sábado, dezembro 11, 2010

Pancho...

José Doroteo Arango Arámbula (5 Junho 1878 – 20 Julho 1923), conhecido como Francisco Villa ou pelo nome de guerra, Pancho Villa. Famoso em todo o mundo é o mais conhecido general da Revolução Mexicana. Ou talvez o mais folclórico. 

Coluna do Mirisola

O exorcista

Ninguém sabe, mas além de grande escritor, Reinaldo Moraes é exorcista. Talvez nem ele saiba. Vai saber agora

Marcelo Mirisola*
Faz uns dois meses. O jornalista Álvaro Costa e Silva, o Marechal, me pediu um depoimento sobre Reinaldo Moraes, nosso amigo comum. Era prum jornal de São Paulo. Claro que sim, em se tratando do Reinaldo, fiz questão de caprichar. O tempo passava e a matéria não saía, e eu já havia esquecido do pedido do Marechal. Até que nesse domingo (5/12) deram a capa da Ilustríssima pro Reinaldão, curiosamente depois de o autor de Pornopopéia ter perdido o Prêmio São Paulo, o Jabuti e o Portugal Telecom, algo em torno de 330 mil reais. Parece que esse povo é sádico, sei lá. De qualquer forma, desconsiderando as tolices que Ruy Castro falou sobre Bukowski, a Folha de São Paulo acertou na homenagem. Reinaldão merece.

Chato é que Costa e Silva, o marechal da Help, não aproveitou meu depoimento. Então vou dar uma wikilicada e expor os arquivos secretos dele.

Aqui vai:

Reinaldão

A poeta de cílios brancos que sofria muito para ancorar navios no espaço havia me fisgado, eu estava apaixonado pela biografia que Ítalo Moriconi escreveu sobre Ana C.

Já fazia um bom tempo que vivia hipnotizado, respirando o mesmo ar de Ana Cristina César, que da condição de biografada passou a encosto. Encosto brabo. Idos de 1997.

Um ano depois, Maria Rita Khel prefaciou meu primeiro livro, “Fátima Fez os Pés Para Mostrar na Choperia”. Ela foi a primeira pessoa que me chamou de “autor”. Naquela época, sem exagero, fez toda a diferença: salvou minha vida. Um belo dia, Maria Rita me disse que tinha uma filha com Reinaldo Moraes, a Ana. As coisas e os fantasmas começavam a se ajustar.

Ninguém sabe, mas além de grande escritor, Reinaldão também é exorcista. Talvez nem ele saiba. Vai saber agora. Aconteceu numa tarde de dolce far niente lá no antigo cafofo da rua João Moura, quando eu percorria sua estante de livros que mais parecia um ninho de urubu. No meio daquela babel de poeira, fechei os olhos e puxei aleatoriamente o primeiro objeto retangular que me distraísse da rinite. Veio o livrinho vermelho. O mesmo que me atazanava há dois, três anos. Só que dessa vez o A Teus Pés estava autografado dela pra ele. Quem leu Tanto Faz e leu A Teus Pés sabe que Reinaldo e Ana Cristina César se trombaram em Paris mais ou menos na mesma época -ou um pouco depois - que Gabeira e sua famosa tanga de crochê festejaram a anistia ampla, geral e irrestrita no mar de Ipanema (mais detalhes na biografia de Ana C. escrita por Ítalo Moriconi).

Transido, fui tirar satisfações daquele autógrafo. Reinaldão me disse uma cafajestice qualquer que serviu para despachar Ana C. pros cafundós líricos e mimeografados dos 70s (para sempre) e liquidou de vez aquela frescura que me acompanhava em forma de encosto, agora não lembro o que ele disse: só me lembro que na sequência fomos pra Mercearia São Pedro e enchemos a cara.

Um dado. Nessa época, a Mercearia era apenas um buteco despretensioso que evidentemente vendia birita, produtos de limpeza e duas dezenas de livros que o Marquinhos escolhia a dedo. Nada a ver com o pet-shop que funciona hoje no mesmo local.

Era 1998, e – é claro – além de encher a cara, a noite estava boa e pedia aventura. De lá, seguimos pro falecido bar da Roseli que – doze anos depois – viraria, acho que sim, o Bar do Bitch no antológico Pornopopéia. Entre uma e outra metástase literária, Reinaldão reclamava da falta de gênios na praça. Se era esse o problema, que fizesse três pedidos. A primeira coisa que me pediu foi o telefone do traficante.

Para ter gênio, precisa ter generosidade. Grandeza. Coisa que faltava (e continua em falta) em praticamente 99,9 % dos viadinhos culturais e nerds que, desde aquela época, já empestavam as antecâmaras dos segundos cadernos. Os mesmos que poucos anos depois iriam ocupar as prateleiras de sabão em pó e encher o saco do Marquinhos lá na Mercearia São Pedro. Não deixem de experimentar o sanduíche de carne assada: o melhor da Vila Madalena, apesar dos pesares.

Lembro que eu era um escritor recusado por todas as editoras do Brasil, e lembro também que escondia o Tanto Faz no vão do sofá perto da janela lateral do quarto de dormir. Estava desempregado e evitava a todo custo que alguém me perguntasse o que, afinal, eu pretendia “fazer da vida” além de perder meu tempo lendo bobagens. Li aquele livro safado do Reinaldão da mesma forma que li toda a obra de Henry Miller, muita coisa do Bukowski e as crônicas do Carlinhos Oliveira, tudo na moita. Esses caras foram generosos comigo.

Antes de conhecer Reinaldo Moraes, eu achava que para fazer literatura a gente não tinha opção diferente de ir ao sacrifício. O Ricardinho de Tanto Faz, e depois o próprio Reinaldo me fizeram entender que não é bem assim. Pode ser mais complicado se você tiver três filhas matriculadas no Pueri Domus: o sacrifício muda de endereço – se é que me faço entender. Quero dizer que não tenho filhas em idade escolar, e nunca cheirei cocaína, ou melhor, só naquela noite Huxley no bar da Magali e até o dia amanhecer. Também considero que é um privilégio não ter um traficante à minha disposição. E claro, outro privilégio e não estar à disposição de nenhum traficante. Agora, o melhor de tudo, é saber que jamais vou atender os outros dois pedidos do Reinaldão. Nem fudendo. Posso ser gênio, mas não sou besta. Ele que tentou comer minha namoradinha de 17 anos e que tem ótimos contatos, ora, ele que se vire.

Tenham todos, bandidos e mocinhos, um ótimo natal.

* Considerado uma das grandes revelações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.

Twitter
Clique aqui e saiba mais
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Liberdade de imprensa, porém...

AE - AE
A história da obstinação de setores do atual governo pela concretização de um novo marco regulatório das comunicações eletrônicas que permita algum tipo de "controle social" de conteúdos viveu mais um capítulo esta semana. O jornal Folha de S.Paulo teve acesso ao anteprojeto do governo de uma tal Lei Geral da Comunicação Social, destinada a regular o funcionamento do setor por meio da criação de um novo órgão, a Agência Nacional de Comunicação (ANC), que substituiria a Agência Nacional do Cinema. Caberia a essa nova agência, entre outras atribuições, regular o conteúdo veiculado pelas emissoras de rádio e televisão. A notícia provocou reação negativa tanto na área política quanto na empresarial. Com a mesma presteza, o principal responsável pela elaboração do projeto, o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Franklin Martins, tentou minimizar a importância da notícia, alegando que existem várias versões de anteprojeto sobre o assunto. E a presidente da Empresa Brasil de Comunicação, Tereza Cruvinel, subordinada ao ministro, tentou desconversar: "Ouvi dizer que a versão publicada não é a definitiva." Mas não resistiu à oportunidade de reiterar o que pensa sua turma: "Como jornalista, acho que precisamos de alguma regulação. A liberdade de imprensa é sagrada, porém outros direitos precisam ser preservados." Há sempre um "porém".

