sábado, março 05, 2011

Tem dia em que me sinto assim...

Educação

As pequenas alegrias e o nosso idealismo

José Ronaldo dos Santos
No início da minha carreira no magistério paulista havia muita empolgação, sobretudo porque as aulas de História, Folclore e Sociologia do Turismo eram para alunos motivados pelo investimento do governo estadual no curso Técnico de Turismo (na escola Aurelina, no bairro da Estufa II). Depois percebi que o meu idealismo dependia de uma série de fatores, inclusive econômico, mas o principal deles era o querer aprender dos alunos. Nisso usei – e uso ainda! – o argumento de que “a geração vindoura tem que ser melhor do que a minha”. E, admito, tenho visto despontar alguns frutos dessa direção. Minhas sobrinhas orgulham-me muito pelo fato de sempre terem estudado na escola pública e de terem sido aprovadas em universidade pública (USP). Vários outros ex-alunos causam-me igual sentimento. Agora é a vez de Jessé.

Conheci Jessé na escola Sueli (bairro da Estufa I), numa turma média na cooperação, mas aquém da média em aproveitamento nos estudos. O motivo principal era a preguiça de ler e a falta de perspectiva além dessa madorna que está entre a serra e o mar, neste pedaço de chão chamado de Ubatuba. Afinal, a quase totalidade deles descendia de migrantes da base da construção civil. Os poucos caiçaras da turma nunca demonstraram entender muito sobre os desafios que hoje se apresentam à cultura local. Porém, logo Jessé despontou como aluno exemplar, desejoso de aprender – e bem! Em diversas ocasiões apresentou trabalhos e fez questões pertinentes. Também chamava a atenção dos colegas que teimavam em atrapalhar as aulas porque sonhava em cursar um ensino superior de qualidade.

Em 2010, ao iniciar o último ano do Ensino Médio, Jessé, sabendo que podia potencializar ainda mais a própria aprendizagem, procurou uma escola particular (MV) onde sabia que haveria mais exigências e novos desafios para ele. Após contar a sua história, a diretora concedeu-lhe uma bolsa de estudo integral. Não se arrependeu!

Agora, em uma turma interessada e acolhedora, Jessé cresceu. Colaborou com o aproveitamento geral da classe. Encerrou o ensino básico com “chave de ouro”: foi aprovado em todas as universidades públicas em que concorreu. Ouso dizer que foi o aluno de melhor desempenho no município na última temporada de vestibulares. Dele não se podia esperar outra coisa. Em todos os momentos estava lendo, tirando dúvidas, fazendo exercícios em grupo etc. De vez em quando ainda arranjava tempo para dedilhar seu violão.

Concluindo: Jessé já era bom desde a escola pública (isso prova que os professores estão fazendo a sua parte, mesmo vivendo uma fase crítica há tempos), mas ter encontrado um ano puxado na reta final foi de muita valia para os resultados alcançados. Foi como uma alavanca. Parabéns a este filho do Vale do Jequitinhonha que veio se instalar no bairro do Rio Escuro! Certamente ainda teremos muito outros motivos para nos orgulhar deste estudante. Nós, professores idealistas, precisamos de mais exemplos assim! Valeu, menino!!!

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Opinião

Inflação, risco imediato

O Estado de S.Paulo - Editorial
A inflação continua sendo a maior ameaça ao consumidor brasileiro e o principal desafio imediato para o governo. Há sinais de arrefecimento da atividade econômica, mas não do consumo. Em fevereiro os índices de preços aumentaram pouco menos que em janeiro, mas não há razão para otimismo. O custo da alimentação continua em alta no atacado, a inflação dos serviços ganhou impulso e o mercado internacional de alimentos, petróleo e outras commodities permanece aquecido, espalhando pressões inflacionárias por todo o mundo. "Estamos extremamente preocupados com a alta de preços dos alimentos, em especial por causa de seu impacto nos mais pobres e mais vulneráveis", disse em Washington a diretora do Departamento de Relações Externas do Fundo Monetário Internacional (FMI), Caroline Atkinson. Ela se referia principalmente às populações dos países menos desenvolvidos e mais dependentes da importação de comida, mas ninguém - mesmo nos grandes países produtores, como o Brasil - é imune aos desajustes no mercado global.

Em fevereiro, o índice de preços de alimentos da FAO, a agência das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, ficou 2,2% acima do nível de janeiro e atingiu o ponto mais alto desde sua criação, em 1990. O aumento dos índices é explicável pelas condições mais apertadas de oferta (já conhecidas no ano passado), pela especulação financeira, favorecida pelos juros muito baixos no mundo rico, e pela corrida de alguns governos para formação de estoques. A crise política no Oriente Médio empurrou para cima os preços já elevados do petróleo, criando um duplo risco inflacionário. Além da pressão imediata sobre os preços dos combustíveis, o encarecimento do petróleo serve de base para a projeção de custos mais altos de produção agrícola neste ano.

Diante desse quadro, a pequena melhora dos indicadores nacionais de inflação parece bem pouco significativa.

No mês passado, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), produzido pelo IBGE e usado como referência para a política oficial, subiu 0,80%, pouco menos que em janeiro (0,83%). A maior parte do aumento resultou das despesas com educação, um problema sazonal. O custo de alimentos e bebidas subiu menos que no mês anterior. Houve uma evolução favorável, mas sobra pouco espaço para otimismo quando se examinam os preços ao produtor pesquisados pela Fundação Getúlio Vargas.

Mais alguns números podem dar uma ideia mais clara da situação. O Índice de Preços ao Produtor Amplo aumentou 1,23% em fevereiro. No mês anterior havia subido 0,96%. A maior pressão veio do grupo "alimentos in natura", com variação de 6,28%, depois de uma taxa negativa de 1,33% em janeiro. As matérias-primas brutas encareceram 2,21%, pouco menos que no mês anterior (2,46%), mas em ritmo ainda acelerado. Somando-se a esse quadro os dados internacionais e a avaliação da FAO, ninguém poderá apontar um bom motivo de tranquilidade.

Mas falta adicionar as condições particulares da economia brasileira. Os números do trimestre final de 2010 mostram uma clara tendência para o desequilíbrio entre oferta e demanda. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 7,5% ao longo do ano, mas sua expansão perdeu impulso nos meses finais. Entre outubro e dezembro o PIB foi apenas 0,7% maior que no trimestre anterior. Isso equivale a um crescimento anualizado de apenas 2,82%. Mas no mesmo período o consumo privado foi 2,5% maior que no terceiro trimestre, ritmo equivalente a 10,38% ao ano.

Os dados parciais da indústria e do comércio no primeiro bimestre de 2011 mostram um mercado consumidor ainda aquecido, com o poder de compra das famílias fortalecido pelo alto nível de emprego, pelos ganhos salariais e pelo crédito ainda farto. No mês passado, a produção e as vendas de veículos foram recordes para os meses de fevereiro. Mesmo com a desaceleração econômica já perceptível em alguns setores, dificilmente o Banco Central poderá evitar novas altas de juros para frear os aumentos de preços. Nesse quadro, o Executivo tem justificativa muito mais que suficiente para conter seus gastos e contribuir para um pouso suave da economia.

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Manchetes do dia

Sábado, 05 / 03 / 2011

Folha de São Paulo
"SP multa um motorista a cada cinco segundos"

Total de infrações cometidas em 2010 sobe 11,5% e chega perto dos 7 milhões

A cada cinco segundos, em média, um motorista paulistano teve seu veículo multado nas ruas da cidade de São Paulo em 2010. No total, foram 6.974.682 autuações, um aumento de 11,5% sobre o ano anterior, segundo dados do balanço divulgado pela Companhia de Engenharia de Trafego. O salto acontece após um incremento na fiscalização, que ganhou o reforço de mais 300 policiais militares e 290 novos radares - 193 deles do tipo inteligente. Os maiores crescimentos se deram nas multas por invasão da faixa exclusiva para ônibus (+44%) e excesso de velocidade (+27%). Mas em números absolutos, o desrespeito ao rodízio continua o campeão no ranking de infrações, com mais de 2 milhões de multas no ano passado (+21%). Para a CET, o maior uso de equipamentos eletrônicos permitiu liberar agentes para fiscalizar e atuar na organização e na segurança do trânsito.

