sábado, abril 02, 2011

Império invadido

Apartamentos de luxo em Manhatan para brasileiros

Lino Rodrigues, de O Globo, no Blog do Noblat
O magnata americano Donald Trump está apostando nos milionários brasileiros para desencalhar as vendas dos apartamentos e coberturas do Trump Soho Condominium, um megaprédio de luxo localizado no coração de Manhattan, em Nova York, e inaugurado em abril de 2010.

Com o mercado americano de imóveis praticamente parado desde o estouro da crise financeira, em 2008, quando o empreendimento foi lançado, Trump recorreu à Piquet Realty, imobiliária especializada na venda de imóveis de alto valor para brasileiros nos Estados Unidos.

Ela é comandada por Cristiano Piquet, sobrinho do tricampeão de Fórmula 1, Nelson Piquet.

Dublê de piloto e corretor de imóveis, Piquet e sua equipe desembarcam no Brasil no início da semana que vem para vender pelo menos 20 unidades em um evento com convidados VIPs na próxima quinta-feira.

- Todo mundo está de olho no Brasil. E não são só os investidores. Os brasileiros são um dos maiores compradores de imóveis dos EUA - disse Piquet ao GLOBO.

Leia mais

Twitter
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Mais atenção aos minerais raros

O Estado de S.Paulo - Editorial
Conhecida pela sua agressividade nas exportações, a China surpreendeu ao anunciar, em 2010, uma redução obrigatória de 40% nas suas vendas externas dos chamados metais de terras raras. A intenção de Pequim é atrair investidores para industrializar internamente minerais cuja oferta é escassa no mundo e que são essenciais para fabricar circuitos elétricos e eletrônicos, usados em smartphones, fibras óticas, supercondutores, baterias e para a produção de vidros, lentes especiais, ímãs, etc. Além disso, a China e outros países asiáticos vêm procurando comprar o máximo que conseguirem das jazidas existentes desses minérios, especialmente na África e nas Américas. Em março deste ano, o grupo nipo-coreano formado pela Nippon Steel, JFE e Posco adquiriu por cerca de US$ 1,8 bilhão uma participação de 15% na Cia. Brasileira de Metalurgia e Mineração, que explora nióbio em Araxá (MG). Enquanto isso, o Brasil praticamente ignora suas reservas de minerais estratégicos, tendo mapeado menos de 30% do subsolo nacional, como informa a reportagem do Estado (24/3). Mas, essa situação pode mudar por ação de empreendedores privados.

Segundo levantamento feito pela União Europeia (UE), há carência no mercado mundial de 14 matérias-primas consideradas "críticas", entre as quais estão o nióbio - de grande importância para a siderurgia e para o setor aeroespacial -, o tântalo, e terras raras. A China é o maior produtor de grande parte desses minerais, mas também figuram na lista de detentores de reservas estratégicas o Brasil, a Rússia, a República do Congo e, em menor grau, a Índia, o México, e Ruanda. O País se destaca pelas reservas de nióbio, com mais de 90% do total conhecido no mundo, e do tântalo, com 50% da oferta mundial, embora só exista uma mina em operação em Presidente Figueiredo (AM).

Quanto às terras raras, as reservas brasileiras equivalem a 1% das existentes, segundo o Departamento Nacional de Produção Mineral, mas podem ser muito maiores. O empresário Eike Batista, presidente do Grupo EBX, declarou, em conferência feita em Belo Horizonte no ano passado, que o País tem um potencial extraordinário de terras raras, os metais do futuro. "Pelo que sei, nós temos uma reserva maior que a da China", disse ele, mas sem entrar em detalhes.

O Brasil chegou a ser o maior fornecedor mundial de areias monazíticas, mas praticamente abandonou o mercado com a entrada da China como exportadora. Os chineses, primeiro, praticaram dumping, fazendo o preço internacional cair a ponto de inviabilizar a venda por outros países. Em seguida, limitaram as exportações, o que fez o preço subir 1.000%. Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o preço da tonelada, que era de US$ 5 mil, passou para US$ 50 mil. Em 2010, foram extraídas no País 134 mil toneladas de terras raras, movimentando um mercado de US$ 2 bilhões.

Como notam os especialistas, o Brasil deveria imitar a China, no tocante à sua riqueza mineral. Não, evidentemente, praticando dumping, mas utilizando as suas reservas para atrair investimentos, com vistas ao desenvolvimento industrial, agregando tecnologia e valor à matéria-prima. Mais que uma política, isso exigiria uma mudança de atitude, principalmente combatendo a propensão brasileira a não dar continuidade a projetos iniciados.

O urânio é um caso exemplar. O minério, do qual o País tem abundantes reservas, não está na lista de minerais raros, mas, é estratégico. O Brasil o tem explorado, primeiro em Caldas (MG) e agora em Caetité (BA). Mas, como noticiou o Correio Braziliense (22/3), o País precisou gastar US$ 25 milhões no ano passado com a importação de urânio para abastecimento das usinas de Angra 1 e 2. Isto porque a Indústrias Nucleares do Brasil (INB), subordinada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, não conseguiu construir um novo reservatório, ou "pond", para armazenamento do chamado "licor de urânio", já que a capacidade dos tanques existentes está esgotada.

Twitter

Manchetes do dia

Sábado, 02 / 04 / 2011

Folha de São Paulo
"Ataque religioso mata 7 da ONU no Afeganistão"

Em protesto contra a queima do Corão por pastor nos EUA, manifestantes atiraram em guardas e funcionários

Ao menos 12 pessoas morreram em um ataque a um prédio da ONU ontem em Mazar-i-Sharif, no Afeganistão. Sete eram funcionários do órgão. Foi a ação mais letal desde 2003, quando 22 morreram em Bagdá, entre elas Sérgio Vieira de Mello. Entre os membros da ONU mortos há quatro nepaleses, um sueco, um romeno e um norueguês. O ataque aconteceu durante um protesto contra a queima do Corão pelo pastor de uma pequena igreja da Flórida (EUA), no dia 20.

O Estado de São Paulo
  "Governo intensifica leilão de alimentos para conter preços"

Oferta, que antes era feita para garantir preço mínimo ao produtor, agora atua contra pressão inflacionária

Com a disparada internacional das commodities, o governo intensificou neste ano a realização de leilões de alimentos para conter os preços - antes, entre 2008 e o início de 2010, os leilões eram feitos basicamente para garantir preço mínimo aos produtores. A maior preocupação é o milho, usado em ração animal e, por tanto, com influência no preço da carne. Dados da Conab mostram que, no primeiro trimestre do ano, foram leiloadas 3,713 milhões de toneladas de alimentos, e 2,212 milhões foram negociadas, resultando em R$ 751,812 milhões, ante R$ 297,283 milhões em todo o ano passado. Em relação a 2010, houve alta de 69% no volume ofertado e de 161,7% no negociados.

Twitter

sexta-feira, abril 01, 2011

Ubatubenses (d'après Joyce em Dublinenses)


x

Há cruzes! Há Santa Casa! Há Santa Cruz de Ubatuba!

José Ronaldo dos Santos
Dias horríveis estes. A minha companheira está doente. Todos os sintomas levam a crer que, pela segunda vez, ela contraiu dengue. Daí o motivo que, em todas as oportunidades cobro das pessoas, principalmente dos meus alunos e das autoridades que se sustentam com nossos impostos, que não cessem de fazer a sua parte.

Eu faço a minha parte! E continuo não aceitando o que para alguns é normal (carros abandonados na mata ciliar e em terrenos baldios, sucatas a céu aberto, lixos por todo lugar, áreas públicas parecendo “terra de ninguém” etc.).

Na lista para perícia médica municipal são muitos os causos. O principal foco está no centro da cidade, onde, teoricamente, moram os mais próximos de recursos e de informações.

Hoje, 31 de março, na Santa Casa, muitos apresentavam os mesmos sintomas da minha esposa. Outro tanto estava com conjuntivite. Ainda bem que, há muito tempo, a Irmandade do Senhor dos Passos pensou na Santa Casa, o nosso único hospital até hoje. “Aos pobres desvalidos”, diziam orgulhosamente os irmãos (católicos), “há Santa Casa”.

