sábado, julho 03, 2010

Copa do Mundo

Notícias da África do Sul

Alemanha 4 x 0 Argentina

Sidney Borges
O planeta está salvo. Maradona não vai desfilar pelado. Içaaaaa. Ontem fomos alvo de muita gosação dos hermanos, hoje nem vale a pena revidar. Quatro a zero é pior do que dois a um? Besteira, o que vale é a vitória. Em 1978 o Brasil de Cláudio "Overlapping" Coutinho ficou em terceiro, mas foi campeão moral. Bulshit. Tenho certeza de que um time com jogadores que atuam no Brasil teria feito mais do que a constelação de estrelas milionárias. Durante o jogo imaginei propor à Nike, ou à Adidas a confecção de um boneco do Maradona, de terninho e com um terço na mão. Para fazer contraponto à Barbie. Todas as crianças do mundo iriam querer. Futebol é business. Faltou Verón em campo. A seleção azul e branco sem Verón é como a Argentina sem Perón. Todos falam e ninguém tem razón. Talvez hoje, na calada da noite, Dunga e Maradona sejam encontrados em um bar. Bêbados e abraçados, cantarolando Maísa: "Meu mundo caiu". É bom deixá-los quietos, o mundo deles, de fato, caiu. (Sem informações da agência Tainha Press, cujos reporteres estão remando em mar bravio.)

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E, no Reality Show da floresta:


Futebol.

Página virada

Sidney Borges
Dou uma passada pelos jornais e pelos grandes portais e verifico o óbvio. O Brasil está decepcionado, cabisbaixo e envergonhado. A Copa acabou, é página virada. Infelizmente fizemos papel de idiotas, saímos da África do Sul menores, perdemos de um timinho que só sabe fazer chuveirinho na área, coisa mais antiga do que andar para frente. Dunga morreu, que descanse em paz. Kaká não estava bem, não deveria ter ido. Felipe Melo, bem esse não dá vontade de comentar, entregou o ouro aos bandidos. Que seja esquecido para sempre. O Brasil não merecia o vexame. Em 1982 perdemos e até hoje o Brasil tem orgulho daquela seleção, respeitada em todo o mundo. Perder faz parte do futebol, jogar feito alemão de antigamente não, pois até a Alemanha mudou o estilo que Dunga resolveu adaptar ao futebol brasileiro. Felipão poderá até perder, mas certamente não deixaria Ganso em casa para levar Felipe Melo. Felipão não é burro.

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Opinião

Bondades em gestação em Itaipu

Editorial do Estadão
Praticamente sem o conhecimento do público, que pagará a conta, tramita com rapidez no Congresso o projeto de decreto legislativo que autoriza a revisão do Tratado de Itaipu e, se aprovado, obrigará o Brasil a pagar ao Paraguai o triplo do que já paga pela compra da energia produzida pela usina binacional e não utilizada por seu parceiro. A revisão implicará, entre outras coisas, o pagamento adicional, pelo Brasil, de US$ 240 milhões por ano, gasto que - na conta de luz ou sob a forma de impostos - recairá no bolso do cidadão brasileiro, que não terá nenhuma vantagem com a mudança.

O decreto aprova as alterações no Tratado de Itaipu - documento firmado por Brasil e Paraguai em 26 de abril de 1973 - negociadas no ano passado pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Lugo, em razão da forte pressão que o dirigente paraguaio fez sobre seu colega brasileiro para aliviar parte dos problemas políticos que enfrentava em seu país. Para atender aos interesses de Lugo, Lula concordou com algumas mudanças, que exigirão a utilização do dinheiro do contribuinte e do consumidor brasileiros.

O Tratado de Itaipu é claro ao determinar que Brasil e Paraguai têm direito, cada um, à metade da energia gerada pelo usina binacional. A energia não utilizada por uma parte será vendida à outra. Os dois sócios recebem royalties e rendimentos iguais. São igualmente responsáveis pela dívida contraída para a construção da usina, e que vem sendo amortizada regularmente, com a utilização de cerca de dois terços da receita da usina.

Logo que tomou posse, Lugo quis mudar essas regras para assegurar ao Paraguai a livre disponibilidade da energia de Itaipu a que tem direito, mas não utiliza - e que, pelas regras do Tratado, deve ser obrigatoriamente vendida ao Brasil. Alegava também que sua remuneração deveria corresponder ao que chamava de "preço justo" da energia cedida. Exigia, ainda, a "revisão completa da dívida" de Itaipu e maior controle do orçamento da empresa binacional.

Não havia, como não há, nenhuma razão técnica concreta para se rever o Tratado de Itaipu. Mesmo assim, em nome de uma política externa marcada por bondades frequentes com alguns parceiros ideológicos - e que pouco ou nada atende aos reais interesses do País -, o presidente Lula cedeu às pressões. Em julho do ano passado assinou com Lugo uma declaração segundo a qual, entre outros compromissos, o Brasil assumiu o de iniciar a construção de mais uma ponte entre os dois países sobre o Rio Paraná, de construir linhas de transmissão de energia no país vizinho, estudar a possibilidade de o Paraguai vender energia livremente no mercado brasileiro e aumentar o valor pago anualmente ao parceiro.

São essas mudanças que estão em exame no Congresso. O governo quer vê-las aprovadas o mais depressa possível e, por isso, solicitou urgência na tramitação da matéria, que se encontra na Câmara dos Deputados. A oposição, por ver nas mudanças lesão aos interesses dos brasileiros - consumidores de energia elétrica e contribuintes em geral -, vem tentando retardar o andamento do projeto.

Na quarta-feira passada, por indicação do deputado Eduardo Sciarra (DEM-PR), as Comissões de Minas e Energia e de Relações Exteriores e de Defesa da Câmara realizaram uma audiência para discutir o projeto. Na ocasião, o presidente do Instituto Acende Brasil, Cláudio Sales, observou que o custo do pagamento adicional onerará o bolso dos brasileiros e que, em 2023, o Paraguai se tornará dono de 50% da usina, já livre das dívidas, "sem ter pago nada por isso", pois, como lembrou, "o Brasil assumiu 100% da construção".

Os brasileiros esperam que também os parlamentares da situação levem em conta esses fatos e decidam de acordo com eles, para preservar os interesses do País - que não são necessariamente iguais aos interesses políticos do presidente.
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Manchetes do dia

Sábado, 03 / 07 / 2010

Folha de São Paulo
"Derrota encerra 2ª era Dunga"

Brasil perde para a Holanda e, como em 2006, cai nas quartas. Autor do passe do 1º gol, Felipe Melo marca contra e acaba expulso. Dunga anuncia saída do comando da seleção

A segunda era Dunga na seleção, com o capitão da Copa de 1994 como técnico, terminou com o Brasil eliminado nas quartas, como em 2006. A vitória de 2 a 1, de virada, levou a Holanda à semifinal contra o Uruguai. A seleção foi para o intervalo na frente, com o gol de Robinho após passe de Felipe Melo. Na segunda etapa, o volante marcou contra (falha dele e do goleiro Júlio César), assistiu à cabeçada de Sneijder no segundo gol holandês e foi expulso por dar um pisão em Robben.

O Estado de São Paulo
"Brasil de Dunga é eliminado"

Seleção perde de virada para a Holanda por 2 a 1, mostra descontrole emocional e procura para 2014

A seleção brasileira foi eliminada da Copa ao ser derrotada pela Holanda, de virada, por 2 a 1. O time fez um bom primeiro tempo, mas mostrou desequilíbrio emocional no segundo – cujo ápice foi a expulsão de Felipe Melo, jogador que melhor representava os “guerreiros” da equipe do técnico Dunga. Foi de Melo, ainda, o primeiro gol holandês, em falha grosseira dele e do goleiro Julio Cesar. “Como comandante, eu acho que a culpa é de todos nós. Eu assumo a maior parte”, disse Dunga, que deixou a seleção – Mano Menezes é o preferido da CBF para substituí-lo. Restou ao treinador celebrar o que chamou de resgate do "amor à camisa” na seleção.

