sábado, outubro 23, 2010

Orloj, o relógio de Praga

Coluna do Mirisola

Tropa de Elite 2. Ou: seja fascista, Padilha!

“Padilha continua achando que os estudantes da PUC são uns maconheirozinhos de merda que sustentam o tráfico de drogas e a violência no Rio. No entanto, agora usa argumentos politicamente corretos e “civilizados” para enquadrar os manés esquerdopatas”

Marcelo Mirisola*
Capitão Nascimento foi promovido a tenente-coronel e provavelmente votou em Marina Silva no primeiro turno das eleições. Deve ter virado vegetariano. Perdeu aquele fascismo delicioso que era o combustível de sua Tropa 1. O tenente-coronel não enquadra mais os maconheiros da PUC e abandonou os sacos plásticos para asfixiar a arraia miúda da bandidagem. Como diz o subtítulo do filme, agora os inimigos são outros.

Parece que a lógica brucutu foi reciclada com o intuito de calar a boca dos mauricinhos-otários da imprensa. Eu já havia notado isso nas entrevistas e fotos do diretor do filme, José Padilha. Peito estufado, e aquela cara do sádico satisfeito e disciplinador que cumpriu sua missão, rosnando para dentro, manjam? A mim não engana. Padilha continua achando que os estudantes da PUC são uns maconheirozinhos de merda que sustentam o tráfico de drogas e a violência no Rio (não discuto isso). No entanto, agora usa argumentos politicamente corretos e “civilizados” para enquadrar os manés “esquerdopatas” que o acusaram de fascista no primeiro filme. Creio que Padilha se imagina um estrategista. No entanto, se o Capitão Nascimento de Tropa 1 tivesse lido Philip Roth, diria que o diretor é um frouxo, vacilão.

A propósito. Uma declaração de Roth sobre Céline: “Na França, meu Proust é Céline. Mesmo se seu anti-semitismo o torna um ser abjeto, intolerável, trata-se de um grande escritor – para lê-lo, porém, devo deixar em suspenso minha consciência judaica. Céline é um grande libertador: sinto-me chamado por sua voz.”.

Alguém consegue imaginar um Céline compassivo? Um Pasolini burguês? Antonioni tagarela? Alguém consegue imaginar um Nelson Rodrigues de braços dados com dr. Alceu de Amoroso Lima numa passeata contra a ditadura?

Van Gogh bem-sucedido só existe no banco Real, atual Santander.

Todo grande artista tem uma marca, que nada tem a ver com marketing. Uma assinatura que transcende ideologias, ignora conveniências e atravessa o tempo, mais ou menos foi isso o que Roth quis dizer aí em cima. Pois bem, José Padilha perdeu uma grande chance nesse Tropa 2. Abriu mão da assinatura, do esculacho fascistóide que servia para lavar a alma de uma classe média racista, acuada, arrogante e sedenta de vingança e trocou o seu tesouro (cada um tem o tesouro que merece...) pelas teses do inimigo; ou seja, para agradar meia dúzia de patrulheiros da USP e outra meia dúzia de viadinhos culturais histéricos, José Padilha perdeu a chance de ser ele mesmo. Alguém consegue imaginar frei Leonardo Boff colunista da Veja?

Tem coisas nessa vida que não combinam. Mas que - às vezes - por obra do imponderável acabam se transformando em consenso. Esse Tropa de Elite 2 proporciona o mesmo efeito de uma pizza de chocolate. Ou é tão esdrúxulo quanto. Claro que todos os recordes de público serão quebrados e talvez o Brasil ganhe o primeiro Oscar, mas como criador, esse Padilha devia ir pra casa (“Vai pra casa Padilha!”, lembram?) e acertar as contas com sua escrotice seminal. Não se faz arte de outro jeito. Aliás, não dá para comungar nem com Deus nem com o diabo, não dá sequer pra se dizer bom dia pro porteiro do seu prédio se você – ao menos duas vezes na vida - não for honesto com a banda podre de si mesmo. Fora disso, é tudo artifício, dissimulação, mentira.

No caso do Zé Padilha, sobrou a velha retórica de escoteiro e uma arma de brinquedo apontada para um ente abstrato chamado “sistema” (?). Não bastasse, o resultado da soma retórica+inimigo abstrato é igual a lugar-comum. Uma lógica encurralada em si mesma. Coitado do tenente-coronel Nascimento. Esgotou-se. Ou, pensando melhor, ainda tem um destino. Num eventual Tropa 3, o coronel Nascimento acabaria virando uma espécie de monge zen-macrobiótico com especialização em decoração de interiores e feng-shui. Seria o papel da vida de Wagner Moura, que finalmente teria a oportunidade de encarnar um Karatê Kid no esplendor de sua maturidade, fofura e auto-controle. Os homens-caveira do Bope iriam relaxar os esfíncteres e se identificariam, eu aposto. E assim Padilha arrumaria um pretexto para disfarçar sua limitação. Assim, ele se converteria à lenga-lenga politicamente correta e à babaquice de uma vez por todas.

Tem mais. Tenente-coronel Nascimento é corno de um “deputado do bem” que enfia um monte de minhocas na cabeça de seu filho adolescente. O moleque é baleado numa emboscada. Eita! Nesse momento, o herói do Zé Padilha e do Bráulio Mantovani (co-roteirista do filme) se converte à causa corno-humanista e vai caçar seus inimigos ou o tal do “sistema” como se estivesse no filme mais imbecil do Arnold Shuwazenegger.

Quando eu tinha 13 anos de idade, também acreditava que a culpa era do sistema. Hoje, acho que o problema está no roteiro. Bem, eu falava do ápice do filme. Isso mesmo, acreditem. O ápice, quando Nascimento cerca um político corrupto numa blitz e enche o fulano de porrada. A platéia sente-se vingada, urra e quase interrompe a sessão aos aplausos.

Pô, Zé Padilha! Aquele personagem inspirado no apresentador Wagner Montes contaminou você e o Bráulio Mantovani até dizer chega. Que fiasco! Vocês conseguiram ser mais sensacionalistas que ele, o Datena e o Ratinho juntos. A gente não precisa pagar ingresso para ver o Wagner Montes esculachar o “sistema”, denunciar as milícias e meter porrada em político corrupto. Uma questão de savoir-faire. Além do mais, Montes, Datena e Ratinho são toscos de verdade e a ambição dialética deles é igual a zero. O falecido capitão Nascimento virou uma moça de leite Ninho histérica. Se o filme é bom?

Acho que os sociólogos da USP, a Regina Casé e a Patrícia Travassos vão adorar. Mas quem é que está falando de pipoca? Estou dizendo que José Padilha tem apenas uma chance para recuperar seu talento (ou tesouro). Recomendo a leitura de Céline, Cioran e Pasolini, além dos filmes desse último. Depois disso, ele podia ir de encontro ao fascismo que bombeia todas as veias de seu coração sádico e justiceiro. Ouça o coração, meu chapa. Seja fascista, Padilha!

* Considerado uma das grandes revelações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.

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Opinião

Tudo azul

AE - Estadão
Neste ano, muito mais brasileiros receberão o 13.º salário - serão 4,9 milhões de trabalhadores mais do que em 2009 - e cada um receberá, em média, 6,5% mais (em valores nominais) do que o valor médio dos pagamentos feitos no ano passado. Desse modo, até o fim do ano, deverão ser injetados na economia cerca de R$ 102 bilhões por conta do pagamento do 13.º salário, 20% mais do que em 2009. O total do 13.º a ser pago em 2010 corresponde a aproximadamente 2,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

Vistos pelo lado da demanda, esses dados, aferidos pelo Departamento Sindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), se somam a outros sinais animadores que tendem a impulsionar ainda mais a atividade econômica. Números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que se mantém firme a tendência observada há alguns meses no mercado de trabalho das seis principais regiões metropolitanas de redução progressiva no índice de desemprego e de aumento contínuo do rendimento real médio dos empregados e, consequentemente, da massa salarial real.