A Santa Casa da Irmandade do Senhor dos Passos foi decisiva na elevação da vila à categoria de cidade, em 1º de abril de 1851, conforme atesta o documento da Assembleia Legislativa Provincial. Ou seja, faz parte dos requisitos para ser cidade: ter cemitério (isso é fácil!), cadeia pública (também não dá trabalho!) e hospital (o que é difícil!). Mais difícil ainda é mantê-lo funcionando satisfatoriamente nos padrões de atendimento, de higiene e de tecnologia. Bom seria se os gestores de todos os tempos, nunca se omitissem em zelar pela vida dos que nesta cidade vivem (ou tentam viver). Hoje eu vi enfermeiras se desdobrando para atender um mundaréu de gente. Uma delas assim expressou a sua angústia: “Eu não importo em atender tanta gente. O que me preocupa é se eles, sofrendo assim, conseguem esperar chegar a vez”.

1º de abril de 1851: nasceu a cidade de Santa Cruz de Ubatuba. Hoje, século XXI, somente Ubatuba. Ainda bem que a Santa Cruz já não pesa em nossos ombros! Quando, sobre os meus ombros, uma das minhas “crianças” leu este parágrafo, completou:

- É mesmo, pai! Mas será que desaparecer do nome significa sumir de nossas vidas?

Coluna do Mirisola

A senzala e a revolução de Zuckerberg

“Para Mark Zuckerberg & Associados, eu não só escrevo, como 'compartilho', 'curto' e me solidarizo com amigos, que igualmente engrossam o caldo e a conta do nerd dos infernos”

Marcelo Mirisola
Quando me dei conta, já era tarde. Havia sido tragado pelo Facebook. Tudo o que pensava já vinha empacotado e embalado no formato Zuckerberg & Associados. E o mais grave, o que eu não pensava também.

Quem é que não quer publicar e ter retorno imediato? Mesmo com 11 livros na praça, eu continuo querendo. Trata-se de uma questão de honra pra qualquer vaidoso que se preza, ainda mais prum cara como eu; carente, talentoso e verborrágico, vindo lá dos idos da Sessão Coruja. Desde o primeiro original até Maria Rita Kehl fazer a ponte com a editora Estação Liberdade, foram oito longos anos sendo recusado por editoras, e praticamente incomunicável.

Bom demais publicar no facebook. Sem falar na quantidade de amigos e na possibilidade erótica que vem a reboque. Em menos de um mês consegui mais de mil amigos: nenhum deles me telefonou para saber se eu precisava de alguma coisa no dia que tive uma conjuntivite braba e fiquei impossibilitado de “compartilhar” pérolas na rede. Mesmo assim, os considero amigos (alguns existiam antes da internet, impressionante né?); são amigos porque existe um filtro maravilhoso para bloquear pentelhos.

Mas essa possibilidade já era realidade nos blogues, diria o espírito de porco. E eu responderia. Nem tanto. O grande pulo do gato de Mark Zuckerberg foi juntar todos os milhares de blogues e leitores de blogues e os perdidos no espaço da gosma virtual num mesmo lugar. Quase impossível não sucumbir vertiginosamente à senzala de Zuckerberg. Um lugar onde não se pode fazer corpo-mole (nem ser vitimado por uma conjuntivite ... ) sob o risco de não mais ser “curtido” pelos amigos.

Na senzala de Zuckerberg, todos trabalham felizes, e de livre e espontânea vontade. Nem parece senzala.

Aqui, faço um parêntese.

A imagem e a semelhança perderam a devida correspondência. Banco não parece banco. Guerra não é guerra. Sandy é devassa. Até a hipocrisia perdeu status, virou qualquer coisa amparada pela lei Rouanet. Vivemos a época dos eufemismos fantasmas.

Voltando.Um amigo recente, que também conheci no mundo virtual e que graças a Deus descambou pro buteco, o Walber Schwartz, me disse o seguinte (via facebook, claro): “O cara é odiado mas todo mundo consome o que ele faz. E usa o que ele faz para falar mal dele. A crítica é absorvida como parte do sucesso. Para mim,isso é genialidade”.

Como é que eu posso discordar? E como é que eu podia deixar de acrescentar: nerd f.d.p dos infernos. Gênio. Deve ser a reencarnação quádrupla de Henry Ford, Bob Fischer, Charles Manson e Costinha, tirando um sarro da nossa cara.

De qualquer forma, é muito bom estar lá, receber afagos e a “curtição” dos amigos. Um vício. Mas não deixa de ser legítima – apesar do argumento do Walber – minha contrariedade: não me conformo com o fato de estar enriquecendo esse nerd diabólico sem ganhar um centavo. Quando postei essa reclamação, me acusaram de estar fazendo pose de bolacha, a última do pacote. Disseram p’reu deixar de ser metido; afinal , como escritor, eu estaria lucrando com minhas reclamações, uma vez que o facebook serviria – sobretudo - como uma vitrine. Outro xeque-mate do sr. Zuckerberg.

O engraçado é que, antes do advento do facebook, esse tipo de argumento era mais do que o suficiente para mandar as simpáticas editoras de suplementos de comportamento - que me pediam “colaborações” - pros quintos dos infernos. Eu pensava: só o que me falta, escrever de graça pros Civitta, Alzugaray & assemelhados.

Mas, para Mark Zuckerberg & Associados, eu – que estou muito longe de ser a última bolacha do pacote ... – não só escrevo, como “compartilho”, “curto” e me solidarizo com meus amigos, que igualmente engrossam o caldo e a conta do nerd dos infernos. Mesmo sabendo que hoje, depois de quase dois meses dedicados ao tronco, perdi dezenas de argumentos que – queiram ou não queiram meus amigos de facebook – são (ou eram...) meu pão de cada dia, ainda assim, eu continuo na Senzala Zuckerberg, firme e forte – provavelmente essa crônica será festejada lá.

Como um masoquista compulsivo, mesmo sabendo que estou levando prejuízo, eu insisto. Vejam só. Ao reclamar da atual safra de cantoras e cantores chatos, Lenine, Ana Carolina, Jorge Vercilo e cia ltda,e ao dizer que eles acabariam fazendo com que eu gostasse do Djavan, esqueci de dizer que todos eles juntos – somados os filhos e netos da Elis – não valiam uma unha micosada do dedão do pé de Benito di Paula. Não disse, e perdi o embalo. Qual a graça de desenvolver uma crônica cujo assunto já foi abordado, discutido e rediscutido na Senzala, digo, Facebook?

O fato é que no minuto seguinte, ninguém mais se interessaria em voltar ao tema. Porque a demanda ou as palavras mágicas (que eu abomino na minha vidinha pacata) são: insight, produção e urgência. Não faria nenhum sentindo, por exemplo, um George Perec existir no facebook. Muita gente boa, que merece mais do que uma “curtição” instantânea, seria e é inviável nas redes sociais. André Sant’ Anna, lamento comunicar seu falecimento. Não deixe de ir ao meu velório, também morri pras grandes narrativas e gosto (ou gostava) de você e das coisas que você fazia, aquele seu show epilético com a Vanessa Bumagny era mesmo impagável... mas pensando bem, Georges Perec não faz sentido em lugar algum. Nunca mais drinque no dancing, meu caros.

Ou seja. O trabalho que demorava anos e anos para amadurecer e ser pesado, pensado e repensado, e depois disso escrito e reescrito, para logo em seguida ser submetido ao exame das editoras (que o desprezariam) e, depois disso, levado à maleta do carteiro que invariavelmente traria as piores notícias ... enfim, depois de cumpridos todos os círculos infernais, todo esse trabalhão, de repente, viraria um passado distante.

Os problemas que eram a razão da vida medíocre que eu, e muitos pentelhos metidos a escritores levavam, acabaram. Tudo se resolve numa fração de segundo-zuckerberg. No lugar em que antes pairavam somente os escolhidos pela eternidade, hoje, qualquer um pode dar seus pitacos e arriscar um lugar ao céu. Se é bom ou ruim, eu não sei. Sei que, embora as vidinhas continuem medíocres, a História mudou de tempo e de lugar. Toda a angústia e mais um caminhão de carências foram sepultados num passado remoto e risível. As possibilidades e os desdobramentos são de outra ordem. Um “cliquezinho” é capaz de transformar toda a metafísica de um Pirandello em pó.

***
A pergunta é: e o que vem no lugar de?

***
Bem, aqui reside a parte boa e incontrolável dessa bagaça. Não dá para negar o poder de fogo das redes sociais: temos o falecido orkut, os vivíssimos facebook e o tuíter (desse não participo, Zuckerberg suga todas as minhas forças ...) e mais o linkedin e outras redes que desconheço e outras que virão.