O Estado de São Paulo
"Em vídeo, pivô de escândalo dá dinheiro a filha de Roriz"

Imagem mostra Jaqueline Roriz, então em campanha, levando maço de notas do delator do 'mensalão do DEM'

Um vídeo em análise no Ministério Público, obtido pelo Estado e exibido em primeira mão pelo estadão.com.br ontem, mostra a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), filha do ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz, junto com o marido, Manoel Neto, recebendo dinheiro do ex-secretário de Relações Institucionais do DF Durval Barbosa. O vídeo foi gravado na campanha eleitoral de 2006, na sala de Barbosa, delator do escândalo conhecido como "mensalão do DEM", que derrubou o governador José Roberto Arruda. As imagens mostram que, após guardar o dinheiro, o casal queixa-se do valor, supostamente abaixo do combinado, e negocia novas contribuições para a campanha de Jaqueline. Até a descoberta do vídeo, Jaqueline sempre negou seu envolvimento e o do pai no esquema. Ela não quis comentar o caso.

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sexta-feira, março 04, 2011

Acontece em Ubatuba

Curiosidades caribenhas

Havana, 1961

Do El País
O documentário foi realizado por Orlando Jiménez Leal, e como editor, Saba Cabrera. Trabalhavam em televisão. A Revolución Cubana havia lançado um alerta pela possibilidade de uma invasão norte-americana à ilha. Os noticiários da TV em que trabalhava Orlando, naquela época um câmera 18 anos, enviaram-no a buscar material de imagens que demonstravam que a população estava se armando patrioticamente contra o invasor. Voltou com minutos de gravações que diziam exatamente o contrário. As pessoas seguiam na rumba. Havana não estava consciente de nada daquilo, nem por medo nem pela pátria, afirma Orlando hoje. E conta, que uma cubana lhe disse: "Escuta menino, porque em lugar de Pátria Ou Morte não dizemos, Pátria ou Lesões Leves"?

Orlando transformou em documentário que Fidel Castro proibiu. A Casa de las Americas de Madrid reapresentará o documentário recuperado, agora, em maio. (Tirado do Ex-Blog do Cesar Maia)

Foto atual de Orlando Jimenez.
Primeira parte do documentário. Pouco mais de 6 minutos.
Segunda parte do documentário. Pouco mais de 6 minutos.

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Paralelas, encontro no infinito...

Coluna do Celsinho

Rotary

Celso de Almeida Jr.
Nesta terça-feira, primeiro de março, o Rotary Club de Ubatuba prestou homenagens às escritoras Dirce Marangoni, Fernanda Liberal, Lourdes Moreira e Silmara Retti, comemorando antecipadamente o dia Internacional da Mulher, 8 de março.

A feliz escolha destas mulheres para a homenagem revela a profunda sensibilidade dos integrantes desta respeitada instituição.

O Rotary tem inúmeros serviços prestados em nosso município.

Trata-se de uma organização mundial constituída por líderes de negócios e profissionais que prestam serviços humanitários, fomentam um elevado padrão de ética em todas as profissões, ajudando a estabelecer a paz e a boa vontade.

Vale lembrar que o Rotary no mundo também é a Fundação Rotária, que anualmente proporciona cerca de US$ 90 milhões para bolsas educacionais internacionais, intercâmbios culturais e projetos humanitários que melhoram a qualidade de vida de milhões de pessoas.

Rotary é conhecido como a entidade privada que outorga o maior número de bolsas internacionais de estudo do mundo.

Ao escolher estas expoentes femininas, o Rotary Club de Ubatuba revelou profunda sensibilidade, refletindo em toda a sociedade seu elevado respeito por nossas mulheres, valorizando a produção cultural local.

A solenidade ocorreu no Restaurante Rei do Peixe, da Praia Grande, em ambiente onde a emoção; as marcantes histórias de vida e a calorosa acolhida dos rotarianos proporcionou uma noite inesquecível.

Pena que eu perdi.

Uma viagem programada impediu a minha presença.

Soube de tudo isso por minha esposa, filha, sogro e sogra, Fernanda Liberal, uma das homenageadas.

Como se vê, no meu caso, as mulheres são maioria.

E, sem segundas intenções, registro também as mais sinceras homenagens.

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Opinião

O desafio da prosperidade

O Estado de S.Paulo - Editorial
O crescimento de 7,5% no ano passado foi a primeira boa notícia econômica de ontem - um motivo para comemoração, embora não tenha havido surpresa. A segunda boa notícia foi a reação do governo, moderada e sensata. O Brasil não pode sustentar um ritmo chinês, mas provou nos últimos anos sua capacidade de crescer em torno de 5%, comentou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. A presidente Dilma Rousseff qualificou como "razoável" o desempenho da economia em 2010 e logo lembrou a prioridade imediata, o combate à inflação. A evidente mudança de estilo pode ser indício de algo mais importante - um compromisso mais sério com as condições necessárias ao crescimento de longo prazo. Uma dessas condições é a expansão do investimento, apresentado nas contas nacionais sob a rubrica de "Formação Bruta de Capital Fixo".

O investimento em máquinas, equipamentos, instalações e infraestrutura cresceu 21,9% no ano passado. Mas o total aplicado equivaleu a apenas 18,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2008 essa relação havia chegado a 19,1%. Essas taxas são muito menores que as observadas na China e em várias outras economias dinâmicas.

O Brasil não precisaria investir tanto quanto se investe naqueles países, para manter um bom desempenho, mas elevar o investimento a uns 23% 0u 24% deve ser um dos objetivos prioritários da política econômica. Além disso, não basta aumentar o valor destinado à formação bruta de capital. É preciso um esforço muito maior para ampliar e modernizar a infraestrutura, um dos pontos mais fracos da economia brasileira. As empresas podem aumentar sua capacidade produtiva comprando mais e melhores máquinas, mas seu trabalho será prejudicado se não dispuserem de estradas, ferrovias e instalações portuárias adequadas ao transporte dos produtos.

Parte importante do investimento em infraestrutura depende do setor público, mas, nessa área, somente a Petrobrás tem demonstrado eficiência na formulação e na execução de planos. Quanto à mobilização do setor privado, por meio de concessões e de parcerias, tem sido muito menos intensa do que deveria ser, porque o governo foi incapaz, nos últimos oito anos, de criar condições favoráveis a um maior envolvimento dos investidores particulares.

Um longo período de crescimento dependerá também da estabilidade fiscal e da solidez das contas externas. O ajuste orçamentário anunciado nesta semana pode ser pouco ambicioso, mas pelo menos é um sinal positivo. Pode ser o passo inicial de um projeto mais amplo de arrumação do setor público federal, com maior atenção à produtividade e à qualidade do gasto, itens pouco valorizados - ou até mesmo desprezados - nos últimos oito anos, em Brasília. Melhores padrões de administração e de uso do dinheiro público serão essenciais para o aumento da taxa de poupança, limitada a 16,5% do PIB no ano passado. Mesmo para alcançar o modesto investimento de 18,4% do PIB o País precisou de recursos do exterior.

Para crescer com segurança, o País dependerá também de contas externas saudáveis. Um pequeno déficit na conta corrente do balanço de pagamentos pode ser aceitável e até favorável ao crescimento, quando coberto com investimentos diretos e outros capitais seguros. A experiência brasileira mostrou mais de uma vez, no entanto, quanto é difícil manter o déficit em níveis toleráveis e administráveis.

No Brasil, o déficit ainda parece razoável, mas as contas externas têm piorado em ritmo preocupante. Além disso, a piora está vinculada à perda de competitividade do produtor nacional.

