sábado, novembro 27, 2010

Rio, carnaval de 1954

Coluna do Mirisola

Ódio brasileiro

“Óbvio que Serra ia perder. Foi o biótipo que o derrotou, mais do que a presidente eleita que, como todos sabem, é a cara do Lula”

Marcelo Mirisola*
O Brasil “nos” odeia na mesma proporção em que “nós” o odiamos. Igualzinho. O sentimento de revanche e discriminação com relação a “paulistas” no “resto do Brasil” não é muito diferente do sentimento que Mayara Petruso explicitou no tuiter com relação a nordestinos.

Generalização? Exagero? Talvez. Mas uma coisa eu posso dizer sem a menor chance de errar: “nós, paulistas” não temos, definitivamente, o monopólio da estupidez.

Se o sujeito for nascido na capital, branco, palmeirense e tremer o erre na ponta da língua, aí pode esquecer. Vocês decerto sabem de quem estou falando.

Óbvio que Serra ia perder. Foi o biótipo que o derrotou, mais do que a presidente eleita que, como todos sabem, é a cara do Lula. O homem-tucano é uma espécie ultrapassada e fora de contexto. O contexto ou o resumo da história localiza-se na zona sul da cidade, depois de Interlagos. São as classes C e D que representam o Brasil que invadiu São Paulo à revelia, para além de seus domínios morais e de conduta. Uma novidade que sopra do abismo. Um oxigênio que a rua Oscar Freire terá de aprender a respirar na marra e na base do ódio, sim. E é esse abismo que movimenta a economia do estado, como acontece com o “resto” do Brasil. O nome disso, caros coleguinhas do Dante Alighieri e do Clube Harmonia, o nome disso é distribuição de renda, e vocês fiquem à vontade para torcer os narizes, parar em fila dupla, viajar pra Disney e tuitar desbragadamente, não vai adiantar nada, perderam.

Um palpite. Cada vez mais, nesse Brasil pós-Lula, o “paulista” será menos brasileiro, dentro e fora de seus limites territoriais. Eu acho isso interessante. Anotem. No opportunity. E aqui cabe mais um vaticínio.

Os netos e bisnetos do coronel alagoano podem até adotar os shoppings e condomínios que imitam o modo de vida babaca do paulistano, mas a alma paulistana, sobretudo aquela que imigrou da Europa no final do século XIX e se fez com sacrifício, estudo, caretice e muito trabalho, essa cabe inteira no Parque Antártica, e vai ficar por lá mesmo. Não adianta. Nenhum Felipão vai dar jeito. As únicas coisas que se duplicarão a partir dessa alma - por uma questão de reciprocidade e devolução - são o ressentimento, a discriminação e o racismo, devidamente tropicalizados é claro.

Isso quer dizer que o casal, São Paulo e Brasil, vai continuar dormindo em camas separadas e fingindo amor eterno porque – aparentemente e como rezam a etiqueta e as conveniências - um não pode viver sem o outro. Até que um grupo de tucanos-demoniacos, depois de muita humilhação e de mais algumas derrotas no Planalto Central, vai levantar a bandeira de São Paulo de Piratininga, e dizer chega. Quebrarão a cara, evidentemente.

Experimentem viajar pelo Brasil com um veiculo emplacado em São Paulo-SP. Abram a boca num boteco carioca e peçam “um chopis e dois pastel de carrrne”. Bem, isso é ridículo, isso é o lugar-comum, o básico. Vi coisas muito piores. Trabalhei com turismo em Santa Catarina, e testemunhei a volúpia dos nativos pela jugular de famílias paulistas, incluindo as criancinhas. Também vendi antenas parabólicas e títulos de clube de campo, orientado para xavecar aquela gente mal-humorada e comedora de pizza.

O ódio e o fascismo, repito, não são exclusividades dos alunos da Uniban. O fato de Geisy ser uma biscate é irrelevante diante da corrida ancestral pela estupidez – que, repito, não é monopólio de ninguém. Tive uma loja de carros usados e uma confecção de fundo de quintal que, graças a Deus, faliu. Conheci a sanha dos credores e dos senhorios. Pedi dinheiro emprestado, quebrei, levantei, sacudi a poeira, comi a mulher do gerente do supermercado “me fode, paulista” e, em 1987, tive a alma subtraída numa praça de pedágio em Jaguariúna. Uns sessenta quilômetros depois, perto do trevo de Mogi Mirim, a recuperei e dei a volta por cima e caí outra vez, assim sucessivamente: fiz muita merda e vi muita merda pelo caminho. O ódio brasileiro sempre esteve ao meu lado, e eu garanto que não é coisa que inventei. Um treco que se adquire por inércia e a partir do nascimento, que a gente leva no banco do táxi como se fosse um passageiro estressadinho. Se você vacilar, ele vira seu cúmplice.Vocês nunca andaram de táxi? Não fui eu quem inventou o complexo de vira-latas. Nem o de Pitbull. Vivi em Belém do Pará, e foi lá, num pasquim chamado PQP, que vi meu primeiro texto publicado por Raymundo Sobral: resisti incríveis três edições. Da pqp segui pra Macapá e passei alguns meses na Guiana Francesa, onde travei contato com Tomezinho, piloto e ladrão de aeronaves de pequeno porte que, além de ser um cara prático e monossilábico, me deu uma carona até a Serra da Canastra, bem longe da bacia Amazônica. Custou caro. Uma vendeta que percorreu 3 mil e tantos quilômetros. Tive de aprender a rezar para Nossa Senhora das Muambas. Vendi uns bagulhos trazidos da fronteira e comprei uma draga em sociedade com o diabo, ele mesmo, Tomezinho. Passei um ano no garimpo (essa história eu conto no meu próximo livro...), e achei alguns xibius que não valeram a lama em que me meti, e aí, antes de ser assassinado, resolvi me pirulitar e voltei pro sul. Onde conheci Marisete que de dia era manicure e de noite trabalhava no Scorpion’s Club. Isso aconteceu um ano antes de eu encalhar uma escuna num banco de areia no rio Camboriú, entre outras cositas legales e ilegales. Nesse meio tempo, fui testemunha de muita intolerância, perseguição e abandono. Essa tuiteira, Mayara Petrusi, é café pequeno. A propósito: qual a diferença de desejar o afogamento para os nordestinos, e dizer que Machado de Assis, apesar de feio, gago e preto era um sujeito bem humorado? Diferença nenhuma. Inclusive a platéia é a mesma. Os mesmos mamelucos baladeiros que lincharam a tuiteira, aplaudiram efusivamente o racismo da sinhá Lygia Fagundes Telles. Eta Brasilzão, terra de Iaiá.

Voltando à estrada. Percorri o Vale do Itajaí vendendo antenas parabólicas, dei um rolê em Brusque (capital do moletom), fiz bons amigos em Balneário Camboriú, e sosseguei temporariamente o facho na Ilha de Santa Catarina. Troquei um Fiat Uno por uma casa de madeira na praia do Santinho. Era 1993 e lá nessa casa passei alguns meses na companhia de uma dúzia de hare-krishas. Eles acampavam no terreno vizinho e eu acabei me apaixonando pela mulher do monge hare-hare. Bem, posso dizer que ele não aprovou a insubmissão de sua escrava e quase saímos na porrada, lembro como se fosse hoje: “Vou te encher de porrada, paulistafilhodaputa”. “Vem monge, pode vir. Além de monge é corno”. O fato é que eu ia desjarretear os membros daquele babaca, meu sangue bandeirante borbulhou nas veias, e ele arregou quando vislumbrou altares profanados, velhos, crianças e mulheres grávidas passados a fio de espada, cidades devastadas, sangue, chamas e lágrimas vãs; o monge arregou quando viu Raposo Tavares, Anhanguera, Dias Velho e Hebe Camargo brilharem nos meus olhos vermelhos de “paulistafilhodaputa”. Tirei o monge do sério.

Mas eu já estava de saco cheio daquela pantomima e fui pra Porto Alegre comer mondongo no mercado público, e tchau. Uma semana depois estava de volta a Santos, logo me engajei na campanha de um dentista mal-intencionado que queria ser vereador. Fiz um jingle infame pra ele: “O Povo/ tá na boca do povo/ Dinho dentista” - nessa época morava no José Menino e cismei que ia comer a Lelé que não queria saber de mim, ela tinha nojo de mim. Também morei em E.S. do Pinhal e dei umas ciscadas na Alta Mogiana, em São João da Boa Vista pedi misericórdia pra Nossa Senhora dos Encalacrados e fiz promessas que sabia que jamais iria cumprir, depois, fui morar nas dependências de um curtume em Andradas-MG. Eu era o responsável pela seção de degola dos coelhos.

