sábado, março 12, 2011

Coluna do Mirisola

Ordem e Progresso. Horror e Escárnio

Em resenha produzida originalmente para o Le Monde Diplomatique, Marcelo Mirisola escreve sobre o livro “Segredo de Estado – o Desaparecimento de Rubens Paiva”, de Jason Tércio

Marcelo Mirisola*
Às voltas com a produção de um novo romance e uma peça de teatro, Marcelo Mirisola suspendeu por uns tempos a publicação de suas crônicas no Congresso em Foco e no Ubatuba Víbora. Este sábado, porém, ele retorna momentaneamente, com um texto que escreveu originalmente para o jornal francês Le Monde Diplomatique. Trata-se de uma resenha do livro de Jason Tércio, “Segredo de Estado – o Desaparecimento de Rubens Paiva”.

O texto foi publicado no Le Monde Diplomatique com a supressão de um trecho que Mirisola julgava muito importante. Por isso, ele agora publica abaixo a resenha na íntegra, da forma como a escreveu. É esse o texto que segue abaixo:

Muito difícil escrever sobre o desaparecimento de Rubens Paiva. Como se eu fosse mais um a entrar sem pedir licença e grosseiramente revolver a ferida aberta há quarenta anos, uma chaga que é a história de Eunice Paiva e dos seus filhos, e também história do Brasil.

Há quarenta anos que a privacidade da família Paiva não existe.

Duas cartas vindas do Chile foram interceptadas pelo CISA, órgão de inteligência da aeronáutica. A primeira agradecia “Raul” por um favor, e pedia qualquer miudeza em troca; e a segunda - endereçada a “José” - tratava da fuga de presos políticos e de uma proposta de se criar em Santiago uma seção internacional do MR-8. Rubens Paiva, cujo codinome era “Raul”, contava apenas 41 anos quando o estado brasileiro o sequestrou. Diante da tosquice dos militares da época, fica difícil dizer que houve um engano, mais correto seria dizer que Paiva levou azar. Muito azar. O telefone de “Raul” constava numa das cartas. O ex-deputado fazia parte de uma rede de empresários, professores, profissionais liberais, cuja maioria – segundo Marcelo, filho de Rubens - não defendia a luta armada. Isso, porém, não queria dizer se omitir diante da ditadura que vigorava no Brasil. Rubens Paiva mandava relatos às agências internacionais sobre torturas e violação dos direitos humanos, escondia perseguidos, arrumava passaporte falso, resistia como podia. Deu muito azar. Se em vez do telefone dele constasse o número de qualquer outra pessoa, digamos Fernando Henrique Cardoso, que na época era professor da USP, amigo de Rubens e “comunista” como ele, se na carta interceptada, constasse o telefone de FHC, hoje Rubens teria 81 anos e FHC provavelmente não seria o último tucano a voar no Brasil. Aqui e agora, fica difícil imaginar um FHC armado até os dentes e disposto a morrer pela causa vermelha. Mas em 1971, no auge do período repressivo, os milicos imaginavam comunistas infiltrados em qualquer lugar, até mesmo no Leblon e de frente para o mar. Av. Delfim Moreira 80, esquina com a rua Almirante Guimarães. Eis o endereço do terrorista sanguinário chamado Rubens Paiva, pai de 5 crianças, empresário bem-sucedido da construção civil. No dia do sequestro seu plano subversivo – vejam só - era ir ao Flag (boate perto de sua casa) com a esposa e um casal de amigos.

Era dia de São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro. Aliás, é engenhoso o paralelo que Jason Tércio, autor desse livro extraordinário, traça entre o santo martirizado e o sumiço de Rubens Paiva. Vamos à missa, portanto. Igreja dos Capuchinhos, Tijuca. Em determinado momento, o frade provoca o coronel Tigre (personagem muito bem-construído), e diz: “A coragem foi uma das principais características deste santo. Ele ajudava os cristãos perseguidos e assumia a sua fé sem temer as consequências. Se fosse um cristão fraco, de fé leviana, teria fugido para bem longe, ou abjurado, e se acomodado. Ele não. Continuou a evangelizar e também a criticar Diocleciano pelas injustiças cometidas contra os cristãos”.

Basta trocar Sebastião por Rubens, cristão por democrata e Diocleciano por Médici, que o prato está servido. Se fosse o caso, o cel. Tigre torturaria o santo até ele admitir que seus companheiros de armas conspiravam contra o capitalismo e que ele, de santo, não tinha nada: era um comunista safado desde a infância em 288 DC e, além disso, um traidor da “revolução” e - é claro - devia saber do paradeiro de Carlos Lamarca.

“Segredo de Estado – o desaparecimento de Rubens Paiva” é um livro de ficção, e é também uma reportagem. Segundo o autor, 80% verdade, 20% inventado. O leitor sente-se eletrocutado, pendurado num pau-de-arara, dói. O brigadeiro Karlos Brenner, por exemplo, não sai da minha memória: “personagem” que carrega divisas e cadáveres sobre ombros largos. O escárnio prevalece sobre a ficção. Depois de 2 dias barbaramente torturado na masmorra do DOI-Codi, Rubens Paiva morre.

O que fazer com o corpo do comunista? Talvez seja essa a parte mais asquerosa da “ficção”, elaborada curiosamente pelo Estado Brasileiro. Apesar da inverossimilhança, O Globo, JB, Tribuna da Imprensa, O Dia chancelam a versão dos militares - segundo a qual o terror havia libertado o “subversivo” Rubens Paiva quando ele era transferido pelas “autoridades” para uma delegacia no Alto da Boa Vista. A meu ver, os que divulgaram essa mentira são tão criminosos quanto os Brenners, Tigres, Coiotes e outros personagens fictícios e não tão fictícios que se misturam a depoimentos, fatos e fotos ao longo do livro. “Segredo de Estado” esmiúça, derruba a farsa e provoca a consciência do leitor – eu particularmente me senti envergonhado, por mim e por aqueles que ainda hoje consomem as informações vindas dos mesmos veículos de comunicação que ajudaram a matar Rubens Paiva, corrompidos ontem, hoje e desde sempre.

Verdade que os brucutus evoluíram, embora continuem truculentos e às vezes tenham algumas recaídas, como no recente caso de Maria Rita Kehl – demitida por “delito de opinião”. Todavia, hoje, os Tigres e Chacais mudaram os métodos. Aprenderam a não rosnar. O que era manual de instrução de tortura virou portfólio. Só para refrescar a memória e ao mesmo tempo traçar um paralelo. O apresentador do Programa Metrópolis, Cadão Volpato, é o mesmo que fez o release do projeto Amores Expressos para a Cia da Letras e vendeu a idéia de que Rodrigo Teixeira era o novo Quixote da cultura brasileira. A Folha de São Paulo não só comprou a farsa como a festejou na capa da Ilustrada. Lembram disso? Renúncia fiscal para mauricinho escrever história de amor em Paris, Roma, Nova York. Agora, vamos fazer um exercício de imaginação. Voltemos ao começo dos 70’s. Um ano depois de o Brasil ter conquistado a Copa do Mundo no México. Se Teixeira e Volpato contassem trinta e poucos anos em 1971, qual seria o “projeto expresso” deles?

Uma aproximação descabida? Então, hoje, onde estariam os Tigres, Coiotes e Hienas? Tenho um palpite. Procurem no Brasil profundo, eles adoram “mapear a periferia”, são líricos e desencanados, curtem samba de raiz e desfilam havaianas na Flip, cobram juros astronômicos e nem parecem banco, são charmosos, cinematográficos e ilustríssimos, mas não se enganem, a finalidade dos Abutres continua a mesma: expurgar, censurar e eliminar qualquer um que se atreva a passar pelo caminho fofo e colorido deles.

Depois de 40 anos, a boa notícia é que alguns jornais e revistas faliram e outros estão com os dias contados, a má notícia é que a Internet pulveriza tudo, inclusive as boas notícias. Vejam só o que, à época, o “imortal” Murilo Melo Filho, uma espécie de Cadão Volpato dos milicos, escreveu na revista Manchete: “Há quatro dias aquela delegacia policial estava sob severa vigilância dos subversivos. Mediante infiltrações e informes seguros, sabiam eles que Rubens Paiva – um homem importante dos quadros da ALN. – seria removido para outra delegacia que oferecesse maior segurança. Ele havia mandado pedir aos companheiros que o resgatassem a qualquer preço (...). O cerco, o bloqueio da estrada naquele ponto estratégico do Alto da Boa Vista, tudo enfim, deu aos policiais a exata noção de um plano ardiloso, tático, inteligente e de perfeita execução”.