Parte do problema está no câmbio valorizado. Isso se reflete no descompasso entre o crescimento das exportações e importações de bens e serviços - 11,5% e 36,2%, respectivamente, segundo as contas divulgadas ontem pelo IBGE. Mas a perda de competitividade está relacionada também a outros fatores, como o peso da tributação e as más condições da infraestrutura. Competitividade é essencial não só para o crescimento das empresas, mas também, no limite, para sua sobrevivência. Também esse recado está embutido nas contas nacionais.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 04 / 03 / 2011

Folha de São Paulo
"Brasil já tem o 7º PIB do mundo"

País cresce 7,5% em 2010, mas economia perde ritmo, e inflação deve limitar o crescimento a menos de 4% neste ano

O Produto Interno Bruto (soma das riquezas nacionais) do Brasil cresceu 7,5% em 2010, a maior taxa desde 1985. O resultado tomou o país a sétima economia do mundo, superando a Itália. Desde o segundo semestre, porém, o país pisou no freio; projeções apontam índice abaixo de 4% em 2011. Para evitar a alta da inflação, os juros vem subindo e o governo anuncia intenção de gastar menos, medidas que reduzem o crescimento. A presidente Dilma Rousseff qualificou o PIB de 2010 como "bastante razoável" e afirmou esperar expansão entre 4,5% e 5% neste ano. A posição brasileira também melhorou no quesito paridade de poder de compra, que leva em conta o custo de vida dos países, passando do nono para o sétimo lugar, disse o ministro Guido Mantega.

O Estado de São Paulo
"Consumo faz PIB recorde desde 86"

Economia fechou 2010 com crescimento de 7,5%, o maior desde o Cruzado; demanda alta reforça temor de inflação

Depois de uma queda de 0,6% em 2009, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, a soma dos bens e serviços produzidos no País, cresceu 7,5% em 2010, o melhor resultado desde o plano Cruzado, em 1986. Apesar do desempenho espetacular, a economia terminou o ano em desaceleração, e a projeção média do mercado para o crescimento de 2011 é de 4,3%. A freada, porém, ainda não atingiu o consumo das famílias, que avançou 2,5% no último trimestre. Para muitos analistas, isso é sinal de que a desaceleração pode ser insuficiente para conter as pressões inflacionárias. O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, alertou para o risco de superaquecimento. A presidente Dilma Rousseff comemorou o “número razoável", mas insistiu que o governo não vai deixar a inflação ficar fora de controle. O ano de 2010 também registrou recordes na expansão dos investimentos (21,8%), do consumo das famílias (7%) e das importações (36,2%).

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quinta-feira, março 03, 2011

Era uma vez uma piranha...

Vida

Quinta-feira desensolarada

Sidney Borges
Minha irmã ligou de São Paulo:
- Como está o tempo aí?
Respondí de primeira:
- Firmou!

A coisa lá pelas bandas do Oriente Médio está quente. Mubarak foi apeado do trono que um dia foi de Cleópatra, agora parece ter chegado a vez do performático Gaddafi, da Líbia. Li em algum lugar que ele tem 70 bilhões de dólares. Para que alguém precisa de tanta grana?

Também li em algum lugar que Lula está lendo um livro de Emir Sader. Não sei não, mas não acredito que o sociólogo e filósofo quisesse dizer autista quando chamou a ministra Ana de Holanda de autista. Costumo ler artigos de Emir Sader. Não concordo com 90% do que ele escreve. Acho que 98% fica melhor.

Kassab vai sair do DEM. Faz sentido, Kassab é jovem e tem ambições políticas. No palco atual, com DEM e PSDB aliados e Alckmin governador, pouco sobra para o prefeito da capital. Ele está certo em procurar uma saída. Ainda que a saída seja sair. Eu jamais votarei em Kassab. Jamais.

Hoje faltou energia. É a segunda vez na semana. Na região nordestina aconteceu um apagão. Em Ubatuba, um apaguinho. Li no Blog do Noblat que a presidente fica uma fera quando acontecem falhas. Bem, o artigo dizia que ela sempre fica uma fera.

Por hoje é só, amanhã preciso acordar cedo e limpar a casa. A empregada pediu uns dias para fazer um cruzeiro de navio.

Meu cachorro fica entediado quando começa a chover. Eu também fico, mas sempre tenho um livro à mão. Meu cachorro, que não sabe ler, caça moscas. É um mestre. Com o tempo úmido não há moscas.

É dura a vida de cão!

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Opinião

Um ajuste sem grande aperto

O Estado de S.Paulo - Editorial
Nenhum dos cortes orçamentários anunciados pelo governo federal vai exigir um grande aperto de cinto, mas nem por isso a iniciativa é politicamente desimportante. Será necessária uma firme disposição para podar pouco mais de R$ 18 bilhões em emendas parlamentares - quase certamente a parte mais audaciosa do ajuste apresentado pelos ministros da Fazenda e do Planejamento. No Brasil, o Executivo é livre para desembolsar ou não o dinheiro para os projetos previstos nas emendas, porque o orçamento não é impositivo. Essa liberdade é usada, normalmente, como instrumento político - para barganha ou para favorecimento de aliados. A novidade, neste ano, é a anunciada disposição de eliminar as despesas programadas com base na projeção inflada de receita.

É cedo para dizer se o programa de ajuste será cumprido até o fim sem concessões e sem negociações com deputados e senadores. O Executivo sempre arranjará argumento para justificar alguma exceção, se isso for politicamente necessário. Até agora, a presidente Dilma Rousseff conseguiu mobilizar no Congresso o apoio necessário à sua estratégia. Venceu de forma até surpreendente a difícil batalha do salário mínimo, mas sua gestão apenas começa e não se pode prever, neste momento, o custo das próximas negociações com a base aliada.

Boa parte do ajuste apresentado pelos ministros da Fazenda e do Planejamento consiste, por enquanto, apenas no adiamento de gastos. Para eliminar R$ 3,5 bilhões da folha de salários e encargos sociais, o Executivo apenas terá de renunciar a novos concursos e contratações neste ano. Não haverá de fato um corte na despesa com pessoal, segundo alguns analistas. Essa interpretação parece perfeitamente sensata. Mas o adiamento de concursos e contratações interromperá, pelo menos por algum tempo, o inchaço dos quadros e da folha observado na maior parte dos últimos oito anos.

A expansão do quadro de pessoal, é bom lembrar, foi mais de uma vez defendida, no governo anterior, como parte de uma estratégia de fortalecimento do setor público. As noções de produtividade e de qualidade raramente foram incluídas nesse discurso, como se fossem desnecessárias para justificar as contratações e a elevação dos salários.

A decisão de suspender a expansão do funcionalismo talvez seja provisória e o governo retorne ao velho caminho no próximo ano. Mas, se a presidente for fiel à sua promessa de maior atenção à qualidade e à eficiência do serviço público, o ajuste deste ano poderá marcar uma inflexão na política de pessoal e nos padrões administrativos.

Por enquanto, é necessária uma boa dose de otimismo para se apostar nessa mudança. Se a presidente Dilma Rousseff estiver mesmo disposta a modernizar a administração federal, terá de enfrentar interesses corporativos há muito tempo consolidados no funcionalismo e, além disso, precisará renegar bandeiras e critérios de seus companheiros.

O ajuste prometido para este ano ficará dentro dos limites previstos por muitos analistas. O Executivo não teria condições políticas - nem legais, como lembram alguns especialistas - de promover uma arrumação muito mais ambiciosa nas contas federais. Qualquer alteração de maior alcance dependerá de negociações complicadas, principalmente com a base aliada, e de reformas institucionais. Não será fácil, por exemplo, mexer nas vinculações de verbas.

