sábado, julho 10, 2010

Eleiões 2010

O que se decide nessa eleição presidencial?

Trechos do artigo de Demétrio Magnoli - O Estado de S. Paulo / Globo (08)
1. A estratégia de campanha do PSDB reflete a sagacidade convencional dos marqueteiros, não o compromisso ousado de um estadista que rema contra a maré em circunstâncias excepcionais. Do alto de seu literalismo fetichista, disseram a Serra que confrontar Lula equivale a derrota certa. Então, o governador resolveu comparar sua biografia à da candidata palaciana. Mas Dilma não existe, exceto como metáfora, o que anula a estratégia serrista. A candidatura da oposição só tem sentido se ele diverge dessa política.

2. O Brasil é "um país de todos" ? Eis a mentira a ser exposta. O Estado lulista é um conglomerado de interesses privados. Nele se acomodam a elite patrimonialista tradicional, a nova elite política petista, grandes empresas associadas aos fundos de pensão, centrais sindicais chapa-branca e movimentos sociais financiados pelo governo. O Brasil não é "de todos", mas de alguns: as máfias que colonizam o aparelho de Estado por meio de indicações políticas para mais de 600 mil cargos de confiança em todos os níveis de governo.

3. Num "país de todos", o sigilo bancário e o fiscal só podem ser quebrados por decisão judicial. No Brasil do lulismo, como atestam os casos de Francenildo Costa e Eduardo Jorge Caldas, eles valem menos que as conveniências de um poder inclinado a operar pela chantagem. Num "país de todos", a cidadania é um contrato apoiado no princípio da igualdade perante a lei. No Brasil do lulismo, os indivíduos ganham rótulos raciais oficiais, que regulam o exercício de direitos e traçam fronteiras sociais intransponíveis. Num "país de todos", a política externa subordina-se a valores consagrados na Constituição, como a promoção dos direitos humanos.

4. No Brasil do lulismo, a palavra constitucional verga-se diante de ideologias propensas à celebração de ditaduras enroladas nos trapos de um visceral antiamericanismo. Estaria a candidatura da oposição disposta a falar de democracia, liberdade e igualdade, distinguindo-se do lulismo no campo estratégico dos valores fundamentais? O lulismo é uma doutrina conservadora que veste uma fantasia de esquerda. Sob Lula, expandiram-se como nunca os programas de transferência direta de renda, que produzem evidentes dividendos eleitorais, mas pouco se fez nas esferas da educação, da saúde e da segurança pública.

5. Há um subtexto na decisão de Serra de comparar biografias. Ele está dizendo que existe um consenso político básico, cabendo aos eleitores a tarefa de definir o nome do gerente desse consenso nacional. É uma falsa mensagem, que Lula se encarrega de desmascarar todos os dias. Os brasileiros votarão num plebiscito sobre o lulismo. Se não entender isso, perderá as eleições e deixará a cena como um político comum, impróprio para circunstâncias excepcionais. Mas ele ainda tem a oportunidade de escolher o caminho do estadista e perder/ganhar as eleições falando de política. Nesse caso e só nesse!, pode triunfar nas urnas. (Do Ex-Blog do Cesar Maia)

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Óptica - Acrílico sobre tela / Sidney Borges

Coluna do Mirisola

Thank You Satan

"Pra que consultar um otorrino se não somos eternos? Pra que votar? Pra que pagar impostos se, de uma hora para outra, podemos ter um infarto fulminante? Pra quê?"

Marcelo Mirisola*
Estava assobiando Thank You Satan, um blues de Léo Ferré, quando meu amigo Adriano chegou transido, olhos esbugalhados, e disse: “acabou”. Eu já sabia do que se tratava, e retruquei “Piva, né?”. Sim, o Piva. Ele vinha do crematório de Vila Alpina, onde uma semana antes Guzik também havia se transformado em pó.

“Um tempo, não o homem, foi um tempo que acabou”. Nunca vi Adriano daquele jeito, meio que afogado nas palavras que falava: “todas as pessoas que estavam ali - ele me dizia - “foram sugadas, também viraram pó, estavam perdidas”.

Lembrei do meu avô que morreu em 1996 e que, nos últimos anos, havia me convocado para ser uma espécie de secretário e confidente. Antes do seu empacotamento efetivo, o mundo dele também havia se acabado, o velho não se entendia com caixas eletrônicos, passava o dia praguejando o mundo digital e especialmente os controles remotos, mas apesar de tudo adorava viver. Por isso xingava. O mundo que deixou de existir pro velho, de certo modo, era o mesmo lugar que desapareceria pro Adriano depois da morte de Roberto Piva. Isso que é surrealismo.

E não existe nenhuma poesia aí.

A vida atropela. E são poucos os que conseguem atropelar a vida, isto é, que conseguem dar uma resposta tão sacana, estúpida e filhadaputa quanto: à altura. Somos trucidados diuturnamente e nos deixamos levar pelo fluxo. Dóceis. Existimos em função de arriar as calças, pedir perdão e esperar por um final – se possível – bem administrado: dentro das expectativas mais civilizadas, acompanhados do amor e dos óculos escuros das respectivas filhas, cunhadas, amantes e entes queridos. Ah, que tesão que é mulher de luto, de óculos escuros. O gramado do getsêmani, no Morumbi, é lindo às três horas da tarde, sobretudo no outono. A luz que incide nessa época do ano é um espetáculo – com o perdão do trocadilho – sobrenatural. Aquele campo de golfe pra esqueletos se transforma numa passarela. Não, não há coisa mais bonita no mundo do que acompanhar as cadelas enlutadas desfilando seus xales, unhas vermelhas, rabos de cavalo, nucas brancas e óculos escuros.

Senhores dentistas, morram no outono. Ah, morram no outono... e já que não morrerão por um épico, morram pela penugem da nuca de suas viúvas. Mortes prematuras são as melhores. Alguns são eliminados num lapso, numa cagada qualquer, ao atravessar uma rua ou depois de se despedir da filhinha de 7 anos – esses dão sorte e proporcionam belíssimas viúvas.

O ideal mesmo é acidente náutico, playboys prematuros são os melhores defuntos: garantia de viúvas e irmãs cujas penugens escuríssimas dão o ar de suas graças sobre alvas nucas modiglianescas. Essas mulheres não estão acostumadas a usar salto alto. Tesão. Viúvas jovens, namoradinhas – aquelas esportivas que estão ali para acompanhar o cortejo fúnebre e fazer uma média com os ricaços que sobraram. Reparem. Isso que é desfile de moda, a última.

Infelizmente os acidentes náuticos saíram de pauta. Ninguém morre mais em acidente de lancha, nem ricaço de novela das oito. Mas, pensando bem, tirando os ricaços que não morrem em acidentes náuticos, tanto faz a categoria ou a atividade que os defuntos exerciam enquanto ainda permaneciam vivos, sempre de quatro. Essa gente vai pagar IPTU até no inferno. São defuntos vocacionados, fazem planos de saúde e agradecem aos médicos pelo fato de prolongar seus sofrimentos até a última sonda enfiada no intestino grosso. O rumo deles é um cu inexistente.

Ah, morram no outono...

Mas vamos ao que interessa. Se esses íncubos não agradecem aos médicos, agradecem a Deus. Quando – pensem bem... – deviam blasfemar, como fez a vida inteira o mais recente habitante do mundo das cinzas, Roberto Piva. Ao menos – penso - para chegar mais perto de si mesmos ou, na mais modesta das hipóteses, para chegar mais perto de Deus.