Àqueles que consentiram/ consentem, se omitiram/omitem, calaram/calam, fingiram/ fingem que estava/está tudo bem, desejo o fogo do inferno e um chá com Murilo Melo Filho na ABL. Dias depois de Rubens Paiva ter morrido sob tortura, Eunice e a filha também seriam sequestradas e torturadas. O corpo do ex-deputado não foi encontrado até hoje. Depois de oito anos, em 79, a lei da Anistia iria apagar da memória dos brasileiros os horrores daquela época, como se a memória também fosse um inimigo a ser exterminado. Aqui, diferentemente do Chile e da Argentina, os assassinos (de ambos os lados) continuam livres e impunes. Aqui no Brasil, o horror e o escárnio continuam sendo sinônimos de ordem e progresso.

* Considerado uma das grandes revelações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.

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Império Romano

Arena - Croácia

Síndrome do Brasil

Reator nuclear talvez esteja derretendo, diz agência japonesa

Apagão em fonte alternativa de energia impede que água seja bombeada ao núcleo do reator

estadão.com.br
TÓQUIO - A Agência de Segurança Nuclear do Japão afirmou ser “altamente provável” que esteja ocorrendo o derretimento do reator número 1 da usina nuclear Daiichi, na cidade de Fukushima, nordeste do Japão, após os danos causados pelo violento terremoto seguido de tsunami na sexta-feira, 11.

Às 15h36 na hora local deste sábado (3h36 em Brasília), os muros e o teto da usina caíram em meio a várias colunas de fumaça. Houve vazamento radioativo e quatro funcionários se feriram levemente. Segundo a imprensa japonesa, a explosão ocorreu quando uma equipe tentava esfriar o reator nuclear número 1.

A Agência de Segurança Nuclear do Japão informou que liberou "vapores radioativos" para reduzir a pressão dentro do reator, que continua o dobro da normal. Medições detectaram radiação oito vezes maior que a usual nas redondezas da usina e mil vezes maior que a normal dentro da sala de controle do reator 1. A central nuclear Daiichi é operada pela companhia de geração de energia Tokio Electric Power Co (Tepco) e fica a 250 quilômetros ao norte de Tóquio.

Cerca de 46 mil moradores em um raio de dez quilômetros da usina foram retirados emergencialmente de suas casas e transportados para lugares seguros. Porém, segundo a rede NHK, no momento da explosão ainda havia cerca de 800 pessoas nas redondezas, algumas delas idosas.

O governo japonês pediu calma à população e disse que atuará como se o pior tivesse ocorrido na hora de ajudar os moradores. Tamém afirmou que vai ampliar de três para dez quilômetros o raio de evacuação da usina nuclear número 2 de Fukushima, situada a dez quilômetros da primeira e também afetada pelo terremoto.

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Nota do Editor - Está na hora de ligar para a locadora e reservar o filme Síndrome da China. Caso seja confirmado o derretimento do reator da usina nuclear Daiichi teremos um acidente nuclear real, com consequências imprevisíveis. Os japoneses dirão síndrome do Brasil pois somos para o Japão o que a China é para os Estados Unidos, antípodas. Esse é o pior pesadelo que envolve a energia nuclear. Felizmente na nossa região não há risco de terremotos e os reatores de Angra dos Reis foram projetados para suportar impactos de aviões de grande porte. A energia nuclear é a resposta à crescente demanda por energia. Para se ter uma idéia do potencial energético dos átomos, imagine um cubo de 15 metros de aresta (prédio de 5 andares) cheio de gasolina. A energia contida nesse cubo é equivalente à de uma bola de 10 cm de diâmetro (bola de beisebol) feita de urânio enriquecido. Mas, como acontece com todas as atividades humanas, há risco. Viver é perigoso! (Sidney Borges)

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Opinião

A inundação de dólares continua

O Estado de S.Paulo - Editorial
Sobram dólares no mundo e a enxurrada de moeda americana continua forçando a valorização do real, para desespero dos exportadores e de outros empresários expostos à concorrência estrangeira. O real valorizado encarece os produtos brasileiros, dificulta as vendas ao exterior e estimula as importações. Para atenuar o problema, o Banco Central (BC) e o Ministério da Fazenda tentaram criar barreiras contra a inundação cambial, mas com sucesso limitado. Do começo de janeiro até 4 de março, o ingresso líquido (entradas menos saídas) chegou a US$ 24,36 bilhões, superando o de todo o ano passado, de US$ 24,35 bilhões. Desde janeiro economistas do governo vêm discutindo novas medidas para conter a valorização da moeda brasileira, mas a decisão é difícil, porque toda intervenção no mercado de câmbio tem efeitos colaterais e pode resultar em danos importantes para a economia.

O Ministério da Fazenda já procurou limitar o ingresso de dólares por meio da cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Em breve intervalo, o governo tomou duas medidas com base nesse tributo, num esforço para desencorajar as aplicações especulativas. No começo de janeiro, o BC procurou reforçar essa política, impondo aos bancos um limite para suas posições vendidas. Com essa iniciativa, tentou-se desestimular as apostas na valorização da moeda nacional. Até abril os bancos terão de completar o ajuste de suas carteiras. Até o fim de fevereiro, pelo menos, o efeito dessa medida parece ter sido nulo.

As ações mais eficazes têm sido, aparentemente, as compras de moeda americana pelo BC. O regime de câmbio flutuante continua em vigor, mas a autoridade intensificou suas intervenções no mercado. Embora tenham entrado no País mais dólares do que em todo o ano passado, o câmbio pouco tem oscilado. Passou de R$ 1,664 por dólar no fim de 2010 para R$ 1,659 na última quinta-feira, com variação de apenas 0,3% entre as duas datas. No meio da tarde de ontem a cotação do dólar - R$ 1,667 - superava ligeiramente a do encerramento do ano passado.

Mas a intervenção do BC tem resultado numa enorme e custosa acumulação de reservas. O estoque de moeda estrangeira passou de US$ 288,58 bilhões em 31 de dezembro para US$ 311,05 bilhões em 9 de março, com variação de US$ 22,47 bilhões em pouco mais de dois meses. A aplicação desse dinheiro rende menos que o custo de sua manutenção. Esse dado pode não ser um argumento decisivo contra a acumulação de reservas.

Dólares em caixa podem ser um importante fator de segurança em tempos de crise e isso foi confirmado mais uma vez em 2008. Mas o custo não é desprezível e, além disso, a compra de dólares envolve a emissão de títulos para neutralizar a emissão da moeda necessária às operações. As intervenções produzem, portanto, importantes efeitos perturbadores.

Algo vai mal, de toda forma, quando a autoridade é forçada a intervir no mercado para conter um influxo indesejado de moeda estrangeira. Mas não há solução fácil para esse problema, e, além disso, o ingresso de moeda estrangeira também produz alguns efeitos benignos. A valorização cambial tem ajudado a conter a inflação, facilitando as importações e contribuindo para reduzir o desequilíbrio entre a demanda e a oferta agregadas. Além disso, o País precisa de dólares para cobrir o déficit na conta corrente do balanço de pagamentos. Mas os dólares mais desejáveis são os do investimento direto, não os da especulação ou do endividamento. Parte do ingresso, no entanto, corresponde a empréstimos tomados no exterior por empresas brasileiras.

Se o BC interromper a alta de juros, deixará de alimentar um dos fatores de atração de dólares. O recurso a outros meios para combater a inflação, como a limitação da capacidade de empréstimo dos bancos, poderá substituir em parte a política de juros.

Mas o BC continuará com pouca margem de ação, enquanto o governo continuar gastando mais do que deveria e contribuindo, portanto, para inflar a demanda. Para mudar esse quadro, o Executivo precisará, quase certamente, cortar de suas despesas mais que os R$ 50,1 bilhões anunciados há pouco tempo.

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Manchetes do dia

Sábado, 12 / 03 / 2011

Folha de São Paulo
"Tsunami arrasa nordeste do Japão e leva a alerta nuclear"

Pior terremoto da história do país gera ondas de até 12 metros; Abalo eleva radioatividade de usinas atômicas e população do entorno tem de deixar casas

O Japão sofreu o maior terremoto de sua história. Com magnitude de 8,9, foi o mais intenso tremor no mundo desde o tsunami que matou 200 mil na Indonésia, em 2004. O sismo principal, às 14h46 (hora local), foi seguido de 70 tremores. Ondas de até 12 m arrasaram o nordeste da ilha, mas o preparo do país para lidar com tremores ajudou a reduzir o número potencial de vitimas fatais. Até a noite, o governo japonês confirmava oficialmente 185 mortes e mais de 700 desaparecidos. Nada indica que essa tragédia supere a de Kobe, que matou mais de 6.000, mas o risco nuclear preocupa. A população foi retirada das proximidades de duas usinas atômicas em Fukushima pelo receio de vazamento de material radioativo. Em Tóquio, os transportes pararam e 4,5 milhões de pessoas ficaram sem luz. Não havia relato de vítimas do Brasil. Na área atingida, vivem 800 dos 254 mil brasileiros do país.