Nenhuma regra, no entanto, força o governo a continuar ampliando o quadro de pessoal ou concedendo vantagens salariais no ritmo observado nos últimos oito anos. O aumento da folha ocorreu sem nenhuma contrapartida em termos de produtividade e qualidade. Ganhos de eficiência nunca foram prioritários nos dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O baixo grau de execução dos programas de investimento refletiu muito mais a escassez de competência gerencial do que a limitação de recursos financeiros. Um ajuste fiscal para valer só será possível se a produtividade e a qualidade forem consideradas objetivos prioritários da administração pública. Então será possível fazer mais com cada real e a racionalização tributária será muito mais fácil.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 03 / 03 / 2011

Folha de São Paulo
"Gaddafi ataca e ameaça com milhares de mortes"

Ditador diz que haverá guerra sangrenta se os EUA ou a Otan interferirem na Líbia

O governo Gaddafi intensificou o contra-ataque para se manter no poder na Líbia. Caças bombardearam Brega, cidade tomada pelos rebeldes no leste do pais, num quadro de virtual guerra civil. A oposição resiste. O ditador disse na TV que a Líbia terá uma guerra sangrenta. "Milhares e milhares irão morrer se EUA ou Otan interferirem." Ele afirmou que vai "enfiar os dedos nos olhos" de quem duvida da soberania do país. O Tribunal Penal Internacional vai abrir investigação sobre os conflitos na Líbia. Mais dois navios de guerra dos Estados Unidos entraram no mar Mediterrâneo pelo canal de Suez com o intuito de intimidar Gaddafi. O debate esquentou entre os norte-americanos com a pressão do Congresso. O Senado aprovou uma medida que pede a comunidade internacional que considere a instauração do embargo a voos líbios.

O Estado de São Paulo
"Pilotos se negam a atacar e Kadafi sofre nova derrota"

Forças leais ao ditador da Líbia fracassam na tentativa de retomar instalações petrolíferas

Sem o apoio da Força Aérea Líbia, cujos pilotos não acataram ordem de bombardear alvos rebeldes, tropas leais a Muamar Kadafi fracassaram ontem na tentativa de retomar instalações petrolíferas do vilarejo de Brega, 230 km a oeste de Benghazi, a principal cidade controlada pelos rebeldes. Pelo menos 14 pessoas morreram e 29 ficaram feridas no combate que se seguiu à ocupação da refinaria e da pista de pouso por integrantes das forças especiais e mercenários, repelidos pelos rebeldes. A reportagem do Estado presenciou a movimentação de tropas e confrontos. O regime de Kadafi convidou o Brasil a integrar uma missão de observadores que acompanharia a crise entre opositores e o governo Líbio, informa o enviado especial Andrei Netto. A proposta foi feita diretamente por autoridades ao embaixador brasileiro em Trípoli, George Fernandes. O convite ao Brasil foi estendido à União Africana e ao bloco da Conferencia Islâmica.

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quarta-feira, março 02, 2011

Aquário do Ubatuba Víbora

Original aqui

Brasil

Besteirol contra a privatização

Ethevaldo Siqueira - Original aqui
Este blog alimenta debates maravilhosos. Vejam este que apresento a seguir. Um leitor me escreve, furioso, discordando daqueles que esperavam do governo investimentos maciços em banda larga. Aliás, quem defendeu tais investimentos foram diversos membros do PT e do próprio governo, que apoiaram a recriação da Telebrás.

Eis o que diz o leitor furibundo:

“O erro vem do nascedouro. Serjão (ex-ministro das Comunicações Sérgio Motta) privatizou mesmo (!) como se fosse a casa da mãe Joana. Contratos sem contrapartidas e multas pesadas com cláusulas rescisórias. Foi a Festa do Caqui! Agora, com tudo servido na bandeja só falta o governo investir pesado para aumentar á estratosfera o lucro destas empresas “malandras”. Estão ganhando horrores, algumas com investimento (alto) do BNDES, que se aumente a taxação de impostos (quase do cigarro) sem poder de repasse ao já explorado e roubado consumidor. Nós Brasileiros.” (Os destaques são do leitor).

Tenho imenso prazer em responder-lhe, meu caro. Antes de mais nada, faça um teste de imparcialidade. Se você é, realmente imparcial e isento, eu gostaria que me indicasse quando fez uma única crítica aos serviços de telecomunicações da antiga Telebrás e ao monopólio estatal – até 1998, quando tínhamos que pagar o equivalente a US$ 1.00o (em certos momentos até US$ 3.000) por um plano de expansão e esperar de dois a quatro anos para receber a linha.

Naquela época, o Brasil tinha menos de 15 telefones por 100 habitantes. No mercado negro, o preço de uma linha telefônica chegava ao equivalente a US$ 10.000 (dez mil dólares), como acontecia em Alphaville, na Grande São Paulo.

Hoje, o quadro é outro. O Brasil tem 250 milhões de telefones, ou seja, mais telefones do que gente. O telefone foi, portanto, universalizado. Nesse total, mais de 100 milhões de usuários de baixa renda (que jamais poderiam ter um telefone no modelo estatal anterior) passaram a dispor de um celular pré-pago. Foi a maior inclusão digital da história do País – e feita sem um centavo de dinheiro público.

É claro que ainda existem problemas. E não são poucos. Quer um exemplo? A maior crítica que fazemos é quanto ao padrão de atendimento da maioria das operadoras privatizadas. Esse padrão só não é pior do que o dos serviços prestados pela velha Telerj estatal. Os senhor se lembra da Telerj ou é muito jovem?

Saiba, meu caro furibundo, outro problema que penaliza os usuários é o preço de muitos serviços – encarecidos, em grande parte, por impostos escorchantes superiores a 40%. Que são pagos por nós usuários.

Sua crítica à privatização das telecomunicações não passa de uma montanha de chavões. Acusar o ex-ministro Sérgio Motta de ter privatizado “como se fosse a casa da mãe Joana” é uma bobagem sem tamanho, porque o contrato de concessão prevê sanções até para o mau atendimento. Você já leu um contrato de concessões de telefonia? O que falta, sim, é fiscalização séria, rigorosa, do governo. Faltam, também, políticas públicas para a indústria nacional.

É pura demagogia falar em lucros estratosféricos dessas empresas “malandras”. Seja objetivo, meu caro. Mostre, com números, que elas estão “ganhando horrores”. Sua crítica, sim, é uma “festa do caqui” pela linguagem de palanque, pelo desconhecimento da realidade da economia setorial.

Você sabia que os impostos arrecadados sobre as contas telefônicas são 800% (ou oito vezes) superiores ao total do lucro líquido das operadoras?

Ter lucro não é o pecado de nenhuma empresa. Veja os lucros da Petrobrás e do Banco do Brasil, dos grandes bancos, que, têm sido estratosféricos. E, se as concessionárias tivessem, mesmo, lucros excessivamente elevados, caberia, então, ao Imposto de Renda taxá-las adequadamente. Como o faz com todas as demais empresas.

Meu caro, você parece não se importar com o confisco de R$ 32 bilhões dos fundos setoriais que deveriam ser aplicados em inclusão digital. Qual é a prioridade da banda larga no Brasil de hoje se o governo federal e os estaduais impõem uma alíquota absurda de mais de 43% de impostos sobre as tarifas desses serviços de acesso? Quem, então, está “ganhando horrores”? O governo ou as concessionárias?

Outra bobagem é dizer que o BNDES investe em telecomunicações. O pouco que ele destina a essa área é empréstimo, com todas as garantias e bons juros. Ele simplesmente faz negócio, emprestando a quem quiser investir em infraestrutura. Essa é a finalidade do banco. Não há favor nem privilégio nisso. Se não for, denuncie um caso específico, eu divulgo e nós processamos o banco.

Eu nunca disse que o governo deveria investir pesado, usando seus recursos orçamentários em banda larga. Disse apenas que os fundos (Fust e Fistel) deveriam ser aplicados nas finalidades para as quais foram criados (universalização das telecomunicações e fiscalização setorial) e não surrupiados para a vala comum do superávit fiscal. Ora, se esses fundos não estão sendo aplicados, que sejam extintos, reduzidos ou devolvidos aos contribuintes.

No final, meu caro furibundo, você propõe que o governo aumente os impostos, como no caso dos cigarros, e que proíba o repasse desse imposto ao usuário ou assinante. Uma asneira desse tamanho não merece nem resposta. Você deve estar muito feliz com a política fiscal brasileira. É uma espécie de comportamento de hiena, masoquista e que aplaude e ainda fica feliz com toda a desgraça do custo Brasil.

Finalmente, isso não significa que eu esteja satisfeito com as empresas operadoras, que não tenha queixas ou que as defenda de modo incondicional. Tenho sido muito mais crítico do que você – porque me limito a dizer a verdade. Crítica mentirosa perde todo o seu valor e não muda a realidade.

