sábado, dezembro 25, 2010

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Opinião

A dengue de volta

AE - AE
Várias prefeituras paulistas retomaram os mutirões de limpeza e preparam planos de contingência para o combate à dengue neste verão, que, como indicam as estatísticas, pode bater recordes de números de casos em várias regiões do Estado. Sorocaba, por exemplo, já atingiu um volume de ocorrências 50 vezes maior do que o registrado em 2009. No litoral, vários são os municípios que consideram o risco iminente de epidemia. São Sebastião, que teve no ano passado 110 casos da doença, registrou já em novembro um total de 1.698. Em Taubaté, o número de pessoas contaminadas pulou de apenas três em 2009 para 3,9 mil neste ano.

Prefeitos e autoridades estaduais da área de saúde correm, agora, para organizar mutirões de limpeza nos bairros, manter a vigilância nos locais de maior incidência de casos, instalar sistemas de notificação e definir unidades de saúde como referência para diagnóstico e tratamento. Como, no passado, não elegeram como prioridade um programa de vigilância permanente, autoridades locais, mais uma vez, só reagiram diante de um novo surto da doença.

Há oito anos, o Brasil viveu sua pior epidemia de dengue, com 697.998 casos da doença e 151 mortes. Neste ano, os números são ainda piores - cerca de 1 milhão de casos, com mais de 592 mortes, um total 90% maior do que o registrado no ano passado. Nas primeiras semanas do ano, a doença colocou o País em alerta com o reaparecimento do tipo 1 da dengue no território nacional. O vírus é associado a aumento significativo do número de internações e as vítimas correm o risco de seguidas infecções. Ele não era detectado desde a década de 1980, o que deixou grande parcela da população sem imunidade.

Em 2010 a doença voltou a ameaçar seriamente o País e mesmo em São Paulo, o mais rico Estado da federação, o número de casos quadruplicou já em janeiro. Nos últimos três anos, o governo estadual investiu R$ 120 milhões no combate à dengue e megaoperações são organizadas sempre que aumenta o número de casos. Passado o perigo, há uma acomodação dos governos locais. Por causa da falta de continuidade no combate à doença, ela não demora a voltar.

Há pouco mais de um mês, levantamento da Secretaria de Estado da Saúde mostrou que a Baixada Santista voltou a ser recordista em número de casos de morte pela doença - das 120 vítimas registradas em São Paulo até então, 81 eram de cidades litorâneas. A região reunia 20% do total de casos de dengue no Estado.

Tão preocupante quanto a explosão de casos é o despreparo dos profissionais da rede de saúde pública para o atendimento aos pacientes. Em Santos, 70% das pessoas contaminadas que perderam a vida só tiveram a doença diagnosticada depois de passar por mais de um local de atendimento, ou então não receberam, no primeiro atendimento, o tratamento adequado.

Como sempre alertaram os sanitaristas, dengue não se combate apenas com o conhecido fumacê, os mutirões de limpeza nas periferias ou as advertências dos agentes de saúde às donas de casa que teimam em deixar água parada nos vasos de plantas. Um programa eficiente de combate à dengue tem de prever medidas que vão da vigilância permanente para evitar a formação de criadouros até a melhor qualificação das equipes de Saúde.

Nenhuma medida isolada é capaz de evitar a proliferação do mosquito transmissor. Basta que 1% dos domicílios de um bairro apresente larvas do Aedes aegypti para que haja risco de epidemia.

O governo federal tem mantido recursos à disposição dos municípios. Além disso, lançou em julho de 2009 as Diretrizes Nacionais para a Prevenção e Controle de Epidemias de Dengue, em parceria com Estados e Municípios, para padronizar as ações de vigilância e assistência em todo o País. Portanto, não há mais razões para a descontinuidade dos programas. Bom seria se o Ministério da Saúde e os governos estaduais fixassem metas para as prefeituras, o que permitiria um melhor controle sobre o uso das verbas e evitaria a inércia.

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Manchetes do dia

Sábado, 25 / 12 / 2010

Folha de São Paulo
"Brasil troca mercados de vizinhos por países da UE"

Empresas enviam mais recursos à Europa e cortam investimento na América do Sul

Os empresários brasileiros têm apostado cada vez mais nos mercados europeus em detrimento dos vizinhos da América do Sul. Os cinco primeiros destinos europeus receberam 16,9% da aplicação total em 2010, ante 3,7% dos cinco maiores há quatro anos. Na França, o investimento até novembro foi de US$ 1,1 bilhão, ante US$ 1 milhão nesse período de 2006. A conta exclui paraísos fiscais. Na América do Sul, com exceção do Chile, a destinação de recursos está em queda. A mais afetada é a Argentina, onde a participação brasileira foi de 5,9% em 2006 a 1,7% neste ano. Para o embaixador Sérgio Amaral, ministro do Desenvolvimento na gestão FHC, o recuo ocorre porque as grandes empresas já estão consolidadas na América Latina e agora buscam novas oportunidades.

O Estado de São Paulo
"Shopping tem melhor Natal da década e investe R$ 6 bi"

Após crescimento de 13% em relação a 2009, setor vai construir mais 124 empreendimentos até 2013

O faturamento dos shoppings centers neste Natal, o melhor da década, cresceu 13% em relação ao do ano passado. O valor médio das compras também foi bem maior: variou entre R$ 80 e R$ 120, ante R$ 70 e R$ 110 em 2009. O ano registrou alta de 12% nas vendas, segundo pesquisa feita com 150 empresas de varejo, que reúnem 6,3 mil lojas. Na esteira dos bons resultados, o setor se prepara para dar um salto. Serão investidos R$ 6,331 bilhões até meados de 2013 para erguer 124 empreendimentos em todo o País. Nos próximos dois anos e meio, a meta é inaugurar mais de 40 shopping centers por ano, o dobro da média registrada desde 2005. Grande parte dos novos centros de compra será construída em cidades do interior. “Vamos ter um novo boom na indústria de shoppings", afirma o presidente da Associação dos Lojistas de Shopping (Alshop), Nabil Sahyoun. Segundo ele, as medidas adotadas pelo governo para tirar o impulso do consumo não afetaram o Natal deste ano e só terão impacto no varejo a partir de meados de janeiro.

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sexta-feira, dezembro 24, 2010

Mundo


Negócio da China

Sidney Borges
Um dia cada um dos ciclistas que estacionou a magrela para que a foto acima fosse tirada vai ter um carro. E quando for às compras, ou ao cinema, vai estacionar o carro. (Uma vaga, pelo amor de Confúcio, uma vaga...) Também vai abastecer o carro, (haja petróleo) passear com o carro, (ruas, onde estão as ruas vazias dos comerciais?) enfim, gozar das delícias destinadas aos felizes proprietários de carros. Mas pode acontecer da fumaça dos escapamentos chineses vir a entupir pulmões na Patagônia, onde Elvis foi visto vendendo churros. Tudo é possível, ainda que pareça improvável.

Brasil

Fotos: Sidney Borges

Morre Orestes Quércia

Sidney Borges
As fotos acima foram tiradas no dia 8 de setembro de 2006, na casa do presidente da Fundart e ex-prefeito de Ubatuba, Pedro Paulo Teixeira Pinto. Eram tempos de corrida eleitoral, o ex-governador Orestes Quércia visitou Ubatuba em busca de votos e foi recebido para o café da manhã.

No final da reunião o governador não resistiu, pegou o violão e mostrou seus dotes de seresteiro.

Orestes Quércia tinha 72 anos, morreu de câncer, moléstia que o afastou das eleições de 2010 e o confinou num hospital desde 18 de novembro.

Coluna do Celsinho

Antes tarde...

Celso de Almeida Jr.
Estou bastante incomodado.

Minha filha confessou que não acredita em Papai Noel.

Para um senhor como eu, não deixa de ser traumático.

Eu explico.

