sábado, janeiro 15, 2011

Ubachuva em foto


As fotos dizem muito

José Ronaldo dos Santos
Ontem, depois de olhar a imagem da situação do “Cais do Porto”, de Ênio Taddei, e de receber uma mensagem de alguém sensibilizada pela situação atual do “Nosso Horto”, eu fiquei ainda mais convencido do poder das imagens, de como somos imagéticos. Por isso resolvi, sempre que for possível, acrescentar imagens aos meus textos.

Hoje escolhi somente duas fotos. Elas são de um pequeno trecho da rodovia Oswaldo Cruz, no bairro Morro das Moças. Porém, desde a Marafunda até o início da serra, quem quiser poderá constatar: à natureza cabe a incumbência de zelar –também! – pela calçada e pela ciclovia construída por ocasião da restauração/remodelação da citada rodovia.

Do lado direito de cada foto, encoberta parcialmente por mato, existe calçada destinada aos pedestres. De quem é a custosa missão, a exigente tecnologia de manuseio de uma enxada?

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Opinião

Comércio exterior do País depende de cinco produtos

O Estado de S.Paulo - Editorial
O jornal Valor mostrou há poucos dias como as exportações do Brasil dependeram de um número reduzido de commodities e também do mercado chinês: cinco commodities (minério de ferro, petróleo bruto, complexo soja, açúcar e complexo carne) representaram no ano passado 43,3% do total das exportações, compradas essencialmente pela China.

O Brasil virou exportador de commodities, enquanto durante muitos anos procurou criar uma indústria capaz de substituir os produtos manufaturados importados - o que, nos últimos anos, parecia uma tentativa bem-sucedida. Ora, o que aparece é um crescimento constante da participação de cinco commodities no total das exportações. Tais produtos, em 2004, eram responsáveis por 20,04% das exportações, e essa participação mais que dobrou até 2010.

O minério de ferro é o grande responsável por essa evolução, e seu preço em dezembro de 2010 era 142,2% maior do que no mesmo mês de 2009, e o volume exportado, 27,2% maior. O mercado chinês é o maior comprador do minério, cuja exportação, que cresceu regularmente nos últimos anos, representou 4,53% das exportações totais em 2004 e 14,3% no ano passado.

Convém notar que a China está comprando minas de minério de ferro ao redor do mundo, para assegurar seu abastecimento, ao mesmo tempo que está constituindo estoques com a perspectiva de forçar uma baixa dos preços dessa commodity no futuro, uma vez que a sua produção de aço deverá se estabilizar em um prazo não muito longo.

Um outro produto que teve forte elevação de preço foi o açúcar, mas com flutuação ao longo do período, indicando que a sua exportação é muito ligada às condições climáticas.

O petróleo bruto também exibiu um forte aumento nas exportações: sua participação no total passou de 2,62% em 2004 para 8,48% no ano passado. Podemos imaginar que essa participação vai aumentar com a exploração do pré-sal, mas é provável que seu preço cairá.

O Brasil apresenta uma diferença dos outros países exportadores de commodities: tinha realizado com sucesso uma política de substituição das importações de produtos manufaturados, mas desde o ano passado a sua produção industrial estagnou, enquanto aumentavam os componentes importados na sua produção, e a participação de manufaturados no total das exportações caía de 44,0%, em 2009, para 39,4%, no ano passado, crescendo apenas 17,7%, para um crescimento total de 31,4%.

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Manchetes do dia

Sábado, 15 / 01 / 2011

Folha de São Paulo
"Governo do RJ sabia desde 2008 dos riscos na região da tragédia"

Estudo apontou problemas em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, áreas mais atingidas;
Secretário afirma que faltou 'apenas' retirar os moradores;
Mortos já são no mínimo 547.

O risco de um desastre na região serrana do Rio de Janeiro, como o que ocorreu nesta semana e já deixou pelo menos 547 mortos, havia sido apontado desde novembro de 2008 em um estudo encomendado pelo próprio governo do Estado, informa Evandro Spinelli. A situação mais grave, segundo o relatório, foi identificada exatamente em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, cidades com o maior número de mortes em razão das chuvas intensas. Segundo a geógrafa Ana Luiza Coelho Netto, professora da UFRJ e coordenadora do trabalho, o estudo visava apontar regiões vulneráveis, mas não detalhava pontos exatos de risco para os habitantes. O secretário do Ambiente do Rio, Carlos Minc, disse que faltou "apenas" retirar os moradores.
Dias antes da chuva, a Promotoria preparava ação contra a Prefeitura de Teresópolis por ocupação irregular de área de risco, relata Hudson Correa.

O Estado de São Paulo
"Sobreviventes sofrem com falta de água, comida e remédio no RJ"

Tensão na região serrana favorece a disseminação de boatos sobre saques e rompimento de barragem

Três dias depois do temporal que arrasou parte da região serrana do Rio e matou ao menos 540 pessoas, o desespero toma conta dos sobreviventes nos oito municípios atingidos, numa área que equivale à cidade de São Paulo. "A comida esta acabando, a água, os remédios, tudo", relata Letícia Santos, moradora de São José do Vale do Rio Preto, que continua isolada. Os boatos se multiplicam. Em Nova Friburgo, houve correria após informações infundadas sobre o rompimento de uma barragem. Em Teresópolis, uma loja foi assaltada, mas logo se espalharam relatos de arrastões e tiroteio e comerciantes baixaram as portas. No ginásio da cidade, onde estão 280 desabrigados, o atendimento é improvisado: uma caixa de papelão serve como tala. Ontem, 225 homens da Força Nacional de Segurança chegaram para auxiliar nas buscas e na manutenção da ordem pública.

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sexta-feira, janeiro 14, 2011

Zuzo bem?

Sexta chuvosa

O fim dos tempos

Sidney Borges
Isaac Newton afirmou que matéria atrai matéria na razão direta das massas e na razão inversa do quadrado das distâncias. Quem me apresentou a Newton foi dona Neusa, competente professora de Geografia do Ginásio Estadual Frei Paulo Luig, em 1960. Decorei a Lei da Gravitação Universal e passei nas provas com louvor, mas só fui entender do que se tratava anos depois, no Científico. A consolidação dos ensinamentos newtonianos aconteceu de fato no cursinho, com as aulas do Ramalho.

Diz a lenda que Newton viu uma maçã cair e teve um instante de iluminação. Saiu correndo, pegou papel e lápis e começou a escrever coisas que mudariam o mundo. Não sei se foi exatamente assim que aconteceu, embora já tenha lido algumas dezenas de versões da vida do notável cientista, o processo de "descoberta" ainda me é misterioso.

Neste final de ano trágico-chuvoso li uma biografia do mestre comprada em Cambridge, numa livraria pertinho do Trinity College, onde Newton fez a graduação a partir de 1661 e permaneceu ensinando e escrevendo seus mais significativos trabalhos sobre Matemática e Física até 1696.

Pois é, nesse livro lido tardiamente fiquei sabendo que após estudar a Bíblia por mais de 40 anos e descobrir revelações ocultas na sagrada escritura, Newton fixou uma data para o fim dos tempos. O mundo vai acabar em 2060.

Confesso que não sou dado a credulidades, na verdade sou cético, mas sendo a previsão da lavra de Newton a chama da desconfiança acendeu-se em minha mente, não digo alma porque não acredito em alma. Abro o jogo: também não acredito em duendes, marcianos e xupacabras. Em políticos honestos eu acredito, existem aos montes. São verdes e têm cabelos azuis. Você certamente já viu algum.

Confrontado com a perspectiva do fim, fiquei lívido, depois, pensando melhor, percebi a triste realidade. Em 2060 terei esticado as canelas há muito tempo, não sou longevo como Oscar Niemeyer e Dona Canô, mãe de Caetano Veloso, que já deixaram longe os 100 anos.

Certas práticas do grande cientista me surpreenderam, soube que ele teria praticado alquimía para transmutar chumbo em ouro. Enquanto o metal dourado não brotava do cadinho Newton fez cálculos e mais cálculos com a finalidade de determinar o raio de curvatura do inferno.

