sábado, agosto 14, 2010

Ubatuba

Nota de falecimento

É com grande pesar que manifestamos nesta nota o falecimento de nosso grande amigo e companheiro Arimar Viera, que marcou sua passagem neste mundo com muito trabalho e dedicação ao próximo, deixando a todos nós um grande exemplo de honestidade, amizade e solidariedade.

A toda família e amigos deixamos nossas sinceras condolências neste triste e delicado momento.

Rogério Frediani
Presidente do PSDB de Ubatuba

Alexander Calder e as tainhas

Coluna do Mirisola

Valdemiro é homem de Deus

"Se Michelangelo Buonarroti pintou a capela Sistina e a Igreja Católica bancou o Renascimento, por que o apóstolo Valdemiro não pode pregar num galpão do Brás? Só por que é negão, feio, pegajoso e brega?"

Marcelo Mirisola*
Se Bento XVI é homem de Deus, por que o apóstolo Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus, não pode ser? Se os lojistas faturam no Natal e os hotéis de Aparecida do Norte ficam lotados nos feriados católicos, por que o apóstolo Valdemiro não pode glorificar seus carnezinhos em São Roque? Se o papa é o santo padre, por que Valdemiro não pode ser apóstolo e santo também? Se os cardeais de Bento XVI são colunistas dos principais jornais do país e os católicos têm a Rede Vida, e agências de turismo que também são financeiras, por que o apóstolo Valdemiro não pode alugar um canal de televisão?

Se Michelangelo Buonarroti pintou a capela Sistina e a Igreja Católica bancou o Renascimento, por que o apóstolo Valdemiro não pode pregar num galpão do Brás? Só por que é negão, feio, pegajoso e brega?

Se Bento XVI, que herdou o trono e a covardia de Pedro, e que, além de ser pegajoso, enseja uma obscenidade sadomasoquista e fala dez idiomas... enfim, se o santo padre é iluminado pelo espírito santo, por que o apóstolo Valdemiro não pode falar a língua dos anjos – e pregar o mesmo evangelho – no seu português silva e estropiado?

Se o governo patrocina a homeopatia em hospitais públicos, por que o apóstolo Valdemiro não pode curar câncer na sua igreja? Se o padre Marcelo tem nojinho de banheiro publico, só faz “pipi” no camarim e esteriliza as mãos depois de abençoar suas ovelhas, o problema é dele. Isso, no entanto, não impede que o apóstolo Valdemiro Santiago transpire debaixo do sovaco e nem tampouco o impede de ser um homem de Deus.

Se a palavra é de Deus ou do diabo, o problema é de quem a ouve. É para isso, afinal, que o pregador está lá: para provar que está falando a verdade, seja qual for.

E o que a Igreja Católica tem a falar sobre... pedofilia?

Alguém lembra de Richard Williamson, aquele bispo que disse que não acreditava no holocausto?

Williamson – só pra refrescar a memória do leitor – já havia sido excomungado. O papa Bento XVI revogou a excomunhão. Não obstante, devido à pressão que sofreu, resolveu dar satisfações a seu rebanho. Ficou pior a emenda que o soneto. Como assim, revogou a excomunhão? Como é que um cara que foi mandado pros quintos dos infernos por um papa que já morreu e que, em tese, segundo os preceitos da própria igreja é “infalível”... pode, de repente, voltar do limbo (ah, desculpem, o limbo não existe mais...) falando um monte de bobagens em nome de uma religião da qual – até ano passado – eu fazia parte?

E o pior. Como é alguém pode levar esses pedófilos & nazistas a sério e afirmar que o apóstolo Valdemiro Santiago não é um homem de Deus? Se Bento XVI é homem de Deus, o Valdemiro, eu e a bispa Sônia (ah, não a bispa Sônia não...) também somos, cazzo!

Se você acredita nas boas intenções da Xuxa e liga pro Criança Esperança, por que não pode adquirir o carnezinho do apóstolo Valdemiro?

Uma vez fiz um exercício de imaginação aqui no Congresso em Foco. Lembram da seita que venerava pelos grisalhos de sovaco? Os clérigos dessa seita acreditavam que a pedofilia seria o caminho para se chegar aos tesouros dos céus. A vida das criancinhas – para eles – estava acima de tudo. A doutrina da Igreja Universal do Sovaco Grisalho condenava o aborto e a zoofilia, e fazia sérias restrições com relação a macumbeiros e tinturas de cabelo. Ao alvorecer, as criancinhas e os sacerdotes da I.U.S.G santificavam o pleonasmo. Todos nus. Também acreditavam num ser iluminado que havia sido parido do ventre de um tamanduá.

Totonho Pé de Pato, o grande arquimandrita da Igreja Universal do Sovaco Grisalho, também conhecido como Máximos IV, saiu – em termos – das páginas de um livro do Cony e estabeleceu sua primeira igreja num condomínio fechado no Vale do Alcantilado, onde mora atualmente. Na garagem de sua mansão, ele guardava duas BMWs, uma réplica da Demoiselle IV e uma coleção de besouros dispostos em posições comprometedoras. O grande arquimandrita também gostava de pescar e, às vezes, rezava missas em sânscrito e de trás para frente. Preferido dos cantores sertanejos, sua santidade dominava a psicocinese, a precognição, a telepatia e também – depois de passar 14 anos no Tibete – aprendeu a cultivar Tulpas, uma forma de pensamento materializado. Ninguém sabia se ele era ele mesmo ou uma Tulpa longa, grisalha e crespa que assumia um comportamento cada vez mais independente e excêntrico. O melhor – diziam – era não contrariar o pentelho.

Totonho Pé de Pato não escovava os dentes às terças, quintas-feiras e sábados, criava paradoxos e serpentes no seu jardim de orquídeas carnívoras (uii), e tinha uma língua afiada e bipartida. Por baixo da batina, o grande arquimandrita vestia uma cinta-liga amparada por ferrolhos que lhe perfuravam as coxas rosadas. Vivia uma ereção ininterrupta que – segundo depoimento dos fiéis – já durava oito anos. Alguns sacerdotes dessa excêntrica igreja faziam votos de pobreza e boqueteavam o mestre todo final de tarde, outros colecionavam obras de arte. A Igreja Universal do Sovaco Grisalho contava milhares de seguidores no mundo inteiro, menos na misteriosa Clevelândia, uma cidade de gente honrada e trabalhadora que se localiza no centro-sul do Paraná – o grande arquimandrita sofria (e continua sofrendo muito) por conta disso. Aborto não se discutia na I.U.S.G, se excomungava – nisso, eles (que adoravam criancinhas...) coincidiam fervorosamente com a doutrina da Igreja Católica.

Pois bem. Se um arcebispo da Igreja Católica Apostólica Romana pode excomungar um médico que fez aborto e salvou a vida de uma menina de nove anos que foi estuprada pelo padrasto, qualquer um pode qualquer coisa em nome de Deus e do Sovaco Grisalho. Capisce? Como é que alguém que acredita num papa que trouxe de volta do inferno um bispo que nega o holocausto pode não acreditar nos milagres do apóstolo Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus?

Se o padre Marcelo toma remédios para frear a queda de cabelos, e garante que não faz parte daqueles 41% de religiosos que tiveram casos com mulheres, a que conclusão podemos chegar antes de acusar o apóstolo Valdemiro de ser ladrão?

Ora, que ambos pregam a palavra de Deus, com a diferença que o apóstolo Valdemiro é casado com a bispa Franciléia, e o padre Marcelo acha importante um sacerdote estar sempre malhado e se vestir bem. Mas vamos fazer umas contas. Se padre Marcelo não faz parte dos 41% de sacerdotes garanhões, então ele se inclui na outra parcela de 59% de religiosos que tiveram casos com... homens e crianças? Matemática é coisa do diabo e esse raciocínio é uma piada – bom avisar antes que viadinho burro me acuse de ser homofóbico.