Sou, realmente, um pouco lerdo.

Encanto-me com facilidade.

Aprecio bons discursos.

Histórias fantásticas, então, nem se fala.

Ouço, ouço, ouço.

Viajo nos pensamentos.

Não sei se li Júlio Verne demais.

A imaginação me fascina.

Espero, prezado leitor, que guarde esta confissão.

Peço, querida leitora, que seja um segredo só nosso.

Mas, enfim, é isso.

Deixo-me seduzir por contos fascinantes.

Seres poderosos.

Salvadores da Pátria.

Heróis mirabolantes.

O que me incomoda?

Minha filha, novinha, já entendeu como funciona.

Eu, bem vivido, até pouco tempo atrás, acreditava em Super Homem...

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Opinião

Relações promíscuas

AE - AE
Três semanas depois que tropas do Exército e da Polícia Militar restabeleceram a autoridade do poder público em vários morros e favelas do Rio de Janeiro, a Polícia Civil realizou outra operação muito bem planejada em Duque de Caxias, prendendo 25 acusados de fazer parte da mais antiga milícia da região. O grupo vinha atuando desde 2007 e é acusado de ter cometido mais de 50 assassinatos. As investigações começaram a ser feitas há seis meses pelo setor de inteligência da Secretaria da Segurança Pública e os integrantes da quadrilha foram identificados por interceptações telefônicas. Com base nas escutas, foram expedidos 34 mandados de prisão e 51 mandados de busca e apreensão.

A nova ofensiva contra o crime organizado, promovida desta vez no principal município da Baixada Fluminense, mostra como o narcotráfico e as milícias - que são integradas por policiais aposentados, integrantes do Corpo de Bombeiros e servidores públicos de escalões inferiores - consistem em verso e reverso de uma mesma moeda. Os milicianos são tão criminosos quanto os traficantes de drogas e só prosperam quando contam com a cumplicidade de autoridades, principalmente as policiais.

Além de praticar os mesmos delitos cometidos pelo crime organizado, como homicídios, exploração de máquinas caça-níqueis, extorsão, venda de gás de cozinha e exploração de TV a cabo e internet clandestinas, faturando cerca de R$ 300 mil por mês, a milícia presa em Duque de Caxias estava envolvida com o comércio ilegal de armas e munição. As escutas telefônicas revelaram que entre os clientes da quadrilha estavam traficantes de favelas do Complexo do Alemão, que se encontram ocupadas por Unidades de Polícia Pacificadora desde 28 de novembro.

O surgimento das milícias no Rio de Janeiro, há alguns anos, chegou a ser recebido com simpatia nas comunidades mais pobres dos morros e favelas cariocas, cujos habitantes as viram - ingenuamente - como forças auxiliares no combate ao narcotráfico. Os especialistas em violência urbana, no entanto, desde o início chamaram a atenção para o poder corruptor dos milicianos.

Sociólogos como Luís Eduardo Soares, Rubens Cesar Fernandes, Michel Misse e Gláucio Ary Dillon Soares lembraram que as milícias não apenas aumentariam a promiscuidade entre poder público e o submundo do crime - fenômeno que começou com a expansão do jogo do bicho e o progressivo envolvimento de seus líderes com escolas de samba, a partir da década de 1970 -, como também poderiam infiltrar-se nas atividades político-partidárias municipais e estaduais - a exemplo do que ocorreu na Itália, com a Máfia.

A operação policial realizada em Duque de Caxias revelou que os especialistas estavam certos. Dos 25 milicianos que tiveram a prisão decretada por ordem da Justiça, quase todos trabalhavam no poder público: 13 são soldados e cabos da Polícia Militar; 4 são policiais militares aposentados; 2 integram os escalões inferiores do Exército e da Marinha; e um é comissário da Polícia Civil.

A quadrilha era chefiada por dois vereadores - Jonas Gonçalves (PPS) e Chiquinho Grandão (PTB), que usavam gabinetes na Câmara Municipal para coordenar atividades criminosas. Com o apoio da bancada estadual do PMDB, há dois anos eles conseguiram retirar seus nomes do relatório da CPI da Assembleia Legislativa que investigou a atuação das milícias.

"As milícias mostram força quando têm braço político", diz o presidente da CPI, deputado Marcelo Freixo (PSOL). "Não há competição entre tráfico e milícia. A operação fez cair por terra aquela visão utópica e romântica de que a milícia é um mal necessário e uma autodefesa da comunidade. Ela nada mais é do que uma empresa criminosa", diz o responsável pelas investigações, delegado Alexandre Capote.

Isso dá a dimensão do desafio que é combater o crime organizado no Rio. Além de prender criminosos, apreender seu material bélico e atacar sua força econômica, a polícia tem de desarticular ligações políticas - e livrar-se de sua própria banda podre.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 24 / 12 / 2010

Folha de São Paulo
"Classe C faz empresas inovarem nas entregas"

Com alta no consumo, transporte é feito de bicicleta, carrinho de mão ou a pé

O crescimento do poder aquisitivo das classes C e D e a popularização das compras on-line estão obrigando as empresas a inovar nas entregas dos seus produtos. Elas têm sido feitas por bicicleta, triciclo, carrinho de mão ou mesmo a pé. A transportadora Direct Express, que montou base na Vila Cruzeiro (Rio) em maio, hoje faz 500 entregas por dia nas favelas da área do Complexo do Alemão. No país, a empresa deve faturar R$ 130 milhões este ano, alta de 60% ante 2009. Luiz Nascimento, sócio da transportadora, estima que, em 2010, 40% das entregas tenham sido feitas em bairros periféricos, contra 20% nos anos anteriores. Pesquisa mostra que hoje 52% dos compradores pela internet são da classe C. Empresas como Nestlé e AmBev mudaram sua logística para atender a novos consumidores, com iniciativas como microdistribuidores nas periferias.

O Estado de São Paulo
"Pacote do governo já eleva taxa de juro de empréstimos"

Nos nove primeiros dias do mês, a taxa cobrada no crédito pessoal teve aumento de 1,2 ponto percentual

Dados preliminares divulgados pelo Banco Central indicam que o pacote anunciado no dia 3 para conter o crédito começa a fazer efeito. O custo de captação de dinheiro no setor financeiro já subiu para 1l,6% anuais, índice mais alto desde janeiro de 2009, quando a crise estava no auge. Só o aumento do depósito compulsório - parcela dos recursos dos bancos retida no BC - tirou de circulação R$ 61 bilhões. Há menos moeda disponível e quem tem dinheiro passa a cobrar mais por ele. Um dos efeitos é o aumento de 1,2 ponto nos juros do crédito pessoal registrado nos nove primeiros dias do mês - para 43,2% ao ano. "A medida faz parte de um conjunto de ações para tentar segurar a inflação", diz a economista Thaís Zara, da Rosenberg & Associados.

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quinta-feira, dezembro 23, 2010

Viagem


Unidos vamos em frente

Sidney Borges
Eis um exemplo edificante de família voltada à preservação do planeta. Ajudem-me a contar. Primeiro as crianças. Três, na parte dianteira, uma nas costas da mãe e o bebê na lata de tinta, que em vez de ser descartada para poluir rios e mares, foi reaproveitada com a função nobre de transportar o júnior. Agora os adultos. O piloto, o filho número 1, um branquelo que deve ser caronista, o filho número 2 e a nora. No total 9 pessoas sobre a moto. Precisamos pensar nisso. Esses caras são demais, pena que comam cachorros.

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Opinião

A crise dos aeroportos

O Estado de S.Paulo - Editorial
Determinada pela iminência de uma nova e grave crise aérea, que desaconselhava mudanças na estrutura de controle da aviação civil, a decisão da presidente eleita, Dilma Rousseff, de manter esse setor sob a gestão do Ministério da Defesa dá tempo ao novo governo para examinar melhor a questão. A unificação, que chegou a ser anunciada, das administrações dos portos e dos aeroportos num único ministério indicava que, na avaliação da equipe de Dilma, o principal problema dessas áreas é estrutural, daí a proposta de mudança. Mas o problema é outro - de qualidade e eficiência de gestão.

