sábado, novembro 13, 2010

Brasil

Tantas maracutaias...

Sidney Borges
Acredite se quiser, o texto a seguir, em negrito, está circulando na mídia.

Rio - Polícia Federal (PF) e Ministério Público federais (MPF) decidiram investigar se houve crime relacionado com a fraude que provocou rombo em torno de R$ 2,5 bilhões no Banco PanAmericano. A PF informou ontem que abriu inquérito para investigar a prática de crimes contra o sistema financeiro nacional.

Preciso me beliscar para saber se estou vivo ou se morri e fui parar num hospício cósmico. Vão investigar se houve crime? Dois bilhões e meio! Toneladas de papel sumiram. A bufunfa evaporou, elevou-se leve como a fumaça dos cigarros de outrora que que se esgarçava no ar enquanto Dick Farney cantava uma loura.

Sabe quem vai pagar a conta? Se pedirem um centavo do meu dinheiro, direi, no melhor estilo José Dirceu: repilo!

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Quadrinhos

Coluna do Mirisola

Viva a Baranga!

"Esse Pirata do Tietê jamais vai parar de nos surpreender e também não vai nos poupar do apetite dos tubarões. Sou teu fã mais do que nunca, Laerte"

Marcelo Mirisola*
Uma mistura de incredulidade com espanto. Muito engraçado e muito esquisito. Fazia um tempão que o inusitado não me pegava no contrapé. To falando do cartunista Laerte, o novo “travesti” do pedaço (Ilustrada FSP, 4/11).

Laerte travesti? Não é tão simples assim. Até agora, não consegui desatar o nó. O repórter Ivan Finotti fez todas as perguntas cabíveis e disponíveis no mercado, e eu – confesso: - não conseguiria perguntar nada melhor. Diante das respostas do Laerte, as coisas ficaram mais esquisitas ainda. Considerei seriamente a hipótese de que é mais fácil arrumar um bom discurso do que dormir João e acordar Jéssica. Tendo uma boa justificativa, o sujeito pode matar seu vizinho ou conquistar o amor de sua vida. Se ele tiver um bom argumento, pode enganar e manipular a si mesmo, e ao entorno – seja para o bem ou para o mal. Vejam o que aconteceu com Georginho. Ele devia ser uma linda criança (apesar das orelhas de abano) e acabou virando presidente dos E.U.A. O Eurico virou Miranda, e assim por diante. Isso vale para os lugares, as cidades e para a música também. Se o Chico disser que o rap é a evolução da bossa nova, quem é que vai dizer que não é? Quem é que vai ser louco de afirmar que “Leite Derramado” é tão bobo que podia ser uma minissérie da Maria Adelaide Amaral ou, na melhor das hipóteses, um enredo de escola de samba? Acho que só eu mesmo. Não só afirmei, como acredito e tenho provas – basta dar uma googada: “Festa na Senzala + Chico + Mirisola”.

Voltando. Se o sujeito tiver um bom papo, ele convence qualquer um em qualquer época, circunstância e lugar, e o 171 pode ser aplicado tanto em Mogi-Guaçu, terra natal de Mayara Magri, como nos ex-cafés existencialistas de Paris. Vejam só. Meu amigo Nilo chegou da terra de Toulouse-Lautrec e me garantiu que aquele lugar, antes de ser um cabaré, e antes de o Marlon Brando dançar seu último tango com Maria Schneider, era uma várzea. Faz sentido.

Quem é que vai dizer que o Laerte não é mais macho que o Angeli e o Tavinho Frias juntos?

O impressionante, no caso do Laerte, é que ele não armou nenhum discurso, portanto esqueçam os parágrafos que escrevi acima. E tem mais. O mais genial dos quadrinistas brasileiros, ao contrário de todas as evidências e expectativas, também não enlouqueceu. Não bastasse, tem uma explicação plausível para o fato de que, em primeiro lugar, não sente tesão em se vestir de mulher e, depois, está muito à vontade e feliz da vida nesse papel. Impressionante, né? Sabem por quê? Porque não se trata de “uma sacanagem” nem tampouco de um “papel” (isso que me deixou confuso).


Segundo o quadrinista, trata-se de uma questão intelectual, política, de gênero. O blush é apenas um detalhe. Só que essa condição, ou melhor, essa personagem não foi criada num laboratório nem na clínica do dr.Hollywood, mas na cabeça do próprio Laerte. Como se ele/ela fosse um avanço tecnológico do macho e da fêmea – uma vez que ele/ela pode ser os dois negando ambos. Animal político, Laerte sabe que jamais será uma mulher (deixa isso claro na entrevista) e também não precisa mais ser homem. Só não me convenceu quando fugiu das palavras e renegou sua condição de travesti: homem que – segundo Aurélio Buraque de Holanda que não entendia nada dessas viadagens – “veste roupas do sexo oposto”. Tirando isso ... Caramba! Vai ser evoluído assim lá no Largo do Arouche, meu!

Noves fora, ele/ela ficou parecidíssimo com minha tia Neném. E é aí que mora o perigo. No olhar dos outros. E o nome disso – também – pode ser preconceito.

Bem, e daí? E se for preconceito? Se fosse gripe, eu tomaria uma caipirinha. Mas como se trata do Laerte vestido de tia Neném, prefiro ser acusado de Neandertal do que ser acusado de “moderno” pela Muchacha*, e fingir que não aconteceu nada. Mas, pensando bem, no caso do Laerte não é só meu preconceito, não.

Tia Neném mora em Bragança Paulista. O corte de cabelo chanel, os óculos de aro fino, aquele colar meio indígena de professora aposentada, a sombra do bigode e a boquinha de chupar ovo cozido (também lembra um pouco a falecida dona Ruth Cardoso...). bem, o conjunto da obra é tia Neném cuspida e escarrada. A véia é especialista em empenhar novenas para Santa Rita de Cássia e fritar bolinhos de chuva – fã do Padre Marcelo, da Palmirinha e do Agnaldo Rayol.

Nesse ponto – desconfio – encontra-se a subversão do Laerte. Porque se ele me disser que não tem subversão nesse troço, bem, aí sinceramente eu não sei mais o que pensar.

Creio que a subversão substituiu o sexo no caso dele. A meu ver, devia substituir milhares de outras coisas, mas deixa pra lá. A subversão: um estágio além do sexo. A partir daí, fui a campo. Consultei amigos experts no assunto: Bactéria, Pascotto e Paulo Stocker, sendo que esse último também é quadrinista e, nas horas vagas, atua no mundo fashion. Stocker é o criador da mini-burca. Agradeço a boa vontade que tiveram comigo. Aprendi que Laerte é mais do que um verbete no dicionário. Trata-se de um avanço tecnológico no gênero, digamos assim. Entendi que o cross-dressing, é uma modalidade de “travestismo” (ou seria transformismo, Pascotto?) segundo a qual o cara que se veste de mulher não associa o ato ao fato. Para ser mais grosseiro, diria que é um estado de espírito que não inclui necessariamente a ereção. Seria a tal da estrutura (ou a “justificativa”) que consolidaria qualquer discurso, a favor ou contra. Ou seja, fulano mete uns bobes na cabeça e um dildo** no rabo e vai comprar verduras na feira como se a inflação tivesse acabado no Brasil. O prazer dele (que aparentemente nada tem a ver com sexo...) é ser chamado de gostosa pelo verdureiro. Palavras do Laerte: “Quando estou na rua de saia e passa uma kombi e o cara faz ‘fiu-fiu’ para mim, ele não teve dificuldade nenhuma em fazer aquilo. E eu também recebo de forma muito clara”.

Um dado importante: na grande maioria dos casos, o cross-dressing existe nas esferas virtuais e privadas e em clubes fechados, um dos quais Laerte é associado, o Brazilian Cross-dresser Club. Creio que as meninas do clube, juizes de direito, monges e executivos, empresários do agro-negócio e do ramo de auto-peças,e etc – morrem de vontade, mas jamais iriam dar colher de chá para os motoristas de kombi os assediar. No entanto, Laerte, o mestre da ilusão, escancarou a maquiagem e deu um passo adiante na história do travestismo no Brasil. Ele(a) é um(a) pioneiro(a). Depois da entrevista do cartunista, os parâmetros serão outros. Antes do Laerte, eram todos ilusionistas amadores.

