sábado, abril 23, 2011

Semana Santa na Espanha

Mundo

'Custo humano por energia nuclear é muito alto'

Brian Rohan, Reuters (Blog do Noblat)
A energia nuclear pode parecer barata à primeira vista, mas os custos humanos potenciais da energia atômica fazem que ela seja inexequível a longo prazo, disse o ministro de Meio Ambiente alemão, Norbert Roettgen, em declarações divulgadas [ontem].

Em um artigo da revista semanal Der Spiegel sobre o 25º aniversário do desastre nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, Roettgen disse que a decisão da Alemanha de se afastar da geração de energia nuclear era um tema de política econômica responsável.

"A curto prazo, pode parecer uma fonte de energia barata, mas se ocorre uma catástrofe, os custos são muito elevados (...) Nenhum objetivo econômico merece por em perigo o bem estar do povo, nem hoje nem nas futuras gerações", agregou.

O acidente do reator de Fukushima no Japão provocou uma abrupta mudança de sentido nos planos de energia nuclear na Alemanha, com o governo centrado em como abandonar a energia nuclear depois de ter desligado várias centrais.

Roettgen disse que além do custo humano, o desastre no Japão foi um duro golpe para a economia japonesa, a terceira maior do mundo. Ele avaliou que o acidente levará a uma reavaliação geral da energia atômica e que a Europa já mostra sinais de revisão.

"Os custos do acidente do reator de Fukushima pesarão sobre a economia do Japão por anos, se não décadas", afirmou. "Esses custos econômicos levarão a repensar a energia nuclear", acrescentou.

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Opinião

Dinheiro vai rolar mais que a bola

O Estado de S.Paulo - Editorial
Não é de hoje que as autoridades têm tratado com um misto de condescendência e bazófia as críticas à lentidão das obras necessárias para a realização da Copa do Mundo em 2014. Quando o assunto é tratado pela mídia, com base em levantamentos sérios, como o divulgado há dias pelo Ipea, ministros e altos funcionários falam como se tivessem trunfos escondidos na manga da camisa. E, pouco a pouco, eles são colocados na mesa. Como se não bastasse a Medida Provisória 497, aprovada no ano passado, pela qual foi concedido regime especial de tributação - ou seja, isenção de impostos - para a aquisição de bens ou serviços destinados à construção, ampliação e modernização de estádios, o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2012 abre uma nova brecha, esta ainda mais perigosa. O projeto da LDO, encaminhado ao Congresso no último dia 15, visivelmente fora de sintonia com o propósito expresso do atual governo de cortar gastos, prevê tratamento especial para obras públicas relacionadas a eventos especiais (leia-se Copa do Mundo e Olimpíada), como aeroportos, estradas e metrôs, para que elas possam ser tocadas com mais agilidade e não sejam interrompidas a todo momento. É justamente o que as empreiteiras queriam: se não forem inteiramente dispensadas, as licitações serão feitas a toque de caixa, não podendo as obras ser embargadas pelo Tribunal de Contas da União, se surgirem fundadas suspeitas de irregularidades.

Pode ser até que o País não passe vexame perante os estrangeiros por não ter daqui a três anos a infraestrutura necessária para a realização do megaevento esportivo. Mas a forma como os preparativos vêm sendo feitos já são, em si, uma vergonha para os brasileiros. E vai certamente doer nos seus bolsos. Mesmo com o regime especial de tributação, as obras tenderão a ser muito mais caras, pois, sem controle adequado, abre-se espaço para os abusos e para a corrupção. E, com a inflação rondando, não será novidade se as empreiteiras pleitearem reajustes milionários. Já se viu esse filme.

Com o açodamento que se segue à perda de tempo, é previsível que sejam feitas obras de carregação, que precisarão, logo depois, de reparos ou reformas. Não será surpresa também se vierem por aí esquemas engenhosos para cobrir extravagâncias. Afinal, como os gastos de custeio da máquina oficial são considerados "incomprimíveis" e como o governo se reservou R$ 37 bilhões, pela LDO, para despesas discricionárias, com liberdade plena para gastar, é provável que uma boa parte disso acabe indo para as obras da Copa, além, claro, daquelas incluídas no PAC. Se assim for, para produzir um superávit primário de 3% do PIB, o governo não conseguiria resistir à tentação de onerar ainda mais os contribuintes.

Além disso, em uma fase de contenção do crédito, o BNDES criou uma linha de crédito de R$ 3,6 bilhões, destinada a projetos de construção ou reforma de estádios. São exigidas garantias, sendo aceita a associação entre clubes de futebol ou governos estaduais com empresas privadas. Mas, com a premência de tempo, já há pressões para que o banco afrouxe as exigências e eleve as suas disponibilidades para atender à demanda, dado o alto custo da construção de modernos estádios cobertos.

Evidentemente, tudo isso está ligado a objetivos político-eleitorais. Os detentores do poder nos três níveis de governo tentarão extrair o máximo possível de dividendos eleitorais da Copa nas eleições municipais de 2012 e no pleito de 2014.

Não se pode deixar de lembrar que a decisão da Fifa de realizar o evento no Brasil foi tomada em outubro de 2007 e, fora as comemorações dessa "vitória", os governos, a CBF e os clubes cujos estádios vão sediar os jogos não fizeram nada até 2010, quando começaram a fluir as benesses. Dizia-se, até então, que os projetos mirabolantes seriam tocados basicamente sem um tostão dos governos. O dinheiro público deveria ser destinado a fins mais úteis à sociedade, e não na organização da festa da pátria de chuteiras. O que se vê na prática é que o dinheiro público para a Copa começa a rolar. E vai rolar muito mais.

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Manchetes do dia

Sábado, 23 / 04 / 2011

Folha de São Paulo
"Ditadura da Síria mata mais de 80 opositores"

Pelo menos 300 manifestantes já morreram em protestos antigoverno

Um dia após o governo ter decretado o fim do estado de emergência, forças do ditador sírio, Bashar Assad, atiraram em manifestantes e mataram mais de 80, segundo relato de ativistas. Foi o dia mais violento desde o início da onda de protestos, em 15 de março. Vídeos veiculados pela rede Al Jazeera mostram opositores sem armas sendo fuzilados em Homs (oeste). Testemunhas relataram que em Hama, no centro do país, atiradores em telhados miravam quem protestavam. Desde o início dos protestos, contando com o dia de ontem, a estimativa é a de que a ditadura da Síria tenha matado mais de 300 adversários.

O Estado de São Paulo
 "Repressão na Síria deixa 76 mortos"

No dia mais sangrento desde que começaram os protestos contra o ditador Assad, forças governistas abriram fogo indiscriminadamente, acusam ONGs

Pelo menos 76 pessoas morreram ontem na repressão a dissidentes realizada pelas forças de segurança da Síria. As mortes, relatadas por testemunhas e grupos de defesa dos direitos humanos, ocorreram em várias cidades do país. Segundo as informações, a maioria das vítimas foi morta indiscriminadamente por soldados, que atiraram contra a multidão. No dia anterior, o ditador Bashar Assad havia suspendido o estado de emergência que vigorava desde 1963. A medida, porém, parece não ter dado resultado. Aproveitando as preces de sexta-feira, líderes dissidentes haviam prometido realizar as maiores manifestações até então contra Assad. Batizado de "A Grande Sexta-feira", o dia acabou sendo o mais violento desde que começaram os protestos na Síria, em 15 de março.

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sexta-feira, abril 22, 2011

Portinari

Meninos brincando

Coluna do Celsinho

Linha direta

Celso de Almeida Jr.
Bonita é a história do Cristo.

Em essência, o amor simboliza o seu pensamento.

Mensagem forte, não é mesmo?

Duradoura, simples, intensa.

Fácil de assimilar.

Tenho conseguido compreendê-la sem a ajuda de padres e pastores.

Respeito o importante trabalho desses estudiosos da Bíblia, mas optei pela busca solitária.