O trabalho do Dieese baseia-se em informações oficiais do Ministério do Trabalho sobre o emprego formal, isto é, com registro em carteira, do Ministério da Previdência e Assistência Social, da Secretaria do Tesouro Nacional e do IBGE. Seus cálculos, por isso, incluem trabalhadores formais dos setores público e privado e os aposentados, tanto do INSS como do governo. Mas excluem os autônomos e os trabalhadores sem registro em carteira profissional. Por isso, o valor total do 13.º salário pode ser maior do que o estimado.

O que impressiona nesse estudo é o número de pessoas que receberão o abono de fim ano. Serão 74 milhões de brasileiros, 7% mais do que o total de pessoas que receberam o 13.º em 2009. "A retomada das contratações em ritmo mais vigoroso, em 2010, foi sem dúvida um elemento importante para que o conjunto de beneficiários do abono neste fim de ano tivesse um crescimento maior do que o observado em 2009", explica o Dieese.

E as contratações prosseguem. O índice de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas apurado pelo IBGE ficou em 6,2% em setembro, 0,5 ponto porcentual menor do que em agosto e o menor de toda a série do IBGE, iniciada em março de 2002. O índice médio de desemprego no período janeiro-setembro, por sua vez, ficou em 7,1%, o menor desde 2003, primeiro ano em que há dados para todos os meses.

O rendimento real médio dos trabalhadores também continua a avançar. Em setembro, foi 1,3% maior do que o de agosto e 6,2% superior ao de setembro do ano passado, já descontados os efeitos dos fatores sazonais, de acordo com cálculos da consultoria Tendências. Com o aumento simultâneo da renda real média e do nível de emprego, a massa salarial real de setembro foi 10,1% maior do que a do mesmo mês de 2009. No ano, de acordo com a estimativa da consultoria, o aumento deve ficar em 7%.

Muito pouco desses resultados pode ser atribuído às contratações temporárias motivadas pelas eleições. Se tivessem sido relevantes, essas contratações teriam aumentado o grau de informalidade e provocado queda do rendimento médio, o que não aconteceu. Assim, a boa situação para os trabalhadores das regiões metropolitanas é consequência do "cenário econômico favorável", segundo o gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, Cimar Azeredo.

O que essas duas pesquisas mostram é que há cada vez mais gente trabalhando e recebendo cada vez mais pelo trabalho. Há também mais brasileiros recebendo aposentadoria e, em média, o abono individual é maior do que o de 2009. É um cenário ótimo, de estímulo contínuo e cada vez mais intenso ao consumo, mas nele já se vislumbram sinais de advertência.

A demanda e o consumo têm apresentado aumento maior do que o da capacidade de produção da economia brasileira. Por isso, se mantidas as tendências observadas até agora, o mercado de trabalho se tornará importante fonte de pressões inflacionárias já no início de 2011.

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Manchetes do dia

Sábado, 23 / 10 / 2010

Folha de São Paulo
"Assessor da campanha de Dilma hospedou repórter"

Jorge Siqueira, prestador de serviço, atua na equipe do PT desde a pré-campanha

Jorge Luiz Siqueira, integrante da campanha de Dilma Rousseff (PT) como prestador de serviço, é o dono do flat em Brasília onde o jornalista Amaury Ribeiro Jr. se hospedou na época em que se reunia com o "grupo de inteligência" da candidata. Amaury, pivô da quebra de sigilo de pessoas ligadas ao PSDB, disse à Polícia Federal que sua estadia havia sido custeada por alguém chamado Jorge, do PT. Segundo o jornalista, foi nesse imóvel que o deputado estadual licenciado Rui Falcão (PT-SP) teria copiado o material de seu computador. O deputado nega. Siqueira era gerente de despesas da Lanza - que foi desligada da campanha petista depois de revelada a atuação do grupo - e, com a saída, migrou para a nova contratada, a Pepper. Siqueira não foi localizado para comentar o caso.

O Estado de São Paulo
"Chefe de gabinete de Lula vira réu em caso de corrupção"

Gilberto Carvalho e o PT são acusados em processo sobre propina em Santo André para financiar campanhas

O PT e Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente Lula, tornaram-se réus num processo em que são acusados de participar de quadrilha que cobrava propina de empresas de transporte na Prefeitura de Santo André, informam os repórteres Ana Paula Scinocca e Leandro Colon. O desvio dos cofres públicos, segundo a acusação, chegou a R$ 5,3 milhões, num esquema que seria o precursor do mensalão petista no governo federal. Segundo a ação, o hoje assessor de Lula transportava a propina para o comando do PT quando ocupava a Secretaria de Governo do então prefeito de Santo André, Celso Daniel, que era um dos principais coordenadores da campanha presidencial de Lula e foi assassinado em janeiro de 2002 - supostamente porque não aceitou que parte da propina enriquecesse os envolvidos. O dinheiro, aponta a investigação, serviu para financiar campanhas municipais, regionais e nacionais do PT. Por isso, o partido também responderá ao processo. O Ministério Público quer que o petista e os demais acusados devolvam os recursos desviados e sejam condenados à perda dos direitos políticos por até dez anos.

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sexta-feira, outubro 22, 2010

Mi Nina Lola - Buika

Final feliz


O beija-flor do café da manhã

Sidney Borges
Estava eu entretido e indeciso entre uma fatia de torrada e um pedaço de manga quando ele bateu na janela. Bateu e caiu nocauteado. Peguei-o no chão completamente grogue. Fiz um tunel com as mãos, ele pareceu ter gostado, pelo menos o lugar estranho era quente e abrigado. As minúsculas garras firmaram-se em minha mão, definitivamente ele sentiu-se protegido. Aos poucos foi ensaiando movimentos com as asas. Depois balançou a cauda. Cheque feito, levantou a minúscula cabeça e olhou para mim. Olhos nos olhos. E aguardou o sinal verde. Com um leve movimento de cabeça autorizei a decolagem. Ele então alçou voo e partiu, acompanhei-o por breves instantes. Estou ficando sentimental ou maluco, mas juro que ele fez uma coordenação de despedida. De piloto para piloto. Final feliz é isso...

País pobre é assim...

Coluna do Celsinho

Cofrinho

Celso de Almeida Jr.
Olá leitor!
Oi leitora!
Outubro vai bem?
Eu, geralmente, em qualquer mês, depois do dia 15, reduzo a marcha.
É o dinheiro.
Teima em acabar antes do 30.
Concluo que a fartura é sempre maior numa quinzena.
Assim, nas semanas minguadas, extrapolo um hábito.
Mergulho em muita leitura.
Estudos.
Idéias mil.
É claro que o porquinho de barro garante o pão.
Moedas previamente separadas brilham mais nestes dias.
É preciso lembrar que uma esposa paciente e uma filha sensível permitem tamanha paz.
Fosse uma família consumista, expiraria a inspiração.
Mas, otimista, creio nos recursos que brotarão do pensamento.
Vez ou outra imagino o porquinho gordo, estufado, um cofrão, pronto para concretizar sonhos de menino.
Poxa!
Maravilhosa esta vida, né?
Suamos a camisa, acertamos e erramos e continuamos buscando.
A idade avança, o mundo se repete e mantemos a fé.
O tempo nos consome e vai deixando as suas lições.
E, no revirar da lembrança, colhemos esperança, observando a trajetória de tantos homens e mulheres determinados.
Num artigo do Celso Teixeira Leite, na Ubatuba em Revista, passagens do saudoso Antonio Peres ilustram tal pensamento.
Aliás, parabéns a Ana Maria Pavão e equipe por estimular, nesta excelente publicação, ações conjuntas de Ubatuba e Paraty.
O desenvolvimento que tanto aspiramos exige esta união estratégica.
E assim caminhamos.
Dias e noites...
Semanas e meses...
Em frente, leitores queridos!
O futuro depende da nossa imaginação.