O anteprojeto, elaborado por um grupo de trabalho criado há seis meses e coordenado pelo ministro Martins, prevê, por exemplo, que a agência a ser criada terá poderes para multar empresas que, a seu critério, veiculem programação ofensiva, preconceituosa ou inadequada ao horário. Não tem nada a ver com censura, garantem fontes do governo, pois a punição resultará sempre de um julgamento a posteriori. Que bom!

Já o líder do PSDB na Câmara, deputado João Almeida, não é tão otimista: "Esse julgamento implicará sempre uma manifestação ideológica em relação ao tema. Isso é uma coisa sempre muito perigosa, pode acabar descambando para a censura pura e simples." Essa é também a opinião do senador José Agripino, líder do DEM: "Qualquer tentativa dessas tem que ser vista sempre com muito cuidado. A liberdade de imprensa é uma conquista da democracia. Esse governo tem o cacoete de flertar com o cerceamento da liberdade."

Até onde se sabe, Dilma Rousseff não pretende manter em sua equipe o ministro Martins, ideólogo do "controle social" da mídia, e sua turma. Coerente com as reiteradas manifestações que tem feito de repúdio ao controle de conteúdo na mídia, a presidente eleita parece disposta a mudar o tom do discurso da Secretaria de Comunicação Social da Presidência. O que implicará contrariar a tendência que predomina nas entidades "de esquerda" que deram o tom, por exemplo, da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada um ano atrás em Brasília por iniciativa do ministro Martins. Essas entidades, na verdade, estão sempre mais à esquerda do que o próprio governo e frequentemente manifestam insatisfação com a "falta de avanços" tanto na regulação da tele e da radiodifusão quanto no controle dos conteúdos da mídia em geral.

Claro exemplo dessa situação é a posição de uma dessas entidades, a Associação Brasileira de Canais Comunitários, manifestada por seu presidente, Paulo Miranda, a propósito da cláusula do anteprojeto da Lei Geral de Comunicação que prevê a criação da ANC. Miranda defende a criação não de uma agência, mas de um Conselho de Comunicação, integrado por representantes da sociedade e das empresas do setor: "Uma agência não nos interessa. Tivemos a promessa do ministro Franklin Martins de que seria prevista a criação de um Conselho de Comunicação." A razão: um conselho permitiria a participação "mais ativa" da sociedade no controle das comunicações, enquanto uma agência reguladora seria apenas "mais um organismo burocrático". O que se almeja, portanto, é algo assim como a "democracia direta". De fato, e não por acaso, a criação de um conselho, e não de uma agência, foi uma das propostas aprovadas por unanimidade na célebre Confecom do ministro Martins.

Twitter

Manchetes do dia

Sábado, 11 / 12 / 2010

Folha de São Paulo
"Petrobras faz oferta para ser líder em etanol"

Estatal pretende comprar 40% da empresa de álcool do grupo Odebrecht em negócio estimado em R$ 3 bilhões

Num negócio avaliado em cerca de R$ 3 bilhões, a Petrobras fez oferta de compra de 40% da ETH, empresa da Odebrecht no segmento de álcool combustível. Em concorrência com petroleiras internacionais, a estatal visa a liderança do mercado brasileiro de etanol. Com o dinheiro da Petrobras, a vice-líder ETH pode se tornar nos próximos anos a maior produtora global de álcool - posição que atualmente pertence a Cosan, empresa que conta com a participação da anglo-holandesa Shell. A inglesa BP e outro concorrente de peso. Petrobras e Odebrecht não comentaram o negócio. Essa não é a primeira sociedade da estatal com a empreiteira. Juntas, formaram uma gigante na área petroquímica, tem parceria em fábrica de plástico verde e participam de projeto de mega-alcoolduto.

O Estado de São Paulo
"Farra das emendas a fantasmas faz governo suspender convênios"

Assinatura de Padilha avalizou a entidade de fachada beneficiada; ele nega

A revelação de que o Ministério do Turismo tornou-se alvo de emendas parlamentares que alimentam esquema de repasse de verbas federais a entidades fantasmas levou o governo a cancelar convênios de R$ 3,1 milhões com um desses institutos, o Inbrasil. O escândalo foi revelado pelo Estado - que ontem mostrou que a "idoneidade" do Inbrasil foi atestada por documento assinado pelo ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais). Cotado para permanecer no governo, na gestão de Dilma Rousseff, ele se disse "indignado", voltou a negar que tenha assinado o termo e disse que o documento é falso. Criado em 2003, o Ministério do Turismo lidera em emendas - de 2006 a 2010, o total saltou de R$ 292,8 milhões para R$ 1,7 bilhão.

Twitter

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Humanos

Clique para ampliar

Panorama privilegiado

Sidney Borges
Da janela da Estação Espacial Internacional (ISS), cerca de 350 quilômetros acima do solo, é possível contemplar a curva do horizonte terrestre. Dentro do círculo vermelho vemos uma linha em azul claro, quase branca e, sobre ela, uma linha mais larga em azul escuro que aos poucos vai escurecendo até ficar negra como o firmamento.

É a atmosfera terrestre, colada ao planeta por conta da gravidade. É nela que vivemos e respiramos. Somos filhos do Sol e afilhados do oxigênio. A vida humana é precária, existimos em uma ilha de exceção cujas condições de pressão e temperatura são raras no Universo. Ou melhor, afirmar isso é temerário, é melhor dizer que as condições terrestres são raras no Universo que conhecemos.

Quem sabe existam zilhões de planetas parecidos com o nosso.

A atmosfera tem papel da maior importância na existência de água na forma líquida. Sem a pressão exercida pela massa de ar que cobre a Terra a água evaporaria. E nossos corpos que são feitos de 75% de água, evaporariam também.

Restariam alguns gramas de cálcio e sais minerais.

E toneladas de pretensão e arrogância, marca registrada do macaco sem pelos que se diz a imagem do criador...

30 anos...

John Winston Ono Lennon.

Coluna do Celsinho

Exclusão

Celso de Almeida Jr.
Finais de tarde.

Patrícia, esposa querida, relatava o dia de professora da classe especial, na escola Tancredo.

Ela, a Claudia e outros dedicados profissionais contribuíram para o avanço de alunos com deficiências diversas e complexas.

Grande entusiasmo ao contar da tarde na Escola Zecão de Surf, na Itamambuca.

Zecão e equipe dispensam comentários. A qualidade do trabalho que realizam merece os maiores aplausos. Visite: www.zecao.com.br

Pois é...

Ouvi-la descrever a emoção daquele instante, quando muitos alunos tiveram o primeiro contato com o surf, comoveu.

Mas, emoção maior vivenciei no último encontro da garotada, no auditório do Tancredo, na segunda-feira passada, que simbolizou o fechamento da classe especial.

Patrícia, Claudia e equipe voltarão para as salas normais.

Neste encontro emocionante, alunos, professores, pais, funcionários, direção, voluntários e convidados assistiram apresentações de dança e canto, além da exposição de trabalhos, depoimentos e, claro, fotos e filmagens daquele inesquecível dia de surf.

Meu amigo...

Ver um garoto com enorme dificuldade para andar e se expressar, de repente, viver aquele extraordinário contato com o mar e a atividade esportiva foi marcante.

Especiais são os profissionais que se dedicam para homens e mulheres com tais necessidades.

Pois bem...

Como informei, devido ao Plano xyz, Lei ômega-beta, analisada pela comissão de notáveis e outros iluminados da nação, a sala de alunos especiais será extinta.

Solução?

Claro, aquela sugerida pelos gabinetes brazilienses, referendada por homens e mulheres de Alfa-Centauro: incluir estes alunos nas classes normais de nossas escolas.

Francamente...

Você acredita que um professor que lida com elevado número de alunos por sala, muitos de comportamento sofrível, poderá dedicar a atenção necessária aos jovens oriundos das classes especiais?

Inclusão é a palavra de ordem...

Palavras são palavras e, quando desconectadas da ação, nada mais são do que palavras.

Excluir destes seres humanos especiais a possibilidade de progredir em suas habilidades, adotando um discurso academicamente sedutor, é a prova maior de que a sociedade brasileira ainda tem um longo caminho para a conquista da cidadania.

Ainda estamos na fase do quem pode menos, chora mais.

