sábado, outubro 09, 2010

Deu em O Globo

A Petrobras é boa companheira (Editorial)

Do Blog do Noblat
Maior empresa da América Latina, a Petrobras quase sempre foi mais forte politicamente que o ministro a que se subordina. Não chega a ser um Estado paralelo, mas dela emana muito poder. Já foi considerada uma “caixa-preta”, e até o presidente Lula não chega a considerá-la um exemplo de transparência. Não se sabe quais, mas ele deve reunir motivos para ter feito um comentário neste sentido na pajelança petroeleitoral realizada na quinta-feira, em Angra dos Reis, no batismo — antecipado, por óbvias razões — de uma plataforma.

Fundada em 1953 como resultado de grande movimento nacionalista, a estatal se modernizou, passou a formar a cada geração quadros técnicos de grande competência e, ao começar a trabalhar com grandes petroleiras internacionais, a partir dos “contratos de risco” instituídos no governo Geisel, entrou numa fase de aperfeiçoamento mais acelerado. Com o fim do monopólio, no primeiro governo FH, modernizou-se ainda mais.

Mas há preocupantes pontos de interrogação diante do futuro da empresa. Alguns deles têm a ver com o uso que esquemas de origem fisiológico-sindical fazem da empresa na Era Lula.

Na edição de ontem, O GLOBO trouxe um exemplo da ação desses grupos: Ibanês César Cássel, um dos diretores da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), do Ministério de Minas e Energia, tem um escritório de eventos em Porto Alegre, Capacità, mimoseado pela Petrobras com pelo menos um contrato sem licitação.

O companheiro Cássel é próximo da candidata Dilma Rouseff desde quando ela era secretária de Energia do Rio Grande do Sul.

Não é fato isolado. Vide a facilidade com que a estatal abre os petrocofres para ONGs companheiras, também já demonstrado em reportagens.

No conhecido processo de partidarização do Estado, a infiltração na empresa parece ter sido proporcional ao seu tamanho.

Não há melhor símbolo dessa fase que Sílvio Pereira, único petista que até agora admitiu culpa no escândalo do mensalão, para trocar, na Justiça, o processo por serviços comunitários.

O símbolo não é apenas Silvinho, secretário-geral do PT quando estourou o caso, mas também o jipe de luxo recebido de presente de uma empreiteira baiana contratada pela estatal, a GDK.

Passa por momento delicado a empresa. A descoberta de promissoras reservas de petróleo no pré-sal atiçou a ideologia estatista do governo e da atual direção da companhia.

O modelo exitoso de exploração por concessão — tanto que por meio dele o pré-sal entrou no mapa do petróleo brasileiro — foi mudado, nessas áreas, para o de partilha, a fim de deixar o controle do óleo com o Estado.

Além disso, a estatal foi convertida em operadora única na região do pré-sal, e dona, compulsoriamente, de um terço dos consórcios. Daí a gigantesca capitalização — a “maior da Humanidade”. Na ponta final do modelo está a intenção de ela induzir a substituição de importações de equipamentos — o que sempre fez, diga-se.

Mas, apesar de todo o ufanismo característico do lulopetismo, as ações da estatal desabaram. Normal, alega a empresa, pois há bem mais títulos em circulação. O valor da empresa encolheu R$ 28 bilhões em apenas três dias.

Há, também, quem veja no ajuste a avaliação do risco de uma empresa cada vez mais controlada pelo governo, e hoje nas mãos de corporações.

A estatal é grande e movimenta muito dinheiro. Para tudo, no entanto, há um limite.

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Ressaca

Coluna do Mirisola

Estatuto da Sauna Finlandesa

"Que o caso de Maria Rita Kehl sirva de exemplo, porque qualquer manifestação de solidariedade será punida rigorosamente"

Marcelo Mirisola*
Maria Rita Kehl, colunista do jornal O Estado de São Paulo, disse que os leitores daquele jornal são uns merdas porque eles acham que o voto deles vale mais do que o voto do coitado que vive às custas do Bolsa Família. Foi demitida no ato. Claro que ela não usou essas palavras, mas resumidamente foi isso o que quis dizer (leia aqui o artigo de Maria Rita Kehl).

Ninguém pode acusar o Estadão de ser incoerente e não ser fiel aos seus leitores. Uma semana antes, o jornal mandou a pluralidade, a isenção e a hipocrisia pro espaço e engajou-se na campanha de José Serra, candidato da oposição e presidente aclamado e eleito nas redações e Saunas Finlandesas dos clubes Pinheiros, Harmonia e Paulistano – lugares nobres onde os votos decerto são mais valiosos e valorizados.

Maria Rita Kehl também é psicanalista e conhece os eleitores de Jose Serra e os leitores do Estadão de perto, e os atingiu no alvo. Dessa vez, o divã não agüentou, e partiu-se no meio da sessão. Ela tem toda minha solidariedade. Agora, quero ver como é que vai ficar pro lado dos colunistas de “esquerda” daquele jornal. Se o Estadão insistir na coerência e na defesa da liberdade de expressão, apenas os colunistas que são autores de biografia de banqueiro e/ou os que guardam afinidades com os anos dourados e a orquestra de Sylvio Mazzuca, digo, com o projeto editorial do jornal, continuarão a escrever por lá. Os demais serão sumariamente demitidos por justa causa!

Ora, que desaforo! O que esses comunistas estão pensando? Eles que escrevam seus manifestos vermelhos lá no jornalzinho do MST! Essa Maria Rita azedou o desejum de tia Ligia no Clube Harmonia. Atrevida!

Te cuida, Marcelo Paiva! Corre à boca miúda e graúda que o senhor freqüenta os bas-fonds da rua Augusta, anda na companhia de vagabundos, atores, atrizes e travestis, não usa mocassim de franjinha e consome álcool, fumo e quiçá outras substancias entorpecentes e alucinóginas. Além disso, é aleijado, escreve peças pornográficas e fala palavrão na frente das criancinhas. O Estadão está de olho em você. A mesma advertência vale para o senhor Luis Fernando Veríssimo, outro colorado que escreve há décadas no conceituado jornal paulistano.

- Como é que pode? Essa gente infiltrou-se em nossas fileiras e cospe no prato em que come. Mal agradecidos! Que o caso de Maria Rita Kehl sirva de exemplo, porque qualquer manifestação de solidariedade será punida rigorosamente de acordo com o Estatuto da Sauna Finlandesa, que segue:

Dos limites territoriais.

O Brasil começa e termina nas dependências sociais de nossas saunas finlandesas, quadras de tênis, shopping centers, prados e campos de pólo.

Artigo 1. A liberdade de expressão é sagrada, inegociável, inalienável e irrevogável. Fica proibido qualquer tipo de censura, caça às bruxas, manipulação, destruição de biografias, bem como qualquer tipo de índex e/ou exclusão por motivo de orientação política, sexual e religiosa... isso tudo bem longe de nossas dependências. Porque aqui dentro manda quem pode e obedece quem tem juízo, e não se fala mais nisso.

Artigo 2. Fica proibida a entrada de pobres;
Inciso I. Pobre só entra pra servir à gente;

Artigo 3. Fica vetado o uso de aparelhos celulares pré-pagos dentro das dependências das saunas; portanto pobre só abre a boca o mínimo e o necessário e somente quando for solicitado no exercício de suas atribuições e funções;
Inciso I. São funções dos pobres dizer: “Sim senhor”, “Às suas ordens”, “Amém”,“Agora mesmo”, “Serrra”, Serrra”.
Inciso II. Também é função do pobre empinar o traseiro e escrever bonitinho sempre que for solicitado, e quando não for solicitado idem;
Inciso III Todos os nossos funcionários, independentemente do cargo que ocupam, serão denominados “pobres” ou “empregadinhos”.

Artigo 4. Pobre nunca tem razão;

Artigo 5. Ficará vetado ao pobre a audição, a fala, o tato e o olfato e o exercício de quaisquer sentidos que não sejam os da subserviência e agradecimento;
Inciso I. Pobre só se mete nas conversas do patrão nas novelas do Manoel Carlos;

Artigo 6. Fica proibida a venda de eletrodomésticos a prestação;

Artigo 7. Pobre tem que ser limpinho;
Inciso I. Os chihuahuas e poodles que freqüentam nossas dependências sociais também terão de ser igualmente limpinhos, esterilizados e tosados em intervalos regulares de quinze dias;
Inciso II. Descontaremos os serviços de lobotomia no contra-cheque.

Artigo 8. Pobre tem que morar longe da gente. Bem longe;
Inciso I. Eles que se virem para chegar no horário.