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Opinião

O aperto das cravelhas

O Estado de S.Paulo - Editorial
A mais recente tentativa de asfixiar a imprensa independente argentina não partiu da presidente Cristina Kirchner - embora o justicialismo mais do que depressa tenha se associado aos responsáveis pela iniciativa que surpreendeu governo e oposição.

Na comissão do Congresso onde tramitava a proposta da Casa Rosada que considera de "interesse nacional" a produção e o comércio de papel-jornal, com a instituição de um marco regulatório para as suas operações, um substitutivo apresentado por um partido de esquerda, o Projeto Sul, radicalizou o plano da presidente para se apropriar do setor. Com o apoio da bancada governista, o novo texto foi aprovado por 78 votos a 75. Deverá ir a plenário em duas semanas.

O que está em jogo é o controle da Papel Prensa, que produz 75% do insumo usado no país, abastecendo 170 diários. Os seus principais acionistas são as empresas que editam os jornais Clarín e La Nación, críticos consistentes do kirchnerismo. A primeira detém 49% do capital. A segunda, 22,49%. O Estado possui 27,46%. O intento do governo, que hostiliza sistematicamente ambos os jornais, era beneficiar as publicações chapa-branca - os órgãos de imprensa que ecoam as posições oficiais e por isso já são recompensados com verbas publicitárias e outros favores. Daí a ideia de impor à Papel Prensa políticas comerciais que teoricamente tratariam todos da sua clientela em igualdade de condições.

Além disso, a lei obrigaria a empresa a operar a plena capacidade para reduzir as importações do produto, hoje na casa de 25%, e a sua gestão seria fiscalizada por uma comissão parlamentar. A esquerda, como fiel da balança na comissão especial do Congresso que debatia a matéria, achou pouco e apertou as cravelhas. Na sua versão do projeto, também a produção, a distribuição e o comércio de jornais passariam a ser considerados "de interesse público", a fiscalização da Papel Prensa caberia ao Ministério da Economia e - mais ominoso de tudo - os grupos Clarín e La Nación não poderiam, cada qual, deter mais de 10% das ações da companhia, devendo se desfazer do capital excedente em três anos. Já o teto da participação do Estado, ou de investidores desvinculados da indústria de comunicação, subiria para 33%.

Pode-se dizer que o substitutivo caiu no regaço da presidente Cristina, cuja aversão à imprensa livre só não é maior que a do marido e antecessor, Néstor Kirchner. Perto do que ela diz - e faz -, para amordaçar os jornais que criticam a sua desastrosa gestão e as suas políticas populistas, o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva parece um padroeiro da liberdade de expressão. Por exemplo, numa recente visita a um laboratório que produz vacinas antirrábicas, Cristina recomendou aos jornalistas que as tomassem. No ano passado, sancionou a controvertida Lei de Mídia, que restringe a atuação das empresas do setor, proibindo, entre outras coisas, que um canal de TV aberta e outro a cabo pertençam aos mesmos donos. A Justiça suspendeu a vigência da maioria das medidas.

Na terça-feira, a presidente voltou a manifestar suas inclinações liberticidas, num improviso, durante a inauguração de uma tecelagem, quando não se limitou a assumir o costumeiro papel de vítima da mídia. Desta vez, sem mais aquela, declarou que "seria importante nacionalizar os meios de comunicação para que adquiram consciência nacional e defendam os interesses do país". Dando-se conta, decerto, da enormidade que proferira, acrescentou que nacionalizar não significa estatizar. "É melhor que isso fique claro", falou de dedo em riste, "para que amanhã ninguém dê uma manchete errada." Mas ela não se dignou a esclarecer o que entende por "nacionalizar".

A resposta, porém, é simples. No modelo autoritário do kirchnerismo, não é necessário que jornais, revistas e emissoras sejam de propriedade do Estado. Basta que sejam dóceis ao governo e que este tenha os meios de devolvê-los ao bom caminho na duvidosa hipótese de que ousem contestar as verdades oficiais. "Sabemos o que significa ‘nacionalização’ para o casal Kirchner", observa o editor-geral do Clarín, Ricardo Kirshbaum. "É ausência de crítica e submissão."

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 22 / 10 / 2010

Folha de São Paulo
"Vantagem de Dilma sobre Serra sobe a 12 pontos"

Considerando os votos válidos, petista varia 2 pontos para cima e tucano, 2 para baixo, aponta o Datafolha

Dilma Rousseff (PT) estancou a perda de votos iniciada no final de setembro, subiu e agora está 12 pontos à frente de José Serra (PSDB) na disputa pelo Planalto, revela o Datafolha. Em votos válidos(excluídos brancos, nulos e indecisos), a petista tem 56%, e o tucano, 44%. A petista variou dois pontos para cima, e o tucano, dois para baixo. O levantamento mostra ainda que Dilma subiu de 23% para 31% entre os eleitores de Marina Silva (PV) no primeiro turno; Serra caiu de 51% para 46%. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos. Por regiões, Dilma subiu de 60% para 65% no Nordeste e obteve empate técnico com Serra no Sudeste (44% a 43%). Dizem-se totalmente decididos sobre o voto 88%, e 10% cogitam mudar de opinião.

O Estado de São Paulo
"Petista ligado a Dilma furtou dados contra Serra, diz jornalista"

Amaury Ribeiro Jr., que pagara pela quebra de sigilo fiscal, acusa Rui Falcão

Integrante do comando da campanha da petista Dilma Rousseff, o deputado estadual Rui Falcão (PT-SP) foi acusado pelo jornalista Amaury Ribeiro Júnior de furtar o dossiê com dados fiscais violados de tucanos e familiares do presidenciável José Serra. Ribeiro Júnior foi quem encomendou e pagou diretamente pela violação de sigilo na Receita. Em depoimento à Polícia Federal, o jornalista disse que Falcão "copiou" o conteúdo de sua investigação contra os tucanos então armazenado num computador pessoal que estava num flat pago pelo próprio PT para Ribeiro Júnior ficar em Brasília.

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quinta-feira, outubro 21, 2010

Convite

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Centro de observação de aves

Adriano Lopes de Melo
É com satisfação que o Núcleo Picinguaba do Parque Estadual da Serra do Mar está pondo em prática o projeto " Centro Cambucá de Observação de Aves". Trata-se de um novo atrativo do Parque, tendo como abordagem a observação de aves dentro da Unidade de Conservação, utilizando neste processo o estudo do potencial para a atividade, fornecimento de estruturas para visitação e elaboração de programas de gestão e promoção.

A proposta também abrange, por meio da capacitação de jovens para atuar como monitores de observação de aves, as comunidades tradicionais existentes dentro e no entorno da Unidade de Conservação, a fim de proporcionar uma alternativa econômica e profissional a seus integrantes.

A Secretaria de Meio Ambiente de Ubatuba, representada pelo especialista em observação de aves e coordenador do Ubatuba Birds Carlos Rizzo, bem como a Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos, atuam como parceiros do Parque neste projeto, contribuindo de forma efetiva para consolidar as diferentes ações planejadas.

No dia 30 de outubro, a partir das 9h, iremos inaugurar o atrativo e você está convidado (convite e mapa em anexo).

Até lá!

Saudações florestais!

--

Adriano Lopes de Melo
Engenheiro Florestal, MSc.
Gestor do P.E. da Serra do Mar
Núcleo Picinguaba
Fundação Florestal de SP
Coordenação Colegiada do Mosaico Bocaina
(12) 3832-1397
(12) 3832-9011

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Piquenique


Eu, farofeiro...

