sábado, dezembro 04, 2010

Vida eterna...

Kaká na cerimônia da reconstrução do templo da igreja, em São Paulo

Kaká e mulher rompem com a Igreja Renascer

Da Folha.com
Famoso pela devoção à Igreja Renascer em Cristo, do casal Sonia e Estevam Hernandes, o jogador Kaká e a sua mulher, Caroline Celico, romperam com a instituição. A história já havia sido antecipada no início de outubro pela coluna Zapping, do jornal Agora e publicada pela Folha.com, está na edição deste final de semana da revista "Veja" e foi confirmada neste sábado pela Folha.

De acordo com a "Veja", eles se afastaram no último mês de agosto. "O meu tempo na Igreja Renascer acabou. E o que posso afirmar é que hoje minha busca constante é somente por Deus", disse Carol à revista.

Sobre os motivos, ela preferiu não se pronunciar: "Não vou fazer nenhum comentário. Cada um tem o seu ponto de vista sobre inúmeros assuntos".

A própria igreja confirmou que, na quinta-feira, o jogador telefonou para Hernandes e comunicou que saía "por motivos pessoais", acrescenta a "Veja".

Nota do Editor - Uma perda e tanto para a Igreja Renascer. Dízimos como esse não dão em árvores. Sidney Borges

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Opinião

Os fatos desmentem Lula

O Estado de S.Paulo - Editorial
Fiel a seu costume de contar a história à sua maneira, sem o mínimo compromisso com os fatos e a verdade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mais uma vez falou sobre a "herança maldita" recebida em 2003, ao iniciar seu primeiro mandato. Desta vez, o rosário de inverdades foi desfiado perante o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. O evento foi uma das várias despedidas programadas pelo presidente para este mês. De novo ele falou sobre o País quebrado e sobre o mau estado da economia no momento da transição do governo. De novo ele se entregou a uma de suas atividades prediletas, a autolouvação despudorada, atribuindo a si e a seu governo a inauguração de uma economia com fundamentos sólidos, estabilidade e previsibilidade. As pessoas informadas e capazes de discernimento conhecem os fatos, mas talvez valha a pena recordá-los mais uma vez, para benefício dos mais jovens e dos vitimados pela propaganda petista.

A primeira informação escamoteada pelo presidente Lula e pela companheirada é a origem da crise inflacionária e cambial de 2002. Os problemas surgiram quando as pesquisas mostraram o crescimento da candidatura petista. Não surgiram do nada e muito menos de uma perversa maquinação dos adversários. Os mercados simplesmente reagiram às insistentes ameaças, costumeiras no discurso petista, de calote na dívida pública e de outras lambanças na política econômica. Figuras importantes do partido haviam apoiado um irresponsável plebiscito sobre a dívida e mais de uma vez haviam proposto uma "renegociação" dos compromissos do Tesouro.

Tinha sólidos motivos quem decidiu fugir do risco proclamado pelos próprios petistas. A especulação cambial e a instabilidade de preços foram o resultado natural desses temores. A Carta ao Povo Brasileiro, com promessas de seriedade, foi o reconhecimento do vínculo entre a insegurança dos mercados e as bandeiras petistas.

Essas bandeiras não foram inventadas pelas fantasmagóricas elites citadas pelo presidente nas perorações mais furiosas. São componentes de uma longa história. Petistas apoiaram algumas das piores decisões econômicas dos últimos 30 anos. Uma de suas figuras mais notórias aplaudiu entre lágrimas uma das mais desastradas experiências dos anos 80, o congelamento de preços do Plano Cruzado. Nenhum petista ensaiou uma discussão séria quando os erros se tornaram mais que evidentes e o plano começou a esboroar-se.

Naquele período, como nos anos seguintes, petistas continuaram pregando o calote da dívida externa. Ao mesmo tempo, torpedearam todas as tentativas importantes de reordenação política e econômica e resistiram a assinar a Constituição.

O PT combateu as inovações do Plano Real. Foi contra a desindexação de preços e salários. Resistiu ao saneamento das finanças estaduais e municipais. Combateu - como já vinha combatendo - a privatização de velhas estatais, mesmo quando não havia a mínima razão estratégica para manter aquelas empresas sob o controle do Tesouro. Criticou a Lei de Responsabilidade Fiscal e atacou todas as iniciativas de ajuste das contas públicas.

A economia foi retirada do caos e seus fundamentos foram consertados, nos anos 90, contra a vontade do PT. O saneamento e a privatização de bancos estaduais permitiram o resgate da política monetária. Graças a isso foi possível, em 2003, conter o surto inflacionário em poucos meses. O Banco Central simplesmente manejou ferramentas forjadas na administração anterior.

Todos os princípios e instrumentos de política econômica essenciais à estabilidade nos últimos oito anos são componentes dessa herança mais que bendita. Se os tivesse abandonado há mais tempo, o governo Lula teria sido não só um fracasso, mas um desastre. Mas a fidelidade aos princípios do governo FHC nunca foi total. O inchaço da administração, o loteamento de cargos, a desmoralização das agências de regulação e o desperdício são partes da herança deixada à sucessora do presidente Lula, além de compromissos irresponsáveis, como o de um trem-bala mal concebido e contestado econômica e tecnicamente. Esse legado não será descoberto aos poucos. Já é bem conhecido.

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Manchetes do dia

Sábado, 04 / 12 / 2010

Folha de São Paulo
"BC lança pacote para frear crédito e esfriar consumo"

Medidas incluem alta do compulsório dos bancos, que retira da economia R$ 61 bi, e restrição ao financiamento de carros

O Banco Central anunciou uma série de medidas para frear o crédito e esfriar o consumo, a fim de evitar que a inflação suba no início do governo Dilma Rousseff. A principal delas é a alta do compulsório (dinheiro dos bancos que fica depositado no BC), que vai retirar R$ 61 bilhões da economia. Com compulsório maior, os bancos terão menos dinheiro para emprestar, o que resultará em juro mais alto para os consumidores. Além disso, o BC restringiu recursos para financiamentos de carros com prazo superior a 24 meses - quanto mais longo for o prazo, maior a entrada a ser paga. A expectativa é que até o número de parcelas em compras simples no cartão, como presentes de Natal, caia. O mercado espera que as medidas permitam ao governo adiar para janeiro a alta do jura básico.

O Estado de São Paulo
"BC aperta crédito para o consumidor"

Medidas reduzem em R$ 61 bilhões a oferta de empréstimos pelos bancos e encarecem financiamentos de longo prazo, como carros

O Banco Central (BC) endureceu as regras para concessão de empréstimos. As novas medidas vão afetar diretamente os financiamentos de prazos mais longos, como os de automóveis, televisão, geladeira e fogão. O BC também reduziu em R$ 61 bilhões o volume de dinheiro disponível para crédito no sistema financeiro. As mudanças passam a valer a partir de segunda-feira e, segundo fonte do governo, devem afetar as vendas de Natal. O BC disse que as medidas têm o objetivo de frear a alta da inadimplência, que vem subindo principalmente nas operações de crédito de longo prazo. Analistas, porém, avaliam que a intenção principal é frear a alta dos índices de inflação sem ter de elevar a taxa básica de juros (Selic).

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sexta-feira, dezembro 03, 2010

Petróleo

Huntington Beach (Surf City) 1928 - Califórnia

Pensando alto

Ficção e realidade

Sidney Borges
Tem dias em que fico imaginando como teria sido mais fácil a minha vida de estudante se naquela época existisse a internet e o Google. Quando os professores pediam um trabalho eu pegava o ônibus e ia à Biblioteca Municipal copiar textos em papel almaço para depois passar a limpo em casa.

Um trabalhão.

Não passava pela minha cabeça a possibilidade de ter um aparelho que respondesse a todas as perguntas possíveis e, de quebra, tocasse músicas e passasse filmes, até aqueles proibidos para menores. Mas eu sabia que na Roma antiga os ricos tinham escravos gregos fazendo as vezes do Google.

Pois a coisa foi acontecendo e hoje a "ficção científica" tornou-se realidade. O intervalo de tempo decorrido entre o surgimento dos computadores pessoais e o que temos hoje foi de aproximadamente 35 anos. E, acreditem, estamos no limiar de grandes descobertas, o grafeno logo estará substituindo o silício como matéria básica de processadores, cuja capacidade de trabalho crescerá exponencialmente.