Saí de São Paulo-SP em 1985 e ainda não voltei. Ou melhor, voltei, dei um alô de 7 anos pra rapaziada e tenho saudades de cinco pessoas, as demais me incensaram quando tinham que incensar, me festejaram quando tinham que festejar, me traíram quando tinham que trair e me jogaram no lixo quando não precisaram mais de mim. Normal, tudo dentro do script, de modo que peguei minha viola, pus na sacola e dei mais um foda-se amplo, geral e irrestrito pra audiência. E fui viajar.

Estou há 25 anos na estrada e vivenciei situações de racismo e intransigência muito mais sórdidas e muito mais escrotas do que a tuitada imbecil de Mayara Petruso, numa época nada virtual e igualmente escrota. A diferença para os dias de hoje é que nossos coleguinhas não tinham, digamos, os “instrumentos” para serem eles mesmos. Todavia, o ódio sempre esteve presente – e, embora nunca tenha sido prerrogativa de preto, branco, nem de monge nem de executivo, ele, o ódio brasileiro, sempre foi muito bem preservado em escaninhos, divisões, muros e camadas de hipocrisia. Negá-lo é fomentar mais ódio. As pessoas o guardam como se fossem jóias de família. Quem quiser pode chamar de alegria brasileira.

Foi Pasolini quem inventou a internet.

Passei um final de semana inesquecível em Taguatinga, apesar dos carrapatos que trouxe na virilha. Perdi mil noites numa só noite no Largo do Machado e, por dois anos, vivi um amor de verdade em Copacabana. Nos idos dos oitenta, eu abastecia a camionete num posto de gasolina perto de Pouso Alegre, ia pra Ouro Fino trocar um guincho por um lote de 10 x 25 na cidade do menino da porteira. Nesse dia, aprendi que as palavras “cordialidade” e “imparcialidade” são as mais falsas e canalhas do dicionário. Não queria escrever isso aqui. Também não vou me estender sobre o incidente e a confusão que acorreu imediatamente na seqüência. Gente morta. Basta dizer que, à época, eu era conhecido como “paulista” e que, naquele dia enfumaçado, os fatos não estavam a meu favor. Como não estão agora. No entanto, como não sou 100% mentiroso e procuro - na medida do possível - não me omitir diante daquilo que me é cuspido nas fuças, vou generalizar e cuspir de volta. Gostem ou não gostem, aqui vai: o Brasil não combina com São Paulo e São Paulo não combina com o Brasil. Existe ódio. Um sentimento mal disfarçado, podre, latente, familiar e recíproco. E não é pouco ódio não.

Àqueles que quiserem acreditar no amor, eu desejo toda a sorte do mundo. Claro que sim, vamos sempre dar uma chance para a paz, para a solidariedade e amizade. Corremos o risco de levar um tiro de um fanático-babaca, mas se não fosse por isso eu já estaria morto mesmo. O importante é não esquecer que o ódio nos espreita e carrega milhões de disfarces e boas intenções, o ódio brasileiro afaga, convida pra ir jantar e é o melhor anfitrião do mundo, o ódio é doce como uma compota caseira e sempre concorda contigo, ele é o rei dos elogios e às vezes aponta pequenos defeitos para valorizar as virtudes que nem você sabia que tinha, o ódio é surpreendente e encantador, ele tem muita paciência, o ódio é desprendido e jamais vai perder o timing, ele é a Vovó da Casa do Pão de Queijo, ele é bom vizinho que planeja seu fim toda vez que o beija na face e, uma hora, – pode escrever - ele vai dar o bote e estragar tudo, de leste a oeste e de norte a sul. Ininterruptamente. Portanto, quem puder amar, que ame e seja feliz e atire a primeira flor...porque a primeira pedra me atingiu naquela tarde no posto de gasolina. De chofre, bem no alvo, de forma irrevogável e para sempre, e as outras pedradas viriam na seqüência e chegam até hoje, implacáveis. Vocês não viram Easy Rider? Idem,ibidem.

Ou alguém pensa que aqui no Brasil é diferente porque as pessoas fingem que levam Sergio Bianchi a sério? Aqui o ódio é pior, muito pior.

* Considerado uma das grandes revelações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.

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Opinião

A tomada da Vila Cruzeiro

AE - AE
O secretário de Segurança Pública do Rio Janeiro, José Mariano Beltrame, equivocou-se. Na quinta-feira, depois da ocupação da Favela Vila Cruzeiro e da fuga em massa dos traficantes que fizeram dessa área de mais de 200 mil metros quadrados, na zona norte carioca, o principal baluarte do crime na cidade, o secretário declarou: "Ainda não há nada a comemorar."

Compreende-se e até se deve louvar a sua prudência. Mas há, sim, muito a comemorar, pela competente operação com que o governo fluminense respondeu aos atos terroristas que desde o começo da semana haviam transformado o Rio numa espécie de capital tropical do Quinto Mundo, com uma profusão de arrastões, queima de veículos e tiroteios que, até ontem, já haviam matado pelo menos 35 pessoas.

Deve-se comemorar, antes de tudo, um acontecimento sem precedentes: a participação de uma das Três Forças, no caso a Marinha, no combate não propriamente ao narcotráfico, mas ao poder incontrastável exercido por suas gangues sobre núcleos inteiros da cidade. Vila Cruzeiro, por exemplo, era o quartel-general do Comando Vermelho, assim como a Rocinha é a base da facção rival Amigos dos Amigos.

Sem a decisão da Marinha de atender prontamente a um pedido de apoio logístico das autoridades estaduais - cedendo veículos blindados, carros-lagarta e viaturas para transporte de tropas, além de 70 fuzileiros navais para manejá-los -, a mobilização de meio milhar de policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Polícia Militar e Civil só poderia ter êxito a um preço impensável: a mortandade de sabe-se lá quantos inocentes na batalha campal que seria travada.

Comemore-se, pois, o "feito de armas" que pode mudar o curso do que, em última análise, é uma guerra pelo controle do Rio de Janeiro. Desde anteontem a repressão ao crime organizado na cidade visa mais do que nunca o pior dos seus desdobramentos: os verdadeiros governos paralelos, ou melhor, as tiranias brutais do tráfico e das milícias.

"A comunidade hoje pertence ao Estado", resumiu um dos responsáveis pela dramática operação na Vila Cruzeiro, transmitida ao vivo pelas redes de televisão, com câmaras instaladas em helicópteros. Foi também pela TV que o País acompanhou a debandada da bandidagem para o Complexo do Alemão, do outro lado da encosta - o novo alvo das forças de segurança, desta vez com o engajamento da Polícia Federal.

Por muito tempo ainda o narcotráfico terá de ser combatido em muitas frentes, não raro distantes dos centros urbanos onde prospera, como as regiões de fronteira no extremo norte do País. Mas uma coisa é a droga, outra é o banimento do poder público de áreas usadas como centros de distribuição, baluartes para as máfias que as dominam e nelas criam mercados cativos de bens e serviços.

O Estado tem de retomar os feudos do crime não apenas para manter a sua integridade, proteger e prover as suas populações, mas também para desestruturar as quadrilhas e torná-las mais vulneráveis à ação policial. Falando da fuga dos criminosos da Vila Cruzeiro, o secretário Mariano Beltrame observou que o ataque "tirou dessas pessoas o que nunca foi retirado: o seu território".

"É importante apreender drogas", disse ainda. "Mas é mais importante tirar o território." Naturalmente, está fora de cogitação o que equivaleria a retirar e devolver. As forças que recuperarem a favela não poderão sair dali tão logo. Nem será do dia para a noite que ali se instalará uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). O trabalho "vai demandar um esforço muito grande", avisa Beltrame.

Aliás, as poucas que já funcionam (em comparação com o que o Rio de Janeiro necessita) afetaram os traficantes a ponto de fazê-los desencadear a ofensiva terrorista que ensejou, afinal, a cooperação entre as Forças Armadas e o governo do Estado - a ser ampliada, por decisão do presidente Lula, com o envio de helicópteros, veículos e equipamentos de apoio logístico. Além disso, informou o Ministério da Defesa, 800 soldados do Exército serão deslocados para "garantir a proteção dos perímetros das áreas que forem ocupadas pelas polícias".