Sidney Borges
Domingão ensolarado. Íamos na Kombi do Tóni, primo do meu pai. Praia Grande, com passagem pela Ponte Pênsil em São Vicente quando todos gritavam huuuu! E ríamos muito. Também abaixávamos as cabeças nos túneis da serra. Huuuuu! Como era divertido. Eu que sou branco como um lençol ficava vermelho. Igual camarão cozido. Na foto não aparecem as tias e primas gordas, fugiram. Eu também não estou nela, naquele momento enfrentava perigosas ondas na boia junto com primos e amigos da praia. Tentávamos fugir da mira do U-Boat nazista. Deu certo, os boches não nos viram, ou se viram não conseguiram atirar, minha mãe me chamou antes da batalha para a bóia, desta vez com acento. Frango, maionese, farofa, guaraná e sanduíche de aliche com salsinha. Foi nessa época que eu comecei a pensar em fabricar uma cola derivada de salsinha. Nunca vi coisa tão grudenta, prende nos dentes e quando você sorrí "cheese", pensando estar abafando, fica mal na foto, sai parecendo banguela. 

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Opinião

Lula, Dilma e seus sofismas

Roberto Macedo - O Estado de S.Paulo
Como sofisma não é palavra de uso corrente, recorro ao Dicionário Houaiss para defini-la: "Argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa." Sofismas também podem vir de "apoteoses mentais" e de egolatrias que contagiam quem assim argumenta.

No início do curso de Economia aprendi sobre um sofisma ou falácia no clássico livro-texto de Paul Samuelson (1915-2009, Prêmio Nobel de Economia de 1972) Introdução à Análise Econômica. Nele esse sofisma vem inicialmente em latim: "Post hoc ergo propter hoc" (se depois disso, logo, por causa disso). A lição é não se deixar enganar por ele nem argumentar na mesma linha.

Lula e seu séquito, em que neste momento se destaca a companheira Dilma, costumam argumentar dessa forma sobre questões econômicas. Sinteticamente, o argumento é: antes de Lula a economia era assim; depois que ele chegou ao governo, ela melhorou; logo, foi ele quem fez isso e deve receber todo o crédito correspondente. Débitos são convenientemente escondidos por baixo de tapetes.

Exemplos dessa prática são encontrados nos seus discursos e nos programas eleitorais da sua candidata à Presidência. Um muito comum é quando se afirma: "Nós criamos quase 14 milhões de empregos formais." Explicitada, a falácia é assim construída: depois que Lula assumiu, vieram esses 14 milhões de empregos; logo, foi Lula que os criou, e sua criatura Dilma também assume o crédito.

O que o Executivo Federal criou por si mesmo foram uns 100 mil empregos de funcionários públicos civis, muitos claramente desnecessários, mas indispensáveis para acomodar partidários carentes de uma boquinha, no que às vezes se excedem e passam às mordidas. Entre os demais contratados, há também os de necessidade discutível, tudo a pretexto de "fortalecer o Estado".

Mas quem mesmo empregou os milhões fora do governo foi a economia na sua dinâmica, e aí a grande benesse do período Lula, mas não resultante de sua pessoa, veio de fora para dentro do País, na forma de um forte crescimento da economia mundial. Não posso afirmar que nunca antes no mundo esse crescimento foi o mais forte de um período com a mesma duração, mas seguramente foi um dos mais robustos.

Entre as consequências no Brasil, merece destaque uma nem sempre devidamente enfatizada. O fato é que dessa benesse também veio, com a melhoria das contas externas e acumulação de reservas cambiais, o fim do fantasmagórico problema no passado conhecido como escassez de divisas, que recorrentemente trazia grandes sofrimentos à economia brasileira. Não fossem essas reservas, o efeito da última crise externa, a de 2008, teria sido devastador, provavelmente se teria prolongado até hoje, e Lula não estaria debitando a conta à sua gestão, pois o sofismar se restringe à acumulação de créditos.

Como nos milhões de empregos, o "post hoc ergo propter hoc" é também usado para dizer que "retiramos 28 milhões da miséria" e que 36 milhões foram elevados à classe média. Números esses, aliás, que também precisariam ser discutidos quanto aos conceitos de miséria e de classe média utilizados, e sua métrica.

No fundo, o raciocínio lulo-dilmista ignora que a História é um processo moldado pela força de circunstâncias e por decisões humanas que as influenciam. Quanto a essas decisões, entretanto, é muita pretensão assumir pessoalmente o mérito por todos esses milhões. Nem o mitológico Hércules daria conta do recado.

Centenas de milhões de chineses e outros atores da economia mundial, que passaram a demandar mais nossos produtos, tiveram maior influência sobre a melhora da economia brasileira, e foi também uma tributação ainda mais onerosa em cima dela que permitiu a expansão dos gastos sociais de que a dupla tanto se vangloria.

Mas, se for para olhar também as ações presidenciais, outro elemento que muito pesou foi a maturação de medidas de governantes que precederam Lula. Para não ir muito longe no passado, Collor, Itamar e FHC. Entre outras coisas, trouxeram a maior abertura da economia, o programa de privatização, outros ajustes nas contas públicas e o surgimento do real como moeda digna do nome. Olhando apenas quem passou a faixa presidencial, pode-se dizer que Lula também herdou de FHC a prancha adequada para surfar na boa onda da economia mundial.

É sabido que o presidente Lula tem formas de ver as coisas e de argumentar que muitas vezes causam perplexidade a quem procura analisá-las na sua lógica e sustentação factual. Seu recurso mais comum é ao método Nanp (nunca antes neste país), em que faz afirmações precedidas dessas quatro palavras. É uma variante do referido sofisma, simplificada e ampliada, pois está a dizer que tudo a que se refere veio depois dele. Quem o ouve ou aceita o dito num ato de fé ou tem de olhar toda a História do País para verificar se o que foi afirmado vale ou não.

É pena que o debate eleitoral tenha seguido por uma temática em que questões como essas e outras importantes não são discutidas, com o que muitos eleitores são bombardeados com autoavaliações enganosas. Os debates pela televisão, que nesse meio de comunicação poderiam ter maior alcance, além de serem poucos, têm também uma sistemática a limitar o papel de jornalistas ao de cronometristas, com quase ou nenhum espaço para suas perguntas. E tampouco para questões de audiências selecionadas aleatoriamente em vários segmentos da sociedade, além de ocorrerem em horários inconvenientes para a maioria dos telespectadores.

Como sempre neste país, os eleitores votarão em condições de informações e de percepções muito limitadas.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 21 / 10 / 2010

Folha de São Paulo
"Escândalo da Receita: Jornalista admite à PF que encomendou informações"

Ribeiro Jr. diz que dados de seu computador pessoal foram roubados por petistas em Brasília

O jornalista Amaury Ribeiro Jr. confirmou à Policia Federal que encomendou dados de pessoas próximas a José Serra (PSDB), como a Folha revelou ontem. Ele afirmou que começou a apuração porque soube que um grupo do PSDB reunia dados contra Aécio Neves, que na época disputava com José Serra a indicação do partido à Presidência. Em nota, Aécio repudiou o envolvimento de seu nome. O jornalista, que em abril passou a integrar o "grupo de inteligência" da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT), atribuiu o vazamento dos dados sigilosos a uma ala do PT que disputava espaço na campanha. Segundo ele, as informações, repassadas para a Folha em junho, foram roubadas de seu computador, no quarto de hotel que ocupava em Brasília, por pessoas ligadas ao PT.

O Estado de São Paulo
"Dilma abre 11 pontos de vantagem"

Ibope mostra petista com 51% das intenções de voto, ante 40% de Serra; voto feminino explica crescimento

Em uma semana, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, ampliou de 6 para 11 pontos porcentuais sua vantagem em relação ao tucano José Serra, segundo pesquisa Ibope para o Estado e a TV Globo. A petista tem 51% das intenções de voto, ante 40% do adversário. Em relação à sondagem anterior, divulgada no dia 4, Dilma oscilou dois pontos para cima, e Serra caiu três. Levando-se em conta apenas os votos válidos (excluídos nulos, brancos e eleitores indecisos) a candidata do PT lidera com 12 pontos de vantagem (56% a 44%), seis a mais do que na semana passada (53% a 47%). No primeiro turno, ela teve 46,9% dos votos válidos, ante 32,6% do adversário. O avanço de Dilma pode ser explicado pelo comportamento do eleitorado feminino. Nesse segmento, ela abriu sete pontos de vantagem (48% a 41% dos votos totais), saindo da situação de empate (em 46%) registrada na pesquisa anterior.