Ex-aluno de escola confessional, já ouvi um considerável número de sermões; creio suficientes.

Numa emergência, não faltarão igrejas e templos nas muitas esquinas do Brasil.

Conheço os endereços.

Por enquanto, vou me comunicando diretamente.

Sem tradutores.

Boto fé no meu aramaico.

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Opinião

Contra o ''politicamente correto''!

João Mellão Neto - O Estado de S.Paulo
Iniciei minha vida profissional, como jornalista, em 1980. Ainda estávamos no regime militar - que hoje é conhecido como ditadura. Não havia mais censura. O cerceamento da nossa liberdade de expressão era mais sutil. E provinha dos dois lados. Num deles estava o poder. No outro, a "patrulha ideológica" da oposição. O pessoal do poder achava que tudo o que fazia era certo. Se alguém discordasse, só podia ser por ignorância ou má-fé. Já a patrulha entendia o mesmo, só que com os sinais trocados.

Mas havia ao menos certa ética na lide. Mil vezes ouvimos de nossos mestres do jornalismo: "Informação é informação; opinião é opinião. Misturar as duas coisas é antiprofissional. Distorcer a primeira para valorizar a segunda, então, é imoral".

Tudo bem. Em momentos de exceção, como aqueles, o maniqueísmo brotava naturalmente. Ser radical parecia ser a única saída. Era comum ouvir frases do tipo: "Quem não é meu amigo é meu inimigo". Ou até: "Quem é inimigo do meu inimigo é meu amigo". Era preto ou branco. Não existia cinza.

O que me surpreende hoje em dia é que, depois de 26 anos de convivência democrática, ainda haja gente que pense assim. A "patrulha" agora tem um nome mais pomposo: "correção política". Quer dizer, abolição do nosso vocabulário de todas as palavras que tragam embutidos algum preconceito ou discriminação. Ou seja, quase tudo.

Imaginemos, por exemplo, o diálogo num hotel.

"Boa noite, senhor, queira, por favor, preencher a ficha."

"Hum... Não vai dar! Chamou-me de senhor, isso quer dizer que me prejulgou, tachando-me de idoso. Ou, no mínimo, de alguém com status social superior ao seu..."

"Desculpe-me, quis apenas ser respeitoso..."

"Eu vim aqui à procura de um quarto, não de respeito. Quem gosta de tratamento cerimonioso ou é aristocrata ou, pior, burguês metido a nobre."

"Como, então, devo chamá-lo?"

"Cidadão, camarada, companheiro, qualquer coisa assim... Ah, e a sua ficha está incorreta. No item sexo constam apenas duas alternativas."

"E existe alguma outra?"

"Várias! Escreva apenas "orientação sexual" e deixe um espaço em branco para ser preenchido."

"A coisa está ficando preta!"

"Você não deve usar essa expressão. Ela define um quadro confuso, aludindo aos negros. Perdão, afrodescendentes."

"Ai, meu Deus!"

"Essa sua exclamação também é excludente. Tem muita gente no mundo que acredita em outro deus. Como outros que cultuam vários deuses e também os que não acreditam em deus nenhum. De mais a mais, por que o seu deus atenderia, particularmente ao seu chamado?"

"E chamar alguém de t. d., isso pode?"

"Só se não for com sentido ofensivo ou depreciativo."

"Com licença. Eu tenho de trabalhar."

"O que você quis dizer com isso? Que eu não tenho trabalho? Só porque me visto como um estudante?"

Qual é a razão da minha implicância com o conceito de "politicamente correto"?

É que, no Brasil, o que era só uma recomendação acabou por se tornar um dogma. Não se pode chamar sequer de religião. Isso porque, apesar de cada uma delas reivindicar exclusividade sobre a palavra divina, todas aceitam coexistir de maneira pacífica. Já os fiéis do "politicamente correto", não! Eles primam pela intolerância.

Não é porque não se concorda com uma pessoa que se adquire o direito de excomungá-la. A campanha difamatória que alguns órgãos da imprensa fizeram, dias atrás, contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é um bom exemplo disso. Tratou-se, a meu ver, de mais um caso de má conduta profissional. Simplesmente lhe atribuíram palavras que não eram dele e foram ao Congresso perguntar a opinião dos inquilinos que lá se encontravam: "Excelência, o que achou de FHC afirmar que não quer mais saber do povão?".

A resposta era previsível. Já estava implícita na pergunta. Acontece que ele jamais afirmou isso. É incrível que até experientes políticos aliados tenham caído nessa armadilha.

Li e reli várias vezes o longo artigo que ele publicou. O que pude entender é que o que ele pretendeu foi dar um belo pito na oposição: quem a exerce não pode lutar com as mesmas armas que o governo. Vai perder, porque o poder sempre tem os melhores instrumentos. Não se trata de fazer mais, mas de fazer diferente. E FHC apresentou várias sugestões nesse sentido. Em nenhum trecho de seu texto ele afirmou que a população mais carente devia ser deixada de lado. Resumiu-se a recomendar a seu partido que procurasse conhecer melhor o pensamento e os hábitos da nova classe C - ou "novas camadas possuidoras", no dialeto uspiano.

Mas foi essa a interpretação leviana que os tais "politicamente corretos" da imprensa repassaram ao público. Tentaram induzir a ideia de que o ex-presidente não passa de um "liberal com propensões elitistas".

Ora, se disserem isso de mim, é verdade! Mas FHC não cabe nesse figurino. Ele é e sempre foi um convicto social-democrata.

Ah, não é correto uma pessoa pública, como Fernando Henrique Cardoso, referir-se ao povo como "povão"? Então, por que nunca protestaram contra as abundantes expressões "politicamente incorretas" de Lula? Como se pertencer ao PT fosse desculpa para alguma coisa...

Ora, pessoal, numa democracia é fundamental que os que estão no governo governem, que os opositores se oponham e que a imprensa noticiosa noticie. Somente assim o "povão" se torna apto a julgar. Embaralhar tudo isso só dá confusão: o discurso dos governistas é de oposição, os oposicionistas não se assumem. E os repórteres distorcem as reportagens.

É por isso que ninguém pode ter o direito de policiar as ideias de ninguém. Abaixo a ditadura! E abaixo o "politicamente correto", também!

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Sexta-feira, 22 / 04 / 2011

Folha de São Paulo
"'Maquiagem' de produtos crescem junto com inflação"

Empresas reduzem quantidades sem deixar claro para consumidor

Para driblar a alta de preços, empresas estão “maquiando” seus produtos. Com o aumento de custos, em vez de elevar o valor do produto, o fabricante reduz o peso ou o seu volume. A mudança, contudo, não é informada com clareza, relata Leandro Martins. Levantamento da Folha em supermercados achou 12 produtos com redução no volume. As embalagens traziam informação sobre a redução – como determina lei – mas, na maioria dos casos, em letras miúdas.

O Estado de São Paulo
 "Dilma enquadra agências reguladoras"

Até o final do ano, órgãos como Anatel e ANP deverão ter comando com perfil técnico, e a ideia do Planalto é ampliar seu controle sobre eles

As agências reguladoras vão começar a ganhar um perfil mais alinhado com a presidente Dilma Rousseff ainda neste ano. As indicações para os cargos já foram iniciadas pelo Planalto. Até o fim do ano, o comando de órgãos reguladores, como a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis(ANP), estará sob nova gestão. As indicações políticas não estão vetadas, mas os aliados terão de encontrar pessoas com perfil técnico efetivo. O Planalto quer aproveitar as mudanças para exercer maior controle sobre as agências. Para operadores do setor elétrico, a decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de apertar o Grupo Bertin por conta dos atrasos na entrega de termoelétricas já é uma evidência dessa ligação estreita.