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Manchetes do dia

Sábado, 27 / 11 / 2010

Folha de São Paulo
"Exército cerca o morro e troca tiros com tráfico"

Confronto no Rio: Tropa posicionada em um acesso do Complexo do Alemão é recebida a bala e revida

O Exército entrou no conflito com os traficantes do Rio. A tropa de 800 homens cercou o Complexo do Alemão (zona norte), grupo de favelas onde se refugiaram os fugitivos da vizinha Vila Cruzeiro. Recebida a bala, revidou, num tiroteio que durou duas horas e levou pânico a população local. A polícia estima que haja 600 traficantes na área. Segundo moradores, os bandidos circulam armados, com os rostos pintados, gritando ameaças de novos ataques. A participação das Forças Armadas no conflito foi definida pelo governador Sérgio Cabral e o ministro Nelson Jobim (Defesa), que então relatou a decisão aos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Para evitar problemas entre as corporações, o Exército se limitará a vigiar acessos, enquanto as incursões nas favelas continuarão a cargo da polícia.

O Estado de São Paulo
"Traficantes reagem a cerco no Rio"

Após fugirem de favela, bandidos exibem armas e atiram contra soldados no Complexo do Alemão. Cinco civis são feridos, entre eles uma menina de 3 anos e duas mulheres. Polícia calcula que haja 500 criminosos no local

Tiroteios e exibição do poderio bélico dos traficantes marcaram o primeiro dia do cerco do Exército e das Polícias Federal, Militar e Civil ao conjunto de 18 favelas do Alemão, na zona norte do Rio. Na Favela da Grota, os agentes ficaram a menos de cem metros de uma casamata que serviu de abrigo aos traficantes, que abriram fogo contra helicópteros do Exército. Depois que cerca de 200 traficantes fugiram da Vila Cruzeiro para o Alemão, anteontem, a polícia calcula que haja ao menos 500 bandidos no local. Os criminosos provocaram os policiais aos gritos. Quando viam que eram filmados, eles debochavam, levantando as armas. "Queremos deixá-los com medo”, disse um oficial da PM. O Exército montou cerco na área - dos 44 acessos do complexo, o tráfego de veículos será permitido em apenas quatro. Os confrontos deixaram pelo menos cinco civis baleados, entre eles uma menina de 3 anos, duas mulheres e um jornalista que trabalhava na cobertura da operação.

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sexta-feira, novembro 26, 2010

Escritório à noite...

Edward Hopper

Deu em "O Globo"

‘Papel da imprensa é criticar o governo’ afirma sociólogo

Magnoli contesta argumentos de ministro da Secom

Do Blog do Noblat
O sociólogo Demétrio Magnoli criticou, no Seminário sobre Liberdade de Imprensa, os argumentos usados pelo governo para defender a discussão sobre regulação da mídia.

Para ele, interesses políticos do governo contaminam o que deveria ser uma discussão de Estado. Ele lembrou, por exemplo, que o próprio presidente Lula disse que a imprensa atua como partido.

- O governo tem obrigação de garantir a concorrência em setores da economia. Mas, quando se trata de informação e jornalismo, o governo é lado. O papel da imprensa é criticar o governo, este, o anterior e o próximo. Não é missão do governo assegurar a liberdade de imprensa, porque ele é parte interessada. Isso é papel do Estado. E a distinção entre governo e Estado desaparece com frases como "é função do governo promover a liberdade de imprensa", ou no discurso que diz que a imprensa é uma partido politico. Isso é posição de um governo que tem dificuldade de distinguir entre governo e Estado ou entre corrente política do e poder público - disse Magnoli.

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TC - Sem comentários

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Coluna do Celsinho

Empresa-Escola
Celso de Almeida Jr.
Uma das alternativas que deveríamos priorizar para o desenvolvimento de Ubatuba é integrar atividade econômica com escolas e faculdades.

Vamos analisar um exemplo?

O Aquário de Ubatuba é indispensável para as escolas da cidade e, há vários anos, já atrai instituições de ensino de outros municípios para visitação.

Muito bem...

Assim como muitas cidades criam leis de incentivos para a industrialização, nós poderíamos criar procedimentos semelhantes para projetos que estimulem o turismo e valorizem o processo de aprendizagem.

Parcerias sólidas.

Incentivos fiscais duradouros.

Diálogo permanente.

Pensamento arejado, isento de diferenças partidárias.

Nestes muitos anos de Ubatuba, tive pouco contato com a equipe do Aquário.

Mas, mesmo à distância, percebo o gigantesco esforço e investimento que fazem.

Muitos poderão dizer: ora, é uma atividade privada e, como tal, deve acontecer por conta e risco do empreendedor.

Discordo.

Trata-se de um investimento que agrega conhecimento e, portanto, tem um valor estratégico extraordinário para o município.

Tivesse intenso apoio público, poderia ser mais fácil viabilizar uma parceria forte com uma faculdade para, por exemplo, montar um campus no município promovendo pesquisas, intercâmbios, discussões com universitários de todo o mundo.

Temos ou não temos potencial para isso?

E quanto a desenvolver produtos a partir destes estudos?

Na área da gastronomia.

Na hotelaria.

Na pesca.

No artesanato.

No setor náutico...

Com força, energia, boa vontade, visão de futuro e diálogo construtivo é possível dar o salto.

Prestigiar o conceito empresa-escola e transformar a idéia numa ação integrada de governo e comunidade criará o ambiente positivo necessário para atrair instituições de ensino sólidas, facilitando a associação com empreendedores locais.

Quantas cidades conseguiram atrair estudantes e pesquisadores para fixar residência, consumir, contribuir para o fortalecimento da economia do território?

Quantos governos estimularam o desenvolvimento de produtos integrando empresas e instituições de ensino

Não precisamos ir muito longe para colher bons exemplos, não é mesmo?

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Opinião

Promessas de seriedade

O Estado de S.Paulo - Editorial
Se as promessas tiverem algum valor, a equipe econômica do próximo governo será parcimoniosa no gasto, preocupada com a eficiência e empenhada em aumentar a poupança pública, para elevar o investimento federal e dar mais força e mais espaço à iniciativa privada. Nisto se resumem os compromissos de austeridade anunciados pelos futuros ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Miriam Belchior, na primeira entrevista depois de confirmada sua escolha pela presidente eleita, Dilma Rousseff. Na mesma ocasião, o economista Alexandre Tombini, convidado para presidir o Banco Central (BC), defendeu o regime de metas de inflação e disse haver recebido a garantia de respeito à independência operacional da instituição. Ele ainda terá de mostrar na prática se dará continuidade ao estilo de política monetária dos últimos oito anos, mas seu currículo autoriza um crédito de confiança. Uma expectativa otimista é muito mais difícil no caso dos convidados para a Fazenda e para o Planejamento.

No governo há mais de quatro anos, o ministro Guido Mantega jamais se destacou por qualquer compromisso com a austeridade e com o uso eficiente e criterioso do dinheiro público. Para cumprir suas novas promessas, terá de renegar atos e palavras bem conhecidos. Durante sua gestão, o governo só produziu algum superávit primário - o dinheiro posto de lado para o pagamento de juros - porque a arrecadação cresceu ininterruptamente. Apesar disso, recorreu a artifícios para cumprir a meta. Neste ano, o resultado global só não foi pior graças a dividendos de empresas estatais e a um malabarismo contábil para converter em receita o aporte de capital à Petrobrás.

Seu currículo inclui a criação de um fundo soberano muito peculiar, alimentado com dinheiro de um Tesouro deficitário (o governo acumula déficits nominais, ano após ano, porque o superávit primário nem dá para cobrir o serviço da dívida). A proposta inicial - usar dólares da reserva - foi logo abandonada, porque a aplicação da reserva cambial é regulada por lei. Ele, aparentemente, não sabia disso.

Em mais de quatro anos ele nada fez para conter o inchaço da folha de salários e encargos e nunca se opôs às custosas conveniências político-eleitorais do presidente e do partido. Quando surgiu a crise, concedeu facilidades fiscais a alguns setores e passou recursos do Tesouro ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para um programa de estímulo ao investimento. O programa deveria ter sido interrompido após alguns meses, mas foi mantido no ano seguinte e envolveu aportes de R$ 180 bilhões. O Grupo Petrobrás foi um dos principais beneficiários. O setor privado, o mais atingido pela crise, teve acesso bem mais limitado aos empréstimos.

