sábado, setembro 25, 2010

En la Orilla del Mar

Justiça

Vereador de Ubatuba é afastado por suspeita de coação

SOLANGE SPIGLIATTI - Agência Estado
A Justiça de Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, afastou do cargo o vereador Rogério Frediani, acusado de ameaçar uma testemunha em um processo sobre improbidade administrativa na cidade. O juiz João Mário Estevam da Silva, da 1ª Vara Judicial de Ubatuba, acatou em parte Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público (MP) contra dois vereadores da cidade - Rogério Frediani e Claudinei Xavier. Ambos são acusados de ameaçar a testemunha.

O juiz concedeu liminar apenas para o afastamento de Rogério Frediani e negou o pedido contra Claudinei Xavier, por não ver indícios que justificassem seu afastamento. Eles e mais 12 pessoas - sendo outros quatro vereadores - estão supostamente envolvidos em atos de improbidade administrativa durante processo eleitoral para a escolha dos membros do Conselho Tutelar da cidade.

Os vereadores haviam sido suspensos de suas atividades legislativas pelo Judiciário de Ubatuba, mas a decisão foi cassada pelo Tribunal de Justiça (TJ) "sem prejuízo de futuro afastamento, se for o caso". Agora, o Ministério Público (MP) voltou a pedir o afastamento dos dois vereadores, por "ameaçar e influir negativamente no ânimo de uma testemunha".

Twitter

Aerocão

Ubatuba em foco

Eleições com ética e com regras
Nota do Diretório do Partido dos Trabalhadores de Ubatuba

O Partido dos Trabalhadores vem, através desta, se colocar frontalmente contrário à prática de boca de urna, de compra de votos, de transporte de eleitores e de forração do chão com panfletos ao redor dos locais de votação.

Também solicita às autoridades competentes que mantenham equipes de fiscalização e de limpeza para impedir a presença de panfletos e propagandas nesses locais.

O PT entende que o uso do poder econômico e as práticas citadas acima comprometem a lisura das eleições, a consolidação da democracia e a possibilidade de dias melhores para Ubatuba.

Para que não aconteça o mesmo que ocorreu nas eleições dos Conselhos Tutelares e que teve como conseqüência o afastamento dos conselheiros e vereadores envolvidos com essas práticas, e que não paire duvidas como ocorreu no resultado das eleições de 2008, faremos a mais severa fiscalização e convidamos toda a população para que também ajude a fiscalizar registrando atitudes suspeitas e fotografando as placas de veículos que estejam transportando grupos de eleitores.

Nesta semana uma comissão do PT solicitou uma reunião com o Promotor Público, Jaime Meira do Nascimento, e com o Sr. Juiz, Dr. João Mario Estevam da Silva. Devido às atribulações com a preparação do pleito, a comissão foi atendida pelo promotor público.

Durante o encontro a comissão manifestou a sua disposição em colaborar com a Justiça Eleitoral, sua preocupação com a possível compra de votos e a ocorrência de fatos semelhantes aos ocorridos nas eleições do Conselho Tutelar e com os desdobramentos da investigação sobre os membros da Câmara e da Prefeitura Municipal.

A comissão saiu da reunião satisfeita e confiante na ação enérgica da justiça para que as eleições do dia 03 ocorram em clima de respeito e de ordem.

Ubatuba, 25 de setembro de 2010

Julie Frances Christie

Coluna do Mirisola

Um Bom Lugar Para Morrer

"Mario Bortolotto sabe cultivar a paciência (até na hora de perdê-la). Sobretudo com as almas penadas que encontra pelo caminho. Porque, além de carregar essas almas consigo, ele agora também faz poesia de ótima qualidade com elas"

Marcelo Mirisola*
Há dez anos eu era outro cara, meio que perdido e sem rumo, apressado e muito parecido – pasmem ... – comigo mesmo, aqui e agora. Encontrei Mário Bortolotto numa das muitas baldeações que fiz pelo caminho. Ele estava escorado num balcão de bar, lia um pocket da L&PM e usava umas roupas esquisitas. Em breve, subiríamos no mesmo vagão:

- Tudo bem, Mario?

- E aí, Mirisola?

Essa viagem surpreendente já dura 10 anos. Continuamos. Indo. A diferença é que ele desce nas estações sempre do mesmo jeito e, apesar das merdas que encontra do lado de fora, volta para cabine cada vez mais íntegro e sabedor do seu destino: trôpego, baleado, lúcido. Mario - bem diferente de mim - conhece o trajeto. E isso, a meu ver, é mais vital e necessário do que tentar adivinhar os sobressaltos da próxima parada - uma questão de lógica, de causa e efeito. Bortolotto é mestre em ficar na dele.

Essas imagens de trens e plataformas parecem um pouco desgastadas, jamais pensei que recorreria a elas. Confesso que o faço somente para reforçar a idéia de que não é qualquer um que sabe ficar no seu canto, de bituca, observando. Em primeiro lugar, o cara tem de ser disciplinado, depois tem de aprender a não se dispersar e - se possível - não misturar vinho com uísque. Pronto, cheguei aonde queria. Mario Bortolotto sabe cultivar a paciência (até na hora de perdê-la). Mesmo assim, ele é muito paciente. Sobretudo com as almas penadas que encontra pelo caminho. E é nesse ponto que começa o livro. Porque, além de carregar essas almas consigo, ele faz blues, joga bilhar, as conduz e as ilumina, e agora também faz poesia de ótima qualidade com elas.

Depois de ler “Um bom lugar para morrer”*, o livro de poesias que ele escreveu exatamente nesse período que viajamos juntos, tenho a sensação de que não estarei tão perdido quando chegar na estação final, embora continue misturando pôr do sol e confusão, e continue apressado e insistindo na mesma urgência e nos malditos erros de sempre, mas isso ...bem, isso é problema meu.

Quero dizer que é bom ter o Mário no mesmo vagão, um cara que fica lá no canto dele. Sempre ligado, e rindo de si mesmo e tirando uma onda da cara, digo, do “si mesmo” dos outros. Pois bem. Nesse Um Bom Lugar Para Morrer, ele inventou uma espécie de compaixão cristã meio punk e nada lacrimosa “que venham a mim os que estão desesperados, os que nunca se arrependem (...) tô ai pra assumir todos os pecados”. Bom dizer que todos os pecados que percorrem esse livro podem ser lidos dessa forma: o troglodita perdoa, acolhe e ao mesmo tempo blasfema, disfarça, chama pra porrada e vai pra lona, em seguida ele imagina um cachorro que o receba sorrindo com um latido e brinca de apertar as tetas da amiga malucona.

Oquei, tudo dentro dos contrapontos e tensão necessárias à existência de qualquer obra de arte, até mesmo para dar um tempo na idiossincrasia que é fazer blues num país cujos cachorrinhos irão primeiramente sorrir latindo para o Roberto Carlos.

Outra coisa e a diferença. Bortolotto é um autor que se recusa a levar cachorrinhos para passear. Não é o tipo de cara que precisa repetir “Jesus Cristo,eu estou aqui” (aposto que o filho de Deus o tem em alta conta por causa disso).

Portanto, cada macaco no seu galho. Isso significa que o autor de "Um Bom Lugar Para Morrer" não poderia correr o risco de levitar em público. Não depois de ter sobrevivido a quatro tiros à queima roupa. Outro milagre seria canastrice. Daí que ele dispensa os efeitos especiais e chama seus demônios para “ter um particular” consigo e com seus leitores. Não há balas perdidas nesse livro. Os tiros são disparados do mesmo coração que aloja as balas e bombeia chumbo para o resto do corpo. Quem quiser pode chamar de poesia.