Artigo 9. Pobre é burro, porco e analfabeto, e não tem nada o que tirar das pérolas que escrevemos em nossos editorias impecáveis;
Inciso I. Não toleraremos opiniões contrárias.
Inciso II. Euclides da Cunha foi nosso empregadinho, portanto trate de enfiar o rabo entre as pernas, vote no Serrrra e traga o badejo;

Artigo 10. Nossos empregadinhos ficam obrigados a fazer propaganda e VOTAR no Serrrra;
Inciso I. Pronuncia-se Serrrra: a língua do funcionário, bem como a alma que são nossas contratadas, devem tremer no começo do céu da boca e arrastar multidões;

Artigo 11. Pobre não sabe votar;
Inciso I. Nossos pobres VOTAM no Serrrra
Inciso II. A Maria Rita Kehl que vá cantar noutra freguesia

Artigo 12. Pobre é uma MERDA, e ficam revogadas todas as disposições em contrário.

* Considerado uma das grandes revelações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.

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Opinião

Texto, contexto e subtexto

O Estado de S.Paulo - Editorial
O texto: o ministro Franklin Martins, chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, anuncia que está viajando a Londres e Bruxelas com o objetivo de convidar especialistas europeus a participarem do Seminário Internacional Marco Regulatório da Radiodifusão, Comunicação Social e Telecomunicação, agendado para os primeiros dias de novembro no Brasil, encontro que vai oferecer subsídios para a elaboração do projeto de "controle social" da mídia que, informaram fontes do Palácio do Planalto, o governo pretende enviar ao Congresso, atenção, muita atenção, "ainda este ano".

O contexto: início do segundo turno das eleições presidenciais, no qual a campanha da candidata do governo não pode facilitar e dar margem novamente aos vacilos que frustraram a liquidação da fatura eleitoral já no primeiro turno, proeza da qual vinha prematuramente se jactando o maior cabo eleitoral da candidata oficial, o próprio presidente da República.

O subtexto: a mídia eletrônica - emissoras de televisão e rádio - é concessão estatal. Quem tem o poder de dar tem também o de pegar de volta. É bom, portanto, parar com esse negócio de "inventar coisas o dia inteiro", ameaça recente do presidente Lula contra o que entende ser mau uso da liberdade de imprensa por parte de jornais, revistas, rádios e televisões. Esses que não se cansam de inventar notícias como as "taxas de sucesso" na Casa Civil ou as contradições de Dilma Rousseff sobre a questão do aborto.

O destampatório de Lula, como é de seu estilo, é bem menos sutil do que o recado do ministro Martins, mas ambas as manifestações fazem parte do mesmo roteiro que vem sendo há anos seguido pelo lulo-petismo na tentativa de viabilizar uma precondição indispensável a seu projeto de perpetuação no poder: o controle da imprensa.

Essa encenação que Franklin Martins montou como parte de seu papel na estratégia eleitoral petista é tosca. Para começar, é ridículo tentar fazer alguém acreditar que o principal objetivo da viagem à Europa é convidar personalidades para participar de um seminário que se realizará no Brasil daqui a um mês. A programação de eventos internacionais, pelo menos os relevantes, exige agendamento com antecedência de no mínimo seis meses. Chama a atenção também o cronograma imaginado pelo ministro Martins: até o dia 10 de novembro as personalidades convidadas para o seminário ofereceriam sua contribuição. A partir daí, os 50 dias restantes para o fim do ano - e do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva -, e provavelmente menos tempo ainda até o início do recesso parlamentar, seriam dedicados ao trabalho de concluir o projeto a ser apresentado ao Congresso, incorporando as novas sugestões dos convidados do ministro às 633 que foram aprovadas pela Conferência Nacional de Comunicação realizada em dezembro do ano passado em Brasília.

Resumo da ópera: tudo isso é jogo de cena. É claro que Lula, que detesta ser contrariado, anda cada vez mais irritado com o comportamento da imprensa, que de fato não para - porque os fatos simplesmente se sucedem - de divulgar malfeitos do governo. E seus recentes arreganhos demonstram claramente isso. Mas ele é esperto o suficiente para perceber que o projeto de poder do Partido dos Trabalhadores ainda não avançou o suficiente para permitir iniciativas de ostensivo "controle social da mídia", que seriam vigorosamente repudiadas, como têm sido, pela consciência cívica do País. De modo que é absolutamente improvável que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se disponha a mexer nesse vespeiro agora.

Já não se pode dizer o mesmo, por outro lado, do combativo ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência. Franklin Martins tem uma história de lutas que fala por si. Aliás, essa é uma de suas grandes afinidades com Dilma Rousseff. Diferentemente de Lula, o pragmático esperto, para quem o que interessa é apenas o que convém a sua desmedida ambição de poder, Franklin Martins é "ideológico". Suas ameaças, portanto, devem ser levadas em consideração, para o futuro.

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Manchetes do dia

Sábado, 09 / 10 / 2010

Folha de São Paulo
"Escândalo nos Correios favorece os franqueados"

Estatal não cumpre prazo para licitar franquias postais e decide prorrogar os contratos para evitar um 'apagão'

A crise nos Correios fez o governo prorrogar por sete meses os contratos de agências franqueadas que venceriam em novembro. 0 objetivo é evitar um "apagão postal" e conter o desgaste político durante as eleições. Em 2008, o governo deu prazo de dois anos para que as franquias participassem de licitação ou seriam fechadas. Só 277 das 1.300 o fizeram; em 504, o processo está em andamento e, em 519, paralisado por liminares. O atraso na concorrência é reflexo do caos que atingiu a gestão da estatal e levou a demissão de seu presidente, provocado sobretudo pela disputa entre o PT e o PMDB mineiro por poder e cargos na empresa.

O Estado de São Paulo
"Na TV, Dilma e Serra falam de aborto e se dizem 'a favor da vida'"

Na volta do horário gratuito, tucano prega' coerência' e petista vê 'mentiras'

Os presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) deram a largada ontem no horário eleitoral na TV no segundo turno enfatizando a questão do aborto, polêmica que teria levado a petista a um revés inesperado no primeiro turno da eleição. 0 programa de Dilma optou por mensagens menos explícitas, vendendo a candidata como "mulher honesta que respeita a vida e as religiões". 0 vídeo tentou desfazer a polêmica em torno do tema, atribuindo-a a uma “corrente do mal" que usou a internet para disseminar “mentiras" sobre Dilma. Já o filmete do tucano foi enfático: "Este é José Serra, o homem que nunca se envolveu em escândalos e que sempre foi coerente, que sempre foi contra o aborto e defendeu a vida". Ao falar sobre o Mãe Brasileira, um dos principais projetos de Serra para a área da saúde, a campanha tucana exibiu mulheres grávidas, todas com a barriga de fora.

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sexta-feira, outubro 08, 2010

Arte - Georges Braque

Studio I, 1949 / Óleo sobre tela (92 x 73 cm) Coleção particular

Ubatuba em foco

Eleições 2010: Nota de esclarecimento

Prezado Sr. Sidney,

No último dia 03 de outubro, tive a honra de fiscalizar as eleições neste município de Ubatuba, na condição de Promotor Eleitoral. Em companhia do juiz de Direito eleitoral desta Comarca, visitei, das 8h às 17h, diversas escolas onde se realizavam as votações, em diversos bairros e sempre buscando garantir a ordem e a lisura do processo eleitoral. Contamos com o apoio da Guarda Civil Municipal,das Polícias Civil, Militar e Federal, bem como de uma Juíza de Direito designada para auxiliar o juízo eleitoral e da própria diretora do Cartório que também visitaram diversos locais de votação.

Com relação ao texto publicado pelo Sr. Rui Grillo, tenho a informar que, após ser contatado por este cidadão e orientá-lo, fui procurado por diversas pessoas que denunciaram a mim e ao juiz eleitoral que ele (Sr. Rui Grilo) estava no local fazendo boca de urna, além de provocar desordem e perturbar o transcurso da votação. Embora nada tivesse sido encontrado com ele que indicasse boca de urna e mas porque os ânimos das pessoas que trabalhavam no local estavam alterados por conta do comportamento daquele fiscal, o senhor Juiz Eleitoral decidiu se inteirar dos fatos. Indagado pelo Magistrado, o fiscal somente trazia informações genéricas e muitas suposições sem qualquer indicação concreta de fatos, razão pela qual nenhuma medida pôde ser tomada. O fiscal limitava-se apenas a questionar a ausência de crachá de pessoas que ele depois soube que eram funcionários da escola e de outras pessoas que ele dizia que não ter condições de identificar, chegando ao ponto de usar, de forma depreciativa, a expressão "bando de funcionários", o que evidenciou que, de fato, somente estava querendo causar tumulto. Reclamava também pelo fato de não ter ingressado no recinto eleitoral às 7h, fato esse que, pelo que fui informado na seção eleitoral em que ele se encontrava, foi devidamente registrado em ata e não trouxe prejuízos a ninguém. Em momento algum o Sr. Rui Grilo indicou que uma ou outra pessoa teria sido beneficiada pelas supostas irregularidades. Por conta disso e exatamente porque todos são iguais perante a lei, o Juiz Eleitoral consultou outras pessoas que estavam no local a serviço se havia alguma situação irregular e, após ter recebido resposta negativa, o ilustre fiscal foi por ele instado a adotar uma postura respeitosa em relação a todos os que estavam ali trabalhando em prol das eleições e também em respeito aos senhores eleitores ou que denunciasse fatos concretos e não meras suposições.