O balanço dos oito anos do governo do PT evidencia a incompetência da administração aeroportuária para utilizar os recursos à sua disposição, o que tornou ainda mais precária do que já era a infraestrutura do setor, que não conseguiu acompanhar o crescimento do mercado. As projeções de contínuo e rápido aumento da demanda nos próximos anos, com alguns momentos de pico em razão da realização de eventos esportivos internacionais, exigem não apenas mais investimentos, mas, sobretudo, que os valores alocados para expandir, modernizar e melhorar os serviços aeroportuários sejam convertidos em obras e serviços em favor dos usuários. Para isso, será necessário modificar profundamente o modelo de gestão dessa área.

A execução do programa de investimentos aeroportuários do governo Lula foi muito ruim. Do total de R$ 6,7 bilhões que a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) - estatal responsável por 67 aeroportos - teve para investir entre 2003 e 2010, apenas R$ 2,65 bilhões, ou 39,6%, saíram do papel. O pior resultado da Era Lula foi registrado em 2008, quando a Infraero conseguiu executar apenas 17% de seu orçamento de investimentos. Em 2009, o resultado foi um pouco melhor, pois a empresa conseguiu investir 42,9% de seu orçamento de R$ 1,02 bilhão.

Mas a incapacidade gerencial ressurgiu em 2010. Até outubro (último dado disponível no portal do Ministério do Planejamento), de um total de R$ 1,57 bilhão reservado para investir no ano, a empresa tinha investido R$ 358 milhões, ou 22,8%.

Muitos projetos não saíram do papel, como mostrou recentemente a organização não governamental Contas Abertas, que cita, entre outros exemplos, o terminal de cargas do aeroporto de Vitória, no Espírito Santo; a recuperação e o reforço estrutural das pistas do aeroporto de Viracopos, em São Paulo; a construção do complexo logístico do aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre; e a adequação do terminal de passageiros do aeroporto de Juazeiro do Norte, no Ceará.

A Infraero alega que alguns grandes contratos ainda estão em fase de licitação e, tão logo eles sejam assinados, os resultados da execução do orçamento de investimentos de 2010 devem melhorar. Mesmo que isso aconteça, o futuro continua a preocupar. "Apenas a decisão de contratar ou não demora quase um ano", observou o ex-presidente da Infraero Adyr Silva. "Para realizar os projetos, são mais uns 15 meses. Depois, ainda tem o processo licitatório e as licenças ambientais. Em meio a este ciclo, eu pergunto: será que estaremos preparados para a Copa do Mundo em 2014? A questão não fecha."

Além desses problemas, há os administrativo-financeiros. Obras já contratadas foram suspensas pelo Congresso, por recomendação do Tribunal de Contas da União, que detectou indícios de superfaturamento ou outras irregularidades. Algumas obras esbarram em restrições dos órgãos ambientais.

O projeto de Orçamento de 2011 reservou R$ 2,2 bilhões para investimentos da Infraero. Para executar esse orçamento - e sua execução é indispensável para evitar mais agravamento da crise nos aeroportos, alguns dos quais já operam muito acima de sua capacidade -, a empresa terá de fazer, em um ano, 82% de tudo o que fez nos oito anos do governo Lula. Não é impossível fazer isso, desde que a Infraero seja gerida de acordo com padrões de eficiência não observados na gestão Lula - daí a necessidade de grandes mudanças administrativas no setor.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 23 / 12 / 2010

Folha de São Paulo
"Justiça determina que 80% do setor aéreo trabalhe"

Ministro Jobim culpa empresas pelo impasse e Lula apela por negociação; greve ameaça Natal de 480 mil viajantes

A Justiça ordenou que 80% dos trabalhadores do setor aéreo permaneçam em atividade de hoje até o dia 2 de janeiro. Decisão provisória do Tribunal Superior do Trabalho fixou multa diária de R$ 100 mil se o sindicato descumprir a determinação. Os empregados decidem hoje, as 5h, se vão parar por três, cinco ou dez horas. O presidente Lula fez um apelo para que os dois lados sejam responsáveis e negociem. Em carta, o ministro Nelson Jobim atribuiu o impasse às empresas aéreas. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil, o governo trabalha com a chance de pequenas paralisações. O feriado de Natal bate o movimento do Ano Novo, e a Anac calcula que cerca de 480 mil pessoas devam viajar hoje.

O Estado de São Paulo
"Governo tenta esvaziar greve nos aeroportos hoje"

Lula diz que paralisação de aeroviários na véspera de Natal é 'irresponsável' e Aeronáutica monta esquema

O governo montou esquema para tentar esvaziar a greve dos aeronautas e aeroviários marcada para começar hoje - e classificada pelo presidente Lula de "irresponsabilidade". A Aeronáutica vai abrir as suas bases para a entrada dos funcionários que quiserem trabalhar, e sua polícia estará de prontidão. Além disso, o efetivo dos controladores de voo será ampliado. As empresas também disseram ter como driblar piquetes, mas o sindicato informou que também terá "estratégia para enganar as empresas". O atraso nos aeroportos disparou ontem - em Cumbica, superou 50%. As companhias recomendam ligar antes para saber se o voo esta confirmado.

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quarta-feira, dezembro 22, 2010

Papai Noel

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Viajando com o velhinho

Sidney Borges
Papai Noel aparece na foto tomando coca-cola. Talvez seja por causa desse hábito que ele tenha ficado obeso. Coca-cola, leite de rena e torta de amoras o ano inteiro. Excesso de calorias!

Como existe controvérsia em relação à existência do simpático velhinho que tem o saco nas costas e que muitos dizem ter sido invenção de publicitários do império, achei por bem fazer algumas considerações.

Das renas

É fato que renas não voam. Digo, renas comuns, daquelas que pastam em campos cobertos de neve na Lapônia, visíveis a qualquer mortal. Bem, dizer que pastam pode ser exagero, a grama, se existir, está profundamente enterrada na neve. Mas se não é para pastar por que será que elas ficam no meio daquela imensidão gelada? Essas renas de hábitos esquisitos de fato não voam. Mas vamos à pesquisa, base do conhecimento. A ciência estima que estejam por ser classificadas cerca de 300 000 espécies de organismos vivos. A maioria eu suponho que deva ser constituída por bactérias e insetos. Tal fato não elimina a possibilidade de existência de renas voadoras. Falo de renas minúsculas, de dimensões quânticas, invisíveis aos pecadores, mas perceptíveis aos olhos do bom velhinho. Vai daí que as renas que puxam o trenó não são renas, mas aglomerados de nano-renas disfarçadas de renas. Nano-renas voadoras. Quânticas!

Crianças boazinhas

Papai Noel só dá presentes às crianças cristãs, descartando muçulmanas, judias, hindus e budistas que quando ganham presentes no Natal pensam que foi Papai Noel que trouxe. Ilusão, foi o pai delas que comprou nas Casas Bahia. Estima-se que haja 2 bilhões de crianças no mundo, (classificação de seres humanos vivos de até 18 anos) sendo que Papai Noel atende a 15 % do total, ou seja, 378 milhões de baixinhos ávidos por presentes, de acordo com o US Population Reference Bureau. O censo considerou 3,5 crianças por domicílio. Imaginando que em cada casa haja pelo menos uma criança boazinha, que escove os dentes, lave atrás das orelhas e tome sopa de nabo sem reclamar, Papai Noel tem perto de 100 000 chaminés a serem visitadas na véspera de Natal.