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quinta-feira, abril 21, 2011

Miró

Análise

O fundamentalismo do Estado cubano

Eugênio Bucci - O Estado de S.Paulo
Ao final do sexto congresso do Partido Comunista Cubano (PCC), anteontem, revelou-se a verdadeira face da renovação prometida pela ditadura que há 52 anos manda na ilha. No lugar do velho comandante Fidel Castro, que agora saiu formalmente do poder, entra o irmão dele, Raúl Castro. Raúl é um pouquinho mais novo que Fidel: tem 79 anos de idade. Como segundo homem na hierarquia partidária foi nomeado José Ramón Machado, que é um pouquinho mais idoso que Raúl: tem 80. Nada contra a maturidade, que traz ensinamentos e até sabedoria. Em Cuba, no entanto, o Estado geriátrico é o reflexo do envelhecimento não das pessoas, mas do regime. Os sonhos de juventude viraram pesadelo nesse fim de noite. A renovação anunciada no congresso dos comunistas cubanos é a antessala da morte. Física e política.

Na década de 1950, Raúl e Ramón davam tiros em Sierra Maestra. Agora, são linha dura e não lançam sinais seguros de liberdades democráticas em Havana. No plano econômico, o capital deve conseguir seu visto de entrada nos domínios dos Castros, mas por ora vai mandar para lá apenas o seu lado selvagem: desemprego, especulação, insegurança. O autoritarismo cubano avança na direção de juntar os dois mundos, o socialista e o capitalista, pelo que há de pior em cada um deles, e faz isso graças ao apoio dos que veem na decrepitude do PCC o farol e a tábua de salvação dos ideais de fraternidade socialista.

Cuba só se converteu na tirania que é hoje - caquética, mas de pé - porque soube transformar a militância que a sustenta, dentro e fora da ilha, numa seita religiosa. Há décadas, amaldiçoou o pensamento crítico, baniu toda divergência, fez da imaginação um vício proscrito e, no vazio deixado pelo que havia de inquieto na revolução, instalou o dogma e a obediência cega. Criticar Fidel virou pecado mortal. O silêncio obsequioso diante do sofrimento e da humilhação que ele impôs e impõe ao povo cubano virou sacerdócio. Ser socialista virou sinônimo de crer na infalibilidade do ditador. Foi assim que a ditadura confinou sua gente, com a cumplicidade de muitos que se calaram, por medo de serem vistos como agentes do imperialismo. O imperialismo é a encarnação do demônio.

Que atitude pode ser mais religiosa, mais fundamentalista do que essa?

Não foi por acaso que o Estado cubano assumiu os contornos de um Estado fundamentalista. Na Constituição da República de Cuba, o poder não emana do povo - apenas parte do poder emana do povo. A parte mais importante vem do alto, vem do partido, que, atenção, não tem as portas abertas para qualquer cidadão: ela admite como integrantes apenas aqueles que são escolhidos não pelo povo, mas pelos que já são integrantes do próprio partido. Assim, em Cuba, quem dirige o Estado e a sociedade (ou os modos de viver) é o partido - não é o cidadão ou um representante direto do cidadão.

O artigo 5.º da Constituição cubana não deixa dúvidas quanto a isso: "O Partido Comunista de Cuba, martiano (de José Martí)e marxista-leninista, vanguarda organizada da nação cubana, é a força dirigente superior da sociedade e do Estado, que organiza e orienta os esforços comuns na direção dos altos fins da construção do socialismo e do progresso na direção da sociedade comunista".

Tanto é assim que as decisões sobre os destinos do povo cubano não emergem de uma instância republicana, de Estado ou de governo, mas do partido, uma elite fechada, que é "a força dirigente superior". Em Cuba, o partido é a fonte da verdade, mais ou menos como - a comparação é inevitável - ocorre com na República Islâmica do Irã. Também no Irã a verdade superior reside numa instância que paira acima dos órgãos de Estado e de governo, integrada por sábios religiosos (a função que em Cuba cabe ao partido no Irã é exercida pelos sábios da fé). Esse princípio é explícito em diversos artigos da Constituição iraniana. O artigo 13 por exemplo, afirma que o presidente é a autoridade máxima no país, ficando abaixo, apenas, da autoridade religiosa. Ou seja: como em Cuba, também no Irã não é todo o poder que emana do povo. Apenas uma parte do poder emana do povo, e essa parte é hierarquicamente inferior à outra, aquela que não emana do povo.

As semelhanças de estrutura entre as duas Constituições não são poucas nem pequenas. Registremos apenas outras duas: o princípio do expansionismo internacional da doutrina que professam e a identificação clara do inimigo, cuja figura maligna serve para justificar a supressão das liberdades internas. Na Constituição cubana, o artigo 12 consagra "os princípios internacionalistas e anti-imperialistas", pois, como se lê no preâmbulo, "só o socialismo e o comunismo" conduzem "à inteira dignidade do ser humano". Na Constituição do Irã, fala-se na "completa eliminação do imperialismo" e em "expansão e fortalecimento da fraternidade islâmica" e na "cooperação pública entre todos os povos", uma vez que, como se lê no artigo 11, "todos os muçulmanos formam uma só nação".

Para os tiranos, ninguém é mais valioso que o inimigo e nenhum sentimento é mais cultuado que o medo do inimigo. O povo deixa-se oprimir quando tem medo do tirano e do inimigo do tirano. Por isso, a ditadura em Cuba sempre adotou o discurso de país em guerra. Precisa da retórica de guerra para prender opositores. Sem inimigo, o ditador perde o emprego.

É verdade que, no encerramento do congresso do PCC, Raúl declarou que o principal inimigo do partido, agora, "são nossas próprias deficiências". Como todo líder religioso, ele propõe um exame de consciência. Isso não significa, porém, que o imperialismo tenha perdido o posto de vilão oficial. Significa apenas que a ditadura se deu conta de que envelheceu, mas não desistiu. Significa que mais perseguições internas, devidamente inquisitoriais, estão a caminho.

JORNALISTA, É PROFESSOR DA ECA-USP E DA ESPM

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Jane Fonda

Ubatuba

Nosso pioneiro da aviação ganha espaço

Celso Teixeira Leite
Na próxima segunda-feira, 25, às 14h30m, o Colégio Dominique inaugura a Sala “Gastão Madeira”, um espaço definitivo para abrigar o Núcleo Infantojuvenil de Aviação – NINJA, projeto lançado no ano passado e destinado a difundir a cultura aeronáutica entre nossas crianças e jovens.

O NINJA já vem proporcionando aulas gratuitas para turmas em 3 faixas etárias ( 8 aos 12 anos, 13 aos 15 anos e 16 a 17 anos) cada qual com disciplinas específicas . Os detalhes do projeto estão disponíveis no Blog do Ninja: www.ninja-brasil.blogspot.com

Com a homenagem, Gastão Galhardo Madeira, nascido em Ubatuba, um dos pioneiros da aviação brasileira, torna-se patrono do projeto.“ Estamos presenciando o fortalecimento do transporte aéreo brasileiro com uma nova postura do governo e das companhias aéreas. Precisamos unir forças com instituições que acreditem, invistam e desenvolvam programas no setor aeronáutico. Nosso compromisso é despertar o interesse dos jovens abrindo caminhos neste importante segmento profissional”, afirma Lemar Gonçalves, um dos coordenadores do NINJA.

O sonho de voar

Gastão Galhardo Madeira nasceu em Ubatuba em 20 de junho de 1869, sendo filho de Joaquim José Lázaro Madeira e Maria Angélica de Galhardo Madeira. O aeroporto local leva seu nome. Ainda criança mudou-se para São Luiz do Paraitinga, Guaratinguetá , Caçapava e São Paulo, sua residência definitiva e de onde se lançou com um dos grandes pioneiros dos estudos aeronáuticos tendo como princípio o voo das aves, observando-as demoradamente.