A mágica era outra, interna. E é impressionante como os mágicos foram eficientes, como nos iludiram e iludiram a si mesmos durante todo o tempo. Aqui, eu poderia fazer uma especulação maldosa, e dizer: não é a toa que alguns mágicos se maquiam e fazem objetos desaparecer (sabe-se lá onde os enfiam...) e mais: aquele papo de os palhaços sempre chorarem na hora de remover a maquiagem, tem uma explicação: eles se despedem de si mesmos...

Maldade. Claro que nem todo mágico é boiola e nem todo palhaço é triste, e é claro que isso têm variações, modulações e inclui provas de testosterona incontestáveis. Freddie Mercury , por exemplo, se vestia de empregadinha para multidões de feirantes e funcionários públicos – e eu aposto que ele jamais cogitou em rapar o bigodão viril e muçulmano. O espelho não é problema para o cross-dressing. Não existe o ridículo. Ao contrário. Eles se acham lindas, porque é o cérebro e não os olhos que os refletem. Ótimo para eles.

Mas estamos falando – em tese - do cérebro de um cross-dresser, percebem? Só existe uma coisa mais míope, esdrúxula e politicamente correta que isso: as malhas da tia Neném, que ela borda com tanta arte, carinho e empenho. “Uma beleza, tia. Vou usar, claro que sim”.

Tem mulher que gosta, usufrui e se diverte com a perspectiva de inverter a ordem dos fatores e alterar os produtos. Mas aí – suspeito ... – existe uma volúpia de vingança, poder e manipulação, sei lá, acho que o jogo é o mesmo, mas a disputa e o resultado são diferentes. Nesse lugar muito provavelmente deve residir o tesão. Acho que sim. A gente pode tentar entender o que se passa na cabeça de um pai de família que se veste de Paquita, mas jamais vai entender o que se passa na cabeça de uma mulher. Ainda mais se ela tiver um homem a sua disposição. Para emitir uma opinião mais abalizada, eu precisaria conversar com a namorada do Laerte – que divide o estojo de maquiagem, é a responsável pelo corte de cabelo e, afinal, é a mulher ou homem dela(e) – creio que somente assim, eu compreenderia esse lado feminino que (em tese) legitimaria o outro, o lado laertino.

De qualquer forma, os cientistas da indústria de cosméticos deviam estudar o fenômeno. A barangagem empenhada agradeceria. Trata-se, enfim, de um tema muito complexo e sofisticado. Confunde a gente, Ronaldinho que o diga. E se eu não tivesse que retocar a maquiagem agora, a maquiagem do meu próximo livro, falaria mais sobre o Laerte, esse Pirata do Tietê que jamais vai parar de nos surpreender e também não vai nos poupar do apetite dos tubarões. Sou teu fã mais do que nunca, Laerte. Valeu, barangona.

*Personagem do Laerte, e título do seu próximo livro. Leiam a entrevista na Folha de São Paulo, histórica.
**Segundo meus amigos experts, ninguém vai chegar num sex-shop e pedir um caralhão para viagem. Mais discreto e elegante pedir um “Dildo”.

* Considerado uma das grandes revelações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.

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Opinião

A expansão da dengue

AE - AE - Editorial
O aumento assustador do número de casos de dengue notificados no País, em particular no Estado de São Paulo, é um forte indício de que as autoridades de saúde, nos diferentes níveis de governo, não estão atuando com a devida atenção e a necessária eficiência no combate à doença.

O Ministério da Saúde garante que recursos para o combate à dengue foram colocados à disposição dos governos estaduais e prefeituras e que normas técnicas para a ação de vigilância e assistência em saúde foram aprovadas e divulgadas. Informa também que o governo federal e os governos estaduais estão capacitados a dar suporte técnico às equipes de operação nos municípios. Sendo assim, ou os recursos não estão sendo utilizados adequadamente ou há outras falhas nos programas de combate à doença. E este é um combate que, além de longo - pois não há evidências de que o mosquito transmissor da dengue possa ser erradicado a curto prazo -, exige atenção permanente.

De acordo com balanço divulgado pelo Ministério da Saúde, neste ano, até o dia 16 de outubro, foram notificados no País 936.260 casos de dengue, quase o dobro do total registrado no ano passado, de 489.819. No Estado de São Paulo, em particular, as notificações neste ano já superam em quase 2.000% o total registrado em 2009 - 202.312 casos, contra 9.710 (aumento de 1.984%). Os óbitos em decorrência da dengue em 2010 no País (até o dia 16 de outubro) somam 592, ou seja, 90% mais do que o total de 2009, de 312 mortes.

O Ministério da Saúde atribui o aumento de casos neste ano ao ressurgimento do tipo 1 da doença, que predominou no fim da década passada. Como o vírus estava extinto, boa parte da população brasileira não teve contato com o tipo 1 da dengue e, por isso, não desenvolveu imunidade a ele.

No caso do Estado de São Paulo, um dos fatores que explicam o notável aumento de casos notificados é a epidemia registrada em municípios da Baixada Santista neste ano. Apesar do grande aumento de casos, São Paulo não foi incluído na lista dos Estados considerados com "risco muito alto de epidemia", da qual fazem parte Amazonas, Amapá, Maranhão, Ceará, Piauí, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Bahia e Rio de Janeiro.

Estudos do Ministério da Saúde indicam que os principais fatores causadores da doença variam de acordo com a região do País. No Norte e no Nordeste, a proliferação de criadouros do mosquito se deve à falta de água encanada, que obriga a população a armazenar água em recipientes inadequados. No Centro-Oeste, o principal fator é a falta de coleta regular de lixo. No Sul e no Sudeste, são os depósitos de água parada nas residências, como vasos de plantas, garrafas vazias, pneus velhos e piscinas malconservadas.

Por isso, além da atenta vigilância das autoridades, o combate à dengue exige também a participação da população, que deve adotar medidas que evitem a proliferação do mosquito transmissor da doença. No mesmo dia em que divulgou os dados mais recentes sobre a ocorrência de casos de dengue, o Ministério da Saúde lançou uma nova campanha de combate à doença, com a mensagem "Dengue: se você agir, podemos evitar".

Ações desse tipo são essenciais para conscientizar a população sobre os riscos da doença e, principalmente, sobre a importância das pequenas ações que ela pode desenvolver para conter o alastramento da dengue. Há um ano, o governo lançara uma campanha semelhante, com o lema "Brasil unido contra a dengue". Ela incluiu caravanas, lideradas pelo ministro da Saúde, a diversos Estados, para divulgar a campanha à população e obter a adesão das autoridades locais ao programa de combate à dengue.

O aumento excepcional do número de casos da doença, no entanto, mostra que não houve um esforço generalizado contra a dengue. O surto de 2008 mobilizou autoridades e a população, o que resultou em ações efetivas que propiciaram a redução expressiva do número de casos em 2009. O País não precisa de outro surto para voltar a combater a dengue com eficácia. Precisa de autoridades dispostas a conduzir esse combate.

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Manchetes do dia

Sábado, 13 / 11 / 2010

Folha de São Paulo
"Governo quer mínimo de R$ 550"

Valor pretendido por Lula e Dilma para 2011 representa aumento real de 2,2%; centrais sindicais querem 7,7%

O presidente Lula e a eleita Dilma Rousseff querem fixar em no máximo R$ 550 o salário mínimo em 2011, relatam Valdo Cruz e Letícia Sander. Esse valor representa um aumento real (acima da inflação) de 2,2%. As centrais sindicais reivindicam R$ 30 a mais (7,7%). Para as equipes do atual governo e de transição, o valor sinaliza ao mercado financeiro uma busca de controle dos gastos públicos. O mínimo atual é de R$ 510. A proposta original era de R$ 538,15, sem aumento real, pois a economia não cresceu em 2009 - a regra hoje prevê aumento pela inflação mais a variação do PIB de dois anos antes. Lula não quer deixar o governo com "reajuste real zero". Por isso, ele acertou com Dilma antecipar parte do aumento que virá em 2012 e descontar essa diferença mais adiante.