O trabalho (The gifts delivery)

No único dia em que trabalha no ano, Papai Noel dispõe de 31 horas para executar a tarefa. Ele usa a seu favor os fusos horários e a rotação da Terra, viajando de leste para oeste. Apesar dos ventos favoráveis o trabalho é árduo, são 822,6 visitas por segundo. Em cada lar cristão (com criança boazinha) Papai Noel dispõe de 1/1000 (1 milésimo) de segundo. Não podemos nos esquecer da inércia, desacelerar a nave, digo o trenó, não é fácil, qualquer deslize e a casa a ser visitada fica para trás. Deve ter sido por isso ganhei uma caixa de lenços e um prendedor de gravatas aos 12 anos. Eu tinha pedido uma bicicleta e a mão de Marina Vlady em casamento. Enfim, desacelerar e depois entregar o presente e voltar para a nave, digo trenó, em um milésimo de segundo seria razoável para o "The Flash". Papai Noel é um velhinho gorducho o que prova que com fé e perseverança tudo é possível. No trajeto entre as casas das crianças boazinhas Papai Noel viaja a 1045 quilômetros por segundo. Três mil vezes a velocidade do som! O veículo mais rápido do mundo, a sonda espacial Ulisses percorre 44 quilômetros por segundo. Essas velocidades que acabei de colocar servem para confirmar a tese sobre o aglomerado de nano-renas, pois uma rena comum mal alcança 25 km/h.

Do bagageiro

Contentar baixinhos é tarefa árdua, mas transportar a fonte do contentamento (presentes) é um problema logístico de grandes proporções. Vamos supor presentes com massa média de 900 gramas, alguns ficam contentes com livros, mas há quem queira halteres. O bagageiro do trenó puxado por aglomerados de nano-renas sai do Polo Norte carregado com 321.300 toneladas. Mais os 120 quilos do Papai Noel. Massa mais de 3 vezes superior à do transatlântico inglês Queen Elizabeth. Içaaaa!

Acelerando até atingir 1.045 quilômetros por segundo em milésimos de segundos, Papai Noel ficaria submetido a uma aceleração milhares de vezes superior à da gravidade. Com massa de 120 quilos o bom velhinho seria esmagado não fosse o supressor de inércia instalado no trenó. Isso é assunto para uma próxima vez.

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Opinião

Pressões pelo protecionismo

AE - AE
Aumentar o poder de competição da economia nacional será uma das principais tarefas do novo governo, se a presidente Dilma Rousseff quiser manter a produção e o emprego em crescimento. A invasão de produtos importados, o saldo comercial minguante e o crescente buraco na conta corrente do balanço de pagamentos não permitem muita hesitação. Se demorar a agir, o governo ficará perigosamente exposto a pressões de empresários e sindicalistas e terá dificuldade para evitar uma recaída do Brasil no protecionismo.

A movimentação de sindicalistas em favor de uma ação oficial contra as importações já é ostensiva, como indicou reportagem publicada segunda-feira no Estado. A presença crescente de produtos importados no mercado brasileiro é apontada como ameaça ao emprego. O risco pode ser pouco perceptível para a maioria das pessoas, neste momento, mas tende a crescer e é preciso levá-lo em conta.

Dirigentes de entidades empresariais também têm pedido socorro e tendem a articular-se com os sindicalistas na cobrança de medidas defensivas e de benefícios tributários aos produtores brasileiros.

Articulações desse tipo são perigosas. Induzem os governos a produzir respostas políticas para atender os grupos mais articulados, em vez de tomar providências mais eficazes para fortalecer a economia nacional. Protecionismo e subsídios são bons para alguns setores empresariais e para algumas categorias de trabalhadores, mas custam muito para o consumidor, para os trabalhadores de outras áreas e para os contribuintes em geral.

Para responder ao desafio, o novo governo terá de enfrentar com urgência tarefas prometidas e jamais cumpridas de forma satisfatória pelas autoridades nos últimos anos. O País dispõe oficialmente de uma Política de Desenvolvimento Produtivo, mas a ação oficial nunca foi muito além das palavras e da formulação de esquemas ambiciosos. O crescimento econômico dos últimos oito anos foi muito mais uma consequência da ação dos empresários do que das iniciativas governamentais. O ambiente internacional favorável até 2008 também ajudou muito.

Em vez de esperar pressões de sindicalistas e de empresários, a equipe do novo governo deveria examinar as deficiências da economia brasileira e pensar em como combatê-las. Pode-se encontrar um bom inventário dos problemas no estudo comparativo de competitividade publicado na sexta-feira passada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Nesse estudo, o Brasil aparece em 36.º lugar numa lista de 43 países. Esse conjunto corresponde a cerca de 90% do produto bruto global. O País subiu um degrau nessa classificação, desde o levantamento anterior, mas continuou no grupo dos países de baixa competitividade (nos outros grupos estão os de competitividade alta, satisfatória e média).

A posição brasileira seria provavelmente melhor, se a classificação fosse baseada só nos atributos das empresas. Mas o poder de competição do setor produtivo é determinado por numerosos fatores, como a carga tributária, a qualidade das finanças públicas, as condições de financiamento, a qualidade e a extensão da infraestrutura, a taxa de poupança e a oferta da mão de obra adequada. Em todos esses itens o Brasil perde para as economias desenvolvidas e para a maior parte das emergentes.

O Brasil, uma das dez maiores economias do mundo, tem hoje mais influência do que há oito ou dez anos. Mas isso não lhe assegura vantagem permanente no confronto com os competidores. Os dados são muito claros: o produtor nacional vem perdendo a corrida tanto no mercado externo quanto no interno. Sem as boas condições de preços dos produtos básicos, a receita de exportações teria crescido bem menos neste ano e as perspectivas seriam piores em 2011.

Há poucos dias o ministro da Fazenda anunciou estímulos ao financiamento de longo prazo. A medida é oportuna, mas o programa é limitado e não produzirá efeitos imediatos. Além disso, é preciso agir numa frente muito mais ampla. Se for rápido, o novo governo poderá desenvolver uma política racional e eficaz. Se for lento, ficará exposto a pressões perigosas.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 22 / 12 / 2010

Folha de São Paulo
"Para 83%, Dilma vai ser igual ou melhor que Lula"

Maior esperança está na área de saúde; pior expectativa se relaciona ao combate à corrupção, mostra Datafolha

Pesquisa Datafolha feita em todo o país revela que, para 83% da população, a presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), fará um governo igual ou melhor que o de Luiz Inácio Lula da Silva. Para 53%, a gestão dela será igual a dele. Segundo 30%, porém, ela se sairá melhor. O futuro governo será ótimo ou bom para 73%. É a segunda expectativa mais otimista desde a redemocratização - perde para Lula, que tomou posse em 2003 com 76%. Fernando Henrique teve 70% no primeiro mandato e 41% no segundo. Fernando Collor, 71%. Para quase um quinto dos entrevistados (18%), a saúde é a área em que Dilma deve se sair melhor. Já o pior desempenho da petista aparece na expectativa de combate à corrupção, quesito em que 20% consideram que sua atuação será ruim ou péssima.

O Estado de São Paulo
"Ameaça de caos aéreo faz Dilma desistir de ministério"

Presidente eleita descarta pasta de Aeroportos; sem acordo, aeroviários mantêm greve para amanhã

A presidente eleita, Dilma Rousseff, desistiu de criar o Ministério de Portos e Aeroportos. Ela recebeu informe do governo segundo o qual o País está na iminência de enfrentar uma crise aérea "brutal", inclusive com paralisação de serviços e companhias, o que desaconselha qualquer mudança estrutural no setor. A área continuará sob o comando do Ministério da Defesa, ocupada por Nelson Jobim, que ontem se reuniu com Dilma. Também ontem, aeronautas e aeroviários não chegaram a acordo com as companhias aéreas para evitar a greve anunciada para amanhã. O governo considera que as sindicalistas estão fazendo "terrorismo" às vésperas do fim de ano e ameaça acionar a Justiça. O procurador-geral do Trabalho, Otávio Brito Lopes, disse haver espaço para continuar a negociação até amanhã. Ele considera que não há mobilização suficiente dos trabalhadores para iniciar a greve.

