sábado, outubro 16, 2010

Arte - Andy Warhol

Campbell’s Condensed Tomato Soup - 1962 - Óleo sobre tela - 30 x 23 cm
Kunstmuseum St.Gallen, Switzerland

Coluna do Mirisola

Um segundo, cem anos*

“O problema é que perdi a chance de entrar no reino da contemplação porque – para variar ... - falei demais. Isso mesmo, tergiversei com o porteiro, logo com ele”

Marcelo Mirisola*
(Para meu amigo Joãozinho Batista)

Um segundo, cem anos. Morri entre 5 de abril de 1871 e qualquer noite da primavera de 1908. Afogado. Ou terá sido no final do verão de 1906? Não lembro. Nem sei se morri afogado ou se morri em casa cercado de amigos e puxa-sacos. Pra dizer a verdade, tanto faz. Vale que fui - como diziam à época - “ter com Pedro”.

Até aqui, tudo dentro dos conformes.

O problema é que perdi a chance de entrar no reino da contemplação porque – para variar ... - falei demais. Isso mesmo, tergiversei com o porteiro, logo com ele. Se existe alguém na terra e no céu que sabe aonde o galo canta, esse alguém é São Pedro.

Adquiriu as chaves por mérito, reconhecimento e culpa. Impossível não identificar a tristeza no semblante do guardião. Um remorso que lhe escorre das pálpebras inchadas até chegar à terra em forma de tempestades, transbordamentos. Antes, porém, a dor da negação percorre suas longas barbas. De onde brotam serpentes que, mais dia menos dia, irão se enroscar em nossas almas e nos carregarão para a devida quinta. Isso eu lembro:

- Guardaste para ti tesouros no céu ou na terra? - Perguntou-me.

Eu sabia - de experiências vividas noutras quintas - que reconhecer as faltas podia ser uma forma de abrir as portas do céu. Tinha consciência que o perdão era moeda eterna e que o arrependimento – segundos os manuais – purificava almas. Em vida, cultivei boas amizades e fui um homem avesso a polêmicas, cordato e premeditado – e às vezes negligente por uma questão de sobrevivência. Até certo ponto honesto e oblíquo, íntegro e zombeteiro. Um ateu diletante que se passava por carola, com vocação para a gaiatice e a troça. Eu era um grande filho da puta. Tal condição, bom que se diga, alcancei por esforço e mérito próprios.

Meu estilo, minhas estratégias. Nos saraus, esse conjunto (cá entre nós, mambembe e capenga) funcionava a contento, uma vez que meus pares eram pouco exigentes e a recíproca nos beneficiava – afinal eram meus pares. Na verdade, estávamos mais concentrados em nossos pequenos interesses e chicanas do que nas revoluções propriamente ditas. Se havia algum deslumbramento, era – também - algo sob medida. Além de hipócritas, encantadores. Ali perto da rua da Alfândega, quase na Candelária, passávamos o tempo jogando cartas, penhorando nossas almas e descontando as respectivas promissórias e indultos. Tudo recebido em vida! Aprendi a crer tanto nos milagres como no arrocho dos homens. Louvado seja Nosso Senhor! Assim nasci no Livramento, cresci agregado e me dei à vida, e ganhei mais do que merecia.

Todavia, considerava-me um miserável. Decidi ir à forra e ninguém jamais soube respirar e compreender os ares e solturas do Rio e especialmente da Rua do Ouvidor como eu, cambista desde a mais tenra memória: conchavei com o diabo e fui ungido nas procissões de São Francisco de Paula que, à época, davam-me a impressão que não acabariam nunca. Ainda que a contragosto e na contramão, seguia os beatos e cumpria meu destino de mestiço, gago, epilético, original pelas tabelas, irônico e filho da puta incorrigível. Tive problemas de saúde. E aprendi a ruminar. Nessas ocasiões não fazia o menor sentido mentir para mim mesmo. Ah, como era bom ruminar, às vezes melhor do que mentir. O bafio da ironia fina, mesclado a uma elegância de entrelinhas me catapultou da condição de filho de costureira a presidente de confraria, da mesma forma passei de mestiço a profeta.

Alguns me tinham como bruxo. O que eu podia fazer senão agradecer a deferência, e tirar coelhos da cartola? Mas, aqui entre nós, eu estava mais para tropeiro do que para feiticeiro. O lucro se aufere na hora da compra, e o segredo da vida é pechinchar! Nesse diapasão, pois, alforriei meus escravos antes da abolição. De modo algum para alegrar-lhes o espírito ou libertá-los das cangas, tampouco pelos sopros da prestidigitação ou pela vidência que me atribuíam. Se o fiz, foi com o intuito de me distrair. Pura sacanagem. Queria ter o privilégio de pagar uma ninharia pelos petelecos e cascudos aplicados com volúpia (e um pouco de comiseração), coisa de seis mil-réis por ano. Não que forçasse os negros ao suplício, apenas os fiz enxergar que a liberdade das ruas lhes seria menos vantajosa que o amor desfrutado em cativeiro. No frenesi, aproveitei para abolir os sofismas da escravidão da minha retórica. Eia!

Feitiço? Claro que não, apenas comichão. Os negros de casa apreenderam o significado do termo igualdade escovando minhas botas. Um ótimo negócio. Dei-lhes, antes de qualquer cousa, a alternativa de implorar pelo castigo. Ah! Eles imploravam! Eu descia-lhes o relho e os cavalgava.

Fui um homem bom, generoso e convincente.

****

- Não me diga? – interrompeu São Pedro.

- Tanto que, depois de alforriados, os negros não me abandonaram e aos meus confrades e aos confrades dos confrades não restaria alternativa diferente de dar – igualmente - o lombo ao relho e lustro não somente às minhas botas...

- Prossiga.

- Sim , meu santo. Os puxa-sacos e os filhos e o netos e bisnetos e as quatro gerações seguintes ...

- Quatro gerações?

- Ou cinco, seis gerações. Perdi a conta. Sei que esses caiporas e os filhos e os netos e as gerações posteriores de caiporas lustrariam meu gênio ao longo do século seguinte e mais uma parcela de tempo que, sem embargo de presunção, chamarei de eternidade.

- Jura?

- Juro sim, meu santo. Veja lá o futuro. A eternidade tem endereço certo e sede própria. Situa-se à Avenida Presidente Wilson, 203, Rio de Janeiro, perto da Cinelândia. Aberta de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h.

- De segunda a sexta, das 9h às 18h?

- Claro! Qualquer um pode ir à eternidade.O convite é extensivo à sua santidade e aos senhores anjos, arcanjos e querubins. Visitas escolares deverão ser agendadas com antecedência. Uma vovozinha sorridente e simpática, mme.Pinõn, irá recebê-los com bolinhos de chuva, muita educação e cara de pau. Pergunte por mim.

****

- Como eu ia dizendo, meu santo...

- Não sou “teu santo”, meu chapa.

- Mil perdões. Mas, como eu ia dizendo, acabei convencido de que praticava a justiça e a modéstia.

- Impressionante...

- Não bastasse, confrontei (de leve, na diagonal ...) os positivistas e os republicanos da época! Eu era foda! Se tivesse tido a sorte de nascer 110 anos depois num lugar que prestasse, bem longe do calor e dos mosquitos da Gamboa, os senhores aqui no céu e lá na terra e quiçá nas quintas dos infernos me conheceriam como Michael Jackson.

- Culpado ou inocente?

****

A coisa tava braba pro meu lado. A bagagem trazida da terra, digamos assim, a bagagem me sugeria que, à guisa de álibi e um pouco por solidariedade a Pedro (o traíra), eu não deveria me imiscuir das culpas nem tampouco me esquivar de ser prestativo, falso e indulgente. O céu era o limite.

- Culpado ou inocente, filho?

Ah, as culpas – pensei comigo mesmo: – sem elas eu não teria me arriscado no mar aquela noite, sem as culpas não teria chegado aos molhes do forte e não teria saído do ventre de dona Maria Leopoldina... ah, as culpas que sempre me davam tesão e às vezes operavam milagres ...

Então disse a Pedro:

- Se crer em tesouros escondidos na terra é o mesmo que escondê-los, confesso o meu pecado...*

Os anjos que voavam ao redor pousaram para me ouvir. Pedro apagou as luzes e os afugentou como se fossem mariposas. Daí os merdinhas se escafederam e foram para o futuro ter ao redor e/ou em vorta de uma lampida de um tal de Adoniran. Não entendi direito. Sei que o céu, imediatamente, transformou-se num breu (mas ainda era céu, eu juro...) e lá ficamos eu, Pedrão e as serpentes que escorriam de sua longa e milenar barba. Uns quarenta minutos ou quarenta anos se passaram.