De todo modo, caso alguém tenha presenciado boca de urna, ou qualquer outra irregularidade, por gentileza, que apresente à Justiça Eleitoral a devida representação por escrito e acompanhada de nomes, lugar, testemunhas e um início de elementos probatórios a permitir que uma investigação possa ser realizada e os responsáveis punidos. Não basta "denuncismo" por "denuncismo" ou "achismo", tal como ocorrido no episódio do Sr. Rui Grilo, mas sim informações concretas e que permitam efetivamente a punição dos responsáveis. Além disso, a representação deve ser redigida em documento assinado a fim de que a pessoa que apresentar a notícia assuma também a responsabilidade pelos fatos que levar a conhecimento da Justiça, coibindo assim qualquer tentativa de usar a Justiça para fins estritamente eleitoreiros e eventual prática de denunciação caluniosa, o que, infelizmente, por vezes ocorre.

Tal como ocorreu no episódio relativo ao transporte de eleitores quando da escolha dos Conselheiros Tutelares de Ubatuba, se a denúncia for séria e substancial, o MINISTÉRIO PÚBLICO e a JUSTIÇA ELEITORAL não medirão esforços para afastar, processar, julgar e punir os responsáveis, independentemente de sua filiação partidária.

A propósito, informo ainda que foram coibidas algumas irregularidades por nós verificadas e relacionadas sobretudo a propaganda indevida. Foram retirados cartazes irregularmente colocados em vias públicas, bem como veículos estacionados com propaganda nas proximidades de locais de votação. Algumas pessoas ligadas a candidatos também foram convidadas a se retirar em razão de indícios de que poderiam vir a querer influenciar o eleitorado, o que foi atendido.

Em suma, o princípio norteador de nossa atuação foi garantir a ordem e a tranquilidade ao longo das 9 horas de votação, bem como a fiscalização de todo procedimento de recebimento de urnas e remessa de dados à Justiça Eleitoral, ao lado dos zelosos e dedicados funcionários do cartório eleitoral e dos senhorse fiscais de partido que conosco permaneceram no Cartório Eleitoral durante muitas horas e que ali souberam exercer o direito de fiscalizar de forma respeitosa e construtiva.

Gostaria, por fim, de registrar a ótima impressão que tive do eleitorado ubatubense nestas eleições, bem como dos cidadãos que, de forma honrada, foram convocados pela Justiça e trabalharam com afinco e seriedade para garantir o sucesso do primeiro turno em nossa Comarca.

Finalmente, em 30 de outubro, a Justiça e o Ministério Público Eleitoral, da mesma forma, farão inspeção "in loco" em locais de votação diversos e sem prévio aviso, com apoio de todo aparato de Segurança Pública Municipal, Estadual e Federal, a fim de que os senhores eleitores de Ubatuba também possam no segundo turno escolher os destinos de nossa Nação nos próximos 4 anos com a máxima tranquilidade e sem qualquer ingerência não permitida em lei.

Atenciosamente,

Dr. Jaime Meira do Nascimento Junior
Promotor de Justiça Eleitoral

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Formiga

Coluna do Celsinho

Musculatura

Celso de Almeida Jr.
Nos tempos de garoto, Toddy era o indicado.

Nescau, também.

Eu gostava mesmo é de Ovomaltine.

Nem me lembre da Emulsão Scott, horrível.

Biotonico Fontoura descia bem.

Calcigenol, para os ossos, delícia.

Não citarei as vitaminas da vovó.

Complexas demais para um artigo enxuto.

No meu caso, nenhum deles revelou grandes resultados.

Cresci miúdo, musculatura zero, apesar da educação física do Lélis.

Coisas da genética...e da preguiça!

Pois bem...

No encontro com os cabelos brancos descobri que, em política, vitaminas fazem efeito.

É curioso como candidatos adquirem força espantosa.

Votação expressiva para quem era imperceptível no território só pode ser fruto de uma boa dose de energéticos.

Nos tempos de criança, mamãe e papai bancavam a conta da farmácia e do mercadinho.

Na maravilhosa fábrica de políticos onipresentes, quem patrocina os fortificantes?

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Opinião

O fim de um tabu

O Estado de S.Paulo - Editorial
A partir de hoje, quando recomeça a propaganda eleitoral na televisão e no rádio, se saberá de que forma e com que intensidade a campanha do tucano José Serra assumirá o legado do governo Fernando Henrique, aceitando enfim, à sua maneira, o desafio da candidata Dilma Rousseff e do seu mentor, o presidente Lula, de confrontar o atual período com o que o antecedeu.

Foi o que os seus principais aliados - a começar do ex-governador mineiro e senador eleito Aécio Neves - defenderam enfaticamente no encontro que marcou a largada para o segundo turno, anteontem em Brasília, com a presença dos governadores e parlamentares eleitos pela coligação oposicionista. Na primeira fase da disputa, pôde-se contar nos dedos de uma mão quantas vezes Serra mencionou o ex-presidente. O seu nome e o termo privatizações eram considerados venenosos. O candidato acusava a rival de ter "duas caras". Ele próprio, porém, tinha uma cara ao sol e outra à sombra.

O mantra de Serra era discutir quem tinha de fato visão, experiência e capacidade para "fazer mais" no pós-Lula. Não funcionou. Se dependesse exclusivamente disso, Dilma seria a esta altura a presidente eleita do Brasil, graças ao seu patrono. Os resultados do 3 de outubro representaram para o tucano, mais do que uma derrota eleitoral, uma derrota política. Ou seja, como diria Marina Silva, "perdeu perdendo". É verdade que também Dilma saiu derrotada politicamente, por ter embarcado na canoa da invencibilidade que o seu chefe conduzia.

Salvo na 25.ª hora por mudanças para as quais não contribuiu - a migração de votos dilmistas para Marina Silva e a preferência pela candidata verde de muitos dos até então indecisos -, Serra acabou premiado com a chance de, na pior das hipóteses, perder ganhando no tira-teima do dia 31. Até hoje, nenhum candidato a presidente e raros candidatos a governador conseguiram virar o jogo no segundo turno. Ainda que o retrospecto se confirme, a oposição pelo menos sairá da peleja com a coluna vertebral no lugar se fizer com que a coerência prevaleça sobre a conveniência.

Se não exatamente com essas palavras, foi seguramente com esse espírito de catar o touro à unha que os serristas partiram para a nova empreitada. "Seja mais Serra do que marketing", exortou, sob intensos aplausos, o ex-presidente e senador eleito, Itamar Franco. Trata-se de adaptar a estratégia de comunicação ao foco político da campanha - e não o contrário. E esse foco só se firmará se o candidato se dispuser a ir além da rememoração das realizações de sua trajetória para encaixá-las na moldura da ideologia que as inspirou - e que chegou ao poder com Fernando Henrique. "Não precisa esconder ninguém", aconselhou Itamar.

"Devemos defender isso com altivez e iniciar o segundo turno falando dele", apontou por sua vez Aécio Neves, credenciado por seu sucesso nas eleições mineiras a ocupar um lugar central na campanha pelo Planalto. O ex-governador mostrou, ele próprio, o que isso significa - e o que Serra não disse no horário eleitoral. "Não teria havido o governo Lula se não tivesse havido o governo Itamar, com a coragem política de lançar o real, e se não tivesse havido o governo FHC, que consolidou e abriu a economia", começou, antes de encarar a questão até aqui tabu.

"Se querem condenar as privatizações, estão dizendo a cada cidadão brasileiro que pegue o celular no seu bolso, na sua bolsa e jogue na lata de lixo mais próxima", provocou. "Foi a privatização do setor que permitiu a universalização de acesso da população, por exemplo, à telefonia celular." Abertas as comportas, Serra lembrou que "o governo Lula continuou a privatizar", citando os casos do Banco do Estado do Maranhão e do Banco do Estado do Ceará, no primeiro mandato. "Se privatizou, não era tão contra."