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quarta-feira, outubro 20, 2010

Arte - Norman Rockwell,

Triple self-portrait - 1960 - Óleo sobre tela (113x88,3 cm)
Norman Rockwell Museum. Stockbridge

Jornalismo

Torcida pelos dois times

Carlos Brickmann no Observatório da Imprensa
O candidato oposicionista José Serra já brigou com a colunista Miriam Leitão, de O Globo, por uma pergunta absolutamente pertinente sobre o que acha da autonomia do Banco Central; já brigou com a apresentadora Márcia Peltier, do CNT, acusando-a de fazer perguntas (aliás, totalmente necessárias) formuladas pelo PT.

Agora, brigou com um repórter do Valor e acusou o jornal de "cumprir uma pauta petista", por perguntar sobre o caso Paulo Preto.

Diante da pergunta, cabe ao entrevistado responder, não especular sobre as razões que levaram o repórter a fazê-la; pode dar uma boa resposta, pode dar uma resposta ruim. Não pode impedir que alguém faça uma pergunta inconveniente – mesmo porque não há perguntas inconvenientes. O que pode haver é uma resposta inconveniente.

Dilma e o presidente Lula também brigam com a imprensa (além de estimular o Ministro da Verdade Absoluta a lutar pelo "controle social da mídia", apelido que conferiram à censura).

Dilma, enquanto não foi obrigada pelos fatos, respondia às perguntas rigorosamente profissionais sobre Erenice Guerra dizendo que era tudo factóide; e o presidente se queixa da imprensa a cada discurso (e não são poucos).

A coisa chega a tal ponto que a ala chapa-branca da comunicação acusa a imprensa de tramar um golpe contra o governo. Deve haver alguma confusão entre a "Coluna do Castello" e o marechal Castello.

Havia reis, antigamente, que mandavam matar os portadores de más notícias. Este colunista já foi ameaçado de prisão, na época da ditadura, por esperar no aeroporto que o avião do presidente da República decolasse (o que foi interpretado pelo comandante militar de Congonhas como torcida para que houvesse um acidente na decolagem).

É até compreensível que a imprensa não seja bem-vista pelo Poder: o repórter que é repórter não está ali para elogiar o figurino real, mas para verificar se o rei não está nu. O que é difícil de compreender (exceto se considerarmos que o autoritarismo vem de dentro, do fígado) é que a oposição também considere que a imprensa é a fonte de todos os males.

Enfim, como diz o esplêndido jornalista Ricardo Setti, que agora volta à atividade diária em seu blog, se os dois lados criticam a imprensa, isso significa que alguma coisa certa a imprensa anda fazendo.

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Brasil



Tchau, Lula!
 
Do Blog do Noblat (original aqui)
Você é daqueles que votarão em Dilma por que gostaria de conferir a Lula um terceiro mandato consecutivo - e não pode?
 
É daqueles que votarão em Dilma com a esperança - ou a certeza - de que a eleição dela facilitará a volta de Lula em 2014?

Então vote em Serra.

Você acha que a oposição ao governo Serra contará daqui a quatro anos com um candidato mais forte do que Lula para enfrentá-lo? Você consegue enxergar algum?

Caso Dilma se eleja, ela deverá fazer um bom governo. As condições são favoráveis. Ela é uma gestora experiente. Isso nada tem a ver com falta de experiência política.

Não pense que ela sentará na cadeira presidencial para obedecer a ordens de Lula. Ou do PT. Ou do PMDB.

Precisa não conhecê-la para imaginar que isso será possível.

Dilma gosta de mandar. E de ser obedecida.

Comporta-se como uma boneca enquanto candidata. Faz a maioria das coisas que lhe sopram.

Depois? Esqueça.

Por hipótese, apenas por hipótese: digamos que Dilma presidente fosse um desastre. Como foi Celso Pitta prefeito apesar do aval de Paulo Maluf.

Lula se arriscaria a querer voltar depois de ter patrocinado um desastre?

A essa altura, Lula se despede do poder para entrar na História com 81% de aprovação popular.

Ponha o retrato do velho na parede, não o deixe pegar poeira e vá em frente - com Dilma ou Serra.

Nota do Editor - O raciocínio do jornalista Ricardo Noblat é correto, embora os acontecimentos nem sempre sigam caminhos que parecem naturais. Dilma de fato não tem experiência político-eleitoral, mas tem experiência política e é boa gestora. Por mais crítico que possa ser um opositor de Lula, há que reconhecer que ele separa as coisas. "Cumpanheiros" são colocados em cargos bem remunerados, mas de pouca relevância. Sindicalistas têm comportamento previsível, lembram os pobres de Joãozinho Trinta, adoram luxo. Dilma é diferente, foi colocada na Casa Civil por ter competência. Ela não fazia parte da linha de sucessão natural do PT, o que permite mencionar a carreira militar. Podemos dizer que muitos petistas de três estrelas foram carreados para que ela assumisse a condição de candidata. A diferença é que quando um militar não é promovido, pede o boné e vai para casa. No PT os que se sentiam no direito de estar no lugar de Dilma ficaram quietinhos. Alguns, como Mercadante, foram para o sacrifício, cumprindo ordens de cabeça baixa e saindo de cena definitivamente. Como não é possivel saber o que vai pelas cabeças alheias, podemos supor que Lula imaginou que manteria um pé no governo caso elegesse Dilma. Volto a repetir, o futuro é uma caixinha de surpresas, - essa o Lula gostou - mas Dilma nem tanto. A partir de janeiro, caso ela seja eleita, começará o dilmismo, movimento que vai cuidar de transformá-la na mãe dos brasileiros e que também cuidará de manter Lula de pijama. Mas como eu disse, o futuro é incerto. Como sou cético desde sempre, faço uma promessa aos leitores, são poucos, mas firmes como eram meus cabelos quando eu os tinha, os três ondulados. Pelo panorama das pesquisas, Dilma tem grande chance de ser eleita. Caso assuma e cumpra as ordens do seu criador e em 2014 abdique da candidatura em favor dele, estarei diante de uma revolução comportamental sem precedentes. A maior que o ser humano já viu. Tão radical que jogarei fora livros que tratam da alma humana do período AD (antes da Dilma), tempo de corrupção e vaidade. A começar por Machado de Assis. Também irão para o lixo Shakespeare, Dostoievsky, Camus, Sartre e "Homem e Sociedade" de Fernando Henrique Cardoso e Octávio Ianni, que não adentra pela seara psicológica mas é obsoleto e deveria ter sido despachado há muito tempo. A partir de então direi a meus amigos que o PT não só transformou o Brasil em potência capaz de desafiar os Estados Unidos como também mudou a natureza humana, embora ainda conte em suas hostes com figuras de comportamento dúbio como é o caso de José Dirceu que fala em ajudar os pobres e só anda de jatinho, é proprietário de mansões e degusta vinhos caros até para o Papa. Pra mim esse cara não passa de um tucano infiltrado. Será que ele gosta mesmo de pobres?

No entanto, há uma possibilidade de Lula ser candidato em 2014 mesmo com a vitória de Dilma em 2010. A imprevisibilidade do destino pode colocar Temer na presidência. Aconteceu com Tancredo, pode acontecer novamente.

Será que Lula pensou nisso? (Sidney Borges)

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Opinião

É isso que o PT quer?