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Opinião

Copa de 2014: crônica do mico anunciado

José Nêumanne* - O Estado de S.Paulo
O Campeonato Mundial de Futebol, organizado a cada quatro anos pela Fifa, entidade privada com sede na Suíça, é um negócio arquibilionário para quem vive em torno de futebol: jogadores, técnicos, dirigentes, preparadores físicos e outros profissionais do ramo; acionistas, redatores, narradores e comentaristas de imprensa, rádio e televisão; e, sobretudo, os maiorais da entidade organizadora e seus afilhados pelo mundo. Estes inventam a cada torneio novas regras que tornam necessárias obras civis que exigem grandes investimentos: dos estádios à infraestrutura de transportes urbanos e aéreos, além da adaptação da rede hoteleira para atender à demanda de público aos jogos.

Países que dispõem de caixa para cobrir as deficiências de estações metroviárias, aeroportos, vias públicas e outras instalações físicas necessitadas de reforma para abrigar hordas de aficionados por futebol lutam para sediar espetáculos transmitidos pela televisão para plateias de bilhões. Esse tipo de investimento importa divisas para a sede do torneio quadrienal e também gera impostos que ajudam a engordar o erário, o que poderia, se aplicados com decência e critério, melhorar os serviços públicos, sobretudo em áreas essenciais e carentes, como saúde, educação e segurança pública. Em relação a isso, há três controvérsias. A primeira é que nunca sede alguma de uma Copa do Mundo trouxe a lume um relato confiável dos lucros auferidos ao longo do evento. A segunda é que mais arrecadação nem sempre (ou quase nunca?) representa melhora de atendimento em hospitais, aprimoramento da educação, especialmente a básica, nem redução significativa de índices de violência. Se isso foi medido, está mantido sob rigoroso sigilo. E, no caso do Brasil, que aceitou a condição de isentar os beneficiados de impostos, este segundo efeito será nulo.

Este país sediará a Copa de 2014 daqui a três anos e quatro meses. Um ano antes, como ocorre sazonalmente, será testada parte dos equipamentos para os grandes espetáculos num acontecimento de grande repercussão, mas menor alcance do que o Mundial propriamente dito, a Copa das Confederações. Neste momento, estamos no segundo estágio, no qual governantes começam a assumir compromissos que, de início, renegaram. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (ainda DEM) juraram de pés juntos que nenhum centavo de dinheiro público seria usado na construção de algum estádio para o torneio.

Os juramentos, feitos e reiterados, já começaram a ser sutilmente abjurados. Lula e Goldman saíram de cena, substituídos por Dilma Rousseff e Geraldo Alckmin. Quem deu o pontapé inicial, não na pelota, mas no traseiro do contribuinte, foi o remanescente do trio, Kassab, sob cuja gestão se anunciou que está em estudos um projeto ardiloso de socorrer o Corinthians na construção de seu estádio em Itaquera para que sirva de palco para a abertura do campeonato. Ao lado de Alckmin, ele ouviu Dilma garantir sexta-feira passada que, sim, o primeiro jogo será no estádio do qual não se conhece sequer projeto de viabilidade.

O trio multipartidário passou por cima de algumas evidências da lógica elementar: nada garante que São Paulo terá mais benefícios do que custos sediando a Copa; a cidade tem estádios demais para atender o Mundial e a agenda futebolística local; e o favorecimento de um clube específico - em detrimento de seus adversários - é acintoso. A excelente drenagem do Morumbi no clássico de domingo deixou claro que o estádio pode ser reformado com relativa facilidade para cumprir as exigências de que a Fifa e sua representante no Brasil (a CBF de Ricardo Teixeira) não abrem mão. Até o Pacaembu, que a Prefeitura por pouco não cedeu em comodato ao mesmo Corinthians, agora beneficiado, e a Arena Palestra Itália, que o Palmeiras está reconstruindo às suas expensas, têm sobre o Piritubão uma vantagem essencial: eles existem. A opção anunciada por Dilma, Alckmin e Kassab de que o jogo inicial será disputado na zona leste equivale à decisão de um diretor de cinema que, precisando de um bebê, incentiva o flerte de um casal para contratar o filho que será gerado, antes sequer de ter início o namoro dos pais. Se vivos fossem, Aristóteles e Santo Tomás de Aquino teriam de recorrer ao Procon para salvar a honra da lógica que descreveram.

O aval da presidente, do governador do Estado e do prefeito de São Paulo à decisão monocrática de Ricardo Teixeira, presidente da CBF e rei do comitê organizador da Copa no Brasil, só se explica por interesses eleiçoeiros. O Mundial será disputado em ano de eleições e disso querem tirar proveito. Mas, como os três deverão estar em campos políticos opostos nas eleições para governador e presidente em quatro anos e terão de dividir a gratidão do eleitorado (nem sempre tão grato assim) no vale-tudo do marketing eleitoral, pouco importará quem goze da regalia. Importa é que o cidadão pagará as despesas. A conversa fiada de que o contribuinte não bancará o banquete em que se refestelarão os barões do marketing esportivo, dos meios eletrônicos de comunicação de massas e da burocracia federal não o livrará de arcar com o prejuízo, mesmo expulso das arquibancadas pelo alto custo dos ingressos. Relatório insuspeito do Tribunal de Contas da União expõe a carta que os dirigentes da República e dos esportes pretendiam manter escondida na manga: dos R$ 23 bilhões a serem gastos em obras, só R$ 336 milhões ficarão por conta do setor privado, restando 98,5% para o cidadão deixado de fora financiar.

Pelo andar da carruagem, não há garantia de que a Copa de 2014 será disputada neste país sem estádios, aeroportos, vias públicas, hotéis e outros equipamentos exigidos pelos organizadores. Em vez de fazerem o jogo da "cartolagem" só por demagogia barata, Dilma, Alckmin e Kassab seriam mais espertos se saíssem de fininho e devolvessem o mico anunciado à Fifa e à CBF, seus legítimos criadores.


*Jornalista, escritor e editorialista do "Jornal da Tarde"

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 02 / 03 / 2011

Folha de São Paulo
"ONU afirma que 140 mil já escaparam da Líbia"

Situação de refugiados está em 'ponto de crise'; milhares fogem psra a Tunísia

Cerca de 140 mil (2% da população) teriam deixado o país em direção ao Egito e à Tunísia, fugindo do confronto entre rebeldes e tropas de Gaddafi. O ditador tentou retomar algumas áreas, mas não conseguiu. No porto de Ras Jedir (Tunísia), milhares de pessoas se amontoavam. Soldados usavam máscaras para suportar o cheiro de fezes. O frio de 10°C torna mais difícil a situação das pessoas que enfrentam desconforto. Muitos tentam ir para a Europa. Os europeus, que debatem possível intervenção militar na Líbia, temem nova onda migratória. Em Nova York, a ONU suspendeu a Líbia do Conselho de Direitos Humanos.O Estado de São Paulo
 

"Despesa do governo com passagens cresce 32%"

Aumento no bimestre ocorre em meio ao discurso oficial de que o corte desse tipo gasto é prioritário

As despesas com passagens para deslocamento de servidores do governo federal foram 32% maiores nos dois primeiros meses deste ano ante igual período de 2010. Os gastos com diárias subiram 4%. Esses dois tipos de despesa foram eleitos como prioritários no ajuste das contas públicas anunciado anteontem pelo governo. Segundo a ministra Miriam Belchior (Planejamento), esses gastos serão reduzidos à metade neste ano. Mas, além dos R$ 80,4 milhões já pagos em passagens, há uma conta pendente deixada pelo governo Lula que supera o dobro desse valor: R$ 163,3 milhões. E há ainda R$ 130 milhões já comprometidos pelo governo Dilma até 28 de fevereiro e não pagos. Já as diárias de servidores civis e militares saltaram de R$ 75,2 milhões para R$ 78,2 milhões. Para tornar mais efetivo o controle, as autoridades de viagens de servidores serão transferidas ao alto escalão dos ministérios, ou, de preferência, aos próprios ministros.

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terça-feira, março 01, 2011

Era uma vez uma perereca...