Como podem ver meus leitores, até os gênios perdem precioso tempo em elocubrações inúteis. Quem disse que o inferno é curvo? Tenho plena certeza que é cúbico, a busca deveria ter sido pela aresta e não pelo raio.

Enfim, ninguém é perfeito.

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Sacou?

Coluna do Celsinho

Mamãe e Papai

Celso de Almeida Jr.
A vida, curtinha, sempre reserva experiências que não escapam da memória.

Uma que marcou bastante foi assistir a negociação entre a minha mãe com a diretora da escola onde eu iniciei meus estudos, na capital paulista.

As mensalidades escolares atrasadas poderiam inviabilizar a minha continuidade naquele colégio.

Foi a generosidade da Irmã Paxis, rígida comandante daquele instituto católico, que garantiu a minha permanência.

Aquela cena sempre retorna quando alguma mãe ou pai de nossa escola enfrenta uma situação de crise e vem buscar ajuda.

Nesta hora crítica, sempre é bom lembrar que dificuldades podem atingir a qualquer um e não se deve duvidar da idoneidade de alguém pelos problemas financeiros que enfrenta.

A iniciativa de minha mãe e a compreensão daquela diretora permitiu uma base extraordinária, garantindo uma transição suave quando fiz a estréia no inesquecível Sesi nº15, que funcionou bem ali na esquina da Conceição com a Rio Grande do Sul.

Meu pai, corajoso, construiu a sua oficina mecânica no final da rua Cunhambebe. Recordo-me de lhe passar os pregos e o martelo para a montagem do galpão, feito somente por ele, sob a supervisão de meu olhar infantil admirado. Sem dúvida, outra cena muito distante que me acompanhará sempre.

Assim, com as próprias dificuldades domésticas, não necessitei estudar biografias famosas para encontrar inspiração na superação de obstáculos.

Aprendi no cotidiano, com o exemplo de pessoas próximas, que o trabalho persistente, o estudo e o pleno exercício da cidadania são os ingredientes para a construção de uma vida digna.

Certamente estas rápidas lembranças, com os devidos ajustes, são comuns na história de todos.

Creio que tais ensinamentos cotidianos e as experiências acumuladas valem passar adiante, aos filhos, amigos e, no meu caso, a quem resolva dedicar atenção a algumas linhas.

Ao escrever não aspiro ser um conselheiro ou um santo que oficia. Quero, apenas, compartilhar uma visão de mundo e, quem sabe, contribuir um pouquinho para a libertação de pensamentos reféns de situações ou de pessoas pouco escrupulosas; estas sim, especialistas em atropelar valores fundamentais; desconhecedoras do real significado da palavra família.

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Opinião

A tragédia fluminense

O Estado de S.Paulo - Editorial
Desastres naturais de proporções assustadoras, como os que ocorreram na região serrana do Rio de Janeiro, geralmente são causados por uma rara combinação de fatores, como uma chuva de intensidade anormal, a existência de solo encharcado e instável em decorrência de chuvas anteriores, declives acentuados, falta de vegetação adequada, entre outros. Mas desastres como esses só se transformam em tragédias humanas porque, com a tolerância e até o estímulo irresponsável do poder público, áreas sob risco permanente de deslizamentos são ocupadas desordenadamente. Na região serrana fluminense, nas encostas e nas áreas devastadas pela avalanche de lama e pedras encontram-se desde favelas até residências de padrão elevado, sítios de lazer e hotéis de luxo.

A ocorrência, há décadas, de tragédias semelhantes à registrada agora em Teresópolis, Nova Friburgo, Petrópolis e Sumidouro - os municípios mais afetados pelos deslizamentos que, além das centenas de mortes, provocaram o caos, com a interrupção dos serviços urbanos essenciais, o que dificultou ainda mais o socorro às vítimas - deveria ter servido de alerta às autoridades no sentido de adotar medidas preventivas para, pelo menos, reduzir os efeitos das tempestades de verão. Em 1967, a região de Petrópolis foi duramente castigada por um temporal que provocou a morte de 300 pessoas. No ano passado, deslizamento em Angra dos Reis matou 53 pessoas e desalojou outras 3.500. Em todo o Estado do Rio, desastres naturais decorrentes das chuvas provocaram a morte de 74 pessoas em 2010.

A liberação imediata de R$ 780 milhões do governo federal - por meio de medida provisória assinada pela presidente Dilma Rousseff -, para auxiliar os Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo e os municípios mais afetados pelas chuvas recentes, permitirá o início rápido de obras e serviços de recuperação da infraestrutura danificada ou destruída. O dinheiro se destinará também a socorrer as vítimas e, na medida do possível, restabelecer a normalidade nas localidades mais atingidas. Certamente essa verba é insuficiente para tudo isso, mas sua rápida liberação - da mesma forma que a liberação de 7 toneladas de remédios e materiais médicos e o envio de homens da Força Nacional de Segurança Pública para auxiliar no socorro às vítimas - autoriza a esperança de que as coisas mudem com o novo governo.

O que não houve, até agora, foi a decisão de impedir que as tempestades que açoitam a região serrana todos os verões produzam tragédias como a de quarta-feira. Desde sempre, as autoridades locais, às quais compete regulamentar e fiscalizar o uso do solo e impedir a construção de moradias em áreas de risco, como as encostas e as regiões sujeitas a inundações, assistiram impávidas à ocupação desordenada dessas áreas.

Na esfera federal, a verba reservada no orçamento do ano passado do Ministério da Integração Nacional para o Programa de Prevenção e Preparação para Emergência e Desastres era de R$ 425 milhões, mas apenas R$ 167,5 milhões foram aplicados, de acordo com levantamento da organização não governamental Contas Abertas, com base em dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) do governo.

Nenhum centavo dos R$ 450 mil previstos para "apoio a obras preventivas de desastres/contenção na estrada Cuiabá" (em Petrópolis, uma das áreas onde houve deslizamentos) foi aplicado. Nova Friburgo, que registrou o segundo maior número de mortes na quarta-feira, deveria receber R$ 21,5 milhões para "obras de pequeno vulto de macrodrenagem", mas nada recebeu, de acordo com reportagem do jornal O Globo.

Foi graças à imprevidência das autoridades - para não dizer descaso - que se repete em 2011 a tragédia de 1967. Além de afetar dolorosamente a vida das famílias, a falta de projetos e ações destinadas a evitar a ocorrência de desastres naturais em áreas ocupadas por residências tem um forte impacto financeiro. Por não aplicar o que pode em prevenção, o governo acaba tendo de gastar muito mais em obras de recuperação. Que a presidente Dilma aproveite este primeiro desafio a que é submetida para demonstrar que não veio apenas para continuar o que Lula fez.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 14 / 01 / 2011

Folha de São Paulo
"Corte de água e luz e risco de falta de alimentos agravam tragédia"

Mortos no RJ passam de 500, e desabrigados são mais de 13 mil; Dilma visita área e critica a ocupação irregular de encostas; Cabral culpa municípios; Governo autoriza uso do FGTS

O dia seguinte à maior tragédia que já atingiu o Estado do Rio, com 508 mortos contados ate às 22h50, foi marcado por saques, cortes de água e luz e risco de falta de alimentos. Na região serrana, desabrigados e desalojados já superam 13 mil. Em Nova Friburgo, moradores buscavam no lixo comida e remédios jogados fora por comerciantes que tiveram lojas inundadas. Telefones não funcionavam. Em Petrópolis, casas e pousadas de luxo foram saqueadas. Em Teresópolis, onde falta água, a prefeitura estima que haja mais mortos em lugares ainda inacessíveis; a identificação é difícil, e famílias chegaram a brigar pelo mesmo corpo. O governador Sérgio Cabral (PMDB), que sobrevoou a área com a presidente Dilma Rousseff (PT), voltou a culpar as cidades pela ocupação irregular das encostas. Em 2010, Estado e União gastaram muito mais para remediar desastres do que para preveni-los - o Rio investiu em prevenção só um décimo do despendido com os estragos em Angra. O governo autorizou trabalhadores de áreas afetadas pelas chuvas a sacar até R$ 4.650 do FGTS.