Nos intervalos do bangue-bangue, uma outra guerra. Na sua quitinete, e agora com as mulheres. Elas irrompem no meio das tempestades, com tinta barata escorrendo dos cabelos (as imagino ruivas); algumas enfeitiçadas e cambaleantes, lambuzadas de lágrimas, batom e vômito, outras orgulhosas de suas transparências, a maioria Beth Blue - fodidas e mal pagas, tanto faz, a lei é a mesma para todas: enquanto não aprenderem a equação básica da solidão (do “para sempre”) elas não terão vida fácil com o autor: "E ele queria entrar dentro dela/ e ficar lá o resto de sua vida/ não para ser um, mas para ser dois/ definitivamente e de uma vez por todas/ os dois".

"Um Bom Lugar Para Morrer" é a declaração de amor de um misantropo compassivo no meio de uma multidão de zumbis alucinados (como se isso fosse possível ...). Será? Ora, claro que é.

Tem um poema lá, cujo título é Ópera dos pombos sem destino que prova que sim. Quando o sujeito cultiva pombos-correios estropiados que se desviam das vidraças, mas que não foram 100% abandonados por Deus, tudo é possível. Esses pombos piolhentos não tem destino mas possuem endereço certo para morrer, esse é o ponto. Sabem por quê? Porque somente um poeta misantropo e generoso conseguiria – no meio da fuligem e da degeneração - imaginá-los assim: brancos e puros. Pombos perdidos que se recusaram a saber o caminho, e que, por fim, sintetizam o livro.

Nem seria preciso dizer que, apesar da bela imagem, o tempo dos pombos já era e o nosso tempo também já se foi: aliás, o poema Tempo de trégua incluído estrategicamente no começo do livro não deixa a menor dúvida com relação a isso.

Os pombos que Bortolotto cultiva no sótão voam disfarçados de morcegos e uivam feito coiotes, jogam bilhar de madrugada, brigam no bar e chegam em casa dilacerados querendo se livrar do amor: “Tem gente que ama muito/ Mas depois quer se livrar do amor/ Pra conseguir um novo amor".

Todavia, pombos não são morcegos nem são coiotes. Eles jamais conseguirão pousar em qualquer lugar diferente do sótão do poeta. Um lugar devastado, úmido e cheio de compaixão. O livro trata dessas aves estropiadas que se recusaram a saber o caminho, mas que - apesar de tudo – encontraram, nas palavras de Mário Bortolotto, um bom lugar para morrer. Não é nada pouco. O destino que qualquer livro honesto de poesia deveria pretender, eu acho.

*Um bom lugar para morrer. Editora Atrito Art. Rua João Pessoa, 103. Londrina-PR Tel: (43) 3344-5998. Email: atritoart@sercomtel.com.br

Você também encontra o livro no Sebo do Bactéria ou com o próprio Mário Bortolotto

* Considerado uma das grandes revelações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.

Twitter

Merenda Escolar

Andre Lessa/AE - Prisão. Policiais encontraram Durães em seu apartamento

'Barão da merenda' é preso em Higienópolis

Dono de empresa de alimentação com contratos em mais de 40 cidades em 9 Estados, Eloízo Durães é acusado de pagar R$ 175 mil a vereadores de Limeira para barrar CPI

Marcelo Godoy, Vitor Hugo Brandalise - O Estado de S.Paulo
Dono da maior empresa de merenda do País, a SP Alimentação, o empresário Eloízo Gomes Afonso Durães foi preso ontem às 7 horas em Higienópolis, região central de São Paulo. Alvo da investigação da máfia da merenda, Durães teve a prisão decretada pela Justiça por causa de propina de R$ 175 mil supostamente paga a dois vereadores de Limeira (SP). Um deles, Antônio Cesar Cortez (PV), conhecido como Quebra Ossos, é candidato a deputado estadual.

Investigação começou no RS

A investigação sobre os crimes da máfia da merenda nasceu em 2007, no Rio Grande do Sul. Em São Paulo, o Ministério Público abriu apuração em 2008 para averiguar suspeitas de fraude em licitação e formação de cartel envolvendo fornecedoras de merenda à rede de ensino da cidade. Em agosto, promotores descobriram documento mostrando supostos pagamentos de propina da SP Alimentação a 20 cidades de quatro Estados. Além disso, um laudo mostrou haver na merenda alimentos com validade vencida e em quantidade inferior a dos contratos.
Leia mais

Twitter
Clique aqui e saiba mais
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

A imprensa no pós-Lula

O Estado de S.Paulo - Editorial
O presidente Lula interrompeu a sucessão de pesados ataques aos meios de comunicação. Não que tenha mudado a sua peculiar visão do que seja a liberdade de imprensa - para ele, sinônimo de "informar corretamente", deixando implícito que se considera juiz, como governante, não como leitor, do que possa ser informação correta e o seu oposto. Mas mudou de tom. Numa longa entrevista ao portal Terra, divulgada na quinta-feira, Lula trocou a agressão pela crítica civilizada. Refutou as acusações de autoritarismo que se seguiram aos seus canhonaços e disse duvidar que exista um país com mais liberdade de comunicação do que o Brasil, "da parte do governo".

Esquece-se convenientemente de que o Planalto patrocinou em 2004 o projeto do Conselho Federal de Jornalismo que pretendia "orientar, fiscalizar e disciplinar" a atividade de informar. Diante da vigorosa reação da sociedade, o governo deixou a proposta morrer. De todo modo, a imprensa brasileira é hoje tão livre como era no primeiro dia de Lula presidente. Quando não é, como no caso da censura prévia imposta a este jornal, o problema se origina no Judiciário. A questão suscitada por algumas das afirmações de Lula na mencionada entrevista diz respeito ao futuro, dependendo de quem der as cartas nesse jogo, na hipótese de eleição da candidata Dilma Rousseff.

Disse o presidente que "duas ou três famílias são donas dos canais de televisão, e as mesmas são donas das rádios e donas dos jornais". (Nem por isso ele exprime desconforto com o fato de que o patriarca de uma dessas famílias é o seu dileto aliado José Sarney.) Disse também, embora não tivesse empregado o termo, que a propriedade cruzada dos meios de comunicação terá de ser revista no próximo governo, ou nos próximos governos, quando o Congresso deverá inexoravelmente estabelecer um novo marco regulatório do setor de telecomunicações. "Discutir isso", ressaltou, "é uma necessidade da nação brasileira." De pleno acordo. Não é de hoje que o Estado critica a concentração da propriedade na mídia e as facilidades para que um punhado de grupos econômicos controle, numa mesma praça, emissoras e publicações.

Ocorre que a exortação de Lula não pode ser dissociada das investidas petistas contra a autonomia da produção jornalística. Em circunstâncias normais, a preocupação manifestada pelo presidente seria salutar e merecedora de apoio. Mas ela pode ser tudo menos isso. É como na Argentina. Há pouco tempo, o governo da presidente Cristina Kirchner fez o Congresso aprovar uma Lei de Meios, a qual, tomada pelo valor de face, se destinaria a coibir a formação de conglomerados de comunicação, abrangendo, além das modalidades tradicionais, serviços de internet, TV a cabo e telefonia. Mas, ao dotar o governo de amplos poderes para intervir no setor, esse marco regulatório tem o claro propósito de dar à Casa Rosada poder para premiar a imprensa complacente e asfixiar aquela que ainda não desertou de suas funções de fiscalização e crítica.

Imaginem-se, portanto, os riscos de que um Congresso dominado pela coalizão lulista - e sob pressão dos "movimentos populares" atrelados ao PT - venha a impor uma legislação semelhante à do país vizinho, com o mesmo fim. Não se trata de fantasia. O ambiente para tal vem sendo laboriosamente construído pelos garroteadores em potencial da mídia. Entre um golpe de borduna e outro do presidente, por exemplo, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, cujas ambições partidárias no pós-Lula são amplamente conhecidas, aparece falando em "abuso do poder de informar" - uma óbvia senha para a companheirada. Seria o cúmulo da ingenuidade não ligar os pontos dessa urdidura.