É quase impossível imaginar o que virá, os fios elétricos serão substituídos por nanotubos de carbono de baixíssima resistência elétrica, facilitando a transmissão de energia e o desenvolvimento de baterias que proporcionarão a criação de veículos não poluentes de grande autonomia. 

Vamos voltar 50 anos no tempo. Ok? Então tá. Estamos em 1960. Nada de telefones celulares, internet, computadores, nem mesmo calculadoras eletrônicas. Tudo é manual e mecânico. A fotografia existe, mas é caríssima, câmeras, filmes e revelações são brinquedinhos de ricos, passam longe do uso popular.

Os carros usam carburadores que precisam de constantes limpezas e regulagens. A vantagem é que as ruas são vazias e as estradas também, quem tem carro viaja tranquilo, apesar dos pneus longitudinais serem pouco confiáveis.

Pense agora num conflito bélico entre uma nação de 1960 e uma dos dias atuais, com toda a parafernália digital de hoje. Não haveria como começar, seria um massacre. Em apenas 50 anos a tecnologia mudou completamente o panorama da vida, hoje vivemos mais e melhor, apesar dos erros cometidos contra o meio ambiente. Com o avanço tecnológico avassalador que há, dá para prever que daqui a 50 anos estaremos em outro limiar do conhecimento e os dias de hoje serão motivo de mera curiosidade, tão distantes como somos hoje do Barão de Mauá.

Nos filmes de ficção científica estamos sempre em disputa contra invasores tecnologicamente mais avançados. Apesar disso, a duras penas e heroicamente, vencemos. Coisa de cinema. Não acredite na realidade cinematográfica. Um planeta habitado por seres 100 anos adiantados nos destruiria num piscar de olhos. Nem preciso dizer o que aconteceria se em vez de 100 anos fossem 1000 anos ou mais. Há o risco dos invasores serem lagartos comedores de cérebros com baba grudenta escorrendo do canto da boca. Exalando pestilento chulé.

Fica, portanto a dica. Não perca tempo com baboseiras científicas hollywoodianas que nada de útil ou filosófico apresentam. Se tiver tempo disponível vá ao show da Shakira. Os alienígenas de Hollywood são como índios, alemães e japoneses, perdem todas. Obviamente Hollywood não faz filmes de extraterrestres do Vietnã.

Mudando de pato pra ganso. Onde andará Waldomiro Diniz, valete do Zé Dirceu?

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Descendo...

Acontece em Ubatuba

Convite
Dia do Sol

Sol é simbolo de vida, de energia

Enviado por Rui Grilo
Na astronomia, solstício (do latim sol + sistere, que não se mexe) é o momento em que o Sol, durante seu movimento aparente na esfera celeste, atinge a maior declinação em latitude, medida a partir da linha do equador.

Os solstícios ocorrem duas vezes por ano: em dezembro e em junho. O dia e hora exatos variam de um ano para outro. Quando ocorre no verão significa que a duração do dia é a mais longa do ano.

No hemisfério sul, o solstício de verão ocorre em dezembro e o solstício de inverno ocorre em junho. Devido à órbita elíptica da Terra, as datas nas quais ocorrem os solstícios não dividem o ano em um número igual de dias. Isto ocorre porque quando a Terra está mais próxima do Sol (periélio) viaja mais velozmente do que quando está mais longe (afélio).

Os trópicos de Câncer e Capricórnio são definidos em função dos solstícios. No solstício de verão, no hemisfério sul, os raios solares incidem perpendicularmente à Terra na linha do Trópico de Capricórnio.

A praça de skate tem o nome de Praça Capricórnio porque ali passa a linha imaginária do Trópico de Capricórnio.

A galera da praça de skate, através do do blog yesk8.blogspot.com, convida a todos a participarem da manifestação do DIA DO SOL, marcando o solsticio do verão dia 22 de dezembro das 10 às 20 horas.

Traga sua banda, sua roda de capoeira, seu coral, sua barraca e banners da sua instituição. Mostre que Ubatuba tem muita vida e muito sol.

Se você quiser patrocinar ou colaborar de alguma forma entre em contato com

herrerias_jr@hotmail.com

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No dorso...

Coluna do Celsinho

Ocupando

Celso de Almeida Jr.
É evidente que precisamos oferecer ocupação para a garotada.

Vamos imaginar que a escola cumpra bem a sua função em um período do dia.

Ainda falta a outra etapa, onde a grande maioria das crianças e jovens fica sem ocupação.

Sempre fui favorável a união de forças entre o setor público e o privado.

A prefeitura e o estado não contam com estrutura suficiente para oferecer um dia inteiro de atividades ao público infantojuvenil.

A escola em tempo integral, que tantos problemas resolveria, não é conquista de curto prazo.

Pois bem, dada a impossibilidade presente, qual a saída?

É preciso, antes de avançar, reconhecer que há iniciativas louváveis.

Fundart, Escolinhas de Esportes, Brinquedoteca, Escola da Família, promovem um importante trabalho.

Mas, o grande problema é a enorme demanda de jovens que precisam ser contemplados.

Uma possibilidade interessante seria promover convênios com academias esportivas, em suas diversas modalidades.

Converter dívidas de tributos municipais em bolsas é uma possibilidade que mereceria um estudo especial.

Vale lembrar, como exemplo, que o Programa Universidade para todos seguiu raciocínio semelhante para gerar bolsas de estudo destinadas aos alunos dos cursos superiores.

Imagine uma academia com débitos de IPTU, ISS ou outras taxas municipais.

Converter estes valores em vagas para o treinamento de alunos da rede pública, obedecendo a um estudo criterioso, poderia revelar algo que eu suspeito: o custo de um atleta na iniciativa particular seria menor do que o custo que o setor público tem para prestar o mesmo serviço.

Mas isso é assunto para outro artigo.

Quanto aos impedimentos legais para tal prática, creio que temos energia suficiente para interagir com juristas, especialistas, vereadores, deputados, lutando para criar as l eis necessárias que atendam este propósito.

O avanço da legislação exige idéias, estudos, debate.

Exige diálogo, boa vontade e determinação.

Na pior das hipóteses, ocupa-se o tempo com uma boa causa.

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Manchetes do dia

A crise dos segredos abertos

O Estado de S.Paulo - Editorial
Era apenas questão de tempo. Cedo ou tarde, a divulgação a conta-gotas de 251.287 despachos diplomáticos confidenciais americanos fatalmente criaria mais do que constrangimentos para os Estados Unidos e os governos com que se relacionam. Ontem, no quarto dia de publicação das mensagens obtidas pelo site WikiLeaks e repassadas a quatro jornais e uma revista semanal que as editam (New York Times, Guardian, Le Monde, El País e Der Spiegel), o constrangimento se transformou numa crise política de proporções consideráveis, envolvendo nada menos do que os EUA e a Rússia.

Já na segunda-feira vazou um documento no qual diplomatas americanos, avaliando a correlação de forças em Moscou, comparam o primeiro-ministro Vladimir Putin ao Batman das histórias em quadrinhos, relegando o presidente Dmitri Medvedev ao papel do coadjuvante Robin. A analogia destoa da boa linguagem diplomática, mas é pertinente. Pior foi o secretário de Defesa dos EUA, Robert Grave, ser citado como tendo dito que "a democracia russa desapareceu" e que Moscou está nas mãos de "uma oligarquia dirigida pelos serviços secretos".

Relatos sobre a situação de outros países, incluindo perfis de seus dirigentes, altos funcionários e opositores, bem como explicações e prognósticos sobre as suas políticas, são triviais em diplomacia. Entre os afazeres dos embaixadores no estrangeiro, espionar o anfitrião é tão importante como negociar com ele. Já o interlocutor que se abre com um diplomata sabe que as suas palavras alcançarão leitores mais bem situados na hierarquia da qual aquele faz parte. Nesse jogo, baseado no princípio da confiança recíproca, uma coisa é inadmissível: a quebra do sigilo.