O Estado de São Paulo
"Total de mortos supera 440 no RJ; destruição atrapalha buscas"

Deslizamentos na região serrana são considerados pela ONU os maiores já ocorridos no Brasil

A tragédia na região serrana do Rio, provocada pelo maior deslizamento de terra da história do Brasil, segundo a ONU, ganha contornos cada vez mais dramáticos. Até as 19 horas de ontem, as prefeituras contabilizavam 446 mortos em quatro municípios: Teresópolis, Nova Friburgo, Sumidouro e Petrópolis. Há 8.320 pessoas desalojadas (retiradas de casa) e 6.270 desabrigadas (que perderam as casas). Como as equipes de resgate ainda não conseguiram chegar a todas as áreas atingidas pelas chuvas de anteontem, o número de vítimas deve crescer. Há distritos devastados e completamente isolados, como São José do Vale do Rio Preto, e já há desabastecimento. Voltou a chover ontem e a Defesa Civil de Friburgo interrompeu as buscas diante da ameaça de novos deslizamentos. A previsão é de mais chuva nos próximos dias.

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quinta-feira, janeiro 13, 2011

Ubatuba em Foco


“Nem só de mato vive o Horto Florestal”

José Ronaldo dos Santos
“A Estação Experimental do Horto Florestal ainda continua com este nome?”. Esta pergunta foi dirigida ao doutor Gentil, o engenheiro da entidade, há pouco mais de oito anos, pelo senhor Brasiliano. Ele não aceitava a resposta de que faltava gente para reerguer o privilegiado espaço de pesquisa e de outras potencialidades.

Os anos passaram-se, inclusive para as edificações que foram se assemelhando a ruínas. Os técnicos foram se aposentando; os braçais idem. Assustei-me no ano passado pelo mato em torno do campo de futebol, do bar, da casa onde funcionava um albergue da juventude. Até em torno da escola José Celestino Aranha, um dos estabelecimentos mais antigos do município, estava difícil de circular. Senti saudades de muitos momentos vividos ali desde o tempo das partidas de futebol (categoria dente-de-leite, dirigida pelo saudoso Rubens Salles de Oliveira), ainda na década de 1970, quando as famílias compareciam para prestigiar seus filhos e amigos. A administração zelava pelos equipamentos e pelo impecável gramado. Tudo transpirava vida; tudo transbordava alegria. Era expressão do meu pai naquelas ocasiões: “Isso aqui é um brinco! Só temos de agradecer pelos cuidados e continuar zelando disso tudo!”.

Diante da situação atual, li algumas manifestações em favor da revitalização daquele lugar. A resposta da administração atual a uma munícipe inconformada por tamanho descaso ao entorno do campo do Horto, em abril de 2010, num jornalzinho local, diz: “Está em andamento o repasse da área para o município e a nossa intenção é fazer o que for necessário para a transformação do local em um espaço dedicado à prática de esportes e à realização de eventos diversos. Os bairros adjacentes à área são dos mais populosos de Ubatuba, obrigando cerca de 23 mil moradores, o que significa uma grande demanda de locais para a realização de eventos de caráter cultural, social e esportivo. Por isso estamos realmente empenhados em fazer daquele espaço um lugar bonito e atraente, que chame a atenção de quem passe pela Rodovia Oswaldo Cruz e sirva como área de lazer e para o desenvolvimento de ações de interesse comum”. Hoje, quase um ano depois, já sabendo que a área agora está sob comando (?) da prefeitura, pergunto:

1- Falta quanto tempo para acontecer a maravilha anunciada?
2- Qual será o significado de lugar bonito e atraente aos “administradores sérios”?
3- Ações de interesse comum significa deixar a capoeira se formar para servir de pasto e corte de arbustos para lenha?
4- Eventos diversos incluem também drible a sapos, ratos, cobras e lixos deixados pelos sem-noção?

Finalmente, um pedido àqueles que não perceberam ainda que nem só de mato deve viver o “Nosso Horto”, sobretudo os “nobres edis, o prefeito e seus colaboradores”, sustentados que estão por nossos impostos:

- Recuperem o desejo de tornar aquela área um grande espaço de lazer e de outras ações de interesse comum. Deem ao menos a ordem para roçar.

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Opinião

As finanças dos Estados

O Estado de S.Paulo - Editorial
A dramática situação financeira encontrada por alguns governadores que iniciaram seu primeiro mandato em 1.º de janeiro mostra que a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) - que já produziu resultados muito satisfatórios, moralizou a gestão das finanças públicas em todos os níveis e inibiu fortemente o mau uso do dinheiro do contribuinte - não foi observada por seus antecessores.

Dos 14 novos governadores (os demais foram reeleitos), pelo menos 6 enfrentam sérios problemas de caixa e não estão podendo pagar em dia diversos compromissos, como repasses devidos aos municípios, pagamento da parcela da dívida com a União e de fornecedores. É um quadro preocupante, que deve resultar em pressões políticas sobre o governo federal, que também tem problemas na área fiscal.

Uma das situações mais graves, segundo reportagem do jornal O Globo, é a do Rio Grande do Norte, onde a equipe da nova governadora, Rosalba Ciarlini (DEM), encontrou em caixa apenas R$ 611 mil, e, até o dia 4 de janeiro, venceram compromissos de R$ 48,6 milhões (repasse da parcela constitucional do ICMS para os municípios de R$ 24,1 milhões, pagamento de R$ 14,5 milhões do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica, Fundeb, e R$ 10 milhões da parcela da dívida com a União), que não foram honrados.

Situação difícil encontraram também os governadores da Paraíba, do Pará, do Amapá, de Goiás e do Distrito Federal. Em alguns desses Estados, os novos secretários da Fazenda explicam que, no ano passado, a queda dos repasses da União por meio do Fundo de Participação dos Estados (FPE) complicou a situação financeira.

Mas essa queda era de pleno conhecimento dos antigos governadores, que deixaram parte da conta para ser paga por seus sucessores (na forma de restos a pagar, isto é, despesa autorizada num exercício fiscal, mas só quitada no exercício seguinte ou até mesmo mais tarde), sem, porém, reservar recursos suficientes para isso.

A LRF é clara ao determinar que o administrador público não pode, nos últimos dois quadrimestres de seu mandato, autorizar despesas que não possam ser quitadas ainda durante seu período de governo ou deixar parcelas para serem quitadas nos exercícios seguintes, sem que haja suficiente disponibilidade de caixa para isso. A Lei de Crimes Fiscais, por sua vez, estabelece que, se o administrador não respeitar essa determinação, estará sujeito a pena de reclusão de um a quatro anos.

A aplicação rigorosa dessas leis em casos como esses certamente inibiria a sua repetição. Mas o Tribunal de Contas da União (TCU), como lembrou o economista Raul Velloso ao jornal citado, tem tolerado o lançamento de restos a pagar por administradores em fim de mandato, desde que o seu valor não supere o do início de seu mandato.

Sem ter como pagar a conta, os governadores deverão pedir socorro ao governo federal, como anunciam que farão alguns dos que enfrentam problemas graves. Embora autorize transferências voluntárias de um ente da Federação para outros (da União para os Estados, por exemplo), a LRF estabelece condições rigorosas para que o interessado receba o benefício.

O Estado que pleiteia transferências da União deve estar em dia com o pagamento de tributos, empréstimos e financiamentos devidos ao governo federal e com a prestação de contas de recursos que obteve antes, ter cumprido os limites constitucionais de aplicações em educação e saúde e estar dentro dos limites legais para a dívida líquida, para o lançamento de restos a pagar e para as despesas com pessoal.