O único dado alentador, no momento, foram as declarações de Dilma em defesa da liberdade de imprensa. A candidata não só tornou a repetir a boutade de que o único controle social da mídia que aprova é o controle remoto do televisor, como prometeu que, se eleita, não tentará impedir que a imprensa fale dela o que bem entender. "No máximo", antecipou, "vou dizer: está errado, por isso, por isso e por isso." É esperar que a sua posição prevaleça, se ela for a próxima presidente - que esperamos que não aconteça.

Twitter

Manchetes do dia

Sábado, 26 / 09 / 2010

Folha de São Paulo
"Impasse no Ficha Limpa põe 171 candidatos em suspenso"

Eleições 2010: Roriz renuncia e lança sua mulher após o Supremo não decidir sobre a validade da lei

A nove dias das eleições e sob risco de veto pelo Ficha Limpa, Joaquim Roriz, candidato ao governo do DF pelo PSC, decidiu retirar a candidatura e lançou sua mulher, Weslian, na disputa. Anteontem, após 15 horas julgando recurso de Roriz, o STF não conseguiu decidir se o Ficha Limpa vale neste ano -houve empate, 5 a 5. Para ministros, com a saída de Roriz, seu processo deve ser extinto no Supremo, que terá de aguardar recurso de outro candidato para voltar a debater a lei. Enquadrados no Ficha Limpa poderão concorrer, mas correm risco de não tomar posse. A indefinição afeta o julgamento de pelo menos 171 casos.

O Estado de São Paulo
"Serra e Marina sobem, mas Dilma ainda vence no 1º turno"

Em meio a escândalos, diferença da petista sobre a soma dos adversários cai de 14 para 9 pontos

Pesquisa Ibope para Estado e TV Globo mostra que a intenção de voto na candidata presidencial Dilma Rousseff (PT) oscilem de 51% para 50%. Já o tucano José Serra subiu de 25% para 28%, e Marina Silva (PV) passou de 11% para 12%. O crescimento de Serra se deu sobre os indecisos, que caíram de 8% para 5%. Em relação aos votos válidos, Dilma passou de 58% para 55%, enquanto Serra foi de 28% para 31%, e Marina se manteve em 13%. Com isso, a vantagem da petista sobre a soma dos adversários, que era de 4 pontos há uma semana, caiu para 9, captando efeitos do escândalo na Casa Civil, mas ela ainda venceria no primeiro turno se a eleição fosse hoje. Na hipótese de segundo turno entre a petista e o tucano, Dilma é favorita: venceria por 54% a 32%.

Twitter

sexta-feira, setembro 24, 2010

Oi!

ELE

Dez famílias

Sidney Borges
O presidente Lula afirmou que a imprensa brasileira é controlada por dez famílias. Há um pouco de exagero na afirmativa, mas Lula tem razão quando reclama da concentração midiática. Como presidente e "dono" da TV Lula ele deveria saber que fazer jornalismo é caro. Poucos empresários tem coragem e fôlego para encarar o desafio. Nos locais mais atrasados do pais e coincidentemente onde Lula é mais popular, as famílias Collor, Calheiros, Barbalho e Sarney dominam as comunicações.

Famílias que apoiam incondicionalmente o presidente.

Lula talvez gostasse de ver no Brasil uma imprensa nos moldes do Granma, de Cuba, cujo site pode ser acessado aqui: www.granma.cu 

O final do endereço eletrônico faz sentido.

Twitter

Gravidade zero

Claro como água...

"Revelado: Erenice é a Bolsa Família."

Millôr Fernandes

PORT SAID

Coluna do Celsinho

Fúria suspeita

Celso de Almeida Jr.
Acompanhei parte da discussão dos Ministros do Supremo Tribunal Federal sobre a chamada Lei do Ficha Limpa.

Independentemente do resultado, foi gratificante acompanhar o elevado nível do debate daqueles que têm a responsabilidade de zelar pelo cumprimento de nossa Constituição.

O Brasil amadureceu muito nos últimos anos.

Nossas instituições estão se aprimorando, firmando-se como resistentes pilares do regime democrático.

Integrando este conjunto fundamental encontra-se a imprensa.

Neste sentido, torna-se urgente que o Presidente da República afaste-se do calor do debate eleitoral e decline do inadequado hábito de atacar a imprensa e aqueles que a compõe.

A fúria do Presidente Lula com veículos de comunicação que esmiúçam o poder constituído desperta, no mínimo, certa dúvida.

Ora, como um homem que viveu intensamente o processo de redemocratização do Brasil é capaz de condenar a livre manifestação dos profissionais de imprensa?

Será que aquele antigo clamor democrático - que marcou a espetacular trajetória de Lula - foi apenas estratégia para a conquista do poder?

Espero, sinceramente, que não.

Preocupa, entretanto, a perigosa sedução do presidente por regimes que não admitem questionamentos.

Sua postura com Cuba, Venezuela e Irã comprova esta vocação.

Na conclusão de sua histórica passagem pela presidência, Lula já deveria estar mais consciente da repercussão de seus atos.

A eleição de companheiros não justifica atropelar a liberdade de expressão.

Não lhe permite afrontar a Constituição.

Ao achincalhar a manifestação da imprensa crítica, Lula mancha o que há de melhor em seu currículo original.

Twitter
Clique aqui e saiba mais
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Cerco à imprensa argentina

O Estado de S.Paulo - Editorial
Passados 27 anos do fim da ditadura militar na Argentina, o governo da presidente Cristina Kirchner pediu abertura de processo contra os diretores dos dois mais importantes jornais do país, Clarín e La Nación, por alegada cumplicidade dos periódicos com "crimes de lesa-humanidade" cometidos pelo regime em 1976. Os diários são acusados ainda de envolvimento com atos de "homicídio, extorsão, privação ilegítima de liberdade e tortura". Os ex-proprietários de um terceiro jornal, La Razón, adquirido pelo Grupo Clarín, também foram incluídos na denúncia.

A iniciativa, anunciada pela Casa Rosada em fins de agosto, não é nada do que aparenta - o restabelecimento da verdade e a imputação de responsabilidades aos controladores de duas organizações jornalísticas pela participação em algumas das brutais violações dos direitos humanos perpetrados ao longo do ciclo ditatorial argentino. Na realidade, por um tortuoso caminho, Cristina e seu marido, Néstor, o presidente que a precedeu e deverá se candidatar à sua sucessão no pleito de 2011, pretendem amordaçar as principais vozes críticas ao kirchnerismo na mídia nacional.

A arena em que se arma o garroteamento da imprensa independente argentina não é a do exercício da censura convencional em suas diversas modalidades, mas a da apropriação do insumo essencial do setor de comunicação impressa - o papel-jornal. Para dar certo, a operação passa pelo alijamento do Clarín e do La Nación do controle acionário da companhia Papel Prensa, que fabrica 75% do produto utilizado no país e abastece 170 jornais. O primeiro daqueles diários enfeixa 49% das ações da empresa. O segundo, 22,49%. O Estado detém 27,46%. As relações entre os acionistas privados e o parceiro estatal são de confronto aberto. De março até este mês, a Papel Prensa esteve sob intervenção, a pedido do governo.