****

Aqui para os leitores do Ubatuba Víbora, faço uma confissão: meu desempenho não foi dos melhores, bem ao meu estilo, aliás: “na diagonal”. Pedro notara a afetação.

****

Depois de quatro horas ou quatro décadas, eu ainda engolia água. Era como se tivesse acabado de morrer. Afogado no mar grosso, eu e o corno do Bentinho. O ar ainda me faltava!

Uma coisa, queridos entes encarnados, vos digo: não é nada fácil desgrudar-se dos hábitos da terra assim, na primeira audiência. Admito que o estilo talvez fosse meu pior vício, porém, ao mesmo tempo, era minha única garantia. Cazzo! Qual outra prova de idoneidade, ou mais, de identidade ... eu poderia apresentar naquela situação? Uma assinatura que na terra abria portas, eu acreditava nisso, juro que sim(...)

Mas era o céu, e eu estava na presença de Pedro, o porteiro de Deus. Uma oportunidade única. Aquilo ali não era nenhuma entrevista com o Athayde Patrese, digo, Edney Silvestre... pera aí, jabuti, jaburu, jabulani... enfim, quero dizer que não se tratava de nenhuma marmelada nem de nenhum rega-bofe organizado pela simpática mme. Piñon. Os querubins haviam preparado uma festa dos diabos para me receber, e – segundo fui entender tarde demais- eles não queriam saber de minha oratória nem tampouco dos meus anacolutos ultrapassados, nem se interessavam pela porra do meu estilo, nem eles e muito menos Pedro ... o velho pescador que me dava linha para ver até aonde eu iria me enrolar: e eu fui longe, bem longe.

Abusei da retórica, e jurei que meus tesouros jaziam escondidos no morro do Castelo.

Garanti a Pedro, sinceramente (...) que em vida fui amigo do dinheiro,mas trazia o mistério comigo.

- Creio no mistério.

Achei que era o bastante para impressionar o leão-de-chácara que cofiava a barba grisalha forrada de serpentes. Não é todo dia, convenhamos, que alguém bate às portas do céu e sugere uma cor diferente, uma nuance. Pedro tinha diante de si alguém que acreditava nos mistérios, e os confessava! Eram meus – eu disse - e jaziam no Morro do Castelo...

O problema é que São Pedro andava meio de saco cheio. Os séculos, as décadas e os dias iam e vinham ao sabor das nuvens. Quando morri, creio que na década de setenta (estou quase certo, anos setenta...), almas paraguaias chegavam aos retalhos, postas e borbotões. Um período muito confuso. Os arcanjos-assistentes não davam conta do sotaque e das harpas que nossos hermanos paraguaios traziam consigo. E o pior: os responsáveis pelo açougue éramos nós, brasileiros, além dos argentinos e uruguaios. Um massacre. Lembro que uma meia dúzia de anjos, que bordejavam acima dos querubins e dos arcanjos, ameaçaram amotinar-se diante do risco de o céu virar uma churrascaria de beira de estrada. O começo da década, estou falando de 1870/71, não foi a melhor época para matar nem para morrer. Eu que morri longe da carnificina, afogado no mar do Flamengo, sei do que estou falando. Acho que sei. O tempo de Pedro era infinito e curto também.

- E aí?

Bem, aí eu disse a Pedrão que a sensação era de afogamento, mas que eu podia perfeitamente ter morrido no leito de casa quarenta anos depois, cercado de amigos e puxa-sacos, sabe-se lá, pelo sim pelo não, reiterei que mesmo sendo monarquista, eu não concordava com a carnificina dos 70, e que havia perdido a saúde, as ilusões, os amigos e até o dinheiro, mas não havia perdido a crença nos tesouros do Castelo. Sim, era minha crença quando menino e na mocidade também, e eu havia morrido com ela:

- Mistérios, seu Pedro, digo São Pedro, que não pertencem nem ao céu nem a terra.

Nesse instante, as serpentes começaram a se despregar de sua barba e eu achei que ele já estava perdendo a paciência comigo. Mesmo assim, prossegui:

- As grandes riquezas dos jesuítas estavam escondidas ali no morro do Castelo, desde criancinha acreditei nesse mistério: ricos cálices de prata, os cofres de brilhantes, safiras, guimbas manchadas de batom (êpa!, a guimbas ficariam para a próxima vida) ...corais, as dobras e os dobrões e um Santo Inácio de ouro maciço, o senhor precisava ver! Os olhos de brilhantes do santo piscavam para mim nos meus sonhos e os dentes de pérolas diziam que sim...

- Pára - interrompeu Pedro. Queres que as serpentes virem miojo? Vou repetir a pergunta novamente, xarope. E não queira me enrolar! Oquei?

- Eu, xarope?

- Sim, tu mesmo. Pela última vez. Guardaste para ti tesouros no céu ou na terra?

De fato, as víboras se desgrudavam da barba e entravam pelas narinas, saíam da boca e das orelhas e envolviam o pescoço do santo de modo que lhe tiravam o ar e quase o enforcavam, aquilo, de certa forma, fez com que eu me sentisse um pouco responsável pelo Butantã em que havia se transformado o céu de Pedro.

“Perla!”

Ele interrompeu, e disse “Perla” ?

- Pois não, eu espero.

- Não é contigo animal, mas espera assim mesmo. O arcanjo-secretário anotou o nome, o local e a data de nascimento: Perla, Caacupé, Paraguay, 1952.

Pelo que entendi, era a resposta que os céus, via Paraguay, dariam ao Brasil dali a 70 ou 100 anos, acho que sim. Também ouvi alguma coisa a respeito de uma hidrelétrica e de um bispo ou presidente garanhão que cobraria essas e outras dívidas. A lei da causa e efeito.

- Chitãozinho?

- Ouves demais! Esse bafio vem do inferno, não se meta!

Tudo bem, não era da minha conta. Não obstante, à medida que meu estilo se aprimorava, dezenas de serpentes brotavam de todos os orifícios do santo e lhe escorriam desde a barba até os dedos dos pés e, de lá, infiltravam-se em nuvens grossas e negras para logo em seguida caírem na terra em forma de trovoadas, incêndios, calamidades.

Teve uma meia dúzia de serpentes que entrou no céu por uma fresta que ficava logo atrás da poltrona de Pedro, eu vi, juro que vi, mas resolvi não falar nada para não piorar ainda mais as coisas pro meu lado, então eu disse:

- Era o mistério que me fascinava. O mistério, sempre o mistério.

- Pois bem - sentenciou Pedro - Se cultivaste os mistérios em vida e insiste com eles depois de morto, azar o seu. Só me resta despachá-lo a ti e a teus mistérios e anacolutos de volta à terra.

- Puta merda!

- E nem pense em voltar aqui antes de decifrá-los. O Próximo!

* Texto escrito a partir de algumas crônicas de Machadão de Assis, o mestre do gênero.

* Considerado uma das grandes revelações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.

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Opinião

A compulsão fala mais alto

AE - Editorial
Enquanto os condutores da campanha de Dilma Rousseff se perguntam onde foi que erraram, deixando escapar a vitória dada como certa no primeiro turno, e como conter o estreitamento da vantagem da candidata sobre o opositor José Serra nas pesquisas, eis que o presidente Lula reincide no comportamento belicoso que contribuiu para privar a sua afilhada dos votos que poderiam ter encerrado a contenda em 3 de outubro.

Foi um típico efeito bumerangue. Ao investir ferozmente contra a imprensa em três comícios sucessivos no breve período de 5 dias, Lula decerto buscava desqualificar as revelações dos escândalos na Casa Civil chefiada pela mais próxima colaboradora de Dilma, Erenice Guerra.

Diferentemente das notícias sobre as violações do sigilo fiscal de aliados e familiares de Serra, com as quais muitos não conseguiram atinar, essas outras repercutiram junto ao eleitorado.

Mas, em vez de cair no conto lulista de que as denúncias não passavam de calúnias, uma parcela dos eleitores que nas urnas se revelaria significativa entendeu que a virulência do presidente representava uma confissão de culpa, além de indicar uma ameaça potencial à liberdade de informar em um eventual governo Dilma. Na reta final, informado da mudança dos ventos, ele bem que tentou neutralizar a traulitada com uma autocrítica.