O Estado de São Paulo
"Tremor e tsunami castigam Japão e geram alerta nuclear"

Maior terremoto do país provoca ondas de até dez metros, que varrem a costa nordeste; Mortos são ao menos 384, mas total deve subir; Governo retira milhares de moradores da região de usina atômica.

Um tsunami provocado pelo maior terremoto da história do Japão, de 8,9 graus na escala Richter, varreu ontem a costa nordeste do país. Ondas de até dez metros arrastaram carros, barcos, aviões e edifícios, deixando um número ainda desconhecido de mortos - até o fechamento desta edição, eram 384. O governo emitiu alerta de “emergência nuclear" e retirou milhares de habitantes da região da usina atômica de Fukushima, uma das maiores do mundo, relata Claudia Trevisan, correspondente em Pequim. O tremor foi sentido em 12,1 mil km ao longo da costa, mas o lugar mais castigado foi acidade de Sendai, de 1 milhão de habitantes. Choques secundários continuavam a ocorrer em Tóquio.

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sexta-feira, março 11, 2011

É adubo?


Não! Não é adubo!

José Ronaldo dos Santos
Há alguns meses que este carro está no espaço nobre da mata ciliar do rio Ipiranguinha, bem próximo da ponte. Só não vê quem não quer (ou for cego). Será que, neste rincão do país, a ciência está tão avançada e já descobriu como transformar tal sujeira em adubo?

Algumas certezas:

1- É um exemplo de que o rumo do município está na contramão da evolução;
2- É uma prova de que as autoridades não estão sendo eficientes;
3- O funcionário até que tentou diminuir a feiura: azulou o “monumento”.

Em tempo:

Cadê o pessoal tão preocupado com a dengue?

Coluna do Celsinho

Não!

Celso de Almeida Jr.
Que eu gosto do jogo político não é novidade.

Que eu não tenho vocação para ser candidato, também.

Falta-me paciência.

Não tenho aquela sensibilidade que o político profissional tem.

O povo, extremamente carente, quer representantes camaradas.

Espera atenção.

Gosta de receber o seu candidato em casa, para o café, conversas longas, causos de família...

Não é pequena, também, a demanda cotidiana.

Parentes doentes, desemprego, remédios, licença para comércio ambulante, abatimento de impostos.

Ruas esburacadas, falta de iluminação, esgoto vazando.

Há também a vaga para o filho na escola melhorzinha, negócios para a empresa da família, ambulância para o amigo do peito.

Eu não teria competência para tamanho esforço.

Por isso, aprendi a ter respeito pela classe política.

Vive, em geral, num turbilhão de pedidos, reclamações, cobranças, sendo muitas vezes condenada a revelia.

Pronto!

Paro por aqui.

Creio não ser necessário ir além disso.

Uma coisa é reconhecer o agitado cotidiano do político.

Outra coisa é exagerar nos elogios.

O que comprometeria o meu futuro numa carreira política seria o uso constante da palavra não.

Não posso oferecer ou prometer emprego público sem concurso.

Não posso contratar sem licitação extremamente transparente.

Não concedo nem intercedo por licença para vendedor ambulante. Já existem muitas.

São estes e muitos outros nãos que sinto falta na conduta de boa parte de nossos políticos.

Uma postura firme contribuiria muito para uma política de resultados maiores.

Os dolorosos nãos de hoje permitiriam aos ubatubenses, num futuro próximo, encontrar mais respostas positivas em suas atividades profissionais.

Concorda?

Ou não?

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Opinião

Mais do mesmo

O Estado de S.Paulo - Editorial
Não chega a ser surpreendente o fato revelado pelo portal do Estado ao divulgar o vídeo que acrescenta a hoje deputada federal Jaqueline Roriz à lista de políticos brasilienses que se envolveram no escândalo que ficou conhecido como "mensalão do DEM". A comprovação dessas denúncias custou o mandato do governador José Roberto Arruda e marcou o início do fim do Democratas como partido político de expressão nacional. Mas, sobretudo, esses lamentáveis acontecimentos revelam o estado de putrefação a que chegou o corpo político do Distrito Federal (DF), contaminado por uma corrupção endêmica que se apresenta certamente como o maior desafio para o governador Agnelo Queiroz, eleito no ano passado e há menos de três meses no poder.

Embora tenha ficado conhecido como "mensalão do DEM" porque estourou quando o governo de Brasília estava nas mãos desse partido, ao qual eram filiados tanto o governador Arruda quanto o vice Paulo Octávio, o escândalo envolveu representantes de praticamente todas as legendas e, segundo as evidências, a cobrança de propina de empresas prestadoras de serviços à administração distrital era prática corrente pelo menos já no governo imediatamente anterior ao de Arruda, chefiado pelo famigerado Joaquim Roriz. De fato, os vídeos revelados pela operação sugestivamente batizada pela Polícia Federal como Caixa de Pandora, que mostram políticos, principalmente deputados distritais, recebendo dinheiro do então secretário de Relações Institucionais do DF, Durval Barbosa, foram gravados em 2006, durante o mandato de Roriz. E é também dessa época o vídeo, só agora liberado, em que a filha de Roriz, então candidata a deputada distrital, recebe - e acha pouco - dinheiro vivo destinado, segundo se alega na gravação, a cobrir seus gastos de campanha. São cenas, como as que já haviam sido mostradas ao público no ano passado, capazes de fazer corar um monge de pedra. Mas que na verdade não chegam a ser exatamente surpreendentes, como dissemos no início desta nota - e isso é muito perigoso para a consolidação das instituição democráticas -, porque os maus políticos se encarregaram de banalizar essas cenas, tornando-as corriqueiras e, por essa razão, cada vez menos capazes de provocar a indignação de cidadãos anestesiados pelo mau exemplo que tem vindo de cima, de completa leniência em relação à malversação da coisa pública. Essa atitude nefasta transformou crimes capitulados em lei em meros "desvios de conduta" e forjadores de documentos em "aloprados".

No caso específico, a deputada Jaqueline Roriz, tardiamente revelada como fiel seguidora das práticas políticas reprováveis que impediram seu pai, no ano passado, de se candidatar mais uma vez ao governo do Distrito Federal, foi constrangida a pedir desligamento da Comissão Especial de Reforma Política da Câmara dos Deputados e a tomar chá de sumiço. E constrangeu tanto o seu partido, o nanico PMN, quanto o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, a ponto de levá-los a fazer contorcionismo verbal para dar uma satisfação pública sobre o episódio.

Apesar de Marco Maia ter prometido a habitual "rigorosa investigação" do caso, com a ameaça de remetê-lo diretamente ao Conselho de Ética da Casa, a quem caberia propor, se assim entender, a cassação do mandato da deputada, a filha de Roriz tem muito pouco a temer. Primeiro, porque, também como de hábito, daqui a algumas semanas ninguém mais se lembrará de seu caso, que ficará na vala comum dos escândalos. Depois, porque os próprios deputados, para não se expor a riscos, já se encarregaram de criar uma eficiente blindagem para suas malfeitorias. Em 2007, o Conselho de Ética da Câmara decidiu que os nobres colegas só são passíveis de julgamento por falta de decoro parlamentar quando a lambança for praticada na legislatura em curso.

Ou seja: passa-se a borracha, jogam-se para debaixo do tapete todos os pecados pretéritos. Na época, a medida tinha o objetivo de poupar dissabores a parlamentares envolvidos no "mensalão do Lula". Mas serve também para aliviar os apertos de toda a alegre confraria.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 11 / 03 / 2011

Folha de São Paulo
"Em dois meses, país recebe mais dólares que em todo 2010"

Taxa de juros em alta atrai investidores e repercute nas operações do mercado de câmbio; governo prepara pacote

Até o dia 4 deste mês, a entrada de dólares no Brasil superou o montante de 2010 inteiro, mostram os dados do Banco Central. O número é resultado de investimentos externos de longo prazo, empréstimos de empresas brasileiras no exterior e especulação no câmbio. Em pouco mais de dois meses, o ingresso chegou a US$ 24,356 bilhões; durante todo o ano passado, o saldo foi de US$ 24,354 bilhões. A oferta faz com que o dólar caia, barateia importações e encarece exportações - o que é ruim para a balança comercial e a indústria.