Léo Ferré sabia disso, e agradecia a Satã:

Thank You Satan, de Léo Ferré
(Tradução de Paulo de Tharso)

Por essa chama que você acende
No vazio de uma cama pobre ou não
Pelo prazer que ela consome
Em panos de seda ou algodão
Pelas crianças que você cria
Nos dormitórios de querubins
Por suas pétalas esquecidas
Como a rosa da manhã

Thank you Satan

Pelo ladrão que você aquece
Com tua lã macia e berne
Por toda porta descerrada
Dos celeiros dos ricos empanturrados
Pelo condenado que você vela
Na abadia dos ministérios
Pelo rum barato e velho
E pela guimba que você lhe dá

Thank you Satan

Pelas estrelas que você semeia
No remorso de um matador
Pelo coração que bate igual
No peito das putas dos bataclãs
Pelas idéias maquiadas
Na mente de todo cidadão
Pela queda da Bastilha
Que nunca nos dará o pão

Thank you Satan

Pelo padre que se exaspera
Para encontrar o cordeiro de Deus
Pelo sangue vagabundo, elementar
Que ele bebe como Château Margoux
Pelo anarquista a quem você dá
As duas cores de teu país
O vermelho para nascer em Barcelona
E o negro para morrer em Paris

Voltando ao meu amigo Adriano. Ele me fez pensar em algumas coisas: deve ser uma merda, por exemplo, passar a eternidade com sinusite. Pra que consultar um otorrino se não somos eternos? Pra que votar? Pra que pagar impostos se, de uma hora para outra, podemos ter um infarto fulminante? Pra quê?

Penso que algo pior do que exercer nossa precária condição humana é a forma como nos encolhemos diante daquilo que os místicos chamam de imponderável, e eu chamo de sacanagem mesmo. No entanto, existe um antídoto: o amor. Mas só se for amor demais: “quem ama” - como dizia o Herói Devolvido, “não pechincha”.

Um outro amigo meu, Marcos Cesana, também deu uma morridinha – faz um mês. Ele tinha 44 anos, minha idade. AVC.

Que merda, Cesana. Sabe, meu caro, diante dos atropelamentos a que somos submetidos diariamente, diante de nossa pequenez, seria mais do que razoável e natural dizer NÃO, mandar tudo pra putaqueopariu, gritar. Morram, senhores dentistas! Morram no outono!

O idiota aqui bem que tenta, toda semana. Gritar, antes de morrer. Isso mesmo, senhores dentistas, escrevo para ser demitido: sinceramente é minha expectativa toda vez que mando uma crônica para o Congresso em Foco. Ou alguém acha que estou fazendo campanha pra Dilma, pro Serra?

O veneno que compartilho com vocês é o veneno que vai me matar, eu sei disso. E daí? Também é meu café da manhã, esse veneno.

Todavia Sylvio Costa não me demite e ninguém grita mais como um Léo Ferré. Ouve isso Kaká, ouve isso, bispa Sônia:

Thank you Satan

Pela sepultura anônima
Que você deu ao Monsieur Mozart
Sem cruz, sem nada, salvo a piada sem graça
De um cão surgido ao acaso
Pelos poetas que você escorrega
Nos travesseiros dos adolescentes
Quando eles crescem sob a sombra cúmplice
Das flores do mal dos dezessete

Thank you Satan

Pelo pecado que você faz nutrir
Nos seios das mais rígidas virtudes
E pelo tormento que irá surgir
No canto dos leitos onde você não mais está
Pelos imbecis que você ordena padre
No pasto como carneiros
Por teu orgulho de jamais aparecer
Na televisão

Thank you Satan

Por tudo, e mais ainda:
Pela solidão dos reis
E pelo riso na cara das caveiras dos mortos
O jeito de driblar a lei
E que não me ponham o dedo em riste
Pois eu canto por teu bem
Nesse mundo onde as focinheiras
Não são feitas só para os cães

Enfim, era como se meu amigo Adriano me dissesse Thank You Satan quando chegou perplexo do crematório de Vila Alpina. E era como se eu agradecesse a ele e aos céus por ter a oportunidade de responder mentalmente: “Morram, senhores dentistas, morram no outono”.

* Considerado uma das grandes revelações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.

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thank you satan -live- Léo Ferré

Deu em O Globo

Vexame internacional

Merval Pereira
Chega a ser patética a tentativa das autoridades brasileiras de se livrarem do vexame que protagonizaram diante da atuação exitosa do governo espanhol para liberar presos políticos de Cuba.

Trabalhando junto à Igreja Católica de Cuba, o governo da Espanha, representado por seu ministro das Relações Exteriores, Miguel Ángel Moratinos, conseguiu obter do governo ditatorial cubano o compromisso de libertar 52 dos 167 presos políticos do país, figura que o presidente Lula dizia que não existia na sua ilha caribenha preferida.

O ministro Celso Amorim chegou a insinuar que o Brasil teve "atuação discreta" na decisão, e o assessor especial Marco Aurélio Garcia, dublê de coordenador da campanha de Dilma Rousseff, ainda menosprezou a atuação da Espanha, sugerindo que a participação brasileira teria sido mais efetiva, apesar de "discreta", e que o chanceler espanhol apenas se aproveitou da situação para anunciar o fim das negociações.

No entanto, não é de hoje que a oposição cubana se queixa da posição brasileira de alegar a "não ingerência" nos negócios internos de outro país para se eximir de pressionar o governo cubano a favor dos direitos humanos.

Na primeira visita de Lula a Cuba como presidente, logo após a crise em que alguns dissidentes que tentaram fugir da ilha foram fuzilados, houve muitas queixas de que Lula não tocara no assunto em seus encontros.

Na ocasião, Frei Betto, que era assessor especial da Presidência, garantiu que Lula conversara com Fidel, que ficara irritado e cobrara dele atuação mais firme na reforma agrária, a favor do MST.

O fato é que Lula e todos os membros do governo que têm uma relação pessoal com Cuba consideram que não devem fazer críticas públicas ao governo cubano.

Alegam que é mais eficiente tratar de assuntos delicados discretamente. É uma tática de quem trata com um amigo, e não de Estado para Estado. E os resultados, até o momento, têm sido nulos.

Essa atitude já produziu fatos não condizentes com o Estado democrático, como a entrega ao governo cubano — que os resgatou em território nacional, à noite, em um avião venezuelano — dos pugilistas cubanos Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara, que haviam fugido da concentração durante os jogos do campeonato Panamericano no Rio em 2007, e queriam ficar no Brasil asilados. (Do Blog do Noblat)
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Imprensa

Capas de jornais como jornalismo comparado

Do Webmanário
Capas de jornais são sempre inspiradoras. Quando comparadas, ainda mais.

É esse o negócio do Mídia Mundo, trabalho solitário e ininterrupto de Eduardo Tessler na internet.

Tessler está por trás da concepção de vários redesenhos de jornais brasileiros, Diário de S. Paulo incluído _ainda por vir, mas com direito a novo formato e conceito (será mesmo o fim do “aconteceu ontem”?).

Uma história a se acompanhar.

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Opinião

Teto não é piso

Editorial do Estadão
Não deveria haver nenhuma dúvida com relação aos dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) - em vigor há pouco mais de dez anos, com resultados muito positivos para a gestão do dinheiro público - que fixam um limite para as despesas com pessoal nos três níveis de governo e determinam como esses gastos serão repartidos pelos Três Poderes e pelo Ministério Público. Mas muitos administradores públicos estão transformando o limite máximo numa espécie de autorização prévia para gastar mais. E essa forma peculiar de interpretação dos limites impostos pela LRF é utilizada até pelas principais autoridades do Poder Judiciário.

O texto da lei é muito claro. A despesa total com pessoal "não poderá exceder" determinado porcentual da receita corrente líquida nos três níveis de governo. O limite foi fixado em 50% para a União; e para os Estados e municípios, em 60%. Quanto à repartição desses gastos, há limites específicos para as esferas federal, estadual e municipal. No caso da União, a lei especifica que, do limite de 50% que pode ser gasto com o funcionalismo, a parte que cabe ao Legislativo (incluindo o Tribunal de Contas da União) é de 2,5%; a do Judiciário é de 6%; a do Executivo, de 40,9%; e a do Ministério Público da União, de 0,6%.

A lei também é clara ao estabelecer que, se a despesa com pessoal exceder 95% do limite, medidas preventivas de contenção terão de ser adotadas, tais como o impedimento da concessão de vantagens, aumentos, reajustes ou acerto de vencimentos, a criação de cargos, mudanças em estrutura de carreira que impliquem despesas adicionais, a contratação de pessoal ou o pagamento de hora extra. Esses 95% do limite ficaram conhecidos como "limite prudencial", a partir do qual são necessárias providências destinadas a conter as despesas com o funcionalismo.

