sábado, setembro 18, 2010

Cigarros

Coluna do Mirisola

A primeira e a última oração

“Só agora, depois de 44 anos, é que compreendi que Deus atendeu ininterruptamente todos os meus pedidos, os atendeu diuturnamente, incessantemente”

Marcelo Mirisola*
Pedi a Deus tantas coisas, a vida toda. Quando criança pedia distancia dos cotonetes com hastes de madeira e rezava pelo bem-estar das cores e objetos redondos. Às vezes, era atendido. Em 1975, ganhei um cachorro e em 1977 ele morreu. Orei compungido pela primeira vez. Tive hamsters, peixes de aquário e coelhos. Meus bichos ficavam doentes e morriam, e então eu desisti deles e concentrei meus pedidos nos objetos redondos que - ao menos na minha frente - não mudavam de forma e não morriam. No dia 5 de abril de 1978, descobri as guimbas manchadas de batom e passei a outra etapa. Sempre pedindo a Deus. Uma vez, pedi pelo painel do Galaxie 500 do meu pai. Aos 12 anos, pedi uma bicicleta de aniversário e ganhei uma viagem a Disney. Na verdade, queria ir pra Copacabana e achei a Disney um porre; de modo que prossegui pedindo uma coisa e ganhando outras. Vejam só. Se eu tivesse ido para Copacabana, não teria prestado atenção nas guimbas manchadas de batom (não aos 12 anos) e certamente não teria ganhado 20 dólares no cassino do S.S Emerald Seas. Naquela época, moleques de classe média bebiam, fumavam e jogavam.

No final das contas, minha avó, que tinha um pacto com Santa Rita de Cássia e fazia uma caponata abençoada por São Benedito, é que atendia meus pedidos mais urgentes e vulgares. Mas eu sempre agradeci a Deus. Poucos anos depois, aos 14/15 anos, comecei a sentir mais tesão em pedir perdão do que em agradecer. Isso ficou muito claro quando rezei dez Pai-Nossos movido pela culpa de ter gastado o dinheiro que ganhei no Natal com a putinha da Augusta: rezei muito pra Deus curar minha gonorréia. O sacana do dr.Frota receitou uns antibióticos e Ele atendeu meu pedido e, logo em seguida, agradeci ao diabo por manter as saunas da rua Augusta abertas nos feriados e em dias santos também. Pedia coisas grandes e pequenas. Pedia aquilo que todo mundo pede para si e pr’aqueles que ama e pedi mais pra mim do que pros outros, pedi lá em Santos, na Igreja de Nossa Senhora de Monte Serrat, porque achava o nome do lugar bonito e o passeio de bondinho era bem legal.

Em 1967, pediram por mim na Igreja do Calvário onde – consta - fui batizado (não lembro).

Também pedi a Deus de frente para o mar oleoso e melancólico do Boqueirão. E pedi debaixo de cinzeiros e pratos que voavam lá em casa. Mas nessas ocasiões, quando minha mãe descobria alguma falcatrua minha e dos meus irmãos, não adiantava nada. Mesmo assim, eu continuava pedindo por mim e pelos peixes de aquário, e achei que Deus não estava nem aí pros meus Acarás Bandeiras, Lebistes e Cascudos. Em 1972/73, estava convencido de que Deus morava no Parque Antártica e usava costeletas, e eu me divertia um bocado quando meu avô blasfemava contra os céus e desejava que várias bombas atômicas (que à época estavam na moda...) caíssem no Parque São Jorge. Acho que continuava acreditando em Deus mais por causa das blasfêmias do velho do que pelo futebol de Luis Pereira, Dudu e Leivinha. Um dado. À época, os cientistas comprovaram que Deus comandava o meio-de-campo do Palmeiras e era chamado de Ademir da Guia, o divino. Impecável, elegante e acima de qualquer suspeita.

Em 1978, apaixonei-me por uma ruivinha no aeroporto de Congonhas e o meu coreto foi bagunçado de vez, porque associei o sentimento da paixão com o piso do saguão de embarque que parecia um tabuleiro de xadrez. Ainda hoje lembro da garotinha ruiva que partiu e me deixou ali, encalacrado no meio de bispos, torres, aeromoças, reis e rainhas aéreas. Pedi asas a Deus e também pedi pro diabo e não adiantou nada, a ruivinha sumiu e a Transbrasil virou sucata. Depois de ver “O Poderoso Chefão”, resolvi ser um homem de negócios. Outra vez pedi a Deus. Na minha versão, eu seria presidente da Ultrafértil (uma empresa de insumos agrícolas e fertilizantes) e teria uma secretária coxuda, dona Lili, que usaria cinta-liga pra me boquetear depois das reuniões com os acionistas majoritários e fornecedores. Acreditei que Deus podia ter piedade de um garotinho fetichista de 12 anos. Pedi muito dinheiro. Queimei minhas poesias. Pedi sucesso, reconhecimento, todas as Chacretes e principalmente a Fátima Boa Viagem, e pedi uma vista de 360 graus para o mar de Ipanema. Consegui tudo isso mais ou menos e não cumpri 1/3 das promessas que fiz (as que cumpri, teria cumprido de qualquer jeito...) e, apesar de a Fátima Boa Viagem não ter dado bola para mim, eu continuava renovando as promessas e prosseguia fazendo meus pedidos: não em Ipanema nem de frente pro mar, mas em Santos, a duas quadras da praia do Boqueirão. Ora, foda-se. Eu pedia mais dinheiro, mais Chacretes, etc. Tenho de reconhecer que Deus foi generoso comigo e com os meus fetiches. Tive a Lílian White Fibe nas mãos em meados dos oitenta - quando ela estava no auge da arrogância global.

O tempo passou e então eu resolvi encará-lo de frente – sim, estou falando Dele, do cara. O problema é que para tanto eu teria de cumprir a minha parte: fiz um último pedido, pedi a Deus que me tirasse tudo, inclusive o dom de pedir.

Só agora, depois de 44 anos, é que compreendi que Deus atendeu ininterruptamente todos os meus pedidos, os atendeu diuturnamente, incessantemente. Foda, né? Somente agora, que descobri que compartilho com Hitler a mesma lua amaldiçoada em capricórnio e que minha pressão arterial não permite o uso indiscriminado de Viagra, agora que estou isolado e marginalizado (no centro de um outro lugar que não quero para mim) e ganhando menos do que um garçom de churrascaria, somente agora que meu nome virou piada de mau gosto nos padocks e antecâmaras, que até o Dedé Santana cogitou em suicídio, agora que Ele me tirou tudo, é que compreendi que a cada pedido, a cada promessa não cumprida, a cada guinada pro lado do diabo, em todos os meus vacilos, e foram muitos, eu também o atendia.

Se meu filme não estivesse tão queimado e meu repertório de pedidos, agradecimentos e promessas tão desgastado, eu pediria a Deus uma morte violenta e instantânea, como se – Eu e Ele – realizássemos a quatro mãos a poesia que reneguei a vida inteira. A primeira e a última poesia. O primeiro e o último pedido. A primeira e a última oração.

* Considerado uma das grandes revelações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.

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Opinião

Sob o espesso manto da fantasia...

José Israel Vargas - O Estado de S.Paulo
Nosso "oráculo maior" tem repetidamente anunciado para breve os "amanhãs que cantam" como verdade absoluta. Diferentemente de seu homólogo délfico, ocupa-se também do passado, para ele, sempre maldito. Há pouco anunciou, com a ênfase que lhe é peculiar, nossa marcha batida rumo ao Primeiro Mundo para alcançarmos a 4.ª posição entre as economias mais avançadas. Objetivo extremamente louvável, mas não se podem ignorar os inúmeros obstáculos a vencer e que não se rendem a mero falatório peripatético em palcos eleitoreiros.

Proclamou também como "o maior da humanidade" o investimento da Petrobrás no pré-sal; diante disso, são pífios investimentos como os da Nasa, entre outros muitos.