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sexta-feira, julho 02, 2010

Sem comentários

Notícias da Copa do Mundo

Brasil 1 x 2 Holanda

Sidney Borges
Acabou a festa. Acabou a Copa. Acabou a "II Era Dunga". Agora não adianta chorar, quem não faz, toma, dizia Neném Prancha, filósofo brasileiro. Os fatos não se repetem, jogamos burocraticamente em 1994 e acabamos campeões. Desta vez também jogamos burocraticamente e fomos eliminados. Quem sabe o que vai acontecer em 2014? Copa sem o Brasil não tem a menor graça, vamos, portanto, mudar de assunto. A canoa do Ubatuba Víbora volta hoje da África do Sul com farta provisão de taínhas defumadas e um bom estoque de "ubatubana" para esquecer a derrota. Fred-Brasil está inconsolável. Reproduzo abaixo o texto que postei ontem a propósito do jogo de hoje.

Holanda, um espeto!

Confesso que eu preferia enfrentar a Alemanha, ou mesmo a Argentina. A Holanda me mete medo, é das raras seleções que não treme diante do Brasil. O fato de eu temer tanto o time alaranjado talvez seja fruto daquele jogo de 1974, na Alemanha, quando o Brasil levou dois gols na semifinal e foi disputar o terceiro lugar contra a Polônia.

A Holanda tinha um time fantástico, o técnico do Palmeiras, Osvaldo Brandão, foi à Europa assistir à final da Copa dos Campeões, vencida pelo Ajax. Ao retornar alertou para o futebol diferente dos holandeses. Falou sozinho!

O estilo que ficou conhecido como "carroussel" era baseado em marcação por pressão e muita troca de bola na intermediária, até que uma brecha na defesa surgisse para a entrada de Cruyff. Nem tudo é perfeito, os holandeses não se davam bem contra adversários que sabiam esconder a bola.

O sucesso deles baseava-se em roubar a gorduchinha e armar contra-ataques rápidos. O técnico Zagalo tinha um jogador com cola nos pés, Ademir da Ghia, mas teimoso qual a mãe do sarampo, não o utilizou.

Dunga é mais radical do que Zagalo, não levou alternativas com criatividade para o meio de campo. Mas tem sido vitorioso, o que lhe dá cacife para continuar gauche. Viva Dunga e seus comandados. Viva o Brasil! Mas que eu continuo com a pulga atrás da orelha, é um fato.

Em tempo, depois de perder da Holanda, em 1974, também perdemos da Polônia e acabamos em quarto lugar.

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Copa do Mundo


Jabulani cúbica

Sidney Borges
A Holanda empatou e virou. Difícil, está ficando difícil, 2 a 1 para os laranjas e, de quebra, Felipe Melo expulso. Mas como o jogo só termina quando acaba, a esperança persiste nos corações dos moradores da Mata Atlântica. Força aí pessoal! Avante!

Ubatuba

Deu em O Globo

Ensino médio está pior do que o fundamental

Índice de Desenvolvimento da Educação Básica mostra avanço nas séries iniciais, mas, nas últimas, nota foi de 3,6

Demétrio Weber
O ensino brasileiro deu sinal de melhora, mas o avanço perde força entre os estudantes mais velhos.

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica de 2009 (Ideb), divulgado ontem pelo Ministério da Educação, mostrou que a maior elevação ocorreu nas séries iniciais do ensino fundamental (1 ao 5 ano), com aumento de 4,2 pontos, em 2007, para 4,6, em 2009, antecipando inclusive a meta estabelecida para 2011.

Nas séries finais do ensino fundamental (6 ao 9 ano), o acréscimo foi de 3,8 para 4. O ensino médio teve o pior desempenho: a nota passou de 3,5 para 3,6, numa escala que vai de 0 a 10.

O Ideb é um indicador criado pelo MEC para medir a qualidade dos sistemas de ensino público e privado. Ele considera as notas dos alunos na Prova Brasil/Saeb e o índice de aprovação nas escolas. Para o MEC, o resultado foi positivo.

- O fantasma da queda de qualidade, que nos assombrou até o começo dos anos 2000, está ficando para trás - disse ontem o ministro Fernando Haddad, ao anunciar os resultados. - Estamos distantes da nossa meta final, mas estamos com uma trajetória consistente, já pelo quarto ano consecutivo. Não é hora de esmorecer. É tentar acelerar o ritmo das mudanças.

O avanço captado pelo Ideb não significa que o nível de aprendizagem nas escolas brasileiras seja bom. Longe disso. A Prova Brasil/Saeb, usada no cálculo do índice, avalia conhecimentos de português e matemática a cada dois anos. A nota média dos alunos do 5 ano do ensino fundamental em português foi de 184,3 pontos, numa escala de até 400.

A nota dos estudantes do 3 ano do ensino médio foi 268,8, na escala até 800. Em todos os níveis, no entanto, houve progresso. Em 2009, apenas 75,9% dos alunos de nível médio passaram de ano. Nas séries finais, 81,3%. Nas iniciais, 88,5%. Os indicadores de fluxo também melhoraram em relação a 2007.

Ao criar o Ideb, o ministério reconheceu que o Brasil estava mais de uma geração atrás dos países desenvolvidos na área do ensino. Por isso, traçou como meta chegar a 2021, véspera do bicentenário da Independência, com o mesmo nível de aprendizagem atingido pelo mundo desenvolvido em 2003.

No modelo matemático que está por trás do Ideb, isso equivale a obter nota 6 no Ideb de 2021. De 2005, quando o índice foi calculado pela primeira vez, até 2021, foram traçadas metas bienais. São essas metas que foram superadas em 2007 e 2009.

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Merenda Escolar

MP: fornecedoras de merenda financiavam campanhas em SP e MG

Hermano Freitas
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) informou nesta quinta-feira que empresas de fornecimento de merenda escolar para as prefeituras das capitais de São Paulo e Minas Gerais, além de outras 28 cidades, procuravam o candidato melhor colocado na eleição municipal e ofereciam financiamento para a campanha. Quando ele assumia o cargo, favorecia a empresa, privilegiando o contrato de fornecimento de alimentos para escolas.

"Temos prova de que isso aconteceu na gestão de Gilberto Kassab (São Paulo) e também em Belo Horizonte", disse o promotor Silvio Antônio Marques, titular da Promotoria de Patrimônio Público do MP. O esquema de fraude pode atingir R$ 300 milhões ao ano. Segundo o MP, o dinheiro é pago em propina para empresas e funcionários públicos envolvidos no fornecimento de merenda escolar para instituições municipais.

Segundo Marques, os empresários combinavam entre si a divisão dos mercados de modo que, se um tinha o fornecimento de uma cidade, o outro ganharia a licitação em outra cidade de mesmo porte. As empresas fornecedoras combinavam os preços e superfaturavam os valores.

Nesta quinta-feira, foi realizada operação de busca e apreensão em 21 endereços. Um homem foi preso por posse ilegal de arma de fogo na capital paulista. Foram apreendidos documentos, computadores, entre outros objetos que serviriam de provas no caso.

"Toda picaretagem que a gente vê na pratica da bandidagem comum foi constatada neste esquema de corrupção", disse o promotor Arthur Pinto Lemos, do Grupo de Delitos Econômicos do MP (Gedec).
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Coluna do Celsinho

Iscas

Celso de Almeida Jr.
Um conflito entre o prefeito e os representantes dos pescadores de Ubatuba tirou o brilho da Festa de São Pedro deste ano.

Ficou claro que o pano de fundo do imbróglio foi político.

Reproduzo parte do texto publicado no jornal Imprensa Livre com a opinião do vice-prefeito Rui Teixeira Leite sobre o caso:

“Estive desde sexta feira nessa arena maravilhosa montada na Praça de Eventos e, independente de questões políticas, temos de ficar felizes pela beleza que foi a 87ª edição da Festa de São Pedro�€ , completou Rui, pedindo que a sociedade colabore cada vez mais em prol de eventos deste porte, que são fundamentais para o desenvolvimento do turismo na baixa temporada.”

Quer saber, prezado leitor?