Os gastos de custeio continuaram crescendo na crise e a retórica oficial incluiu também essa gastança no bolo da política anticíclica. Mas ações anticíclicas têm ida e volta. Não é o caso dessas despesas, na maior parte incomprimíveis.

Neste ano, o ministro Mantega defendeu os gastos federais ainda falando em combater a crise - terminada no ano passado. Além disso, negou qualquer relação entre a expansão da despesa pública e o aumento da inflação. Terá de renegar também essa conversa, se quiser levar adiante o discurso da seriedade.

Quanto à engenheira Miriam Belchior, escolhida para o Ministério do Planejamento, participou da estruturação do Bolsa-Família, um programa em geral bem-sucedido, e trabalhou com a ministra Dilma Rousseff na Casa Civil, como coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Deve ter sido a babá do programa, já que a ministra, segundo o presidente Lula, foi a mãe. Tem reputação de boa administradora, mas terá de provar suas qualidades mais uma vez, porque a gestão do PAC - um dos fracassos mais visíveis do atual governo - empobrece qualquer currículo. Ainda este mês o Tribunal de Contas chamou de precários os balanços do programa e cobrou clareza.

A futura ministra defendeu uma revisão dos gastos de custeio e falou em "fazer mais com menos". Para isso, será preciso renegar os critérios do atual governo e buscar eficiência - uma preocupação condenada como reacionária pelo lulismo.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 26 / 11 / 2010

Folha de São Paulo
"Ofensiva com tropas e blindados provoca fuga em massa do tráfico

Rio sob ataque: Acuados, centenas de criminosos escaparam para a favela vizinha; operação prossegue hoje

Operação com 450 homens do Bope e das policias Militar e Civil do Rio, com apoio inédito de veículos blindados da Marinha, provocou a fuga de centenas de criminosos da Vila Cruzeiro, favela considerada a principal fortaleza do tráfico. Antes, de escapar para o vizinho Complexo do Alemão, os bandidos tentaram retardar a polícia fazendo barricadas e incendiando caminhões de entrega. Só ontem foram queimados 37 veículos - desde domingo são 80 - e houve 11 mortes - ao todo, são 38. O secretário da segurança do Rio, José Mariano Beltrame, evitou euforia: "Demos um passo. Nada está ganho". A operação continua hoje, com acréscimo de mais 300 policiais federais. A presidente eleita, Dilma Rousseff, telefonou ontem para o governador Sérgio Cabral para afirmar sua confiança na ação coordenada pelo Estado.

O Estado de São Paulo
"Marinha ajuda a ocupar favela no Rio"

No 5º dia de conflito na cidade, operação na Vila Cruzeiro com tanques e 450 homens faz traficantes fugirem para o Complexo do Alemão

Depois de quase 40 horas de tiroteio, e com a ajuda da Marinha, a polícia do Rio anunciou ter tomado a favela da Vila Cruzeiro, quartel-general do Comando Vermelho. Mais de cem bandidos fortemente armados fugiram para o Complexo do Alemão, controlado pela facção. A polícia não divulgou o número de mortos na operação, ocorrida no quinto dia de conflito entre traficantes e policiais na cidade. Foram mobilizados 450 homens entre policiais militares e civis e fuzileiros navais, que ajudaram a operar blindados da Marinha. O Bope permaneceu na favela. O clima de medo se espalhou pelo Rio. Trinta veículos foram incendiados, e uma bomba explodiu no estacionamento de um supermercado. Em outra operação da polícia, na favela do Jacarezinho, sete pessoas morreram. Cerca de 100 homens participaram da ação.

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Arte - Edward Hopper

quinta-feira, novembro 25, 2010

Coluna da Dra. Luiza Eluf

Por uma Justiça atenta

Luiza Nagib Eluf
Nosso sistema jurisdicional estabelece a passividade dos juízes. Isso significa que os magistrados somente se manifestam quando provocados por petição da parte interessada. Tal não impede, porém, que uma vez provocada a dizer quem tem razão na solução de um conflito de interesses, a Justiça se esmere em apurar os fatos e acompanhe com atenção as determinações que ela mesma vier a fazer. A prestação jurisdicional é um direito da cidadania. Desta forma, expedir um mandado de prisão e não acompanhar de maneira atenta e sistemática o cumprimento desse mesmo mandado, ainda que isso dependa da ação da polícia, torna a Justiça inócua.

Outro exemplo: recentemente, soubemos pela imprensa que uma menina de cinco anos, disputada pelos pais separados, foi entregue ao genitor pelo prazo de 90 dias, a fim de evitar-se a alienação parental. A mãe, que ficou proibida de ver a criança pelo período mencionado, protestou e avisou que o sujeito era perigoso, mas a Justiça determinou a proibição de visitas da mãe. Após algum tempo de convivência com o pai, a criança chegou ao pronto-socorro com lesões corporais e em coma. Houve notícia de jornal segundo a qual a criança também apresentava fissura anal. Não há informações sobre a responsabilidade do pai pelo ocorrido, não se pode prejulgar ninguém, mas já se sabe que algo de muito grave aconteceu. No mínimo, houve negligência. É certo que o pai precisa participar da criação dos filhos, mas quando houver dúvidas, devem-se decretar medidas preventivas de acompanhamento diário da situação da criança no novo lar, por profissionais nomeados pelo Juízo.

Outro episódio que chocou a todos foi o desaparecimento e provável assassinato de Elisa Samudio. A moça havia procurado a Vara de Violência Doméstica para pedir ajuda, pois estava sendo ameaçada de morte pelo goleiro Bruno, suposto pai de seu filho. A Juíza que analisou o caso entendeu que não era competente para julgá-lo porque Elisa não teria um relacionamento estável com o jogador de futebol. Assim, não poderia contar com as medidas protetivas da Lei Maria da Penha e deveria procurar uma Vara Criminal Comum. Apreensiva, Elisa gravou um depoimento em vídeo dizendo que, se algum mal lhe acontecesse, o culpado seria Bruno.

É óbvio que, quando alguém está em perigo iminente, a Justiça precisa agir independentemente da competência em razão da matéria ou do lugar. Pessoas ameaçadas não podem esperar. Entendo que Elisa deveria, receber a proteção que pediu com base na Lei Maria da Penha, pois era vítima de violência de gênero.

É difícil dizer se o resultado da morosidade jurisdicional foi o seqüestro e o desaparecimento da moça, mas uma Justiça atenta e preocupada com o bem estar das pessoas que a procuram poderia, sim, ter ajudado. Mesmo entendendo não ser competência do Juizado de Violência Doméstica, deveria ter sido providenciada proteção à vítima. Uma Justiça atenta age primeiro e depois discute a questão burocrática.

Luiza Nagib Eluf é Procuradora de Justiça do Ministério Público de São Paulo.

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Opinião

A escolha para o BC

O Estado de S.Paulo - Editorial
Ao convidar o economista Alexandre Tombini para presidir o Banco Central (BC), a presidente eleita, Dilma Rousseff, mandou um recado tranquilizador não só aos mercados, mas a todos os cidadãos preocupados com a estabilidade econômica e os interesses nacionais de longo prazo. Tombini é um veterano funcionário do BC e um dos formuladores do regime de metas de inflação, adotado em 1999. É diretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro e membro do Comitê de Política Monetária (Copom), órgão responsável pela política de juros e pela estratégia de contenção dos preços. A escolha foi interpretada no mercado financeiro como um compromisso de continuidade na administração da moeda. Foi entendida, também, como reafirmação do respeito à autonomia operacional do BC.

Houve tensão no mercado antes de confirmar-se o convite a Tombini. Durante dias, o falatório sobre a escolha para o BC teve um único mote. O atual presidente, Henrique Meirelles, teria imposto, como condição para sua permanência, o respeito à autonomia da instituição, mantida, com resultados excelentes, nos últimos oito anos. O relevante não era saber se Meirelles havia imposto essa condição ou se foi mal interpretado. O mais importante era conhecer a disposição da presidente eleita. Ela pretenderia, afinal, intervir na fixação dos juros, atendendo aos próprios impulsos, às suas conveniências políticas e às pressões dos grupos mais influentes?

Haveria menos temores e dúvidas, se o governo petista houvesse apoiado o projeto de autonomia formal do BC. Essa ideia, formulada na gestão de Fernando Henrique Cardoso, foi sempre rejeitada pelo presidente Lula e por seus companheiros, incluída a ministra Dilma Rousseff. Ela manteve sua opinião na campanha eleitoral, embora prometendo, ocasionalmente, respeitar a autonomia de fato do BC. Mas nunca renegou claramente as bandeiras mais irresponsáveis de seu partido.