O Estado de São Paulo
"Cresce rombo da previdência do servidor"

Enquanto o déficit do INSS ficou estável, o do sistema do funcionalismo cresceu 9% entre 2009 e 2010 e superou os R$ 50 bilhões

O rombo do regime de previdência dos servidores públicos da União ultrapassou a marca dos R$ 50 bilhões, ao registrar um crescimento de 9% entre 2009 e 2010. No período, por outro lado, o déficit previdenciário do INSS ficou praticamente estável. A tendência, se não houver mudanças no sistema do servidor público, é que essas despesas continuem subindo e pressionando os gastos do governo. "A situação é insustentável", afirmou o secretário de Previdência Social, Leonardo Rolim. O sistema arrecada pouco mais de R$ 22,5 bilhões para pagar uma despesa de R$ 73,9 bilhões. Para reverter o quadro, Rolim disse que é preciso regulamentar o fundo de previdência complementar do funcionalismo, que está parado no Congresso desde 2007. Com esse fundo, o teto para as aposentadorias dos servidores públicos, que hoje não existe, será o mesmo que o do INSS - atualmente, é de R$ 3.689,66.

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quinta-feira, março 10, 2011

Energia


Comunicado à Imprensa

Conforme divulgado no dia 09/03/11, no site da Eletronuclear (www.eletronuclear.gov.br), a Usina Nuclear Angra 1 foi desligada preventivamente do Sistema Interligado Nacional - SIN ontem, às 07h05min, em decorrência da atuação indevida de alarmes, sendo conectada no mesmo dia, às 23h20min. De acordo com solicitação do Operador Nacional do Sistema (ONS), a Usina está em processo de elevação de potência e, às 07h de hoje (10/03/11), estava gerando 352 MWe, ou seja, 63% de potência do seu reator.

Entenda o que aconteceu - O desligamento manual foi executado imediatamente após ter sido constatada a atuação indevida de alarmes, apesar de todas as demais indicações mostrarem que a Angra 1 se encontrava numa condição de operação segura. Foi uma ação de natureza estritamente preventiva, de forma a permitir a identificação da causa do problema. De acordo com os procedimentos da Usina, foi declarado Evento Não Usual, o qual foi encerrado às 08h26min do mesmo dia. Os técnicos da Eletrobras Eletronuclear verificaram que a causa que levou à atuação desses alarmes foi a falha de um sistema eletrônico que não afeta a segurança da Usina. Esse sistema foi imediatamente identificado e substituído.

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Brasil. Ano novo, vida velha.

Tudo igual. Data diferente

Sidney Borges
Começou 2011. Tecnicamente começou ontem, quarta-feira de cinzas, mas como ontem foi dia de ir à igreja expiar os pecados do carnaval, o começo se dá hoje.

Não vai ser um ano fácil. Com o câmbio estabilizado no fundo do poço, isto é, sem cair, a inflação da maldade vai subir. Se a rima não convenceu ataco de pitonisa: "com a inflação a subir Mântega vai cair". Elementar, dear Watson...

Palocci assumirá o comando da economia e será tratado como superministro.

Enquanto isso a moça dos vídeos da propina, Jaqueline Roriz, corre o risco de sofrer punição equivalente à do operador de Dirceu, Waldomiro Diniz. Indigestão de pizza. Roriz rima com Diniz.

Tenho um amigo que deve 30 milhões. Todos os meses a dívida aumenta 10 por cento. Fazendo as contas: no primeiro mês ele passará a dever 33 mi. No segundo 36,3 mi, no terceiro 39,9 mi, no quarto 43,9 mi, no quinto 48,3, no sexto, 53,1, no sétimo 58,2 e no oitavo 64,1 mi. Difícil né? Eu soube da dívida do meu amigo em fevereiro, mês 2, no mês 10 ele estará devendo mais do que o dobro. Coitado, vai ficar maluco.

Minha avó sempre dizia para eu gastar menos do que recebesse.  Palavras sábias.

No mais tudo continua como se nada tivesse acontecido, apesar da propaganda oficial dizer que estamos ricos. Um passeio pela periferia da cidade - de qualquer cidade brasileira - mostra que não é bem assim.

Ontem, no Jornal Nacional, vimos o estado deplorável de algumas estradas do Mato Grosso do Sul, se é que se pode chamar aqueles caminhos lamacentos de estradas. Um horror. Sétima economia do mundo!

Feliz ano novo a todos. E muita sorte. Vamos precisar...

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Opinião

O orçamento paralelo

O Estado de S.Paulo - Editorial
Mantido no posto pela presidente Dilma Rousseff, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, precisará desfazer o rolo armado nas finanças federais durante seus últimos anos no Ministério, quando serviu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre 2006 e 2010 o governo acumulou volumes crescentes de restos a pagar, empenhando despesas num exercício e deixando a liquidação financeira para o seguinte. Mas nem toda liquidação ocorreu no prazo oficialmente previsto e os valores em atraso foram sendo empurrados para a frente. Além disso, o Orçamento-Geral da União cresceu em todos os anos e isso também contribuiu para inflar o total de pagamentos adiados. Disso resultou a criação de uma espécie de orçamento paralelo, cada vez mais difícil de administrar.

Em 2005, o valor de restos a pagar - R$ 21,68 bilhões - foi R$ 10,03 bilhões menor que o do ano anterior. A partir daí o montante cresceu de forma ininterrupta e chegou a R$ 128,78 bilhões, valor herdado pela presidente Dilma Rousseff em seu primeiro ano de mandato. Esse valor não aparece no Orçamento e, portanto, não é atingido pelo corte de R$ 50,1 bilhões anunciado pelo governo federal e detalhado no começo da semana passada pelos ministros do Planejamento e da Fazenda. O alerta partiu do economista Mansueto Almeida, do Ipea, e foi divulgado em reportagem publicada no Estado nessa quarta-feira. Para ajustar de fato as suas contas, o governo precisará, portanto, cortar muito mais que o valor prometido na semana passada. Isso já foi reconhecido no Ministério da Fazenda e o secretário do Tesouro, Arno Augustin, já anunciou a intenção de quitar apenas R$ 41,1 bilhões neste ano.

Cancelar o resto dos atrasados - ou a maior parte - será a melhor solução para o problema. O secretário também admitiu uma saída desse tipo. A decisão deverá desagradar a muitos parlamentares, porque boa parte dos atrasados corresponde a investimentos propostos nas suas emendas ao projeto de Orçamento. A alternativa será o adiamento dos desembolsos, mais uma vez, e, portanto, o prolongamento do problema. Um atrito com a base aliada será inevitável, se o governo estiver de fato disposto a começar uma faxina em suas contas.

O custo político adicional, apesar de tudo, deverá ser limitado, porque o governo já deu o passo inicial, e mais difícil, quando se dispôs a podar cerca de R$ 18 bilhões de projetos incluídos na lei orçamentária de 2011, aprovada no fim de 2010. Esses projetos haviam sido acrescentados com base numa receita reestimada e inflada pelos congressistas. Essa reestimativa foi podada pelo Executivo antes da sanção presidencial. O Executivo não é obrigado a custear os projetos propostos nas emendas, porque o Orçamento apenas autoriza a despesa, mas não a impõe. Apesar disso, o Executivo não costuma - ou não costumava - anunciar o descumprimento das emendas. Preferia usar seu poder discricionário para favorecer parlamentares aliados, dando prioridade à liberação de recursos para os projetos de seu interesse. Ao explicitar a supressão das emendas, neste ano, o Executivo adotou uma política diferente e assumiu um risco político normalmente evitado nos governos anteriores.

Mas o ajuste, mesmo com os cortes de restos a pagar, deverá ser insuficiente para compensar o desempenho fiscal dos últimos dois anos. O resultado primário tem sido pior do que indica o discurso oficial.

O governo tem aumentado sua dívida bruta para reforçar os bancos estatais. Mas a dívida líquida não aumenta em valor igual, porque essa ajuda é contabilizada como empréstimo e, portanto, é compensada pelo menos parcialmente por um crédito correspondente.

A maquiagem mais evidente ocorreu no ano passado, quando a capitalização da Petrobrás acabou gerando, contabilmente, uma receita de R$ 31,9 bilhões para o Tesouro. Para uma efetiva arrumação de suas contas o governo precisará adotar, além de cortes corajosos, uma política de maior clareza em suas informações. Também para isso o Ministério da Fazenda terá de renegar as práticas dos últimos anos.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 10 / 03 / 2011

Folha de São Paulo
"USP é preterida por 25% dos alunos selecionados"

Causas apontadas são aumento de vagas federais e oferta de bolsas e financiamentos

Um em cada quatro candidatos aprovados na primeira chamada do vestibular da USP desistiu antes de fazer a matrícula em 2011. A universidade convocou este ano o maior número de alunos em segunda chamada: foram 2.562. Em alguns cursos, principalmente no interior de São Paulo, as vagas não estão preenchidas nem com a terceira lista. Embora seja a primeira brasileira em rankings internacionais e responda por cerca de 25% da produção científica do país, a USP sofre concorrência das federais, cujas vagas em SP quintuplicaram desde 2005. A avaliação é da própria USP, do MEC e de cursinhos. Outro motivo é o maior acesso a bolsas do governo e financiamento.