O Estado de São Paulo
"G-20 faz acordo vago, mas dá aval para controle de capitais"

Medida era defendida pelo Brasil; cúpula deixa eventuais definições sobre guerra cambial para o fim de 2011

A cúpula do G-20 concluída ontem em Seul não afastou de maneira definitiva a ameaça de uma guerra cambial. Foi adiada para o fim do próximo ano a conclusão de uma análise sobre os grandes desequilíbrios da economia global, que pode levar de maneira indireta a correção no valor de determinadas moedas, em especial o yuan chinês. "A guerra cambial não acabou, mas passou a ser discutida", disse o ministro Guido Mantega (Fazenda). "O acordo de Seul é melhor do que desacordo", afirmou o presidente francês, Nicholas Sarkozy, que comandará o grupo em 2011. Para o Brasil, os principais avanços foram a legitimação do controle de capitais, para conter a valorização do real; a ampliação da representação dos paises emergentes no FMI; e o reconhecimento de que os países desenvolvidos terão de ser "vigilantes" em relação aos efeitos negativos de suas políticas monetárias sobre o restante do mundo.

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sexta-feira, novembro 12, 2010

Mídia em questão

Perigo de emboscada

Sandro Vaia (original aqui)
Suspeite de pessoas quando elas se juntam para discutir “regulação” ou “controle social” da mídia. Suspeite mais ainda quando elas se reúnem por iniciativa de um ministro da Comunicação que é ao mesmo tempo chefe de uma TV estatal, mantida à custa de 700 milhões anuais de dinheiro público para uma audiência traço, e que não se cansa de criticar a imprensa independente e profissional, como se fosse um ombudsman público.

Lula já disse que a única censura que ele admite é a do controle remoto e a sua sucessora eleita garante que a liberdade de imprensa será preservada durante o seu mandato.Isso não deveria ser suficiente para tranqüilizar a todos os que defendem a liberdade de expressão e de imprensa no País?

Acontece que entre a palavra dos líderes e a leitura dos liderados existe uma camada de interpretações movediças e ambíguas que abrem fissuras pelas quais passam os preconceitos ideológicos construídos ao longo de anos. O próprio presidente fez questão de alimentar essa ambigüidade: sempre que apareceu uma oportunidade, principalmente durante a campanha eleitoral, ele alimentou seu rancor contra a imprensa, acusando-a de agir como um partido político, e dando à militância exaltada de sua base política razões para construir um edifício de mistificações ,que atribuem à imprensa profissional e independente um conspiracionismo fantasioso e alucinado.O apelido PIG- Partido da Imprensa Golpista- é a exacerbação vulgar desse delírio.

A tentação do dirigismo, quer receba o nome de “controle social”, quer receba o nome de “regulação”, é um componente inato do DNA de partidos de vocação autoritária como o PT. Não passa um mês sem que alguma de suas instâncias não construa uma proposta aberta ou disfarçada para colocar alguma espécie de entrave ou rédea ideológica em qualquer das formas de expressão através das quais o espírito humano se manifesta. E isso vai desde a liberdade dos jornais até as peculiaridades da personalidade de Tia Nastácia e de sua desenvoltura para subir em árvores.

Por isso, mesmo quando o ministro Franklin Martins jura que está se preocupando apenas em modernizar o “marco regulatório” do setor de comunicações para adaptá-lo ao surgimento de novas mídias, e tenta dar uma roupagem técnica às suas preocupações, há motivos para desconfiar. O “marco regulatório” vai cuidar, enfim, de fazer valer a proibição da propriedade cruzada de meios de comunicação? Vai cuidar, enfim, de fazer valer a regra que proíbe políticos de serem donos de meios eletrônicos de comunicação? Ou o “marco regulatório” vai avançar sobre a área de conteúdo,impondo regras e restrições que sempre se sabe como começam, mas nunca como terminam?

O Prêmio Nobel Mário Vargas Llosa , esta semana, ao receber,em Cádiz,na Espanha, um prêmio por sua defesa da liberdade de expressão, fez um alerta sobre os retrocessos da liberdade em alguns países da América Latina, como Cuba, Bolívia, Venezuela, Equador, Argentina, e “mais recentemente o Brasil”. Llosa disse: “Sempre haverá perigos de emboscadas por trás dos poderes”.

Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez.. E.mail: svaia@uol.com.br

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St. Lawrence String Quartet

Frases

Sobre o repetitivo mantra lulista

"É o nosso presidente quem faz questão de separar o Brasil em Norte e Sul. É ele quem faz questão de cindir o povo brasileiro em pobres e ricos. Infelizmente, é o líder máximo da nação que continua utilizando o factoide elite, devendo-se destacar que faz parte da estigmatizada elite apenas quem está contra o governo.”

Janaína Conceição Paschoal, advogada, professora associada de direito penal na Faculdade de Direito da USP, a respeito do caso "Mayara".

Nota do Editor - Um exemplo de empresário que já não pertende à elite: Abílio Diniz. Cotado para ser ministro adotou um discurso que agrada Lula e passou à nobre condição de ex-elite. Quem sabe na nova fase "povo" cuspa de lado ao ver alguém de olhos azuis. E coloque o abominável "de que" onde não cabe. Sidney Borges

Tempo. O que é?

Coluna do Celsinho

Aparências

Celso de Almeida Jr.
A bela notícia de ontem é que o abestado leu e escreveu em teste no Tribunal Regional Eleitoral Paulista.

Para o leitor desavisado, lembro que esta é a forma carinhosa atribuída ao deputado federal eleito por São Paulo, palhaço Tiririca, batizado Francisco Everardo Oliveira Silva.

A felicidade estendeu-se ao Partido da República, padrinho desta candidatura inusitada.

Everardo fez um ditado tirado de um livro editado pelo tribunal: "Justiça Eleitoral, uma retrospectiva", tendo que escrever: "...a promulgação do Código Eleitoral, em fevereiro de 1932, trazendo como grandes novidades a criação da Justiça Eleitoral".

Foi obrigado, também, a ler o título e subtítulo de duas reportagens, uma sobre o Procon e outra sobre Ayrton Senna, fazendo ainda uma interpretação do que leu e escreveu.

Enfim, após tamanha ginástica mental, provou que não é tão abestado assim.

Aliás, neste sentido, o Brasil se supera no quesito parece mas não é.

Parece analfabeto, mas escreve e lê.

Parece terrorista, mas defende a democracia.

Parece ratão, mas é honesto.

Parece guloso, mas come alpiste.

Parece ateu, mas é cristão.

E assim caminhamos...

Focados na aparência, descuidamos da essência.

Distribuindo rótulos, sem piedade.

Julgamos, condenamos e ponto final.

Pura crueldade.

Vou ser mais prudente quando escrever sobre alguém.

Evitarei qualificar de abestado, cabra safado, gatuno enrustido.

Darei um crédito de confiança.

Seguirei os passos da Justiça Eleitoral.

Farei um ditado e duas perguntinhas...

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Opinião

Sobre regulações e controles

O Estado de S.Paulo - Editorial
Durante dois dias, especialistas internacionais em regulação e outros convidados da Secretaria de Comunicação da Presidência da República estiveram reunidos em Brasília para "debater os impactos das mudanças tecnológicas, seus desafios e oportunidades na nova era da digitalização", de modo a "fornecer subsídios para legisladores, reguladores, formuladores de políticas públicas e segmentos empresariais e da sociedade civil que lidam com as diversas questões relacionadas às comunicações". A realização do encontro foi proposta pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência em outubro, quando o governo desistiu da ideia de encaminhar ao Congresso um projeto de lei sobre o marco regulatório das comunicações eletrônicas, optando por transferir essa responsabilidade para o sucessor de Lula. Segundo anunciou no encerramento do seminário o ministro Franklin Martins, os subsídios recolhidos durante os debates serão oferecidos, primeiro, à consulta pública, e em seguida, após a formatação de um pré-projeto, encaminhados à presidente eleita, a quem caberá decidir se, como e quando enviá-lo ao Congresso Nacional.

A realização desse Seminário despertou interesse e criou polêmica por duas razões principais: primeiro, porque um marco regulatório das comunicações eletrônicas é realmente necessário, dada a completa desatualização da regulamentação em vigor, datada de 1962; depois, porque os habituais defensores do "controle social" da mídia pegaram carona na iniciativa para tentar colocar mais uma vez em pauta a "necessidade" do controle dos conteúdos nos veículos de comunicação.

Logo depois de eleita, Dilma Rousseff disse claramente o que pensa sobre o assunto, em entrevista à TV Bandeirantes: "Temos de distinguir duas coisas: marco regulatório e controle do conteúdo da mídia. O controle social da mídia, se for de conteúdo, é um absurdo. É um acinte à liberdade de imprensa. Não compactuo com isso. Se chegar à minha mesa qualquer tentativa de coibir a imprensa no que se refere à divulgação de ideias, propostas, opiniões, tudo o que for conteúdo, é o que eu falei: o barulho da imprensa é infinitas vezes melhor do que o silêncio das ditaduras." Mais claro, impossível. Quanto ao marco regulatório, no caso das comunicações eletrônicas é necessário disciplinar, por exemplo, a participação do capital estrangeiro e a interação entre a mídia digital e a radiodifusão (rádio e televisão), entre outras questões.

