo em Abbottabad, no Paquistão. “Nós não mostramos troféus", disse Obama em entrevista a CBS. O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse que apenas os relatos escritos sobre o funeral de Bin Laden poderão ser divulgados oportunamente. A descrição mostrará que “os EUA tiveram mais respeito com o corpo de Bin Laden do que ele teve com as vítimas" dos ataques do 11 de Setembro. Conforme insistiu, a missão militar ocorreu “completamente dentro das leis da guerra" e foi qualificada como uma “operação de autodefesa".

Twitter

quarta-feira, maio 04, 2011

Projeto Ninja

Luiz Lima, Patrícia Gonçalves, Celso de Almeida, Mauro Barros e Luiz Biteti

Moção de congratulações

Sidney Borges
Na sessão de ontem da Câmara Municipal de Ubatuba, terça-feira, 3 de maio, o Projeto Ninja foi homenageado com uma moção de congratulações proposta pelo vereador Mauro Barros. O Projeto Ninja visa dar aos jovens de Ubatuba a oportunidade de adquirir cultura aeronáutica através da prática de aeromodelismo, aulas de matérias específicas como Teoria de vôo, Meteorologia, Navegação e outras ligadas ao mundo da aviação, além de aulas práticas de vôo simulado via computador. Celso de Almeida, Celsinho, idealizador do Ninja, que está buscando apoio para o projeto, reservou uma sala do Colégio Dominique para concentrar as atividades. O nome do logradouro é sugestivo, "Sala Gastão Madeira", justa homenagem a um pioneiro da aviação nascido em Ubatuba e reconhecido mundialmente. Parabéns ao vereador Maurão pela iniciativa. Ubatuba tem assim mais um espaço destinado a subsídiar os jovens que buscam uma carreira profissional.

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Depois de Bin Laden

O Estado de S.Paulo - Editorial
Na semana passada, o coordenador de contraterrorismo do Departamento de Estado americano, Daniel Benjamin, fez uma conferência sobre a Al-Qaeda. O seu texto continha 4 mil palavras. Nenhuma delas era Osama. A ausência clamorosa do nome antecipou o que especialistas em todo o mundo passaram a dizer em uníssono desde o anúncio da morte de Bin Laden. O fundador, mentor e inconfundível fisionomia do movimento terrorista islâmico - que matou muito mais muçulmanos do que fiéis de qualquer outra religião - há anos perdera os meios de comandar efetivamente as ações de seus seguidores. Já ao seu lugar-tenente, o médico egípcio Ayman al Zawahiri, faltariam autoridade e experiência.

A organização, por sua vez, como já se sabia de longa data, havia se fragmentado em unidades com alto grau de autonomia - "franquias", na expressão corrente - espalhadas pelo Norte da África, Península Arábica, notadamente no Iêmen, e na Somália, na margem ocidental do Golfo de Aden, sob a liderança de Osamas regionais. Os mais conhecidos são Nasser al-Wuhayshi, o ex-secretário de Bin Laden que fugiu do Afeganistão e integrou os jihadistas da Arábia Saudita e Iêmen, e o seu aliado Anwar al-Awlaki, o clérigo radical nascido nos Estados Unidos e acusado de ser um importante recrutador de quadros suicidas (entre eles o nigeriano que, no Natal de 2009, tentou explodir o avião em que viajava de Amsterdã para Detroit).

A dispersão da Al-Qaeda é um complicador para os serviços de segurança. "É cada vez mais difícil saber dos planos dos militantes dessas células menores", reconheceu uma autoridade do setor citada pelo Wall Street Journal. A dificuldade imediata é estimar de onde poderá vir a tentativa de vingança pela morte de Bin Laden que Washington dá como certa. Especula-se que, graças às ligações da matriz terrorista com setores do governo paquistanês - o que o domicílio de Osama numa militarizada cidade do país, a uma centena de quilômetros da capital Islamabad, deixou escancarado -, talvez ela disponha de meios inacessíveis às filiais independentes na África e na Arábia para provocar uma tragédia em um país do Ocidente.

Em maio passado, aliás, por pouco um paquistanês naturalizado americano, que se converteu ao fundamentalismo e foi treinado na sua terra natal, não conseguiu explodir um carro-bomba em plena Times Square. Como no caso do nigeriano, a tragédia só não se consumou por falha do perpetrador, não por ter sido ele impedido, demonstrando pela enésima vez que é humanamente impossível "erradicar" o terrorismo, na bazófia do então presidente George Bush ao declarar guerra ao terror em seguida ao 11 de Setembro. O que se procura, em qualquer parte do mundo, é reduzir ao mínimo as possibilidades de ocorrência de atentados, mediante ações coordenadas de inteligência, vigilância em torno de alvos prováveis - e transformações sociais nos países vulneráveis à pregação homicida.