Acho que ele está coberto de razão.

Aliás, já escrevi que considero a postura cotidiana do Rui um exemplo que deveria ser seguido pelo prefeito.

Fico admirado como um cidadão com um histórico eleitoral vitorioso como Eduardo César morde certas iscas.

Será que ele esquece que as lideranças sindicais têm profunda habilidade na condução de questões políticas?

Será que não assimilou, ainda, qual foi a base da ação que levou Lula à Presidência da República?

Ora, todos já conhecem o temperamento do prefeito.

Tido como Super Homem, não gosta de levar desaforos para casa, reagindo muitas vezes com o fígado.

Uma pena, realmente.

Tivesse um pouquinho mais de maturidade, minimizaria as tensões, atenderia a demanda dos pescadores, promoveria a paz, enfim, conseguiria o que o Rui sugeriu: “que a sociedade colabore cada vez mais...”

Pois é...

Não vejo com bons olhos confrontos desta natureza, com ofensas recíprocas, decisões vingativas.

Soube que o prefeito Eduardo coordenará, no Litoral Norte, a campanha de Geraldo Alckmin para o Governo do Estado.

Boa oportunidade para avançar nas ações, amadurecer nas reações, colher bons frutos para Ubatuba.

Estou ficando velho, percebendo que o tempo vai ligeiro e descobrindo que desperdiçá-lo com gestos que não promovam a solidariedade e o desenvolvimento é erro lamentável.

Fui jovem, alimentei a esperança em dias melhores.

Vi poucos avanços.

Nossos filhos merecem uma classe política mais equilibrada.
 
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Opinião

Missão quase impossível

Editorial do Estadão
Com a escolha do deputado federal Antonio Pedro Índio da Costa (DEM-RJ) para compor, como candidato a vice-presidente da República, a chapa oposicionista encabeçada pelo ex-governador José Serra, completa-se, finalmente, o quadro sucessório e a campanha eleitoral entra em sua fase crucial, que culminará com a escolha, pelo eleitorado, dos que governarão o País nos próximos quatro anos. É de se registrar que a chapa do PSDB se constituiu, na undécima hora, como solução de uma crise que quase levou à ruptura da aliança com o Democratas, que se sentira excluído e humilhado com o anúncio da formação de uma chapa "puro-sangue" tucana, tendo como vice o senador paranaense Álvaro Dias.

O recuo dos tucanos apaziguou seus aliados e acrescentou à chapa oposicionista um político jovem, ligado ao mais recente e prestigiado movimento da sociedade civil - aquele que resultou no Projeto Ficha Limpa.

Permanece, no entanto, a grande dificuldade que enfrenta a candidatura José Serra, para tentar superar a candidatura Dilma Rousseff, em razão do que é sabido: não é com ela que Serra disputa, mas sim com Lula, que concorre por interposta pessoa ao terceiro mandato.

Tanto assim que o presidente deixou de usar suas habituais metáforas e alegorias para dizer, sem subterfúgios e pudor, que o nome "Lula" deverá ser lido pelos eleitores, na urna eletrônica, no lugar em que estiver escrito o nome "Dilma". Não poderia deixar mais clara a sua intenção. E aí está, justamente, o aspecto inusitado da atual campanha sucessória presidencial: a oposição enfrenta um candidato fortíssimo que não é candidato.

Nunca, na história deste país, houve eleições com estas características, por mais que na política contemporânea tenham surgido criaturas "inventadas" por líderes populares para sua sucessão. Tampouco abundam exemplos de transferência de votos, como as pesquisas indicam que acontecerá no pleito de outubro.

Quando o ex-governador José Serra se tornou candidato à sucessão presidencial, uma questão fundamental se colocou: qual seria o discurso da oposição - Que mensagem o candidato deveria transmitir ao eleitorado? Ninguém discutiu - como foi o caso de Dilma - o seu preparo para o cargo, reconhecido pelos próprios adversários, nem a sua experiência na gestão da coisa pública. Mas faltava a definição de um discurso que caracterizasse as alternativas da oposição a um governo chefiado por um presidente de popularidade imbatível.

A ideia contida no bordão "o Brasil pode mais" até que, num primeiro momento, pareceu um caminho interessante para o discurso oposicionista, já que não confrontava o presidente. Mas isso e o reconhecimento das qualidades da gestão lulista, que completava o quadro, não eram suficientes para conquistar a massa eleitoral que apoia o carismático presidente.

Como não poderia deixar de ser, todo o esforço da candidatura oposicionista consiste em fazer a confrontação entre pessoas reais - Dilma Rousseff e José Serra - comparando biografias e experiências na vida pública, na tentativa de mostrar que Lula, o mito, não está à disposição do eleitorado para ser eleito pela terceira vez. As pesquisas eleitorais indicam que esse esforço da candidatura oposicionista ainda não tem sido bem-sucedido e a campanha sucessória presidencial segue, exatamente, o rumo plebiscitário traçado pelo presidente Lula.
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Manchetes do dia

Sexta-feira, 02 / 07 / 2010

Folha de São Paulo
"Serra e Dilma mantêm empate"

Datafolha mostra tucano com 39% e petista com 38%; Marina Silva, do PV, está com 10% das intenções de voto

José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) permanecem empatados na corrida presidencial, mostra o Datafolha. O tucano tem agora 39%. A petista oscilou para 38%. Como a diferença está na margem de erro da pesquisa - de dois pontos percentuais -, há empate técnico entre Serra e Dilma. Marina Silva (PV) está com 10%. Para o levantamento, foram entrevistados 2.658 eleitores ontem e anteontem em todo o país. Em maio, Serra e Dilma tinham 37% cada um. Marina, 12%. A exposição do tucano no mês passado levou à manutenção do cenário -50% afirmaram ter visto propaganda de Serra. Em maio, foram 29%.

O Estado de São Paulo
"Gilmar Mendes concede 1ª liminar contra Ficha Limpa"

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes concedeu liminar que suspende os efeitos da Lei da Ficha Limpa para Heráclito Fortes (DEM-PI). O senador poderá se candidatar em outubro, apesar de existir contra ele uma condenação pelo Tribunal de Justiça do Piauí por condutas supostamente lesivas ao patrimônio público. De iniciativa popular, a lei, que está em vigor desde o mês passado, torna inelegíveis os já condenados pela Justiça. A decisão de Mendes deve provocar uma corrida de políticos barrados ao STF. O prazo para registro de candidaturas termina na próxima segunda-feira.

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quinta-feira, julho 01, 2010

Copa do Mundo

Holanda, um espeto!

Sidney Borges
Confesso que eu preferia enfrentar a Alemanha, ou mesmo a Argentina. A Holanda me mete medo, é das raras seleções que não treme diante do Brasil. O fato de eu temer tanto o time alaranjado talvez seja fruto daquele jogo de 1974, na Alemanha, quando o Brasil levou dois gols na semifinal e foi disputar o terceiro lugar contra a Polônia.

A Holanda tinha um time fantástico, o técnico do Palmeiras, Osvaldo Brandão, foi à Europa assistir à final da Copa dos Campeões, vencida pelo Ajax. Ao retornar alertou para o futebol diferente dos holandeses. Falou sozinho!

O estilo que ficou conhecido como "carroussel" era baseado em marcação por pressão e muita troca de bola na intermediária, até que uma brecha na defesa surgisse para a entrada de Cruyff. Nem tudo é perfeito, os holandeses não se davam bem contra adversários que sabiam esconder a bola.

O sucesso deles baseava-se em roubar a gorduchinha e armar contra-ataques rápidos. O técnico Zagalo tinha um jogador com cola nos pés, Ademir da Ghia, mas teimoso qual a mãe do sarampo, não o utilizou.

Dunga é mais radical do que Zagalo, não levou alternativas com criatividade para o meio de campo. Mas tem sido vitorioso, o que lhe dá cacife para continuar gauche. Viva Dunga e seus comandados. Viva o Brasil! Mas que eu continuo com a pulga atrás da orelha, é um fato.

Em tempo, depois de perder da Holanda, em 1974, também perdemos da Polônia e acabamos em quarto lugar.