Há mais de um ano, os Kirchners vêm tramando uma ofensiva em duas frentes para estatizar a empresa. De um lado, o governo enviou ao Congresso um projeto que declara "de interesse público" a produção e distribuição de papel-jornal. De outro, como previsto, foi à Justiça para incriminar os dirigentes dos matutinos que ainda não sucumbiram às intimidações da Casa Rosada. A acusação é de que, em conluio com os militares, coagiram os então proprietários da Papel Prensa a vendê-la a preço vil. Mas a mera cronologia dos fatos desmonta a ficção urdida pelo governo. A empresa pertencia à família do banqueiro David Graiver, Morto em agosto de 1976 no México, num desastre aéreo jamais elucidado.

Graiver aplicava no exterior os recursos obtidos pelo movimento armado peronista Montoneros com os sequestros de empresários argentinos. Entre março e abril de 1977, o regime prendeu e torturou seis parentes do banqueiro, entre eles a sua viúva Lidia Papaleo, condenada a 5 anos de prisão pelas ligações da família com a organização guerrilheira. Nessas condições, ela teria concordado em passar adiante a Papel Prensa. O anacronismo é flagrante: a transação ocorrera em novembro de 1976, meio ano antes, portanto. Os Graivers precisavam de dinheiro, entre outras coisas, para devolver aos Montoneros a sua parte. O irmão de David, Isidoro, entre outros familiares, assegura que a venda foi voluntária e a valor de mercado.

Também chama a atenção que, em nenhum outro momento, desde a redemocratização do país, em 1983, e no curso das numerosas investigações sobre os horrores do regime militar, se levantaram dúvidas sobre a legitimidade do negócio. Em nota conjunta, Clarín e La Nación qualificaram o pedido de processo "uma aberração moral e jurídica", sem nenhum fundamento na realidade. "O governo", assinalaram, "insiste em mentir, reescrever a história e manipular os direitos humanos como ferramenta de perseguição e represália." O mais grave é que os Kirchners o fazem apostando na complacência de um Judiciário em boa medida domesticado. É improvável que a presidente se expusesse ao risco de ver negada a sua solicitação.

As perspectivas para a liberdade de imprensa na Argentina são sombrias. O controle da mídia faz parte da operação eleitoral peronista no próximo ano.

Twitter

Manchetes do dia

Sexta-feira, 24 / 09 / 2010

Folha de São Paulo
"Petrobras conclui maior venda de ações da história"

Estatal obtém R$ 120,4 bilhões e se torna a segunda maior empresa do mundo, atrás da Exxon

Na maior venda de ações já feita no mercado de capi­tais mundial, a Petrobras levantou R$ 120,4 bilhões, valor equivalente a 4,2% do PIB (Produto Interno Bruto, soma de riquezas do país). Os US$ 70 bilhões superaram as ofertas da japonesa NTT (US$ 36,8 bilhões) e do chinês AgBank (US$ 22,1 bilhões). Em valor de mercado, a petroleira se tornou a segunda maior empresa do mundo, atrás da Exxon. A soma de dinheiro assegurado com o aumento de capital é de R$ 45,6 bilhões. Os outros R$ 74,8 bilhões virão do governo na forma de barris de petróleo da União. A grande adesão dos fundos internacionais e de pequenos investidores desmentiu rumores contrários e surpreendeu o mercado. O processo de capitalização dará à Petrobras recur­sos para financiar a exploração do pré-sal.

O Estado de São Paulo
"Megacapitalização pode por R$ 50 bi no caixa da Petrobras"

Valor do negócio, incluindo aporte do governo, pode alcançar R$ 120 bilhões

A megacapitalização da Petrobras terminou ontem e foi marcada por forte alta das ações da empresa, o que, segundo o mercado, indica que a operação foi bem-sucedida - a demanda pelas ações superou em cerca de duas vezes a oferta. Segundo projeções, o valor do negócio deve variar entre R$ 110 bilhões e R$ 120 bilhões. Hoje, o presidente Lula participará de cerimônia na sede da BM&FBovespa para celebrar a operação, a maior do mundo do gênero. Calcula-se que a governo tenha usado todos as recursos da chamada cessão onerosa (5 bilhões de barris de petróleo do pré-sal), cerca de US$ 42,5 bilhões (R$ 73 bilhões). Se a estimativa se confirmar, a dinheiro do mercado que entrará no caixa da estatal será de R$ 50 bilhões.

Twitter

quinta-feira, setembro 23, 2010

Men At Work - Overkill (1983)

99 Luftballons by Nena (German version) + lyrics

Brasil

Liberdade até para os estúpidos

Ronald de Carvalho (original aqui)
A liberdade de imprensa se aprimora pela liberdade de errar. Jornalista não é policial, alcagüete, meganha de quartel nem delator. Sua função na sociedade é a de vigilante dos princípios éticos que sustentam as instituições.

É possível que algumas vezes, do alto da gávea, se possa bradar um “terra à vista” sem que haja terra ou se a vista estiver embaçada. Entretanto, com certeza há gaivotas no céu.

Em 40 anos de profissão, já cometi muitos erros e vi muitas imprecisões serem cometidas por jornalistas da minha geração. Apesar disso, jamais se cometeu uma infâmia. A imprensa pode ser imprecisa, mas jamais, cega, surda ou idiota. Quando comete um erro, corra, porque atrás da meia verdade dorme a verdade inteira.

O jornalismo é um vigilante de seu tempo. Cabe a ele escarafunchar o ilícito para que a Polícia, o Ministério Público e a Justiça cheguem à verdade da transgressão. Não exijam que uma reportagem seja perfeita. Ela foi feita para cometer erros.

Aos poderes públicos, pertence a função de corretor de ortografia da verdade. Todos os grandes escândalos comprovados nos últimos tempos, quando denunciados, continham erros que quase desmereciam a denúncia.

Entretanto, a partir da imprecisão, a Justiça lavou a roupa e encontrou as nódoas que envergonhavam a sociedade. Assim foi com Collor: a cascata da Casa da Dinda era uma cascatinha de jardim e, portanto, a capa da revista era cascata. Desse erro chegou-se à quadrilha de extorsão.

Da mesma forma foram as denúncias de Carlos Lacerda contra o bando liderado por Getúlio. O fato inicial não era verdade, mas chegou-se a Gregório Fortunato e a história mudou de rumo.

Aparentemente, os aloprados de São Paulo que pretendiam comprar um dossiê que incriminava seus adversários, era uma malvada invenção da imprensa. Entretanto, uma foto retratando um morrote de dinheiro ilustrou a primeira página dos jornais e jogou uma eleição presidencial para o segundo turno.

Assim é a imprensa: se nutre do erro, para cevar a verdade. Aos tiranos ocorre o pavor à liberdade de errar para que, pelo silêncio, manipulem a verdade. Nesta penúltima semana de setembro, a revista Veja publica um artigo do sociólogo Demétrio Magnoli que é aula a quem pretende exercer, eleger, entender ou criticar o poder.

O título A Liberdade Enriquece mostra a conservadores, revolucionários, mentes lúcidas ou idiotas em particular que a liberdade de expressão transita por qualquer regime que realmente procure a justiça das sociedades.

Rosa de Luxemburgo, a Passionária polonesa que tanto inspirou as esquerdas do século vinte, é citada para reproduzir um mantra que define a liberdade. ” Liberdade somente para os partidários do governo não é liberdade. Liberdade é sempre a liberdade daquele que pensa de modo diferente”.

Como se não bastasse tamanho soco que nos faz acordar para a responsabilidade social, o artigo nos premia com a pérola de uma frase, que se bem pensada, nos leva à emoção: “Liberdade não é um artigo de luxo, um bem etéreo, desconectado da economia. Liberdade funciona, pois a criatividade é filha da crítica”.

Enquanto isso, nos porões da estupidez e na catacumba da inteligência há quem continue a afirmar que há excesso de liberdade de expressão no Brasil e que aqueles que estão no poder são a opinião pública.