A oposição à independência operacional do BC foi parte da oposição à proposta mais ampla de autonomia para as agências de regulação. Mas houve uma diferença: o governo respeitou o Copom, enquanto enfraqueceu e aparelhou as agências. Essas foram desmoralizadas, enquanto o governo permitiu o livre funcionamento de um dos órgãos mais eficientes - se não o mais eficiente - da administração pública brasileira.

Isso facilitou o controle da inflação e o crescimento do salário real: os aumentos nominais foram protegidos da erosão causada pela alta de preços. A reeleição do presidente Lula em 2006 foi amplamente favorecida por esse fator.

O sucesso econômico dos últimos anos teria sido impossível sem a segurança propiciada pela política anti-inflacionária e pelo câmbio flutuante. A valorização cambial, um inconveniente para as empresas brasileiras, foi em parte uma consequência da melhora dos fundamentos econômicos. Um BC eficiente foi capaz de proporcionar um apoio precioso às empresas no começo da crise, em 2008, quando o crédito externo escasseou.

A presidente eleita só pode falar de uma herança bendita por causa da estabilidade proporcionada por um BC capaz de resistir a pressões e livre do peso do aparelhamento e do loteamento de cargos. Mas receberá, também, uma herança indesejável, produzida pela irresponsabilidade cada vez mais aberta na gestão das finanças públicas. Encontrará uma folha de salários inflada, além de uma dívida bruta aumentada por decisões irresponsáveis, como a de envolver o Tesouro no financiamento subsidiado a empresas. Se quiser ampliar essa herança nada bendita, contará com a obediência do ministro da Fazenda, recomendado pelo presidente Lula e por ela aceito sem hesitação aparente.

Se continuarem as atuais pressões inflacionárias, a autonomia do BC será testada já no primeiro ano de governo. A presidente Dilma Rousseff poderá mostrar, na prática, se aceitará um BC empenhado na missão central de combater a inflação ou se atenderá aos interesses de quem prefere uma política monetária permissiva e "desenvolvimentista". Nesta hipótese, será aplaudida pelos habituais beneficiários dos governos frouxos.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 25 / 11 / 2010

Folha de São Paulo
"Novos confrontos elevam atentados e mortes no Rio"

Sob ataque: Até a 0h de hoje, saldo dos embates do dia entre policiais e tráfico era de 19 mortos

O confronto entre policiais e traficantes no Rio de Janeiro deixou em um dia, até a 0h de hoje, saldo de 19 mortos - entre eles uma garota de 14 anos vítima de bala perdida quando trabalhava no computador, dentro de sua casa. Desde domingo, as mortes chegam a 27. Para debelar os ataques, a polícia promoveu operações em 28 favelas, mas os conflitos e a tensão se acirraram; pelo menos 25 veículos foram incendiados, entre ônibus, caminhão, uma van e carros particulares. Na Vila Cruzeiro, grupo de homens armados atirou contra a polícia para proteger comparsas. Na região da Penha, um carro blindado do Bope teve de recuar após ser parcialmente incendiado e ter pneus furados. O governador Sérgio Cabral disse que os ataques refletem "o desespero dos marginais". As operações continuam hoje.

O Estado de São Paulo
"Equipe econômica de Dilma promete austeridade fiscal"

Em sua primeira entrevista, ministros falam em conter gastos em 2011

Apresentados como integrantes da equipe econômica do futuro governo de Dilma Rousseff, os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Miriam Belchior (Planejamento), ao lado de Alexandre Tombini (Banco Central), rejeitaram as bombas fiscais em tramitação no Congresso. Mantega disse que, para um crescimento na casa dos 5%, não é possível criar novos gastos. "O ano de 2011 será de contenção fiscal, com redução de despesas de custeio, para elevar o investimento", resumiu o ministro. Miriam disse que a meta é "fazer mais com menos dinheiro". Tombini, por sua vez, afirmou ter "autonomia total" na condução política de juros para alcançar a meta de inflação.

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quarta-feira, novembro 24, 2010

Vão livre

O plantão do Ubatuba Víbora informa:

Secretário de assuntos jurídicos pede demissão

Sidney Borges
O secretário de assuntos jurídicos da prefeitura de Ubatuba, Marcelo dos Santos Mourão, está demissionário. A carta com o pedido de afastamento foi entregue ontem. O prefeito Eduardo Cesar, que está viajando, deverá aceitar o pedido em face aos argumentos do secretário, que afirmou precisar de tempo para cuidar de afazeres pessoais. Voltaremos a informar a qualquer instante.

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Opinião

As críticas da Iata

O Estado de S.Paulo - Editorial
Por mais fortes que sejam, as expressões utilizadas pelo diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), Giovanni Bisignani, para se referir à situação do sistema aeroportuário brasileiro e à falta de ações concretas do governo para melhorá-lo até a realização da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016 - "vergonha", "desastre" são algumas delas - retratam a realidade. "O Brasil é a maior economia da América Latina e a que mais cresce, mas a infraestrutura de transporte aéreo é um desastre de proporções crescentes", disse Bisignani, em encontro internacional de companhias aéreas no Panamá.

Dirigente de uma entidade formada por mais de 200 empresas aéreas, a maioria das quais opera no País, Bisignani conhece cada detalhe da situação aeroportuária brasileira. O quadro é crítico em São Paulo, observou, na reunião realizada na semana passada.

E o governo tem dificuldades para encontrar as soluções adequadas, como mostrou, ao contar que, para as obras de modernização e ampliação do Aeroporto Internacional de Guarulhos, a Infraero chegou a propor o fechamento de uma pista. "Isso teria cortado a capacidade pela metade. Nós gritamos e o governo está agora buscando uma solução", disse.

As críticas do diretor-geral da Iata mostram que os problemas do sistema de transporte aéreo e a lentidão do governo em enfrentá-los tornaram-se motivo de preocupação internacional. A reação do ministro da Defesa, Nelson Jobim, às críticas, que classificou como "terrorismo", exprime o comportamento comum de boa parte das autoridades diante dos problemas crescentes no sistema aeroportuário: desqualificar quem os aponta.

Coincidência ou não, poucos dias depois das observações da Iata a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) finalmente mostrou disposição de agir preventivamente e realizou uma reunião de emergência com todos os envolvidos na questão, para evitar novo caos aéreo no fim do ano. Infraero, Polícia Federal, Receita Federal, companhias aéreas e Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), além da própria Anac, aprovaram várias medidas para melhorar os serviços aéreos e aeroportuários nos próximos meses. Entre elas estão a disponibilidade de aeronaves reservas, o aumento das equipes de atendimento, a ocupação de todas as posições de check-in das companhias nos horários de pico e a proibição de overbooking.

São medidas paliativas - ou inúteis, como a proibição de overbooking, que já deve ter sido feito para o fim do ano - que não respondem à preocupação central da Iata com relação aos próximos anos. "O que era para ser feito de forma estratégica, estrutural, é feito como se fosse para apagar um incêndio", disse ao Estado o professor de logística da FGV Marcio Nobre Migon.

Uma Anac mais atuante na fiscalização é defendida pelo professor de engenharia da Universidade Federal Fluminense Marco Aurélio Cabral, que estuda o setor aeronáutico. É necessário também "um esforço de planejamento e articulação com as companhias aéreas, mas sem ceder aos interesses do mercado".

E há a questão das obras indispensáveis para evitar um novo colapso aéreo. A Infraero, responsável por elas, diz conhecer bem as necessidades do País e assegura que recursos existem. Até 2014, diz, serão investidos R$ 5,6 bilhões em 13 aeroportos.

Esse, de fato, é o plano do governo. O que não está certo, porém, é que ele será executado no prazo previsto, que é exíguo. Em julho, auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) constatou que "o planejamento de investimentos efetuado pela Infraero indica a existência de situações que podem resultar em não conclusão das obras em tempo hábil".