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Pra frente Brasil


Na Mata Atlântica

Sidney Borges
Tirei essa foto da varanda aqui de casa, antes tive de espantar o sabiá que não saía da frente. Ele fica bravo quando não ponho banana no muro. Parece dizer:

- Estou com fome, como ousas não me alimentar?

Com toda razão, fui eu que iniciei a conexão, agora não posso mudar as regras no meio do jogo. Tenho, além do sabiá, dois gatos e um cachorro, o famoso Brasil. Ontem ele protagonizou uma cena inusitada, parou como fazem os cães de caça, com o rabo em linha horizontal e a pata direita dobrada, tendo na altura do focinho um beija-flor filhote. Durante um intervalo de tempo curto, mas longo o suficiente para que eu tivesse a certeza de estar presenciando um fato raro, cachorro e beija-flor se entreolharam, bico no fuço, fuço no bico.

Depois da encarada o beija-flor saiu de cena com velocidade de executivo japonês. Brasil deitou-se e dormiu sonhando coisas de cachorro, corridas, perseguições e de vez em quando um sobressalto que o faz levantar-se assustado e sair farejando o leão. Ou seria a onça?

Acho que a agitação da bicharada é pura tensão, estão todos esperando o jogo contra a Holanda. Enquanto o tempo vai passando a bandeira tremula na Mata Atlântica e o mar murmura através das ondas: Pra frente Brasil. Pois é isso mesmo: Pra frente Brasil. melhor engolir um Dunga do que ver um Maradona pelado. Valha-me Nossa Senhora!

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Opinião

Promessas da criatura

Editorial do Estadão
A criatura pode fazer mais que o criador, mas sem dispensar sua ajuda, segundo a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff. Ela prometeu, se eleita, realizar uma reforma para reduzir a zero a tributação dos investimentos e de insumos essenciais à produção e ao desenvolvimento, como a eletricidade. O presidente Lula em breve completará oito anos de governo sem ter reformado o sistema tributário. De fato, ele não produziu nenhuma grande transformação institucional, porque nunca se dispôs a negociar um projeto politicamente complicado. Logo, a candidata oficial deve julgar-se mais preparada para a tarefa que o inventor de sua candidatura. Segundo a ex-ministra, Lula poderá ajudá-la a obter a aprovação de reformas, participando da vida política na condição de ex-presidente. Como poderá ajudar, ela não explicou. O que não fez em oito anos no poder, ajudará interposta pessoa a fazer em quatro?

As mudanças tributárias prometidas pela candidata petista foram discutidas e propostas por especialistas há muitos anos e têm sido reivindicadas há longo tempo pelo setor privado. Não há em seu discurso nenhuma ideia nova. Também não há nenhuma grande inovação positiva em seu currículo. Numa entrevista gravada para a TV Cultura, ela disse haver coordenado todos os programas do governo Lula e apontou esse trabalho como prova de sua experiência administrativa. O balanço desse trabalho, no entanto, é devastador para a reputação de qualquer gerente. Projetos de grande importância para o País - como o da reforma tributária - acabaram desfigurados e empacados no Congresso. Alguns, como o das agências de regulação, foram combatidos nos seus pontos mais positivos, porque vários ministros do governo petista, incluída a candidata à Presidência, nunca aceitaram a ideia de autonomia operacional. A experiência nos países desenvolvidos mostra a importância dessa autonomia para o bom funcionamento das agências. Mas o governo Lula preferiu incluir as agências no loteamento político do setor público.

Pode-se também avaliar a experiência administrativa da ex-ministra pelos números do Programa de Aceleração do Crescimento, um dos grandes fiascos de sua carreira gerencial. Desde o lançamento do programa, em 2008, até o mês passado, o Tesouro só investiu no programa R$ 43,8 bilhões, 47% do previsto para o período. A candidata Dilma Rousseff chefiou a Casa Civil até 31 de março e deixou o governo em seguida para cuidar só da campanha eleitoral, mas o padrão administrativo do Planalto não mudou.

Neste ano, de janeiro a maio, a execução foi bem melhor que nos anos anteriores, mas, apesar disso, o total desembolsado pelo Tesouro, R$ 7,1 bilhões, correspondeu a modestíssimos 25% do total previsto para o programa no Orçamento.

Como de costume, o total investido pelas estatais - e não incluído nessa conta - dependeu quase exclusivamente de uma empresa, a Petrobrás. Mas os projetos dessa empresa nunca dependeram de fato da coordenação do PAC. Se dependessem, teriam emperrado. Quando se considera o total de investimentos sob responsabilidade do Tesouro - R$ 62,3 bilhões em 2010 -, o resultado é igualmente desabonador: só R$ 15,3 bilhões, 25% do valor autorizado para o ano, foram liquidados até maio, e isso inclui restos a pagar.

Como administradora, a candidata petista é uma representante fiel desse padrão gerencial. Em relação a reformas importantes e complexas, seu currículo de realizações é tão bom quanto o do presidente Lula, isto é, praticamente nulo.
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Manchetes do dia

Quinta-feira, 01 / 07 / 2010

Folha de São Paulo
"Serra cede ao DEM e muda vice"

Sob pressão de partido aliado, candidato troca senador do Paraná por deputado carioca sem expressão nacional

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, cedeu à pressão do DEM e aceitou indicação do partido para vice em sua chapa. Será o deputado Índio da Costa, 39, "cria" do ex-prefeito Cesar Maia, nome sem expressão nacional e nunca antes cogitado para o posto. A decisão de Serra, que desde sexta tentava convencer o DEM a aceitar o tucano Álvaro Dias (PR), surpreendeu até os aliados próximos. A opção Índio da Costa surgiu de reunião na madrugada de ontem, na qual venceu a tese de que o vice deveria ser do Rio ou de Minas. Serra preferiu um nome da "nova geração".

O Estado de São Paulo
"Serra cede ao DEM e aceita vice ligado a Cesar Maia"

Deputado Índio da Costa é escolhido após crise deflagrada há cinco dias com indicação do tucano Álvaro Dias

Sob pressão do DEM e diante do risco de desmonte da própria candidatura presidencial, o PSDB trocou a indicação do senador tucano Álvaro Dias (PR) pela do deputado federal Antônio Índio da Costa (DEM-RJ) para o posto de vice-presidente na chapa de José Serra. Após cinco dias de desgaste na aliança, foi fechado, no limite do prazo permitido pela Lei Eleitoral, o acordo que renderá à coligação mais 3 minutos no programa de rádio e TV. Se não houvesse entendimento até a meia-noite de ontem, Serra disputaria a eleição contra Dilma Rousseff (PT) apoiado apenas por PPS e PTB, além de seu próprio partido. Serra anunciou Índio da Costa, ligado ao grupo político de Cesar Maia, como "peça fundamental na aprovação do projeto Ficha Limpa".

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quarta-feira, junho 30, 2010

Sofá-cama


X
Carro que vira avião em 30 segundos é aprovado nos EUA

BBC Brasil
A Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos aprovou a produção de uma aeronave também preparada para andar como um carro nas ruas.

O veículo recebeu aprovação para ser produzido como uma aeronave esportiva leve, apesar de pesar cerca de 50 quilos a mais do que o permitido na categoria.

Nesse tipo de categoria, é preciso apenas 20 horas de voo para se obter uma licença.