Admitindo o crescimento anual alegado de 7% dos PIBs do Brasil e da China, em relação a 2009, em 2010, adotando-se as taxas de 1% para EUA, Japão, Alemanha, França e Itália, de 4% para a Índia e 3% para a Rússia, pode-se fazer um exercício que mostra que o País ocuparia o 5.º lugar. Adotada, porém, a taxa histórica de nosso crescimento (média anual de 4% durante o regime republicano), o Brasil se colocaria, em 2020, no 5.º ou 6.º lugar, com PIB de US$ 3,141 trilhões. O rendimento per capita para a população, que então alcançará 207 milhões de habitantes (IBGE), ainda nos colocaria abaixo do 50.º lugar. Os objetivos mencionados seriam dificilmente atingidos, a menos que continuemos quase exclusivamente crescentes exportadores de matérias-primas e permaneça congelado em 1% o crescimento dos demais.

Somente a observação e a manipulação, direta ou indireta, da natureza permite conhecer seu comportamento e torna possíveis os imensos benefícios hoje desfrutados. A divisão do trabalho revelou que o desenvolvimento implica mobilização dos fatores de produção: capital, recursos naturais e trabalho - este, sobretudo, na forma de "capital humano". Nossa resposta às aspirações indeclináveis de conforto crescente, saúde, segurança e acesso aos bens culturais foi bem modesta até hoje, comparada, por exemplo, com países que emergiram das imensas destruições do último conflito mundial. Assim, a porcentagem de analfabetos em nosso país alcançava 50% em 1950 e hoje, segundo dados do IBGE, ainda temos 20% de analfabetos funcionais, além de 9,8% de adultos iletrados.

Ao longo de nossa vida republicana partimos de diminuta base de acumulação de capital, decorrente de nosso passado colonial, para finalmente desfrutarmos crescimento do nosso PIB de 4% anuais médios. Valor respeitável, devido a vantagens competitivas dos abundantes recursos naturais e populacionais. Na atual administração, esse crescimento tem sido em média de 4,3% anuais, colocando-a na 21.ª posição, comparada com administrações republicanas passadas. Não cabe, pois, o bordão de presumida "herança maldita"... A menos de também incluir-se nela. A despeito disso, nosso poder de compra por habitante nos situa hoje na 75.ª posição!

Apesar do progresso já realizado, mesmo que tardio, a situação da educação é ainda dramática. Segundo o Academic Ranking of World Universities (2010), a mais prestigiosa de nossas universidades, a USP, foi classificada entre o 101.º e o 150.º lugares, entre as principais instituições de todo o mundo. As cinco outras universidades de melhor classificação interna estão listadas entre a 201.ª e a 400.ª posições, em ordem decrescente.

O ensino fundamental e médio não desfruta melhor situação, segundo O Estado de S. Paulo, com base na avaliação internacional de desempenho de estudantes de 15 anos promovida em 2006 pela OCDE. Participaram 57 países, entre os quais o Brasil. As notas foram atribuídas em seis níveis de desempenho, 1 a 6. Dos alunos brasileiros participantes, 27,9% tiveram notas inferiores a 1, 71,6% alcançaram notas 1 a 4, só 0,5% atingiu nota 5 e nenhum alcançou a nota máxima, 6.

Nos países da OCDE, 56,7% dos estudantes tiveram desempenho acima da média de 500 pontos. No Brasil, apenas 15,2% dos estudantes conseguiram esse resultado, isto é, 84,8% ficaram abaixo da média!

O desenvolvimento pressupõe a capacidade de inovar, gerar e/ou apropriar-se de novas tecnologias, frutos da ciência e da engenharia, logo, da educação, cujo panorama, como se viu acima, é desolador. Não é, pois, surpresa que esse mal também ocorra na inovação, medida em geral pelo número de patentes concedidas. Recente publicação da Organização Mundial da Propriedade Intelectual lança preocupante luz sobre o nosso quadro. O Brasil colocou-se na 33.ª posição, em 2006, quanto ao número de patentes registradas por unidade do PIB, expresso em bilhões de dólares. E é o 23.º em relação ao número de patentes por despesa com investimento em ciência e tecnologia (ano de 2007), na mesma unidade. No Brasil, 90,5% das patentes aqui concedidas provêm do exterior (não residentes), colocando-nos em 13.º lugar entre os países em desenvolvimento. Tais fatos estão seguramente vinculados à baixa participação do setor produtivo nos gastos nacionais com pesquisa e desenvolvimento (P&D), de apenas 6% em 1990, que evoluíram para 30% em 1998 e atingiram hoje cerca de 34%. Nos países industrializados e em alguns emergentes, de mercado aberto, as empresas chegam a despender 60% dos gastos com P&D.

Para superar nosso atraso torna-se indispensável: 1) Melhorar radicalmente o ensino básico, incluindo salário digno para seus professores; 2) aumentar a participação de P&D de 1,4% para 2%, pelo menos; 3) investir na formação de nossos engenheiros - segundo dados em entrevista à CBN, ingressam anualmente nas escolas de engenharia 130 mil alunos e se formam a cada ano apenas 30 mil, dos quais cerca de 20 mil teriam formação insuficiente; 4) reclassificar, por mérito, instituições universitárias, pela abolição do Regime Jurídico Único, que enquadra seus servidores.

Eis um programa mínimo de trabalho para que o próximo presidente comece a romper o espesso manto da fantasia!

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Manchetes do dia

Sábado, 18 / 09 / 2010

Folha de São Paulo
"Filho de Erenice 'nomeou' amigos para a pasta de Dilma"

Ex-diretor dos Correios diz que sobrinho foi indicado por Israel Guerra

O filho de Erenice Guerra, ex-braço direito de Dilma Rousseff, indicou amigos para a Casa Civil quando a pasta era chefiada pela candidata do PT à Presidência. Israel Guerra, Vinicius Castro e Stevan Kanezevic, que trabalharam juntos na Anac, são apontados como o "grupo de lobby" que usava a empresa privada Capital Consultaria para organizar reuniões e liberar recursos no governo federal. A indicação é confirmada pelo ex-diretor dos Correios Marco de Oliveira, tio de Castro, que conta que o sobrinho, sócio oculto da Capital, usou a mãe como laranja para abrir a empresa. Erenice e Castro perderam os cargos após reportagens mostrarem tráfico de influência na Casa Civil. O advogado de Israel não respondeu a ligações. Castro e Kanezevic não foram localizados.

O Estado de São Paulo
"Comissão de ética só agora pune Erenice por esconder parentes"

Para órgão, ex-ministra deveria ter declarado possíveis conflitos de interesse ao assumir Casa Civil

Um dia após ser obrigada a pedir demissão por causa das denúncias de tráfico de influência na Casa Civil, a ex-ministra Erenice Guerra sofreu "censura ética" aplicada pela Comissão de Ética Pública da Presidência. A censura não foi aplicada em decorrência da. apuração das denúncias, mas porque Erenice, depois que assumiu a Casa Civil, em abril deste ano, deixou de entregar à comissão a Declaração Confidencial de Informações, um documento sobre seu patrimônio e sobre situações que suscitam conflito de interesse, inclusive relativa a familiares. Com isso, escondeu dados a respeito de seus parentes alojados em órgãos públicos. A "punição" não tem efeito prático, não impede Erenice de retomar ao serviço público ou ocupar cargos de confiança. Erenice poderá sofrer uma segunda “censura ética” se ficar comprovado que ela fez ou permitiu que houvesse tráfico de influência na Casa Civil.

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Contra o Sol

sexta-feira, setembro 17, 2010

Eleições 2010

Em SP, 35 dos 94 deputados respondem a processos

Agência Estado
Um total de 35 dos 94 deputados estaduais paulistas responde ou respondeu a processos no Tribunal de Justiça (TJ), Tribunal de Contas do Estado (TCE), Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Dos 35, 29 são candidatos à reeleição e 4, a deputado federal.