Ao devolver a bola para o campo do adversário, o PSDB finalmente virou a página da equivocada conduta no segundo turno de 2006, quando o então candidato Geraldo Alckmin ficou na defensiva diante da propaganda lulista que o acusava de desejar a privatização da Petrobrás e do Banco do Brasil. Nesse sentido, o segundo turno de agora é, sim, uma nova eleição.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 08 / 10 / 2010

Folha de São Paulo
"Rodoanel vai se ligar a Cumbica e à marginal Tietê"

Construção do trecho norte, com 42,8 km, tem custo estimado em R$ 5 bi; obra deve ficar pronta em 2014

O governo do Estado definiu o traçado do trecho norte do Rodoanel. A obra ficará pronta em 2014 e vai facilitar os acessos ao aeroporto de Guarulhos e à marginal Tietê. Seus 42,8 km vão exigir R$ 5 bilhões. O trecho sul, com 57 km, não atingiu o valor de R$ 5,5 bilhões. A Secretaria dos Transportes prevê que o novo trecho do Rodoanel leve à diminuição de 10% do tráfego na marginal. O Estado projeta economia de 34 minutos (de 125 para 91) na viagem da rodovia dos Bandeirantes à Dutra, segundo estudo de impacto ambiental. Para evitar efeitos mais drásticos no Parque Estadual da Cantareira, prevê-se a desapropriação de 2.784 imóveis, 540/0 mais que o trecho sul. Além do dinheiro do Estado, estão em negociação um empréstimo internacional e a participação do governo federal.

O Estado de São Paulo
"Petrobras perde em 3 dias R$ 28,4 bilhões de seu valor em bolsa"

Relatórios bancários e rumores sobre a estatal provocam queda de 7,5%

Em dois dias marcados por intensa boataria entre operadores do mercado financeiro e pelos efeitos de relatórios bancários desfavoráveis para o comportamento de suas ações, a Petrobras perdeu R$ 24,9 bilhões de valor em bolsa. Na comparação com o início da semana, a perda foi ainda maior: R$ 28,4 bilhões. A queda foi de 7,5% ante os R$ 380,82 bilhões que a empresa valia na segunda-feira, contabilizados os ganhos da capitalização. As ações preferenciais registraram ontem a menor cotação em 18 meses, afetadas pela expectativa de supostas denúncias de irregularidades na empresa e no processo de capitalização. "O mercado acionário é movido por inúmeras variáveis difíceis de quantificar", disse o diretor financeiro da Petrobras, A1mir Barbassa. Desconsiderando as oscilações, o presidente Lula disse ontem ter orgulho de "ter participado da maior capitalização da humanidade".

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Lanche soviético?

Antigamente a direita dizia que os comunistas comiam criancinhas. Nunca acreditei, mas ao ver a foto fiquei em dúvida. Será? Sidney Borges

quinta-feira, outubro 07, 2010

Pensata de prêmio Nobel

O socialismo do século XXI

Mario Vargas Llosa
Diferentemente do que ocorre em outros países, onde a imprensa escrita perde leitores e publicidade e, em consequência, empobrece, no Brasil ela parece gozar de ótima saúde. É a impressão que me fica de uma semana intensa passada nesse país, entre o Rio de Janeiro e São Paulo (com direito a uma rápida escapada até o pequeno paraíso de Búzios), durante a qual, fiel à minha vocação de leitor inveterado de jornais, tomei café da manhã todos os dias mergulhado nas abundantes páginas de "O Globo", "O Estado de S.Paulo" e "Folha de S.Paulo", os três principais jornais do país. Excelentes, os três. Bem escritos e otimamente diagramados, com rica informação local e internacional, bons colunistas, pouco sensacionalismo e quase nenhuma fofocagem. A única coisa a lamentar é o pouco espaço dedicado à cultura, algo de que os três padecem — mas já sabemos que isso é, hoje, uma doença mundial.

A imprensa brasileira, escrita e televisiva, reagiu com muita força e condenou de maneira severa o fechamento da Radio Caracas Televisión pelo aprendiz de ditador venezuelano Hugo Chávez. Até o Senado brasileiro fez a mesma coisa, numa atitude que o enobrece, sobretudo considerando os escrúpulos e silêncios covardes de outros parlamentos latino-americanos diante da violação cometida por Chávez com a intenção de acabar com o pluralismo da informação e com a liberdade de expressão na Venezuela. Lamentável, isso sim, é o apoio que Chávez recebeu do presidente Lula, que justificou o fechamento da RCTV, para não despertar a ira do caudilho venezuelano, numa atitude que felizmente recebeu muitas e justas críticas da imprensa brasileira. De resto, não existe o menor risco de que Lula imite Hugo Chávez: embora lhe mande beijinhos escancarados e simule, por vezes, apoiá-lo, sua política vai no sentido exatamente oposto ao da estatização e do coletivismo econômico que o destemperado comandante aplica em seu país, decidido, pelo visto, a produzir na Venezuela uma catástrofe econômica e institucional semelhante à gerada no Peru pelo general Juan Velasco Alvarado, mais um dos mentores e modelos de Hugo Chávez, além de Fidel Castro.

Lula optou por um socialismo moderno, à moda europeia, ou seja, por um socialismo que dele só mantém mesmo o nome, pois apoia o investimento estrangeiro e o mercado, a abertura econômica e a empresa privada. E é por isso que os empresários brasileiros estão satisfeitos com ele: sabem que suas declarações esporádicas de simpatia em relação a Chávez são meras concessões retóricas à esquerda radical com vistas a aplacá-la — sem nenhum sucesso nesse sentido, aliás, pois ela já o ataca por considerá-lo um traidor da revolução. São os paradoxos do tempo em que vivemos: Lula, campeão do capitalismo para uma direita econômica brasileira que vê no ex-sindicalista a melhor defesa contra o “socialismo do século XXI” proposto por Hugo Chávez.

O último número da revista "Veja" — com uma tiragem de um milhão e duzentos mil exemplares por semana — contém uma excelente reportagem investigativa sobre esse “socialismo do século XXI” inventado pelo comandante Hugo Chávez e que ele, a golpe de petrodólares, empenha-se em disseminar por toda a região. O texto, assinado pelo jornalista Duda Teixeira, que averiguou os dados in loco, é preciso. Alguns exemplos ali expostos demonstram a velocidade e a obscenidade com que os colaboradores políticos mais próximos do caudilho-paraquedista enriqueceram no poder. O psiquiatra Jorge Rodríguez, vice-presidente nomeado por Chávez, é dono de um luxuoso hotel na ilha Margarita, principal balneário do país. Adán Chávez, irmão do presidente e ministro da Educação, é dono de uma empresa proprietária de 1.600 caminhões e barcos de pesca, e o senhor Eudomario Carrujo, diretor financeiro da poderosa PDVSA, a companhia petrolífera estatal, possui uma frota particular de quinze automóveis de luxo, entre eles um Hummer H2, que vale cem mil dólares. Este último veículo é o preferido entre os altos funcionários chavistas, segundo admitiram à "Veja" as concessionárias de automóveis de Caracas. Luis Acosta Carlez, governador chavista de Carabobo e um dos principais arautos do “socialismo do século XXI”, perguntou sem o menor escrúpulo:

“Por que nós, revolucionários, não teríamos o direito de ter uma caminhonete Hummer H2?” Com efeito, por que não? Por acaso o presidente Brejnev, da URSS, não tinha como hobby colecionar Mercedes-Benz? Mas não são apenas os carros que estão entre as fraquezas da atual nomenclatura venezuelana. Outra delas é Miami, com seus shopping centers, boates e hotéis de luxo. Nesse quesito, registra o jornalista da "Veja", com humor, Hugo Chávez já conseguiu igualar seu herói epônimo Fidel Castro: como os cubanos, todos os venezuelanos, agora, sonham em fugir para os Estados Unidos. A diferença está em que os altos funcionários chavistas podem, sim, fazê-lo. Mas como não fica bem gastarem seus petrodólares no império contra o qual seu chefe e caudilho se destempera dia e noite, valem-se de pequenos golpes ou malandragens que o relato de "Veja" narra com inúmeros detalhes. Como o de terem dois passaportes — um deles apenas para viagens aos Estados Unidos — ou então arrancar as páginas que contenham carimbos de entrada no inferno imperialista.

O “socialismo do século XXI” consiste, também, em um mercantilismo desavergonhado. Na Venezuela de hoje, ainda é possível ser um capitalista bem-sucedido, desde que se seja, também, um chavista servil. Como a transparência desapareceu completamente com a instalação do regime, as concessões, licitações e contratos estatais são outorgados a dedo, e, às vezes, mediante editais ou concursos manipulados. Prevalece, sempre, o critério político, conforme a velha lei de ferro das ditaduras terceiro-mundistas: “Para os amigos, todos os favores; para os inimigos, a lei.” Como, graças à política chavista, a produção industrial do país despencou, a importação de mercadorias de primeira necessidade constitui, hoje, excelente negócio. No entanto, para obter os dólares necessários, o importador precisa manter ótimas relações com o governo, já que, visando exatamente isso, estabeleceu-se o controle do câmbio, tradicional instrumento de coerção e de suborno adotado pelos governos “nacionalistas” latino-americanos.