Prosseguindo. Uma vez que o apóstolo Valdemiro diz que o dízimo é a prova da existência de Deus e o padre Marcelo assume sua vaidade, ora, uma vez que ambos são homens de Deus, ninguém pode acusar ninguém de ser ladrão nem de ser viado, tá certo? E o padre Marcelo Rossi, sob esse prisma colorido, é mais enfático até: ele pensa que “homossexualismo não é coisa de Deus”. Claro que não, é coisa de viado mesmo.

Padre Marcelo rasga as cartas de amor que recebe. De homens e mulheres, diz que não é santo, mas que quer viver na santidade. Imagino que rasgue as cartas de tesão. Já o apóstolo Valdemiro Santiago cura cancerosos e aidéticos no altar de sua igreja lá no Brás, e não é só. Ele faz cego enxergar e paralítico dar cambalhotas, ao vivo e a cores, todos os dias na televisão e na internet. Eu penso que ele também tem direito de viver na santidade, vocês não acham?

Todos temos esse direito, aliás. E, antes de qualquer coisa, quero dizer que não inventei uma linha sequer desta crônica. Foi tudo publicado na Folha de S. Paulo. Dou todos os créditos a Mônica Bergamo, que entrevistou padre Marcelo no dia 16 de maio de 2004. E o programa do apóstolo Valdemiro Santiago está todos os dias no ar, não só na CNT, mas no canal 21 e na Rede TV também. Quero dizer que rezo o Pai-Nosso toda santa manhã antes do holocausto de cada dia. Só me arrependo de uma coisa: de não ter conhecido o apóstolo Valdemiro antes de penhorar minha alma para o Deus sádico que Saramago está tendo que engolir a contragosto.

Sim, eu me converti ao evangelho e meu estilo apenas melhorou. O que, convenhamos, é um milagre. As escrituras dizem que ainda dá tempo. E não dói nada, garanto. Para um cara como eu, que gosta de programas populares, efeitos especiais toscos e baixarias, até que foi fácil e divertido. Vocês, ímpios, ainda têm uma chance antes de Jesus Cristo voltar sorrateiro feito um ladrão, depois vai ser tarde demais e o filho de Deus vai passar o rodo impiedosamente – leiam a Bíblia. Ou vocês se convertem agora, que a misericórdia dos céus está à disposição, ou nunca mais.

Convertei-vos, infiéis! Porque se o apóstolo Valdemiro não for um estelionatário, se eu não fiquei maluco, se Bento XVI não for a encarnação do capeta e se o padre Marcelo não for uma bicha louca, uma coisa vos digo: estamos todos fodidos e mal pagos – para toda a eternidade.

* Considerado uma das grandes revelações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.

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Opinião

Fiel da balança

Merval Pereira em O Globo
A candidata do Partido Verde Marina Silva continua sendo o obstáculo a que a eleição presidencial se resolva no primeiro turno, confirmando o temor do governo de que o seu lançamento poderia atrapalhar os planos de polarização da eleição.

Com a confirmação, pela pesquisa do Datafolha divulgada ontem, de que Dilma Rousseff abriu oito pontos de vantagem sobre José Serra antes do programa eleitoral do rádio e televisão que começa na terça dia 17, a manutenção de sua popularidade em torno dos 10% torna-se crucial tanto para o governo quanto para a oposição.

Ela está, sozinha, fazendo o papel que foi, na eleição de 2006, dos candidatos Heloisa Helena, do PSOL, e Cristovam Buarque, do PDT, que terminaram o primeiro turno com 9% dos votos somados, levando a eleição entre LUla e Alckmin para o segundo turno.

Dilma está a três pontos de vencer no primeiro turno, enquanto Serra mantém a esperança de virar o jogo contando com a realização do segundo turno.

Mantendo essa tendência de estabilidade, a candidata do PV consegue iniciar a campanha no horário eleitoral gratuito em situação favorável, para compensar o pouco tempo de exposição que terá.

E exorciza, pelo menos por enquanto, o perigo de ser atropelada ou pela polarização entre os candidatos do PT e PSDB ou, pelo radicalismo alternativo do candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio.

Mesmo depois de ter se tornado a estrela do primeiro debate na televisão, ele não conseguiu ainda pontuar nas pesquisas, o que o coloca o PSOL em situação de não ter influência política na eleição até o momento.

Ao que tudo indica, a estratégia de campanha da candidata do Partido Verde continuará sendo a de se apresentar como uma terceira via para governar o país, recusando o clima de confrontação que domina a disputa entre PT e PSDB.

Ela está se preparando para superar com criatividade o pouco tempo de rádio e televisão que tem, e tentará convencer o eleitorado de que é a que tem condições de unir os melhores momentos dos governos de Fernando Henrique e Lula, sem a clivagem que predomina nas ações políticas de PT e PSDB.

O ponto central da estratégia política de Marina Silva é o que seus coordenadores denominam "realinhamento histórico da social-democracia brasileira", que não se limitaria ao PSDB, mas se estenderia ao PT, que sempre reagiu a essa classificação, mas já atua dentro desse espírito, mesmo que conserve atuante e influente um grupo político que ainda defende a implantação do socialismo, a exemplo dos dissidentes que fundaram o PSOL.

O próprio ex-presidente Fernando Henrique formulou a melhor síntese do "desalinhamento" entre os dois partidos que polarizam a política brasileira desde 1993 quando ele assumiu o Ministério da Fazenda e comandou a implantação do Plano Real:

"PSDB e o PT disputam para ver quem vai liderar o atraso".

A governabilidade de ambos é dada pelas respectivas alianças com o ex-PFL, hoje DEM e com o PMDB ou anteriormente com um conjunto de partidos fisiológicos via mensalão.

A intenção é dar a Marina uma “governabilidade” mais coerente, analisa Alfredo Sirkis, um dos coordenadores da campanha.

Ele vê diferenças de estilo nos dois partidos, mas dentro do espectro da social-democracia européia: “O PT mais do estilo do grande partido de origem sindicalista (SPD alemão, Labour, SD sueco) e o PSDB mais classe média (PS francês e português)”.

A campanha de Marina Silva acredita que há mais elementos programáticos em comum entre eles do que dissonantes. Mas uma feroz disputa de poder, e subjacente animosidade com epicentro na política paulista, impediria uma aproximação.
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Manchetes do dia

Sábado, 14 / 08 / 2010

Folha de São Paulo
"Dilma ultrapassa Serra e fica a 3 pontos da vitória no 1º turno"

Segundo o Datafolha, petista tem 41% e tucano, 33%; candidata chega a 47%, considerados apenas os votos válidos

Pesquisa Datafolha mostra que Dilma Rousseff (PT), com 41% das intenções de voto, abriu vantagem de oito pontos sobre José Serra (PSDB), com 33%. É a primeira vez que a candidata petista lidera fora da margem de erro do Datafolha, que é de dois pontos, para mais ou para menos. Dilma cresceu em todas as regiões e em todos os segmentos socioeconômicos, exceto entre os mais ricos. Na resposta espontânea, sem apresentação do nome dos candidatos, ela soma 26%, contra 16% do tucano. Considerados apenas os votos válidos, Dilma chega a 47% e fica a três pontos da vitória no primeiro turno. Serra totaliza 38% e Marina Silva (PV), 12%; os demais candidatos somam 2%. A disputa acaba em 3 de outubro se um dos candidatos obtiver 50% mais um dos votos válidos.