De acordo com o levantamento, feito a partir de dados da ONG Transparência Brasil, os parlamentares mais acionados pela Justiça são os que já exerceram cargos de prefeito e vereador. Gil Arantes (DEM) é o "campeão", com 19 ações no TJ e nome na lista de responsáveis por contas julgadas irregulares do TCE. Logo a seguir, vêm o atual presidente da Casa, Barros Munhoz (PSDB), com 17, o também tucano Celso Giglio, com o mesmo número, Estevam Galvão (DEM), com 16, e Vinícius Camarinha (PSB), com 7 processos.

Completam a lista dos 11 primeiros Luciano Batista (PSB), com 6 processos, Geraldo Vinholi (PSDB), que responde também a seis ações quando foi superintendente da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), João Caramez (PSDB), com 5 processos, Mauro Bragato (PSDB), com 4, José Cândido (PT), que responde a três ações, e Roberto Massafera (PSDB), também acionado o mesmo número de vezes.

Arantes, que foi prefeito de Barueri (SP), chegou a ter a impugnação do seu mandato pedida pela Procuradoria Regional Eleitoral, mas o TRE negou. Também tiveram a impugnação pedida os deputados Mauro Bragato, João Caramez, Edmir Chedid (DEM) e Uebe Rezeck (PMDB). Munhoz, que comandou a Prefeitura de Itapira, responde a processos sob a acusação de falsidade ideológica e improbidade administrativa. O terceiro e o quarto colocados, Celso Giglio e Estevam Galvão, também foram prefeitos, respectivamente, de Osasco e Suzano, Grande São Paulo.
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Artigo em falta!

Região

Crime no Itaguá

A mulher da vítima tinha saído e, ao retornar, encontrou o marido morto

VNews (original aqui)
Um homem foi morto dentro de casa no Itaguá, em Ubatuba. De acordo com a polícia, o autor do crime invadiu a casa para roubar e atirou acertando a vítima, que morreu no local. A mulher da vítima tinha saído e, ao retornar, encontrou o marido morto. O veículo da casa foi roubado. Ninguém foi preso.

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Casamento

Bill e Hillary Clinton, 1975

Coluna do Celsinho

Afogando

Celso de Almeida Jr.
Terrível é o desespero de quem está se afogando.

Agarra, com toda a energia, quem estiver pela frente.

Caro leitor: coloque-se na posição de uma pessoa assim.

Pode-se compreender.

Não percebe que, aquele que estende a mão, quer ajudar.

Assim, não se deve esperar algum tipo de discernimento quanto aos seus atos.

O desespero justificaria tudo.

Não se aguarda de alguém nestas circunstâncias que avalie o caráter ou a história de quem o ajuda, se tem família, funcionários, responsabilidades.

Muito menos se é salva-vidas profissional ou um cidadão que usa os recursos que dispõe para tentar evitar o pior.

Salvar-se é o lema, custe o que custar, mesmo que comprometa a vida alheia.

Mas é possível, em terra firme, comportar-se como alguém que se afoga?

Pelo que estou vendo, penso que sim.

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Opinião

Todo poder ao PT

Editorial do Estadão
À primeira vista, é um paradoxo. O mesmo dirigente petista José Dirceu, que batalhou para trazer o PMDB para o governo já no primeiro mandato do presidente Lula e desde o ano passado percorreu o País para construir alianças estaduais que ampliassem a base política da candidata Dilma Rousseff, acaba de colocar na mesa um projeto hegemônico para o PT no eventual governo da sua sucessora na Casa Civil. Diga quantas vezes queira que a imprensa deturpou as suas declarações, foi exatamente o que fez na sua polêmica palestra da última segunda-feira para uma plateia de petroleiros, em Salvador.

Mas o paradoxo é apenas aparente. Ao afirmar que a eleição de Dilma será "mais importante" do que a de Lula, Dirceu desenhou um modelo de governo de coalizão em que o seu partido ocuparia um espaço desproporcional ao de seus aliados, incluindo o PMDB que forneceu o vice da chapa de Dilma, deputado Michel Temer. O PT, argumenta Dirceu, não tem maioria para eleger o presidente, porém, chegando ao Planalto pela terceira vez, tem condições inéditas de conduzir efetivamente o governo, partilhando "o pão", como diria Temer, não o leme do poder.

Isso porque, diferentemente de Lula, "que é duas vezes maior que o PT", mas já não estará lá, Dilma, não sendo "uma liderança que tinha uma grande expressão popular, eleitoral, uma raiz histórica no País", estará fadada a encarnar o projeto político que lhe for servido pelo partido - no qual não tem raízes históricas nem jamais representou uma liderança expressiva. Falta, naturalmente, combinar com o seu criador. Em mais de uma oportunidade, Lula deixou claro que pretende ser a partir de 2011 um presidente-sombra, arquivada a idílica lorota de que se dedicaria a ficar assando coelhos no seu sítio. E Dirceu obviamente não ignora que, a se consumar a vitória de Dilma, terá sido Lula o verdadeiro vencedor.

À parte as ambições pessoais de Dirceu, enquanto espera a sentença da Justiça sobre a acusação de que foi o "chefe da quadrilha" do mensalão, registre-se que o papel que ele tem em mente para os partidos parceiros de Dilma é o mesmo que o seu detrator, o deputado petebista, também cassado, Roberto Jefferson, descreveu já em 2005. Aos aliados, cargos, verbas e facilidades, mas nenhum assento na mesa das decisões estratégicas. De novo, falta combinar com os russos - a caciquia peemedebista. Os enxundiosos interesses fisiológicos do partido não excluem que, no pós-Lula, funcione como freio e contrapeso à guinada para a esquerda que o PT procuraria imprimir a um governo Dilma.

Até que ponto essa seja a meta de Dirceu, quando fala em "aprofundar as mudanças, cuidar do partido, dos movimentos sociais, da organização popular", é uma questão em aberto. O ex-capitão do time de Lula, como este o chamava, é um expert em dosar ideologia, pragmatismo - e negócios, bem entendido. O certo, de todo modo, é que o PMDB se oporá, como já se opôs no episódio do programa de Dilma, a qualquer iniciativa de "controle social" dos meios de comunicação que Dirceu venha a incentivar, em parte por convicção, em parte para agradar à companheirada com que conta para voltar a ser o número um do partido.

Ele verbera "o abuso do poder de informar" da mídia nacional, um imaginário bloco monolítico, além de aliada por excelência do "poder econômico" - como se o aliado de escolha das elites do capital não fosse, isso sim, o presidente Lula. O que Dirceu não consegue esconder é o seu ressentimento com a posição do adversário Antonio Palocci na campanha de Dilma. Ele acusa a imprensa de "pressionar pela constituição do governo", como se fosse ela, e não o presidente Lula, que tivesse planos de poder para o ex-ministro da Fazenda também na eventual gestão de sua sucessora.

A reação do PT à fala de Dirceu foi de puro constrangimento. Tudo que o partido não precisa é ele dividir o palco com Dilma. Já basta que a propaganda do tucano José Serra identifique a candidata com o antecessor derrubado pelo mensalão. "Quem fala pela campanha é o presidente do partido, José Eduardo Dutra", corrigiu o secretário petista de Comunicação, André Vargas. "Não é o José Dirceu."

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 17 / 09 / 2010

Folha de São Paulo
"Novas acusações derrubam ex-braço direito de Dilma"

Erenice Guerra será substituída interinamente por seu secretário-executivo

Demitida atribui denúncias a ‘sórdida campanha’ movida por ‘paixões eleitorais’. Candidata do PT apoia saída. Erenice Guerra perdeu o cargo de ministra da Casa Civil após revelação, feita ontem pela Folha, de mais um caso de tráfico de influência envolvendo seu filho Israel e o ministério. O substituto interino será o secretário-executivo, Carlos Eduardo Lima. A solução definitiva pode ficar para depois das eleições. Na valiação de Lula, a denúncia contra Israel Guerra tinha maior potencial de trazer danos eleitorais do que o escândalo da quebra de sigilos na Receita. A empresa EDRB, de Campinas, acusa o filho de Eerenice e um assessor dela de pedir R$ 240 mil mais 5% de comissão para intermediar empréstimo no BNDES. Em carta, Erenice disse precisar de “paz e tempo” para se defender das acusações, que ela atribui a uma “sórdida campanha” movida por “paixões eleitorais”.Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil à época da negociação, apoiou a saída para que a investigação da denúncia transcorra “da melhor forma”.