Leiam, estudem, pois ainda há tempo.

A liberdade também foi feita para os estúpidos.

Twitter

Libertango (Piazzolla) - Yo-Yo Ma



Yo-Yo não é ioiô

Sidney Borges
Yo-Yo Ma é um virtuose. Apreciem a leitura que ele faz do Libertango de Piazzolla. Ubatuba não é parque de diversões, mas ultimamente quem aqui aportar poderá ficar em dúvida. O raciocínio cabe como uma luva na Câmara Municipal. Na casa das leis vereadores têm sido afastados com a freqüência de um ioiô subindo e descendo. E a cidade faz perguntas, cria teorias, espalha fofocas e contempla navios. Sem informações concretas. As ações acontecem e ninguém se preocupa em esclarecer os porquês. Em certos dias tenho a sensação de que nos tomam por crianças brincando com ioiôs. Especialmente os que detém o poder de manobrar os cordões dos ioiôs.

Transparência é fundamental no processo democrático.

Twitter

Comunistas

Leon Trotsky, Diego Rivera e Andre Breton, no México

Antes da machadada...

Sidney Borges
O barbudinho da esquerda é Leon Trotsky, fotografado em folguedos anti-burgueses com dois amigos célebres, o muralista Diego Rivera e o poeta surrealista Andre Breton. Trotsky devia ser bem-humorado, nos meus tempos de movimento estudantil, lá pelos idos de 1968, os trotsquistas eram palatáveis, já os cuecões do partidão, stalinistas, eram chatos.

Só ouviam Geraldo Vandré e não usavam jeans.

Trotsky foi amigo de fé e irmão camarada de Stalin e de Lenin, mas quando Stalin empunhou a caneta a amizade acabou. Embora não tenha sido reponsável direto pela ascenção de Stalin, fez parte do grupo que lutou até a chegada de Lenin à Estação Finlândia para dar início à União Soviética. O jogo do poder tem lances repetitivos. O dono da caneta faz o sucessor e quando este se vê com o instrumento em mãos vira-se contra quem o elegeu. Tem sido assim, mas os petistas garantem que de agora em diante isso vai mudar.

Caso Dilma seja eleita a humanidade terá um ponto de inflexão.

Com o manche do aerolula em mãos ela continuará batendo continência e venerando  a autoridade do seu mentor-inventor, aquele que é líder dos povos do ocidente, do oriente, da floresta, chefe dos animais, dos minerais e grande iluminador da via láctea.

Trotsky morreu com a cabeça despedaçada por um martelo de quebrar gelo. Ramon Mercader o matou por ordem de Stalin. Preso e condenado cumpriu pena no México e foi morrer em Cuba, acolhido por Fidel Castro. Está enterrado em Moscou com o nome de Ramon Ivanovitch López.

Comunistas são assim, decididos. No Brasil compram jatinhos e mansões.

E vivem falando mal das elites.

Clique aqui e saiba mais
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

O desmanche da democracia

O Estado de S.Paulo - Editorial
A escalada de ataques furiosos do presidente Lula contra a imprensa - três em cinco dias - é mais do que uma tentativa de desqualificar a sequência de revelações das maracutaias da família e respectivas corriolas da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra. É claro que o que move o inventor da sua candidata à sucessão, Dilma Rousseff, é o medo de que a sequência de denúncias - todas elas com foros de verdade, tanto que já provocaram quatro demissões na Pasta, entre elas a da própria Erenice - impeça, na 25.ª hora, a eleição de Dilma no primeiro turno. Isso contará como uma derrota para o seu mentor e poderá redefinir os termos da disputa entre a petista e o tucano José Serra.

Mas as investidas de Lula não são um raio em céu azul. Desde o escândalo do mensalão, em 2005, ele invariavelmente acusa a imprensa de difundir calúnias e infâmias contra ele e a patota toda vez que estampa evidências contundentes de corrupção e baixarias eleitorais no seu governo. A diferença é que, agora, o destampatório representa mais uma etapa da marcha para a desfiguração da instituição sob a sua guarda, com a consequente erosão das bases da ordem democrática. A apropriação deslavada dos recursos de poder do Executivo federal para fins eleitorais, a imersão total de Lula na campanha de sua afilhada e a demonização feroz dos críticos e adversários chegaram a níveis alarmantes.

A candidatura oposicionista relutou em arrostar o presidente em pessoa por seus desmandos, na crença de que isso representaria um suicídio eleitoral - como se, ao poupá-lo, o confronto com Dilma se tornaria menos íngreme. Isso, adensando a atmosfera de impunidade política ao seu redor, apenas animou Lula a fazer mais do mesmo, dando o exemplo para os seguidores. As invectivas contra a imprensa, por exemplo, foram a senha para o PT e os seus confederados, como a CUT, a UNE e o MST, promoverem hoje em São Paulo um "ato contra o golpismo midiático". É como classificam, cinicamente, a divulgação dos casos de negociatas, cobrança e recebimento de propinas no núcleo central do governo.

Sobre isso, nenhuma palavra - a não ser o termo "inventar", usado por Lula no seu mais recente bote contra a liberdade de imprensa que, com o habitual cinismo, ele diz considerar "sagrada". O lulismo promove a execração da mídia porque ela se recusa a tornar-se afônica e, nessa medida, talvez faça diferença nas urnas de 3 de outubro, dada a gravidade dos escândalos expostos. Sintoma da hegemonia do peleguismo nas relações entre o poder e as entidades de representação classista, o lugar escolhido para o esperado pogrom verbal da imprensa foi o Sindicato dos Jornalistas. O seu presidente, José Camargo, se faz de inocente ao dizer que apenas cedeu espaço "para um debate sobre a cobertura dos grandes veículos".

Mas a tal ponto avançou o rolo compressor do liberticídio que diversos setores da sociedade resolveram se unir para dizer "alto lá". Intelectuais, juristas, profissionais liberais, artistas, empresários e líderes comunitários - todos eles figuras de projeção - lançaram ontem em São Paulo um "manifesto em defesa da democracia", que poderá ser o embrião de um movimento da cidadania contra o desmanche da democracia brasileira comandado por um presidente da República que acha que é tudo - até a opinião pública - e que tudo pode.

Um movimento dessa natureza não será correia de transmissão de um partido nem estará atado ao ciclo eleitoral. Trata-se de reconstruir os limites do poder presidencial, escandalosamente transgredidos nos últimos anos, e os controles sobre as ações dos agentes públicos. "É intolerável", afirma o manifesto, "assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais." "É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais nem mesmo em fingir honestidade." O texto evoca valores políticos que, do alto de sua popularidade, Lula lança ao lixo, como se, dispensado de responder por seus atos, governasse num vácuo ético.

Twitter

Manchetes do dia

Quinta-feira, 23 / 09/ 2010

Folha de São Paulo
"Com escândalos, cai vantagem de Dilma, mostra o Datafolha"

Petista tem 49% das intenções, e os rivais juntos somam 42%; cresce chance de 2° turno

Após a descoberta de tráfico de influência na Casa Civil, a vantagem de Dilma Rousseff (PT) sobre os adversários na disputa pelo Planalto caiu cinco pontos percentuais, segundo peso quisa Datafolha feita ontem e anteontem em todo o país. Agora, a petista tem 49%, e seus rivais somam 42%. A margem de erro do levantamento é de dois pontos. Na semana passada, o placar a favor de Dilma era de 51% a 39%, uma diferença de 12 pontos percentuais. José Serra, do PSDB, oscilou de 27% para 28%, variação dentro da margem de erro. Marina Silva, do PV, saiu de 11% e foi a 13%. Todos os outros candidatos juntos chegam a 1% na pesquisa, que foi encomendada pela Folha e pela Rede Globo. Contando só votos válidos (sem brancos e nulos), Dilma venceria em primeiro turno se a eleição fosse hoje: ela tem 54%, ante 31% de Serra e 14% de Marina. Mas sua vantagem sobre os outros candidatos somados caiu de 14 para 8 pontos. A petista registrou sua maior queda entre eleitores com renda familiar de cinco a dez mínimos.