Original aqui

Ramalhete de "causos"


Curricando

José Ronaldo dos Santos
Existe uma modalidade de pesca que não é muito divulgada, mas os caiçaras, em ocasiões especiais, a usam. Trata-se de pescar curricando, que nada mais é do que soltar a linhada com a embarcação em movimento.

A linhada, junto ao anzol, tem uma peça metálica que rodopia com a isca devido à velocidade da canoa (ou barco). É assim de propósito; serve para atrair os peixes que preferem iscas em movimento. Também é atrativo o brilho do metal que rodopia. Por isso que, no tempo das anchovas, cavalas, sarambiguaras e outros pescados de igual hábito, os caiçaras curricam. É emocionante pescar no currico! A gente se empolga pelos cruzamentos de linhas, pelos saltos dos peixes prateados há muitos metros da borda.

O que contarei a seguir, eu escutei do Garné, na praia do Cedro (da Ponta Grossa):

Garné e Zeca pararam perto da laje de fora; sondavam cavalas. Soltaram as linhadas, mas nada de fisgada. Então resolveram remar mais para fora, no correr do Boqueirão. A canoa era a “Pau cheiroso”, feita pelo finado Fabiano, da praia da Enseada. Canoa boa, segura. As águas a leste zuniam nas linhadas; logo veio peixe. E dos grandes!

- De repente, vindo não sei de onde –disse-me o Garné – uma senhora lancha passou perto de nós. Quase viramos! Sorte nossa a canoa não ser louca, senão... E continuou:

- O Zeca xingou, mas quem escutou alguma coisa naquela máquina barulhenta? Sabe que a danada foi mais uns quinhentos metros, deu a volta e veio de novo pra cima de nós? Novamente veio aquela maré danada de onda sobre onda, quase virando a nossa canoa. A danada parou há uns dez metros de nós. Achei que aquilo mais parecia uma mansão flutuando. Um bacana vermelho como tomate apareceu na proa e gritou:

- Aqui pega peixe no currico?

- Aí o Zeca, danado da vida que estava porque quase fomos a pique por duas vezes pelo mesmo idiota, respondeu de forma bem malcriada:

- Pega! Pega sim! Pega no currico, pega no cu pobre, pega na puta que pariu!

- Só então o bacana percebeu a besteira que fez. Eu, controlando o balanço com o remo n’água, me desmanchei em risada, enquanto o Zeca continuava emburrado. Esse é o Garné, do Baguari de fora!

Sugestão de leitura: Ser tão mar, de Jorge e Pedro Paulo.

Boa leitura!

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Opinião

O corte do Orçamento

O Estado de S.Paulo - Editorial
O corte de gastos anunciado pelo governo - R$ 50,1 bilhões - está longe de ser uma demonstração de ousadia política e de austeridade financeira, mas é bem-vindo. Pode ser o passo inicial das mudanças prometidas pela presidente Dilma Rousseff logo depois de sua eleição e reafirmadas no discurso de posse. As promessas incluem maior atenção à qualidade do gasto federal e à eficiência da administração, assim como alterações tributárias para tornar os impostos e contribuições mais compatíveis com as necessidades da economia. Se forem realizadas, essas mudanças serão muito mais amplas e muito mais complexas politicamente do que quaisquer inovações ocorridas no Brasil nos últimos oito anos.

Pouco mais de um terço do corte, cerca de R$ 18 bilhões, resultará de uma revisão da receita líquida prevista no Orçamento aprovado pelo Congresso. De certo modo, será um corte de vento, porque os congressistas, como de costume, haviam inflado a projeção do recolhimento de impostos e contribuições. Mas esse inchaço havia possibilitado a inclusão de um grande número de emendas parlamentares. A maior parte dessas emendas será podada, segundo anunciaram os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Miriam Belchior.

A eliminação dessas emendas tem um importante valor profilático. Representam, na maior parte, despesas de interesse estritamente local, mais compatíveis com os orçamentos municipais ou estaduais - isto na melhor das hipóteses. A apresentação de emendas tem propiciado fraudes, quase sempre detectadas com grande atraso pelos órgãos de controle.

Mas a fraude é apenas o efeito negativo mais visível de um sistema irracional e perdulário. A pulverização de recursos por meio de emendas de interesse paroquial diminui severamente a eficiência do gasto público.

O ritual orçamentário tem pouca relação com qualquer atividade classificável como planejamento e programação de ações de governo. Essa deficiência não se deve apenas ao absurdo critério das emendas. Deve-se também à rigidez do Orçamento, resultante em boa parte da vinculação de verbas e de uma política de pessoal inteiramente desvinculada de critérios de competência e de qualidade.

As providências anunciadas pelos dois ministros, na entrevista dessa segunda-feira, são insuficientes para mudar os padrões da política orçamentária. São, na maior parte, medidas de alcance muito limitado, como a restrição de viagens internacionais, com redução de 50% das despesas com diárias e passagens, e tetos para aquisição, aluguel e reforma de imóveis e de veículos.

Restrições como essas podem até resultar em perda de eficiência, se forem adotadas apenas para a obtenção de resultados de curto prazo. O mercado financeiro pode aplaudi-las como demonstrações de seriedade, mas bons padrões administrativos só serão alcançados com um trabalho muito mais ambicioso.

Os cortes deverão servir, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para permitir superávits primários mais parecidos com aqueles do período pré-crise. O ajuste, acrescentou, incluirá uma redução do crescimento econômico para um ritmo mais sustentável, em torno de 5% ao ano. Não serão abandonados, segundo Mantega, os padrões do governo anterior.

Essas declarações são preocupantes. Superávits primários maiores que os dos últimos dois anos só foram alcançados, antes da crise, graças ao crescimento da receita e da carga tributária. A relação entre a dívida líquida e o Produto Interno Bruto diminuiu durante algum tempo, mas essa melhora é em parte uma ilusão contábil.

A dívida bruta tem aumentado por causa de operações como o repasse de recursos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e a capitalização da Petrobrás. Quando o véu dos truques contábeis é afastado, o quadro fica muito menos bonito. Depois, a noção de um ajuste fiscal temporário é muito diferente das promessas da presidente Dilma Rousseff.

O Brasil ganhará, se o ministro mais uma vez estiver errado e suas palavras não corresponderem, de fato, às ideias presidenciais sobre gestão pública e tributação.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 01 / 03 / 2011

Folha de São Paulo
"Funcionário do Estado negocia dados sigilosos"

Sociólogo usa em sua empresa de consultoria informações secretas sobre a violência em SP; ele diz que tem permissão

O sociólogo Túlio Kahn, que é chefe da CAP (Coordenadoria de Análise e Planejamento) da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, vende serviços de consultoria nos quqais põe à disposição de empresas dados sigilosos sobre a violência no Estado, informa Mario Cesar Carvalho. Como sócio da Angra Consultoria, Kahn repassa a clientes informações cuja divulgação é vetada, “para não alarmar o público”. Entre elas, estão que tipo de bens é levado com maior frequência em assaltos a condomínio de São Paulo e quais os furtos mais comuns na região de Campinas.

O Estado de São Paulo
"EUA ameaçam usar a força e dizem que Kadafi deve sair já"

Washington reposiciona navios no Mediterrâneo e sinaliza possível operação militar com apoio europeu

Os EUA e países europeus alertaram Trípoli de que estão prontos para ir além de sanções para derrubar o ditador líbio, Muamar Kadafi. Washington reposicionou forças no Mediterrâneo e começou a coordenar com a Europa uma eventual ação militar. “Kadafi não tem mais legitimidade e tem de sair agora, sem violência nem adiamentos”, afirmou a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton. Ela afirmou que a mobilização militar americana estava relacionada a uma possível operação humanitária. Já o governo britânico admitiu que pode armar os rebeldes para apressar a queda de Kadafi. A diplomacia brasileira informou que não aceitará nenhuma ação unilateral.

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segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Lá de trás alguém gritou:

Vai dar m...

Frases

Um dia a casa cai...