O planejamento da Infraero prevê uma forte concentração de investimentos em 2012 e 2013. Mas, mesmo num ano como 2010, em que teria de investir menos do que naqueles que antecedem a Copa do Mundo, a Infraero não está conseguindo cumprir o programado. Até outubro, investiu apenas 22% do valor previsto para todo o ano.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 24 / 11 / 2010

Folha de São Paulo
"Dilma escolhe técnico de carreira para presidir o BC"

Alexandre Tombini, diretor do banco, substituirá Meirelles; Miriam Belchior vai para o Planejamento

A presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), divulgará hoje mais dois nomes de sua futura equipe econômica, ambos escolhidos entre os quadros do atual governo. Além de Guido Mantega, que continuará chefiando a pasta da Fazenda, serão anunciadas as escolhas de Alexandre Tombini, diretor de Normas do Banco Central, para presidir o BC e de Miriam Belchior para o Ministério do Planejamento. Funcionário de carreira do BC, Tombini e descrito por amigos como moderado -nem desenvolvimentista como Mantega nem monetarista como Henrique Meirelles, a quem sucedera. Miriam Belchior, que atualmente gerencia o PAC, é ligada ao ex-ministro e deputado cassado José Dirceu. Segundo um auxiliar de Dilma, a presidente eleita optou por uma equipe sobre a qual terá controle.

O Estado de São Paulo
"Dilma decide com Mantega que Tombini chefiará BC"

Diretor do banco, escolhido ajudou a criar metas de inflação; Miriam Belchior vai para o Planejamento

A presidente eleita Dilma Rousseff escolheu para o comando do Banco Central, no lugar de Henrique Meirelles, o economista Alexandre Tombini, atual diretor de Normas da instituição. Também foi definido que Miriam Belchior, assessora especial do presidente Lula e coordenadora do PAC, assumirá o Ministério do Planejamento, no lugar de Paulo Bernardo. A decisão sobre Tombini foi tomada após reunião de Dilma com Guido Mantega, que será mantido na Fazenda, e antes de prometido encontro com Meirelles. O gesto confirma que Mantega chefiará a equipe econômica. Antes de se tornar funcionário de carreira do BC, Tombini foi coordenador de análise internacional da Fazenda e assessor da Casa Civil no governo de Fernando Henrique Cardoso. Um dos formuladores da política de metas de inflação, ainda na gestão FHC, ele segue linha semelhante à de Meirelles.

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terça-feira, novembro 23, 2010

Anhangabaú, 1915

Ubatuba em foco

Vereador afastado recupera cargo na Justiça

Sidney Borges
O Tribunal de Justiça de São Paulo, em sessão acontecida ontem, 22, julgou procedente o recurso do vereador Rogério Frediani, afastado pela Justiça local há pouco menos de sessenta dias em função de desdobramentos do caso da eleição do Conselho Tutelar. Dessa forma o vereador, que é presidente do PSDB local, deve retornar à cadeira para a qual foi eleito e que temporariamente esteve ocupada pelo suplente Sérgio Caribé.

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Será que chove?

Brasil

Copa: aeroportos são o nó

Pedro Fonseca, O Globo
As obras de reforma e ampliação dos aeroportos brasileiros, que são o maior gargalo de infraestrutura a ser resolvido pelo governo para a Copa do Mundo de 2014, ainda estão longe do ritmo necessário e podem representar um embaraço para o Brasil, alertou o ministro do Esporte, Orlando Silva, nesta segunda-feira.

"Hoje tenho uma preocupação muito forte com aeroportos", disse o ministro a jornalistas durante a feira de negócios e esportes Soccerex.

"Quando pensamos em um evento desse porte e pensamos que o Brasil é quase um continente, que só se pode circular nele de avião, percebemos que é o risco principal para a Copa de 2014", acrescentou.

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Meus tempos de pescador

Ramalhete de "causos"

O galo do Mané Bento

José Ronaldo dos Santos
O meu parente Mané Bento, apesar de boa pessoa, era muito preguiçoso. Mas preguiçoso mesmo! Apesar de sempre ter ouvido tal adjetivo sobre ele, eu só me convenci disso depois do episódio do galo. Foi assim: na nossa rotina de caiçaras, há quarenta anos, quando os primeiros turistas estavam se instalando pelos jundus, todas as praias mansas, que ofereciam as condições propícias, tinham os seus os seus ranchos de pesca. Era preciso um mar muito bravo para impedir que as canoas não descessem dos rolos e fossem buscar os maravilhosos pescados através de tresmalho, linhada, puçá, puxada de rede na praia etc.

Da diversidade de técnicas para garantir o peixe nosso de cada dia, de todos os recursos, eu sempre fui encantado pelo ritual da puxada de rede na praia. Um dos meus avós era dono de canoa e de rede, juntamente com o seu irmão; foi com quem eu mais convivi nesse aspecto, vivendo momentos emocionantes disso tudo. Ao menos um dia da semana a sua rede garantia o sustento das famílias da praia da Fortaleza. Ao toque do buzo, que ficava nos apetrechos do rancho da canoa, o meu tio, contramestre da rede, chamava os camaradas quando o dia ainda estava longe do amanhecer. Apesar do ritual, tudo era rápido. Logo as remadas estavam sendo intercaladas pela rede que ganhava as águas piscosas daquele tempo. Depois era só o arrasto compassado; controlado pelo mestre para que as cabeceiras chegarem por igual no fechamento do lance, aproveitando bem todo o esforço e não perdendo o valioso conteúdo que tinha desde palombeta até robalos e enormes cações. Ninguém fazia caso da miuçalha. Os urubus e garças se fartavam até não poder mais; sempre tinha um restante que era enterrado para não feder. Depois dos lances, quando havia mais de um, os quinhões eram repartidos, todos colocavam tudo em ordem no rancho do jundu para uma próxima vez e se dirigiam para suas casas. Era uma fartura de peixe fresco.

Numa dessas ocasiões, quando retornávamos para casa, vimos o Mané Bento descendo o morro com um galo embaixo do braço. O sol já era alto! Quis saber do meu avô do que se tratava. Ele logo me explicou:

- Todo dia ele faz isso porque não gosta de acordar cedo. Então, no serão, ele leva o galo para um galinheiro na roça. Desse jeito o bicho não o perturba desde a madrugada. No outro dia, sempre na hora em que todo mundo já está se arrumando para o almoço, ele busca o coitado que passou a noite isolado de seu terreiro e das companheiras do galinheiro. Tenho até dó do bicho. Tudo isso porque o Mané Bento é muito preguiçoso. Você entende agora porque o danado é chamado de preguiçoso?

Assim se deu o meu convencimento.

Sugestão de leitura: Ciranda de nós, de Maria Carolina Maia.

Boa leitura!

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Acontece em Ubatuba


Jantar no Terra Papagalli

Evely Reyes Prado
Solicitei este espaço ao Sidney Borges para divulgar o jantar beneficente que acontecerá no próximo dia 25 de novembro, no Restaurante Terra Papagalli.

Não sei ao certo quais serão as opções maravilhosas a serem servidas, mas sei que o valor do convite individual é de R$ 28,00 (vinte e oito reais). Em conversa com a Fulvia, da Flora Papyrus, no último domingo fui informada de que a arrecadação toda deste evento será para cobrir a manutenção dos animais recolhidos no Sitio Esperança, antigo Totó Açú, próximo à Usina Velha.

São cachorros, machos e fêmeas abandonadas nas ruas, que já estão castrados e vacinados e que se encontram aos cuidados da Alexandra, a responsável pelo local, que também é uma protetora.

As despesas são grandes, pois a área precisa de limpeza constante e os animais de medicamentos, ração e cuidados essenciais para que oportunamente possam ser adotados por pessoas interessadas.

Então, você que é simpatizante da causa animal, por favor colabore e adquira seu convite na Flora Papyrus ou pelo telefone (12) 38322405.

Com essa atitude terá duas certezas: participará de um ato grandioso, pois todo ser vivo merece viver com dignidade e terá a oportunidade de degustar uma excelente comida no restaurante mais charmoso da cidade.

O ser humano precisa evoluir, respeitar todos os seres vivos: somente assim poderá ser respeitado e conseguirá viver num mundo melhor!

Obrigado pela colaboração.

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Opinião

O que ela diz o PT não pensa

O Estado de S.Paulo - Editorial
Espera-se que, com o tempo, arrefeça o interesse da imprensa pelo "lado humano" da presidente eleita, Dilma Rousseff, e cresça, na mesma proporção, o interesse pela substância de seus atos e manifestações de ideias. A curiosidade em torno da sua figura é compreensível. Não só é a primeira mulher chefe de Estado nos 112 anos da República brasileira, como ainda era uma ilustre desconhecida, no sentido literal do termo, para a imensa maioria da população, antes de ser pinçada pelo presidente Lula para disputar a sucessão em seu nome.