O Estado de São Paulo
"Manifesto ataca 'autoritarismo' de Lula"

Texto divulgado por juristas, artistas e acadêmicos acusa presidente de agir como líder partidário e atacar imprensa

Juristas, acadêmicos e artistas, além de políticos tucanos, divulgaram em São Paulo, no Largo São Francisco, o Manifesto em Defesa da Democracia. Nele, o presidente Lula é criticado por atacar a imprensa e agir como líder partidário. "É constrangedor que o presidente não entenda que seu cargo deve ser exercido em sua plenitude nas 24 horas do dia", discursou Hélio Bicudo, fundador do PT. "O País vive um caudilhismo que se impõe assustadoramente", declarou José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça. Para Miguel Reale Júnior, "Lula age como um fascista". O advogado negou que o evento fosse de caráter político. "É um alerta ao País sobre os riscos de um confronto social."

Twitter

quarta-feira, setembro 22, 2010

Universo

O Observatório Europeu do Sul (ESO) divulgou nesta quarta-feira (22) uma nova imagem da galáxia NGC 1365, obtida graças à câmera Hawk-1, instalada no Observatório do Paranal, no Chile (mais)

"A NGC 1365 tem uma dimensão de cerca de 200 mil anos-luz, incluindo os dois enormes braços em espiral. As diferentes partes da galáxia levam tempos diferentes a dar uma volta completa em torno do centro, sendo que a zona mais externa da barra demora cerca de 350 milhões de anos a completar um circuito."

Ano-luz

Sidney Borges
Um ano-luz corresponde à distância percorrida pela luz em um ano. Em Física representamos a velocidade da luz no vácuo pela letra c.

A luz viaja 300 000 quilômetros por segundo. Nada no universo anda mais rápido do que ela, com exceção dos maus pensamentos que assolam as cabeças dos políticos.

Números grandes são melhor representados por potências de 10.

Assim espressamos a velocidade da luz c = 3 x 105 km/s.

No Sistema Internacional de Unidades (SI) a unidade fundamental de comprimento é o metro. Sabendo-se que 1 km é igual a 1000 m, podemos  então escrever: c = 3 x 108 m/s.

Muito bem, posto esta introdução valiosa e útil, vamos calcular a distância percorrida pela luz em um ano.

1 ano = 365 dias = 8760 horas = 31 536 000 segundos.

Agora é só multiplicar os segundos por 300 000 para obter o belíssimo número 9460800000000 km.

Portanto, 1 ano-luz equivale a aproximadamente 9,5 x 1012 km.

A galáxia acima tem dimensão de 200 mil anos-luz!

Definitivamente, somos pequenos em relação às dimensões universais e infinitamente pequenos em relação à nossa pretensão arrogante de sermos a imagem do criador do universo. Mas é assim que são os humanos.

Pretensiosos e arrogantes vamos vivendo! Por pouco tempo, a vida é curta, ou melhor, curtíssima!

Minúsculas

Mark W. Moffett Fotos / Minden

Exército de formigas

Sidney Borges
As mandíbulas dessas formigas africanas cortam como lâminas de facas o que as faz temidas por vertebrados, invertebrados e indecisos. Içaaaa!

Twitter
Clique aqui e saiba mais
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Proteção para a Serra do Mar

O Estado de S.Paulo - Editorial
O governo do Estado de São Paulo vai estender seu Programa de Recuperação Socioambiental da Serra do Mar - iniciado nas áreas de encostas, mananciais e mangue do município de Cubatão - para mais de 20 cidades do litoral norte de São Paulo. Somente nas cidades de Ilhabela, São Sebastião, Caraguatatuba e Ubatuba, serão removidas 24 mil pessoas que construíram, desde casebres até casas de alto padrão, nas encostas e na área do Parque da Serra do Mar. O programa engloba planos habitacionais, ações de assistência social aos moradores de encostas e áreas de preservação ambiental permanente, vigilância para evitar novas invasões e esforço para fazer os desempregados voltar ao mercado de trabalho.

A Fundação SOS Mata Atlântica estima que entre 2000 e 2008 foram desmatados 350 hectares do bioma no litoral paulista. O Banco Interamericano de Desenvolvimento financiará 34,5% dos custos do programa (US$ 162,4 milhões), devendo o Estado arcar com os outros US$ 470,1 milhões.

Embora haja boas perspectivas de empregos, sem planejamento urbano o boom econômico na região - a ser impulsionado pelos investimentos na exploração do petróleo do pré-sal - poderá provocar graves danos à Mata Atlântica, que tem no Parque da Serra do Mar a sua maior unidade de conservação no Estado. O parque abriga metade das espécies de aves dessa floresta e 20% das espécies de todo o País. A Estação Ecológica de Jureia-Itatins, incluída no programa, protege uma grande extensão de florestas, assegurando o fluxo entre os ecossistemas do Estado e entre os trechos de Mata Atlântica nos limites do Rio e Paraná.

Mesmo sem considerar as consequências do pré-sal, a população do litoral deverá crescer acima da média estadual, segundo estimativa da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados. Espera-se aumento de 16,7% em 15 cidades do litoral até 2020, enquanto para o restante dos municípios de São Paulo a previsão de alta é de pouco mais de 10%.

A invasão da serra e a destruição de parte da Mata Atlântica começaram na Baixada Santista na década de 40, quando um grande contingente de operários migrou para o litoral para a construção da Rodovia Anchieta. Terminadas as obras, eles ficaram sem emprego e onde morar e se apossaram dos alojamentos erguidos nos canteiros ou construíram barracos nas encostas e áreas de proteção.

Ao norte, a Rodovia Rio-Santos também rasgou a Serra do Mar. A ocupação irregular das suas margens e encostas é responsável por uma longa história de quedas de barreiras e deslizamentos a cada temporada de chuvas. Em janeiro, o governo federal anunciou que, com recursos do Plano de Aceleração do Crescimento, executaria um projeto para remodelar a estrada, com a construção de túneis e pontes.

Há três anos, o governo estadual começou a colocar em prática o projeto de restauração e conservação da Serra do Mar. Em Cubatão, a remoção de 5,3 mil famílias dos chamados bairros-cota já foi iniciada e a nova fase do programa, agora anunciada, incluirá a restauração de áreas degradadas pela ocupação ilegal, a criação de um jardim botânico e a melhoria da gestão do parque na parcela norte do litoral. Pelo menos 6 mil famílias que vivem em áreas de risco serão transferidas para zonas urbanas e os sistemas de controle e inspeção de áreas de conservação serão atualizados. O governo espera acabar com a ocupação ilegal da Serra do Mar no prazo máximo de cinco anos.

São Paulo poderá ter em seu litoral um exemplo pioneiro de boa gestão ambiental. Para isso é fundamental a ajuda das prefeituras da região, principalmente para impedir que novas ocupações ocorram. É preciso também criar condições para que as parcelas carentes da população da região tenham acesso à moradia e ao emprego e, ao mesmo tempo, fiscalizar rigorosamente o cumprimento das normas de zoneamento pelos grandes empreendedores, que veem na maior área contígua de Mata Atlântica do País uma grande oportunidade de negócios.