Ainda que os jihadistas consigam dar o seu troco, ou que um culto a Bin Laden revigore o ânimo dos fanáticos, continuará sendo um erro monumental adotar o conceito de "guerra" no combate ao extremismo islâmico. A esta altura, a invasão do Iraque - para a qual esse foi um dos pretextos - já deveria ter ensinado algo a figuras como a secretária de Estado Hillary Clinton, que voltou a usar a infausta expressão ao falar do fim de Osama. E, se o Iraque não bastasse, há o atoleiro de 10 anos em que imergiram os aliados ocidentais no Afeganistão, seguindo a miragem de construir ali um Estado funcional que acabe com a ameaça (local) do Taleban. Enquanto isso, no vizinho Paquistão, a Al-Qaeda matou 30 mil civis e 5 mil soldados e policiais.

Não foi a guerra ao terror que reduziu as simpatias por Bin Laden no país de 46% em 2003 a 18% no ano passado. Ou de 56% a 13% na Jordânia, no mesmo período. Ou de 19% para 1% no Líbano. E tampouco foi a guerra ao terror que apartou por completo da Al-Qaeda e congêneres os movimentos pela democracia que transfiguram o mundo árabe. A política americana para a região não pode se pautar pelo contraterrorismo.

Twitter

Manchetes do dia

Quarta-feira, 04 / 05 / 2011

Folha de São Paulo
"Bin Laden não estava armado ao ser morto"

EUA mudam versã0o, e ONU quer saber se a ação desrespeitou direito internacional

O governo dos EUA mudou sua versão sobre a morte de Osama bin Laden, mentor do 11 de Setembro, dizendo que ele estava desarmado na ação no Paquistão e que não usou mulheres como escudo humano. Os primeiros relates diziam que o terrorista havia sido baleado depois de atirar contra agentes norte-americanos. Sem dar detalhes, a Casa Branca reafirmou, porém, que Bin Laden "ofereceu resistência".

O Estado de São Paulo
 "Dilma quer tirar 16 milhões da miséria"

Promessa de campanha, plano do governo fixa linha de pobreza em R$ 70 por pessoa da família; detalhes ainda serão definidos

O governo Dilma definiu como alvo do plano "Brasil sem Miséria", que pretende erradicar a pobreza extrema no País, os que tem renda mensal de até R$ 70 por pessoa da família. Nessa condição, contam-se hoje 16,3 milhões de brasileiros, ou 8,5% da população, segundo cálculos preliminares feitos com base no recém-lançado Censo de 2010. A pobreza extrema não se limita a insuficiência de renda. Perfil apresentado pelo IBGE mostra que os miseráveis brasileiros, em 7% do total de domicílios, tem menos acesso a energia elétrica, água e condições sanitárias. Entre os extremamente pobres, o índice de analfabetismo chega a 22% nas cidades e a 30,3% nas zonas rurais. Com base nessas informações, o governo vai estabeleceras medidas contra a miséria, que serão anunciadas neste mês pela presidente Dilma Rousseff. Discutido em sigilo, o plano deve reciclar programas já existentes, como o água para todos.

Twitter

terça-feira, maio 03, 2011

Elvis morreu. Você acredita nisso?

Ubatuba em foco

Uma prisão e seus desdobramentos

Sidney Borges
Na semana passada recebi um telefonema informando que o assessor do vereador Rogério Frediani, Robson da Chagas, conhecido como Binho, tinha sido preso. Sem conseguir informações do porquê, limitei-me a reproduzir a nota sucinta do jornal Imprensa Livre

Ontem um leitor cobrou a ausência de um comunicado dando ciência de que Robson das Chagas tinha sido solto. 

Como muitos boatos circulavam sobre a prisão, procurei falar com os envolvidos. Comecei ligando para o senhor Robson e não obtive resposta. Liguei a seguir para a promotoria e fui convidado a ir ao Fórum. O promotor Jaime do Nascimento concordou em me receber. Liguei mais uma vez para o senhor Robson e como não obtivesse resposta, mesmo deixando recado, liguei para o vereador Rogério Frediani que me atendeu e se propôs a comentar o acontecido.

Eu pretendia ouvir a todos, mas só consegui falar com o promotor, Dr. Jaime do Nascimento, e com o vereador Rogério Frediani. As testemunhas não estão disponíveis, suas identidades permanecem sigilosas. O senhor Robson da Chagas disse que não iria falar. Assim, comecei a colher depoimentos:

Por volta das 15h de ontem entrei na sala do promotor e, depois das formalidades de praxe, fui direto ao assunto:

- Por que o senhor Robson da Chagas foi preso?