Durante o seminário, o próprio ministro Franklin Martins botou fogo na discussão ao mencionar a possibilidade de "enfrentamento": "A discussão está na mesa. Terá de ser feita. Pode ser num clima de enfrentamento ou de entendimento", disse, em tom de sequestrador de embaixador. E desdenhou dos que manifestavam preocupação com a possibilidade de o tal "controle social" desbordar para a pura e simples censura da mídia: "Essa história de que a liberdade de imprensa está ameaçada é bobagem, fantasma, um truque. Isto não está em jogo."

Não obstante, não é de geração espontânea a desconfiança em relação às verdadeiras intenções dos defensores do "controle social" da imprensa. Essa desconfiança, reiterada durante o seminário por dirigentes de entidades representativas dos veículos de comunicação, tem a ver, por exemplo, com as discussões que se travaram um ano atrás, também sob o patrocínio da Presidência da República, na Conferência Nacional de Comunicação. Essas discussões já começaram a produzir efeito em vários Estados, em cujas Assembleias Legislativas tramitam projetos que objetivam de alguma forma criar controles sobre os veículos de comunicação. Isso para não falar na ofensiva contra a liberdade de imprensa na Venezuela, na Bolívia e na Argentina.

Após o encerramento do seminário, certamente se dando conta da conveniência de recalibrar o tom do discurso carbonário da véspera, o ministro Franklin Martins tratou de colocar a questão em termos civilizados: "A regulamentação nas comunicações eletrônicas, especialmente quando se trata de concessões públicas, é uma tarefa que cabe ao Estado fazer, à sociedade discutir, ao Congresso legislar e às agências, depois, fazer a regulação e fiscalizar." Agora é com a futura presidente.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 12 / 11 / 2010

Folha de São Paulo
"Quem pagar leva a rede SBT, diz Silvio Santos"

Em entrevista, empresário diz que não falou com Lula sobre o PanAmericano e que não sabe quem é Eike Batista

O empresário Silvio Santos disse que vende o SBT a quem pagar os R$ 2,5 bilhões que ele emprestou do Fundo Garantidor de Crédito para cobrir o rombo do banco PanAmericano. "Não precisa nem pagar para mim, paga para o fundo." Santos afirmou ainda que não conhece Eike Batista, apontado como um possível interessado em comprar a TV. Batista doou mais de R$ 1,2 milhão ao programa "Teleton", veiculado pelo SBT.
O senhor esta bem? Triste?
Eu estou sempre bem. Você já me viu mal?
O senhor falou com o presidente Lu1a sobre isso?
Eu estive com ele falando sobre o Teleton. Ele está me devendo R$ 13 mil [risos]. Eu falei: "Se você der R$ 13 mil, a Dilma pode ganhar a eleição". Porque é o numero dela, não é? Agora eu estou preocupado [risos]. Ela ganhou do mesmo jeito.
Ai é que tá: ele prometeu e não cumpriu.

O Estado de São Paulo
"Dilma diz que real valorizado é ruim e vai mexer no câmbio"

Em Seul para reunião do G-20, presidente eleita afirma que dólar fraco é problema, mas não adiantou medidas

A presidente eleita Dilma Rousseff disse ontem que considera ruim o fato de o Brasil estar na reunião do G-20, em Seul, na condição de detentor da moeda mais valorizada do grupo dos paises mais ricos:
"Isso não é bom para o Brasil. Vamos ter de olhar cuidadosamente, tomar todas as medidas possíveis", afirmou. Dilma disse que o dólar fraco é um problema grave para o mundo inteiro, mas não quis adiantar quais medidas adotará internamente, informa o enviado especial João Domingos. "Se eu tivesse as medidas, não diria aqui", declarou, após se encontrar com o presidente Lula, com quem retornará amanhã ao Brasil, no avião presidencial. Dilma informou que, ao contrário de Lula, que foi à reunião do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, assim que tomou posse, em 2003, ela não irá à próxima reunião do fórum, em janeiro, nem pretende fazer um giro internacional para se apresentar.

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quinta-feira, novembro 11, 2010

RGB

Coluna da Dra. Luiza Eluf

Nova coluna

A partir de hoje uma nova coluna estará disponível aos leitores do blog às quintas-feiras. Será assinada pela doutora Luiza Nagib Eluf. Em poucas linhas faço a apresentação da nova colunista, que trabalha por um país mais justo e tem muito a oferecer aos leitores. Sidney Borges

Luiza Eluf é Procuradora de Justiça. Publicou artigos e livros (“A Paixão no Banco dos Réus”, “Matar ou Morrer” que conta o caso de Euclides da Cunha) e ajudou a tornar crime toda forma de discriminação no país. Foi a primeira autora brasileira a falar sobre crimes sexuais segundo a ótica da mulher. E na administração pública, integrou Conselhos Estaduais e Federais de Entorpecentes, Direitos Humanos, Condição Feminina e Combate ao Racismo, além da Comissão de Reforma do Código Penal. Com a sua contribuição, a violência contra a mulher e o assédio sexual passaram a ser considerados crimes em todo o Brasil. Luiza participou da histórica Conferência Mundial da Mulher da ONU de 1995, realizada em Pequim. E em 2000, recebeu o prêmio Mulher do Ano na área jurídica, concedido pelo Conselho Nacional da Mulher. Foi Secretária Nacional dos Direitos da Cidadania (Ministério da Justiça) durante o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso e, posteriormente, subprefeita da Lapa (2007 e 2008), bairro em que reside há mais de 15 anos. Hoje, Luiza Eluf continua lutando em prol da igualdade de direitos, qualidade de vida, preservação do meio ambiente, urbanismo sustentável e combate à corrupção.

O buraco das araras

Luiza Nagib Eluf
Há poucos dias, em 13 de junho último, nessa mesma coluna, O Estado publicou um excelente artigo subscrito por Alberto Quartim de Morais sobre a iminente falência da literatura brasileira. Quartim é jornalista e editor, um dos poucos que se preocupa em publicar bons livros produzidos no país, promovendo, assim, o trabalho literário de qualidade. Nem é preciso mencionar as dificuldades que ele encontra como editor, é fácil imaginar, mas piores agruras talvez sofram os(as) autores(as), obrigados a percorrer a burocracia de editoras que não lêem seus trabalhos e, no mais das vezes, respondem laconicamente por bilhete, elogiando e recusando os originais; outras vezes, devolvem-nos recomendando cursos que ensinam a escrever melhor... Ou seja, só autores já consagrados encontram guarida.

O artigo de Quartim fez-me lembrar de um local chamado “buraco das araras”, em Bonito, MS. Trata-se de uma larga cratera natural aberta no solo, formando não apenas um “buraco”, mas um precipício. No fundo, muito lá embaixo, há uma lagoa e uma pequena mata exuberante que a envolve. Nas fendas das paredes de pedra que circundam a cratera e se prolongam até as profundezas do abismo, as araras construíram seus ninhos. Essas aves de penas vermelhas, verdes e azuis, são possivelmente as mais magníficas do planeta. Suas cores fortes e fulgurantes, inimitáveis e inigualáveis, fascinam o observador. É um espetáculo assistir a dezenas de araras voando aos pares, passando de um lado para o outro do “buraco”, aos gritos que ecoam por entre as árvores e nos dão a nítida impressão de estar no paraíso terrestre.

O “buraco das araras” é made in Brazil. A sorte é que os apreciadores do meio ambiente e da riqueza natural de nossas terras, com ajuda da prefeitura local e da sociedade consciente, conseguiram garantir a preservação de Bonito, antes que fosse tarde demais. As araras, assim, puderam se manter naquele recanto de paz, sendo cultuadas, respeitadas, admiradas. Pensei no buraco das araras porque o local não podia servir para nenhum tipo de exploração econômica predatória como tantas que existem por aí e, por essa razão, durante muito tempo esteve abandonado, chegando a ser utilizado como lixão! Jogaram de tudo ali dentro, até automóvel velho. Finalmente, alguém teve a idéia de aproveitar a cratera, sua grande beleza e seu ambiente propício levando as aves para lá. Pelo menos em Bonito, brasileiros tiveram a inteligência necessária para auferir algum lucro explorando as relíquias naturais sem destruí-las.