Evidentemente, além disso, o governo federal precisa dispor de recursos, o que não parece certo, dada a difícil situação fiscal encontrada também pela presidente Dilma Rousseff, e concordar em sacrificar suas finanças para ajudar alguns Estados. Se fizer isso, governadores de outros Estados, em situação financeira mais confortável, buscarão benefícios semelhantes. Se ceder, o governo Dilma enfraquecerá os princípios da responsabilidade fiscal.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 13 / 01 / 2011

Folha de São Paulo
"Estado do Rio enfrenta a pior chuva em mais de 4 décadas"

Contagem de vítimas somava mais de 270 e ainda deve crescer muito
Defesa civil local ignorou alertas recebidos
Bebê de seis meses sobrevive após ficar 12 horas soterrado

Madrugada de muita chuva - prevista pelos institutos de meteorologia, mas ignorada pela Defesa Civil local - causou destruição e morte em proporção inédita na região serrana do Rio. Até as 23h, mais de 270 corpos já haviam sido encontrados em Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis, as cidades mais atingidas. A expectativa é que os números cresçam, superando os 300 mortos registrados na cheia de 1967 na região metropolitana do Rio. Corpos eram guardados em escolas e igrejas. Por todo lado havia casas sob a lama, carros sobre muros, vias interditadas. "Nunca vi nada igual - nem nos deslizamentos de Angra", disse o vice Luiz Fernando Pezão, que substitui Sérgio Cabral, em férias no exterior. Nove helicópteros atuavam no resgate, dois da Marinha, que também cedeu um hospital de campanha. Bebê de seis meses saiu vivo depois de 12 horas sob escombros.

O Estado de São Paulo
"Chuvas causam maior tragédia natural do Brasil em 44 anos"

Num único dia, deslizamentos matam pelo menos 237 em três municípios da serra no Estado do Rio

Em poucas horas, um temporal na madrugada de ontem matou pelo menos 237 pessoas em três municípios da região serrana do Rio - 122 em Teresópolis, 97 em Nova Friburgo e 18 em Petrópolis. Na maior catástrofe natural desde 1967 no Brasil, deslizamentos de toneladas de terra, quedas de pedras gigantescas e enxurradas de lama comparadas a tsunamis tomaram bairros inteiros. O número de vítimas pode subir, pois equipes de resgate têm dificuldade de acesso aos locais dos desmoronamentos. Em Friburgo, três bombeiros foram soterrados enquanto tentavam salvar moradores. Ha falta de água, energia elétrica e telefone. Além da ocupação irregular de encostas, comum na região, geó1ogos apontam que a tragédia foi agravada por um fenômeno raro, a "corrida de lama e detritos”, quando uma série de deslizamentos acontece ao mesmo tempo. O governador Sérgio Cabral, que esta fora do País e só hoje deve chegar às áreas atingidas, pediu ajuda da Marinha.

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Ueba! O circo chegou...

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Meteorologia

Tristes chuvas de verão

Sidney Borges
No Natal de 1960 o rio Tamanduateí transbordou e o seu Manoel da padaria errou a ponte e mergulhou o Chevrolet 34 na correnteza. Morreram ele e três filhos pequenos. Nesse dia também morreram atropelados dois vizinhos, pai e filho, não recordo os nomes, eu era pequeno. Choveu muito naquele ano.

De lá para cá, tirando dois ou três verões em que houve seca, a história se repetiu. Ruas alagadas, deslizamentos, mortos, feridos, desabrigados e gente aproveitando a desgraça para faturar politicamente.

O que mais incomoda é que não existe solução para o problema, apenas paliativos. Na verdade tenho como certo que a tendência é piorar.

Um dia todos terão condições de moradia digna, longe de regiões alagadiças e encostas instáveis. Quando acontecer os dramas humanos diminuirão. Até lá teremos choro e ranger de dentes nos jornais da televisão.

Felizmente em maio ou junho tudo será esquecido. Mas que ninguém pense que as coisas mudaram. Em dezembro ou janeiro tem reprise.

Num passado recente a cidade de Blumenau foi vítima de enchentes. A região que mais sofreu com a cheia esteve desabitada durante séculos. Quando os colonizadores chegaram houve resistência por parte dos índios que viviam na região. No entanto, quando os brancos começaram a construir na margem do rio eles não protestaram.

Alguém notou esse comportamento e foi tirar stisfação.

O chefe da tribo disse que aquela terra não era deles. Não lutariam por ela. E continuou: os brancos estão tomando a terra do rio. Um dia ele vai querer de volta.

Em São Paulo também tomaram terra dos rios.

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O monstro da Lagoa Negra. Brrrrr...

Ubatuba

Ainda os sem-noção

José Ronaldo dos Santos
Depois de um apelo que fiz sobre uma condição deprimente e revoltante vivida no meu entorno, na passagem do ano e dias seguintes, tive a solidariedade de muitos. Outros colegas escreveram a partir dos sem-noção e de suas ações na nossa Ubatuba. Aproveito da oportunidade para parabenizá-los. Isso consola, porém uma chama angustiante continua. Afinal, cidadão é aquele que não deixa de ouvir os apelos para melhorar a convivência social. Agora vem a novidade: várias pessoas me relataram outras situações do meu bairro e de outros que nem mesmo conheço direito. Via telefone, por exemplo, recebi a notícia de sem-noção no Sumidouro que atormenta a vizinhança com som alto. Disse que o local até parece um cassino. É um grupo de sem-noção, por dedução, uma ninhada ativa e permanente. Eu recomendei, ao perceber a angústia da pessoa ao telefone, que procurasse as autoridades, constituídas e mantidas com as nossas contribuições, para registrar a queixa. Aí que vem o mais desesperador: a vítima afirmou que faz parte da vizinhança um policial militar e outro municipal. Estes, de acordo com quem relatou, demonstram apatia à situação; parecem não ver nem enxergar nada de anormal. Logo eu pensei: então, aquela faixa de alerta aos condutores sobre o volume do som, colocada em diversos pontos da cidade, só vale para carros? Portanto, o inferno está completo: pessoas decentes estão sofrendo duplamente, pois de um lado estão os sem-noção; de outro se encontra aqueles que deveriam coibir as ações contra o cidadão. Se tal fato for confirmado, um dos desafios cabe às corporações: aperfeiçoar a formação de seus agentes. Enquanto isso, gente do bem deve se unir para combater gente do mal; nunca se esquecer do exemplo das saúvas: são pequenas, mas ameaçam árvores gigantescas porque trabalham unidas. E, finalizando, a incompetência de poucos não pode se tornar uma incompetência coletiva como marca do nosso município.

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Praia

 Praia e Marina de Kemer, perto de Anatolya, na Riviera Turca

Política

Paulão, o "bão"

Documentos obtidos pelo 'estadão.com.br' mostram a influência do empresário e lobista Paulo César Ribeiro na administração de Pindamonhangaba, berço político do governador

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo (original aqui)
Depoimentos colhidos pelo Ministério Público de São Paulo e obtidos com exclusividade pelo estadão.com.br revelam os passos e a influência do empresário e lobista Paulo César Ribeiro, cunhado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), junto a administrações municipais, inclusive a de Pindamonhangaba, Vale do Paraíba.

O Ministério Público investiga Ribeiro, irmão de Lu Alckmin, mulher do governador, por suspeita de tráfico de influência.

O nome Paulo Ribeiro aparece em planilha de propinas apreendida pela promotoria.

Genivaldo Marques dos Santos, ex-diretor da empresa Verdurama, contratada pela administração João Ribeiro (PPS), prefeito de Pindamonhangaba, afirma ter sido ameaçado de morte. Ele está colaborando com a investigação do Ministério Público.

Paulo Ribeiro foi alvo de buscas da promotoria na manhã de 27 de dezembro. Oficiais da Polícia Militar, que trabalham no gabinete militar da Procuradoria Geral de Justiça, vasculharam a residência e um escritório do lobista.