Twitter

Manchetes do dia

Quarta-feira, 22 / 09 / 2010

Folha de São Paulo
"Falha para metrô, provoca pânico e prejudica 150 mil"

Problema na linha 3-vermelha faz usuários quebrarem vidros para escapar dos vagões; 17 trens são danificados

Paralisação de mais de duas horas da linha 3-vermelha - a mais usada do metrô - acabou em caos, com 17 trens avariados e multidão andando por trilhos. Cerca de 150 mil pessoas foram prejudicadas. O Metrô disse que uma blusa presa em porta travou um trem, mas pode ter havido falha no equipamento de mudança de trilhos. Em pânico por boatos de incêndio e bomba, passageiros quebraram vidros para escapar. O governador Alberto Goldman (PSDB) vai abrir investigação para saber se o problema "foi um acidente ou foi motivado".

O Estado de São Paulo
"TV de Lula contrata empresa que emprega filho de Franklin"

Firma venceu licitação da EBC em projeto de R$ 6,2 milhões tido como 'prioridade zero' pelo ministro

A Empresa Brasil de Comunicaão, do governo federal, contratou por R$ 6,2 milhoes uma firma que tem como representante comercial Claudio Martins, filho do ministro Franklin Martins (Comunicação Social), presidente do Conselho de Administração da estatal. A Tecnet venceu licitação feita às pressas, em 2009, para cuidar dos arquivos digitais da EBC, conhecida como "TV Lula". 0 processo foi nebuloso: um diretor do único concorrente da Tecnet, a Media Portal, disse que participou da elaboração do edital. E-mails da estatal obtidos pelo Estado mostram que Franklin pediu “prioridade zero" para o assunto, embora pareceres alertassem para a falta de recursos.

Twitter

terça-feira, setembro 21, 2010

Ubatuba em foco

Eduardo Cesar e Marcelo Mourão

Prefeito Eduardo Cesar anuncia afastamento de servidores envolvidos em fraudes no IPTU

As investigações continuam e a prefeitura diz estar sendo parceira do Ministério Público na apuração dos fatos

PMU
O prefeito de Ubatuba, Eduardo Cesar, convocou uma coletiva de imprensa nesta terça-feira, 21, para anunciar o afastamento de três servidores públicos que estavam envolvidos no caso das fraudes no IPTU que estão sendo apuradas pelo Ministério Público. O objetivo da coletiva era apresentar o relatório preliminar da investigação que a Prefeitura de Ubatuba está realizando paralelamente ao MP, na busca de apurar os responsáveis pelas irregularidades, punir os envolvidos e ressarcir os cofres públicos.

De acordo com o prefeito, três funcionários estão sendo afastados do setor de Execução Fiscal, sendo dois comissionados e um efetivo, que sofrerão processo administrativo, e poderá culminar em exoneração e devolução do montante desviado. “As investigações continuam, mas agindo desta forma mostramos o rigor com que estamos conduzindo o caso. Apesar de ter sido incluído na ação, sou o mais interessado em apurar as irregularidades. Houve um desgaste, mas este foi necessário para que hoje pudéssemos estar aqui de cabeça erguida, anunciando as medidas administrativas que deverão punir os responsáveis e ressarcir os cofres públicos”, disse Eduardo Cesar.

Medidas administrativas

O secretário de Assuntos Jurídicos da Prefeitura de Ubatuba, Marcelo Mourão, explanou sobre as medidas administrativas que serão tomadas daqui para frente. “Vamos aplicar as punições adequadas, mesmo que sejam mais severas que as exonerações. Realizaremos uma avaliação muito detalhada no sistema de revisão de lançamentos tributários. Além disso, os contribuintes envolvidos também serão ouvidos e todos os valores que foram abatidos em acordos indevidos serão novamente lançados e cobrados e as certidões negativas canceladas”, explicou Mourão.

A prefeitura também vai realizar uma auditoria para pesquisar se os acordos fraudulentos já estavam sendo feitos em administrações anteriores. “Faremos um verdadeiro pente fino no sistema de arrecadação para que possamos tomar as medidas necessárias para recuperar qualquer perda de receita”, completou o secretário.

Colaborando com o MP

O prefeito ressaltou que está colaborando com as investigações do Ministério Público: “não existe nenhum tipo de disputa com o MP e sim uma soma que vai ser muito saudável para o erário municipal”.

“Em nenhum momento fiquei constrangido ou preocupado com as investigações do MP e com as apreensões de computadores, pois sempre soube que não haveria nenhum problema. Quando alguém se candidata a um cargo público, está sujeito a esse tipo de exposição, mas o que importa é a nossa consciência tranquila e a busca para que os que agiram de má fé sejam punidos”, disse ainda o prefeito.

“Hoje a população vê que tudo o que foi falado sobre cassação, prisão e outros tipos de calúnias contra o prefeito não passaram de mentira e a conclusão que tiramos é que quem falou isso ou é mal informado ou agiu com maldade. Porém, depois da quebra dos sigilos fiscais e bancários, tivemos um atestado de idoneidade e ficou provado que não havia nada a ser escondido por parte do prefeito”, acrescentou Eduardo Cesar.

Twitter

Bike com bolas

Deu em O Globo

Centrais fazem ato contra a imprensa

Evento contra ‘golpismo midiático’, divulgado pelo PT, será na quinta-feira em SP, com políticos de siglas aliadas

Leila Suwwan (original aqui)
Depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusar a imprensa de agir como partido político, as centrais sindicais, alguns sindicatos, partidos governistas e movimentos sociais farão na quinta-feira o "Ato contra o golpismo midiático", em São Paulo.

O convite para o evento, divulgado pelo PT, acusa a imprensa de "castrar o voto popular", "deslegitimizar as instituições" e destruir a democracia. E não faz menção explícita à onda de denúncias de corrupção que atingem a Casa Civil da Presidência.

"Conduzida pela velha mídia, que nos últimos anos se transformou em autêntico partido político conservado, essa ofensiva antidemocrática precisa ser barrada. No comando estão grupos de comunicação que, pelo apoio ao golpe de 64 e à ditadura militar, já demonstraram seu desapreço pela democracia", diz o texto.

De acordo com o site do PT, estarão presentes líderes de sindicatos e movimentos sociais. São listados: CUT, Força Sindical, CTB, CGTB, MST e UNE. Também estão confirmados políticos de PT, PCdoB, PSB e PDT, todos partidos da coligação da candidata a presidente Dilma Rousseff.

Em comício em Campinas, no sábado, o presidente Lula acusou a imprensa de não agir de forma democrática.

O discurso provocou reações da ANJ (Associação Nacional de Jornais) e da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

Lula disse que a população não precisa mais de formadores de opinião e acrescentou: "Nós somos a opinião pública".

E continuou: "Não vamos derrotar apenas nossos adversários tucanos. Vamos derrotar alguns jornais e revistas, que se comportam como se fossem um partido político e não têm coragem de dizer que são um partido político, que têm candidato e não têm coragem de dizer que têm candidato, que não são democratas e pensam que são democratas", disse Lula, para quem os pobres não precisam de formadores de opinião.

No anúncio do ato, o PT afirma que a imprensa busca "forçar a ida do candidato do PSDB ao segundo turno".

Em seguida, o convite afirma que "boatos de campanha" indicam que o "jogo sujo" irá piorar até a eleição. O ato está marcado para quinta, no auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, e é patrocinado também por "blogueiros progressistas".

Sem citar a denúncia de tráfico de influência e cobrança de propina dentro da Casa Civil, em um esquema que supostamente era capitaneado pela ex-ministra Erenice Guerra, braço-direito de Dilma Rousseff, o convite do evento acusa os jornais de combinar suas manchetes com o programa eleitoral de José Serra (PSDB) na televisão.

O GLOBO não conseguiu contato ontem com o presidente do PT, José Eduardo Dutra, nem com o coordenador de comunicação da campanha de Dilma, Rui Falcão. Em seu microblog no Twitter, Dutra ironizou o tema.