Quando isso acontece, ainda mais como agora, em escala industrial, o desconforto é generalizado e trivialidades se transformam em fatos políticos - com risco de crise. O governo incapaz de guardar os seus segredos tem de dar conta do estrago produzido. Pois uma coisa é saber - e todos sabem -, por exemplo, que a Arábia Saudita abomina o Irã e está inquieta com o programa atômico de Teerã, e outra coisa é vir a público que o rei saudita Abdullah, por intermédio do seu embaixador em Washington, instou os EUA a atacar o país - "cortar a cabeça da serpente", teria mandado dizer.

Perto disso, importa menos do que um grão de areia se o ministro brasileiro da Defesa, Nelson Jobim, de fato confidenciou ao então embaixador Clifford Sobel que o à época secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães, "odeia os Estados Unidos" e que o presidente boliviano, Evo Morales, tem um tumor no nariz. Mas, perto do que vazou das análises dos principais diplomatas americanos acreditados em Moscou sobre a Rússia, o constrangimento em que a negligência dos EUA deixou o monarca saudita pode não durar mais do que redemoinho no deserto.

A Rússia de Putin é equiparada a uma cleptocracia autocrática, em que a elite dirigente, as agências de segurança, as oligarquias dos grandes conglomerados econômicos e o crime organizado se associaram para criar um "virtual Estado mafioso". Nada que já não se soubesse - embora sem tamanha profusão de detalhes. Mas, exposto ao mundo, o libelo leva às cordas o que o presidente Barack Obama tinha a apresentar como a sua mais promissora realização em política externa a reaproximação com a Rússia, o restart de que falou a secretária de Estado Hillary Clinton depois de seu primeiro encontro com Medvedev, no começo do ano passado.

Putin não perdoará em especial o despacho do então embaixador William Burns sobre o rumor de que o círculo íntimo do líder russo ordenou a eliminação do agente Alexander Litvinenko, envenenado em Londres há 4 anos. A naturalidade com que o boato foi recebido em Moscou "diz tudo do que se espera do Kremlin", escreveu o diplomata.

É improvável que os EUA consigam estancar o aluvião de bisbilhotices explosivas que viajam da internet para alguns dos mais importantes órgãos da imprensa mundial. O fracasso das primeiras tentativas de bloquear o WikiLeaks é sintomático. Em nome do direito à informação, melhor assim.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 03 / 12 / 2010

Folha de São Paulo
"Exército terá poder de polícia em favela do RJ"

Ideia é patrulhar Alemão e Vila Cruzeiro nos moldes do que o Brasil faz no Haiti

As favelas do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro, no Rio, dominadas pelo tráfico até a semana passada, passarão a ser patrulhadas pelo Exército nos moldes do que ocorre no Haiti. "[A diferença é que] aqui é no Brasil, lá é outro país", disse Enzo Peri, comandante do Exército. Prevê-se usar a "força de paz" na segunda etapa da operação, o que pode ocorrer ainda em 2010. Esse emprego da Força com poder de polícia será o primeiro desde a redemocratização no Brasil. "Já fizemos ações policiais, mas com essa magnitude será a primeira vez", afirmou Peri. Pesquisa feita pelo Ibope mostra que 88% no Estado do Rio aprovam as ações policiais contra o tráfico e 93% são favoráveis a participação das Forças Armadas nessas operações.

O Estado de São Paulo
"Lula propõe pré-sal com novo rateio de royalties"

Presidente vetará modelo aprovado na Câmara e vai oferecer compensação aos Estados produtores

O presidente Lula deverá vetar o dispositivo da nova lei do pré-sal, aprovada anteontem, que distribui o dinheiro dos royalties pela exploração do petróleo a todos os Estados e municípios. O Planalto entende que, da forma como esta, o modelo tira dinheiro destinado a investimentos em educação e ciência e tecnologia para gastá-lo com custeio da administração. O governo já tem em mãos uma proposta alternativa, a ser encaminhada ao Congresso em 2011. A nova fórmula garante mais dinheiro para os Estados e municípios que pouco ou nada recebem atualmente, sem comprometer o padrão de ganho das regiões ligadas diretamente à produção de petróleo. Uma das novidades é a redução gradual, ao longo de 10 anos, da parcela de recursos destinada aos cofres dos produtores. Essa diminuição, entretanto, será compensada pelo aumento da produção dos poços de petróleo.

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quinta-feira, dezembro 02, 2010

Extraterrestres


Universo em expansão

Sidney Borges
Foi encontrada uma bactéria no fundo do lago Mono, no Yosemite National Park, na Califórnia. Até aí nenhuma novidade, bactérias são abundantes em nosso planeta. Acontece que as águas desse lago são ricas em arsênio, elemento químico essencial à vida, mas na composição das águas do lago um veneno que mataria qualquer criatura.

Eu disse qualquer criatura? Errei, minha culpa, minha máxima culpa. Qualquer criatura exceto as tais bactérias. Bichos esquisitos, não deveriam viver nesse ambiente hostil. Esqueci de dizer que bactérias são ignorantes, nem sabem que arsênio é veneno. Nada de esticar as canelas, em vez disso vivem muito bem, crescem, apaixonam-se, casam, têm bactérinhas rechonchudas e morrem como costumam fazer os seres vivos.

Se existem essas bactérias estúpidas nesse ambiente, por que não deveriam existir seres mais complexos, quem sabe até inteligentes, em ambientes semelhantes, em outros planetas? Em algum lugar do Universo deve haver vida inteligente. Será que lá fora tem alguma coisa parecida com o Morro do Alemão?

A probabilidade de vida extraterrestre é enorme, há cem bilhões de trilhões de planetas semelhantes à Terra no espaço. Viu esse número. Experimente contar.

O que estamos presenciando não é exatamente a expansão do Universo, mas sim do conhecimento humano, que dobra a cada nove meses.

Se não foi desta vez, será na próxima, mas certamente em breve teremos certeza absoluta e comprovação científica do que a matemática deixa claro através do cálculo estatístico.

Não estamos sós no Universo.

Quando a comprovação definitiva da existência de vida fora da Terra for anunciada, certas crenças terão de ser alteradas para adaptar-se à nova realidade. E alguns espertos terão de trabalhar.

Espero estar vivo para ver. "No offense, vou rir muito".

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Subindo...

Homenzinhos verdes em pauta

Conferência marcada para esta tarde
NASA faz subir expectativas sobre descoberta de vida extraterrestre

A NASA, agência espacial norte-americana, promete revelar esta tarde em conferência de imprensa em Washington uma descoberta que, diz, “terá impacto da procura de provas de vida extraterrestre”.

Por PÚBLICO (original aqui)
De acordo com um comunicado da agência espacial, a conferência – realizada às 14h00 locais (19h00 em Lisboa) - será dedicada à astrobiologia, ou seja, o estudo da origem, evolução, distribuição e futuro da vida no universo.

Participarão na conferência Mary Voytek, director do Programa de Astrobiologia, Felisa Wolfe-Simon, investigadora da NASA em astrobiologia, Pamela Conrad, astrobióloga no Centro de Voos Espaciais Goddard, Steven Benner, da Fundação para a Evolução Molecular Aplicada (Gainesville) e James Elser, da Universidade estatal do Arizona.

Perante o anúncio da NASA, os amantes do espaço e de extraterrestres já inundaram a blogosfera com especulações sobre o alcance das revelações. Uma das possibilidades avançadas na Internet seria o anúncio da descoberta de vida numa das luas de Saturno. Mas a NASA recusou-se a dar mais detalhes sobre o que vai revelar.

Mais informações aqui

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Volta...

Deu em O Globo

Nas escolas públicas, deficiência de aprendizado

Dados do Todos pela Educação mostram que alunos concluem o ensino médio sem saber matemática e português

Adauri Antunes Barbosa
Os alunos das escolas públicas brasileiras não estão tendo o aprendizado adequado, conforme apontam dados divulgados ontem pelo movimento Todos pela Educação.

Apenas 11% dos estudantes que terminam o 3º ano do ensino médio sabem o conteúdo apropriado de matemática e apenas 14,8% dos que concluem o ensino fundamental compreendem essa disciplina.