O fato cristalino: Não dá para negar o poder de representação do facebook. Vou repetir o termo, poder de representação. Aquele mesmo que os políticos cansaram de usurpar nas câmaras, assembléias e em seus gabinetes.

E, sobretudo, não dá para negar o poder efetivo de subversão que essas redes efetivamente materializaram. O elo que havia se perdido por falta de conexão entre a distância dos poderes constituídos (tanto faz se autoritários ou democráticos) e a realidade de quem se fode e paga imposto e não obtém nenhuma “curtição” como recompensa, esse elo – independentemente do status quo - se formou. A conexão foi se construíndo e se constituindo nas redes sociais como se fosse uma egrégora engasgada há séculos que finalmente deu as caras: livre de formalidades, incisos e “nobres” interesses, livre de bandeiras e limites territoriais.

As estruturas – todas - estão ruindo. A representatividade passa longe dos discursos empolados dos tiozinhos de cabelo pintado. Há uns cem anos, o pai de Jorge Luis Borges dizia ao filho que haveria um tempo em que o mundo não precisaria mais de prisões, açougues, democracia, generais e governos.

Desconfio que ele estava certo, com exceção dos açougues.

Diante do poder de mobilização de um facebook (vide os levantes recentes na África e no Oriente Médio, sem falar na Europa que daqui a pouco – ou mais uma vez ... – como diz meu amigo Paulinho ‘Picanha’ de Tharso, “vai virar geléia”). Isto é, diante da força e da volúpia redescobertas pelas massas-zuckerberg, Montesquieu e sua divisão de poderes, a figura de um Obama imperial ou Congresso Nacional de qualquer país democrático soarão tão irrelevantes, desnecessários e fora de contexto como os penachos e medalhas do uniforme de um palhaço carniceiro do feitio de Gadaffi.

Não vamos nos iludir. O start foi acionado. Porque é uma ilusão achar que as massas estão pedindo por democracia, elas claramente dispensam e rejeitam as tiranias e pedem por liberdade, que é algo totalmente diferente de ordem, progresso e conversa mole pra boi dormir, liberdade é algo explosivo, inevitável e imprevisível (um sentimento volúvel e caprichoso, que ora pode se associar a democracia, ora a sangue derramado e guilhotina); liberdade, hoje, é algo que talvez nem o senhor Mark Zuckerberg saiba o que é.

PS: Gostaria de cumprimentar os novos colunistas do Congresso em Foco. Especialmente dar minhas boas-vindas a Manuela D’Ávila, que é uma gatona.

Considerado uma das grandes revelações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.

Twitter

Caneta da felicidade...

Eta canetão! Só põe a mão quem ganha eleição...

Coluna do Celsinho

Papo com Tato

Celso de Almeida Jr.
Há uma semana, tomei um café com o Tato, do Partido Trabalhista Brasileiro.

Comi um quindim.

É o amarelo que me persegue.

Não bastasse ser a cor da escola, caracteriza o doce preferido.

Percebo a generosidade do Tato.

Extremamente respeitoso, procura, com todo zelo, reintegrar-me ao PTB.

Quando estive filiado, na década de 80, estava sob o comando do querido Joanilson Serpa que, literalmente, carregava o partido no porta malas de seu carro...

Joanilson fortaleceu a legenda lançando a candidatura de Nadim Kayat a prefeito e elegendo três vereadores em 1988: Maria do Carmo, Douglas Incao e Othon Carneiro.

Hoje, Tato além de comandar democraticamente o diretório municipal - cuja bem organizada sede simboliza uma homenagem a todos que contribuiram na trajetória da legenda - tem a tarefa de fortalecer o PTB em nossa região.

Tato e sua equipe deram ao partido uma extraordinária visibilidade, o que garante disputar o comando da prefeitura e cadeiras da câmara municipal.

Exemplos como o do Tato merecem aplausos e incentivo, afinal são pouquíssimos empresários que encaram um desafio desta envergadura.

Aliás, li recentemente uma bonita publicação do jornal A Cidade que relata a sua digna trajetória empresarial e política.

É claro, portanto, que devo ajudar o Tato no que estiver ao meu alcance.

Mas, não vou me filiar.

Vivo um momento profissional que exige metade do tempo colaborando na gestão da escola e a outra metade em atividades fora do município.

Sei que ele compreenderá, afinal, sabe que eu não me filiaria para aumentar o quorum mas, exclusivamente, para lutar no front.

Assim, justifico minha não filiação com a esperança de - apesar da preferência pigmentar - não ser acusado de amarelar.

Twitter
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Nuclear em novo momento

Fernando Gabeira - O Estado de S.Paulo
O terremoto no Japão estremeceu a indústria de energia nuclear. Ele aconteceu quando a confiança nessa matriz estava em alta. Governos influentes, como o de Barack Obama, anunciaram planos de expansão do nuclear. O momento era bom no plano das ideias. Autor de Gaia, um famoso livro sobre meio ambiente, James Lovelock defendeu as usinas nucleares, considerando os perigos do aquecimento global e as circunstâncias europeias.

O impacto da posição de Lovelock foi muito grande, entusiasmando políticos e lobistas a iniciarem uma nova ofensiva. Além de todas as suas vantagens, a energia nuclear era considerada uma saída inteligente para atenuar os males do aquecimento.

A tendência geral alterou-se, no momento. Pesquisas nos EUA revelaram que o apoio ao nuclear caiu de 56% para 47%. E na Alemanha, onde é forte a oposição popular às usinas nucleares, os verdes derrotaram a Democracia Cristã em Baden-Württemberg. A Alemanha é o berço do movimento antinuclear que deu origem ao mais forte partido de ecologistas da Europa. Atenta a essa singularidade, a primeira-ministra Angela Merkel anulou uma decisão anterior que prolongava a vida das usinas existentes.

Todos os desastres em usinas nucleares embaralham um pouco as relações no setor. Fukushima aconteceu num país democrático, obrigado a informar com constância o estado dos reatores, turbinas e piscinas de material usado. Nesse sentido, é um desastre próximo, o primeiro a acontecer num contexto de comunicações mais rápidas. Ainda assim, 57% dos japoneses condenam a maneira como o governo e a empresa de eletricidade conduziram o processo. Notícias desencontradas surgiram desde o início e até recentemente havia dúvidas quanto ao nível de contaminação da água no reator 2.

Choque maior para os estudiosos foi constatar que o Japão, um país tecnológico, estava trabalhando com conceitos antigos e não tirou proveito das modernas ciências da sismologia e avaliação de riscos. Até certo ponto isso era justificável no passado. O engenheiro Tsuneo Futami, que foi diretor da Tóquio Eletricidade e participou da construção de Fukushima, afirma que a palavra tsunami não passava pela cabeça de ninguém.

De fato, apesar de registros de tsunamis em outros séculos no Japão, a palavra só foi incorporada à linguagem cotidiana nos últimos sete anos. A empresa procurou, de certa forma, uma defesa contra tsunamis. E procurou construindo uma barreira de defesa concebida para enfrentar o mais forte terremoto e as mais altas ondas conhecidas. Só que o mais forte estava por vir e as barreiras se mostraram frágeis para conter as águas.

Todos os países, menos o Brasil, logo decidiram rever suas normas de segurança. O argumento das autoridades era o de que as instalações seriam seguras e aqui não aconteceria um desastre como o de Fukushima. Nada a revisar, portanto.

Felizmente, essa posição defensiva durou pouco. O próprio ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, anunciou que o País iria reavaliar as condições de segurança de suas usinas. Ato contínuo, a direção da Eletronuclear afirmou que iria examinar as condições das encostas em Angra e contratar uma auditoria externa. Em 1985 houve um deslizamento na área da usina, soterrando o laboratório de radioecologia.

O mais interessante viria 24 horas depois do anúncio. A empresa estava planejando a construção de dois píeres para permitir a fuga pelo mar.

Mesmo antes de uma auditoria, tanto a Eletronuclear como todos os que trabalham com o tema sabem que a BR-101 é muito frágil para ancorar um plano de fuga. Na verdade, se for submetida a uma análise científica moderna, terá de receber novo traçado.

No dia em que acompanhei a simulação de um plano de fuga, o policial rodoviário que veio nos dar cobertura morreu no caminho, vítima de um desastre na estrada. E a sirene não funcionava. Parte dos moradores estava preparada para fugir, mas não havia trabalho voltado para os turistas: um acidente teria de acontecer no inverno e no meio da semana.