O Estado de São Paulo
"Escândalo na Casa Civil cresce e derruba Erenice"

Nova denúncia de tráfico de influência envolve filho da sucessora de Dilma no ministério. O BNDES nega esquema. Candidata petista elogia demissão

A sucessora de Dilma Rousseff (PT) na Casa Civil, Erenice Guerra, pediu demissão ontem, após seu filho, Israel Guerra, ser acusado de envolvimento em um novo caso, de tráfico de influência no governo em troca de pagamento de comissão. O consultor de uma empresa afirmou ter recebido de filhos de Erenice proposta de pagamento de 5% para liberar empréstimo do BNDES. O banco afirmou que o empréstimo foi rejeitado por critérios técnicos e negou que, a concessão do crédito estaria submetida a esquema na Casa Civil. Dilma elogiou a demissão, "para que a investigação corra da melhor forma possível". Também ontem, foram exonerados de cargos no governo do Distrito Federal o próprio Israel e um irmão de Erenice, José Alves de Carvalho.

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quinta-feira, setembro 16, 2010

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Opinião

Os arreganhos do lulismo

Editorial do Estadão
Dois meses depois de rebentar o escândalo do mensalão, em junho de 2005, um relutante presidente Lula gravou um pronunciamento para se dizer "traído" e cobrar do PT um pedido de desculpas. Foi o mais perto a que chegou de reconhecer que tinha procedência a denúncia da compra sistemática de apoios ao seu governo na Câmara dos Deputados. Logo adiante, virou o fio: considerou a investigação parlamentar das acusações uma tentativa golpista das elites e ameaçou enfrentá-las nas ruas.

A história se repete. Diante da revelação do tráfico de influência praticado pelo filho da titular da Casa Civil, Erenice Guerra, Israel - o que levou à descoberta de que dois irmãos e uma irmã dela ocuparam uma penca de funções no governo, onde cuidavam com desvelo dos interesses da família -, Lula fez saber que exigira da ministra uma "reação rápida". Indicou, dessa maneira, que não desqualificava liminarmente o noticiário que poderia respingar na candidatura de sua escolhida, Dilma Rousseff, responsável pela ascensão da fiel assessora Erenice na hierarquia do poder.

Mas isso foi no domingo. Passados dois dias, a política de contenção de danos virou um arreganho. Ao mesmo tempo que fazia expressão corporal de apurar os fatos - acionando a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União para investigar as ações do filho da ministra, mas não as dela -, Lula estimulou ou deu carta branca a Erenice para culpar o candidato tucano José Serra pela nova crise que chamusca o entorno do gabinete presidencial, a pouco mais de duas semanas do primeiro turno. Desse modo, Lula deu o enésimo passo na sua trajetória de abusos eleitorais.

Estado e governo se amalgamaram com a campanha de Dilma com uma desfaçatez sem precedentes nessa matéria. Presidente e "chefe de uma facção política", nas palavras do seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, já se haviam mostrado mais unos e inseparáveis do que nunca quando Lula escolheu o horário de propaganda de sua afilhada, no 7 de Setembro, para desancar o candidato do PSDB porque ousou vincular à disputa eleitoral as violações do sigilo fiscal de familiares e correligionários. Dias depois, disse o que o Brasil jamais ouviu da boca de um presidente - que era preciso "extirpar" da política nacional o DEM, aliado de Serra.

É o estilo mussoliniano de quem, numa apoteose mental, acha que é tudo e tudo pode, apontou Fernando Henrique, a única figura política de peso no Brasil a advertir consistentemente para a intensificação do comportamento autocrático de Lula. Serra abdicou de fazer oposição ao presidente aprovado por 80% da população, como se os sucessivos ocupantes da Casa Civil contra quem a sua propaganda investe - José Dirceu, Dilma Rousseff e Erenice Guerra - não tivessem nenhum parentesco político com o Primeiro Companheiro que os instalou no centro do poder. Isso nem impediu a disparada da petista nas pesquisas nem poupou o seu adversário das piores invectivas.

Acertada com o chefe, Erenice mandou distribuir uma nota, em papel timbrado da Presidência, em que se refere a Serra como "candidato aético e já derrotado", mentor do que seria uma "impressionante e indisfarçável campanha de difamação" contra si e os seus. É típico do lulismo, além da usurpação dos recursos de poder do Estado, culpar os críticos pelos malfeitos da sua patota. Como no caso do mensalão, passado o momento inicial de desconcerto, a ordem é execrar os denunciantes. Quer-se reduzir a um "factoide" eleitoralmente motivado, como disse Dilma, a exposição dos enlaces da família Guerra com o patrimônio público.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 16 / 09 / 2010

Folha de São Paulo
"Filho de Erenice pediu 5% por crédito do BNDES, diz empresa"

Além de comissão sobre empréstimo, contrato cobrava R$ 240 mil. Consultor diz ter recebido proposta de repassar R$ 5 mi para eleição de Dilma. Governo nega envolvimento de atual ministra

Empresa de SP acusa Israel, filho da ministra Erenice Guerra, sucessora de Dilma Rousseff (PT), de cobrar pela liberação de empréstimo do BNDES, relatam Rubens Valente, Fernanda Odilla e Andreza Matais. A EDRB procurou a Capital, consultoria do filho da ministra, e foi recebida na Casa Civil. Segundo a empresa campineira, para liberar R$ 9 bilhões do BNDES, a Capital quis R$ 240 mil mais 5% sobre o empréstimo. Em entrevista gravada à Folha, sócio da EDRB diz que não concordou. A empresa afirma que, depois disso, recebeu a proposta de doar R$ 5 milhões para a eleição de Dilma e garantir o crédito, também negada. A Casa Civil confirmou a reunião com a empresa, mas disse que a ministra não foi. Acusado de pedir os R$ 5 milhões, o ex-diretor dos Correios Marco Antônio Oliveira negou. Israel não ligou de volta.

O Estado de São Paulo
"Inquérito da PF contraria tese de crime político na Receita"

Investigação não descobre motivos da quebra de sigilo de tucanos e caminha para versão de delito comum

O conteúdo do inquérito da Polícia Federal sobre a violação do sigilo de quatro tucanos e da filha e do genro do presidenciável tucano, José Serra, mostra que a hipótese de crime político está sendo esvaziada. O resultado da apuração, por enquanto, está longe de descobrir os motivos que levaram à quebra dos dados fiscais dos adversários do PT e caminha para a versão de crime comum, sustentada pela Corregedoria da Receita. As duas lideranças do PT nacional ouvidas, Rui Falcão e Fernando Pimentel, negaram qualquer ligação com a violação. Além disso, a PF não aprofundou as contradições nos depoimentos dados pelas cinco pessoas que participaram de reunião em abril para supostamente discutir a elaboração de um dossiê contra os tucanos.

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quarta-feira, setembro 15, 2010

Arte


Bob Dylan pinta o Brasil

Sidney Borges
Bob Dylan dispensa apresentações. Além de ser o compositor preferido do senador Suplicy, também é pintor, arte que cultiva desde os anos 60. Neste momento ele está mostrando uma coleção de pinturas e desenhos sobre o Brasil no Statens Museum for Dinamarca Kunst.

"Foi uma honra ser convidado e um desafio excitante", Dylan disse em uma declaração sobre a coleção, chamada "Séries do Brasil", que criou exclusivamente para o museu.

"Eu escolhi o Brasil como tema porque fui lá muitas vezes e gosto da atmosfera." Inspirado pela arte do início do século 20, o realismo norte-americano e por pintores como Matisse, Dylan retrata políticos, jogadores, produtores de vinho, e outros habitantes do Brasil.