O Estado de São Paulo
"Chilena LAN se une à TAM e terá a maior parte do capital"

Fusão cria a maior empresa aérea da América do Sul, com receita de US$ 8,4 bilhões e operação em 23 países

A brasileira TAM e a chilena LAN anunciaram ontem uma fusão para criar a LATAM, maior companhia aérea da América do Sul, com receita de US$ 8,4 bilhões, operação em 23 países e 40 mil funcionários. A TAM terá o capital fechado no Brasil e na Bolsa de Nova York. As ações da empresa brasileira serão trocadas por papéis da LAN. Da nova empresa, 70,67% pertencerão a acionistas da LAN, e 29,33%, aos da TAM. A sede será no Chile. A TAM e a LAN manterão a gestão em separado. A empresa chilena, no entanto, terá 20% do capital votante da TAM e, pelo acordo, ganhará direito de veto.

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sexta-feira, agosto 13, 2010

Tainhão

Deu em O Globo

Campanha das ambiguidades

Editorial (original aqui)
Dada a força de sua popularidade, o presidente Lula paira sobre a campanha, pois, para o lulismo, eleger Dilma Rousseff é conquistar o terceiro mandato consecutivo acertadamente proibido pela Constituição. Se isto acontecerá na prática, não se sabe. Afinal, criaturas costumam ganhar vida própria longe do alcance do criador, quando assumem o poder.

Lula também tem forte presença na campanha do tucano José Serra, de forma paradoxal: pela força que o candidato faz para tirá-lo da disputa, em proporção inversamente proporcional à executada por Dilma para apresentar-se como garantidora da continuidade.

Tem razão o ex- governador de São Paulo quando disse à bancada do JN, William Bonner e Fátima Bernardes, que “não se governa da garupa”. Ou seja, engana-se quem vota em Dilma pensando reeleger Lula. Nunca é a mesma coisa, indica a experiência.

Mas o tucano padece de séria ambiguidade ao optar por falar mal do governo - na Saúde, na infraestrutura, na falta de investimentos em geral - sem criticar o chefe dele. Parece desafio de equilibrista de circo - pode arrebatar plateias ou não.

Ambiguidade semelhante atinge a verde Marina Silva, petista e ministra de Lula até outro dia, e que resolveu sair do governo depois de ter os espaços tolhidos pela poderosa ministra Dilma Rousseff, conhecida por não dar trela a ambientalista, tamanho seu ardor pelo desenvolvimentismo. A conversão ambiental de Dilma viria depois, e até hoje não se sabe se foi por conveniência eleitoral ou convencimento intelectual.

Serra evita colidir com Lula, Marina faz o mesmo com Dilma. Sequer critica o descaso do lulismo com o meio ambiente . O tucano pelo menos aponta para as “estradas da morte” etc. Assim, Marina Silva corre o risco de não se firmar como “terceira via”, por falta de contraste.

Outro ponto comum às três entrevistas ao JN é a mazela da baixa qualidade das alianças político-partidárias - delas em si e dos métodos empregados para selá-las.

Perguntada sobre o convívio do PT com antigos e execrados adversários - Collor, Renan Calheiros, Jader Barbalho, entre outros -, Dilma Rousseff respondeu que o partido passou a admitir essas companhias, mas “nos termos” ditados por ele. Há controvérsias.

Já o ex-governador de São Paulo, na tentativa de defender representantes do mensalista PTB na base de sua campanha, utilizou o risível argumento de que o PTB que o apoia é o de São Paulo. Preferiu esquecer que o denunciante e também beneficiário do mensalão, deputado petebista cassado Roberto Jefferson, foi quem adiantou a escolha de Índio da Costa para vice tucano pelo twitter, numa demonstração de intimidade.

Marina, por sua vez, com menos telhado exposto a pedradas — embora também existam nele telhas de vidro — parte para um proposta sonhadora no atual estágio da política brasileira: governar com os melhores do PSDB, PT e DEM.

É claro que a costura de alianças se tornará mais fácil, menos penosa para quem se preocupa com a ética, à medida que a Ficha Limpa surta resultados concretos. Também facilitará se a questão da cláusula de barreiras voltar à agenda do Congresso.

Mas, mesmo sem maiores alterações de legislação, é possível, a partir de uma postura política séria, atenuar a fisiologia nessas barganhas. Depende do próximo presidente.

Espera-se, agora, que a propaganda eleitoral dita gratuita, que se inicia terça-feira, preencha os inúmeros vazios que persistem no discurso dos candidatos.

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Sexta-feira, 13 de agosto

Cuidado!

Frases

Sou ex-Gabeira e cada vez sou mais "ex". Compreendi o fracasso que foi o socialismo, o desastre que é Cuba e a Coreia do Norte. Eles destruíram o meio ambiente. Viajei pela ex-Tchecoslováquia e a Alemanha Oriental. O século XX já acabou pra mim.

Fernando Gabeira
Candidato a governador do Rio pelo PV, ao responder a um adversário que o chamou de ex-Gabeira

Nota do Editor - Gabeira viajou, viu e aprendeu. Aqui no Brasil tem gente que quer um país nos moldes de Cuba e Venezuela. Vão continuar querendo, como dizia Dolores Ibarruri Gómez, "La Pasionária",: "no passarán". Eu acrescento: Democracia ou Democracia. Ainda bem que Lula e Dilma são adeptos do liberalismo. (Sidney Borges)

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5 milhões aguardam

Projeto Pai Presente

SOLANGE SPIGLIATTI - Agência Estado
A Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou nesta semana o projeto Pai Presente, que estabelece medidas a serem adotadas pelos juízes e tribunais brasileiros para reduzir o número de pessoas sem paternidade reconhecida no País. O objetivo do projeto, de acordo com o CNJ, é identificar os pais que não reconhecem seus filhos e garantir que assumam as suas responsabilidades, contribuindo para o desenvolvimento psicológico e social dos filhos.

A regulamentação do projeto visa a garantir o cumprimento da lei 8.560, de 1992, que determina ao registrador civil que encaminhe ao Poder Judiciário informações sobre registros de nascimento nos quais não conste o nome do pai. A medida permite que o juiz chame a mãe e lhe faculte declarar quem é o suposto pai. Este, por sua vez, é notificado a se manifestar perante o juiz se assume ou não a paternidade. Em caso de dúvida ou negativa por parte do pai, o magistrado toma as providências necessárias para que seja realizado o exame de DNA ou iniciada ação judicial de investigação de paternidade.

O projeto foi criado a partir da disponibilização dos dados do Censo Escolar de 2009, de aproximadamente cinco milhões de alunos matriculados nas redes de ensino pública e privada que não declararam a sua paternidade. As corregedorias gerais terão um prazo de 60 dias para informar ao CNJ as providências que foram tomadas para a implantação das medidas previstas na regulamentação.

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Coluna do Celsinho

Antes tarde...

Celso de Almeida Jr.
Continuo distante.

Falo pelo Skype com a filhinha e a esposa queridas.

Meu amigo...quanta saudade...

Tive um papo meio filosófico com a Fernandinha.

Acho que foi a cerveja, afinal, aonde estou, o calor obriga.

Disse que descobri algo fantástico.

Cheguei a conclusão que não morremos nunca!

Expliquei.

Ela, uma linda garotinha de quase 10 anos, carrega um pedacinho do papai e da mamãe.

Então, concluí: eu e a Patrícia continuamos nela.

Além disso, nossas idéias, ações, gestos de carinho, garantem que a gente viva no pensamento e no coração de muita gente.

Viu?

Não morremos nunca.

Tendo filhos ou não, a eternidade é garantida.

Provavelmente, quanto mais forte a nossa mensagem, mais duradoura ela será.

Talvez, o melhor passaporte para a eternidade seja praticar a caridade.

E pensar que essa dica foi dada há dois mil anos.

Demorei.

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Brasil


Casa própria. Pssss, fale baixo...