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terça-feira, dezembro 21, 2010

Família


Viva a revolução!

"É melhor morrer de pé do que viver de joelhos"...
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxZapata

Sidney Borges
Emiliano Zapata aparce sentado no meio da foto. Ele e seus homens fizeram parte da Revolução Mexicana de 1910 que lutou contra o governo despótico e corrupto do presidente Diaz. Zapata no sul e Pancho Villa no norte. Madero era aliado deles e ocupou o cargo de Diaz depois da vitória. O tempo passou e como Madero não fizessez as reformas que prometera, e agisse de forma despótica e corrupta como seu antecessor, Zapata, descontente, liderou um movimento revolucionário contra ele. Desta vez o caldo entornou. Traído por seus aliados, Zapata foi emboscado e morto. A história mostra que todos os participantes de revoluções, vencedores, perdedores e os que não estão nem aí morrem. Ninguém escapa, nem mesmo os que são contra as revoluções. Até os papas, infalíveis e santos que são, batem as botas...

No círculo vermelho aparece Albano Borges, meu tio, que ao sair de Portugal chegou atrasado ao porto de Lisboa e em vez de embarcar para o Brasil tomou o vapor errado e foi parar no México, onde, sem jamais aprender a língua, ganhou a vida tocando triângulo numa banda de mariachis. Acredita-se mesmo que tenha sido o introdutor do instrumento no país dos "aztecas".

Tio Albano fugiu do México atravessando o Rio Grande a nado - sem saber nadar - e depois fugiu dos Estados Unidos disfarçado de rabino. Chegou ao Brasil em 1915. Cansado de aventuras casou-se com a Tia Julieta e viveu anos à frente de um restaurante de comida baiana. O único do Brasil que servia guacamole. Aos sábados havia música ao vivo quando titio exibia sua habilidade no triângulo e emocionava a todos que embalados pela tequila saiam dando tiros para o alto em confraternização geral.

Bons tempos!

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Difração

Milagre econômico

70% do crescimento da América latina em 2010 se deveu à Ásia

Trechos do artigo de Jorge Castro, analista e ex-ministro argentino no Clarín (19), no Ex-Blog do Cesar Maia

1. A América Latina cresceu 6% este ano, com um aumento da renda per capita de 4,8%, depois de cair -1,9% em 2009. A expansão da região ultrapassou todas as previsões, segundo a Cepal, e as únicas exceções a este crescimento generalizado são a Venezuela e o Haiti, que caíram -1,6% e -7%, respectivamente. É um crescimento heterogêneo. A América do Sul vai crescer 6,6%, enquanto o México e a América Central, 4,9%.

2. A diferença entre as duas dinâmicas é que na América do Sul estão os países exportadores de commodities (agrícolas, minerais e energia), que tiveram uma extraordinária melhora em termos de intercâmbio e um valor recorde em suas exportações. Mais de 70% do crescimento sul-americano este ano é devido à demanda de países emergentes (China / Índia).

3. Isso significa que o PIB mundial cresceu em 2010 em U$S 69.947 bilhões (poder de compra doméstico -PPP), dos quais os países avançados têm 49,3%, e os demais, 50,7%. Neste quadro, a China tem, medida em PPP, uma porcentagem maior do que a dos EUA da produção mundial (U$S 15.203 bilhões/21,7% versus U$S14.369 bilhões/20,5%). Devido a isso, o crescimento da China este ano representa 59% do total mundial, enquanto que o crescimento dos EUA equivale a 15%.

Nota do Editor - Viva a China! Sidney Borges

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Opinião

Novo plano para a Educação

O Estado de S.Paulo - Editorial
O Ministério da Educação (MEC) dispunha de muito tempo para preparar o Plano Nacional de Educação para o período de 2011 a 2020 - que tem de ser anunciado até 31 de dezembro, como determina a lei -, mas se atrasou, por causa dos problemas ocorridos na aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), e acabou divulgando um projeto feito às pressas. Com 11 artigos e um anexo de 16 páginas, o texto é uma verdadeira colcha de retalhos.

O Plano, que tem de ser aprovado pelo Congresso e pode ser alterado pelos parlamentares, tem 10 diretrizes e 20 metas. As diretrizes foram formuladas com a marca característica do governo do presidente Lula - ou seja, são grandiloquentes, porém vagas. Elas propõem a "superação das desigualdades educacionais", a "promoção humanística, científica e tecnológica do País", a "promoção da sustentabilidade socioambiental", a "formação para o mercado" e a "difusão dos princípios da equidade, do respeito à diversidade e a gestão democrática da educação".

Várias das 20 metas não passam de simples declaração de intenções. E uma - a que prevê colocar nas universidades cerca de 33% da população entre 18 e 24 anos - limita-se a repetir o que já constava no Plano preparado pelo governo do presidente Fernando Henrique Cardoso para a atual década. Em outras palavras, o presidente Lula teve dois mandatos para alcançar essa meta, não conseguiu e deixou o desafio para a presidente eleita, Dilma Rousseff. O Plano também deixa para ela o cumprimento da promessa feita por Lula no início de seu primeiro mandato, de erradicar o analfabetismo.

A maioria das metas propostas pelo MEC se destaca pelo irrealismo. O Plano propõe elevar os recursos públicos do setor, que passariam dos atuais 5,2% do Produto Interno Bruto (PIB) para 7%. Ele também promete criar planos de carreira para professores, "aproximar" o salário do professorado do de outros profissionais com nível superior (que, em média, ganham 60% a mais), estimular a participação da comunidade na escolha dos diretores de escola e duplicar o número de matrículas no ensino técnico de nível médio.

O Plano prevê ainda que 50% das crianças com idade de até 3 anos estejam em creches até o final da década; que todas as crianças sejam alfabetizadas até os 8 anos de idade; que metade das escolas públicas ofereça ensino em tempo integral, com sete horas de duração e que metade dos professores da rede escolar do ensino básico tenha feito mestrado ou doutorado. Para avaliar corretamente o grau de irrealismo desta meta, basta lembrar que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), vinculado ao MEC, divulgou recentemente uma pesquisa mostrando que mais de um terço do 1,9 milhão de professores das redes pública e privada de ensino fundamental e ensino médio não dispõe nem mesmo de diploma universitário. A situação é mais grave nas Regiões Norte e Nordeste, onde 75,2% e 71,5% dos docentes, respectivamente, lecionam sem ter cursado uma faculdade.

Para os especialistas em pedagogia, a baixa escolaridade do magistério é um dos problemas mais graves da educação brasileira, que continua muito distanciada dos padrões necessários a uma economia competitiva - como foi evidenciado pelo último levantamento comparativo do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês), divulgado há dez dias. No ranking da pesquisa, que é realizada pela OCDE, os estudantes brasileiros ficaram nos últimos lugares em matemática, ciências e capacidade de leitura.

A única novidade do Plano é a proposta de introduzir o "princípio da responsabilidade educacional" na Lei de Ação Civil Pública. A medida, que precisa ser mais detalhada, permitiria ao Ministério Público acionar prefeitos e governadores que não cumpram as metas educacionais. Por ironia, as autoridades educacionais do governo FHC chegaram a cogitar dessa medida, mas desistiram de implementá-la por causa da oposição do PT.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 21 / 12 / 2010

Folha de São Paulo
"Governo usa taxa de telefones para financiar déficit"

Tesouro retém R$ 43 bi que deveriam ser empregados para oferecer serviços telefônicos à população de baixa renda

O governo usou para financiar o seu déficit R$ 43 bilhões do setor de telecomunicações que deveriam custear fiscalização, pesquisas e oferta de serviço telefônico em locais remotos e para a população de baixa renda, informa Elvira Lobato. Segundo o próprio governo, desde 1997 foram arrecadados R$ 48 bilhões em três fundos públicos do setor. Só R$ 4,9 bilhões (cerca de 10%) tiveram o destino previsto; os outros 90% estão retidos no Tesouro para financiar contas públicas. De acordo com as teles, as taxas de contribuição para os fundos são repassadas ao consumidor. Quem tem celular ativo paga R$ 13 por ano para o Fistel, o maior dos fundos, que deve chegar ao final de 2010 com saldo de R$ 36 bilhões.