Em língua portuguesa, o desempenho é um pouco melhor, embora ainda muito baixo. Apenas 28,9% dos alunos que terminam o ensino médio (3º ano) têm o conteúdo adequado da matéria. Na conclusão do ensino fundamental, o índice não passa de 26,3%. E entre os alunos de 5ª série, chega a 34,2%.

Os dados fazem parte do relatório "De olho nas metas", elaborado anualmente pelo Todos pela Educação, grupo de especialistas e interessados em educação que acompanha cinco metas que devem ser cumpridas até 2022: toda criança de 4 a 17 anos deve estar na escola; toda criança deve estar plenamente alfabetizada até os 8 anos de idade; todo aluno deve ter aprendizado adequado à série; todo jovem deve concluir o ensino médio até os 19 anos; e os investimentos em educação devem ser ampliados.

A meta mais importante sugere que "70% ou mais dos alunos terão aprendido o que é adequado para a sua série". Se a evolução continuar no ritmo atual o Brasil só vai atingi-la em 2050.

Embora nenhuma das séries avaliadas esteja próxima da meta estabelecida, no 5º e no 9º ano do ensino fundamental houve melhora em língua portuguesa na comparação com o primeiro ano do Sistema de Educação Básica (Saeb), 1999.

No ensino médio, 28,9% atingem o objetivo para a etapa, enquanto eram 27,6% há 10 anos. Em matemática, no entanto, os que atingiam o objetivo eram 11,9% há dez anos e hoje são 11%.

- Isso significa que 89% das nossas crianças estão concluindo a educação básica sem aprender o mínimo - explicou Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos pela Educação.

Nota do Editor - A Educação no Brasil está falida e isso é do conhecimento das torcidas do Flamengo e do Corínthians. A estrutura educacional é corporativista, burocrática e ineficiente. Perdeu a noção da finalidade à qual foi destinada: ensinar. Lembra os mastodontes da ex-União Soviética, cujo modo de produção é idealizado e ensinado como a salvação da lavoura. Sidney Borges

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Ida...

Coluna da Dra. Luiza Eluf

Triste Justiça

Luiza Nagib Eluf
Certa vez, uma senhora de nome Olga precisou reaver um imóvel comercial que se encontrava alugado e, para isso, contratou um advogado, já que o inquilino, um órgão público federal, não queria desocupar o prédio. Casos como o de dona Olga são relativamente simples e de rápida solução – tratava-se da chamada “denúncia vazia”, uma ação de despejo imotivada, que não exige muita elucubração jurídica nem a produção de provas complexas.

O advogado de dona Olga, Dr. Kalil Rocha Abdalla, com 35 anos de profissão, elaborou a petição inicial, juntou os documentos necessários, apresentou tudo à Justiça Federal e permaneceu no aguardo do despacho do juiz. Era 10 de abril de 1989.

Passado um ano sem manifestação do magistrado, a despeito dos esforços do causídico para que algum andamento fosse dado à ação de despejo que estava propondo, Dr. Kalil ingressou com uma petição espirituosa mas, ao mesmo tempo, reveladora de seu inconformismo com a inércia da Justiça. Dizia ele que, com o maior respeito que devotava ao digno magistrado, vinha cumprimentá-lo pelo aniversário de um ano de conclusão (que em linguagem jurídica significa “no aguardo de decisão do juiz”) para um complicadíssimo despacho saneador ou prolação de uma dificílima sentença de despejo por denúncia vazia. E finalizava: Só resta cantarmos parabéns a você nesta data tão querida, muitos anos de conclusão para gáudio da Justiça. Para completar a ironia, desenhou um bolo de aniversário grande e enfeitado, logo abaixo de sua assinatura, com uma velinha acesa.

Seu esforço resultou no despacho: “especifiquem provas”. Um ano para que duas palavras fossem proferidas!

Pois bem. Cumprida a determinação do Juízo, isto é, especificadas as provas, novamente o silêncio sepulcral caiu sobre a infeliz ação de despejo. A despeito da insistência do advogado, nenhuma providência foi determinada.

Cinco anos se passaram quando, finalmente, o juiz julgou a ação improcedente, desacolhendo o pedido de despejo, sem que nenhuma das provas “especificadas” pelas partes tivesse sido produzida.

Totalmente inconformado, Dr. Kalil entrou com um recurso de apelação no Tribunal competente, pedindo a reforma da decisão proferida, que não acolhera seu pedido de despejo e deixara dona Olga, uma senhora idosa, sem o imóvel de que tanto precisava.

Passaram-se mais cinco anos, sem manifestação do Tribunal. Desesperado e não tendo como explicar à cliente a razão de tanta demora, o advogado entrou com outra petição, desta vez com um enorme bolo de aniversário de 10 anos. Era dia 3 de dezembro do ano 2000, último mês do século, cinco dias antes da comemoração do dia da Justiça. Dizia ele, em seu texto, que continuava, desde 1995, aguardando o julgamento do recurso de apelação e, na oportunidade, reiterava os cumprimentos do primeiro aniversário mas, já agora, com 10 velas, torcendo para que não houvesse necessidade de nova comemoração no próximo século.

Em fevereiro de 2001, o Tribunal julgou a ação de despejo movida por dona Olga e, irônica decisão, anulou a sentença proferida em primeira instância porque as provas necessárias não haviam sido produzidas!

Ao tomar ciência do Acórdão (decisão da segunda instância), Dr. Kalil entrou com outra petição, anunciando que vinha noticiar um fato deveras desagradável – o falecimento de sua cliente dona Olga, autora da ação. Desenhado, em todos os detalhes, havia um caixão preto com velas e coroas de flores ocupando metade da primeira página. “MÓ-RREU”, escreveu Dr. Kalil, em letras grandes, parodiando conhecido personagem de programa humorístico, “certamente cansada e desiludida por esperar pelo desenlace de uma simples ação de despejo por denúncia vazia”.

Em sua última petição, o advogado admitiu que foi ousado em reclamar da demora da Justiça, mas nunca fora desrespeitoso, não merecia o que chamou de “vingança dos Magistrados que manusearam, ou melhor, nunca manusearam este processo”. E retirou-se dos autos, já que não era advogado do espólio. Sua última frase foi: “esta ação constitui um verdadeiro desrespeito a 170 milhões de brasileiros que imaginam, um dia, ter que se socorrer do poder Judiciário Federal”.

E assim, dona Olga não alcançou a prestação judicial que pleiteou. Contratou advogado, passou doze anos na espera e morreu frustrada, sem ver a decisão, favorável ou não. Quantas pessoas, como ela, ainda terão de sofrer pela Justiça que não temos antes que o poder público promova a reforma necessária para diminuir a morosidade?

É certo que, alguns anos após esse fato, foi criado o Conselho Nacional de Justiça, que se propõe a fazer o controle externo do Poder Judiciário. O órgão em muito vem colaborando para que a cidadania brasileira não seja mais prejudicada como aconteceu com Dona Olga. Mesmo assim, a questão primordial ainda não foi solucionada, pois depende de uma reforma ampla dos códigos de processo civil e penal. O Congresso está se mobilizando para votar esses projetos de reforma, a fim de que qualquer pessoa que precise de uma decisão judicial não tenha que morrer sem tê-la.

Luiza Nagib Eluf é Procuradora do Ministério Público do estado de São Paulo. Foi Secretária Nacional dos Direitos da Cidadania no governo FHC. É autora de vários livros, dentre os quais “A paixão no banco dos réus” e “Matar ou morrer – o caso Euclides da Cunha”, ambos da editora Saraiva.

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Opinião

O povo sou eu

O Estado de S.Paulo - Editorial
O mesmo presidente Lula que aconselhou um repórter deste jornal a fazer psicanálise para se tratar da "doença do preconceito", revelou ter dito de si certa vez algo que deveria levá-lo ao divã do terapeuta mais próximo. Não fosse a inconfidência, a sua grosseria com o jornalista Leonencio Nossa, baseado no Palácio do Planalto, mereceria ser largada no aterro onde se amontoam os incontáveis rompantes, bravatas e despautérios do mais prolixo dos governantes brasileiros. Mas o encadeamento das coisas obriga a revolver as palavras do presidente, em consideração ao interesse público.