"A gente precisa de humildade para não ficar com muita raiva quando escrevem contra", penitenciou-se num comício em Porto Alegre, "e nem com muito ego quando é a favor." Foi muito pouco e muito tarde. Agora, diante de uma nova situação adversa - ou "problemática", como se ouve na ponte entre o Palácio do Planalto e o QG dilmista -, Lula torna a reagir pavlovianamente, atacando a oposição com renovado rancor.

Nessas horas, as suas palavras parecem atender antes a um arraigado sentimento, ou compulsão, do que ao objetivo de promover a sua candidata. Na noite de quinta-feira, num comício na cidade paraense de Ananindeua, em surto de livre-pensar, disse que as acusações a Dilma vêm "de uma parte da elite que fazia as mesmas acusações ao Ulysses (Guimarães), ao Tancredo Neves, às Diretas Já, a mim em 89, a mim em 94, a mim em 98 e 2006". E, virando-se para ela, disparou: "Estão transferindo para você o ódio que acumularam contra mim."

Ao que se saiba, nenhum dos políticos citados foi alguma vez acusado de ser "a favor do aborto" que é o que se passou a dizer de Dilma nos púlpitos, em panfletos e na internet. E ao que se saiba, os acusadores não são "uma parte da elite" - pelo menos não no sentido que Lula dá ao termo. Mas isso é detalhe quando ele dá vazão a si mesmo, quaisquer que sejam as consequências dessas irrupções para a sorte da candidata no tira-teima do próximo dia 31. Por sinal, num evento oficial em Teresina, a lava do ressentimento correu solta.

Também em fase de citar o nome de Deus a três por quatro, afirmou que Ele "fez a vingança que eu queria" contra os senadores piauienses Heráclito Fortes, do DEM, e Mão Santa, do PSC, que votaram contra a prorrogação da CPMF e não se reelegeram. De volta ao passado, atribuiu as suas três derrotas em eleições presidenciais às "mentiras" dos que o temiam. "Diziam que era comunista, porque tinha a barba comprida. Mas Jesus também tinha. Tiradentes também tinha", declarou, como quem se alça a uma esfera superior.

O resto foi repetição: o elogio da falta de estudo ("a arte de governar não se aprende em universidade, senão pegavam um na Academia Brasileira de Letras para ser presidente"), a divisão dos brasileiros entre ricos e pobres ("rico não precisa de governo, quem precisa de governo é pobre") e a alusão oblíqua a Dilma ("a arte de governar é como a arte de ser mãe, cuidar da família, garantir direitos e oportunidades a todos").

Descontados os "acertos de contas" sem os quais aparentemente Lula não consegue passar, é isso o que entende por politizar a campanha - a seu ver, a única estratégia capaz de revitalizar a candidatura que vem fazendo água. Os companheiros querem a sua presença no horário eleitoral como no primeiro turno. Compreende-se: para o bem ou para o mal, Lula é tudo que Dilma tem. Pior sem ele, pois.

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Manchetes do dia

Sábado, 16 / 10 / 2010

Folha de São Paulo
"Dilma mantém a vantagem sobre Serra, diz pesquisa"

Maior variação ocorreu entre os que se declaram sem religião e evangélicos não pentecostais, revela Datafolha

A vantagem de Dilma Rousseff (PT) sobre José Serra (PSDB) ficou estável, mostra pesquisa - Datafolha feita ontem e anteontem. Uma semana após a volta da propaganda eleitoral em rádio e TV, a petista tem 47% contra 41% do tucano. No dia 8, os percentuais eram de 48% e 41%. Como a margem de erro é de dois pontos, a oscilação de Dilma indica estabilidade. Quando se consideram só os votos válidos, sem brancos e nulos, ela pontua 54% contra 46% de Serra. Numa campanha com a religião no centro do debate, a maior variação ocorreu entre os que afirmaram não seguir nenhuma delas: Dilma caiu de 51% para 45%, e Serra foi de 35% a 40%. A aprovação a Lula bateu novo recorde, com 81% de ótimo/bom. Para 40%, o apoio do presidente influencia a decisão do voto.

O Estado de São Paulo
"Em carta a religiosos, Dilma promete manter lei do aborto"

Petista divulga compromisso contra descriminalização da interrupção da gravidez, que ela já defendeu

A candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT) divulgou ontem uma carta a religiosos para, segundo ela, "pôr um fim à campanha de calúnias" dos adversários. Pressionada por movimentos cristãos a se posicionar sobre aborto e casamento homossexual, Dilma afirmou ser contra a interrupção da gravidez e declarou: "Eleita presidente, não tomarei a iniciativa de propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto e de outros temas concernentes à família" - no passado, Dilma defendia a descriminalização do aborto.

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sexta-feira, outubro 15, 2010

Juventude, onde estás?

Pensata

Sexta-feira, 15

Sidney Borges
Sexta-feira 15 é diferente de sexta-feira 13. Alguém com espírito mais objetivo poderia argumentar que sendo 15 diferente de 13 a afirmativa vai para o caldeirão das obviedades. Concordo, mas que é diferente é, ninguém têm medo de sextas-feiras 15, mas mesmo os mais céticos torcem o nariz quando a folhinha marca 13.

Folhinha? Que saudades das folhinhas. Tinha do açougue, da venda, da padaria. Foi olhando para uma folhinha que descobri que não havia dia 32.

A eleição caminha para o desfecho e como sou curioso gosto de ouvir o que as pessoas pensam. Ontem conversei pelo Skype com um amigo de São Paulo, petista até à medula. Falamos da vida em geral a acabamos tocando nas eleições. Ele vai votar na Dilma, que consider eleita, embora acredite que será uma eleição difícil. Meu amigo é incorporador, constrói prédios de alto padrão. No momento tem 15 obras em andamento, a maior parte no Real Parque, no Morumbi.

Nos conhecemos no aeroclube de Bauru praticando vôo-à-vela. O esporte aproxima pessoas, apesar da assimetria social.

Muito bem, qual é a lógica por trás de um membro da alta burguesia paulistana abraçar a causa petista? Simples. Lucro. Segundo Fernando, esse é o nome do meu amigo, o PT proporcionou-lhe os maiores ganhos dos últimos 20 anos. Ele é sensível e agradecido a quem lhe ajuda a pagar a cobertura e o Porsche. Com Dilma na presidência ele acredita que o processo de acumulação capitalista vai continuar e até será ampliado.

Perguntei do Lula. Ele pensou um pouco e disse que para o Demiurgo barbudo seria melhor que Serra vencesse, pois teria em quem bater durante 4 anos e seria o candidato do PT em 2014. Com Dilma vitoriosa a coisa muda, ela certamente vai gostar da pompa, da circunstância e dos passeios no aerolula. Com a caneta mágica nas mãos não vai ceder o lugar. Nem que a vaca tussa! Nem mesmo para o Lula. 

Mas o mundo é estranho e reserva surpresas. Quem imaginaria Sarney na presidência? Preciso correr para encontrar um pedaço de madeira e bater três vezes. Não posso sequer ouvir falar em Michel Temer no Alvorada.

Mas essa possibilidade não seria a pior para Lula. Em 2014 a volta seria quase certa. Ou não, Collor era popular até passar dos limites. O povo não perdoa. Lula precisa ter cuidado com as volutas do destino.

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Arte - Stanley Spencer

Wheatfield at Starlings, 1947 - Óleo sobre tela - Art Gallery of New South Wales, Sydney, Australia

Coluna do Celsinho

Vida nova

Celso de Almeida Jr.
O resgate dos mineradores chilenos comoveu.
A cada subida da cápsula Fênix 2, um renascimento.
Por 33 vezes brindamos a vida.
Admirável também a postura do presidente do Chile.
Humildade, ao aceitar a ajuda de outras nações.
Palavras certas, postura adequada, otimismo responsável.
Num de seus pronunciamentos, usou o inglês, comunicando-se diretamente com o mundo.
Exemplar a educação dos chilenos.
Bom modelo para observar e estudar.
Fica como lembrança neste dia do professor.
O comportamento de todos, no espetacular salvamento, reforçou a minha admiração por aquela nação.
Demonstraram garra, espírito de equipe, capacidade técnica, sensibilidade e imensa solidariedade.
Bons valores em qualquer tempo.
A transmissão integral em rede de televisão permitiu que assistíssemos, por algumas horas, ao que há de mais encantador nos seres humanos.
Trinta e três aniversários...
Um político que não lavou as mãos...
Uma torre salvadora...
Sofrimento convertido em alegria...
Teremos assistido a uma versão moderna, positivamente renovada, de uma conhecida história de amor?