Apesar da pavorosa realidade de corrupção, favorecimentos pessoais, demagogia e autoritarismo que relata, a reportagem da "Veja" não é totalmente pessimista. Por outro lado, confirma algo de que eu já suspeitava depois de ver a maneira corajosa com que a oposição venezuelana se mobilizou contra o fechamento da Radio Caracas Televisión: que, dessa vez, o caudilho venezuelano deu um passo em falso e o povo venezuelano começou a abrir os olhos para o monstro que criou ao depositar sua confiança e seus votos em um demagogo que pode levar o país à ruína e a uma ditadura totalitária. As pesquisas feitas pelo Instituto Hinterlaces, de Caracas, e publicadas pela "Veja", falam por si: 78% dos venezuelanos desaprovam o antiamericanismo de Chávez; 85% condenam o financiamento político a outros países; 86% não querem um socialismo à cubana; e 86% são contra o confisco de propriedades privadas. Mais: 40% dos venezuelanos que votaram em Chávez nas eleições de dezembro passado declaram que hoje votariam contra ele.

Ainda há esperança, portanto, para a Venezuela. E podemos garantir, sem medo de errar, que o “socialismo do século XXI”, criatura típica do espadachim rasteiro, logo se esvaziará, como mais um engodo criado por essas ditaduras grotescas de que está repleta a história latino-americana.

O que levou milhões de venezuelanos a votarem a favor de Hugo Chávez em diferentes ocasiões nos últimos anos? A corrupção que corroía a democracia e a incapacidade desta última para diminuir a pobreza e as vergonhosas desigualdades sociais. Mas, em vez de optar por uma alternativa libertadora, enfiaram uma corda no pescoço apoiando uma política que, em cinco anos, triplicou a criminalidade no país, fez a inflação disparar, esbanja recursos públicos financiando o extremismo marxista em todo o continente e mantém vivo o semicadáver cubano. Mas, sobretudo, um regime que acrescentou novas e mais perniciosas formas de corrupção às muitas que o país já trazia de antes. Neste momento, o presidente Chávez sabe que sua impopularidade cresce a cada dia. Por isso, apressa-se em fechar os poucos espaços que ainda restam, na Venezuela, para a denúncia de seus desmandos. O que aconteceu com a RCTV é apenas o começo de um processo que, como em Cuba, acabará por colocar todos os meios de comunicação venezuelanos sob o controle do Estado, à exceção, talvez, de duas ou três empresas supostamente independentes — parece ser esse, por exemplo, o caso da Venevisión, a julgar por seu abominável silêncio diante do fechamento da RCTV —, para manter a farsa do pluralismo na informação. Mas, a julgar pela valente reação que essa medida provocou no meio estudantil e popular que antes apoiava o regime, esse episódio poderia ser, também, o início do fim da revolução chavista.

São Paulo, 14 de junho de 2007

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Eleições 2010

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Ubatuba votou assim

Sidney Borges
O mapa mostra como foram distribuídos os votos no Estado de São Paulo. As áreas azuis indicam vitória de Alckmin, as escuras mostram onde o candidato tucano teve mais de 50% dos votos. Mercadante não convenceu a população e vai para o panteão dos ex-políticos, seu tempo passou. Lula colaborou para que o desfecho fosse esse.

Começou a corrida para o segundo turno com jeitão de filme velho. A campanha de Dilma vai falar das privatizações. É um risco, o PT teve oito anos para reverter o processo e não o fez. Serra não é Alckmin e não vai babar na gravata quando for interpelado. Ele conhece o tema e saberá responder.

Antes das privatizações um telefone custava 4 mil dólares, hoje todo mundo tem. Antes das privatizações a Vale patinava e a Embraer vivia no vermelho.

O PT fez um governo correto, respeitou o processo democrático, incentivou a livre iniciativa e a buscou diminuir a desigualdade que persiste no Brasil. A política distributiva dos programas sociais do gênero Bolsa-Família deu certo. Esses programas que lembram o "New Deal" colaboram para fortalecer o capitalismo e devem ser ampliados, ganhe quem ganhar. Seria oportuno que durante os dias que antecedem o segundo turno os candidatos mostrassem propostas sem ficar lutando com coisas de um passado que não voltará.

Viajar é preciso...

Deu em O Globo

Clima tenso

Merval Pereira no Blog do Noblat
Há na campanha de Dilma Rousseff um ambiente político de crise que não se dissipou com a reunião do Palácio da Alvorada do presidente Lula com os aliados. Havia uma certeza de vitória que o resultado das urnas transformou em receio de uma derrota no segundo turno.

Os votos que faltaram para a definição no primeiro turno são explicados por diversas óticas, e nem mesmo o presidente Lula escapa das críticas.

Procuram-se culpados, e em especial há uma desconfiança entre os aliados, especialmente o PMDB, mas não apenas ele, e o PT, antecipando as dificuldades que eram pressentidas para a formação do governo.

Sentindo-se excluídos da campanha nas últimas semanas, os aliados tinham a impressão de que o governo já considerava a eleição ganha e os petistas formavam um núcleo duro em torno da candidata, tentando marcar posição num futuro governo.

Antônio Palocci, José Eduardo Cardozo e outros petistas centralizaram de tal forma as decisões da campanha que ninguém mais participava do processo.

A vitória que parecia certa impediu que os aliados reclamassem com vigor, mas o PMDB e os outros partidos da base aliada internamente já imaginavam que esse poderia ser o tratamento em um futuro governo.

Com a reversão de expectativas, os aliados já estão querendo se posicionar em uma situação mais de força, o que se reflete em algumas mudanças na coordenação da campanha.

A chegada de Ciro Gomes, do PSB, é um sinal de que os aliados terão mais importância na definição estratégica do segundo turno.

Também as férias do ministro da articulação política, Padilha, vem do fato de que ele tem um bom diálogo com os partidos aliados.

Na análise do PMDB, os grandes movimentos da campanha não foram feitos pelos políticos, mas pelos diversos setores da sociedade, o que demonstra uma independência que não estava nos planos do governo.

O tal fator de bem-estar da população foi suficiente para colocar a candidata oficial do nada para um patamar de 40% dos votos.

Mas o movimento contra a legalização do aborto surgiu espontaneamente dentro dos movimentos religiosos e continua como um fator muito ativo nesse segundo turno, sem que tivesse sido provocado por nenhum marqueteiro tucano. Também a rejeição às denúncias de corrupção no Gabinete Civil com Erenice Guerra mudou votos na reta final. Todas questões morais que mexeram com o eleitorado.

A candidatura de Marina Silva surpreendeu a todos, roubando pontos preciosos dos dois ponteiros. Dilma perdeu na reta final os pontos que poderiam levá-la para uma vitória no primeiro turno, e Serra caiu do patamar de 40% que manteve grande parte da campanha e que foi o tamanho que Geraldo Alckmin teve no primeiro turno de 2006.

O PMDB tem uma avaliação de que esse caminho ficou aberto para Marina também por um erro estratégico do próprio Lula que, considerando a parada ganha, deu asas à sua obsessão com o Senado.

De um lado, de destruir os inimigos que escolheu, de outro de conseguir uma maioria tranqüilizadora. Começou a fazer campanha para aliados em detrimento de outros.

Para o PMDB, o exemplo da Bahia é claro: o peemedebista Geddel Vieira Lima perdeu a eleição, mas fez 1 milhão de votos, e foi totalmente ignorado pela campanha de Dilma, que se dedicou com exclusividade à vitória do governador Jacques Wagner do PT.

O resultado foi que Dilma teve no estado a mesma percentagem de votos que o governador baiano, e deixou de receber uma parte ponderável dos votos de Geddel. Disciplinado, o peemedebista já anunciou ontem que apoiará Dilma.

A opção preferencial por um aliado em cada estado fez com que a campanha de Dilma abrisse mão de outros palanques, o que pode trazer conseqüências para o segundo turno.

Houve também uma prioridade de Lula em pedir votos nos estados para o Senado, alegando que Dilma precisará de um apoio parlamentar seguro, como se ela já estivesse eleita.

Os partidos aliados, em especial o PMDB, estão fazendo questão de divulgar a boca pequena que há insatisfação dentro da aliança governista e, mais que isso, que há uma real preocupação do governo quanto ao resultado final da eleição neste segundo turno.