O Estado de São Paulo
"BNDES já empresta três vezes mais que o Banco Mundial"

Em 2010, banco brasileiro concedeu US$ 96,32 bi, contra US$ 28,85 bi do Bird

O BNDES emprestou no ano passado US$ 96,32 bilhões, mais que o triplo dos US$ 28,85 bilhões concedidos pelo Banco Mundial (Bird). Com a crise global, bancos estatais e instituições multilaterais incrementaram sua participação na economia. O ritmo do banco brasileiro, no entanto, foi bem superior ao do Bird. Entre 2005 e 2010, os empréstimos do BNDES cresceram 391% em dólar, enquanto os do Bird avançaram 196%. O banco brasileiro já emprestava mais que o Banco Mundial em 2005 - foram US$ 19,6 bilhões, ante US$ 9,72 bilhões do Bird. O governo estima queda nos desembolsos do BNDES em 2011, para US$ 82,86 bilhões, porque a economia está aquecida.

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quarta-feira, março 09, 2011

Ubatuba


Educação:

Ah!!! Quanta falta!!!

José Ronaldo dos Santos
Para aperfeiçoar a civilização neste chão, antiga Vila da Exaltação da Santa Cruz do Salvador de Ubatuba, não se deve descuidar dos mínimos (?) detalhes. Os ciclistas podem avançar – e muito!

Enfim, pouco valor tem a sinalização sem a educação.

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Opinião

Acentua-se a dependência dos produtos básicos

O Estado de S.Paulo - Editorial Econômico
A exportação de produtos básicos atingiu US$ 7,3 bilhões, em fevereiro, superando as de manufaturados (US$ 6,6 bilhões), na mais recente prova da dependência crescente das commodities para sustentar o pequeno superávit comercial, de quase US$ 1,2 bilhão, no mês passado, e de US$ 1,6 bilhão, no bimestre. Quantitativamente, são resultados melhores do que os do mesmo período do ano passado - as exportações cresceram 26% pelo critério de média diária e as importações, 20,7% -, mas, qualitativamente, piores. E, a se confirmarem os temores do presidente do Fed, Ben Bernanke, de que a alta dos preços do petróleo poderá ameaçar a recuperação global, a dependência de produtos básicos será mais danosa ao País.

Em fevereiro, o Brasil exportou US$ 16,7 bilhões e foi beneficiado pelos aumentos das vendas de café em grão, óleo de soja em bruto, milho e trigo, cujas exportações cresceram entre 62% e 330% em relação a fevereiro de 2010. Mas um único item, o minério de ferro, propiciou receita de US$ 2,7 bilhões (16% do total das exportações). Ainda mais: como o valor do minério de ferro exportado aumentou 111%, essa diferença correspondeu a todo o superávit comercial de fevereiro. Ou seja, sem a alta de 11% das cotações do minério de ferro, a balança comercial teria sido negativa no mês passado.

O comércio exterior brasileiro também foi beneficiado pelas exportações de petróleo e derivados - só as receitas do petróleo bruto cresceram 27%, atingindo US$ 1,7 bilhão. Entre os manufaturados, destacaram-se máquinas e equipamentos para terraplanagem e perfuração, veículos de carga, aviões, motores, polímeros, autopeças e laminados planos.

Com reservas de US$ 309 bilhões e a perspectiva de que a queda do ritmo da economia ajude a desacelerar as importações, os problemas cambiais são de longo prazo. Mas nem por isso se deve achar natural a alta de 30,6% nas importações de bens de consumo, inclusive aparelhos de uso doméstico. Em setores como têxteis, brinquedos ou itens manufaturados de metal, o peso dos produtos nacionais é baixo na comparação com os chineses. Um aspecto positivo, apesar do impacto que causa na indústria local, é o crescimento das importações de bens de capital, que permitirá aumentar a oferta futura.

Ainda que o superávit comercial deste ano fique próximo dos US$ 20 bilhões, superando as expectativas, continua sendo indispensável fortalecer a infraestrutura e reduzir a carga de impostos para aumentar a competitividade dos produtos brasileiros.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 09 / 03 / 2011

Folha de São Paulo
"Promessas de Kassab patinam após 2 anos"

Prefeitura paulistana diz que cumpriu 21 metas; hospitais e Nova Luz não decolam

Trasncorrida a metade do segundo mandato, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) enfrenta dificuldades, com algumas da principais promessas eleitorais. Kassab tenta viabilizar uma parceria público-privada de R$ 6 bilhões para erguer três hospitais, mas a licitação ainda não foi aberta. A meta de renovação da frota de ônibus foi alcançada. Nenhum novo corredor, porém, foi construído.

O Estado de São Paulo
"Governo quer mudar Incra e frear indicação política"

Documento propõe controle maior sobre superintendências, que são fontes de desvios

Documento preparado no Ministério do Desenvolvimento Agrário propõe mudanças na estrutura do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária para aumentar o controle de Brasília sobre as 30 superintendências regionais, comandadas, em sua maioria, por apadrinhados de políticos e fonte de denúncias de desvio de recursos. Hoje, cada uma das regiões define os planos da reforma agrária e a aplicação dos recursos. Com a preparação do programa nacional de combate à miséria, uma das prioridades do governo Dilma Rousseff, a eficiência do órgão também vem sendo questionada, informa o repórter Roldão Arruda. A proposta do ministério é vista com desconfiança por funcionários. "O Incra e suas superintendências são disputados por correntes do PT e setores do PMDB. Tudo indica que a corrente do PT que hoje domina o ministério quer centralizar em Brasília a chave do cofre", diz o diretor da Confederação dos Servidores do Incra, Reginaldo Aguiar.Twitter
 

terça-feira, março 08, 2011

Meus primos...

Do dizer e do fazer...

Mercadante derrapa no pedágio federal

Blog de Augusto Nunes
Candidato ao governo de São Paulo, Aloízio Mercadante atravessou a campanha pendurado em duas bandeiras: a imediata extinção do sistema de progressão continuada e uma dramática redução das tarifas do pedágio.

Segundo a discurseira no horário eleitoral, a metodologia adotada nas escolas públicas do Estado ─ o aluno é aprovado ou não quando termina o ciclo, não o ano escolar ─ “é um estímulo ao analfabetismo”. E o preço cobrado pelas concessionárias das rodovias paulistas não passa de “um assalto legalizado”.

As duas bandeiras foram reduzidas a farrapos pelo governo Dilma Rousseff. Em fevereiro, o MEC encampou o sistema de progressão continuada, com o nome de “suspensão da repetência”, ao determinar que nenhum aluno dos três primeiros anos do ciclo básico seja reprovado.

“Reprovação não é um método de aprendizagem”, ensinou o ministro Fernando Haddad. “Abala a auto-estima da criança e atrapalha o seu sucesso escolar”. Deveria ter dito isso durante a campanha eleitoral, antes da derrota que valeu a Mercadante a nomeação para o Ministério de Ciência e Tecnologia.

O governo que consola órfãos das urnas com empregos no primeiro escalão deveria ter ordenado ao Herói da Rendição que passasse ao largo da questão do pedágio.

[Ontem], a manchete da Folha de S. Paulo constatou que o aumento das tarifas nas estradas federais privatizadas em 2007 superou amplamente a inflação oficial. Na rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo a Belo Horizonte, por exemplo, o pedágio já subiu 30%. Na Régis Bittencourt (SP-Curitiba), o salto foi de 25%. Se fosse corrigido pela inflação, o índice ficaria em 19%.

Em fevereiro, quando soube da adoção do sistema instituído por Mário Covas, Mercadante deveria ter criticado publicamente a decisão e abandonado o gabinete. Nem miou. É o que fará agora.

Importante é manter o emprego. E decerto anda muito ocupado com a coleta de provas para a teoria que enunciou num recente ensaio carnavalesco no Rio: o incêndio que destruiu os barracões de três escolas de samba foi provocado pelo aquecimento global.

“Geraldo Alckmin é o pedágio, eu sou o caminho”, recitou Mercadante ao longo da campanha. Se resolvesse percorrê-lo, o eleitorado paulista conheceria o caminho mais curto para o desastre irreparável.