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Opinião

A caça ao voto religioso

O Estado de S.Paulo - Editorial
A primeira pesquisa Ibope/Estado/TV Globo depois de 3 de outubro - a primeira também depois do debate inaugural entre Dilma Rousseff e José Serra nesta fase derradeira da disputa eleitoral - indica que a candidata petista não reverteu a tendência de queda verificada na reta final do primeiro turno, que a impediu de se eleger numa única rodada de votação. Na melhor das hipóteses, do ângulo petista, a situação terá se estabilizado.

Segundo as novas sondagens, tanto pelo critério de votos totais como pelo de votos válidos (excluídos brancos, nulos e indecisos), Dilma tem apenas entre 6 e 8 pontos de vantagem sobre o tucano. Nas urnas, a diferença foi cerca do dobro: 14 pontos. A mudança de atitude da candidata no debate da TV Bandeirantes - mais "assertiva", como ela diz -, mantida no horário eleitoral da TV, ainda não foi assimilada pelos eleitores.

O mais revelador do levantamento do Ibope é a confirmação de que o voto religioso foi o que levou a sucessão ao tira-teima. Se não tivesse sido, aliás, seria inexplicável o peso que a propaganda dos antagonistas passou a dar ao tema do aborto, cada um se esfalfando mais do que o outro para se mostrar mais pró-vida ou defensor dos valores familiares e entronizar a religião no topo dos atributos da brasilidade.

A evolução das preferências eleitorais dos entrevistados pelo Ibope guarda relação direta com suas crenças religiosas declaradas (católicos, evangélicos e outros). Junto aos primeiros, Dilma perdeu preciosos 5 pontos entre a última semana de setembro e a véspera do pleito. Desde então, manteve o que tinha. Serra, de seu lado, cresceu e continua a crescer - de 29% para 41%. A erosão dos votos evangélicos em Dilma começou mais cedo e se estabilizou depois do primeiro turno. Já a votação em Serra, que vinha ziguezagueando ao longo de setembro, dobrou de 25% na véspera da eleição para 52% esta semana.

No grupo que inclui seguidores de outros credos ou de nenhum, Serra tem o mesmo desempenho, passando de 20% em meados de setembro para os atuais 41%. Dois movimentos parecem inequívocos. Primeiro, a migração de eleitores dilmistas sensibilizados pela campanha clerical que a acusava de ser "a favor do aborto". Em 2007 ela defendeu sem tergiversar a descriminalização da prática, além das situações em que é permitida - na contramão de maioria esmagadora (entre 70% e 80%) dos brasileiros. O segundo movimento captado pelo Ibope é a adesão a Serra - na proporção de 2 para 1 - dos eleitores religiosos da evangélica Marina Silva.

É possível que esse fluxo já tenha se esgotado. Mas nem Dilma nem o seu mentor-presidente podem se permitir um suspiro de alívio. E tanto não podem que, uma pela porta da frente, o outro pela porta dos fundos, foram ambos anteontem, em Brasília, ao encontro de 51 representantes de correntes evangélicas para lhes prometer tudo - e o céu também. Dilma só faltou jurar que, se eleita, não moverá uma palha pelo abrandamento da legislação do aborto ou pelo casamento gay.

Instada pelos interlocutores, ficou de pôr os compromissos no papel, no equivalente à Carta ao Povo Brasileiro subscrita pelo então candidato Lula em 2002 para apaziguar os mercados. Com isso, os pastores simpáticos ao governo terão algo palpável para apaziguar os seus fiéis. Eles representam pelo menos 25 milhões de votos. Completou-se assim a inevitável capitulação de Dilma ao que o ministro de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, define como "momento medieval do processo eleitoral brasileiro". Mas outros públicos também preocupam o PT.

Os eleitores eventualmente perdidos por Dilma por conta da raivosa ofensiva de Lula contra a imprensa serão contemplados no primeiro dos 13 compromissos de governo da candidata, a serem divulgados na semana que vem "para debate na sociedade brasileira". Ali se fala em "expandir e fortalecer a democracia política, econômica e social" e garantir "irrestrita" liberdade de imprensa e de expressão. É o contrário do que está na plataforma eleitoral do PT e no texto do decreto que instituiu o 3.º Programa Nacional de Direitos Humanos.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 15 / 10 / 2010

Folha de São Paulo
"Comitê de Dilma vai ampliar uso de Lula na campanha"

Exposição do presidente havia sido reduzida para evitar que candidata ficasse em 2° plano; objetivo é frear perda de votos

A campanha de Dilma Rousseff (PT) voltará a recorrer à popularidade do presidente Lula, na TV e em eventos de rua, para tentar estancar a queda verificada nas pesquisas, o programa da petista vinha diminuindo a exposição de Lula, para não ofuscar a candidata. A coordenação da campanha também decidiu priorizar Minas e São Paulo, para evitar que Dilma perca votos nos maiores colégios eleitorais do país, onde o PSDB venceu os pleitos regionais. Em Minas, a desarticulação dos aliados do governo é vista com preocupação. Outra mudança foi contratar o Ibope para fazer pesquisas no Sudeste - o Vox Populi vinha sendo o instituto oficial da campanha. A ideia é evitar que alterações relevantes passem despercebidas, como no primeiro turno, e definir estratégias focadas na região.

O Estado de São Paulo
"PT vê disputa 'problemática' e busca votos no Sudeste"

Campanha de Dilma esperava vantagem maior no 2° turno e concentra esforços em São Paulo e Minas

O presidente Lula, os ministros mais próximos e o comando da campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT) avaliaram que "a situação é problemática" para a candidatura petista, informam as repórteres Tânia Monteiro e Vera Rosa. A recomendação unânime foi para que Dilma concentre a campanha nas regiões Sul e Sudeste, porque a disputa no Nordeste já estaria ganha. Os estados que serão alvo prioritário do esforço são Minas, São Paulo e Paraná. 0 ideal, segundo assessores do presidente e da candidata, era que Dilma começasse o segundo turno com pelo menos 10 pontos porcentuais de vantagem sobre Serra - no primeiro turno, a votação terminou com 4 pontos de dianteira para Dilma. Mas pesquisa do Ibope divulgada anteontem mostrou que a petista está apenas seis pontos à frente. Há duvida na campanha se Lula deve aparecer mais na reta final.

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quinta-feira, outubro 14, 2010

Ciro Gomes

Para pensar...

Teocracia antiteocrática

Talvez seja melhor nos habituarmos à democracia. Estado laico não significa que as igrejas (tomadas aqui como sinônimo de religiões) estejam impedidas de opinar. Estado laico não é estado

Do Blog do Alon
Está certo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando diz que a opinião pública tem cada vez menos donos. É possível que aqui o chefe de governo esteja a empregar “opinião pública” como sinônimo de “opinião da sociedade”.

Prefiro usar a expressão com outro significado. “Opinião pública” nesta coluna tem servido tanto para designar os profissionais de comunicação que buscam influenciar o ambiente político quanto o pedaço do ambiente político que se influencia por eles.

Opinião pública e sociedade não são sinônimos. A disseminação dos meios para distribuir informação digitalizada torna-os coisas diferentes cada vez mais. Tenho até dúvida se algum dia foram a mesma coisa. Ou se é um passado mitificado para ajudar a explicar o presente.

No obrigatório “Minha Razão de Viver”, Samuel Wainer (com texto final de Augusto Nunes) conta como a imprensa da época “escondia” a campanha de Getúlio Vargas à Presidência em 1950, e mesmo assim o então ex-ditador acabou eleito. E bem eleito.

Wainer era aliado de Getúlio e eventualmente sua descrição daqueles momentos históricos possa ser contestada, um dia. O fato é que até hoje ninguém o contestou.

O eleitor não tem dono. Quando está mais vulnerável a ter, é por razões de ordem econômica, não por falta de informação.

O debate sobre o aborto é um bom exemplo. A opinião pública é esmagadoramente adepta de que o tema não deve ser debatido na campanha eleitoral. Só que está sendo.

Os candidatos a donos da opinião alheia são como o sujeito que olha pela janela num dia de agosto aqui em Brasília e descobre que chove intensamente. Mas não deveria estar chovendo nessa época, e por isso ele sai de casa a pé e sem guarda-chuva.

Só que está chovendo sim, e o “formador de opinião” chega ao destino todo encharcado.

E chega protestando contra o absurdo de chover numa época naturalmente programada para a seca.

É bom que nos habituemos. O Brasil é uma democracia e ninguém possui o monopólio da agenda eleitoral. Como os principais contendores tem cada um sua mídia reservada em rede nacional, cada um tenta emplacar os temas que mais convêm.