As cenas constrangedoras se passaram quando Lula visitava as obras da hidrelétrica de Estreito, no Maranhão, para o fechamento simbólico da primeira das 14 comportas da usina. Perguntado pelo repórter do Estado se a visita era uma forma de agradecer o apoio da oligarquia Sarney ao seu governo, ele perdeu as estribeiras. Embora o presidente do Senado seja o patriarca do clã que sabidamente controla a vida política maranhense há cerca de meio século e embora seja também notória a sua sintonia com os interesses do lulismo - e vice-versa -, Lula reagiu com indisfarçada hostilidade.

A pergunta "preconceituosa", investiu, demonstraria que o jornalista não teria aprendido que o Senado é uma instituição autônoma e que, ao se eleger e tomar posse, todo político "passa a ser uma instituição". "Sarney não é meu presidente", emendou. "É o presidente do Senado deste país." Lula domina com maestria o tipo de mentira que consiste em omitir uma parte, a mais importante, da verdade. No caso, o pacto de mútua conveniência entre ambos - que se sobrepõe ao caráter institucional das relações entre dois chefes de Poderes.

Que o diga o PT do Maranhão, obrigado este ano a desistir da candidatura própria no Estado em favor da reeleição da governadora Roseana Sarney. Foi ao pai que Lula se dirigiu em dada ocasião para transmitir uma ameaça ao Congresso. Segundo a história que o presidente contou na sua fala de improviso em Estreito, no decorrer da crise do mensalão, em 2005, pediu que Sarney advertisse os parlamentares da oposição de que, "se tentassem dar um passo além da institucionalidade, não sabem o que vai acontecer". Porque "não é o Lula que está na Presidência, mas a classe trabalhadora".

Ou, mais precisamente, porque ele é "a encarnação do povo". Não há o mais remoto motivo para duvidar de que isso é o que ele enxerga quando se olha ao espelho. Luiz XIV teria dito que "o Estado sou eu". Era, de toda sorte, uma constatação política - e a mais concisa definição que se conhece do termo autocracia. Mas nem o Rei Sol, que via a sua onipotência iluminando a França, tinha a pretensão de encarnar os seus súditos. Não ousaria dizer "o povo sou eu". Em psiquiatria há diversas denominações para o que em linguagem leiga se chama mania de grandeza.

Lula disse ainda que de início tinha medo do que lhe poderia acontecer à luz de um passado que incluía o suicídio de Vargas, a tentativa de impedir a posse de Juscelino, a deposição de Jango, a renúncia de Jânio e o impeachment de Collor. A julgar por sua versão, o migrante que passou fome e privações e refez a vida sem renegar as suas origens seria um candidato natural a engrossar a lista dos governantes brasileiros apeados do poder de uma forma ou de outra, no que seria uma interminável conspiração dos descontentes. Mas "eles", teria dito naquela conversa com Sarney, "vão saber que eu sou diferente".

O que espanta, além da teoria encarnatória, são as circunstâncias que levaram Lula a invocar alguns dos momentos mais turbulentos da história nacional. Em 2005, a oposição não conspirava para "dar um passo além da institucionalidade" nem o País estava convulsionado por um confronto ideológico que se resolveria pela força. Os brasileiros, isso sim, estavam aturdidos com as evidências de que o lulismo usava dinheiro que transitava pelos desvãos da política e do governo para comprar votos na Câmara dos Deputados - o mensalão. Lula não estava nem um pouco preocupado com as instituições. Queria dar dimensão histórica ao que não passava de um caso de polícia. Encarnou uma mistificação.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 02 / 12 / 2010

Folha de São Paulo
"EUA derrubam site que vaza documento secreto"

Alerta da Interpol coloca fundador do WikiLeaks na lista dos mais procurados

Criticado por governantes e países atingidos pela divulgação de documentos secretos de sua diplomacia, o governo dos EUA conseguiu tirar do ar por pelo menos cinco horas o site WikiLeaks, autor do vazamento. Por pressão feita pelo Departamento de Segurança Doméstica dos EUA e pela Comissão de Segurança Nacional do Senado americano, a Amazon, que fornecia servidores ao WikiLeaks, retirou o serviço do ar. No final da tarde, o site voltou a ser acessado por intermédio de um servidor europeu. A Amazon Web Services - parte da Amazon.com, popular site de venda de livros e outros produtos – não quis comentar. A pedido de corte sueca, a Interpol (polícia internacional) colocou Julian Assange, fundador do WikiLeaks, na lista dos mais procurados. Ele é acusado de crimes sexuais e coerção ilegal. Assange nega.

O Estado de São Paulo
"Governo reforça fronteiras em apoio à operação no Rio"

Cerca de 1.500 homens fazem cerco próximo a Paraguai e Bolívia para evitar entrada de drogas e armas

Em apoio às operações de combate ao tráfico no Rio, o governo federal montou cerco na fronteira do Brasil com Paraguai e Bolívia, por onde entram mais de 80% das drogas e armas que abastecem o crime organizado no País. A medida é parte da Operação Sentinela, desencadeada em março, com apoio logístico das Forças Armadas e cerca de 1.500 homens. Estão envolvidas a Polícia Federal, que comanda as ações, a Força Nacional de Segurança Pública, a Polícia Rodoviária Federal e tropas especiais dos Estados da região. Convocada às pressas pelo Conselho de Secretários Estaduais de Segurança Pública, uma reunião em Brasília aprovou ontem documento apoiando um plano conjunto dos governos federal e fluminense para evitar a migração de bandidos em fuga para outros Estados. Em São Paulo, a Polícia Rodoviária Federal intensificou operações na Rio-Santos e na Dutra.

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quarta-feira, dezembro 01, 2010

Deu em O Globo

WikiLeaks contra o Império

Elio Gaspari
A diplomacia americana levará tempo para se recuperar da pancada que levou da WikiLeaks. Tudo indica que 260 mil documentos sigilosos foram copiados por um jovem soldado num CD enquanto fingia ouvir Lady Gaga, cantarolando "Telephone": "Pare de ligar, eu não quero falar."

Um vexame para um país que gasta US$ 75 bilhões anuais num sistema de segurança que agrupa 1.200 repartições, contrata 2 mil empresas privadas e emprega mais de um milhão de pessoas, das quais 854 mil têm acesso a informações classificadas.

A WikiLeaks não obteve documentos que circulam nas camadas mais secretas da máquina, mas produziu aquilo que o historiador e jornalista Timothy Garton Ash classificou de "sonho dos pesquisadores, pesadelo para os diplomatas".

As mensagens mostram que mesmo coisas sabidas têm aspectos escandalosos. A conexão corrupta e narcotraficante do governo do Afeganistão é velha como a Sé de Braga, mas ninguém imaginaria que o presidente Karzai chegasse a Washington com um assessor carregando US$ 52 milhões na bagagem.

A falta de modos dos homens da Casa de Windsor é proverbial, mas o príncipe Edward dizendo bobagens para estranhos no Quirguistão incomodou a embaixadora americana.

O trabalho da WikiLeaks teve virtudes. Expôs a dimensão do perigo representado pelos estoques de urânio enriquecido nas mãos de governos e governantes instáveis.

Se aos 68 anos o líbio Muamar Kadafi faz-se escoltar por uma "voluptuosa" ucraniana, parabéns. O perigo está na quantidade de material nuclear que ele guarda consigo.

A revelação do interesse chinês na reunificação das Coreias chega a ser um fator de alívio.

Os seis telegramas relacionados com o Brasil já divulgados cumpriram uma escrita apontada domingo por Garton Ash. Revelaram a boa qualidade dos relatórios dos diplomatas americanos. Falta ver os 1.941 restantes.
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Follow the money...

Coluna do Editor

Estranhices

Texto aparentemente hermético e sem sentido, mas nada hermético e com muito sentido

Sidney Borges
No transcorrer da Segunda Guerra Mundial os americanos ocuparam diversas ilhas do Oceano Pacífico. Na região da Nova Guiné havia tribos que nunca tinham tido contato com a civilização. Desconfiados espreitaram à distância e viram homens com fones de ouvido falando coisas aparentemente desconexas para caixas cheias de botões e mostradores. Pouco depois chegava um avião trazendo comida e ferramentas. O ritual era repetido de tempos em tempos. Primeiro a conversa com a caixa, em seguida a chegada do avião.