"Deve ser horrível viver em uma ditadura como esta, em que o presidente ataca um órgão da imprensa", escreveu Dutra, fazendo referência, na realidade, a uma notícia de que o presidente americano, Barack Obama, está em embate com o canal de televisão conservador Fox News.

Twitter

Ramalhete de "Causos"


Formiga vai... Formiga vem

José Ronaldo dos Santos
Eu, por uma série de fatores, entendo um pouquinho das coisas da cultura caiçara. Consigo falar da História, dos costumes e até das armadilhas (esparrela, mundéu, covo etc.). Em tudo isso -que é tipicidade cultural- há uma marca evidente: a criatividade.

A criatividade varia de povo para povo, de pessoa para pessoa. Porém, adoro aqueles que extrapolam os limites do compreensível. É o caso da engenhosidade do meu parente Mané Bento. Deixarei que ele se justifique por si mesmo. Vamos prestar atenção na sua fala. Ela se deu na minha escola primária, a casa da tia Martinha, no final da década de 1960. Na lousa, a data: dia 21 de setembro. Foi quando a professora reuniu todas as famílias do local para falar sobre o Dia da Árvore. Cerimônia simples, mas muito significativa. Alguns moradores mais antigos falaram depois da mestra. O gesto concreto foi o plantio de dez mudas de jacatirão, uma madeira muito usada na construção das casas de pau-a-pique. Assim foi o recado do Mané Bento:

"Não se fala de mato sem dexá de falá de formiga. Houve tempo em que formiga tinha demais: era saúva no mandiocá; quém-quém sapecava o roserá e as laranjera; em quarquer moita de tiririca ou de pé-de-galinha a ruiva empesteava; a brasa,aquela cuí amardiçoada, se metia nos portá, nos batente, em toda brechinha de parede; taoca infestava tudo em correção; cabeçuda tinha casa na palha da cana, enquanto a sará-sará gostava de pau pijuca; mais a pió era a preta miúda que se tecia na cozinha preferindo o açúca.

O açúca tinha de tá bem protegido. A vasilha ficava pendurada em gancho no caibro, entre picumã, tendo a arça enrolada de argodão e ensebada em ólhio. A mulherada padecia pra se vê livre das formiga que aparecia em tudo: na borda da gamela, no juréu, no socadô de feijão, em toda vasilha. Tinha arguma que chegava a bejá o caxote de sá.

Eu ficava assuntando em cima da formigada; varava a noite nisso; me tirava o sono; muitas veiz só madornava. Intão tive uma aluminação: acho que já sei como cabá co'elas. Quem quisé aprendê que pres'tenção, bote bem reparo: vai percisá de uma pedrinha, um cascalhinho de nada; também tem que tê um palito de forfe, uma pedra de sá e um gorpe de cachaça. Apanha tudo isso e bota numa mesa, ou no chão mesmo.

O raçocino é este: a formiga vai no sá pensando que é açúca. Quando se precata do engano, busca locamente água. Mais a água que tá mais perto não é água; é cachaça. Ela só vai repará no gosto quando já tivé no maió porre, caino pra lá e pra cá. Nisso ela tropeça na pedra, bate co'a cabeça no palito de forfe e morre. Só ansim caba a jeriza da formigada e se vive em paiz. Até o mato tem mais sossego".

Só não sei se o Mané Bento confirmou a sua teoria. Mas não valeu a lógica e a criatividade?

Sugestão de leitura: A oleira ciumenta, de Lévi-Strauss.

Boa leitura!

Twitter
Clique aqui e saiba mais
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

A elite que Lula não suporta

Estado de S.Paulo - Editorial
Nas encenações palanqueiras em que o presidente Lula invariavelmente se apresenta como o protagonista da obra de criação deste país maravilhoso em que hoje vivemos, o papel de antagonista está sempre reservado às "elites". Durante mais de 500 anos, as elites mantiveram o Brasil preso aos grilhões do subdesenvolvimento e da mais perversa injustiça social. Aí surgiu Lula, o intimorato, e em menos de oito anos tudo mudou. Simples assim.

Com essa retórica maniqueísta, sem o menor pudor Lula alimenta no eleitorado de baixa renda e pouca instrução - seu público-alvo prioritário - o sentimento difuso de que quem tem dinheiro e/ou estudo está do "outro lado", nas hostes inimigas. Mas a verdade é que o paladino dos desvalidos nutre hoje uma genuína ojeriza por uma, e apenas uma, categoria especial de elite: a intelectual, formada por pessoas que perdem tempo com leituras e que por isso se julgam no direito de avaliar criticamente o desempenho dos governantes. Por extensão, uma enorme ojeriza à imprensa. Com todas as demais elites Sua Excelência já resolveu seus problemas. Está com elas perfeitamente composto, afinado, associado, aliado e, pelo menos em outro caso específico, o das oligarquias dos grotões maranhenses, alagoenses, amapaenses e que tais, acumpliciado.

Até por mérito do próprio governo na condução da economia (nem sempre a imprensa ignora os acertos do poder público...), os ventos favoráveis que hoje, de modo geral, embalam o mundo dos negócios, muito especialmente os negócios financeiros, não permitem imaginar que o "poder econômico" considere Lula um inimigo ou uma ameaça e vice-versa. É claro que em público o jogo de cena é mantido, com ataques, sob medida para cada plateia, aos eternos inimigos do povo. Mas na intimidade o presidente se vangloria, em seus cada vez mais frequentes surtos apoteóticos, de que hoje o poder econômico, nacional e multinacional, está submisso à sua vontade. Não é, portanto, essa elite que tem em mente nas diatribes contra os malvados que conspiram contra sua obra redentora.

A revelação de seu verdadeiro alvo Lula oferece cada vez que abre a boca. Como no dia 18, em Juiz de Fora: "Essa gente não nos perdoa. Basta que você veja alguns órgãos e jornais do Brasil (...) Porque na verdade quem faz oposição neste país é determinado tipo de imprensa. Ah, como inventam coisa contra o Lula. Olha, se eu dependesse deles para ter 80% de aprovação neste país eu tinha zero. Porque 90% das coisas boas deste país não é mostrado (sic)."

Então é isto. Imprensa que fala mal do governo não presta, extrapola os limites da liberdade de informar. Não é mais do que um instrumento de dominação das elites.

Assim, movido por sua arraigada tendência ao autoritarismo messiânico que é a marca de sua trajetória na vida pública, Lula parece cada vez mais confortável na posição de dono de um esquema de poder que almeja perpetuar para alegria da companheirada. Um modelo populista, despolitizado, referendado pela aprovação popular a resultados econometricamente aferíveis, mas que despreza valores genuinamente democráticos de respeito à cidadania, coisa que só interessa à "zelite". Tudo isso convivendo com a prática mais deslavada do patrimonialismo, coronelismo, clientelismo, tráfico de influência, cartorialismo, aparelhamento e tudo o mais que Lula e seu PT combateram vigorosamente por pouco mais de 20 anos, para depois transformar em seu programa de governo. E em toda essa mistificação o repúdio às elites é a palavra de ordem e a imprensa, o grande bode expiatório.

O diagnóstico seguinte foi feito, com as habituais competência e sutileza, por um dos mais notórios fantasmas de Lula, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em entrevista publicada no Estado de domingo: "Achei que (Lula) fosse mais inovador, capaz de deixar uma herança política democrática, mostrando que o sentimento popular, a incorporação da massa à política e a incorporação social podem conviver com a democracia, não pensar que isso só pode ser feito por caudilhos como Perón, Chávez, etc. (...) Mas Lula está a todo instante desprezando o componente democrático para ficar na posição de caudilho." Falou e disse.

Twitter
 
Free counter and web stats