Ao focar a auditoria de segurança nas encostas, a Eletronuclear projeta os problemas para fora da usina, na presunção de que no interior está tudo bem. Os EUA foram um pouco adiante e se perguntaram qual o nível de segurança dos seus geradores de reserva. Esse é o nosso caminho, mesmo sabendo que não haverá terremotos ou tsunamis no Atlântico.

Mas o debate mais amplo é inevitável. Devemos ou não construir usinas nucleares? As condições de agora não precisam ser tão emocionais como foram no passado. Uma simples discussão sobre futuras usinas pode subestimar o debate sobre as que já existem e precisam de atenção.

Mesmo num país como a Alemanha, onde o tema é mais empolgante, não há razão para grandes dramas. Embora EUA e China já trilhem mais discretamente o caminho, a Alemanha está bem adiantada no desenvolvimento da energia solar. Há alguns anos era apenas uma ideia, hoje é uma realidade na forma de dezenas de usinas no mundo, milhares de empregos.

A tragédia no Japão colheu-nos num momento da história em que é possível exigir das usinas existentes uma ampla revisão de suas normas e, simultaneamente, apontar as energias alternativas, sobretudo a solar e suas variáveis, como a saída para o impasse.

Possivelmente conviveremos com o nuclear e o solar por muito tempo. A existência de uma nova matriz exigirá que antiga se reformule para melhor até que o curso dos anos e as lutas simbólicas definam se apenas uma delas vai sobreviver.

Lobão e governo brasileiro são ainda refratários ao solar. No entanto, a primeira usina nacional funcionará em breve no Ceará. O desempenho dela e dezenas de outras maiores, espalhadas pelo mundo, vai dar um novo tom à discussão. Saem os slogans, entram os fatos. Fukushima, Hiroshima, na paz e na guerra, alguns desses fatos vieram do Japão.

Twitter

Manchetes do dia

Sexta-feira, 01 / 04 / 2011

Folha de São Paulo
"Pela 2ª vez, leilão para trem-bala deve ser adiado"

Governo considera que é necessária mais tempo para atrair novas concorrentes em licitação de R$ 33,1 bi

O governo federal já admite informalmente adiar por 90 dias o leilão do trem-bala, marcado para o próximo dia 11. Será o segundo adiamento da licitação. Na semana que vem, a presidente Dilma Rousseff se reúne com técnicos do governo para acertar detalhes e a nova data.

O Estado de São Paulo
  "Governo quer taxar minério para fazer Vale investir em ação"

Pressão para que empresa atue em siderurgia vem desde o governo Lula; setores envolvidos criticam ideia

O Planalto determinou à Fazenda que estude uma forma de taxar fortemente a exportação de minério de ferro e desonerar a do aço. A ideia é reduzir a venda de minério e elevar a de produtos siderúrgicos no exterior. O objetivo é forçar a Vale a investir mais em produtos de maior valor. A ideia foi criticada por representantes da mineração. Para Marco Polo de Mello Lopes, do Instituto Aço Brasil, a desoneração deveria atingir toda a cadeia produtiva, e não só parte dela. A tentativa de forçar as mineradoras a investir na produção e venda de aço está na agenda presidencial há anos. Um dos motivos dos choques entre o então presidente Lula e o presidente da Vale, Roger Agnelli, era a demora da mineradora em aplicar seus recursos no setor siderúrgico. A presidente Dilma Rousseff tem a mesma visão e definiu como uma de suas prioridades obter da Vale a construção de uma siderúrgica em Carajás (PA).

Twitter

quinta-feira, março 31, 2011

Teste de memória

Quem são eles? Acerte e ganhe 13 jujubas coloridas.

Coluna da doutora Luiza Eluf

Não há democracia com burca

Luiza Nagib Eluf
Assistimos à derrubada da ditadura egípcia e aos movimentos revolucionários na Líbia, Iêmem, Bahreim e outros países do oriente, onde as populações clamam por democracia e o restante do mundo assiste ao desenrolar dos fatos formulando as mais variadas análises.

Deposto Hosni Mubarak, uma junta militar promete conduzir o Egito às eleições. As liberdades democráticas são a principal reivindicação do mundo árabe. Antes de qualquer análise, porém, é preciso lembrar que estamos falando de uma região que concentra maioria esmagadora de seguidores do islâmismo. Nesse contexto, é impossível prever qual a influência dos cânones religiosos na reestruturação que está por vir. Embora muitos argumentem que alguns dos países em processo de transformação têm tradição de Estado laico, como o Egito, as imagens internacionais evidenciam a forte presença religiosa entre os sublevados, fazendo crer que o potencial de crescimento da Irmandade Muçulmana não deve ser subestimado.

As maiores vítimas da repressão, as mulheres, gritam através da burca que lhes cobre o corpo, o rosto, a boca. Amordaçadas, apenas com os olhos descobertos, elas querem participar e tentam se fazer ouvir. O que é uma mulher no Islã? Sobre isso, os articulistas brasileiros pouco têm falado. Alguns estudiosos do oriente médio, chamados a escrever para jornais ou a opinar na televisão, simplesmente desconsideram o problema das mulheres. Não as enxergam. Falam em futuro promissor, em democracia, mas esquecem os direitos humanos que a antecedem. Acharão normal que, passado o momento da revolução e atingido o objetivo de derrubar ditadores, as mulheres voltem para casa e se recolham ao cárcere domiciliar? A condição de mais da metade da população não faz parte da história que certos intelectuais pretendem contar. Nem se diga que as mulheres são felizes exercendo o papel que lhes foi reservado pelos conservadores, que elas não precisam de mais nada além de obedecer aos maridos e ter filhos, que usam o véu espontaneamente e que precisam dos homens para se sentir protegidas. Enfim, que tudo se justifica pela tradição cultural. Não há dúvida de que essa argumentação obscurantista deve ser vigorosamente rejeitada, pois os direitos humanos são universais, não importando a região do mundo de que se trate. E, definitivamente, as mulheres não conseguem ser felizes na condição análoga à de escrava.

A mulher no Islã não tem direitos sexuais. Muitas são submetidas à mutilação genital. Tampouco tem direitos patrimoniais, intelectuais, ou mesmo de livre locomoção. Não podem dirigir veículo. Não podem mostrar os cabelos, não podem usar roupas que realcem as formas do corpo e são obrigadas a cobrir-se da cabeça aos pés para sair às ruas. A revolução “democrática”, seja no Egito, seja na Líbia ou em qualquer outro país majoritariamente islâmico, corre o risco de não contemplar a mulher, deixando de assegurar a igualdade de direitos. E não pode haver democracia com burca.

Luiza Nagib Eluf é Procuradora de Justiça do Ministério Público de São Paulo.

Twitter
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

O arrefecimento do MST

O Estado de S.Paulo - Editorial
Criado para lutar pela reforma agrária em nome da sobrevivência da população marginalizada do campo, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) - que depois se transformou em uma organização clandestina voltada para a subversão da ordem democrática e a destruição do capitalismo - está preocupado hoje em sobreviver ele próprio. Seu maior desafio é o rápido esvaziamento de seus acampamentos em todo o País. Sem abandonar a tentativa de mobilização dos sem-terra e o uso dos acampamentos como instrumento de pressão para obrigar o governo a fazer novos assentamentos - um novo "abril vermelho" já foi anunciado -, a direção do movimento pretende mudar o foco prioritário de sua atuação, como deixou claro, em depoimento ao Estado (27/3), um dos membros da coordenação nacional, Gilmar Mauro: "A reforma agrária precisa de fato ser ressignificada (sic), com um debate político amplo que envolva toda a sociedade. Se continuarmos com essa lógica de exportação de commodities, com o uso intensivo de agrotóxicos, em menos de 50 anos teremos contaminado todos nossos rios, lagos, terra. É o que desejamos? Queremos consumir alimentos contaminados? Se a sociedade responder sim, então não há espaço para reforma. Se disser não, precisamos rever o modelo agrícola atual". O discurso é bonito. Mas quer dizer apenas o seguinte: já que entidades como o MST têm no confronto a razão de sua existência, e ninguém mais está preocupado com a falsa disputa entre a agricultura familiar e o agronegócio, o movimento decidiu se transformar em entidade ambientalista, com novo alvo específico bem definido: os agrotóxicos.