A exposição que começou em 04 de setembro, vai até 30 de janeiro e apresenta 40 pinturas em acrílico e oito desenhos. Veja cinco obras da Série Brasil, além de obras anteriores de Dylan, nesta galeria. (aqui)

Televisão


Morre Paulinho Machado de Carvalho

Cristina Padiglione no Estadão
Morreu hontem, dia 14, às 10h da manhã, o empresário Paulinho Machado de Carvalho, ou Paulo Machado de Carvalho Filho, primogênito do homem que batiza o glorioso estádio do Pacaembu e que botou a Record no ar, em 1953. No filme Uma Noite em 67, em cartaz nos cinemas, sobre o universo dos festivais de música da Record, Paulinho dá vários depoimentos preciosos, narrando detalhes sobre os bastidores vivenciados pelas grandes estrelas da MPB.

Irmão de Antônio Augusto Amaral de Carvalho, o Tuta, dono da Rádio Jovem Pan, Paulinho sai de cena aos 86 anos, a quatro dias de a televisão brasileira comemorar seu 60º aniversário. Sãopaulino como o pai, Paulinho segurou o rojão da Record até a venda total das ações da emissora, em 1990, para o bispo Edir Macedo.

Sua biografia no site da Pró-TV, associação dos pioneiros da TV, informa que ele começou a trabalhar aos 16 anos e conta ainda: “A emissora principal do pai era a Rádio Record, que ficava bem no centro da cidade, na rua Quintino Bocaiúva, esquina da rua Direita. E tinha uma programação musical muito boa. O pai de Paulinho, porém, queria mais e adquiriu de Oduvaldo Viana a Rádio Panamericana, que tinha apenas um ano de existência. Paulo Machado mandou para lá os filhos, Paulinho, Alfredo e Tuta. Logo Paulinho, já com 20 anos, convenceu o pai a fazer ali uma emissora de esportes. Alguns anos depois, mudaram o nome para Jovem Pan. E a rádio foi de vento em popa, nas mãos dos guris, seus proprietários. Anos mais tarde, passou a pertencer somente a Antônio Augusto, o Tuta, enquanto Paulinho assumia a direção da Rádio e TV Record,em 1952, onde ficou até 1990.”

Quando começou no negócio, Paulinho começou por transferir as Unidas para uma grande construção na Avenida Miruna , perto do Aeroporto de Congonhas (imóvel que agora dá lugar a um hospital da Life Empresarial, do convênio médico pertencente ao grupo da Igreja Universal).

Paulinho esteve à frente dos negócios por 60 anos.

Também é atribuída a ele a obra de ter trazido ao Brasil grandes nomes da música internacional para inesquecíveis shows transmitidos pela áurea Record. Grandes mesmo, referências históricas, e não essa coisa de Lady Gaga, hoje considerada “grande”. Os patamares eram outros: Louis Armstrong, Nat King Kole e Sammy Davis Jr., uau!
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Opinião

Comparado com isso aí, Watergate foi bolinho

José Nêumanne - O Estado de S.Paulo
Em junho de 1972, um bando de cinco aloprados invadiu um escritório da campanha do candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, George McGovern, para fotografar documentos e instalar microfones de escuta, a mando de uma gentalha instalada em gabinetes próximos do Salão Oval, no qual despachava o presidente Richard Nixon. O evento, aparentemente um incidente corriqueiro a ser noticiado nas páginas policiais, terminou levando a dupla de repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein, do jornal The Washington Post, a uma das maiores reportagens da História: a descoberta de que o chefe do Executivo mais poderoso do mundo tomara conhecimento do episódio e participara da conspiração para esconder provas da Justiça, o que o levou à renúncia dois anos e dois meses depois do fato. O episódio ilustrou dois aspectos da política. O primeiro deles, mesquinho, é a cegueira produzida pelo poder, capaz de levar quem o disputa a excessos desnecessários do gênero: no fim do processo eleitoral, Nixon aplicou uma das maiores sovas em eleições presidenciais americanas no adversário, vencendo-o em 48 dos 50 Estados da Federação. O outro, nobre, foi a demonstração do triunfo das instituições sobre as ambições quando funciona de verdade o tal do Estado Democrático de Direito.

Comparado com o que tem acontecido na atual sucessão presidencial em nossos trágicos trópicos, Watergate foi pinto, foi bolinho de bacalhau. Dificilmente o homem mais poderoso do mundo se teria mantido tanto tempo no poder, e talvez não houvesse tido sequer a possibilidade de renunciar, se tivesse devassado a contabilidade sigilosa de filha, genro e aliados do democrata derrotado. Ou se algum parente do secretário de Estado (apesar do crédito histórico de haver tirado a maior potência militar do mundo do atoleiro da guerra no Vietnã) Henry Kissinger fosse acusado de haver recebido "taxa de sucesso" de empresários envolvidos em negócios com a Casa Branca. Agentes da Receita Federal devassaram a contabilidade sigilosa da filha do candidato oposicionista à Presidência, Verônica Serra, de seu marido, Alexandre Bourgeois, e de quatro tucanos de alta plumagem, um dos quais, Eduardo Jorge Caldas Pereira, é vice-presidente do PSDB, o maior partido da oposição. Até agora todas as cabeças coroadas da Receita continuam sobre seu pescoço. E mais: a revista Veja reproduziu depoimento do empresário paulistano Fábio Baracat, revelando as circunstâncias do envolvimento de Israel Guerra, filho da chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, na cobrança de comissão por contratos que ajudou a firmar com a Empresa de Correios e Telégrafos (EBCT), antes dada como estatal exemplar em eficiência de funcionamento e agora, lembrada pela corrupção desde a denúncia de recebimento de propina por um funcionário dela, o que detonou o escândalo batizado de "mensalão".

De fato, nem os Estados Unidos são o Brasil nem Nixon, mesmo tendo trazido dos pântanos da Indochina os jovens americanos de volta ao lar, jamais gozou de popularidade que pudesse ser comparada com a usufruída hoje pelo chefe do governo brasileiro. Tudo isso é verdadeiro. Mas, então, podemos cruzar o Rio Grande ao sul e encontrar outro exemplo bem mais próximo: o caso Collor. Eleito presidente da República, em 1989, na primeira disputa direta depois da que fora vencida por Jânio Quadros, em 1960, o carioca das Alagoas teve de renunciar ao mandato porque uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada no Congresso para investigar o "caixa 2" administrado por seu tesoureiro informal, Paulo César (PC) Farias, descobriu que a reforma de sua residência particular (a "Casa da Dinda") e um Fiat Elba (que qualquer "mensaleiro" que se preze se recusaria a usar por ser um carro modesto demais) haviam sido pagos pela contabilidade heterodoxa administrada por um empresário que, por sinal, não tinha cargo algum no governo. Então, qualquer brasileiro despido de preconceito ideológico e munido da mais elementar imparcialidade verá que o "carcará sanguinolento" pagou uma pena (fim do mandato legítimo conferido por 49,94% do eleitorado, 5,71 pontos porcentuais a mais que seu adversário, o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva) por um dolo que nem pode ser enquadrado na ordem de grandeza de um escândalo como este que acaba de ser divulgado.

O protagonista do impedimento frustrado pela renúncia do presidente hoje faz parte do sesquipedal esquema de poder montado pelo adversário que derrotou há 21 anos. Isso basta para explicar por que ele caiu à época, defenestrado pelo Congresso, que desprezou. Collor, senador da base de apoio do governo petista, tem chance de voltar ao governo de Alagoas, mercê do apoio que dá a Luiz Inácio Lula da Silva e à sua candidata à sucessão, Dilma Rousseff. A popularidade de um - de 79%, segundo pesquisas de opinião confiáveis - e o favoritismo da outra - 50% a 23% sobre o adversário, conforme o levantamento mais recente de intenções de voto que pode ser levado a sério - dão uma boa mão ao sucesso delle, apesar do apoio de Lula ao oponente Ronaldo Lessa (PDT). Da mesma forma, levam a crer que absolutamente nada acontecerá com o clã Guerra, por cuja eventual culpa já respondeu o bagrinho Vinicius de Oliveira Castro, assessor de Erenice, que ocupou na Casa Civil o lugar que foi da candidata Dilma, a quem os filhos dela chamam de "tia".