Twitter
Clique aqui e saiba mais
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

O acordo aéreo com os EUA

O Estado de S.Paulo - Editorial
Criação de rotas diretas entre diversas capitais brasileiras e diferentes destinos nos Estados Unidos, com a redução da concentração em São Paulo, maior oferta de assentos nos voos entre os dois países e horários mais flexíveis devem resultar em maior comodidade para o passageiro e tarifas mais baixas. Estas são as consequências esperadas do acordo cujos termos os governos do Brasil e dos Estados Unidos acabam de acertar para liberar gradualmente o transporte aéreo de cargas e de passageiros, até se alcançar o regime de "céus abertos", em outubro de 2015, quando não haverá mais limite para o número de voos e de cidades atendidas nos dois países.

Trata-se de uma grande mudança em relação ao regime ainda predominante no Brasil e em grande número de países, baseado em acordos bilaterais que estabelecem regras rígidas para as frequências, as rotas, os aeroportos em que as companhias estrangeiras são autorizadas a operar e, em alguns casos, até mesmo de tarifas.

O acordo entre Brasil e Estados Unidos atualmente em vigor permite até 154 frequências semanais para empresas brasileiras e outras 154 para companhias americanas. Do lado brasileiro, apenas a TAM faz viagens para os EUA, com cerca de 70 voos semanais, menos da metade das frequências a que tem direito. Já as cinco companhias americanas que operam no Brasil utilizam todas as 154 frequências autorizadas.

A liberação do transporte aéreo será gradual. O novo acordo entre os dois países prevê que, a partir de 2011, as empresas poderão fazer mais 14 viagens tendo o Rio de Janeiro como origem ou destino e 14 para outras cidades brasileiras, com exceção de São Paulo, cuja infraestrutura aeroportuária está saturada e só poderá receber mais voos a partir de 2013, se até lá as obras programadas pelo governo estiverem concluídas. A expectativa é de que, até 2014, sejam criados mais 250 voos semanais entre os dois países. As tarifas serão livres.

Um efeito importante do acordo será o descongestionamento do aeroporto internacional de Guarulhos, que, até 2008, concentrava 80% dos voos para os Estados Unidos. Atualmente, recebe 55%, índice que, com as novas regras, deverá cair bastante.

O novo acordo proíbe voos de cabotagem por empresas estrangeiras, isto é, companhias americanas não poderão transportar passageiros ou cargas entre dois destinos em território brasileiro, da mesma forma que companhias brasileiras não poderão fazer esse transporte entre duas localidades nos EUA. Desse modo, o acordo mantém um dos princípios do Convenção de Chicago, assinada em 1944 e que contém as principais regras da aviação internacional. A Convenção estabelece que cada país tem o direito de negar a aviões de outros países signatários "permissão para tomar em seu território passageiros, correio ou carga destinados a outro ponto de seu território".

É inevitável a liberação do transporte aéreo até se alcançar o estágio de "céus abertos", afirma o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias, José Márcio Mollo, e o governo brasileiro já negocia com a União Europeia e outros países sul-americanos acordos semelhantes ao que fechou com os EUA. Mas é preciso administrar com cautela a abertura do mercado doméstico.

A reciprocidade, expressa na permissão de igual número de frequências para empresas dos dois países, pode ser apenas formal. Na prática, os resultados podem ser outros. De um lado, há gigantes que operam em escala mundial, com faturamento na casa de dezenas de bilhões de dólares, e com poder suficiente para, se quiserem, dominar o mercado. De outro, companhias como as brasileiras, que operam em escala muito menor.

A aviação civil, por sua sensibilidade a fatores externos - crises econômicas, catástrofes naturais, terrorismo, entre outros - e a práticas danosas de gestão, como guerra de tarifas ou disputa predatória do mercado, tem sido submetida ao forte controle e à intervenção do Estado. É também muito dependente de uma regulação eficaz, que precisa ser preservada nos novos acordos.

Twitter

Manchetes do dia

Sexta-feira, 10 / 12 / 2010

Folha de São Paulo
"País reduz ritmo, mas crescimento deve ser de 7,5%"

Economia avança só 0,5% no 3° trimestre; desempenho, porém, não compromete previsão do governo para 2010.

A economia brasileira cresceu 0,5% de julho a setembro na comparação com o trimestre anterior. A alta equivale a um quarto da média dos quatro últimos trimestres (2,2%). Apesar da desaceleração, o PIB (Produto Interno Bruto) deve fechar 2010 com alta de 7,5%. A taxa projetada pelo governo deve ser garantida pela explosão das importações (alta de 40,9% em 12 meses) que atendeu a forte demanda interna, contribuindo também para conter a inflação. A médio prazo, porém, esse aumento ameaça deteriorar as contas externas. Queda da indústria e consumo forte alertam para a necessidade de controlar os preços, mas investimentos, que indicam uma produção maior no futuro, estão perto do nível pré-crise.

O Estado de São Paulo
"PIB esfria no trimestre, mas garante alta anual de até 8%"

Recuo da indústria, em razão da concorrência das importações, determinou expansão anualizada de apenas 2%

O PIB brasileiro teve uma freada no terceiro trimestre, crescendo apenas 0,5% ante o anterior. O resultado se deveu à indústria, que recuou 1,3% no período, sob pressão da concorrência das importações. O PIB trimestral corresponde a uma expansão anualizada de 2%, comparada a 7,8% no segundo trimestre. Apesar da desaceleração, o investimento e o consumo das famílias mantiveram-se em alta, e as previsões para o ano são de um avanço de 7,5% a 8%, recorde desde 1985. O ministro Guido Mantega (Fazenda) destaca que o Brasil se consolidou como a segunda economia que mais cresce no mundo, só atrás da China. Para 2011, a expectativa é de um crescimento moderado, de até 5%, por causa de novo aperto monetário é possível corte de gastos.

Twitter

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Polêmica

WikiLeaks e a encruzilhada do jornalismo

Marcos Guterman (original aqui)
Muitos excelentes jornalistas saíram em defesa de Julian Assange e seu WikiLeaks no episódio do vazamento de documentos diplomáticos americanos. Para eles, a prisão de Assange é “política”, como brada um ainda incipiente movimento brasileiro de protesto. O argumento é simples: o direito à informação é superior a qualquer outra consideração moral ou ética.

“A prisão de Julian Assange é um teste claro, voltaireano: não precisamos concordar com nada do que ele diz para aceitar que tem o direito de fazê-lo”, escreveu Paulo Moreira Leite em seu blog.

“Não há autismo intelectual que impeça o mais medíocre dos jornalistas de perceber a ardilosa campanha organizada contra a WikiLeaks”, argumentou Diego Escosteguy em seu Twitter. “Para aqueles que, como eu, subordinam seu trabalho ao princípio democrático da liberdade de expressão, é imperativo expressar indignação.”

São discursos fortes, obviamente respaldados na ideia, absolutamente correta, de que a transparência do poder público é sempre melhor do que a sombra, e na percepção de que Assange está sendo perseguido mundialmente não porque fez sexo sem camisinha, mas porque incomodou a Casa Branca.

O caso do WikiLeaks, porém, requer algumas considerações que deveriam ser levadas em conta para analisar o caso, inclusive do ponto de vista jornalístico.

O primeiro aspecto a se observar é a natureza dos documentos vazados. É muito provável que, entre os 250 mil despachos diplomáticos, haja alguma coisa relevante do ponto de vista da história; afinal, como lembrou o historiador Timothy Garton Ash, não é todo dia que podemos pôr a mão em fontes primárias tão frescas e conceituadas para entender o tempo presente.

No entanto, a maioria absoluta dos documentos vazados, a julgar pelo que veio à luz até aqui, aparenta ser simplesmente inútil para reconhecer neles alguma importância histórica ou jornalística, quer porque tratam de fatos já bastante conhecidos, quer porque resvalam na fofoca, pura e simples.

Assim, o único efeito prático desse vazamento, tomado em seu todo, tem sido o de supostamente desmoralizar a diplomacia dos EUA – para Umberto Eco, é irônico descobrir que diplomatas da maior potência do mundo comunicam “segredos” vazios, isto é, que saem antes na imprensa.