O Estado de S.Paulo - Editorial
O enfraquecimento da economia venezuelana, em boa parte devido à política de estatização que o governo socialista de Hugo Chávez intensificou nos últimos anos, é um exemplo do que poderia acontecer com a economia brasileira se fossem transformadas em política de governo as teses antiprivatistas defendidas por militantes do PT e que vêm marcando a propaganda eleitoral da candidata Dilma Rousseff.

É contínua, e em alguns casos avassaladora, a perda de eficiência das empresas cujo controle foi transferido para o governo bolivariano de Chávez, que só em raras situações ressarciu adequadamente os antigos controladores. O mau desempenho da grande maioria das empresas estatizadas contribui para manter a atividade econômica do país no atoleiro e os preços em alta - a Venezuela tem o pior desempenho econômico da região desde o início da crise mundial.

A produção da siderúrgica Sidor, antes controlada pelo grupo argentino Techint, caiu 28% desde sua estatização em 2008, de acordo com reportagem do jornal Valor. A fabricante de alumínio Venalum, que gerou lucro de US$ 60 milhões no último ano sob controle privado (2005), agora estatal só gera prejuízos. A Bauxilum, que quando privada chegou a produzir 5,6 milhões de toneladas de bauxita por ano, em 2010, como estatal, só produzirá 3 milhões. No campo, dos 350 mil hectares desapropriados pelo governo em 2009, só 9,4 mil hectares estão sendo cultivados - ou seja, 97,3% continuam improdutivos, de acordo com um instituto de pesquisa privado.

Num curto, mas denso balanço da situação de seu país em 2009, o presidente da Federação das Câmaras e Associações de Comércio e Produção da Venezuela, Noel Álvarez, afirmou: "O ano termina com um colapso nos serviços públicos de água, luz, transporte e infraestrutura viária, uma queda na produção, um aumento no desemprego, intervenções em propriedades rurais e expropriação de empresa e aumento da insegurança pessoal e jurídica."

Era, na época, o retrato de um país cujas bases econômicas vinham sendo solapadas por uma política populista destinada a garantir a perpetuidade do caudilho no poder. Em 2010, essa política foi intensificada e, com a apertada vitória da situação na eleição de setembro - Chávez perdeu a maioria de dois terços necessária para a aprovação de mudanças legislativas importantes -, foi estendida com mais vigor para outras áreas, especialmente a de alimentos, politicamente muito sensível. Inversamente proporcionais ao avanço do Estado venezuelano sobre a economia, os resultados globais são cada vez piores.

Em 2010, só até agosto, as desapropriações do governo chavista atingiram 174 empresas privadas, a maior parte das quais pertence ao setor de fornecimento da indústria de petróleo e gás. Mas - como dissemos - a onda atual inclui também empresas da área de produção e distribuição de alimentos.

A explicação do governo para a ampliação da intervenção também nessa área foi a necessidade de evitar o desabastecimento, em razão da retenção indevida de estoques. Pode ser mera coincidência, mas o fato é que, em meados do ano, milhares de toneladas de alimentos importados pelo governo apodreceram nos contêineres parados nos portos controlados pelo Estado bolivariano, o que afetou a popularidade do caudilho e de seu partido.

Para os empresários atingidos pelas desapropriações, receber a indenização devida é uma espécie de loteria. Em alguns casos, o pagamento equivaleu aos valores de mercado. Mas, de 44 empresas associadas à Câmara Americana de Comércio, que foram desapropriadas, apenas 9 admitiram que receberam o pagamento adequado.

Essa política estatizante, além de reduzir investimentos públicos em áreas como saúde, educação e segurança pública - pois, quando paga, o governo desvia recursos para áreas em que o setor privado é mais eficiente -, gera insegurança jurídica. Temerosa, também a iniciativa privada deixa de investir, o que retarda a recuperação da economia. É sobre isso que conviria aos eleitores brasileiros refletir.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 20 / 10 / 2010

Folha de São Paulo
"PF liga quebra de sigilo fiscal de tucano à pré-campanha de Dilma"

Escândalo da receita: Despachante diz que intermediou compra para jornalista que atuou na equipe de inteligência

Investigação da Polícia Federal fez conexão entre a quebra dos sigilos fiscais de várias pessoas ligadas ao candidato José Serra (PSDB) e o dossiê preparado pela chamada "equipe de inteligência" da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT). A PF descobriu que o jornalista Amaury Ribeiro Jr. encomendou a compra de informações obtidas ilegalmente ao despachante Dirceu Garcia, que, em depoimento, confirmou ter recebido R$ 12 mil pelo trabalho. O jornalista sempre negou que estivesse trabalhando para a pré-campanha de Dilma. Ele, no entanto, participou de reunião da "equipe de inteligência" no dia 20 de abril. O flat em que Ribeiro Jr. se hospedava em Brasília era pago pelo PT. A quebra de sigilo fiscal de tucanos foi revelado pela Folha em junho.

O Estado de São Paulo
"Dólar sobe 1,32%, mas mercado prevê fôlego curto para alta do IOF"

Economistas acham que governo terá de tomar novas medidas para conter o real

No primeiro dia de vigência da alíquota de 6% do Imposto sobre Operações Financeiras para investimentos estrangeiros, estabelecida com o objetivo de conter a alta do real ante o dólar, a moeda americana mudou de direção e subiu 1,32%, para R$ 1,686. É a maior alta diária desde 29 de junho, quando o dólar avançou 1,51%. A movimentação dos mercados externos, causada por inesperada subida dos juros na China, também ajudou a puxar o câmbio para cima. A percepção dos economistas, porém, é que o Brasil está apenas "ganhando tempo" para que os países cheguem a uma trégua na "guerra cambial". A tendência é que as medidas adotadas ontem percam vigor e que o governo seja obrigado a lançar mão de novos mecanismos para segurar o real.

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terça-feira, outubro 19, 2010

Ramalhete de "Causos"

“Que venham as almas!”

José Ronaldo dos Santos
No alto da serra, num lugar chamado Purubinha, entre a fazenda Santa Virgínia e Catuçaba, o meu amigo Mário, o conhecido “seu” Mário, tinha um sítio muito simples, no meio da mata, lugar quieto e desabitado, onde faz muito frio à noite. Hoje tudo faz parte do Núcleo Santa Virgínia. Os posseiros e antigos proprietários foram indenizados. Quando queria descansar, pescar e plantar ele se deslocava para lá com a família e alguns amigos. Por muitas vezes até sozinho ele foi até aquele maravilhoso lugar. Dizia que era assim que se recarregava para o trabalho da semana, no Posto de Saúde.

Em uma das rodas de causos, ele contou assim:

“Há um bom tempo, pelo menos quinze anos, quando eu ainda nem havia erguido todas as paredes da minha casa (era um rancho só com a cobertura), eu já juntava os filhos e íamos para lá onde passávamos as noites bem enrolados nos cobertores, tendo o fogo à lenha atiçado a noite toda. Foi nesse tempo que duas situações estranhas aconteceram. Essa época já não tinha muita gente morando por lá.

A minha filha ainda era uma menina; acordamos uma noite com o rumor de seus passos. Eu me levantei e vi a menina indo em direção à mata escura, seguindo uma pequena luz. Fui atrás dela e a trouxe de volta, sem ter visto ninguém mais. Ela explicou que uma velhinha havia lhe pedido que fosse com ela naquela direção.

Numa outra ocasião em que chegava com os amigos no rancho, fomos saudados por um guarda florestal que passava por ali. O guarda nos disse para tomarmos cuidado porque havia muitos caçadores atirando naquela região. Na manhã seguinte outro guarda apareceu nas minhas terras falando dos caçadores. Eu agradeci e disse:

- ‘Um colega seu já passou por aqui ontem à noite alertando do problema’.

- ‘Não senhor, ontem não havia ninguém de serviço por aqui. Deve haver um engano. Como era essa pessoa? Pode descrevê-lo?’