Aos 13 anos já chamava a atenção pela criatividade ao projetar um aparelho de movimento automático que deveria funcionar sem energia, mas o invento nunca saiu do papel. Em 1887, aos 18 anos, ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo e, paralelamente aos estudos acadêmicos, aprofundava suas pesquisas que pudessem ser aplicadas à navegação aérea. Em janeiro de 1892, publicou no “ Correio Paulistano” uma série de 12 artigos contendo estudos acompanhados de desenhos explicativos. Seus inventos garantiram passagem para a França com assistência anual de 36 mil contos de réis para as experiências definitivas com um novo tipo de aeroplano de sua criação. Gastão dirigiu-se a várias casas construtoras, mas devido a mobilização geral face a guerra e aos reduzidos recursos, retornou ao Brasil em 1917.

Em 1927 , Gastão Madeira teve o privilégio de ver seu nome ao lado de Bartolomeu de Gusmão e Santos Dumont na placa de ouro comemorativa da travessia do Atlântico pelo comandante João Ribeiro de Barros a bordo do “Jahu”. Passados 10 anos, em outubro de 1937, durante as festividades do III Centenário de Ubatuba, Gastão Madeira foi homenageado com uma placa de bronze contendo sua efígie , colocada na casa onde nasceu. Em 1940 foi eleito sócio honorário do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo vindo a falecer em 4 de agosto de 1942.

Celso Teixeira Leite é jornalista e ex-prefeito de Ubatuba

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Opinião

A segurança pública no Estado

O Estado de S.Paulo - Editorial
Criada há 16 anos para alimentar com informações estatísticas - extraídas de boletins de ocorrência - os serviços de inteligência das Polícias Civil e Militar e ajudar o governo estadual a definir as prioridades da política para o setor, a área de análise e planejamento da Secretaria da Segurança Pública constatou que a taxa de homicídios no Estado de São Paulo caiu para 9,52 casos por 100 mil habitantes, no primeiro trimestre de 2011. Há dez anos, quando a instalação do banco de dados da Secretaria foi concluída, o índice era de 35,3 casos por 100 mil habitantes.

Esse recuo já era esperado pelas autoridades do setor, pois, nos últimos 16 anos, a tendência de queda dos homicídios foi interrompida apenas uma única vez, em 2009. No ano passado registraram-se no Estado de São Paulo 10,47 assassinatos por 100 mil habitantes. A Organização Mundial da Saúde classifica como "violência epidêmica" os índices superiores a 10 homicídios por 100 mil. Assim, desde o primeiro trimestre deste ano, o Estado de São Paulo já não é mais classificado como área de epidemia de homicídios.

A taxa de 9,52 casos pode ser considerada alta, quando comparada com a das grandes metrópoles da América ado Sul - em Buenos Aires e Santiago, por exemplo, os índices são de 5,8 e 1,8 homicídios por 100 mil habitantes, respectivamente. Mas, levando-se em conta que a média brasileira é de 25 homicídios por 100 mil habitantes, fica evidente que o governo paulista vem seguindo o caminho correto no combate à criminalidade, por meio de políticas que envolvem maior articulação do Estado com as prefeituras, profissionalização progressiva das guardas municipais, estratégias de prevenção integradas com movimentos sociais, investimento em serviços de inteligência e maior aplicação de tecnologia nas investigações.

No caso dos homicídios, houve três prioridades. A primeira foi a apreensão de armas de fogo - só no primeiro trimestre foram apreendidas 3.129 (em média, a Polícia Militar apreende mil armas por mês na capital). A segunda prioridade foi o combate ao narcotráfico; graças aos bloqueios policiais, foram apreendidos 1.328 quilos de entorpecentes, nos três primeiros meses de 2011. A terceira prioridade foi o combate ao consumo excessivo de álcool, especialmente nas cidades mais pobres da região metropolitana. Além disso, as Polícias Civil e Militar efetuaram 31.787 prisões - 1.802 a mais do que no primeiro trimestre do ano passado.

Mesmo assim, o problema da violência criminal está longe de estar equacionado no Estado. Em 2010, a queda da criminalidade com relação a 2009 foi detectada em praticamente todos os tipos de crime - de roubos a latrocínios, além de sequestros e de roubo a bancos, roubo de cargas, roubo de veículos e de furtos (a exceção foram os homicídios culposos por acidente de trânsito). No primeiro trimestre de 2011, porém, a Secretaria da Segurança Pública constatou crescimento do número de roubo de veículos (8,5%), furto de veículos (7,7%) e roubo seguido de morte (2,7%) em todo o Estado.

Na capital, os bairros centrais lideram os índices de crime contra o patrimônio, como furtos e roubos, enquanto as áreas mais pobres da periferia lideram os índices de crimes contra a vida, como homicídios e latrocínios. Os bairros da zona leste são os campeões em roubo de veículos e os da zona oeste lideram o ranking de furto de automóveis. Para a Secretaria da Segurança, esses dois crimes tendem a cair à medida que a Prefeitura instalar dispositivos de leitura ótica nas câmaras de controle do trânsito, o que dará à polícia informações online sobre carros furtados e roubados. O interior registrou queda nos crimes contra a vida - com exceção da região de Piracicaba, que envolve cidades ricas e que, por contar com grande número de universidades, tem atraído o narcotráfico.

Apesar da significativa queda na taxa de homicídios, o balanço da criminalidade no primeiro semestre do ano mostra que ainda há muito o que fazer para melhorar a segurança pública no Estado de São Paulo.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 21 / 04 / 2011

Folha de São Paulo
"Juro sobe menos que o esperado e vai para 12%"

O Banco Central aumentou pela terceira vez a taxa de juros (Selic) que passou de 11,75% para 12% o ano. Essa é a taxa básica: na prática os juros cobrados na economia real são bem mais elevados. O Mercado trabalhava com a previsão de alta imediata de 0,5 ponto percentual. Para analistas, uma nova elevação de 0,25 ponto ocorrerá até o fim do ano.

O Estado de São Paulo
 "Dilma põe direitos humanos no centro da política externa"

Declaração, feita a diplomatas no Itamaraty, contrasta com postura do governo Lula sobre o tema.

A presidente Dilma Rousseff declarou ontem, no primeiro discurso sobre relações internacionais de seu governo, que o tema direitos humanos será promovido, defendido “em todas as instâncias internacionais sem concessões, sem discriminações e sem seletividade". A declaração, dirigida a formandos do Instituto Rio Branco e diplomatas, indica um contraste com tom contemporizador com países violadores dos direitos humanos adotado pelo ex-presidente Lula. Escolhido paraninfo da turma,Lula não compareceu- ele mandou um texto de apenas uma página que foi lido pelo assessor para Assuntos Internacionais do Planalto, Marco Aurélio Garcia. Nele, o ex-presidente louvou as ações do Itamaraty em seu governo e definiu como mera “continuidade” a gestão de Dilma. A presidente enfatizou que quer resultados concretos na política externa. “A palavra será e é sempre: reciprocidade”.

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Eletricidade

Quinta

Mudanças

Sidney Borges
Fidel Castro deixou a presidência do PC cubano. Ninguém sabe para onde "El Comandante" vai, talvez para o PSD do Kassab que não é de esquerda, nem de direita, nem de centro, muito pelo contrário. Fidel atravessa uma crise de identidade, está cansado do abrigo da Adidas, é quase certo que assine com a Nike.
Em Cuba, último bastião do socialismo, os negócios imobiliários foram liberados, agora é possível comprar e vender casas. Começa assim, logo vão abrir uma bolsa de valores em Havana. Com cotações do "Índice Varadero". Definitivamente o mundo mudou. Feriadão ensolarado. Boa praia para todos.

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quarta-feira, abril 20, 2011

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Opinião

Uma ação necessária

O Estado de S.Paulo - Editorial
O programa Água para Todos, a ser lançado pelo governo da presidente Dilma Rousseff, parte da premissa óbvia de que a pobreza no País pode ser mais bem combatida com a ampliação dos investimentos em saneamento básico, de modo a proporcionar melhores condições de saúde e de vida às camadas menos favorecidas da população. O objetivo, em si, é louvável, mesmo porque não é comum os governos investirem em obras feitas debaixo da terra, uma vez que preferem vistosas realizações destinadas a render dividendos eleitorais. O problema é que nem a presidente nem o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, disseram de onde virão os recursos para tocar o programa e o fato é que as companhias de saneamento básico dos Estados, em geral, e de alguns municípios que se encarregam desses serviços enfrentam grandes dificuldades financeiras.