Como lembrou no New York Times o colunista Roger Cohen, porém, a revelação dos documentos do Departamento de Estado dos EUA compromete anos de trabalho de diplomatas empenhados em costurar acordos e negociações ao redor do mundo.

Em lugar de atender algum tipo de interesse público, o vazamento é simplesmente danoso, segundo esse ponto de vista, porque os contatos diplomáticos são feitos na base da confiança do sigilo.

Na Slate, Christopher Hitchens comenta que “uma das mais antigas e melhores ideias da civilização é estabelecer pequenos encraves estrangeiros soberanos na capital de cada país” e que esses encraves, destinados à resolução pacífica de impasses, precisam ter “certas imunidades especiais” para exercer suas funções, entre as quais “um alto grau de privacidade”. Para Hitchens, “mesmo a menor violação dessa antiga tradição pode causar indesejáveis e inesperadas consequências”.

Cohen, por sua vez, faz uma comparação interessante: “Todos os jornalistas sabem que, se seus contatos fossem subitamente tornados públicos, eles perderiam a maioria de suas fontes. Isso deveria fazê-los parar para pensar”.

Outro argumento foi apresentado pelo jornalista João Pereira Coutinho, colunista da Folha. Para ele, os jornalistas deixaram de fazer seu trabalho e se transformaram em “cúmplices da pirataria e da espionagem de um foragido”: “Temo pelo futuro do próprio jornalismo. Tempos houve em que os jornalistas tinham a nobre função de vigiar e criticar o poder. Uma tarefa necessária, solitária, tantas vezes perigosa, que implicava ‘pesquisa’, ‘filtragem’, ‘interpretação’. Uma fonte era uma fonte. O início do processo, não o seu fim preguiçoso. Com a WikiLeaks, o jornalismo transformou-se no latão de lixo de um delinquente cibernético. Não existe ‘pesquisa’, ‘filtragem’ ou ‘interpretação’ alguma”.

Christopher Hitchens foi na mesma direção ­– para ele, Assange é um “megalomaníaco inescrupuloso” que “transformou todo mundo em cúmplice de sua decisão privada de tentar sabotar a política externa dos EUA”, em nome de uma “agenda política”.

Desconsiderando-se os exageros de praxe, o fato é que o caso WikiLeaks colocou não só a diplomacia americana numa encruzilhada, mas também o próprio jornalismo, que Assange diz defender.

Nota do Editor - Quando a notícia tem procedência, é de interesse público e está baseada em documentos, deve ser publicada. O esperneio de parte da imprensa é compreensivel, o que antes era limitado a poucos, imprimir jornais e revistas é caro, fazer televisão e rádio também, hoje está ao alcance de qualquer um. Basta ter um computador conectado à Internet e fontes dispostas a entregar o ouro para furar os barões da Imprensa. Tem gente que entende isso como parte da vida, o avanço é inexorável. Tem gente que perde tempo reclamando da realidade. Discordo do senhor Cohen, cujo jogo de palavras pode confundir, mas é apenas fumaça embaçando a visão. O que é sigiloso não pode vazar. Ponto final. Se inconfidências de diplomatas americanos, chineses ou luzitanos chegarem às minhas mãos, serão publicadas. Casos extraconjugais, pederastia e coisas afins deixo de lado para dar risadas com meus amigos. O que as pessoas fazem na intimidade é problema delas. No entanto, se o dinheiro dos impostos que eu pago estiver em jogo, qualquer deslize será imediatamente de conhecimento geral. Capicce Mr. Cohen? Sidney Borges

Twitter
Clique aqui e saiba mais
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Situação alarmante

O Estado de S.Paulo - Editorial
Embora pareça uma platitude, o ministro da Educação, Fernando Haddad, não deixa de ter razão quando diz que o desempenho dos estudantes brasileiros em avaliações internacionais deve ser visto em "perspectiva histórica". De fato, ao longo do século 20, enquanto um número cada vez maior de países investia pesadamente em educação, "o Brasil custou a despertar para o assunto", recorda o ministro. O problema é que o País não só acordou tarde - o pleno acesso ao ensino fundamental foi obtido apenas na segunda metade da década passada -, como ainda não acordou de todo, se a condição de vigília for medida pela qualidade da educação.

Esta continua longe do mínimo satisfatório, assim como os índices de evasão escolar e o porcentual de estudantes em séries aquém de sua idade. É verdade que os números já foram piores, mas isso não pode servir de consolo. Sem querer negar os progressos alcançados, o patamar em que se encontra o ensino brasileiro é uma chaga social e um freio ao desenvolvimento nacional na era da informação. Nesses dois sentidos essenciais - a educação de qualidade como direito da população e imperativo para uma economia impulsionada pela inovação tecnológica - a metáfora do copo meio cheio e meio vazio não se aplica. A metade vazia é "mais igual" do que a metade cheia.

Tomem-se os resultados de 2009 do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês), iniciado em 2000 e repetido a cada triênio. Os exames, de que participam os 34 países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e 31 nações convidadas, medem a aptidão dos estudantes de 15 anos na sétima série em leitura, matemática e ciência, cada vez com ênfase numa dessas áreas. Da última versão do teste, participaram 20 mil brasileiros. Numa escala de 0 a 1.000, tiveram em média 412 pontos no quesito leitura, 386 em matemática e 405 em ciência. Ou, respectivamente, 4,8%, 4,3% e 3,8% acima das marcas de 2006.

A contar de 2000, apenas dois países (o minúsculo Luxemburgo e o vizinho Chile) avançaram mais do que o Brasil. O relatório da OCDE considerou "impressionante" a evolução do País, agora o 53.º no ranking de leitura e ciência, e o 57.º dos 65 participantes em matemática. Nada a comemorar, sobretudo quando se vê que praticamente a metade dos alunos brasileiros tirou as notas mais baixas em leitura, pouco mais da metade ficou nos mesmos patamares em ciência, assim como perto de 70% na prova de matemática. Apenas 2 em cada 100 tiveram "alto desempenho", na classificação do Pisa, em qualquer das áreas avaliadas. A China (mais especificamente Xangai) lidera nas três modalidades. Os números exprimem uma situação alarmante.

O típico estudante brasileiro naquele grupo de idade sabe ler, mas não entende o que lê - as ideias implícitas nos textos lhes escapam. O padrão se repete em ciência: a maioria entende o óbvio, mas é incapaz de lidar com os conceitos básicos. Em matemática, apenas os problemas mais simples são resolvidos. O baixíssimo nível, adverte a OCDE, representa uma barreira insuperável à aprendizagem em anos futuros. É, por sinal, o que mostra a experiência empírica: as nossas faculdades estão cheias de pessoas com sérios problemas de expressão e compreensão; as profissões também.

As deficiências vêm do berço, por assim dizer. As crianças brasileiras começam a estudar mais tarde (aos 7,4 anos em média) do que as chilenas ou peruanas, por exemplo, para ficar na América Latina. E o número de horas por semana dedicadas ao estudo é também inferior. Além disso, 40% dos alunos repetem pelo menos um ano durante a sua vida escolar. Na relação da OCDE, o Brasil só ganha da Tunísia e de Macau nesse quesito. Mas o maior problema singular do sistema educacional brasileiro é a capacitação insuficiente dos professores, reflexo direto de seus baixos salários e da erosão continuada do seu prestígio social.

Nesse particular, o relatório da OCDE contém duas perguntas embaraçosas para o Brasil: "Como são pagos os professores em comparação com outros trabalhadores de alto nível?" e "Você gostaria que o seu filho fosse professor?"