Folha SP, 13
Minha Casa, Minha Vida só concluiu 1,2% dos imóveis na faixa de até 3 mínimos. A Caixa Econômica Federal omite dados do programa Minha Casa, Minha Vida desfavoráveis ao governo Lula. O banco federal alega não haver números consolidados sobre a conclusão de unidades habitacionais financiadas pelo programa, com detalhamento da sua execução por faixa de renda. Mas os números existem e mostram que, no segmento no qual se concentra 90% do deficit habitacional do país, a conclusão dos imóveis não chega a 2%. Balanço referente ao dia 30 de junho deste ano obtido pela Folha revela que, para o grupo de renda de zero a três salários mínimos, apenas 1,2% das 240.569 unidades contratadas foi concluído. O número de unidades já entregues é ainda menor: 565, ou apenas 0,23%.

Poesia

Escritor...

Escritor deixa o tempo migrar
Vai do amanhecer ao anoitecer
Vigia em andanças que não permitem
Sempre o descanso que dele migra.

Viaja no pensar o outro
O dia do outro
O seu dia...
Tenta dormir e acordar como o outro e ...

A noite quase se esvai;
Quando acorda parece que percorreu
Só... só as noites dos outros
Tenta desapegar-se da noite que se esvai.

Sabe que dormir é necessário
Que a migração para o outro não o descansa
Que seu corpo se cansa
Que mente e espírito necessitam
Migrar para o descanso.

E aí... o escritor se cansa e...
Dorme.

Lourdes Moreira
15/04/09 em casa

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Opinião

O risco do petróleo

Editorial do Estadão
Alguns anos serão necessários para que possam ser medidos com precisão os prejuízos com o vazamento de cerca de 5 milhões de barris de petróleo, causado pelo afundamento da plataforma Deepwater Horizon, operada pela BP no Golfo do México. Noticia-se agora que ele foi estancado, mas os efeitos econômicos globais daquele que é considerado o maior desastre ambiental da história dos EUA ainda se fazem sentir. Como era previsível, os prêmios de seguros para exploração de petróleo offshore estão em ascensão, estimando-se que podem aumentar até 50%, e os investidores no setor petrolífero estão inquietos.

Nessa fase, as grandes seguradoras vêm procedendo a uma reavaliação de riscos, evitando fechar ou renovar contratos com operadoras de sondas e plataformas de petróleo. Isso afeta também empresas que operam na costa brasileira. Pela praxe, as apólices vinham sendo renovadas por um ano, mas agora os prazos são mais curtos.

A questão não se resume a preços, mas abrange também a adoção de planos adequados de prevenção de acidentes, hoje considerados indispensáveis para a contratação de apólices ambientais. Uma das críticas que se fazem à BP é de que não tinha um plano de ação para emergências ou seguro de responsabilidade social ou civil. Tanto assim que a empresa teve que assumir o compromisso de pagar indenizações no total de US$ 20 bilhões para cobrir danos ambientais e prejuízos causados a indivíduos ou empresas pelo vazamento. Isso não eximiu as seguradoras de vultosas perdas, estimadas entre US$ 3 bilhões e US$ 5 bilhões.

Além disso, em razão de pressões partidas não só de grupos ambientalistas, mas da população em geral, a legislação dos EUA para exploração de petróleo em alto-mar está em processo de alteração, havendo um projeto com esse objetivo em tramitação no Congresso. Como as normas deverão requerer mais controle, os prêmios de seguros devem ser ajustados. De fato, é possível que a alta dos custos dos seguros absorva os ganhos obtidos com a queda de 20% no preço de plataformas no mercado internacional em seguida ao acidente do Golfo do México.

Em face das perdas sofridas pela BP, com impacto direto sobre suas ações, cujas cotações caíram à metade desde 20 de abril, os investidores se tornaram também mais cautelosos e desejam saber se os riscos das companhias petrolíferas em que investem estão adequadamente cobertos. Grandes fundos de pensão britânicos e americanos sofreram pesados prejuízos com a despencada das ações da BP, chegando alguns deles a processar judicialmente a companhia.

Na realidade, ninguém mais confia na eficiência de equipamentos ou nos meios empregados para conter vazamentos de petróleo. Na verdade, ainda não se sabe com exatidão a causa da falha do equipamento da BP. Muitos testes devem ainda ser realizados até que se chegue a conclusões satisfatórias, que possam ser utilizadas como ensinamentos para evitar novos acidentes.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 13 / 08 / 2010

Folha de São Paulo
"Caixa omite dado negativo sobre casas populares"

Banco não divulga atrasos do Minha Casa, Minha Vida na faixa de renda de quem ganha até três mínimos

Balanço de junho do programa Minha Casa, Minha Vida traz dados negativos ao governo que são omitidos pela Caixa. O documento mostra que, para o grupo de renda de até três salários mínimos, só 565 das 240,5 mil casas foram entregues. Esse conjunto da população concentra cerca de 90% do déficit habitacional do país, informam Andréa Michael e Daniela Lima. O programa é tido como prioritário no Planalto e é uma das principais plataformas de Dilma Rousseff (PT). Inicialmente, o banco afirmou que os dados não existiam. Depois, sustentou que não havia informações consolidadas. O SindusCon (Sindicato da Indústria da Construção Civil) confirmou a veracidade dos dados do balanço da Caixa.

O Estado de São Paulo
"Incentivo do BNDES à indústria vira alvo na OMC"

Países querem saber se a política de crédito do banco configura subsídio, proibido pela lei internacional

O Brasil terá seus programas de financiamento do BNDES e toda sua política de apoio industrial avaliados na Organização Mundial do Comércio, informam Jamil Chade e Adriana Fernandes. Com um ano de atraso, o governo entregará à entidade documentos descrevendo os programas de ajuda estatal para comércio e investimentos, exigência que a OMC faz a todos os paises. Pela lei internacional, os subsídios ao setor industrial estão proibidos. Mas, em Brasília, funcionários que ajudaram a elaborar os documentos admitiram ao Estado que o governo apenas notificará o que sabe que está dentro da lei. Embora isso não signifique a abertura de uma disputa comercial, alguns países já indicaram que vão pressionar para entender como é que o BNDES financia a produção e a exportação.

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quinta-feira, agosto 12, 2010

Tainhas

Acrílico sobre tela - Sidney Borges

(in)Segurança

Veículos mais roubados no Brasil

Volkswagen Gol lidera ranking, seguido da Honda CG 125cc

Agência AutoInforme (original aqui)
O Gol lidera a lista dos veículos mais roubados ou furtados no Brasil. Nem poderia ser diferente, uma vez que o carro da Volks tem a maior frota individual do País: são 5,1 milhões de unidades, ou cerca de 15% do total da frota. As informações são da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais (CNSeg).

A impressão que se tem é de que as motos são mais roubadas do que os carros, mas não é verdade. A CG 125, a mais procurada, tem uma frota de 3,5 milhões no Brasil, bem menos do que o Gol. Ela está em primeiro lugar entre as motos mais roubadas, mas fica em segundo lugar na classificação geral.

Na lista dos dez primeiros aparecem mais duas motos: CG 150, na quinta posição e a CBX, em oitavo lugar, ambas da Honda.

O segundo carro mais roubado é o Fiat Uno, seguido por outro Fiat, o Palio.

Confira o ranking:

1º - Volkswagen Gol
2º - Honda CG 125
3º - Fiat Uno
4º - Fiat Pálio
5º - Honda CG 150
6º - GM Corsa
7º - GM Celta
8º - Honda CBX
9º - Fusca
10º- Volkswagen Parati
Fonte: NSeg

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Matemática

Matemáticos acham "número de Deus" para resolver o cubo mágico

A busca pelo "número de Deus" já dura 30 anos

Uol Ciência (original aqui)
Um grupo de pesquisadores americanos concluiu que é possível resolver qualquer combinação do quebra-cabeças conhecido como "cubo mágico" em apenas 20 movimentos ou menos.

O chamado "número de Deus" é o mais baixo desde que a busca pela solução mais rápida para o colorido enigma começou, há 30 anos.