O Estado de São Paulo
"Mais sete ministros de Dilma são anunciados e Ciro fica fora da lista"

Segundo seu partido, deputado recusou a Integração porque queria a Saúde

O deputado Ciro Gomes (PSB-SP) decidiu não entrar no ministério de Dilma Rousseff. No PSB, comenta-se que Ciro queria a pasta da Saúde, mas, como ela já estava reservada, ele não aceitou a Integração Nacional, que lhe foi oferecida. Com isso, a cota de poder do PSB, que reivindicava três ministérios, ficou fixada em dois: Integração e o novo Portos e Aeroportos. A equipe de transição da presidente eleita anunciou mais sete ministros. O atual titular das Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT), foi confirmado na Saúde, solução para a impossibilidade de indicar um técnico, como queria Dilma.

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segunda-feira, dezembro 20, 2010

Barata do mar.

Mensaleiro trapalhão

Mãe Dinah é mais confiável

Previsões do gênio político José Dirceu desafinam tanto quanto as canções entoadas por Eduardo Suplicy

WikiLeaks - Folha SP, 20
O ex-ministro José Dirceu deixou o governo em 2005 duvidando da capacidade que o presidente Lula  teria para se recuperar dos estragos que o escândalo do mensalão causou à sua imagem. Dois meses depois do seu afastamento, Dirceu disse a um amigo americano que Lula dificilmente seria reeleito nas eleições de 2006 e afirmou que ele poderia desistir de concorrer a um novo mandato se ficasse "deprimido".  De acordo com um despacho diplomático americano obtido pela organização WikiLeaks, Dirceu considerava mais provável uma vitória da oposição em 2006 e previu que o candidato do PSDB à Presidência seria o então prefeito de São Paulo, José Serra. Nenhuma das previsões de Dirceu se confirmou.

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Coluna do Rui Grilo

Crianças podem ter nova forma de abrigo

Rui Grilo
É muito comum se ouvir críticas ao ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente - como se ele fosse a causa de todos os problemas relacionadas ao adolescente infrator e pouco se ouve sobre as mudanças no sentido de dar um tratamento com melhores resultados. E muitos dos problemas que a sociedade enfrenta quanto a essa questão é justamente porque as soluções propostas não foram implantadas desrespeitando a lei que afirma a prioridade de direitos e de tratamento da criança e do adolescente.

Mas como é lei e todos são iguais perante a lei, os responsáveis pelo não atendimento ao que ela determina podem ser penalizados, todas a prefeituras são obrigadas a prever recursos e formas adequadas de atendimento, acabando com os grandes orfanatos e grandes centros de internação de infratores, com o objetivo de humanizar o atendimento e evitar as conseqüências danosas desse tipo de segregação social.

Assim, a Câmara Municipal de Ubatuba aprovou por unanimidade, o Projeto de Lei nº 72/10, do Executivo, que dispõe sobre a criação de Casa Lar e da atividade de Educadora/Cuidadora residente.

Entende-se como Casa Lar a unidade residencial sob responsabilidade da Educadora/Cuidadora Residente, que acolha no máximo dez crianças/adolescentes afastados do convívio familiar por meio de medida protetiva e de acolhimento institucional, cujas possibilidades de retornos à família de origem e colocação em família substituta foram esgotadas.

De acordo com o projeto de lei, a Fundação da Criança e do Adolescente de Ubatuba- Fundac, fica autorizada a firmar convênio, contrato de parceria ou de gestão junto a instituições sem fins lucrativos ou econômicos, visando o funcionamento do projeto Casa Lar.

Para isso foi firmado um convênio com as Aldeias Infantis SOS, instituição que funciona em mais de cem países, e nesta sexta (17/12) foi realizada uma reunião da qual participaram a diretora presidente Interina da Fundac, Rozemara Cabral Mendes e membros da equipe técnica e do CMDCA – Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente.

O Sr. Sergio Eduardo Marques da Rocha, Sub-Gestor Nacional das Aldeias fez uma breve exposição sobre as mudanças na política pública de atendimento à criança e ao adolescente e os principais problemas enfrentados. Destacou que as ações de proteção à criança precisam ser urgentes e imediatas e, muitas vezes, ficam bloqueadas porque dependem da emissão de uma guia judicial e muitos municípios não possuem ainda uma vara da infância e da juventude.

Convivi com crianças das Aldeias Infantis SOS Rio Bonito, situada na zona sul de São Paulo, pois as escolas em que trabalhei eram próximas das aldeias e recebíamos as crianças como qualquer aluno do bairro. Quando havia reuniões de pais e mestres, as mães sociais participavam e, às vezes, o pai social. Lá, era uma espécie de chácara no meio do bairro, cercada de telas de arame, permitindo a visualização de ambos os lados, tanto de quem olha de dentro para fora, e também de fora para dentro. Eram várias casas e, em cada uma havia uma mãe social. E para coordenar o trabalho de todas e ter um modelo masculino em quem os meninos pudessem se espelhar, havia um coordenador do sexo masculino. Essa aldeia funcionava desde o início da década de 80 e, embora muito avançada para os padrões de atendimento da época, hoje está sendo questionada e revista, no sentido de que sejam unidades menores e que não se destaquem das demais moradias do bairro, mais próximas da moradia de uma família comum.

Acredito que essa medida seja um avanço se o poder público prever os recursos humanos e materiais necessários para o funcionamento da casa.

Outra medida que pode mudar a qualidade do atendimento à criança e adolescente é a oferta do curso Ação e Proteção promovido pela Fundação Telefônica e a Childhood Brasil (entidade criada pela rainha Silvia da Suécia) destinado a qualificar tecnicamente aqueles que, de alguma forma lidam com a questão. Já há um grupo expressivo de agentes sociais de várias instituições participando do curso que é oferecido à distância, via internet.

Para maiores informações clique aqui.

Relacionado ao tema, aproveito este espaço para convidar a todos para participarem do debate “JUVENTUDE E PERSPECTIVAS’ hoje, às 18 horas na Câmara Municipal.

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Opinião

Um bom exemplo

AE - AE
A 17.ª Bienal Panamericana de Arquitetura de Quito, Equador, classificou em primeiro e terceiro lugares dois projetos de reurbanização desenvolvidos na cidade de São Paulo. O arrojado programa colocado em prática pela Prefeitura, Estado e União em Paraisópolis, a segunda maior favela da capital, com 60 mil habitantes, foi o grande vencedor na categoria Habitat Social y Desarollo Urbano, única modalidade internacional do evento. O projeto desenvolvido no Complexo Cantinho do Céu, no Grajaú, zona sul da cidade, pela Secretaria Municipal da Habitação em parceria com o governo do Estado e a Sabesp, ficou em terceiro lugar na mesma categoria. A Bienal reconheceu as iniciativas como as mais relevantes para a eliminação da pobreza urbana e inadequação habitacional promovidas por cidades da América Latina.

Em Paraisópolis, imensa favela de 19 mil domicílios, situada ao lado do bairro nobre do Morumbi, 3,1 mil famílias serão reassentadas para eliminação de áreas de risco e a abertura de novas vias. As primeiras mil moradias estão sendo construídas e 126 delas foram entregues no início deste semestre.