Que um programa com as finalidades anunciadas é necessário, não resta dúvida. Mesmo em comparação com os países latino-americanos, o saneamento básico no Brasil é muito precário e não condiz com o grau de desenvolvimento econômico alcançado pelo País. Segundo dados da Agência Nacional de Águas (ANA), a capacidade instalada para fornecimento de água de boa qualidade é de 51% na Região Sudeste, 21% no Nordeste, 15% no Sul, 7% no Norte e 6% no Centro-Oeste.

Um dos focos principais do programa Água para Todos é o semiárido, compreendendo uma área de 868 mil quilômetros quadrados em nove Estados do Nordeste, além de regiões do Norte de Minas e do Espírito Santo, onde 58% da população vive abaixo da linha de pobreza, a maior parte em zonas rurais. A ação prevista pelo governo, porém, não está relacionada com o polêmico projeto de transposição de águas do Rio São Francisco, incluído no PAC, uma obra muito cara e que beneficiará um número relativamente pequeno de municípios.

A ênfase recairá sobre a construção de cisternas, para captação e conservação da água das chuvas, e perfuração de poços, com ligações com sistemas de esgotos. Esta parece ser uma solução mais racional, e seus resultados têm sido comprovados em áreas áridas da Espanha e de Israel. No Brasil, organizações não governamentais têm patrocinado projetos que preveem a construção de 1 milhão de cisternas, pretendendo o governo dar um escopo bem mais amplo a esses empreendimentos.

O governo da Bahia também já toca um programa semelhante, intitulado, por sinal, Água para Todos, lançado em setembro de 2007, cuja meta é atender 1,25 milhão de pessoas, 950 mil na área rural e 300 mil em zonas urbanas, com um investimento total de R$ 2,1 bilhões. O programa tem financiamento do Banco Mundial (Bird), com contrapartidas dos governos estadual e federal.

Esta pode ser a forma a ser adotada por outras companhias estaduais de saneamento básico para contornar a escassez de recursos públicos para investimento. A vantagem de contar com empréstimos do Bird ou do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) não está só no reforço de caixa, com contrapartida obrigatória dos governos para liberação, mas também porque essas instituições internacionais fazem o acompanhamento das obras, evitando que sejam interrompidas ou que as verbas sejam desviadas para outros fins. Contudo, para levar a cabo o Água para Todos federal será preciso mobilizar recursos vultosos, que a ANA estima em R$ 22,5 bilhões até 2025, em todo o País, apenas para atender ao aumento de consumo devido ao crescimento demográfico.

É animador constatar que o programa Água para Todos se vincula a uma série de ações visando a criar saídas para o programa Bolsa-Família. Com abastecimento de água para pequenos produtores e para melhoria dos padrões sanitários no campo e nas cidades, a expectativa é de que os beneficiários do Bolsa-Família possam ingressar no mercado de trabalho ou produzir e comerciar por conta própria, auferindo renda, o que os dispensaria do recebimento de uma mesada federal.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 20 / 04 / 2011

Folha de São Paulo
"Como FHC, Lula quer atrair nova classe média"

Petista defende que sigla faça alianças à direita para crescer no Estado em 2012

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer que o PT abra o leque de alianças em São Paulo para conquistar o voto mais conservador da chamada nova classe média e dos “órfãos do malufismo e do quercismo”. Em texto na semana passada, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu que o PSDB desista do “povão”, que já aderiu ao lulismo, e aposte na classe C, refratária ao petismo. Para “quebrar resistências” à sigla nesses redutos, o PT deve fazer alianças à direita e compor chapas com nomes conservadores no Estado, afirmou Lula ontem, em reunião fechada com dirigentes do partido. “É importante escolher bons vices, que dialoguem com setores com os quais nós não conseguimos dialogar”, disse o presidente do PT-SP, deputado estadual Edinho Silva.

O Estado de São Paulo
 "Governo quer mais capital estrangeiro em aéreas"

Ampliação de 20% para 49%, prevista em MP, visa melhorar setor de aviação antes da copa e dos Jogos

Com aval do Planalto, a medida provisória que cria a Secretaria de Aviação Civil recebeu uma emenda que permite ampliar de 20% para 49% o limite para a participação de capital estrangeiro nas companhias aéreas brasileiras. A expectativa é que a medida seja votada até meados de maio. O governo tem pressa na tramitação porque entende que a MP pode ajudar a atacar parte dos problemas relativos aos aeroportos para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016. Na avaliação de técnicos do governo, a permissão de 49% de capital estrangeiro nas companhias aéreas representará uma mudança de paradigma. Com a capitalização das empresas e a ampliação dos investimentos, os serviços aumentarão e crescerá também a concorrência no setor. O Planalto entende ainda que a entrada de mais recursos poderá trazer aumento do número de rotas, atendendo cidades de médio porte que estão sem receber ligação aérea, melhorando o mercado da aviação regional.

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terça-feira, abril 19, 2011

007

Sean Connery

Tempo relativo

Noé

Sidney Borges
Ontem eu e meu cão estávamos na varanda, eu descansando de horas de labuta, ele cansado de perseguir moscas e gatos. Enquanto a grama crescia meu cão guardava os arredores com o focinho colado ao chão e o olhar perdido nos confins da dúvida. Quando vejo essa expressão aguardo o momento em que ele dirá: o conhecimento verdadeiro só é possível pela conjunção entre matéria, proveniente dos sentidos, e forma, que são as categorias do entendimento.

Talvez um dia.

Há muita vida na Mata Atlântica. Milhares de espécies classificadas e muitas ainda a classificar, como os besouros luminosos que de vez em quando cruzam os céus quebrando a escuridão das noites sem luar. Tem gente que pensa que são aviões. Tem gente que não enxerga a magia.

Noto um piolho de cobra à esquerda. Dá para traçar uma linha imaginária fazendo trinta graus com a trajetória por ele descrita. Linha que está sendo cruzada perpendicularmente por uma lagarta de três cores. Observamos, meu cão e eu, que depois de um certo intervalo de tempo piolho de cobra e lagarta estão no mesmo ponto, donde é possível concluir que a velocidade dele é o dobro da velocidade dela, pois o seno de trinta graus é igual a meio.

Após o cruzamento continuam caminhando, piolhos de cobra nunca param, são como os tubarões, com a diferença que não mordem. O que será que eles comem?

Quando penso na diversidade me vem à cabeça a figura de um homem injustiçado pela mídia, que só fala do Lula. Noé quase não é lembrado. Os animais estão aqui por causa dele. Frangos, aedes aegypti, pinguins e nós, humanos, que embora não pareça, também somos animais.

Imagino o dia em que Deus deu a Noé a incumbência de juntar as espécies, colocar em uma arca a ser construída e flutuar até que as águas baixassem. Quanto tempo durou a captura? Tem bichos fáceis, moscas, baratas, abelhas, formigas. Mas tem alguns difíceis, imagine capturar um elefante, ou um hipopótamo, ou um condor que vive nos Andes. Será que já existiam os Andes?

Depois da dificuldade inicial descrita acima, havia o problema logístico que os militares chamam de rancho. Além de levar para a arca o casal de tigres era preciso levar comida para eles e comida para a comida deles, naquele tempo ainda não tinham inventado a geladeira.

Outro grande problema enfrentado por Noé foi capturar bactérias, germes e demais coisas pestilentas sem ficar doente, além do fato de que esses seres são difíceis de encontrar, pequenos e furtivos.

Cientistas afirmam que ninguém sabe ao certo quantos animais diferentes existem na Terra.

Em relação aos insetos, por exemplo, há uma grande discordância quanto ao número de espécies, que poderia chegar a 100 milhões, mas que para os biólogos, apenas 15 milhões de espécies seriam de fato conhecidas.