Já em prol da literatura não parece haver nenhum movimento preservacionista, fato inexplicável em um país que já produziu Machado de Assis, Guimarães Rosa, José de Alencar, Érico Veríssimo, Jorge Amado e muitos outros escritores de altíssimo gabarito. O autor de ficção é um espécime em extinção. Ninguém se importa em criar um “refúgio” para a literatura? Não é difícil encontrar meios de incentivar novos escritores a produzir com qualidade, mas ainda não se vislumbra essa iniciativa entre nós.

Um país que não se expressa por meio de seus autores perde a identidade. Nem se alegue falta de valores, as araras estavam perdidas e talvez muitos achassem que não tinham serventia, até que lhes providenciaram esse ninho coletivo que muita gente paga para ver.

Com exceção de Paulo Coelho, que começou fazendo esforços privados e pessoais para difundir seu trabalho e terminou consagrado internacionalmente, não encontramos novos autores de grande projeção. E Paulo Coelho, na verdade, mais do que literatura, produziu uma espécie de religião.

Alega-se que literatura brasileira não vende, mas como é possível vender se o trabalho nem é publicado e, mesmo quando se publica, não é exibido em lojas nem divulgado nos meios de comunicação de massa? O resultado é que nossas livrarias estão repletas de best sellers importados, por vezes muito mal traduzidos, promovendo livros que já foram exaustivamente divulgados no exterior e que são venda garantida justamente por essa razão.

Além disso, as grandes redes de livrarias têm funcionários que sequer leram um livro na vida e não sabem orientar o consumidor. Já não existe nada parecido com os antigos livreiros, pessoas cultas que haviam lido a maioria dos exemplares que expunham à venda e podiam ajudar os clientes como ninguém.

Bom negócio no Brasil de hoje é produzir e vender livros jurídicos, por uma razão: o direito não é igual nos vários países. A importação não rende. Nessa área, ou o autor é brasileiro ou não vai poder informar aquilo que os profissionais do ramo precisam saber. Em razão dessa circunstância, surgiram vários autores de importante repercussão doutrinária, que ninguém conheceria não fora o incentivo que tiveram para produzir.

Diante das más perspectivas e da impossibilidade de o mercado se auto-regular para favorecer nossa literatura, é papel do Estado intervir para que não se perca a ficção produzida no Brasil e, com ela, parte importante de nossa cidadania. Se temos um Ministério de Cultura e Secretarias Estaduais e Municipais da mesma área, é de se perguntar o que andam fazendo em prol da literatura. Valores não nos faltam, mas os incentivos são mínimos. Assim como se promoveu a cinematografia brasileira obrigando os cinemas a incluir na sua programação certa porcentagem de produção nacional, da mesma forma se deve incentivar editoras e livrarias a darem determinado espaço à literatura brasileira. Sem isso, caminharemos de forma segura e inequívoca para o neo-colonialismo cultural.

Luiza Nagib Eluf é procuradora de justiça do Ministério Público de SPaulo. Tem vários livros publicados, dentre os quais A paixão no banco dos réus e Matar ou morrer – o caso Euclides da Cunha

Publicado no jornal O Estado de SPaulo, dia 07/07/2009

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Opinião

O caso do Panamericano

O Estado de S.Paulo - Editorial
O que causa estranheza no escandaloso rombo de R$ 2,5 bilhões no Banco Panamericano, do Grupo Silvio Santos, é o fato de, apesar de suas dimensões, ele não ter sido detectado nem pelos sistemas de controle interno nem pelos auditores externos e muito menos pela Caixa Econômica Federal (CEF), que, antes de decidir adquirir 36,6% do capital total e 49% do capital votante da instituição no fim do ano passado, deve ter examinado com a necessária atenção seus registros contábeis. O caso sugere que certas fraudes parecem imunes aos métodos convencionais de auditoria ou às práticas usuais dos auditores internos e externos que, por isso, talvez precisem ser revistos.

A fraude do Panamericano só foi detectada há pouco mais de um mês por auditores do Banco Central (BC). Os técnicos do BC constataram que os antigos gestores da instituição - afastados depois de descoberta a fraude - haviam vendido para outros bancos algumas operações, como carteiras de crédito consignado e de financiamento de veículos, e não deram baixa dessas operações no balanço. Era como se essas carteiras continuassem ativas no próprio Panamericano, gerando lucros, o que, tudo indica, fazia crescer também os bônus por desempenho pagos aos gestores da instituição. Essa prática permitia também que uma mesma carteira fosse "vendida" mais de uma vez. Desse modo, como reconheceu o próprio banco em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), "inconsistências contábeis não permitem que as demonstrações financeiras reflitam a real situação patrimonial da entidade".

O rombo supera amplamente o patrimônio líquido declarado da instituição, de R$ 1,6 bilhão. Para evitar a intervenção do BC na instituição ou sua liquidação, sem que o controlador tivesse de recorrer ao mercado - o que despertaria atenção para o problema do banco -, foi acertado um empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para a holding do Grupo Silvio Santos, a Silvio Santos Participações, que tem como único acionista o empresário e apresentador de televisão Silvio Santos.

Criado em 1995, como "entidade privada, sem fins lucrativos, destinada a administrar mecanismos de proteção a titulares de créditos contra instituições financeiras", o FGC é formado por contribuições compulsórias das instituições financeiras, na proporção de 2% do valor total das contas cobertas pela garantia, como depósitos à vista ou a prazo, depósitos em poupança e outras, até R$ 60 mil. O FGC tem como função, também, promover a estabilidade do sistema financeiro nacional. Seu conselho de administração é formado por representantes das instituições filiadas.

O caso do Panamericano é isolado, afirmou o diretor executivo do FGC, Antonio Carlos Bueno de Camargo Silva. A liquidação ou a intervenção teria "um efeito perverso na economia", além de ser "ineficiente para o mercado", acrescentou o presidente do Conselho de Administração do Fundo, Gabriel Jorge Ferreira. E, se se optasse pela liquidação do banco, além do abalo no sistema financeiro, a medida imporia ao FGC despesas de R$ 2,2 bilhões. Daí seus gestores terem aprovado o empréstimo ao controlador do Panamericano.

Ressalve-se, nesse episódio, o comportamento do empresário Silvio Santos. Desde a descoberta das irregularidades, passou a negociar pessoalmente com o BC e com a direção do FGC uma solução para o caso. Como garantia do empréstimo concedido pelo FGC, ofereceu o patrimônio de seu grupo empresarial, o que inclui as empresas Jequiti, Liderança Capitalização, Banco Panamericano, o SBT e o Baú da Felicidade.

Ainda que, do ponto de vista empresarial, a solução pareça ter sido adequada para o momento - cabe ao Ministério Público apurar responsabilidades nas operações irregulares detectadas pelo BC e apontar e denunciar seus responsáveis -, ficam dúvidas sobre o papel da Caixa Econômica Federal no caso. Por que uma empresa pública precisa ter participação tão ampla nesse tipo de banco, quase a ponto de estatizá-lo?

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 11 / 11 /2010

Folha de São Paulo
"Silvio Santos terá de vender bens para cobrir rombo"

Para cobrir fraude de R$ 2,5 bilhões no PanAmericano, dono do Baú e do SBT deu como garantia as 44 empresas

O empresário Silvio Santos, 79, terá de se desfazer de patrimônio para cobrir o rombo de R$ 2,5 bilhões do banco PanAmericano. O Grupo SS tem 44 empresas, que incluem Baú da Felicidade e SBT, e valor contábil declarado de R$ 2,7 bilhões. Esse patrimônio foi dado como garantia para obtenção do empréstimo de proporções inéditas que evitou a quebra da instituição. Como é improvável que o conglomerado gere receita suficiente para pagar a dívida, o grupo terá de se desfazer de parte do patrimônio. A fraude do PanAmericano foi identificada em agosto. Auditoria de rotina do Banco Central descobriu créditos já vendidos contabilizados como ativos, valores incorretos e vendas duplicadas da mesma carteira. A Caixa Econômica Federal, que desde 2009 detém 49% do banco, não quis se responsabilizar porque o problema era anterior. Silvio Santos assumiu o ônus. Com base na Lei do Colarinho Branco, o BC investiga se houve crime. Na Bolsa, as ações do PanAmericano recuaram 29,2%.