Após a descrição feita por mim, o guarda abaixou a cabeça parecendo não acreditar e, visivelmente abatido revelou:

- ‘Um companheiro nosso parecido com o que o senhor diz, tendo até um sinal de nascença no lado esquerdo do rosto, do jeitinho que o senhor explicou, foi morto há pouco tempo - quase cinco meses! - a tiros nessa região. Não é possível de ser ele’.

Depois disso, pouquíssimos amigos quiseram voltar para descansar no Purubinha. Achei bom. De vez em quando precisamos da ajuda, nem que seja de gente do outro mundo, para espantar os aproveitadores, os parasitas da vida. Infelizmente não se pode matar ‘chupim’!. Que venham as almas!”.

Leitura recomendada: Relato de um náufrago, de Gabriel Garcia Márques.

Boa leitura!

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Opinião

Reduz-se a migração interna

O Estado de S.Paulo - Editorial
Um dos aspectos mais relevantes do crescimento econômico recente do Brasil é a redução do fluxo migratório do Nordeste para o Sudeste. Isso em parte se deve a programas sociais, como o Bolsa-Família, que, sem dúvida, retêm pessoas em seus municípios de origem. Mas o principal fator responsável pelas decisões de milhares de pessoas de permanecer na região é a geração de empregos no Nordeste, como mostra estudo feito pelo economista Fábio Romão, da LCA Consultores.

A migração do Nordeste para o Sudeste diminuiu significativamente. Entre 1992 e 2002, o Nordeste perdeu 1,5% de sua população, por ano, para o Sudeste. Já de 2002 a 2007, a taxa anual caiu para 0,98% e, em 2008 e 2009, não passou de 0,85%. E não são poucos os nordestinos que migraram para os grandes centros do País e estão retornando a seus Estados natais. Há razão para isso, uma vez que, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, as únicas regiões que registraram aumento do emprego formal de 2008 para 2009 foram a Norte (40%) e a Nordeste (12%).

Evidencia-se, portanto, que a expansão econômica do País não é um fenômeno localizado, mas vem se espraiando. Essa evolução contribui, certamente, para a redução dos desequilíbrios regionais de desenvolvimento, que constituem um dos mais graves problemas nacionais. Em ciclos anteriores de expansão, esse descompasso se acentuou, uma vez que os maiores polos industriais do País estão localizados no Sudeste, onde também se situam os maiores mercados. Programas destinados a corrigir essa distorção por meio da concessão de incentivos fiscais tiveram algum efeito, mas muito menor do que o impulso que vem sendo dado à economia nordestina pelo aumento da renda e pelos efeitos multiplicadores de investimentos na área de turismo e na infraestrutura, como os que vêm sendo feitos no Porto de Suape, em Pernambuco, e na Ferrovia Transnordestina.

Como constatam os comerciantes locais e as empresas de varejo de massa que expandem suas redes pela região, o mercado consumidor do Nordeste teve um crescimento inédito. Segundo o economista Fábio Romão, "o crescimento sustentado da economia, que gerou aumento da formalização do emprego no Nordeste, e o ganho real do salário mínimo, que indexa quase a metade dos salários dos trabalhadores, explicam a desaceleração do fluxo migratório".

É, no entanto, a construção civil, caracterizada pela grande absorção de mão de obra, que tem atuado como a maior retentora de migrantes. De acordo com o Sindicato da Construção Civil da Bahia, de janeiro a agosto deste ano a construção civil contratou naquele Estado 25.526 trabalhadores, mais do que em todo o ano passado, com a multiplicidade de prédios residenciais e comerciais, shopping centers e obras ligadas à realização da Copa do Mundo de 2014, como mostrou o Estado (10/10).

O mais rápido desenvolvimento do Nordeste é, sem dúvida, benéfico para o País como um todo e resulta em menor pressão social na Região Sudeste. Mas não deixa de causar problemas. O fluxo contínuo de nordestinos tem servido há décadas como reserva de mão de obra de São Paulo e dos centros mais desenvolvidos do País. Com a diminuição de migrantes, há escassez de mão de obra no Sudeste na construção civil, diretamente afetada pela menor migração, uma vez que 20% dos nordestinos vêm para trabalhar nessa área. Outro setor que não está conseguindo preencher novas vagas é o de supermercados, onde também é forte a presença de trabalhadores migrantes.

Essa situação mostra a especial importância que tem a integração ao mercado de trabalho de novos contingentes de trabalhadores, que já vivem na periferia dos grandes centros e que não encontram emprego devido ao seu baixo nível de escolaridade. Ou seja, o Brasil pode avançar muito mais, gerando mais empregos, se for capaz de incorporar ao mercado de trabalho os milhões hoje marginalizados por falhas gritantes no ensino fundamental.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 19 / 10 / 2010

Folha de São Paulo
"Estatais bancam revista pró-PT vetada pelo TSE"

Publicação que faz campanha para Dilma Rousseff (PT) segundo a Justiça Eleitoral, a edição deste mês da "Revista do Brasil" teve anúncios pagos pela Petrobras e pelo Banco do Brasil, informa Silvio Navarro. O Tribunal Superior Eleitoral determinou a interrupção da distribuição da revista por ela ser ligada à CUT. Editor vê "censura".

O Estado de São Paulo
"IOF vai a 6% para valorizar dólar"

Imposto que incide sobre investimentos de estrangeiros já havia subido de 2% para 4%; governo atua também no mercado futuro

O ministro Guido Mantega (Fazenda) anunciou ontem novas medidas para tentar segurar a entrada de dó1ares no mercado e, em consequência, conter a queda da moeda americana. Mais uma vez, o instrumento escolhido foi o Imposto sobre Operações Financeiras. A primeira medida é no mercado à vista: o IOF sobre os investimentos de estrangeiros em renda fixa subiu de 4% para 6%. A tarifa já havia sido elevada recentemente de 2% para 4%. A segunda medida e no mercado futuro: o IOF que incide sobre as margens que são pagas pelos investidores estrangeiros ao aplicar nesse mercado subiu de 0,38% para 6%. 0 aumento vale somente para os estrangeiros. 0 objetivo e reduzir a rentabilidade das operações no mercado futuro e diminuir a alavancagem. 0 volume de margem dos estrangeiros hoje e de US$ 20 bilhões, o que significa a possibilidade de fazer negócios da ordem de US$ 200 bilhões.

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Camel

segunda-feira, outubro 18, 2010

Ubatuba em foco

Se não fosse o Navio

Miriam Tabarro
A rua que chamo de minha não é “ladrilhada de brilhantes para o meu amor passar”...Não . Essa rua, acesso principal para minha casa, nem tem mais buracos. Tem crateras, imensas crateras.

Nessa mesma rua, um pouco mais à frente, o mato tomou conta do caminho já que faz muito, mas muito tempo mesmo, ninguém cuida da manutenção.

Mas, surpresa! Nesta semana um mutirão de trabalhadores da Prefeitura equipados com todas as ferramentas e materiais necessários, num trabalho rápido e eficiente, fecharam todas as “cavidades”do solo refazendo o asfalto, enquanto um outro bando, com enxadas, foices e máquinas de podar limpavam o mato que invadia o meio fio no Caminho do Cais.

Os moradores do pedaço ficaram atônitos com a presteza e agilidade do serviço, e se perguntaram o que, afinal, estaria acontecendo. Teria o prefeito tido um surto de bom senso e percebido que, ao invés de ficar fazendo campanha para candidato “ficha suja” deveria gastar seu precioso tempo cuidando da cidade que o elegeu para administrador? Será que ele finalmente decidiu estar presente e desempenhar seu verdadeiro papel ? Como bom político (existe isso???)dar a contrapartida para os que pagam religiosamente seus impostos e zelar de modo responsável pelos habitantes locais? Seriam os trabalhadores “astronautas”, ou mesmo ETs, que, penalizados com o estado do município, resolveram dar uma força? Meu Deus, o que seria afinal?