A missão de Noé não admitia dúvidas, 100 milhões, 15 milhões, ou 25 milhões são números de cientistas, Noé trabalhou com o número divino.

Deus disse: pegue todas as espécies. Quem ousaria contrariar ou mesmo enganar o Criador? Eu hein?

Vai daí que Noé trabalhou duro. Supondo que tenha demorado uma hora por espécie e descontando os arranjos logísticos de transporte e armazenamento, a tarefa durou aproximadamente 100 milhões de horas, arredondando para 100 milhões o número de espécies.

Em um ano há 8760 horas, portanto, se dividirmos 100 milhões por 8760 teremos o número de anos de labuta do velho e talentoso Noé, o maior caçador de todos os tempos.

Assim chegamos ao número fantástico: 11415, 5 anos.

Depois disso Noé descansou.  Com total merecimento. Amém!

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Opinião

Os novos cursos de graduação

O Estado de S.Paulo - Editorial
O avanço da tecnologia e a globalização econômica estão levando as universidades brasileiras a rever seus cursos de graduação, a redefinir suas linhas de pesquisa na pós-graduação e a desenvolver novos projetos pedagógicos. Essa mudança começou timidamente no final do século 20, com a criação de cursos tecnológicos, e ganhou corpo na primeira década do século 21, com o surgimento de bacharelados não convencionais, em áreas como biodiversidade, meio ambiente e energia.

Com o alargamento das fronteiras do conhecimento, o desenvolvimento de novas fontes de energia e a diversificação da economia, propiciados pela expansão da informática, algumas profissões tradicionais desapareceram e outras acabaram surgindo. E, à medida que o mercado de trabalho se tornou mais flexível e mutante, as instituições de ensino superior se viram obrigadas a criar cursos superiores novos e específicos - como bioinformática, engenharia de energias renováveis e agroecologia - ao lado dos cursos tradicionais, como direito, administração e ciências sociais, que proporcionam uma formação clássica e generalista.

Com menor duração e menor abrangência acadêmica, os primeiros desses novos cursos foram lançados por universidades privadas e confessionais com o objetivo de atender a demandas conjunturais de mão de obra qualificada em alguns setores da economia. Como eram experimentais e tinham forte apelo de marketing, alguns desses cursos acabaram frustrando os alunos, registraram alto índice de evasão e não sobreviveram a mais de uma ou duas turmas.

Mas o mercado não deixou de exigir profissionais com uma formação cada vez mais sofisticada, e isso estimulou as universidades públicas e as maiores universidades privadas e confessionais a investir na oferta de cursos de caráter interdisciplinar. Esse foi um dos fatores que levaram a USP a criar o câmpus da zona leste, em 2005, oferecendo somente cursos novos. No Norte do País, as universidades federais passaram a oferecer cursos que dão prioridade às peculiaridades regionais, mesclando agronomia e zootecnia e valorizando o inventário florestal da Amazônia. Em Minas Gerais, algumas universidades aperfeiçoaram a graduação em tecnologia de alimentos, oferecendo, por exemplo, o curso de Ciência de Laticínios. E, no Rio Grande do Sul, de olho na construção de parques eólicos, a Universidade Federal do Pampa criou no câmpus de Bagé um curso de engenharia elétrica que valoriza mais as atividades de gestão do que as de geração de energia.

As entidades empresarias há muito tempo reclamam da falta de pessoal com formação superior, qualificado nas principais áreas da economia, e apontam para o risco de um apagão de profissionais nas novas áreas do conhecimento. Para orientar as universidades, o Ministério da Educação (MEC) começou a elaborar um mapeamento do mercado, com o objetivo de identificar as carências por região e áreas de conhecimento. Voltada para as engenharias, a primeira parte do projeto deve ser concluída dentro de dois meses - as partes restantes deverão estar prontas até dezembro, quando o MEC deverá sugerir às universidades os cursos a serem criados.

Embora as instituições de ensino superior tenham autonomia para decidir os campos profissionais em que irão atuar, o MEC e as agências de fomento à pesquisa querem evitar desperdício de recursos e iniciativas de duvidosa utilidade. Isso, por exemplo, aconteceu com o bacharelado em Estudos de Gênero e Diversidades da Universidade Federal da Bahia. Criado há três anos, com base num programa que inclui disciplinas como feminismo, relações de poder e orientação sexual, ele ainda não consegue preencher as 50 vagas oferecidas anualmente.

A reestruturação das universidades é um fenômeno que vem ocorrendo no mundo inteiro. Para os especialistas em educação, o que deve prevalecer nas mudanças é o bom senso dos órgãos colegiados, nas universidades públicas, e dos mantenedores, nas universidades privadas e confessionais.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 19 / 04 / 2011

Folha de São Paulo
"Lula gastou 70% mais em publicidade que FHC"

Comparação se baseia no último ano de mandato de cada um, 2010 e 2002

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gastou 70% mais em publicidade no último ano de mandato do que seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, no final de sua gestão, informa Fernando Rodrigues. Em 2010, o governo consumiu R$ 1,629 bilhão em publicidade da administração direta (ministérios) e indireta (autarquias, fundações e empresas estatais). Em 2002, FHC registrou gastos de R$ 956,4 milhões, valor corrigido pelo IGP-M, em cálculo do Planalto. Não é possível a comparação integral das duas gestões porque os dados só passaram a ser divulgados de forma regular em 2000. As TVs receberam a maior parte do bolo, 64%. Jornais, rádios e revistas e outdoors perderam receita. Internet, cinema e mídia exterior ganharam espaço.

O Estado de São Paulo
 "Advertência sobre a dívida dos EUA abala mercados"

Pela primeira vez, agência de classificação de risco S&P põe títulos americanos em perspectiva negativa

A Agência de classificação de risco Standard & Poor’s fez um duro alerta ontem sobre a dívida dos Estados Unidos. Pela primeira vez desde que começou a analisar os títulos da dívida, há 70 anos, a S&P colocou a nota americana em perspectiva negativa. Os EUA podem perder o status de AAA, o mais alto de sua avaliação, se um plano de redução do déficit orçamentário não for encontrado até 2013. A notícia causou nervosismo nos mercados – em Nova York, o índice Dow Jones caiu 1,14%; em Londres, as ações recuaram 1,9%; no Brasil, o índice Bovespa também caiu 1,9%. O governo americano se apressou em declarar que a S&P estaria subestimando a capacidade da administração de conseguir um acordo sobre seu plano de corte de gastos.

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Encontros incomuns

Charlie Chaplin e Albert Einstein

segunda-feira, abril 18, 2011

Política

De uma panelinha só

Do Blog do Alon
Quando se discute a democracia como valor universal, a ênfase costuma ser a associação com a liberdade. Mas há outra associação importante, entre estabilidade e alternância no poder

O Partido Comunista de Cuba está reunido para desfazer boa parte do que fez no meio século de poder. Vai liberalizar a economia e buscar na energia do empreendedor os meios para superar a estagnação.

É um momento decisivo para o grupo dirigente.

O propósito é caminhar para o modelo chinês. Economia pujante, mas com o monopólio do mando político.

Não é fórmula fácil de alcançar. Mesmo quando alcançada, não garante estabilidade confortável.

Crescimento econômico não é sinônimo mecânico de paz política. Que o digam os árabes.

Há um detalhe na China que costuma passar despercebido. O partido é único, mas há nele mecanismos compulsórios de renovação da cúpula e regras razoavelmente claras para ascensão.

Os caminhos da política não estão obstruídos por uma -para usar o termo elaborado nos anos da União Soviética- gerontocracia.

Há também, e isso é tão importante quanto, regras para garantir certo grau de separação formal entre quem toca a política e quem toca os negócios.

Quando se discute a democracia como valor universal, a ênfase costuma ser na liberdade. É a associação mais imediata.

Talvez se devesse refletir sobre outra associação, entre estabilidade democrática e alternância no poder.