Leia a íntegra dos depoimentos (parte 1)
Leia a íntegra dos depoimentos (parte 2)

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Opinião

A crise avança na Europa

O Estado de S.Paulo - Editorial
A próxima etapa da crise europeia poderá ser no coração da Europa rica e desenvolvida e não mais na periferia. Grécia e Irlanda já tiveram de pedir socorro para sair do buraco financeiro. Portugal está sob pressão para pedir ajuda ao FMI e aos países mais poderosos da União Europeia (UE). Grécia, Irlanda e Portugal estavam, desde o início do ano passado, na lista de países à beira de dar um calote, juntamente com a Espanha. A grande novidade, agora, é a inclusão da Bélgica nesse grupo, como se a sua dívida pública fosse motivo de preocupação no mercado. A economia belga tem sido por muito tempo uma das mais sólidas e mais estáveis do continente, mas desde o agravamento da crise mundial, em setembro de 2008, muitas imagens de respeitabilidade viraram pó.

A depreciação dos títulos belgas é atribuída, pelos analistas, à combinação de dois fatores - o alto endividamento público, cerca de 100% do PIB, e a instabilidade política. O país vive há sete meses sem um governo constituído em condições normais, porque falta acordo entre os partidos. Há um primeiro-ministro interino, mas tem faltado a política necessária para dar um rumo seguro ao país numa fase de insegurança econômica em toda a Europa. Coube ao rei Alberto II pedir ao governo provisório um plano para reduzir o déficit público.

A especulação nos mercados tem afetado principalmente os papéis portugueses, belgas e espanhóis, mas também títulos italianos têm sido negociados com cautela. O governo português programou para hoje o lançamento de novos títulos. Os Tesouros da Itália e da Espanha também devem realizar emissões nesta semana.

Autoridades portuguesas têm rejeitado as pressões para pedir ajuda ao FMI e aos demais países da UE. Os governos grego e irlandês também resistiram, mas acabaram cedendo. O Banco Central Europeu interveio no mercado, nos últimos dias, para dar sustentação aos títulos portugueses e, segundo informações não oficiais, também a papéis de outros países. Mas esse tipo de auxílio é considerado insuficiente, no setor financeiro, para eliminar o risco de um calote na dívida pública. Segundo o governo português, será preciso levantar cerca de 20 bilhões para liquidar compromissos até abril, mas a solução mais segura, segundo analistas, seria um programa de ajuda com prazo de uns três anos.

O governo do primeiro-ministro José Sócrates iniciou há meses um programa de ajuste para reduzir o déficit público. O resultado ficou abaixo de 7,3% do PIB em 2010, segundo as autoridades, mas o número ainda não foi fechado. A meta para 2011 é chegar a 4,6% do PIB. Uma previsão mais segura seria 6,4%, de acordo com o Deutsche Bank. De toda forma, a perspectiva de mais um ano de recessão no país é apontada por analistas como um bom motivo de preocupação: com o baixo nível de atividade, o Tesouro dificilmente arrecadará o necessário para cobrir os compromissos do ano.

O temor das dívidas soberanas continuou prejudicando o desempenho das bolsas europeias nos últimos dias. Houve alguma reação, na terça-feira, quando o ministro das Finanças do Japão, Yoshihiko Noda, confirmou a disposição de seu governo de comprar títulos da Linha Europeia de Estabilidade Financeira, um fundo de 440 bilhões criado em 2010 para ajudar os países em crise. Está programada a emissão de papéis neste mês e o Japão poderá ficar com mais de 20%. Autoridades chinesas também prometeram ajuda.

O reforço desse mecanismo poderá facilitar o socorro aos países com dificuldade para refinanciar suas dívidas. O FMI, de toda forma, continuará pronto para ajudar a União Europeia a enfrentar esses problemas. Mas será preciso muito mais que isso para a prevenção de crises. Neste ano o bloco vai inaugurar um sistema de acompanhamento e controle das políticas fiscais dos países-membros. Deve ser algo bem mais rigoroso que os acordos anteriores sobre limites para o déficit público e para endividamento. Esses limites foram estourados com uma facilidade escandalosa até para os velhos padrões sul-americanos.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 12 / 01 / 2011

Folha de São Paulo
"Chuvas e erros de sempre inundam cidade e matam 4"

Prefeitura gastou menos que o previsto em obras antienchente; no Estado, houve mais dez mortes

Com investimento insuficiente em obras antienchente, falha nos sistemas de alerta e as mesmas mazelas de bueiros sujos, acúmulo de lixo e moradias em áreas de risco, São Paulo se viu outra vez refém da chuva. Foram 127 pontos de alagamento na cidade, recorde desde 2005. Quatro paulistanos morreram; no Estado, houve mais dez mortes. Sinais de alerta não chegaram à população, as marginais Tietê e Pinheiros ficaram alagadas, metrô e trens foram afetados. Milhares não conseguiram ir trabalhar. Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM) voltaram a culpar o volume da chuva pelos transtornos e a prometer mais obras - para o próximo verão. O prefeito, que arrecadou R$ 835 milhões a mais em 2010, tinha R$ 504 milhões orçados para obras anticheias e gastou R$ 430 milhões.

O Estado de São Paulo
"Enchentes matam 13 em SP"

Maioria das vítimas morreu em deslizamentos de terra; 125 pontos de alagamento pararam o trânsito da capital

As fortes chuvas no Estado de São Paulo entre a noite de segunda-feira e a madrugada de ontem provocaram destruição, prejuízos e 13 mortes: cinco em São José dos Campos, três em Mauá, três em São Paulo, uma em Embu e uma em Mogi das Cruzes. Como em tragédias anteriores, a maioria das vítimas morreu após deslizamentos de terra em encostas. Ainda há desaparecidos em Mauá e em São José dos Campos. Na capital foram registrados 125 pontos de alagamento. O trânsito foi interrompido. Os Rios Pinheiros e Tietê transbordaram e a cidade amanheceu submersa. O prefeito Gilberto Kassab, que em setembro tinha dito que "a cidade está mais bem preparada para as enchentes", ontem culpou a intensidade das chuvas. Entre o fim da noite de segunda e as 7 horas de ontem foram registrados 68,8 milímetros de chuva, o equivalente a 29% do previsto para todo o mês de janeiro. O governador Geraldo Alckmin definiu como medida urgente a retirada de 4,2 milhões de metros cúbicos de detritos do Tietê e do Pinheiros.

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Som do Víbora

terça-feira, janeiro 11, 2011

Fala baixo!

Cunhado não é parente!

Sidney Borges
"Carro de lobista doado a coveiro levanta suspeita". Isso que vocês acabaram de ler saiu hoje no Estadão. Quando li pensei em responder: - Não me diga"! Acabei desistindo, lembrei-me de Paulo Francis que dizia que quem escreve para jornais é maluco.

No caso da matéria do Estadão a referência ao lobista generoso também me remeteu a um passado longinquo quando Brizola e Jango 
protagonizaram uma grande polêmica por serem cunhados e alguém cunhou a frase: "cunhado não é parente".

A matéria diz no lead: O Ministério Público (MP) suspeita que o lobista Paulo César Ribeiro, o Paulão, cunhado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), tentou "lavar" seu patrimônio pessoal doando bens a terceiros, inclusive a um coveiro de Pindamonhangaba, Vale do Paraíba. Documentos de posse de promotores de Justiça que investigam suposto envolvimento de Ribeiro em contratos fraudulentos para fornecimento de merenda escolar a administrações municipais indicam que o lobista transferiu para o nome de um seu funcionário, Lourival, uma Ford Ranger. Terrenos foram "doados" a outros empregados.

Como estamos vendo, Paulão comprou um sítio e colheu laranjas, muitas laranjas. E, tendo feito tudo dentro da lei, segundo palavras de seu advogado, nada tem a temer. Mas que é original, não há dúvida. Não é todo dia que alguém dá uma Ford Ranger a um coveiro. E terrenos a empregados. Tem gente que nem o salário dá! Dizem que uma vez ele foi surpreendido lançando notas de 100 aos pobres. Isso é ser bom. Paulão é a versão masculina da Madre Teresa de Calcutá. Merece passaporte diplomático.