O projeto, orçado em R$ 528,7 milhões, inclui ainda Assistência Médica Ambulatorial, uma Unidade Básica de Saúde, um Centro de Atenção Psicossocial, um Centro de Educação Infantil e um Centro Educacional Unificado, já construído.

Também estão em andamento obras de drenagem urbana, redes de esgoto e água e pavimentação.

Para melhorar a circulação e o transporte público e desafogar as avenidas próximas da favela, está em construção a Via Perimetral, que segue traçado paralelo ao da Avenida Giovanni Gronchi até a Ponte João Dias, na Marginal do Pinheiros. O projeto Nova Paraisópolis faz parte do Programa de Reurbanização de Favelas da Prefeitura, com apoio do Estado e da União.

A segunda iniciativa premiada pela Bienal, o Complexo Cantinho do Céu, integra o Programa de Mananciais, iniciativa da Prefeitura com apoio do governo do Estado e da Sabesp. Ele foi definido pelos organizadores do evento como "projeto entre a casa e a água".

Ao contrário do que sugere o nome, nada merece o diminutivo naquela área ocupada às margens da Represa Billings, responsável pelo abastecimento de água de aproximadamente 4 milhões de moradores da capital. É uma concentração de submoradias habitadas por 9,8 mil famílias que ocupam mais de 1,5 milhão de metros quadrados - área equivalente à do Parque do Ibirapuera. A ocupação provoca graves danos ambientais e compromete, principalmente, a qualidade da água do manancial.

A reurbanização do local foi projetada para frear a degradação do reservatório e, ao mesmo tempo, assegurar a inclusão social da população e a sustentabilidade das intervenções urbanísticas. O plano custará R$ 120 milhões em obras de drenagem, esgoto, pavimentação, contenção de áreas de risco e de urbanização. A ocupação das margens da represa reunirá espaços de lazer e convivência e a conclusão dos trabalhos está prevista para 2012.

Desde 2005, o Programa de Reurbanização de Favelas do Município de São Paulo já mudou a vida dos moradores de 12 bairros, beneficiando mais de 13,6 mil famílias. Mais de 10 mil novas moradias foram construídas no período e, embora o número ainda esteja aquém do necessário, esses projetos municipais têm recebido reconhecimento mundial.

O Nova Paraisópolis já havia sido destaque na Bienal de Roterdã e o Cantinho do Céu, na Bienal de Veneza, ambas realizadas este ano. Em maio, o Programa de Reurbanização de Favelas da Prefeitura de São Paulo recebeu o Prix D’Excellence Awards 2010, na categoria Infraestrutura Pública, concedido pela Fiabci, a mais importante entidade do setor imobiliário internacional ligada à ONU.

A cooperação dos três níveis de governo tem dado bons resultados, como se vê. Ao todo, investimentos de aproximadamente R$ 2 bilhões estão sendo realizados para o atendimento de 140 mil famílias em 110 favelas na cidade de São Paulo.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 20 / 12 / 2010

Folha de São Paulo
"Lula não descarta voltar ao Planalto"

Não posso dizer que não porque sou um político nato", diz presidente

O presidente Lula, 65, disse que poderá ser candidato ao Palácio do Planalto, informa Kennedy Alencar. "A gente nunca pode dizer não", afirmou em entrevista ao programa “É Notícia", da RedeTV!. "Fico até com medo. Alguém vai assistir à entrevista e dizer que 'Lula diz que pode ser candidato'. Eu não posso dizer que não porque sou um político nato", acrescentou. "Vamos trabalhar para a Dilma fazer um bom governo e, quando chegar a hora certa, a gente vê o que vai acontecer", relativizou. O presidente também falou do mensalão e dos ex-ministros José Dirceu (Casa Civil) e Antonio Palocci (Fazenda). Lula voltou a qualificar o escândalo como "lambança eleitoral" e disse que agora vai reler o noticiário para fazer um "juízo de valor" do que aconteceu. Para Lula, Dirceu não conseguiu conciliar a política com a necessidade de gerenciar o governo. "Era peso demais para uma pessoa", disse. Já Palocci é elogiado: "Devemos muito ao Palocci. Era preciso ser [rigoroso] naquele momento".

O Estado de São Paulo
"Empresas e centrais reagem à invasão dos importados"

União de empregados e sindicalistas visa cobrar de Dilma medidas protecionistas, além de incentivos fiscais

Empresários e sindicalistas deixam as diferenças de lado para traçar estratégias que impeçam a invasão dos importados e a desindustrialização no País. A aliança deve ganhar força no governo Dilma Rousseff. "Queremos falar com a presidente, a equipe econômica e os parlamentares", diz o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical. A ideia do movimento é convencer o governo a adotar medidas de proteção contra importações, além de incentivo fiscal e tributário a setores afetados pela substituição da produção local por produtos estrangeiros. Entre estes setores estão a cadeia de abastecimento do setor automotivo, bens de capital, eletroeletrônicos, calçados e têxteis. Um amplo debate confrontando a visão de empresários, trabalhadores e governo, já no início do ano, é a ideia que líderes sindicais levam hoje ao presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. A ação entre capital e trabalho se estreitou nos últimos tempos. Em 2009, negociações conjuntas garantiram ganhos salariais de até 6% acima da inflação, mas hoje empresas sinalizam perda de competitividade e sindicalistas temem desemprego. Só no mês passado, a indústria calçadista fechou 5 mil postos de trabalho, enquanto as importações de calçados da Malásia, Indonésia e Vietnã subiram 26% de janeiro a novembro.

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Alhos. E bugalhos...

domingo, dezembro 19, 2010

Ramalhete de "causos"

“Quem resiste a uma ova assada?”

José Ronaldo dos Santos
Fabiana, caiçara da praia da Maria Godói, morava com as outras duas irmãs (Zulmira e Maria) desde que os pais morreram. Ah! Só para informar: a praia em questão está localizada no esporão do Tapiá; o caminho mais curto é pela trilha que sai do condomínio, no canto direito da praia das Toninhas. Vale a pena conhecer essas bandas!

Voltando ao nosso causo, as irmãs eram solteiras e assim continuaram até se findarem. Hoje, quem passa por lá percebe, junto ao rio que está mais para córrego, o local onde era a modesta casa da última geração dos Godói. No barranco, escorrendo para o esquecimento, já encontrei uma diversidade de cacos capaz de contar uma boa parte da história daquelas pessoas.

Quem me relatou este causo foi um casal muito simpático: Chico Cruz e Rita, que, por um tempo, foram vizinhos das irmãs na década de 1950. Hoje são falecidos.

As irmãs eram pescadoras e roceiras conforme todo mundo daquele tempo, onde subsistir era a lei única. Isso quer dizer que comiam, principalmente, peixe e farinha de mandioca. Se você passar por lá com um espírito curioso, poderá achar o velho tarumã que estará até o seu dia final com o buraco da prensa de arataca. Porém, conforme o casal caiçara que me presenteou com tal causo, chegou um dia em Fabiana não quis comer mais nada que se referisse à carne. Não adiantava lhe oferecer um guisado de jacutinga, nem uma panelada de garoupa com banana santomé. Rejeitava mesmo!!! Dizia “que tudo aquilo que palpitasse ou vivesse a repugnava nesse período de sua vida, pois o animal morre com a mesma dor que o homem. E mais: não lhe apetecia digerir agonias”. Neste princípio foi o restante de sua vida.

Mais pessoas, além do referido casal de caiçaras, me falaram da horta das irmãs Godói que “enchia os olhos”. Em torna da casa, nas frondosas árvores, era tralha de tudo: uma diversidade de carás, chuchus, pepino e café-feijão. (Uma pergunta: você já experimentou esse café?). Dos morros, nos aceiros das roças, retiravam os palmitos da jissara quando queriam variar do palmito de caraguatá. Só de uma coisa a Fabiana não conseguiu se libertar: nunca conseguiu dizer não a uma ova de tainha assada. É isso: como apagar uma parte da alma caiçara?