Twitter 

Manchetes do dia

Quinta-feira, 09 / 12 / 2010

Folha de São Paulo
"Lula entrou e vai sair com o maior juro real do mundo"

BC mantém Selic em 10,75%; mesmo com cortes, país continua no topo do ranking de taxas básicas

Na última reunião sob o comando de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu manter a taxa básica de juros em 10,75% ao ano. Com isso, apesar dos cortes feitos na Selic ao longo de oito anos, o presidente Lula terminará o governo deixando o Brasil com os maiores juros reais (descontada a inflação) do mundo. No início da gestão do petista, em 2003, o país já ocupava o topo desse ranking. O nível dos juros reais no Brasil ante os de outros países contribui para atrair mais dólares e derrubar a cotação da moeda americana, cuja desvalorização o governo procura conter. A presidente eleita, Dilma Rousseff, já manifestou o desejo de reduzir os juros. As previsões para 2011, porém, são de aumento, para tentar conter a inflação. O futuro presidente do BC, Alexandre Tombini, participou da reunião de ontem. A taxa básica do BC é apenas referência; na prática, os juros da economia são bem maiores.

O Estado de São Paulo
"Farra das emendas faz verba do Turismo aumentar 2.351%"

Previsão de gastos em promoção de eventos salta de R$ 32,6 milhões para R$ 798,8 milhões em 2010

A previsão de gastos em promoção de eventos para divulgação de turismo interno em 2010, que era de R$ 32,6 milhões, saltou para R$ 798,8 milhões após 577 emendas de parlamentares. O levantamento foi realizado pelo ONG Contas Abertas. Houve aumento de 2.351% no valor das emendas. Há suspeitas de que essas emendas façam parte do esquema de pagamento de verbas federais a entidades de fachada, que derrubou o senador Gim Argello (PTB-DF) da relatoria do Orçamento de 2011 após denúncia do Estado em reportagens de Leandro Colon desde domingo. Coisa semelhante ocorreu com as verbas para “fomento a projetos de arte e cultura". A proposta de R$ 116,9 milhões subiu para R$ 391,5 milhões (235% a mais), graças a 258 emendas.

Twitter

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Pearl Harbor - Dezembro 7, 1941

Ramalhete de "causos"

O paradigma de dona Tina

José Ronaldo dos Santos
A escola, quando eu era bem criança, atraía, mas também assustava pelo motivo que pegava algo valioso para qualquer criança: o tempo de brincar. Assim, manter a regularidade da vida escolar era um sacrifício. Por isso que, no primeiro ano escolar, eu faltava em qualquer oportunidade que se mostrava mais prazerosa. Um exemplo? Época de goiaba madura. Outro? Tempo de ninhada dos passarinhos. Tinha ainda as puxadas de rede, as marés vazias para mariscar, a queimada para novo roçado, os preparativos para as festas na capela etc. Em muitas ocasiões aconteceu de conseguir me segurar até o momento do recreio, quando a criançada partilhava banana, beiju, farinha e peixe frito ou assado; depois ganhava os caminhos entre bananais e capim melado. Uma dessas ocasiões foi para assistir o meu tio fazendo um piso cerâmico. Que lindo! Para encurtar: nesse dilema eu descobri as letras, os números, os conceitos de uma época que mais tarde também foram chamados de paradigmas. Um daquele tempo: “Isso de alguém ter pisado na lua é mentira. Imagine se o homem é capaz de ir lá! Deus jamais permitiria uma coisa assim!”

Nesse contexto veio a primeira professora. Dona Tina se desdobrava em uma classe multisseriada, repleta de crianças mais atentas aos pios dos pássaros do que às lições de uma professora vinda de outra cidade especialmente para ensinar. Porém, dela veio o reforço em algumas crenças que já tínhamos. Uma delas continua muito forte até hoje: a vida da Terra depende de nós, mas a nossa vida depende ainda mais da vida da Terra. Dela aprendi um chavão que hoje é comum ouvir até em roda de “civilizados da esquina”: “Estamos a caminho da destruição”. Outro que não me sai da mente é: “A água gosta de quem gosta dela”. Deste último vinha a apelação para não fazer queimadas e plantar mais árvores. Outro paradigma: plantar mais árvores onde já tinha tantas árvores? Alguns topavam, mas a maioria achava que isso era besteira. De paradigmas em paradigmas chegamos ao século XXI.

No início deste século, em janeiro de 2001, sem um planejamento prévio, fui visitar a dona Tina. Ela adorava receber visitas; gostava de contar para os meus filhos como era o Zezinho. Eles adoravam as suas narrativas; acho que me viam correndo nas tigueras e nas costeiras. Lembrei-lhe dos paradigmas, inclusive apresentei um bem atual: doar órgãos para amainar o sofrimento de alguém ou mesmo garantir a continuidade da vida. Nisso conversamos bastante enquanto as crianças se divertiam com um gato velho e quase cego. Para concluir, perguntei: - Dona Tina: depois que a senhora morrer alguém pode doar os seus órgãos? Ah! A resposta da velha mestra veio como relâmpago: - “Nem pensar! Eu não quero que as minhas partes fiquem no mundo, no corpo de alguém pecando. Imagine eu morta e outras pessoas fazendo pecados com partes minha!”. Apesar da lógica da dona Tina, o que eu podia fazer era rir. A essa grande professora, falecida em novembro de 2008, volvo os meus pensamentos em muitos momentos do cotidiano, sobretudo quando estou cuidando das plantas do meu quintal.

Sugestão de leitura: Um tambor nas trevas, de Louis L’amour

Boa leitura!

Twitter
Clique aqui e saiba mais
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Obstáculos ao pré-sal

O Estado de S.Paulo - Editorial
É muito tardia - pois surge só no apagar das luzes do governo Lula, quando o uso do tom eminentemente político na discussão do tema não tem mais a utilidade que teve ao longo da campanha eleitoral - a advertência do presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, de que a exploração do petróleo da camada de pré-sal exige cautela. Mas ela é pertinente. Toda a cadeia produtiva do setor petrolífero trabalha no limite da sua capacidade e, se o governo decidir acelerar os projetos do pré-sal, a indústria nacional não terá condições de atender à demanda adicional, o que exigirá importações em grandes volumes e valores, intensificando o risco de desindustrialização do País, disse ele ao jornal Valor.

A advertência de Gabrielli é a primeira demonstração clara de que, passada a obsessão eleitoral que contaminou a administração petista, a diretoria da Petrobrás começa a recolocar os pés no chão.

Tendo o Congresso aprovado os projetos que definem o marco regulatório para a exploração do pré-sal, que institui o regime de partilha da produção em substituição ao regime de concessão e cria o fundo social - há dúvidas sobre a repartição dos royalties, pois a fórmula aprovada pelos parlamentares deve ser vetada pelo presidente da República -, e livre da pressão eleitoral, Gabrielli deixou claro que há uma tensão para a definição da velocidade dessa exploração.

De um lado, são fortes as pressões para acelerar a exploração, pois, quanto mais cedo começar a produção, mais cedo se constituirá o fundo social. De outro lado, há o fato de a indústria nacional petrolífera operar no limite. "É preciso modular o crescimento" da produção, disse Gabrielli, porque, se for muito rápido, "chegaremos a uma situação em que a indústria nacional não conseguirá atender às necessidades". Daí, "teremos um problema de desindustrialização e de incapacidade para a indústria brasileira competir".

A Petrobrás planeja investir US$ 224 bilhões em quatro anos, "o maior programa de investimentos do mundo", segundo seu presidente, que vê, entre os possíveis obstáculos à execução desse programa, a incapacidade do sistema produtivo de entregar no prazo o equipamento de que a empresa necessita.

A Petrobrás já identificou áreas problemáticas, como a de sondas, que o Brasil não fabrica. Uma sonda leva de três a quatro meses para perfurar um poço sob uma lâmina de água de mais de 2 mil metros e uma plataforma de produção opera com 15 a 20 poços. Há carências também na produção de sistemas submersos, isto é, as tubulações que ligam o fundo do mar à superfície. A capacidade mundial de produção está esgotada, mas, segundo Gabrielli, há empresas inglesas e francesas interessadas em se instalar no Brasil, para atender a Petrobrás. Há, ainda, a necessidade de compra de uma grande quantidade de outros equipamentos, como compressores.