Há muito tempo o MST vem perdendo expressão, como mostram os números relativos à sua atuação. Em 2003, primeiro ano do governo Lula, o movimento era responsável por 285 acampamentos de sem-terra em todo o País, de acordo com a Comissão Pastoral da Terra. Em 2009 esse número havia sido reduzido para 36. E, no ano passado, continuou diminuindo. Segundo o Incra, as 400 mil pessoas acampadas em 2003 se tornaram menos de 100 mil em 2010.

As razões desse esvaziamento são óbvias. Talvez a mais importante seja o significativo aumento da quantidade de empregos, formais e informais, ocorrido nos últimos anos, especialmente na construção civil. Além disso, há o efeito que o Bolsa-Família provoca sobre a disposição para a luta de quem nada tem e por isso se conforma com o pouco que lhe oferece o assistencialismo paternalista.

Assim, o mesmo governo que estimulou as ações do MST - o presidente Lula não só recebia suas lideranças, como se deixava fotografar com o boné da entidade - e não coibiu os seus métodos violentos, ao proporcionar o crescimento da economia, foi também responsável pela desmobilização dos sem-terra. Além disso, o governo petista praticamente abandonou a reforma agrária, como relata o secretário da coordenação nacional da Comissão Pastoral da Terra, Antonio Canuto (Estado, 27/03): "No início do mandato de Lula as pessoas acreditavam que ele faria a reforma e por isso foram para os acampamentos. Com o tempo percebeu-se que o empenho do governo não era tão forte como se havia prometido. Agora a situação é pior: a reforma não está no horizonte do novo governo".

Está claro, portanto, que o sentido e a importância da reforma agrária "ideológica" mudaram significativamente, até na cabeça de governantes que passaram a maior parte da vida com ela comprometidos. O que parece não mudar nunca é o discurso da liderança do MST, para quem tudo continua girando em torno da dicotomia socialismo/capitalismo. Presos a uma visão do capitalismo do século 19, não passa pela cabeça dos dirigentes do MST que uma sociedade democrática, livre e consciente, seja capaz de criar mecanismos e controles eficientes de produção e distribuição da riqueza. Preferem vender a ilusão de um socialismo que promete distribuir uma riqueza que não é capaz de criar, como está historicamente comprovado. Por mais que tente repaginar o discurso, o MST permanece inapelavelmente enredado no mais absoluto anacronismo.

Twitter

Manchetes do dia

Quinta-feira, 31 / 03 / 2011

Folha de São Paulo
"CIA ajuda rebelde líbio após ordem de Obama"

EUA não confirmam nem negam; Gaddafi retoma terreno de rebeldes

Os EUA autorizaram missões secretas na Líbia para ajudar rebeldes contra o ditador Muammar Gaddafi. O serviço secrete britânico MI6 também está envolvido. As informações foram divulgadas pelo jornal "The New York Times" e pela agência Reuters. A Casa Branca e a CIA (agência de inteligência dos EUA) não se manifestaram.

O Estado de São Paulo
  "Obama assina ordem secreta e CIA já ajuda insurgentes na Líbia"

Kadafi retoma cidades em poder de rebeldes; chanceler líbio deserta em Londres

A CIA iniciou operação clandestina na Líbia para auxiliar os rebeldes que lutam contra o ditador Muamar Kadafi, revelou o jornal The New York Times, citando funcionários do governo americano. A ação, segundo a agência Reuters, é resultado de ordem assinada pelo presidente Barack Obama para dar apoio secreto dos EUA aos insurgentes. As informações surgem no momento em que a coalizão em ação na Líbia discute se fornecerá armas aos rebeldes - que ontem sofreram diversas derrotas. O chanceler líbio, Moussa Koussa, foi para Londres e desertou, informou a governo britânico.

Twitter

Elite branca de olhos azuis - Origem

Imigrantes italianos em São Paulo - Clique para ampliar

quarta-feira, março 30, 2011

Poder

"As vantagens de ser megalômano! E faltam os da América latina!

David Brooks - The New York Times/La Nacion, 27
O que buscam os megalômanos, como Kadafi, é controlar até o ultimo neurônio a mente de seus súditos e controlar todos e cada um dos aspectos de sua vida. Ocupam-se de destruir toda autoridade externa e a sociedade civil. Personalizam as instituições, para que, por exemplo, o exército exista para servir-se a si mesmo e não a nação. Não os acossa nenhuma dúvida, nem lhes preocupa a boa ou má opinião dos demais, pois já se sentem possuidores da verdade absoluta. Só os move seu desejo de cumprir sua "missão histórica mundial". A ideia de retirar-se pacificamente a algum local de verão não os motiva.

Tinha razão Jeane Kirkpatrick, quando alguns anos atrás fez a distinção entre ditaduras autoritárias e totalitárias: estas últimas são ao mesmo tempo mais nocivas e mais difíceis de desarticular. O descontrolado narcisismo de Kadafi parece ser a chave de sua sobrevivência no poder. Assim que recordem: para ser um tirano, melhor ser um louco. (Do Ex-Blog do Cesar Maia)

Twitter
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

A antecipação da alfabetização

O Estado de S.Paulo - Editorial
Em resposta a uma consulta encaminhada por duas escolas particulares de São Paulo - os colégios Albert Sabin e Guilherme Dumont Villares -, por uma diretora de ensino da capital e por um grupo de pais de alunos na faixa etária entre 3 e 5 anos de idade, a Câmara de Educação Básica do Conselho Estadual de Educação (CEE)proibiu matrículas de crianças na educação fundamental antes que elas completem a idade mínima exigida para esse ciclo do ensino.

As escolas somente poderão matricular no ensino fundamental alunos com 6 anos, já completados ou a completar até o dia 30 de junho. A orientação do órgão é para que os alunos frequentem a segunda fase da pré-escola com 5 anos de idade e a primeira fase da pré-escola com 4 anos - também completados até a data-limite de 30 de junho. Com isso, as crianças nascidas no segundo semestre terão de ser atendidas pelos estágios anteriores do sistema educacional - ou seja, as creches.

A fixação de idades mínimas para cada nível de ensino tem o objetivo de evitar que os pais antecipem o início da escolarização dos filhos, queimando etapas. Muitos pais alegam que as crianças que completam 6 anos depois de 30 de junho esbarram em dois problemas - elas são separadas de sua turma, na fase de ingresso no ensino fundamental, e ainda têm de esperar mais um ano para poder se matricular na pré-escola ou no ensino fundamental. "Há caso de a criança fazer aniversário alguns dias após 30 de junho. A família fica inconformada. É delicado", afirma a diretora do Colégio Guilherme Dumont Villares, Eliana Pereira Aun.

Há, também, pais que tentam antecipar ou adiantar a escolarização dos filhos alegando que eles têm conhecimentos avançados. No entanto, professores, psicólogos e pedagogos afirmam que isso pode comprometer a alfabetização e a formação dos alunos. Eles também alegam que a espera de um ano para ingresso na fase de alfabetização das crianças que aniversariam depois de 30 de junho não pode ser vista como "castigo" pelos pais e que a transição da creche para a pré-escola, e deste ciclo para o ensino fundamental, tem de ser "suave".

Segundo os integrantes da Câmara de Educação Básica do CEE, o risco das crianças que entram muito cedo no processo de alfabetização é de que sejam alunos imaturos, sem condição de acompanhar as aulas. "O apressamento da escolaridade não é bom e pode prejudicar a maturidade da criança no futuro. Às vezes, o desenvolvimento cognitivo pode ser avançado, mas o emocional não é", diz a autora do parecer aprovado pela CEE, Maria Auxiliadora Albergaria Raveli. "Na última década, tivemos muitos problemas de menino que cresceu imaturo porque os pais achavam que era um gênio no início da escolarização", afirma a diretora do Colégio Guilherme Dumont Villares.

Há casos de pais que tentam matricular no ensino fundamental crianças que completam 6 anos em agosto, sob a alegação de que a Constituição de 88 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação garantem o direito à educação de acordo com a capacidade de cada um e, como mostrou recente reportagem do Jornal da Tarde, há até o caso de uma família que obteve na Justiça liminar - fundada em parecer favorável da Promotoria da Infância e Juventude - autorizando a matrícula de uma criança de 3 anos na pré-escola de um colégio particular.

Tomada no final de fevereiro, a decisão da Câmara de Educação Básica do CEE ressalta a importância da pré-escola e recomenda aos pais de alunos que não "avancem o sinal", para não prejudicar a formação dos filhos. A decisão vale como diretriz tanto para as famílias quanto para as escolas que ainda tinham dúvidas sobre as idades mínimas de matrícula na primeira e na segunda fase da pré-escola e no primeiro ano do ensino fundamental - especialmente para as escolas particulares, uma vez que a rede pública tem autonomia para definir o dia de corte para matrículas, desde que respeitado 30 de junho como data máxima.