Além disso, ela chegou ao proscênio portando uma imagem carrancuda e cercada de histórias de rispidez ou severidade, como se queira, no relacionamento com os seus interlocutores, primeiro no Ministério de Minas e Energia, depois na Casa Civil. O seu estilo cortante no trato com os jornalistas nas preliminares da campanha apenas deu motivo adicional para que a considerassem uma versão nativa da Dama de Ferro, a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher.

Daí por que uma tirada de humor ou um brotar de lágrimas em público chamam a atenção da mídia tanto ou mais do que as palavras da presidente eleita sobre as suas eventuais inclinações em matéria de conduta política. Foi o caso dos relatos de sua participação no primeiro encontro de congraçamento com o diretório nacional do PT depois das eleições, no último fim de semana.

Dela ficaram, sobretudo, a sua referência aos "três porquinhos" - apelido dado aos coordenadores de sua campanha, o presidente da sigla, José Eduardo Dutra, o ex-ministro Antonio Palocci e o deputado José Eduardo Martins Cardozo - a quem Dilma elogiou como "companheiros de todas as horas", e o seu choro ao mencionar a "imensa solidariedade" dos militantes. A mesma emoção ela expressou na noite da vitória, ao saudar o seu patrono Lula.

Daquela vez, no que pareceu um condensado da Carta ao Povo Brasileiro do então candidato em 2002, Dilma reafirmou os seus compromissos com a estabilidade macroeconômica e o respeito aos contratos. Já diante da cúpula petista, reiterou a sua profissão de fé democrática, compondo os seus argumentos aos companheiros de forma tal a lhes dar um sabor de advertência ou, quem sabe, de chamada à ordem - o que não foi suficientemente destacado no noticiário.

Não foi, evidentemente, para afagar a audiência pela vitoriosa trajetória petista que ela comparou o passado da legenda com as circunstâncias do presente. A "oposição fazendo oposição com propostas às vezes imaturas, dada a inexperiência", lembrou, "foi depurando progressivamente as propostas, aprendendo e sendo capaz de mudar". Uma parte da alocução se destinou a consumo imediato - a partilha, em curso, do poder federal. Foi quando louvou o partido por perceber, presumivelmente, "que tinha que construir uma aliança para governar, tinha que se coligar e estabelecer regras de convivência política, de multiplicidade e diversidade".

Nisso, a rigor, ela repetiu o que o seu mentor pregava no esboço do quadro eleitoral para 2010. Era imperioso, dizia, que o PT desistisse de sair com candidatos próprios nos Estados em que os de outras siglas, notadamente do PMDB, despontavam com chances reais de êxito, em nome do seu engajamento na candidatura Dilma. Agora, para um partido instalado em 17 dos 37 Ministérios - e que quer mais - a menção à convivência política e à diversidade se explica por si só. Numa coisa, pelo menos, ela não apenas se distinguiu de Lula, como ainda manifestou uma intenção flagrantemente oposta à sua retórica divisionista.

O presidente, de fato, não perdia ocasião de separar a população em ricos e pobres, nortistas e sulistas, "nós e eles", pouco lhe importando se a prática fomentaria antagonismos entre os brasileiros. Já a presidente eleita declarou estar imbuída da compreensão de que "temos de governar para aqueles que nos apoiaram e que não apoiaram". Mas o que Dilma diz não é propriamente o que pensam os seus companheiros. Depois que ela deixou o recinto, os hierarcas do PT aprovaram uma resolução que prega a "democratização da comunicação" e um debate sobre "o conservadorismo que se incrustou em setores da sociedade".

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Manchetes do dia

Terça-feira, 23 / 11 / 2010

Folha de São Paulo
"Governo proíbe o overbooking nos voos de fim de ano"

Boa Notícia: A partir de 17 de dezembro, empresas aéreas não vão poder vender assentos acima da capacidade dos aviões

A Anac (Agencia Nacional de Aviação Civil) informou que as companhias aéreas brasileiras estão proibidas de praticar overbooking - vender mais passagens que os assentos disponíveis nos aviões - durante suas operações de Natal e Ano Novo, no período entre 17 de dezembro e 3 de janeiro. Segundo a presidente da agência, Solange Vieira, as empresas se comprometeram a suspender a prática, sob pena de multa. A Anac tenta evitar que a expansão dos voos domésticos resulte em caos: embarques e desembarques devem somar 14 milhões em dezembro, 12% a mais que em 2009. A Anac também informou que vai distribuir 120 fiscais pelos principais aeroportos do país. Para especialistas, a punição por overbooking deveria ocorrer todos os dias, e não apenas por um período do ano.

O Estado de São Paulo
"Para evitar caos aéreo, Anac veta overbooking"

Companhias não garantem endosso de passagens emitidas por concorrentes em caso de cancelamento

A Agencia Nacional de Aviação Civil (Anac) anunciou a proibição da venda de passagens além da capacidade das companhias (overbooking) e determinou que as empresas endossem bilhetes emitidos por concorrentes, em casos de cancelamento. Ainda se definiu que voos fretados (charter) serão monitorados. Um plano fechado pelo governo com as seis principais empresas aéreas prevê até perda de voos e de fretamentos, e elas serão obrigadas a ter avião reserva para o caso de problemas. Especialistas se dizem céticos quanto à proibição de overbooking. Apesar do compromisso de endosso de bilhetes das concorrentes, a Gol, por exemplo, avisou não ser possível garantir a realocação de todos os passageiros. A Anac estima em ate 95% a ocupação dos voos na segunda quinzena de dezembro.

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segunda-feira, novembro 22, 2010

Para imprimir e colorir

Coluna do Rui Grilo

Para que servem os conselhos?

Rui Grilo
Além da divisão em três poderes – executivo, legislativo e judiciário – como uma forma de evitar a concentração e abuso de poder, chegou-se a conclusão que a forma representativa, através do parlamento, ainda não era suficiente pois restringia muito a participação e também não estava a salvo de corrupção e de relações promíscuas entre os três poderes. Frequentemente temos tido casos de câmaras que não fiscalizam o executivo e de judiciário que não pune os corruptos ou que toma partido, sem a isenção necessária.

Assim, os conselhos são espaços, tanto para ampliar a participação organizada da população na elaboração de propostas de políticas públicas, como para fiscalização do funcionamento e denúncia de eventuais irregularidades, de tal forma que não exponha o indivíduo e dificulte a retaliação.

Um outro aspecto, muitas vezes esquecido, é o caráter pedagógico, pois permite ao cidadão observar o funcionamento da sociedade e seus mecanismos de participação e regulação, qualificando seus participantes para cargos superiores.

Entretanto, se você participar de algum conselho vai achar que eles não servem para nada, pois estão devagar e quase parando. Os espaços entre as reuniões são cada vez mais distantes e não há o saudável hábito da leitura da ata da reunião anterior para se garantir a continuidade e a avaliação dos resultados. Sob o pretexto de tornar as reuniões mais ágeis, suprimem-se alguns ritos que, embora burocráticos, permitem maior transparência, impedindo o uso de subterfúgios.

Em geral, são mal preparadas, sem pauta definida ou com pauta muito carregada, de modo que as discussões não são aprofundadas. Rapidamente vão se esvaziando e logo não atingem quórum, contribuindo para que até os resistentes desanimem.

Se perguntar a qualquer cidadão se ele sabe quais os conselhos que existem na cidade, dificilmente encontraremos alguém que saiba. Não há a prática da divulgação de um calendário das reuniões e, muito menos a divulgação dos resultados.

No entanto, como a existência de alguns são obrigatórios para que a cidade tenha acesso a determinadas verbas, as eleições são realizadas e os cargos preenchidos, nem que para isso os candidatos sejam pegos a laço. Não há a menor preocupação em que os participantes conheçam a lei que regula o seu funcionamento. Às vezes, o participante é considerado chato quando solicita uma cópia da lei e arrumam mil desculpas para que não tenha acesso ao texto porque quem tem conhecimento tem poder e fica mais fácil manipular quem não a conhece.

Também não há um trabalho de conscientização e de tradução da linguagem burocrática para que mais pessoas entendam, tornem-se novas lideranças crescendo na participação e assumindo cada vez mais responsabilidades.