Isso sem falar das encomendas à indústria naval. Cada plataforma de produção precisa, em média, de cinco embarcações de apoio e a Petrobrás prevê que haverá cerca de 40 plataformas na área do pré-sal. "Estamos falando, portanto, de 200 barcos de apoio de todo tipo", exemplificou. Serão necessários também petroleiros para transportar o petróleo, cuja produção esperada pela empresa é de 4 milhões de barris diários.

Toda a demanda decorrente dos investimentos programados pela Petrobrás, que inclui 3,2 mil componentes, vem sendo atualizada trimestralmente para orientar os fornecedores, e prevê as encomendas até 2014. Do ponto de vista financeiro, dos US$ 262 bilhões necessários até 2014 para os investimentos e para o pagamento das dívidas que vencerem no período, a empresa ainda precisa definir como vai captar US$ 31 bilhões (cálculo baseado no preço do barril do petróleo em US$ 80), valor que Gabrielli considera "absolutamente normal para a Petrobrás".

Mesmo que seja normal para a empresa a captação de recursos nesse volume, isso não assegura a produção, pois nem a Petrobrás tem a certeza de que poderá dispor, a tempo, de todos os equipamentos de que necessita para explorar o pré-sal.

Twitter

Manchetes do dia

Quarta-feira, 08 / 12 / 2010

Folha de São Paulo
"Fundador do WikiLeaks é preso e teme a extradição"

Justiça do Reino Unido negou pedido de liberdade para Julian Assange

O criador do site WikiLeaks, Julian Assange, se apresentou à Justiça inglesa, foi ouvido por juiz e saiu da corte para a prisão, onde ficará pelo menos até terça. Procurado pela polícia internacional desde o dia 20, ele tentou obter liberdade, mas teve a petição negada. A prisão atende a um pedido de extradição do australiano emitido pela Suécia. Assange é acusado de estuprar uma mulher em Estocolmo e de obrigar outra a manter relação sexual sem proteção. Ele admite que não usou preservativo, mas nega as outras acusações. Segundo o fundador do WikiLeaks, o Processo terá cunho político e é uma tentativa de intimidação motivada pela divulgação de documentos secretos da diplomacia norte-americana. A promotora sueca nega influência política. Robert Gates, secretário de Defesa dos EUA, classificou a prisão de "boa notícia".

O Estado de São Paulo
"Cai relator do Orçamento por esquema de fantasmas"

Senador Gim Argello renuncia depois que o 'Estado' revelou repasse de recursos a empresas de fachada

O senador Gim Argello (PTB-DF) renunciou ao cargo de relator do Orçamento de 2011. A substituição era inevitável, porque os parlamentares se negavam a aprovar um orçamento vinculado a irregularidades, reveladas em reportagens de Leandro Colon publicadas pelo Estado desde domingo. Ao menos R$ 1,4 milhão foi repassado para institutos fantasmas neste ano por meio de emendas de Argello. Para 2011, o esquema, que contava com emendas de outros parlamentares, movimentaria R$ 16 milhões. Desde a divulgação das informações, o governo estudava alternativa para que Argello saísse sem prejudicar o andamento do Orçamento. Na reunião, prevaleceu a avaliação de que o governo não conseguiria a aprovação até 22 de dezembro, caso Argello fosse mantido. Ao entregar a renúncia, o senador disse que estÁ sendo acusado "injustamente" de irregularidades. A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) foi indicada para substituí-lo.

Twitter

terça-feira, dezembro 07, 2010

Ubatuba


Adote um filhote

Sidney Borges
A Prefeitura está fazendo uma campanha de adoção de filhotes. Infelizmente não há pandas entre os bichinhos ofertados, mas há cães e gatos tão bonitos quanto e que necessitam de donos e de carinho.

Adote um animal, trate-o bem e você terá um amigo para sempre.

Para mais informações: www.ubatuba.sp.gov.br

Vida

Surfando no tempo

Sidney Borges
O tempo da Física não tem paralelo com a concepção que dele fazemos. Para o homem comum o tempo assemelha-se a uma onda que passa. Enquanto estivermos vivos estaremos surfando no limiar dessa onda. Na esquisitice geral do Universo sabemos que o tempo não é uma entidade solitária, ao lado dele está o espaço, na verdade os dois não existem isoladamente, existe o espaço-tempo que é suscetível aos campos gravitacionais. Quanto maior a gravidade (propriedade da massa), maior a distorção do espaço-tempo. No horizonte de eventos de um buraco negro deve cessar o fluxo temporal. tudo permanecendo forever como está. Será?

Ok, estou me alongando em divagações. Esse estado d'alma surgiu em função de eu estar dialogando com Walter Clark há três dias. Nada de sessão espírita, não acredito nisso, estou relendo a biografia dele escrita por Grabriel Priolli, digo, muito bem escrita. Walter foi um homem poderosíssimo, criou e dirigiu a Rede Globo a partir do nada e a transformou na potência que é hoje. Teve uma vida cheia de aventuras e emoções fortes, casou-se quatro vezes e nos intervalos namorou mulheres lindíssimas. Foi também o detentor do maior salário do mundo ocidental durante algum tempo, resultado do contrato que lhe dava 1% do faturamento bruto da Globo.

Mas também viveu coisas que não desejo ao pior inimigo, no dia em que nasceu seu filho caçula morreu sua filha mais velha. Emoções contraditórias. Como conciliar tais sentimentos?

Os excessos acabaram cobrando a fatura, Walter morreu dormindo aos 60 anos de idade. Enfarte agudo do miocárdio.

Morreu moço, na idade em que as grandes reflexões começam a ser feitas e novos rumos são traçados. Ele tinha muito a ensinar aos jovens que seguem a carreira televisiva. Estou chateado, o livro está no fim, vou sentir falta.

O tempo curto da vida humana me encorajou a traçar um anteprojeto visando mudar certas regras do jogo. Acho que deveríamos viver pelo menos trezentos anos. Nos cem primeiros envelheceríamos até atingir 35. Nos cento e cinquenta anos seguintes envelheceriamos o equivalente a 10 anos de hoje. Os últimos 50 anos seriam dedicados ao ensino e ao lazer, morreríamos com a aparência dos 45 anos de hoje, de causas naturais, sem sofrimento e sem doenças.

Acho esse projeto muito bom, vou encaminhá-lo ao gerente geral. Como não sei o endereço usarei um canal ao qual me acostumei na infância, mas que nem sempre funcionou. Uma vez pedi bicicleta e ganhei pijama listrado e dois livros...

Não faz mal, tentar é permitido. Hoje mesmo postarei o envelope endereçado ao Papai Noel. Quero mais tempo...

Twitter

Olho vivo

Ubatubenses

Arrelá, João de Souza

Neste dia faço questão de lembrar o nosso saudoso João de Souza, filho do velho Rita e da dona Josefa, casado com dona Maria, pai de umas meninas maravilhosas e avô querido por uma modesta netalhada. É uma pena que os seus escritos ainda não estão disponíveis a todos. Eu, que pude conviver bem com ele e todos os seus familiares, nunca me esqueço dos momentos bons que passamos juntos. Não tem como me desapegar desse humilde caiçara tão ligado à vida do Itaguá. Na minha memória estão momentos maravilhosos, de convivência intensa. Ah! Como eu gostaria que os leitores ouvissem uma fita cassete, onde o Júlio e o João são correspondentes dos jogos da copa do Japão. Impressionante a agilidade, a criatividade deste homem que enfrentou a vida como um longo causo caiçara. Para encerrar, torno a fazer a reprodução da poesia que o Domingos compôs no dia da sua morte, há três anos. É dela que saiu o título deste pequeno texto.

O coração levou uns cambotes na vida,
Peitou grileiro de terra,
Distribuiu carinho e amor
E foi se gastando,
A tal ponto que seu doutor
Recomendou mais parcimônia
No uso das emoções.
Mas, João de Souza,
Que não é de cerimônia
Ou de meias medidas
Como os causos que contou,
Era todo paladar
Como o pirão que provou,
Era todo caiçara
Como o povo que amou,
Era todo coração
- E nem o fôlego acompanhou –
E por isso veio a falecer
No dia 07/12/2007
Bem quando a alvorada despontou.

Um abraço a todos os familiares do nosso saudoso amigo.