Sugestão de leitura: As quatros vozes, de Rabindranath Tagore.

Boa leitura!

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Mulheres...

Região

Litoral de São Paulo terá "check-in anticrime" no verão

Folha.com
Primeiro foram moradores de praias nobres de São Sebastião, como Baleia e Barra do Sahy, que contrataram vigilância privada para suprir a falta de policiamento e melhorar a sensação de segurança no litoral norte de SP. Depois, vias públicas passaram a receber câmeras.

Na temporada, média de roubos no litoral de São Paulo pode até triplicar.

Somado ao reforço dessas estratégias, agora tem prefeitura que prepara check-in anticrime para controlar quem aluga casas de veraneio, informa a reportagem de Alencar Izidoro publicada na edição deste domingo da Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

A iniciativa é de Caraguatatuba, que passará a exigir no mês que vem a ficha criminal de quem quiser ocupar algum imóvel na temporada. Ou seja, além de contrato e documentos dos inquilinos, os proprietários e imobiliárias terão de requisitar atestados de antecedentes dos interessados em se hospedar.

Em caso de recusa, devem levantar por conta própria a ficha simplificada, conhecida como DVC (Divisão de Vigilância e Capturas), ou avisar os órgãos policiais, sob pena de multa de três salários mínimos -R$ 1.530.

O objetivo declarado é evitar que imóveis de uso temporário -que representam metade do total em Caraguá, com 30 mil unidades- sejam usados na prática de crimes. Nos últimos anos, foram identificadas casas usadas como cativeiro e para abrigar ladrões. Caraguá também esteve no topo de alguns índices de criminalidade em SP.

A exigência do atestado em Caraguá foi fixada por lei municipal aprovada há um ano.

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Natal e Ano Novo, coisas do povo...

A propósito de jornalismo...

A busca da verdade

Merval Pereira no Blog do Noblat
No discurso que fiz quando tomei posse recentemente na Academia Brasileira de Filosofia, na cadeira 48 cujo patrono é Hipólito da Costa, fundador do primeiro jornal brasileiro, o Correio Braziliense, impresso em Londres em 1808, destaquei o surgimento das novas tecnologias e seu impacto na relação do jornalismo com a sociedade.

O ponto de interseção entre o jornalismo e a filosofia é a busca desinteressada da verdade, a principal tarefa do jornalista, a ponto de constituir-se em um imperativo ético da profissão.

Nesse particular, os vazamentos de documentos da diplomacia americana pelo Wikileaks têm a função de revelar os meandros das tomadas de decisão dos governos, o que colabora para a descoberta da verdade, cuja revelação nunca será total por ser a verdade, por definição, inesgotável.

Mas, como comenta o sociólogo Manuel Castels, um dos principais estudiosos dos novos meios de comunicação e seus efeitos na sociedade moderna, “nunca mais os governos poderão estar seguros de manter seus cidadãos na ignorância de suas manobras”.

Ele diz que “seria preciso sopesar” o risco da revelação de comunicações secretas que poderiam dificultar as relações entre estados “contra a ocultação da verdade sobre as guerras aos cidadãos que pagam e sofrem por elas”.

Desse ponto de vista, sem dúvida o que Julian Assenge e seu blog Wikileaks fazem é puro jornalismo, embora, pelas suas declarações, se possa concluir que a motivação para a exigência de transparência dos governos não seja informação pura e simples, mas uma ação anárquica contra todo tipo de governo, o que retiraria a característica jornalística de sua atividade para transformá-la em uma ação política, como alguns o vêem.

Com relação ao jornalismo, há um livro canônico, “Os propósitos do Jornalismo”, no qual os jornalistas americanos Bill Kovach e Tom Rosenstiel definem como a finalidade do jornalismo essa busca da verdade e a responsabilidade com o cidadão: "fornecer informação às pessoas para que estas sejam livres e capazes de se autogovernar".

No discurso destaquei que o problema da ética jornalística tem uma complicação própria. Exercemos um papel socialmente relevante – ao produzir um primeiro nível de conhecimento, acabamos por ser um canal de comunicação que liga Estado e Nação, mas também os muitos setores da Nação entre si.

É nossa atribuição fazer com que o Estado conheça os desejos e intenções da Nação, e com que esta saiba os projetos e desígnios do Estado.

Ainda, incumbe-nos permitir à sociedade acompanhar, com severidade de fiscal, aquilo que os Governos fazem em seu nome e, supostamente, em seu benefício.

Justifica-se essa definição de nosso papel com o fato de que, no sistema democrático, a representação é fundamental, e a legitimidade da representação depende muito da informação, que aproxima representados e representantes.

Essa função do jornalismo sem dúvida foi afetada pelo surgimento das novas mídias que, na opinião do professor brasileiro Rosental Calmon Alves, da Universidade do Texas em Austin, um dos maiores especialistas no assunto, representa uma revolução que só pode ser comparada, na historia das comunicações, com a invenção da imprensa por Gutenberg em 1495.

Ele não está falando apenas da Internet, mas da Revolução Digital, que está transformando profundamente o mundo em que vivemos.

Não é uma simples evolução tecnológica, que dá seguimento às evoluções do século passado, é muito mais do que isso. É uma ruptura de paradigmas. A Revolução Digital tem como impacto mais importante a repartição de poder dos meios de comunicação de massa com os indivíduos, destaca Rosental.

Essa é a nova sociedade civil global que está se formando, segundo a definição do sociólogo Manuel Castells, da Universidade Southern Califórnia, nos Estados Unidos que tenta preencher o "vazio de representação" a fim de legitimar a ação política, fazendo surgir "mobilizações espontâneas usando sistemas autônomos de comunicação".

Internet e comunicação sem fio, como os telefones celulares, fazendo a ligação global, horizontal, de comunicação, provêem um espaço público como instrumento de organização e meio de debate, diálogo e decisões coletivas", ressalta Castells.

Mas é o jornalismo, seja em que plataforma se apresente, que continua sendo o espaço público para a formação de um consenso em torno do projeto democrático.

O jornalismo de qualidade, tão importante para a democracia, teve papel fundamental na divulgação dos documentos do Wikileaks, e não foi à toa que Assenge procurou companhias de jornalismo tradicional como o The New York Times para dar credibilidade a seu trabalho.

A tese de que as novas tecnologias, como a internet, os blogs, o twitter e as redes sociais de comunicação, como o Facebook, seriam elementos de neutralização da grande imprensa é contestada por pesquisas.

Especialistas das Universidades de Cornell e Stanford demonstram que a internet é a "caixa de ressonância" da grande imprensa, de que precisa para se suprir de informação, e para dar credibilidade às informações.

Não é à toa que os sites e blogs mais acessados tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil são aqueles que pertencem a companhias jornalísticas tradicionais, já testadas na árdua tarefa de selecionar e hierarquizar a informação.

O jornalismo profissional tem uma estrutura, uma deontologia, uma forma profissional de colher e checar informações que a vasta maioria dos blogueiros não tem, define Rosental.

O filósofo alemão Jürgen Habermas revelou, em artigo recente, seu temor de que os mercados não façam justiça à dupla função que a imprensa de qualidade, segundo ele, até hoje desempenhou: atender a demanda por informação e formação.

No artigo, intitulado “O Valor da notícia”, Habermas ressalta que estudos sobre fluxos de comunicação indica que, ao menos no âmbito da comunicação política - ou seja, para o leitor enquanto cidadão -, a imprensa de qualidade desempenha um papel de "liderança": o noticiário político do rádio e da televisão depende em larga escala dos temas e das contribuições provenientes do que chama de jornalismo "argumentativo".

Sem o impulso de uma imprensa voltada à formação de opinião, capaz de fornecer informação confiável e comentário preciso, a esfera pública não tem como produzir essa energia, escreveu Habermas, e o próprio Estado democrático pode acabar avariado.

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