O Estado de São Paulo
"BC culpa falha de auditores por rombo no Panamericano"

Banco Central diz que não é sua função conferir fraude em balanço; banco passou por 3 empresas de auditoria

O Banco Central negou que tenha demorado para encontrar o rombo de R$ 2,5 bilhões no Banco Panamericano e jogou a responsabilidade nas empresas de auditoria que aprovaram as contas - três trabalharam no banco. O BC argumenta que sua função é analisar balanços, não conferir se foram adulterados. Anteontem, o Grupo Silvio Santos, controlador do Panamericano, associado à Caixa Econômica Federal, anunciou aporte de R$ 2,5 bilhões na instituição, alvo de fraude contábil. O dinheiro veio do Fundo Garantidor de Crédito, entidade privada mantida pelos bancos. O Panamericano vendia carteiras de crédito para outros bancos, mas não dava baixa no balanço. O problema foi detectado há seis semanas por técnicos do BC, que avalia ter agido a tempo. As ações do banco recuaram quase 30% e fizeram o valor de mercado ficar abaixo do patrimônio. Papeis de bancos pequenos também caíram.

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quarta-feira, novembro 10, 2010

Amici miei

Chegou a fatura

Merval Pereira no Blog do Noblat
O Congresso mais fragmentado de todos os que foram eleitos nos últimos anos começa a mostrar suas garras para a futura administração. São 10 partidos de peso político na base governista que começam a disputar espaços na futura administração Dilma Rousseff - PT (88), PMDB (79), PP (41), PR (41), PSB (34), PDT (28), PTB (21), PSC (17), PCdoB (15), PRB (8).

Além do peso político dos aliados, a presidente eleita introduziu um novo critério para a formação do ministério: idealmente 30% dos escolhidos deverão ser mulheres, o que pode significar um esforço de valorização do gênero em um ambiente machista, mas que definitivamente não é critério de meritocracia para nenhum governo, mesmo o chefiado por uma mulher.

Que, aliás, não foi eleita por ser mulher, embora Lula tenha posteriormente tentado justificar sua escolha, e desqualificar muitas críticas, pelo fato de Dilma ser mulher.

Mas há também outros critérios duvidosos que começam a ser exibidos nessa disputa pelo poder político.

O PTB é exemplar da falta de compromissos programáticos dos nossos partidos. Apoiou a candidatura oposicionista de José Serra até que ficasse mais ou menos claro que ela não chegaria a lugar nenhum.

A partir daí, seu presidente Roberto Jefferson – aquele mesmo do mensalão – passou a criticar a organização da campanha de Serra e o próprio candidato – e tinha razão em algumas dessas críticas, como a de que Serra nunca reuniu seus alidos para definir a campanha – e liberou o PTB para aderir à candidatura governista.

Vencida a eleição, o PTB apresenta sua fatura através do senador Morazildo Cavalcanti, de Roraima. Quer ficar com o Ministério do Turismo, que ganhará importância nos próximos anos com a realização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016.

O interessante é que o senador Morazildo Cavalcanti foi dos mais combativos opositores do governo Lula nos últimos quatro anos, e era computado em todas as análises como integrante da ala oposicionista no Senado.

Já o PT começou a mostrar a que veio, depois de eleger a maior bancada da Câmara, desalojando o PMDB: quer não apenas a presidência da Casa, mas pretende retomar para os seus alguns ministérios que foram perdendo no segundo governo Lula para que a aliança governista acomodasse os representantes de outros partidos.

Além dos ministérios que já ocupa, o PT quer pelo menos um ou dois dos que cuidam da área de infraestrutura, na suposição de que haverá mais investimentos nos próximos anos. Cidades, hoje com o PR, Transportes, com o PRB e Minas e Energia, com o PMDB, são alguns dos que estão na mira petista.

E também coloca no seu quinhão o ministério da Saúde, que passou para o PMDB no segundo governo Lula.

Ao mesmo tempo, o PTB, o PP e o PR formaram um bloco na Câmara para a próxima legislatura que terá 103 deputados. Querem disputar de igual para igual com PT e PMDB as presidências de comissões e cargos na Mesa Diretora. E, quem sabe, formar um futuro partido de centro mais adiante.

Já o PSB, o partido da base que mais cresceu proporcionalmente, também já mandou seus recados. Usou seus 6 governadores eleitos para respaldar a proposta de recriação da CPMF, uma tentativa tosca da futura administração de aumentar a carga tributária fingindo que nada tem a ver com isso.

Como a idéia está tendo uma rejeição muito grande, pelo que representa de aumento de custos para a sociedade e, ao mesmo tempo, de enganação por parte do governo, que passou a campanha inteira defendendo a redução da carga tributária, a futura administração já começa a ter que lidar com as questões concretas de ter que cortar gastos para equilibrar as contas públicas e ter dinheiro para os investimentos que serão necessários.

É por isso que volta a ganhar corpo a proposta “rudimentar” apresentada pelo então Ministro da Fazenda Antonio Palocci de manter as despesas do governo crescendo menos do que o PIB.

O Ministro Paulo Bernardo, que deve permanecer no ministério de Dilma, embora não necessariamente no Planejamento, está do mesmo lado que há cinco anos, defendendo a mesma tese: com a medida, em quatro anos o governo conseguiria dobrar o volume de investimentos.

Mas o PSB, ao mesmo tempo em que socorre o governo, também mostra que tem condições de fazer política para além da hegemonia do PMDB e do PT.

Lançar a candidatura de Aécio Neves, do PSDB, à presidência do Senado, é só uma maneira de chamar a atenção para outras possibilidades dentro de alianças políticas numa base tão fragmentada, onde cada um cuida de seu interesse partidário.

O PMDB, pragmático, está propondo simplesmente que cada um mantenha o que já tem.

Os conflitos ideológicos, que serão inevitáveis dentro de uma aliança tão diversa quanto a que está sendo montada, também aparecem na oposição.

O PPS já declarou, através de seu presidente, o deputado federal eleito por São Paulo Roberto Freire, que se sentiu incomodado com a discussão sobre o aborto ocorrida na campanha presidencial, e que pretende fazer uma oposição ao governo Dilma “pela esquerda”, dissociando-se assim de uma ligação com o Democratas, que forma no bloco de oposição, mas pretende explorar cada vez mais o que identificou como uma tendência conservadora do eleitorado brasileiro.

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Cunhambebe

Retrato psicografado do grande líder dos povos da "rainforest", que dizem alguns nunca lançou maldições, embora outros afirmem o contrário. Há quem prefira atribuir a tal "maldição de Cunhambebe" às correntes oposicionistas. Povo sem memória esquece tudo. Sidney Borges

Ramalhete de "Causos"

Pau cheiroso

José Ronaldo dos Santos
Em certa ocasião, na praia da Enseada, vindo de uma pescaria com o meu pai, vivi uma oportunidade única: escutar o velho Henrique, o Fabiano e o Bráulio contarem causos de canoas.

O velho Henrique, na ocasião, trabalhava na guarita da entrada da praia para impedir que os carros ficassem passeando pela areia, no lagamá; Bráulio era caseiro de um ricaço, no Canto da Bá; Fabiano fazia canoas. O comum a todos: eram caiçaras, adoravam conversar e sempre estavam combinando pescarias. Meu pai, grande amigo deles, também tinha tais características. Foi ele que começou falando de canoa; disse que ficou impressionado por uma delas na praia do Puruba, cujo nome era Sacrifício, devido o trabalho que deu para trazer de onde foi cortada a timbuíba até chegar no rio da Escorregosa, no sertão do Cambucá, para depois navegar por toda a baixada do Puruba até o rancho, na boca do rio. Em seguida, o Bráulio, da família Rocha, explicou o nome da sua embarcação. Tinha o nome de Meu bem querer por escolha de sua companheira, representando o amor que os unia. O Dito Henrique, já bastante idoso, devia ter inúmeros causos de canoa, mas contou de uma lá da praia da Fortaleza. Tratava-se de uma canoa rombuda, curta e grossa, de capurubu, com um mínimo de acabamento, “feito só no machado” conforme expressão usada nesses casos. Porém, era uma canoa própria para cargas. O nome dela: Cu grande, cujo dono a era o Genésio, do velho Armiro, “um homem de coração tamanho do mundo”. Por isso que, sempre que alguém tinha uma boa carga, logo dizia: “Vou na Cu grande do Genésio; só ali cabe uma montoeira de coisas”. E ele emprestava prontamente a canoa que mais podia ser chamada de Feiosa, conforme conclui o velho Henrique. Finalmente, o Fabiano, pai do nosso amigo José Carlos Góis, que terminava uma canoa uma canoa feita de canela-bosta, lá no Morro do Funhanhado, disse:

- Depois de ouvir vocês me inspirei para dar nome à minha canoa. No mês que vem, por ocasião da pegadeira de peixe-porco, ela romperá a arrebentação das ondas com o nome de Pau cheiroso.