A cara preocupada do candidato a vice Michel Temer no pronunciamento que deveria ser da vitória e parecia ser o de uma derrota que não aconteceu, refletia esse sentimento. O PMDB é dos que acham que vingança é um prato que se come frio.
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Opinião

O chefe se exime

O Estado de S.Paulo - Editorial
Parece ter sido escrito pelo presidente Lula o Decálogo do Chefe, criação humorística que de há muito corre o mundo. Reza o seu primeiro mandamento que "o chefe sempre tem razão". O segundo determina que, "na improvável hipótese de alguma vez o chefe não ter razão, vale o mandamento anterior". Foi rigorosamente isso que Lula quis transmitir nos encontros de segunda e terça-feira com ministros, governadores e parlamentares eleitos, aliados da candidata Dilma Rousseff.

As reuniões, a propósito, ocorreram no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República. Mas, para quem se esmerou em transgredir a legislação antes e durante a campanha, não faz a menor diferença servir-se de novo de um bem público para fins eleitorais.

Tratava-se, na reunião do Alvorada, do que foi considerada uma derrota, apesar da ampla vitória de Dilma nas urnas de domingo: a necessidade de um segundo turno para a decisão final. E entre os correligionários de Dilma ali presentes alguns dos mais importantes atribuíram ao comportamento agressivo de Lula na fase crítica da disputa a migração de uma parcela dos votos dilmistas para Marina Silva.

Os escândalos na Receita e na Casa Civil e a polêmica do aborto fizeram o resto. Por sinal, foi a divulgação das violações do sigilo fiscal de pessoas ligadas ao tucano José Serra e do balcão de negócios instalado no centro do governo o que levou Lula a voltar-se com esbugalhada hostilidade contra os meios de comunicação. Quando, alertado, trocou a mordida pelo assopro, já no fim da campanha, o estrago estava feito.

A mídia não foi o único alvo da sua ira. Num comício em Santa Catarina, concitou seus comandados à "extirpação" do DEM, aguçando a inquietação daqueles setores da sociedade para os quais nem os êxitos do governo nem a popularidade estelar do seu condutor podem absolvê-lo pelo surto autoritário de que foi acometido. Eis que agora, numa das reuniões no Alvorada, ele invocou, para se justificar, um acerto de contas eleitorais. "Fui muito duro em alguns Estados por onde passei, mas precisava ajudar a eleger alguns senadores", confessou, candidamente.

No íntimo, ele há de saber que a truculência o situou na contramão da sua absoluta prioridade - eleger Dilma. Em público, porém, se conduz de acordo com o segundo mandamento do Decálogo: quando o chefe erra, prevalece a lei de que o chefe jamais erra. Lula, como se sabe, não tolera más notícias, para as quais sempre encontrará um causador que não ele. Assim, tão logo se confirmou que a sucessão ia para o segundo turno, entrou na muda e saiu de cena. Não teve nem sequer a dignidade de aparecer no domingo à noite ao lado da candidata de sua criação - e se manteve em silêncio decerto por mais tempo do que em qualquer outro momento de seu governo.

É do caráter de Lula jamais assumir parcela de responsabilidade pelos erros e fracassos das equipes que comanda - no governo e em campanha eleitoral -, e, por outro lado, assumir com exclusividade os louros por seus êxitos e vitórias.

Por isso, quando recobrou a voz, tratou de avisar que não tinha nada a ver com o que havia acontecido. "Teve sapato alto e clima de já ganhou, no primeiro turno", criticou, cobrando do PT "mais humildade". Logo ele que, no palanque que comandou, foi o único que proclamou a certeza de tal vitória. Não foi apenas para eleitor ver. Muitos dos companheiros a quem se dirigia no Alvorada já tinham ouvido uma vez e outra de sua boca que a sucessão era assunto liquidado. Se, ao fim e ao cabo, der tudo errado, não faltarão culpados - a começar da própria Dilma, que não soube ser simpática com o eleitor. Se der tudo certo, o mérito, naturalmente, será todo dele.

Falta combinar com o eleitorado. A tática petista para o segundo turno terá a volta, de um lado, do Lulinha, paz e amor. De outro, da cantilena de que a ascensão de um tucano ao Planalto abrirá as portas para novas privatizações. A fórmula funcionou no segundo turno de 2006, mas, à parte qualquer outra consideração, não é fácil impingir ao público a visão de um Serra privatista. Afinal, o resultado do primeiro turno mostrou que pelo menos 51,9% do eleitorado conserva sua capacidade de discernimento.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 07 / 10 / 2010

Folha de São Paulo
"Marina critica apetite do PV por ministérios"

Candidata derrotada indica que ficará neutra e reclama de assédio de aliados

A candidata do PV à Presidência, Marina Silva, criticou o interesse que dirigentes do partido demonstraram por ministérios do novo governo. Em reunião fechada, ela disse que não vai "se apequenar" nas negociações do segundo turno. Marina mostrou irritação com a ideia da campanha de José Serra (PSDB) de oferecer quatro ministérios em troca do apoio do PV contra Dilma Rousseff (PT), informa Bernardo Mello Franco. Ela voltou a indicar que pretende ficar neutra. Com ironia, a senadora atacou o fisiologismo de parte da cúpula verde: "Do jeito que tem gente aí, basta pensar num conselho de estatal, já estaria muito bom". A decisão do PV sobre o segundo turno deve ocorrer no dia 17, em convenção. Ao reclamar do assédio a aliados, ela prometeu não se curvar a práticas da "velha política". Marina ainda manifestou incômodo com a sugestão de que ela poderia apoiar Dilma por gratidão e pela amizade com o presidente Lula.

O Estado de São Paulo
"Serra enfrenta PT e defende privatizações da era FHC"

Estratégia tucana é mostrar que governo Lula não desfez a venda de estatais e que ela foi boa para o país

No dia seguinte ao anúncio de integrantes da campanha petista de que vão usar as privatizações para atacar a candidatura tucana, o presidenciável do PSDB, José Serra, defendeu as medidas tomadas na gestão de Fernando Henrique Cardoso. "Eles poderiam refazer as privatizações, mas não refizeram. Não venham com trololó de factoide dessa maneira. Isso não vão levar", afirmou. Em encontro com líderes do PSDB e de partidos aliados para dar largada a campanha para o segundo turno, Serra adotou tom de confronto com o PT. "Eles falam em privatização. 0 governo Lula continuou a privatizar", disse o tucano, citando a venda de dois bancos estaduais. A orientação é defender as privatizações, dizendo que foram boas para o país, e provocar Dilma Rousseff (PT) sobre o assunto, como resumiu o deputado tucano Jutahy Junior (BA): "Vamos jogar para ela essa questão: vai reestatizar a Vale, a Embraer?".

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quarta-feira, outubro 06, 2010

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Opinião

O Congresso de 2011

O Estado de S.Paulo - Editorial
O presidente Lula impediu o seu partido de apresentar candidatos próprios a governos estaduais - Minas Gerais foi o exemplo mais notório - onde isso dificultaria a construção de alianças em torno da candidatura Dilma Rousseff. Mas, no cômputo geral, a restrição não afetou o desempenho da legenda nas eleições para a Câmara dos Deputados e o Senado. No primeiro caso, ao conquistar 88 cadeiras e com o PMDB perdendo 10, o PT terá a partir de 2011 a maior bancada da Casa. No segundo, em que estavam em jogo 2/3 das 81 vagas, a sua representação passou de 8 para 15 membros.

Os ganhos petistas se inscrevem numa contabilidade ainda mais favorável para o lulismo. Se Dilma se eleger, terá no Congresso uma formidável maioria. Se o eleito for Serra, terá de comer pelas bordas esse contingente, com os talheres de sempre, a fim de neutralizar a inevitável tentativa do PT de impedi-lo de governar. Os números impressionam. Na Câmara, onde se registrou o menor índice de renovação desde 1998, a frente lulista integrada por 10 agremiações somará 311 cadeiras em 513. Para a aprovação de reformas constitucionais são necessários 308 votos.

Já os votos amealhados pelos 6 partidos da coligação serrista se traduzirão em não mais de 136 lugares. As siglas dos 66 restantes não apoiaram nenhum dos finalistas da corrida ao Planalto. Para se ter ideia do baque sofrido pela oposição, PSDB, DEM e PPS perderam ao todo 45 cadeiras. A rigor, as urnas de domingo não criaram uma nova relação de forças na Câmara: acentuaram o quadro existente. Já a qualidade do novo corpo legislativo pode ser medida pela chegada do palhaço Tiririca, com seu 1,3 milhão de votos, e a saída de políticos como os tucanos Arnaldo Madeira e Ricardo Montoro e o petista José Genoino.