Mais democrático é discutir os assuntos e ponto final. Responder às acusações esclarecendo, sem achar que fugir delas fará o milagre de levá-las ao desaparecimento “natural”.

Talvez o Brasil esteja assistindo à melhor corrida presidencial desde a redemocratização. Ou pelo menos desde que Lula e Fernando Collor se enfrentaram no segundo turno de 1989. Há uma disputa real, com possibilidades ainda algo abertas.

De 1994 para cá, todas as vezes, a reta final do turno decisivo já apontava um vitorioso muitíssimo provável, e a natural agregação em torno dele tirava o oxigênio do debate.

O favorito já se comportava como presidente eleito, e o marcado para a derrota só se preocupava em tocar o barco dignamente até o dia da má notícia definitiva.

Agora não. Há algum espaço para a dúvida. Então, em vez de resmungar sobre a “agenda errada” seria mais proveitoso surfar nas ondas antes que acalmem.

É a hora em que o eleitor pode arrancar compromissos dos candidatos. Por que não aproveitar? E por que tentar discriminar certos assuntos?

Estado laico não significa que as igrejas (tomadas aqui como sinônimo de religiões) estejam impedidas de opinar. Estado laico não é estado ateu.

Como reagiriam os ateus se as igrejas procurassem interditar o debate dos temas mais críticos aos adeptos do ateísmo? Achariam bom? Duvido. Aliás já aconteceu e não acharam bom.

Não faz sentido invocar a ameaça teocrática para, de contrabando, tentar impor a teocracia antiteocrática.

Aborto, privatizações, corrupção, analfabetismo. Que se discuta tudo.

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Arte - Piet Mondrian

Still Life with Gingerpot I, 1911 - Óleo sobre tela - Guggenheim Museum, New York City

Deu em O Globo

Munição anti-Dilma é do próprio lulismo (Editorial)

Do Blog do Noblat
Para usar uma imagem do boxe, é como se, numa luta de dois rounds, uma esmagadora maioria previsse a vitória de um dos lutadores por nocaute. Porém, um golpe inesperado daquele marcado para perder jogou o adversário favorito, zonzo, nas cordas, enquanto soava o gongo do intervalo.

É assim que parece a candidata Dilma Rousseff, que tenta se refazer do susto de não ter acabado com a eleição no primeiro turno, e parte para o ataque, na campanha do segundo, aposentando o manual de boas maneiras usado no início da luta.

Se vai funcionar, não se sabe.

A primeira pesquisa do segundo turno, do Datafolha, registrou grande estreitamento na vantagem que Dilma ostentava em relação a Serra.

Os 54% a 46% dos votos válidos levantados pela sondagem refletiram um importante sangramento de votos dilmistas iniciado na última semana de campanha do primeiro turno.

Ontem, foi a vez do Ibope, divulgado no “Jornal Nacional”: 53% a 47%. Confirma-se a aproximação de Serra.

A julgar pelo primeiro debate do segundo turno, domingo na TV Bandeirantes, uma das armas sacadas pela candidata oficial, como fizera Lula no segundo turno de 2006, o “fantasma” das privatizações, encontra um candidato tucano rápido no gatilho da réplica, ao contrário de Geraldo Alckmin naquela ocasião.

Além disso, os quatro anos de governo lulopetista concedidos a mais pelo eleitorado demonstraram que sacrossantas estatais terminaram privatizadas, mas de maneira deletéria: privatizadas pelo fisiologismo político, caso do setor elétrico; pelo aparelha-mento, em que se destaca a Petrobras; e para a criação de dificuldades a fim de se venderem facilidades, como ocorrido nos Correios sob a influência de Erenice Guerra e herdeiros.

Dilma Rousseff e o PT se apresentam como vítimas de torpes acusações espalhadas pela internet.

O ponto nevrálgico dos ataques tem sido a lembrança de que a candidata já defendeu a legalização do aborto, tema que, infelizmente, tem servido para contaminar o debate político por crenças religiosas.

Até aqui, a campanha tem servido de alerta ao PT, alvejado por uma artilharia conhecida por militantes do partido: textos e filmes distribuídos pela internet.

Outro aspecto de todo este tiroteio é que parte da munição de que se valem grupos para atacar Dilma Rousseff é obtida em documentos oficiais.

Neste sentido, não se pode, a rigor, entender como calúnias algumas mensagens que circulam na rede de computadores. Afinal, como o governo Lula é um conglomerado de correntes ideológicas, com várias capitanias hereditárias distribuídas pela máquina pública, e algumas delas controladas por agrupamentos de esquerda autoritária, não é difícil encontrar propostas radicais, emanadas de dentro do governo, contrárias à Constituição.

Quem consultar a terceira versão do “Plano Nacional de Direitos Humanos”, assinado pelo próprio Lula, encontrará muito daquilo de que a candidata quer manter distância: descriminalização do aborto, censura à imprensa, ataque ao direito constitucional de propriedade etc.

A própria Dilma chegou a encaminhar à Justiça eleitoral parte desse plano como programa de seu governo. Diante da má repercussão, voltou atrás.

Haja o que houver, Lula paga hoje um preço por ter abrigado no governo correntes cujo projeto de país nada tem a ver com as aspirações das classes médias que aumentam de peso na sociedade brasileira.

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Eleições 2010

Presidente: 2010 não é 2002 e não é 2006

César Maia, ex-prefeito do Rio de Janeiro
1. No segundo turno da eleição presidencial de 2002, embora Lula não tenha alcançado os índices que ele mesmo alcançou em 2006 e Dilma em 2010, há uma diferença fundamental. Dois fortes candidatos que somaram mais de 20% dos votos, e que tinham expressão regional e nacional, apoiaram abertamente Lula no segundo turno: Garotinho e Ciro Gomes. Dado o perfil de ambos, a indução ao voto convergia com o perfil de Lula.

2. No segundo turno de 2006, embora a diferença de Lula para Alckmin tenha sido bem menor, a tertius - Heloisa Helena - teve apenas 6%, e a origem de seus votos estava à esquerda de Lula. Por isso, o segundo turno de 2006 abriu com Lula radicalizando à esquerda com um discurso demagógico fortemente estatizante, acusando seu adversário do contrário.

3. Agora, em 2010, a tertius - Marina Silva - obteve votação expressiva de 20%. Mas a origem de seus votos é dicotômica: 50% de voto "politicamente correto". Não necessariamente à esquerda. Por exemplo, o voto ético. E 50% de voto conservador que saiu da Dilma em função de valores cristãos. Com isso, Serra tem capacidade de atrair pelo menos metade do "voto politicamente correto" e 100% do voto conservador de Marina. Ou seja: 15 pontos.

4. Como os 42% de Marina (sobre o total de eleitores que compareceram a urna em 3 de outubro) não são ideológicos, mas pragmáticos em boa medida, e além disso a abstenção e votos brancos/nulos somaram 27%, o segundo turno de 2010 está em aberto. Até que se avalie o poder de atração de Serra.

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Opinião

A PDVSA e a fantasia petista

O Estado de S.Paulo
Nem sequer um centavo foi investido até agora pela estatal venezuelana PDVSA na construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. A obra é tocada só com recursos da Petrobrás, embora tenha sido planejada e anunciada como empreendimento conjunto. A pedra fundamental foi lançada em dezembro de 2005 pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez. Esse projeto seria a primeira grande realização da Aliança Estratégica formalizada em fevereiro daquele ano, em Caracas, com a presença da ministra de Minas e Energia do Brasil, Dilma Rousseff. Passados cinco anos, o balanço de realizações conjuntas é irrisório. A PDVSA deveria custear 40% da refinaria. Sem cumprir sua parte, pode ser forçada a renunciar ao projeto. Outras tentativas de cooperação também fracassaram. Uma delas, já abandonada, foi o plano de atuação da Petrobrás na área petrolífera do Orinoco.

A Aliança Estratégica formalizada pelos presidentes Chávez e Lula foi uma tentativa de combinar duas bandeiras do atraso - o bolivarianismo do caudilho venezuelano e o terceiro-mundismo requentado da diplomacia petista. Nada útil poderia resultar desse acasalamento.

Atribuir a expansão do comércio bilateral a essa iniciativa é um disparate evidente. O intercâmbio do Brasil com toda a América do Sul cresceu nos últimos dez anos, como consequência da prosperidade regional e de um esforço de integração intensificado a partir dos anos 90. Empresas brasileiras já tinham interesses na Venezuela bem antes da aproximação Chávez-Lula.