Toda vez que se cria um novo conselho há uma disputa para preencher as vagas do executivo e impedir que as pessoas mais ativas da oposição sejam eleitas. Às vezes, mesmo havendo previsão na lei, como é o caso dos conselhos distritais, eles não são criados porque representam um perigo de diminuição de um suposto poder e quem tem poder não quer abrir mão de usá-lo para os seus fins e não quer correr o risco de reparti-lo. Para isso são exigidos vários documentos provando que as entidades da sociedade civil existem mesmo e somente aquelas que tem toda a documentação em ordem podem participar. Aquelas mais ativas, porque estão em bairros mais pobres e que precisam de tudo, às vezes ficam de fora porque não tem dinheiro para pagar um contador. Outras vezes, a luta pela sobrevivência dificulta a participação em reuniões, principalmente se são realizadas no horário comercial. Nesse aspecto, a sociedade civil tem mais dificuldade porque só podem participar os que tem horário mais flexível e aposentados.

A conseqüência dessa situação é que cada vez mais vai diminuindo a participação pois os que ainda conseguem perceber o jogo de manipulações vão ficando sobrecarregados e cada vez mais vulneráveis a retaliações por parte daqueles que detem o poder. É o que o povo se chama ficar numa sinuca de bico. Vale a pena entregar os pontos ? Vale a pena ser cúmplice dessa situação?

Rui Grilo
ragrilo@terra.com.br

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Opinião

Vendendo gato por lebre

O Estado de S.Paulo - Editorial
Em artigo no Estado de quinta-feira, o professor Eugênio Bucci analisou com precisão a relevante questão do marco regulatório da radiodifusão no Brasil, que definiu como "uma necessidade real da democracia e do mercado brasileiros": "A radiodifusão requer um marco regulatório eficaz. O exemplo vem das democracias que nos servem de referência: só com a regulamentação e regulação é possível preservar a concorrência comercial saudável - inibindo monopólios e oligopólios - e estimular a diversidade, num modelo que, como preconiza a Constituição Federal, combine os sistemas privado, público e estatal."

Esquerdistas e oportunistas de vários matizes se apropriaram da tese de que a radiodifusão e as telecomunicações no Brasil precisam de regulamentação. E passaram a atribuir atitude oposta àqueles que consideram adversários, entre eles - na verdade, principalmente - a maior parte da Imprensa. Embora tenha pouco em comum com o chamado pensamento de "esquerda", nos últimos meses o pragmático presidente Lula, por conveniência eleitoral somada a insondáveis motivações pessoais, engrossou a algaravia contra a Imprensa, no que foi sempre secundado por seu ministro da Comunicação Social, Franklin Martins.

Ninguém com no mínimo dois neurônios no cérebro consegue discordar da necessidade de um novo marco regulatório para o funcionamento das emissoras de rádio e televisão, além, obviamente, da chamada mídia digital. Se não fosse por outras razões, por uma que é definitiva: a legislação em vigor sobre o assunto data de 1962, época em que ninguém pensava ainda em computador pessoal, internet, web, telefone celular, etc.

A questão começou a se complicar quando, no embalo da inquestionável necessidade de modernização da legislação relativa aos meios de radiodifusão e telecomunicação, passou a ser maliciosamente contrabandeada para essa agenda de discussão a proposta de "controle social" da mídia, claramente entendido como fiscalização dos conteúdos divulgados pelos veículos de comunicação: jornais, revistas, rádio, televisão e, agora também, sítios, blogs e outras fontes da internet. Uma coisa - marco regulatório da radiodifusão - não tem nada a ver com a outra - controle de conteúdo da Imprensa - senão na cabeça dos desavisados, mal-intencionados ou sectários. Mesmo porque a ideia de "controle social" abrange, é claro, a mídia impressa, jornais e revistas, que entram na questão do marco regulatório das telecomunicações como Pilatos no Credo.

Algumas pistas sobre as verdadeiras intenções dos arautos do tal "controle social" da mídia podem ser levantadas a partir, por exemplo, da 1.ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada um ano atrás em Brasília. Esse evento foi a culminância do incansável trabalho de proselitismo da intervenção estatal nos meios de comunicação que Franklin Martins passou a desenvolver em todo o País no instante em que se tornou ministro. Empenho que, aliás, já começou a produzir resultados, na forma de projetos de criação de conselhos estaduais de comunicação apresentados às Assembleias Legislativas de vários Estados - assunto que o professor Bucci também colocou em seus devidos termos no artigo mencionado. Durante a Confecom, a militância radical deitou e rolou sobre o tema "controle social" e chegou a apresentar projeto de criação de um "órgão fiscalizador" das notícias e opiniões divulgadas pelos veículos de comunicação em todo o País. Em qualquer lugar do mundo, em qualquer tempo, isso tem um nome: censura. O plenário teve o bom senso de recusar a ideia.

A insistência dos prosélitos do ministro Martins em contaminar o debate de uma questão importante e urgente - repetimos, o marco regulatório da radiodifusão - com o tema capcioso do "controle social" da mídia, uma tentativa espúria de vender gato por lebre, resulta em que a discussão não progride e a legislação regulatória em questão permanece obsoleta. Como conclui o professor Bucci, "o problema desses foguetórios aloprados é que atrapalham a discussão mais séria e mais urgente. Atrapalham um bocado".

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 22 / 11 / 2010

Folha de São Paulo
"Unifesp aluga imóveis por R$ 1,2 mi e não usa"

Ministério Público dá prazo para que universidade explique suposto desperdício

O Ministério Público Federal deu prazo de 20 dias para que a Unifesp (Universidade Federal de SP) explique um suposto desperdício de dinheiro público de R$ 1,2 milhão, informa Laura Capriglione. A controladoria-Geral da União constatou que 12 imóveis alugados pela unifesp em São Paulo para fins educacionais ficaram grandes períodos com pouco ou nenhum uso ou foram utilizados por associação privada. A instituição diz que trabalha para resolver as irregularidades e que, dos 17 imóveis alugados até 2008, 10 foram devolvidos, 4 entregues e 5 estão sob análise.

O Estado de São Paulo
"Gabrielle deve ser mantido por mais 1 ano"

Montagem do governo prossegue e Dilma planeja se reunir nesta semana com Meirelles, que deixará o BC

O presidente Lula pediu a Dilma Rousseff que mantenha José Sérgio Gabrielli no comando da Petrobrás pelo menos em 2011. Na avaliação de Lula, não é aconselhável mexer na cúpula da empresa no ano em que a disputa pela distribuição dos royalties do petróleo da camada pré-sal será um dos principais assuntos do Congresso. Dilma já teve muitos embates com Gabrielli, mas deve aceitar a sugestão. A ideia é que Gabrielli deixe a estatal mais à frente para integrar o secretariado do governo da Bahia. O presidente da Petrobrás é, hoje, o nome mais citado no PT para a sucessão do governador Jaques Wagner, em 2014.

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domingo, novembro 21, 2010

Arte - Arquitetura

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Casa de Vidro (Glass House)

Sidney Borges
Em 1949 o arquiteto Philip Cortelyou Johnson (1906-2005) projetou esta singular residência que segundo ele poderia ser chamada de "diário de um arquiteto excêntrico", mas ficou conhecida como "Glass House", literalmente casa de vidro.

A casa, cuja planta é retangular, tem paredes externas de vidro, cozinha aberta e, com exceção do banheiro e da lareira, não tem divisões internas. Apesar da controvérsia que despertou e continua despertando, a obra é considerada patrimônio da arquitetura moderna nos EUA.

O projeto redundou em uma obra de aspecto agradável, é impossível não ficar impressionado com o contraste entre a singeleza da proposta e o impacto visual do resultado. 

Embora não tenha sido adotada como referência de projetos residenciais, tornou-se fonte de inspiração para arquitetos de agências bancárias.

Pensando no conforto térmico, podemos afirmar que esse tipo de arquitetura não é conveniente para regiões quentes e ensolaradas. O vidro é transparente à luz e às radiações infra-vermelhas de alta freqüência. A energia radiante que penetra através do vidro é absorvida pelos objetos existentes no interior da estrutura, sendo a seguir novamente irradiada. Entretanto, esta reemissão se dá sob a forma de radiação infra-vermelha de baixa freqüência, para a qual o vidro é opaco. Assim, o calor interno fica aprisionado, tornando a casa uma autêntica estufa.

Conclusão, manter a temperatura interna em padrões confortáveis demandaria a instalação de aparelhos de ar condicionado que consomem energia e têm alto custo.

A obra, por sua originalidade, é digna de figurar entre as mais significativas da arquitetura do século XX e poderia ser resumida na máxima, "less is more".

Uma caixa retangular de aço e vidro que desperta a curiosidade e aguça a sensibilidade de quem a contempla.

Uma verdadeira obra de arte
 
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