Vinicius é o Gordon Liddy de Lula. A diferença é que o chefe dele teve de sair do governo por ter tentado protegê-lo. Aqui, o superior de Erenice jurou que, em seu governo, "bandido só não é preso quando não é bandido". Será mesmo, hein? No começo de 2008, em plena divulgação da farra dos cartões corporativos dos palacianos, Erenice Guerra foi acusada de ter preparado dossiê falso contra Ruth Cardoso, mulher do ex-presidente Fernando Henrique. A acusação não foi apurada e Erenice não foi demitida: foi promovida.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 15 / 09 / 2010

Folha de São Paulo
"Caso Erenice põe o governo na ofensiva e partidos batem boca"

Ministra chama Serra de 'candidato aético e derrotado'; para FHC, Lula age como 'chefe de facção'

O novo escândalo provocado pelas acusações de lobby contra a ministra Erenice Guerra (Casa Civil) e integrantes de sua família elevou o tom da campanha ao nível mais forte até agora. Em nota timbrada da Presidência, a ministra se disse vítima de uma "impressionante campanha de difamação" em favor de um "candidato aético e já derrotado", referindo-se, sem citar nome, ao tucano José Serra. O teor político da nota reflete o adotado pelo presidente Lula em reuniões. Seu tom, porém, desagradou à campanha de Dilma Rousseff (PT); para assessores, ela dá a ideia de que o governo vê a eleição como ganha. Em entrevista na internet, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou a campanha de Serra e disse que Lula está agindo como "chefe de facção", não como presidente.

O Estado de São Paulo
"Lula comanda reação do govemo para blindar Erenice"

Estratégia é responsabilizar Serra pelo escândalo em torno da denúncia de tráfico de influência na Casa Civil

Coube ao presidente Lula o comando da contraofensiva do governo e da coordenação da campanha de Dilma Rousseff (PT) para inocentar a ministra Erenice Guerra. A intenção é jogar no candidato tucano José Serra a culpa pela repercussão das denúncias de envolvimento de Erenice, de um filho e de familiares dela em tráfico de influência na Casa Civil. Erenice, que sempre atuou como braço direito de Dilma, animou-se com o apoio do presidente. Imediatamente, ao saber que ficaria no governo, divulgou uma nota à imprensa, com ataques a Serra, qualificando-o de "aético e já derrotado". Lula e o comando da campanha de Dilma mostravam multa preocupação com a possibilidade de as denúncias contra Erenice tirarem votos da petista. Por isso, decidiram pela rápida reação. Logo pela manhã, o presidente chamou os ministros mais próximos para uma conversa. Concluíram que o melhor seria anunciar a entrada da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União no caso.

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terça-feira, setembro 14, 2010

Moon over Bourbon street-Sting

Nuvens

Ramalhete de "Causos"

De tudo aquilo só restou barro e memória

José Ronaldo dos Santos
Eu conheci um contador de causos conhecido por Catarino. Isto foi no início de 1980, num rancho de pescadores que era onde hoje está a pista de skate, em frente ao aeroporto. Naquele tempo, conhecendo bem pouco da história de Ubatuba, me impressionou muito o talento daquele homem. Marcante também foram outros caiçaras que naquele espaço conheci (João de Sousa, Dito Mesquita, Clemente Malaquias...). Depois da morte dele, fiquei sabendo que o Catarino não era ubatubano; nem o seu nome era este. Assim o tratavam porque era catarinense. Por estas paragens ficou por motivo ligado à pesca (e por ter se apaixonado por uma caiçara muito bonita!). O que eu resumo a seguir foi a primeira – e inesquecível! - história que dele eu ouvi em relação aos antigos moradores desta terra: os tupinambás. Hoje, 14 de setembro, dia da comemoração da “Paz de Yperoig”, que deveria ter o nome de Traição de Yperoig, deixo que Catarino fale a todos:

- Uma de suas aldeias era a de Yperoig que se localizava próxima do rio Ubatuba; seu cemitério estava no morro da barra da Lagoa. Koakira, no tempo do padre Anchieta, era o cacique, o líder político; o líder religioso era o pajé Ygatu. Desta época vêm as brigas com os portugueses. A vida na aldeia, apesar do ambiente de suspense, transcorria na rotina; somente os guerreiros estavam de prontidão.

Abro um espaço para esclarecimento: não é demais relembrar que guerrear fazia parte da cultura dos povos indígenas, assim como futebol e novela não podem faltar nos dias atuais à maior parte dos brasileiros. O primeiro livro a descrever os costumes dos índios do território em questão, de autoria de Hans Staden, diz que tupinambás e tupinikins se digladiavam pelo menos em duas ocasiões: na época da tainha e quando o milho amadurecia. Se a guerra era inevitável, viver era necessário.

Neste momento João de Sousa levanta a mão: - Me dão um aparte? Os antigos diziam que, além de arco e flechas, os índios levavam também bodoques.

Todos riem. Somente Catarino diz muito sério: - É verdade, mesmo parecendo brincadeira do filho do velho Rita! Os guerreiros tinham as suas armas de emergência. Afinal, não se podia perder a luta por falta de armas. Até mirim-seco-com-pimenta eles tinham numa espécie de embornal. Servia para jogar nos olhos dos outros, quando os inimigos estivessem bem próximos.

João, contente pela confirmação, completou: - Saibam ainda que daqui, do canto do Itaguá, que saía todo o mirim que misturavam com pimenta. Não chegaram a conhecer o “buraco do Vírgílio”? Hoje, depois do aterro, está debaixo de um restaurante. Era daquela época! A guerra com os portugueses e com os outros índios exigiu muita areia. Também tinha nas Galhetas, na Cocanha, porém no Itaguá tinha mais e era melhor. E tem mais: diziam os antigos que até os chineses, antes de Cabral, catavam areia do meu bairro para produzirem pólvora. Disso eu me orgulho!

Essa ninguém aguentou. Só o João para criar isso de chinês no Itaguá há mais de quinhentos anos! O complemento é do Mesquita: - Depois disso que o compadre falou sobre chinês no Itaguá, tenho que usar o dizer do norte, do ex-escravo da Itamambuca qe dizia: “A providência divina é capaz de muita coisa”. Uma coisa é certa: eu conheci a lagoa que existia entre a casa do velho Virgílio e o lagamar, depois da linha dos jambuís. Era um lugar de pescaria do bairro, porque havia de tudo, desde linguado até robalo e caranha. Só que o nome “buraco do Virgílio” é novo, disso eu não sabia. Olha que eu tenho a idade do compadre e fomos criados juntos, perto de onde hoje é o campo de futebo!

Do parágrafo seguinte vem a relação do título deste com a argila, com um dos traços culturais tupinambás. Ainda, de acordo com o nosso contador:

- Um grupo de índios era responsável por buscar, próximo do mangue entre o cemitério e a lagoa, a matéria básica para a confecção de tantos utensílios, desde os pequenos pitos para fumar até as grandes urnas funerárias. Junto ao grupo, também escolhendo a argila, sempre se encontrava o pajé. Também as crianças ajudavam. Eles cantavam sempre.

Outro espaço; só para esclarecer: é sabido que, nos povos primitivos, o canto é como que um fiel companheiro em muitos momentos, nas muitas atividades. Eles marcam a cadência, dão ânimo, mantêm uma espiritualidade, etc. Entre os indígenas de Yperoig também era assim.

Voltando ao grupo da argila, fala Catarino!