Em 1981, o matemático Morwen Thistlethwaite chegou a um algoritmo capaz de resolver qualquer posição do cubo mágico em 52 movimentos. Desde então, o número vem sendo reduzido - a última vez, em 2008, para 22.

"Sabemos ao certo que o número mágico é 20", disse à BBC o matemático da Kent State University, Morley Davidson. Ele disse, entretanto, que a maioria das posições requer entre 15 e 19 movimentos.

Segundo ele, das cerca de 43 bilhões de combinações possíveis com o cubo, 100 milhões podem ser resolvidas com exatos 20 movimentos. O restante, com menos.

"Levou 15 anos após a introdução do cubo para encontrar a primeira combinação que provavelmente requeria apenas 20 movimentos para ser solucionada", disseram os pesquisadores, no site em que os resultados foram divulgados.

"É apropriado que, 15 anos mais tarde, provemos que 20 movimentos são necessários para qualquer combinação."

Algoritmos complexos

Também conhecido como cubo de Rubik, o cubo mágico foi inventando em 1974 pelo arquiteto húngaro Erno Rubik.

Licenciado como brinquedo, o quebra-cabeças já vendeu desde então mais de 400 milhões de unidades no mundo, tornando-se um dos passatempos mais vendidos em escala global.

As equações para resolver os enigmas no menor número de movimentos são demasiado complexas para serem memorizadas por um mortal comum. Em geral, são necessários computadores e até supercomputadores.

Em competições internacionais, o recorde por resolver o cubo mágico 3 x 3 x 3 mais rapidamente - mas não necessariamente no menor número de movimentos - pertence ao estudante holandês Erik Akkersdijk, que encontrou uma solução em 7,08 segundos.

Já o "número de Deus" é assim chamado porque os pesquisadores assumem que um ser onisciente usaria este algoritmo para resolver o problema.

As pesquisas para definir o algoritmo da equação "divina" usaram um arsenal de capacidade informática providenciada pela gigante de tecnologia Google - que não divulga detalhes dos sistemas de computação oferecidos para a pesquisa, concluída em semanas.

Cálculos

Os pesquisadores dividiram todas as possibilidades em 2,2 bilhões de grupos, cada um contendo 20 bilhões de posições.

Para facilitar a conta, eles eliminaram combinações duplicadas e usaram simetria para identificar outras combinações similares. Assim, o número de grupos de 20 bilhões de combinações caiu para 56 milhões.

Para processar todos os dados que a pesquisa requeria, seriam necessários 35 anos de trabalho de um computador normal, disse Davidson.

"Para mim, achar o 'número de Deus' é como um círculo", disse Davidson. "O cubo mágico é um clássico dos anos 1980, época em que eu cresci, e uma das razões por que entrei na matemática."

Ele disse que, agora, a equipe pode continuar estudando problemas matemáticos com o cubo mágico, talvez em sua versão 4 x 4 x 4.

"É a popularidade universal do quebra-cabeças", justificou. "É provavelmente o quebra-cabeças mais popular da história humana."

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Carro de boi

Acrílico sobre tela - Sidney Borges

Crônica

Um gosto pela ironia

Luiz Fernando Verissimo no Blog do Noblat (original aqui)
História é uma velha senhora com um gosto às vezes cruel pela ironia.Por exemplo.O populismo de direita cresce na Europa Central, ou nos antigos satélites da União Soviética, em parte porque lá não houve nada parecido com a revolução cultural que sacudiu o conservadorismo político e social dos anos 50 na Europa Ocidental. E não houve nada parecido com 1968 na Europa Central porque os tanques soviéticos não deixaram.

O resultado da intervenção soviética, principalmente na Hungria e na Tchecoslováquia, foi que o modelo dominante de revolta para os jovens ficou sendo o nacionalismo à antiga, pré-Segunda Guerra Mundial, e não o modelo libertário do pós-guerra na França e em outros países. Portanto, nas origens do fascismo que volta na Europa Central com todos os seus maus costumes - antissemitismo, perseguição a ciganos e outras minorias etc. -, está o mesmo exército que resistiu heroicamente à máquina de guerra nazista e ajudou a derrotá-la.

Os milhões de russos mortos na luta contra o fascismo não estão achando muita graça.

Outra da História: a reforma agrária no Japão, que desmantelou uma estrutura feudal de séculos e serviu de exemplo para outras reformas parecidas, não foi obra de nenhuma esquerda, mas do general americano que mais se assemelhava a um senhor feudal, Douglas McArthur, imperador de fato do Japão durante a ocupação depois da Segunda Guerra.

Outra: se o capitalismo praticado na Alemanha atual e seus arredores econômicos - leia-se a União Europeia - é mais democrático do que o americano, com maior participação de empregados no controle de empresas, isto também se deve à derrota do fascismo e a questões geopolíticas decorrentes da Segundona.

Ainda vivemos todos num post-scriptum de 1945. Assim como McArthur quis acabar com o poder de uma aristocracia que instigava os sonhos imperiais do Japão, os americanos encorajaram os alemães a desenvolver um mercado socialmente responsável, distributivista, se é que existe a palavra, completamente diferente do seu próprio complexo industrial-militar, para descentralizar a economia e impedir a volta do poder a grandes industrialistas como os que tinham apoiado Hitler.

Aquela frase sobre escrever direito por linhas tortas, ou escrever torto por linhas bem intencionadas, diz respeito a Deus, mas também se aplica à História. No fim, são dois gaiatos.

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Cidadania

Reconhecimento da paternidade

Do site Certifixe (original aqui)
Às vezes constrange ao oficial registrador e à mãe solteira que busca a Serventia para registrar seu filho, ou sua filha, mas é a lei que assim o exige e deve ser indagado dela se é de seu interesse informar quem é o pai da criança. Isso é imposto pela lei 8560/1992, em seu art. 20 acima transcrito.

Daí resulta que o suposto pai será intimado a comparecer em juízo para confirmar ou não a declaração da mãe, de que o filho é seu.

Em se havendo a confirmação, o juiz mandará o oficial que lavrou o assento averbar o reconhecimento, com a inserção no registro, do nome do pai, de seus pais como avós paternos da criança e a possível alteração do nome do/a registrando/a.

Não havendo confirmação do suposto pai com relação à paternidade requerida, este deverá provar judicialmente sua alegação, através do exame de DNA.

Na hipótese da mãe preferir, com apoio na lei, por não identificar o suposto pai, ela deverá declarar por escrito ao registrador a sua negativa, que a encaminhará ao juízo competente de sua comarca. Se, porém, a qualquer tempo depois dessa negativa a mãe declarante mudar de idéia e preferir por ajuizar a investigação, poderá denunciar à justiça o fato que o processo terá curso normalmente, sem qualquer prejuízo para ela.

O reconhecimento da paternidade pode ser feito voluntariamente pelo pai, ou seja, sem a intervenção da justiça. E são dois os modos vigentes para esse fim:

por escritura pública, lavrada por tabelião; ou

por escrito particular com firma reconhecida.

Por testamento é aceito pela lei o reconhecimento, ainda que a manifestação seja incidental. Isso ocorre quando por exemplo o testador, ao se referir ao beneficiário, usar das expressões "a quem dedico afeição paternal" ou "estimo-o como a um filho".

Há que se atentar para o detalhe de que o reconhecimento para ser efetivamente válido e reconhecido pela lei, deve ser aceito pelo reconhecido em duas formas de manifestação:

por si próprio se atingida a maioridade civil (18 anos);

pela mãe, se contar ao tempo do reconhecimento, idade inferior a 18 anos.

O usual reconhecimento de filho no termo de casamento, como vinha acontecendo por gerações e gerações de titularidades das Serventias de Registro Civil, foi radicalmente proibido pela lei 8560/1992. E um detalhe importante é que o reconhecimento pode ser feito antes do nascimento da criança ou depois de sua morte, se deixar descendentes.