Todos riram e concordaram que era o nome mais apropriado nesse caso.

Sugestão de leitura: O chalaça, de José Roberto Torero

Boa leitura!

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Opinião

O imbróglio do Enem

O Estado de S.Paulo - Editorial
Enquanto o presidente Lula dizia em Maputo que a aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2010 foi "extraordinariamente bem-sucedida", no Brasil constatava-se que os problemas ocorridos com a prova este ano eram maiores do que se imaginava. Além das falhas de impressão no cartão de respostas e da inversão da ordem das perguntas num dos cadernos distribuídos aos candidatos, foram registrados erros de grafia, digitação e pontuação que prejudicavam o entendimento das questões pelos candidatos.

Também foram constatados problemas de conteúdo na formulação de enunciados. Na prova de história, por exemplo, uma das perguntas errou o ano da abertura dos portos no Brasil e outra admitia duas respostas. Na prova de ciências da natureza, três questões apresentaram imprecisões conceituais. E, na prova de humanidades, a indagação sobre imóveis rurais no Brasil não tinha resposta.

Além disso, embora o Ministério da Educação tenha gasto cerca de R$ 182 milhões para garantir a segurança do Enem de 2010, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) cometeu falhas elementares na supervisão das matrizes da prova. O edital de contratação da gráfica previa uma fiscalização prévia a ser feita pelo Inep, para detectar eventuais erros de digitação e paginação, mas ela não foi realizada, como reconhece o próprio ministro Fernando Haddad. "Houve inobservância da portaria", disse ele. E, apesar das providências tomadas pelo MEC para evitar que a prova vazasse, como ocorreu em 2009, a Polícia Federal recebeu denúncias de que o tema da redação era de conhecimento de alguns candidatos um dia antes do início do exame, em Juazeiro (BA) e em Petrolina (PE).

As confusões com o Enem geram dificuldades em cadeia para estudantes e universidades. As autoridades educacionais se comprometeram a aplicar uma nova prova para os alunos prejudicados, mas as datas possíveis coincidem com as dos vestibulares de muitas instituições de ensino superior. Para tentar evitar a coincidência com o exame da Fuvest, o mais concorrido processo seletivo do País, o MEC anunciou que a prova poderá ser realizada nos dias 4 e 5 de dezembro. Os especialistas, contudo, acham o prazo curto demais.

Para não prejudicar o cronograma de suas atividades acadêmicas, algumas universidades públicas já estão pensando em não usar os resultados do Enem nos vestibulares deste ano. É o caso da Universidade Federal Fluminense, que seleciona 20% de seus alunos com base nesse exame e realizará a primeira fase de seu processo seletivo no próximo domingo. "Estamos apreensivos. A situação mais dramática é se houver a suspensão do Enem", diz o pró-reitor acadêmico Sidney Mello. Em entrevista ao Estado, o professor Romualdo Portela, da Faculdade de Educação da USP, afirma não ser mais possível "salvar" o Enem deste ano, seja por fatores logísticos, seja porque as confusões com a prova devem acarretar uma enxurrada de ações na Justiça.

Por liminar concedida pela juíza Karla Maia, da 7.ª Vara Federal do Ceará, o Enem está suspenso desde segunda-feira. O ministro da Educação afirmou que recorrerá ao Tribunal Regional Federal da 5.ª Região para pedir a cassação da liminar, e se manifestou contrário à anulação do exame, alegando que os problemas constatados na prova não afetaram o resultado como um todo. Mas o fato é que o Enem é um processo seletivo para ingresso nas principais universidades públicas, devendo a prova ser a mesma para todos os vestibulandos - e a Constituição é clara quando consagra o princípio da igualdade perante a lei. Do ponto de vista legal, a aplicação de uma nova prova somente para os prejudicados no Enem de domingo criaria uma situação de desigualdade entre os vestibulandos. O ministro, que é bacharel em direito, esqueceu-se desse princípio elementar do direito.

Longe de ter sido "um sucesso total e absoluto", como afirmou Lula em Maputo, o Enem de 2010, além de retratar a inépcia administrativa do governo, pode se converter num enorme imbróglio jurídico.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 10 / 11 / 2010

Folha de São Paulo
"PF prende um dos chefes da Receita em Cumbica"

Grupo de 32 pessoas é acusado de suposto esquema de fraude em importações

A Policia Federal prendeu um dos chefes da Receita no maior aeroporto do país, em Guarulhos. Ao todo, 32 pessoas (23 ontem) foram detidas na operação, que investigava um suposto esquema de fraude em importações. Segundo a PF, o grupo usava caminhões "fantasmas", que entravam em área restrita sem autorização, retiravam mercadorias - como notebooks e celulares - e deixavam o aeroporto sem pagar impostos. Entre os presos estão Francisco Plauto Moreira, chefe de trânsito aduaneiro da Receita, auditores do fisco e do Tesouro, dois policiais federais, empresários, seguranças e funcionários de companhias aéreas. A PF apreendeu US$ l milhão com os suspeitos. O prejuízo é estimado em R$ 50 milhões. Em um ano, foram 80 toneladas de produtos desviados. Advogado nega envolvimento de Moreira em fraudes.

O Estado de São Paulo
"PF apura suposto vazamento do tema de redação do Enem"

Denúncia foi feita em Pernambuco e caso teria ocorrido no Piauí; para a OAB, exame pode ser anulado

A Policia Federal iniciou investigações para apurar suposto vazamento, no Piauí, do tema da redação da prova do Enem. "Há indícios de que a história tem fundamento", disse o delegado Alexandre de Almeida Lucena. Mais de uma hora antes do início da prova no domingo, um grupo de candidatos procurou professores de um curso pré-vestibular de Petrolina (PE) para pedir ajuda sobre a redação se o tema fosse "trabalho e escravidão". Segundo um dos professores, um dos estudantes disse que o tema vazara em São Raimundo Nonato (PI), a 300 Km de Petrolina, e que ele e outros alunos tinham recebido a informação quando o boato se espalhou. Para a OAB de Pernambuco, se ficar provado que houve vazamento, o exame tem de ser anulado.

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terça-feira, novembro 09, 2010

Ancestrais

No meio, em cima, o bisavô do tio Antero. O bigode é idêntico. Sidney Borges

Opinião do Blog

Outra vez, mano! 

Sidney Borges
Uma vez passa, duas vezes é o caso de parar para pensar. Onde está o problema? O ministro da Educação, Fernando Haddad merece crédito. É competente e tem trabalhado com afinco num dos setores mais carentes do Brasil. Mas será responsabilizado pelas pataquadas do Enem. Lamento pelos jovens que ficaram frustrados, lamento pela imagem do país e lamento pelo ministro. Tivesse acontecido antes da eleição ele já estaria demitido. Sem pressão política talvez fique, Lula o admira, mas terá de carregar o incômodo titulo de bicampeão de trapalhices.

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Brasil

Original aqui

Deu em O Globo

Um símbolo da ineficiência estatal (Editorial)

Não há qualquer dúvida de que ao Ministério da Educação (MEC) falta a qualificação administrativa mínima para gerenciar a aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)

Do Blog do Noblat
A mais recente falha do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), subordinado ao MEC, de permitir a distribuição de cartões de resposta com cabeçalhos errados, representa outro grave dano à credibilidade de um mecanismo de avaliação vital na modernização do sistema de entrada do estudante no ensino universitário, com a aposentadoria do abominado vestibular.

Se o objetivo fosse sabotar o Enem, o MEC estaria de parabéns pela eficiência.

No ano passado, vazaram questões da prova, que teve de ser adiada. Depois, mesmo informado de que uma questão do exame seria anulada, aplicou o teste do mesmo jeito.

Neste ano, em agosto, informações pessoais de 12 mil estudantes ficaram vulneráveis a qualquer acesso no site do Inep.