Twitter

Manchetes do dia

Quarta-feira, 30 / 03 / 2011

Folha de São Paulo
"Crédito cresce, apesar de medidas do governo"

Expansão chega a 21% em 12 meses; BC quer baixar nível para 13% ao ano

Apesar das medidas tomadas pelo governo federal desde o fim do ano passado - como o aumento da taxa de juros e restrições no financiamento de veículos -, o crédito no país cresceu 21% nos 12 meses encerrados em fevereiro, segundo dados do Banco Central. Ao favorecer o consumo, essa expansão preocupa, pois contribui para alimentar a inflação. O governo espera que a decisão de taxar em 6% empréstimos com prazo inferior a um ano tomados fora do país ajude a limitar o avanço do crédito a apenas 13% neste ano.

O Estado de São Paulo
  "Coalizão articula dar armas aos rebeldes contra Kadafi"

Objetivo declarado é derrubar o ditador; para Washington, a medida não extrapolaria resolução da ONU

Chanceleres de mais de 40 países, reunidos ontem, em Londres, discutiram formas de armar os rebeldes líbios para que eles possam derrubar o regime de Muamar Kadafi - agora, um dos objetivos declarados da coalizão. A discussão, ainda travada nos bastidores, foi admitida por representantes dos EUA e da França, dois países líderes da operação militar iniciada no dia 19. Segundo americanos e franceses, os insurgentes provavelmente não conseguirão derrubar o ditador líbio por conta própria. Para Washington, o fornecimento de armas não extrapola a resolução da ONU que autorizou a operação militar. O enviado especial à Líbia, Lourival Sant'Anna, relata que as tropas leais a Kadafi conseguiram retomar duas cidades em poder dos rebeldes.

Twitter

terça-feira, março 29, 2011

Vida moderna

Trem superlotado. Japão, 1950.

Pensata

Dengue

Sidney Borges
Não há dia em que não saia na mídia alguma notícia (ruim, ou se alguém preferir, péssima) sobre a dengue. Não bastassem as formas virais 1, 2 e 3, que tanto mal tem causado, reaparece o vírus tipo 4 que não dava as caras há 28 anos. Em Ubatuba a brava equipe que cuida da prevenção tem trabalhado duro. Digo isso por que a minha casa foi visitada 4 vezes. Não me incomodam as visitas, quando posso ofereço café e biscoitos, evitar a proliferação do mosquito é um trabalho da maior importância.

Mas é apenas um paliativo. Acabar com o Aedes aegypti é difícil, para não dizer impossivel e é natural imaginar que quando cessar o ruído em torno da epidemia as medidas preventivas serão abrandadas e os mínusculos vetores voltarão a ocupar seu lugar na cadeia alimentar.

A existência da dengue em pleno século XXI é motivo de vergonha. A vacina é a única forma de exterminar o mal, mas para que seja criada é preciso dinheiro. Temo que não haja interesse em resolver o problema. Será que não seria mais econômico financiar a vacina e não ter de arcar anualmente com despesas hospitalares e ações caça-mosquitos?

Enquanto a vacina não for prioridade continuaremos fazendo o que o manual manda para evitar a proliferação dos vetores alados. E esperando não contrair a forma letal da doença.

Twitter 
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Dilma, a Vale e a sombra de Lula

O Estado de S.Paulo - Editorial
O governo venceu, depois de quase dois anos e meio de campanha contra o presidente da Vale, maior empresa privada do Brasil, segunda maior mineradora do mundo e líder mundial na extração de minério de ferro. Roger Agnelli deixará o posto, afinal, porque o Bradesco desistiu de enfrentar a pressão do Palácio do Planalto. Sem a rendição do banco, o governo federal não teria os votos necessários para forçar a mudança na cúpula da empresa. O acordo foi concluído em reunião do ministro da Fazenda, Guido Mantega, com o presidente do conselho de administração do Bradesco, Lázaro Brandão, na sexta-feira. O resultado já era dado como certo por fontes do governo e, portanto, não surpreendeu. Mas a disputa em torno da presidência da mineradora foi muito mais que um embate entre dois grandes acionistas. Este é o ponto mais importante, não só para os diretamente envolvidos nesse confronto, mas, principalmente, para o País.

Se houve algo surpreendente, não foi a rendição do Bradesco, na semana passada, mas sua longa resistência. Há uma enorme desproporção de forças entre o governo federal e uma instituição financeira privada, mesmo grande. Os dirigentes do banco acabaram levando em conta seus interesses empresariais e os possíveis custos de um longo confronto com as autoridades. A pressão exercida a partir do Palácio do Planalto foi "massacrante", segundo uma fonte do banco citada pelo jornal O Globo.

Ao insistir no afastamento de Roger Agnelli, a presidente Dilma Rousseff seguiu no caminho aberto por seu antecessor. Derrubar o presidente da Vale foi um dos grandes objetivos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Desde o agravamento da crise internacional, em 2008, quando a Vale anunciou a demissão de cerca de 1.300 funcionários, as pressões contra os dirigentes da empresa foram abertas. Além de se opor às dispensas, o presidente da República passou a exigir da Vale maiores investimentos em siderurgia.

Seria preciso, segundo ele, dar menos ênfase à exportação de minério e realizar um maior esforço de venda de produtos processados. Em sua simplicidade, o presidente Lula nem sequer levou em conta a enorme capacidade excedente da indústria siderúrgica, não só no Brasil, mas em escala mundial.

Mas nem é o caso de examinar o mérito das ações defendidas pelo presidente da República e por seus estrategistas. Se essa discussão valesse a pena, os argumentos teriam ocupado espaço na imprensa e os principais dirigentes da Vale com certeza os teriam examinado, com a mesma competência demonstrada ao promover o crescimento da empresa desde sua privatização. O ponto importante é outro.

O presidente Lula agiu como se fosse atribuição de seu gabinete administrar tanto as estatais quanto as grandes companhias privadas. Deu ordens a diretores da Petrobrás e censurou-os publicamente. A imprudente associação da Petrobrás com a PDVSA para construir a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. é fruto do cumprimento de uma dessas ordens. Aliás, nem sempre os dirigentes da estatal conseguiram seguir as determinações de Lula - a preferência a fornecedores nacionais, por exemplo - porque isso comprometeria seu trabalho.

Um presidente sensato não se meteria sequer na administração de uma estatal grande e complexa. Muito menos se atreveria a ditar políticas para empresas privadas também grandes, complexas e bem-sucedidas como a Vale e a Embraer, mas a autocrítica e o sentido de proporção nunca foram grandes atributos do presidente Lula. Além do mais, sentimentos como esses acabariam facilmente sufocados pelo objetivo maior: comandar de seu gabinete várias da maiores empresas brasileiras. Se bancos federais se meteram onde não deveriam, comprando, por exemplo, participação no Banco Panamericano, foi para atender a essa concepção de poder.

A presidente Dilma Rousseff já mostrou, em mais de uma ocasião, diferenças importantes em relação a seu antecessor e grande eleitor. Neste caso, no entanto, quando se trata da fome de poder e da ambição centralizadora, a continuidade da política anterior parece garantida.

Twitter

Manchetes do dia

Terça-feira, 29 / 03 / 2011

Folha de São Paulo
"Coalizão amplia ofensiva e discute Líbia pós-Gaddafi"

Sob o pretexto de defender civis, aliança ataca cidade natal do ditador, considerada estratégica para conquistar capital

Os países que lideram a ação militar na Líbia começaram a debater pianos para depois da eventual saída do ditador Muammar Gaddafi. Na TV, Barack Obama (EUA) defendeu a transição, embora tenha negado que essa seja a meta das operações da aliança militar Otan.

O Estado de São Paulo
  "Juízes federais marcam greve por reajuste de 14,79%"

Teto de R$ 30,6 mil teria efeito para toda a categoria; para magistrados, aumento não tem de passar pelo Congresso

Juízes federais marcaram uma paralisação nacional para o dia 27 de abril, para forçar a aprovação de um reajuste de 14,79% para os magistrados que, afirmam, tem base na Constituição. Paralelamente, a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) protocolou uma ação no Supremo Tribunal Federal pedindo que o tribunal reconheça suposta omissão do Congresso, ao não aprovar o reajuste, e determine a revisão. Segundo a Ajufe, há no STF defensores da tese de que a própria corte pode conceder o reajuste diante de omissão do Congresso. Se o aumento for definidO nos moldes do que foi pedido ao Legislativo, o salário dos ministros da STF, que é o teto do funcionalismo, passará dos atuais R$ 26.723 para R$ 30.675. Como a remuneração dos juízes é toda escalonada com base no teto, um reajuste do salário do STF representará imediato aumento para toda a categoria.