Mas a Terrafugia, a empresa que criou o protótipo do Tansition, disse que era impossível colocar todos os equipamentos de segurança exigidos para um carro desse tamanho respeitando o limite de peso e acabou conseguindo que a autoridade reguladora da aviação no país abrisse uma exceção e aprovasse o monomotor.
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Ramalhete de "causos"

Lembranças do Mané Hilário

José Ronaldo dos Santos
Conforme o tema do texto anterior (A ilha de Joatão), achei por bem dar aos leitores mais alguma coisa do levante da Ilha Anchieta. Aproveito deste momento para homenagear um antigo caiçara –o nosso Manoel Hilário Filho. No próximo dia 1º de dezembro ele completará 102 anos. É uma de nossas memórias vivas; mora na rua Amaral Viana; bem no centro. O que transcrevo a seguir é parte de uma entrevista realizada há quase 10 anos. Eis o que ele falou sobre o levante de 1952:

“Ah, rapaz! O susto que nós levemo e a carreira que nós levemo! Nós tava trabalhando numa casa lá no Perequê-açu. Tava em cima da casa botando telha, quando a dona Suzana, esposa do Zé Dito da Pensão Imperial, chegou chamando o marido: ‘Ai, vamos embora! Vamos embora, gente, por favor, pelo amor de Deus. Os presos da ilha mataram uma trancada de gente na ilha e vem uma escorta de preso tudo armado aí, dando tiro, morrendo gente por todo lado’. Escorreguemos pela escada abaixo, e, olha [fazendo zip com as mãos] nós tudo! E quando chegou naquele morrinho da descida do morro da Prainha, no caminho do Perequê-açu pra cá, encontremo um sordado...poliça. Mas tava que não se aguentava mais. Se nós não faz bonito, nós ia...era morto na mão dele. ‘Nós viemo do Perequê-açu’. ‘Vocês não são preso?’. ‘Não. Que preso?!? Já viu preso trabalhar?’. ‘Não. Fala direito aqui pra nós’. Nessa hora chegou o poliça –outro poliça. Prendeu esse. Foi embora pra cadeia –preso; no outro dia tocaro ele embora pra São Paulo. Se não é o homem, é capaz de ser fuzilado lá, de ele matar nós. Porque nós não podia fazê força porque ele tava armado, né? E queria, tentando, encostando o fuzil em nós. E queria saber. Nós falava pra ele e contava: ‘Nós não tamo sabendo de nada. Nós vem embora porque precisamos ir embora; já cabemo o serviço”. (...) “Aqui não aconteceu nada com ninguém. Só aconteceu lá na ilha, lá. Lá na ilha os poliça mataram um bocado deles lá. Eles mataram poliça. Pintaram o caneco lá, mas pra cá não deu nada não”.

É isso, pessoal! A cidade ainda tem muitas pessoas que podem contar as suas experiências e recontar outras tantas que os mais antigos viveram. Meus agradecimentos aos familiares do Mané Hilário, pois dão um ótimo exemplo de amor àquele que faz parte do alicerce da cultura caiçara.

Para terminar, recomendo como leitura o volume 4 da Enciclopédia Caiçara, produzido pela Nupaub (USP).

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Opinião

A Noruega tropical de Lula

Editorial do Estadão
Convidado pelo Financial Times (FT)de Londres a fazer uma avaliação do seu governo e a antecipar o que pretende fazer depois de deixar o Planalto, no primeiro dia de 2011, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu com um artigo de 700 palavras, publicado ontem em um suplemento especial sobre o Brasil.

Trata-se de uma versão comparativamente austera, como convém aos textos do mais influente diário econômico do mundo, da exuberante teoria do "nunca antes na história deste País", complementada pela promessa de "continuar a contribuir para a melhora da qualidade de vida das pessoas" ? desta vez no mundo inteiro.

Mas a megalomania se livra dos arreios quando, para justificar o seu intento de fazer pelos latino-americanos, caribenhos e africanos o que se vangloria de ter feito pelos brasileiros, Lula não deixa por menos: "Não podemos ser uma ilha de prosperidade cercada por um mar de pobreza e injustiça social."

Sejam quais forem as evidências que ele queira enfileirar sobre os progressos dos últimos anos da economia brasileira e das condições de vida da população - e seria pueril, ou desonesto, negá-los -, Lula fala do Brasil, 75.º colocado no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), como se fosse uma Noruega.

O país nórdico lidera o ranking criado pelas Nações Unidas e gasta proporcionalmente mais do que qualquer outro país em ajuda externa. Na realidade, já descontados os Estados Unidos e o Canadá, 16 países do Hemisfério têm um IDH melhor que o brasileiro.

Como era de esperar, Lula credita exclusivamente ao seu governo o fato de o Brasil sangrar em saúde. O que veio antes foi como se não tivesse existido, ou, quando existiu, foi contraproducente. "Devolvemos o crescimento a uma economia de há muito estagnada", alardeia, "e o fizemos mantendo a inflação sob controle, reduzindo a relação entre a dívida e o PIB e reconstruindo as funções reguladoras do Estado brasileiro."

O papel, como se diz, aceita tudo. Nem a conjuntura internacional excepcionalmente favorável a exportadores de produtos primários e insumos, como é o Brasil, nem, muito menos, a decisão de Lula de se apropriar da "herança maldita" do governo Fernando Henrique, na esfera macroeconômica, precisam ser reconhecidas - o que não há de ter escapado àquela parcela dos leitores do Financial Times que sabe que a história do País não começou quando o atual presidente chegou ao Planalto.

Além de se atribuir a paternidade pelo "novo Brasil", título do caderno especial do FT, Lula fez pelo menos 2 gols em impedimento, na esperança de que os árbitros estivessem olhando para o outro lado. A afirmação sobre a reconstrução das funções reguladoras do Estado nacional é mais do que falsa. O que o lulismo tem feito com as agências reguladoras é privá-las de sua autonomia e manipular a sua composição para atender aos interesses do governo e seus aliados políticos e politiqueiros. A isso se chama destruir e não reconstruir.

O leitor distraído pode tomar pelo valor de face o que Lula escolheu dizer sobre a transformação material do País, mas os investidores sabem perfeitamente quanto há de embromação nas seguintes palavras: "Pusemos em marcha um processo poderoso de melhorar nossa infraestrutura (?). Como parte disso, estamos eliminando os gargalos que afetavam nossa competitividade no passado - o que costuma ser chamado "custo Brasil"."
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Manchetes do dia

Quarta-feira, 30 / 06 / 2010

Folha de São Paulo
"Patrocínio para viagem de médico será limitado"

Laboratórios poderão pagar despesas apenas em alguns casos, decide conselho

O Conselho Federal de Medicina vai limitar viagens de médicos para congressos com despesas pagas pela indústria farmacêutica, relata Cláudia Collucci. Estará liberado só quem der palestras ou cursos nos eventos. O presidente do CFM, Roberto D' Ávila, afirma que a decisão é um caminho sem volta. Se não houver acordo com os laboratórios, ela virá em forma de resolução. Segundo D'Ávila, a ideia é criar regras transparentes. Estudos mostram que, ao oferecerem favores, determinadas indústrias obtêm vantagens na prescrição de produtos. Médicos concordam em evitar abusos, mas temem prejuízos à atualização profissional.

O Estado de São Paulo
"Deputados querem cancelar 55 mil demissões incentivadas"

Relator diz que 15 mil servidores foram 'coagidos' a sair em 96; outra iniciativa recontrata 40 mil de estatais

Dois projetos em tramitação na Câmara propõem reintegrar servidores públicos 14 anos após terem aderido a programas de demissão voluntária, informam as repórteres Denise Madueño e Lu Aiko Otta. O primeiro projeto beneficia 15 mil ex-funcionários da administração direta, de autarquias e de fundações. Considerando-se salário médio de R$ 7.500, a proposta representaria gasto extra de R$ 1,4 bilhão por ano. O outro projeto permite recontratar 40 mil ex-funcionários “arrependidos” que trocaram o trabalho em estatais como Banco do Brasil e Petrobrás. Os defensores das iniciativas argumentam que os servidores foram coagidos a aderir aos programas de demissão. O relator do primeiro projeto na Comissão do Trabalho, Sebastião Bala Rocha (PDT-AP), disse que, em 1996, houve uma "sanha demissionária" na administração, iludindo os servidores e induzindo-os a tomar decisão precipitada. O autor do projeto, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), disse que o governo não forneceu os empréstimos e o treinamento prometidos no programa.