- Lembro-me do refrão cantado pelo grupo, era assim: a língua que matou o povo Tupinambá. Este canto saía como um murmúrio, se repetindo...se repetindo...se repetindo...causando no pajé um desconforto, como se invocasse uma tragédia. Talvez por isso que o líder parecia querer mudar tal frase. Porém, os demais do grupo desconsideravam a manifestação do mesmo e voltavam ao canto com a mesma animação. Penso que isso poderia ser parte de um ritual, ou seja, ele tinha de cumprir um papel e os demais deveriam proceder como eu contei.

Hoje, assim eu concluo: também é de se supor que tal canto viesse de tempos imemoriais, passando por gerações tupinambás. Traria algo de profético? Conjecturei isto após ter estudado sobre a derrota da Confederação dos Tamoios, em 1563: a mentira que continua sendo a Paz de Yperoig.

Sugestão de leitura: Esta terra tinha dono, de Benedito Prezia.

Boa leitura!

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Opinião

Republiquetização do País

Editorial do Estadão
Não é por acaso que o Gabinete Civil da Presidência da República tem estado envolvido em quase todos os grandes escândalos do governo Lula. A começar pelo mensalão, operado por José Dirceu, até a recentíssima denúncia de descarado tráfico de influência por parte da ministra Erenice Guerra e seus familiares, boa parte de todo o malfeito, do ilegal, da pura e simples corrupção que eclode no governo federal tem o dedo do Palácio do Planalto. O dedo de Luiz Inácio Lula da Silva, o grande responsável pelo desenvolvimento econômico dos últimos oito anos; pela incorporação de milhões de cidadãos antes marginalizados ao mercado de consumo; pela ascensão do País à condição de, vá lá, player importante na diplomacia mundial. Se tudo de bom que se faz no governo é de responsabilidade do "cara", por que apenas o que de errado se faz no governo não tem dono?

Por muito menos do que se tem revelado ultimamente de lambanças com as instituições do Estado e com o dinheiro público um presidente da República foi forçado a renunciar há menos de 20 anos.

Mas com Lula é diferente. Embriagado por índices de popularidade sem precedentes na história republicana, inebriado pela vassalagem despudorada que lhe prestam áulicos, aderentes e aduladores das mais insuspeitadas origens e dos mais suspeitosos interesses, Sua Excelência se imagina pairando acima do bem e do mal, sem a menor preocupação de manter um mínimo de coerência com sua própria história política e um mínimo de respeito pelo decoro exigido pelo cargo para o qual foi eleito.

Sempre que os desmandos flagrados pela Imprensa ameaçam colocar em risco seus interesses políticos e eleitorais, Lula recorre sem a menor cerimônia à mesma "explicação" esfarrapada: culpa da oposição - na qual inclui a própria Imprensa. A propósito das violações de sigilo comprovadamente cometidas recentemente pela Receita Federal - não importa contra quem - não passou pela cabeça de Sua Excelência, nem que fosse apenas para tranquilizar os contribuintes, a ideia de admitir a gravidade do ocorrido e se comprometer com a correção desses desvios. Preferiu a habitual encenação palanqueira: "Nosso adversário, candidato da turma do contra, que torce o nariz contra tudo o que o povo brasileiro conquistou nos últimos anos, resolveu partir para ataques pessoais e para a baixaria." Não há maior baixaria do que um chefe de Estado usar o horário eleitoral de seu partido político para atacar, em termos pouco republicanos, aqueles que lhe fazem oposição. E faltou alguém lembrar ao indignado defensor dos indefesos que entre "tudo que o povo brasileiro conquistou nos últimos anos" estão a Constituição de 1988, o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal, entre outras iniciativas fundamentais para a promoção social e o desenvolvimento econômico do País, contra as quais os então oposicionistas Lula e PT fizeram campanha e também votaram no Congresso.

Enquanto os aliados de Lula e de Sarney - a quadrilha que dilapidou o patrimônio público do Amapá - vão para a cadeia por conta das evidências contra eles levantadas pela Polícia Federal; enquanto os aliados de Lula - toda a cúpula executiva e legislativa, prefeito e vereadores, do município sul-mato-grossense de Dourados - pelo mesmo motivo vão para o mesmo lugar; enquanto na Receita Federal - não importa se por motivos políticos ou apenas (!) por corrupção - se viola o sigilo fiscal de cidadãos e as autoridades responsáveis tentam jogar a sujeira para debaixo do tapete; enquanto mais uma maracutaia petista é flagrada no Gabinete Civil da Presidência; enquanto, enfim, a mamata se generaliza e o presidente da República continua fingindo não ter nada a ver com a banda podre de seu governo, a população brasileira, pelo menos quase 80% dela, aplaude e reverencia a imagem que comprou do primeiro mandatário, o "cara" responsável, em última instância, pela republiquetização do País.
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Manchetes do dia

Terça-feira, 14 / 09 / 2010

Folha de São Paulo
"Lula mantém Erenice no cargo e exonera assessor"

Ministra da Casa Civil diz que abrirá sigilo; seu filho é acusado de fazer lobby

O governo lançou operação para tentar impedir que as acusações de lobby envolvendo o filho da ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, atinjam a campanha de Dilma Rousseff e contaminem o final da gestão Lula. Vinícius Castro, servidor da Casa Civil subordinado a ministra e suspeito de envolvimento, foi exonerado. Erenice foi braço direito de Dilma até ela deixar a Casa Civil para ser candidata. Lula decidiu mantê-la no cargo, mas ordenou que responda as acusações "o mais rápido possível". A ministra se declarou disposta a abrir sigilos, caso necessário. Castro disse que repudia as acusações e que saiu para se defender.

O Estado de São Paulo
"Governo demite assessor de Erenice para conter escândalo"

Técnico e acusado de ter recebido propina, junto com filho da ministra, para ajudar a direcionar licitação

O Planalto demitiu Vinícius de Oliveira Castro, assessor da Casa Civil acusado de integrar esquema de lobby no governo. 0 afastamento do funcionário, técnico de baixo escalão, foi a medida de maior impacto tomada pelo Planalto para estancar a crise envolvendo a chefe dele, a ministra Erenice Guerra - que foi braço direito de Dilma Rousseff quando a candidata presidencial do PT estava no governo. 0 assessor negou a acusação de que ele e Israel Guerra, filho de Erenice, receberam propina para direcionar licitação dos Correios. 0 Planalto acionou a Comissão de Ética para analisar o caso.

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segunda-feira, setembro 13, 2010

Arte


Morre Wesley Duke Lee

Artista plástico morreu em decorrência do Mal de Alzheimer, aos 78 anos

Camila Molina - O Estado de S. Paulo
Morreu nesta madrugada, no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, o artista plástico Wesley Duke Lee, aos 78 anos. Desde cerca de 3 anos ele sofria do Mal de Alzheimer e sua morte ocorreu por broncoaspiração e parada cardíaca em decorrência de sua doença. Segundo a sobrinha do artista, Patrícia Lee, não será realizado velório, mas cerimônia, amanhã, às 16 horas, no crematório Horto da Paz, em Itapecerica da Serra.

Desenhista, gravador, pintor e professor, o paulistano Wesley Duke Lee nasceu em 21 de dezembro de 1931. Com formação nos EUA e na Europa, o artista foi um dos introdutores da Nova Figuração no Brasil.

Ousado e polêmico, realizou happenings na década de 1960 como “O Grande Espetáculo das Artes”, no João Sebastião Bar de São Paulo e criou em 1966 o Grupo Rex, com Geraldo de Barros, Nelson Leirner, José Resende, Carlos Fajardo e Frederico Nasser – a iniciativa, até 1967, se desdobrou no espaço alternativo Rex Gallery & Sons e no jornal Rex Time.

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Natureza morta

Foto: Sidney Borges

Coluna do Rui Grilo

Apesar de você

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx“Hoje você é quem manda
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxFalou, tá falado
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxNão tem discussão, não.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxA minha gente hoje anda
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxFalando de lado e olhando pro chão.”

Rui Grilo
Em 1971, cursava filosofia na Faculdade Sedes Sapientiae, que ficava entre as ruas Marques de Paranaguá e a Caio Prado, perto do início da Augusta e da Consolação, um prédio austero mas cercado de verde, onde pulsava a inquietação com a situação política do país.