Da Tunísia à Costa do Marfim, do Egito à Líbia, da Síria a Cuba, o edifício a chacoalhar não é o autoritarismo tomado de modo abstrato. O que balança é o monopólio do poder.

A ideia de que a felicidade de um país depende de as “pessoas certas” assumirem o comando, e ficarem nele sem data para sair.

A conveniente teoria de que o sucesso nacional depende de impedir que adversários assumam o leme.

É empírico. A falta de mecanismos razoávelmente viáveis para alternância leva, sem exceção, à decadência nacional. Pode levar à destruição nacional. Aconteceu na União Soviética.

E a situação se agrava quando o país apresenta divisões sectárias bem marcadas, mais ainda quando são geograficamente definidas. Quando existem dentro da mesma nação um ou mais problemas de nacionalidades.

A tendência à fragmentação fica muito forte.

Pois não dá para as diversas panelinhas assistirem de braços cruzados, por todo o tempo, à festa de uma panelinha só. Cada grupo político tem correligionários a empregar e empresários amigos a beneficiar.

E como a separação absoluta entre a política e os negócios só existe no mundo da lua, a permanência excessiva de uma turma no poder acaba produzindo insatisfações crescentes.

Que se agravam muito quando o sistema degenera para cleptocracias hereditárias. Nas quais, como nos tempos da monarquia, não há salvação fora do DNA.

Sendo intelectualmente rigoroso, os levantes árabes devem ser catalogados na conta das revoluções burguesas. Para depor neomonarquias comandadas por quem um dia chegou ao poder para acabar com a monarquia. E que no poder reproduziu a moldura.

É também, em boa medida, o problema cubano. Como quebrar o poder absoluto de um núcleo dirigente que carimba toda opção política externa ao grupo -mesmo quando dentro do partido- como "ameaça à revolução".

A alternância, nas suas diversas formas, é um ativo das sociedades para controlar o Estado.

É natural que partidos, correntes e movimentos busquem maneiras de se perpetuar no poder. Mas para haver democracia e prosperidade perenes é indispensável que a sociedade tenha instrumentos legais e operacionais para resistir.

Tiro no pé

Cabeças mais antenadas da esplanada dos ministérios já perceberam.

Já entenderam que a ideia de fazer uma consulta popular sobre a proibição de armas, que provavelmente viria acoplada a outra sobre o voto indireto para deputado e vereador (lista fechada), criaria a oportunidade para aglutinar uma oposição social hoje pulverizada.

Um autêntico tiro no pé.

O PT tem maioria no Congresso Nacional por causa da repartição de poder orçamentário. Não tem hegemonia suficiente para arrastar a base atrás das ideias petistas.

A votação do código florestal demonstrará -se o PT não ceder antes.

Só do que o PT não precisa agora, creem, são plebiscitos e referendos para comprovar. E para fazer a conexão entre os potenciais antipetismos congressual e social.

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Opinião

O futuro da Convenção do Clima

José Goldemberg - O Estado de S.Paulo
O grave acidente nuclear de Fukushima pôs em segundo plano as discussões sobre mudanças climáticas e as medidas que poderiam ser tomadas para evitá-las. Desastres nucleares como esse podem espalhar radioatividade sobre amplas áreas geográficas e produzir mortes ou doenças com sérias sequelas. Tais problemas precisam ser enfrentados de imediato, quer evacuando centenas de milhares de pessoas - como foi feito no Japão -, quer sepultando os reatores nucleares em sarcófagos de concreto, como se fez em Chernobyl para impedir que a radioatividade se espalhasse.

Já as mudanças climáticas se dão ao longo de dezenas de anos, mas também podem ter consequências muito sérias para a vida da humanidade. Esses efeitos, porém, ocorrem lentamente e ainda há tempo para tomar medidas preventivas que poderão diminuir a sua gravidade.

Foi isso que se tentou fazer com a Convenção do Clima, adotada no Rio de Janeiro em 1992, durante a Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Em 2012 haverá, também no Rio, um grande evento para marcar o 20.º aniversário da convenção e discutir formas de torná-la mais eficaz.

O objetivo da Convenção do Clima é estabilizar a concentração dos gases responsáveis pelo aquecimento da Terra. Essa concentração está aumentando todos os anos por causa do consumo de combustíveis fósseis, que lança na atmosfera dióxido de carbono (CO2), o qual estava armazenado no subsolo sob a forma de carvão, petróleo ou gás natural.

Não é uma tarefa fácil: combustíveis fósseis representam cerca de 80% de toda a energia que se consome no mundo, movimenta trilhões de dólares por ano e abrir mão do seu uso exigiria esforços muito grandes, até mudanças nos atuais padrões de consumo. Ainda assim, a Convenção do Clima foi adotada por mais de 180 países em 1992, o que pode ser considerado um dos grandes sucessos do esforço para introduzir racionalidade na condução dos destinos da humanidade.

Esse sucesso, contudo, foi ilusório, porque as duras medidas que seriam necessárias para implementar as decisões da convenção não foram levadas a efeito: o Protocolo de Kyoto, que fixava metas e um calendário para a redução de emissões, não foi ratificado pelo Senado americano, apesar de os Estados Unidos contribuírem com 25% das emissões mundiais. A China - com outros 25% - e os países em desenvolvimento foram isentos de reduções mandatórias. Apenas a União Europeia pôs em prática o protocolo - o bloco, no entanto, representa apenas cerca de 15% das emissões.

Uma análise das negociações que precederam a adoção da Convenção do Clima lança luzes sobre o que realmente aconteceu na época: a área econômica do governo dos Estados Unidos não era favorável a medidas que reduzissem as suas emissões, por causa dos custos que implicariam; e os países em desenvolvimento consideravam as limitações às suas emissões de carbono um obstáculo ao seu desenvolvimento.

Mediado pelo ministro do Meio Ambiente inglês, o compromisso foi o artigo 4.º da convenção, que no fundo não é mais do que uma exortação para que os países industrializados adotem políticas para limitar suas emissões, demonstrando, assim, que assumiram a liderança na adoção das medidas adequadas, porém reconhecendo "a necessidade de manter um crescimento econômico forte e sustentável". Esse artigo foi considerado por Clayton Yeutter, chefe do grupo de coordenação política da Casa Branca, "magistralmente vago".

Pagamos até hoje o preço de tais decisões e o que ocorreu em Copenhague em dezembro de 2009, durante a COP 15, é o resultado das ilusões criadas pela Convenção do Clima de que haveria, pelo menos neste caso, um esforço sério de governança mundial, uma vez que mudanças climáticas afetam todos, ricos e pobres.

O que ficou evidente após Copenhague é que os países farão, na questão de reduções de emissões, unicamente o que os seus interesses nacionais determinam e que não há espaço para generosidades.

Essa posição brutal, mas realista, tem vantagens e desvantagens. A China, por exemplo, que é beneficiada pelo Protocolo de Kyoto e isenta de limitações de suas emissões, está fazendo um esforço de reduzi-las, pois assim diminuirá a poluição local decorrente do uso de carvão e melhorará a eficiência do seu sistema energético. Os Estados Unidos, sob o presidente Barack Obama, tentaram introduzir metas e prazos para reduções de emissões, mas fracassaram. Apesar disso, a Agência Ambiental americana está introduzindo limites às emissões de vários setores industriais.

Em desespero de causa, alguns economistas que foram responsáveis pelo fracasso do Protocolo de Kyoto propõem agora a introdução de uma taxa sobre as emissões de carbono. Com isso todos os produtos que provocam emissões ficarão mais caros e o próprio mercado acabará se encarregando de estimular a adoção de tecnologias que as reduzam.

O governo inglês já decidiu adotar uma taxa de US$ 26 por tonelada de CO2 emitida. Um problema sério com essa estratégia é o de conciliar o que diferentes países farão, criando potencialmente conflitos tarifários.