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terça-feira, junho 29, 2010

Vida

Mistério total

Sidney Borges
Goleiro Bruno, Danna de Teffé, Leopoldo Heitor e Teresa Dianda de Lara Campos. O que essas pessoas têm em comum, além de estarem mortas, menos o Goleiro Bruno que está vivo, mas metido numa enrascada de dar gosto. Leopoldo Heitor matou Danna de Teffé. todo mundo afirmava isso, mas ninguém jamais provou. Sem corpo não há crime e o corpo da milionária Tcheca jamais foi encontrado. Quem garante que ela não foi abduzida e hoje vive feliz e altaneira na borda da Galáxia? Teresa Dianda de Lara Campos foi assassinada na Via Anchieta. Na sociedade paulistana muito se comentou sobre a autoria do crime. Nada foi provado e o arquivo do caso tem um carimbo onde se lê: "sem solução". Um grã-fino, já um tanto alto, me contou, no Plano's Bar, que o assassino estava na nossa mesa. Em seguida apontou para... Não vou dizer o nome, seria indiscrição de minha parte, em sociedade tudo se sabe, tudo se comenta. O Goleiro Bruno não é vip e vai ter de explicar o desaparecimento da ex-namorada, principalmente se o teste de DNA provar que ele é o pai da criança que ela afirmava ser dele, o que parece tê-lo aborrecido. E enfurecido. O imbróglio poderá torná-lo ídolo em alguma penitenciária onde futebolistas são importantes e gozam de privilégios, como acontece fora das grades. A breve existência mundana é simples. Há os que matam e são condenados, outros matam e ficam livres, mas no final da história todos morrem, bandidos, mocinhos, o diretor do filme e o lanterninha do cinema. Ninguém escapa. That's life...

The End

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Educação

Uso de apostilas melhora nota de alunos de escolas públicas de SP

Folha.com
Alunos de escolas públicas municipais de São Paulo que usam apostilas de sistemas de ensino estatais ou privados se saem melhor que os demais na Prova Brasil, segundo reportagem de Antônio Goes publicada na edição desta terça-feira da Folha (íntegra somente para assinantes do jornal ou do UOL).

De acordo com o texto, o uso de material elaborado por sistemas de ensino tem crescido em São Paulo, e hoje 46% dos municípios do Estado utilizam o material substituindo ou complementando livros didáticos. São, em sua maioria, cidades de pequeno porte que gastam de R$ 150 a R$ 200 por aluno por ano para usar um sistema de ensino.

Os defensores do uso de sistemas argumentam que eles trazem orientações claras para os professores sobre o planejamento das aulas. Os críticos lembram que eles não são avaliados pelo MEC (como acontece com livros didáticos) e representam um gasto extra, já que os livros são dados pelo ministério.

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Deu em O Globo

O fator Palocci

De Merval Pereira
Uma das maiores incógnitas dessa campanha é qual será a função do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci num eventual governo Dilma Rousseff. Colocado como um dos coordenadores da campanha oficial pelo próprio presidente Lula, Palocci vem assumindo importância cada vez maior como avalista de posições ortodoxas na economia, especialmente no contato com empresários.

Palocci vai além de tentar convencer os indecisos, ou mesmo os que tendem a votar em Serra, dos compromissos de Dilma com o tripé que sustenta a política econômica que vem desde o segundo governo de Fernando Henrique: câmbio flutuante, equilíbrio fiscal (superávit primário) e metas de inflação, com um Banco Central operacionalmente independente.

O ex-ministro, com frequência, alerta os empresários para o que seria o "risco Serra" que estaria embutido no que classifica de visão intervencionista do candidato tucano — que não se cansa de insinuar que, em um governo seu, o Banco Central não terá uma autonomia tão grande quanto vem tendo nos últimos anos.

Também as críticas de Serra quanto ao câmbio, que agradam muito aos exportadores que sofrem com a valorização do real, levam os governistas a apontarem riscos de uma intervenção governamental no câmbio.

Em ambos os casos, Serra insiste em que não haverá intervenção de seu governo para criar situações artificiais, mas uma política econômica harmônica que levará a uma situação de equilíbrio que não obrigará o governo a pagar altos juros para o investidor.

Assim como o governo usa Palocci para sinalizar sua postura, Serra tem usado o nome do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga como exemplo de economista que gostaria de ter em sua equipe.

Essa é uma discussão técnica que não dá um voto na maioria da população, mas que é fundamental para um tipo de eleitor formador de opinião e a classe média, que sempre rejeitaram posturas heterodoxas petistas, a ponto de terem obrigado Lula, em 2002, a assinar a "Carta aos Brasileiros", assumindo o compromisso de manter a política econômica de Fernando Henrique.

Por outro lado, o candidato tucano, José Serra, tem fama de ser um grande gestor público, especialista em manter o equilíbrio fiscal com ganho de produtividade e corte do gasto público. (Do Blog do Noblat)

Leia a íntegra do artigo em O fator Palocci

Nota do Editor - Palocci vai alertar os empresários dos riscos representados pelo esquerdismo de Serra. Os mercados temem mudanças que possam alterar a sensatez conservadora do governo Lula, ortodoxo até à medula. Enquanto isso a militância petista sonha com o porvir socialista de um eventual governo Dilma. O sonho nunca acabará, mas será sempre um sonho, a realidade é completamente oposta. "Nunca um governo fez tanto pelo capitalismo como o atual. Isso é o que conta, o que interessa é o que eles fazem, não o que eles dizem". Palavras de um banqueiro que prefere o anonimato. (Sidney Borges)

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Opinião

Ficha Limpa e participação política

Lourdes Sola - O Estado de S.Paulo
A história das democracias modernas inclui transformações que, por serem incrementais e levadas a cabo sem uma escalada de conflitos, constituem "revoluções silenciosas". São gestadas por mudanças difusas nas preferências coletivas, culminam na formação de consensos abrangentes e em novos critérios de legitimação política. Assistimos a um ciclo desse tipo em nossa região em tempos de inflação.

No Brasil a estabilidade econômica foi adquirindo valor de um bem público para vários estratos sociais e visibilidade para gestores e políticos eleitos: na esteira de frustrações, de experimentações macroeconômicas e dos debates que se seguiam. Parte do sucesso deveu-se ao caráter transversal do impulso renovador, para além das fronteiras de classe. Mas sempre na contramão dos impulsos particularistas dos interesses organizados então dominantes, sindicais ou patronais - a nossa modalidade de "coalizão inflacionária".

O ciclo transformador culminou com a URV e o Plano Real, mas não se esgota em sua dimensão econômica. Primeiro, pelo método inédito de relacionamento com a cidadania. Além de dispensar sigilos e surpresas de choque, seus arquitetos se valeram da participação cooperativa da cidadania no novo experimento monetário. Sem a qual a incorporação da URV aos cálculos quotidianos da população e a passagem para o real não teriam ocorrido. Seguiram-se outros efeitos extraeconômicos. A Lei de Responsabilidade Fiscal instituiu novas modalidades de accountability (responsabilização e prestação de contas) por parte dos gestores. O modus operandi da classe política e os termos da concorrência eleitoral mudaram, graças às evidências de que o populismo econômico com forte viés corporativista deixara de render dividendos eleitorais. Em 2002, nenhum dos candidatos de oposição questionou as medidas disciplinadoras do velho tipo de gastança. A Carta ao Povo Brasileiro e as políticas do primeiro mandato do presidente Lula completaram o ciclo. O saldo líquido foi a ressocialização da classe política: candidatos de esquerda, direita ou centro, hoje, fazem seus cálculos políticos com um olho no poder de fogo dos mercados e outro no do eleitorado.

A Lei da Ficha Limpa, como movimento social e como norma codificada, inaugura um ciclo transformador. Que pode ou não se completar. Minha hipótese, que defendo a seguir, é: por sua origem, lógica e dinâmica políticas, ela estabelece a exigência de um vínculo forte entre participação política e accountability, típica das democracias de qualidade. A ênfase exclusiva no primeiro termo dessa equação, sem o segundo, é a quintessência dos populismos com viés corporativista e autoritário.