Na justificação do projeto de lei que enviou ao Congresso em dezembro para alterar a política de remuneração dos integrantes da carreira judiciária - e que aumenta em 41% os gastos totais do Judiciário com pessoal -, os presidentes dos tribunais superiores que a assinam argumentam que, pela LRF, há uma "margem de crescimento" para se gastar mais com pessoal.

A tabela que acompanha a justificação deixa claro o raciocínio dos magistrados. Como a previsão da receita corrente líquida da União para 2011 é de R$ 532,62 bilhões, o limite legal para os gastos do Poder Judiciário com pessoal (6% do total) é de R$ 31,96 bilhões e o prudencial, de R$ 30,36 bilhões. Ora, prossegue o raciocínio, se o orçamento de pessoal do Poder Judiciário federal para 2010 é de R$ 15,53 bilhões, há uma "margem de crescimento legal" de R$ 16,43 bilhões e uma "margem de crescimento prudencial" de R$ 14,83 bilhões. Tudo, portanto, fica dentro dos limites da LRF e muito mais ainda poderia ser gasto sem feri-los.
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Manchetes do dia

Sábado, 10 / 7 / 2010

Folha de São Paulo
"Petrobras gera temor no mercado financeiro"

Adiamento da oferta de ações da estatal e caso da BP aumentam percepção de risco

Com a demora da Petrobras em fazer sua oferta de ações para captar dinheiro para investimentos, as dúvidas sobre a capacidade financeira da estatal aumentaram no mercado externo. A empresa depende de emissão de ações - prevista para o final deste mês, mas adiada para setembro - prevista para o final deste mês, mas adiada para setembro - para complementar seu programa de investimentos de US$ 224 bilhões até 2014. Em consequência, cresceu nos mercados futuros internacionais a procura dos investidores por proteção contra eventual calote. O acidente da BP que provocou o vazamento de óleo no golfo do México também influi na percepção de risco, por ressaltar o perigo de explorar petróleo em águas profundas. A Petrobras é líder nessa área e, com o pré-sal, sairá de perfurações de até 2.000m para 7.000m. Segundo especialistas, a busca por investidores por proteção reflete diretamente a percepção dos riscos na exploração de petróleo, mas também tem um componente especulativo. Procurada, a Petrobras não comentou o assunto.

O Estado de São Paulo
"Indexação de aposentadorias ao mínimo custaria R$ 69 bi"

Se a medida recém-aprovada estivesse valendo entre 1998 e 2008, rombo subiria de R$ 48,5 bi para R$ 117,9 bi

Se a emenda que reajusta todas as aposentadorias pelo salário mínimo, aprovada na Lei de Diretrizes Orçamentárias, estivesse valendo entre 1998 e 2008, o déficit da Previdência saltaria R$ 69,4 bilhões - de R$ 48,5 bilhões (valor próximo do estimado para este ano) para R$ 117,9 bilhões. O impacto está em estudo da consultora legislativa Sandra Cristina Filgueiras de Almeida. Em 2008, as despesas com os benefícios do INSS (urbanos e rurais, sem considerar os assistenciais com idosos e deficientes), que foram de R$ 199,5 bilhões, chegariam a R$ 269 bilhões. Segundo a pesquisa, a vinculação dos aposentadorias com o mínimo requereria recursos adicionais de 2,4% do PIB. Para Sandra, indexar os benefícios da Previdência não significa necessariamente "atender ao segmento mais pobre da população". Hoje, apenas os benefícios com valor mínimo (piso) são reajustados conforme o aumento do mínimo.

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sexta-feira, julho 09, 2010

Aviação

O SOLAR Impulse atravessa a Suíça: reserva da aeronave após voo noturno surpreendeu até seus criadores

Avião solar consegue viajar à noite

Reserva de energia permitiu que aeronave passasse no derradeiro teste

O Globo
Um novo capítulo da aviação pode ter sido escrito ontem, quando a aeronave Solar Impulse aterrissou a 50 quilômetros de Berna, a capital da Suíça, após 26 horas de voo. O avião, que também havia decolado no país, foi o primeiro tripulado a conseguir atravessar uma noite inteira usando apenas energia solar.

A aeronave usou células solares super eficientes e baterias para permanecer no ar após os raios de Sol terem cessado. A façanha, de acordo com seus criadores, abre espaço para se discutir um equipamento que possa voar permanentemente, sem necessidade de combustíveis comuns.

Desempenho foi melhor que o esperado Este foi o voo mais longo e de maior altitude já atingido por uma aeronave movida por energia solar. Durante a viagem, o Solar Impulse chegou a 8,7 mil metros de altura. Seu desempenho foi ainda melhor do que esperado pelos criadores da empreitada.

Ao fim de uma madrugada de voos, o avião ainda tinha bateria suficiente para mais três horas de funcionamento. Estimava-se que, após tanto tempo sem renovar o estoque de energia solar, ele sairia da etapa noturna da com menos combustível.

Uma equipe estava a postos para estabilizar o avião logo após sua aterrissagem. Temiase que o grande tamanho do Solar Impulse - sua envergadura é de 63 metros - fizesse com que suas asas batessem no solo e, assim, tombassem a aeronave na pista.

- Foi a primeira vez que uma aeronave tripulada movida a energia solar voou durante a noite — comemorou Bertrand Piccard, um dos pais do Solar Impulse, que contava com 12 mil células solares dispostas na extensão de suas asas, responsáveis por coletar energia para a avião.

Os quatro motores da aeronave contribuíram para o sucesso da operação, já considerada um marco entre especialistas que estudam fontes alternativas de energia. Piccard festejou a grande reserva de sua invenção, mesmo após uma madrugada inteira no ar.

- Nada pode nos impedir de (voar) mais um dia e uma noite, e do mito do voo perpétuo - disse.

A equipe de Piccard - que também conta com Andre Borschberg, o piloto do Solar Impulse - dedica-se, agora, à construção de um modelo mais avançado da aeronave.

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Está escrito.


Polvo-vidente aponta Espanha campeã mundial

Paul também prevê que Alemanha ficará em terceiro lugar

EFE (original aqui)
O polvo Paul, o oráculo do aquário Sea Life de Oberhausen, no Oeste da Alemanha, previu nesta sexta-feira a vitória da Espanha na final contra a Holanda. As duas equipes decidem neste domingo o título da Copa da África do Sul. Até agora, o polvo acertou todos os resultados da Alemanha na competição.

Em três minutos, diante das câmeras de televisão, Paul comeu a amêijoa (molusco com concha) que estava dentro do contêiner e abraçou a caixa com a bandeira espanhola, deixando de lado a outra com o pavilhão holandês.

Com dois anos e meio e pesando 700 gramas, Paul, que nasceu na Inglaterra, apontou também que a Alemanha irá vencer o Uruguai na disputa pelo terceiro lugar do Mundial, que será neste sábado.

O célebre polvo tem um grave erro no currículo. Na final da Eurocopa 2008, vencida pela Espanha, ele previu que a Alemanha seria campeã.

Com nove cérebros e três corações, o polvo-vidente se transformou na estrela da Copa da África do Sul e em herói popular na Espanha, após prever a passagem da Fúria à final.

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Coluna do Celsinho

Campanha

Celso de Almeida Jr.
Tenho um fascínio por política.

Tive a sorte de viver a abertura democrática no país.

Assim, participei de muitas eleições, como militante.

Apaixonado e ingênuo, claro.

Defendendo bandeiras para vereadores, prefeitos, deputados, senadores, presidente.

Vidrado em ideias, discursos, programas de governo.

Curioso...

O tempo passou, mas basta chegar a eleição e volta o entusiasmo juvenil.

Há poucos anos, um grande amigo, mestre em marketing político, me convidou para atuar profissionalmente neste segmento.

Fiz um plano para conciliar as duas paixões: educação e política.

As atividades na escola são gigantescas.

Cresci num ambiente assim, afinal, nosso colégio já passou dos 32 anos.

No silêncio das férias escolares, caminho no corredor principal olhando as portas entreabertas.

Os alunos atuais e antigos invadem o pensamento.

Os grandes conflitos.

As grandes alegrias.

As deliciosas lembranças.

A convicção de que as dificuldades para manter um empreendimento desta natureza valem a pena.

Saber que a energia que nos impulsiona vem da certeza de estar contribuido para a formação de tanta gente.