A "aliança" formalizada em 2005 e reafirmada em 2009 apenas acrescentou ingredientes ideológicos à cooperação bilateral. Foi mais uma aposta errada do presidente Lula - uma entre várias escolhas estratégicas baseadas na fantasia e não no cálculo de interesses concretos.

A ampliação do comércio bilateral foi muito mais acidentada do que teria sido, certamente, se a Venezuela estivesse sob um governo democrático, sem delírios expansionistas e livre da retórica anticapitalista. Atrasos de pagamentos foram um problema frequente para exportadores brasileiros, assim como a discriminação cambial a favor de produtores de outros países.

O governo petista não só aceitou essas distorções, como ainda se esforçou para incluir no Mercosul a Venezuela do presidente Chávez. A inclusão ainda não se consumou porque não foi aprovada pelo Congresso paraguaio. Se for consumada, o bloco regional, já emperrado e com enormes dificuldades para negociar com grandes parceiros como União Europeia e Estados Unidos, ainda passará a depender dos humores e das ambições de um caudilho fanfarrão.

Esse caudilho, é bom não esquecer, não tem prazo para deixar o governo de seu país nem está sujeito a limitações de tipo democrático. A diplomacia petista notabilizou-se pela frequência de suas apostas erradas. Ao enterrar a Alca, deixou espaço para uma série de acordos bilaterais dos Estados Unidos com outros países latino-americanos. Além disso, jogou fora a chance de negociar condições preferenciais de acesso a vários mercados antes da grande invasão chinesa.

Produtores brasileiros têm perdido competitividade tanto nos Estados Unidos como na América Latina. Se o Mercosul quiser iniciar um novo entendimento com Washington, terá de negociar levando em conta regras de investimento e de propriedade intelectual já acertadas naqueles acordos.

A diplomacia petista errou também - por esquecer os interesses nacionais - ao eleger a maioria dos "parceiros estratégicos". Estados Unidos e Europa continuam sendo muito mais importantes que o Brasil para russos e chineses. Nenhum desses parceiros se afastou de seus interesses para favorecer o comércio com o Brasil. Ao contrário: as conveniências brasileiras foram preteridas, quase sempre (como, por exemplo, na atribuição, pelo governo russo, de cotas para exportadores de carne). Os africanos nunca deixaram de se aliar aos europeus nas questões comerciais. Se a coerência no erro é uma virtude, então a diplomacia petista tem pelo menos essa qualidade. A aliança com Hugo Chávez comprova esse fato.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 14 / 10 / 2010

Folha de São Paulo
"Governo revê plano de Marina para Amazônia"

Para a atual ministra do Meio Ambiente, há excesso de preservacionismo

O PAS (Plano Amazônia Sustentável), maior legado de Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente, será revisto, relata Cláudio Angelo. A nova versão deverá incluir projetos de mineração, defesa e hidrelétricas. A reforma do plano começou a ser debatida em seminário da SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos) justamente quando o PT tenta atrair os 20 milhões de eleitores da candidata do PV para o segundo turno. O PAS foi elaborado por Marina por três anos. Ela costumava se referir ao plano como "filho". Quando decidiu lançá-lo, em 2008, o presidente Lula delegou a execução à SAE, e Marina decidiu deixar o ministério. A ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente) criticou o excesso de "preservacionismo" na política ambiental. Segundo o ministro Samuel Pinheiro Guimarães, da SAE, faltam ao PAS metas concretas.

O Estado de São Paulo
"Dilma tem 6 pontos à frente de Serra"

Pesquisa Ibope, a primeira após debate e início do horário eleitoral, indica que tucano herdou a maior parte dos votos de Marina

Pesquisa do Ibope para o Estado e a TV Globo, a primeira após o debate entre as presidenciáveis e a volta do horário eleitoral, mostra Dilma Rousseff (PT) com 49% das intenções de voto e José Serra com 43%. A petista aparece em primeiro graças aos eleitores do sexo masculino e de baixa renda e escolaridade, sobretudo os que vivem no Nordeste e no Norte/Centro-Oeste. Os indecisos são 3%. Levando-se em conta apenas as votos válidos (excluídos nulos, brancos e eleitores indecisos), Dilma lidera com 53%, contra 47% de Serra. No primeiro turno, a petista teve 46,9% dos votos válidos, contra 32,6% do tucano. A evolução dos índices mostra que, desde o início do mês, Serra avançou mais, absorvendo a maior parte das eleitores de Marina Silva (PV), que teve 19,3% dos válidos. A pesquisa foi feita com 3.010 eleitores, e a margem de erro é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos.

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quarta-feira, outubro 13, 2010

Antes e depois

Divagações

O passar do tempo

Sidney Borges
Lembro-me como se fosse hoje, eu calouro da FAU contemplava extasiado uma exposição de trabalhos de professores. Fiquei um longo tempo em frente às pranchas do arquiteto Siegbert Zanettini. Um colega veterano percebeu meu interesse e aproximou-se:

- O que você está achando dessa masturbação formal?

- Estou gostando muito.

- Pois saiba que o Zanettini é um pequeno-burguês que não tem compromisso com a realidade do povo brasileiro e só trabalha para a classe dominante.

Obviamente calei, além de veterano o colega era membro da UEE e fazia parte do círculo íntimo de José Dirceu. Enfim, uma autoridade, sabia diferenciar cada membro da sociedade e seu papel no processo revolucionário que em breve seria instalado no Brasil. Através dele eu soube que a arquitetura que mudaria o panorama estava sendo desenvolvida pelos professores Sérgio Serro e Rodrigo Lefevre, que respeitavam os trabalhadores e incorporavam suas sugestões ao processo construtivo.

Costumo dar atenção ao que me é dito com sinceridade. Assim fui visitar algumas obras dos arquitetos recomendados pelo colega "quase guerrilheiro".

Arquitetura de qualidade, Sérgio e Rodrigo eram talentosos e, de fato, suas obras tinham algo a mais, eram despojadas, brutalistas e poéticas ao mesmo tempo. E com grande rigor formal. Belíssimas.

Quando eu já me preparava para aderir ao brutalismo-científico-revolucionário um detalhe, sempre os detalhes, Deus está nos detalhes, me fez refletir. Ao lado de uma obra com placa de Sérgio Ferro havia outra de Zanettini.

Será que o proprietário pequeno-burguês decadente e o vizinho burguês progressista iriam trocar tiros quando as casas ficassem prontas?

Ou ambos seriam apenas burgueses alienados que tomam Romanée-Conti e fumam "puros" cubanos de 100 dólares a baforada? Nunco soube a resposta.

O tempo passou, o colega "guarda-costas" de Dirceu saiu do país, morou anos em Paris e hoje vive confortavelmente em São Paulo. É empresário e embora continue amigo de Dirceu, não é petista.

O arquiteto Sérgio Ferro é pintor e está radicado na França onde leciona na faculdade de arquitetura de Grenoble. Rodrigo morreu prematuramente em um acidente automobilístico e Zanettini continua projetando obras interessantes e inovadoras e eu admirando seu trabalho.

E a burguesia decadente ficou mais rica do que nunca. Continua financiando jovens arquitetos (tucanos e do PSTU) e passeando em Ferraris e Porsches entre a avenida Paulista e a Faria Lima.

Por falar nisso o ex-ministro José Dirceu trocou de avião, passou a viajar a bordo de um Falcon que o serve com exclusividade, como fazia antes o Citation X. Gente fina é outra coisa. Quanto custa um Falcon? Alguma coisa em torno de 30 milhões de dólares.

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Opinião

Enfim, a verdade sobre a guerra suja pelas teles

José Nêumanne - O Estado de S.Paulo
Nos anos 70 a Bloch Editores publicou uma antologia de grandes momentos de nosso jornalismo intitulada As Reportagens que Abalaram o Brasil. O responsável pela seleção escolheu textos marcantes, como as entrevistas do assassino de Euclydes da Cunha, general Dilermando de Assis, a Francisco de Assis Barbosa; de José Américo de Almeida a Carlos Lacerda, um libelo publicado pelo Correio da Manhã que driblou a censura feroz do Estado Novo de Getúlio Vargas; e deste a Samuel Wainer, então repórter de O Jornal, de Assis Chateaubriand, que serviu de pretexto para a volta do ex-ditador à Presidência pelas urnas. Se essa coletânea tivesse de ser publicada hoje, teria de incluir o resumo que a revista Piauí fez do livro do repórter Raimundo Rodrigues Pereira a respeito das Operações Chacal e Satiagraha, da Polícia Federal.