Uma das características distintivas do Ficha Limpa enquanto modalidade de participação política é sua transversalidade: a mesma voz, de estratos sociais diversos, deu impulso à construção do consenso em torno do projeto. Além disso, é um movimento autônomo em relação aos atores políticos e ao modo de fazer política dominantes: impôs sua agenda à margem de um Executivo hiperativo e de um Congresso mais atento às suas prioridades e às do governo. Essa dinâmica perversa foi desarticulada (temporariamente), o projeto aprovado nas duas Casas, de olho no eleitorado. Mas é contra o pano de fundo do modo de fazer política dominante que a Lei da Ficha Limpa pode (ou não) operar uma revolução silenciosa. Primeiro, por sua autonomia e seu caráter apartidário. Contrasta, assim, com o destino de movimentos sociais que abdicaram de sua autonomia original, atraídos pela força gravitacional do Estado, manipulada eximiamente pelo governo como agente de redistribuição de recursos públicos. Atraídos, sobretudo, pelo privilégio da dispensa de prestação de contas e de responsabilização quanto ao uso desses recursos: caso das centrais sindicais, dos movimentos pela reforma agrária, das ONGs amigas.

Mas outro tipo de transversalidade dá alento a quem julga que a democracia brasileira pode mais. A codificação dos novos critérios de legitimação política continuará envolvendo também os atores do sistema de Justiça. O Tribunal Superior Eleitoral pronunciou-se, as ações contestatórias chegarão ao Supremo Tribunal Federal, sob o escrutínio do Ministério Público e dos meios de comunicação. O Tribunal de Contas da União lista os gestores sob suspeição. É essa dinâmica política que institui o que chamamos, no jargão da ciência política, a accountability horizontal - entre as instituições e os Poderes. Para diferenciá-la da modalidade vertical de responsabilização, exercida pela cidadania em relação aos Poderes constituídos. A Ficha Lima é um avanço em termos das duas modalidades. Por isso leva em seu bojo a exigência de um vínculo forte entre participação política e prestação de contas, seja aos Poderes constituídos, seja à cidadania.
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Manchetes do dia

Terça-feira, 29 / 06 / 2010

Folha de São Paulo
"Dilma terá tempo de TV 35% maior que o de Serra"

Aliança com o PMDB faz o PT ocupar pela 1ª vez o maior espaço no horário eleitoral dos candidatos à Presidência

A ex-ministra Dilma Rousseff, candidata do PT ao Planalto, ficará com 40% do tempo de TV destinado à propaganda eleitoral dos candidatos à Presidência, que começa em 17 de agosto. A fatia é 35% superior à que o tucano José Serra terá no horário gratuito. Trata-se de fato inédito na história do PT - o partido não ocupou o maior espaço na TV em nenhuma das cinco eleições presidenciais que já disputou: O predomínio se deu porque os petistas e seus aliados, principalmente o PMDB, elegeram mais deputados federais. Caso o DEM não confirme amanhã sua aliança com os tucanos, Dilma terá o dobro do tempo de Serra.

O Estado de São Paulo
"Proposta ressuscita aposentadoria integral para juiz e procurador"

CCJ do Senado discute volta do privilégio derrubado pela reforma da Previdência

Está pronta para ser votada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado uma proposta de emenda constitucional que ressuscita a aposentadoria integral para juízes, procuradores e defensores públicos, informa a repórter Edna Simão. O privilégio foi derrubado pela reforma da Previdência em 2003. De autoria do senador Eduardo Azeredo (PSDB), a PEC diz que, pela Constituição, os juízes não podem ter os “subsídios e proventos" reduzidos. Essa interpretação foi considerada um artifício por parlamentares e especialistas. Uma emenda já acatada pelo relator Marconi Perillo (PSDB) também garante o valor integral aos delegados de polícia.

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segunda-feira, junho 28, 2010

BRASIL 3 - CHILE 1


“Hay mucha distancia”

Bielsa, después del 0-3 con Brasil, afirmó que todavía es notable la diferencia entre los grandes equipos y los demás. "Es muy difícil asumir que esto ya no nos pertenece", agregó. Aclaró que no es el momento de hablar de su futuro, pero la lectura del Mundial es positiva.

Olé - Diario Esportivo
Conocemos al Bielsa que vive el partido con mucha intensidad, pero también conocemos al Bielsa que encara cada conferencia de prensa con tranquilidad, por más que por dentro se prenda fuego de alegría o se rompa el corazón de tristeza. Justamente, cuando se sienta de frente a las cámaras y a los micrófonos, Marcelo contesta con el respeto que lo caracteriza y sin levantar la voz. Luego del 0-3 ante Brasil y la eliminación, el Loco fue claro: “Quedó demostrado que las distancias entre los grandes equipos y nosotros existen”.

Nota do Editor - Tem razão o técnico do Chile, "El Loco Bielsa". Há uma enorme diferença permeando as escolas futebolísticas que se defrontaram nesta fase da Copa do Mundo. Entre Argentina e México não há como comparar, os argentinos são superiores. Assim também acontece com Brasil e Chile, o retrospecto é amplamente favorável ao Brasil. A próxima fase será diferente, Alemanha e Argentina são equipes de tradição, não dá para arriscar um prognóstico. O Brasil tem um osso duro pela frente, a Holanda atravessa um momento brilhante em que só conhece vitórias. Mas mesmo assim o time de Dunga é favorito, tem a melhor defesa da Copa, a mesma que deu o título europeu à Inter de Milão. E tem um ataque que não perdoa erros. Vamos assistir a dois jogos memoráveis nesta semana que começou excepcionalmente bem para o Brasil. (Sidney Borges)

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Fifa. Com "F" de fracasso...

Fifa proíbe replay de lances polêmicos em telões de estádios

Folha.com
Depois de um fim de semana repleto de gols polêmicos nesta Copa do Mundo, a Fifa resolveu tomar a primeira atitude: nesta segunda-feira, instruiu os responsáveis pela transmissão das partidas nos telões dos estádios a não colocarem replays de lances polêmicos a partir de agora.
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Nota do Editor - A Fifa reconhece a própria incompetência e age como o marido que encontrou a mulher fazendo amor com o amante no sofá e prontamente mandou queimar o sofá. Sem ter como resolver o problema das más arbitragens, a entidade futebolística faz coro ao dito popular: "o que os olhos não vêem, o coração não sente. Avestruz perde. (Sidney Borges)

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Gente fina é outra coisa!

Os 5 maiores golpistas financeiros da história

por Amanda Luz
Eles podem até parecer personagem de filme hollywoodiano, mas são homens da vida real que vislumbraram uma oportunidade de escalada financeira às custas dos outros. Usaram da sua credibilidade entre investidores para oferecer negócios com boa rentabilidade e puderam usufruir da estratégia até que o desmoronamento das bolsas revelasse um esquema fraudulento.

Desde a década de 20 há registro de fraudes financeiras como o de Carlo Ponzi, cujo nome veio a denominar a operação fraudulenta em pirâmide. Foi dos anos 90 pra cá, no entanto, que o mundo dos investimentos presenciou fraudes bilionárias. Confira quem são os 5 maiores golpistas da história.
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Coluna do Mirisola

Sítio Solidão

“Depois de ser despejado do Sítio Solidão, tenho vergonha da própria. Digo, da minha ex-solidão. Vergonha de andar pelas ruas de Copacabana. Tenho medo de não encontrar nossa tristeza, que era mais bela mesmo depois de a carta do Toquinho ter sido extraviada em 1974, nunca mais Vinícius nem Elizete para cantar as dores do amor demais. Que porra é uma Temakeria, pra que é que serve essa merda?”

Marcelo Mirisola*
Um imbecil com lenço de pirata na cabeça e duas garotas assustadas dentro de um aquário em forma de peido congelado. O arremedo de Thomas Cavendish fazia sua performance e tentava impressionar os pedestres executando malabarismos com lascas de peixinhos coloridos, constrangimento total. O susto foi grande não exatamente por causa do pirata de butique, mas pela invasão propriamente dita. Agora não lembro, mas eu acho que o chaveiro da esquina também se escafedeu. Eis o que sucede. Despejaram seu Antenor e dona Amarílis da mercearia, os velhinhos que me apresentaram o queijo minas do Sítio Solidão. No lugar deles, uma temakeria.