Perceber que educação é fundamento que todo político bem intencionado deve priorizar.

Que todo político decente deve prestigiar.

Investimento número 1 de todo governante comprometido com o futuro.

Postura que defendo aguerridamente junto aos clientes desta minha nova atividade profissional.

Corro o risco de ser demitido...

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Opinião

O recrudescimento da dengue

Editorial do Estadão
O agravamento da epidemia de dengue em todo o País, previsto por um estudo do Ministério da Saúde divulgado em dezembro de 2009, infelizmente está se confirmando. O estudo alertava as autoridades municipais e estaduais para a necessidade de providências que barrassem a disseminação da doença. Mas as medidas adotadas pelos Estados e municípios parecem não ter surtido efeito. Segundo os infectologistas, o calor acima da média, o acúmulo de lixo e as fortes chuvas de verão favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e que se reproduz em água parada.

Só com o número de casos do primeiro semestre, 2010 já bate o recorde de notificações de dengue. Ao todo, já houve 321 mortes. No mesmo período, foram efetuadas 830 mil notificações - ante 806 mil nos primeiros seis meses de 2008. Até o momento, a situação é crítica, principalmente em dois Estados bastante populosos.

Com 203 mil notificações, o primeiro é Minas Gerais. Em muitas cidades de pequeno porte, os prefeitos chegaram até a oferecer alimentos em troca da limpeza de entulhos onde o Aedes aegypti poderia colocar seus ovos. Com 121 mil notificações e 98 mortes, o segundo é São Paulo, onde, por causa do volume atípico de chuvas nos três primeiros meses do ano, a dengue se alastrou no interior, na Baixada Santista, na região metropolitana e na capital. Barretos e Presidente Prudente, dois municípios importantes, estão em situação de risco. No Guarujá, município que - juntamente com Santos - sedia o maior complexo portuário do País, houve até a necessidade de se levantar tendas nos bairros mais carentes, para o atendimento de pacientes com dengue.

O quadro também é preocupante em Rondônia e no Paraná - Estados em que, segundo as autoridades federais, os dirigentes municipais e estaduais somente teriam começado a se preocupar quando o pior já estava acontecendo. Agora, a atenção dos técnicos do Ministério da Saúde está se voltando para os bairros mais pobres das regiões metropolitanas dos Estados do Nordeste. A região entrou em seu período mais chuvoso, que é o de maior incidência da doença.

Em 2009, o Estado da Bahia registrou 2.400 notificações de dengue por semana e 1 morte a cada três dias. Infectologistas temem que a situação seja agravada em 2010. "Estamos, sem dúvida, num dos piores anos", diz o coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue, Giovanni Coelho.

Depois de ter sido considerada erradicada, a dengue voltou a se espalhar pelo País após seis décadas, nos anos 80. Desde então, as autoridades federais fazem campanhas de educação, esclarecimento e conscientização, mostrando para a população a importância de proteger as caixas d" água, evitar o acúmulo excessivo de lixo e não permitir que a água empoce em pneus, vasos e garrafas.

Em seguida, a União passou a financiar atividades de vigilância sanitária e muitos Estados e municípios passaram a investir na capacitação de agentes de saúde, a fim de que identificassem as chamadas "áreas de infestação", onde se localizam os criadouros do mosquito transmissor da dengue. Posteriormente, com base em informações enviadas pelas Secretarias Municipais e Estaduais da Saúde, o Ministério da Saúde elaborou um mapa nacional dos focos da doença, repassou verbas, padronizou as ações de vigilância e colocou técnicos à disposição de governadores e prefeitos.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 09 / 07 / 2010

Folha de São Paulo
"Fundos viabilizam Belo Monte"

Para o governo, participação de principais fundos de pensão de estatais permitirá erguer hidrelétrica no PA, orçada em R$ 25 bi

O governo convenceu os três principais fundos de pensão de empresas estatais a participarem do projeto de construção da hidrelétrica de Belo Monte (Pará). A Folha apurou que a Funcef (Caixa Econômica Federal) e o Petrus (Petrobras) participarão diretamente da construção da usina com cotas de 7,5% e 10%. A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, participará via Neoenergia, empresa em que é sócia do grupo espanhol Iberdrola. A Neoenergia ficará com 10% da obra. Segundo um auxiliar do presidente Lula, a participação dos fundos viabilizará o projeto, orçado em R$ 25 bilhões e prioritário para o Planalto em ano eleitoral - Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência, foi mentora da obra.

O Estado de São Paulo
"Congresso eleva todas as aposentadorias pelo salário mínimo"

Proposta por senador petista, medida passou na Lei de Diretrizes Orçamentárias

Emenda incluída pelo senador petista Paulo Paim (RS) na Lei de Diretrizes Orçamentárias, aprovada ontem pelo Congresso, indexa todos os reajustes dos benefícios previdenciários à política de reajuste do salário mínimo com ganho real. Os benefícios da Previdência até o piso mínimo já recebem como reajuste anual o valor do aumento concedido ao salário mínimo. A emenda de Paim estende essa política aos benefícios com valor acima do mínimo. Paim ainda queria que fosse usado no cálculo da correção o crescimento econômico deste ano, que o BC estima em 7,3%, mas a iniciativa foi barrada. O texto ainda depende de sanção do presidente Lula.

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quinta-feira, julho 08, 2010

Ramalhete de "Causos"

O satélite do tio Lindo

Reflexos da era espacial no imaginário do povo caiçara

José Ronaldo dos Santos
As rodas de causos ainda existem. Hoje os caiçaras e outros contadores se encontram, principalmente, em frente aos portões, diante de suas casas, pois o jundu, “lugar sacrossanto” no dizer do finado Antonio Maior, “agora está tomado pelas mansões dos tubarões”, pelos quiosques, etc. Embora em algumas praias ainda seja possível tal ritual, o mais comum é, no meu caso, de aproveitar as mínimas oportunidades pelas ruas da cidade, sobretudo em “época de vacas magras”, quando a maioria dos rostos é conhecida. O que eu narro agora me veio à mente depois de uma prosa com o Élcio e o Belinho, em frente da moradia deste.

O ano era de 1969, quando os americanos chegaram à Lua. Nas praias, em todos os lugares se comentava a notícia que chegava até nós pelos rádios. Os mais antigos ainda se lembram muito bem das instalações para que rádio funcionasse: era necessário um fio (antena) estendido acima do telhado, no correr da cumeeira, de onde descia uma ligação com o aparelho (rádio) que, devidamente fixo num ponto alto para poucos porem as mãos, depois de abastecido com “potentes pilhas”, eram sintonizados poucos momentos por dia por motivo de economia. Assim chegavam as notícias, as músicas, o Projeto Minerva, a Voz do Brasil... Pela localização geográfica do nosso município, era lógico que as emissoras cariocas dominassem o espaço. Afinal, estávamos aos pés da Serra do Mar. Mas... deixando de lado tudo isso, de repente quase todo mundo passou a entender de espaço sideral, de satélites, de potência americana e da corrida espacial contra os russos, etc. Era o assunto do momento depois das festas de junho.

Naquele tempo, apesar de gostarem de se encontrar, de se visitarem regularmente, muitos caiçaras tinham suas casa bem afastadas. Quando alguém questionava, a resposta sempre era: “Estou cuidando da minha posse”. Porém, nós sabemos que é questão de índole: os caiçaras gostam de se isolar para não serem perturbados, nem molestar ninguém. O meu tio Lindo era um desses casos. Morava na praia do Cedro, próxima da Deserta; depois - bem depois!- da Ponta da Fortaleza, na qual o acesso ainda hoje é por um estreito caminho de servidão que, felizmente, nenhum ricaço ainda cercou. Porém, todo dia de domingo ele estava na praia da Fortaleza. Eu adorava escutar os seus casos. Também ele entendia de satélite e dos assuntos internacionais do momento. Afirmava: - Os satélites estão nos ares e controlam as nossas vidas; alguns até dizem que nos enxergam mesmo dentro de casa. Não tem como escapar dos olhares deles. E esse papo ia longe. Discutia-se muito por isso, mas nunca se concluía nada. O tio Lindo adorava uma cervejinha; até dizia que era remédio. Só sei que, de remédio em remédio, ele ficava “sapecado”, tropeçando até em concha de sapinhaoá na areia. Eu me preocupava com ele; achava que poderia se machucar num caminho tão ruim de se andar quando estava são, imagine naquelas condições. Assim comentei com o meu tio Tonico: - Ele vai sozinho? O senhor não pode servir de companhia para que nada aconteça ao tio Lindo? De pronto o meu tio respondeu: -Que nada! Agora tem satélite por controlando tudo por aí! O tio tem o dele. Ele chega bem, você vai ver!. Assim ele foi pelo lagamá, subiu a costeira das Pegadas, no canto do Joaquim Silvino. Lá em cima ele estacou, deu um forte assobio e gritou: -Satélite! Vem! Vem! Correndo, todo feliz, lá se foi o seu cachorro cor de vinagre. Ah!!! Eu ri muito naquele dia por causa do nome que ele deu ao bicho: era muito apropriado e atualizado. Alguém consegue imaginar um caiçara vivendo sem cachorro?