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Opinião

A ideia oca de Chávez

O Estado de S.Paulo - Editorial
Pela estrita lógica dos números, a alta nas cotações do petróleo provocada pela eclosão dos levantes populares no mundo árabe e acelerada pela incerteza sobre o destino das reservas líbias - embora seja modesta a participação do feudo do coronel Muamar Kadafi no mercado global do produto - deveria ser um maná para o seu único verdadeiro amigo, discípulo e imitador no subcontinente americano, o caudilho venezuelano Hugo Chávez. Sem prejuízo do culto ao reverenciado mentor Fidel Castro, a sua messiânica revolução bolivariana para o implante e a propagação do socialismo do século 21 no mundo se inspirou no Livro Verde, a bíblia revolucionária do coronel autocrata de Trípoli. Era a sua leitura de cabeceira na escola militar venezuelana, antes de se fazer promover a coronel, assumir o governo e amordaçar a liberdade em seu país.

Chávez, cujo talento para o histrionismo é inversamente proporcional ao seu preparo para os negócios de Estado, além de adotar políticas populistas sem lastro, promoveu dilapidação de tal ordem nos recursos nacionais que já se prevê que a Venezuela não terá como honrar os seus compromissos a vencer em 2012. Uma crise da dívida soberana do país reproduziria no Novo Mundo a quebra da Grécia, em 2009, com a agravante de levar à insolvência a quase única fonte de sustento do país, a pilhada PDVSA, a estatal venezuelana do petróleo. Portanto, se fosse um ser racional, Chávez deveria ter recebido com alegria a disparada das cotações do óleo cru nos maiores mercados.

No entanto, movido pela compulsão do protagonismo, o caudilho deve ter achado muito pouco para a sua megalomania conseguir a duvidosa distinção de aparecer na mídia internacional como o defensor número um de Kadafi. O número dois tem sido Fidel Castro, mas ninguém ainda se interessa pelos tartamudeios que garatuja sobre o futuro da humanidade. Enquanto o venezuelano se limitava a louvar o líbio, a vida continuava como se nada tivesse mudado. Mas agora ele dá de propor a criação de uma comissão internacional para a pacificação da Líbia, a Liga Árabe faz saber que examina a iniciativa e o próprio Kadafi indica que poderia comprar a proposta.

Previsível como o dia que se segue à noite, o preço do barril do cru caiu US$ 3 em um só movimento. Fez sentido. Sinais de disposição do ditador de aceitar alguma forma de mediação estrangeira no conflito líbio - que praticamente já transformou em guerra civil - foram interpretados como garantia de que, no depender de Trípoli, o produto continuará a ser exportado. Na Europa, por exemplo, vem da Líbia 36% do óleo importado pela Itália. A aparente anuência do autocrata indicaria também que, apesar de sua retórica inflamatória, ele veria de bom grado um (improvável) arranjo pelo qual sobreviveria como uma espécie de Rainha da Inglaterra - a quem se comparou dias atrás - de um governo de transição para a democracia. Para Chávez, sobraria a presumível paternidade da corretagem da paz, ao custo dos "lucros cessantes", com volta das cotações do petróleo ao patamar anterior aos tornados libertários no Oriente Médio.

Mas é tudo um jogo de sombras. Se Kadafi pai teria incentivado a ideia da mediação, Kadafi filho, Saif al-Islam (tido antes como o mais forte na disputa com os irmãos pelo cetro paterno), jogou areia no plano chavista. "Os venezuelanos são nossos amigos, mas estão muito longe e não têm ideia da Líbia", argumentou com franqueza. "A Líbia está no Oriente Médio e Norte da África. A Venezuela, na América Central." Decerto não é só de geografia que se trata. Al-Islam, o mais ocidentalizado da prole do coronel, sabe que a Venezuela não tem a menor credencial para cacifar uma operação dessa ordem - da qual os rebeldes nem querem ouvir falar.

Lançando uma nova cartada, Chávez fez saber de suas simpatias pelo ex-presidente Lula para liderar a ainda embrionária comissão. Se a sua vaidade já não tiver secado as suas reservas de bom senso, ele só precisará de duas palavras para responder à sondagem: "Não, obrigado". Se quiser ser mais prolixo poderá acrescentar: "A única entidade legítima para se ocupar da Líbia é a Organização das Nações Unidas" - que, ao que parece, é o que pensa sua sucessora Dilma Rousseff.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 08 / 03 / 2011

Folha de São Paulo
"EUA cogitam enviar armas aos rebeldes anti-Gaddafi"

Governo líbio, com adesão de civis, sufoca avanço de força insurgente

O governo dos EUA disse que não descarta fornecer armas aos rebeldes que lutam contra o ditador da Líbia, Muammar Gaddafi. "A opção de fornecer assistência militar está na mesa porque nenhuma opção foi retirada da mesa", declarou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney. O presidente Barack Obama disse que os EUA e a Otan (aliança militar ocidental) estudam várias opções, incluindo a militar. Com artilharia pesada, bombardeios aéreos e a adesão aberta de civis, forças leais a Gaddafi consolidaram seu controle sobre a região central da costa da Líbia, frustrando o avanço dos insurgentes, relata o enviado especial Marcelo Ninio. Após três semanas e 800 km de território conquistado, os rebeldes pararam em sua caminhada para Sirte, cidade natal de Gaddafi e alvo estratégico no rumo da capital, Trípoli.

O Estado de São Paulo
"Forças de Kadafi avançam e Otan estuda intervir na Líbia"

Enquanto tropas leais ao governo retomam Bin Jawad, EUA anunciam que ação militar está sendo estudada

Após uma intensa batalha, tropas leais ao ditador Muamar Kadafi retomaram ontem a cidade de Bin Jawad e detiveram o avanço das forças rebeldes. Aviões Mig, de fabricação russa, dispararam mísseis contra insurgentes que ocupam o complexo petroquímico de Ras Lanuf, 45 km a leste de Bin Jawad. Segundo uma fonte médica de Benghazi, a principal cidade controlada pelos rebeldes, 30 pessoas foram mortas e 169 feridas nas batalhas dos últimos três dias, informa o enviado especial Lourival Sant'Anna. Em meio a pressões para intervir na crise, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que a Otan passou a analisar uma opção militar para conter as ações de Kadafi, relata o correspondente Gustavo Chacra.Twitter
 

segunda-feira, março 07, 2011

Ramalhete de "causos"


Fé no cacete

José Ronaldo dos Santos
Não tem como escapar de uma verdade: a cultura caiçara se fundiu num cimento religioso. Melhor dizendo: foi graças ao discurso religioso que os indígenas, após o massacre de Yperoig (que é celebrado como paz no dia 14 de setembro de cada ano), foram “domesticados”. O mesmo ocorreu com os negros: ou aceitavam os dogmas dos portugueses ou sofriam demais por não poderem expressar a sua originalidade religiosa trazida da mãe-África. Da parte dos brancos pobres lusitanos vem a “moral de rebanho” (de aceitação dos sofrimentos nesta vida para uma recompensa no céu). Regendo toda a masseira, emprestando o termo da construção civil, estava o rico grileiro português em parceria com a religião oficial. Patrões e padres representam para a massa, na nova terra, a elite, os fundadores de uma nova cristandade; estavam acima da ralé ao ponto de disporem das pobres vidas como quisessem. Depois de misturar bem tudo isso estava pronta a cultura que passou a vingar entre a serra e o mar. Das demais culturas ficaram vestígios, semelhantes aos filetes de água que escorrem pelas pedras das costeiras, mas que logo desaparecem na lambida das ondas. Porém, de vez em quando elas despontam como um galho de corticeira no mar revolto.

Eu fiz essa introdução para explicar como, na maior verdade do nosso ser –o nosso instinto- está a fé em outros recursos que nada devem ao transcendental. Vou explicar melhor através de um fato na minha vida.

Quando meu avô Estevan faleceu, passei a morar com a vovó Martinha. Passava na casa dela algumas vezes por dia e nas noites estava lá para conversar um pouco mais e dormir. Sempre nos demos muito bem. Devo muito a ela das coisas que sei sobre a nossa cultura caiçara. Com ela vivi fatos extraordinários e muitos outros engraçados. Um destes foi numa noite quando, cheguei para dormir por volta das vinte e três horas, ela me recebeu dizendo que escutara um rumor em volta da casa. Até tinha pensado que fosse eu fazendo alguma brincadeira para assustá-la. Eu disse que não. Depois, já tomando um café antes de ir para a cama, perguntei:

- Vovó, a senhora não tem medo de ficar sozinha aqui?

Ela prontamente respondeu:

- É claro que não, menino! Com a fé em Deus e aquele cacete de guatambu atrás da porta eu não tenho medo de nada!

E rimos juntos. A lógica era essa: se Deus falhasse ela tinha o cacete como derradeiro recurso. Neste não havia dúvida. Era fé demais para a minha cabeça!