Por outro lado, os países da Europa, o Estado da Califórnia (EUA) e o de São Paulo adotaram metas e prazos para a redução das suas emissões. Esta estratégia coloca pressão apenas sobre os maiores emissores, que terão de melhorar suas tecnologias, e não sobre a população como um todo, o que taxas sobre carbono farão.

Dentro de alguns anos veremos qual estratégia terá maior sucesso. O desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono com energias renováveis - e o uso em larga escala de energia solar - será essencial para isso.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 18 / 04 / 2011

Folha de São Paulo
"PF reduz atuação nas fronteiras"

Corte no orçamento afeta ações de combate ao tráfico de armas e drogas; ministro nega problemas na fiscalização

O corte no orçamento deste ano da Polícia Federal prejudicou a fiscalização nas fronteiras e as ações de combate ao narcotráfico e ao contrabando de armas, num momento em que o país volta a discutir o controle dos armamentos. Houve redução do efetivo desde a Amazônia até o Sul, informam Kátia Brasil e Rodrigo Vargas. Pelo menos um posto fronteiriço foi desativado, e projetos deverão ser adiados. A diminuição dos gastos ocorre na esteira do contingenciamento no Orçamento da União. Segundo policiais que atuam em Ponta Porá (MS), na fronteira com o Paraguai, faltam carros, combustível e até coletes à prova de bala. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que o corte orçamentário foi necessário “para a estabilidade do país” e negou problemas na fiscalização das fronteiras. A direção da PF não quis falar.

O Estado de São Paulo
 "Japão prevê crise nuclear até janeiro"

Empresa que administra usina de Fukushima quer estabilizar vazamento de radiação em 2 etapas; para moradores, prazo é muito longo

A Tokyo Eletric Power (Tepco), empresa que administra a usina de Fukushima, prevê até nove meses para controlar a crise nuclear provocada pelo acidente no complexo. A companhia pretende reduzir o vazamento de radiação e estabilizar os seis reatores afetados pelo terremoto seguido de tsunami de 11 de março, que deixou 28 mil mortos e desaparecidos. A notícia frustrou as mais de 80 mil pessoas que moram em um raio de 20 km e tiveram de deixar suas casas. Os reparos serão feitos em duas fases. A primeira, de três meses consiste no resfriamento dos reatores e das piscinas onde é armazenado o combustível. Na segunda etapa de até seis meses, técnicos controlarão a liberação de material radioativo e desligarão os reatores.

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Paris

domingo, abril 17, 2011

Domingueira

Resíduos inerciais

Sidney Borges
Hoje de manhã tomei um susto quando colocava o Ubatuba Víbora no ar. Estamos no dia 17 de abril. Não vou repetir o chavão do tempo passando rápido, mas a Copa do Mundo acontecerá em breve. Num abrir e fechar de olhos (três anos) estarei baixando o volume da TV para não ouvir o Galvão Bueno transmitir o pontapé inicial.

Dizem por aí que as obras estão atrasadas. Não concordo, em se tratando de obra vale a aritmética do ensino básico. "Um trabalho é feito por 4 homens em 8 horas. Quantos homens seriam necessários para fazer o mesmo trabalho em 4 horas?" A Resposta é símples: 8 homens.

A questão do tempo é, ao final das contas, mera questão de dinheiro. Mais homens trabalhando significa mais dinheiro gasto.

As obras dos aeroportos, do trem bala, das estradas, dos portos, enfim, da infraestrutura que está aos cacos, precisam de capital, que uma vez chegando ao destino fará com que tudo aconteça a tempo e com qualidade.

O governo não tem os recursos necessários nem a capacidade gerencial para administrar a empreitada que herdou do ufanismo lulista, a Copa 2014 e a Olimpíada 2016. Mas vai ter de honrar os compromissos, não há como voltar atrás. A iniciativa privada é a saída. No entanto, a inércia ideológica que permeia as cabeças mandantes insiste na presença do Estado.

Felizmente a presidente Dilma Rousseff é uma pessoa sensata. Ela sabe que sem privatizar a coisa não vai andar. É esperar e conferir.

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Opinião

Não há zona segura na economia global

O Estado de S.Paulo - Editorial
Para dezenas de milhões de desempregados a crise continua, embora a economia mundial deva crescer em torno de 4,5% em 2011 e 2012 e o setor privado volte a ser, gradualmente, o principal motor da atividade no mundo rico. Empregos, empregos, empregos, insistiu o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, expressando sua preocupação diante do quadro global. Mas empresas só contratam pessoal quando há uma razoável confiança na evolução dos negócios e na firmeza da economia. Ainda faltam essas condições na maior parte do mundo rico e a recuperação continua desequilibrada. A era pós-crise ainda não começou e novos desafios se impõem tanto aos países desenvolvidos quanto aos emergentes.

O Brasil continua bem na grande foto da economia global, mas há sinais de superaquecimento na atividade e cresce o risco de inflação. Não há zonas de tranquilidade e mesmo os países emergentes, os mais dinâmicos e menos afetados pela crise financeira e pela recessão, têm problemas importantes pela frente. A América Latina tem dado exemplos de bom comportamento em política macroeconômica, algo dificilmente imaginável até os anos 90. Mas nem por isso os sinais de alerta deixam de soar. Os fluxos de capitais são excessivos e forçam a valorização cambial, as contas externas se tornam mais vulneráveis e, em alguns casos, as pressões inflacionárias se agravam.

A situação do México e de alguns países do América Central e do Caribe é peculiar, porque dependem muito mais do comércio com os Estados Unidos, cuja economia voltou a crescer, mas ainda está sujeita a riscos.

Nos Estados Unidos, como na maior parte do mundo rico, o sistema financeiro continua frágil, o mercado imobiliário permanece deprimido, consumidores estão endividados e as contas públicas estão em muito más condições. Ainda falta varrer o entulho da crise financeira e da recessão, mas um novo e sério problema - o enorme desarranjo das contas públicas - torna mais complicada e mais lenta a recuperação da economia.

A quase insolvência de alguns governos da periferia do euro é apenas a parte mais visível e dramática de uma doença amplamente disseminada entre os países desenvolvidos. Em vários, a dívida pública supera o valor de todo o PIB de um ano. Em outros, essa marca será alcançada rapidamente.

Vários países ricos precisarão neste ano de somas superiores a 20% do PIB para pagar os juros da dívida e cobrir o déficit primário de suas contas. Nos Estados Unidos o dinheiro necessário foi estimado em 28,8% do PIB.

Se todos os latino-americanos tivessem o senso de humor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estariam rindo às gargalhadas. Não é uma delícia ver os governos do mundo rico atolados numa crise fiscal? Mas a história não tem nenhuma graça. Primeiro, porque a crise das contas públicas afeta os mercados, dificulta a criação de empregos e prolonga o sacrifício de milhões de famílias. Segundo, porque as dificuldades econômicas nos principais mercados entravam o crescimento do comércio internacional e atrapalham as dinâmicas economias emergentes.

Mas o problema fiscal dos países desenvolvidos envolve outro conjunto de riscos. Se os governos fizerem o ajuste necessário, os juros poderão continuar baixos e o crédito internacional continuará farto. Isso cria problemas, como o excessivo fluxo de capital para alguns mercados, incluído o brasileiro. Mas, se o ajuste fiscal for adiado ou insuficiente, o financiamento das contas públicas forçará o aumento de juros nos principais mercados.

Isso será um golpe muito perigoso para as empresas endividadas em moeda estrangeira - o alerta já foi dado pelo governo brasileiro - e os países emergentes pagarão mais para rolar seus débitos. Este segundo grupo de riscos é o mais grave para economias como a do Brasil.

Alguns governos europeus iniciaram programas duros de ajuste fiscal. Nos Estados Unidos, o presidente Obama apresentou um plano para cortar US$ 4 trilhões do déficit federal em 12 anos. Se os esforços de correção forem aplicados de forma ordenada e persistente, a recuperação global será mais segura. Este, em resumo, o balanço final da reunião do FMI, realizada essa semana em Washington.

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