Com carinho.

José Ronaldo dos Santos

Twitter
Clique aqui e saiba mais
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

O conserto da herança

O Estado de S.Paulo - Editorial
O governo cortará gastos a partir de 2011 e nenhum Ministério será poupado, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega. A ideia é preservar os programas sociais e os investimentos mais importantes, mas projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) poderão ser atrasados, acrescentou. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, já havia indicado a conveniência de um aperto nas contas públicas. Ao insistir no assunto, o ministro da Fazenda, convidado para permanecer no posto no próximo governo, dá um sinal positivo. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende a gastança e anuncia uma herança bendita para a sucessora, os ministros econômicos mostram algum realismo ao falar sobre as contas públicas. Pelo menos admitem alguns pontos essenciais para a adoção de uma política mais saudável nos próximos anos: 1) é possível e necessário conter a despesa federal; e 2) para diminuir a relação entre a dívida pública e o tamanho da economia, o governo terá de agir com mais austeridade. Esses pontos podem ser óbvios para muitas pessoas, mas foram negados pelas autoridades durante quase oito anos. A mudança, se não for apenas aparente, é promissora.

A administração petista dependeu quase sempre do aumento da arrecadação - e da carga tributária - para obter algum superávit primário e pagar pelo menos parte dos juros vencidos em cada ano. Só houve algum aperto em 2003, primeiro ano da gestão do presidente Lula. A partir de 2004 a despesa federal cresceu em média 9% ao ano, descontada a inflação, bem mais, portanto, que a produção nacional.

Esse crescimento ocorreu principalmente nos itens de custeio, como a folha de pessoal. Os salários e encargos vão continuar em expansão nos próximos anos, graças às bondades oficializadas até as vésperas da campanha eleitoral. Os cortes a partir de 2011 deverão ocorrer principalmente nos itens de custeio e de forma não linear, segundo o ministro, para não prejudicar seriamente os principais projetos de cada Ministério.

Embora admitindo problemas, o ministro da Fazenda não deixou de acrescentar um pouco de maquiagem aos fatos. Segundo ele, o aumento de gastos cumpriu um papel anticíclico e já se pode, agora, reduzir os subsídios e as transferências para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). São necessárias pelo menos três correções.

Em primeiro lugar, os gastos com pessoal e outros itens de custeio cresceram desde o começo da crise. Não são despesas tipicamente anticíclicas e não se reduzem facilmente depois de vencida a crise. Em segundo, as transferências do Tesouro para o BNDES foram mantidas até este ano e duraram, portanto, muito mais que a recessão e a fase de escassez de crédito. Em terceiro, uma grande parcela desse dinheiro foi dirigida à Petrobrás e a outros grupos poderosos. De acordo com o BNDES, entre janeiro de 2009 e setembro de 2010 68,9% dos desembolsos financiados por aquelas transferências (R$ 139,6 bilhões) foram destinados a grandes clientes dos setores de infraestrutura, insumos básicos e bens de capital fabricados sob encomenda. Em julho de 2009, já vencida a pior fase da crise, houve um repasse de R$ 25 bilhões para a Petrobrás. Quando se consideram só os projetos incluídos no PAC e financiados com empréstimos do BNDES, o Grupo Petrobrás aparece como principal beneficiário.

O ministro reconheceu a predominância das estatais entre as empresas beneficiadas com as subvenções concedidas por meio do BNDES. Será preciso, afirmou, abrir espaço para o setor privado. Se quisesse contar toda a história, teria de reconhecer os perigos da promiscuidade entre o Tesouro e os bancos públicos.

O novo governo tentará, segundo se anunciou pouco depois da eleição, reduzir para 30% a relação entre a dívida pública líquida e o Produto Interno Bruto (PIB). A proporção, hoje, é de cerca de 41%. Segundo o ministro, o esforço fiscal abrirá espaço para uma política monetária mais branda e para a redução dos juros. Ele demorou a reconhecer a relação entre o excesso de gastos e os juros elevados e há poucos dias ainda negava os efeitos inflacionários da gastança.

Twitter

Manchetes do dia

Terça-feira, 07 / 12 / 2010

Folha de São Paulo
"Governo propõe agência para controlar conteúdo"

Em 1ª versão, texto prevê criar órgão com poder de multar emissoras de rádio e TV

O governo federal estuda a criação de um órgão, a ANC (Agência Nacional de Comunicação), para regular o conteúdo de rádios e TVs, relata Andreza Matais. Ele substituiria a Ancine (Agência Nacional do Cinema). A proposta, que será levada à presidente eleita Dilma Rousseff como sugestão, vem de grupo de trabalho comandado pelo ministro Franklin Martins, criado há seis meses para discutir o marco regulatório do setor. A nova agência teria poderes para aplicar multas por programação considerada ofensiva, preconceituosa ou inadequada ao horário. O texto também proíbe que políticos com mandato tenham rádios e TVs. Para o governo, não haverá censura: o conteúdo será analisado após veiculação. O setor, porém, vê brechas para cerceamento.

O Estado de São Paulo
"Orçamento de 2011 repete contratos com entidades fantasmas"

Esquema, revelado pelo 'Estado', envolve negócios de pelo menos R$ 16 milhões

O projeto do Orçamento da União de 2011, relatado pelo senador Gim Argello (PTB-DF), prevê pelo menos R$ 16 milhões em emendas de parlamentares a entidades fantasmas criadas apenas para intermediar convênios com o governo. O Estado revelou anteontem que a prática já ocorreu neste ano, com a intermediação do próprio Argello. Esses contratos são firmados para realizar eventos culturais, cujos orçamentos e prestações de contas são superfaturados, fraudulentos e assinados por laranjas. Os campeões de emendas destinadas a essas entidades para o exercício de 2011 foram os deputados Laerte Bessa (PSC-DF), Luciana Costa (PR-SP) e Geraldo Magela (PT-DF).

Twitter

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Coluna do Rui Grilo


Concertada no Tamar

“Todo artista tem de ir aonde o povo está” (Milton Nascimento)

Rui Grilo
Neste sábado, fiquei extremamente incomodado ao assistir o show do grupo Concertada, ao ver um número tão reduzido de espectadores para um espetáculo com aquela categoria. Subi ao palco e manifestei essa indignação e, de certa forma, minha solidariedade ao grupo.

Por outro lado, se ouve por todos os lugares que Ubatuba não oferece muitas opções de lazer a não ser praia e sol. Parece que a comida do vizinho sempre é melhor. Será verdade ou não enxergamos o que ocorre ao nosso lado?

Logo que cheguei aqui em Ubatuba, constatei alguns problemas: a proibição de músicas nos quiosques e restaurantes, a falta de espaços públicos com infraestrutura adequada e a má utilização dos poucos espaços existentes; a falta de um calendários fixo de eventos, a má divulgação dos eventos programados pelos grupos locais e a falta de apoio do poder público, que usa esse apoio como se fosse favor, reservando os recursos apenas aos grupos que não questionam a forma de administrar a cidade.

Assim, a inauguração do casco acústico no Tamar representa um grande avanço como apoio à produção, a difusão e a democratização do acesso às artes em Ubatuba. No entanto, a sua localização dificulta o acesso principalmente àqueles com poucos recursos econômicos e que não dispõem de carro. Essa população usa muito a bicicleta, mas à noite e com chuva, fica inviável.

Quando era presidente da Associação do Moradores da Pedreira apresentei um pedido para a colocação de um circular que ligasse a ponta do Perequê Açu à rotatória da Praia Grande. Nunca tive resposta e sem uma população mobilizada, o poder público não se movimenta para atender as necessidades desses moradores.

Para se perceber essa demanda, é só observar a procissão de bicicletas ligando a Praia Grande ao Ipiranguinha, Pedreira, Perequê Açu e Taquaral. O único cinema de Ubatuba está fora do trajeto regular dos coletivos. Em São Paulo, uma linha como a do Perequê Mirim, que demora muito, e que é a única que passa perto do Shopping Porto Itaguá, é chamada de cata-osso pela população.