Um dia a guerra acabou e os americanos foram embora no avião, levando as caixas. Os nativos então construiram caixas falantes e aviões próprios. Com tecnologia disponível, isto é, bambú e folha de palmeira. Em seguida abriram pistas na mata onde depositaram as naves.

Até hoje deve ter algum velhinho com fone de ouvido de casca de coco e cipó esperando a chegada do pássaro mágico. A mente humana funciona assim, quando não compreendemos um fato há dois caminhos a seguir. O mais difícil  e árduo consiste em investigar até encontrar uma saída lógica e consistente.

O outro é buscar soluções mágicas e divindades.

Assim, certas atitudes que parecem não fazer sentido estão fundamentadas no pensamento mágico, ou seja: falando para a "caixa" alguns pensam mudar a realidade.

Vão ficar no desejo, pois como disse um dia "Deep throat":

- Folow the money...

Tem gente seguindo.

Se vão encontrar são outros quinhentos...

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Opinião

A 'reforma ministerial'

O Estado de S.Paulo - Editorial
Nunca se deve subestimar o gosto do presidente Lula pelo som da própria voz. Ainda assim, é improvável que neste seu derradeiro mês no Planalto ele ainda tenha tempo de proferir uma falsidade comparável às suas reiteradas garantias de que não indica nomes para Dilma Rousseff porque o futuro Ministério tem de ter "a cara" dela. Teria se a sucessora tivesse barba e bigode. De fato, o que se desenrola em Brasília nas últimas semanas, à vista do País, é menos a constituição de um novo Gabinete, de acordo com as preferências pessoais e os compromissos políticos de um líder em vias de assumir a Presidência, do que outra reforma ministerial do governo Lula.

Foi ele, afinal, quem manteve nos seus lugares - por enquanto - o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o titular da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha. Dilma também fez a vontade de Lula trazendo o antecessor de Mantega, Antonio Palocci, para a Casa Civil, o coração do poder. Nesse caso, aliás, pode-se falar em indicações em sequência. Foi Lula quem instalou o ex-ministro na cúpula da campanha da sua apadrinhada, de onde ele desalojou o amigo mais próximo da candidata, Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte. Passada a eleição, nada mais natural que Palocci conduzisse a transição de governo.

A lista continua. Por escolha do presidente, ficará no Planalto, porém em outra sala, o seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, transferido para a Secretaria-Geral da Presidência. Ainda graças a Lula, sairá do Planalto, em direção à Esplanada, a assessora Miriam Belchior, promovida a ministra do Planejamento - cujo titular, Paulo Bernardo, deverá por sua vez migrar para as Comunicações. Lula ainda se movimenta para manter no governo, embora não mais no Banco Central, o atual presidente Henrique Meirelles. Na montagem da coligação dilmista, Lula tentou emplacar o seu nome como vice, mas o PMDB exigiu Michel Temer.

Agora, com o aval do patrono de Dilma, Meirelles ocuparia o futuro (e cobiçado) Ministério dos Portos e Aeroportos. Lula também aconselhou a sua pupila a conservar Nelson Jobim na Defesa e Marco Aurélio Garcia como assessor internacional. Teria feito o mesmo por Carlos Luppi no Trabalho e por Sérgio Gabrielli na Petrobrás. Em relação a todos eles, as preferências do presidente ou nem precisavam ser enunciadas ou foram transmitidas com relativa discrição. Caso excepcional é o do ministro da Educação, Fernando Haddad, cujo cargo, vorazmente disputado pela companheirada paulista, parecia fadado a mudar de mãos, depois dos sucessivos fiascos do Enem.

Os políticos petistas não gostam do acadêmico Haddad porque ele não lhes dá a atenção de que se julgam merecedores. Mas o presidente gosta de sua atuação - a ponto de transformar três eventos da área do ensino, anteontem, em comícios de campanha ministerial. Foi no primeiro deles que Lula deu o seu show de hipocrisia ao negar de pés juntos que interferira na montagem do Ministério. O que, aliás, vem repetindo todos os dias, desde que a formação do Ministério de Dilma passou a ocupar lugar predominante no noticiário político, recorrendo, como sempre, às metáforas futebolísticas tipo "o técnico tem de ter liberdade para mudar seu time".

Já se escreveu que jamais um presidente brasileiro interferiu tanto na composição da equipe do sucessor. Mas a verdade é que a presente conjuntura é única na história da democracia brasileira. Antes de 1964, só um presidente (Vargas) viu eleger-se quem apoiava (Dutra). Depois da ditadura, Sarney herdou o governo que Tancredo montara, Itamar completou o mandato de Collor, com a glória do lançamento do Real, Fernando Henrique e Lula foram os seus próprios sucessores. Para completar o ineditismo, elege-se presidente uma figura que nunca disputou um mandato, carente de base política própria, escolhida, construída e conduzida à vitória por seu mentor.

Mesmo que Lula fosse honesto ao falar em "rei morto, rei posto", seria apenas natural que Dilma Rousseff fosse bater à sua porta na hora de escalar o seu time. O Brasil terá quatro anos para saber até onde irá essa dependência.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 01 / 12 / 2010

Folha de São Paulo
"Polícia investiga desvios de drogas e facilitação de fugas"

Cúpula da Segurança suspeita que policiais tenham levado dinheiro em mochilas

A cúpula de Segurança do Rio investiga o envolvimento de policiais no desvio de dinheiro, drogas e armas apreendidas, além de facilitação de fuga de traficantes. As polícias Militar e Civil, cujos contingentes somam 1.600 homens, não relataram nenhuma apreensão de dinheiro. A Polícia Federal, que atua com 300 homens, anunciou ter recolhido R$ 39.850, segundo informou. O Exército, que tem 800 soldados, relatou R$ 106 mil. A Folha apurou, porém, que esse valor declarado pelo Exército foi registrado na delegacia da Penha como R$ 75,1 mil. Suspeita-se que dinheiro tenha saído das favelas em mochilas, enquanto carros foram usados para levar outros pertences. Para evitar a "contaminação", o Exército propôs rodízio de seus soldados na operação das favelas.

O Estado de São Paulo
"Exército pode ficar no Rio até a Copa e atuar em outras capitais"

Proposta de ação na segurança pública deixou Dilma 'entusiasmada', segundo o vice-governador do Rio; Lula diz que soldados não têm prazo para deixar a cidade

As Forças Armadas serão usadas na segurança pública do Rio até pelo menos a Copa de 2014, informa a repórter Bruno Paes Manso. Foi o que ficou definido em reunião da presidente eleita Dilma Rousseff com o governador do Rio, Sergio Cabral, o vice, Luiz Fernando Pezão, e o futuro ministro Antonio Palocci (Casa Civil). Além disso, há a possibilidade de replicar a ação militar que liberou a Complexo do Alemão em outras capitais do Brasil com problemas semelhantes. "Dilma se mostrou entusiasmada em poder colocar tanto homens como equipamentos à disposição", disse Pezão. O presidente Lula informou que as Forças Armadas continuarão a combater o tráfico de drogas no Rio por tempo indeterminado. Ele disse que o Planalto está determinado a ajudar o Estado a resolver o problema da criminalidade e “garantir a paz". Com a saída dos traficantes do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro, a Prefeitura do Rio prometeu pacote de ao menos R$171,6 milhões em obras e serviços para as comunidades.

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terça-feira, novembro 30, 2010

"I compagni" di Mario Monicelli

Cinema

Morre Mario Monicelli, cineasta italiano

O mestre da comédia italiana suicidou-se aos 95 anos de idade

GREGORIO BELINCHÓN - El País
Houve um momento em que a comédia italiana tinha substância, como um bom guisado, com todos os ingredientes na quantidade correta. Naquela época não era chamada de comédia italiana, mas commedia all'italiana (comédia à italiana), e Mario Monicelli foi a sua maior estrela, o cineasta que dominou os ingredientes do riso como ninguém. Ontem, Monicelli decidiu acabar com a vida ao saltar de uma janela do quinto andar do Hospital San Giovanni Roma. Aos 95 anos, quase cego, Monicelli sofria de câncer de próstata em fase terminal, e decidiu pelo suicídio como há 70 anos fez seu pai. Hoje a Itália está de luto pela a morte de seu último grande diretor, um cineasta que dirigiu 65 filmes e concorreu ao Oscar por cinco vezes, duas como roteirista dos filmes, Camaradas (1963) e Casanova 70 (1965) e outras três na categoria de Melhor Filme Estrangeiro: Rufufú (1958), A Grande Guerra (1959) e The Girl with Gun (1968).