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Praia

Henri Cartier-Bresson, Dieppe, França, 1926

Ubatuba em Foco

Com papagaio, pousada em Ubatuba registra 230ª espécie de ave

Folha Turismo
O dono de uma pousada junto à praia de Itamambuca --em Ubatuba (SP)--, a Itamambuca Eco Resort, passou cerca de sete dias para conseguir o registro de uma nova ave que apareceu na área do estabelecimento. Com ela, o total de espécies de aves registradas nesta região subiu para 230.

De acordo com Dimitri Matoszko, habituado a fotografar e gravar os cantos das aves, trata-se do papagaio-moleiro, primeiro registro da ave em Ubatuba. Ele está no primeiro nível de ameaça segundo a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas.

Papagaio-moleiro / Foto: Dimitri Matoszko

"Fui acordado por uma voz diferente no amanhecer de 27 de dezembro. Pulei da cama, peguei o celular para gravar, deu pau, corri peguei o gravador, consegui um registro sonoro", conta ele, por um lado bravo por acordar cedo depois de dormir tarde, com o trabalho de fim de ano.

Ele também diz que, a princípio, pelo som da ave, achou que seria a amazona-farinosa. "O bicho me deu um baile, foi uma semana acordando cedo e até com gente me ligando e avisando".

No fim, por volta das 6h40 da segunda-feira passada (3), conseguiu uma foto, após pular da cama e ouvir o som "escandaloso" do animal, que estava a cerca de 20 metros de altura. Era um casal --apesar da foto de só um--, em uma árvore próxima da pousada, em dia nublado e chuviscando, segundo Matoszko.
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Opinião

Da guerra cambial à comercial

O Estado de S.Paulo - Editorial
A guerra cambial pode tornar-se uma guerra comercial, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao Financial Times, de Londres. A última guerra comercial ocorreu nos anos 30 do século passado e tornou mais difícil a superação da crise iniciada em 1929. Por enquanto, a participação brasileira no conflito cambial é meramente defensiva. O Ministério da Fazenda e o Banco Central (BC) têm agido para conter a valorização do real, desastrosa para a produção brasileira. O problema agravou-se desde o fim do ano, com a depreciação mais rápida da moeda americana. Na semana passada, o ministro anunciou a possibilidade de novas intervenções no câmbio. Logo em seguida, o BC impôs aos bancos um depósito compulsório de 60% sobre as posições vendidas acima de US$ 3 bilhões. Poucos dias depois, Mantega voltou a cantar o jogo, prometendo operações no mercado futuro, segundo noticiou o jornal britânico. A intervenção, desta vez, envolve o Fundo Soberano do Brasil (FSB), de acordo com resolução publicada segunda-feira no Diário Oficial.

O governo decidiu autorizar o BC a comprar dólares para o FSB no mercado futuro. Especialistas interpretaram a decisão imediatamente como sinal verde para o BC retomar as chamadas operações de swap reverso, interrompidas há cerca de um ano por dúvidas quanto à sua legalidade. Agora o Ministério da Fazenda assume a responsabilidade. Nas operações de swap cambial, o BC vende papéis da dívida pública e compra dólares no mercado futuro. No fim do prazo, os dois lados fazem o acerto, confrontando a variação dos juros e a do câmbio. A intenção das autoridades é elevar a procura de dólares e forçar a sua valorização ou, no mínimo, impedir uma depreciação acelerada. São possíveis outras formas de intervenção no mercado futuro, mas o swap reverso era a aposta de boa parte dos analistas, nessa segunda-feira.

Outros governos sul-americanos, incluído o chileno, têm prometido agir no mercado de câmbio para conter a valorização de suas moedas. Autoridades da Coreia do Sul e do Japão realizaram intervenções no ano passado. Todo o esforço de vários governos, até agora, foi no entanto insuficiente para reduzir o desequilíbrio cambial, causado principalmente pelas políticas da China e dos Estados Unidos.

A moeda chinesa está desvalorizada há muitos anos. As autoridades da China vêm prometendo há anos atenuar essa distorção, mas sua política nunca foi alterada de forma significativa. Houve alguma valorização do yuan, em certos momentos, mas a variação foi sempre muito limitada e insuficiente para afetar as condições de competição comercial. A depreciação da moeda americana acelerou-se a partir da crise, quando o banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), começou a emitir grandes volumes de moeda para socorrer os bancos e, depois, para tentar estimular a reativação da economia. Essa estratégia foi reafirmada em novembro, com a promessa de emissão de mais US$ 600 bilhões até abril.

As autoridades americanas negam a intenção de depreciar o dólar e de participar de uma guerra cambial, mas a consequência prática, para o resto do mundo, é essa mesma: moeda americana em queda e problemas de competição para outros países, por causa do encarecimento de seus produtos. O amplo desajuste no câmbio torna muito próximo o risco de uma guerra cambial, com uma nova onda de protecionismo e de subsídios de todo tipo.

O governo brasileiro, disse o ministro Mantega, poderá levar à Organização Mundial do Comércio (OMC) o problema da guerra cambial. Qualquer iniciativa desse tipo será oportuna, embora seja difícil apostar num resultado positivo. Segundo o entendimento mais comum, a OMC tem autoridade para condenar subsídios fiscais e financeiros e barreiras protecionistas, mas não para examinar acusações de manipulação cambial.

É tempo, no entanto, de tentar envolver a OMC também nesta questão. O assunto é muito complexo e será difícil a criação de normas para o sistema cambial. Acolher o debate, no entanto, pode ser do interesse da própria OMC. Será uma forma de mostrar sua relevância e de garantir a própria sobrevivência.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 11 / 01 / 2011

Folha de São Paulo
"Governo de SP vai tentar negociar a Cesp com Dilma"

Venda ampliaria capacidade de investimento do Estado; 'reestatização federal' adotada na Nossa Caixa é opção

O governador Geraldo Alckmin autorizou que sua equipe negocie a venda da Cesp, a terceira maior geradora de eletricidade do país, com o governo federal. Para evitar o rótulo de privatizante, o tucano gostaria de adotar o modelo utilizado na Nossa Caixa, adquirida pelo Banco do Brasil. Com a venda, Alckmin levantaria dinheiro para investir no Estado. Já Furnas, empresa do sistema Eletrobras, viraria líder nacional em geração de energia. A negociação pode eliminar o obstáculo da renovação da concessão das usinas de Jupiá e Ilha Solteira, que vencem em 2015. A "reestatização federal" é apenas "uma das hipóteses", afirmou o secretário tucano José Aníbal (Energia), que deve se reunir com assessores de Dilma Rousseff ainda neste mês. Além do próprio Alckmin (2001), Mario Covas (2000) e José Serra (2008) tentaram vender a Cesp.

O Estado de São Paulo
"Procura por crédito bate recorde, mas deve cair"

Variação de 16,4% em 2010 foi a maior em três anos e refletiu a forte atividade econômica do País no período

O número de consumidores que buscaram financiamentos em 2010 cresceu 16,4% em relação a 2009, aponta a Serasa Experian. Foi a maior variação em três anos, revela o indicador, que considera cadastros de pessoa física (CPFs) de todo o País. Apesar de a série histórica, iniciada em 2008, ser relativamente curta, o crescimento é expressivo porque ocorreu num período de forte oscilação da atividade econômica. Em 2008, o número de consumidores que procuraram financiamentos aumentou 6,4%. Com a crise financeira internacional, houve recuo de 1,2% na demanda por crédito no ano seguinte, a previsão para 2011 é de que a demanda por crédito seja menor: o crescimento esperado para o PIB deve ser menor e há perspectiva de elevação dos juros básicos. As maiores taxas de crescimento da procura por crédito ocorreram nos extremos, entre os consumidores que recebem ate R$ 500 por mês e pelos que ganham entre R$ 5 mil e R$ 10 mil.