Minha gente, não há muito mistério, não. E já vou matar a curiosidade de todos. É muito simples: é o Navio. Isso mesmo, o Navio que está próximo a chegar. Nós, os que moramos aqui, trabalhamos aqui, gastamos aqui, pagamos IPTU, alvarás, e demais taxas municipais aqui, não merecemos ter a cidade cuidada e limpa, mas o Navio,( assim mesmo, com letra maiúscula, qual fosse uma entidade) merece. Entenderam?

É promissor que vez por outra Ele nos visite, porque pelo menos uma parte da “casa”se apresenta limpa. E observem que nós, moradores deste trecho da orla onde desembarcam os passageiros temos sorte. O que dizer do abandono da Av. Carlos Drumond de Andrade e muitas outras ruas, da Ressaca, da Sesmaria , da Estufa I e II , etc, etc, etc. , bairros por onde os turistas do Navio não circulam? Por conta dos cuidados que a cidade obtém, Ubatuba teria que receber um Navio por dia. Assim mesmo, esse trato não passa de um simples make-up, uma “maquiagenzinha”, um “tapa” como diz a moçada, pra manter as aparências, e não o resultado de uma ação planejada, competente, que poderia deixá-la sempre bem apresentável, como deve ser.

Semana passada, tendo que ir ao sul de Minas, atravessei algumas cidades como Bragança Paulista, Lindóia, Águas de Lindóia e Socorro e fiquei com vontade de dar os parabéns aos prefeitos de todas elas pela dedicação que parecem ter na administração diligente de seus respectivos municípios.Que inveja!

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"I compagni" di Mario Monicelli


Discorso di un intellettuale comunista (Marcello Mastroianni) alla classe operaia torinese. Tratto dal film "I compagni" del regista Mario Monicelli, con Renato Salvatori e Marcello Mastroianni.

Nota do Editor - Devo ter visto esse filme umas 50 vezes. Antes das passeatas, em 1968, funcionava como aquecimento. Tenho saudades de 1968. Eu era jovem, feliz e tinha plena consciência disso. (Sidney Borges)

Brasil

Cresce número de jovens no Brasil que não estuda nem trabalha

Folha (original aqui)
Nem estudando, nem trabalhando. Mais de dois em cada dez jovens brasileiros entre 18 e 20 anos se encontravam nessa espécie de limbo em 2009, à margem da crescente inclusão educacional e laboral registrada no país em anos recentes.

Essa geração "nem-nem" (tradução livre do termo ni-ni, "ni estudian ni trabajan", usado em espanhol) representa uma parcela crescente dos jovens de 18 a 20 anos. Eram 22,5% dessa faixa etária em 2001 e 24,1% em 2009 (o equivalente a 2,4 milhões de pessoas).

Nesse mesmo período, a taxa de desemprego no país recuou de 9,3% para 8,4%. Os dados são da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) e foram levantados pelo pesquisador Naercio Menezes Filho, do Centro de Políticas Públicas do Insper.

Segundo especialistas, essa tendência é resultado de várias causas. Entre elas, paradoxalmente, o maior aquecimento no mercado de trabalho --que tem acirrado a competição-- e o aumento significativo de transferências do governo para famílias de renda mais baixa.

Nota do Editor - Eis um problema de difícil solução para os próximos governos. O crescimento da população não é acompanhado na mesma proporção pelos postos de trabalho. A distribuição de renda dos programas sociais, que são corretos, constitui apenas paliativo. Os jovens precisam de emprego, salário, carteira assinada, complemento educacional, assistência médica e odontológica, crédito para casa própria e estímulo. O Brasil é um pais desigual na essência, formado sobre fundações de papel. Quase quatrocentos anos de modo de produção baseado em mão de obra escrava deixaram marcas profundas na sociedade. O trabalho ainda é considerado coisa de inferiores, salvo em regiões onde a imigração européia substituiu a mão de obra escrava.
Os europeus chegaram com mentalidade desenvolvimentista e trabalharam duro para subir na vida. Seus filhos foram instados a estudar e ascender socialmente. Os escravos libertos não tiveram essa oportunidade e não receberam estímulo nem compensação pelo tempo perdido e humilhações sofridas. Conclusão, os jovens de classes inferiores são as maiores vítimas dessa asquerosa assimetria pois o processo educacional que daria a eles a possibilidade de mudar a tendência do jogo, para usar uma metáfora ao estilo lulista, é falho e não cumpre o papel que lhe cabe. Logo um idiota da objetividade, com permissão de Nelson Rodrigues, dirá que é culpa dos tucanos. Não é não, nem de tucanos nem de petistas, mas cabe a tucanos e petistas, que detêm o poder, resolver a parada. Talvez em 400 anos a coisa mude, até lá provavelmente estarei morto. Ou não, nunca se sabe o amanhã. (Sidney Borges)

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Socorro!

Original aqui

Coluna do Rui Grilo

Presente de grego no dia do professor

xxxxxxxx “Esta cova em que estás com palmos medida
xxxxxxxx É a conta menor que tiraste em vida

xxxxxxxx É de bom tamanho nem largo nem fundo
xxxxxxxx É a parte que te cabe deste latifúndio”

xxxxxxxx João Cabral de Melo Neto

“Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é
imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores.”

xxxxxxxx Paulo Freire

Rui Grilo
Encontro com dois professores de escolas diferentes e os dois manifestam o mesmo desânimo com o resultado eleitoral em São Paulo. quebrando a esperança e a perspectiva de alguma melhora depois de quase vinte anos de continuidade de governo e de descontinuidade de proposta educacional.

À tarde fui à Diretoria de Ensino em Caraguatatuba para assinar minha contagem de tempo para fim de aposentadoria. A funcionária me informa que a contagem não estava pronta porque mudou o programa e havia uma dúvida a ser resolvida e que meu processo seria encaminhado à São Paulo para esclarecimentos porque havia acrescentado mais documentos. Só que esses documentos já haviam sido enviados há vários meses.

E essa contagem de tempo nunca termina e a cada vez que me dirijo à Diretoria, mais algum documento é solicitado e, via de regra, cada documento solicitado demora mais de seis meses para ser fornecido.

Vim para Ubatuba há seis anos e já vim com a contagem feita, que já havia sido refeita porque alguém que havia feito anteriormente havia errado.

Tive que trabalhar mais quatro anos porque o documento oficial que dizia que meus direitos estavam garantidos não garantiam nada. E todo o tempo em que estive “emprestado” à Prefeitura de São Paulo foi descontado e ainda poderia perder em dinheiro porque seria descontado qüinqüênio.

A sensação que tenho é que quando esse documento chegar ao fim, já estarei vestido com meu terno de madeira. Talvez seja essa a sensação de Kafka ao escrever sua obra prima “O Processo”, essa sensação de impotência do cidadão diante da máquina burocrática do estado. Este é o prêmio depois de mais de 30 anos de serviços prestados ao Estado de São Paulo.

À noite, vejo Serra falando da quebra de sigilo dos estudantes do ENEM e prometendo valorizar o professor. Todos os professores do estado de São Paulo sabem que seus dados pessoais foram repassados à Editora Abril em sucessivas e suspeitas compras de revistas daquela editora.* Todos os professores “acreditam” que o PSDB realmente valoriza o professor porque vários governadores tucanos entraram na justiça contra o piso salarial do magistério e contra o aumento das horas atividades, isto é, o pagamento das horas necessárias para o planejamento das aulas, correção de trabalhos e atualização de conhecimentos.

Em nossa luta pela valorização da classe, o diálogo com o governo do estado é na base de cassetete e bombas de gás lacrimogênio. A “valorização” só aparece na época das eleições. Então, não dá para acreditar em histórias da carochinha e na palavra de quem já quebrou-a várias vezes.

Saiba mais aqui

Rui Grilo
ragrilo@terra.com.br

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