A obra, editada pela Editora Manifesto, de Belo Horizonte, traça um retrato perfeito do "teatro de marketing e bravatas", expressão usada em editorial publicado por este jornal em 15 de abril de 2005, depois da prisão de Daniel Dantas, discípulo de Mário Henrique Simonsen e bem-sucedido administrador do fundo de investimentos Opportunity, e da então presidente da Brasil Telecom, Carla Cico, subordinada dele, pela Polícia Federal. Eles eram acusados de terem usado detetives particulares da empresa americana Kroll para espionar diretores de uma sócia hostil, a Telecom Italia, e autoridades do primeiro escalão do primeiro governo Lula.

Intitulado O Escândalo Daniel Dantas - Duas Investigações, o livro dá lições de jornalismo investigativo honesto e esclarecedor. Em 315 páginas, reduz a pó argumentos falaciosos e canhestros usados pelo delegado federal Protógenes Queiroz, com o apoio do procurador Rodrigo de Grandis e do juiz Fausto De Sanctis, para levar o financista duas vezes à prisão. E desmascara a participação de arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), agentes da Polícia Federal (PF), dirigentes dos fundos de pensão das estatais e jornalistas amigos numa farsa armada para expelir os gestores do Opportunity da Brasil Telecom, da Telemig e da Amazônia Celular, em benefício de seus parceiros estrangeiros, o citado grupo italiano e a operadora canadense TIW. O mais relevante no levantamento exaustivo do repórter é que, ao contrário do que se imaginou até esse relato vir a lume, não houve perseguição ideológica (que poderia ter sido causada pela assessoria de um dos pais do Plano Real, Pérsio Arida, a Dantas) movida pelos novos donos do poder ao "amigo de tucanos", mas mero conflito de interesses: tudo foi só negócio.

Pode-se argumentar que o repórter teve a tarefa facilitada pelo conhecimento do teor da documentação produzida pela Procuradoria de Milão, na qual se esclarece que, na verdade, não era a Kroll que espionava autoridades federais brasileiras, entre elas o então poderoso ministro das Comunicações, Luiz Gushiken. Mas, sim, os sócios italianos hostis a Daniel Dantas, que ousaram grampear até o telefone do então presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Depoimentos de membros do topo da Telecom Italia, sob controle acionário, primeiro, da Olivetti e, depois, da Pirelli, narraram ainda, contando com o benefício da delação premiada, que a Operação Chacal teve como pretexto uma farsa: executivos dos serviços de segurança e de cibernética da operadora italiana produziram em Milão o CD-ROM que apresentaram falsamente à PF.

Mas, enquanto aqui os repórteres de jornais e revistas reproduziam sem questionar a interpretação enviesada da degravação dos grampos telefônicos de Protógenes, Raimundo teve a pachorra de ler, entender e catalogar os documentos italianos para relatar o que de fato ocorreu. E mais: identificou e introduziu no livro cada presepada do delegado encarregado do inquérito, como, por exemplo, a confusão que ele fez entre uma propriedade rural chamada Ponta do Curral e a suspeita "Conta Curral". Ou ainda a determinação aleatória de personagens citadas nas conversas gravadas: certo Giba virou Gilberto Carvalho, secretário da Presidência da República, sem nenhum outro indício que autorizasse a associação entre o apelido e a autoridade.

Raimundo não teve condescendência alguma com o que classifica de "mau jornalismo", que tratou frutos da imaginação do delegado como se fatos fossem. E contou o que não precisou mandar traduzir, pois consta da investigação que, descoberta a farsa de Protógenes, a corporação a que este pertence abriu para identificar suas violações de regras funcionais e leis. Uma destas mentiras que pilhou envolve a encenação de um flagrante de tentativa de suborno de um policial por dois executivos ligados a Dantas, motivo de sua segunda prisão. Ao contrário do que ele reportou aos superiores, tal como o CD-ROM da Telecom Italia que desencadeou a Operação Chacal, o vídeo que embasou a ordem de prisão do réu da Operação Satiagraha não foi produzido por seus agentes, mas por uma equipe da TV Globo a serviço do repórter César Tralli. A emissora nunca se explicou sobre esta flagrante falta de ética.

Antes que se acuse o repórter de parcialidade em benefício de um milionário, esclareça-se que Raimundo Rodrigues Pereira foi repórter da excepcional revista mensal Realidade e um dos fundadores da semanal Veja, além de ter dirigido duas publicações da imprensa alternativa de resistência à ditadura militar - Movimento e Opinião. Tem também laços profissionais e pessoais com o colega Mino Carta, que, na direção da revista CartaCapital, se tornou o mais implacável perseguidor na imprensa do investidor Daniel Dantas, a quem apelidou de "orelhudo" por causa da acusação de que teria mandado espionar desafetos e autoridades da República "pete-lulista".

É salutar que Raimundo lance o livro quando a privatização, que gerou a guerra pelo controle das teles, entra no debate do segundo turno da eleição. E irônico o fato de Protógenes ter virado deputado por obra e graça das sobras de votos do palhaço Tiririca.

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Quarta-feira, 13 / 10 / 2010

Folha de São Paulo
"Com torcida e suspense, Chile começa a içar os 33"

Após 69 dias, o capataz Florencio Ávalos é o primeiro a voltar à superfície da mina

Depois de 69 dias presos em uma mina 622 metros abaixo do solo, o primeiro dos 33 operários chilenos foi resgatado na madrugada de hoje. Florencio Ávalos, 31, emergiu do duto à 0h11. O mineiro foi resgatado são e salvo pela cápsula Fênix 2, pintada com as cores da bandeira do país. O resgate do grupo deve continuar nos próximos dias. Com óculos escuros, para evitar alguma lesão nos olhos pela exposição repentina à luz, Ávalos, capataz da turma que ficou presa na mina San José, saiu da cápsula aplaudido e aos gritos de "Chi-chi-chi-le-le-le". O mineiro encontrou a mulher, os filhos e os pais. A operação, que começou cerca de dois meses antes do que se previa, foi acompanhada ao vivo por TVs e jornais de todo mundo.

O Estado de São Paulo
"Resgate de mineiros mobiliza Chile"

Até as 21h30, salvamento ainda não havia começado; para ministro da Saúde, 'é como se a mina estivesse em trabalho de parto'

O resgate dos 33 mineiros isolados a 700 metros de profundidade há 69 dias, previsto para começar ontem, mobilizou na região de Copiapó o governo do Chile e centenas de jornalistas. Até o fechamento desta edição, às 21h30, a operação ainda não havia sido iniciada, mas já se sabia até a ordem de retirada - coube ao presidente Sebastián Piñera anunciar que Florencio Avalos seria o primeiro. No salvamento, os mineiros usariam roupas com tecido que mantém a temperatura do corpo constante e óculos com lentes que bloqueiam 100% dos raios u1travioleta. "É como se a mina estivesse em trabalho de parto", comparou o ministro Jaime Mañalich (Saúde).

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terça-feira, outubro 12, 2010

Água...

Ramalhete de "Causos"

“Lobisome cobitêro”

José Ronaldo dos Santos
Ainda hoje não é difícil encontrar alguém que goste de contar causos de lobisomem. Há quem diga que este é um dos personagens mais comentados do Brasil. Em Ubatuba eu tenho certeza que é. Já escutei sobre lobisomem de todo quanto é tipo, vivendo as mais inusitadas situações. Outro detalhe: em muitas das narrativas transparecem ocasiões propiciadoras de oportunidades cobiçadas, maliciosas etc. O que vem a seguir eu escutei do finado Tonico Amaro, do bairro do Ipiranguinha. Sentados com ele, na beira da conhecida cascata do bairro, eu e Emília Assunção, em 1980, éramos só atenção. Conta Tonico!