Deixo como sugestão de leitura "A farmácia do Filhinho", de Washington de Oliveira.


Boa leitura!

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Opinião

O custo da burocracia

Editorial do Estadão
O País não poderá trilhar o caminho do desenvolvimento sustentado se for incapaz de superar os obstáculos burocráticos com que hoje se defrontam as empresas e os cidadãos. Não por acaso, no índice elaborado pelo Banco Mundial para medir a facilidade de fazer negócios, o Brasil figura na 129.ª posição entre 183 países estudados em 2010. O cipoal burocrático não só dificulta e retarda a execução dos projetos e investimentos das empresas, com impacto negativo em sua competitividade internacional, como tem também efeitos sociais. Os entraves ao bom funcionamento da máquina estatal afetam principalmente os sistemas educacional e de saúde, para citar apenas duas áreas críticas.

Esta foi a visão ampla que orientou o estudo realizado pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp sobre os custos econômicos que a burocracia acarreta para o País. Ao estimar esses custos, os técnicos da entidade utilizaram o PIB nominal per capita para conseguir uma melhor avaliação de seu peso para cada brasileiro. Concluiu-se que, se o Brasil reduzisse em 0,3 ponto porcentual o seu índice de burocracia, chegando ao nível igual ao da média de países tomados como base de comparação, o produto per capita do País passaria a US$ 9.147 ? um aumento de quase 17% na média do período 1990-2008. O custo médio anual da burocracia foi estimado em R$ 46,3 bilhões, a preços correntes em 2009, equivalendo a 1,47% do PIB do ano passado.

O estudo da Fiesp, que se baseou em levantamentos próprios e em análises de outras entidades empresariais e de instituições nacionais e internacionais, apresenta outro dado impressionante. A poupança que poderia ser obtida com uma redução da burocracia equivale a 10,1% do total dos investimentos privados em 2009 e a nada menos do que 300% dos gastos privados em pesquisa e desenvolvimento (P&D).

Esse elevadíssimo custo está, em grande parte, diretamente relacionado à miríade de impostos, contribuições e taxas que devem ser recolhidos pelas pessoas físicas e jurídicas, sempre sujeitos à correção monetária em caso de parcelamento e a multas por atrasos. Como os regulamentos são frequentemente confusos e requerem muita atenção, podendo por isso gerar insegurança jurídica, as empresas brasileiras gastam anualmente 2.600 horas de trabalho, em média, somente para fazer o pagamento de tributos. Nas empresas dos países que serviram de parâmetro, essa tarefa toma, em média, 200 horas de seus empregados.

Uma das consequências de tudo isso, como assinala a entidade, é o estímulo à informalidade. O processo demorado e custoso de abertura de uma empresa tende a favorecer a economia subterrânea. Além disso, a pesadíssima carga tributária e a complexidade dos regulamentos são um convite à informalidade.

A Fiesp apresenta uma série de propostas para a simplificação de práticas burocráticas, em especial a consolidação de procedimentos e regulamentos, para evitar redundâncias e tornar as regras mais claras. Propõe, por exemplo, a dispensa de certidões e controles excessivos e a intensificação do uso dos meios eletrônicos. Poderia também ser instituída uma "janela única", pela qual os contribuintes pudessem ter acesso a todas as informações necessárias para o cumprimento de suas obrigações tributárias.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 08 / 07 / 2010

Folha de São Paulo
"Divórcio passa a ser mais rápido"

Pedido poderá ser feito assim que casal decidir pelo final do casamento, sem a necessidade de aguardar prazo

Depois de polêmica com setores ligados a instituições religiosas, o Senado aprovou, em último turno, a proposta de emenda à Constituição do divórcio direto. Agora, o pedido de divórcio poderá ser imediato, feito assim que o casal decidir pelo término do casamento. Essa alteração acaba com os prazos entre o fim da convivência do casal e o divórcio. Hoje, o divórcio pode ser pedido depois de um ano da separação formal ou após dois anos da separação de fato. A mudança será promulgada. Não é necessária sanção presidencial. A mudança "vai economizar custas processuais e sofrimento", afirmou o deputado Sérgio Carneiro (PIBA), que apoia a alteração. A CNBB queria "prazo de reflexão" de seis meses. Para o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), evangélico, houve precipitação.

O Estado de São Paulo
"Cuba soltará 52 dissidentes, diz Igreja"

Segundo o arcebispado da capital cubana, a decisão de Raúl Castro foi tomada durante reunião com o chanceler espanhol e com o cardeal de Havana

Cuba libertará 52 presos políticos, anunciou o Arcebispado de Havana. Se confirmada, será a maior libertação de dissidentes no país desde 1998, quando 101 foram soltos após visita do papa João Paulo II. A medida seria resultado da pressão internacional sobre Cuba - o presidente Raúl Castro teria tomado a decisão em reunião com o cardeal Jaime Ortega e o chanceler da Espanha, Miguel Angel Moratinos. Cinco presos seriam libertados ainda ontem e os outros 47 em até quatro meses. Segundo a Igreja, os presos poderão sair do país os cinco primeiros devem ir para a Espanha. Os opositores beneficiados são os presos em 2003 na onda repressiva "Primavera Negra", em que 75 foram detidos sob acusação de conspirar com os EUA. Do grupo, 28 foram soltos nos últimos anos, porque estavam doentes. A libertação vai reduzir o número de presos políticos em Cuba para cerca de 100, segundo cálculo de ativistas de direitos humanos.

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quarta-feira, julho 07, 2010

Pintura

Retrato de Sarah Siddons - Joshua Reynolds
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A Sra. Siddons como Musa da Tragédia (1784)

Do Blog do Noblat (original aqui)
Muito ambicioso, Reynolds usou toda sua inteligência e charme, assim como seus talentos artísticos, para se promover e no curso de um ano de muito trabalho já era “o” nome em Londres para quem queria um retrato seu ou de alguém de sua família.
 
Reynolds, um verdadeiro artista, mas também um homem engenhoso, criou uma galeria onde expunha suas pinturas e também quadros de artistas consagrados pelo tempo, que ele comprava e vendia.

Sua clientela, como não podia deixar de ser, era de gente do mundo da moda, das grandes fortunas, e da intelectualidade que norteava a moda.

Quando a Royal Academy foi fundada, em 1768, ninguém se admirou ao ver que o primeiro presidente eleito foi Joshua Reynolds que, no ano seguinte, foi sagrado cavaleiro. Os discursos anuais que proferia diante da Academia reunida são peças literárias, sempre em estilo acadêmico, onde ele sugeria que a generalização eclética devia se sobrepor à observância duma linha rígida de pensamento.

O estilo proposto por ele, que logo passou a ser conhecido como Grand Style, teve enorme influência no desenvolvimento da arte do retrato. A imagem de hoje mostra o retrato de Sarah Siddons, a grande atriz shakespereana do século XVIII, que marcou o teatro inglês. Reynolds colocou sua assinatura na bainha do traje da atriz porque, como ele lhe escreveu “resolvi entrar para a posteridade na bainha de seu vestido”.

O retrato feito por Reynolds imediatamente confirmou a posição da Sra. Siddons como a maior atriz trágica de seu tempo. Ele a apresenta num papel teatral, personificando Melpomene, a musa grega da Tragédia; atrás dela colocou duas figuras, uma representando o terror (à direita) e outra a compaixão.