Sugestão de leitura: O que é religião, de Rubem Alves.

Boa leitura!

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Evolução...

Coluna do Rui Grilo

Dia da Dona Antonia

Rui Grilo
Começando a acordar pensei em fazer um texto em homenagem às mulheres falando da Clarice Herzog, da mãe do Henfil e do Manoel Fiel que sofreram a perda de seus entes queridos vitimados pela ditadura. Mas logo pensei que essa história e essas mulheres muitos já conhecem e há milhares de mulheres anônimas que lutam pela sobrevivência de si e de seus filhos. Diz o censo que são mais de 30% as mulheres chefes de família.

Imediatamente pensei na Dona Antonia, pessoa muito respeitada por todos aqueles que a conheceram. Quase analfabeta, lutou para que os nove filhos estudassem e tivessem mais oportunidades do que ela.

Comecei a chamar minha mãe de Dona Antonia por brincadeira e com o tempo nós dois nos acostumamos com esse tratamento, diferente dos meus irmãos que sempre a chamavam de mãe.

Não sei até que ano que estudou mas tinha muita dificuldade em ler e escrever. Com a cunhada começou a aprender a costurar e, com a sogra, a cozinhar e a fazer quitutes mais requintados que o arroz e o feijão. É verdade que fazia poucas comidas diferentes, mas todos que saborearam o frango refogado, o pastel com tempero de salsa e cebolinha, o arroz doce com canela e raspas de limão galego, nunca mais se esquecem. O cuscuz era o meu predileto. Sempre que eu ia à Sorocaba visitá-la sabia que iria comer cuscuz.

Eu me lembro que quando as coisas começararam a ir de mal a pior, entrou em uma escola de corte e costura e essa atividade foi uma das que contribuíram para manter a casa.

Meu pai era o filho do fazendeiro que estudou no Coração de Jesus, cujas filhas estudaram no nos melhores colégios da Capital, o Sion e Des Oiseaux. E ela, por quem meu pai se apaixonou, era a filha de um empregado da fazenda . Acho que para conseguir sua autonomia e sair do jugo de uma sogra que nunca a valorizou, resolveu sair de Rancharia e vir para Sorocaba onde imaginava que iria ter melhores condições de vida. Lá, nasceram mais três filhos, completando oito.

O único que morreu, foi bem depois da morte dela.

Eu me lembro dela chorando porque não tinha dinheiro para comprar remédio para o filho que estava doente... mas também me lembro dela muito forte e feliz com o sucesso dos filhos. E a maior lição que levamos dela é a luta pela autonomia e respeito pelo outro, sempre incentivando e nunca impedindo que saíssemos debaixo de sua asa. Tenho certeza que ela nunca quis que continuássemos pintinhos mas que conquistássemos a nossa liberdade e fôssemos donos da nossa vida.

Como foi empregada doméstica e sabia das humilhações que os empregados sofriam, nunca nos impediu de participar do sindicato e do grêmio da faculdade, mesmo na época da ditadura. Sempre nos alertava para que tivéssemos cuidado e sabia ela que tinha medo pelo que pudesse nos acontecer. Mas a própria experiência lhe ensinava que a autonomia é algo que se conquista com luta.

Quando ouço Mercedes Sosa “Quanto Trabalho”, imediatamente me lembro dela. Mas é muito difícil ouvir, sem um aperto na garganta, qualquer música de Tonico e Tinoco, de quem era fã.

Rui Grilo
ragrilo@terra.com.br

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Opinião

A China se volta para os chineses

O Estado de S.Paulo - Editorial
O novo plano quinquenal de desenvolvimento da China, que foi referendado em outubro pelo Comitê Central do Partido Comunista e deve ser aprovado pelo Congresso Nacional do Povo no encontro anual que começou no sábado, dia 5, em Pequim, imporá uma profunda mudança de rumo na evolução da economia do país, com impactos importantes sobre o resto do mundo.

Este é o 12.º plano quinquenal chinês. Embora as projeções de crescimento neles contidas sejam geralmente subavaliadas e, por isso, desmentidas na prática, esses planos têm tido papel importante na determinação dos caminhos seguidos pela China. O quinto plano quinquenal resultou nas reformas e na abertura da economia no fim da década de 1970. Em meados da década de 1990, o nono plano transformou as estatais em empresas voltadas para a conquista de clientes ao redor do mundo, o que permitiu à China abocanhar fatias cada vez maiores do mercado internacional.

O que está sendo aprovado nestes dias "provavelmente entrará para a história como uma das iniciativas mais ousadas da China", previu o economista Stephen S. Roach, membro do corpo docente da Universidade Yale e atualmente ocupando cargo de direção do Morgan Stanley na Ásia, em artigo reproduzido pelo Estado na quarta-feira.

Serão profundas as mudanças no modelo econômico chinês, que hoje prioriza investimentos em grandes unidades industriais e em exportações. Nos próximos cinco anos, o crescimento chinês se baseará no mercado interno, no consumo e na melhoria da qualidade de vida e da renda dos chineses.

As mudanças começaram a ser pensadas há quatro anos, quando o primeiro-ministro Wen Jiabao apontou o paradoxo que vivia a economia chinesa, cujo crescimento vertiginoso encobria inconsistências graves, como a instabilidade do processo, vários desequilíbrios e a sua insustentabilidade. A recessão no mundo industrializado iniciada em 2008, que reduziu a demanda de produtos da China e afetou sua economia, mostrou o lado frágil do modelo vigente. Para reduzir sua dependência do mercado externo, a China agora se volta para os chineses.

Essa será a principal característica do 12.º Plano Quinquenal, que começou a ser elaborado no segundo semestre de 2008, quando os dirigentes chineses fizeram a avaliação dos resultados do plano anterior até aquele momento. Desde então, o governo e o partido ouviram acadêmicos, políticos e um grande número de profissionais. Daí surgiram as grandes linhas, que foram novamente discutidas com diversos colaboradores e por fim submetidas às instâncias decisórias do Partido Comunista e, agora, do Estado chinês.

Para fortalecer o mercado interno, o novo plano prevê a redução da ênfase no setor industrial, que sustentou o crescimento chinês nos últimos 30 anos. Será dada prioridade para outros setores da economia, como comércio varejista e atacadista, logística e serviços de saúde.

São setores menos eficientes do que a indústria, com menor produtividade, que por isso não garantirão o ritmo de crescimento que o país mostrou nos últimos anos. Mas, por proporcionarem maior numero de empregos, permitirão que as cidades recebam mais trabalhadores originários das áreas rurais, assegurando-lhes renda mais alta. Desse modo o governo chinês pretende compensar a redução do ritmo de crescimento, com o aumento mais rápido do emprego e da renda dos trabalhadores - o que terá como resultado adicional a redução da tensão social e política.

Para conseguir um rápido aumento do consumo doméstico, o governo terá de mudar o arraigado hábito de poupança dos chineses, que, sem dispor de um sistema previdenciário confiável, poupam tudo o que podem para garantir a sobrevivência na velhice. Mudar isso exigirá a construção de um novo sistema previdenciário, público e privado, o que representará um enorme desafio político para o governo.

Se o 12.º plano quinquenal corresponder à expectativa do governo, a China dará um forte impulso nas economias de seus parceiros comerciais. Mas reduzirá seu papel de financiador dos déficits de países como os EUA. Será outra grande mudança.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 07 / 03 / 2011

Folha de São Paulo
"Pedágios nas rodovias federais superam inflação"

Tarifa na Fernão Dias subiu 30% desde 2007, quando houve a privatização, ante alta de 19% no custo de vida

O pedágio de estradas federais privatizadas em 2007 bateu a inflação do período, informa Jose Ernesto Credendio. A tarifa ficou 30% maior na Fernão Dias (SP - Belo Horizonte) e 25% na Regis Bittencourt (SP-Curitiba). Se fosse corrigida pelo IPCA, teria subido 19%. Na rodovia do Aço, no Rio, o pedágio subiu quase o dobro da inflação. O modelo federal de concessão de estradas foi implantado quando Dilma Rousseff chefiava a Casa Civil do governo Lula e foi defendido por ela durante a campanha à Presidência. A Agência Nacional de Transportes Terrestres diz que a tarifa ultrapassou a inflação, entre outras razões, devido ao adiamento da cobrança em pedágios. Nos dois primeiros dias de Carnaval, já foram registradas 95 mortes nas rodovias federais.