Dr. Jaime disse que no dia 20 de abril de 2011 foi procurado por duas mulheres, testemunhas do caso conhecido como "Conselho Tutelar". Elas estavam apavoradas e pediram proteção. Tinham medo de sofrer represálias em função do depoimento marcado para a próxima sexta-feira, dia 6 de maio, pois embora não tivessem sido ameaçadas diretamente, tinham recebido um "recado".

Segundo elas, num dia do mês de agosto de 2010, em um ponto de ônibus o senhor Robson expressou, de forma a ser ouvido por quem estivesse à sua volta, que "as testemunhas deveriam ter cuidado com o que dissessem pois conforme o teor teriam de se ver com a equipe do vereador Rogério Frediani".

O promotor afirmou que as testemunhas estavam aterrorizadas, com medo de depor. Depois de ouví-las concluiu que houve tentativa de constrangimento e ofereceu denúncia pedindo a prisão preventiva de Robson da Chagas, Rogério Frediani e o afastamento do vereador de suas funções.

A Justiça concedeu apenas o pedido de prisão do assessor Robson das Chagas, Binho, cuja detenção aconteceu em seguida.

O promotor disse ainda que as testemunhas estão sob a proteção do MP, com comunicação direta 24h por dia e que não serão aceitas quaisquer formas de intimidações ou ameaças.

Com o depoimento do Promotor em mãos rumei para a Câmara Municipal com a intenção de colher a versão do senhor Robson da Chagas, Binho, que foi solto no dia 02 de maio após a Justiça acatar o pedido de habeas corpus impetrado pelo advogado Dr. Michel Kapasi. 

Binho permaneceu irredutível. Não falou.

O vereador Rogério Frediani me recebeu em seu gabinete e disse ser muito estranha a discrepância de datas. O encontro do ponto de ônibus teria acontecido em agosto de 2010 e só em 20 de abril de 2011 a promotoria tomou ciência do fato e agiu de forma intempestiva, pedindo prisões e afastamento com base em denúncias que poderiam ser contestadas.

Disse ainda que se houvesse intenção de coagir teria havido tempo para tal desde agosto e que nada foi registrado nesse intervalo.

Os fatos narrados acima fazem parte do processo que envolve seis vereadores e que deverá ter um desfecho ainda este ano. Não farei comentários, este texto não é opinativo. Deixo as conclusões aos leitores.

Twitter
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

O fim de Bin Laden

O Estado de S.Paulo - Editorial
Osama bin Laden, o homem mais procurado do mundo, não estava entocado numa remota região afegã, sob a proteção do Taleban, como durante anos os serviços de inteligência dos Estados Unidos pareciam acreditar e os seus colegas paquistaneses asseguravam. O líder da organização terrorista Al-Qaeda, responsável, entre outros atentados, pelos ataques suicidas de 11 de setembro de 2001 em território americano que deixaram perto de 3 mil mortos, vivia com familiares e asseclas em fortificado casarão de 3 andares em Abbottabad, cidade paquistanesa de 500 mil habitantes, cerca de 120 quilômetros ao norte da capital Islamabad e sede da principal academia militar do país, abrigando diversas unidades do Exército paquistanês.

Eis por que nem mesmo o justificado júbilo pelo êxito da invasão do bunker de Bin Laden por forças especiais americanas levadas de helicóptero, que culminou com a eliminação de Bin Laden no começo da madrugada de domingo (hora local), pode disfarçar o mal-estar de Washington com a exposição pública do duplo papel do Paquistão na chamada guerra ao terror declarada pelo então presidente George W. Bush nos escombros do 11 de Setembro. Nestes quase 10 anos que se seguiram, os Estados Unidos elevaram a níveis sem precedentes os gastos militares com o seu aliado histórico no subcontinente asiático, além de despejar ali bilhões em programas de ajuda econômica e social.

Ainda assim, o pais islâmico, peça-chave no tabuleiro diplomático americano, nunca chegou a ser o parceiro confiável que os EUA desejavam ter na tentativa de golpear a Al-Qaeda, cujos militantes se acostumaram a cruzar, sem ser molestados, áreas da fronteira afegã-paquistanesa, enquanto agentes do temível serviço secreto de Islamabad, o ISI, olhavam para o outro lado. Em agosto passado, quando a CIA finalmente conseguiu mapear a localização de Bin Laden - dois anos depois de descobrir que o seu principal mensageiro vivia no Paquistão -, as relações entre os dois países já iam de mal a pior. Ao relutante engajamento paquistanês no combate à Al-Qaeda somavam-se graves divergências sobre o futuro do Afeganistão quando - ou se - o Taleban for neutralizado.