Ao se examinar cada caso, constata-se que cuidados simples teriam evitado os problemas. Uma conferência por um funcionário atento das matrizes antes de serem enviadas à gráfica impediria o descasamento entre prova e cartão de resposta.

O erro, como vários já cometidos, foi tosco. O servidor repetiu a ordem das questões do Enem de 2009, sem perceber que a sequência do teste deste ano era outra.

Assim, as perguntas de 1 a 45 abordavam ciências humanas, mas a folha de respostas se referia a ciências da natureza; já as questões de número 46 a 90 eram sobre ciências da natureza, mas os estudantes responderam no gabarito de ciências humanas.

O MEC, ontem, confirmou que o erro foi do Inep. Mais um.

O acúmulo de falhas no Enem desacredita o teste perante as universidades que passaram a adotá-lo na avaliação dos vestibulandos e as que analisam a possibilidade de fazer o mesmo.

Por tabela, o descrédito atinge os estudantes. Sem poder usar o Enem para entrar na faculdade que deseja cursar, a pessoa não terá por que se submeter ao exame.

Por inevitável, como das vezes anteriores, há vários desdobramentos na Justiça e no Ministério Público — e não poderia ser diferente.

O interesse do MEC é minimizar a falha. Afinal, o ministro Fernando Haddad é atingido num momento-chave de escolha da equipe do governo Dilma Rousseff.

Haddad vem garantindo que deseja voltar a dar aulas na USP. Talvez agora não haja mesmo outro futuro para o ministro, levado a ficar no Brasil e a não viajar à África com o presidente Lula, como planejado.

Uma juíza federal do Ceará, Carla de Almeida Miranda, aceitou pedido de liminar do MP e suspendeu o Enem de 2010. A decisão poderia ser cassada. Mas a mesma opinião tem a Defensoria Pública da União.

Por considerar que não houve quebra de isonomia no tratamento dos que se submeteram ao exame, o ministério rejeita a suspensão integral, e defende uma nova prova apenas para quem foi atingido pelo erro. Há estimativas de 2 mil estudantes, ainda não confirmadas pelo MEC.

Pode até ser menos. O importante é o conjunto da obra nada edificante do MEC/Inep no gerenciamento do Enem.

Fica evidenciado, mais uma vez, que o inchaço da máquina pública nos últimos oito anos apenas produziu uma polpuda conta adicional a ser paga pelo já sobrecarregado contribuinte.

Situações como esta expõem toda a ineficiência do Estado brasileiro.

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Opinião

Novo fiasco do Enem

O Estado de S.Paulo - Estadão
Se havia alguma dúvida sobre a capacidade do Ministério da Educação (MEC) de recuperar a imagem do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e evitar que sua desmoralização comprometesse todo o sistema de avaliação escolar, ela foi desfeita nesse fim de semana com a prova aplicada a cerca de 3,4 milhões de estudantes. Além de avaliar a qualidade do ensino médio, o Enem é usado como processo seletivo para muitas instituições públicas de ensino superior - principalmente as universidades federais.

Dessa vez os problemas decorreram de falhas de montagem de um dos cadernos da prova, o que levou os estudantes a se deparar com textos repetitivos e falta de questões. Além disso, os cartões de resposta foram impressos de forma invertida - fato que não foi comunicado à maioria dos candidatos. No sábado, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), o mesmo que fracassou na organização do Enem de 2009, divulgou que quem foi induzido a erro, no preenchimento do cartão, poderá solicitar que a prova seja corrigida "ao contrário". Isso dá a medida da inépcia administrativa do MEC.

Por um balanço extraoficial, os problemas ocorridos com o Enem envolveram 20 mil provas. Mas, segundo o reitor da Universidade de Brasília, José Geraldo de Souza Jr., o número de provas impressas com falhas seria de 30 mil. A instituição foi encarregada, juntamente com a Fundação Cesgranrio, de preparar as questões.

Embora as autoridades educacionais tenham afirmado que nenhum aluno será prejudicado, nem o Inep nem o MEC sabem ainda qual é a extensão das falhas ocorridas e de que modo elas poderão ser corrigidas. A aplicação da prova foi classificada como um "desastre" pela OAB. O Ministério Público Federal anunciou que poderá ingressar com ação judicial pedindo a anulação do exame. A Defensoria Pública da União anunciou que tomará iniciativa semelhante. No Ceará, a Justiça Federal concedeu liminar determinando a suspensão imediata do Enem. E a Associação Nacional das Instituições Federais de Ensino Superior reconheceu que a insegurança jurídica acarretará para as universidades problemas ainda mais graves do que os criados pelo Enem de 2009.

No ano passado, os problemas começaram quando se constatou que o MEC não dispunha de infraestrutura adequada para fazer inscrições pela internet. Em seguida, o Inep determinou que vários estudantes deveriam prestar o exame em colégios situados a mais de 300 quilômetros das escolas em que estavam matriculados. Depois, a prova vazou dois dias antes de sua realização, deixando claro que as autoridades educacionais não haviam tomado as medidas de segurança necessárias. Isso as obrigou a preparar um novo teste às pressas, a um custo superior a R$ 30 milhões, e aplicá-lo dois meses após a data prevista, o que desorganizou o calendário das universidades. Na sequência de confusões, constatou-se que várias questões da nova prova tinham viés ideológico. E, no dia em que ela foi aplicada, o MEC divulgou o gabarito errado.

Em 2010, as dificuldades começaram com falhas de logística e amadorismo no planejamento, o que levou à substituição do presidente do Inep. Em seguida, descobriu-se que os dados pessoais dos candidatos às três últimas edições do Enem tinham vazado. Com isso, informações que deveriam ser mantidas em sigilo foram expostas no site do Inep com acesso livre. Depois o MEC se atrapalhou na escolha dos órgãos responsáveis pela formulação das questões, o que acabou criando problemas para a licitação da gráfica e atrasando a contratação de cerca de 300 mil pessoas, entre coordenadores, aplicadores e profissionais encarregados da correção.

Esse é o quadro, descrito com o máximo de objetividade, da desmoralização do Enem. Mas o principal responsável por ele não parece preocupado. Muito pelo contrário. De fato, o presidente do Inep, José Joaquim Soares Neto, dizendo-se "orgulhoso" pela aplicação do Enem, considera que "não houve problemas graves".

Apreciação sobre a qual os alunos prejudicados teriam muito a opinar...

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Manchetes do dia

Terça-feira, 09 / 11 / 2010

Folha de São Paulo
"Justiça Federal suspende Enem"

Para juíza, erros prejudicaram alunos; ministro da Educação diz que problema foi esparso e que vai recorrer

A Justiça Federal do Ceará acatou pedido do Ministério Público e suspendeu o Exame Nacional do Ensino Médio de 2010. A avaliação é que os erros de impressão e encadernação prejudicaram parte dos alunos no sábado, primeiro dia da prova. O Ministério da Educação afirmou que vai recorrer, pois não considera necessário que os 3,4 milhões de estudantes refaçam a prova. Segundo o ministro Fernando Haddad, os relatos de problemas são esparsos. Para a juíza Carla Maia, que deu a liminar, uma nova prova só para os que receberam exames com erro seria tratamento desigual. A Defensoria Publica da União vai recomendar a anulação do teste de sábado e pode entrar com ação, se o MEC não obedecer.

O Estado de São Paulo
"Justiça decide suspender Enem, e MEC admite erros"

Liminar questiona confusões na prova; ministro nega crise, mas fala em 'apurar responsabilidades’

A confusão no Exame Nacional de Ensino Médio no fim de semana já está nos tribunais. No Ceará, a Justiça Federal suspendeu o Enem até o julgamento do mérito da representação do Ministério Publico Federal, que pede a anulação do concurso. A decisão responsabiliza o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e o consórcio Fundação Cesgranrio e Fundação Universidade de Brasília pelos erros na aplicação da prova. Cabe recurso. A Defensoria Pública da União recomendou ao Inep que seja anulada a prova de sábado, na qual foram constatados vários problemas. Caso 0 governo não atenda a recomendação, a DPU deve entrar com ação coletiva na Justiça Federal fazendo a mesma solicitação. Embora tenha negado haver crise, o ministro Fernando Haddad (Educação) admitiu que o Inep tem responsabilidade nos erros, mas não cogita reaplicar a prova a todos os estudantes, como recomendou a DPU.

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