Curiosidade: em 1950, Joseph Mankiewicz homenageou a atriz (e o pintor) em um filme que é também uma obra-prima: “All About Eve” (A Malvada), com Bette Davis. O retrato da Sra. Siddons é visto em várias cenas do filme. Além disso, ele criou no roteiro do filme um prêmio fictício, o “Sarah Siddons”, que era entregue às melhores atrizes de teatro do ano (hoje esse prêmio é uma realidade).

Acervo Dulwich Picture Gallery, Dulwich, Londres
http://www.dulwichpicturegallery.org.uk/the_gallery/en.wikipedia.org/wiki/Joshua

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Mediunidade octogonal


O nome é Paul, o apelido "Octopus Dinah"

Sidney Borges
Depois de cravar as vitórias da Alemanha sobre Austrália, Gana, Inglaterra e Argentina, e antes a derrota dos alemães para a Sérvia, o polvo Paul, que vive no aquário Sea Life, em Oberhausen, na Alemanha, indicou que a Espanha derrotaria a Alemanha. Na mosca!

O clarividente molusco só teme uma coisa na vida. A palavra vinagrete. Deve ter sido por causa das histórias que a sua avó contava. Hoje, bem empregado, ele usa seus dotes mediúnicos para dizer quem vai ganhar o jogo e alegrar a vida dos apostadores. (Com informações do Blog do Noblat e do G1)

Copa do Mundo

A final das virgens

Sidney Borges
No domingo teremos mais um país na seleta constelação dos vencedores. Espanha e Holanda nunca levantaram o caneco, embora a Holanda já tenha ameaçado duas vezes. Quem viu o jogo hoje certamente apostará na Fúria. É um time forte, coeso, com jogadores habilidosos e um esquema tático definido e agressivo. Se os avantes hispânicos acertarem a pontaria poderemos ter uma goleada na final. A Holanda tem um timinho certinho que faz chuveirinho. Só isso. Ganhou dos milionários galácticos do Brasil com duas bolas levantadas na área. Depois ganhou do Uruguai com um gol ilegal. A seleção brasileira dá o que pensar. Fora do mundo milionário do futebol vivem os simples mortais que não podem falhar. Ou o patrão mostra o bilhete azul. O goleiro Júlio César falhou. Milionários não têm esse direito. Não deve voltar à seleção. O caso Kaká merecia uma CPI. Sócrates, ex-craque do Corinthians, médico especializado em esportes, foi claro e taxativo antes da Copa. Kaká não vai se recuperar. Kaká não se recuperou. Eu escrevi que seleção não é hospital. Se Kaká não estava bem, não deveria ter ido. Ele que se diz cristão devoto deveria ter sido honesto: não estou bem. Kaká também não deve voltar à seleção, está na hora de renovar. Enfim, perdemos uma Copa fácil. O Brasil tem mais time do que Holanda e Uruguai. Deveria estar na final. Quem é o culpado? Ricardo Teixeira, o "cara" que faz e desfaz. Não somos uma democracia? A CBF não parece, está mais para ditadura. E, além do mais, quem mandou visitar o Sapo Barbudo? Todos sabem que ele tem um pé dentro do freezer. Meu palpite para domingo: Espanha 3 x 0 Holanda. Mas também pode dar a Holanda, antes de fechar questão acho melhor consultar o polvo que acertou todas até agora. O nome dele deveria ser "Octopus Dinah". A canoa Ziza continua singrando o Atlântico Sul na direção das formosas praias ubatubenses, cercadas de florestas com passarinhos, borboletas coloridas e politiquinhos ruinzinhos de dar dó.

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Opinião

Se pegar, pegou

Editorial do Estadão
Seria ingenuidade acreditar que se tratou de simples desorganização ou amadorismo - numa campanha, aliás, que de amadorismo não tem nada - a substituição, feita à última hora, do programa de governo da candidata Dilma Rousseff apresentado ao TST, que continha tópicos considerados radicais, por outro do qual eles foram retirados, sob a justificativa de que haviam sido incluídos por simples engano. Não pode ser engano a apresentação de um documento, a título de programa de governo, que consubstancia as teses aprovadas pelo Partido dos Trabalhadores, em fevereiro, quando fez o pré-lançamento da candidata Dilma Rousseff.

Não se imagina que diretrizes político-doutrinárias, elaboradas depois de exaustivas discussões entre líderes e integrantes de um partido que ocupa os principais cargos do Executivo federal, e neles pretende continuar, ali fossem introduzidas sem que disso tivessem conhecimento os mais altos dirigentes da campanha da candidata que foi imposta ao partido pelo presidente Lula da Silva.

O que parece claro é que a direção da campanha, tendo já prestado a inevitável homenagem aos radicais das correntes que a apoiam, decidiu reduzir o prejuízo que a divulgação daquele elenco de medidas certamente causaria junto à imensa maioria de eleitores moderados, que repelem com igual vigor a propaganda socializante e as manifestações liberticidas. Assim, os tópicos polêmicos foram suprimidos do programa de governo de Dilma Rousseff, como parte da velha esperteza do "se pegar, pegou".

Entre os pontos suprimidos à última hora, na substituição do documento de proposta de governo à Justiça Eleitoral, estão o controle da mídia, a facilitação da invasão de propriedades pelos sem-terra e a descriminalização do aborto. Nada melhor do que trechos do próprio programa de governo suprimido para que se entenda a ideologia que está por trás da candidatura - independentemente das escamoteações produzidas com finalidades eleitorais. Então, vamos a eles:

"Continuar, intensificar e aprimorar a reforma agrária, de modo a dar centralidade ao programa na estratégia de desenvolvimento sustentável do País, com a garantia do cumprimento integral da função social da propriedade, da atualização dos índices de produtividade, do controle do acesso à terra por estrangeiros, da revogação dos atos do governo FHC que criminalizaram os movimentos sociais e com eliminação dos juros compensatórios nas desapropriações e das políticas complementares de acesso à terra; entre outras medidas, implementação de medida prevista no PNDH3 (Plano Nacional de Direitos Humanos -3) de realização de audiência pública prévia ao julgamento de liminar de reintegração de posse" (...) "Promover a saúde da mulher, os direitos sexuais e direitos reprodutivos: o Estado brasileiro reafirmará o direito das mulheres de tomarem suas próprias decisões em assuntos que afetam o seu corpo e a sua saúde." Aí está, em linguagem clara, a intenção de permitir a invasão da propriedade (ou o crime de esbulho possessório) como meio legítimo de acesso a terra. E está, da mesma forma, a concessão da liberdade da mulher para a prática indiscriminada do aborto.
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 07 / 07 / 2010

Folha de São Paulo
"Notificação de dengue quebra recorde no país"

Em 6 meses, 830 mil registros superam a marca máxima anterior, de 2008

Levantamento da Folha com as secretarias da Saúde dos 26 Estados e do Distrito Federal apontou 830 mil notificações de dengue, batendo o recorde de 2008 - 806 mil. Segundo o Ministério da Saúde, 321 pessoas morreram em razão da doença, relata Márcio Pinho. Os governos federal e estaduais atribuem o aumento à volta de circulação do tipo 1 da doença, contra o qual a população não está imune. Negam falta de investimento no controle da doença. Para especialistas, há falhas nessa área e no atendimento a pacientes. O tempo chuvoso também influenciou. Com 121 mil casos confirmados até o início de julho, o Estado de São Paulo bateu a marca de2007 (92 mil). O número de doentes na capital é o maior da história -4.529 até maio. As zonas norte, oeste e sul registraram surtos.

O Estado de São Paulo
"Serra ataca plano radical do PT, que Dilma assinou"

Segundo o partido, ela não leu o texto, que depois foi substituído; 'a gente sabe o que eles pensam', diz tucano

A candidata à Presidência Dilma Rousseff assinou o programa radical de governo apresentado na segunda-feira pelo PT ao Tribunal Superior Eleitoral. Ela também rubricou suas 19 páginas. O texto previa, entre outras coisas, o controle social da mídia, a taxação de grandes fortunas e a revogação do dispositivo que torna áreas invadidas indisponíveis para a reforma agrária. Horas depois, o documento foi substituído por outro, sem as ideias polêmicas. Segundo o PT, Dilma assinou sem ler, por pressa. Ontem, no primeiro dia de campanha, o candidato tucano, José Serra, explorou o caso, dizendo que os adversários mostram que "não são duas caras, são várias caras". Dilma reafirmou que o primeiro texto apresentado era o do 4° Congresso do PT, e que não concorda com a versão. “Tem coisas do PT com as quais nós concordamos, tem coisas com as quais não concordamos", afirmou.