No pronunciamento em que anunciou a morte de Bin Laden, tarde da noite de domingo, o presidente Barack Obama se referiu à participação paquistanesa na busca do paradeiro do terrorista. Na realidade, os serviços americanos de espionagem fizeram eles próprios todo o trabalho - e Washington não compartilhou os resultados com ninguém. Mas os EUA continuam a depender do Paquistão (assim como da Rússia, por exemplo) para a logística da guerra afegã. Esse dado da realidade será inevitavelmente invocado nas novas pressões sobre a Casa Branca pela retirada americana, sob o argumento de que o fim de Bin Laden representa um divisor de águas na agenda contraterrorista do país.

Na verdade, a única certeza a emergir da formidável proeza de anteontem é que o combalido Obama saiu das cordas onde a oposição republicana parecia tê-lo confinado direto para a consagração - e a perspectiva da reeleição. Na campanha de 2008, ele prometeu repetidas vezes que Osama seria morto no seu governo. Agora, poderia metaforicamente socar o ar e proclamar "Yes, we can!". (No que diz respeito à desacreditada CIA, é a pura verdade.) Mas não precisará fazer isso, como não fez na sóbria fala de domingo, quando preferiu conclamar os americanos a reencontrar o "senso de unidade" forjado pelo 11 de Setembro. A menos que o mundo vire de ponta-cabeça, nunca mais os detratores do presidente poderão acusá-lo de ser um "líder fraco" aos olhos do mundo.

A ainda incerta recuperação da economia americana, com o nível de emprego se mantendo teimosamente num patamar inaceitável, constitui um obstáculo de monta para quem quer que fosse o titular de turno da Casa Branca. Em 1992, a economia fez Bush-pai perder a reeleição para Bill Clinton, um ano depois de vencer a Guerra do Golfo. Mas isso não se compara, no plano simbólico, ao impacto da liquidação da figura provavelmente mais odiada pelo povo americano em todos os tempos. "Fez-se justiça", disse Obama. No imaginário do país, foi ele quem a fez.

Twitter

Manchetes do dia

Terça-feira, 03 / 05 / 2011

Folha de São Paulo
"Morte de Bin Laden desencadeia medo de onda global de atentados"

Países ocidentais receiam represálias da Al Qaeda e de outros aliados do terrorista que comandou o 11 de Setembro

Osama bin Laden, a quatro meses do aniversário de dez anos do 11 de Setembro, encerra o ciclo de caçada ao terrorista e desencadeia em países do Ocidente o temor de uma onda de atentados em represália. Para a CIA, central de inteligência dos EUA, "quase certamente" a rede Al Qaeda tentará vingar o líder.

O Estado de São Paulo
 "Após a morte de Bin Laden, EUA mantêm guerra ao terror"

Obama diz que 'justiça foi feita' e 'mundo está mais seguro', mas Casa Branca alerta americanos. Hillary afirma que país 'redobrará' esforços na luta antiterror. Washington pede que Taleban abandone Al-Qaeda e entre no processo político

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse ontem que “a justiça foi feita" e "o mundo está mais seguro", um dia depois que forças especiais americanas mataram Osama Bin Laden, o terrorista saudita responsável pelo 11 de Setembro. Apesar disso, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, John Brenner, afirmou que a Al-Qaeda, organização de Bin Laden, é um "tigre ferido, ainda com vida". Por isso, o governo alertou os americanos sobre o risco de novos ataques. A secretária de Estado Hillary Clinton disse que as EUA vão “redobrar esforços" na guerra ao terror e enviou mensagem ao Taleban: “Vocês não podem nos derrotar. Mas podem abandonar a Al-Qaeda e participar do processo político."

Twitter

segunda-feira, maio 02, 2011

Mundo

Fim de caso

Sidney Borges
Osama Bin Laden abotoou o paletó na cidade paquistanesa de Abbottabad. Na verdade teve o paletó abotoado pelas tropas de Obama. Assim podemos concluir que Obama matou Osama e o Empire State Building não corre perigo. A ação militar vai render dividendos políticos. Obama é o dono das batatas. Vamos esperar o próximo lance, certamente haverá.

Twitter

Bagre glutão

Fotos: Pam Driver

As fotos não mentem...

Bill Driver, que vive em Wichita, KS, viu a bola saltitar de forma estranha no lago e foi investigar. Encontrou um bagre de cabeça chata com uma bola de basquete entalada na boca.

O peixe completamente esgotado tentava mergulhar e não conseguia devido ao empuxo que sempre o trazia à superfície.