“Eu diria que hoje nenhum gestor, seja prefeito de município, seja dirigente de órgãos estadual ou federal, pode mais confiar integralmente na impunidade. Não pode. Mesmo que o processo judicial demore, que ele possa confiar que dificilmente chegará a ser posto na cadeia, mas há outros tipos de sanções. São punições administrativas, são providências que o obrigam a devolver ao erário o dinheiro desviado. Além disso, há aquela sanção difusa da opinião pública, da sociedade, porque a imprensa divulga, toda a população fica sabendo o que aconteceu”.

Jorge Hage Sobrinho, ministro da Controladoria Geral da União

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Coluna do Rui Grilo

Para que serve o mapa da violência?

Rui Grilo
Um mapa é uma representação da realidade e serve para indicar direções, destinos. É como um exame médico que serve para indicar qual terapia, quais remédios empregar. No entanto, se o paciente não tomar porque não tem dinheiro para comprar ou porque não quer ou porque se esquece, não servirá para nada.

Não é isso o que aconteceu com o Jardim Ângela, fato reconhecido até pelo órgão da ONU responsável pela violência. Em um jornal da Globo News foram apresentados os seguintes dados: em 2003 havia 212 mortes violentas por cada 100 mil habitantes o Jardim Ângela era considerado um dos lugares mais violentos do mundo; em 2009 esse número caiu para 41. Foi milagre?

Não. O que houve foi uma intensa mobilização reunindo igrejas de diferentes credos, ONGs e outras entidades da sociedade civil e que forçaram os três níveis de governo a participar na elaboração e execução de propostas para resolver o problema.

Morava na região de Interlagos e os movimentos sociais dessa região tínham bastante contato e, às vezes, atuavam em conjunto. Então, tinha um certo conhecimento das ações que eram desenvolvidas na região.

Quando cheguei em Ubatuba, percebi que a cidade ainda não apresentava índices altos de violência mas era preocupante o avanço do tráfico de drogas e a falta de perspectivas dos jovens. Certo de que é mais fácil prevenir do que remediar, iniciei o Projeto Fundart Jovem que evoluiu para a produção dos Saraus, na Fundart, durante o governo Paulo Ramos. O objetivo desse projeto era viabilizar um espaço para apresentação das bandas e outros músicos e artistas que estavam começando. A possibilidade de se apresentarem num espaço público incentivava ao aperfeiçoamento e proporcionava um espaço de socialização e de lazer gratuitos.

No início da primeira gestão de Eduardo César convidei os membros do Projeto Redescobrindo o Adolescente na Comunidade (RAC) para apresentar sua experiência e lançar o livro que relata essa experiência e que foi financiado pela Telefonica. Esse projeto atende jovens que tenham cometido infrações e cumpram medidas socioeducativas, ou que estejam em situação de vulnerabilidade, isto é, convivam de perto com miséria e criminalidade graves.

Para esse evento, a Prefeitura cedeu uma van para o transporte e o Ubatuba Palace garantiu a estadia da equipe. Acho que eram uns cinco ou sete membros. Achei que a partir dessa experiência poderia se iniciar um trabalho de maior consistência e articulado, mas não foi isso que aconteceu.

Em seguida, trouxe o Ferréz, conhecida liderança do movimento HIP HOP e que fez dois debates: na Escola Estadual Idalina, no Ipiranguinha, com o pátio lotado; e no Deolindo. Essa parceria com o Capão Redondo continua até hoje. Outros grupos de lá já vieram para cá e algumas lideranças daqui participam de eventos lá.

Para Daniel Calazans e Eliomar Pereira, o Mazinho, moradores do Jardim Nakamura, no caso deles, o hip hop venceu a batalha contra o tráfico. "Caretas" convictos, fazem parte da banda Família NK, referência ao bairro onde moram. "Cantando, nosso objetivo é acrescentar pra molecada", diz Mazinho. "Aqui, a gente não tem em quem se espelhar. Com a Família NK, queremos fazer com que a galera tenha orgulho do Jardim Ângela.

Assim, o debate “Políticas Públicas para a Juventude”, realizado no dia 21/02, não é um trabalho isolado. É conseqüência da convivência e da relação professor/aluno e adulto/jovem que busca incentivar o protagonismo juvenil e a articulação e mobilização de toda a sociedade porque, como informa o manual do Curso de Prevenção ao Uso Indevido de Drogas:

“O desenvolvimento de ações para uma sociedade mais segura não exige o dispêndio de grandes recursos, mas a mobilização intensa a fim de trazer resultados significativos.


UNIDADE 15
Os conselhos comunitários podem ser catalisadores das demandas sociais, com pessoas aptas para detectar e visualizar problemas na comunidade, tomar as providências que se fazem necessárias no seu campo de atuação ou encaminhar a outros órgãos do estado, quando for o caso, para reduzir a violência e a criminalidade associada ao consumo de qualquer tipo de droga (lícita ou ilícita).”
(P.296/297)

E mais uma vez os participantes dos debates puderam perceber a ausência de representantes, tanto do Legislativo quanto do Executivo municipais. Para eles, o Mapa da Violência 2011, que aponta o aumento da mortalidade por homicídio de jovens entre 15 e 24 anos em 39,7% não diz nada porque são incapazes de olhar e fazer a leitura da própria realidade que os cerca.

Rui Grilo
Ragrilo@terra.com.br

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Opinião

Nova forma de ingresso e educação na universidade

Fernando F.Costa* - O Estado de S.Paulo
Baseado no mérito e no esforço pessoal, o vestibular tem e teve um papel importante na seleção dos alunos nas universidades públicas. Atualmente, porém, não há dúvida de que esse modelo padece de problemas sérios. Grande número de estudantes, principalmente aqueles oriundos das escolas públicas, potencialmente aptos para o curso superior em boas universidades, são excluídos de uma competição equitativa, ou nem mesmo se candidatam, porque os mecanismos de preparação para esses exames competitivos são claramente determinados pelas condições socioeconômicas.

Neste ano, paralelamente ao vestibular tradicional, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) dá início a uma nova forma de selecionar alunos que hoje são excluídos ou têm chance reduzida no sistema tradicional de seleção, sem abdicar do mérito acadêmico: o Programa de Formação Interdisciplinar Superior (ProFIS), que, sem prejuízo da forma tradicional de seleção de alunos da Unicamp - que é o vestibular -, cria 120 novas vagas, destinadas exclusivamente aos alunos que mais se destacaram na sua formação escolar nas escolas públicas de Campinas.

Nessa primeira experiência, o critério utilizado foi a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). No futuro, outras formas de avaliar a formação continuada do estudante poderão ser adotadas. Por exemplo, a nota obtida ao longo dos três anos do ensino médio, que vários dados apontam como talvez o melhor fator preditivo do desempenho do estudante na universidade.

É importante ressaltar que somente o primeiro ou os dois primeiros alunos de cada escola são classificados, assegurando que todas as escolas públicas de Campinas sejam representadas. Trata-se de um programa-piloto e, conforme os resultados que apresentar, o número de vagas do ProFIS poderá ser ampliado nos próximos anos. Dados recentes indicam que mais da metade das escolas públicas de ensino médio da cidade não tem nenhum de seus alunos entre os matriculados na Unicamp.

Além de testar uma nova forma de ingresso na universidade pública de qualidade, o ProFIS visa a oferecer aos estudantes uma visão geral do conhecimento universitário, antes de eles se decidirem por uma carreira específica. Assim, o programa prevê que, durante dois anos, os estudantes cursarão disciplinas de caráter amplo, em todas as áreas do conhecimento: cursos especialmente organizados para que, além da formação cultural e científica, se preparem para escolher a sua área específica de formação acadêmica e profissional. Após esses dois anos iniciais, eles escolherão um dos cursos já existentes na Unicamp, e o preenchimento das vagas será realizado com base no seu desempenho nas disciplinas obrigatórias que compõem o programa.

Não se trata, portanto, de uma mera proposta de aumento de vagas, tampouco de uma forma de reduzir a competitividade, mas sim de criar um novo modelo de seleção para alunos de graduação e de experimentar uma nova resposta a um dos principais desafios apresentados à universidade contemporânea: formar jovens dotados de cultura ampla e espírito científico, capazes de realizar julgamentos críticos e independentes e preparados para o exercício da cidadania e para o mundo do trabalho.