Por outro lado, não vemos os artistas participando de movimentos que lutam por outras prioridades. No debate sobre tratamento de lixo havia poucos artistas presentes, revelando uma incompreensão de que quanto mais se gasta com lixo, menos dinheiro sobra para as outras necessidades, entre as quais a necessidade da arte, da saúde, da educação, do esporte.

Em São Paulo, o Movimento Arte Contra a Barbárie criou um forte movimento cooperativo para obrigar o governo municipal a destinar mais recursos para a cultura e com maior transparência. No entanto, recentemente tiveram que denunciar e se unir novamente para impedir que Kassab destruisse as conquistas de longos anos de luta.

O Movimento Ubatuba em Rede surgiu justamente pela constatação da fragilidade das entidades e associações quando estão isoladas ou preocupadas com o próprio umbigo. É necessário dar visibilidade a cada uma delas mostrando a contribuição que dão ao município e às pessoas que delas participam. O objetivo é discutir problemas e propostas comuns respeitando a identidade de cada uma, sem submissão e sem caciques.

Acredito que as ações que mais contribuiram para esse fortalecimento foram: a coleta de óleo de cozinha usado para evitar a poluição da água, gerando fundos para a Sapo-uba (entidade que atende pacientes com câncer) e reciclando-o na produção de sabão e biodiesel; a realização do evento Mutirão por uma Cultura de Paz; e o Seminário “O Que Fazer com o Nosso Lixo”.

Parece pouco mas mostram a disposição para a transformação e para sair de uma atitude de passividade.

Rui Grilo
ragrilo@terra.com.br
 
Twitter
Clique aqui e saiba mais
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Afinal, uma boa notícia?

O Estado de S.Paulo - Editorial
A influência do presidente Lula na composição da equipe de governo de sua sucessora - e o que poderá resultar disso a partir de 1.º de janeiro - é visível e, de resto, natural e inevitável, considerando que a candidatura Dilma Rousseff foi criação exclusiva do atual ocupante do Palácio do Planalto e sua eleição resultou da bem-sucedida transferência do enorme prestígio popular do chefe para sua ungida. Num primeiro momento, portanto, a julgar pelos nomes até agora confirmados, o compromisso com a continuidade, ou, em outras palavras, a "cara do Lula", é a característica mais forte do novo quadro ministerial. Só o tempo dirá se e quando Dilma se sentirá à vontade para comandar o "seu" governo.

Já é possível perceber, no entanto, e essa é uma boa notícia, que em pelo menos uma área específica a sucessora, se não está ostensivamente contrariando o seu patrono, mostra-se pelo menos disposta a dar um rumo diferente à política até agora posta em prática por Lula: a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O convite feito à jornalista Helena Chagas para assumir o posto parece confirmar essa tendência.

Com a atual estrutura e ocupada por um titular com status de ministro de Estado, o jornalista Franklin Martins, desde 2007, a Secom tem como atribuições principais promover a divulgação das ações governamentais, coordenando as assessorias de imprensa de toda a administração direta, e cuidar do relacionamento do presidente da República com a imprensa (desempenhando o ministro também, oficialmente, a função de porta-voz, como se Lula precisasse disso). A duas tarefas o ministro Martins se dedicou, com grande empenho e eficiência, durante quase quatro anos: primeiro, robustecer e tornar eficiente a rede de divulgação das ações do governo, inclusive com a criação da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC); depois, politizar, ou melhor, ideologizar a questão do novo marco regulatório da radiodifusão, contrabandeando para esse debate a ideia mal dissimulada do controle de conteúdos, inclusive da mídia impressa.

Dilma Rousseff, ainda durante a campanha eleitoral, mas com mais ênfase depois de eleita, evitou sempre esse campo minado. Em mais de um pronunciamento, ressaltou a diferença entre marco regulatório da radiodifusão, medida amplamente reconhecida como necessária, e controle de conteúdos da mídia. Chegou até a cunhar uma frase: "O único controle de conteúdo admissível é o controle remoto da televisão." O perfil profissional de Helena Chagas autoriza a expectativa de que no próximo governo a tendência será "desideologizar" a Secom. Filha do jornalista Carlos Chagas - que foi secretário de imprensa do presidente Costa e Silva e diretor da sucursal do Estado em Brasília -, Helena trabalhou nas redes de TV Globo e SBT e desde 2007 era diretora da EBC, até assumir a assessoria de imprensa da campanha de Dilma e depois integrar a equipe de transição.

Enquanto isso, o presidente retirante aproveita os derradeiros momentos de poder formal para lustrar seu conhecido desapreço pela coerência, insistindo numa das teclas preferidas de sua retórica populista: os ataques à imprensa conjugados com manifestações de profundo apreço pelo direito à informação. Falando a um seleto grupo de representantes de rádios comunitárias em mais uma sessão de beija-mão de despedidas, Lula reiterou a "necessidade de democratização dos meios de comunicação", uma vez que, garantiu, "ainda há um monopólio das telecomunicações no Brasil". No passo seguinte se contradisse sem perder a pose: "Nós avançamos do ponto de vista da democratização porque nós não temos mais o monopólio de um jornal ou um canal de TV. Está mais pulverizado e já é um sinal importante."

Em seguida, Lula brindou a plateia com uma pérola candidata a lugar de destaque na antologia de seu verbo solto: "Há uma briga histórica que eu considero um equívoco: os meios de comunicação confundirem uma crítica que qualquer pessoa faça a eles como um cerceamento de liberdade de imprensa. É a coisa mais absurda, mais pobre do ponto de vista teórico (sic) que conheço é alguém achar que não pode receber crítica, que são intocáveis." Pano rápido.

Twitter

Manchetes do dia

Segunda-feira, 06 / 12 / 2010

Folha de São Paulo
"Principais estradas de SP cobram pedágio a mais"

Problema ocorre em 24 postos de cobrança; governo promete rever tarifas

Os motoristas pagam desde julho um valor de pedágio acima do previsto nos contratos de concessão em 24 praças de estradas no Estado de São Paulo. A diferença a mais oscila de R$ 0,05 a R$ 0,10 para carros. O problema, observado em 18% dos postos de cobrança das rodovias estaduais paulistas, se deve à modificação da base para correção da tarifa e do critério para arredondamento, informa Alencar Izidoro. Segundo os cálculos contratuais, a tarifa no sistema Anchieta-Imigrantes deveria ser de R$ 18,40, e não R$ 18,50. Situação parecida ocorre na Bandeirantes, na Anhanguera, na Raposo Tavares e na Castello Branco. Em nota, a Secretaria dos Transportes afirma que a decisão do governo Alberto Goldman "se mostrou benéfica para a grande maioria" e promete, em 2011, revisão das tarifas nos locais com cobrança extra.

O Estado de São Paulo
"Dilma diz que apoio ao Irã na ONU foi um erro"

Declaração foi feita ao jornal Washington Post, logo depois de confirmada a saída de Celso Amorim

O Brasil errou ao não votar contra as violações dos direitos humanos no Irã. A declaração foi feita pela presidente eleita, Dilma Rousseff, em entrevista publicada ontem no jornal Washington Post. Ela criticou a posição do País que, no mês passado, se absteve de apoiar uma resolução da ONU contra o apedrejamento de mulheres. A entrevista foi dada na quinta-feira e seu teor foi divulgado pouco depois da confirmação de que o atual chanceler, Celso Amorim, deve mesmo deixar o Ministério das Relações Exteriores, dando lugar a Antônio Patriota. “Não concordo com a modo como o Brasil vetou", disse Dilma. “Não sou a presidente do Brasil, mas ficaria desconfortável, como uma mulher eleita presidente do Brasil, mas ficaria desconfortável, como uma mulher eleita presidente, em não me manifestar contra o apedrejamento." Dilma criticou ainda a política de desvalorização do dólar adotada pelos Estados Unidos, mas defendeu a melhoria das relações entre Brasília e Washington. Na conversa, a presidente eleita enfatizou que seu governo buscará estreitar os laços com a administração de Barack Obama, e que tem grande admiração por sua vitória.

Twitter
 
Free counter and web stats