Bill tentou tirar a bola, mas não teve sucesso. Finalmente sua esposa Pam teve a idéia luminosa de furar a bola e assim o peixe foi libertado para seguir sua vida aquática, que, como todas as vidas, deve ter algum sentido. (Original aqui)

Twitter

Obama & Osama

Palavras...

Promessas e fatos, sutil diferença

Elio Gaspari - Folha SP/Globo, 01
No dia 11, durante a viagem de Dilma Rousseff à China, ele soltou a informação de que o bilionário chinês Terry Gou, dono da Foxconn, apresentara um projeto de investimento de US$ 12 bilhões no Brasil nos próximos cinco anos para fabricar equipamentos eletrônicos. Quem conhece o mercado, suas mumunhas e suas cifras, duvidou do número, mas o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, disse que isso era coisa de quem ignorava a grandeza do projeto. Treze dias depois do anúncio festivo, a repórter Cláudia Trevisan informou, de Pequim, que, dos US$ 12 bilhões, a Foxconn poderia desembolsar entre US$ 4,8 bilhões e US$ 6 bilhões. O restante viria de capitais brasileiros e do velho e bom BNDES. (Do Ex-Blog do Cesar Maia)

Twitter
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

O Brasil dos fatos e das versões

Sandra Cavalcanti - O Estado de S.Paulo
Tem sido assim desde o começo da nossa História. É incrível como nossa trajetória é contada! Quem se debruça sobre os fatos fica escandalizado com a diferença entre eles e as suas "consagradas versões".

Esse comportamento fraudulento faz com que, em nosso país, todo historiador seja levado a trabalhar como um arqueólogo, que tem de cavar, raspar poeiras, decifrar hieróglifos e tentar entender os obscuros textos dos pergaminhos. Sempre na busca da verdade dos fatos.

Para alegria nossa, o Brasil tem sido presenteado com obras estupendas, realizadas por excelentes pesquisadores. Eles têm conseguido divulgar um conhecimento cada vez mais correto dos fatos da nossa História. E essa tarefa saneadora de desmitificação das versões tem alcançado enorme sucesso de vendas para as editoras.

Está claro que obras desse padrão não constarão jamais da lista dos livros adotados pelos técnicos ideológicos do Ministério da Educação (MEC). Para eles, quanto mais os brasileiros forem enganados pelas versões oficiais, melhor para a turma que comanda o atraso de nossa formação cultural.

Mas não é apenas nos livros "oficiais" que a nossa História é deturpada. Fazem parte dessa lavagem cerebral os demais instrumentos de comunicação dependentes do governo. Rádios e TVs, oficiais ou agregados. Todos subvencionados generosamente, à custa dos nossos impostos. No nosso dia a dia somos bombardeados pelas versões que o Planalto divulga sem cessar. Informações erradas, dados falsificados, episódios distorcidos, explicações mentirosas, enfim, um povo tratado como se todos fossem idiotas e sem nenhum espírito crítico.

Veja-se agora o que está acontecendo com o famoso episódio do mensalão do PT. Já está quase esquecido! Foi, no entanto, o mais vergonhoso episódio ocorrido em nossa História recente. Um plano frio, cínico, típico de um grupo que só tinha um objetivo em suas supostas lutas pela ética e pela moralidade: chegar ao poder e se vingar. Vingar de quê? Os autores desse plano eram, e ainda são, indivíduos ressentidos, cheios de raiva contra as "elites" - letradas, bem alimentadas, patrões e chefes. Para eles, chegar ao poder era a suprema desforra.

Esse tem sido sempre o sentimento da esquerda sem estudos, valores e visão do mundo. Entre uma esquerda raivosa e uma direita sem escrúpulos, o entendimento sempre se dá muito bem.

A chegada de Lula ao poder mostrou que essa é a mentalidade deles. Para ganhar a eleição tinha de mudar o discurso? Era preciso mudar a rota? O PT não teve dúvidas: mudou.

Mudou, mas chegou ao Planalto com as mesmas disposições de antes. E mesmo usando as receitas do governo anterior, tratou de vender ao País a ideia de ter recebido uma "herança maldita". Sempre o mesmo processo de criar versões, apagar os fatos e vender uma "nova História" ao Brasil.

Quando foram apanhados roubando recursos públicos, espalharam que aquilo teria sido um simples "caixa 2". Não foi! A Justiça definiu-o como crime de formação de quadrilha. São 38 réus no processo. Nestes seis anos, a versão vai vencendo. A quadrilha do mensalão está de volta ao poder, inocentada pelos seus eleitores. A última cartada da versão já está na mesa: em agosto prescreve o crime. Se a denúncia criminal não for feita até lá, teremos uma nova derrota dos fatos.