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terça-feira, julho 06, 2010

Não me sai da cabeça!

Copa do Mundo

Afinal, Holanda na final

Sidney Borges
A Holanda chega à terceira final de sua história. Embora não tenha ganhado a Copa, tem muitos méritos. Não é qualquer seleção que pode se dar ao luxo de apresentar um retrospecto tão positivo. A Província Cisplatina foi bem, mas não deu. Amanhã teremos um jogão. Não arrisco palpitar, mas sei que o polvo adivinho da Alemanha deu vitória da Espanha. Até agora ele acertou todas. Caso a previsão seja confirmada teremos mais um país no seleto clube dos levantadores de caneco, pois a exemplo da Holanda, que só foi vice, a Espanha não ganhou, ou melhor, sequer chegou às semifinais. Recebi uma mensagem da delegação do Ubatuba Víbora. Neste momento a rapaziada está em meio à entrada de uma frente tropical, com ventos de intensidade moderada. Mas vai tudo bem, a canoa "Ziza" não está fazendo água e o estoque de "Ubatubana" longe de acabar. Por aqui estão escolhendo o novo técnico da seleção. Acho que podiam fazer um troca-troca com a Argentina. Vai Dunga, vem Maradona. E tem gente que leva futebol a sério. Eu até respeito os que ganham dinheiro com o esporte bretão, jogadores, técnicos, dirigentes e jornalistas. Esses têm mesmo que dar importância ao ludopédio, é o ganha-pão deles. Torcedores são os bobos da história. Acreditam em amor à camisa e tolices afins. No time do Brasil só jogam milionários, gente que perdeu a volúpia de lançar-se ao prato de comida. Enfim, precisamos enviar um pedido aos Estúdios Disney. Daqui em diante que seja "Branca de Neve e os seis anões". Nunca mais quero ouvir falar no Seteanão. Não levou Pato nem Ganso e deu vexame gritando palavrões com aquele casaco ridículo de almirante de hotel. Ou seria porteiro de esquadra?

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Opinião

Portos e aeroportos defasados

Editorial do Estadão
Trazer uma carga da China ao Brasil pode tomar menos tempo que a liberação da mercadoria num aeroporto brasileiro. O embarque de produtos para o exterior também é travado pelo congestionamento de portos e aeroportos, sem espaço e sem condições técnicas e administrativas de dar suporte a exportações e importações. Superada a crise, a economia voltou a crescer e aumentou velozmente a corrente de comércio internacional - vendas e compras. O valor acumulado em 2010, até a semana passada, foi 33,9% maior que o de um ano antes. Entre 2000 e 2008, o montante em dólares cresceu 224,3%, mas exportadores e importadores tiveram de vencer dificuldades cada vez maiores nos transportes, para tentar acompanhar o ritmo da globalização comercial.

Reportagens publicadas no Estado no domingo e na segunda-feira mostraram como os gargalos formados em portos e aeroportos consomem tempo e dinheiro, reduzindo perigosamente a eficiência e a competitividade das empresas brasileiras.

Segundo o diretor para mercado internacional da Marcopolo, Paulo Andrade, os produtores brasileiros passam por um momento crítico e perdem mercado para os concorrentes da Ásia, favorecidos por uma logística melhor e custos menores. A Marcopolo fabrica ônibus e exporta 35% de sua produção.

O frete do Brasil para a América do Sul é mais caro que o transporte da Coreia para o México ou para o Chile, informa a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), citada no jornal.

Indústrias com portos privados - caso da Ford na Bahia - conseguem evitar o congestionamento e a lentidão dos embarques e desembarques. Empresas dependentes de portos públicos enfrentam filas para movimentar seus produtos, porque os terminais carecem de equipamentos, de pessoal e de espaço. Transportar mercadorias por milhares de quilômetros de rodovias pode ser uma alternativa preferível, quando o intercâmbio é com países sul-americanos. Essa é a escolha da Fiat para transportar veículos entre fábricas brasileiras e argentinas, na ida e na volta.

Infraestrutura - incluído o sistema portuário - é um item de grande importância na agenda proposta pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aos candidatos à Presidência da República. Um dos principais obstáculos à ampliação e à modernização de estradas, portos e outras instalações é a burocracia. Entre a decisão de realizar a obra e o início dos trabalhos são consumidos em média 38 meses, segundo tabela publicada no documento entregue aos candidatos.

"A superação das deficiências do setor depende da efetiva participação do setor privado no investimento e na gestão dos serviços", de acordo com os dirigentes da indústria. Mas "a maior participação do capital privado na infraestrutura exige o aperfeiçoamento do marco regulatório, das estruturas de gestão e do planejamento setorial". O mecanismo das Parcerias Público-Privadas (PPPs), lembram os autores do trabalho, pouco avançou no Brasil.

Os dirigentes da indústria poderiam ter lembrado, na elaboração da agenda, também o aparelhamento e o enfraquecimento das agências de regulação, nos últimos sete anos e meio. Desde o início, em 2003, houve uma clara decisão política de centralizar as decisões econômicas e de sujeitar a cooperação com o setor privado a um projeto de poder.

A insuficiência de investimentos na infraestrutura é explicável principalmente por essa decisão política. O setor privado poderia ter proporcionado a maior parte do dinheiro necessário, se o governo houvesse mantido um ambiente propício à sua participação. Mas o governo preferiu o caminho oposto, evitando, por exemplo, um ambiente de regras seguras e bem definidas para o planejamento de longo prazo.
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Manchetes do dia

Terça-feira, 06 / 07 / 2010

Folha de São Paulo
"Custo do trem-bala é imprevisível, diz TCU"

É impossível saber quanto custará o trem-bala entre São Paulo e Rio, aponta relatório do Tribunal de Contas da União. Segundo a área técnica do TCU, os estudos geológicos para a obra foram insuficientes, informa Dimmi Amora

Foram realizados apenas 4,4% da quantidade mínima de sondagens para estimar o preço da obra. Apesar das restrições técnicas, os ministros do tribunal aprovaram os estudos de viabilidade da Agência Nacional de Transportes Terrestres. A ANTT estimou a obra em R$ 21 bilhões, 63% do total do projeto. O edital de licitação sairá nesta semana. Em casos similares, o TCU determinou que projetos fossem revistos. Pesou agora a pressão do governo para que isso não ocorresse. Se o estudo fosse refeito, não haveria licitação neste ano. Como a obra será fiscalizada, os ministros preferiram evitar embaraços. Segundo a ANTT, cabe aos construtores definir o traçado final. Por isso, não houve cálculos precisos.

O Estado de São Paulo
"Avaliação do MEC indica piora das escolas particulares de SP"

Rede privada não cumpre metas na 8ª série do fundamental e no ensino médio; no País, nota fica estagnada

A rede privada de ensino do Estado de São Paulo teve piora no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para a 8.ª série do ensino fundamental e o ensino médio na comparação entre 2005 e 2009. A nota da rede privada do País como um todo se manteve estagnada. Dados divulgados pelo MEC mostram que, em 2005, as escolas particulares paulistas tiveram nota 5,8 no ensino médio. Quatro anos depois, ela caiu para 5,3, abaixo da meta do MEC (5,9). No período, a média dos colégios privados do Brasil se manteve em 5,6. A rede privada de São Paulo também não conseguiu cumprir a meta para a etapa de 5.ª a 8.ª série. Ficou com 6,0 - a meta era 6,5. Quatro anos antes, a média foi de 6,3. Desde 2005, a média nacional cresceu 0,1, passando a 5,9. O índice desejado pelo MEC era de 6,0.

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segunda-feira, julho 05, 2010

Entrevista

Luiza Eluf

“Os homens matam as mulheres porque elas os contrariam de alguma forma”

Renata Vieira Pompeu de Camargo
Luiza Eluf, Procuradora do Ministério Público de São Paulo, afirma que o crime passional tem características próprias. A principal delas é o machismo, a prepotência masculina, o egoísmo extremo e a vontade de subjugar a mulher.