Revisar a carreira de Monicelli é dar uma passada d'olhos na história do cinema italiano. Nascido em Viareggio (Toscana), em 1915, Monicelli foi o segundo filho de um jornalista que sofreu pessoalmente com o fascismo de Mussolini.

"Meu pai dirigiu um jornal na década de vinte. Era antifascista, posicionou-se contra Mussolini e não pôde mais escrever, passando muitos anos sem conseguir nem sequer falar e vendo seus amigos adaptados ao fascismo. Pensava ele que com o fim de Mussolini voltaria à imprensa. Teve uma amarga surpresa, os anos de silêncio forçado fizeram com que fosse esquecido. Restou uma imensa depressão. Eu era soldado, tinha acabado de voltar da guerra e compreendi perfeitamente quando ele pôs fim à vida."
Antes de participar na II Guerra Mundial, Monicelli trabalhou no mundo do cinema, filmando seu primeiro curta em 1934, uma adaptação de "O coração delator", de Edgard Allan Poe, quando atuou como co-diretor, com Cesare Civita e seu amigo Alberto Mondadori. Um ano depois, veio seu primeiro média- metragem - mudo - I ragazzi della via Paal, que ganhou um prêmio no Festival de Veneza. Finalmente estreou, em 1937, com um longa-metragem, Pioggia d'estate, filme distribuído apenas no sul da Itália.

De 1939 a 1942, antes de ir para a guerra, Monicelli trabalhou como diretor assistente. Em seguida, foi convocado.
"Eu fui para a Iugoslávia na cavalaria, mas nunca lutei." Até 1949 ficou afastado das câmeras, e nesse ano co-dirigiu, com Stefano Vanzina Totó procura chão. Nos quatro anos seguintes Monicelli e Vanzina co-dirigiram oito filmes estrelados pelo comediante Totò. "Ele era muito especial. Um grande mímico que movia com detreza o corpo e tinha aquela face expressiva que o público amava. Monicelli era um grande fã de Buster Keaton e Charles Chaplin ("eles representavam a voz dos perdedores sendo levantada contra as normas sociais"). Foi nos anos de esplendor dos cafés de Roma, na década de 1950, que as horas de Monicelli foram passadas em conversas infindáveis com os roteiristas Age e Scarpelli e com diretores iniciantes como Luigi Comencini, Steno e Pietro Germi ... "Nós conversamos sobre tudo, principalmente sobre as notícias do dia, o cinema era secundário. Hoje, infelizmente, os diretores vêem a vida através do cinema". Em 1951 ele começou a chamar atenção, Vida de cães e Guardas e ladrões, foi premiado em Cannes, e em 1957, Pais e filhos obteve um prêmio em Berlim, mas a consagração aconteceu em 1958 com Rufufú (Concha de Prata de Melhor Diretor San Sebastian), com Vittorio Gassman, Marcello Mastroianni, Claudia Cardinale e Toto. "Nossa visão era assim. Sarcasmo e ironia. Humor na sua forma mais penetrante. Um bisturí que cortava as coisas profundamente. A comédia italiana chegou a ter argumentos dramáticos, sempre narrados com viés humorístico." O melhor exemplo é a sua obra-prima, produzida no ano seguinte: A Grande Guerra (Leão de Ouro em Veneza), comédia sobre a I Guerra Mundial, com Alberto Sordi e Vittorio Gassman, que deu a Monicelli o status de grande cineasta. "Nós colocamos um espelho na frente dos italianos para refletir o seu lado mais vil."

Durante os trinta próximos anos Monicelli não parou de produzir: Os Companheiros (1963), O incrível exército de Brancaleone (1966), Girl with a Gun (1968), Amici miei (1970) e Um pequeno burguês pequeno (1978) ... "Nós não tivemos pretensão, mas a verdade é que sem querer estávamos fazendo política. Depois veio a crítica organizada a traçar teorias, procurar significados, intelectualizar a comédia, o que em si é uma contradição." Monicelli conseguiu com rara capacidade e magia dizer as coisas diretamente e para isso contou com alguns dos melhores atores do século XX: Monica Vitti, Totò, Anna Magnani, Vittorio Gassman, Vittorio de Sica, Giancarlo Giannini, Stefania Sandrelli, Sofia Loren, Nino Manfredi, Maria Volonté Gian, Marcello Mastroianni ... "Nós não tinhamos consciência da importância do que estávamos fazendo. Era uma vida dura. Os tempos não eram como agora. Eu me levantava de madrugada e trabalhava das 7 às 7. No set de filmagem comíamos pão com salame e bastava. Dessa forma, durante 15 anos fomos o centro da criatividade cinematográfica da Itália. Durou pouco, apenas um par de gerações."

Em 2006, depois de dirigir As rosas do deserto, Monicelli decidiu se aposentar, tendo ainda dirigido um último documentário depois de uma longa carreira com peças de teatro, inúmeros trabalhos televisivos, dezenas e dezenas de roteiros e 65 loga-metragens. "Foi suficiente, não foi?". Dois anos atrás, o Festival de San Sebastian fez uma antologia onde recuperou todo o seu trabalho, uma ode ao homem e ao humor como forma de vida.

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Guerra ao tráfico: dois instantâneos...

Crianças alheias aos combates brincam na piscina da casa de um traficante foragido.
Soldados tomam posição: vai começar o tiroteio! Clique sobre as fotos para ampliar.

Ramalhete de "causos"

“Ande logo”

José Ronaldo dos Santos
Ontem, 29 de novembro, arrumei um tempinho para visitar o Mané Hilário. Creio que é o mínimo que devo fazer para agradecer pelas tantas oportunidades que este ubatubano me deu para crescer e entender melhor a nossa própria cultura. Escolhi este dia porque neste 1º de dezembro é o aniversário dele: 102 anos.

Apesar da saúde bem fragilizada, encontrei-o bem disposto. Afinal, era o momento do café; sua neta e a nora cumpriram um ritual com muita dedicação. Depois, numa cadeira de rodas, aqueles olhinhos brilharam conforme íamos lhe puxando pela memória. Quis saber de alguns parentes da Maranduba, sobretudo do tio Hilário do Prado; misturou alguns nomes; se lembrou de antigas namoradas. O que mais me emocionou: fui contemplado por alguns versos de Reisado e da Cana-verde.

Há alguns anos, sempre que eu o encontrava sentado no jundu, olhando a praia, também fazia o mesmo e começava a especular sobre um monte de coisas da vivência dele. Quero dizer que ainda não perdi esse costume. Não me esqueci de uma frase dita há muito tempo por Mané Hilário:

- “Sei que o meu corpo é muito limitado. Pode ser que não terei tempo de ir muito longe. Também, se tiver tempo, é a força que me faltará. É assim a vida, né?”.

Desta ocasião ainda trago uma adivinhação para desvendar:

- “Me diga o que é, Zé: seis mortos espichados, cinco vivos passeando; os vivos não dizem nada. Os mortos estão falando”.

Por fim, já percebendo o cansaço do nosso querido personagem, me preparando para deixá-los, a neta dele, Magali, fez a seguinte pergunta:

- Vô, quer comer peixe hoje? (Quem nunca soube vai saber agora: o velho caiçara é apaixonado por peixes. A preferência sempre foi por peixe seco assado com café amargo). Depois de um breve silêncio, recebeu a seguinte ordem do mais antigo caiçara ubatubano vivo:

- Ande logo.

É isso. Viva os 102 anos do Mané Hilário! Parabéns! Parabenizo também os familiares que continuam se preocupando com “o nosso caiçara do coração”.

Sugestão de leitura: Os pobres na Idade Média, de Michel Mollat.

Boa leitura!