A desenvoltura dos integrantes da quadrilha do mensalão e da quadrilha do dossiê contra José Serra já vem despertando muitas suspeitas. Os réus andam muito à vontade nos palácios. Muitas declarações, muitas aparições públicas, muitas articulações, enfim, muita recuperação de terreno. Tudo isso leva a crer que está em marcha uma grande manobra para tornar vitoriosa a versão criada pelo então presidente Lula: "O mensalão não existiu. Foi tudo armação da oposição"!

Colocar o mensaleiro João Paulo Cunha na presidência da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados é mais do que um acinte, é uma ameaça para constranger o Supremo Tribunal Federal. A presença desenvolta de José Dirceu nos acontecimentos recentes e o seu evidente prestígio junto à ocupante da Presidência da República, tudo isso é uma sinalização mais do que evidente. Das tentativas feitas para apagar fatos e divulgar versões, essa de Lula é a mais ousada de quantas têm marcado o comportamento dos líderes petistas.

Há dias a Polícia Federal conseguiu terminar o seu relatório a esse respeito. Entregou o penoso e bem feito trabalho ao procurador-geral da República. Está, pois, nas mãos dele ajudar na luta entre os fatos e as versões.

Tenho medo. O mês de agosto não me traz boas recordações. A tentativa de assassinar Carlos Lacerda. A morte do major Rubens Vaz. O suicídio de Getúlio Vargas. Anos depois, também em agosto, a renúncia jamais explicada, e jamais entendida, de Jânio Quadros. Renúncia que abriu para Brizola e Jango a tentação de, por golpe e com o apoio de pequeno grupo militar, implantar aqui uma República sindicalista, com a ajuda de Cuba e da Rússia. Se não fosse o patriotismo da maior parte das nossas Forças Armadas, em 31 de março de 1964 o Brasil teria dado um dos passos mais tristes de sua História.

Mas a tradição de criar versões e negar os fatos não muda. A mídia tem passado os últimos tempos divulgando exatamente o contrário da realidade. Na maioria das reportagens, os fatos cederam às versões. Os golpistas Jango e Brizola são saudados como legalistas. Os legalistas, que seguiram Castelo Branco e impediram o golpe, são apontados como golpistas. As Forças Armadas nem podem mais comemorar o 31 de Março!

Que agosto não nos traga desgosto. Vamos ver o que acontece com os "heróis" do mensalão...

Twitter

Manchetes do dia

Segunda-feira, 02 / 05 / 2011

Folha de São Paulo
"Osama Bin Laden está morto, afirma Obama"

O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou ontem à noite a morte de Osama bin Laden, líder da organização Al Qaeda - responsável pelos atentados de 11 de Setembro. Segundo a rede CNN, seu corpo está com autoridades do país. Os EUA perseguiam Bin Laden desde seu desaparecimento nas montanhas do Afeganistão no fim de 2001, logo após atentados contra as torres gêmeas em Nova York. Segundo a CNN, Bin Laden foi morto na periferia de Islamabad (Paquistão).

O Estado de São Paulo
 "Inflação vira bandeira política no 1° de maio"

Acusados de omissão, governistas recorrem a nota na qual Dilma promete preservar valor de salários

A pressão inflacionária deu o tom da disputa entre governo e oposição nas comemorações do 1º de Maio organizadas em São Paulo por centrais sindicais. No evento montado pela Força Sindical e outras quatro centrais, o senador tucana Aécio Neves atacou a “omissão" do Palácio do Planalto em relação à inflação - fazendo eco ao artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso publicado ontem pelo Estado. "A primeira vítima da inflação é a classe trabalhadora", disse Aécio. A resposta do governo veio em uma nota da presidente Dilma Rousseff, lida na festa da CUT pelo ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência. “Não permitirei sob nenhuma hipótese que a inflação volte a corroer o poder aquisitivo dos trabalhadores", prometeu Dilma. Carvalho disse que a presidente já tomou medidas contra a alta da inflação, que o ministro considerou sazonal, provocada pela alta de preços agrícolas.

Twitter

domingo, maio 01, 2011

Arte

Karel Appel - Três pássaros - litografia

Brasil

Livros aprovados pelo MEC criticam FHC e elogiam Lula

Obras atacam privatizações feitas pelo tucano e minimizam o mensalão. Comissão formada por professores avalia os livros, que são usados por 97% das escolas da rede pública de ensino

Luiz Bandeira e Rodrigo Vizeu, Folha de S. Paulo
Livros didáticos aprovados pelo MEC (Ministério da Educação) para alunos do ensino fundamental trazem críticas ao governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e elogios à gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Uma das exigências do MEC para aprovar os livros é que não haja doutrinação política nas obras utilizadas.