Twitter

segunda-feira, março 28, 2011

Ramalhete de "causos"


Zé Bráz e o fim do mundo

José Ronaldo dos Santos
No ano de 2005, recordando-me de algumas histórias contadas por dona Francisca “Santa”, da praia do Perequê-mirim, senti vontade de escutá-las novamente. Telefonei para a sua filha Nilsea e marcamos um encontro. Foi um dia maravilhoso! Saí encharcado pelo banho de cultura que as duas esbanjaram!

Apresento, hoje, de forma resumida, a façanha do Zé Bráz. Desta família tradicional do lugar eu somente conheci o João Bráz. Os seus descendentes são poucos, e, por enquanto, não mostram interesse pela memória interessante de seus antepassados. Eis o causo:

“Há cem anos, mais ou menos, na praia do Perequê-mirim, morava um solteirão por nome de Zé Bráz. Muitos diziam que ele era meio tonto, desequilibrado, mas não é isso que se conclui depois de analisar os seus muitos feitos. É o contrário! Ele era muito astucioso, capaz de elaborar os melhores planos com a intenção de pregar boas peças nas pessoas. Era um verdadeiro maroto!”.

A história do fim do mundo é a sua mais famosa elaboração. Veja a engenhosidade dele: primeiramente divulgou uma história. Anunciava a todos que “no dia 25 de março o mundo vai acabar. Todos devem se preparar para perceber o principal sinal em cima do mar, pois ele vai pegar fogo e vai ser o fim de tudo”.

Quando se aproximava a dita data, Zé Bráz preparou uma balsa com talos de bananeira e colheu muito capim seco. Depois, já no referido dia, com sua canoa rebocou pacientemente (e escondido de todos!) aquela jangada até a costeira da ponta da praia da Santa Rita. Bem para lá da Pedra do Sino, num ponto bem distante da praia, de onde os moradores dos vários pontos e praias tinham uma boa visão.

Naquele tempo as pessoas cumpriam um ritual no serão, ou seja, na chegada da noite todos iam até o porto (chegada dos caminhos no jundu) mais próximo para dar uma última olhada no mar. Até proseavam um pouco antes de se retirarem para o repouso da noite. Sabendo disso desde que arquitetou a ideia (que as pessoas estavam no lagamar admirando o crepúsculo), o astucioso acendeu a tal balsa. Aí, as pessoas, muitas delas já apreensivas e angustiadas por causa da história que era de domínio de todos, reconheceram o tão profetizado sinal: o incêndio no mar.

Foi um desespero só! Gritavam, choravam, chamavam os filhos para ficarem juntos até o momento da morte. É preciso lembrar que as pessoas eram simples e respiravam numa atmosfera de temor religioso? Isso bastou para tornar a armação bem verídica!

A sorte foi que alguém percebeu a canoa do Zé Bráz nas proximidades do mar em fogo e matou a charada. Logo tudo voltou ao normal. E assim uma brincadeira tão distante de nós passa um pouco do ser caiçara: engenhoso, religioso, irreverente, contemplativo e astucioso.

Twitter

Geral

O complexo nuclear em Angra dos Reis - Foto: / Gabriel de Paiva-O Globo

Angra planeja obras para ter plano de fuga pelo mar

Do Blog do Noblat
Além de anunciar a contratação de uma consultoria externa para reavaliar a segurança das encostas no entorno de Angra 1 e 2 , que já passam por um monitoramento constante, a direção da Eletronuclear, que opera as usinas, já tem em mãos um estudo para a construção de dois píeres nas imediações da central, visando a reforçar o plano de retirada dos moradores da cidade, em caso de acidente ou outro evento não esperado.

Um cais seria instalado na Baía da Ribeira, do lado direito das usinas, do ponto de vista do mar, e o outro na Praia Brava, do lado esquerdo, onde ficam as residências dos funcionários, revela reportagem de Leonardo Cazes, publicada pelo GLOBO nesta segunda-feira.

Apesar de não ser responsabilidade da empresa, criar uma alternativa de retirada das pessoas por mar é especialmente importante no caso de um deslizamento na Rio-Santos. Nos últimos anos, a rodovia, que passa pelo complexo de Angra, sofreu inúmeros escorregamentos.

Uma grande avalanche em 1985 aconteceu na face oposta da montanha onde, do outro lado, fica Angra 1. Na ocasião, o Laboratório de Radioecologia foi soterrado e um pequeno cais com barcos de funcionários, destruído. A saída de água da usina, usada no processo de refrigeração, quase foi atingida.

A vulnerabilidade da região, em razão de suas características naturais, sempre foi uma preocupação da Eletronuclear, que, em 2002, chegou a fazer a recuperação de 60 quilômetros da estrada, quase simultaneamente ao início da operação de Angra 2.

Como noticiou domingo O GLOBO, a crise nuclear no Japão - após o acidente provocado por um terremoto e uma tsunami jamais vistos no país - e as chuvas de janeiro na Região Serrana do Rio levaram a Eletronuclear a buscar uma segunda opinião sobre a situação geológica das encostas de seu terreno.

Desde que as instalações começaram a ser utilizadas na Praia de Itaorna, onde estão as duas usinas e uma terceira em fase final de construção, oito pontos considerados críticos são permanentemente vigiados.

Agora, uma comissão, juntamente com consultores independentes, vai checar de novo todas as obras e medidas de contenção já adotadas.

Leia mais aqui

Twitter
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Dinheiro sujo

O Estado de S.Paulo - Editorial
Liderados por assessores do Ministério da Justiça, técnicos de 60 entidades dos Três Poderes divulgaram uma nota de protesto contra o Projeto de Lei n.º 354/09, de autoria do senador Delcídio Amaral, que incentiva o repatriamento de bens e valores mantidos no exterior por pessoas físicas e jurídicas e não declarados à Receita Federal. Além dos incentivos fiscais, o projeto - que foi apresentado após a eclosão da crise financeira - concede anistia para quem remeteu dinheiro ilegalmente para fora do País, inclusive recursos provindos de sonegação, corrupção, lavagem de dinheiro, narcotráfico e delitos financeiros.

Pelo projeto, que já passou pelas comissões técnicas, os contribuintes poderão repatriar esses bens e recursos e regularizar sua situação fiscal desde que paguem um imposto de 5% em cota única - ou de 10%, se for parcelado - sobre o valor repatriado. Emenda apresentada pelo relator na Comissão de Constituição e Justiça, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) - atual ministro da Previdência -, permite que esses porcentuais sejam reduzidos pela metade caso 50% do valor repatriado seja aplicado em títulos de empresas brasileiras no exterior e em cotas de fundos de investimento em projetos de habitação, agronegócio e pesquisa científica.

Delegados de polícia, auditores da Receita, promotores de Justiça, juízes criminais e procuradores da Fazenda estimam em US$ 100 bilhões o montante que poderia ser repatriado sem sanções pecuniárias e condenações judiciais, caso o projeto seja aprovado. Para o autor da proposta, esse é "um dinheiro novo" que poderia ser investido em infraestrutura, num momento em que faltam recursos suficientes para preparar o setor para as obras para a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016. Ele também afirma que caberá ao Banco Central "separar o dinheiro bom do dinheiro ruim". Para Amaral, muito "dinheiro bom" teria sido enviado para o exterior apenas por uma "questão de proteção contra os planos econômicos". Para os senadores que estão apoiando sua proposta, como a maior parte do dinheiro mantido ilegalmente fora do País foi enviada para o exterior há muito tempo, muitos crimes de evasão de divisas já estariam prescritos.

Mas, para os integrantes da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla), grupo de técnicos dos Três Poderes que atuam no combate a delitos financeiros e evasão de divisas, o Projeto n.º 354/09 - chamado por seu autor de Lei da Cidadania Fiscal - fere o princípio constitucional da moralidade e vai muito além de regularizar a situação fiscal de sonegadores contumazes e de legalizar ativos constituídos de forma criminosa. Entre outras consequências, impediria o Ministério Público de apurar a fonte dos recursos e de levantar ativos bloqueados no exterior.