A mudança mais significativa se deu no Senado - onde a presença oposicionista funciona como contrapeso ao controle absoluto do Congresso pelo governo. Ali caiu o projeto de prorrogação da CPMF e ali decerto teria caído, caso se materializasse, a emenda constitucional para propiciar a Lula um terceiro mandato. Mas a nova conformação da Casa dará a uma eventual presidente Dilma a supremacia com que o seu criador apenas podia sonhar. Os partidos da base lulista ficaram com 40 das 54 vagas em disputa, ao passo que o bloco PSDB-DEM perdeu 11 das 28 cadeiras que detinha no início da atual legislatura. Na próxima, com 73% dos lugares - índice igual ao da nova Câmara -, o Planalto será o dono do jogo no Senado, na hipótese de vitória de Dilma.

A captura do Senado terá tido para Lula um sabor quase tão adocicado quanto o da vingança bem-sucedida contra os seus mais acerbos adversários ali - os tucanos Tasso Jereissati, do Ceará, e Arthur Virgílio, do Amazonas. Um foi presidente do PSDB. O outro era líder da legenda na Casa. Lula nunca escondeu que o seu grande desejo, na frente legislativa da batalha eleitoral, era vê-los decapitados. Juntamente com eles, saem os demistas Heráclito Fortes, do Piauí, e Marco Maciel, de Pernambuco - este último provavelmente a maior perda singular sofrida pelo Congresso. De todo modo, o Senado passará a contar, de ambos os lados do corredor, com uma leva de políticos experientes, conhecidos antes pela moderação do que pela beligerância.

O primeiro deles, evidentemente, é o ex-governador mineiro Aécio Neves, do PSDB, o grande vitorioso do 3 de outubro na esfera estadual - elegeu sucessor o seu vice Antonio Anastasia e, para o Senado, o ex-presidente Itamar Franco. Ex-presidente da Câmara dos Deputados, Aécio poderá ocupar o mesmo cargo no Senado. Já a principal voz da oposição dificilmente deixará de ser a do tucano Aloysio Nunes Ferreira, em quem votaram 11,2 milhões de paulistas - um recorde no Estado - contrariando as pesquisas que o situavam em terceiro lugar, depois de Marta Suplicy e Netinho de Paula. Aloysio se distinguiu também por ser o único candidato que não teve medo de exibir no horário eleitoral o apoio do ex-presidente Fernando Henrique.

O Senado renovou-se mais do que a Câmara - uma boa notícia, considerando o retrospecto. O perigo é, se eleita, Dilma valer-se de sua maioria para aplastar a oposição nas duas Casas.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 06 / 10 / 2010

Folha de São Paulo
"Lula cobra ajustes na campanha de Dilma"

Candidata culpa aborto, quebra de sigilos e caso Erenice pelo 2° turno

O presidente Lula e governadores eleitos cobraram ajustes na estratégia de Dilma Rousseff (PT) para o segundo turno. Lula ordenou que a candidata se aproxime das pessoas e da imprensa e acabe com o tom formal de viagens e entrevistas. O PT também deve explorar a privatização no programa eleitoral, que volta ao ar na sexta. A ideia é comparar seu projeto de governo com o do PSDB. 0 partido consultou o TSE sobre a possibilidade de regionalizar parte de seus programas de TV. Em reunião de emergência com aliados, Dilma fez uma avaliação das razões para não ter vencido no primeiro turno, citando a questão do aborto, o vazamento de dados sigilosos de tucanos e as revelações de lobby praticado na Casa Civil. Para o presidente estadual do PT, Edinho Silva, houve associação entre o caso Erenice Guerra e os escândalos do mensalão e dos "aloprados".

O Estado de São Paulo
"Aliados criticam agressividade de Lula"

Governadores e parlamentares eleitos pediram que presidente evite ironias, faça promessas e cesse os ataques à imprensa

Governadores eleitos e parlamentares aliados do Planalto e da candidata Dilma Rousseff querem, no embate do segundo turno, uma participação menos agressiva do presidente Lula. Em duas reuniões realizadas ontem e domingo, no Palácio da Alvorada, os aliados pediram que o presidente, considerado o maior cabo eleitoral de Dilma, evite ironias, faça mais promessas e, acima de tudo, elimine os ataques à imprensa. Sem citar o presidente, o governador Eduardo Campos (PSB), reeleito em Pernambuco com recorde de votos, reprovou o embate com a mídia: "Nós vivemos além das pancadas que recebemos", ensinou. Segundo relatos colhidos pelo Estado, o governador da Bahia, Jaques Wagner, disse, na presença de Dilma, que as críticas enfurecidas à imprensa "são entendidas como tentativas de coerção". E acrescentou que isso desfoca o próprio PT.

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terça-feira, outubro 05, 2010

Ramalhete de "Causos"


O buraco das cobras

José Ronaldo dos Santos
Fim do dia. Logo era serão. O lugar, bem longe de qualquer casa, era o Morro da Anta, já no espigão que dá vista para a Lagoinha, defronte ao Morro da Jacutinga. Para chegar ali se enfrentava uma só subida de quase hora, quase igual ao Morro do Ai Jesus, no Saco dos Morcegos. Ao escutar os primeiros pios de curiabôs nas grotas, cada um dos presentes catava a sua ferramenta porque o dia estava encerrado, embora alguns deles ainda deveriam ir armar o tresmalho para garantir peixe fresco para o dia seguinte. Afinal, conforme o tio Maneco Armiro: “quem resiste a um escardado de sargo, de piragica ou mesmo de jangolengo?”. Eu, um dos últimos, estava encarregado de descer com algumas canas para a garapa do café da manhã seguinte. De repente, grita da badeja o tio João: - Zezinho, traga a jararaca. Tá pendurada na carquera.

A minha vontade era largar aquele bicho feio, de cabeça amassada pelo olho da enxada. Onde já se viu ficar se preocupando com cobra mesmo depois de morta? Mas... quem tinha coragem de tal ato? Era como cometer um pecado gravíssimo. Assim, só restava fazer aquilo que a tradição do lugar determinava: levar a peçonhenta até o Buraco da Cobra. Assim eu cresci. Até hoje penso na quantidade que lá foi depositada. Deve ter muitas ossadas ainda por lá, se diluindo aos poucos para o mar.

O Buraco da Cobra fica na Costeira do Cambiá. Era para lá que, independentemente de onde tivesse sido morta, as pessoas abandonavam os temíveis seres. Por isso que era comum, sempre que se zanzava na praia, ver passantes arrastando medonhos troféus. De vez em quando, aparecia uma víbora diferente, tal como o preto e brilhante urutu cruzeiro, que momentaneamente se tornava atração. Linda mesmo é a coral! Esta é a minha opinião. Creio que a vivência de tal tradição me deu uma característica importante: nunca tive medo das cobras.

Em uma ocasião, debaixo de um sol cruel de dezembro, enquanto cuidávamos de um fogo na capoeira, perguntei ao meu avô tudo o que eu ainda não sabia sobre o Buraco da Cobra, do costume que a gente tinha naquele lugar. Vovô me explicou tudo. Era um costume antigo, do tempo dos índios; diziam que osso de cobra é tão é tão venenoso quanto a picada da mesma. Por isso que os ossos não podem ficar em qualquer lugar, oferecendo risco às pessoas. Aquele lugar do Cambiá é e sempre foi usado para isso. Foram os índios que deixaram isso para nós; é um valor: além de se preocupar com a gente mesmo, também não desejamos que ninguém passe por tal mal. Arrematando a prosa, disse-me ele:

- Meu neto: fazei o bem sem olhar a quem, e, o mal, a ninguém. Quando você estiver com maus pensamentos, imagine o Buraco da Cobra e abandone naquele lugar feio todo tipo de ruindade, tudo aquilo que pode envenenar você e os outros também. Faça isso e seja feliz.

Leitura recomendada: Pedra do Reino, de Ariano Suassuna.

Boa leitura!


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Opinião

A implosão do plebiscito

O Estado de S.Paulo - Editorial
"Não é fácil obter 50% de votos do povo brasileiro no primeiro turno." Foi como se defendeu o presidente Luís Inácio Lula da Silva, percebendo para que lado sopravam os ventos, já na manhã da jornada eleitoral de domingo. E defender-se ele precisava porque não só nos palanques a céu aberto, mas nas inumeráveis reuniões a portas fechadas com o comando da candidatura Dilma Rousseff, fartou-se de vangloriar-se da vitória no primeiro turno.

Ofuscado por essa certeza, produzida pela euforia que o inebriou desde que a sua escolhida desbancou o tucano José Serra da liderança nas pesquisas, Lula subestimou o grau de autonomia de uma fatia expressiva do eleitorado que se guia pelo senso crítico. Foi quando passou a ocupar o centro das atenções, em detrimento da própria candidata, exibindo a incontinência verbal que lhe é peculiar quando lhe pisam os calos. Na sua fúria contra a imprensa, por ter ela revelado os escândalos das violações de sigilos fiscais na Receita e a esbórnia na Casa Civil de Erenice Guerra, ele se esqueceu de que o "Lulinha, paz e amor" foi o que o conduziu ao Palácio do Planalto.