O livro "História e Vida Integrada", por exemplo, enumera problemas do governo FHC (1995-2002), como crise cambial e apagão, e traz críticas às privatizações.

Já o item "Tudo pela reeleição" cita denúncias de compra de votos no Congresso para a aprovação da emenda que permitiu a recondução do tucano à Presidência.

O fim da gestão FHC aparece no tópico "Um projeto não concluído", que lista dados negativos do governo tucano. Por fim, diz que "um aspecto pode ser levantado como positivo", citando melhorias na educação e a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Já em relação ao governo Lula (2003-2010), o livro cita a "festa popular" da posse e diz que o petista "inovou no estilo de governar" ao criar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.

O escândalo do mensalão é citado ao lado de uma série de dados positivos.

Nota do Editor - Na União Soviética de Stalin, na Alemanha Nazista de Hitler, na Romênia de Ceaucescu, na Coréia do Norte de Kim Jong-II e em outros paraísos da liberdade a realidade sempre foi questionada. O que é a realidade? É aquilo que queremos que seja. Sidney Borges

Twitter
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Aeroportos - uma política maiúscula

Suely Caldas - O Estado de S.Paulo
Dois anacrônicos dogmas ideológicos do Partido dos Trabalhadores (PT) foram derrotados nos últimos dias: a presidente Dilma Rousseff decidiu privatizar aeroportos e o Banco Central restabeleceu a taxa Selic como principal instrumento de controle da inflação.

No caso dos aeroportos, a realidade nocauteou o preconceito: o Estado não tem dinheiro nem a Infraero tem competência para tocar as obras. Essa estatal passou oito anos do governo Lula desperdiçando dinheiro público com desvios e roubalheira, e o pouco que sobrou para os aeroportos foi usado em maquiagens grosseiras que não ampliaram a capacidade de operação nem melhoraram a qualidade dos serviços.

Já a direção do Banco Central, com a nova postura de aliada do ministro da Fazenda, Guido Mantega, incorreu em erro estratégico de gestão macroeconômica, ao jogar para escanteio a política de juros e priorizar as "medidas macroprudenciais" de restrição ao crédito, esperando efeito sobre a queda do consumo. Nem arranhou. A demanda continua forte, porque o comércio ampliou o número de prestações para fazer caber seus valores no orçamento das famílias.

Obrigado a recuar e reconhecer que a clássica arma de manejar juros funciona com mais eficácia para conter a inflação, o Banco Central promete agora um longo período de aumentos da taxa Selic.

Esses deslocamentos confusos da política monetária transmitem dubiedade, insegurança, indecisão e são prato cheio para o mercado financeiro especular, prejudicando o percurso da inflação. Situação própria de um governo que quer fazer omelete sem quebrar ovos, reduzir a demanda sem abalar a geração de empregos.

Como reagirá agora o quixotesco Guido Mantega? Vai brigar com o Banco Central, como fazia na época de Henrique Meirelles? Ou aplaudir a elevação da Selic nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom)? A ver.

Aeroportos. É uma tarefa fácil e rápida constatar a incompetência da Infraero. Nos oito anos de governo Lula, ela se especializou em fraudar com dinheiro público e degradar a qualidade dos serviços em aeroportos. A CPI do Apagão Aéreo apurou práticas de superfaturamento com desvios de R$ 254 milhões em obras no aeroporto de Guarulhos (SP); R$ 52 milhões em Macapá (AP); R$ 41 milhões no terminal Santos-Dumont (RJ); mais R$ 28,4 milhões em Salvador (BA); e R$ 12 milhões em Congonhas (SP). O Tribunal de Contas da União (TCU) constatou irregularidades em contratos que somaram R$ 3 bilhões. Foram oito anos de gestão do PT na Infraero, muito dinheiro desperdiçado e nenhum diretor punido ou responsabilizado judicialmente.

A Infraero não serve mais e a presidente Dilma Rousseff sabe disso. Em reuniões internas, ela tem criticado duramente as últimas gestões desastradas da empresa e repetido não temer greves de funcionários contra a privatização. Depois de oito anos em que a empresa foi comandada por políticos, Dilma escolheu agora um técnico para dirigir a Infraero. Funcionário de carreira e ex-diretor de Liquidação do Banco Central, Gustavo Vale entrou prometendo abrir o capital, demitir 1,2 mil de um total de 11 mil funcionários e fazer dela uma estatal eficiente. Conseguirá? Há quem não acredite. Os governadores do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e de Minas Gerais, Antonio Anastasia, por exemplo, querem a Infraero bem longe da gestão dos aeroportos em seus Estados.