"É um estímulo à criminalidade organizada, um verdadeiro retrocesso no combate à corrupção", diz a direção do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais de Justiça. "Os efeitos do projeto alcançarão situações preexistentes, invalidando investigações e ações penais já instauradas, mesmo se houver condenações. A proposta de repatriação sem punição fragiliza a atividade repressiva do Estado, que ficará na contramão do combate ao crime de lavagem", assinala a Enccla.

O grupo também lembra que a anistia fiscal e criminal prevista pelo Projeto n.º 354/09 colide com tratados internacionais firmados pelo Brasil. E um eventual descumprimento desses acordos tornaria o País vulnerável principalmente a sanções do Grupo de Ação Financeira contra Lavagem de Dinheiro (Gafi) - vinculado à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em vigor desde 1998, a legislação brasileira nessa matéria foi elaborada com base numa atuação conjunta dos Ministérios da Fazenda e da Justiça com o Gafi.

Se o projeto de Amaral estivesse em vigor, lembram os membros do Enccla, o Ministério Público não teria como pedir o bloqueio das contas mantidas pelo ex-prefeito Paulo Maluf nas Ilhas Jersey.

Twitter

Manchetes do dia

Segunda-feira, 28 / 03 / 2011

Folha de São Paulo
"Rebeldes vão rumo a bastião de Gaddafi"

Cidades petrolíferas foram retomadas; Otan assume comando de ação militar

Apoiados pelos ataques aéreos internacionais, rebeldes líbios tomaram as principais cidades petrolíferas do país e avançavam rumo a Sirte, cidade natal do ditador Muanunar Gaddafi, relata Samy Adghirni. A batalha pelo controle de Sirte será o principal teste até agora para os rebeldes, que eram esmagados pelas forças de Gaddafi até o começo dos bombardeios aliados, no último dia 19.

O Estado de São Paulo
"Rebeldes avançam rumo à cidade de Kadafi"

Bombardeios da coalizão internacional abrem caminho e insurgentes retomam campos petrolíferos na Líbia

Rebeldes líbios retomaram ontem os complexos petrolíferos de Brega e Ras Lanuf, avançaram 270 km para o oeste e recuperaram o território ocupado antes da ofensiva das tropas do ditador Muamar Kadafi. Segundo o enviado especial Lourival Sant'anna, o recuo das forças de Kadafi reflete o estrago causado pelos bombardeios da coalizão internacional: só no trajeto entre as cidades de Ajdabiya e Brega, de 70 km, havia mais de 90 veículos militares destruídos, entre tanques, blindados e caminhões. "Vamos lutar por Sirt", disse em Bin Jawad o civil Youssef Ahmed, de 22 anos. Sirt, que fica a 438 km de Trípoli, tem peso simbólico: é a terra natal de Kadafi. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) concordou em assumir o controle total das operações da coalizão na Líbia.

Twitter

domingo, março 27, 2011

Geral

Em frente ao complexo nuclear de Angra dos Reis, RJ - Foto:  / Reuters

Central nuclear de Angra vai rever segurança de encostas

Do Blog do Noblat
A tragédia na Região Serrana, em que as montanhas escorreram matando quase mil pessoas, tem tanto a ensinar para a melhoria da segurança das usinas atômicas de Angra dos Reis quanto a crise nuclear em Fukushima, no Japão.

É que o inimaginável - que, no caso japonês, foi um poderoso terremoto, seguido de uma gigantesca tsunami - também pode ocorrer por aqui, revela reportagem de Carla Rocha e Paulo Motta, publicada pelo Globo neste domingo.

De intensidade jamais vista, as chuvas de janeiro mostraram que, no Rio, o risco vem dos deslizamentos. A Eletronuclear, empresa responsável por Angra 1 e 2 e pelas obras de Angra 3, já criou uma comissão para estudar o assunto, e uma consultoria externa será contratada para reavaliar a segurança das encostas no entorno da central.

- Nós estamos sempre monitorando e reavaliando cada trecho de encosta. Às vezes, identificamos a necessidade de fazer uma nova obra ou refazer alguma antiga. Mas os últimos acontecimentos mostraram que o inimaginável pode acontecer. Queremos uma segunda opinião. Não basta nossa certeza, queremos o parecer de pessoas da academia, que podem analisar a questão de forma independente - afirma o gerente de engenharia civil e estruturas metálicas da Eletronuclear, Diógenes Salgado Alves. - Não fabricamos salsicha. O nosso negócio nos obriga a avaliações constantes.

Leia mais aqui

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Novos acordos aéreos

O Estado de S.Paulo - Editorial
Com a assinatura do acordo com os Estados Unidos para a liberalização do transporte aéreo de passageiros e cargas entre os dois países e a conclusão das negociações para o estabelecimento de um acordo semelhante com a União Europeia (UE), que deverá ser assinado em junho, o Brasil adquire condições para ampliar mais rapidamente o número de voos internacionais que servem o País. Desses acordos deverão resultar mais opções para os passageiros e maior competição no setor, o que poderá levar a uma redução de tarifas.

O acordo com os Estados Unidos prevê a criação de rotas diretas entre diversas capitais brasileiras - com a redução da concentração dos voos em São Paulo - e diferentes destinos na América do Norte, maior oferta de assentos, horários mais flexíveis e mais comodidade para os passageiros.

O acordo aéreo com os EUA será implementado gradualmente, até alcançar o estágio de "céus abertos", quando não haverá mais limites para o número de voos e de cidades atendidas. Número determinado não pelo governo, mas pelas companhias aéreas, as quais, desde o início da vigência do acordo, gozarão da liberdade para fixar suas tarifas.

O acordo negociado com a UE tem características semelhantes. Para o Brasil, as vantagens podem ser imediatas e amplas. Atualmente, o País tem acordos aéreos bilaterais com 15 países europeus. Com a assinatura do novo acordo, passará a ter acesso aos 27 países que formam a UE. Nesse acordo, o estágio de "céus abertos" será alcançado em quatro etapas, que poderão ser concluídas em 36 meses, enquanto o acordo com os EUA prevê cinco etapas, a serem completadas em outubro de 2015.

O Brasil já assinou 83 acordos aéreos bilaterais, mas só 18 deles eram considerados de "céus abertos". Com os novos acordos, chega a 20 o total dos que têm essa característica.

Os dois novos acordos impedem que companhias estrangeiras transportem passageiros ou cargas entre dois pontos do território brasileiro, da mesma forma que companhias brasileiras não podem realizar esse tipo de transporte em território americano e europeu. Outros países também fazem essa restrição à operação das companhias estrangeiras.

O acordo americano prevê que, a partir deste ano, as empresas poderão fazer mais 14 viagens tendo o Rio de Janeiro como origem ou destino e outras 14 para outras localidades brasileiras, exceto São Paulo. O acordo europeu, por sua vez, prevê o aumento de 20% dos voos para todos os aeroportos do País, exceto São Paulo. O superintendente de Relações Internacionais da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Bruno Silva Dalcolmo, já anunciou que haverá uma linha direta entre Porto Alegre e uma cidade de Portugal. A restrição a São Paulo se deve à excessiva concentração de voos no aeroporto internacional de Guarulhos, que, até 2008, recebia 80% dos voos para os Estados Unidos; hoje, São Paulo e Rio recebem 55% desses voos.

Em razão dos acordos firmados a partir de 2007 - alguns foram apenas renovados -, o número de passageiros de voos internacionais no País aumentou quase 50%. Segundo dados da Anac, entre 2000 e 2006 o tráfego internacional no Brasil cresceu à média de 4,5% ao ano. De 2007 em diante, o crescimento médio passou a 8,1% ao ano, uma consequência da maior liberalização do transporte aéreo.

É também consequência dos acordos firmados nos últimos anos a criação de linhas regulares para Istambul, Dubai, Doha, Cingapura, Hong Kong e Moscou. Várias outras serão criadas em razão dos acordos acertados com os EUA e a UE.

O que poderá conter a expansão do transporte aéreo é a infraestrutura aeroportuária, que necessita de investimentos, mas não os tem recebido na velocidade necessária para acompanhar o aumento da demanda, que deverá continuar crescendo rapidamente nos próximos anos, em razão do aumento da renda média da população e da maior liberdade para o setor. Ao criar a Secretaria de Aviação Civil, o governo Dilma Rousseff mostra disposição de enfrentar esse problema.

Twitter
 
Free counter and web stats