Direitos da mulher, direito civil e penal. Quando se trata do estudo e análise da legislação e jurisprudência destes temas nos dias atuais no Brasil, passa-se pelo nome de Luiza Nagib Eluf. Temas espinhosos e tratados de forma morna por membros do judiciário e formadores de opinião são esclarecidos de forma direta e segura nos discursos da Procuradora de Justiça do Ministério Público de São Paulo. Com seis livros publicados, alguns deles sobre o tema crime passional, Luiza Eluf afirma, nesta entrevista, que se interessou pelo assunto “por ser incompreensível que as pessoas matem somente porque um relacionamento acabou”. Ela ainda opina aventa a possibilidade de prisão preventiva de acusados em casos repercutidos na imprensa, como o do goleiro Bruno, suspeito número 1 de ter matado Eliza Samudio. Já no caso Pimenta Neves, Luiza Eluf é enfática: “Não resta nenhuma dúvida na face da Terra de que ele matou sua ex-namorada por motivo torpe e de surpresa. O fato de ele não ter sido preso ainda depõe contra toda a Justiça brasileira, traz descrédito ao judiciário e envergonha o país perante a comunidade internacional”.

Você é escritora de seis livros. Alguns deles tratam sobre crimes passionais. De onde partiu a ideia e quantos casos você estudou para compor estes livros?

Interessei-me pelos crimes passionais por ser incompreensível que as pessoas matem somente porque um relacionamento acabou. No início, não havia pensado em homicídios, meu interesse maior eram os crimes sexuais, sobre os quais escrevi um livro com duas mil e cinquenta e quatro páginas. No entanto, depois de pesquisar sobre estupro, atentado violento ao pudor, rapto, assédio, exploração da prostituição, tráfico de pessoas e outras figuras envolvendo a dignidade sexual, percebi que muitas vezes as agressões iam evoluindo para o crime de morte. E já comecei a pensar que minha próxima obra deveria ser sobre crimes passionais. Em 1999, publiquei meu livro técnico sobre "Crimes contra os costumes" (essa era a nomenclatura do Código Penal à época) e, em seguida, comecei a pesquisar os homicídios de mulheres praticados por seus companheiros ou ex-companheiros. Compilei cem casos e escolhi quinze para publicar. Os casos selecionados tiveram como critério a repercussão social que provocaram.

"Matar ou Morrer" trata-se do caso da morte de Euclides da Cunha. Conte-nos por que resolveu recontar essa história.

O caso Euclides da Cunha já constava de meu trabalho sobre Crimes passionais. No entanto, o ano de 2009 marcava o centenário da morte do escritor e seria uma boa oportunidade para retomar o assunto. Além disso, por sorte, caíram-me nas mãos as cópias integrais dos autos do processo de julgamento de Dilermando de Assis, o homem que matou Euclides por legítima defesa. Por essa razão, decidi dedicar um livro exclusivamente ao caso, com ilustrações importantes, fotografias de época, cartas e documentos que encontrei na Casa Euclidiana de São José do Rio Pardo. Mas minha intenção preponderante era "absolver" Ana, a mulher de Euclides, que depois se casou com Dilermando de Assis. Eu queria que a sociedade brasileira parasse de culpá-la pela morte do marido e quem ler a história contada em meu livro perceberá que ela nunca desejou ou provocou a morte de Euclides, o que ela queria era apenas refazer sua vida sentimental com outro homem, algo muito compreensível e legítimo.

No caso Pimenta Neves, qual a sua análise sobre a postura do Judiciário? Quais são as falhas? O que deveria ser feito de imediato, já que 10 anos se passaram e ele continua livre?

Acho um absurdo que Pimenta Neves esteja livre, leve e solto depois de ter matado Sandra Gomide a sangue frio, e ter sido condenado pela Justiça a 19 anos de prisão, pena essa que foi reduzida pelos Tribunais Superiores, mas que nunca foi anulada. Ou seja, ele foi condenado e essa condenação já foi confirmada pelos Tribunais para os quais a defesa dele recorreu. No entanto, sob o pretexto da "presunção de inocência", Pimenta encontra-se protegido por habeas corpus. No entanto, no caso dele, não há nenhuma presunção de inocência, pois ele é réu confesso, o seu crime foi presenciado por testemunhas que prestaram depoimento em Juízo e não resta nenhuma dúvida na face da Terra de que ele matou sua ex-namorada por motivo torpe e de surpresa. Assim, o fato de ele não ter sido preso ainda depõe contra toda a Justiça brasileira, traz descrédito ao judiciário e envergonha o país perante a comunidade internacional. Além disso, desmascara uma Justiça de classe, ou seja, quem pode pagar bons advogados consegue se furtar à aplicação da Lei, quem não pode mofa nas penitenciárias. A impunidade de Pimenta é um incentivo ao crime.

Casos como o da ex-namorada do goleiro do Flamengo e da advogada Mércia mostram que os principais suspeitos eram os seus namorados. Existe alguma relação nestes dois casos e semelhança nos perfis de Bruno e Misael?

O crime passional tem características próprias. A principal delas é o machismo, a prepotência masculina, o egoísmo extremo, a vontade de subjugar a mulher. E uma crueldade enorme. Os homens matam as mulheres porque elas os estão contrariando de alguma forma. O caso do goleiro Bruno parece extremamente cruel, se ele for realmente o culpado pelo desaparecimento (provável morte) de Eliza. Todo homem precisa entender que um filho é sempre de duas pessoas. Todo homem precisa assumir os filhos que gerar, porque crianças não têm culpa nenhuma das brigas dos pais. Ao contrário, as crianças merecem muito amor e compreensão, são tão frágeis e dependentes que abandonar o próprio filho e ainda matar a mãe dele, como muitas vezes já vimos acontecer, é estarrecedor. A Justiça e a sociedade não podem tolerar isso jamais.

Na sua opinião, a participação da imprensa nestes últimos casos colabora ou prejudica com o andamento da Justiça?

A imprensa tem um papel muito importante. A meu ver, não prejudica, mas ao contrário, colabora ao cobrar que as investigações caminhem bem e depressa.

Como Procuradora de Justiça do Ministério Público de SP, a senhora sempre lutou contra a violência da mulher. Conseguimos alguns progressos nesta luta?

Sim, conseguimos importantes avanços na luta contra a violência à mulher, como por exemplo, a criação das Delegacias de Defesa da Mulher e a Lei Maria da Penha, mas muito ainda precisa ser feito. Sinto-me chocada quando recebo notícia de mais um crime passional e somente descansarei quando essa situação mudar de verdade.

Estes delitos tornaram-se comuns em nossa sociedade. Qual a sua reflexão sobre estes casos?

Esses delitos não se tornaram comuns, eles sempre existiram! É que, atualmente, com a imprensa e a TV, podemos tomar conhecimento dos casos em tempo real. Entendo que a sociedade brasileira precisa reagir, pressionar o judiciário a ser mais rigoroso com esse tipo de coisa.

Em época de Copa Mundo, momento em que os torcedores endeusam os jogadores, a revista Veja acaba de publicar matéria com declarações contra o goleiro Bruno e que indicam sua culpa no caso de Eliza Samudio. Como à senhora interpreta esse terrível caso de morte?

É o cúmulo do terror um sujeito fazer isso com uma moça somente porque ela queria que ele reconhecesse o próprio filho. Homem que não deseja procriar deve usar preservativos em suas relações sexuais. Quem não se preocupa em evitar filhos precisa saber que, caso ocorra à fecundação da parceira, precisará assumir a paternidade. Filhos são sempre de duas pessoas. Foi-se o tempo em que crianças eram responsabilidade exclusiva da mãe. Nossas leis evoluíram no sentido de evitar que crianças fiquem no desamparo. Atualmente, um exame de DNA pode demonstrar com segurança a identidade do pai e ele terá que assumir a paternidade de qualquer forma. Ninguém tem o direito de sacrificar inocentes em nome de seu egoísmo machista. Nossos filhos são nossas verdadeiras prioridades e somente desta forma devem ser encarados.
 
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