A formação geral na universidade é um tópico cada vez mais reconhecido em todo o mundo e também no Brasil como extremamente importante em nosso tempo, em que as principais riquezas dos países são a extensão do conhecimento e a capacidade de inovação tecnológica. Oferecer formação geral no nível universitário não é uma necessidade decorrente apenas das alterações no perfil das escolas de ensino médio, mas também do fato de que o conteúdo crescente das diversas áreas do conhecimento não pode ser acomodado dentro de um programa tradicional de graduação profissionalizante de quatro ou cinco anos.

Da forma como se estrutura o ensino superior hoje em nosso país, a escolha definitiva do curso é feita, muitas vezes, sem uma visão mais ampla dos vários campos do conhecimento e até mesmo daquele selecionado. O resultado é que os formandos das universidades terminam por se verem imersos no competitivo mercado de trabalho com 21 ou 22 anos, sem possibilidade de ampliar seus conhecimentos para além de disciplinas técnicas de seu curso.

Não surpreende, portanto, que muitos utilizem os conhecimentos adquiridos na universidade para exercer uma profissão outra, diferente da sua área de formação técnica: vários dados disponíveis mostram que aproximadamente metade dos profissionais regulamentados não atua em sua área de formação. Ou seja, a exigência de uma precoce definição profissional produz um efeito curioso: a universidade termina por ser, sob esse ponto de vista, uma maneira pouco eficiente de oferecer formação não especializada para mais de metade dos egressos.

É certo que a resolução dos problemas do ensino superior no País depende da implantação de eficientes políticas públicas, que devem incluir, além do incremento na qualidade do ensino médio, a expansão e a diversificação do ensino superior público. Também é certo, no entanto, que cabe à universidade apresentar soluções conceituais para o enfrentamento das graves questões da educação pública no Brasil.

Esse é o escopo do ProFIS. Por meio dele, a Unicamp, sem abrir mão do critério de mérito acadêmico, acaba de criar um curso inovador, que explora novos métodos de acesso à universidade e busca proporcionar a formação geral e qualificada indispensável para a atuação de profissionais capazes de raciocínio independente e crítico, dotados de responsabilidade técnica, ética e social e com conhecimentos adequados para contribuir para o progresso da sociedade brasileira neste século.

*Reitor da Unicamp

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 28 / 02 / 2011

Folha de São Paulo
"Oposição na Líbia decide criar conselho de transição"

Secretária de Estado dos EUA promete ajuda a manifestantes; Gaddafi reafirma que fica no cargo

Rebeldes em Benghazi, leste da Líbia, criaram um conselho de transição que pretende ser o embrião de um governo pós-Gaddafi. O ditador voltou a afirmar que não vai abandonar o poder. Depois de 13 dias de revolta, cresce o número de cidades em poder da oposição.

O Estado de São Paulo
"Rebeldes fecham cerco a Trípoli"

Insurgentes planejam tentativa de tomada da cidade, último bastião de Kadafi, nos próximos dias

Os rebeldes líbios nas cidades próximas a Trípoli, como Al-Zawiyah, preparam a tomada da capital. “Não temos medo, não temos fome, não temos sede, não temos cansaço. Por muitos anos tivemos nossas cabeças na alça de mira de Muamar Kadafi. Agora chegou a hora da liberdade”, disse ao Estado um dos insurgentes, em referência ao ditador do país. Reunidos às centenas em cada vilarejo, armados de fuzis AK-47 e espingardas de caça e comunicando-se por meio de rádios e celulares, os revoltosos coordenam as ações para o que chamam de “Batalha de Trípoli”, o assalto simultâneo da capital previsto para os próximos dias. Entre os insurgentes, uma palavra de ordem é repetida à exaustão: revolução.

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domingo, fevereiro 27, 2011

Século XIX

Jornaleira em Ludgate Circus, Londres, 1893. Foto: Paul Martin

Frases

De pobres e banqueiros...

Esse é o sucesso do nosso governo. Conseguimos beneficiar a população como um todo. Mais os pobres e menos os banqueiros. Mas nós beneficiamos pobres e banqueiros. Não é uma beleza?

Guido Mantega, ministro da Fazenda

Nota do Editor - O Ministro tem razão. Pobres e banqueiros foram beneficiados. A relação faz lembrar um quadro do programa Silvio Santos. "Tostão e Milhão". Ou coisa assemelhada. Nos últimos tempos os pobres ganharam tostões e os banqueiros milhões. Um tostão para quem não tem nada é mais do que um milhão para quem tem tudo. Os pobres ficaram felizes. Os banqueiros também ficaram felizes, embora entediados. Sidney Borges
 
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Opinião

Economia reacende divergência no PT

Esquerda do partido ataca corte de gastos e política de juros de Dilma, a exemplo do que fez com Lula na reforma da Previdência

Roldão Arruda - O Estado de S. Paulo
O estilo de governar dos petistas Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva pode ser diferente, como já tem sido dito. Há, porém, uma característica idêntica entre os dois que está ficando cada vez mais evidente: a capacidade de, no início do mandato, irritar a ala à esquerda do PT.

Olhando com atenção é possível notar também a presença de um personagem comum nas duas histórias: Antonio Palocci. Ministro da Fazenda na partida do governo Lula e chefe da Casa Civil com Dilma, tanto antes como agora ele tem sido apontado como mentor de medidas econômicas que, segundo os críticos, ficariam melhor no ideário neoliberal do que no petismo.

Em 2003, a esquerda atacou a proposta de reforma da Previdência e as metas de superávit primário, que ficavam acima das estabelecidas no governo anterior, do tucano Fernando Henrique Cardoso, e significavam contenção de gastos. Agora, critica-se a forma como Dilma quer frear a inflação, com mais juros e redução de gastos.

Em artigo postado no site do PT, o consultor Vladimir Pomar, um dos fundadores do partido e coordenador da campanha de Lula, em 1989, diz que as medidas adotadas por Dilma tendem a comprimir o consumo e favorecer a continuidade da miséria. "Superar a miséria significa, em termos bem precisos, elevar o poder de consumo de alguns milhões de brasileiros desprovidos dessa capacidade", diz ele.

Na maior central sindical do País, a CUT, vinculada ao PT, o presidente Artur Henrique também critica a opção do governo: "Sou contra a ideia de que o único instrumento para controlar a inflação é o aumento da taxa de juro, com redução da demanda".

Coro. Os dois engrossam um conjunto de vozes que começou a ganhar evidência na reunião do Diretório Nacional do PT, no dia 10. Na ocasião, tanto o presidente José Eduardo Dutra quanto José Dirceu, um dos líderes da corrente Construindo um Novo Brasil, a mais forte no partido, manifestaram preocupação com as medidas de Dilma. Dirceu, repetindo o que já havia dito em seu blog, também bateu na tecla de que aumentar juro não é a única forma de se combater a inflação e ainda citou casos de países que adotaram saídas diferentes, como Chile, Turquia e Rússia.

Não foram os únicos. Outros integrantes do diretório, com menor projeção política, também manifestaram preocupação, cuidando para que suas declarações não fossem tornadas públicas, nem aparecessem no documento final da reunião.

Markus Sokol, da corrente O Trabalho, situada na ponta extrema da esquerda, distribuiu um documento no qual afirmava, entre outras coisas, que "o povo não votou por arrocho salarial e redução de despesas". O deputado estadual Raul Pont (PT-RS), da corrente Democracia Socialista, também manifestou preocupação. Disse que o governo Lula só acertou o passo quando apostou no crescimento econômico, com o PAC e a nomeação de Guido Mantega para a Fazenda.

Para Pont, a política econômica do início do governo Lula, que parece trilhada por Dilma, foi desenhada por Palocci, hoje na Casa Civil. "Acho que o PT deve chamar o Mantega para pedir explicações", afirma.

Na semana passada, o PC do B, partido da base aliada do PT, fez um disparo mais direto. Altamiro Borges, integrante do Comitê Central, divulgou um artigo no qual dizia: "As velhas teses ortodoxas voltaram a ganhar força no Palácio, sob o comando do todo poderoso ministro Antonio Palocci".

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