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segunda-feira, janeiro 10, 2011

Amizade

Nonsense

Cientistas reivindicam plano mundial para contatos alienígenas

DA EFE (original aqui)
A revista "Philosophical Transactions", publicada pela sociedade científica britânica Royal Society, adverte em sua última edição que os governos do mundo deveriam se preparar para um possível encontro com uma civilização extraterrestre, que poderia ser violenta.

A publicação, que neste mês dedica um número completo ao tema da vida extraterrestre, argumenta que, se o processo de evolução em todo o Universo seguir padrões darwinistas, tal como ocorre na Terra, as formas de vida que entrariam em contato com os seres humanos poderiam "ter tendência à violência e à exploração" dos recursos.

Por esse motivo, os cientistas reivindicam que a ONU (Organização das Nações Unidas) configure um grupo de trabalho dedicado a "assuntos extraterrestres" com a capacidade de delinear um plano a ser seguido em caso de contato alienígena.

"Devemos estar preparados para o pior" no caso do encontro com uma civilização extraterrestre, alerta o professor de paleobiologia evolutiva da Universidade de Cambridge (Reino Unido), Simon Conway Morris, que considera que a vida biológica no Universo deve ter características similares às da Terra.

Morris acredita que, se existem alienígenas inteligentes, "são parecidos conosco". Algo que, "diante da nossa não muito gloriosa história", deveria "nos fazer refletir".

Nota do Editor - Encontro com civilização estraterrestre é tema para roteirista de filme B. Com a tecnologia disponível na Terra mal conseguimos chegar à Lua, que fica logo ali. Caso existam seres capazes de percorrer as enormes distâncias interestelares, serão mais adiantados do que nós. E nos dominarão sem dificuldade. Digo mais, se forem carnívoros talvez venham capturar humanos para fazer churrasco. De vez em quando parece que a imprensa sem ter o que noticiar divaga sobre coisas sem sentido. Importante mesmo é saber que o ex-presidente Lula está no Guarujá comendo queijo coalho, linguicinha assada e tomando cerveja. Se Lula não tivesse sido presidente, seria ex-metalúrgico aposentado. E passaria o fim do ano na Praia Grande, lugar apropriado às classes emergentes. Comendo queijo coalho, linguicinha assada e tomando cerveja. E de vez em quando almoçando arroz, feijão e pastel feitos pela Galega. E agora uma bomba cultural! Falando baixinho: o Irã proibiu os livros de Paulo Coelho. Viva o Irã! Sidney Borges

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Família


Tio Thompson

Sidney Borges
Tio Thompson era autodidadata e embora tivesse nome anglófilo, nasceu e cresceu em Portugal. O governo reconheceu a capacidade intelectual de titio e deu a ele o cargo de bibliotecário na instituição em que foi internado depois dessa foto.

E Pelé disse: love, love, love...


Ramalhete de "causos"

“Ah, bendito cipó!”

José Ronaldo dos Santos
Em 1980, trabalhando como recenseador na Zona 13 (Bairro do Itaguá até Ponta do Farol), eu tive a oportunidade de conhecer muita gente boa, muitos caiçaras antigos. Dentre estes, o casal Janguinho e Santana. Desta não posso deixar de dizer: foi a última parteira dessa região. Na modesta casa, numa rua de acesso à praia do Tenório, passei metade de uma tarde conversando com os dois, sobretudo com o seu Janguinho, pois a sua esposa estava sempre correndo atrás de uma coisa ou outra, cuidando de um neto recém-nascido por nome de Joãozinho. Foi o casal que me indicou o seu Benedito para saber mais coisas de caiçara.

Terminei esta mesma tarde na praia Vermelha, depois do Tenório, conversando com o mestre Benedito Correia Leite, continuador da dança trazida de Santa Catarina por João Vitório, da praia da Enseada. Aquele fim de dia me marcou bastante; o céu ainda estava azul; o cenário era, a partir de um banco sob um abricoeiro, o lindo mar que dali se avista. De longe o Baguari, no aguardo do crepúsculo, parecia nos espiar como se quisesse participar da prosa. Os assuntos variavam, mas o tema era sempre o caiçara. Quando lhe contei que até pouco tempo estava trabalhando com o doutor Francisco Lara, catando cipó para os seus bichos de pesquisa, ele se enveredou no assunto. Foi com ele que, pela primeira vez, escutei sobre o cipó agarra- macho. Assim contou o saudoso mestre de dança-da-fita:

“Você conhece o cipó agarra-macho? Dele não tem muito por aqui. Que eu saiba, tem na ilha do Pontal, lá para as bandas da Maranduba, entre o Sapê e a Lagoinha. Também não é muita gente que tem necessidade dele. Somente serve para homem que não é bem homem; que não sente atração por mulher como nós sentimos”.

Esta foi a primeira vez que um caiçara passou tão próximo da questão da homossexualidade. Era e continua sendo tabu falar dessa opção. E continuo o narrador:

“Algumas pessoas dizem até que isso é desvio, tal como a mulher fêmea-e-macho. Sujeito assim é desviado. É disso que vem a palavra viado. Eu não sei muito disso; por aqui são poucos os declarados; nunca vi ninguém ser desmerecido por isso. Tai o filho da minha prima: vive assim e assim vive; parece sempre feliz! Se respeita porque Deus sabe o que faz. O que existe é porque Ele permite. O meu amigo frei Tarcisio, italiano, disse que na terra dele também é assim. Sempre existiu. Prova disso que o cipó por nome de agarra-macho é conhecido porque vem dos índios, do tempo que nem português tinha no Brasil”.

Nisso, aproveitando de que alguma coisa causou distração, o bondoso homem, com seus olhos azuis combinando com o céu naquele momento, foi buscar uma chaleira de café e duas canecas de ágata. Em seguida chegou uma criança trazendo na cuia pedaços de beiju. Que prazer indizível! Depois do primeiro gole, o assunto continuou:

“Então, conforme dizia eu, já havia entre os índios aqueles que não eram atraídos pelas mulheres. Melhor dizendo: queriam outros homens como companhia, para a fornicação que todo mundo sente necessidade. É natural, né? E o tal do cipó servia para fazer um chá que ajudava nisto: para arranjar namorado. Tinha que preparar e oferecer ao homem cobiçado. Depois era um agarra-agarra só; carinhos pra todo lado. Creio que tem gente que ainda recorre ao agarra-macho”.

Impressionante! E mais coisas eu ouvi do nosso saudoso mestre!

Contando isso em diversas ocasiões, houve pessoas que queriam mais detalhes do tal cipó, da tal ilha onde ainda é possível encontrá-lo. Um, com aparência de muito macho, em frente ao colégio, assim exclamou: “Ah, bendito cipó! Como eu preciso de um!”.

Leitura recomendada: Crônicas de viagem, de Cecília Meireles.

Boa leitura!

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Praia

Coluna do Rui Grilo

Os Tinhorões

Rui Grilo
Da piscina olho para a escada e vejo os vasos coloridos de tinhorões. Esses são os mais comuns, com as folhas em forma de triângulo, com o centro avermelhado e as bordas verdes. Mas há centenas de variedades, principalmente nas cores. Alguns são quase transparentes, parecendo feitos de plástico. Eram muito populares e nos catálogos da flora Dierberger ocupavam várias páginas.

As plantas me lembram pessoas, fatos, situações, épocas da minha existência.

Os tinhorões me lembram de um senhor que havia trabalhado muitos anos na fábrica de enxadas Nossa Senhora Aparecida, em Sorocaba.

A fábrica cresceu e se tornou Metalúrgica Nossa Senhora Aparecida.

Tinha uns 12 anos, portanto faz meio século.

Ele morava na minha rua e ficava sentado na varanda ou no jardim, sempre de chapéu e muito enrugado. Seus olhos sempre estavam cheios de lágrimas e pareciam que iam cair, se ele não os secasse com um lenço. Seus dedos eram todos retorcidos pelo reumatismo. Dizia que ficou assim porque trabalhava na fundição, recebendo o calor dos fornos e às vezes tomava chuva com o corpo quente.