Para mim, o velório começou quando passei pelo falecido Ponto Azul, no mesmo quarteirão, lá na Xavier da Silveira, esquina com Nossa Senhora de Copacabana. Muito barulho, e porradas atrás dos tapumes.

Obras, business. Essa praga – pior que gripe suína, porque não existe vacina pra babaquice - começou faz uns dez anos na av. Pedroso de Moraes, em São Paulo, e espalhou-se descontroladamente pelo país. O termo adequado (que me dá ânsias de vômito), perfeito para o estrago que vem causando, é “releitura”. O primeiro boteco “relido” foi o Pirajá. São meus conterrâneos paulistas a estuprar o Brasil, mais uma vez. Agora, a volúpia bandeirante corre solta pelas ruas do Rio de Janeiro, os filhotes de Fernão Dias também chegaram na Lapa e transformaram o reduto da malandragem carioca num playground para mauricinhos metrossexuais desfilarem suas sobrancelhas e peitorais depilados. Um futuro de banheiros impecavelmente limpos, e milhões de televisores de plasma ligados dia e noite. Galvão Bueno é o novo Tio Sam replicado de norte a sul, de leste a oeste recrutando você para ser um guerreiro no país da Brahma. Três dólares um chope. Inferno! Enfiaram a Vila Madalena dentro da Lapa! Os putos vendem tremoço a preço de trufas da floresta negra e o freguês, opa!, quero dizer, o “cliente” não pode sequer pedir para diminuir o volume da televisão.

Bem vindos ao mundo dos bares cariocas que imitam a arquitetura paulista de demolição, digo os bares da Vila Madalena, inspirados em – pasme! - bares cariocas da metade do século passado. E o pior, o monstrengo se reproduz e pode se transformar em temakerias, gnomerias, pizzas de chocolate com borda recheada de esperma ou o diabo a quatro que o valha... porque nesses lugares nada de original acontece, aliás, desacontece: num lugar que o chope custa 3 dólares, chiclete não se mistura com banana. O Haiti é aqui. E a Tóquio mais infantilizada também.

Voltando a Copacabana.

Há pouco tempo, aquele quarteirão do cine Roxy era memória latente dos anos que eu e Cacá vivíamos felizes. Eu passava por lá, chutava tampinhas e entrava em suspensão. Um pouco por causa do João Antonio. Outro tanto porque era assim mesmo, alegria de graça. Os falecidos Ponto Azul e a mercearia de seu Antenor e dona Amarílis eram extensão da nossa felicidade, quando éramos Ginger & Fred antes da decadência e fingíamos que a cidade não turvaria. Ela me esperando no hall do prédio, amiga do zelador boiola. Eu, recém-chegado de um pôr do sol entre os postos 5 e 6, trazia areia nas canelas e a lembrança das mulatas grudadas na testa. Era nossa rotina. Cacá adivinhava minhas falcatruas, e eu a amava porque ela possuía os ais e os cais naquele olhar que primeiro me fuzilava para logo em seguida me perdoar de todos os pores de sóis desse mundo.

Rio de Janeiro, 2005, 2006. Vivíamos encantados. Todo final de tarde eu transformava a vida dela num inferno. Ela foi a primeira mulher da minha vida, digo mulher de verdade, e a partir de uma brecha na janela eu fingia que enxergava o Redentor e ela me achava um babaca, talvez por isso mesmo nossas tristezas e felicidades eram mais belas, como se Vinicius de Moraes nos abençoasse lá de Aruanda, no céu dos Orixás apaixonados.

Não me conformo. Meu sítio solidão virou temakeria. E agora tenho medo de atravessar a Bolívar e não mais encontrar o pudim de leite gigante no Madelon, nem o espanhol carrancudo que recusava cheques de outras praças e fazia questão de ignorar nossa felicidade. Tudo isso num raio de duzentos metros.

Aí nos separamos e eu fui morar no Grajaú. Claro, levei o Sítio Solidão comigo. E evitava Copacabana para conservar o amor num canto distraído da memória. Engraçado, as pessoas costumam ter déjà vu instantâneos. Eu não, lá na zona norte, por conta da minha implicância com flashs e insights, amarguei um ano de “déjà vus” intermitentes longe do nosso quarteirão encantado que incluía, além do meu Redentor desacreditado, o Panamá, um boteco genial na Domingos Ferreira. Onde o simpático Rogério, dono do pedaço de 30m², praguejava contra os direitos humanos e defendia a pena de morte enquanto eu - até aonde meu sotaque paulistano permitia - defendia as putinhas do calçadão, os ovos mal passados e pedia outra dose de uma bagaceira clandestina importada de Barra do Piraí. Atravessando a rua, bem na frente do Panamá, o melhor quibe do Brasil.

Antes de continuar, quero jurar - pelo Deus que Saramago vai ter que engolir - que essa não é uma crônica gastronômica; se vocês tiverem oportunidade não deixem de experimentar o quibe do Istambul: façam isso antes de o estabelecimento virar uma temakeria. Além do quibe, o Istambul tem história. Foi nesse mesmo árabe que, há seis anos, algumas lágrimas molharam meu rosto gordo na frente de uma garota sem coração. Ato contínuo ela me deu um pé na bunda, porque Deus existe somente para que os masoquistas, os trouxas e os comunistas possam amar: motivo mais do que plausível para se acreditar Nele e no Marquês de Sade, eu acho.

Um homem não chora todo dia na frente de uma mulher. Aliás, não era uma mulher e foi a primeira e a única vez que isso aconteceu na minha vida, e a idiota não entendeu nada. Também, no Istambul, tem um kafta de carneiro delicioso que pode vir acompanhado de arroz marroquino e babaganuch. Tudo perfeito, desde que a Cacá não fique sabendo dessa história das lágrimas: ela é muito ciumenta e nunca é demais lembrar que, segundo suas queixas, era eu o responsável por transformar a vida dela “num inferno”.

Ah, Cacá, não briga comigo.

Miguel me disse que você arrumou um negão depois que nos deixamos, eu compreendo. Se arrumasse um japonês aí eu começaria a duvidar do nosso amor, que se prolongava (uso a palavra propositadamente) até o forte de Copacabana, e passava necessariamente pela extinta boate Help, ah meu Deus, a Help foi o princípio do fim.

Eu sabia disso, eles começam destruindo os puteiros, e você escreve crônicas morais e cívicas, pede providências e os homens de bem acham que não têm nada com isso, depois confundem o narrador com o autor, cobram três dólares num chope e você paga, em seguida eles quebram o Ponto Azul e tudo bem, né? Até a hora que esses escrotos põem os velhinhos da mercearia para correr, invadem sua nostalgia e o expulsam de sua solidão.

Hoje, depois de ser despejado do Sítio Solidão, tenho vergonha da própria. Digo, da minha ex-solidão. Vergonha de andar pelas ruas de Copacabana. Tenho medo de não encontrar nossa tristeza, que era mais bela mesmo depois de a carta do Toquinho ter sido extraviada em 1974, nunca mais Vinícius nem Elizete para cantar as dores do amor demais. Que porra é uma temakeria, pra que é que serve essa merda?

Lá em Buenos Aires não é assim. Meu amigo Carlaccio garante que não. As pessoas – ele diz - não precisam se envergonhar de serem tristes e de andarem sozinhas pelas calles. Ele me garantiu que as crianças não freqüentam bares e as assombrações – isso é sensacional - ficam por conta dos fantasmas que exercem o ofício com sobriedade e elegância. Os fantasmas de Buenos Aires são de verdade, diferentemente das cunhadas e dos vultos mexeriqueiros saídos das obsessões do Nelson Rodrigues, aqueles que me atazanavam no Grajaú.

Os sem-déjà vu invadiram, ocuparam e depredaram meu Sítio Solidão. Arrancaram postas da minha tristeza que agora... agora, meu caro Vinícius, que o Chico trocou o samba pelos livros, é que nunca mais vai ter fim.

PS: Na próxima semana escreverei sobre meu amigo, Alberto Guzik, falecido nesse sábado, 26/06.

*Considerado uma das grandes revelações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.

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