Por fim, as crianças e adolescentes adotados terão um registro de nascimento igual ao dos filhos naturais dos adotantes, sem nenhuma menção à adoção. Isso porque a adoção é feita por sentença judicial própria, que deverá ser inscrita no Registro Civil das Pessoas Naturais, mediante mandado, do qual não se fornecerá cópia ou certidão. A criança adotada só saberá de sua condição se os pais adotivos optarem por lhe deixar ciente da situação. O seu registro de nascimento primitivo é cancelado, como se nunca tivesse existido.

Diz o art. 1.614 do Código Civil que "o filho maior não pode ser reconhecido sem o seu consentimento, e o menor pode impugnar o reconhecimento, nos quatro anos que se seguirem à maioridade, ou à emancipação."

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Opinião

Nossas elites

Leôncio Martins Rodrigues - O Estado de S.Paulo (original aqui)
De tempos em tempos, a crítica às "nossas elites" volta a frequentar o discurso petista. Não fica claro quem são elas. Sabe-se, contudo, como denunciou recentemente o presidente Lula, que são capazes de muitos crimes contra o povo e contra o País, até mesmo de assassínio de quem morreu de morte morrida, como o ex-presidente Jânio Quadros. Getúlio Vargas - latifundiário, deputado estadual, deputado federal, governador do Rio Grande do Sul, ministro da Fazenda do presidente Washington Luís, 20 anos na Presidência da República (15 dos quais com poderes ditatoriais) -, classificado por Lula como uma das vítimas das "nossas elites", obviamente delas não poderia fazer parte.

Mas a referência às pérfidas elites antipovo, ainda que contenha incorreções históricas, tem um objetivo político-eleitoral. Não deve ser apreciada pela consistência teórica, com a qual, aliás, o ex-sindicalista não está preocupado. O importante é criar, na imaginação popular, um inimigo perigoso, de feições nebulosas, que não se sabe exatamente quem é. Repetida à saciedade, a acusação cria uma verdade.

Se aumentar a tensão social e/ou os cargos públicos correrem risco de passar para os adversários, uma nova categoria política poderia ser criada pelas alas petistas mais à esquerda: a de inimigo do povo. Mas para os novos-ricos que ascenderam sob as asas do ex-metalúrgico agitar a bandeira antielite traz a vantagem suplementar de ocultar a própria ascensão, isto é, fazer parte da elite sem parecer, sonho de todo político nesta época de democracia de massas.

Acontece que a popularização da composição da classe política e da elite no poder, ou seja, a ascensão de lideranças originárias das camadas médias, está fazendo menos convincentes e eleitoralmente pouco rendoso culpar as "nossas elites". Uma larga parcela dos ricos e poderosos está aliada ao PT. O presidente Lula poderia chamá-los de companheiros. A elite política brasileira, a alta cúpula do governo, dos que mandam e ocupam posições estratégicas na máquina governamental, é formada hoje pelos políticos, intelectuais de esquerda, apparatchiks, militantes e sindicalistas do PT. A maioria entrou para a política pelo trampolim de poderosos sindicatos da estrutura corporativa fascista, do catolicismo "progressista", das igrejas evangélicas, das ONGs e de outras organizações que servem de passagem para a classe política e dela para as instâncias de poder e ampliação do patrimônio. Na Câmara dos Deputados, para dar um exemplo, os ex-sindicalistas têm ocupado, nas últimas eleições, cerca de 10% das cadeiras.

Do ângulo socioprofissional, os componentes da nova classe ascendente dos políticos profissionais vêm dos segmentos das classes médias de nível relativamente alto de escolaridade, em que avultam os professores do ensino elementar e médio da rede pública, os bancários e técnicos, os servidores públicos e empregados do Estado, setores que poderíamos incluir - com a imprecisão habitual do conceito - nas classes médias-médias, a classe C. Não vêm tipicamente das camadas mais pobres que não dispõem de nível educacional que lhes possibilite passar de eleitor a eleito, ou seja, "entrar para a política". Seriam as classes D e E, com as quais os políticos da classe C, na disputa pelo voto dos pobres, têm mais facilidade de comunicação do que os das classes A e B.

Para captar o fenômeno da popularização da classe política e do declínio das elites tradicionais basta considerar os três principais competidores ao cargo máximo de presidente da República (duas mulheres). Todos vieram de fora da elite política tradicional. Marina Silva é quem veio mais de baixo. O pai era seringueiro. Alfabetizou-se aos 16 anos. José Serra é filho de feirante, imigrante italiano. Dilma Rousseff vem de uma família de classe média alta, mas não tradicional: o pai era engenheiro, nascido na Bulgária. Todos os três obtiveram diploma de nível universitário. Embora hoje possam ser classificados como membros da elite política, nenhum teve origem na própria elite. Entraram na política pela porta da esquerda, como é comum ocorrer com os pré-políticos de classe média e baixa que estão procurando entrar para a vida pública.

Não seria necessário ressaltar que grandes empresas e políticos de alta renda continuam a ter muito peso no interior dos órgãos de poder e da classe política. Ainda que o espaço que ocupavam no sistema decisório se tenha reduzido, as camadas empresariais continuam sendo uma peça importante na arena política. Talvez estejam mais participantes do que nunca, por meio, também, do financiamento dos candidatos de classe média e classe popular empenhados em ascender. Acontece que a popularização e a democratização marcham junto com a elevação astronômica dos custos das campanhas eleitorais. Esses custos se tornaram muito mais elevados do que na época do poder oligárquico, em que poucos votavam. Os ex-plebeus recém-chegados à classe política são, pois, forçados a recorrer às doações dos grandes financiadores de campanhas. A democracia de massas não elimina a influência do grande capital, das grandes empreiteiras e do sistema financeiro, particularmente. Expulsos pela porta, voltaram pela janela.

O resultado hoje é uma elite política heterogênea. Políticos das velhas oligarquias, que seriam a expressão mais típica das "nossas elites", confraternizam com os ex-plebeus ascendentes, os primeiros geralmente nos partidos ditos de direita, os segundo nos partidos ditos de esquerda.

Assim, a denúncia demagógica contra as nossas elites, mesmo que continue a habitar o discurso petista, tende a soar cada vez mais falsa, não só porque as classes altas tradicionais não têm mais o monopólio do poder político, como também porque as altas chefias petistas passaram a fazer parte da elite.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 12 / 08 / 2010

Folha de São Paulo
"Procurador pede apuração que pode contestar pré-sal"

Objetivo é averiguar possíveis prejuízos da União na venda de barris de petróleo à Petrobras

A Procuradoria da República no DF abriu procedimento para averiguar se a venda de 5 bilhões de barris de petróleo da União à Petrobras vai trazer prejuízos. Foi pedido que o TCU investigue se o preço estimado de US$ 5 a US$ 7 o barril fará com que a União deixe de ganhar mais do que poderia com esse petróleo. No primeiro sinal de que o pré-sal tem chance de ir aos tribunais, o procedimento aberto pelo procurador Paulo Roberto de Carvalho pode gerar ações ou inquéritos. Estudo de consultor da Câmara apontou possível perda de até US$ 120 bilhões para a União, se o barril ficar em US$ 5. O mais apropriado seria acima de US$ 20. A Petrobras disse que pagará "valores de mercado", informa Rubens Valente. A faixa de preços mencionada pelo mercado foi tachada de "especulação".