Sua aparência era de um bruxo mas tinha uma paixão: os tinhorões. Em uma estufa no quintal, tinha mais de cem espécies. E toda vez que sabia que alguém tinha uma espécie diferente, pedia para eu ir buscar e me dava uma gorjeta. Logo me tornei amigo de toda a família.

Ele tinha outras plantas na estufa: begônias, violetas, samambaias, antúrios... Comecei a vender suas plantas na feira. Era uma maneira de ganhar algum dinheiro.

Meu avô era português e também gostava muito de plantas mas se dedicava apenas às frutíferas. Sua casa ficava na periferia de Rancharia, cidade onde nasci. Tinha um grande pomar com vários pés de laranja bahia, abacateiros, parreira de uva, cajueiro, mangueiras e até um pé de jatobá. Eu me lembro que, quando me mudamos para Sorocaba, meu avô mandava caixas de laranja para nós pelo trem da Sorocabana.

Tem muita gente que fuma para se acalmar quando está estressado. Uma coisa que me reconcilia com a vida e com o prazer de viver é observar as plantas crescendo. Neste final de ano senti muito prazer em ver a quaresmeira do meu quintal florir pela primeira vez e deixar o chão todo roxo com suas pétalas.

Perto da piscina nasceu um mamoeiro. Quando começou a dar flores, percebi que era mamão macho. Me deu vontade de cortar. Mas o perfume das flores é tão gostoso e atrai tanto beija-flor que não tive coragem.

Ao olhar para os tinhorões me deu uma saudade da infância e daquele velho que foi meu amigo. Não sei se minha paixão pelas plantas vem dessa amizade ou do exemplo do meu avô. Talvez seja de ambos e de boa parte da minha família.

Recentemente visitei uma das minhas irmãs e fiquei fascinado com o canteiro colorido de tinhorões na entrada de sua casa.

E Ubatuba é uma terra abençoada porque em várias trilhas na floresta e em suas ruas sempre encontro tinhorões.

Rui Grilo


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Opinião

Atraso no saneamento

O Estado de S.Paulo - Editorial
Ignorado durante anos pelas autoridades, o que impediu a melhora mais rápida dos índices de mortalidade infantil nas regiões pobres, o setor de saneamento básico não conseguiu avançar no ritmo desejável nem mesmo quando dispôs, no governo anterior, de recursos para investimentos. Burocracia, falta de projetos, desinteresse de governantes e de empresas privadas, dificuldade para a obtenção do licenciamento ambiental e ineficiência de gestão impediram que boa parte das verbas disponíveis fosse convertida em obras. O dinheiro ficou parado.

Desde o início da década passada, mudanças na legislação - que culminaram com a aprovação da Lei Geral do Saneamento Básico em janeiro de 2007 e sua regulamentação em junho do ano passado - propiciaram o aumento gradual dos investimentos no setor. A verba destinada pelo governo federal para obras e serviços de saneamento básico, por exemplo, cresceu de R$ 2,3 bilhões em 2003 para R$ 10,3 bilhões em 2009. Mas o resultado prático foi frustrante. Do total de R$ 45,3 bilhões que foi reservado para o setor no período, apenas R$ 21,4 bilhões, ou 47%, foram investidos, mostrou reportagem do jornal Valor na quarta-feira, dia 5.

A falta de saneamento básico e a existência de esgotos a céu aberto estão entre as principais causas de grande parte das moléstias que afetam as populações de baixa renda, como diarreias e doenças infecciosas - as quais, por sua vez, estão entre os principais fatores da mortalidade infantil -, o que torna socialmente mais nocivo o atraso dos programas de expansão das redes de água e dos sistemas de coleta e tratamento de esgotos.

Calcula-se que, para alcançar a universalização dos serviços de saneamento básico, o Brasil precisa investir anualmente R$ 10 bilhões durante 20 anos. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) previu investimentos de R$ 40 bilhões entre 2007 e 2010, o que, em tese, atenderia às necessidades do País no período. Mas não basta anunciar grandes verbas para obras de saneamento. É preciso que essas verbas sejam destinadas a projetos e que os projetos saiam do papel, o que nem sempre aconteceu na gestão Lula, como mostra o baixo índice de utilização dos recursos disponíveis.

Houve problemas nos três níveis de governo e também na contratação de obras. O governo federal, por meio da Caixa Econômica Federal, atrasou a liberação das verbas; muitas prefeituras não dispunham de equipes para elaborar projetos nem buscaram apoio de órgãos federais que poderiam auxiliá-las na tarefa, o que as impediu de receber investimentos; órgãos ambientais demoraram para autorizar obras; e muitas empresas privadas, favorecidas pelo aquecimento do mercado imobiliário, não se interessaram pela área de saneamento.

Foi muito lenta, por isso, a melhora dos índices sociais vinculados às condições de saneamento. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do IBGE, por exemplo, constatou que, entre 2004 e 2009, as casas atendidas por rede de água passaram de 82% para 84% do total, enquanto aquelas atendidas por coleta de esgoto ou fossa sanitária passaram de 56% para 59%. Ou seja, mais de 40% dos domicílios ainda não dispõem de sistema de esgotamento sanitário.

Apesar da lentidão com que avançaram os serviços de saneamento básico, o secretário de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, Leodegar Tiscoski, disse ao jornal citado que o Brasil cumprirá as Metas do Milênio para a área (cada país que se comprometeu com essas metas deve, até 2015, reduzir pela metade o déficit de saneamento constatado em 1990).

O economista da Fundação Getúlio Vargas, pesquisador da área de saneamento básico e especialista em indicadores sociais Marcelo Cortes Neri, no entanto, calcula que, para alcançar as Metas do Milênio, o Brasil precisa duplicar a velocidade de melhora dos índices relativos à coleta e tratamento de esgotos.

Para os milhões de brasileiros que carecem de serviços de saneamento básico, pouco importa que o País cumpra ou não as Metas do Milênio. O que eles precisam é da ação eficaz das autoridades para melhorar suas condições de vida e reduzir os riscos a que sua saúde está exposta.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 10 / 01 / 2011

Folha de São Paulo
"SP promete só uma nova linha de metrô até 2014"

Governo Alckmin revê prazos de Serra e decide priorizar trens regionais

O governo Alckmin (PSDB) promete manter o plano de expansão do transporte coletivo em SP, mas já revê prazos e avalia não ser possível terminar até 2014 boa parte do previsto pela gestão tucana de José Serra. Das quatro linhas de metrô anunciadas por Serra, só a 4-amarela deve ficar pronta ate a Copa do Mundo. O governo de São Paulo pretende fazer dos trens regionais a marca do mandato de Alckmin nos transportes. Complementar ao trem-bala planejado pelo Planalto, o projeto paulista prevê trens com velocidade de 180 km/h, ligando a capital paulista aos municípios de São José dos Campos, Campinas, Sorocaba e Santos. O secretário Jurandir Fernandes (Transportes Metropolitanos) considera factível entregar, na atual gestão, dois monotrilhos (um ligando Jabaquara, Congonhas e Morumbi) e duas expansões da CPTM.

O Estado de São Paulo
"Indústria brasileira perde R$ 17,3 bilhões com importação"

Estudo inédito aponta que 46 mil vagas deixaram de ser criadas em nove meses

Pressionada pelas importações, a industria de transformação perdeu R$ 17,3 bilhões c deixou de gerar 4,6 mil vagas em apenas nove meses de 2010. A conclusão é de um estudo inédito da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Se o setor não tivesse perdido para produtos estrangeiros, as importações cairiam de R$ 232,4 bilhões para R$ 215,1 bilhões. Ao mesmo tempo, a produção doméstica subiria de R$ 1,055 trilhão para R$ 1,072 trilhão. "Além do câmbio valorizado, há o custo Brasil, que acentua a perda de competitividade", diz Paulo Francini. Algumas empresas já estão mudando a forma de atuar, instalando fábrica no exterior e importando de suas unidades.

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