Uma tarde, quando cheguei, vi afixado na parede do pátio a letra de “Apesar de Você” do Chico Buarque. Várias pessoas olhavam enquanto algumas comentavam que a música acabara de ser proibida e, num sinal de protesto, alguém havia afixado a letra na parede.

Confesso que, depois de muitos anos, depois das “diretas já”, da lei da anistia e da redemocratização do Brasil, sentia aqui em Ubatuba um pouco do clima de medo e de coação daquela época. Na última campanha eleitoral, quando vi o atual prefeito subindo a Rua da Cascata, cercado de funcionários públicos, me lembrei da “Marcha da Família com Deus e pela Liberdade”, que precedeu ao golpe militar.

Nesse final de semana, nas diferentes rodas de conversa, o assunto era a a decisão da justiça que afasta do cargo o vereador Biguá, seu filho André e o funcionário público municipal José Augusto da Silva, e que que pede a condenação por improbidade administrativa e a quebra do sigilo bancário e fiscal do prefeito Eduardo César, do chefe de gabinete Délcio José Sato e da Secretária de Fazenda Vera Lúcia Ramos, inclusive dos cônjuges e filhos.

As reações são as mais variadas. Muitos dizem que não vai dar em nada, que vai dar pizza mais uma vez. Outros querem saber se eles estão presos, como se desconhecessem o ritmo lento da justiça. Outros demonstram uma sensação de esperança e de que um sonho mau está acabando; uma sensação de desforra e de alegria, como na letra do Chico:

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx“Apesar de você
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxamanhã há de ser outro día.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxEu pergunto a você onde vai se esconder
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxDa enorme euforía?”
 
À medida que a poeira vai baixando surgem outras reflexões: se o prefeito tem maior poder de interferir nas investigações e de coagir possíveis testemunhas, porque apenas os funcionários e o vereador foram afastados?

Outra pergunta que surge é: quem será que teve a coragem de fazer a denúncia? Quem será que rompeu com o raciocínio de que é preferível ser covarde vivo que herói morto?

Há também muita expectativa sobre a atitude que a Câmara vai tomar, visto que o principal papel do Legislativo é fiscalizar o Executivo. Será que os vereadores vão continuar a tratar de temas tão relevantes como moções de congratulações e de instalação de placas de ruas e de telefones?

Se o Executivo está sendo condenado por omissão, porque não acontece o mesmo com a Câmara?

Rui Grilo
ragrilo@terra.com.br

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Opinião

A nova fronteira marítima

Editorial do Estadão
Sem esperar a necessária concordância da Organização das Nações Unidas (ONU), o governo brasileiro decidiu expandir os limites de sua soberania sobre recursos do fundo do mar, incorporando à plataforma continental brasileira uma área de 238 mil quilômetros quadrados. É uma decisão unilateral que pode provocar reações internacionais.

A decisão é mais uma comprovação da pressa que tem o governo do PT em assegurar a soberania brasileira sobre áreas que concentram reservas consideráveis de petróleo sob a camada de sal depositada no fundo do oceano, para, desse modo, dar mais segurança ao investidor estrangeiro que esteja disposto a aplicar seus recursos na exploração do pré-sal, mesmo que à custa de eventuais contestações por outros países.

Por meio de uma resolução interministerial publicada na semana passada, o governo decidiu que nenhuma empresa ou Estado estrangeiro poderá explorar a plataforma continental sem sua autorização prévia. A resolução considera como plataforma continental toda a área que, em 2004, o Brasil propôs à ONU como sendo aquela na qual exerceria sua soberania.

A ONU, por meio da Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC), no entanto, aceitou apenas parcialmente a reivindicação brasileira, dela excluindo a porção sobre a qual o governo agora reafirma sua soberania.

O Brasil é um dos países signatários da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, conhecida como Convenção da Jamaica, de 1982. Essa convenção define três limites marítimos. No mais estreito deles, o mar territorial, de 12 milhas marítimas, a jurisdição do país é plena. Na Zona Econômica Exclusiva, o país tem jurisdição para agir em questões ligadas à alfândega, saúde, imigração, portos e circulação. A mais ampla, a plataforma continental, inclui o leito marítimo e o subsolo das áreas submarinas que se estendem além de seu mar territorial. O limite da plataforma continental pode ser maior do que 200 milhas marítimas, se autorizado pela Comissão de Limites da Plataforma Continental da ONU.

No caso brasileiro, o órgão da ONU excluiu do pedido original um território do tamanho do Estado do Ceará, que abrange uma área ao norte do País, e outra que se estende das Ilhas Trindade e Martim Vaz até a fronteira sul do País.

No relatório que apresentou em 2007, e no qual rejeitou a inclusão dessas áreas na plataforma continental brasileira, a CLPC recomendou ao governo que apresentasse nova proposta. Em março do ano passado, o Brasil apresentou novas alegações em defesa de sua proposta original, mas a CLPC não mudou a decisão anterior.

É uma questão de grande interesse nacional. Os Campos Tupi, Carioca, Guará e Júpiter, na costa Sudeste-Sul do País, estão no limite da Zona Econômica Exclusiva, e há, em regiões um pouco mais afastadas da costa, mas na área reivindicada pelo Brasil como parte de sua plataforma continental, formações semelhantes àquelas nas quais se encontram petróleo e gás.

O potencial econômico do subsolo marítimo vai além do petróleo. O governo tem um programa específico para identificar esse potencial (Recursos Minerais da Plataforma Continental, Remplac) e os desafios técnicos da exploração. Há grande quantidade de cascalho e areia para a construção civil à profundidade média de 30 metros entre o Espírito Santo e o Maranhão. Mas há muitos minerais valiosos, como diamante, zircônio (utilizado no revestimento de reatores nucleares), ilmenita (utilizada na indústria aeronáutica e aeroespacial) e potássio (de grande uso na indústria de fertilizantes).

Desde o ano passado, o governo coleta novos dados oceanográficos ao longo de sua margem continental, que devem fundamentar uma nova proposta à Comissão de Limites da Plataforma Continental.
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Manchetes do dia

Segunda-feira, 13 / 09 / 2010

Folha de São Paulo
"Dilma se distancia de Erenice e chama Serra de caluniador"

Em debate Folha/RedeTV!, tucano culpa petista por dossiê que traz violação de sigilo fiscal

A candidata Dilma Rousseff (PT) tentou se distanciar da ministra Erenice Guerra (Casa Civil) no debate Folha/RedeTV! ao dizer que não aceita ser julgada pelo comportamento do filho de sua principal auxiliar. Um dos filhos da ministra é acusado de fazer lobby para empresa aérea no governo. Ela não respondeu se colocaria a mão no fogo pelo comportamento de Erenice. Dilma chamou José Serra (PSDB) de caluniador quando ele acusou a campanha petista de ter produzido dossiês contra tucanos. Já Serra disse que Dilma usa o aparato do governo para proteger petistas e perseguir adversários. Marina Silva (PV) disse que a violação de sigilo fiscal virou um ato banal a ponto de o governo admitir que o crime é rotineiro. Plinio de Arruda Sampaio (PSOL) arrancou risos com brincadeiras.

O Estado de São Paulo
"Irmã de ministra deu aval a contrato sem licitação com governo"

Escritório de outro irmão de Erenice Guerra foi contratado por empresa de energia

Consultora jurídica da Empresa de Pesquisa Energética, Maria Euriza Alves Carvalho, irmã da ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, autorizou a contratação sem licitação, em setembro de 2009, do escritório Trajano e Silva Advogados. Entre os advogados do escritório está Antônio Alves Carvalho, irmão da ministra. No centro do contrato está a pasta de Minas e Energia, setor que tem influência de Erenice e Dilma Rousseff. Reportagem da revista Veja informa que o escritório é usado por Israel Guerra, filho de Erenice, para fazer lobby com empresários que buscam negócios com o governo.

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