O Estado de São Paulo
"Kadafi lança ofensiva em cidade-chave"

Militares e opositores travam batalha em Bin Jawad, fronteira dos territórios controlados pelo governo e por rebeldes

Forças leais ao ditador Muamar Kadafi e combatentes rebeldes enfrentaram-se ontem em intensa batalha pelo controle da cidade de Bin Jawad, a 620 km de Trípoli. Dois mortos e 36 feridos foram levados ao hospital de Ajdabiya, mas o número pode ser muito maior. Os rebeldes, que disseram ter derrubado um avião Sukhoi e dois helicópteros do tipo Apache, acusaram as soldados leais ao regime de disparar foguetes antiaéreos, entre outros armamentos pesados. Bin Jawad transformou-se na linha que demarca os territórios controlados por Kadafi, a oeste, e pelos oposicionistas, a leste. O Estado ouviu relatos de que os soldados estavam invadindo casas e disparando de dentro delas. Eles também usaram baterias antiaéreas contra os inimigos. Várias casas foram destruídas.Twitter

Carnaval

Pierrô, Arlequim e Colombina, óleo sobre tela - 78 x 65 cm - 1922

Pierrô, Arlequim e Colombina

Sidney Borges 
Nos festejos carnavalescos os personagens retratados acima por Di Cavalcanti são participantes da maior importância. Quem são eles, de onde vieram e como foram incorporados ao imaginário do povo brasileiro?

Segundo o site "Mundo Estranho", (aqui) são personagens de um estilo teatral conhecido como Commedia dell’Arte, nascido na Itália do século XVI. Integrantes de uma trama cheia de sátira social, os três papéis representam serviçais envolvidos em um triângulo amoroso: Pierrô ama Colombina, que ama Arlequim, que, por sua vez, também deseja Colombina. O estilo surgiu como alternativa à chamada Commedia Erudita, de inspiração literária, que apresentava atores falando em latim, naquela época uma língua já inacessível à maioria das pessoas. Assim, a história do trio enamorado sempre foi um autêntico entretenimento popular, de origem influenciada pelas brincadeiras de Carnaval. Apresentadas nas ruas e praças das cidades italianas, as histórias encenadas ironizavam a vida e os costumes dos poderosos de então. Para isso, entravam em cena muitos outros personagens, além dos três mais famosos.

Pierrô, Arlequim e Colombina, personagens centrais dos festejos carnavalescos deram origem, com seus trajes multicoloridos, às fantasias contemporâneas.

No Brasil a influência da cultura francesa fez com que os personagens da Commedia dell’Arte, muito difundida em França, fossem incorporados à cultura local. O carnaval mudou de forma, já não há corsos e bailes de salão, mas enquanto houver carnaval haverá lugar para Pierrôs apaixonados verterem lágrimas por suas inatingíveis Colombinas melindrosas. Para tudo se acabar na quarta-feira.

Ouça aqui a marchinha "Pierrot apaixonado", composta em 1935 por Noel Rosa e Heitor dos Prazeres.

domingo, março 06, 2011

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Opinião

Silêncios que falam

Fernando Henrique Cardoso - O Estado de S.Paulo
Desde quando vivi de muito perto a experiência da "revolta dos estudantes" de maio de 1968 em Paris, comecei a duvidar das teorias que aprendera sobre as mudanças sociais no mundo capitalista. Estas estavam baseadas na visão da História como uma sucessão de lutas entre as classes sociais visando ao controle do Estado para, por intermédio dele, seja manter a dominação de classes, seja destruir todas elas e construir a "sociedade do futuro" sem classes e, portanto, sem que os partidos tivessem função relevante. A qual seria crucial, na visão dos revolucionários do século 20 de inspiração leninista, apenas na "transição", quando se justificaria até mesmo a ditadura do proletariado, exercida pelo partido.

Pois bem, nas greves estudantis da Universidade de Paris, em Nanterre e na Sorbonne (assim como nos câmpus universitários americanos, com outras motivações), que acabaram por contaminar a França inteira e repercutiram pelo mundo afora, vi, perplexo, que as palavras de ordem não falavam em "anti-imperialismo" e só remotamente mencionavam os trabalhadores, mesmo quando estes, atônitos, entravam nos auditórios estudantis "ocupados" pelos ativistas jovens. Falava-se em liberdade, em ser proibido proibir, em amor livre, em valorizar o indivíduo contra o peso das instituições burocratizadas, e assim por diante. É verdade que nas passeatas havia bandeiras negras (dos velhos anarquistas) e vermelhas (dos bolcheviques). Faltavam os símbolos do novo e mais, na confusão ideológica geral, pouco se sabia sobre o que seria novo nas sociedades, isto é, nas estruturas sociais, do futuro. Por outro lado, o estopim da revolta não foram as greves trabalhistas, que ocorreram depois, nem choques no plano institucional, mas pequenos-grandes anseios de jovens universitários que, como num curto-circuito, incendiaram o conjunto do país.

Só que, logo depois, De Gaulle, vendo seu poder posto à prova, foi buscar apoio nos paraquedistas franceses sediados na Alemanha e, com a cumplicidade do Partido Comunista, restabeleceu a antiga e "boa" norma. Por que escrevo essas reminiscências? Porque desde então o mundo mudou muito, principalmente com a revolução informática. Crescentemente as "ordens estabelecidas" desmoronam sem que se perceba a luta entre as classes. Foi assim com o desmoronamento do mundo soviético, simbolizado pela queda do Muro de Berlim. Está sendo assim hoje no norte da África e no Oriente Médio. Cada vez mais, em silêncio, as pessoas se comunicam, murmuram e, de repente, se mobilizam para "mudar as coisas". Neste processo, as novas tecnologias da comunicação desempenham papel essencial.

Até agora, ficaram duas lições. Uma delas é que as ordens sociais no mundo moderno se podem desfazer por meios surpreendentes para quem olha as coisas pelo prisma antigo. A palavra, transmitida a distância, a partir da soma de impulsos que parecem ser individuais, ganha uma força sem precedentes. Não se trata do panfleto ou do discurso revolucionário antigo nem mesmo de consignas, mas de reações racionais-emocionais de indivíduos. Aparentemente isolados, estão na verdade "conectados" com o clima do mundo circundante e ligados entre si por intermédio de redes de comunicação que se fazem, desfazem e refazem ao sabor dos momentos, das motivações e das circunstâncias. Um mundo que parecia ser basicamente individualista e regulado pela força dos poderosos ou do mercado de repente mostra que há valores de coesão e solidariedade social que ultrapassam as fronteiras do permitido.

Mas ficou também a outra lição: a reconstrução da ordem depende de formas organizacionais, de lideranças e de vontades políticas que se expressem de modo a apontar um caminho. Na ausência delas, volta-se ao antigo - caso De Gaulle - ou, na iminência da desordem generalizada, há sempre a possibilidade de um grupo coeso e nem sempre democrático prevalecer sobre o impulso libertário inicial. Noutros termos: recoloca-se a importância da pregação democrática, da aceitação da diversidade, do direito "do outro".

Talvez seja este o enigma a ser decifrado pelas correntes que desejem ser "progressistas" ou "de esquerda". Enquanto não atinarem ao "novo" nas circunstâncias atuais - que supõe, entre outras coisas, a reconstrução do ideal democrático à base da participação ampliada nos circuitos de comunicação para forçar maior igualdade -, não contribuirão para que a cada surto de vitalidade em sociedades tradicionais e autocráticas surjam de fato formas novas de convivência política. Agora mesmo, com as transformações no mundo islâmico, é hora de apoiar em alto e bom som os germens de modernização, em vez de guardar um silêncio comprometedor. Ou, pior, quebrá-lo para defender o indefensável, como Hugo Chávez ao dizer "que me conste, Kadafi não é assassino". Ou como Lula, que antes o chamou de "líder e irmão"! Para não falar dos intelectuais "de esquerda" que ainda ontem, quando eu estava no governo, viam em tudo o que era modernização ou integração às regras internacionais da economia um ato neoliberal de vende-pátria. Exigiam apoio a Cuba, apoio que não neguei contra o injusto embargo à ilha, mas que não me levou a defender a violação de direitos humanos. Será que não se dão conta de que é graças ao maior intercâmbio com o mundo - e principalmente com o mundo ocidental - que hoje as populações do norte da África e do Oriente Médio passam a ver nos valores da democracia caminhos para se libertarem da opressão? Será que vão continuar fingindo que "o Sul", nacional-autoritário, é o maior aliado de nosso desenvolvimento, quando o governo petista busca, também, maior e melhor integração do Brasil à economia global e ao sistema internacional, sem sacrifício dos nossos valores mais caros?

Há silêncios que falam, murmuram, contra a opressão. Mas há também silêncios que não falam porque estão comprometidos com uma visão que aceita a opressão. Não vejo como alguém se possa imaginar "de esquerda" ou "progressista" calando no momento em que se deve gritar pela liberdade.

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