Ao expor ao eleitorado o lado feral de sua personalidade política, ele evocou antagonismos que viriam a ser um dos fatores cruciais para remeter a disputa a 31 de outubro. O papel de Lula, portanto, foi decisivo, até aqui, de duas maneiras contraditórias. De um lado, mostrou-se capaz de carrear 47 milhões de votos para uma noviça desprovida de carisma, de quem a esmagadora maioria da população nunca tinha ouvido falar até pouco tempo atrás. Mas, de outro, por se achar invulnerável, acabou contribuindo para privá-la de um consagrador triunfo imediato.

De novo por se achar acima do bem e do mal, tardou a lançar ao mar o fardo Erenice. Quando o fez, a imagem de Dilma já tinha sido atingida pelos estilhaços da festança familiar da sua sucessora na Casa Civil, dando início a um movimento de migração de votos - principalmente para a verde Marina Silva. Serra, que terminou com cerca de 33% dos votos válidos - mais perto que os adversários daquilo que previam as sondagens -, se beneficiou por tabela, recuperando a vantagem que perdera no Estado de São Paulo.

Foi a presença do tema corrupção no noticiário que alimentou a onda verde. A começar dos jovens, crescentes setores do eleitorado passaram a se interessar por Marina como portadora da utopia do século 21: a defesa de uma causa nobre - a luta contra o aquecimento global e pelo progresso social - encarnada numa figura de excepcional integridade, com uma história de superação pessoal ainda mais comovedora que a de Lula. Ironicamente, na candidata identificada com o futuro que as novas gerações desistiram de esperar da política dos negócios, como sempre desaguaram também os votos do eleitorado conservador.

Nesse contingente de não pouca monta, sobretudo entre as mulheres e na chamada nova classe C - que melhorou de vida e se modernizou no plano material, mas continuou fiel a valores religiosos na esfera dos costumes -, a evangélica Marina ficou com os votos que seriam de Dilma antes que se propagasse na internet a acusação de que, além de ateia, ela era favorável ao aborto. Um retrospecto de declarações ambíguas, devidamente explorado por seus detratores, se mostrou mais forte que as cenas de religiosidade explícita protagonizadas pela candidata na reta final da campanha.

Mas, qualquer que tenha sido a importância do voto religioso para dar a Marina perto de 20 milhões de sufrágios (e outro tanto em porcentagem), ela foi a vencedora política do pleito. Não apenas por ter levado a sucessão a um novo teste, mas também pela proeza que está por trás disso: a implosão do projeto plebiscitário de Lula, que trabalhou noite e dia por uma disputa entre "nós e eles, pão, pão, queijo, queijo". "Nós", o lulismo, "eles", a oposição. Ao decidir participar, "com uma dorzinha no coração", do que o ex-companheiro desejava restringir a uma revanche com Fernando Henrique, Marina fez história.

"Não vamos aceitar o veredicto do plebiscito", prometeu em junho, na convenção do PV. E previu: "Ele vai ser revogado pelo povo."

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Manchetes do dia

Terça-feira, 05 / 10 / 2010

Folha de São Paulo
"PT já discute retirar aborto do programa de governo"

Para petistas, exploração do tema fez Dilma Rousseff perder votos

O PT discute retirar de seu programa a defesa do aborto. Para petistas e aliados do PMDB, a exploração do tema na internet fez a candidata Dilma Rousseff perder votos entre eleitores religiosos - que migraram para a evangélica Marina Silva - e levou ao segundo turno contra José Serra (PSDB). Dilma defendia a legalização, mas hoje se diz pessoalmente contra. Segundo José Eduardo Cardozo, que coordena a campanha ao Planalto, a posição pró-aborto não é unânime no PT. "Foi um erro ser pautado internamente por algumas feministas", declarou André Vargas, secretário de Comunicação do partido. Ontem, a CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) entrou no debate e lançou campanha "em defesa da vida."

O Estado de São Paulo
"Marina vai definir apoio no segundo turno em até 10 dias"

Terceira colocada na eleição quer discutir propostas de Dilma e Serra, mas alguns verdes já aderem ao tucano

Marina Silva (PV), que obteve 19,33% dos votos no primeiro turno da eleição presidencial, definirá seu apoio no segundo turno em até dez dias. Ela não descarta a neutralidade entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). 0 debate, insiste Marina, se dará com base em propostas - ela quer investimentos em educação e "acordos mais transparentes" na política. No PV, porém, Fernando Gabeira, derrotado na disputa pelo governo do Rio, anunciou apoio a Serra - que já conta com a adesão do diretório verde de São Paulo. No primeiro dia de campanha do segundo turno, Serra foi a Belo Horizonte e classificou o senador eleito Aécio Neves (PSDB) de "peça-chave" - em troca, tucanos mineiros querem apoio a Aécio para a Presidência em 2014. Dilma, por sua vez, atacou a promessa de Serra de elevar o salário mínimo para R$ 600.

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Aeroflot

segunda-feira, outubro 04, 2010

Ubatuba em foco

Recordando 2006

Sidney Borges
Nas eleições de 2006 três candidatos de Ubatuba disputaram os votos dos eleitores da comarca.

O ex-prefeito, Paulo Ramos de Oliveira, concorreu à Câmara Federal pelo PDT e obteve 5797 votos.

O presidente da Câmara Municipal, vereador Ricardo Cortes também concorreu à Câmara Federal, pelo PV. Teve 2438 votos.

Maurício Moromizato, do PT, pleiteou uma cadeira de deputado estadual. Recebeu 2214 votos.

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Senador

Coisas da vida...

Morreu?

Sidney Borges
Depois de receber um e-mail com a pergunta enigmática que dá título a este post resolvi voltar à carga. Não morri. Ainda não, mas certamente morrerei, o que me causa apreensão. Gosto de café com bolinho de chuva. Haverá isso no pós-canela-esticada? Já pensei em construir uma nave e me mudar. Fixar residência no horizonte de eventos de um buraco negro. Onde o tempo não passa. Vida eterna.

Ontem saí de casa para votar. Chovia. As ruas estavam movimentadas, muita gente caminhando pra lá e pra cá. Votei no Caramez para deputado estadual. Foi o meu cachorro quem deu a dica, quando saí ele latia: caramez, caramez, caramez, au, au... Para deputado federal votei no José Aníbal e para senador no Aloysio e no Yázigi. Cravei 45 para governador e presidente.

Acertei quase todos, só perdi um, embora o candidato derrotado a quem dei meu voto (Yázigi) tenha surpreendido com uma votação maiúscula para um estreante que não é artista nem futebolista.

Mas nem tudo foram rosas nos últimos dias. Confesso que cheguei a ficar apreensivo.

Quem não ficaria ao constatar o rumo das pesquisas. Explico: não conheço ninguém que tivesse mudado a intenção de voto e a maioria dos meus amigos e conhecidos sempre manifestou intenção de sufragar o nome de José Serra. Muito antes da avassaladora virada que levou Dilma à "vitória no primeiro turno" com folga, conforme ibopes e vox pópulis da vida apregoavam aos quatro ventos.

Com a dúvida pairando no ar, calei. Em minha cabeça circulava um mantra: "estou errado, ultrapassado, completamente enganado". Cheguei a acreditar nisso, mas o íncubo que sopra coisas na minha orelha advertia: calma bicho, a realidade não é o que parece.

O diabo é sábio não por que é o diabo, sim por que é velho. Como é velho o discurso petista dos últimos dias, com palavras de ordem da década de 1960. A radicalização verbal e a prática conservadora conflitante não convenceram o eleitorado.

Em Ubatuba nada mudou. Venceu Serra, venceu Alckmin, venceram Aloysio e Netinho. Marta Suplicy perdeu, assim como Eduardo Suplicy havia perdido para Afif Domingos.

O candidato a deputado estadual, Gil Arantes, apoiado pelo prefeito Eduardo Cesar, teve 5760 votos (5362 em 2006). Com a campanha milionária que vimos na cidade e o substancial apoio da máquina administrativa, achei pouco. Imagino que ele também achou.

Já o vereador Maurão passou raspando, continua vereador, mas é quase deputado. Federal!

O Brasil perdeu mais uma vez a oportunidade de eleger um presidente capaz de mudar o panorama. Enquanto o trem bala do PT que vai interligar cidades e vilarejos compreendidos entre o Oiapoque e o Chuí não chega, o aerotrem de Levi Fidelix está pronto a materializar-se.

Fica pra próxima.

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