O Estado de São Paulo
"Indenização a perseguidos na ditadura terá valor reduzido"

TCU aceita analisar mais de 9 mil casos, e autor do pedido fala em 'economizar milhões' com a medida

Após mais de dois anos de debate, o Tribunal de Contas da União aprovou, por 5 votos a 3, a revisão do valor das indenizações a perseguidos políticos durante a ditadura militar. Ao todo, serão analisadas 9.371 reparações, já pagas ou aprovadas, num total de R$ 4 bilhões. A decisão só livra de eventual redução as indenizações pagas em parcela única de até R$ 100 mil, que são menos de 5% do total. Marinus Marsico, procurador do Ministério Público no TCU e autor do pedido de revisão, disse que a ideia é "economizar milhões para os cofres públicos, começando pelos casos mais flagrantemente irregulares". Ele afirmou que vai pedir a suspensão do pagamento dos valores retroativos mais elevados, com parcelas ainda não liberadas, até que a análise do TCU sobre esses casos seja concluída.

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quarta-feira, agosto 11, 2010

Frases

Eu posso dizer para vocês que essa [Dilma] é uma mulher de uma integridade de tal magnitude, que eu teria coragem de viajar dez anos e deixar meu carro zero quilômetro e dez talões de cheque assinados em branco na mão dela.

Lula, durante comício em Belo Horizonte

Nota do Editor - A frase estará nos arquivos do blog e será republicada no momento adequado, que, em caso de vitória de Dilma, deverá acontecer em meados de 2011. (Sidney Borges)

Pensando alto

"O Aleph"!

Paulo Coelho reescrevendo a filosofia Sufi
Em "O Aleph" (páginas 16/17): "O 'tempo' não passa. O ser humano tem uma gigantesca dificuldade em se concentrar no presente; está sempre pensando no que fez, em como poderia ter feito melhor, quais as consequências dos seus atos, por que não agiu como deveria ter agido. Ou então se preocupa com o futuro, o que vai fazer amanhã, que providências devem ser tomadas, qual o perigo que o espera na esquina, como evitar o que não deseja, e como conseguir o que sempre sonhou."

"Mas o momento presente está além do tempo: é a Eternidade. Os indianos usam a palavra ‘karma’, na falta de algo melhor. Mas o conceito está mal explicado: não é o que você fez na sua vida passada que vai afetar o presente. É o que você faz no presente que redimirá o passado e logicamente mudará o futuro."

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Opinião

Avaliação escolar em risco

Editorial do Estadão
Depois do vazamento da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2009, em outubro do ano passado, e dos dados pessoais de 12 milhões de alunos que participaram das três últimas edições desse teste, há dez dias, a comunidade acadêmica teme que a desmoralização do Enem contamine todo o sistema de avaliação escolar, principalmente o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), que substituiu o Provão.

Essa prova, que será aplicada a alunos do ensino superior em 21 de novembro, também é planejada e aplicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) - o mesmo que fracassou na organização do Enem de 2009, o primeiro em que as notas obtidas poderiam ser utilizadas pelos estudantes para ingressar numa universidade. Os especialistas em informática consideram o site do Enade tão precário quanto o do Enem, por carecer de certificação digital, e receiam que os problemas do ano passado voltem a aparecer.

Segundo os dirigentes universitários, as médias de cada instituição podem ser facilmente alteradas por quem quiser, tal a facilidade de acesso aos documentos do Inep. "Caso ocorra com o Enade um vazamento como o do Enem, há a possibilidade de se macular indevidamente uma instituição", afirma Hermes Ferreira Figueiredo, presidente do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo.

A menos de três meses do Enem deste ano, previsto para os dias 6 e 7 de novembro, o Inep ainda não assinou o contrato com a Fundação Cesgranrio e com o Centro de Seleção e Promoção de Eventos (Cespe) da Universidade de Brasília, escolhidas - sem licitação - para preparar esse teste. Sem essa providência, elas não podem preparar as questões nem providenciar a contratação de fiscais e de examinadores. Por imposição legal, eles só podem começar a trabalhar depois que tudo estiver formalizado. "Não podemos gerar despesas sem o contrato", diz o diretor da Cespe, Ricardo Carmona. A estimativa é de que a assinatura do contrato vá ocorrer no dia 20 de agosto, a 76 dias do exame.

Além disso, a gráfica que imprimirá a prova do Enem de 2010 ainda está sendo selecionada por um processo de licitação pública. E ainda há quem receie que o sistema de informática do MEC repita o desempenho do ano passado, quando não foi capaz de atender à demanda de acessos feitos pelos estudantes, e quem ponha em dúvida a capacidade dos Correios de receber dezenas de milhares de inscrições (no valor de R$ 35 cada uma) e de promover a distribuição das provas em prazo exíguo.

São 12 mil locais de aplicação do teste, envolvendo a contratação de cerca de 300 mil pessoas, entre coordenadores, aplicadores e profissionais encarregados da correção. Para evitar novos vazamentos, o Inep começou a elaborar um plano de ação conjunta com as Forças Armadas, a Polícia Federal e as Secretarias de Educação.

Para efeitos comparativos, a Fuvest, que costuma ter mais de 100 mil inscritos, começou a preparar em março o processo seletivo de 2010, marcado para novembro. A antecedência também é padrão na Vunesp, que organiza os exames vestibulares da Universidade Estadual Paulista. Por exemplo, as mudanças introduzidas na seleção de 2009 foram definidas cerca de três anos antes.

Em 2009, descumprimento de cronograma, sistemas deficientes de informática, logística falha e execução feita às pressas foram os fatores apontados como responsáveis pelo fiasco da prova do Enem de 2009. A falta de planejamento obrigou estudantes a se submeter à prova em escolas situadas a uma distância de até 50 km de suas residências. Por causa da desorganização, a Fundação Cesgranrio, que sempre preparou a prova, desistiu de participar da licitação, considerando que não haveria tempo hábil para prepará-la.
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 11 / 08 / 2010

Folha de São Paulo
"Teles lançam TV digital no celular por R$ 30 ao mês"

Pacotes das 4 principais operadoras darão acesso a até 30 canais pagos a partir de outubro

Com a ideia de popularizar o serviço oferecido atualmente com sinal analógico, as principais operadoras de telefonia móvel se preparam para lançar planos de TV digital fechada no celular a partir de outubro, informa Julio Wiziack. A Vivo, a Claro, a ai e a TIM vão lançar pacotes com acesso a cerca de 30 canais pagos por até R$ 29,90 mensais. Não vai haver custo para as transmissões digitais das emissoras abertas. Também será possível comprar somente um programa pela opção conhecida como "pay-per-view" (pague pelo uso). Haverá a oferta de vídeos sob demanda (VOD) a partir de uma lista de títulos disponíveis para download que poderão ser salvos no celular. O pagamento será na conta telefônica ou no cartão de crédito -digitando o número como se o celular fosse máquina de débito.

O Estado de São Paulo
"Lula sanciona lei que permite fugir de fiscalização do TCU"

Legislação sobre Orçamento cria brechas para que o governo possa gastar em obras com mais facilidade

O presidente Lula sancionou ontem a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2011, que cria brechas para o governo gastar com mais facilidade e, ao mesmo tempo, fugir da fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU). Lula vetou mais de 20 pontos da LDO, mas garantiu a flexibilidade na contratação de empresas públicas e para realização da Copa de 2014. Isso será possível por causa de um artifício que isenta Petrobras e Eletrobras da aplicação de tabelas oficiais de preços, que são usadas pelo TCU para investigar irregularidades. Além disso, as obras poderão ser fiscalizadas pelo valor global do empreendimento, e não pelo preço de cada item utilizado.

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terça-feira, agosto 10, 2010

Futebol

Eu bem que avisei

Sidney Borges
Pato e Ganso. Cansei de escrever que essa era a dupla da Copa. Quem acompanha o Ubatuba Víbora sabe disso. Hoje o Brasil ganhou dos Estados Unidos por 2 a 0. O placar não reflete o que aconteceu em campo. Foi uma das melhores atuações da seleção brasileira que vi, com Ganso e Pato sobrando. Pena que o "Seteanão" não lê o Ubatuba Víbora. Ou melhor, pena que o "Seteanão" não lê.