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Opinião

A ocupação é só um começo

O Estado de S.Paulo - Editorial
Em meados dos anos 1970, quando o general Ernesto Geisel acenou com a distensão "lenta, gradual e segura", um governador de Estado do partido do governo, a Arena, avaliou a perspectiva com uma frase que ecoava Guimarães Rosa: "Estamos muito no começo de tudo." Ele tinha razão: um decênio ainda se passaria até a redemocratização do País. O comentário vem a calhar agora, quando se têm em conta os enormes desafios a serem superados para que se eliminem efetivamente as condições que permitiram ao narcotráfico apossar-se de áreas inteiras do Rio de Janeiro.

"No começo de tudo", a bem-sucedida ofensiva que, entre a quinta-feira e o domingo, desalojou centenas de traficantes dos seus redutos na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão, na zona norte da cidade, foi uma amostra exemplar de determinação e união no combate ao crime. A ação coordenada das Polícias Civil e Militar fluminenses com a Polícia Federal, a Marinha e em seguida o Exército mudou a relação de forças entre o Estado e a traficância. Nesse sentido, houve de fato uma virada de página sem precedentes no Rio.

Os chefes que mandaram as suas gangues aterrorizar a população carioca, em represália à nova política de pacificação das favelas, claramente não imaginavam que o governo responderia como respondeu, levando a repressão aos seus santuários - e não mais sob a forma de expedições punitivas que se esgotam em si mesmas. As autoridades, de seu lado, tampouco esperavam tomar a Vila Cruzeiro e, menos ainda, o Complexo do Alemão a um custo humano mínimo.

Nesse último local, uma aglomeração de 25 favelas e 30 mil domicílios, habitados por 400 mil pessoas, viviam hordas de traficantes com armas, munições e veículos à farta. Pois os 2.700 policiais que subiram o morro na manhã de domingo, apoiados por 15 blindados e helicópteros, levaram apenas hora e meia para se impor ao inimigo desarvorado. Dois traficantes morreram, 20 foram presos. Entre eles, um dos assassinos do jornalista Tim Lopes, foragido desde 2008, e uma chefona que deixou o Complexo do Borel, quando a região foi dominada por uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

Símbolo da reconquista do Alemão foi o tríplex abandonado às pressas na ironicamente chamada Rua Gente Boa, onde morava um dos principais traficantes do Complexo, o Pezão. Num lance de relações públicas, a polícia abriu a casa com piscina e ar-condicionado ao povo da esquálida vizinhança. Não só os favelados, mas a população carioca e os brasileiros em geral aplaudiram a ocupação da área que o secretário de Segurança José Mariano Beltrame - hoje uma figura nacional - equiparou ao "coração do mal", por abrigar o mais virulento dos bandos da droga, o Comando Vermelho.

"Se se chegou ao Alemão, vamos chegar à Rocinha, ao Vidigal e assim por diante", afirmou Beltrame, referindo-se aos baluartes do narcotráfico na zona sul do Rio. Mas, para os moradores dos morros libertados, o que interessa não é para onde irão as tropas, mas por quanto tempo elas ficarão ali. O retrospecto não é tranquilizador. O Complexo já foi ocupado em 2007, numa operação que mobilizou mais de 1.300 policiais e deixou 19 mortos. Quando as tropas se retiraram, a bandidagem voltou. O mesmo aconteceu, no ano seguinte, na Vila Cruzeiro.

As autoridades se apressam a garantir que desta vez as populações não ficarão novamente à mercê da marginália. Mas as contas não fecham. À medida que mais favelas forem resgatadas, maior será evidentemente a demanda por forças permanentes e treinadas não só para reprimir, mas para atuar nos moldes das UPPs, da PM. As UPPs, aliás, são apenas 12 por enquanto - uma gota em um oceano de necessidades que vai da segurança aos serviços básicos.

Isso sem falar em outro mal a extirpar dos morros - as milícias que substituem os traficantes na extorsão de seus habitantes.

E, sobrepondo-se a tudo, há o imperativo de prosseguir na reforma da polícia. Não fossem os laços entre policiais e malfeitores, "o tráfico não teria alcançado o patamar atual", afirma o ex-secretário nacional de Segurança Luiz Eduardo Soares. Para ele, o que se convencionou chamar de banda podre da corporação é "uma orquestra".

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Manchetes do dia

Terça-feira, 30 / 11 / 2010

Folha de São Paulo
"Exército vai ficar no Alemão por até sete meses"

Confronto no Rio
Custo para implantar postos de policiamento comunitário deve passar de R$ 2 milhões

O governador do Estado do Rio, Sérgio Cabral, disse ter acertado com o Ministério da Defesa a permanência do Exército no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro até instalar duas Unidades de Polícia Pacificadora. O custo para implantar e equipar as UPPs deve superar R$ 2 milhões, financiados por um fundo de doações da iniciativa privada. Cabral estimou em até sete meses a permanência dos militares e disse que falta definir questões técnicas, como o número de militares necessários na operação. Hoje, o Exército manterá 800 homens nos acessos ao Alemão. As UPPs são postos policiais comunitários instalados em favelas que tiveram operações antitráfico. Só a UPP no Alemão deve precisar de cerca de 2.000 homens, 5% do efetivo da polícia no Estado. A folha salarial mensal das novas UPPs será de ao menos R$ 4 milhões, 4% dos gastos do Rio com pessoal da PM. Estados vêm reforçando a segurança nas divisas contra migração de traficantes do Rio. Os principais chefes estão foragidos.

O Estado de São Paulo
"Exército deve ficar até julho de 2011 em favelas do Rio"

Complexo do Alemão e Vila Cruzeiro serão ocupados até a instalação de UPPs; missão preocupa militares

Mesmo contrariado, a Exército vai permanecer no complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro até julho do ano que vem, informam os repórteres Tânia Monteiro e Alfredo Junqueira. O prazo é o estimado pelo governo do Estado do Rio para a instalação de Unidades de Policia Pacificadora (UPPs) nesses locais. As tropas federais substituirão as Polícias Civil e Militar nas duas comunidades ocupadas. A avaliação da cúpula da Força e que há um consenso político, irradiado a partir do Planalto, que prega a permanência das tropas nos morros e toma a ampliação da missão irreversível Os militares, porém, estão preocupados com a mudança da missão, que deixará de ser apenas de vigilância de perímetro, isto é, de controle das entradas e saídas do morro, para se tornar uma tarefa quase policial, desempenhada no interior do Complexo do A1emão e na Vila Cruzeiro. O Ministério da Defesa editará uma nova diretriz para resguardar de complicações legais o eventual uso da força pelas tropas, em caso de necessidade.

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Formiga

segunda-feira, novembro 29, 2010

Ubatuba em foco

Ações de busca e apreensão devem ser revestidas de legalidade, afirma prefeito de Ubatuba

Assessoria de Comunicação – PMU
A convite do prefeito de Ubatuba, Eduardo Cesar, foi realizada na manhã desta segunda-feira, 29, uma reunião com o delegado titular do município, Fausto Moro Cardoso; com o comandante da Polícia Militar local, Capitão Marcos Antônio de Oliveira e o comandante da Guarda Municipal, Luiz Carlos de Carvalho.

O objetivo foi comunicar aos órgãos que atos relacionados a busca e apreensão com uso das polícias, envolvendo Secretarias Municipais e funcionários públicos, devem estar revestidos de toda legalidade.

O prefeito salientou que se ocorrer qualquer ato ilegal, injusto e truculento, a exemplo do que ocorreu em passado recente, a Prefeitura Municipal de Ubatuba agirá dentro da lei, inclusive comunicando a polícia para que sejam presos os invasores de domicílio que não apresentarem mandado assinado pelo juiz.

“Vivemos em uma democracia e todos temos que cumprir os princípios da Constituição Federal. Não será admitido que nenhum agente público tome medidas a seu bel prazer, contrariando a legislação vigente no país. Ações truculentas como as que ocorreram recentemente não poderão se repetir, pois contrariam o Estado Democrático de Direito”, disse o prefeito.

Nota do Editor - O cerne do texto é correto, o sigilo domiciliar é inviolável e só pode ser quebrado com mandado judicial. No entanto, fica o dito pelo não dito pois o texto é pouco claro. A qual fato recente o prefeito está se referindo? Sidney Borges

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