“Eu tenho um primo que hoje mora no centro da cidade, mas antes a casa dele era aqui, bem rente da minha casa. Em certa ocasião, quando ainda namorava a moça que hoje é a sua mulher, aconteceu de encontrar o tal de lobisome. Foi assim: era noite de lua cheia. Os dois conversavam no terreiro, embaixo de um pé de grumixama. De longe o pai da moça controlava a movimentação; ficava de olho. Era assim, né? Naquele tempo as casas ainda eram iluminadas por lamparinas, sendo o combustível mais usado a semente de nogueira, porque querosene precisava comprar. Aquela massa dá um fogo e tanto! Não pensem vocês que as pessoas dormiam tarde, como agora. A janta era no serão; depois se conversava um pouco para não dormir de barriga cheia. Logo tudo era silêncio. Só os passarinhos da noite eram ouvidos. Ah! Que beleza escutar os curiangos! E a coruja que chora!? Então, para encurtar o causo, o rapaz logo ia embora. Isso lhe dava credibilidade, demonstrava que era respeitador. Bem na hora da despedida, todos ouviram um uivo bem alto. Foi de arrepiar. Mesmo assim o rapaz –meu primo!- foi embora. Todos entraram depressa; pouca luz se via por alguma fresta. Assim era a casa de pobre. De repente, num silêncio de medo, os da casa ouviram passos de alguém que vinha correndo, gritando o nome da moça. Era o namorado desesperado na porta. Entrou rápido; a tranca foi passada na hora. Logo foi dizendo que um cachorrão estava atrás dele; meio cachorro com jeito de homem. Nisso que falava, a coisa bateu forte na porta quase arrancando a tramela. Arranhou, arranhou... uivou várias vezes... foi embora. Depois de um tempo, o velho Itagino, o futuro sogro, desenrolou uma esteira e fez o meu primo João dormir com eles. No outro dia, bem cedo, na porta de pinho estava a prova: era só lanhos –marcas que o lobisome deixou”.

Rimos bastante com mais coisas que o Tonico Amaro nos contou. Até brinquei dizendo que o lobisomem era alcoviteiro. Ele concordou: “É isso mesmo! Agora você disse tudo! O lobisome era cobitêro!”

Sugestão de leitura: Mundos de Eufrásia, de Claudia Lage.

Boa leitura!

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Opinião

Regras para os planos de saúde

AE - Editorial
Foram tomadas duas decisões importantes para milhões de famílias que podem arcar com o custo dos planos de saúde oferecidos por entidades privadas ou ligadas a fundos de pensão e que são essenciais para a prevenção, tratamento de doenças e atendimento emergencial. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) resolveu fixar prazos para atendimento aos usuários. E, por decisão unânime tomada pela 3.ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), as empresas do setor não podem rescindir contratos ou cobrar adicionais nos planos de saúde de pessoas com idade acima de 60 anos.

Não são incomuns os casos de cidadãos que, ao precisarem de atendimento, são indagados por secretárias se a consulta é particular ou coberta por seu plano de saúde. A pergunta parece normal, mas quando a resposta é pela segunda possibilidade nota-se que as consultas são marcadas para semanas ou mesmo meses depois. Associados de planos de saúde que indagam qual seria o prazo da consulta se ela fosse particular verificam, não raro, que ele é muito mais curto.

Pesquisa realizada pela ANS sobre os prazos de atendimento, da qual participaram voluntariamente 72% das operadoras, que são responsáveis por 89% dos 42 milhões de clientes de planos de saúde, revelou que mais da metade das empresas considera razoável que os usuários esperem de quatro a sete dias para marcar consulta básica. E 9% responderam que o prazo poderia chegar a 16 dias. Para cirurgias eletivas, não emergenciais, 7% disseram ser razoável o paciente aguardar mais de dois meses.

Há, claro, operadores de planos de saúde melhores e piores e a imprensa costuma publicar um ranking para avaliação da qualidade de seus serviços. Mas, em vista dos abusos, era necessária uma regulamentação. De agora em diante, as consultas básicas devem ser feitas em até sete dias da solicitação. Em certas especialidades, como cardiologia, o atendimento deve se dar em 15 dias. Exames básicos têm de ser realizados em até três dias e exames mais complexos, em sete dias após a recomendação médica.

Não faltam médicos que reclamam dos preços pagos por operadoras por consultas ou cirurgias. Não os consideram adequados à sua especialidade e ao volume de sua clientela. Essa é uma questão a ser resolvida entre os profissionais e as empresas, não sendo aceitáveis reajustes extraordinários a serem pagos pelos usuários dos planos, que já são muito caros, mesmo quando patrocinados por empresas para seus empregados. Deve-se considerar, além disso, que os clientes desses planos também sustentam, por meio de suas contribuições previdenciárias e os impostos que recolhem, o SUS, cujos serviços são precários. Se os planos de saúde são uma alternativa ao SUS, devem aperfeiçoar o seu atendimento.

Nesse sentido, vale destacar o veto do STJ a reajustes de mensalidades para pessoas de mais de 60 anos. Trata-se de corrigir uma flagrante injustiça. A grande maioria dos cidadãos passa décadas pagando mensalmente os seus planos, recorrendo a eles poucas vezes para consultas, geralmente para exames de rotina, e custando, portanto, muito pouco para as operadoras. Com o envelhecimento, é natural que aumentem os cuidados com a saúde, o número de consultas e, eventualmente, de cirurgias e outros tratamentos. Nessa altura, quando mais precisam e quando geralmente a sua renda diminui, os mais velhos se veem obrigados a pagar um adicional às operadoras, às vezes de mais de 100% sobre o valor do contrato, sob a alegação da "alta sinistralidade do grupo".

A decisão do STJ refere-se a uma causa movida por um grupo de médicos da Associação Paulista de Medicina, que se ressentia da cobrança absurda de reajustes pela operadora. É previsível que a empresa envolvida ingresse com recurso contra a decisão do STJ, que não é final. Mas a expectativa é de que prevaleça o entendimento da relatora, ministra Nancy Andrighi, segundo o qual, "os direitos e obrigações dele (plano de saúde) decorrentes são exercidos por tempo indeterminado e sucessivamente".

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Manchetes do dia

Terça-feira, 12 / 10 / 2010

Folha de São Paulo
"Justiça bloqueia os bens de gigante da tecnologia"

Filial da Cisco no Brasil é acusada de usar fantasmas para subfaturar importações

A Justiça ordenou o bloqueio dos bens da Cisco do Brasil no processo em que a companhia, filial da gigante americana de tecnologia, é acusada de importação subfaturada com uso de empresas-fantasmas, informam José Ernesto Credendio e Mario Cesar Carvalho. Duas das empresas-fantasmas doaram, na campanha de 2006, R$ 500 mil ao PT. Em 2007, o partido confirmou a doação, mas disse que não tinha como verificar suspeitas sobre a Cisco. A Receita multou a empresa em R$ 3,3 bilhões pelo suposto esquema de fraude. A Cisco, que recorreu do bloqueio, diz que já liberou ativos financeiros e que a decisão não altera suas operações no Brasil.

O Estado de São Paulo
"MTA perde contrato e pode parar de voar para Correios"

Empresa está no centro da crise que derrubou a ministra Erenice Guerra da chefia da Casa Civil

Um dos pivôs da crise que derrubou a ministra da Casa Civil Erenice Guerra, a MasterTop Linhas Aéreas (MTA) caminha para fechar as portas e abandonar os contratos que mantém com os Correios. Desde 27 de setembro, a companhia não está operando grande parte das linhas de transporte de carga aérea postal e tem levado multas diárias por causa disso. Não tem dinheiro para combustível e começa a procurar fornecedores para fazer acordos. Na semana passada, a MTA - que tinha como testa de ferro o então diretor de Operações dos Correios, coronel Eduardo Artur Rodrigues Silva - perdeu na Justiça o contrato de R$ 44,9 milhões que havia ganho com uma liminar.

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segunda-feira, outubro 11, 2010

Ubatuba

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Baleia morta na Almada

Fernando Florindo de Souza
Uma baleia de aproximadamente 10 metros de comprimento foi encontrada morta na baia da Almada neste sábado.

Empurrada pelo vento a baleia vinha de encontro á praia da Almada que causou preocupação aos moradores.

A visita de uma baleia viva passeando em nossas praias pode atrair muitos turistas. Já morta, pode causar muitos transtornos. Sem sinais de ferimentos, mas já apresentando um cheiro forte ela espantaria os turistas se encalhasse na praia.

Na intenção de não deixar que isso acontecesse em pleno feriado, os pescadores Cesar Florindo e Claudio Florindo, apoiados por outros moradores se anteciparam rebocando a baleia com o barco Cantinho do Céu para longe da praia.

O mergulhador Aguinaldo de Souza Martins, proprietário do Bar de Praia Almada, foi quem amarrou a baleia pela cauda permitindo que fosse transportada.

A equipe do Aquario de Ubatuba foi acionada e orientou para que a baleia fosse levada para a praia de Ubatumirim onde será enterrada.

A praia da Almada é privilegiada por receber a visita ilustres de golfinhos, pinguins e baleias, encantando a todos.

Já é a segunda vez que uma baleia morta é avistada na praia. A primeira, há dez anos chegou a encalhar e foi enterrada na praia.

A noticia de outras baleias da mesma espécie que apareceram mortas nos últimos meses foi veiculada no Jornal Nacional no mesmo dia e ainda não se sabe a causa das mortes.

 
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