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Ramalhete de "Causos"

“Temos pano da mesma fazenda”

José Ronaldo dos Santos
O título deste é uma frase dita pelo caiçara Antonio “Paratiano” num dia de sábado, num final da tarde, pouco antes do frei Pio iniciar a missa na capela São José, na praia do Félix, no início da década de 1970. Era serão; se escutava os primeiros pios dos curiabôs pelas grotas. Isso já faz muito tempo! Para quem conhece o local, já sabe que o jundu é o mesmo. No serão era o horário das últimas canoas, aquelas que foram arriar os tresmalhos, serem puxadas do lagamá até os ranchos sob os rolos esbranquiçados de embaúbas.

O velho pescador, mais conhecido como “Paratiano”, tinha duas filhas quase chegando aos dezoito anos, ainda solteiras: Maria e Rosa. Ambas precisavam arrumar marido logo, deixar a solteirice. Os candidatos não eram tantos. Um deles era o filho do Anastácio, o Pedro Malaquias: ele sentia-se atraído pela mais velha – a Maria. Nunca pode dizer isso diretamente à moça, mas muita gente do lugar sabia do seu desejo em se casar, de preferência com a filha do cidadão de Parati que há muito se fixara por ali. O pretendente ensaiou, ensaiou, ensaiou... até que foi tomado pela coragem. Decidiu “pedir a mão da moça” em casamento. Neste teor descreveu, naquele dia distante, um pouco antes do badalar do sino chamando para a missa, o futuro sogro do Malaquias: -“Ele chegou como quem não quer nada. Parou no terreiro; olhou a jabuticabeira parecendo que cheirava alguma coisa naquela direção. Depois deixou a minha velha contente falando da beleza da “parasita” orelha de burro, grudada na mexeriqueira. Logo virou a cabeça para o lado da Bocaina e da Ponta Lisa. Fez um comentário bobo sobre o tempo (‘Parece que vai chover’). Concordei assim mesmo. Foi quando a minha patroa chamou a gente para um café intirume porque já era manhã alta. Na cozinha, então, ele fez o tão custoso pedido. Nós aceitamos; a mulher se dirigiu à camarinha a fim de falar com a menina. Aí o inesperado aconteceu: a Maria não quis. Porém, a outra –a Rosa- se assanhou; prontamente cobiçou o rapaz. A coitada da mãe ficou surpreendida; de lá me chamou. As meninas me olhavam; a mulher disse tudo. Eu achei normal. Voltei à cozinha, ofereci mais café para o rapaz e informei-lhe: ‘A Maria não quer, mas... temos pano da mesma fazenda. Você aceita casar com a Rosa?’ Na mesma hora, ainda gaguejando, ele disse sim. Agora está feito! Por isso, fiquem sabendo: demos a Rosa! É só esperar a festa”. Nesse momento, subindo a areia grossa do jundu, ainda com o remo e o samburá na mão, chega o Antonio Malaquias. Foi, então, o centro das atenções. O felizardo, sem querer (?), ficou com a mais bonita das filhas do caiçara paratiano. É, conforme o dizer: “Há ocasiões em que os fados nos concedem os nossos mais caros desejos”. Até parece estar conforme o verso da música: “casar com mulher feia pensando na cunhada”. Viva todas as pessoas aqui citadas, inclusive os já falecidos!!!

Recomendação de leitura: "Mundéu", de Domingos dos Santos.

Boa leitura!

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Brasil

Mulheres e Cidadania

Luiza Nagib Eluf
As próximas eleições já entraram para a história, independentemente do resultado. Pela primeira vez no país, duas mulheres disputam o cargo de presidente da República e estão entre os principais candidatos. Dilma Roussef (PT) e Marina Silva (PV) são as protagonistas deste pleito. Antes delas, tentaram Maria Pio de Abreu (em 1989, ficando em 17º lugar) e Heloísa Helena (em 2006, ficando em 3º lugar, com expressiva votação).

Se o fato de termos duas fortes postulantes ao Palácio do Planalto em uma mesma eleição é histórico e motivo de comemoração, a verdade é que a política no Brasil ainda é essencialmente masculina. A participação das mulheres é crescente na história brasileira, mas ainda está aquém do desejado. Somos a maioria da população do país e representamos 40% da força de trabalho fora do lar, mas continuamos invisíveis na área pública. Só em 1985, uma mulher se tornaria prefeita de uma capital (Maria Luiza Fontenelle, do PT, em Fortaleza) e, apenas em 1995, o Brasil elegeria a sua primeira governadora mulher (Roseana Sarney, no Maranhão). Apenas dois dos nossos Estados mais populosos já elegeram governadoras - o Rio de Janeiro (Rosinha Garotinho) e o Rio Grande do Sul (Yeda Crusius).

Na Câmara Federal o cenário é ainda mais desanimador. Em 184 anos de existência do Legislativo, nunca uma mulher ocupou um cargo titular na mesa da Câmara. São apenas 45 mulheres em meio a 513 deputados, ou seja, míseros 8% de representação feminina. No Senado, o percentual sobe para 13%, mas ainda é inexpressivo. O percentual de mulheres na Câmara Federal e no Senado brasileiros é um dos mais baixos da América Latina e do mundo.

Trata-se de um problema cultural. Durante grande parte da história do Brasil, as mulheres não tiveram direitos civis nem cidadania plena. A elas eram negados os mais elementares direitos políticos como votar e ser votadas. Somente em 1932, durante o governo de Getúlio Vargas, as mulheres conquistaram o direito ao voto, depois de muita luta do movimento sufragista. Mesmo assim, apenas as mulheres casadas (com autorização do marido), viúvas e solteiras com renda própria votavam.

A desigualdade de gênero nas instâncias de poder é um problema internacional. Em 1995, aconteceu em Pequim, China, a IV Conferência Mundial da Mulher, um verdadeiro marco no avanço dos direitos femininos. No entanto, muitas das recomendações feitas às delegações oficiais dos países participantes não foram implementadas. As propostas legislativas que visavam à garantia dos direitos das mulheres ao patrimônio, à saúde e à liberdade sexual não se realizaram em sua plenitude. Com a população feminina sub-representada nas áreas de comando e compondo apenas 20% dos legisladores em todo o mundo, segundo dados da ONU, estamos muito distantes das metas fixadas em Pequim.

Mulheres já foram eleitas para presidente ou primeira-ministra na Índia, Alemanha, Noruega, Inglaterra, Chile e Argentina, para citar alguns exemplos, mas uma andorinha só não faz verão. A emancipação efetiva será realidade apenas quando atingir todas as mulheres, em todas as classes sociais. Enquanto houver violência doméstica, discriminação no trabalho fora do lar e abusos sexuais nenhuma sociedade poderá dizer que a igualdade de gênero foi alcançada. Por essa razão, fortalecer e proteger a população feminina deve ser um projeto de governo.

As mulheres, que já tem a nobre função da maternidade, da qual muito se orgulham, precisam aprender a desfrutar da cidadania plena, que significa respeito, integridade física e psicológica e amparo social para as tarefas domésticas e o cuidado com os filhos. Democracia se aprende, se constrói, se exerce. A verdadeira democracia requer o acesso ao poder político. O Brasil cidadão precisa ser mais feminino, mais tolerante, mais igualitário, mais atento à preservação ambiental, em suma, mais responsável pelo seu próprio futuro.


Luiza Eluf é procuradora de Justiça do Ministério Público de São Paulo. Foi secretária nacional dos Direitos da Cidadania do Ministério da Justiça (governo Fernando Henrique Cardoso). É autora de vários livros, dentre os quais “A Paixão no Banco dos Réus” e “Matar ou Morrer, o Caso Euclides da Cunha”. Sempre lutou pelo fim da violência doméstica. É candidata a deputada federal pelo PV, n. 4369. Site: www.luizaeluf.com.br

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