Ainda é desconhecido o que fará a Infraero nos cinco aeroportos que serão privatizados (Guarulhos e Viracopos, em São Paulo; Confins, em Minas; Galeão, no Rio; e o de Brasília). O ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, diz que a ideia é o consórcio privado que realizar as obras dividir com ela a administração de grandes terminais.

Dificilmente empresas com experiência em dirigir aeroportos na Alemanha, Espanha e França e candidatas às licitações terão interesse em partilhar a gestão com uma estatal com o histórico da Infraero. Apenas imaginar a confusão criada pelo duplo comando e métodos de ação tão diferentes faria empresas de grande porte e experiência no negócio desistirem antes da licitação. Muito menos elas aceitarão ter seu capital investido remunerado com aluguéis de lojas nos terminais.

O maior atrativo para quem está nesse negócio não é explorar lojas, mas as receitas pagas por empresas aéreas pela permanência de aeronaves em solo e cobradas dos passageiros nas taxas de embarque.

Por enquanto, falar sobre o modelo de gestão dos terminais que se tornarem privados é especular. O BNDES trabalha na definição de regras para os editais de licitação e a presidente Dilma dará a palavra final. Ao governo interessa tocar as obras com dinheiro privado, pressa, eficiência e qualidade de resultados.

E, para atrair empresas privadas capacitadas a atender a tais requisitos, o governo terá de aprender com experiências de outros países e avançar para um modelo vantajoso para as empresas, para o governo e para os usuários de aeroportos.

O presidente da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), o italiano Giovanni Bisignani, defende a privatização por meio de concessões, mas com um órgão regulador forte e independente para evitar a prática de monopólios e que onere muito o usuário.

Uma alternativa seria conceder a gestão aos consórcios privados em troca de indenização financeira ao Estado, em sistema de outorga, e o cumprimento de certas exigências, como metas de investimentos futuros na melhoria dos serviços, enquanto durar o prazo de concessão. Como ocorreu e ocorre no setor de telecomunicações.

À Infraero caberia fiscalizar a operação das empresas privadas e reforçar a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) na concepção de regras de regulação, atuando como um braço da Anac em cada aeroporto. Aqueles funcionários operacionais indispensáveis para fazer funcionar os terminais poderiam, por exigência do edital, ser transferidos para as empresas que vencerem as licitações.

O governo precisa pensar não em remendos para a Copa de 2014, mas numa política maiúscula, com regras duradouras que façam do investimento uma constante, não um episódio de urgência. O apagão aéreo é uma ameaça que cresce continuamente. Nos últimos três anos o número de passageiros que circulam em aeroportos brasileiros cresceu nada menos do que 60%, e em 2011 serão 180 milhões/ano. Quantos serão no pico da Copa?

Twitter

Manchetes do dia

Domingo, 01 / 05 / 2011

Folha de São Paulo
"Pico da inflação vai coincidir com disputas salariais"

Neste ano, ganhos obtidos de 2004 a 2010 entrarão em choque com política anti-inflação do governo Dilma

Projeções do governo e do setor privado mostram que a inflação atingirá seu pico em setembro, data-base da campanha salarial de metalúrgicos, bancários e petroleiros. Índices como INPC e IPCA, que balizam negociações e metas oficiais, devem bater os 7,4% em agosto. Neste ano, a série de ganhos salariais obtidos de 2004 a 2010 entrará em choque com a política anti-inflação do governo Dilma.Para repetir o aumento do poder de compra obtido no ano passado, os metalúrgicos do ABC terão de pleitear um reajuste acima de 14%. A evolução dos salários é uma das preocupações centrais do governo, cujo objetivo é levar o IPCA à meta de 4,5% no próximo ano – 2011 já é dado como perdido. Em ata, o Copom alertou para efeitos negativos de aumentos acima da produtividade.

O Estado de São Paulo
 "Companhias aéreas querem ampliar jornada da tripulação"

Empresas consideram pouco produtiva a atual carga, de 85 horas/mês, e estudos sugerem 100/mês

As companhias aéreas querem aumentar a carga horária das tripulações – pilotos e comissários – por considera-la uma das mais baixas do mundo e pouco produtiva nos vôos domésticos. A ideia é tratada entre os diretores das empresas como “flexibilização”. Estudos das companhias avaliam que o limite das atuais 85 horas/mês deveria subir para cerca de 100 horas/mês, relata a repórter Tânia Monteiro. A carga horária das tripulações brasileiras é regulamentada por lei de 1984, segundo a qual, nas rotas domésticas, o limite é permitido para “uma jornada (diária) é de 9 horas e 30 minutos de vôo e cinco pousos”. As empresas temem a reação do Sindicato dos aeronautas.

Twitter
 
Free counter and web stats